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ORIGIN Saga Lux - Livro 4 JENNIFER L. ARMENTROUT

Sinopse: Daemon fará o que for para recuperar Katy. Após o exitoso, mas desastroso ataque a Mount Weather, ele está de frente com o impossível. Katy se foi. Está presa. Tudo se resumia a encontrá-la. Tirar qualquer um do seu caminho? Feito. Queimar o mundo inteiro para salvá-la? Alegremente. Expor sua raça alienígena ao mundo? Com prazer. Tudo o que Katy pode fazer é sobreviver. Rodeada por inimigos, a única forma de sair disso é se adaptando. Afinal de contas, há lados do Daedalus que não parecem completamente loucos, mas as metas do grupo são assustadoras e as verdades que eles falam ainda mais perturbadoras. Quem são os bandidos de verdade? O Daedalus? A humanidade? Ou os Luxen? Juntos, eles podem enfrentar qualquer coisa. Mas o inimigo mais perigoso esteve ali todo o tempo, e quando são expostas as verdades e as mentiras caem, de que lado ficará Daemon e Katy? E eles vão mesmo ficar juntos?

CAPÍTULO 1 Katy


Eu estava pegando fogo novamente. Pior do que quando fiquei doente da mutação ou quando ônix foi pulverizado na minha cara. As células mutantes em meu corpo quicavam como se estivessem tentando abrir caminho através da minha pele. Talvez elas estivessem. Parecia que eu estava esticada aberta. Havia uma reunião de umidade nas minhas bochechas. Eram lágrimas, percebi lentamente. Lágrimas de dor e raiva, uma fúria tão potente que tinha gosto de sangue na parte de trás da minha garganta. Ou talvez isso realmente fosse sangue. Talvez eu estivesse me afogando em meu próprio sangue. Minhas memórias depois que as portas foram seladas eram nebulosas. As palavras de despedida de Daemon me assombravam a todo momento. Eu te amo, Kat. Sempre Amei. Sempre Amarei. Houve um som sibilante quando as portas se fecharam, e eu tinha sido deixada sozinha com o Arum. Eu acho que eles tentaram me comer. Tudo tinha ficado preto, e eu tinha acordado neste mundo onde doía para respirar. Lembrar a sua voz, suas palavras, acalmava alguns dos tormentos. Mas depois lembrava-me de Blake se despedindo sorrindo enquanto segurava o colar de opala — meu colar de opala; Daemon tinha me dado pouco antes de as sirenes soarem e as portas começaram a fechar e minha raiva explodir. Eu tinha sido capturada, e não sabia se Daemon tinha conseguido sair junto com o resto deles. Eu não sabia de nada. Forçando os olhos a se abrirem, pisquei quando as luzes fortes brilharam sobre mim. Por um momento, não podia ver em torno de seu brilho intenso. Tudo tinha uma aura. Mas, finalmente clareou, e eu vi um teto branco por trás das luzes. — Bom. Você está acordada. Apesar da queimação pulsante, meu corpo ficou tenso ao som da voz masculina desconhecida. Tentei olhar para a fonte, mas a dor abateu meu corpo, curvando meus dedos. Eu não podia mover meu pescoço, meus braços, ou pernas. Um terror gelado encharcou minhas veias. Faixas de ônix estavam ao redor do meu pescoço, meus pulsos, tornozelos, me sujeitando. Pânico entrou em erupção, apreendendo o ar em meus pulmões. Eu pensei sobre as contusões que Dawson tinha visto no pescoço de Beth. Um tremor de repulsa e medo sacudiu através de mim. O som de passos se aproximou, e um rosto, inclinado para o lado, apareceu, bloqueando a luz. Era um homem mais velho, talvez em seus quarenta e tantos anos, com cabelo escuro polvilhado com cinza que tocava perto do couro cabeludo. Ele usava um uniforme militar verde escuro. Havia


três fileiras de botões coloridos acima do peito esquerdo e uma águia com asas à direita. Mesmo com a confusão e a dor nublando minha mente, sabia que esse cara era importante. — Como está se sentindo? — Ele perguntou em voz nivelada. Pisquei devagar, querendo saber se este homem estava falando sério. — Tudo... tudo dói. — eu resmunguei. — São as faixas, mas eu acho que você sabe disso. — Ele apontou para algo ou alguém atrás dele. — Tivemos que tomar certas precauções quando transportamos você. Me transportaram? Minha frequência cardíaca aumentou enquanto eu olhava para ele. Onde diabos eu estava? Eu estava ainda em Mount Weather? — Meu nome é sargento Jason Dasher. Vou libertá-la para que possamos conversar e você possa ser examinada. Você vê os pontos escuros no teto? — questionou. Meu olhar seguiu o seu, e então vi as manchas quase invisíveis. — É uma mistura de ônix e diamantes. Você sabe o que faz o ônix, e se lutar contra nós, esta sala vai encher-se com ele. Seja qual for a resistência que você construiu não irá ajudá-la aqui. A sala inteira? Em Mount Weather, tinha sido apenas um sopro no rosto. Não um fluxo interminável dele. — Você sabia que os diamantes têm o maior índice de refração da luz? Apesar de não ter os mesmos efeitos dolorosos de ônix, em quantidades suficientes grandes e quando ônix se combina com ele, tem a capacidade de drenar Luxen, deixando-os incapazes de evocar a Source. Ele vai ter o mesmo efeito em você. Bom saber. — O quarto está equipado com ônix como medida de segurança. — continuou ele, com os olhos castanhos escuros focados nos meus novamente. — No caso de você de alguma forma, ser capaz de acessar a Source ou atacar qualquer membro de minha equipe. Com híbridos, nunca sabemos a extensão de suas habilidades. Agora eu não acho que seria capaz de sentar-me sem ajuda, e muito menos ser uma ninja em ninguém. — Você entendeu? — Seu queixo levantou, enquanto esperava. — Não quero te machucar, mas vamos neutralizá-la, se você representar uma ameaça. Você entende, Katy? Eu não queria responder, mas também queria sair das malditas faixas de ônix. — Sim. — Ótimo. — Ele sorriu, mas foi praticado e não muito simpático. — Nós não queremos que você fique com dor. Isso não é o que o Daedalus faz. E isso está longe de ser o que somos. Você pode não acreditar nisso agora, mas esperamos que venha a entender o que nós somos. A verdade por trás


de quem somos e quem são os Luxen. — É difícil de acreditar... agora. O Sargento Dasher parecia tomar isso como algo que valia a pena, e então ele estendeu a mão em algum lugar debaixo da mesa fria. Houve um clique alto, e as faixas se levantaram por conta própria, escorregando do meu pescoço e tornozelos. Soltando um suspiro, lentamente levantei meus braços trêmulos. Sentia partes inteiras do meu corpo entorpecidas ou hipersensíveis. Ele colocou a mão no meu braço e me encolhi. — Eu não vou te machucar. — disse ele. — Eu só vou ajudá-la a sentar-se. Tendo em conta que eu não tinha muito controle sobre minhas pernas trêmulas, não estava em condições de protestar. O sargento me deixou em pé em poucos segundos. Agarrei as bordas da mesa para me manter firme enquanto tomava várias respirações. Minha cabeça pendia do meu pescoço como um macarrão molhado, e meu cabelo se deslizava sobre meus ombros, ocultando a sala por um momento. — Você provavelmente vai se sentir um pouco tonta. Isso deve passar. Quando levantei minha cabeça, vi um homem baixo e calvo, vestido com um jaleco branco de laboratório, de pé junto a uma porta tão negra que refletia o ambiente. Ele segurava um copo de papel em sua mão e o que parecia ser um manguito de pressão manual em outro. Lentamente, meus olhos percorreram a sala. Isso me lembrou de um consultório médico estranho, equipado com pequenas mesas com instrumentos nelas, armários e mangueiras pretas ligados à parede. Com um sinal do sargento, o homem de jaleco se aproximou da mesa e cuidadosamente segurou o copo à minha boca. Bebi avidamente. A frieza acalmou a crueza na minha garganta, mas eu bebia muito rápido e acabou com um ataque de tosse que era ao mesmo tempo forte e dolorosa. — Eu sou o Dr. Roth, um dos médicos da base. — Ele colocou o copo de lado e enfiou a mão no casaco, retirando um estetoscópio. — Eu só vou ouvir o seu coração, ok? E então vou medir a sua pressão arterial. Eu pulei um pouco quando ele apertou a fria peça contra a pele do meu peito. Ele então colocou-o nas minhas costas. — Respire fundo e suave. — Quando eu fiz, ele repetiu as suas instruções. — Booom. Estenda seu braço para frente. Eu fiz e imediatamente notei o vergão vermelho circulando meu pulso. Havia outro em cima da minha outra mão. Engolindo em seco, desviei o olhar, a segundos de escorregar para o modo louca completa, especialmente quando os meus olhos se encontraram com o sargento. Eles não eram hostis,


mas os olhos pertenciam a um estranho. Eu estava completamente sozinha, com estranhos que sabiam o que eu era e me capturaram com um propósito. Minha pressão arterial tinha que estar no teto, porque meu pulso estava acelerado, e o aperto no meu peito não poderia ser uma coisa boa. À medida que o manguito de pressão se apertava, inalei várias respirações profundas, então, perguntei: — Onde estou? O sargento Dasher cruzou as mãos atrás das costas. — Você está em Nevada. Olhei para ele, e logo as paredes todas brancas, com exceção daquele ponto preto brilhante. — Nevada? Isso é... isso é do outro lado do país. Um fuso horário diferente. Silêncio. Então me ocorreu. Um riso estrangulado escapou. — Área 51? Houve mais silêncio, como se não pudessem confirmar a existência de tal lugar. A maldita Área 51— Não sabia se devia rir ou chorar. Dr. Roth lançou o manguito. — A pressão arterial está um pouco alta, mas isso é esperado. Eu gostaria de fazer um exame mais intenso. Visões de sondas e todos os tipos de coisas desagradáveis ​iluminou meu cérebro. Eu deslizei para fora da mesa rapidamente, afastando-me dos homens, com as pernas que mal seguravam meu peso. — Não. Você não pode fazer isso. Você não pode... — Nós podemos. — interrompeu o sargento Dasher. — Em virtude do Ato Patriota, somos capazes de apreender, transferir, e deter qualquer pessoa, humano ou não-humano, que representa um risco para a segurança da nação. — O quê? — Minhas costas bateram na parede. — Eu não sou uma terrorista. — Mas você é um risco. — ele respondeu. — Esperamos mudar isso, mas como você pode ver, o seu direito à liberdade foi renunciado no momento em que foi mutada. Minhas pernas se deram por vencidas, deslizei pela parede e sentei-me rígida. — Eu não posso... — Meu cérebro não queria processar nada disso. — Minha mãe... O sargento não disse nada. Minha mãe... oh meu Deus, a minha mãe devia estar ficando louca. Ela estaria em pânico e devastada. Nunca iria superar isso. Pressionando as palmas das mãos contra a minha testa, eu fechei os olhos.


— Isso não está certo. — O que você achou que aconteceria? — Perguntou Dasher. Eu abri meus olhos, minha respiração saindo em rajadas curtas. — Quando se infiltrou em uma instalação do governo, você achou que caminharia para fora e tudo ficaria bem? Que não haveria consequências para tais ações? — Ele se abaixou na minha frente. — Ou que um grupo de crianças, alienígena ou híbrido, seria capaz de chegar tão longe como você fez, sem nós, permitindo isso? Frieza irradiava sobre o meu corpo. Boa pergunta. O que nós pensamos? Nós suspeitávamos que poderia ser uma armadilha. Eu tinha praticamente me preparado para isso, mas não poderia ir embora e deixar Beth apodrecendo lá dentro. Nenhum de nós poderia ter feito isso. Olhei para o homem. — O que aconteceu com... com os outros? — Eles escaparam. Alívio correu através de mim. Pelo menos Daemon não estava trancado em algum lugar. Isso deu-me algum tipo de conforto. — Nós só precisávamos pegar um de vocês, para ser honesto. Ou você ou a pessoa que a transformou. Tendo um, chegaremos ao outro. — Ele fez uma pausa. — Neste momento, Daemon Black desapareceu do nosso radar, mas imagino que não vai ficar assim por muito tempo. Nós aprendemos através de nossos estudos que o vínculo entre um Luxen e o que ele ou ela transformou é bastante intenso, especialmente entre um macho e uma fêmea. E a partir de nossas observações, vocês dois são extremamente... próximos. Sim, meu alívio caiu e queimou em um glorioso fogo, e o medo se apoderou de mim. Não havia nenhum sentido em fingir que eu não tinha ideia do que ele estava falando, mas eu nunca iria confirmar que foi Daemon. Nunca. — Eu sei que você está com medo e com raiva. — Sim, estou sentindo fortemente as duas coisas. — Isso é compreensível. Nós não somos tão ruins quanto você pensa que nós somos, Katy. Tivemos todo o direito de usar métodos letais quando a capturamos. Nós poderíamos ter pegado seus amigos. Mas não fizemos isso. — Ele se levantou, apertando as mãos novamente. — Você vai ver que não somos o inimigo aqui. Não é o inimigo? Eles eram o inimigo, uma ameaça maior do que todo o rebanho de Arum, porque eles tinham todo o governo por trás deles. Porque eles simplesmente podiam abocanhar as pessoas e levá-las para longe de tudo, sua família, seus amigos, sua vida inteira e fugir com ela. Eu estava tão ferrada.


Quando a situação realmente penetrou em mim, minha tenacidade em me manter calma se deslizou e caiu completamente. Um terror sombrio chicoteou através de mim, transformando-se em pânico, criando uma bagunça feia de emoções movidas por adrenalina. O instinto assumiu — um tipo que eu não tinha nascido com ele, mas foi moldado pelo que eu me tornei quando Daemon tinha me curado. Fiquei em pé com um pulo. A dores musculares gritaram em protesto, e minha cabeça deu voltas pelo movimento repentino, mas eu fiquei de pé. O médico moveu-se para o lado, seu rosto empalidecendo quando ele estendeu a mão para a parede. O sargento nem sequer piscou um olho. Ele não tinha medo da minha valentia. Invocar a Source deveria ter sido fácil, considerando todas as emoções violentas que rolavam dentro de mim, mas não havia um impulso — como o tipo que você consegue quando está no alto topo de uma montanha russa — ou até mesmo a construção de estática da minha pele. Não havia nada. Através da névoa de horror e pânico nublando meus pensamentos, um pouco de realidade se infiltrou, e eu lembrei que eu não poderia usar a Source aqui. — Doutor? — Disse o sargento. Na necessidade de uma arma, eu corri em volta dele, indo para a mesa com os pequenos instrumentos. Eu não sabia o que eu faria se eu conseguisse sair desta sala. A porta poderia estar bloqueada. Eu não estava pensando muito além daquele segundo. Eu só precisava sair de lá. Agora. Antes que eu pudesse alcançar a bandeja, o médico bateu com a mão contra a parede. Um horrível som familiar de ar liberando em uma série de pequenos puffs se seguiram. Não houve nenhum outro aviso. Sem cheiro. Nenhuma mudança na consistência do ar. Mas esses pequenos pontos no teto e nas paredes lançaram ônix como arma, e não havia como escapar. Horror me afogou. Eu respirei e a dor cortante como brasa começou no meu couro cabeludo e correu pelo meu corpo. Como se eu estivesse sendo encharcada com gasolina e incendiada, um incêndio tomou conta de minha pele. Minhas pernas cederam, e meus joelhos se chocaram no chão de azulejos. O ar cheio de ônix arranhou minha garganta e queimou meus pulmões. Eu me enrolei em uma bola, os dedos arranhando o chão quando minha boca se abriu em um grito silencioso. Meu corpo se contraiu de forma incontrolável quando o ônix invadiu cada célula. Não houve final. Sem esperança de que o fogo seria extinto pelo raciocínio rápido de Daemon, e eu silenciosamente chamei o seu nome, uma e outra vez, mas não houve resposta. Não havia e não haveria nada além de dor.


***** Daemon Trinta e uma horas, 42 minutos e 20 segundos se passaram desde que as portas tinham se fechado, separando Kat de mim. Trinta e uma horas, 42 minutos e dez segundos desde a última vez que a vi. Trinta e uma horas e quarenta e um minutos que Kat estava nas mãos do Deadalus. A cada segundo, a cada minuto e hora que passavam eu ficava completamente louco. Eles me trancaram em uma cabana com só um quarto, que era realmente uma cela decorada, com tudo o que podia irritar um Luxen, mas não tinha me parado. Eu tinha explodido a porta e o Luxen que me vigiava para outra maldita galáxia. Amarga raiva passava através de mim, cobrindo minhas entranhas com ácido quando ganhei velocidade, voando após a linha de cabanas, evitando o aglomerado de casas e indo direto para as árvores ao redor da comunidade Luxen escondida sob as sombras das rochas do Sêneca. Não havia chegado na metade do caminho, quando vi uma mancha branca vindo direto para mim. Eles vinham tentar me impedir? Sim, não vai acontecer. Eu derrapei até parar, e a luz passou zumbindo e, em seguida, virou-se. Com a forma de um ser humano, ficou de pé na minha frente, tão brilhante que o Luxen iluminava as árvores escuras atrás dele. Nós só estamos tentando protegê-lo, Daemon. Assim como Dawson e Matthew pensaram em me proteger, tirando-me de Mount Weather e, em seguida, trancando-me. Oh, eu tinha um osso do tamanho nuclear a roer com aqueles dois. Nós não queremos machucar você. — Isso é uma vergonha. — estalei meu pescoço. Atrás de mim, vários outros estavam se reunindo. — Não tenho nenhum problema em machucá-los. O Luxen na minha frente estendeu os braços. Isso não tem que ser dessa maneira. Não havia outra maneira. Deixar a minha forma humana desparecer era como tirar roupas muito apertadas. A tonalidade avermelhada se estendeu sobre a grama como sangue. Vamos acabar logo com isso. Nenhum deles hesitou. Nem eu. O Luxen disparou para a frente, um borrão de membros brilhantes. Mergulhei em seus braços, saltando atrás dele. Pegando seus braços, golpeei meu pé em suas costas arqueadas. Mal esse Luxen caiu, outro outro tomou seu lugar.


Lançando-me para o lado, eu golpeei o que vinha para cima de mim na cabeça e mergulhei, por pouco não perdendo um pé no processo. Recebi a sensação de peito aberto — a parte física da luta. Derramei cada gota de fúria e frustração em cada soco e chute, acabando com mais três deles. Um pulso de luz cortou através das sombras, apontando diretamente para mim. Inclinando-me, bati o punho no chão. Solo voou para o céu quando uma onda de choque ondulou para o exterior, pegando o Luxen e jogando-o no ar. Saltei para cima, agarrando-o tão intensamente, que a luz brilhante explodiu, transformando a noite em dia por um breve momento. Girei, lançando-o como um disco. Ele se chocou em uma árvore e bateu no chão, mas rapidamente se atirou sobre seus pés. Correndo para a frente, a luz branca tingida em azul arrastando-se atrás dele como uma cauda de um cometa. Lançando para mim o que equivalia a uma bola de energia com poder de força nuclear, ele soltou um rugido desumano de batalha. Ah, então ele queria jogar desse jeito? Eu me inclinei para o lado; o raio se extinguiu, quando me passou rapidamente. Atraí a Source, recuando, deixando o poder subir. Bati meu pé no chão, criando uma cratera e outra onda, fazendo o Luxen perder o equilíbrio. Estendendo meu braço, deixei a Source ir. Ela voou da minha mão como uma bala, atingindo-o em cheio no peito. Ele desceu, vivo, mas com uma variedade de espasmos. — O que você pensa que está fazendo, Daemon? Ao som da voz nivelada de Ethan Smith, eu me virei. O Ancião, em sua forma humana, estava a vários metros mais atrás, entre os caídos. Meu corpo tremia de energia não utilizada. Eles não deveriam ter tentado me parar. Nenhum de vocês deveriam ter tentado me parar. Ethan apertou as mãos na frente dele. — Você não deveria estar disposto a arriscar a sua comunidade por uma garota humana. Havia uma boa chance de que eu iria fulminá-lo até a próxima semana. Ela é algo que eu nunca vou discutir com você. — Nós somos sua espécie, Daemon. — Ele deu um passo para a frente. — Você precisa ficar com a gente. Ir atrás dessa humana só... Estendi minha mão, agarrando pelo pescoço o Luxen que estava aproximando-se sigilosamente de mim. Virando-se para ele, nós dois entramos em forma humana. Seus olhos se encheram de terror. — De verdade? — Eu rosnei. — Merda. — Ele murmurou. Levantando-o no ar, bati o filho da mãe estúpido no chão. Solo e rocha voaram no ar enquanto


eu me endireitava, voltando o olhar para Ethan. O Ancião empalideceu. — Você está lutando contra sua própria espécie, Daemon. Isso é imperdoável. — Eu não estou pedindo o seu perdão. Não estou pedindo nada. — Você vai ser expulso. — ameaçou. — Adivinha o quê? — recuei, mantendo um olho no Luxen no chão, que tinha começado a se mexer. — Eu não me importo. Raiva saiu de Ethan, e a calma expressão, quase dócil, desapareceu. — Você acha que eu não sei o que você fez com aquela garota? O que o seu irmão fez com a outra? Ambos buscaram isso para si mesmos. É por isso que não nos misturamos com eles. Os seres humanos não trazem nada além de problemas. Você vai causar problemas, fazer com que nos olhe muito de perto. Nós não precisamos disso, Daemon. Você está arriscando muito por uma humana. — Este é o planeta deles. — eu disse, me surpreendendo com essa afirmação, mas era verdade. Kat tinha dito isso antes, e eu repeti as palavras dela. — Nós somos os convidados aqui, amigo. Os olhos de Ethan se estreitaram. — Por enquanto. Minha cabeça inclinou para o lado ante essas duas palavras. Não precisa ser um gênio para perceber que era um aviso, mas agora, não era a minha prioridade. Kat era. — Não me siga. — Daemon... — Estou falando sério Ethan. Se você ou qualquer outra pessoa vier atrás de mim, eu não vou pegar leve, como acabo de fazer. O Ancião zombou. — Será que ela realmente vale isso? Um vento frio se moveu sobre minha espinha. Sem o apoio da comunidade Luxen, eu estaria por minha conta, não seria recebido em qualquer de suas colônias. Palavras viajavam rápido; Ethan teria certeza disso. Mas não houve um momento de hesitação. — Sim. — eu disse. — Ela vale qualquer coisa. Ethan respirou profundamente. — Terminamos aqui. — Que assim seja. Girando, movi-me através das árvores, correndo em direção a minha casa. Meu cérebro estava revolto. Eu não tinha muito de um plano. Nada de concreto, mas eu sabia que eu ia precisar de


algumas coisas. Dinheiro era uma delas. Um carro. Correr por todo o caminho até o Mount Weather não era uma opção. Voltar para a casa ia ser difícil, porque eu sabia que Dee e Dawson estariam lá e que iriam tentar me parar. Neste ponto, eu gostaria de vê-los tentar. Mas enquanto chegava ao topo da colina rochosa e acelerava, o que Ethan disse colocou sombras no meu caminho. Ambos buscaram isso para si mesmos. Tínhamos? A resposta foi simples e bem na minha cara. Ambos, Dawson e eu, tínhamos colocado as meninas em perigo simplesmente por estarmos interessados nelas. Nenhum de nós tinha planejado machucá-las, ou que a cura delas iria se transformar em algo não exatamente humano ou Luxen, mas sabia dos riscos. Eu particularmente conhecia os riscos. Foi por isso que eu tinha afastado Katy no início, tinha ido a extremos para mantê-la longe de Dee e de mim. Em parte devido ao que tinha acontecido com Dawson, mas também porque havia tantos riscos. E, ainda assim, levei Kat profundamente a este mundo. Segurei a mão dela e praticamente acompanhei-a direto para ele. Olhe o que consegui. Não era para acontecer desta forma. Se alguém tivesse que ser pego, logo se as coisas corressem mal em Mount Weather, deveria ter sido eu. Não Kat. Nunca ela. Xingando baixinho, atingi um pedaço de terra iluminada pelo luar prateado, segundos antes de sair do bosque e diminuir a velocidade sem querer. Meus olhos foram direto para a casa de Kat, e pressão apertou contra meu peito. A casa estava escura e silênciosa, como esteve os anos antes dela ter se mudado. Sem vida, uma concha vazia, uma casa escura. Eu parei ao lado do carro de sua mãe e soltei uma respiração irregular, que não fez nada para aliviar a pressão crescendo em meu peito. Na escuridão, eu sabia que não era visto, e se o DOD ou Daedalus estivessem me vigiando, poderiam me pegar. Isso seria mais fácil para mim. Se eu fechasse meus olhos, podia ver Kat saindo pela porta da frente, usando aquela camisa maldita que dizia: “Meu blog é melhor do que seu Vlog”, e os shorts ... essas pernas ... Cara, eu tinha sido um idiota para ela, mas ela não desistiu de mim. Nem por um segundo. Uma luz acendeu na minha casa. Um segundo depois, a porta da frente se abriu, e Dawson estava lá. A brisa levou sua maldição suave. Eu tinha que dizer que Dawson parecia mil vezes melhor desde que o vi pela última vez. As sombras escuras que estavam sob seus olhos foram embora em sua maioria. Algum peso tinha retornado. Como antes de ele ser capturado pelo DOD e o Daedalus, seria quase impossível de nos diferenciar, com a exceção de seu cabelo mais longo, desgrenhado. Sim, ele parecia espetacular. Ele


tinha Bethany de volta. Eu sabia que soava amargo, mas não me importei. No momento em que meus pés tocaram as escadas, uma onda de choque entrou em erupção de mim, quebrando o cimento dos degraus e sacudindo as tábuas. O sangue sumiu do rosto de meu irmão quando ele deu um passo para trás. Um senso de satisfação cresceu em mim. — Não estava me esperando tão cedo? — Daemon. — as costas de Dawson bateram na porta da frente. — Eu sei o que você está chateado. Outra explosão de energia me deixou, batendo no teto do telhado. Madeira rachou. Uma fissura apareceu, dividindo-o ao centro. Minha visão coloriu quando a Source me encheu, transformando o mundo em branco. — Você não tem ideia, irmão. — Queríamos mantê-lo seguro até que soubesse o que fazer, como recuperar Kat. Isso é tudo. Respirei profundamente quando caminhei até Dawson, ficando olho no olho com ele. — Você acha que me trancar na comunidade era a melhor resposta? — Nós... — Você acha que poderia me impedir? — Energia saiu em disparada de mim, atingindo a porta atrás de Dawson, arrancando-a em uma explosão das dobradiças e a arremessando para dentro da casa. — Incendiarei o mundo inteiro para salvá-la.

CAPÍTULO 2


Katy

Completamente molhada e gelada até os ossos, levantei-me do chão. Eu não tinha ideia de quanto tempo havia se passado desde que a primeira dose de ônix tinha sido liberada e a última explosão de água gelada que bateu em minhas costas. Ceder e deixá-los fazer o que queriam não tinha parecido ser uma opção no início. No início, a dor valeu a pena, porque eu estaria amaldiçoada se fizesse isso fácil para eles. Uma vez que o ônix tinha sido lavado da minha pele e eu podia me mover de novo, corri para a porta. Eu não estava progredindo, e lá pelo quarto ciclo da dosagem com ônix e depois de sentir como se estivesse morrendo afogada, eu apaguei. Eu estava realmente, realmente exausta. Uma vez que fui capaz de ficar em pé sem cair, arrastei-me em direção à mesa fria em passos lentos doloridos. Eu tinha certeza que a mesa tinha uma camada muito fina de diamantes sobre a superfície. A quantidade de dinheiro que deve ter custado para equipar a sala — sem mencionar o prédio inteiro —, de diamantes teve que ser astronômico e explicava ainda o problema da dívida do país. E realmente, de tudo que deveria pensar, isso não deveria estar na lista, mas acho que o ônix fez um curto-circuito em meu cérebro. O sargento Dasher tinha ido e vindo durante todo o processo, substituído por homens em uniforme militar. As boinas que eles usavam escondiam seus rostos, mas pelo que pude ver, eles não pareciam muito mais velhos do que eu, talvez em seus vinte e poucos anos. Dois deles estavam no quarto, ambos com pistolas amarrados às suas coxas. Parte de mim estava surpresa que não tinham disparado os tranquilizantes, mas o ônix serviu o seu propósito. O que usava uma boina verde escuro estava perto dos controles, observando-me, uma mão em sua pistola e outra sobre o botão da dor. O outro, o rosto escondido por uma boina cáqui, guardava a porta. Eu coloquei minhas mãos em cima da mesa. Através das tiras molhadas do meu cabelo encharcado, meus dedos pareciam muito brancos e pastosos. Eu estava com frio e tremendo tanto que eu me perguntava se na realidade estava tendo uma convulsão. — Eu estou... estou cansada. — disse com voz áspera. Um músculo pulsou no rosto de Boina Caqui. Tentei me levantar para cima da mesa, porque sabia que se não me sentasse, ia cair, mas o profundo tremor nos meus músculos me fez oscilar para o lado. A sala girou por um segundo. Não só


poderia ser algum dano permanente. Eu quase ri, porque que bom seria para o Daedalus se eles me fizessem dano? O Dr. Roth tinha permanecido o tempo todo sentado no canto da sala, parecendo cansado, mas agora ele estava de pé, o manguito de pressão na mão. — Ajude-a a subir na mesa. Boina Caqui veio em minha direção, a determinação apertando sua mandíbula. Eu recuei em uma débil tentativa de colocar alguma distância entre nós. Meu coração batia forte, insanamente rápido. Não o queria me tocando. Eu não queria que nenhum deles me tocasse. Com as pernas tremendo, dei outro passo para trás, e meus músculos simplesmente pararam de funcionar. Bati forte com minha bunda no chão, mas eu estava tão entorpecida, que a dor realmente não foi registrada. Boina Caqui olhou para mim, e do meu ponto de vista, pude ver seu rosto inteiro. Ele tinha os olhos azuis mais surpreendentes, e enquanto parecia aborrecido com essa rotina, parecia haver algum nível de compaixão em seu olhar. Sem dizer uma palavra, ele se inclinou e me pegou. Ele cheirava a detergente fresco, o mesmo tipo que minha mãe costumava usar, e as lágrimas brotaram em meus olhos. Antes que eu pudesse lutar, o que teria sido inútil, ele me depositou sobre a mesa. Quando ele se afastou, agarrei as bordas da mesa, sentindo como se eu tivesse estado aqui antes. E eu tinha. Outro copo de água foi dado a mim, e aceitei. O médico suspirou alto. — A luta contra isso já está fora do seu sistema? Eu deixei cair o copo de papel sobre a mesa e forcei minha língua a se mover. A sentia inchada e difícil de controlar. — Eu não quero estar aqui. — É claro que não. — Ele colocou a peça debaixo da minha camisa, no meu peito, como tinha feito antes. — Ninguém nesta sala, ou até mesmo neste edifício, espera isso de você, mas lutar contra nós, antes mesmo de saber o que estamos planejando, só vai te machucar no final. Agora respire profundamente. Eu respirei, mas o ar ficou preso. A linha de armários brancos em toda a sala turvou. Eu não iria chorar. Eu não iria chorar. O médico examinou meus movimentos, verificando minha respiração e pressão arterial antes de falar novamente. — Katy... posso te chamar de Katy? Uma curta risada rouca me escapou. Que educado.


— Claro. Ele sorriu enquanto colocava o manguito de pressão sobre a mesa e, em seguida, dava um passo para trás, cruzando os braços. — Eu preciso fazer um exame completo, Katy. Eu prometo que não vai doer. Vai ser como qualquer outro exame físico que você fez antes. O medo fez uma bola em meu interior. Eu cruzei os braços em volta da minha cintura, tremendo. — Eu não quero isso. — Nós podemos adiar um pouco, mas isso deve ser feito. — Virando-se, ele caminhou até um dos armários e pegou um cobertor marrom escuro. Voltando à mesa, ele o colocou sobre meus ombros curvados. —Uma vez que você recuperar a sua força, nós vamos levá-la para seus aposentos. Lá você será capaz de lavar-se e vestir roupas frescas e limpas. Há também uma TV, se quiser assistir, ou você pode descansar. É muito tarde, e terá um grande dia amanhã. Eu segurei o cobertor perto, tremendo. Ele fez soar como se eu estivesse em um hotel. —Grande dia amanhã? Ele assentiu. — Há muita coisa que preciso te mostrar. Esperemos, então, que entenda sobre o que realmente se trata o Daedalus. Eu lutei contra a vontade de rir novamente. — Eu sei o que vocês são. Eu sei o que... — Você sabe apenas o que lhe foi dito. — o médico interrompeu. — E o que você sabe é apenas meia verdade. — Ele inclinou a cabeça para o lado. — Sei que está pensando em Dawson e Bethany. Você não sabe toda a história por trás deles. Meus olhos se estreitaram, e a resposta cheia de ira aqueceu minhas entranhas. Como ele ousava culpar Bethany e Dawson sobre o que Deadalus fez com eles? — Eu sei o suficiente. O Dr. Roth olhou para o de boina verde com os controles, e, em seguida, assentiu. Boina Verde calmamente saiu da sala, deixando o médico e o de boina caqui para trás. — Katy... — Eu sei que você, basicamente, os torturou. — o cortei, cada vez mais furiosa a cada segundo. — Eu sei que você trouxe pessoas aqui e forçou Dawson a curá-las, e quando isso não funcionava, esses humanos morriam. Sei que os manteve longe um do outro e usaram Beth para conseguir que Dawson fizesse o que queriam. Você é pior do que o demônio. — Você não sabe a história toda. — ele repetiu de forma uniforme, completamente


imperturbável com minhas acusações. Ele olhou para o de boina caqui. — Archer, estava aqui quando Bethany e Dawson foram trazidos? Virei-me para Archer, e ele concordou. — Quando as pessoas eram trazidas, ambos foram claramente difíceis de lidar, mas depois que a garota atravessou a mutação, ela ficou ainda mais violenta. Eles foram autorizados a ficar juntos até que se tornou evidente que havia um problema de segurança. Foi por isso que eles foram separados e, posteriormente, transferidos para locais diferentes. Eu balancei minha cabeça enquanto puxava o cobertor mais perto. Eu queria gritar com eles com todo meus pulmões. — Eu não sou estúpida. — Eu não acho que você seja. — respondeu o médico. — Os híbridos são notoriamente desequilibrados, mesmo os que se transformaram com sucesso. Beth foi e é instável. Nós se formaram em minha barriga. Eu poderia facilmente lembrar o quão louca Beth estava na casa de Vaughn. Ela parecia bem quando a encontramos em Mount Weather, mas ela nem sempre foi assim. Dawson e todos estavam em perigo? Poderia sequer acreditar em qualquer coisa que essas pessoas estavam me dizendo? — É por isso que preciso fazer um exame completo, Katy. Eu olhei para o médico. — Você está dizendo que sou instável? Ele não respondeu de imediato, e parecia que a mesa tinha caído de debaixo de mim. — Há uma chance. — disse ele. — Mesmo com as mutações de sucesso, há um problema de instabilidade que surge quando o híbrido utiliza a Source. Apertando o cobertor até que as sensações voltassem a meus dedos, obriguei meu coração a desacelerar. Isso não estava funcionando. — Eu não acredito em você. Eu não acredito em qualquer coisa que você está dizendo. Dawson era... — Dawson foi um caso triste. — disse ele, me cortando. — E você vai entender isso. O que aconteceu com Dawson não foi intencional. Ele teria sido liberado eventualmente, uma vez que tínhamos a certeza de que ele pudesse se adaptar novamente. E Beth... — Basta parar. — rosnei e minha própria voz me surpreendeu. — Eu não quero ouvir mais nada de suas mentiras. — Você não tem ideia, Srta Swartz, o quão perigoso os Luxen são e a ameaça que representam aqueles que foram transformado por eles. — Os Luxen não são perigosos! E os híbridos não seriam, também, se você nos deixassem em


paz. Nós não fizemos nada para você. Nós não teríamos. Nós não estávamos fazendo nada até que você... — Você sabe por que os Luxen vieram para a Terra? — ele perguntou. — Sim. — Meus dedos doíam. — Os Arum destruíram seu planeta. — Você sabe por que seu planeta foi destruído? Ou as origens dos Arum? — Eles estavam em guerra. Os Arum estavam tentando tirar suas habilidades e matá-los. — Eu estava totalmente atualizada sobre minha aula Alien 101. Os Arum eram os opostos dos Luxen, mais sombra do que a luz, e se alimentava de Luxen. — E você está trabalhando com esses monstros. Dr. Roth balançou a cabeça. — Como com qualquer grande guerra, os Arum e os Luxen têm lutado por tanto tempo que duvido que muitos deles sequer sabem o que provocou a batalha. — Então você está tentando dizer que os Arum e os Luxen são como uma Faixa de Gaza intergalática? Archer bufou com isso. — Eu nem sei por que estamos falando sobre isso. — disse eu, de repente, tão cansada que não tinha certeza se conseguia pensar direito. — Nada disso importa. — Sim, importa. — disse o médico. — Demosntra o pouco que você realmente sabe sobre disso. — Bem, eu acho que você vai me ensinar? Ele sorriu, e eu queria tirar o olhar condescendente de seu rosto. Pena que exigiria meu desapego do cobertor e reunir a energia para fazê-lo. — Durante seu auge, os Luxen eram a forma de vida mais poderosa e inteligente em todo o universo. Assim como em qualquer conjunto de espécies, a evolução desenvolveu em resposta, a criação de um predador natural: os Arum. Olhei para o homem. — O que você está dizendo? Ele encontrou meu olhar. — Os Luxen não eram as vítimas em sua guerra. Eles eram a causa dela.

***** Daemon


— Como conseguiu sair? — perguntou Dawson. Levou tudo para mim não bater o meu punho em seu rosto. Tinha me acalmado o suficiente para que fosse pouco provável derrubar a casa até os alicerces. Ainda era uma possibilidade, no entanto. — A melhor pergunta é, quanto me custou para sair e chegar até aqui? — fiquei tenso, esperando. Dawson bloqueou a porta. — Não lute comigo sobre isso, irmão. Você não será capaz de me parar, e sabe disso. Ele segurou o meu olhar por um momento, então praguejou quando se afastou. Passei por ele, meus olhos indo para a escada. — Dee está dormindo. — disse ele, passando a mão pelo cabelo. — Daemon... — Onde está Beth? — Aqui. — veio uma voz suave da sala de jantar. Eu me virei e, inferno, era como se a garota se materializou da fumaça e das sombras. Eu tinha esquecido de como ela era pequena. Magra e delicada, com abundantes cabelos castanhos e um pontudo teimoso queixo pequeno. Ela era muito mais pálida do que eu me lembrava. — Ei você aí. — Meu ressentimento não era com ela. Olhei para o meu irmão. — Você acha que é sensato tê-la aqui? Ele foi para o lado dela, envolvendo seu braço sobre seus ombros. — Nós planejamos partir. Matthew ia nos estabelecer na Pensilvânia, perto de South Mountain. Assenti. A montanha continha uma quantidade razoável de quartzito, mas de nenhuma comunidade Luxen que soubesse. — Mas não queríamos partir agora. — Beth acrescentou calmamente, os olhos correndo ao redor da sala, não se fixando em nada em particular. Ela estava vestida com uma das camisetas de Dawson e um moletom de Dee. Ambos a engoliam completamente. — Isso não parecia certo. Alguém deveria estar aqui com Dee. — Mas não é realmente seguro para vocês dois. — eu apontei. — Matthew poderia ficar com Dee. — Nós estamos bem. — Dawson inclinou a cabeça, dando um beijo na testa de Beth antes de me prender com um olhar sério. — Você não deveria estar fora da colônia. O deixei lá para mantê-lo seguro. Se a polícia vê-lo ou a... — A polícia não vai me ver. — Essa preocupação fazia sentido. Desde que Kat e eu estávamos supostamente desaparecidos, ou tínhamos fugido, meu reaparecimento iria levantar um monte de perguntas. — Nem a mãe de Kat.


Ele não parecia convencido. — Você não está preocupado com o DOD? Eu não disse nada. Ele balançou a cabeça. — Merda. Ao lado dele, Beth mudou seu leve peso de um pé para o outro. — Você vai atrás dela, não é? — O inferno que ele vai. — Meu irmão cortou, e quando eu não disse nada, ele soltou uma série de palavrões que eu fiquei realmente impressionado. — Droga, Daemon, entre todos, sei o que você está sentindo, mas o que está fazendo é uma loucura. E sério, como escapou da cabana? Avançando para a frente, passei por ele e fui para a cozinha. Era estranho estar de volta aqui. Tudo era igual — Bancada cinza, aparelhos brancos, uma horrível decoração country que Dee colocou nas paredes, e a mesa da cozinha de carvalho maciço. Olhei para a mesa. Como uma miragem, Kat apareceu, sentado na borda. Dor profunda cortou meu peito. Deus, eu sentia falta dela, e me matava sem saber o que realmente estava acontecendo com ela ou o que eles estavam fazendo. Então, novamente, eu tive uma ideia. Eu sabia o suficiente do que eles tinham feito para Dawson e Beth, e isso me deixou mal fisicamente. — Daemon. — Ele tinha me seguido. Fiquei de costas para a mesa. — Nós não precisamos ter essa conversa, e eu não estou com vontade de dizer o óbvio. Você sabe o que vou fazer. Foi por isso que me colocou na colônia. — Eu não entendo como você saiu. Havia ônix em todo aquele lugar. Cada colônia tinha cabanas destinadas a manter Luxen que se tornaram perigoso para a nossa espécie ou para os seres humanos e que os anciãos não queriam levar para a polícia humana. — Se há uma vontade, há um caminho. — Eu sorri quando seus olhos se estreitaram. — Daemon... — Estou aqui para pegar algumas coisas, e então vou embora. — Eu abri a geladeira e peguei uma garrafa de água. Tomando um gole, o enfrentei. Éramos da mesma altura, de modo que nos encontrávamos no mesmo nível visual. — Estou falando sério. Não me pressione com isso. Ele se encolheu, mas seus olhos verdes encontraram os meus. — Não há nada que eu possa dizer que vai fazê-lo mudar de ideia? — Não.


Ele deu um passo para trás, esfregando a mão no queixo. Atrás dele, Beth se sentou na cadeira, seus braços em volta de sua cintura, seu olhar indo em todos os lugares, exceto em nossa direção. Dawson encostou-se ao balcão. — Vai me fazer bater em você até me obedecer? A cabeça de Beth se ergueu bruscamente, e eu ri. — Eu gostaria de ver você tentar, irmãozinho. — Irmãozinho. — ele zombou, mas um leve sorriso puxou seus lábios. Alívio era evidente no rosto de Beth. — Por quantos segundos? — questionou. — Chega. — Joguei a garrafa de água no lixo. Vários momentos se passaram, e então ele disse: — Eu vou te ajudar. — Claro que não. — Cruzei os braços. — Eu não quero sua ajuda. Eu não quero que nenhum de vocês participe disto. Determinação definiu seu maxilar. — Conversa fiada. Você nos ajudou. É perigoso demais fazer isso sozinho. Então se vai dar uma de teimoso e ignorar o fato de que me impediu, o que você fez, eu não vou deixar que faça isso sozinho. — Sinto muito tê-lo impedido. Agora, sabendo exatamente como você se sentiu, eu teria invadido aquele lugar maldito na mesma noite em que chegou em casa. Mas não vou deixar você ajudar. Veja o que aconteceu quando estávamos em tudo isso juntos. Eu não posso estar preocupado com vocês. Eu quero você e Dee tão longe quanto possível disso. — Mas... — Eu não vou discutir com você. — Eu coloquei minhas mãos em seus ombros e apertei. — Eu sei que você quer ajudar. Aprecio isso. Mas se realmente quer ajudar, não tente me parar. Dawson fechou os olhos, sua feição se franziu enquanto seu peito subia bruscamente. — Deixar você fazer isso por conta própria não é certo. Você não me deixa ajudar. — Eu sei. Vou ficar bem. Sempre estou bem. — Eu me inclinei, descansando minha testa contra a dele. Quando apertei as laterais de seu rosto, mantive minha voz baixa. — Acaba de recuperar Beth, e fugir comigo não é certo. Ela precisa de você. Você precisa dela, e eu preciso... — Você precisa de Katy. — Ele abriu os olhos e, pela primeira vez desde que tudo foi à merda em Mount Weather, houve entendimento em seu olhar. — Eu entendo isso. Sério. — Ela precisa de você, também. — Beth sussurrou. Dawson e eu nos separamos. Ele se virou para ela. Ela ainda estava sentada à mesa, com as


mãos abrindo e fechando no colo em rápidos movimentos repetitivos. — O que você disse, querida? — Questionou. — Kat precisa dele. — Seus cílios levantaram, e, apesar de seu olhar estar fixo em nós, não estava olhando para nós, na verdade não. — No princípio, vão dizer coisas a ela. Eles vão enganála, mas as coisas que lhe farão... Parecia que todo o oxigênio foi sugado para fora da cozinha. Dawson estava ao seu lado imediatamente, de joelhos, de modo que ela teve de olhar para ele. Ele tomou-lhe a mão e levou-a aos lábios. — Está tudo bem, Beth. Ela seguiu seus movimentos quase obsessivamente, mas havia um estranho brilho acumulando-se em seus olhos, como se estivesse distanciando-se cada vez mais. O cabelo na parte de trás do meu pescoço subiu, e dei um passo à frente. — Ela não vai estar em Mount Weather. — disse Beth, seu olhar flutuando sobre o ombro de Dawson. — Eles vão levá-la para longe e fazê-la fazer as coisas. —Fazer o quê? — As palavras saíram da minha boca antes que eu pudesse detê-las. Dawson me lançou um olhar por cima do ombro, mas eu ignorei. — Você não tem que falar sobre isso, querida. Tudo bem? Um longo momento se passou antes que ela dissesse qualquer coisa. — Quando o vi com vocês, eu sabia, mas parecia que vocês sabiam também. Ele é uma pessoa desagradável. Ele estava lá, também, comigo. Minhas mãos se fecharam em punhos quando me lembrei da reação de Beth ao vê-lo, mas tivemos que fazê-la de calar. — Blake? Ela balançou a cabeça lentamente. — Todos eles são ruins. Eles não pretendem ser. — Seu foco derivou para Dawson, e ela sussurrou: — Eu não quero ser. — Oh, amor, você não é ruim. — Ele colocou a mão em seu rosto. — Você não é nem um pouco má. Seu lábio inferior tremeu. — Eu fiz coisas terríveis. Você não tem ideia. Eu ma... — Isso não importa. — Ele caiu de joelhos. — Nada disso importa. Um tremor rolou através dela, e então ela olhou para cima, seus olhos travando nos meus. — Não deixe que façam essas coisas com Katy. Eles vão mudá-la. Eu não podia me mover ou respirar.


Seu rosto se apertou. — Eles me mudaram. Fecho meus olhos e vejo seus rostos, todos eles. Eu não posso desfazer-me deles, não importa o que eu faça. Eles estão dentro de mim. Meu Deus ... — Olhe para mim, Beth. — Dawson guiou seu rosto de volta ao seu. — Você está aqui comigo. Não está mais lá. Sabe disso, não é? Continue olhando para mim. Nada está dentro de você. Ela balançou a cabeça vigorosamente. — Não. Você não entende. Você... Recuando, deixei meu irmão lidar com isso. Ele conversou com ela em tons baixos e suaves, mas quando ela se acalmou, olhou para a frente, balançando a cabeça de um lado ao lado, lentamente, os olhos arregalados e a boca aberta. Ela não piscou, nem sequer parecia reconhecer ele ou eu. Não tinha ninguém aqui, percebi. Enquanto Dawson falava com ela do que quer que estava afligindo-a, o horror — real e verdadeiro horror —, converteu meu interior em gelo. A dor que estava nos olhos do meu irmão quando ele afastou o cabelo de seu rosto pálido, me comeu. Naquele momento, parecia que ele não queria nada mais do que trocar de lugar com ela. Segurei o balcão atrás de mim, incapaz de desviar o olhar. Eu poderia facilmente me ver fazendo a mesma coisa. Só que não seria Beth que estaria segurando em meus braços e persuadindo-a de volta à realidade — seria Kat. ***** Eu só estaria no meu quarto o tempo suficiente para me trocar com roupas limpas. Estar aqui era uma bênção e uma maldição. Por alguma razão, isso me fazia sentir mais perto de Kat. Talvez tenha sido por causa do que tínhamos compartilhado na minha cama e todos os momentos até então. Isso também me deixava em pedaços, porque ela não estava em meus braços e não estava segura. Eu não sabia se ela estaria verdadeiramente a salvo novamente. Conforme puxava a camisa limpa sobre a minha cabeça, senti minha irmã antes de falar. Soltando um profundo suspiro, eu me virei e encontrei-a em pé na minha porta, vestida com o pijama rosa chiclete que eu tinha dado a ela no Natal do ano passado. Ela parecia tão mal como eu me sentia. — Daemon... — Se você vai começar em como eu preciso esperar e pensar sobre isso, você pode me


poupar. — Sentei-me na cama, arrastando a mão pelo meu cabelo. — Isso não vai mudar o que quero. — Eu sei o que você quer, e não o culpo. — Ela cautelosamente entrou no meu quarto. — Ninguém quer vê-lo se machucar... ou pior. — Pior ainda é o que Kat está passando neste momento. Ela é sua amiga. Ou era. E você está bem com a espera? Saber o que podem fazer com ela? Ela se encolheu, e seus olhos brilhavam como esmeraldas na pouca luz. — Isso não é justo. — ela sussurrou. Talvez não, e em qualquer outro momento eu me sentiria como um idiota pelo golpe baixo, mas eu não conseguia reunir nada de empatia. — Nós não podemos perdê-lo. — Disse ela depois de alguns momentos de silêncio malditamente incômodos. — Você tem que entender que nós fizemos o que fizemos porque te amamos. — Mas eu a amo. — eu disse sem hesitação. Ela arregalou os olhos, provavelmente porque era a primeira vez que me ouvia dizer isso em voz alta — bem, sobre alguém que não era a minha família. Gostaria de ter dito isso mais vezes, especialmente para Kat. Engraçado como esse tipo de merda sempre acaba no final. Enquanto você está profundamente em alguma coisa, você nunca diz ou faz o que precisa. É sempre após o fato, quando já é tarde demais, que você percebe o que deveria ter dito ou feito. Não poderia ser tarde demais. O fato de que eu ainda estava vivo era prova disso. Lágrimas encheram os olhos de minha irmã quando ela disse em voz baixa: — Ela ama você, também. A queimação no meu peito se expandiu e se arrastou até a minha garganta. — Você sabe, sempre soube que ela gostava de você antes que ela admitiu isso para mim ou para si mesma. Eu sorri levemente. — Sim, eu também. Dee torceu o comprimento de seu cabelo em suas mãos. — Eu sabia que ela ia ser... ela seria perfeita para você. Ela jamais aceitaria o que você apronta. — Dee suspirou. — Eu sei que Kat e eu tivemos nossos problemas por... Adam, mas eu amo Kat, também. Eu não poderia fazer isso — sentar aqui e falar sobre ela como se estivéssemos em algum tipo de velório ou memorial. Esta merda era demais. Ela tomou um pouco de ar, um sinal claro de que estava prestes a desabafar.


— Eu gostaria de não ter sido tão dura com ela. Quero dizer, ela precisava saber que devia ter confiado totalmente em mim e tudo isso, mas se eu pudesse ter deixado isso para trás mais cedo, então ... bem, você sabe o que quero dizer. Teria sido melhor para todos. Eu odeio a ideia de que eu nunca possa... — Ela parou rapidamente, mas sabia onde ela queria chegar. Ela nunca poderia ver Kat novamente. — De qualquer forma, perguntei a ela antes do baile, se ela estava com medo de voltar para o Mount Weather. Meu peito se apertou como se alguém tivesse me agarrado em um abraço de urso. — O que ela disse? Dee soltou o cabelo. — Ela disse que estava, mas, Daemon, ela era tão corajosa. Ela até riu, e eu disse a ela... — Olhou para suas mãos, sua expressão franzida. — Eu disse-lhe para ter cuidado e para manter você e Dawson seguros. E você sabe, ela disse que faria, e o fez, de certa forma. Cristo. Eu esfreguei minha mão sobre meu peito, onde parecia que um buraco do tamanho de um punho tinha aberto. — Mas antes de eu ter perguntado isso a ela, Katy estava tentando falar comigo sobre Adam e tudo isso, e a interrompi com essa pergunta. Ela continuou tentando fazer as pazes, e eu continuava rejeitando-a. Ela provavelmente me odiava... — Isso não é o caso. — Olhei para Dee fixamente. — Ela não te odiava. Kat compreendia. Ela sabia que precisava de um tempo, e ela... — Eu tinha, de repente, a necessidade de sair deste quarto e desta casa e ir para a estrada. — O nosso tempo não passou. — disse ela em voz baixa, quase como se estivesse implorando... e droga se isso não doeu. — Não passou. A raiva se acendeu através de mim, e levou tudo em mim para não atacar. Porque manter-me na maldita cabana tinha sido nada além de um desperdício de tempo. Respirando profundamente várias vezes, fiz uma pergunta que eu não tinha certeza se queria uma resposta. — Você já viu a mãe dela? Seu lábio inferior tremeu. — Tenho visto. Eu peguei o olhar de minha irmã e segurou-o. — Diga-me. Sua expressão disse que era a última coisa que ela queria fazer. — A polícia esteve em sua casa todos os dias depois que... voltamos. Eu conversei com eles, e depois a mãe dela. A polícia acha que vocês dois fugiram. Ou pelo menos é o que eles disseram à


sua mãe, mas acho que um deles é um infiltrado. Ele era muito inflexível sobre isso. — É claro. — eu murmurei. — Sua mãe não acredita, no entanto. Ela conhece Katy. E Dawson tem se mantido discreto com Beth e tudo. Parece suspeito para qualquer pessoa com dois neurônios. — Ela caiu sentada, os braços caindo em seu colo. —Foi muito difícil. A mãe dela estava tão perturbada. Eu poderia dizer que ela pensa o pior, especialmente depois de Will e Carissa “desaparecerem”. — disse Dee, usando aspas no ar. — Ela se enconta muito mal. Culpa explodiu como chumbo grosso, deixando dezenas de buracos em mim. A mãe de Kat não deveria estar passando por isso — se preocupar com a sua filha, sentindo falta dela e temendo o pior. — Daemon? Não nos deixe. Nós vamos encontrar uma maneira de recuperá-la, mas por favor, não nos deixe. Por favor. Olhei para ela em silêncio. Eu não poderia fazer uma promessa que eu não tinha a intenção de manter e ela já sabia disso. — Eu tenho que ir. Você sabe disso. Eu tenho que trazê-la de volta. Seu lábio inferior tremeu. — Mas e se você não trazê-la de volta? E se você for colocado lá com ela? — Então pelo menos eu estou com ela. Estou lá para ela. —Fui até a minha irmã e apertei suas bochechas. Lágrimas rolavam, acumulando ao longo de meus dedos. Eu odiava vê-la chorar, mas odiava mais o que estava acontecendo com Kat. — Não se preocupe, Dee. Estamos falando de mim. Você sabe muito bem que sou capaz de sair de qualquer situação. E você sabe que eu vou tirá-la de lá. E nada neste mundo poderia me parar.


CAPÍTULO 3 Katy

Fiquei surpresa quando, com toda confusão em que meu cérebro estava, fui capaz de fazer algo normal, como trocar de roupa nova — uma calça de jogging preta e uma camisa de algodão cinza. A forma como a roupa se ajustava era preocupante, até mesmo as roupas íntimas. Como se soubessem que eu viria. Como se tivessem bisbilhotado na minha gaveta de roupa íntima e pegado meu tamanho. Eu queria vomitar. Em vez de me deter sobre isso, o que definitivamente me conduziria a um ataque de fúria que me conseguiria um rosto cheio de ônix e água gelada de novo, eu me concentrei em minha cela. Oh, desculpe-me. Meus aposentos, como o Dr. Roth me lembrou. Era do tamanho de um quarto de hotel, uns bons vinte metros quadrados ou mais. Azulejos cobriam o chão, frio sob meus pés descalços. Eu não tinha ideia de onde meus sapatos estavam. Havia uma cama de casal inserida contra a parede, uma pequena mesa de apoio ao lado dela, uma cômoda e uma televisão montada na parede ao pé da cama. No teto estavam os temíveis pontos pretos de dor, mas não havia mangueiras de água no quarto. E havia uma porta do outro lado da cama. Caminhando para ela, coloquei as pontas dos meus dedos na porta e a abri com cautela, esperando uma rede feita de ônix cair sobre mim. Isso não aconteceu. Dentro havia um pequeno banheiro com uma outra porta no final. Aquele estava trancada. Virei e voltei para o quarto. A viagem até minha cela não foi turística. Nós andamos em linha reta para fora da sala onde eu tinha acordado e entramos em um elevador que se abriu em frente de onde eu estava agora. Eu


realmente nem sequer cheguei a ter a oportunidade de olhar para o corredor para ver quantos quartos havia como o que eu estava no momento. Eu aposto que havia um monte. Sem ter ideia de que horas eram, se era dia ou noite, arrastei-me até a cama e peguei o cobertor marrom. Sentei-me e apertei minhas costas contra a parede, colocando minhas pernas contra meu peito. Eu puxei o cobertor ao meu queixo e sentei de frente para a porta. Eu estava cansada — cansada até os ossos. Meus olhos estavam pesados, e meu corpo doía com o esforço de ficar sentada, mas a ideia de dormir me assustava profundamente. E se alguém entrasse no quarto enquanto eu dormia? Essa era uma preocupação muito real. A porta estava trancada do lado de fora, ou seja, eu estava completamente a seu bel prazer. Para me impedir de cochilar, me concentrei nas mil perguntas circulando na minha cabeça. O dr. Roth tinha feito essa afirmação intrigante sobre os Luxen estarem por trás da guerra que tinha começado Deus sabia há quanto tempo. Mesmo que foram eles, que importava agora? Eu não acho que tinha. Não quando esta geração de Luxen estava tão longe do que os seus antepassados ​poderiam ter planejado. Sinceramente, nem sequer entendo por que ele havia tocado no assunto. Para mostrar o quão pouco eu sabia? Ou havia algo mais? E o que dizer de Bethany? Ela era realmente perigosa? Eu balancei minha cabeça. Mesmo que os Luxen começaram essa guerra, centenas, se não milhares de anos atrás, isso não significava que eles eram maus. E se Bethany era perigosa, isso provavelmente tinha algo a ver com o que tinham feito com ela. Eu não ia deixá-los me manipular com suas mentiras, mas eu tinha que admitir, que o que ele disse me enervava. Meu cérebro refletia sobre mais perguntas. Quanto tempo eles estavam planejando me manter aqui? E a escola? Minha mãe? Pensei em Carissa. Se ela tivesse sido levada a um lugar como este? Eu ainda não tinha ideia de como ela acabou transformada, ou por quê. Luc, o híbrido adolescente ridiculamente inteligente e até mesmo um pouco assustador, tinha nos ajudado a chegar ao Mount Weather e tinha avisado que eu nunca poderia saber o que aconteceu com Carissa. Não tinha certeza que eu poderia viver com isso. Nunca saber por que ela acabou no meu quarto e se autodestruiu não estava certo. E se eu acabasse como ela, ou como os inúmeros outros híbridos que o governo sequestrava, o que aconteceria com a minha mãe? Sem respostas para qualquer uma dessas perguntas, eu finalmente deixei minha mente ir para onde quisesse, onde eu estive desesperadamente tentando impedi-la de ir. Daemon. Meus olhos se fecharam enquanto eu exalava. Nem sequer tenho que tentar vê-lo. Seu rosto se reconstruiu perfeitamente. Suas amplas maçãs do rosto, lábios que eram cheios e quase sempre expressivos, e aqueles


olhos — aqueles belos olhos verdes que eram como duas esmeraldas polidas, anormalmente brilhantes. Eu sabia que a minha memória realmente não lhe faria justiça. Ele tinha essa beleza masculina que eu nunca tinha visto antes na vida real, só tinha lido em livros que eu amava. Cara, já sentia falta dos meus livros. Em sua verdadeira forma, Daemon era extraordinário. Todo Luxen era de tirar o fôlego; sendo feitos de pura luz, eles eram hipnotizantes de se ver, como ver uma estrela de perto. Daemon Black poderia ser tão espinhoso como um ouriço tendo um dia realmente ruim, mas por baixo de toda essa armadura delgada, ele era doce, protetor, e incrivelmente altruísta. Ele dedicou a maior parte de sua vida para manter sua família e sua espécie em segurança, enfrentando continuamente perigo com pouca atenção para sua própria segurança. Eu estava em constante deslumbre por ele. Embora não tivesse sido sempre assim. Uma lágrima escorreu da minha bochecha espontaneamente. Descansando meu queixo contra os meus joelhos, enxuguei a umidade. Rezei para que estivesse bem — tão bem como poderia estar. Que Matthew, Dawson, e Andrew estivessem mantendo uma rédea curta sobre ele. Que não o deixasse fazer o que eu sabia que ele queria: a mesma coisa que eu faria se a situação fosse inversa. Embora o quisesse — precisasse dele — para me abraçar, este era o último lugar que eu queria que ele estivesse. O último lugar. Com o coração dolorido, tentei pensar sobre as coisas boas — coisas melhores — mas as lembranças não eram suficientes. Havia uma forte chance de que eu nunca poderia vê-lo novamente. As lágrimas caíram dos meus olhos bem apertados. Chorar não resolveria nada, mas era difícil controlar quando a exaustão me perseguia. Mantive os olhos fechados, contando lentamente até que o nó de emoções confusas e em carne viva descesse pela minha garganta. ***** A próxima coisa que soube, despertei com um sobressalto, meu coração batendo e a boca seca. Não lembrava de ter adormecido, mas eu devo ter. Um formigamento estranho se movia sobre a minha pele quando tomei uma respiração profunda. Eu tive um pesadelo? Não conseguia me lembrar, mas algo estava errado. Desorientada, joguei o cobertor para trás e olhou ao redor da cela escura. Todos os músculos do meu corpo ficaram tensos quando meus olhos pegaram uma sombra mais grossa e mais escura no canto perto da porta. Os pelos minúsculos no meu corpo ficaram em pé. Ar parou em meus pulmões, e medo afundou suas garras geladas em meu estômago, me


congelando no lugar. Eu não estava sozinha. A sombra se afastou da parede, avançando rapidamente. Meu primeiro instinto gritou que era um Arum, e estendi a mão às cegas para o colar de opala, percebendo tarde demais que não o tenho mais. — Você ainda está tendo pesadelos. — disse a sombra. Ao som da voz familiar, o medo deu lugar a uma raiva tão potente que tinha gosto de ácido de bateria. Eu estava de pé antes de perceber. — Blake. — eu cuspi.

CAPÍTULO 4 Katy

O meu cérebro se desligou e algo muito mais primitivo e agressivo que o inferno assumiu. Senti o horrível sentimento pontiagudo de traição. Movendo-me para frente, o meu punho se conectou com o que senti como a maçã do rosto de Blake. Não foi um golpe de garotinha, tampouco. Cada pedaço de raiva e ódio reprimido que sentia em relação a ele estava concentrado nesse soco. Ele soltou um gemido assustado quando a dor incandescente dançou em minha mão. — Katy... — Seu filho da puta! — Eu bati mais uma vez, meus dedos batendo em sua mandíbula neste momento. Ele soltou outro gemido de dor quando cambaleou para trás. —Jesus. Girei, agarrando um pequeno abajur ao lado da cama, e sem aviso, a luz do teto se acendeu. Eu não tinha certeza de como ele fez. Se minhas habilidades não funcionavam aqui, então as de Blake não deviam, tampouco. O clarão repentino me pegou desprevenida, e Blake aproveitou. Ele saltou para a frente, obrigando-me a afastar o abajur. — Eu não faria isso se eu fosse você. — alertou.


— Vá se ferrar. — Tentei bater nele novamente. Ele pegou minha mão e torceu. Dor aguda subiu pelo meu braço, e soltei um suspiro surpreso. Ele me virou, e o chutei. Deixando de lado o meu braço, ele evitou o impulso do meu joelho. — Isso é ridículo. — disse ele, os olhos castanhos se estreitando. A ira se agitava nas manchas verdes. — Você nos traiu. Blake deu de ombros, e, bem, eu meio que perdi meu controle de novo. Eu me lancei para ele como uma espécie de ninja —uma ninja realmente coxo, porque ele facilmente se esquivou do meu ataque. Minha perna esquerda bateu na cama, e no segundo seguinte, ele bateu nas minhas costas. O ar saiu dos meus pulmões enquanto eu tombava para a frente, batendo na cama do meu lado, saltando contra a parede. Seus joelhos caíram sobre o colchão quando ele agarrou meus ombros, me rolando de barriga para cima. Bati em seus braços, e ele soltou uma maldição. Erguendo-se, tentei bater nele mais uma vez. — Pare com isso. — ele rosnou, agarrando o meu pulso. No momento seguinte, ele estava segurando meu outro pulso. Esticando meus braços acima da minha cabeça, ele se inclinou sobre mim, trazendo seu rosto a centímetros do meu, e falou baixo. — Pare com isso, Katy. Há câmeras em todos os lugares. Você não pode vê-los, mas eles estão lá. Eles estão assistindo agora. Como você acha que as luzes se acenderam? Não é mágica, e eles vão inundar este quarto inteiro com ônix. Eu não sei quanto a você, mas não acho isso muito atraente. Lutei para empurrá-lo, e ele mudou o peso, de modo que seus joelhos pressionavam em minhas pernas, prendendo-as. Pânico rastejou lentamente para dentro de mim, fazendo com que o meu pulso acelerasse. Eu não gostava de seu peso sobre mim. Isso me lembrava de como tinha entrado sorrateiramente em minha casa à noite e dormiu ao meu lado. Quando ele me viu dormir. Náusea subiu rapidamente, e o pânico cresceu. —Fique longe de mim! — Eu não sei. É provável que você me bata de novo. — Eu vou! — o empurrei com meus quadris, mas ele não se mexeu, e meu coração batia tão rápido, que tinha certeza que eu ia ter um ataque cardíaco. Blake me deu uma pequena sacudida. — Você precisa se ​acalmar. Eu não vou te machucar. Ok? Pode confiar em mim. Com os olhos arregalados, deixei escapar uma risada estrangulada. — Confiar em você? Você está louco?


— Você realmente não tem escolha. — o cabelo cor de bronze caía sobre sua testa. Normalmente, era arrumado daquela forma artisticamente bagunçado, mas parecia que ele ficou sem gel de cabelo hoje. Eu queria bater nele de novo, e me esforcei contra seu aperto, chegando a lugar nenhum. — Eu vou quebrar a sua cara! — Compreensível. — Me empurrou para baixo, estreitando os olhos. — Eu sei que não temos o mais estável relacionamento... — Nós não temos qualquer relacionamento. Não temos nada! — Respirando pesadamente, quis que meus músculos parassem de tremer. Vários momentos se passaram enquanto ele olhava para mim, narinas alargadas e boca definida em uma linha dura, cruel. Eu queria afastar o olhar, mas isso seria uma fraqueza, e isso era a pior coisa que eu poderia mostrar. — Eu te odeio. — Parecia inútil dizer isso, mas me fez sentir melhor. Ele se encolheu, e quando falou, sua voz era quase um sussurro. — Eu odiava mentir para você, mas eu não tinha escolha. O que quer que eu te dissesse, você teria dito a Daemon e ele contaria aos outros Luxen. E eu não podia deixar isso acontecer. Nem Daedalus poderia. Mas nós não somos os maus aqui. Eu balancei minha cabeça, estupefata e irritada além da crença. — Vocês são os caras maus! Você nos enganou! Desde o início. Tudo levou a isso. E você ajudou. Como você pôde? — Precisávamos. — Esta é a minha vida. — Lágrimas de raiva encheram meus olhos, porque eu não tinha controle sobre a minha vida agora, em parte graças a ele, e eu lutava para manter o meu nível de voz. — Qualquer coisa que disse era verdade? Chris? Você queria tirá-lo daqui? Blake não disse nada por um longo momento. — Eles teriam deixar Chris ir a qualquer momento. A história deles prendendo-o contra a sua vontade era apenas isso: uma história para fazer você simpatizar comigo. —Filho. De. Uma. Cadela. — eu sibilei. —Fui enviado para certificar-se da mutação realizada. Eles não sabiam o que meu tio e o Dr. Michaels estavam planejando, mas uma vez que eles souberam que a mutação tinha se realizado, eles precisavam saber quem a mutou e quão forte era. É por isso que eu voltei depois da noite... da noite que você e Daemon me deixaram ir. Nossa compaixão naquela noite tinha sido o último prego no nosso caixão. Era tão ironicamente triste. Eu queria agarrar-lhe os olhos. Ele soltou uma respiração irregular.


— Precisávamos ter a certeza que era poderosa o suficiente para isso. Eles sabiam que Dawson voltaria por Beth, mas eles queriam ver até onde você poderia chegar. — Isso? — Eu sussurrei. — O que é isso? — A verdade, Katy, a verdade real. — Como se você fosse capaz de dizer a verdade. — Eu rolei meu corpo, tentando tirá-lo de cima de mim. Murmurando outra maldição, ele levantou, ainda segurando meus pulsos, e me arrastou para fora da cama. Meus pés descalços deslizaram sobre o azulejo quando ele me arrastou para o banheiro. — O que você está fazendo? — Eu acho que você precisa se refrescar. — respondeu ele, apertando a mandíbula. Tentei resistir, mas tudo que consegui foi ralar a sola dos pés. Uma vez dentro do banheiro, joguei meu peso para o lado, e ele bateu na pia. Antes que eu pudesse voltar a atacá-lo, ele me empurrou para trás. Com os braços girando que nem hélices, tropecei na pequena elevação da divisão do box do chuveiro e caí dentro dele de bunda. Uma dor bem forte subiu pela minha coluna. Blake entrou na ducha, uma mão apertando meu ombro, a outra se estendendo cegamente para o lado. Um instante depois, a água gelada saía do chuveiro. Gritando, eu protestava para ficar em pé, mas a outra mão pousou no meu ombro, me imobilizando, até que a água gelada me encharcou. Eu arquejava, agitando os braços contra o frio. — Deixe-me sair daqui! — Não até que você esteja pronta para me ouvir. — Não há nada que você possa dizer. — as roupas ensopadas se agarravam à minha pele. O fluxo constante de água colava meu cabelo na minha cara. Temendo que ele estivesse tentando me afogar, tentei golpear o rosto dele, mas ele bateu nas minhas mãos. — Ouça-me. — Ele segurou meu queixo, seus dedos cravando em meu rosto, me forçando a encontrar seus olhos. — Culpe-me o quanto quiser, mas você acha que não estaria aqui, mesmo se nunca tivesse me conhecido? Se é assim, você está louca. No momento que Daemon a transformou, seu destino foi selado. Se quiser ficar chateada com alguém, deve ficar chateada com ele. Ele colocou você nessa situação. Blake me tinha em atordoada imobilidade. — Você é louco. Está culpando Daemon por isso? Ele salvou minha vida. Eu teria... — Ele a transformou, sabendo que estava sendo observado. Ele não é estúpido. Ele tinha que saber que o DOD iria descobrir. Na verdade, ele e sua família não sabiam sobre híbridos até que me transformei em um. — É tão típico de você, Blake. Tudo é culpa de todo mundo.


Seus olhos se estreitaram, e as manchas verdes se aprofundaram. — Você não entende. — Você está certo. — afastei as mãos dele do meu rosto. — Eu nunca vou conseguir. Recuando, ele balançou a cabeça enquanto eu saía do chuveiro. Ele estendeu a mão, desligou a água e pegou uma toalha, jogando-a para mim. — Não tente me bater de novo. — Não me diga o que fazer. — Usando a toalha, tentei me secar o melhor que pude. Ele cerrou os punhos. — Olha, eu entendo. Você está com raiva de mim. Grande. Supere isso, porque há coisas mais importantes para se concentrar. — Supere isso? — Eu iria sufocá-lo com esta toalha. — Sim. — Ele se inclinou contra a porta fechada, olhando-me com cautela. — Você realmente não tem ideia do que está acontecendo, Kat. — Não me chame assim.— Enxuguei minhas roupas com raiva e inutilmente. — Você se acalmou o suficiente? Eu preciso falar, e você precisa ouvir. As coisas não são o que você pensa. E eu desejo ter podido dizer a verdade antes. Eu não podia, mas estou agora. Um riso estrangulado escapou de mim quando balancei a cabeça em descrença. Seus olhos se estreitaram, e ele deu um passo adiante. Minhas costas se endireitaram em advertência, e ele não se aproximou mais. — Vamos deixar uma coisa bem clara. Se Daemon estivesse trancado em algum lugar, você teria jogado todo mundo e o bebê Jesus sob o ônibus para libertá-lo. Isso é o que você acha que eu fiz. Portanto, não aja como se fosse melhor que eu. Será que eu faria isso? Sim, eu o faria, mas a diferença entre nós é que Blake estava à procura de aceitação e perdão depois que ele disse mais mentiras do que verdades. E para mim, isso era uma loucura de merda. — Você acha que pode justificar isso? Bem, você está errado. Você não pode. Você é um monstro, Blake. Um verdadeiro monstro vivo e respirando. Nada, não importa quais são suas intenções, ou qual é a verdade, nunca vai mudar isso. Uma pequena centelha de inquietação brilhou em seu olhar firme. Custou todo meu controle não arrancar a barra da toalha da parede e enfiá-la através de seu olho. Joguei a toalha de lado, tremendo mais de raiva do que do frio úmido que escoava através das minhas roupas. Ele empurrou a porta, e eu dei um passo para trás, em guarda. Ele franziu o cenho. — O Daedalus não são os maus aqui. — Abrindo a porta do banheiro, ele saiu. — Essa é a


realidade. Segui-o. — Como você pode dizer isso com o rosto tão sério? Ele se sentou na minha cama. — Eu sei o que você está pensando. Você quer lutar contra eles. Eu entendo isso. Sério. E eu sei que menti para você sobre quase tudo, mas você não iria acreditar na verdade sem vê-la. E uma vez que você fizer isso, as coisas serão diferentes. Não havia nada no mundo que podiam me mostrar que mudaria minha mente, mas também reconhecia a futilidade de lutar com ele sobre isso. — Eu preciso vestir roupas secas. — Eu vou esperar. Olhei para ele. — Você não vai ficar aqui enquanto eu me visto. Ele me olhou com aborrecimento. — Vá se trocar no banheiro. Feche a porta. Sua virtude está a salvo de mim. — E então ele piscou. — A menos que você queira que isso mude, e estou tão triste por isso. É tão chato por aqui. Minha palma coçava para envolver em torno de um lugar muito pouco feminino e torcer. As palavras que saíram da minha boca eram minhas. Eu as senti. Acreditava nelas. — Eu vou matar você um dia. — eu prometi. Um sorriso irônico apareceu em seu rosto quando ele encontrou meu olhar. — Você matou, Katy. Você sabe como se sente ao tirar uma vida, mas você não é um assassina. Você não é um assassina. — Ele captou minha inspiração profunda com um olhar compreensivo. — Ainda não, pelo menos. Eu me virei, enrolando minhas mãos em punhos. — Como eu disse, nós não somos os maus da fita. Os Luxen são, e você vai ver que não estou mentindo. Estamos aqui para impedi-los de dominar.

CAPÍTULO 5 Katy


No momento em que Blake e eu saímos da minha cela, dois rapazes militares nos cercaram. Um deles era Archer. Ver seu rosto familiar não trouxe sentimentos quentes de carinho. Ele e o outro rapaz estavam fortemente armados. Eles conduziram Blake e eu em direção ao elevador, e estiquei o pescoço, tentando ver às suas costas para ter uma ideia sobre o que me rodeava. Havia várias portas como a minha, e parecia exatamente como o corredor no Mount Weather. Uma mão pesada pousou na minhas costas, me assustando. Era Archer. Ele enviou-me um olhar que eu não consegui decifrar, e então eu estava no elevador, espremida entre ele e Blake. Não conseguia nem levantar minha mão para afastar o cabelo úmido e frio que se agarrou na parte de trás do meu pescoço, sem bater neles. Archer se inclinou para frente, pressionando um botão que eu não podia ver por causa de seu corpo gigantesco. Eu fiz uma careta, percebendo que nem sabia quantos andares este lugar tinha. Como se estivesse lendo meus pensamentos, Blake olhou para mim. — Estamos no subterrâneo agora. A maior parte da base está, com exceção dos dois níveis superiores. Você está no sétimo andar. No andar sete e seis estão as habitações para ... bem, os visitantes. Eu me perguntei por que ele estava mesmo me dizendo isso. A planta do prédio tinha que ser uma informação importante. Era como... como se ele confiasse em mim com esse conhecimento, como se eu já fosse um deles. Sacudi a noção ridícula da minha cabeça. — Os prisioneiros, você quer dizer? Archer enrijeceu ao meu lado. Blake ignorou o comentário. — O quinto andar abriga Luxen que estão sendo adaptados. Desde que o último Luxen chegou quando Daemon e sua família chegaram, mais de 18 anos atrás, eu não poderia imaginar como eles ainda estavam adaptando qualquer um deles. Meu palpite era que estes eram Luxen que eles acreditavam não "encaixar" com os humanos, por uma razão ou outra. Estremeci. E no subsolo? Eu odiava a ideia de estar no subterrâneo. Era muito parecido a estar morta e enterrada. Mexi-me para sair de entre os dois, dando um passo para trás quando arrastei uma respiração


profunda. Blake me olhou com curiosidade, mas foi Archer que plantou uma mão no meu ombro, me guiando para a frente, então eu não estava atrás deles, como se eu fosse dar uma punhalada Ninja em suas costas, com minha faca invisível. O elevador parou e as portas se abriram. Imediatamente senti o cheiro de comida — Pão fresco e carne cozida. Meu estômago rugiu para a vida, resmungando como um ogro. A testa de Archer subiu. Blake riu. Minhas bochechas arderam. Era bom saber que meu sentimento de orgulho e embaraço ainda estava intacto. — Quando foi a última vez que você comeu? — Perguntou Archer. Foi a primeira vez que ele falou desde que estive com ele e o Dr. Roth. Eu hesitei. — Eu... eu não sei. Ele franziu a testa, e desviei o olhar quando nós saímos para um grande corredor iluminado. Sinceramente, não tinha ideia de que dia era ou quantos dias estive inconsciente. Até quando cheirei a comida, ainda não tinha tido fome. — Você vai se encontrar com o Dr. Roth. — disse Blake, começando a dirigir-se para a esquerda. A mão no meu ombro apertou, e mesmo que eu quisesse empurrá-la, fiquei muito quieta. Archer parecia saber como quebrar um pescoço em seis segundos. O olhar de Blake passou de mão de Archer para o rosto do homem. — Ela vai conseguir algo para comer primeiro. — disse Archer. Blake protestou. — O médico está esperando. Assim que... — Eles podem esperar mais alguns minutos para que a garota possa comer alguma coisa. — Tanto faz. — Blake levantou a mão de uma forma que disse, é problema é seu, não meu. — Vou deixá-lo saber. Archer me guiou em direção à direita. Só então percebi que o outro cara militar tinha ido com Blake. Por um segundo, tudo girava à medida que começamos a avançar. Ele caminhava como Daemon, dando passos rápidos longos. Eu lutava para segui-lo, durante a tentativa de absorver todos os detalhes de onde eu estava. O que não era muito. Tudo era branco e iluminado pela brilhante luz indireta. Portas idênticas se alinhavam em ambos os lados do corredor sem fim. O baixo murmúrio de conversa a portas fechadas era quase imperceptível. O cheiro de comida ficou mais forte, e, em seguida, nos deparamos com portas de vidro


duplo. Ele as abriu com a mão livre. Eu senti como se estivesse sendo escoltada até a sala do diretor, em vez de para um refeitório de aparência normal. Limpas mesas quadradas estavam espaçadas em três fileiras. A maioria das que ficavam na frente estavam ocupadas. Archer me levou à primeira mesa vazia e me empurrou para baixo em uma cadeira. Não sendo uma grande fã de ser maltratada, atirei-lhe um olhar. —Fique aqui. — disse ele, em seguida, girou sobre os calcanhares. Onde diabos ele acha que eu iria? O assisti andar para a frente, onde uma pequena fila de pessoas esperava. Eu ainda poderia fazer uma corrida e correr o risco de não saber para onde ir, mas meu estômago desmoronou com a perspectiva. Eu sabia quantos andares estavam acima. Olhei para a sala, e meu coração afundou. Pequenos pontos pretos da desgraça estavam por toda parte, e as câmeras não estavam tão escondidas. Alguém provavelmente estava me olhando agora. Homens e mulheres de jaleco e fardas circulavam, nenhum deles me dando mais do que um olhar superficial quando passavam. Sentei-me desconfortavelmente reta, perguntando como era comum para eles ver uma adolescente sequestrada morta de medo. Provavelmente mais do que eu me importava de saber. Estamos aqui para detê-los. As palavras de Blake voltaram para mim, e eu respirei fundo. Deter quem? Como poderia os Luxen serem os bandidos? Minha mente corria, presa entre a vontade de descobrir o que ele queria dizer e não confiar em nada do que ele disse. Archer voltou com um prato de ovos e bacon em uma mão e uma pequena caixa de leite na outra. Os colocou na minha frente sem dizer nada, então colocou um garfo de plástico. Fiquei olhando para o prato quando ele se sentou na minha frente. Um nó se formou na minha garganta enquanto eu estendia a mão lentamente, minha mão pairando sobre o garfo. De repente eu pensei no que Blake havia dito sobre sua estadia aqui, sobre como tudo tinha sido coberto de ônix. Se isso tivesse sido verdade? O garfo era, obviamente, inofensivo, e eu não tinha ideia do que acreditar. — Está tudo bem. — disse Archer. Meus dedos envolveram o garfo de plástico, e quando nada machucou, dei um suspiro de alívio. — Obrigada. Ele me olhou, sua expressão me dizendo que ele não tinha ideia do que eu estava agradecendo, e meio que me perguntei também. Fiquei surpresa com sua bondade. Ou pelo menos vi isso como bondade. Ele poderia ter sido como Blake e o outro cara e não dado a mínima para a


minha fome. Eu comi minha comida rapidamente. A coisa toda foi um pouco estranha em um nível doloroso. Ele não falou, e não tirou os olhos de mim uma vez, como se estivesse em estado de alerta para travessuras. Eu não tinha certeza do que ele esperava que eu fizesse com um prato e um garfo de plástico. Uma vez, seu olhar parecia atraído pela minha bochecha esquerda, e eu não tinha certeza do que ele estava olhando. Não me olhei no espelho quando fiquei pronta. A comida tinha gosto de serragem na minha boca, e meu queixo doía pela mastigação, mas limpei o prato, imaginando que eu precisava de energia. Quando terminei, o prato e o garfo foram deixados para trás na mesa. A mão de Archer estava no meu ombro novamente. Nossa viagem de volta foi silenciosa e a sala estava um pouco mais cheia. Paramos do lado de fora de uma sala fechada. Sem bater, ele abriu a porta. Outra sala médica. As paredes brancas. Armários. Bandejas com instrumentos médicos. Uma mesa com ... estribos. Eu recuei, balançando a cabeça. Meu coração batia forte e loucamente rápido enquanto o meu olhar saltava do Dr. Roth para Blake, que estava sentado em uma cadeira de plástico. O outro cara que tinha ido com Blake antes estava longe de ser encontrado. A mão de Archer apertou, e antes que eu pudesse sair completamente pela porta, ele me parou. — Não. — ele disse em voz baixa, alto o suficiente para apenas eu ouvir. — Ninguém quer uma repetição de ontem. Minha cabeça virou em direção a ele, e meus olhos se encontraram com seus azuis. — Eu não quero fazer isso. Ele não piscou. — Você não tem uma escolha. Lágrimas correram de meus olhos quando suas palavras afundaram em mim. Olhei para o médico, depois para Blake. Este último olhou para longe, um músculo pulsando em sua mandíbula. A desesperança de tudo isso me bateu. Até aquele momento, eu não sabia o que estava realmente pensando. Que eu ainda tinha algo a dizer sobre o que estava para acontecer em torno de mim e para mim. Dr. Roth pigarreou. — Como você está se sentindo hoje, Katy? Eu queria rir, mas minha voz saiu um coaxar. — O que você acha?


— Vai ficar mais fácil. — Ele deu um passo para o lado, me apontando para a mesa. — Especialmente uma vez que terminarmos com isso. Pressão apertou no meu peito, e minhas mãos se abriram e fecharam nos meus lados. Eu nunca tinha tido um ataque de pânico antes, mas tinha certeza que eu estava a segundos de distância de um. — Não os quero na sala. — As palavras saíram rápidas e ásperas. Blake olhou ao redor e, em seguida, levantou-se, revirando os olhos. — Vou esperar do lado de fora. Eu queria chutá-lo enquanto caminhava, mas Archer ainda estava lá. Virei-me para ele, meus olhos se sentiam como se pudessem sair da minha cabeça. — Não. — ele disse, movendo-se para ficar na frente da porta. Ele cruzou as mãos. — Eu não vou embora. Eu queria chorar. Não podia lutar. O quarto, como o corredor e refeitório, tinha paredes brilhantes. Sem dúvida, era a mistura de ônix e diamantes. O médico me deu um daqueles vestidos de hospital horrível, então apontou para uma cortina. — Você pode se trocar lá atrás. Em uma névoa dormente, fui para trás da cortina. Meus dedos se atrapalharam na minha roupa e, em seguida, no vestido. Saindo de trás da cortina, meu corpo estava quente e frio, as pernas fracas enquanto eu caminhava para a frente. Tudo era muito brilhante, e meus braços tremiam enquanto eu me içava para cima da mesa acolchoada. Agarrei os pequenos laços no vestido, incapaz de olhar para cima. — Eu vou tomar um pouco de sangue primeiramente. — Disse o médico. Tudo aquilo que aconteceu a seguir, eu estava hiper consciente ou completamente isolada. A nitidez da agulha quando ele deslizou em minha veia, senti todo o caminho até os dedos dos pés, então o leve puxão de um tubo a ser substituído em cima da agulha. O médico estava falando comigo, mas eu realmente não o ouvia. Quando tudo foi feito, e eu estava em minhas roupas de novo, me sentei em cima da mesa, olhando para os tênis brancos que ele tinha me dado. Eles eram do meu tamanho, uma combinação perfeita. Meu peito subia e descia em respirações profundas, lentas. Eu estava entorpecida. O Dr. Roth explicou que a análise de sangue seria feita. Algo sobre verificar o nível de mutação, um exame do meu DNA para que pudesse ser estudado. Ele me disse que eu não estava grávida, o que era algo que já sabia; quase ri, mas me sentia muito doente, realmente, não queria fazer algo diferente de respirar. Depois que tudo isso foi dito e feito, Archer se aproximou e levou-me para fora da sala. Ele


não disse nada durante todo o tempo. Quando ele colocou a mão no meu ombro, encolhi os ombros, não querendo ser tocado por qualquer pessoa. Ele não colocou a mão no meu ombro novamente. Blake estava encostado na parede do lado de fora do escritório, seus olhos se abrindo quando a porta se fechou atrás de nós. —Finalmente. Estamos atrasados. Eu mantive meus lábios selados, porque se eu abrisse minha boca para dizer alguma coisa, ia chorar. E eu não queria chorar. Não estando na frente de Blake ou de Archer ou de nenhum deles. — Ok. — Blake nos dirigiu a palavra quando começamos a descer o corredor. — Isso vai ser divertido. — Não fale. — disse Archer. Blake fez uma careta, mas permaneceu em silêncio, até que parou em frente a portas duplas fechadas, como o tipo que você vê em hospitais. Ele bateu num botão preto na parede, e as portas se abriram, revelando o Sargento Dasher. Ele estava vestido como esteve antes, em uniforme militar completo. — Ainda bem que você pôde finalmente se juntar a nós. Aquela risada nervosa, soando insana, voltou a sair pela minha garganta — Sinto muito. — Um riso escapou. Todos os três caras me enviaram um olhar, Blake foi o mais curioso, mas balancei a cabeça e respirei fundo. Eu sabia que precisava manter o controle. Eu tinha que prestar atenção e manter o meu juízo sobre mim. Estava muito além das linhas inimigas. Enlouquecendo e sendo agredida com ônix não ia me ajudar. Nem tampouco ter um ataque histérico e encontrar um canto para ficar me balançando. Foi difícil, provavelmente a coisa mais difícil que eu já tinha feito, mas mantive a calma. O sargento Dasher girou nos calcanhares. — Há algo que eu gostaria de te mostrar, Katy. Espero que isso facilite as coisas para você. Duvidava, mas o segui. O corredor era dividido em duas salas, e nos dirigiu para a direita. Este lugar tinha que ser enorme, um labirinto enorme de salas e quartos. O sargento parou em frente a uma porta. Havia um painel de controle na parede com uma luz vermelha piscando no nível dos olhos. Ele deu um passo a frente. A luz ficou verde, houve um ruído de sucção suave, e a porta se abriu, revelando uma grande sala quadrada cheia de médicos. Era um laboratório e sala de espera em um. Eu dei um passo completo, imediatamente estremecendo com o cheiro de antisséptico. A visão e o cheiro trouxe uma onda de memórias de volta. Reconhecia salas como esta — eu estive em salas como esta antes. Com o meu pai quando ele estava doente. Ele passou um tempo em um quarto muito parecido


com este, quando estava recebendo tratamento para câncer. Isso me paralisou. Existiam várias estações em forma de U no meio do espaço; cada uma exibindo dez poltronas reclináveis ​que eu sabia que seriam confortáveis. Muitas eram ocupadas com pessoas — humanas — em todas as fases da doença. Para ser otimista, os que tinham os olhos brilhantes eram os recémdiagnosticados, mal sabiam onde estavam, e todos eles estavam ligados a sacos de fluido e algo que parecia em nada com a quimioterapia. Era um líquido claro, mas brilhava sob a luz, como Dee costumava fazer quando ela se desvanecia. Médicos vagavam, verificando os sacos e conversando com os pacientes. Na parte traseira existiam várias mesas compridas onde as pessoas olhavam para microscópios e mediam os medicamentos. Alguns estavam em computadores, seus jalecos brancos ondulando ao redor das cadeiras. Sargento Dasher parou ao meu lado. — Isso é familiar a você, não é? Eu olhei para ele bruscamente, apenas vagamente consciente de que Archer estava colado ao meu outro lado e Blake tinha recuado. Obviamente, ele não era tão falador perto do sargento. — Sim. Como você sabe? Um pequeno sorriso apareceu. — Nós fizemos a nossa pesquisa. Que tipo de câncer o seu pai tinha? Eu vacilei. As palavras câncer e seu pai ainda carregava um poderoso soco. — Ele tinha câncer no cérebro. O olhar do Sargento Dasher se moveu em direção a estação mais próxima de nós. — Eu gostaria que você se encontrasse com alguém. Antes que eu pudesse dizer qualquer coisa, ele deu um passo para a frente, parando em uma das poltronas que se girou para nós. Archer acenou com a cabeça, e eu relutantemente me movi para que eu pudesse ver o que o sargento estava olhando. Era uma criança. Talvez nove ou dez anos, e com o tom de pele pálido e careca, eu não poderia dizer se era um menino ou menina, mas os olhos da criança eram de um azul brilhante. — Esta é Lori. Ela é uma das nossas pacientes. — Ele piscou para a jovem. — Lori, esta é Katy. Lori virou os olhos grandes e amigáveis ​em minha direção quando estendeu uma mão pequena, terrivelmente pálida. — Oi, Katy. Eu peguei sua mão fria e a apertei, sem saber o que fazer. — Oi.


Um pequeno sorriso apareceu. — Você está doente também? Eu não soube o que dizer no início. — Não. — Katy está aqui para nos ajudar. — disse o sargento Dasher quando a menina puxou a mão de volta, colocando-a sob o cobertor cinza pálido. — Lori tem grau quatro, linfoma primário no sistema nervoso. Eu queria olhar para longe, porque eu era uma covarde e ele sabia. Esse era o mesmo tipo de câncer que meu pai teve. O mais provavelmente terminal. Não parecia justo. Lori era muito jovem para algo como isto. Ele sorriu para a menina. — É uma doença agressiva, mas Lori é muito forte. Ela assentiu com fervor. — Eu sou mais forte do que a maioria das meninas da minha idade! Forcei um sorriso que não senti quando ele deu um passo para o lado, permitindo que um médico verificasse os sacos. Seus brilhantes olhos azuis de bebê saltaram entre nós três. — Eles estão me dando remédio que vai me fazer ficar melhor. — disse ela, mordendo o lábio inferior. — E este medicamento não me faz sentir tão mal. Eu não sabia o que dizer, e não podia falar, até que me afastei da menina e me movi para um canto onde não estávamos no caminho de ninguém. — Por que você está mostrando isso para mim? — Perguntei. — Você entende a gravidade da doença. — disse ele, voltando a olhar para o chão do laboratório. — Como o câncer, doenças auto-imunes, infecções por estafilococos, e tantas coisas mais podem roubar a vida de uma pessoa, às vezes antes que ele realmente começa. Décadas têm sido gastas em encontrar a cura para o câncer ou a doença de Alzheimer sem sucesso. Todos os anos, uma nova doença surge, capaz de destruir a vida. Tudo isso era verdade. — Mas aqui — disse ele, abrindo os braços —, nós tomamos uma posição contra a doença com a sua ajuda. Seu DNA é inestimável para nós, assim como a composição química Luxen é. Nós poderíamos injetar-lhe o vírus da Aids, e você não iria ficar doente. Nós tentamos. O que quer que está no DNA Luxen, faz tanto eles e os híbridos resistentes a todas as doenças humanas conhecidas. É o mesmo para os Arum. Um tremor rolou pela minha espinha. — Você está realmente injetando doenças em híbridos e Luxen?


Ele acenou com a cabeça. — Nós temos. Ele nos permite estudar como o corpo do híbrido, ou do Luxen, luta contra a doença. Esperamos ser capazes de reproduzi-la e, em alguns casos temos tido sucesso, especialmente com a LH-11. — LH-11? — eu perguntei, vendo Blake agora. Ele estava falando com outra criança, um jovem rapaz que estava sendo administrado com fluídos. Eles estavam rindo. Parecia... normal. — Duplicação de genes. — explicou o sargento. — Isso retarda o crescimento de tumores inoperáveis. Lori tem respondido bem a ele. LH-11 é um produto de anos de investigação. Estamos esperando que ele seja a resposta. Eu não sabia o que dizer quando o meu olhar se moveu através da sala. — A cura para o câncer? — E muitas, muitas mais doenças, Katy. Isto é do que se trata o Daedalus, e você pode ajudar a tornar isso possível. Encostada à parede, eu achatei minhas palmas. Parte de mim queria acreditar no que estava ouvindo e vendo — que o Daedalus só estava tentando encontrar a cura para doenças, mas sabia melhor. Acreditar nisso era como acreditar em Papai Noel. — E isso é tudo? Você está apenas tentando fazer do mundo um lugar melhor? — Sim. Mas há maneiras diferentes, fora do âmbito da medicina, para tornar o mundo um lugar melhor. Maneiras que você pode ajudar a tornar o mundo um lugar melhor. Eu senti como se estivesse recebendo argumentos para me vender algo, mas, mesmo na posição que eu estava, poderia reconhecer quão poderosa uma cura para essas doenças mortais poderia ser, o quanto isso iria mudar o mundo para melhor. Fechando os olhos, atrai uma respiração profunda. — Como assim? — Venha. — Dasher segurou meu cotovelo, não me dando muita escolha. Ele me levou para a extremidade oposta do laboratório, onde uma parte da parede parecia ser uma janela fechada. Ele bateu na parede. As persianas se enrolaram, fazendo uma série de cliques mecânicos. — O que você vê? O ar saiu de meus pulmões. — Luxen. — sussurrei. Não havia nenhuma dúvida em minha mente que as pessoas sentadas em poltronas semelhantes do outro lado da janela, permitindo que os médicos tomassem seu sangue, não eram daqui. Sua beleza era um claro indicativo. Então, foi o fato de que muitos deles estavam em sua verdadeira forma. Seu brilho suave enchia a sala.


— Algum deles parece que não quer estar aqui? — ele perguntou em voz baixa. Colocando as mãos na janela, eu me inclinei para frente. Os únicos que não se pareciam com uma lâmpada humana estavam sorrindo e rindo. Alguns estavam se alimentando, e outros estavam conversando. A maioria deles era mais velha, na casa dos vinte ou trinta anos, imaginei. Nenhum deles parecia reféns. — Parecem, Katy? — Ele insistiu. Eu balancei minha cabeça, completamente confusa. Eles estavam aqui por vontade própria? Eu não conseguia entender como. — Eles querem ajudar. Ninguém está forçando-os. — Mas você está me forçando. — disse a ele, consciente de que Archer estava agora atrás de nós. — Você forçou Bethany e Dawson. O sargento Dasher inclinou a cabeça para o lado. — Não tem que ser assim. — Então você não nega isso? — Há três tipos de Luxen, Srta. Swartz. Há aqueles que são como os do outro lado da janela, Luxen que entendem como sua biologia pode melhorar muito nossas vidas. Depois, há aqueles que se adaptaram na sociedade e que representam pouco ou nenhum risco. — E o terceiro grupo? Ele ficou em silêncio por um momento. — O terceiro grupo é o que as gerações antes de nós temiam sobre a chegada do Luxen. Há aqueles que desejam assumir o controle da Terra e subjugar a humanidade. Minha cabeça virou em direção a ele. — O quê? Seus olhos encontraram os meus. — Quantos Luxen você acha que há, senhorita Swartz? Eu balancei minha cabeça. — Eu não sei. — Daemon já havia mencionado quantos ele achava que estariam aqui, mas não conseguia lembrar a quantidade. — Milhares? Dasher falou com autoridade. — Há cerca de quarenta e cinco mil que habitam a Terra. Uau, isso era muito. — Cerca de setenta por cento dos quarenta e cinco mil foram adaptados. Outros dez por cento podemos confiar completamente, como aqueles no outro quarto. E o último vinte por cento? Há nove mil Luxen que querem ver a humanidade sob seus polegares — nove mil seres que podem exercer


tanta destruição como uma pequena ogiva. Nós mal os mantemos sob controle como estão, e tudo o que seria necessário para uma revolução completa da nossa sociedade é eles terem mais Luxen do seu lado. Mas quer saber um outro número surpreendente? Olhando para ele, não tive ideia do que dizer. — Deixe-me lhe fazer uma pergunta, Srta. Swartz. Onde exatamente você acha que Daemon Black, sua família e seus amigos se encaixam? — Eles não estão interessados ​em subjugar uma mosca! — soltei uma risada áspera. — Essa insinuação é ridícula! — É mesmo? — Ele fez uma pausa. — Você nunca pode realmente, realmente conhecer alguém. E eu tenho certeza que quando conheceu Daemon e sua família, você nunca teria assumido o que são, correto? Ele me pegou. — Você tem que admitir que, se eles eram tão bons em esconder o fato de que nem sequer são humanos, quão bom eles devem ser escondendo algo tão invisível quanto a sua lealdade. — disse ele. — Você se esquece de que eles não são humanos, e não são, eu posso assegurá-la, uma parte dos dez por cento que nós confiamos. Abri a boca, mas as palavras não saíam. Eu não podia — Não podia — acreditar no que disse, mas ele tinha dito tudo isso sem um pingo de desdém. Como se estivesse apenas afirmando fatos, como um médico podia dizer a um paciente que tinha câncer terminal. Voltou-se para a janela, erguendo o queixo. — Especula-se que existem centenas de milhares de Luxen lá fora, no espaço, que viajam para outros pontos do universo. O que você acha que aconteceria se eles viessem aqui? Lembre-se, estes são Luxen que tiveram pouco ou nenhum contato com a humanidade. — Eu... — Um arrepio de desconforto viajou pela minha espinha e sobre meus ombros. Voltando a atenção para a janela, vi um Luxen piscar para sua verdadeira forma. Quando falei, não reconheci minha própria voz. — Eu não sei. — Eles nos destruiriam. Eu respirei forte, ainda não querendo acreditar no que estava dizendo. — Isso parece um pouco extremo. — Não é? — Ele fez uma pausa, parecendo curioso. — Olhe para a nossa própria história. Uma nação forte controla a outra. A mentalidade dos Luxen e até mesmo dos Arum não são diferentes da nossa. Darwinismo básico. — A sobrevivência dos mais aptos. — Eu murmurei, e por um momento quase podia ver. Uma invasão de proporções de Hollywood, e eu sabia o suficiente sobre os Luxen para saber


que, se muitos viessem aqui, e eles quisessem dominar, eles iriam. Fechando os olhos, balancei a cabeça novamente. Ele estava estragando minha mente. Não havia um exército de Luxen prestes a invadir. — O que isso tem a ver comigo? — Além do fato de que você é forte, como é o Luxen que a transformou, e seu sangue poderia nos ajudar a chegar a um passo mais perto do êxito de LH-11? Gostaríamos muito de estudar a conexão entre você e a pessoa que a transformou. Muitos poucos foram capazes de fazê-lo com sucesso, e seria uma grande conquista ter outro Luxen que poderia transformar com sucesso os outros seres humanos e criar híbridos que são estáveis. Pensei em todos aqueles seres humanos que Dawson foi forçado a fazer mutações e assistir morrer. Eu não poderia suportar se Daemon tivesse que passar por isso, criar seres humanos que só iriam... Eu tomei uma respiração profunda. —Foi isso que aconteceu com Carissa? — Quem? — Você sabe quem. — eu disse, cansada. — Ela foi transformada, mas era instável. Ela veio atrás de mim e se autodestruiu. Ela era uma... — boa pessoa. Mas eu parei, porque percebi que, se o sargento sabia nada sobre Carissa, ou ele não iria falar ou ele simplesmente não ligava. Alguns momentos se passaram antes que ele continuasse. — Mas isso não é a única coisa que o Daedalus está preocupado. Ter aqui o Luxen que a transformou seria ótimo, mas não é nisso que estamos focados. Eu olhei para ele bruscamente, e meu ritmo cardíaco acelerou. Surpresa se transportou através de mim. Eles não estavam focados em atrair Daemon para cá? — Nós a queremos. — disse o sargento Dasher. Parecia que o chão se moveu sob meus pés. — O quê? Sua expressão era nem fria nem quente. — Veja, senhorita Swartz, não são aqueles nove mil Luxen que precisamos de ajuda para lidar. E quando o resto dos Luxen vier à Terra — e eles virão — teremos tudo em nosso arsenal para salvar a humanidade. Isso significa que os híbridos como você, e espero que muitos mais, possam lutar. Mas que...? Eu tinha certeza de que escorreguei em um universo alternativo. Meu cérebro praticamente implodiu. Dasher me olhou de perto.


— Então, a questão é, você vai estar com a gente, ou vai ficar contra a sua própria espécie? Porque você vai ter que fazer uma escolha, senhorita Swartz. Entre seu próprio povo ou daquele que a mutou.

CAPÍTULO 6 Daemon

Depois de dizer adeus a Dawson e a Bethany, saí de casa só ao amanhecer. O que tinha acontecido com Beth me assombrava a cada passo. Ela parecia um pouco melhor, mas eu não sabia. Eu não tinha dúvida de que Dawson iria cuidar dela, apesar de tudo. Olhei de volta para a casa. A parte fria, distante de mim, reconhecia que eu não poderia ver este lugar, ou o meu irmão e irmã, nunca mais. Esse conhecimento não diminuiu a minha determinação. Eu fui na direção oposta da colônia, ganhando velocidade. Embora estivesse na minha forma humana, movi-me mais rápido do que podia ser rastreado. Dawson havia me dito mais cedo que o meu carro tinha sido guardado com Matthews, que ajudou a desviar os policiais locais que não foram comprados pelo DOD e estavam realmente preocupados com outro casal de jovens desaparecidos. Levei menos de cinco minutos para fazer a caminhada até a cabana de Matthews no meio do nada. Diminuí a velocidade quando alcancei sua garagem, espionando seu SUV. Eu sorri. Precisava sair do estado, no mínimo chegar a Virginia. Eu poderia viajar por todo o caminho em minha verdadeira forma. Inferno, isso provavelmente seria ainda mais rápido, mas eu me esgotaria, e tinha bastante certeza de que a pequena recepção de boas-vindas que daria em Mount Weather seria exaustante. Considerando o quão aborrecido estava com Matthews no exato momento, eu iria desfrutar do "empréstimo" de seu carro, uma vez que o meu chamaria a atenção daqueles que eu não tinha tempo para lidar. Eu deslizei para o assento do motorista, abaixei e puxei o coletor escondido entre os fios.


Quando Dawson e eu éramos pequenos, nós costumávamos fazer ligação direta em carros no shopping em Cumberland, só para rirmos e passarmos o tempo. Levou-nos duas tentativas até que descobrimos a carga exata necessária para fazer um arranque e não fritar os computadores ou todo o sistema de fiação. Então o movíamos em diferentes lugares do estacionamento e assistíamos os proprietários saindo, estupefatos, pela forma como os seus carros se moveram. Nos aborrecíamos com facilidade quando éramos crianças. Eu passei meus dedos ao redor dos fios e enviei uma pequena carga por eles. O carro estalou, e o motor pegou. Ainda tinha o toque mágico. Sem perder tempo, sai muito rápido para fora da entrada da casa de Matthews e me dirigi para a rodovia. Não havia nenhuma maneira que ele seria compreensivo como Dawson, pelo menos não no momento. Meu irmão se encarregou de cuidar de algumas coisas para mim. Ele movimentaria dinheiro suficiente para manter Kat e eu por um par de anos para uma conta que eu tinha mantido meticulosamente fora do radar para o caso das coisas ir por água abaixo um dia. E as coisas tinham definitivamente ido ladeira abaixo. Dawson e Dee também haviam estrategicamente escondido contas "oh, porcaria", assim como os Thompsons fizeram. Matthew tinha nos dito para fazer isso. Eu costumava pensar que era paranoia, mas, caramba, ele tinha sido inteligente. Não havia nenhuma maneira que eu poderia voltar, e nem Kat poderia. Nós teríamos que encontrar uma maneira de ela ver a mãe dela, mas nenhum de nós poderia ficar aqui quando eu a tirasse dali. Seria muito perigoso. Mas antes que eu me dirigisse para Mount Weather, tinha uma pequena visita a fazer. Blake não poderia ter sido o único a nos ferrar. Havia um híbrido adolescente que tinha um monte de explicações a dar.

***** Um pouco depois do meio-dia, escondi o carro de Matthew por trás do posto de gasolina desmoronado sobre o mesmo caminho para o clube de Luc. Não que o caminho sujo esburacado fosse realmente uma estrada. A última coisa que eu queria era que eles soubessem que eu estava vindo. Algo sobre Luc estava errado, e em grande forma. O fato de que ele era apenas um adolescente e dirigia um clube era uma grande pista. E ele estava aqui, com outros Luxen e desprotegido dos Arum?


Sim, algo estava errado sobre o garoto. Ficando na minha forma humana, corri através das ervas daninhas e para a área arborizada por trás do posto de gasolina. A luz solar brilhante filtrava através dos galhos, e o cálido ar de maio me acariciava enquanto eu voava sobre o terreno irregular. Segundos depois, eu transpus o grupo de árvores e cheguei ao campo cheio de mato. A última vez que estive aqui com Kat, o campo não era nada mais do que um remendo de grama congelada. Agora os juncos batiam na minha calça jeans e a grama em carpete de dentes de leão. Kat tinha uma coisa com dentes de leão. Ela não conseguia manter os dedos longe deles quando esteve treinando com o ônix. A partir do momento que aquelas ervas daninhas amarelas começaram a picar através do solo, ela as agarrava e rebentava suas cabeças. Um sorriso irônico puxou meus lábios enquanto eu derrapava até parar em frente das portas janelas. Kitten demente. Eu coloquei minhas mãos sobre a porta de aço, deslizando-as para baixo até o centro, procurando lacunas ou travas para manipular. Não havia nenhuma maneira desta porta ser desbloqueada tão cedo. Dando um passo atrás, fiz a varredura da frente do edifício. Baixo e sem janelas, mais como um depósito do que um clube. Andei em torno do lado, derrubando caixas de papelão vazias para fora do caminho. Na parte de trás tinha uma doca de carregamento. Ponto. Apertando as mãos sobre pequena abertura entre as portas, eu ouvi o som maravilhoso de fechaduras se abrindo. Eu rapidamente abri a porta e entrei em uma área de armazenamento escura. Deslizando através das sombras, apertei-me contra a parede, o meu olhar varrendo sobre recipientes brancos e pilhas de papéis. Havia um cheiro evidente de álcool no ar. Vi outra porta mais à frente, e a abri. No momento em que pus os pés no estreito corredor com as paredes cobertas de quadros cheios de figuras em formas de gravetos — mas que diabos? — desenhadas neles, os pelos da minha nuca se arrepiaram, e um tremor gélido desceu pela minha espinha. Arum. Movi-me em alta velocidade pelo corredor, segundos de virar para a minha verdadeira forma. Em vez disso, paralisei, cara-a-cara com a ponta de uma espingarda de cano curto. Isso iria doer. O orgulhoso dono da arma era o grandalhão leão-de-chácara, que ainda usava um macacão. — Mãos para cima, e nem sequer pense em vir Lite-Brite{1} na minha bunda, menino bonito. Mandíbula apertada com força, levantei minhas mãos. — Há um Arum aqui.


— Não me diga. — disse o segurança. Eu levantei uma sobrancelha. — Então Luc está trabalhando com os Arum, também? — Luc não está trabalhando para ninguém. — O segurança deu um passo adiante, os olhos apertados. — Onde está aquela garota que está normalmente com você? Ela está dando voltas por aqui também? Ele olhou atrás de mim, e eu aproveitei a distração momentânea. Minha mão disparou mais rápido do que ele poderia reagir. Peguei a arma de sua mão e a girei. — Qual é a sensação de ter isso apontado para sua cabeça? — Perguntei. As narinas do Grandalhão alargaram. — Não é bom, na realidade. — Penso assim. — Meu dedo coçava no gatilho. — Eu gostaria de manter a minha cara bonita intacta. O leão-de-chácara riu. — E você tem um rosto bonito. Banjos começaram a tocar na minha cabeça. — Olha — disse uma nova voz. —Uma conexão de amor foi feita. — Não é bem assim. — disse eu, passando a mão livre ao redor do cano da arma. — Você acha que eu não sabia que você estava aqui? Sem tirar os olhos do grandalhão, sorri. — Será que isso importa? — Sim, se você estava tentando mover-se furtivamente sobre mim, acho que sim. — Luc caminhou para fora das sombras e para minha linha de visão. Ele estava vestido com calça de corrida preta e uma camiseta que dizia: Zumbis também precisam de amor. Que legal. — Você pode colocar a arma no chão, Daemon. Sorrindo friamente, deixei o calor abranger minha mão. Calor chamejou, e o cheiro de metal incandescente flutuou no ar. Quando o cano da arma ficou inútil, entreguei-a de volta para o homem grande. O segurança olhou para a arma e deu um suspiro. — Eu odeio quando isso acontece. Eu assisti Luc saltar para cima do balcão e balançar as pernas como uma criança petulante. Sob a iluminação do bar escuro, o círculo em volta dos olhos estranhamente coloridos parecia estar turvo. — Você e eu precisa...


Girando rapidamente, deixei escapar um rugido quando minha forma humana desapareceu. Corri por toda a pista de dança vazia, indo direto para a massa de sombras que se formava sob a gaiola. O Arum girou, e no segundo antes de nos chocarmos um contra contra o outro como duas pedras rolando morro abaixo, eu o vi em sua verdadeira forma — escuro como o óleo da meia-noite e brilhante como o vidro. O impacto sacudiu as paredes e agitou as gaiolas penduradas no teto. — Oh, caramba. — disse Luc. — Não é possível que todos nós nos dermos bem? O Arum envolveu os braços em volta da minha cintura enquanto o golpeava contra a parede. Gesso rachou e flutuou no ar. Não o soltei. O FDP era forte. Girando, ele escapou do meu aperto e seu braço enfumaçado se estendeu para frente, apontando para meu peito. Corri para o lado, levantando o braço para explodir o bastardo irritante até o próximo ano. — Rapazes. Rapazes! Sem brigas no meu clube. — Luc chamou, parecendo irritado. O ignoramos. Energia crepitava sobre as palmas das mãos, cuspindo fogo branco no ar. Não sabe com quem está se metendo, o Arum sussurou, enviando suas palavras direto ao meu crânio, o que só me deixou puto. Soltei a bola de energia. Ela bateu em seu ombro. Ele se afastou e depois virou a cabeça para trás em minha direção, inclinando-a para o lado. Sua forma se tornou mais sólida. Estática estalou por meus braços. Luz pulsava por toda a sala. Esse cara estava realmente começando a me dar nos nervos. — Eu não faria isso se fosse você. — disse Luc. — Hunter está muito, muito faminto. Estava prestes a mostrar a Luc exatamente o que eu pensava sobre o seu conselho quando uma forma saiu do corredor que levava ao seu escritório. Era uma mulher — uma bonita mulher de cabelos loiros, que era, oh, tão humana. Seus olhos estavam arregalados. — Hunter? Que. Inferno. Distraído, o Arum olhou para trás, para a mulher ao mesmo tempo que a Source diminuiu em mim. Ele deve ter se comunicado com ela, porque ela franziu a testa e disse: — Mas ele é um deles. A cabeça de Hunter virou de volta para mim, e seu peito subia quando ele deu um passo para trás. Um segundo depois, um homem estava diante de mim, quase da minha altura. Cabelo castanho escuro e aqueles malditos olhos pálidos de Arum estavam fixos em mim.


— Serena. — disse ele. — Volte para o escritório de Luc. O cenho franzido da mulher se transformou em uma carranca, lembrando-me tanto de Kat que o meu peito doeu. — Como? A cabeça dele se moveu em direção a ela, estreitando os olhos. Um instante depois, Grandalhão atravessou a pista de dança, envolvendo um braço em volta dos ombros da mulher. — Aqui realmente não é onde você precisa estar agora. — Mas... — Vamos, eu tenho algumas coisas para te mostrar. — disse o Grandalhão. Hunter o olhou. — Que coisas? Grandalhão piscou por cima do ombro. — Coisas. Quando eles desapareceram pelo corredor, o lábio do Arum se curvou. — Eu não gosto disso. Luc riu. — Ela não é o tipo dele. Espere — o que diabos estava acontecendo? Um Arum com uma humana? — Você quer suavizar a luz? — Disse o babaca. — Você está me cegando. Poder percorreu-me, e eu queria bater o meu punho através de seu rosto, mas ele não estava atacando, o que era estranho. E ele estava com uma mulher humana que ele parecia estar realmente, o que era ainda mais bizarro. Voltei para minha forma humana. — Eu não gosto do seu tom. Ele sorriu. Meus olhos se estreitaram. — Vocês dois deveriam jogar limpo. — Luc bateu palmas. — Você nunca sabe quando você vai precisar de um aliado tão improvável. Hunter e eu olhamos um para o outro. Nós dois bufamos. Duvidava. O garoto deu de ombros. — Tudo bem. Então, este é um dia muito emocionante para mim. Tenho Hunter, que não precisa de sobrenome e aparece quando quer alguma coisa ou alguém para se alimentar, e eu tenho Daemon Black, que parece querer me fazer algum dano físico. — É mais ou menos certo. — rosnei.


— Importa-se de me dizer por quê? — Questionou. Minhas mãos se fecharam em punhos. — Como se você não soubesse. Ele balançou a cabeça. — Eu realmente não sei, mas vou arriscar um palpite. Eu não vejo Katy, e não a sinto. Então, estou supondo que seu pequeno arrombamento em Mount Weather não correu bem. Eu dei um passo para a frente, a raiva dando voltas dentro de mim. — Você invadiu Mount Weather? — Hunter sufocou uma risada. — Você está louco? — Cale a boca. — eu disse, mantendo meus olhos em Luc. Hunter fez um ruído profundo. — Nossa pequena bandeira branca mútua de amizade vai chegar a um impasse, se você me dizer para calar a boca de novo. Poupei-lhe um breve olhar. — Cale. A. Boca. Sombras escuras flutuaram sobre o ombro do Arum, e eu o enfrentei totalmente. — O quê? — Eu disse, jogando minhas mãos para cima em um universal gesto de “venha aqui”. — Eu tenho um monte de violência reprimida, adoraria descarregá-la em alguém. —Gente. — Luc suspirou, deslizando para fora do balcão. — Sério? Vocês não podem ser amigos? Hunter o ignorou, dando um passo à frente. — Você acha que pode me derrotar? — Acho? — zombei, indo de igual para igual com o alien. — Eu sei. O Arum riu quando ele levou um dedo longo e me cutucou no peito — Me cutucou no peito! — Bem, vamos descobrir. Eu agarrei-lhe o pulso, meus dedos circulando sua pele fria. — Cara, você realmente es... — Basta! — Luc gritou. No próximo segundo eu estava preso contra um lado do clube, e Hunter estava do outro, a vários metros do chão. A expressão do Arum provavelmente espelhava a minha. Ambos lutamos contra o domínio invisível, mas nenhum de nós poderia fazer nada para descer. Luc se moveu para o centro da pista. — Eu não tenho o dia todo, pessoal. Tenho coisas para fazer. Um cochilo que quero aproveitar esta tarde. Há um novo filme na Netflix que quero ver, e um cupom maldito para um Whopper Jr. grátis que está chamando o meu nome.


—Uh... — eu disse. — Olha. — Luc virou-se para mim, sua expressão confusa. Naquele momento, ele parecia muito mais velho do que eu sabia que ele era. — Estou supondo que você acha que fui de alguma forma parte da captura de Katy. Você está errado. Eu zombou. — E eu deveria acreditar em você? — Eu pareço que me importa uma merda se acredita em mim? Você invadiu Mount Weather, um reduto do governo. Não é preciso esforço de imaginação para adivinhar que algo deu errado. Eu fiz o que prometi. — Blake nos traiu. Daedalus tem Kat. — E eu disse-lhe para não confiar em ninguém que tivesse algo a ganhar ou perder. — Luc exalou bruscamente. — Blake é... bem, ele é Blake. Mas antes de lançar o julgamento, pergunte-se quantas pessoas você crucificará para conseguir Katy de volta? O agarre em mim se soltou, e deslizei pela parede, batendo os pés. Enquanto olhava para o adolescente, acreditei nele. — Eu tenho que trazê-la de volta. — Se Daedalus tem sua garota, você pode dar nela um beijo de adeus. — disse Hunter, do outro lado da sala. — Eles são uns fo... — E você? — Luc o cortou. — Disse para você ficar no meu escritório. Não me escutar não é como conseguir alguma coisa de mim. Hunter deu desajeitadamente de ombros, e um segundo depois, ele estava de pé no chão, parecendo tão adorável quando um pit bull. Luc lançou a nós dois olhares sérios. — Eu entendo que você tem dois problemas — grandes problemas—, mas adivinhem? Vocês não são os únicos aliens que estão lá fora com os traseiros doloridos. Há problemas maiores do que o que vocês têm. Sim, eu sei, difícil de acreditar. Olhei para Hunter, que deu de ombros novamente e disse: — Alguém não conseguiu o seu leite quente esta manhã. Eu ri. A cabeça de Luc virou em direção a ele, e caramba, eu não podia acreditar que estava em uma sala com um Arum e não o matei, mas ele também não estava tentando me matar. — Você precisa ser feliz porque gosto de você. — disse Luc, em voz baixa. — Olha, eu preciso falar com Daemon. Você pode ir fazer alguma coisa? Se não, então talvez você possa ser útil?


O Arum revirou os olhos. — Sim, eu tenho meus próprios problemas. — Ele começou a voltar para o corredor e depois parou, olhando para mim. — Te vejo no outro lado. Dei-lhe o dedo médio como adeus. Quando ele desapareceu pelo corredor, Luc se virou para mim e cruzou os braços. — O que aconteceu? Vendo que eu não tinha nada a perder, disse a ele o que aconteceu em Mount Weather. Luc deu um assobio baixo e balançou a cabeça. — Cara, eu sinto muito. De verdade, sinto. Se Daedalus a tem, então eu não... — Não diga isso. — resmunguei. — Ela não está perdida para mim. Conseguimos tirar Bethany. Você saiu. Luc piscou. — Sim, você tem Bethany, mas Katy foi pega no processo. E eu sou... Eu não sou como Katy. Eu não sabia o que diabos isso significava. Dando as costas para ele, enfiei meus dedos pelo meu cabelo. — Você sabia que Blake iria nos trair? Houve uma pausa. — E se soubesse, o que você faria? Uma risada amarga escapou. — Eu o mato. — É compreensível. — ele respondeu calmamente. — Deixe-me lhe fazer uma pergunta. Será que você ainda teria ajudado o seu irmão a regatar Bethany se soubesse que Blake iria traí-lo? De frente para Luc, eu balancei minha cabeça lentamente quando a verdade me atingiu em cheio no peito. Se eu soubesse que Kat não voltaria para casa, eu não acho que poderia dizer que sim, e eu não conseguia colocar em palavras o fato de que eu escolheria ela sobre o meu irmão. Ele inclinou a cabeça para o lado. — Eu não sabia. Isso não significa que eu confiava em Blake. Eu não confio em ninguém. — Qualquer um? Ele ignorou a pergunta. — O que você quer de mim, desde que, obviamente, não vai tentar me matar? Quer que eu derrube a segurança de novo? Eu posso fazer isso. Vai ser um presente para você, mas também vai ser uma missão suicida. Eles estarão esperando por você. — Eu não quero que você derrube qualquer segurança. Ele olhou para mim, confuso.


— Mas você vai atrás dela? — Sim. — Você vai ser pego. — Eu sei. Luc olhou para mim por tanto tempo, que pensei que o garoto ia ter uma convulsão. — Então, você realmente veio aqui para chutar a minha bunda? Meus lábios tremeram. — Sim, vim. O garoto balançou a cabeça. — Você tem alguma ideia do que você está se metendo? — Eu sei. — Cruzei os braços. — E eu sei que uma vez que eles me tiverem, vão querer que eu faça híbridos. — Alguma vez você já teve que assistir as pessoas morrerem, uma e outra vez? Não? Pergunte ao seu irmão. Eu não hesitei. — Ela vale o que eu tenho que passar. — Há coisas piores. — disse ele em voz baixa. — Se você e Hunter pudessem arrumar suas diferenças por dois segundos, ele provavelmente diria a você mesmo. Há coisas que eles estão fazendo lá que vai explodir sua mente. — Ainda mais razão para eu resgatar Kat. — E qual é o seu plano? Como você vai tirá-la? — ele perguntou, curioso. Boa pergunta. — Ainda não cheguei a esse ponto. Luc me olhou um momento, então explodiu em risos. — Bom plano. Eu gosto. Apenas algumas coisas podem dar errado com isso. — Como é que você saiu, Luc? Ele inclinou a cabeça para o lado. — Você não quer saber o que eu fiz. E você não vai fazer o que eu fiz. Um arrepio frio rastejou sobre a minha pele. Eu acreditava no garoto. Luc deu um passo atrás. — Eu tenho que cuidar dessa outra questão, então... O meu olhar deslizou para o corredor. — Trabalhando com os Arum, não é? Sua boca se contorceu.


— Arum e Luxen não são tão diferentes. Eles estão tão ferrado quanto vocês estão. Engraçado. Eu não vejo isso dessa forma. Luc inclinou o queixo para baixo e soltou um palavrão. Olhando para mim, disse: — A maior fraqueza do Deadalus é a sua arrogância. Sua necessidade de criar o que nunca deve ser criado. A necessidade de controlar o que nunca pode ser controlado. Eles estão mexendo com a evolução, meu amigo. Isso nunca termina bem nos filmes, não é? — Não. Isso não acontece. — Eu comecei a me afastar. — Espere. — ele gritou, me parando. — Eu posso te ajudar. O encarei, a cabeça inclinada para o lado. — O que você quer dizer? Os olhos de ametista de Luc, tão parecidos como os de Ethan, o que era perturbador, se encontraram com os meus. Havia algo raro neles, porém, tinham uma linha ao redor das pupilas. — Sua maior defesa é que o mundo não sabe que eles existem. Não sabem que nós existimos. Eu não conseguia desviar o olhar, e decidi que esse garoto Luc era meio assustador. Ele sorriu então. — Eles têm algo que eu quero, e aposto que é onde eles estão mantendo Katy. Meus olhos se estreitaram. Olho por olho nunca sentou bem comigo. — O que você quer? — Eles têm algo chamado LH-11. Eu quero isso. — LH-11? — Eu fiz uma careta. — Que diabos é isso? — O início de tudo e o fim do começo. — disse ele misteriosamente, e um brilho estranho encheu seus olhos arroxeados. — Vai saber quando o ver. Consiga para mim, e vou ter certeza de que você sairá de onde quer que você estiver. Olhei para ele. — Eu não duvido da sua grandiosidade, mas como você pode tirar Kat e eu de um lugar se você não sabe onde está? Ele arqueou uma sobrancelha. — Você deve duvidar da minha grandiosidade, se está perguntando, e você não deve. Tenho pessoas em todos os lugares, Daemon. Vou verificar com elas, e eles vão me deixar saber quando você aparecer. Rindo baixinho, balancei minha cabeça. — Por que eu deveria confiar em você? — Eu nunca pedi para você confiar em mim. Você também não tem outra escolha. — Ele fez uma pausa, e o inferno se ele não tem um ponto. — Traga-me o LH-11, e vou ter certeza de que você


e sua Kitten sairão de qualquer buraco do inferno que tenha vocês. É uma promessa.

CAPÍTULO 7 Katy

Parecia uma eternidade desde que me foi dado um almoço com purê de batatas e Salisbury steak{2}. Estava muito empolgada para verificar a TV. Esperar no silêncio me levou a andar no comprimento da minha cela. Meus nervos estavam esticados ao ponto de que cada vez que eu ouvi passos fora da sala, o meu coração saltava na minha garganta e me movia para longe da porta.


Eu estava nervosa, reagindo a cada som. Tendo nenhum conceito da quantidade de tempo que passava, ou mesmo que dia era, sentia-me como se estivesse presa em uma bolha sem ar. Fazendo meu centésimo passeio em frente à cama, eu refletia sobre o que sabia. Havia pessoas que queriam estar aqui — humanos e Luxen, provavelmente até mesmo alguns híbridos. Eles estavam testando LH-11 em pacientes com câncer, e Deus sabia o que LH-11 realmente era. Uma parte de mim poderia entender — se os Luxen realmente estavam aqui, porque queriam ajudar. Encontrar a cura para doenças mortais era importante. Se o Daedalus tivesse simplesmente me pedido e não quisesse me manter em uma cela, eu teria de bom grado dado o meu sangue. Eu não conseguia tirar da cabeça o que o sargento Dasher me disse. Havia realmente nove mil Luxen, ou mais, lá fora conspirando contra os humanos? Centenas de milhares de pessoas que poderiam vir à Terra a qualquer momento? Daemon tinha mencionado outros antes, mas nunca uma vez que ele tinha dito nada sobre a sua espécie, até mesmo uma pequena colônia, querendo assumir. E se isso fosse verdade? Não podia ser. Os Luxen não eram os bandidos aqui. Os Arum e Daedalus eram. A organização podia ter embalagem bonita, mas estava podre por dentro. Soaram passos fora do quarto, e eu pulei um bom par de centímetros no ar. A porta se abriu. Era Archer. — O que está acontecendo? — Perguntei, imediatamente cautelosa. A boina que parecia permanentemente ligado à cabeça escondia seus olhos, mas sua mandíbula estava apertada. — Eu sou levá-la para as salas de treinamento. Ele fez a coisa mão-no-ombro, e me perguntei se ele realmente pensava que eu ia tentar correr. Eu queria, mas não era tão estúpida. Ainda. — O que se passa nas salas de treinamento? — Eu perguntei quando estávamos no elevador. Ele não respondeu, o que não era muito reconfortante, e isso me irritou. O mínimo que essas pessoas poderiam fazer era me dizer o que estava acontecendo. Tentei livrar sua mão, mas ela esteve colado ao meu ombro todo o caminho. Archer era um homem de poucas palavras, e isso me deixou ainda mais nervosa e agitada, mas era mais que isso. Parecia haver algo diferente nele. Não podia assegurar, mas isso estava lá. No momento em que chegamos ao andar do treinamento, meu estômago estava revolto. O corredor era idêntico ao andar médico, exceto que havia um monte de portas duplas. Paramos em uma e, quando ele digitou um código, as portas se abriram. Blake e o sargento Dasher estavam na sala. Dasher se virou para nós, sorrindo com


força. Havia algo diferente em sua expressão. Uma sugestão de desespero em seus olhos castanhos escuros que me alarmou. Eu não pude deixar de pensar nos resultados dos exames de sangue. — Olá, senhorita Swartz. — disse ele. — Espero que tenha tomado tempo para descansar. Bem, isso não soava bem. Dois homens em jalecos estavam sentados na frente de um conjunto de monitores. As salas na tela pareciam acolchoadas para mim. Meus dedos estava dormente de apertá-los com tanta força. — Estamos prontos. — um dos homens disse. — O que está acontecendo? — Eu perguntei, odiando como minha voz quebrava no meio da pergunta. A expressão de Blake estava em branco, enquanto Archer assumia sua posição como sentinela na porta. — Precisamos ver a extensão de suas habilidades. — explicou o sargento Dasher, movendose para ficar atrás dos dois homens. — Dentro deste ambiente controlado, você vai ser capaz de usar a Source. Sabemos de nossas investigações anteriores que você tem algum controle, mas o que não sabemos é a extensão de suas habilidades. Híbridos que se transformaram com sucesso pode reagir tão rapidamente como um Luxen. Eles podem controlar a Source igualmente bem. Meu coração deu um salto. — Qual a finalidade disso? Estou, obviamente, numa mutação bem sucedida. — Nós realmente não sabemos disso, Katy. Eu fiz uma careta. — Eu não entendo. Anteriormente você disse que eu era forte. — Você é forte, mas nunca usou suas habilidades de forma consistente ou a usou longe de quem a mutou. É possível que tenha se alimentado de sua capacidade. E um híbrido pode parecer ter sido transformado com sucesso, mas nós descobrimos que quanto mais se explora a Source, mais evidente a instabilidade em sua mutação se torna. Precisamos testar qualquer tipo de imprevisibilidade na sua mutação. Quando suas palavras afundaram e fizeram sentido, queria correr da sala, mas estava presa ao chão. — Então você quer ver se eu basicamente me autodestruo como... — Como Carissa, mas eu não poderia dizer o nome dela em voz alta. Quando ele não confirmou nem negou, dei um passo para trás. Todo um novo horror subiu para a superfície. — O que acontece se eu fizer? Quer dizer, sei o que acontece comigo, mas e sobre...? — A pessoa que a transformou? — Ele perguntou, e assenti. — Pode mencioná-lo, Srta Swartz. Sabemos que foi Daemon Black. Não há necessidade de tentar protegê-lo.


Eu ainda não diria o nome dele. — O que acontece? — Nós sabemos que o Luxen e o humano que ele transformou estão unidos em um nível biológico, se a mutação se mantém. Não é algo que nós entendemos completamente. — Ele fez uma pausa, limpando a garganta. — Mas, para aqueles que se tornam instáveis, a conexão é anulada. — Anulada? Ele assentiu. — O vínculo biológico entre os dois é quebrado. Possivelmente, devido ao fato de que, nestes casos, a mutação não é tão forte como suspeitamos. Nós realmente não sabemos de tudo, ainda. Um tremor de alívio rolou através de mim. Não era como se eu não tivesse um senso de autopreservação, mas pelo menos sabia que se eu explodisse, Daemon ainda estaria vivo. Mas parei, não querendo entrar nesse quarto. — Isso é a única coisa que quebra o vínculo? O sargento não respondeu. Meus olhos se estreitaram. — Você não acha que eu tenho o direito de saber? — Tudo a seu tempo. — respondeu ele. — Agora não é o momento. — Eu acho que é um momento muito bom. Suas sobrancelhas se ergueram em surpresa, irritando-se ainda mais. — O quê? — Eu disse, levantando as mãos. Archer se aproximou de mim, mas o ignorei. — Eu acho que tenho o direito de saber tudo. Sua surpresa desapareceu, substituída por uma expressão fria. — Este não é o momento. Eu me mantive firme, com as mãos enrolando em punhos. — Eu não vejo que haja qualquer momento melhor. — Katy... — o aviso suave de Archer foi ignorado, e ele se aproximou, seu peito quase contra as minhas costas. — Não. Eu quero saber o que mais pode quebrar o vínculo. Obviamente algo pode. Eu também quero saber quanto tempo você realmente acha que pode me manter aqui. —Uma vez que a tampa saiu da minha boca, não havia forma de fechá-la. — E a escola? Você quer uma híbrida sem instrução correndo solta? E a minha mãe? Meus amigos? E a minha vida? Meu blog? — Ok, meu blog era seriamente a menor das minhas preocupações, mas caramba, era importante para mim. — Você roubou a minha vida e acha que eu devo ficar aqui e aceitar? Que eu não deveria exigir


respostas? Você sabe o que? Você pode beijar minha bunda. Qualquer que seja o calor que tinha na expressão do sargento Dasher, desapareceu. Ele olhou para mim e, nesse momento, percebi que eu provavelmente deveria ter mantido minha boca fechada. Eu precisava dizer essas palavras, mas o olhar duro que ele me deu foi assustador. — Eu não tolero linguagem chula. E não tolero meninas de boca inteligentes que não entendem o que está acontecendo. Tentamos fazer isso o mais confortável que pudermos para você, mas todos nós temos limites, Srta Swartz. Você não vai me questionar, nem a qualquer um dos funcionários. Vamos deixá-la saber as coisas quando sentirmos que é o momento adequado e não antes. Você entendeu? Eu podia sentir cada respiração que Archer tomou, e parecia que ele parou de respirar, esperando por mim. — Sim. — cuspi. — Eu entendo. Archer respirou. — Bom. — disse o sargento. — Desde que agora isso está resolvido, vamos seguir em frente. Um dos homens nos monitores apertou um botão e uma pequena porta se abriu para a sala de treinamento. Archer não me deixou até que eu estava dentro do quarto. Então ele saiu. Eu me virei quando ele recuou para a porta, os olhos se arregalando. Comecei a pedir-lhe que não me deixasse, mas ele desviou o olhar rapidamente. E então ele se foi, fechando a porta atrás de si. Com o coração acelerado, eu corri os olhos pela sala. Era cerca de seis metros por seis, com um piso de cimento e uma outra porta no lado oposto, e as paredes não eram forradas. Não. Eu não teria essa sorte. As paredes eram brancas com arranhões vermelhos. Isso era... sangue seco? Oh Deus. Mas o medo desaparecia à medida que a consciência me envolvia. A investida do poder era pequena no início, uma investida que parecia que pontas de dedos estavam se arrastando para baixo dos meus braços, mas cresceu rapidamente, espalhando-se para o meu âmago. Foi como tomar um lufada de ar fresco pela primeira vez. A dormência e a exaustão se afastaram, substituído por um baixo zumbido de energia que estava na parte de trás do meu crânio, vibrando por minhas veias e enchendo a frieza na minha alma. Meus olhos se fecharam, e vi Daemon na minha cabeça. Não porque eu poderia realmente vêlo, mas porque este sentimento me fez lembrar dele. Quando a Source se envolveu em torno de mim, eu imaginava estar nos braços de Daemon. Um interfone clicou em cima, e a voz do sargento Dasher encheu a sala, fazendo com que a minha cabeça se erguesse.


— Precisamos testar a sua capacidade, Katy. Eu não queria falar com esse idiota, mas queria acabar com aquilo. — Tudo bem. Então você quer que eu invoque a Source ou o quê? — Você vai fazer isso, mas precisamos de sua capacidade testada sob stress. — Sob stress? — Eu sussurrei, olhando ao redor da sala. Mal-estar se espalhou na minha barriga, se espalhando como uma erva daninha, ameaçando me sufocar. — Estou me sentindo muito estressada no momento. O interfone clicou novamente. — Esse não é o tipo de stress que estamos falando. Antes que suas palavras tivessem a chance de serem absorvidas, houve um barulho alto que ressoou através da pequena sala. Eu me virei. Do meu lado oposto, a outra porta estava se abrindo, centímetro por centímetro. A primeira coisa que notei foi um par de calças de moletom preto, como o par que eu tinha, e, em seguida, uma camisa branca cobrindo os quadris estreitos. Meu olhar se arrastou para cima, e eu deixei escapar um suspiro surpreso. De pé diante de mim estava uma menina que eu tinha conhecido antes. Parecia uma eternidade, mas a reconheci imediatamente. Seu cabelo loiro estava preso em um rabo de cavalo impecável, revelando um belo rosto compensado pelos machucados e arranhões. — Mo. — eu disse, dando um passo à frente. A menina que esteve na gaiola ao lado da minha, quando Will tinha me mantido em cativeiro olhou para mim. Perguntei-me muitas vezes o que tinha acontecido com ela, e imaginei que agora eu sabia. Uma fração de segundo se passou. Eu disse o seu nome outra vez, e então entendi tudo com uma clareza assustadora. Ela exibia o mesmo vazio gigantesco que Carissa exibiu quando esteve em meu quarto. Meu coração se afundou. Eu duvidava que houvesse alguma coisa que eu pudesse fazer para lembrar a essa garota quem eu era. Ela entrou na sala e esperei. Um momento depois, o interfone tocou e a voz do sargento Dasher veio. — Mo ajudará na primeira rodada de testes de resistência. Primeiro rodada? Haveria mais de uma? — O que ela está...? Mo estendeu a mão, e a Source estalou sobre os nós dos dedos dela. Choque me manteve imóvel até o último momento possível. Corri para o lado, mas a explosão de luz esbranquiçada tingida em azul bateu em meu ombro. Dor explodiu e percorreu meu braço. O impacto me fez girar, e


mal mantive o equilíbrio. Fiquei desorientado enquanto apertava o ombro, não surpresa ao encontrar a roupa chamuscada. — Que diabos? — Eu exigi. — Por...? Outra explosão me fez cair de joelhos, uma vez que passou zunbindo pela direita, onde eu estava em pé. Ela bateu na parede atrás de mim, desvanecendo-se. Em um piscar de olhos, Mo estava bem na minha frente. Eu comecei a ficar de pé, mas o joelho dela se aproximou, me pegando no queixo e jogando minha cabeça para trás. Estrelas me cegaram ao cair de novo sobre meu traseiro, aturdida. Abaixando-se, Mo me pegou pelo meu rabo de cavalo e me ergueu com uma facilidade surpreendente. Sua mão girou, o golpe me pegando logo abaixo do olho. Essa explosão de dor fez meus ouvidos soarem, e fez outra coisa. Afastou o estupor de dentro de mim. De repente, entendi esse teste de resistência, o que me enjoou e horrorizou. Eu tinha que acreditar que, se o Daedalus sabia de tudo, então eles tinham que ter sabido que eu tinha conhecido Mo. Que vê-la aqui, em melhor forma física do que ela esteve naquela jaula, não só me pegaria de surpresa, mas que confirmaria a inutilidade de lutar contra eles. Mas eles queriam que eu lutasse — queriam que eu lutasse contra Mo, usando a Source. Porque mais, exceto entregar minha bunda em uma bandeja de prata, causaria-me tão grande stress? Outro soco me pegou bem debaixo do olho. Ela colocou uma grande quantidade de força por trás dele. Um gosto metálico surgiu em minha boca enquanto eu chamava a Source, assim como o sargento queria. Mas Mo... ela era muito mais rápida do que eu, muito melhor. Enquanto a maior surra de todos os tempos aumentava, eu me agarrava à pequenina esperança que tinha: Daemon não seria vencido assim.

***** Daemon Ocultando o SUV de Matthew vários quilômetros longe da estrada de acesso que levava ao Mount Weather, eu esperava que quem encontrasse o carro o devolvesse para ele inteiro. Era um


passeio muito doce. Não é tão bom como Dolly, mas nem muitos carros eram. Eu viajei o último par de milhas na minha verdadeira forma, correndo através do matagal espesso. Cheguei à estrada de acesso em poucos minutos, e segundos depois, estava à beira da floresta, olhando para o muro demasiado familiar que cercava o terreno. Havia definitivamente mais guardas de plantão, pelo menos três deles pela porta, e eu aposto que havia mais por dentro. Câmeras e sistemas de segurança não iriam ser desativadas neste momento. Não queria isso. Eu queria ser pego. Dawson provavelmente pensou que eu não tinha pensado o suficiente. Muito estava em jogo, não só o meu futuro, mas minha família e Kat. Uma vez que o DOD percebesse que eu estava aqui, as coisas iam ficar difíceis. Entrar não seria o problema, e se eu tivesse o que quer que fosse que Luc queria, ele iria nos livrar — se não estivesse mentindo. E se ele estivesse, eu iria encontrar uma outra maneira. Parte de mim esperava que Kat ainda estivesse aqui, que o Daedalus não a moveu para outro local. Provavelmente tolice esperar por isso, porque eu tinha a sensação de que uma grande dose de decepção se dirigia para mim. Então, sim, eu queria ser pego, mas eu não ia fazer isso fácil para eles. Saindo de debaixo da cobertura das árvores, deixei minha forma humana tomar posse sob um forte feixe de luz solar. Os guardas ignoraram minha presença no princípio, e quando dei mais um passo para a frente, a conversa que tive com Kat na noite em que finalmente admitiu seus sentimentos por mim, me veio à mente. Eu disse a ela que fazemos o tipo bom de loucura juntos e não sabia como verdadeiro realmente era, até este momento, porque o que eu estava prestes a fazer era realmente, verdadeiramente, cem por cento, uma loucura. O primeiro guarda, que estava puxando alguma coisa — um telefone celular? — fora de sua calça cargo preta virou-se, os olhos à deriva por entre as árvores. Seu olhar se moveu sobre mim e, em seguida, se lançou de volta. O celular caiu de seus dedos, e ele gritou, com uma mão indo para a arma em sua coxa e outra para o microfone em seu ombro. Os dois guardas atrás dele viraram, tirando as suas armas. Hora de começar o show. Convocando a Source, fiquei na minha forma humana, mas soube o momento exato em que souberam quem eu era. Foi provavelmente meus olhos. O mundo estava matizado em um esplendor brilhante. Uma série de sons de estalo se seguiram, me dizendo que os guardas não estavam brincando.


Eu levantei minha mão, e as balas pareceram bater em uma parede invisível. Na realidade, era a energia que refletia as balas. Eu poderia tê-las enviado de volta para os guardas, mas tudo que fiz foi pará-las. Elas caíram no chão sem causar danos. — Eu não sugiro que tentem isso de novo. — disse, abaixando minha mão. É claro que eles não ouviram. Por quê? Isso seria muito fácil. O guarda na frente descarregou sua arma, e eu repeli todas as balas. Depois de alguns segundos, estava tão farto com isso. Virando-me, estendi o braço para trás na direção das árvores. Elas começaram a tremer. Ramos balançavam, enviando uma cascata de agulhas verdes girando no ar. Puxando-as para a frente, eu me virei. Milhares de agulhas dispararam pelo ar, acelerando para frente. Elas se separaram em torno de mim, indo direto para os estúpidos guardas. As agulhas bateram nos homens, transformando-os em alfineteiros humanos. Não os matou, mas se os seus grunhidos de dor e surpresa eram qualquer indicação, isso devia picar como uma cadela. Os guardas estavam de joelhos, armas esquecidas no chão ao lado deles. Acenando a minha mão, enviei as suas armas voando para a floresta, para nunca mais serem vistas novamente. Movi-me para frente, passando-os com um sorriso. Convocando a Source, mais uma vez, deixei o crepitar de energia descer pelo meu braço. Um raio de luz atingiu o portão na cerca elétrica. Uma explosão branca explodiu, dançando através de elos de cadeias, fritando o poder de cima do muro e deixando um agradável e confortável buraco para caminhar através dele. Seguindo sobre a paisagem bem aparada que atravessamos antes, respirei fundo quando as portas para o Mount Weather se abriram. Um exército de oficiais em pânico apareceu, vestidos como se estivessem prontos para o Armagedon ou uma participação especial em uma equipe da SWAT. Seus rostos estavam cobertos com escudos, como se isso fosse ajudá-los. Ajoelhando-se, apontaram uma dúzia de espingardas semiautomáticas para mim. Parar tantas balas seria complicado. As pessoas iam morrer. Isso era mal, mas não me pararia. Em seguida, uma figura alta e esguia apareceu, saindo do túnel mal iluminado. Os homens vestidos em uniformes pretos se separaram, sem tirar seus rifles de cima de mim, permitindo que a mulher vestida com decoro navegasse facilmente em seu caminho para a frente. — Nancy Husher. — Eu rosnei, minhas mãos enrolando em punhos. Conhecia a mulher há anos. Nunca gostei dela, o que foi agravado pelo fato de que eu sabia que ela trabalhava dentro da Daedalus e sabia o que realmente aconteceu com Dawson. Sua boca se espalhou para o sorriso de boca fechada, ela era famosa por isso, aquele que


dizia que ela estava prestes a enfiar uma adaga perversa em suas costas ao beijar sua bochecha. Ela era quem eu esperava encontrar. — Daemon Black. — disse ela, apertando as mãos. — Nós estivemos esperando por você.

CAPÍTULO 8 Katy

Após a sessão de treino desastroso, sentia o sabor do verdadeiro medo cada vez que alguém se aproximava da minha porta. Meu coração batia dolorosamente até que o som de passos desaparecia, e quando a porta finalmente se abriu, revelando Archer com a minha refeição da noite, quase vomitei. Eu não tinha apetite. Eu não consegui dormir naquela noite. Toda vez que fechava meus olhos, tudo o que eu podia imaginar era Mo em pé diante de mim, mais do que pronta para chutar a minha bunda em todas as direções até o próximo domingo. O grande vazio que tinha encoberto os olhos dela tinha rapidamente florescido em determinação. Minha surra poderia não ter sido tão grave se eu tivesse lutado, mas eu não tinha. Lutar com ela teria sido errado. Quando a porta se abriu, na manhã seguinte, eu tive apenas algumas horas de sono. Era


Archer, e em sua forma tranquila, ele me fez sinal para segui-lo. Com o estômago enjoado, eu não tinha outra escolha a não ser ir para onde ele estava me levando. A náusea cresceu quando nós montamos o elevador para o andar que abrigava as salas de treinamento. Levou tudo em mim não sair do elevador e agarrar uma das barras pela minha preciosa vida. Mas ele me levou para trás da sala que eu tinha ido antes, através de portas duplas, e depois descendo mais até um vestíbulo, onde passamos por um outro conjunto de portas. — Para onde vamos? Ele não respondeu, até que parou diante de uma porta de aço que brilhava com uma superabundância de ônix e diamantes. — Há algo que o Sargento Dasher quer que você veja. Eu só podia imaginar o que repousava além da porta. Ele colocou o dedo indicador contra o painel de segurança, e a luz virou de vermelho para verde. Cliques mecânicos se seguiram. Prendi a respiração quando ele abriu a porta. O interior da sala estava iluminado apenas por uma lâmpada fraca no teto. Não havia cadeiras ou mesas. À direita tinha um grande espelho que tinha o comprimento da parede. — O que é isso? — Perguntei. — Algo que você deve ver. — disse o sargento Dasher atrás de nós, fazendo-me saltar e girar. De onde diabos ele tinha vindo? —Uma coisa que eu espero que garanta que não teremos uma repetição da nossa última sessão de treinamento. Cruzei os braços e levantei meu queixo. — Não há nada que você possa me mostrar que vai mudar isso. Eu não vou lutar contra outros híbridos. A expressão de Dasher permaneceu a mesma. — Como eu expliquei, é preciso certificar-se de que você é estável. Esse é o propósito dessas sessões de treinamento. E a razão pela qual temos de nos certificar que você é forte e capaz de aproveitar a Source está além deste espelho. Confusa, olhei para trás, para Archer. Ele estava perto da porta, o rosto sombreado pela boina. — O que há do outro lado? — A verdade. — respondeu Dasher. Tossi uma gargalhada que fez com que a pele arranhada no meu rosto ardesse. — Então você tem uma sala cheia de oficiais militares delirantes do outro lado? Seu olhar era tão seco como areia quando ele estendeu a mão e apertou um botão junto a


parede. Luz súbita explodiu, mas veio de trás do espelho. Era um espelho unidirecional, como em delegacias de polícia, e o quarto não estava vazio. Meu coração chutou no meu peito enquanto eu avançava. — O que...? Havia um homem do outro lado sentado em uma cadeira, e não por sua vontade. Bandas de ônix cobria seus pulsos e tornozelos, prendendo-o. Uma mecha de cabelo loiro esbranquiçado cobria a testa, mas ele lentamente levantou a cabeça. Era um Luxen. A beleza angular o delatou, e assim fizeram os vibrantes olhos verdes — olhos que me lembraram muito de Daemon e uma dor perfurou meu peito e lançou uma bola de emoção diretamente em minha garganta. — Pode... ele pode nos ver? — Perguntei. Parecia que sim. Os olhos do Luxen estavam fixados onde eu estava. — Não. — Dasher avançou, encostando no espelho. Uma caixa de interfone pequeno estava ao alcance do seu braço. Dor estava gravada no belo rosto do homem. Veias inchavam ao longo de seu pescoço enquanto seu peito subia em uma respiração irregular. — Eu sei que você está aí. Olhei para Dasher bruscamente. — Tem certeza que ele não pode nos ver? Ele acenou com a cabeça. Relutantemente, voltei minha atenção para o outro quarto. O Luxen estava suando e tremendo. — Ele está... ele está com dor. Isso é tão errado. É uma completa... — Você não sabe o que está sentado no outro lado deste vidro, senhorita Swartz. — Ele apertou um botão no interfone. — Olá, Shawn. Os lábios do Luxen se torceram para um lado. — Meu nome não é Shawn. — Esse tem sido o seu nome dado por muitos anos. — Dasher balançou a cabeça. — Ele prefere ser chamado pelo seu verdadeiro nome. Como você sabe, isso é algo que não se pode pronunciar. — Com quem você está falando? — Shawn exigiu, seu olhar irritantemente pousando sobre onde eu estava. — Outro humano? Ou ainda melhor? Uma abominação... a porra de um híbrido? Engoli em seco, antes que eu pudesse me parar. Não foi o que ele disse, mas a aversão e o


ódio que sangrava em cada palavra. — Shawn é o que você chamaria de um terrorista. — disse o sargento, e o Luxen no outro quarto zombou. — Ele pertencia a um grupo que estivemos acompanhando por alguns anos. Eles planejavam destruir a Golden Gate Bridge, durante a hora do rush. Centenas de vidas... — Milhares de vidas. — Shawn interrompeu, seus olhos verdes brilhando luminosos. — Gostaríamos de ter matado milhares de pessoas. E então nós poderíamos... — Mas você não fez. — Dasher sorriu, e meu estômago desmoronou. Foi provavelmente o primeiro sorriso verdadeiro que eu tinha visto no homem. — Paramos você. — Ele olhou por cima do ombro para mim. — Ele foi o único que pudemos trazer com vida. Shawn riu asperamente. — Você poderia ter me parado, mas você não fez nada, seu macaco simplório. Somos superiores. A humanidade não é nada comparado a nós. Você vai ver. Vocês cavaram suas próprias sepulturas, e não pode parar o que está vindo. Todos vocês vão... Dasher desligou o interfone, interrompendo o discurso. — Ouvi isso muitas vezes. — Ele virou para mim, a cabeça inclinada para o lado. — Isso é o que estamos lidando. O Luxen naquela sala quer matar seres humanos. Há muitos como ele. É por isso que estamos fazendo o que estamos fazendo. Sem palavras, eu olhava para o Luxen enquanto meu cérebro voltava-se lentamente sobre o que eu tinha acabado de presenciar. O intercomunicador estava desligado, mas a boca do homem ainda estava em movimento, ódio cru escorrendo de seus lábios. O tipo de animosidade cega demonstrada por todos os terroristas, não importa quem ou o que eram, estava esculpida em seu rosto. — Você entendeu? — Perguntou o sargento, chamando minha atenção. Envolvendo os braços em volta da minha cintura, balancei a cabeça lentamente. — Você não pode julgar toda uma raça com base em alguns indivíduos. — As palavras soaram vazias para mim. — É verdade. — Dasher concordou tranquilamente. — Mas isso só seria o caso se estivéssemos lidando com seres humanos. Não podemos manter esses seres com o mesmo padrão moral. E acredite em mim quando eu digo que eles não nos mantém com os deles. ***** Horas se transformaram em dias. Dias possivelmente em semanas, mas eu realmente não podia ter certeza. Entendia agora como Dawson não conseguia manter a noção do tempo. Tudo se


misturava aqui, e eu não conseguia me lembrar da última vez que tinha visto o sol ou o céu noturno. Não me serviam o café da manhã como fizeram no primeiro dia que acordei, o que tirou a hora do dia para mim, e a única maneira que eu sabia quando um total de 48 horas tinha passado era quando era levada para o Dr. Roth para a análise de sangue. Eu o tinha visto cerca de cinco vezes, talvez mais. Eu perdi a conta. Eu perdi um monte de coisas. Ou parecia assim. Peso. A capacidade de sorrir ou rir. Lágrimas. A única coisa que mantive foi a raiva, e cada vez que eu enfrentava Mo ou outro híbrido que não conhecia — Não importava chegar a conhecê-los por causa do que tinha que fazer —, minha raiva e frustração subia um degrau. Surpreendeu-me que eu ainda podia sentir tanto. Mas não tinha cedido ainda. Eu não tinha lutado durante qualquer um dos testes de resistência. Era meu único meio de controle. Recusei-me a lutar contra eles, bater neles ou potencialmente matá-los se as coisas ficassem fora de controle. Era como estar em uma real, embora confusa, versão de Jogos Vorazes. Os Jogos Vorazes para híbridos alienígenas. Eu comecei a rir, mas fiz uma careta quando o movimento puxou meu lábio cortado. Eu poderia ter me recusado a ir toda Exterminadora sobre eles, mas os outros híbridos estavam tão a bordo. Tanto é assim que alguns deles falavam enquanto arrasavam comigo. Eles me disseram que eu precisava lutar, que eu precisava se preparar para o dia em que os outros Luxen viessem e para aqueles que já estavam aqui. Era óbvio que sinceramente acreditavam que os verdadeiros vilões eram os Luxen. Eles poderiam estar bebendo Kool-Aid{3}, mas eu não estava. Mesmo assim, havia uma pequena parte de mim que se perguntava como Daedalus poderia controlar tantos se não havia alguma verdade no que eles estavam dizendo? E então havia Shawn, o Luxen que queria matar milhares de seres humanos. Se eu fosse acreditar em Dasher, havia um inferno de muito mais parecido com ele lá, apenas esperando para apoderar-se da Terra. Mas até mesmo pensar que Daemon ou Dee, ou até mesmo Ash, era uma parte de algo assim... eu não podia sequer pensar nisso. Forçando meus olhos a abrirem, vi a mesma coisa que eu sempre via depois de ter sido transportado para fora das salas de treinamento e depositada — Principalmente inconsciente—, na minha cela. O teto branco com pequenos pontos pretos — uma mistura de ônix e diamantes. Deus, eu odiava esses pontos. Eu respirei fundo e gritei, imediatamente desejando que eu não tivesse feito. Forte dor irradiou através de minhas costelas devido a um pontapé do tamanho de Mo. Meu corpo inteiro pulsava. Não havia uma parte de mim que não doía.


Um movimento a partir do canto mais distante da minha cela, junto à porta, chamou a minha atenção. Lenta e muito dolorosamente, eu virei minha cabeça. Archer estava ali, torcendo um pano na mão. — Estava começando a me preocupar. Limpei a garganta e, em seguida, abri a minha mandíbula, fazendo uma careta. — Por quê? Ele veio para a frente, a boina sempre escondendo seus olhos. — Você esteve inconsciente por um tempo, desta vez, o mais longo até agora. Voltei a girar minha cabeça para o teto. Eu não tinha percebido que ele estava contando as surras que eu levava. Ele não esteve aqui outras vezes, quando acordei. Tampouco esteve Blake. Eu não tinha visto esse idiota por um tempo, e eu não tinha certeza se estava mesmo mais aqui. Eu inspirei mais devagar e mais demorado. Tão triste como era, quando estava acordada, perdia-me nos momentos de esquecimento. Nem sempre era apenas um negro, grande nada. Às vezes eu sonhava com Daemon, e quando eu estava acordada, me agarrava a essas imagens tênues que pareciam borrar e desaparecer na hora que abria meus olhos. Archer sentou-se na beirada da cama, e meus olhos se abriram. Os músculos doloridos tensionaram. Embora ele provasse não ser tão ruim, considerando todas as coisas, não confiava em ninguém. Ele levantou o pacote. — É apenas gelo. Parece que você pode usar. Eu o olhei com cautela. — Eu não... Eu não sei o que parece. — Quer dizer o seu rosto? — Ele perguntou, apalpando o pacote. — Não parece bem. Ele não parecia bem. Ignorando o latejar em meu ombro, tentei puxar meu braço de sob o cobertor. — Eu posso fazer isso. — Você não parece como se pudesse levantar um dedo. Basta ficar parada. E não fale. Eu não tinha certeza se eu deveria estar ofendida com a parte de não fale, mas então ele apertou o pacote de gelo no meu rosto, fazendo-me atrair uma respiração forte. — Eles poderiam ter conseguido um dos Luxen para curá-la, mas sua recusa em lutar não vai tornar isso fácil para você. — Ele apertou o saco de gelo para baixo, e eu recuei. — Tente manter isso em mente quando for para a sala de treinamento da próxima vez. Comecei a carranca, mas doeu. — Oh. Como se isso fosse minha culpa.


Ele balançou a cabeça. — Eu não quis dizer isso. — Lutar com eles é errado. — eu disse depois de alguns segundos. — Eu não vou para a autodestruição. — Ou pelo menos esperava que não fosse. —Fazê-los fazer isso é... é desumano. E eu não vou... — Você vai. — ele disse simplesmente. — Não é diferente deles. — Não é ser diferente. — Comecei a sentar, mas ele me prendeu com um olhar que me fez recuar. — Mo nem parece mais humana. Nenhum deles parece. Eles são como robôs. — Eles são treinados. — T-Treinados? — Eu gaguejava enquanto ele movia o gelo para o meu queixo. — Eles estão inconscientes... — Não importa o que são. Você continuará fazendo isso? Não defender-se, não dar ao Sargento Dasher o que ele quer, vai continuar sendo um saco de pancadas humano. E o que isso resolve? Um dia destes, um dos híbridos vai te matar. — Ele baixou a voz, tão baixo que eu me perguntava se os microfones podiam até pegá-lo. — E o que acontece com a pessoa que a transformou? Ele vai morrer, Katy. Pressão se apertou no meu peito e todo um tipo diferente de dor veio à tona. No mesmo instante, vi Daemon na minha cabeça — seu sorriso exasperante sempre presente em seu expressivo rosto—, e senti falta dele tão forte que um ardor se arrastou até a minha garganta. Minhas mãos se fecharam debaixo do cobertor quando um buraco se abriu no meu peito. Vários minutos se passaram em silêncio, e enquanto eu estava lá, olhando para o ombro dele com a jaqueta de camuflagem marrom e branca, procurei algo para dizer, qualquer coisa para expulsar o vazio de dentro de mim, e finalmente me ocorreu algo. — Posso te fazer uma pergunta? — Você provavelmente não deve falar mais. — Ele trocou o saco de gelo para a outra mão. Eu ignorei isso, porque tinha certeza que ficaria louca se eu me mantivesse em silêncio. — Há realmente Luxen lá fora que querem dominar? Outros, como Shawn? Ele não respondeu. Fechando os olhos, deixei escapar um suspiro cansado. — Será que vai matá-lo apenas responder a pergunta? Outro momento passou. — O fato de que você mesma perguntar já é resposta suficiente. Era? — Existem bons seres humanos e seres humanos maus, Katy?


Eu pensei que era estranho como ele disse humanos. — Sim, mas isso é diferente. — É mesmo? Quando o pacote de gelo pousou no meu rosto de novo, não me senti tão mal. — Eu acho que sim. — Porque os seres humanos são mais fracos? Tenha em mente que os seres humanos têm acesso a armas de destruição em massa, assim como os Luxen. E você realmente acha que o Luxen não sabem o que acontece aqui? — ele perguntou em voz baixa, e me acalmei — Há alguns que, por suas próprias razões, apoiam o que o Daedalus faz, enquanto outros temem perder a vida que eles construíram aqui? Você realmente quer uma resposta para essa pergunta? — Sim. — eu sussurrei, mas estava mentindo. Uma parte de mim não queria saber. Archer moveu o saco de gelo novamente. — Há Luxen que querem dominar, Katy. Não é uma ameaça, e se esse dia chegar, quando os Luxen tiverem que escolher um dos lados, de que lado eles vão ficar? Onde você vai ficar? ***** Daemon Eu estava cerca de dez segundos de quebrar o pescoço de alguém. Quem sabia quantos dias se passaram desde que Nancy fez a pequena reunião de boas-vindas em Mount Weather? Dois? Uma semana ou mais? O inferno se eu soubesse. Eu não tinha ideia de que hora do dia era ou quanto tempo tinha passado. Uma vez que eles tinham me escoltado para dentro, Nancy tinha desaparecido, e uma enorme quantidade de merda passou a ocorrer —um exame, análise de sangue, teste físico e o interrogatório mais idiota deste lado das montanhas Blue Ridge. Segui adiante com tudo apenas para acelerar o processo, mas nada absolutamente estranho aconteceu depois. Eu estava escondido em um quarto — o mesmo tipo de quarto em que o traseiro de Dawson esteve uma vez — ficando mais furioso a cada segundo. Eu não podia acessar a Source. Eu poderia, contudo, ter a minha verdadeira forma, mas o único bem que isso fazia era iluminar o quarto quando já estava escuro. Não era exatamente útil. Caminhando pelo comprimento da cela, não pude deixar de me perguntar pela milésima vez se Kat estava fazendo a mesma coisa em algum outro lugar. Eu não a sentia, mas o elo estranho entre nós só parecia funcionar se estivéssemos próximos. Ainda havia uma chance, um pequeno raio de esperança, que ela estivesse em Mount Weather.


Quem sabia que horas eram quando a porta do meu quarto se abriu e três aspirantes a GI Joe acenou para mim. Passei por eles, rindo quando o que eu bati com o ombro murmurou uma maldição. — O quê? — Eu desafiei, de frente para o guarda, pronto para uma luta. — Você tem um problema? O cara zombou. — Mova-se. Um deles, uma alma muito corajosa, me cutucou no ombro. Virei meu olhar sobre ele, e ele murchou. — Sim, acho que não. E com isso, os três comandos me guiaram pelo corredor que era quase idêntico ao que levava ao quarto que tínhamos encontrado Beth dentro. Uma vez no elevador, que desceu alguns andares, logo saímos em um outro corredor preenchido com vários militares, alguns deles fardados e outros em ternos. Todos eles deram ao nosso pequeno grupo feliz um amplo espaço. Minha paciência já inexistente foi debilitada no momento em que paramos em frente a duas portas duplas, escuras e brilhantes. Meus sentidos de aranha estavam me dizendo que a coisa estava revestida com ônix. Os soldados fizeram alguma merda misteriosa secreta com o painel de controle, e as portas se abriram, revelando uma longa mesa retangular. A sala não estava vazia. Oh, não. Dentro estava a minha pessoa favorita. Nancy Husher sentava-se à cabeceira da mesa, as mãos cruzadas na frente dela e cabelo puxado para trás em um rabo de cavalo apertado. — Olá, Daemon. Eu, no entanto, não estava no clima para bobagens. — Oh. Você ainda está por perto depois de todo esse tempo? E eu que pensei que você tinha me deixado. — Eu nunca o abandonarei, Daemon. Você é muito valioso. — Isso eu sei. — Sentei-me sem ser dito e recostou-me, cruzando os braços. Os soldados fecharam as portas e formaram guarda na frente delas. Eu atirei-lhes um olhar de desprezo antes de girar para Nancy. — O quê? Não há análises de sangue ou exames hoje? Nenhum fluxo interminável de perguntas estúpidas? Nancy estava claramente lutando para manter sua fachada legal. Eu jurava a qualquer Deus que existisse que irritei a mulher ao máximo. — Não. Não há necessidade de mais do que isso. Nós temos o que precisamos. — E o que é isso?


Um de seus dedos se moveu para cima e depois parou. — Creio que sabe o que Daedalus está tentando fazer. Ou, pelo menos, você tem suas suposições. — Eu honestamente não dou a mínima para o que seu pequeno grupo de aberração está fazendo. — Não? — Uma sobrancelha delgada subiu. — Não. — eu disse. Seu sorriso se estendeu. — Você sabe o que penso, Daemon? Você é um monte de bravatas. A boca esperta com os músculos para apoiá-la, mas na realidade, você não tem controle nesta situação, e, no fundo, sabe disso. Portanto, mantenha sua boca funcionando. Acho que é divertido. Minha mandíbula se apertou. — Eu vivo para entretê-la. — Bem, é bom saber disso, e uma vez que temos isso esclarecido, podemos seguir em frente? — Quando eu balancei a cabeça, seu olhar perspicaz se aguçou. — Primeiro, eu quero deixar claro que, se em algum momento você representar uma ameaça para mim ou para qualquer outra pessoa, nós temos armas aqui que eu detestaria usar em você, mas vou. — Tenho certeza que você iria detestar fazer isso. — Eu faria. São armas PEP, Daemon. Sabe o que isso significa? Projétel de Energia Pura. Ele interrompe os comprimentos de onda de luz e eletrônicos em um nível catastrófico. Um tiro e é fatal para o seu tipo. Eu odiaria te perder. Ou Katy. Entende o que estou dizendo? Minha mão se fechou em um punho. — Eu entendo. — Eu sei que você tem suas suposições quando se trata do Daedalus, mas esperamos mudar isso durante o curso de sua estadia conosco. — Hmm, minhas suposições? Oh, você está fazendo referência a esse momento em que você e seus asseclas me levou a acreditar que meu irmão estava morto? Nancy nem sequer piscou. — Seu irmão e sua namorada foram detidos pelo Daedalus por causa do que Dawson fez a Bethany, para a sua segurança. Eu sei que você não acredita nisso, e isso não é uma preocupação minha. Há uma razão pela qual Luxen são proibidos de curar seres humanos. As consequências de tais ações são vastas, e na maioria dos casos resultam em mudanças instáveis no DNA​​ dentro do corpo humano, especialmente fora de ambientes controlados. Eu levantei minha cabeça ante isso, lembrando o que aconteceu com Carissa.


— O que é que isso quer dizer? — Mesmo que os seres humanos sobrevivam à mutação com a nossa ajuda, ainda há uma chance de que as mutações sejam instáveis. — Com a sua ajuda? — Eu ri com frieza. — Disparar em pessoas com Deus sabe lá o quê é ajudá-las? Ela assentiu com a cabeça. — Era isso ou deixar Katy morrer. Isso é o que teria acontecido. Fiquei imóvel, mas o meu ritmo cardíaco acelerou. —Às vezes, as mutações desaparecem. Às vezes, elas os matam. Às vezes, elas detêm, e então as pessoas entram em combustão sob stress. E às vezes elas mantêm perfeitamente. Temos que determinar isso, porque não podemos permitir os híbridos instáveis ​na sociedade. A ira girou através de mim como um trem de carga. — Você faz parecer que está fazendo um favor ao mundo. — Nós estamos. — Ela se inclinou para trás, deslizando as mãos fora da mesa. — Estamos estudando Luxen e híbridos, tentando curar a doença. Estamos detendo híbridos potencialmente perigosos de ferir pessoas inocentes. — Kat não é perigosa. – eu disse entre dentes. Nancy inclinou a cabeça para o lado. — Isso ainda está a ser visto. A verdade é que ela nunca foi testada, e isso é o que estamos fazendo agora. Eu me inclinei para a frente muito lentamente, e a sala começou a encher-se com um brilho branco. — E o que isso quer dizer? Nancy ergueu a mão, fazendo os três patetas junto à porta aguardarem. — Kat tem provado mostrar sinais de raiva extrema, uma característica de instabilidade em um híbrido. — Sério? Kat com raiva? Poderia ser porque você está mantendo-a cativa? — As palavras tinham gosto ácido. — Ela atacou vários membros de minha equipe. Um sorriso se estendeu no meu rosto. Essa é minha garota. — Sinto muito em ouvir isso. — Eu também. Tínhamos tanta esperança com respeito a vocês dois. A maneira como vocês já trabalharam juntos? É uma relação simbiótica perfeita. Muito poucos Luxen e os seres humanos chegaram a isso. Principalmente, a mutação age como um parasita para o ser humano. — Ela cruzou


os braços, esticando o marrom monótono de seu paletó. — Você poderia significar muito para o que estamos tentando realizar. — Que é a cura de doenças e salvar pessoas inocentes? — Eu bufou. — E é isso? Realmente, você acha que eu sou idiota? — Não. Acho que você é muito do oposto de estúpido. — Nancy exalou pelo nariz quando ela se inclinou para frente, colocando as mãos sobre a mesa cinza escura. — O objetivo do Daedalus é mudar a paisagem da evolução humana. Isso requer métodos drásticos às vezes, mas o resultado final vale a pena cada mancha de sangue, gota de suor e lágrima. — Contanto que não seja seu sangue, suor e lágrimas? — Oh, eu tenho dado tudo isso, Daemon. — Ela sorriu. — E se eu pudesse dizer-lhe que não só poderíamos apenas erradicar algumas das doenças mais virulentas, mas podemos parar guerras antes mesmo de começar? E lá estava ela, percebi. — Como você faria isso? — Você acha que qualquer país gostaria de lutar contra um exército de híbridos? — Ela inclinou a cabeça. — Sabendo do que um mutante com sucesso é capaz de fazer? Parte de mim estava enojado com as implicações. A outra metade estava simplesmente chateada. — Criando híbridos para que eles possam lutar em guerras estúpidas e morrer? Você torturou o meu irmão para isso? — Você diz torturar; eu digo motivar. Tudo bem, este era um dos momentos em minha vida em que eu realmente queria bater em alguém através de uma parede. E acho que ela sabia disso. — Vamos chegar ao ponto, Daemon. Precisamos da sua ajuda... da sua colaboração. Se as coisas forem bem para nós, elas vão correr bem para você. O que será necessário para chegar a um acordo? Nada neste mundo deveria ter me feito considerar isso. Isso ia contra a natureza; de tão incorreto que era. Mas eu era um homem que fazia truques, e quando chegasse o momento, não importa o que o Daedalus queria, o que Luc queria, havia uma única coisa que importava. — Há apenas uma coisa que eu quero. — E qual é? — Eu quero ver Kat. O sorriso de Nancy não desapareceu. — E o que você está disposto a fazer para conseguir isso?


— Qualquer coisa. — disse sem hesitação, e falei sério. — Eu vou fazer qualquer coisa, mas quero ver Kat primeiro, e eu quero vê-la agora. Um brilho calculista encheu seus olhos escuros. — Então, eu tenho certeza que nós podemos dar um jeito.

CAPÍTULO 9 Katy

Minhas pernas doíam enquanto eu seguia Archer, mancando pelo caminho para a sala de treinamento. Com quem teria que lutar hoje? Mo? O cara com um moicano? Ou seria a menina com o cabelo vermelho muito bonito? Não importava. Eu estaria recebendo uma surra. A única coisa que eu sabia era que eles não deixariam qualquer um dos outros híbridos me matar. Eu era muito valiosa.


Archer diminuiu o passo, permitindo-me alcançá-lo. Ele não tinha dito nada desde que deixou minha cela ontem, mas eu estava acostumada a seu silêncio. Eu não conseguia entendê-lo, no entanto. Não parecia que ele apoiava nada disso, mas nunca admitiu. Talvez fosse apenas um emprego para ele. Paramos em frente das portas que eu havia chegado a odiar. Respirando fundo, entrei quando eles a abriram. Não tinha sentido retardar o inevitável. O sargento Dasher esperava dentro, vestido com o mesmo uniforme que ele estava usando desde a primeira vez que o vi. Eu me perguntei se ele tinha um suprimento infinito deles. Se não, teria uma tremenda conta na lavanderia a seco. Estas eram coisas estúpidas que eu pensava antes de ser atacada e ganhar um hematoma gigante. Dasher me deu um longo olhar. Desde o breve vislumbre do meu reflexo no espelho nebuloso no banheiro, sabia que eu parecia uma bagunça terrível. No lado direito do meu rosto, minha bochecha e meu olho eram uma sombra feia de roxo e inchaço. Meu lábio inferior estava partido. O resto do meu corpo parecia uma miscelânea de contusões. Ele balançou a cabeça e deu um passo para o lado, permitindo que o Dr. Roth me examinasse de novo. O médico mediu minha pressão, me ouviu respirar, e, em seguida, iluminou meus olhos com uma luz. — O desgaste dela parece pior. — disse ele, colocando o estetoscópio sob seu jaleco. — Mas pode participar do teste de resistência. — Seria bom se ela realmente participasse. — reclamou um dos caras nos painéis de controle. — E não apenas ficasse lá. Eu atirei-lhe um olhar, mas antes que eu pudesse abrir a boca, o sargento Dasher interrompeu. — Hoje vai ser diferente. — disse ele. Dobrando meus braço, fixei meus olhos nele. — Não. Não vai. Eu não vou lutar contra eles. O queixo dele subiu um nível. — Talvez tenhamos lhe introduzido o teste de resistência de forma incorreta. — Puxa — eu disse, sorrindo interiormente com a maneira como seus olhos se estreitaram. — Que parte de tudo isso é incorreto? — Nós não queremos que você lute apenas por lutar, Katy. Queremos ter certeza que sua mutação é viável. Eu posso ver que você não está disposta a ferir outro híbrido. Uma pequena gota de esperança brilhou dentro de mim, como uma muda frágil cutucando através do solo. Talvez ficar de pé, acumulando todas essas contusões, serviu alguma coisa. Era um


pequeno passo que provavelmente não significava nada para eles, mas tudo para mim. — Mas temos de ver suas habilidades sob alto estresse. — Ele fez um gesto para os caras nos painéis, e minha esperança desmoronou e queimou. A porta se abriu. — Acho que você vai ser mais tolerantes neste teste. Oh Deus, eu não quero andar por aquelas portas, mas forcei um pé na frente do outro, recusando-me a mostrar um pingo de fraqueza. A porta se fechou atrás de mim, e enfrentei a outra porta, à espera enquanto nós se formavam no meu estômago. Como no mundo poderiam fazer isso aceitável? Não havia nada que pudessem... Naquele instante, a outra porta se abriu, e Blake entrou. Sufoquei uma risada seca quando ele se pavoneava pela sala, mal prestando atenção ao fechamento da porta atrás dele. De repente, as palavras de Dasher sobre ser mais aceitável fazia sentido. Blake franziu a testa quando ele parou na minha frente. — Você parece uma droga. A raiva latente inflamou. — E está surpreso? Você sabe o que estão fazendo aqui. Ele enfiou os dedos pelos cabelos, enquanto seus olhos se moviam sobre meu rosto. — Katy, tudo o que tinha a fazer era usar a Source. Você está fazendo isso mais difícil para si mesma. — Estou fazendo isso...? — parei enquanto a raiva fervia em mim. A Source se agitou na minha barriga, e eu senti os minúsculos pelos no meu corpo subir. — Você é louco. — Olhe para si mesma. — Ele acenou com a mão para mim. — Tudo o que tinha a fazer era fazer o que pediram, e poderia ter evitado tudo isso. Eu dei um passo para a frente, olhando para ele. — Se você não tivesse nos traído, eu teria evitado tudo isso em primeiro lugar. — Não. — Um olhar de tristeza penetrou em seu rosto. — Você teria acabado aqui, não importava o que acontecesse. — Eu não concordo. — Não tem que concordar. Respirei fundo, mas a raiva estava acabando com melhor de mim. Blake moveu-se para colocar a mão no meu ombro, mas afastei o braço. — Não me toque. Ele olhou para mim por um momento, e então seus olhos se estreitaram. — Como eu disse antes, se você quiser ficar com raiva de alguém, fique brava com


Daemon. Ele fez isso com você. Não eu. Foi o suficiente. Toda a raiva e frustração reprimida chicoteou por mim como um furacão categoria cinco. O meu cérebro desligou, e avancei sem pensar. Meu soco passou de raspão por sua mandíbula, mas a Source se fez presente na mesma hora. Um raio de luz explodiu da minha mão e o fez girar. Ele se agarrou na parede, deixando escapar um riso surpreso. — Porra, Katy. Isso dói. Energia crepitava na minha coluna, fundindo-se com os meus ossos. — Como você se atreve a culpá-lo por isso? Isso não é culpa dele! Blake virou-se e encostou-se à parede. O sangue escorria do lábio, e ele limpou-o com as costas da mão. Um estranho brilho entrou em seus olhos, e então ele afastou-se da parede. — Isso é totalmente culpa dele. Levantei meu braço e outro raio de energia disparou para a frente, mas ele se esquivou, rindo enquanto se virava, os braços ao lado do corpo. — Isso é o melhor que você tem? — Ele me incitou. — Vamos. Eu prometo que vou pegar leve com você, Kitten. No uso do apelido — o apelido que Daemon me deu —, me descontrolei. Blake estava sobre mim em um segundo. Corri para o lado, ignorando o protesto doloroso dos meus músculos. Seu braço se estendeu em uma ampla varredura, e a luz branco-avermelhada estalou. Girei no último segundo, evitando por pouco tomar um tiro certeiro. Deixando a descarga de energia crescer através de mim mais uma vez, enviei outra centelha de explosão através da sala, atingindo-o no ombro. Ele cambaleou para trás, com as mãos caindo nos joelhos quando ele se dobrou. — Eu acho que você pode fazer melhor do que isso, Kitten. Quente raiva ardente caiu sobre meus olhos como um véu. Lançando-me para a frente, o ataquei como um zagueiro da NFL em disparada. Caímos em uma confusão de pernas e braços entrelaçados. Pousei em cima dele, lançando meu braço para trás e baixando-o repetidamente. Eu não estava realmente vendo onde estava batendo, apenas sentindo o reflexo da dor através de meus dedos quando eles se conectavam com carne. Blake enfiou os braços entre os meus e os afastou, tirando meu equilíbrio. Oscilei por um segundo, e então ele levantou os quadris e rolou. Caí sobre minhas costas, perdendo o ar dos meus pulmões. Eu apontei para o seu rosto, empenhada em agarrar-lhe os olhos. Ele pegou meus pulsos e prendeu-os em cima da minha cabeça quando ele se inclinou para baixo. Um corte tinha aberto em seu olho esquerdo, e seu rosto estava começando a inchar. Uma


quantidade viciosa de satisfação correu através de mim. — Posso te fazer uma pergunta? — Blake sorriu, as manchas de seus olhos se tornando um verde brilhante. — Alguma vez você disse a Daemon que me beijou? Eu aposto que não disse. Cada respiração que eu tomava, sentia em todas as partes do meu corpo. Minha pele ficou hipersensível a seu peso e proximidade. O poder cresceu dentro de mim, e a sala parecia estar pintada em um brilho brilhante de branco. Fúria me consumia, guiando cada respiração e se prendendo em cada célula. Seu sorriso se espalhou. — Assim como você nunca lhe disse como nos abraçamos... O poder estourou em mim, e de repente eu estava fora do chão — estávamos fora do chão — levitando vários metros no ar. Meu cabelo caía para trás de mim, e o cabelo dele caía para a frente em seus olhos. — Merda. — Blake sussurrou. Virando-nos, livrei meu pulso de suas garras e bati as mãos em seu peito. Choque se estendeu em seu rosto pálido um segundo antes que ele voasse para trás, batendo na parede. O cimento rachou, e uma fissura espalhou-se como uma teia de aranha perversa. Toda a sala pareceu tremer com o impacto quando a cabeça de Blake foi para trás, e então ele caiu para a frente. Parte de mim esperava que ele segurasse a si mesmo antes de se chocar contra o chão, mas ele não o fez. Ele bateu com um som carnoso que apagou a raiva de dentro de mim. Como se eu tivesse sido sustentada por cordas invisíveis que agora tinham sido cortadas, pousei na ponta dos meus pés e avancei um passo. — Blake? — Eu resmunguei. Ele não se moveu. Ah, não... Com os braços trêmulos, comecei a ajoelhar-me, mas algo escuro e grosso se espalhou de debaixo do corpo dele. Meu olhar desviou-se para a parede. Uma marca do tamanho de Blake era claramente visível, uma forma alcançando pelo menos mais de um metro de cimento. Oh Deus, não... Lentamente, olhei para baixo. Sangue acumulava debaixo de seu corpo imóvel e infiltrava pelo chão de cimento cinza, estendendo-se em direção a meu tênis. Tropeçando para trás, abri minha boca, mas não houve nenhum som. Blake não se mexeu. Ele não rolou com um gemido. Ele não se mexeu para nada. E a pele visível em suas mãos e antebraços já estava empalidecendo, transformando-se em uma sombra medonha de branco que se destacava com tal contraste contra o fundo vermelho do sangue.


Blake estava morto. Oh, meu Deus. O tempo parou e depois acelerou. Se ele estava morto, então isso significava que o Luxen que o tinha transformado estava também, porque era assim que funcionava. Eles se uniram, como Daemon e eu, e se um morreu... o outro morreu, também. Blake merecia isso, em mais de um sentido. Eu até prometi matá-lo, mas as palavras... palavras eram uma coisa. Ações eram algo totalmente diferente. E Blake, mesmo com todas as coisas terríveis que tinha feito, era um produto das circunstâncias. Ele só estava me incitando. O matei sem realmente querer. Ele traiu para salvar outra pessoa. Assim como eu fiz... e faria. Minha mão tremia quando apertei-a contra minha boca. Tudo o que eu tinha dito a ele voltou em uma onda. E nesse minúsculo segundo, quando eu tinha cedido à fúria — Em questão de milésimos de segundo — eu tinha mudado, tornei-me algo que eu não tinha certeza de que eu poderia desfazer. Meu peito subiu rapidamente, ao mesmo tempo que meus pulmões se comprimiam dolorosamente. O interfone clicou, o burburinho inicial assustou-me no silêncio absoluto. A voz do sargento Dasher encheu a sala, mas eu não conseguia tirar os olhos da forma sem vida de Blake. — Perfeito. — disse ele. — Você passou este teste de resistência. Era demais — terminar aqui, tão longe de minha mãe e de Daemon e de tudo que eu conhecia, então o exame e os confrontos posteriores com os híbridos. E agora isso? Era demais. Deixando minha cabeça cair para trás, eu abri minha boca para gritar, mas não havia nenhum som. Não fiz nada quando Archer entrou e gentilmente colocou a mão no meu ombro, me guiando para fora da sala. Dasher disse algo, parecendo muito como um pai em aprovação e, em seguida, fui levada para fora da sala de treinamento e a um escritório, onde o Dr. Roth esperava para tirar mais sangue. Trouxeram um Luxen feminino para me curar. Minutos se transformaram em horas, e ainda assim, eu não disse nada e não senti nada.

***** Daemon Ser algemado com metal revestido em ônix, com os olhos vendados por cinco horas, e depois colocado em algum voo não foi minha ideia de um momento de diversão. Eu acho que eles tinham medo que eu fosse derrubar o avião, o que era estúpido. Estavam me levando aonde eu queria ir. Eu


não sabia a localização, mas sabia que tinha que ser o lugar onde eles estavam mantendo Kat. E se ela não estivesse lá, iria enlouquecer. Assim que o avião pousou, fui empurrado para um carro esperando. De debaixo da venda, podia ver uma luz brilhante, e o cheiro era muito seco e ácido, vagamente familiar. O deserto? Durante a viagem de duas horas, isso me bateu. Estava voltando para o lugar que eu amaldiçoava por quase treze anos. Área 51. Eu sorri. Manter-me com os olhos vendados era inútil. Eu sabia onde estávamos. Todos Luxen, uma vez descoberto, foram processados ​através do destacamento remoto da Base da Força Aérea Edwards. Eu era jovem, mas nunca iria esquecer a secura do ar ou a paisagem remota e árida de Groom Lake. Quando o veículo rolou até parar, eu suspirei e esperei que a porta ao meu lado se abrisse. Mãos pousaram sobre os meus ombros, e fui arrastado para fora do carro, pensando que quem tivesse as mãos em mim tinha muita sorte que as minhas estivessem algemados atrás das costas, ou alguém ia estar saindo do trabalho, hoje, com uma mandíbula quebrada. O calor seco do deserto de Nevada caía quando fui levado a vários metros, e, em seguida, uma onda de ar frio me atingiu, levantando os fios de cabelo da minha testa. Estávamos em um elevador antes da venda ser removida. Nancy Husher sorriu para mim. — Desculpe por isso, mas temos de tomar precauções. Busquei seus olhos. — Eu sei onde estamos. Eu já estive aqui antes. Uma única sobrancelha fina se ergueu. — Muitas coisas mudaram desde que você era uma criança, Daemon. —Já posso tirar isso? — disse, movendo os dedos. Ela olhou para um dos soldados em camuflagem. Ele era jovem, pelo que eu poderia dizer, mas a boina de cor cáqui escondia a maior parte de sua face superior. — Abra as algemas. Ele não vai nos dar nenhum problema. — Ela olhou para mim. — Eu acredito que Daemon sabe que este lugar é equipado com um sistema de defesa de ônix. O guarda deu um passo adiante, pegando uma chave. O aperto de sua mandíbula disse que não estava muito certo se ele deveria acreditar nela, mas abriu as algemas. Elas rasparam ao longo da pele em carne viva de meus pulsos enquanto as tiravam. Eu balancei os ombros, aliviando os músculos contraídos. Marcas vermelhas circulavam meus pulsos, mas não era tão ruim. — Vou me comportar. — eu disse, estalando o pescoço. — Mas eu quero ver Kat agora.


O elevador deslizou até parar e as portas se abriram. Nancy saiu, e o soldado me apontou para a frente. — Há algo que você precisa ver em primeiro lugar. Eu paralisei. — Isso não é uma parte do negócio, Nancy. Se quer que eu fique de acordo com isso, eu quero ver Kat agora. Ela olhou por cima do ombro. — O que eu estou prestes a mostrar tem a ver com Katy. Então você vai vê-la. — Eu quero... — Eu me virei, olhando o guarda respirando no meu pescoço. — Sério, cara, você precisa recuar agora. O cara era meia cabeça mais baixa que eu e não tinha nenhuma das habilidades extraordinárias chuta-traseiros que eu possuía, mas ele não recuou. — Continue. Andando. Eu endureci. — E se não faço? — Daemon. — Nancy chamou, sua voz cheia de impaciência. — Tudo o que você está fazendo está atrasando o que você quer. Por mais que eu odiasse admitir, ela tinha razão. Enviando ao idiota um último olhar promissor, virei-me e segui a mulher pelo corredor. Tudo era branco, com exceção dos pontos pretos na parede e teto. Eu não lembro muito sobre o interior dos edifícios a partir de quando eu tinha estado aqui como criança, mas eu me lembrava de que havia muito poucos lugares que tinha sido capaz de ir. Na maioria das vezes nós fomos mantidos em um andar comunitário até que tínhamos nos adaptados e fomos postos em liberdade. Não gostava de estar de volta aqui por uma infinidade de razões. Nancy parou em frente de uma porta e se inclinou. Uma luz vermelha clicou e cintilou em seu olho direito. A luz do painel ficou verde e a porta destrancou. Isso ia ser complicado, e eu me perguntava se, se eu tomasse a forma de Nancy, os sistemas haviam sido preparada para reconhecer isso. Então, novamente, eu me senti tão drenado como o chão do deserto, pelo o que seja que este edifício estava equipado, então não tinha certeza de que eu poderia realmente me retirar dele. Dentro da pequena sala circular, havia vários monitores comandados por homens de uniforme. Cada uma das telas mostrava um quarto, hall, ou andar diferente. — Deixem-nos. — anunciou ela. Os homens se levantaram de suas áreas de trabalho e rapidamente saíram da sala, deixando


Nancy e eu com o idiota que tinha vindo com a gente. — O que você quer me mostrar? — Perguntei. — EuroCopa? Seus lábios franziram. — Esta é uma das muitas salas de controle de segurança colocadas ao longo do edifício. A partir daqui, podemos monitorar tudo em Paradise Ranch. — Paradise Ranch? — Eu ri amargamente. — É assim que você está chamando agora? Ela deu de ombros e, em seguida, virou-se para uma das áreas de trabalho, os dedos voando sobre o teclado. — Todos os quartos são gravadas. Isso nos ajuda a monitorar a atividade por várias razões. Passei a mão nos pelos que cresciam em minha bochecha. — Tudo bem. —Uma das nossas preocupações sempre que trazemos novos híbridos é ter certeza de que eles não são um perigo para si ou para outros — Começou ela, cruzando os braços. — É um processo que levamos muito a sério, e passamos por várias rodadas de testes para garantir que eles são viáveis. Eu realmente não gostava de onde isso estava indo se tinha alguma coisa a ver com Kat. — Katy provou ter alguns problemas e pode se tornar muito perigosa. Eu apertei meus dentes com tanta força que fiquei surpreso que eles não racharam. — Se ela fez alguma coisa, é porque ela foi provocada. — Sério? — Nancy apertou um botão no teclado, e a tela acima dela à esquerda acendeu. Kat. Todo o ar saiu de meus pulmões. Meu coração parou e depois acelerou. Kat estava na tela, sentando-se com as costas pressionadas contra a parede. A imagem era granulada, mas era ela, era ela. Ela estava com as roupas que usara na noite em que foi capturada em Mount Weather, e isso foi há semanas. Confusão aumentou rapidamente. Quando foi tirada? Não poderia ser uma transmissão ao vivo. Seu cabelo caía nas laterais, protegendo seu rosto bonito. Comecei a dizer-lhe para olhar para cima, mas percebi no último minuto que me faria parecer um imbecil. — Como você pode ver, ninguém está perto dela. — disse Nancy. — Esse é o Sargento Dasher no quarto com ela. Ele está fazendo a entrevista inicial. De repente, o queixo de Kat ergueu, e ela pôs-se de pé, correndo em torno de um homem alto, de uniforme militar. No próximo segundo, ela caiu no chão. Olhei em aberto horror como Kat se encolheu, e, em seguida, um dos homens soltou uma mangueira de água da parede. Nancy apertou um botão, e a imagem trocou. Levei um segundo para me recuperar da última


cena e obter o que estava acontecendo agora, mas quando eu fiz, pura raiva em brasa se acendeu em mim. Na tela estavam Kat e o maldito Blake, em posição de combate. Ela girou, agarrando um abajur, mas ele se precipitou para frente, bloqueando-a. Quando ela foi socá-lo, orgulho inchou em mim. Essa era minha Kitten, garras e tudo. Mas a próxima coisa me fez procurar uma maneira de sair da sala. Blake tinha interceptado seu soco, torceu-lhe o braço, e a girou. Dor se registrou no rosto de Kat, e, em seguida, ele a tinha de costas, presa à cama. Eu vi vermelho. — Isso não está acontecendo agora. — disse Nancy com calma. — Isso foi um tempo atrás, quando ela chegou pela primeira vez. É mudo. Respirando pesadamente, eu me virei de volta para a TV. Eles estavam lutando, e Blake tinha obviamente a dominado. Ela ainda estava lutando, no entanto, as costas curvando-se e seu corpo torcendo sob o dele. A violência aumentou em mim, alimentada por raiva potente e um nível de desamparo que eu nunca senti antes, e tinha gosto do sangue de Blake. Minhas mãos formaram punhos, e eu queria esmagá-los no monitor, uma vez que seu rosto não estava na minha frente. Quando ele puxou-a para fora da cama, e o vi arrastando-a pelo chão e fora da tela, girei para Nancy. — O que aconteceu? Onde é que ele a levou? — Paro o banheiro, onde não há câmeras. Nós acreditamos em algum tipo de privacidade. — Ela clicou algo e o vídeo avançou alguns minutos, e Blake entrou pela direita. Sentou-se na cama — sua cama — e Kat apareceu alguns segundos depois, absolutamente encharcada. Eu dei um passo para frente, exalando pelo meu nariz. Palavras foram trocadas entre eles, e, em seguida, Kat virou, abriu uma cômoda, e pegou roupas. Ela desapareceu de volta para o banheiro. Blake baixou a cabeça em suas mãos. — Eu vou matá-lo. — prometi a ninguém em particular, mas era uma promessa que ia cumprir. Ele iria pagar por isso — por tudo isso —, de uma forma ou de outra. O soldado limpou a garganta. — Blake não é um problema mais. Eu o encarei, respirando com dificuldade. — Importa-se de me dizer por quê? Ele apertou os lábios. — Blake está morto. — O quê?


— Ele está morto. — o cara repetiu. — Katy o matou há dois dias. O chão parecia que saiu de debaixo dos meus pés. Minha primeira reação foi negar, porque eu não quero acreditar que Kat teve que fazer algo assim, que ela teve que passar por isso. O monitor foi desligado, e Nancy me observou. — A razão que eu estou mostrando isso não é para incomodá-lo ou torná-lo louco. Você precisa ver com seus próprios olhos que Katy provou ser perigosa. — Eu não tenho nenhuma dúvida em minha mente que se Kat realmente fez isso, ela teve uma razão. — Meu coração baqueava no meu peito. Eu precisava vê-la. Se ela tivesse feito isso... Eu não podia suportar a pensar sobre o que ela tinha que estar passando. — E eu teria feito isso, também, se eu estivesse em seu lugar. Nancy estalou a língua baixinho, e a adicionei à minha infinita lista de morte dolorosa. — Odeio pensar em você como sendo instável, também. — disse ela. — Kat não é instável. Todos esses vídeos mostram que ela se defendia, ou que ela estava com medo. Nancy fez um som de discordância. — Os híbridos podem ser muito imprevisíveis. Eu encontrei o seu olhar e o segurei. — Os Luxen também podem.


CAPÍTULO 10 Daemon

Deixaram eu me limpar em uma área comum vazia. No começo eu não queria desperdiçar o tempo. Eu precisava chegar a Kat, mas eles não estavam me dando muita escolha, o que acabou por ser uma coisa boa, porque eu parecia algo saído das montanhas. O crescimento de pelo no meu rosto estava fora de controle. Depois de fazer a barba e tomar um banho rápido, vesti a calça de moletom preta e camisa branca que haviam sido deixadas para trás. O mesmo uniforme padrão que eles tinham usado anos atrás. Nada como vestir todos da mesma forma para fazê-los se sentir como um rosto sem nome em uma multidão de rostos sem nome. Era tudo sobre controle e manter todos na linha quando eu estive aqui antes. Para mim, parecia que Daedalus não era diferente. Eu quase ri quando a compreensão me golpeou. Provavelmente sempre foi Daedalus comandando o show, mesmo quando eu tinha sido integrado aqui há tantos anos. Quando o guarda voltou, era o idiota de mais cedo, e a primeira coisa que ele fez foi verificar a lâmina da navalha de plástico. Levantei uma sobrancelha para ele. — Eu não sou tão estúpido. — É bom saber — foi a resposta. — Pronto? — Estou. Ele deu um passo para o lado, permitindo-me ir para o corredor. Quando fomos para outro elevador, ele estava colado ao meu quadril. — Tão perto quanto você está andando comigo, cara, eu sinto que eu preciso levá-lo para jantar ou algo assim. Pelo menos eu deveria saber o seu nome.


Ele bateu no chão. — As pessoas me chamam de Archer. Meus olhos se estreitaram. Havia algo nele que me fez lembrar de Luc, e inferno se isso era um bom presságio. — Esse é o seu nome? — É com que eu nasci. O cara era tão encantador como... bem, como eu em um dia ruim. Lançando o olhar para o número vermelho no elevador, o assisti descer constantemente. Minhas entranhas se retorceram. Se Nancy estivesse ferrando comigo e Kat não estivesse aqui, eu estava prestes a descobrir. Eu não sabia o que faria se ela não estivesse. Provavelmente enlouquecer. Eu não conseguia parar o que saiu da minha boca em seguida. — Você a viu... Kat? Um músculo flexionou na mandíbula de Archer, e minha imaginação correu selvagem até que ele respondeu. — Sim. Fui designado para ela. Tenho certeza de que isso o agrada muito. — Ela está bem? — eu perguntei, ignorando a provocação. Ele se virou para mim, e surpresa cruzou suas feições. Trocar insultos e farpas não estava na minha lista de coisas a fazer no momento. — Ela pode... ela pode estar como o esperado. Eu não gostei do jeito que soou. Respirando fundo, passei a mão pelo meu cabelo úmido. A imagem de Beth pirando surgiu na minha cabeça. Um tremor percorreu os músculos do meu braço. Não havia nenhuma dúvida em minha mente que não importava em que condição Kat estava, eu poderia lidar com isso. Gostaria de ajudá-la a ficar melhor. Nada neste mundo poderia parar isso, mas não queria que ela tivesse experimentado algo que a danificasse. Como matar Blake certamente tinha feito. — Na última vez que verifiquei, ela estava dormindo. — ele disse quando o elevador parou. — Ela não tem dormido bem desde que a trouxeram, mas parece que hoje ela está compensando isso. Eu balancei a cabeça lentamente e seguiu-o pelo corredor. Pensei então como eram valentes me dando um guarda, mas, por outro lado, sabiam o que eu queria, e eu sabia o que estava em risco se eu agisse como um tolo. Meu coração estava saltitando, minhas mãos abrindo e fechando esporadicamente ao meu lado. Energia ansiosa rolava através de mim, e à medida que me aproximava do centro da grande sala, eu senti algo que eu não sentia há muito tempo.


Um formigamento quente deslizou ao longo da parte de trás do meu pescoço. — Ela está aqui. — Minha voz soava rouca. Ele olhou para mim. — Sim. Ela está aqui. Eu não precisei dizer a ele que eu tinha minhas dúvidas, de que uma parte de mim se agarrou sobre a fria possibilidade que tinha jogado com a minha fraqueza. Devia estar escrito por todo o meu rosto, e eu não me importei até mesmo escondê-lo. Kat estava aqui. Archer parou diante de uma porta e teclou um código depois de fazer a leitura de retina. Houve um som suave de bloqueios destravando. Ele olhou para mim, a mão na maçaneta da porta. — Eu não tenho certeza de quanto tempo eles vão te dar. Então ele abriu a porta. Como andar em areia movediça ou em um sonho, eu me movi para a frente, sem sentir o chão debaixo de mim. O ar parecia engrossar, retardando o meu progresso, mas na realidade eu estava correndo pela maldita porta e ainda não me movia rápido o suficiente. Sentidos em alerta máximo, entrei na cela, vagamente consciente da porta se fechando atrás de mim. Meu olhar disparou para a cama pressionada contra a parede. Meu coração parou. Todo o meu mundo chegou a parar. Eu andei para a frente, e meu passo vacilou. Só no último segundo possível, eu me peguei caindo no chão de joelhos. A parte de trás da minha garganta e os olhos ardiam.


Kat estava enrolada de lado, de frente para a porta, parecendo terrivelmente pequena na cama. O comprimento de cor chocolate de seu cabelo caía sobre seu rosto, cobrindo a manga de seu braço exposto. Ela estava dormindo, mas suas feições se contraíam como se até mesmo em repouso ela não estivesse totalmente confortável. Suas mãos pequenas estavam debaixo do queixo arredondado, os lábios entreabertos. Sua beleza me atingiu com força, como um relâmpago diretamente em meu peito. Eu congelei lá, por quanto tempo eu não sei, incapaz de tirar os olhos dela, e então dei dois passos longos que me levaram para a beira da cama. Olhando para baixo para ela, abri minha boca para dizer algo, mas não havia palavras. Fiquei impressionado sem palavras, e juro que Kat era a única que poderia fazer isso comigo. Sentei-me ao seu lado, meu coração batendo forte quando ela se mexeu, mas não acordou. Parte de mim odiava a ideia de acordá-la. De perto, eu podia ver as sombras escuras florescendo sob seus cílios grossos como manchas de tinta fracos. E honestamente, eu estava feliz — não, emocionado — apenas por estar em sua presença, mesmo que isso significasse que eu perderia todo o meu tempo observando-a. Mas eu não conseguia parar a vontade de tocá-la. Lentamente, estendi a mão e cuidadosamente afastei os sedosos fios de cabelo do rosto dela, estendendo o comprimento longo sobre o travesseiro extremamente branco. Agora eu podia ver as contusões fracas em toda sua bochecha, um tom desbotado de amarelo. Havia um corte fino em seu lábio inferior, também. Ira se apoderou de mim. Eu inalei profundamente, deixando minha respiração sair com esforço. Colocando uma mão no outro lado dela, abaixei a cabeça e dei um beijo suave ao corte no lábio, em silêncio, prometendo que eu faria pagar caro o responsável pelos hematomas e dor que ela enfrentou. Instintivamente, deixei o fluxo de calor de cura sair de mim para ela, apagando as contusões da vista. Um suspiro suave e quente soprou em toda a minha boca, e levantei o meu olhar, não querendo me afastar muito. Os cílios de Kat vibraram e os ombros se levantaram quando ela respirou fundo. Esperei com o coração na garganta. Ela abriu os olhos lentamente, e seu olhar cinza estava desfocado enquanto se movia sobre o meu rosto. — Daemon? O som de sua voz, rouca de sono, era como voltar para casa. A ardência se transformou em uma bola na minha garganta. Inclinando-me para trás, coloquei as pontas dos meus dedos sobre o queixo dela.


— Ei, Kitten. — eu disse, minha voz muito rouca. Ela olhou para mim quando a nebulosidade em seu olhar limpou. — Eu estou sonhando? Minha risada saiu estrangulada. — Não, Kitten, você não está sonhando. Eu estou realmente aqui. Um segundo passou, e então ela se levantou sobre os cotovelos. Um único fio de cabelo caiu em seu rosto. Eu me endireitei, dando-lhe mais espaço. Minha frequência cardíaca acelerou em velocidade supersônica, igualando a dela. Então, ela estava sentada totalmente, suas mãos no meu rosto. Meus olhos se fecharam quando senti o toque suave todo o caminho para a minha alma. Kat deslizou as mãos sobre meu rosto, como se estivesse tentando se convencer de que eu era real. Eu coloquei minhas mãos sobre as dela e abri os olhos. Os dela estavam arregalados e molhados, brilhando com lágrimas. — Está tudo bem. — eu disse a ela. — Tudo vai ficar bem, Kitten. — Como... como você está aqui? — Ela engoliu. — Eu não entendo. — Você vai ficar louca. — dei um beijo em sua palma aberta. Eu me alegrava com o tremor que rolou através dela. — Eu me entreguei. Ela foi para trás, mas eu segurei suas mãos, não deixando-a escapar. E sim, eu era egoísta. Eu não estava pronto para ficar sem seu toque. — Daemon, o que...? O que você estava pensando? Você não dev... — Eu não ia deixá-la passar por isso sozinha. — Eu deslizei minhas mãos por seus braços, segurando seus cotovelos. — Não havia nenhuma maneira que eu pudesse fazer isso. Sei que não é isso que você queria, mas isso não era o que eu queria. Ela deu um pequeno aceno de cabeça, e sua voz era apenas um sussurro. — Mas a sua família, Daemon? Seu... — Você é mais importante. — No momento em que essas palavras saíram da minha boca, sabia que elas eram verdadeiras. Família sempre viria em primeiro lugar para mim, e Kat era uma parte da minha família, uma parte maior. Ela era o meu futuro. — Mas as coisas que eles vão fazer você fazer... — A umidade em seus olhos aumentou, e uma única lágrima escapou, correndo por sua face. — Eu não quero que você passe por... Eu peguei as lágrimas com um beijo. — E eu não vou deixar você fazer isso sozinha. Você é meu... você é meu tudo, Kat. — Ao som de sua inspiração suave, eu sorri novamente. — Vamos lá, gatinha, você realmente esperava nada menos de mim? Eu te amo. Suas mãos caíram para os meus ombros, flexionando os dedos até que se cravaram através do


algodão da minha camisa, e ela olhou para mim por tanto tempo que comecei a me preocupar. Em seguida, ela saltou para a frente, envolvendo os braços em volta do meu pescoço e praticamente me derrubando. Rindo contra o topo de sua cabeça, eu me sustentei antes de cair. Um segundo ela estava ao meu lado, e então ela estava no meu colo, envolvendo os braços e as pernas em volta de mim. Esta... esta era a Kat que eu conhecia. — Você está louco. — ela sussurrou contra meu pescoço. — Você está absolutamente louco, mas eu te amo. Eu te amo muito. Eu não quero você aqui, mas eu te amo. Enfiei minha mão por sua coluna, apertando meus dedos contra sua parte inferior das costas. — Eu nunca vou cansar de ouvir você dizer isso. Ela apertou contra mim, seus dedos enterrando no cabelo na minha nuca. — Eu senti tanto sua falta, Daemon. — Você não tem ideia... — Fiquei sem palavras naquele momento. Ela estar tão perto depois de tanto tempo era o tipo mais doce de tortura. Cada respiração que dava, eu sentia em cada parte do meu corpo, em algumas áreas mais do que outras. Realmente inapropriado, mas ela sempre tinha uma poderosa influência sobre mim. O senso comum pulou a janela. Ela se afastou, seus olhos procurando os meus, e então ela eliminou a distância, e, droga, o beijo era meio inocente, meio desesperado, e totalmente perfeito. Meu aperto nas costas aumentou quando ela inclinou a cabeça, e mesmo o beijo começando como algo doce, eu me encarreguei dali. Aprofundei o beijo, jogando todos os medos nele, cada minuto que tínhamos passado separados, e tudo o que eu sentia por ela. Seu gemido me estremeceu, e quando ela tremeu, quase me desfiz. Segurei seus quadris e empurrou-a para trás. Era a última coisa que eu queria fazer. — Câmeras, lembra? Cor arrastou até seu pescoço e estampou em seu rosto. — Oh, sim, em todos os lugares, exceto... — No banheiro. — Eu forneci, pegando o brilho de surpresa em seu rosto. — Já me contaram. — Tudo? — Quando balancei a cabeça, a cor rosada nas bochechas desapareceu, e ela rapidamente saiu do meu colo. Ela se acomodou ao meu lado, seu olhar para a frente. Vários momentos se passaram, e ela respirou fundo. — Eu estou... feliz por estar aqui, mas eu queria que você não estivesse. — Eu sei. — Não me ofendi com essa afirmação. Ela colocou o cabelo para trás. — Daemon, eu ...


Coloquei dois dedos sob o queixo dela e inclinei seu rosto para o meu. — Eu sei. — disse de novo, procurando seus olhos. — Eu vi algumas das coisas, e eles me disseram sobre... — Eu não quero falar sobre isso. — ela disse rapidamente, deslizando as mãos sobre os joelhos dobrados. A preocupação cresceu dentro de mim, mas eu forcei um sorriso. — Tudo bem. Tudo bem. — Deslizei meu braço ao redor de seus ombros, puxando-a mais perto. Não havia nenhuma resistência. Ela derreteu no meu lado, enrolando os dedos em minha camisa. Beijei sua testa. Eu mantive minha voz baixa. — Vou nos tirar disso. Sua mão fechou ao redor da minha camisa quando ela levantou a cabeça. — Como? — Ela sussurrou. Inclinei-me, pressionando perto de seu ouvido. — Confie em mim. Tenho certeza que eles estão nos observando, e eu não quero dar-lhes alguma razão para nos separar agora. Ela balançou a cabeça em entendimento, mas a boca ficou tensa. — Você já viu o que eles estão fazendo aqui? Eu balancei minha cabeça, e ela respirou fundo. Em voz baixa, ela me contou sobre os humanos doentes que estavam tratando, os Luxen e os híbridos. Enquanto conversávamos, nos deitamos na cama, de frente para o outro. Eu poderia dizer que ela passou por cima de um monte de coisas. Por um lado, ela não falou sobre qualquer coisa que esteve fazendo, ou como ela conseguiu essas contusões. Achei que tinha a ver com Blake e por isso não disse nada sobre o assunto, mas mencionou uma menina chamada Lori que estava morrendo de câncer. Uma expressão contraída apareceu quando ela falou sobre ela. Kat não tinha sorrido uma vez. O conhecimento me incomodava, ameaçando arruinar o encontro. — Eles disseram que lá fora há Luxen ruins. — disse ela. — Que é por isso que me têm aqui, para aprender a lutar contra eles. — O quê? Ela ficou tensa. — Eles disseram que havia milhares de Luxen que queriam prejudicar os seres humanos e que mais viriam. Eu estou supondo que eles não disseram nada parecido com isso para você? — Não. — Eu quase ri, mas depois me lembrei do que Ethan tinha dito. Não havia nenhuma maneira que poderia ter tido nada a ver com o que ela estava dizendo. Ou poderia? — Eles me disseram que querem mais híbridos. — Um olhar perturbado atravessou seu rosto, e desejei não ter dito isso. — Que tipo de câncer que Lori tem? — Eu perguntei, passando minha mão em seu


braço. Não tinha parado de tocá-la. Nem uma única vez desde que entrei no quarto. As pontas de seus dedos estavam descansando no meu queixo, e nós estávamos tão perto como podíamos estar e o que parecia apropriado, considerando que tinham os olhos em nós. — O mesmo tipo de câncer que meu pai tinha. Apertei sua mão. — Eu sinto muito. Seus dedos seguiram a curva de meu queixo. — Eu só a vi uma vez, mas ela não está muito bem. Eles estão dando-lhe algum tipo de tratamento que está recebendo dos Luxen e híbridos. Eles chamam isso de LH-11. — LH-11? Ela assentiu com a cabeça e, em seguida, fez uma careta. — O quê? Caramba, isso era o que Luc queria. O que me fez me perguntar, o que diabos Luc queria com um soro que o Daedalus estava usando em seres humanos doentes? Seu cenho se aprofundou, e enchi o espaço insignificante entre nós, mantendo minha voz baixa. — Eu vou te dizer mais tarde. O entendimento apareceu, e ela aproximou a perna um pouco para que descansasse contra a minha. Minha respiração ficou presa, e um tipo diferente de consciência penetrou nos olhos de Kat. Ela mordeu o lábio inferior, e eu lutei contra um gemido. Essa cor bonita bordeou seu rosto de novo, o que não ajudou a situação. Levei a minha mão até seu braço, os sentidos se intensificaram quando ela tremeu. — Você sabe o que eu daria por um pouco de privacidade agora mesmo? Seus cílios abaixaram. — Você é terrível. — Eu sou. Sua expressão anuviou. — Eu sinto que há um grande relógio que paira sobre nós agora, que estamos correndo contra o tempo. Nós provavelmente estávamos. — Não pense sobre isso. Houve uma pausa, e toquei sua bochecha, alisando meu polegar sobre o osso delicado. Vários momentos se passaram. — Você viu a minha mãe depois de tudo? — Não. — Eu queria dizer a ela o porquê, e dizer-lhe mais, mas divulgar qualquer


informação neste momento era um risco. Eu tive uma ideia, no entanto. Eu poderia tomar minha forma verdadeira e falar com ela desse jeito, mas eu duvidava que as autoridades apreciariam isso. Eu não estava disposto a arriscar neste momento. — Mas Dee vem mantendo um olho nela. Kat manteve os olhos fechados. — Sinto falta da minha mãe. — ela sussurrou, e meu coração quebrou. — Eu realmente sinto falta dela. Eu não sabia o que dizer, e o que eu poderia dizer? Lamento não seria suficiente. Então, enquanto eu procurava uma distração, deixei-me reencontrar com os ângulos de seu rosto, a coluna graciosa de seu pescoço, e a inclinação de seus ombros. — Diga-me algo que eu não sei. Vários momentos se passaram antes que ela falasse. — Eu sempre quis ter um Mogwai. — O quê? Os cílios de Kat ainda abanavam suas bochechas, mas ela estava finalmente sorrindo, e um pouco da pressão aliviou do meu peito. — Você já viu Gremlins, certo? Lembre-se de Gizmo? — Quando balancei a cabeça, ela riu. O som era rouco, como se ela não tivesse rido em muito tempo. O que percebi que ela não tinha. — Minha mãe me deixou assistir quando eu era uma criança, e fiquei obcecada com Gizmo. Eu queria um mais do que eu queria qualquer coisa no mundo. Eu até prometi a minha mãe não alimentálo após a meia-noite ou deixá-lo molhado. Apoiei o queixo no topo de sua cabeça e sorri para a imagem das pequenas bolas brotando nos pelos marrons e branco. — Eu não sei. — O quê? — Ela se aconchegou mais perto, enfiando os dedos contra a gola da minha camisa. Jogando meu braço em torno da cintura dela, peguei o que parecia ser a primeira respiração real em semanas. — Se eu tivesse um Mogwai, eu totalmente o alimentaria após a meia-noite. Aquele gremlin com moicano era um durão. Ela riu de novo, o som tilintando dentro de mim, e me senti cerca de mil quilos mais leve. — Por que isso não me surpreende? — Disse. — Você teria um vínculo total com o gremlin. — O que eu posso dizer? É a minha personalidade brilhante.


CAPĂ?TULO 11 Katy

Parte de mim ainda acreditava que eu estava sonhando. Eu acordaria e Daemon teria ido. Eu


ficaria sozinha com meus pensamentos, assombrada com o que eu tinha feito. O medo e a vergonha me impediu de contar a ele sobre Blake. Matar Will tinha sido uma coisa. Um ato de autodefesa, e o desgraçado ainda conseguiu atirar em mim, mas Blake? Isso tinha sido um ato de raiva e nada mais. Como poderia Daemon olhar para mim ds mesma maneira, sabendo que eu era uma assassina? Porque isso era o que eu tinha feito, eu tinha assassinado Blake. — Está comigo? — Questionou. — Sim. — Afastando os pensamentos perturbadores, o toquei. Honestamente, continuava tocando-o para me lembrar de que ele estava realmente ali. Eu pensei que ele estava fazendo a mesma coisa, mas sempre sendo do tipo delicado, algo que amava sobre ele. Eu queria mais. Havia um desejo desesperado para me perder nele, de um jeito que só tinha sido capaz de fazer com Daemon. Eu segui o lábio inferior dele com a ponta do meu dedo. Um músculo flexionou em sua mandíbula e seus olhos brilharam. Meu coração deu uma pequena cambalhota engraçada, e ele fechou seus lindos olhos, o rosto enrijecendo. Comecei a afastar minha mão. Ele pegou meu pulso. — Não. — Eu sinto muito. É que você... — Parei, não tenho certeza de como explicar isso. Um sorriso torto apareceu em seu rosto. — Eu posso lidar com isso. Você pode? — Sim. — Na verdade não, admiti para mim mesma. Eu queria subir nele. Eu não queria nada entre nós. Queria ele. Mas travessuras do tipo divertido e impertinente não eram adequadas, dada a situação, e exibicionismo não era algo que eu queria entrar. Então, decidi-me para a próxima melhor coisa. Enfiei os dedos pelos seus. — Eu me sinto mal por estar feliz que você está aqui. — Não se preocupe. — Seus olhos se abriram, e as pupilas brilharam como diamantes. — Eu honestamente não quero estar em qualquer outro lugar. Resmunguei. — Sério? — Realmente. — Ele me beijou suavemente e rapidamente se afastou. — Parece loucura, mas é verdade. Eu queria perguntar-lhe como ele planejava nos tirar daqui. Tinha que haver um plano. Esperava. Eu não poderia imaginar que ele se colocou sob a prisão do Daedalus e não pensou sobre uma saída. Não era como se eu não estivesse pensando em como escapar. Apenas não havia nenhuma rota de fuga previsível. Lambi meus lábios. Os olhos de Daemon se acenderam.


— E se...? — Engoli em seco, mantendo minha voz baixa. — E se este é o nosso futuro? — Não. O braço em volta da minha cintura me puxou para a frente, e um instante depois, estava pressionada contra seu peito. Sua boca se moveu contra o ponto sensível debaixo da minha orelha enquanto falava em um sussurro baixo. — Este não é o nosso futuro, Kitten. Eu prometo a você. Eu respirei fundo. Memórias de estar tão perto dele não tinha feito da coisa real qualquer justiça. A dureza de seu peito contra o meu mexia com meus pensamentos, mas foram suas palavras que inundaram o meu corpo com o calor. Daemon nunca prometeu algo que ele não podia cumprir. Encaixei a cabeça no espaço entre o pescoço e o ombro dele, inalando o cheiro de sabonete e perfume ao ar livre que era exclusivamente seu. — Diga. — eu sussurrei. Sua mão deslizou pela minha coluna, deixando um rastro de arrepios. — Dizer o que, gatinha? — Você sabe. Ele esfregou o queixo no meu cabelo. — Eu amo... o meu carro, Dolly. Meus lábios se franziram em uma pequena careta. — Não é isso. — Oh. — Sua voz gotejava inocência. — Eu sei. Eu amo Investigadores de Fantasmas. — Você é um idiota. Ele riu suavemente. — Mas você me ama. — Amo. — Dei um beijo em seu ombro. Houve uma pausa, e senti a sua frequência cardíaca aumentar. A minha rapidamente combinou com a dele. — Eu te amo. — disse ele, a voz rouca. — Eu te amo mais do que qualquer coisa. Deixei-me descansar contra ele, provavelmente relaxando pela primeira vez desde que eu tinha chegado lá. Não é que me senti mais forte, porque ele estava lá, embora fosse de alguma maneira. Mas era porque agora tinha alguém do meu lado, alguém que cuidava de minhas costas. Eu não estava sozinha nisso, e se fosse o contrário, teria feito a mesma coisa que ele fez. Eu duvidava... A porta da cela abriu de repente, e Daemon ficou tenso, assim como eu. Por cima do ombro, vi o Sargento Dasher e Nancy Husher. Atrás da dupla incrivelmente douchetastic estava Archer e outro guarda. — Estamos interrompendo? — perguntou Nancy.


Daemon bufou. — Não. Nós estávamos apenas comentando o quão triste estávamos que vocês não vieram nos visitar. Nancy juntou as mãos. Em seu terninho preto, ela parecia um anúncio ambulante para as mulheres que odiavam colorido. — Por alguma razão eu duvido disso. Meu punho na parte da frente da camisa de Daemon apertou, quando os meus olhos saltaram para o sargento. Seu olhar não era abertamente hostil, mas, novamente, isso não me dizia muito. O sargento pigarreou. — Nós temos trabalho a fazer. Insanamente rápido, Daemon estava sentado, e de alguma forma ele manobrou seu corpo de modo que eu estava atrás dele. — Trabalhar em quê? — Ele perguntou, enfiando os dedos entre os joelhos. — E não acredito que tive a honra de conhecê-lo. — Esse é o Sargento Dasher. — eu expliquei, tentando me mover para que não estivesse atrás dele. Ele mudou de posição, me bloqueando mais uma vez. — É mesmo? — A voz de Daemon ficou baixa e perigosa, e meu estômago afundou. — Eu acho que já vi você antes. — Eu não acho que tenha me visto. — Dasher respondeu uniformemente. — Oh, ele viu. — Nancy fez um gesto para mim. — Mostrei-lhe o vídeo do primeiro dia de Katy aqui e seu encontro com ela. Fechei os olhos e murmurei uma maldição. Daemon iria matá-lo. — Sim, eu vi isso. — Cada palavra foi pontuada com o que eu sabia ser um olhar mortal. Abri um olho. Dasher não parecia completamente imperturbável. As linhas ao redor da boca estavam tensas. — Vou guardar essas imagens em um lugar muito especial. — concluiu Daemon. Eu coloquei a mão em suas costas. — Que trabalho temos que fazer? — Precisamos fazer alguns testes conjuntos, e depois disso, veremos. — respondeu Dasher. Meus músculos ficaram tensos, uma ação devidamente anotada por Daemon. Mais testes de resistência? Eu não podia prever se iriam bem com Daemon envolvido. — Não é nada muito complicado ou intensivo. — Nancy afastou-se, apontando para a porta. — Por favor. Quanto mais cedo começarmos, mais rápido terminamos. Daemon não se mexeu.


Nancy nos olhou com calma. — Preciso lembrá-lo de que você prometeu, Daemon? Eu atirei-lhe um olhar penetrante. — Prometeu o quê? Antes que ele pudesse responder, Nancy fez. — Ele prometeu fazer tudo o que pedirmos, sem causar problemas, se nós o trouxéssemos para você. — O quê? — Eu olhei para ele. Quando ele não disse nada, quase quis bater nele. Só Deus sabia o que iam fazê-lo fazer. Respirando fundo, deslizei em torno dele e levantei. Um segundo depois, ele estava de pé e em frente a mim. Colocando meu cabelo para trás, calcei meu tênis. Nós não dissemos nada quando saímos para o corredor. Olhei para Archer, mas ele estava observando Daemon de perto. Não devo mais ser nenhuma ameaça DEFCON{4}. Quando paramos em frente ao elevador, senti a mão de Daemon envolver em torno da minha, e um pouco da tensão deixou os meus ombros. Quantas vezes eu tinha entrado esses elevadores? Eu perdi a conta, mas desta vez era diferente. Daemon estava aqui. Eles nos levaram para o andar médico e nos levaram para uma sala que acomodava dois pacientes. O Dr. Roth estava esperando por nós, sua expressão ansiosa enquando nos conectava a um medidor de pressão arterial. — Eu estive esperando muito tempo para executar testes em alguém como você. — disse ele a Daemon, a voz estridente. Daemon arqueou uma sobrancelha. — Outro fã. Os tenho em toda parte. Eu murmurei: — Só você veria isso como uma coisa boa. Ele me lançou um sorriso. Cor se intensificou no rosto do médico. — Não é sempre que temos um poderoso Luxen como você. Pensávamos que Dawson seria o único, mas... O rosto de Daemon ficou sério. — Você trabalhou com o meu irmão? Uh oh. Com os olhos arregalados, o Dr. Roth olhou para onde Nancy e Sargento Dasher estavam. Ele limpou a garganta enquanto abria a faixa inflável.


— A pressão arterial é idêntica. Perfeita. Doze por oito. Nancy anotou em uma prancheta que eu jurei que acabava de aparecer em suas mãos. Eu me mexi na cadeira, trazendo meu foco de volta para Daemon. Ele estava examinando de perto o médico, como se quisesse tirar informação dele a golpes. O Dr. Roth verificou nossos pulsos em seguida. O pulso em repouso estava em cinquenta, o que era aparentemente uma coisa boa, porque Roth estava praticamente cantarolando. — A pulsação de Katy estava em mais de sessenta antes, a pressão arterial bem em níveis elevados. Parece que com a sua presença, suas taxas se otimizaram, igualando às suas. Isso é bom. — Isso é bom? — eu perguntei. Ele puxou um estetoscópio. — É uma boa indicação de que a mutação está em um nível celular perfeito. — Ou uma indicação de que eu sou muito, muito incrível. — Daemon sugeriu friamente. Isso rendeu um pequeno sorriso do médico, e minha ansiedade se elevou. Outra pessoa pensaria que por Daemon estar no seu normal, sendo arrogante, metido, era boa coisa, mas aprendi que aquelas suas respostas cortantes podiam significar que ele estava a poucos segundos de explodir. — Corações batendo em perfeita sincronia. Muito bom. — Roth murmurou, virando-se para Dasher. — Ela passou no teste de resistência, correto? Não há sinais exteriores de desestabilização? — Ela fez perfeitamente, como se esperava. Eu respirei forte, pressionando minha mão ao meu estômago. Eu tinha feito como eles esperavam? Será que isso significa que eles esperavam que eu matasse Blake? Eu não poderia nem sequer considerar isso. Daemon olhou para mim. Seus olhos se estreitaram. — O que são exatamente esses testes de resistência? Minha boca se abriu, mas eu não sabia o que dizer. Eu não queria que ele soubesse o que tinha acontecido, o que eu tinha feito. Virei-me para Dasher, e sua expressão era cautelosa. Rezei para que o homem tivesse bom senso. Se ele dissesse a Daemon sobre a luta, era provável que Daemon ficaria louco. — O teste de resistência é algo comum. — ele explicou. — Tenho certeza que Katy pode lhe explicar. Sim, totalmente algo comum, se ter seu traseiro chutado e assassinar eram coisas comuns; mas de uma forma distorcida, apreciei a mentira. — Sim, completamente normal. Dúvida cruzou as feições de Daemon quando ele virou-se para o médico. — Estes testes de resistência foram os mesmos que Dawson fez?


Ninguém respondeu, o que era resposta suficiente. Daemon estava muito quieto, mas seu olhar era aguçado, e sua boca pressionada em uma linha dura. Ele, então, estendeu a mão e pegou a minha mão na sua, o aperto suave tão em desacordo com o seu comportamento. — Assim, podemos passar para a fase mais importante do nosso trabalho hoje. — Dr. Roth foi até um carrinho cheio de utensílios. —Uma das coisas mais notáveis ​sobre os nossos amigos extraterrestres é a sua capacidade de curar não só a si, mas a outras pessoas. Acreditamos que desbloquear essa capacidade vai nos fornecer as informações necessárias para reproduzir a função de curar outros que sofrem de várias doenças. O médico pegou alguma coisa, mas a mão dele escondeu quando se virou de volta para nós. — O propósito deste exercício seguinte, Daemon, é ver o quão rápido você pode curar. Precisamos ser capazes de ver isso antes que possamos seguir em frente. A ansiedade que esteve me atacando explodiu como uma bala de canhão. Isso só poderia estar levando a uma coisa. — Diga? — Daemon perguntou em voz baixa. Roth visivelmente engoliu quando se aproximou de nós, e eu notei que Archer e outro guarda também estavam se aproximando enfileirados. — Nós precisamos que você cure Katy. — disse ele. A mão dele se apertou ao redor da minha, e Daemon se inclinou para frente. — Curá-la de quê exatamente? Porque estou um pouco confuso. Eu já cuidei dessas contusões... que, a propósito, eu gostaria de saber como ela conseguiu. Meu pulso acelerou enquanto eu olhava ao meu redor. Os pontos pretos estavam por toda parte, e tinha a sensação de que estávamos prestes a nos reencontrar com o abraço amoroso do ônix. — Não vai ser nada de grave. — explicou o médico gentilmente. — Só um pequeno arranhão que ela mal vai sentir. Então vou fazer alguns exames de sangue e monitorar seus sinais vitais. Isso é tudo. De repente, tudo o que eu conseguia pensar era em Dawson e Bethany, de todas as coisas que tinham feito a Bethany para forçar Dawson a curar os outros. Náuseas me abordaram, e me senti tonta. Dasher não agiu como se ter Daemon aqui fosse uma prioridade, mas agora que ele estava, nós iríamos ver todos os lados do Daedalus. E como poderiam começar a usar outras pessoas para curar até conhecer a verdadeira extensão de suas habilidades? — Não. — Daemon estava fervendo. — Você não vai machucá-la. — Você prometeu. — disse Nancy. — Preciso lembrá-lo continuamente disso? — Não concordei com você machucá-la. — respondeu ele, as pupilas de seus olhos começando a brilhar.


Archer se moveu para mais perto. O outro guarda moveu-se para a parede, perto de um botão de aparência muito hostil. As coisas estavam prestes a piorar, e quando o Dr. Roth mostrou o que estava na sua mão, Daemon ficou de pé, deixando o meu lado e movendo-se em frente a mim. — Não vai acontecer, amigo. — disse ele, com as mãos fechando em punhos. A luz se refletia no bisturi de aço que Roth segurava. O médico deu um sábio passo para trás. — Prometo que ela mal vai sentir isso. Eu sou um médico. Eu sei como fazer um corte limpo. Os músculos das costas de Daemon tensionaram. — Não. Nancy fez um som de impaciência enquanto baixava a prancheta. — Isso pode ser fácil ou isso pode se tornar muito difícil. A cabeça dele girou em sua direção. — Difícil para você ou para mim? — Para você e para Katy. — Ela deu um passo para a frente, ou muito corajoso ou muito estúpido. — Podemos sempre contê-lo. Ou podemos fazer e acabar logo com isso. A escolha é sua. Daemon parecia estar prestes a dizer que eles estavam blefando, e eu sabia que eles iriam até o fim com a história. Se ele ou eu começasse uma luta, eles preencheriam esse espaço com ônix, o prenderiam até que fizessem tudo o que queriam de mim, e depois o soltariam. De qualquer maneira, isso ia acontecer. A decisão era nossa, para ir pelo caminho limpo ou sujo. Ergui-me, com as pernas que se sentiam frágeis. — Daemon. Ele olhou por cima do ombro para mim. — Não. Forçando um sorriso que se sentia estranho, dei de ombros. — Isso vai acontecer de qualquer maneira. Confie em mim. — A dor cintilou em seu rosto nas duas últimas palavras. — Se fizermos isso, então acabou. Você concordou com isso. — Eu não concordei com isso. — Eu sei... mas você está aqui, e... — E era por isso que eu não o queria aqui. Virando-me para o médico, estendi minha mão. — Ele não vai deixar ninguém fazer isso. Eu vou ter que fazer isso eu mesma. Daemon olhou para mim, incrédulo. O médico virou-se para Nancy, que assentiu. Era óbvio que sua posição, qualquer que fosse, suplantava o Sargento. — Vá em frente. — disse Nancy. — Acredito que Katy sabe o que vai acontecer se ela decide usar a faca de uma maneira muito ruim. Lancei à mulher um olhar de ódio quando o instrumento frio pousou na palma da minha


mão. Reunindo toda a minha coragem, eu me virei para Daemon. Ele ainda estava olhando para mim como se eu fosse louca. — Pronto? — Não. — Seu peito subiu em uma respiração profunda, e uma coisa muito rara aconteceu. Desamparo penetrou em seus olhos, tornando-os um tom de verde musgo. — Kat... — Temos que fazer isso. Nossos olhos se encontraram, e então ele estendeu a mão. — Eu vou fazer isso. Eu endureci. — De jeito nenhum. — Dê-me, Kat. Havia várias razões pelas quais eu não iria lhe dar o bisturi. Principalmente porque eu não queria que ele se sentisse culpado por isso, e também tinha medo que ele o transformasse em um projétil. Movi-me um pouco, abrindo minha mão esquerda. Eu nunca tinha me cortado antes, pelo menos de propósito. Meu coração estava batendo loucamente rápido e meu estômago estava pulando. A borda do bisturi era muito afiada, então assumi que não precisaria de muita pressão para fazer o ato. O coloquei sobre a palma da mão aberta, apertando os olhos. — Espere! — Daemon gritou, fazendo-me saltar. Quando olhei para cima, suas pupilas estavam completamente brancas. — Eu preciso estar na minha verdadeira forma. Agora eu olhava para ele como se estivesse completamente louco. Houve muitas ocasiões em que ele resolveu as coisas bem rápido em forma humana. Ele só virava um tubo de neon quando as coisas ficavam sérias. Eu não fazia ideia do que ele tinha em mente. Ele se virou para Nancy e o sargento, que tinham olhares de suspeita. — Eu quero ter certeza de fazer isso rápido e fácil. Não quero que ela fique com dor, nem quero deixar cicatriz. Eles pareciam acreditar nisso, porque Nancy acenou com aprovação. Daemon respirou fundo e, em seguida, seu corpo começou a brilhar. Ele estava mudando. O contorno de sua forma começou a desaparecer, roupas e tudo mais. Por um segundo, esqueci que estávamos nesta sala, que eu estava segurando um bisturi para cortar a minha própria carne, e que éramos basicamente prisioneiros do Daedalus. Vê-lo assumir a sua verdadeira forma era algo impressionante. Pouco antes dele ter completamente desaparecido, começou a tomar forma novamente. Braços. Pernas. Torso. Cabeça. Por um breve segundo, eu podia vê-lo, realmente vê-


lo. A pele era translúcida, como uma medusa, e a rede de veias era preenchida com um brilho nacarado. Os traços eram de Daemon, mas mais nítidos e definidos, e então ele estava brilhando tanto quanto o sol. A luz em forma de humano tingida de vermelho era tão bonita de se olhar que as lágrimas encheram meus olhos. Eu realmente não quero que você faça isso. Como sempre, ouvir a sua voz na minha cabeça veio como um choque. Eu não acho que nunca vou me acostumar com isso. Comecei a responder vocalmente mas me detive. Você não deveria ter vindo aqui, Daemon. Isto é o que eles querem. A cabeça luminosa inclinou para o lado. Vir aqui por você era a única coisa que eu podia fazer. Não significa que eu tenho que estar bem com tudo. Agora faça isso antes que eu mude de ideia e veja se eu realmente posso tocar à Source e matar alguém. Meu olhar caiu para o bisturi, e eu me encolhi. Segurando bem o cabo, podia sentir vários olhos em mim. Sendo a covarde que era, fechei os olhos, trouxe a lâmina para minha palma, e a cortei. Sibilei com a dor ardente e deixei cair o bisturi, observando sair imediatamente do corte fino o sangue borbulhar. Era como um corte de papel, mas um milhão de vezes. Jesus, Santa Maria mãe de Cristo em muletas, veio a voz de Daemon. Eu não tenho certeza de que seja assim, eu lhe disse, apertando minha mão fechada contra a queimação. Eu estava vagamente consciente do médico, abaixando-se e pegando a lâmina enquanto eu olhava para cima. A luz de Daemon me cercou quando a mão dele se estendeu, os dedos se tornando mais visíveis à medida que circulava minha mão ferida. Abra, disse ele. Eu assenti, e seu suspiro fantasmal pairou ao redor da minha cabeça. Ele gentilmente abriu minha mão, seu toque tão quente como roupas recém-tiradas do secador. Cara, doeu mais do que eu pensava. Houve um rosnado baixo, que substituiu o suspiro. Você realmente pensou que não ia doer, Kitten? Não importa. Deixei que ele me guiasse até a cadeira e sentei-me, vendo como ele se ajoelhou diante de mim, com a cabeça baixa. Calor ardeu sobre a palma da mão quando ele começou a fazer a sua coisa. — Incrível. — o Dr. Roth sussurrou. Meus olhos estavam fixos na cabeça brilhante inclinada de Daemon. O calor que emanava


dele enchia a sala. Estendi a mão ilesa e a coloquei em seu ombro. Sua luz pulsada, e o vermelho nas bordas diminuiu uma polegada ou menos. Interessante. Você sabe como eu gosto quando você me toca nesta forma. Sua voz enviou um arrepio na minha espinha. Por que você tem que fazer que tudo pareça tão sujo? Mas eu não afastei minha mão. Sua risada rolou através de mim, e até então, a dor na minha mão tinha parado. Eu não sou o único com a mente suja, Kitten. Revirei os olhos. Ambas as mãos circularam a minha, e tive certeza de que naquele momento a minha mão já estava curada. Agora, pare de me distrair. Bufei Eu? Você é um idiota brilhante. —Fascinante — o Dr. Roth murmurou. — Eles estão se comunicando. Isso nunca deixa de me surpreender quando vejo. Daemon o ignorou. Tomei esta forma para lhe dizer que falei com Luc antes de ir para Mount Weather. Sentei-me ereta, toda ouvidos. Será que ele tem alguma coisa a ver com isso? Não. E eu acredito nele. Ele vai nos ajudar a sair. Preciso... — Mostre-nos sua mão, Katy. — A voz de Nancy se intrometeu. Eu queria ignorá-la, mas quando olhei para cima, vi o outro guarda se aproximar de Daemon com o que parecia ser uma arma de choque na mão. Afastei minha mão da de Daemon e mostrei-lhes. —Felizes? — Daemon, tome a sua forma humana. — Nancy ordenou, a voz entrecortada. Um segundo passou, e então Daemon se ergueu. Em sua verdadeira forma, ele parecia mais alto e era um inferno de muito mais intimidante. Sua luz pulsou uma vez, mais vermelho do que branco, e então atenuou. Ele ficou lá, menos a coisa pirilampo. Só seus olhos ardiam com a luz branca. — Eu não sei se você já percebeu isso ou não, mas não gosto de ser ordenado a fazer as coisas. Nancy inclinou a cabeça para o lado. — Eu não sei se você já percebeu isso ou não, mas estou acostumada a pessoas que cumprem


as minhas ordens. Um sorriso enfeitou seu rosto. —Já ouviu falar do ditado que você pega mais leões com mel do que vinagre?? — Eu acho que é “pegar mais abelhas” e não leões. — murmurei. — Tanto faz. O Dr. Roth examinou minha mão. — Notável. Apenas uma linha rosada. Isso provavelmente terá completamente desaparecido em uma hora. — Ele se virou para Nancy e Dasher, praticamente vibrando com empolgação. — Outros Luxen curaram neste período de tempo, mas o corte não ficou completamente selado. Como se Daemon precisasse de ajuda para se sentir especial. O médico balançou a cabeça enquanto olhava para ele. — Verdadeiramente incrível. Gostaria de saber se o bom doutor ia beijá-lo. Antes que ele pudesse começar a babar em Daemon, a porta se abriu e um oficial sem fôlego apareceu, as bochechas avermelhadas como a cor de seu cabelo bagunçado. — Nós temos um problema. — ele anunciou, tomando várias respirações profundas. Nancy deu-lhe um olhar arqueado, e não pude deixar de pensar que o cara da porta iria provavelmente levar uma bronca mais tarde, por ter entrado aqui. Dasher pigarreou. — Qual é o problema, Collins? Os olhos do oficial saltaram para o outro lado da sala, movendo-se sobre Daemon e eu antes de precipitadamente voltar para nós e depois finalmente se decidir sobre o sargento. — É um problema no edifício B, senhor, a partir do nono andar. Isso exige a sua atenção imediata.


CAPÍTULO 12 Katy

Edifício B? Eu lembrava vagamente de ouvir alguém mencionar um outro edifício anexo a esse no subterrâneo, mas não tinha ideia de quem ou o que era alojado lá. Estava cem por cento pronta para descobrir, no entanto. Fosse o que fosse, parecia terrível, porque o sargento Dasher saiu da sala sem dizer outra palavra. Nancy estava bem atrás dele. — Leve-os de volta para seus quartos. Doutor? — Ela fez uma pausa. — Você provavelmente vai querer se juntar a nós. — E então eles se foram. Virei-me para Archer. — O que está acontecendo? Ele me deu um olhar que dizia que eu era idiota por perguntar. Fiz uma careta. — O que há no edifício B? O outro soldado deu um passo adiante. — Você faz muitas perguntas e precisa aprender quando calar a boca. Eu pisquei. Isso foi tudo que precisou para que Daemon tivesse o corpulento guarda preso à parede pelo pescoço. Meus olhos saltaram. — E você precisa aprender a falar com as senhoras com um pouco de boas maneiras. — ele rosnou. — Daemon! — Eu gritei, me preparando para o ônix. Mas ele nunca veio. Daemon tirou seus dedos na garganta do soldado ofegante, um por um, e recuou. O soldado caiu contra a parede. Archer não tinha feito nada. — Você o deixou fazer isso? — O guarda acusou, apontando para Archer. — Que diabos, cara? Archer deu de ombros. — Ele tinha um ponto. Você precisa aprender boas maneiras. Contive a vontade de rir porque Daemon estava olhando para o soldado como se quisesse agarrar o pescoço dele. Apressando-me para o lado de Daemon, envolvi minha mão em torno da dele e apertei. Ele olhou para baixo, sem me ver no princípio. Em seguida, ele abaixou a cabeça, roçando


seus lábios na minha testa. Meus ombros caíram em alívio. Eu duvidava que Archer teria permitido uma segunda rodada. — Não importa. — disse o homem, em seguida, girou sobre os calcanhares, saindo da sala e deixando Archer para se virar sozinho com nós dois. Ele não parecia preocupado. A viagem de volta para nossas celas transcorreu sem intercorrências até o momento que Archer disse: — Não... Vocês dois não vão ficar juntos. Virei-me para ele. — Por que não? — Tenho ordens para colocá-los em seus quartos... no plural. — Ele digitou o código. — Não faça isso difícil. Se fizer, tudo o que eles vão fazer é mantê-los afastados mais tempo. Comecei a protestar, mas o franzir duro em sua boca me disse que ele não seria convencido. Tomei uma respiração irregular. — Será que você, pelo menos, nos dirá o que está no Edifício B? Archer olhou para Daemon e depois para mim. Por fim, ele murmurou uma maldição e deu um passo à frente, com o queixo abaixado. Ao meu lado Daemon endureceu, e Archer lançou-lhe um olhar de advertência. Com voz baixa, ele disse: — Tenho certeza de que vão mostrar a vocês eventualmente, e provavelmente vão querer que eles não tivessem feito. Origens são mantidas nesse edifício. — Origens? — Daemon repetiu, franzindo as sobrancelhas. — Que diabos é isso? Archer deu de ombros. — Isso é tudo que posso dizer. Agora, por favor, Katy, entre no seu quarto. A mão de Daemon apertou em torno da minha, e, em seguida, ele se abaixou, pegando meu queixo com a outra mão e inclinando minha cabeça para trás. Sua boca estava na minha, e o beijo... o beijo foi feroz, duro e marcante, curvando meus dedos dentro dos meus tênis e roubando meu fôlego. Minha mão livre caiu em seu peito enquanto o toque de nossas bocas reajustavam minhas entranhas. Apesar da audiência, o calor delicioso aumentou quando ele angulou o beijo, me puxando com força contra ele. Archer exalou alto. Levantando a cabeça, Daemon piscou para mim. — Vai ficar tudo bem. Eu balancei a cabeça e mal me lembrei de andar até meu quarto, mas lá estava eu, olhando para a cama que Daemon esteve sentado antes, quando a porta se fechou e trancou atrás de mim.


Espalmei minhas mãos sobre meu rosto, atordoado por um minuto ou dois. Quando adormeci no dia anterior, eu havia estado fisicamente exausta de usar a Source e emocionalmente devastada pelo que eu tinha feito. Quando fiquei na maldita cama, olhando para o teto, a desesperança havia me invadido, e até agora ainda tinha um poder sobre mim. Mas as coisas eram diferentes. Eu tinha que me manter dizendo isso, para evitar que a desolação tomasse controle completo. Enterrar o que eu tinha feito, provavelmente, não era algo que os terapeutas de todo o país sugeriria como uma prática saudável, mas eu tinha que fazer. Aquelas horas antes de eu ter adormecido... Eu balancei minha cabeça. As coisas eram diferentes agora. Daemon estava aqui. Falando nisso, tinha essa sensação de que ele ainda estava nas proximidades. O formigamento tinha desaparecido, mas eu sabia que ele ainda estava perto; sentia-o em um nível celular. Eu me virei, olhando para a parede. Então lembrei-me da porta do banheiro. Girando, corri para o banheiro e tentei a maçaneta da porta. Bloqueada. Esperando que as minhas suspeitas estivessem corretas, bati. — Daemon? Nada. Eu pressionei meu rosto contra a madeira fresca, fechando os olhos enquanto abria minhas palmas na porta. Será que eu realmente acredito que eles nos colocaram em duas celas unidas por um banheiro? Mas então, mantiveram Dawson e Bethany juntos no começo — não foi o que Dawson havia dito? Mas a minha sorte não era... A porta se abriu, e cai para a frente. Braços fortes e um peito duro me pegaram antes que eu caísse. —Whoa, Kitten... Olhei para cima, o coração batendo com força. — Nós compartilhamos um banheiro! — Eu vejo. — Um pequeno sorriso apareceu, com os olhos brilhando. Minhas mãos se fechando em punhos em sua camisa, me balancei nos calcanhares do meu tênis. — Eu não posso acreditar. Você está na cela ao meu lado! Tudo o que... As mãos de Daemon pousaram em meus quadris, seu aperto firme e seguro, e, em seguida, sua boca estava na minha, continuando aquele beijo de abalar a alma que tinha começado no corredor. Ele estava me movendo para trás ao mesmo tempo. De alguma forma e eu realmente não sabia como que ele tinha habilidades, ele conseguiu fechar a porta atrás de nós, sem tirar suas mãos


de mim. Os lábios dele... eles se moveram sobre os meus, tentadoramente lentos e profundos, como se nós estivéssemos nos beijando pela primeira vez. Suas mãos deslizaram, e quando minhas costas bateram na pia, ele levantou-me para eu ficar na beira, e ele continuou avançando, separando meus joelhos com seus quadris. O calor latente estava de volta, uma chama que ardia mais brilhante no lento beijo profundo. Meu peito subia e descia rapidamente enquanto eu segurava seus ombros, quase completamente perdida nele. Li romances o suficiente para saber que um banheiro e Daemon eram ingredientes de fantasias, mas... Consegui quebrar o contato, embora não muito. Nossos lábios roçaram quando falei. — Espere. Precisamos... — Eu sei. — ele me interrompeu. — Ótimo. — Coloquei minhas mãos trêmulas no peito dele. — Estamos na mesma página... Daemon me beijou de novo, provocando a perda dos meus sentidos. Ele era vagaroso em sua exploração do beijo, afastando-se e mordendo meu lábio até que um gemido ofegante que iria me envergonhar em qualquer outro momento escapou-me. — Daemon... Ele pegou tudo aquilo que eu ia dizer com a boca. Suas mãos deslizaram até minha cintura, parando quando as pontas de seus dedos roçaram a parte de baixo do meu peito. Todo o meu corpo estremeceu, e eu soube então que se eu não parasse com isso, iríamos perder um tempo muito valioso. Afastei-me, tomando o ar com gosto de Daemon. — Nós realmente deveríamos estar conversando. — Eu sei. — Seu meio sorriso apareceu. — Isso é o que eu venho tentando lhe dizer. Meu queixo caiu. — O quê? Você não falou! Você estava... — Beijando você sem sentido? — ele perguntou inocentemente. — Desculpe. É tudo que eu quero fazer enquanto estivermos aqui. Bem, nem tudo o que eu quero fazer, mas muito perto de tudo o que eu... — Entendo. — Eu gemi, desejando abanar meu rosto. Inclinando-me para trás contra o espelho plástico, deixei cair as minhas mãos no meu colo. Tocá-lo não estava ajudando, também. Nem o meio sorriso maroto dele. —Uau. Com as mãos exatamente onde eles pararam em meu peito, ele se inclinou e pressionou sua testa contra a minha. Em voz baixa, disse:


— Eu quero ter certeza de que sua mão está bem. Fiz uma careta. — Está. — Eu preciso ter certeza. — Ele se inclinou um pouco para trás, seus olhos encontrando os meus significativamente, e então entendi. Quando ele viu a compreensão cruzar meu rosto, sorriu. Um segundo depois, ele estava em sua verdadeira forma, tão brilhante no pequeno cômodo, que tive que fechar os olhos. Eles dizem que não há câmeras aqui, mas eu sei que o quarto tem de estar grampeado, disse ele. Além disso, eu também não confia no fato de que eles estão deixando-nos ter acesso ao outro. Eles têm que saber que vamos fazer isso, então provavelmente há uma razão. Estremeci. Eu sei, mas deixaram que Dawson e Bethany ficassem juntos até que... afastei esse pensamento da minha cabeça. Estávamos perdendo tempo. O que Luc lhe disse? Ele disse que pode nos ajudar a sair daqui, mas ele realmente não entrou em detalhes. Ele, aparentemente, tem pessoas na folha de pagamento aqui e disse que ia me encontrar uma vez que pegar alguma coisa para ele, algo que você mencionou. LH-11. Choque me percorreu. Porque ele iria querer isso? Não sei. As mãos de Daemon voltaram para meus quadris, e então ele me puxou para fora da pia. Movendo-se rápido demais para eu assimilar, ele se sentou na tampa fechada do vaso sanitário e me sentou em seu colo. Sua mão foi até as minhas costas, pressionando minha nuca até meu rosto descansar em seu ombro. O calor dele em sua verdadeira forma não era esmagador como foi na primeira vez. E isso realmente não importa, certo? Eu saboreava seu abraço. Importa? Esse material está sendo dado aos seres humanos que estão doentes. Por que Luc quer isso? Honestamente, não pode ser pior do que o que Daedalus está fazendo com ele, não importa quantas coisas boas que afirmam estar usando isso. É verdade. Suspirei. Eu não ousava ter esperança sobre isso. Se Luc realmente estava do nosso lado e ele poderia nos ajudar, ainda havia um monte de obstáculos em nosso caminho. Os quase impossíveis. Eu já vi isso antes. Talvez nós estaremos perto disso novamente.


Precisamos estar. Um momento se passou e então ele disse: Não podemos ficar aqui para sempre. Tenho a sensação de que eles estão permitindo isso, e se abusarmos, então eles vão nos separar. Assenti. O que eu não entendia era por que eles iriam permitir esta visita sem supervisão? Algo que poderíamos fazer sempre que quiséssemos. Eles estavam tentando nos mostrar que não iriam nos manter separados? Afinal de contas, eles alegaram que não eram os inimigos aqui, mas havia muitas coisas que não entendia sobre o Daedalus, como com Blake... Tremendo, virei minha cabeça no seu ombro e respirei fundo. Eu queria tirar a lembrança de Blake para fora da minha cabeça, fazer como se ele nunca tivesse existido. — Kat? Levantando minha cabeça, abri os olhos e percebi que ele não estava mais em sua verdadeira forma. — Daemon? Seus olhos vagaram sobre o meu rosto. — O que eles têm feito para você aqui? Eu congelei, nossos olhares se travando por um instante, e depois me afastei de cima dele, recuando alguns passos. — Nada realmente. Apenas testes. Ele deixou cair as mãos sobre os joelhos dobrados e suavemente disse: — Eu sei que é mais do que isso, Kat. Como você conseguiu essas contusões em seu rosto? Olhei para o espelho. Minha pele estava pálida, mas não havia um traço deixado das lutas. — Não devemos falar sobre isso. — Eu não acho que eles se preocupam que estamos falando sobre isso. As contusões saíram agora, quando a curei, mas estavam lá antes, mas fracas. — Ele se levantou, embora não se aproximou. — Você pode falar comigo. Deveria saber a essa altura. Meus olhos giraram para ele. Deus, eu sabia disso. Aprendi da maneira mais difícil durante o inverno passado. Se eu tivesse confiado nele os meus segredos, Adam ainda estaria vivo e nenhum de nós provavelmente estaríamos nesta situação. Culpa azedou meu estômago, mas isso era diferente. Dizer-lhe sobre os exames e os testes de resistência apenas o perturbaria e agiria em consequência. Além disso, admitir que eu tinha matado Blake — E não tanto em autodefesa — era horrível para sequer considerar. Eu não queria pensar sobre isso, e muito menos falar sobre isso. Daemon suspirou. — Você não confia em mim?


— Confio. — Meus olhos se arregalaram. — Eu confio em você com a minha vida, mas só... Não há nada a dizer sobre o que vem acontecendo aqui. — Eu acho que há muito a dizer. Balancei minha cabeça. — Eu não quero discutir sobre isso. — Nós não estamos discutindo. — Ele diminuiu a distância, colocando as mãos sobre os meus ombros. — Você está apenas sendo muito teimosa, como de costume. — Olha quem está falando{5}. —Grande filme. — ​ele respondeu. — Eu vi um monte de filmes antigos no meu tempo livre. Revirei os olhos, mas esbocei um sorriso. Ele segurou meu rosto quando abaixei o queixo, olhando para mim através de cílios grossos. — Estou preocupado com você, Kitten. Pressão se apertou em meu peito. Raramente ele admitia estar preocupado com alguma coisa, e isso era a última coisa que eu queria que ele estivesse fazendo. — Eu estou bem. Juro. Ele continuou a olhar, como se ele pudesse ver através de mim, através das minhas mentiras. ***** Daemon Horas se passaram desde que Kat e eu nos separamos e uma pobre desculpa de jantar tinha sido trazida para o meu quarto. Tentei assistir TV e até mesmo tentei dormir, mas era muito difícil, quando eu sabia que ela estava ao lado, ou quando a ouvi movendo-se no banheiro. Uma vez, no que poderia ter sido no meio da noite, ouvi seus passos na porta, e sabia que ela estava de pé lá, lutando contra a mesma necessidade que eu tinha. Mas nós tínhamos que ter cuidado. Seja qual fosse a razão que eles tinham para nos colocar em um espaço que pudesse compartilhar não poderia ser uma coisa boa, e eu não queria correr o risco deles nos realocar, obrigando-nos a separar. Mas estava preocupado com ela. Sabia que ela estava escondendo coisas, guardando tudo o que fosse que aconteceu antes de eu chegar até ela. Assim, como um idiota sem autocontrole, levantei-me e abri a porta do banheiro. Estava escuro e silencioso, mas eu estava certo. Kat estava ali, braços ao lado do corpo e incrivelmente tensa. Vê-la assim fez um buraco no meu peito. Ela não conseguia ficar de pé ou sentar-se ainda por mais de vinte segundos, mas agora ... Eu beijei-a suavemente e disse:


— Vá dormir, Kitten. Assim, ambos podemos descansar. Ela assentiu com a cabeça e, em seguida, disse essas três pequenas palavras que nunca falhavam em me deixar de joelhos. — Eu te amo. E então ela estava de volta a seu quarto, e eu estava no meu. Finalmente, pude dormir. A manhã chegou, assim como Nancy. Nada como ver o rosto empertigado e o sorriso plástico na primeira hora da manhã para começar o dia com o pé direito. Eu esperava me reunir com Kat, mas fui levado para o andar médico para mais exames de sangue e, em seguida, então me levaram ao quarto de hospital o qual Kat tinha falado. — Onde está a menina? — Perguntei, examinando as cadeiras procurando a criança pequena que Kat tinha mencionado, mas não vendo uma. — Eu acho que o nome dela era Lori ou algo assim. A expressão de Nancy permaneceu em branco. — Infelizmente, ela não respondeu como esperávamos. Ela faleceu alguns dias atrás. Merda. Eu esperava que Kat não soubesse disso. — Vocês estavam dando a ela o LH-11? — Sim. — E não deu certo? Seu olhar se aguçou. — Você está fazendo perguntas demais, Daemon. — Ei, você me tem aqui, provavelmente está usando o meu DNA para isso. Você não acha que eu vou estar um pouco curioso sobre isso? Ela segurou meu olhar por um momento e, em seguida, virou-se para um dos pacientes a quem estavam trocando um saco de fluido. — Você pensa demais, e sabe o que eles dizem sobre a curiosidade. — Esse é, provavelmente, o ditado mais idiota e clichê de todos os tempos? Um lado de seus lábios se curvou para cima. — Eu gosto de você, Daemon. Você é um pé no saco e uma boca inteligente, mas eu gosto de você. Eu sorri firmemente. — Ninguém pode negar o meu charme. — Tenho certeza de que é verdade. — Ela fez uma pausa, quando o sargento entrou na sala, conversando em voz baixa com um dos médicos. — Foi dado LH-11 a Lori, mas a sua reação não foi favorável. — O quê? — Perguntei — Ele não cura o câncer?


Nancy não respondeu, e foi isso. De alguma forma, percebi que a reação desfavorável deveuse a algo mais do que não curar o câncer. — Sabe o que eu acho? — Disse. Ela inclinou a cabeça para o lado. — Eu só posso imaginar. — Brincar com humanos, híbridos, e DNA alienígena é provavelmente pedir um mundo de problemas. Vocês realmente não sabem o que você tem. — Mas nós estamos aprendendo. — E cometendo erros? — perguntei. Ela sorriu. — Não existem coisas como erros, Daemon. Eu não tinha tanta certeza sobre isso, mas, em seguida, minha atenção se voltou para a janela no final da sala. Meus olhos se estreitaram. Eu podia ver outros Luxen lá. Muitos deles pareciam tão feliz como crianças na Disneylândia. — Ah. — Nancy sorriu, acenando com a cabeça para a janela. — Vejo que você notou. Eles estão aqui porque querem ajudar. Se ao menos você fosse assim prestativo. Bufei. Quem sabia por que esses Luxen estavam aqui, felizes como ostras, eu realmente não me importava. Entendia que havia partes do Daedalus que estavam realmente tentando fazer algo bom, mas também sabia o que eles fizeram com o meu irmão no processo. Ao meu redor, médicos e técnicos de laboratório andavam. Algumas das bolsas ligadas aos pacientes tinha um líquido brilhante estranho nelas que lembrava vagamente o que sangrávamos na nossa verdadeira forma. — É o LH-11? — perguntei, apontando para um dos sacos. Nancy assentiu. —Uma das versões, a mais novas, mas que realmente não é uma preocupação de vocês. Nós temos... Uma sirene soou, cortando suas palavras com um som estridente de explodir os tímpanos. Luzes vermelhas no teto brilharam. Pacientes e médicos olharam ao redor em alarme. O sargento Dasher saiu da sala. Nancy amaldiçoou baixinho quando ela se girou para a porta. —Washington, escolte o Sr. Black de volta para seu quarto imediatamente. — Ela apontou para outro guarda. —Williamson, feche essa sala. Ninguém entra ou sai. — O que está acontecendo? — Perguntei. Ela me lançou um olhar antes de sair pisando fortemente. Como diabos eu queria voltar para


o meu quarto, quando as coisas estavam obviamente ficando divertidas? No corredor, a iluminação era fraca e a luz vermelha piscando causou um efeito estroboscópico irritante. O guarda do momento deu um passo, e caos invadiu o corredor. Soldados saíam dos quartos, trancando-os e montando guarda na frente deles. Outro veio pelo corredor, segurando um walkie-talkie em um aperto de juntas brancas. — Temos atividade no elevador dez, saindo do edifício B. Feche-o agora. Huh, o infame edifício B ataca novamente. Mais ao fundo do corredor, outra porta se abriu, e eu vi Archer primeiro e depois Kat. Ela tinha uma mão pressionada sobre a parte carnuda do cotovelo. Atrás dela estava o Dr. Roth. Meus olhos se estreitaram quando vi uma malévola seringa em sua mão. Ele passou por Kat e Archer, indo direto para o cara no walkie-talkie. Kat se virou, seu olhar me encontrando. Comecei a me aproximar. De jeito nenhum não iria estar ao seu lado quando a merda batesse no ventilador, o que aparentemente estava acontecendo. — Onde você pensa que vai? — Washington exigiu, a mão indo para a arma em sua coxa. — Tenho ordens para levá-lo de volta para seu quarto. Virei-me para ele lentamente, em seguida, de volta para os três elevadores em frente a nós. Todos eles pararam em diferentes andares, as luzes vermelhas. — Exatamente como é que vamos chegar ao meu quarto? Seus olhos se estreitaram. — Pelas escadas? O idiota tinha um ponto, não que eu me importasse. Eu me virei, mas sua mão se apertou em meu ombro. — Se me parar, vou acabar com você. — avisei. O que quer que Washington viu na minha cara deve ter-lhe dado a certeza de que eu não estava brincando, porque ele não interferiu quando tirou seu agarre e fui para Kat, passando o braço em volta dos seus ombros. Seu corpo estava tenso. — Você está bem? — Perguntei, olhando Archer. Ele também tinha a mão na arma, mas não estava nos observando. Seus olhos estavam no elevador do meio. Ele estava ouvindo algo em seu fone de ouvido e, pelo olhar em seu rosto, não estava feliz. Ela assentiu com a cabeça, empurrando uma mecha de cabelo que tinha escapado de seu rabo de cavalo para fora de seu rosto. — Alguma ideia do que está acontecendo? — Algo sobre o edifício B. — O instinto de repente me disse que talvez estar em nossos quartos seria uma coisa boa. — Isso nunca aconteceu antes?


Kat abanou a cabeça. — Não. Talvez seja um exercício. As portas duplas no fim do corredor de repente se abriram, e um enxame de oficiais com trajes da SWAT passou através delas, armados até os dentes com fuzis e escudos nos rostos. Reagindo imediatamente, passei um braço ao redor da cintura de Kat e empurrei suas costas contra a parede, protegendo-a com o meu corpo. — Eu não acho que isso é um exercício. — Não é. — disse Archer, puxando a arma. A luz acima do elevador do meio piscou do sétimo andar para o sexto em seguida, para o quinto andar. — Eu pensei que os elevadores estivessem bloqueados? — Alguém exigiu. Os homens vestidos de preto foram para a frente, caindo de joelhos na frente do elevador. Alguém disse: — Bloquear os elevadores não vai impedi-lo. Você sabe disso. — Eu não me importo. — o homem gritou no rádio. — Desliguem o maldito elevador antes de chegar ao nível superior. Encham o eixo de cimento de for preciso. Pare o maldito elevador! — Parar o quê? — Olhei para Archer. A luz vermelha piscou no quarto andar. — A Origem. — disse ele, um músculo pulsando em seu queixo. — Há uma escada à direita, no fim do corredor. Eu sugiro irem para lá agora. Meu olhar virou de volta para o elevador. Parte de mim queria ficar para ver o que diabos um Origem era e por que eles estavam agindo como o monstro de Cloverfield fosse sair do poço do elevador, mas Kat estava aqui, e, obviamente, o que estava prestes a cair sobre nós não era tão amistoso. — O que diabos está acontecendo com eles ultimamente? — Um dos homens de uniforme preto murmurou. — Eles estão se movendo sem parar. Comecei a me virar, mas Kat me deu um tapa. — Não. — ela disse, com os olhos cinzentos arregalados. — Eu quero ver isso. Meus músculos tensionaram. — Absolutamente não. Um ding ricocheteou pelo andar, sinalizando que o elevador tinha chegado. Eu estava a segundos de apenas pegar Kat e jogá-la por cima do meu ombro. Ela viu isso, também, e seu olhar tornou-se um desafio. Mas, então, seu olhar disparou sobre o meu ombro, e eu virei minha cabeça. As portas do


elevador se abriram lentamente. Armas se prepararam, travas desbloquearam. — Não atire! — o Dr. Roth ordenou, acenando com a seringa como se fosse uma bandeira branca. — Eu posso cuidar disso. Faça o que fizer, não atire. Não... Uma pequena sombra caiu do elevador, e então apareceu uma perna, coberta de moletom preto, e em seguida, um tronco e ombros minúsculos. Meu queixo caiu. Ele era uma criança... uma criança. Provavelmente não mais de cinco anos, e ele saiu na frente de todos os homens adultos com realmente grandes armas apontadas para ele. O garoto sorriu. E então as coisas saíram do controle.

CAPÍTULO 13 Daemon

—Uh... — murmurei. Os olhos do garoto eram roxos — como duas joias de ametista com essas linhas estranhas em torno das pupilas, assim como Luc. E eles eram frios e fixos quando escanearam os oficiais na frente dele. O Dr. Roth se adiantou. — Micah, o que você está fazendo? Sabe que não deveria estar neste edifício. Onde está a sua...? Várias coisas aconteceram muito rápido e, sério, eu não teria acreditado se não tivesse visto com meus próprios olhos. O garoto levantou a mão, e houve uma sucessão de vários estalitos — de balas deixando as câmaras dos fuzis. O suspiro horrorizado de Kat disse que ela estava pensando a mesma coisa que eu. Iam realmente atirar em uma criança? Mas as balas pararam, como se a criança fosse um Luxen ou híbrido, mas não era um da minha espécie. Eu senti isso. Talvez ele fosse um híbrido, porque essas balas atingiram uma parede azul cintilante em torno dele. A luz azul se expandiu, engolindo as balas — dezenas deles —


iluminando-as como vaga-lumes azuis. Elas pairaram no ar por um segundo e, em seguida, explodiram até desaparecer. O garoto curvou os dedos para dentro, como se ele estivesse acenandolhes para vir jogar com ele, e de uma forma total de Magneto, as armas voaram das mãos dos oficiais, movendo-se zumbindo em direção ao garoto. Elas, também, pararam no ar e se iluminaram em tons vibrantes de azul. Um segundo depois, as armas eram poeira. As mãos de Kat se apertaram em punhos em minhas costas. — Santa... — Merda. — eu terminei. O dr. Roth estava tentando empurrar os soldados para passar. — Micah, você não pode... — Eu não quero voltar para aquele edifício. — disse o garoto com uma voz que era estranhamente alta e estável, ao mesmo tempo. O idiota do Washington se moveu, segurando uma pistola. O dr. Roth gritou, e a cabeça de Micah virou. O rosto do guarda empalideceu, e Micah fechou o punho. Washington caiu no chão de joelhos, segurando sua cabeça enquanto se dobrava. A boca aberta num grito silencioso, o sangue se derramando dos olhos do cara. — Micah! — Dr. Roth empurrou um policial para fora do caminho. — Isso é ruim! Ruim, Micah! Ruim... isso era ruim? Eu poderia chegar a dezenas de palavras mais adequadas do que ruim. — Santo Deus — Kat sussurrou. — O garoto é como Damien de A Profecia. Eu teria rido, porque com o cabelo castanho em formato de cuia e o sorriso levemente malcriado, ele parecia mesmo um pequeno Anticristo. Só que não era engraçado, porque Washington estava de cara no chão, e o garoto esquisito agora estava olhando para mim com aqueles olhos roxos. Cara, eu não gosto de crianças esquisitas. — Ele ia me machucar. — disse Micah, sem tirar os olhos de mim. — E todos vocês iam me fazer voltar para o meu quarto. Eu não quero voltar para o meu quarto. Vários dos oficiais recuaram quando Micah deu um passo adiante, mas o Dr. Roth se manteve em seu lugar, escondendo a seringa nas costas. — Por que você não quer voltar para o seu quarto, Micah? — A melhor pergunta é, por que ele está olhando para você? — Kat sussurrou. Verdade. Micah cautelosamente caminhou em torno dos oficiais, que estavam agora dando-lhe um amplo espaço. Seus passos eram leves e extremamente felinos. — Os outros não querem brincar comigo.


Havia mais dele? Querido Deus ... O médico virou-se, sorrindo para o garoto. — É porque você não está compartilhando seus brinquedos? Kat arfou com o que soou como uma risada quase histérica. Os olhos de Micah deslizaram para o médico. — Compartilhar não é uma forma de afirmar o domínio. Que. Santo. Inferno. — Compartilhar nem sempre significa que você está abrindo mão do controle, Micah. Nós lhe ensinamos isso. O menino deu de ombros quando ele voltou a olhar para mim. — Você vai brincar comigo? —Uh... — Eu não tinha ideia do que dizer. Micah inclinou a cabeça para o lado e sorriu. Duas covinhas apareceram em suas bochechas redondas. — Ele pode brincar comigo, Dr. Roth? Se o médico dissesse que sim, eu ia ter um problema sério com isso. Dr. Roth concordou. — Eu tenho certeza que ele pode mais tarde, Micah, mas agora precisamos levá-lo de volta para seu quarto. O lábio inferior do menino fez bico. — Eu não quero voltar para o meu quarto! Eu meio que esperava a cabeça do garoto começar a girar, e talvez começasse, mas o médico se atirou para a frente, seringa na mão. Micah girou e gritou enquando ele fechava suas pequenas mãos. O dr. Roth derrubou a seringa e caiu sobre um joelho. — Micah. — ele suspirou, apertando as mãos nas têmporas. — Você precisa parar. Micah bateu um pé. — Eu não quero... Saindo de um maldito nada, um dardo bateu no pescoço do garoto. Seus olhos se arregalaram, e então suas pernas cederam. Antes que ele caísse de cara, atirei-me para a frente e peguei o diabinho em meus braços. O garoto era estranho como o inferno, mas ainda assim, ele era um garoto. Olhei para cima e vi o sargento Dasher em pé à direita. — Bom tiro, Archer. — disse o sargento. Archer deslizou a arma de volta no coldre com um breve aceno de cabeça.


Voltei-me para Micah. Seus olhos estavam abertos, travados com os meus. Ele não estava se movendo em absoluto, mas o garoto estava lá, totalmente funcional. — Que diabos? — sussurrei. — Alguém leve Washington para a sala médica e certifique-se de que cérebro dele não está completamente embaralhado. — Dasher estava dando ordens. — Roth, leve o garoto para uma sala de exames imediatamente e descubra como ele foi capaz de sair do Edifício B, e onde no inferno está o seu rastreador? Roth tropeçou em seus pés, esfregando sua têmpora. — Sim... sim, senhor. Dasher aproximou-se dele, com os olhos brilhando e sua voz baixa. — Se ele fazer isso de novo, ele será eliminado. Você entendeu? Eliminado? Jesus. Alguém apareceu ao meu lado e agarrou o garoto. Eu quase não queria deixá-lo ir, mas tornou-se irrelevante. A mão de Micah capturou a frente da minha camisa e se agarrou quando o oficial o pegou. Aqueles olhos estranhos eram ainda mais bizarros de perto. O círculo em torno da pupila era irregular, como se o negro tivesse sangrado nas bordas. Eles não sabem que nós existimos. Atordoado, dei um passo para trás, quebrando o domínio sobre minha camisa. A voz do garoto estava na minha cabeça. Impossível, mas tinha acontecido. Eu assisti incrédulo como o oficial carregava-o agora e se afastava. O que era mais estranho, era que foi exatamente a mesma coisa que Luc tinha dito. Esse garoto não era como Kat ou eu. Aquele garoto era algo completamente diferente.

***** Katy Santa merda louca... Um garoto tinha acabado de desarmar cerca de quinze homens e, provavelmente, teria feito um inferno de muito mais se Archer não tivesse tranquilizado o garoto. Para ser honesta, eu nem sabia o que vi ou o que o garoto era, mas Daemon parecia substancialmente mais assustado do que eu me sentia. Medo se instalou dentro de mim. Será que o garoto fez algo com ele? Afastando-me da parede, corri para Daemon. — Você está bem?


Ele passou a mão pelo seu cabelo enquanto assentia. — Alguém precisa levar estes dois de volta para os seus quartos. — disse o sargento Dasher, tomando uma respiração profunda e, em seguida, berrando mais ordens. Archer se moveu em nossa direção. — Espere. — Eu passei um braço ao redor de Daemon, recusando-me a ceder. — O que foi isso? — Eu não tenho tempo para isso. — Os olhos de Dasher se estreitaram. — Leve-os de volta para seus quartos, Archer. A raiva cresceu dentro de mim, amarga e poderosa. — Arranje tempo para isso. A cabeça de Dasher girou bruscamente em minha direção, e olhei para ele. Daemon estava em sintonia com a conversa, fixando sua atenção sobre o sargento. Os músculos sob minha mão flexionaram. — Esse garoto não era um Luxen ou um híbrido. — disse a ele. — Eu acho que vocês nos devem uma resposta direta. — Ele é o que chamamos de Origem. — respondeu Nancy, chegando por trás do sargento. — Como em um novo começo: a origem das espécies perfeitas. Eu abri minha boca, então a fechei. A origem das espécies perfeitas? Eu me senti como se eu tivesse caído de cabeça em um filme de ficção científica muito ruim, exceto que tudo isso era real. — Vá em frente, Sargento. Eu tenho tempo para eles. — Ela levantou seu queixo, encontrando o olhar incrédulo de Dasher. — E eu quero um relatório completo sobre como e por que houve dois incidentes com as origens em questão de vinte e quatro horas. Dasher exalou alto pelo nariz. — Sim, senhora. Fiquei meio chocada quando ele bateu os calcanhares e girou, mas a minha suspeita sobre Nancy ser aquela que comandava o show foi confirmada. Ela estendeu o braço em direção a uma das portas fechadas. — Vamos sentar. Mantendo um braço em volta de Daemon, segui Nancy para uma pequena sala, com apenas uma mesa redonda e cinco cadeiras. Archer se juntou a nós, sempre a nossa sombra, mas manteve-se perto da porta enquanto nós três nos sentávamos. Daemon deixou cair um cotovelo na mesa e uma mão no meu joelho quando se inclinou, com os olhos brilhantes fixos em Nancy. — Tudo bem. Então, esse garoto é um Origem. Ou o que seja. O que isso significa


exatamente? Nancy se recostou na cadeira, cruzando uma perna sobre a outra. — Nós não estávamos prontos para compartilhar isso com você ainda, mas considerando o que você assistiu, nós realmente não temos escolha. Às vezes as coisas não saem como planejado, então temos de nos adaptar. — Claro. — eu disse, colocando a mão sobre a de Daemon. Ele virou a dele, os dedos entrelaçando nos meus, e nossas mãos unidas descansaram no meu joelho. — O Projeto Origem é a maior conquista do Daedalus. — Nancy começou, seu olhar firme. — Ironicamente, começou como um acidente mais de quarenta anos atrás. Tudo começou com um e cresceu para mais de uma centena no presente. Como eu disse antes, às vezes o que nós planejamos não acontece. Então, temos de nos adaptar. Olhei para Daemon, e ele parecia tão confuso e tão impaciente quanto me sentia, mas eu tinha essa sensação repugnante de afundamento. Em algum nível, eu sabia que o que estávamos prestes a ouvir ia explodir nossas mentes. — Quarenta anos atrás, tivemos um macho Luxen e uma híbrida mulher que ele havia transformado. Eles, muito parecidos com vocês dois, eram jovens e apaixonados. — O lábio superior dela se ergueu em um sorriso desdenhoso. — Eles foram autorizados a ver um ao outro, e em algum momento durante a sua estadia conosco, a fêmea ficou grávida. Oh, caramba. — No início, não ficamos ciente, não até que ela começou a mostrar. Você vê, naquela época, nós não testávamos hormônios relacionados à gravidez. Pelo que reunimos, é muito difícil um Luxen conceber de outro, por isso não passou por nossas mentes que um seria capaz de conceber com um ser humano, híbrido ou não. — Isso é verdade? — Perguntei Daemon. Fazer bebê não era algo de que falamos. — É difícil para os Luxen conceber? A mandíbula de Daemon tensionou. — Sim, mas não podemos conceber com os seres humanos, tanto quanto eu sei. É como um cão e gato ficarem juntos. Argh. Eu fiz uma careta. — Linda comparação. Daemon sorriu. — Você está certo. — disse Nancy. — Luxen não pode conceber com seres humanos, e em sua maior parte, eles não podem conceber com um híbrido, mas quando a mutação é perfeita, completa em um nível celular, e se parece haver um verdadeiro desejo, eles podem.


Por alguma razão, o calor se arrastou até meu pescoço. Falar sobre bebês com Nancy era pior do que ter a conversa sobre sexo com minha mãe, o que tinha sido ruim o suficiente para me fazer querer me dar um soco no estômago. — Quando se descobriu que a híbrida estava grávida, a equipe foi dividida sobre se a gravidez deveria ser interrompida ou não. Isso pode soar duro — disse ela em resposta à forma como Daemon ficou tenso —, mas você deve entender que não tinham ideia do que essa gravidez poderia fazer ou o que um filho de um Luxen e de híbrido seria. Não tínhamos ideia do que estávamos lidando, mas felizmente a interrupção foi vetada, e nos foi dada a oportunidade de estudar este fenômeno. — Então... então eles tiveram um bebê? — perguntei. Nancy assentiu. — A duração normal da gravidez para os padrões humanos é de entre oito a nove meses. Nosso híbrido foi um pouco prematuro. — Luxen demoraram cerca de um ano. — disse Daemon, e estremeci, pensando que era um tempo muito longo para estar presa carregando trigêmeos. — Mas como eu disse, é difícil. — Quando o bebê nasceu, não havia nada de notável na aparência, com exceção dos olhos da criança. Eles eram de cor púrpura, que é uma coloração extremamente rara em humanos, com um círculo escuro ondulado ao redor da íris. Exames de sangue mostraram que o bebê estava dotado tanto de DNA Luxen quanto humano, que era diferente do DNA mutante de um híbrido humano. Não foi até que a criança começou a crescer que percebemos o que isso significava. Eu não tinha ideia do que isso significava. Um sorriso apareceu na face de Nancy, um genuíno, como uma criança na manhã de Natal. — A taxa de crescimento foi normal, como qualquer criança humana, mas a criança apresentava sinais significativos de inteligência desde o início, aprendeu a falar bem antes que uma criança normal, e os primeiros testes de inteligência colocaram a criança com mais de duzentos de QI, o que é raro. Apenas uma metade de um por cento da população tem um QI com mais de cento e quarenta. E havia mais. Lembro-me de Daemon me dizendo antes, que Luxen amadureciam mais rápido do que os seres humanos, e não na aparência física, mas no intelecto e nas habilidades sociais, o que parecia duvidoso considerando como ele agia, às vezes. Ele me deslizou um longo olhar, como se soubesse o que eu estava pensando. Eu apertei sua mão. — O que você quer dizer com mais? — ele perguntou, virando-se para Nancy. — Bem, na verdade, tem sido ilimitada e ainda uma experiência de aprendizagem. Cada


criança, cada geração, parece ter diferentes habilidades. —Uma certa luz encheu seus olhos enquanto falava. — A primeira foi capaz de fazer algo que nenhum híbrido tem sido capaz de fazer. Ele podia curar. Sentei-me, piscando rapidamente. — Mas... eu pensei que só Luxen podiam fazer isso? — Acreditávamos na mesma coisa até Ro chegar. O nomeamos pelo primeiro Faraó egípcio documentado, que acreditam ser um mito. — Espere. Você nomeou-o? E quanto a seus pais? — Perguntei. Ela encolheu um ombro, e isso era tudo, a resposta que tínhamos. — A capacidade da Ro para curar os outros e ele mesmo correu paralela à capacidade Luxen, obviamente herdada de seu pai. Ao longo de sua infância, fomos capazes de saber que ele podia falar telepaticamente não apenas com Luxen e híbridos, mas com os seres humanos também. A mistura de ônix e diamantes não tinha nenhum efeito sobre ele. Ele tinha a velocidade e a força de um Luxen, mas era mais rápido e mais forte. E como o Luxen, ele podia explorar a Source com a mesma facilidade. Sua capacidade de resolver problemas e criar estratégias em uma idade tão jovem estava acima da média. A única coisa que ele e qualquer um dos outros Origens não foi capaz de fazer foi mudar sua aparência. Ro era o espécime perfeito. Levou alguns momentos para tudo isto ser compreendido, e quando foi, uma coisa se ​destacou entre tudo o que ela havia dito. Era uma palavra pequena, mas tão poderosa. — Onde está Ro agora? Um pouco da luz saiu de seus olhos. — Ro não está mais com a gente. O que explicava o uso do tempo passado. — O que aconteceu com ele? — Ele morreu, simplesmente. Mas ele não foi o último. Vários outros nasceram, e fomos capazes de aprender que a concepção era possível. — Animada, começou a falar mais rápido. — O fator mais interessante foi que a concepção pode acontecer entre qualquer macho Luxen e híbrido fêmea que tenha sido transformada com sucesso. Daemon liberou a mão quando ele se inclinou para trás na cadeira. Suas sobrancelhas se franziram em alerta. — Então o Daedalus só passou a ter um monte de Luxen com tesão e híbridos que estavam dispostos a transar enquanto eles estavam aqui? Porque isso parece estranho para mim. Este lugar não é realmente o mais romântico. Realmente, não estabelece o estado de ânimo. Meu estômago se agitou ante a direção em que se perguntas se dirigiam, e o ar ficou


estagnado na sala. Havia uma razão para que Nancy estava sendo tão aberta com a gente. Afinal, Daemon e eu éramos os "espécimes perfeitos", segundo o Dr. Roth, mutantes em um nível celular. O olhar de Nancy se tornou frio. — Você ficaria surpreso com o que as pessoas apaixonadas fazem quando eles têm alguns momentos de privacidade. E, realmente, isso só toma alguns minutos. E, de repente, o fato de que éramos capazes de partilhar um banheiro também fazia sentido. Nancy estava esperando que Daemon e eu cedêssemos à nossa luxúria incontrolável e trouxéssemos bebezinhos Daemon ao mundo? Deus, pensei que ia vomitar quando ela confirmou. — Afinal de contas, nós os permitimos passar alguns momentos sozinhos aqui e lá, não foi? — Seu sorriso oficialmente me assustou. — E vocês dois são jovens e muito apaixonados. Tenho certeza que você vai fazer uso de seu tempo livre, mais cedo ou mais tarde. O sargento Dasher não mencionou nada disso durante o seu discurso de vendas sobre como proteger o mundo contra uma invasão alienígena ou cura de doenças. Por outro lado, o Daedalus tinha muitos lados. Ele havia dito isso. Daemon abriu a boca, sem dúvida, para dizer algo que me faria querer chutá-lo, mas o interrompi. — Tenho dificuldade em acreditar que você teve muitas pessoas que apenas... bem, você sabe. — Bem, em alguns casos, as gestações foram puramente acidentais. Em outros casos, assistimos o processo. Ar entrou no meu corpo, mas ficou preso em meus pulmões. — Assistiram? — Não é o que você pensa. — Ela riu; o som era estridente e angustiante. — Houve voluntários ao longo dos anos, Luxen e híbridos que entendem o que é realmente o Daedalus. Em outros casos, nós fizemos a fertilização in vitro. Os nós subiram em minha garganta como bile, o que era uma coisa ruim, porque minha boca estava aberta. Nada lá me impediria de vomitar. Um músculo na mandíbula de Daemon estava trabalhando horas extras, pulsando. — O quê? Daedalus tem um emprego secundário, tipo, Parceiros.com para Luxen e híbridos? Nancy enviou-lhe um olhar seco, e eu não conseguia parar o tremor de repulsa. In vitro significava que tinha de haver uma híbrida fêmea para carregar o bebê. Não importava o que ela disse, duvidava que todos eles estivessem dispostos. As pupilas dos olhos de Daemon tinham começado a brilhar.


— Quantos deles você tem? — Centenas. — ela repetiu. — Os mais jovens são mantidos aqui, e à medida que envelhecem, eles são movidos para locais diferentes. — Como você está controlando-os? Pelo que parecia, você quase não teve nenhum controle sobre Micah. Seus lábios se apertaram. —Usamos rastreadores que geralmente os mantém onde eles deveriam estar. No entanto, ao longo do tempo, eles encontram maneiras de escapar. Os que não são controláveis ​são tratados. — Tratados? — Eu sussurrei, horrorizada com que a minha imaginação assumia. — Os Origens são superiores em quase todos os sentidos. Eles são notáveis, mas podem se tornar muito perigosos. Se eles não se adaptam, então eles têm que ser tratados em conformidade. Minha imaginação foi exata. — Oh meu Deus... Daemon bateu a mão na mesa, fazendo com que Archer avançasse, a mão indo para sua arma. — Você está basicamente criando uma raça de bebês de proveta, e se eles não são aceitáveis, você os mata? — Eu não espero que você entenda. — Nancy respondeu sem se alterar quando se levantou e foi para trás de sua cadeira. Ela agarrou a parte de trás. — As origens são as espécies perfeitas, mas como com qualquer raça de seres ou criaturas, há... insucessos. Acontece. Os pontos positivos e potencial superam o lado mais desagradável. Eu balancei minha cabeça. — O que exatamente é tão positivo sobre isso? — Muitos de nossos origens cresceram e se adaptaram na sociedade. Nós os treinamos para que eles cheguem ao auge do sucesso. Cada um deles foi adaptado a partir do nascimento para assumir um determinado papel. Eles se tornarão médicos de habilidades inigualáveis, pesquisadores que irão descobrir o desconhecido, senadores e políticos que são capazes de ver o panorama completo e trarão a transformação social. — Ela fez uma pausa e virou-se para onde estava Archer. — E alguns se tornarão soldados de talento sem precedentes, juntando-se às fileiras dos híbridos e dos seres humanos, a criação de um exército que será imparável. Os pelos minúsculos na parte de trás do meu pescoço subiram quando lentamente me virei na minha cadeira. Meus olhos encontraram os de Archer. Sua expressão era sem emoção. — Você é...? — Archer? — Disse Nancy, sorrindo. Tirando a mão do cabo de sua arma, ele a levou até seu olho esquerdo com dois dedos. Ele


fez um movimento de beliscão e uma lente de contato colorida saiu, revelando uma íris que era brilhante como uma joia ametista. Eu respirei fundo. — Santa merda... Daemon xingou baixinho, e agora fazia sentido porque era só Archer que guardava Daemon e eu. Se ele fosse qualquer coisa como Micah, poderia lidar com o que nós lançássemos nele. — Bem, você não é apenas um floco de neve especial. — Daemon murmurou. — Isso sou eu. — Os lábios dele se arquearam em um meio sorriso. — É um segredo. Nós não queremos que os outros oficiais ou soldados sintam-se desconfortáveis perto de mim. O que explicava por que ele não tinha ido todo sobre-humano em Micah e atirou nele com uma arma tranquilizante no lugar. Mil perguntas correram para a ponta da minha língua, mas fiquei em impressionado silêncio pelas implicações do que e quem ele era. Daemon cruzou os braços quando se concentrou em Nancy novamente. — Interessante revelação e tudo, mas eu tenho uma grande pergunta a lhe fazer. Ela abriu os braços de forma acolhedora. — Vá em frente. — Como você determina quem traz os bebês ao mundo? Oh Deus, meu estômago ficou ainda mais tenso, e inclinei-me, segurando a ponta da mesa. — É simples, na verdade. Além da in vitro, procuramos Luxen e híbridos como vocês dois.


CAPÍTULO 14 Daemon

Tínhamos que dar o fora dali. Logo, sem demora. Era só nisso que eu conseguia pensar. Quando fomos levados de volta aos quartos, olhei para Archer de um modo levemente diferente e com muito mais atenção. O soldado sempre pareceu diferente, mas eu não teria imaginado que fosse outra coisa senão humano. Não pressenti nada de diferente vindo dele, porcaria nenhuma, fora a sua vibração estranha, mas o que eu notei foi que Kat parecia confortável perto dele. Além de umas respostas cortantes, coisa que eu, acima de todos, não poderia culpá-lo por dar, ele parecia um cara bem tranquilo. E francamente, não me importava o que diabos ele era. Saber que era algo diferente só indicava que eu precisava ficar mais de olho nele. O que realmente importava era o fato deles estarem gerando crianças aqui. Isso me afligia enormemente, e também me enfurecia. No momento que a porta se fechou detrás de mim, eu fui até o banheiro. Kat teve a mesma ideia. Um segundo depois, a sua porta abriu, e ela entrou, fechando a porta com cuidado. Seu rosto estava pálido. — Quero vomitar. — Bem, deixe-me sair da sua frente, então. Ela franziu a testa. — Daemon, eles… — ela sacudiu a cabeça, os olhos bem abertos. — Não há palavras para isso. Vai além de tudo que eu poderia imaginar. — Mesma coisa para mim. — Eu me apoiei na pia e ela sentou na beira da tampa fechada do vaso. — Dawson nunca mencionou nada do tipo para você, mencionou? Ela negou com a cabeça. Dawson raramente falava sobre o tempo que passou com os Daedalus, e quando falava, normalmente era com Kat. — Não, mas ele disse que algumas coisas eram insanas. Provavelmente falava disso. Antes que eu dissesse mais algo, me transformei sem aviso em minha verdadeira forma. Foi mau, disse quando ela fez cara feia. Luc me alertou que as coisas por aqui me


deixariam perplexo. Falando nisso, notei uma coisa nos olhos de Archer e de Micah— E quem tem a mesma coisa? Os de Luc tem aquele efeito esquisito e borrado, também. Inferno, eu devia saber que aquele garoto não era um híbrido normal. Ele é um origem. Kat passou as palmas pelas coxas. Quando ela ficava nervosa, sempre se movimentava. Normalmente eu achava bonitinho, mas odiava o motivo por trás desse comportamento de agora. Isso vai além de nós, ela disse. Quantas crianças acha que eles tem? Quantas pessoas por aí no mundo, fingindo ser humanos normais? Bem, isso não é diferente de nós fingindo sermos normais. Nós não somos super-homens que conseguem derrubar uma pessoa rodando o punho. Eu meio que invejava essa habilidade. É, infelizmente, porque isso seria bem útil quando alguém estivesse irritando. Ela jogou as mãos para frente, batendo em minha perna. E o que porcaria foi aquilo? Ela— Aquela mulher do mal de terninho— Não mencionou nada do gênero. Basicamente, toda mulher que usa terninho é má. Kat virou a cabeça de lado. Ok. Eu tenho que concordar com isso, mas será que podemos nos concentrar? Podemos agora que concordou. Estendi a mão e apertei seu nariz, o que me rendeu um olhar mortal. Precisamos dar o fora daqui e rápido. Eu concordo. Ela bateu na minha mão quando tentei apertar seu nariz outra vez. Sem ofensa, mas não tenho desejo algum de fazer bebês esquisitões com você no momento. Eu me engasguei com a risada. Seria uma benção ter um filho meu. Admita. Ela revirou os olhos. Sério, seu ego não conhece limites, independente da situação. Ei, eu gosto de ser coerente. Isso você é, ela disse, a voz em meus pensamentos áspera. Por mais que eu ame a ideia de todo o processo que envolve fazer um filho com você, isso nunca vai rolar nesse tipo de circunstâncias. Um belo rubor cobriu as suas bochechas. Que bom que pensamos o mesmo, meu chapa. Eu ri. Precisamos chegar ao LH-11 e entrar em contato com Luc de alguma maneira. Isso me parece impossível. O olhar de Kat foi até a porta fechada. Nem sabemos onde fica.


Nada é realmente impossível, eu relembrei. Mas acho que precisamos mesmo de outro plano. Alguma ideia? Ela puxou a liga de elástico do cabelo e desembaraçou a massa de ondas. Talvez pudéssemos soltar os Origens no complexo. Aposto que isso causaria uma distração suficiente. Ou talvez você pudesse assumir a forma de algum funcionário daqui… As ideias eram boas, mas haviam problemas: eu apostava que o Daedalus tinha defesas caso um Luxen assumisse a aparência de outra pessoa, e como nós chegaríamos ao outro prédio para soltar um bando de super-soldados em miniatura? Kat se virou para mim, mordendo o lábio ao estender a mão. Seus dedos atravessaram a luz e tocaram o meu braço. Meu corpo inteiro deu uma sacudida. Em minha forma verdadeira, eu era hipersenssível. Não foram ideias muito boas, foram? Elas são ótimas, mas… Não são fáceis de colocar em prática. Ela deslizou a mão pelo meu braço, subindo, sua cabeça inclinando para o lado enquanto me percorria com o olhar. Minha luz refletia em suas bochechas, dando-lhe um brilho rosado. Ela era linda, e eu estava mais do que irremediavelmente apaixonado por ela. Ela levantou o queixo e sorveu o ar subitamente, os olhos bem abertos. Ok, eu talvez tenha enviado esse último pensamento para ela. Enviou. Um sorriso acanhado dividiu os seus lábios. Gostei de ouvir. Muito. Ajoelhando para ficar no mesmo nível dos seus olhos, toquei sua bochecha. Prometo que isso não vai ocorrer no nosso futuro, Kitten. Eu lhe darei isso—uma vida normal. Seus olhos se encheram d’água. Eu não espero uma vida normal. Só espero uma vida com você. É, isso fez umas coisas malucas com o meu coração. Como se ele parasse de bater por um momento, e eu estivesse morto na sua frente por um segundo. Às vezes eu não acho que eu… O quê? Sacudi a cabeça. Deixa para lá. Baixei a mão e me levantei, rompendo o contato. Luc disse que ficaria sabendo no momento que eu tivesse o LH-11 em mãos. Obviamente o contato dele aqui deve estar perto de nós. Consegue pensar em alguém que possa ser amigável? Eu não sei. Os únicos que ficaram mesmo perto de mim foram o médico, o sargento e


Archer. Ela deu uma pausa, enrugando o nariz. Isso acontecia sempre que se concentrava. Sabe, sempre achei que Archer pudesse ser do Time dos Não-Loucos, mas sabendo que ele é um deles—um origem— Não sei o que pensar dele. Pensei naquilo por um momento. Ele foi bom com você, não foi? Ela perdeu um pouco de cor nas bochechas. É, ele foi. Contando até dez antes de continuar, eu disse, E os outros não foram nem um pouco? Ela não respondeu imediatamente. Falar nisso não vai nos ajudar a sair daqui. Provavelmente, mas... — Daemon — ela disse em voz alta, estreitando os olhos. Nós precisamos de um plano para sairmos daqui. É disso que eu preciso. Não de uma sessão de terapia. Eu me levantei. Eu não sei. Terapia bem que pode ajudar com esse seu temperamento, Kitten. Que seja. Ela cruzou os braços, apertando os lábios. Então, de volta às outras opções? Parece que tudo será no “Seja o que Deus quiser”. E qualquer coisa que tentarmos, se formos pegos, vamos nos ferrar total e irrevocavelmente. Prendendo o ar, voltei à forma humana, e então sacudi os ombros. — Acho que é isso mesmo. — concordei.

***** Katy Dias se passaram, e mesmo que não houvesse mais Origens correndo fora de controle pelo complexo, e ninguém tentasse coagir eu e Daemon a fazer filhinhos como se não houvesse amanhã, um senso genérico de desconforto me abateu. Meus testes de resistência tinham recomeçado, mas eles não envolviam os outros híbridos. Por alguma razão, eu fui mantida longe dos outros, embora soubesse que ainda estavam ali. Durante meus testes eu era forçada a usar a Source em uma versão bem distorcida de tiro ao alvo. Só que não havia armas nem balas. Ainda me admirava eles estarem me treinando, como se eu tivesse sido convocada ao seu


exército. Um dia atrás mais ou menos, enquanto estávamos no banheiro, perguntei a Daemon mais uma vez sobre os outros Luxen. Uma expressão de surpresa passou pelo seu rosto. — O que foi? Ter uma conversa enquanto sabíamos que muito provavelmente estavam nos ouvindo era difícil. Bem rapidamente e baixinho, eu contei a ele sobre Shawn e o que Dasher tinha dito. — Isso é insano. — Ele sacudiu a cabeça. — Quer dizer, tenho certeza que existem Luxen lá fora que odeiam humanos, mas uma invasão? Milhares de Luxen se voltando contra a raça humana? Não acredito nisso. E dava para ver que ele não acreditava. Eu também queria acreditar. Não achava que ele tivesse razão para mentir para mim, mas os Daedalus tinham muitas facetas. Uma delas tinha que ser verdadeira. Tudo aquilo era tão maior que eu e Daemon. Nós queríamos sair dali, ter um futuro onde não fôssemos cobaias de um experimento científico sinistro controlado por uma organização secreta, mas o que os Daedalus estavam fazendo com os Origens tinham implicações muito maiores que iam além do que qualquer um de nós podia compreender. Continuava pensando nos filmes do Exterminador do Futuro, sobre como os computadores desenvolveram consciência e assim acabaram com o mundo. Tire os computadores e os substitua pelos Origens. Que droga, substitua pelos Luxen, Arum, ou híbridos, e temos um evento apocalíptico nas mãos. Coisas assim nunca terminavam bem nem nos filmes nem nos livros. Por que na vida real seria diferente? Também não avançamos nos nossos planos de fuga. Nós meio que éramos péssimos nisso, e eu queria ficar com raiva de Daemon por se expor a isso sem nenhum plano nítido, mas não conseguia, porque ele fez isso por mim. Pouco tempo depois do almoço ser servido, Archer apareceu e me escoltou até a sala médica. Eu esperava ver Daemom, mas eles o levaram mais cedo. Odiava não saber o que estava acontecendo com ele. — O que vamos fazer hoje? — eu perguntei, sentando na maca. Estávamos sós na sala. — Vamos esperar pelo doutor. — Isso deu para perceber. — eu olhei para Archer e respirei fundo. — Como é que é? Ser um origem? Ele cruzou os braços. — Como é ser um híbrido? — Eu não sei. — Encolhi os ombros. — Acho que me sinto como sempre me senti.


— Exatamente — ele respondeu. — Não somos tão diferentes. Ele era completamente diferente de tudo que eu já vi. — Conhece os seus pais? — Não. — E isso não lhe incomoda? Houve uma pausa. — Bem, não é uma coisa que eu fico remoendo. Não posso mudar o passado. Há muita pouca coisa que eu possa mudar. Eu odiei o tom frio, como se nada daquilo o afetasse no mínimo. — Então você é o que é? E é isso? — Sim. É isso, Katy. Puxando as pernas, sentei com elas cruzadas. — Foi criado aqui? — Sim. Eu cresci aqui. — Já saiu desse lugar alguma vez? — Saí por um curto espaço de tempo. Assim que fiquei mais velho fomos removidos para uma locação diferente devido ao nosso treinamento. — Ele fez uma pausa. — Você faz muitas perguntas. — E daí? — Escorei o queixo na mão. — Eu sou curiosa. Já viveu sozinho, no mundo lá fora? Ele apertou a mandíbula, e depois negou com a cabeça. — Já sentiu vontade? Ele abriu a boca e em seguida fechou. Não respondeu. — Já sim. — Eu sabia que estava certa. Não conseguia ver os seus olhos por debaixo da boina, e sua expressão não tinha mudado, mas eu sabia. — Mas eles não deixariam, não é? Então nunca frequentou uma escola normal? Nunca foi a uma Applebee? — Já fui a uma Applebee — ele respondeu secamente. — E ao Outback também. — Bem, parabéns. Já viu de tudo. Seus lábios repuxaram. — Seu sarcasmo não é necessário. — Já foi a um shopping? A uma biblioteca normal? Já se apaixonou? — Disparei perguntas a torto e a direito, sabendo que provavelmente o irritaria. — Já usou uma fantasia no Halloween e foi brincar de “doçuras ou travessuras”? Você celebra o natal? Já comeu um peru passado do ponto e fingiu que estava bom?


— Vou assumir que você já fez tudo isso. — Quando eu assenti, ele deu um passo adiante, e então de repente estávamos cara a cara, ele abaixado de maneira que sua boina encostava em minha testa. Isso me assustou, porque eu não o vi se mover, mas me recusei a recuar. Um sorriso tímido apareceu em seus lábios. — Também vou assumir que há um motivo para que me faça todas essas perguntas. Que talvez você queira me provar que eu não vivi, que não experimentei a vida, todas as coisas mundanas que de fato dão as pessoas uma razão para estarem vivas. É isso que está tentando fazer? Incapaz de desviar os olhos, eu engoli em seco. — Sim. — Você não precisa me provar nem me mostrar isso. — ele disse, e então se endireitou. Sem falar em voz alta, eu ouvi suas palavras em meus pensamentos. Eu já sei que não vivi um único dia, Katy. Todos nós sabemos disso. Eu ofeguei com a intrusão da sua voz e com a desesperança de suas palavras. — Todos vocês? — suspirei. Ele assentiu ao dar um passo para trás. — Todos nós. A porta abriu, nos silenciando. Dr. Roth entrou, seguido pelo sargento, Nancy, e outro guarda. Nossa conversa imediatamente saiu dos meus pensamentos. Ver o sargento e Nancy juntos não era boa coisa. Roth foi direto à bandeja e começou a mexer nos instrumentos que tinham lá. Minhas veias se encheram de gelo quando ele retirou um bisturi. — O que está havendo? Nancy sentou em uma cadeira localizada em um dos cantos, a prancheta de sempre nas mãos. — Temos mais testes para concluir, e precisamos nos adiantar. Lembrando do último teste que envolvia um bisturi, eu empalideci. — Detalhes? — Já que você provou ter sofrido uma mutação estável, agora podemos nos concentrar no aspecto mais importante das habilidades dos Luxen — Nancy explicou, mas eu não a escutava realmente. Meus olhos estavam fixos no Dr. Roth. — Daemon já provou ter um controle notável sobre a Source, como esperado. Ele passou em todos os testes, e aquela última cura que ele realizou em você foi um êxito, mas precisamos ter certeza que ele pode curar lesões mais severas antes de trazermos as cobaias. Meu estômago despencou, e minhas mãos tremiam enquanto eu me agarrava à beira da mesa. — O que quer dizer com isso?


— Antes que possamos trazer os humanos precisamos ter certeza que ele pode curar lesões sérias. Não há motivo para submeter um humano a isso se ele não tem essa habilidade. Oh Deus… — Ele consegue curar lesões mais sérias — eu disparei, recuando quando o médico se colocou na minha frente. — Como acha que eu sofri a mutação? — Às vezes isso é só um feliz acaso, Katy. — Sargento Dasher foi para o outro lado da mesa. Eu sorvi o ar, mas meus pulmões pareciam ter parado de funcionar. Daedalus mal conseguiam replicar a mutação e tinham sujeitado Beth e Dawson a coisas horríveis, tentando fazer com que Dawson modificasse outros humanos. O que os Daedalus não sabiam era que era necessário uma vontade verdadeira, uma necessidade por trás da cura. Uma necessidade e um desejo como o amor. Por isso era tão difícil de reproduzi-la. Eu quase contei isso para salvar a minha própria pele, mas então percebi que provavelmente nem faria diferença. Will não tinha acreditado em mim quando lhe contei. Não havia ciência por trás daquilo. E isso tornava todo aquele processo de cura em algo quase mágico. — Nós aprendemos da última vez que ter Daemon no mesmo ambiente durante o procedimento não é uma boa ideia. Ele será trazido até aqui depois que tivermos acabado. — Dasher continuou. — Deite-se de bruços, Katy. Um pouco de alívio passou por mim quando percebi que seria muito difícil rasgar a minha garganta comigo de bruços, mas ainda tentei atrasar. — E se ele não conseguir me curar? E se foi um acaso? — Então todo esse experimento será encerrado — Nancy disse do canto. — Mas eu acho que você e eu sabemos que não será o caso. — Se sabe que não será o caso, então por que precisa fazer isso? — Não era só a dor que eu estava tentando evitar. Não queria que eles trouxessem Daemon ali e fizessem com que passasse por isso. Eu vi o que isso fez a Dawson, o que faria a qualquer um. — Precisamos fazer os testes — disse Dr. Roth, com uma cara solidária. — Nós íamos lhe sedar, mas não temos como saber como isso afetaria o processo. Meus olhos foram na direção de Archer, mas ele desviou os olhos. Sem ajuda daquele lado. Não havia ajuda em lugar algum daquela sala. Isso ia acontecer, e ia ser uma porcaria daquelas. — Fique de bruços, Katy. Quanto mais rápido fizer isso, mais rápido vai acabar. — Sargento Dasher colocou a mão na mesa. — Ou faremos isso por você. Levantei os olhos, prendendo os olhos aos dele, e endireitei os ombros. Ele achava mesmo que eu ia fazer aquilo de livre e espontânea vontade e facilitar o trabalho deles? Pois ele veria só. — Então terão que fazer com que eu fique de bruços — disse a ele.


Ele o fez bem rápido. Foi vergonhoso com que rapidez ele me virou com a ajuda do outro guarda que veio com eles. Dasher segurava meus pés e o guarda minhas palmas, presas aos lados da cabeça. Eu me revirei que nem um peixe por alguns segundos antes de perceber que de nada adiantava. Tudo o que podia fazer era levantar a cabeça, o que me deixava de frente ao peito do guarda. — Tem um cantinho especial no inferno para vocês. Ninguém respondeu— Isto é, não em voz alta. A voz de Archer encheu minha mente. Feche os olhos e respire fundo quando eu mandar. Muito em pânico para sequer prestar atenção no que ele dizia nem para pensar por que tentava me ajudar, eu arfei. As costas da minha camiseta foram levantadas e um ar frio passou pela minha pele, arrepiando da base da coluna aos ombros. Oh Deus. Oh Deus. Oh Deus. Meu cérebro estava se desligando, o medo se apoderando de mim com suas garras afiadas. Katy. A ponta fria do bisturi tocou a minha pele, bem abaixo da minha omoplata. Katy, respire fundo! Eu abri a boca. O médico mexeu o braço rápido e um fogo se acendeu nas minhas costas, uma dor intensa e profunda que rasgava minha pele e músculos. Eu não respirei fundo. Não consegui. Eu gritei.


CAPÍTULO 15 Daemon

Não me sentia muito bem. Cerca de quatro minutos atrás, meu coração começou a bater como um louco. Eu me senti mal do estômago e mal conseguia me concentrar em colocar um estúpido pé na frente do outro. O sentimento era vagamente familiar. Assim era a falta de ar. Eu tinha experimentado esse mesmo tipo de inferno quando Kat tinha sido baleada, mas isso não fazia qualquer sentido. Relativamente falando, ela estava de certa forma segura aqui, ao menos de psicopatas aleatórios com armas, e não havia nenhuma razão para que alguém a machucasse. Não neste momento, mas eu sabia que eles tinham feito coisas para Beth para forçar meu irmão a transformar seres humanos. Um formigamento quente explodiu ao longo da parte de trás do meu pescoço enquanto o guarda e eu íamos para o corredor no andar médico. Kat estava nas proximidades. Bom. Mas a sensação de mal estar, o pressentimento geral de medo aumentando a pressão no meu peito, só piorava enquanto eu me aproximava mais dela. Isso não era bom. Não era nada bom. Eu tropecei, quase perdendo o equilíbrio, e isso trouxe uma dose grande de que-diabo-éisso. Eu nunca tropeçava. Eu tinha maravilhoso porte. Ou equilíbrio. Tanto faz. O aspirante a Rambo parou em frente a uma das muitas portas janelas e fez a coisa do globo ocular. Houve um som de clique, e a porta se abriu. Ar escapou dos meus pulmões no momento que dei uma boa olhada na sala. Meu pior pesadelo se tornou realidade, surgindo para a vida em uma claridade e detalhe horripilantes.


Ninguém estava em pé perto dela, mas havia pessoas na sala, apesar de eu realmente não vêlas. Tudo o que eu via era Kat. Ela estava deitada de barriga para baixo, a cabeça virada para o lado. Seu rosto estava pálido e tenso, com os olhos quase fechados. Uma fina camada de suor cobria sua testa. Querido Deus, havia tanto sangue — escorrendo das costas de Kat, acumulando-se na mesa maca onde estava deitada, e pingando nos recipientes abaixo da mesa. Suas costas... suas costas era um desastre mutilado. Havia músculos abertos e ossos expostos. Parecia que Freddy Krueger tinha colocado suas garras sobre ela. Eu tinha certeza que sua coluna estava... Eu não podia mesmo terminar o pensamento. Talvez um segundo se passou a partir de quando eu entrei no quarto e me lancei para frente, empurrando o guarda idiota para fora do caminho. Eu hesitei quando cheguei ao lado dela e estendi minhas mãos para me segurar. Elas desembarcaram no sangue... sangue dela. —Jesus. — sussurrei. — Kat... oh Deus, Kat... Seus cílios não se mexeram. Nada. Um fio de cabelo se agarrava ao rosto pálido encharcado de suor. Meu coração estava batendo de forma irregular, lutando para manter-se no ritmo, e sabia que não era o meu que estava vacilante. Era o de Kat. Eu não sei como isso aconteceu. Não que eu não me importasse, porque eu queria saber, mas não era o que era importante agora. — Tenho você. — Disse a ela, sem prestar atenção a qualquer um na sala. — Vou corrigir isso. Ainda nada, e amaldiçoei quando me virei, preparando-me para me despojar da minha pele humana, porque isso... isso exigiria tudo em mim para consertar. Meu olhar encontrou o de Nancy por um segundo. — Sua vadia. Ela bateu a caneta em sua prancheta e fez um som suave tsk tsk. — Precisamos ter a certeza que pode curar de novo sobre o que é considerado um nível catastrófico. Essas feridas foram feitas com precisão para serem fatais, mas levará tempo, ao contrário de um ferimento no estômago ou incômodos em várias outras partes do corpo. Você terá que curá-la. Um dia mataria essa mulher. A raiva aumentou vertiginosamente, me alimentando, e mudei para minha forma verdadeira; um rugido se elevou das profundezas da minha alma. A mesa tremeu. Os instrumentos fizeram ruídos altos e caíram fora da bandeja. As portas do armário se abriram. —Jesus. — alguém murmurou.


Eu coloquei minhas mãos em Kat. Kitten, estou aqui. Estou aqui, amor. Eu vou fazer isso ir embora. Tudo isto. Não houve resposta, e o sabor picante de medo me revestiu. O calor irradiou para fora das minhas mãos, e a luz branca tingida de vermelho engoliu Kat. Vagamente ouvi Nancy, dizendo: — Está na hora de passar para a fase de mutação.

***** Curar Kat tinha me esgotado. Isso fez com que todo mundo naquela sala tivesse muita sorte, porque eu tinha certeza de que poderia ter eliminado pelo menos dois deles antes que pudessem me conter, se eu pudesse mover minhas pernas. Eles tentaram retirar-me da sala depois de eu ter curado Kat. Como se diabos eu fosse deixálos a sós com ela. Nancy e Dasher tinham saído há algum tempo, mas o médico ficou, verificando os sinais vitais de Kat. Estavam bem, ele tinha dito. Ela estava perfeitamente curada. Eu queria matá-lo. E eu acho que ele sabia, porque ficou muito longe do meu alcance. O médico, eventualmente, se foi. Só Archer permaneceu. Ele não falou, o que estava muito bem para mim. O pouco respeito que eu adquiri por esse homem foi perdido no segundo que percebi que ele tinha estado neste quarto o tempo todo que eles fizeram... fizeram isso com ela. Tudo para provar que eu era forte o suficiente para trazê-la de volta da beira da morte. Eu sabia o que estava por vir: um fluxo interminável de seres humanos semimortos. Afastando essa realidade da minha cabeça, eu me concentrei em Kat. Sentei-me ao lado da cama, na estúpida cadeira de rodinhas onde Nancy esteve, segurando sua mão flácida, alisando meu polegar em círculos, esperando que isso chegasse a ela de alguma forma. Ela ainda não tinha acordado, e esperava que ela tivesse estado desmaiada em meio de todo o processo. Em algum momento, uma enfermeira veio para limpá-la. Eu não queria ninguém próximo a ela, mas eu também não queria que Kat acordasse coberta com seu próprio sangue. Eu queria que ela acordasse e não tivesse nenhuma lembrança disso — absolutamente nada disso. — Deixe comigo. — eu disse, levantando. A enfermeira balançou a cabeça. — Mas eu... Dei um passo em direção a ela. — Eu vou fazer isso.


— Deixe-o fazer isso. — disse Archer, os ombros rígidos. — Saia. Parecia que a enfermeira ia discutir, mas finalmente saiu. Archer virou a cabeça quando arranquei as roupas encharcadas de sangue dela e comecei a limpar suas costas. E suas costas... estavam coberta de cicatrizes — ferozes marcas vermelhas de mal aspecto sob suas omoplatas — lembrando-me de um desses livros que ela tinha em casa sobre um anjo caído, cujas asas foram arrancadas. Eu não sei por que dessa vez ela ficou com cicatrizes. A bala havia deixado uma fraca marca em seu peito, mas nada como isto. Talvez tenha sido por causa de quanto tempo me levou para curála. Talvez fosse porque o buraco de bala fosse tão pequeno e isso... isso não era. Um som baixo e desumano se arrastou até a minha garganta, assustando Archer. Reuni a pouca energia que eu tinha deixado e terminei de trocá-la. Então recostei-me e peguei sua pequena mão. O silêncio era tão espesso como neblina no quarto, até Archer o quebrar. — Nós podemos levá-la de volta para seu quarto. Eu pressionei meus lábios nos seus dedos. — Eu não vou deixá-la. — Eu não estava sugerindo isso. — Houve uma pausa. — Eles não me deram quaisquer ordens específicas. Você pode ficar com ela. A cama seria melhor para ela, imaginei. Ficando em pé, cerrei meu maxilar quando deslizei meus braços sob ela. — Espere. — Archer foi ao nosso lado, e me virei, curvando meus lábios em um grunhido. Ele recuou, segurando as mãos para cima. — Só ia sugerir que eu poderia levá-la. Você não parece como se fosse capaz de andar agora. — Você não vai tocá-la. — Eu... — Não. — rosnei, levantando o peso leve de Kat para fora da mesa. — Não vai acontecer. Archer balançou a cabeça, mas ele virou-se, dirigindo-se para a porta. Satisfeito, girei Kat tão delicadamente como pude em meus braços, temendo causar dor em suas costas. Quando eu tinha certeza que ela estava bem assim, dei um passo para a frente e depois outro. A viagem de volta para o quarto foi tão fácil como andar descalço sobre um piso de lâminas de barbear. Meu nível de energia estava no mínimo. Deitá-la de lado e rastejar na cama ao lado dela absorveu toda a força que me restava. Eu queria puxar o cobertor para que ela não sentisse frio, mas meu braço estava como pedra entre nós. Em qualquer outro momento eu teria preferido levar Nancy para um jantar romântico do que aceitar a ajuda de Archer, mas eu não disse nada quando ele levantou o cobertor e colocou sobre nós.


Ele saiu do quarto e, finalmente, Kat e eu estávamos sozinhos. Eu a olhei até que já não podia manter os olhos abertos. Eu, então, contei cada respiração que ela tomou até que eu não conseguia mais me lembrar qual foi o último número. E quando isso aconteceu, repeti o nome dela, uma e outra vez, até que ele foi a última coisa que eu pensei antes de escorregar no esquecimento. ***** Katy Acordei com um sobressalto, ofegando por ar e esperando ele me queimar de dentro para fora, esperando que a dor ainda estivesse lá, devastando cada pedaço do meu ser. Mas eu me sentia bem. Dolorida e inflamada, mas por outro lado estava bem, considerandose o que tinha acontecido. Estranhamente, eu me sentia desconectada ao que o médico fazia, mas deitada lá, ainda podia sentir as mãos invisíveis me segurando os pulsos e tornozelos. Um sentimento feio, uma confusão de emoções que ia da raiva à impotência, sacudiu meu estômago. O que eles tinham feito para provar que Daemon poderia curar ferimentos fatais foi horrível, e essa palavra era muito leve em comparação, não era suficiente grave ou severa. Sentindo-me nojenta e desconfortável na minha própria pele, forcei meus olhos a se abrirem. Daemon estava ao meu lado em um sono profundo. Sombras escuras se espalhavam em suas bochechas. Sob seus olhos tinha olheiras escuras, de uma tonalidade arroxeada pela exaustão. Suas bochechas estavam pálidas e os lábios entreabertos. Várias mechas de cabelo castanho escuro ondulado caíam sobre sua testa. Eu nunca tinha visto ele parecer tão desgastado antes. Seu peito subia de forma constante e uniforme, mas o medo escorreu pelas minhas veias. Levantei-me sobre meu cotovelo e me inclinei, colocando a mão em seu peito. Seu coração batia contra a palma da minha mão, um pouco acelerado devido ao meu. Ao observá-lo dormir, essa bagunça feia de emoção tomou uma nova forma. Ódio a revestia, cristalizando-se em uma casca endurecida de amargura e raiva. Minha mão se fechou em um punho em seu peito. O que eles fizeram para mim era condenável, mas o que tinham forçado Daemon a fazer era além disso. E isso só iria piorar a partir deste ponto. Eles começariam a trazer os humanos, e quando ele não conseguisse transformá-los com sucesso, iriam me machucar para chegar a Daemon. Eu me tornaria Bethany, e ele se tornaria Dawson. Fechando os olhos, exalei um longo suspiro. Não. Eu não podia deixar isso acontecer. Nós não poderíamos deixar isso acontecer. Mas, na realidade, já estava


acontecendo. Pedaços de mim tinham se tornado sombrios pelo que eu tinham feito e pelo o que haviam forçado em mim. E se essas coisas feias continuassem se acumulando — o que aconteceria — como poderíamos ser diferentes? Como não se transformar em Bethany e Dawson? Então compreendi. Abri meus olhos, meu olhar percorrendo as largas maçãs do rosto de Daemon. Não era que eu tivesse que ser mais forte do que Beth, porque eu tinha certeza que ela tinha sido forte e ainda era. Não era que Daemon tinha que ser melhor do que Dawson. Nós tínhamos que ser mais forte e melhor do que eles — Daedalus. Baixando a cabeça, dei um beijo suave nos lábios de Daemon e jurei nesse momento, que sairíamos desta. Não era apenas Daemon me prometendo isso. Essa situação não estava somente em suas mãos. Seria nós — juntos. Seu braço de repente se deslizou em volta da minha cintura, e me puxou contra ele. Um olho verde surpreendente se abriu. — Olá. — ele murmurou. — Eu não queria te acordar. O canto de sua boca se elevou. — Você não fez. —Já estava um tempo acordado? — Quando seu sorriso se espalhou, balancei minha cabeça. — Então só ficou deitado me deixando olhá-lo como uma trepadeira? — Basicamente, Kitten. Pensei em deixá-la até se fartar, mas depois você me beijou e, bem, eu gostaria de estar um pouco mais envolvido nisso. — Ambos os olhos se abriram, e como sempre, olhá-los tinha um caráter bastante estimulante. — Como você está se sentindo? — Estou bem. Eu me sinto ótima, na verdade. — Estabelecendo-se ao lado dele, acomodei minha cabeça em seu braço e sua mão se curvou para trás, enroscando no meu cabelo. — E você? Sei que deve ter tomado um monte de você. — Você não deveria estar preocupada comigo. O que... — Eu sei o que eles fizeram. Sei por que eles fizeram isso. — Inclinei meu queixo para baixo enquanto deslizava a mão entre nós. Ele endureceu quando o dorso dos meus dedos roçaram seu estômago. — Eu não vou mentir. Doeu terrivelmente. Quando eles estavam fazendo isso, eu queria ... nem sequer queira saber o que eu queria, mas estou bem por sua causa. Mas odeio o que fizeram você fazer. Sua respiração roçou minha testa, e houve um longo momento de silêncio. — Você me surpreende. — foi tudo o que disse.


— O quê? — Olhei para cima. — Daemon, eu não sou incrível. Você é. As coisas que você pode fazer? O que você fez por mim? Você... Ele colocou um dedo sobre meus lábios, silenciando-me. — Depois do que você passou, está mais preocupada comigo? Sim, você me surpreende, Kitten, você realmente surpreende. Senti um sorriso esticar meus lábios, e me senti estranha ao querer sorrir depois de tudo. — Bem, que tal isso? Nós dois somos incríveis. — Eu gosto disso. — Ele abaixou a boca para a minha, e o beijo foi doce e terno, tão consumidor como os outros, porque oferecia uma promessa, uma promessa de mais, de um futuro. — Você sabe, eu não te disse isso o suficiente, e devo dizer-lhe sempre que puder, mas eu te amo. Absorvi um suspiro forte. Ouvi-lo dizer essas palavras nunca deixva de me afetar profundamente. — Eu sei que você ama, mesmo que não diga isso o tempo todo. — me ergui e passei as pontas dos meus dedos sobre a curva de sua bochecha. — Eu te amo. Os olhos de Daemon se fecharam, e seu corpo ficou tenso. Ele parecia absorver essas palavras dentro de si. — Quanto cansado está? — Eu perguntei depois de alguns momentos de olhar para ele como uma tonta. Seu braço apertou ao meu redor. — Muito cansado. — Ajudaria se entrasse em sua verdadeira forma? Ele deu de ombros desigual. — Provavelmente. — Então faça isso. — Não está um pouco mandona? — Cale-se e tome sua verdadeira forma para que se sinta melhor. Que tal isso como mandona? Ele riu suavemente. — Eu amo isso. Eu comecei a notar que ele estava ficando poderosamente confortável com a palavra com A, mas ele se moveu um pouco e levou seus lábios nos meus mais uma vez. Esse beijo foi mais profundo, faminto e urgente. Com os olhos fechados, eu ainda podia ver a luz branca quando ele começou a mudar. Arfei de surpresa, perdendo-me no calor e na intimidade do momento. Quando ele se afastou, eu mal conseguia abrir os olhos, de tão brilhante que ele estava.


— Melhor? — perguntei em voz alta, a voz cheia de emoção. Sua mão encontrou a minha. Era estranho ver aqueles dedos recobertos de raios de luz entrelaçando-se com os meus, apertando em torno deles. Fiquei melhor no momento que você acordou.

CAPÍTULO 16 Daemon

Daedalus não perdeu tempo, uma vez que estavam confiantes de que eu tinha loucas habilidades de cura. Assim que eles pensaram que eu estava descansado, levaram-me para uma sala no andar médico. Não havia nada no espaço de paredes brancas, exceto duas cadeiras de plástico, uma de frente para a outra. Virei-me para Nancy, as sobrancelhas levantadas. — Decoração legal que você tem aqui. Ela ignorou. — Sente-se. — E se eu preferir ficar de pé? — Eu realmente não me importo. — Ela virou-se para onde a câmera estava empoleirada no canto e balanceou a cabeça. Então, me encarou. — Você sabe o que é esperado de você. Começaremos com um dos nossos novos recrutas. Ele tem vinte e um anos, está em bom estado de saúde. — Com exceção do ferimento fatal que está prestes a infligir a ele?


Nancy me lançou um olhar suave. — E ele se inscreveu para isso? — Ele fez isso. Você ficaria surpreso com quantas pessoas estão dispostas a arriscar suas vidas para se converter em algo grande. Fiquei mais surpreso com o nível de estupidez de algumas pessoas. Inscrever-se em uma mutação que tinha uma taxa de sucesso de menos de um por cento não parecia muito brilhante para mim, mas o que eu sei? Ela entregou uma grande bracelete. — Este é um pedaço de opala. Tenho certeza de que você está bem ciente do que ela faz. Vai melhorar na cura e garantir que você não fique exausto. Peguei o bracelete de prata e olhei para a pedra negra com a marca vermelha no centro. — Você está literalmente entregando-me um pedaço de opala, sabendo que neutraliza o ônix. Ela me deu um olhar aguçado. — Você também sabe que nós temos soldados armados com aquelas pequenas armas desagradáveis que te falei. Isso supera você ter opala. Deslizando ao redor do meu pulso, saudei o golpe de energia. Olhei para Nancy, encontrando-a olhando para mim como se eu fosse seu touro premiado. Eu tinha a sensação de que, mesmo se eu corresse de sala em sala, atacando pessoas até a morte, ela não traria as grandes armas. Não, a menos que eu fizesse algo loucamente insano. Eu era muito especial. E estava chateado também. Ela poderia ter me dado o pedaço de opala quando eu precisava para curar Kat. Um dia desses eu iria fazer sérios danos a esta mulher. Um soldado com cara de esquilo entrou na sala, e sem mais delongas sentou em uma das cadeiras. O garoto parecia ter no máximo vinte e um e, ao mesmo tempo em que eu tentava não me deixar afetar por nada daquilo, uma pitada de culpa surgiu. Não porque eu planejava estragar isso ou qualquer coisa. Para quê fazer isso? Se eu não trouxesse com sucesso um híbrido para este mundo, então, eventualmente, eles voltariam seus olhos maus e sádicos para Kat. Então, sim, eu estava entrando nessa de “é preciso haver um verdadeiro desejo de curar a pessoa”, mas ainda não tinha ideia se isso iria funcionar. Se não fosse assim, esse cara viveria o resto de sua vida como um ser humano velho chato ou se autodestruiria em poucos dias. Por seu bem e o de Kat, esperava que ele fosse bem recebido no mundo dos híbridos felizes. — Como vamos fazer isto? — Eu perguntei a Nancy. Ela fez sinal para um dos dois guardas que tinham vindo para a sala com o paciente zero. Um


deles avançou, brandindo uma faca de aparência desagradável, do tipo que Michael Myers correria com ela no Halloween. — Oh, caramba. — eu murmurei, cruzando meus braços. Isso ia dar confusão. O Paciente Demasiado Estúpido para Viver segurou a faca com confiança. Antes que ele pudesse fazer qualquer coisa com ela, a porta se abriu e Kat entrou, Archer pisando em seus calcanhares. Meus braços caíram ao meu lado quando o desconforto explodiu em alarme. — O que ela está fazendo aqui? Nancy sorriu firmemente. — Nós achamos que você poderia usar uma motivação. Entendimento acendeu-me como um fogo de artifício. Seu tipo de motivação era um aviso. Eles sabiam muito bem que nós estávamos cientes do que aconteceu com Bethany quando Dawson falhou. Vi Kat afastar a mão de Archer e caminhar até a esquina. Ela ficou lá. Eu me concentrei em Nancy, olhando-a até que ela finalmente, depois de vários minutos, quebrou o contato visual. — Vamos logo com isso, então. — eu disse. Ela acenou para o Paciente Provavelmente Morto que, sem dizer uma palavra maldita, respirou fundo e enfiou a faca de assassino em série direto em seu estômago com um grunhido ofegante. Em seguida, ele puxou a faca, deixando-a cair de suas mãos. Um guarda avançou para a frente, agarrando-o. — Puta merda. — eu disse, com os olhos arregalados. Paciente Zero tinha bolas. Kat estremeceu e desviou o olhar quando o sangue se derramou da ferida recém feita. — Isso... isso foi perturbador. Ele provavelmente tinha menos de dois minutos de vida se o sangue continuasse assim saindo rapidamente de seu corpo pálido. Ele estava curvado, segurando o estômago. Um cheiro metálico enchia o ar. —Faça. — disse Nancy, deslocando seu peso enquanto ânsia enchia seu olhar. Balançando a cabeça em fascinação macabra, ajoelhei-me junto ao cara e coloquei minhas mãos em seu estômago. Sangue cobriu imediatamente minhas mãos. Não tinha um estômago sensível, mas, caramba, eu podia ver os intestinos do cara. Que tipo de Kool-Aid mágico este garoto estava tomando para fazer de bom grado isso para si mesmo? Cristo. Eu deixei a minha forma humana desaparecer, e a luz branco-avermelhada engoliu o cara e a maioria da sala. Concentrando-se na ferida, imaginei as bordas irregulares se fechando, impedindo a perda de sangue. Sinceramente, não tive a menor ideia maldita quando ele se curou. Era uma coisa


que, tipo, aconteceu por conta própria. Imaginei a ferida e, continuamente, instantâneos de energia piscavam pela minha cabeça sem que eu tivesse que pensar. O que eu fiz foi me concentrar na filtragem da luz através das veias... e Kat. Olhei para cima quando suspirei. Uma expressão de êxtase se instalou no rosto de Nancy, a de uma mãe que pegou seu primeiro vislumbre de seu filho. Eu procurei Kat, e lá estava ela. Ela tinha um olhar de admiração em seu belo rosto enquanto olhava para mim. Meu coração pulou, e virou-se para o cara que eu estava curando. Estou fazendo isso por ela, disse a ele. É melhor esperar ser o suficiente, para o seu bem. A cabeça do homem se ergueu. Cor já tinha voltado para suas bochechas. Com a opala, não me senti nem um pouco esgotado, como me sentiria normalmente depois de uma cura tão maciça. O soltei e me levantei, dando um passo para trás. Permanecendo em minha verdadeira forma o tempo suficiente para que homem se levantasse com as pernas trêmulas, olhei para Kat mais uma vez. Uma mão estava apertando o queixo. Ao lado dela, Archer parecia um pouco nervoso com a coisa toda. Então ocorreu-me uma coisa. Voltando para minha forma humana, eu me virei para Nancy, que estava olhando para o paciente zero com tanta admiração e esperança que era realmente revoltante. — Por que eles não podem fazer híbridos? — eu perguntei. — As Origens podem curar. Por que eles não podem? Nancy mal olhou para mim quando fez um gesto para a câmera. — Eles podem curar praticamente qualquer ferimento, mas não podem curar doenças ou fazer mutações. Nós não sabemos por que, mas é a sua única limitação. —Guiando o cara de volta para a cadeira, ela tratou-o com delicadeza surpreendente. — Como você está se sentindo, Largent? Depois de tomar várias respirações profundas, Largent pigarreou. —Um pouco de dor, mas por outro lado me sinto muito bem. — Ele sorriu enquanto olhava entre Nancy e eu. — Será que isso funciona? — Bem, você está vivo. — eu disse secamente. — Isso é um bom começo. A porta se abriu, e o Dr. Roth entrou correndo, o estetoscópio saltando sobre o peito. Lançoume um olhar. — Incrível. Eu estava assistindo através dos monitores. Verdadeiramente notável. — Sim. É. — Eu me dirigi a Kat, mas a voz aguda de Nancy soou, como garras em um quadro-negro. —Fique aí, Daemon. Eu virei minha cabeça lentamente, consciente de que os outros guardas se moviam entre Kat e


eu. — Por quê? Eu fiz o que você queria. — Nós não vimos nada ainda que não seja o fato de que você curou. — Nancy se moveu ao redor da cadeira, observando o médico e Largent. — Como estão os sinais vitais? — Perfeitos. — disse o médico, ficando em pé enquanto envolvia o estetoscópio no pescoço. Ele enfiou a mão no casaco de laboratório e tirou uma pequena caixa preta. — Podemos começar o Prometheus. — O que é isso? — Eu perguntei, vendo quando o médico tirou uma seringa cheia de líquido azul cintilante. Com o canto do meu olho, vi Archer inclinar a cabeça para o lado, enquanto olhava para a agulha. — Prometheus é grego. — disse Kat. — Bem, ele era um Titan. Na mitologia, ele criou o homem. Um flash de diversão brilhou nos meus olhos. Ela encolheu os ombros. — Estava em um livro paranormal que li uma vez. Eu não conseguia segurar um pequeno sorriso. Ela e os seus hábitos de leitura nerds. Me fez querer beijá-la e fazer outras coisas. Katy também, porque um rubor se acumulou nas suas bochechas. Infelizmente, não ia acontecer. O Dr. Roth arregaçou a manga de Largent. — Prometheus deve agir mais rapidamente, sem a necessidade de esperar a febre. Ele irá acelerar o processo de mutação. Inferno, eu me perguntava se Largent realmente estava de acordo em ser a primeira cobaia. Mas isso não importava. Injetaram nele o lamaçal azul. Ele caiu para a frente, o que não era um bom sinal, e Roth entrou em modo de médico. Os sinais vitais estavam nas nuvens. As pessoas estavam começando a parecerem um pouquinho nervosas. Ninguém estava prestando atenção em mim, então comecei a avançar em direção a Kat. Eu estava no meio do caminho quando Largent atirou-se da cadeira, derrubando o médico em seu traseiro. Eu me coloquei entre Kat e a área geral de onde Largent estava de pé. Ele tropeçou para a frente e, em seguida, inclinou-se, agarrando os joelhos. O suor escorria da testa do cara, pingando no chão. Um fedor adocicado substituiu o metálico. — O que está acontecendo? — Exigiu Nancy. O médico começou a desenrolar o estetoscópio quando foi para o lado do soldado e colocou uma mão em seu ombro. — O que você está sentindo, Largent?


Os braços do homem tremiam. — Cólicas. — ele suspirou. — Meu corpo inteiro tem cólicas. Parece que minhas entranhas estão... — Ele se ergueu, jogando a cabeça para trás. Com a garganta esticada, abriu a boca e soltou um grito. Uma substância azulada e enegrecida saiu de sua boca, espirrando no jaleco branco do médico. Largent cambaleou para o lado, seu grito rouco terminando em um gorgolejo grosso. O mesmo líquido vazou dos cantos dos olhos, derramando-se de seu nariz e orelhas. — Oh cara — eu disse, recuando. — Eu não acho que o que você injetou nele está funcionando. Nancy me cortou com um olhar sombrio. — Largent, você pode me dizer o que...? O soldado virou-se e saiu correndo, e quero dizer que ele correu a toda velocidade da luz em direção à porta. Kat gritou e, em seguida, juntou as mãos sobre a boca. Movi-me para bloquear a visão terrível, mas era tarde demais. Largent se chocou contra a porta com um úmido e carnoso baque, chocando-se no tipo de velocidade equivalente ao saltar de uma janela a cinquenta andares. O silêncio desceu, em seguida, Nancy disse: — Bem, isso foi decepcionante.

***** Katy Enquanto eu vivesse, nunca seria capaz de apagar da minha mente a visão do soldado de ser relativamente normal para algo que parecia a primeira fase da infecção zumbi para se espatifar contra a porta. Tivemos que esperar na sala até que o pessoal veio e limpou o suficiente da bagunça para que pudéssemos sair sem pisar no ... Uh, material. Não nos deixaram, nem a mim, nem a Daemon se aproximar uma polegada um do outro como esperávamos, como se fosse culpa dele de alguma forma. Ele curou o cara, ele fez sua parte. O que quer que estivesse em Prometheus tinha feito isso. O sangue não estava nas mãos de Daemon. Lá fora, no corredor, os soldados levaram Daemon para uma ala, e Archer me levou para outra. Estávamos no meio do caminho em direção aos elevadores quando uma das portas do elevador à direita se abriu e dois soldados saíram, acompanhando uma criança. Eu derrapei até parar por completo.


Não era qualquer criança. Era uma delas, as Origens. Os pelos minúsculos no meu corpo se arrepiaram com a visão. O menino não era Micah, mas ele tinha o mesmo estilo de corte de cabelo no seu escuro. Talvez um pouco mais jovem, mas eu nunca fui boa em julgar as idades. — Continue caminhando. — disse Archer, colocando uma mão nas minhas costas. Forçando as pernas a se moverem, não sabia o que tinha aquelas crianças que me assustavam. Okay. Havia provavelmente um monte de coisas sobre essas crianças que poderia me assustar. O principal era a inteligência anormal brilhando em seus olhos estranhamente coloridos e o pequeno sorriso infantil que parecia zombar dos adultos à sua volta. Deus, Daemon e eu precisávamos sair deste lugar por todo um caminhão de razões. À medida que se cruzamos com eles, o menino levantou a cabeça e olhou diretamente para mim. No momento em que nossos olhares colidiram, um formigamento agudo de consciência viajou pela minha espinha e explodiu ao longo da parte de trás do meu crânio. Tontura passou por mim, e parei de novo, sentindo-me estranha. Gostaria de saber se o garoto estava fazendo algum tipo de estranho truque mental Jedi em mim. Os olhos do garoto se arregalaram. Meus dedos começaram a formigar. Ajude-nos, e nós vamos ajudá-la. Meu queixo caiu. Eu não... eu não podia. O meu cérebro parou de funcionar, e as palavras se repetiram. O garoto quebrou o contato, e então eles estavam atrás de nós, e eu estava ali de pé, tremendo de adrenalina e confusão. O rosto de Archer ficou à vista, os olhos apertados. — Ele disse alguma coisa para você. Sai do meu intumescimento e imediatamente em guarda. — Por que você acha isso? — Porque você tem um olhar assustado em seu rosto. — Soltando a mão no meu ombro, ele me virou e deu um pequeno empurrão em direção ao elevador. Quando as portas se fecharam, ele apertou o botão de parada. — Não há câmeras nos elevadores, Katy. Além dos banheiros, é a única área no edifício livre de olhos atentos. Sem ter ideia de onde ele estava indo com isso e ainda um pouco perturbada por tudo, eu dei um passo para trás, batendo na parede. — Tudo bem. — As Origens são capazes de captar pensamentos. É uma coisa que Nancy não lhe disse. Eles podem ler pensamentos. Então é melhor você ser muito cuidadosa com o que você está pensando quando está perto de um deles.


Eu fiquei boquiaberta. — Eles podem ler mentes? Espere, isso significa que você pode fazê-lo, também! Ele deu de ombros, sem comprometer-se. — Eu tento não fazer. Ouvir os pensamentos das outras pessoas é realmente mais irritante do que qualquer outra coisa, mas quando você é jovem, realmente não pensa sobre isso. Você acabou de fazê-lo. E eles fazem isso o tempo todo. — Eu... Isso é loucura. Eles podem ler mentes, também? O que mais eles podem fazer? — Eu senti como se tivesse caído por um buraco de coelho e acordar em uma história de quadrinhos do XMen. E todas as coisas que pensei perto de Archer? Eu tinha certeza de que em algum momento eu tinha pensado em fugir daqui e... — Eu nunca disse nada a ninguém do que eu peguei de você. — disse ele. — Oh meu Deus... você está fazendo isso agora. — Meu coração batia forte. — E por que eu deveria confiar em você? — Provavelmente porque eu nunca pedi para você confiar em mim. Eu pisquei. Luc não disse algo como isso? — Por que você não diz a Nancy? Ele deu de ombros novamente. — Isso não importa. — Sim. É completamente... — Não. Isso não acontece. Não agora. Olha, nós não temos muito tempo. Tenha cuidado quando você estiver por perto das Origens. Eu peguei o que ele disse para você. Você já viu o filme Jurassic Park? —Uh, sim. — Que pergunta estranha. Um sorriso irônico apareceu. — Lembra-se dos Velociraptors? Deixar que as Origens saiam seria como desbloquear as portas das gaiolas dos Velociraptors. Entende o que eu estou dizendo? Estes Origens, o grupo mais novo, não é nada parecido com o que o Daedalus teve no passado. Eles estão evoluindo e se adaptando de forma que ninguém pode controlar. Eles podem fazer coisas que eu não posso nem pensar. O Daedalus já tem problemas para mantê-los na linha. Lutei para processar tudo isso. Estranhamente, o bom senso me manteve expelindo negações, quando na realidade eu sabia que tudo era possível. Eu era uma híbrida alienígena/humana, afinal. — Por que essas Origens são diferentes? — Eles receberam Prometheus para ajudar a acelerar seu aprendizado e habilidades. — Archer bufou. — Como se eles precisassem. Mas ao contrário do pobre Largent, com eles funcionou.


O corpo mutilado de Largent passou diante de mim, e eu estremeci. — O que é o soro Prometheus? Ele me olhou com ceticismo. — Você sabe o que é o Prometheus na mitologia grega. Eu não acredito que você não tenha percebido ainda. Puxa, que maneira de fazer-me sentir estúpida. Ele riu. Eu olhei para ele. — Você está lendo meus pensamentos, não é? — Desculpe. — Ele não parecia arrependido em absoluto. — Você mesmo disse. Prometheus foi creditado com a criação da humanidade. Pense nisso. O que o Daedalus está fazendo? — Tentando criar a espécie perfeita, mas realmente isso não me disse nada. Ele balançou a cabeça enquanto estendia a mão e passava um dedo ao longo da parte carnuda do meu cotovelo. — Quando se transformou no princípio, deram a você um soro. Foi o primeiro soro que o Daedalus criou, mas querem algo melhor, algo mais rápido. Prometheus é o que está sendo testado agora, e... não apenas em seres humanos curados por Luxen. — Eu ... — não entendi ao princípio, e então eu pensei sobre esses sacos na sala onde os pacientes doentes estavam recebendo do Daedalus sua própria medicação. — Eles estão administrando nos humanos que estão doentes, não estão? Ele acenou com a cabeça. — Então isso significa que Prometheus é o LH-11? — Quando ele assentiu com a cabeça de novo, eu me forcei a não ir mais longe com a percepção, a fim de que Archer não se intrometesse. — Por que você está me dizendo isso? Ele girou um pouco e reiniciou o elevador. Me lançando um olhar longo, ele simplesmente disse: — Nós temos um amigo em comum, Katy.


CAPÍTULO 17 Katy

Eu mal podia conter-me à espera de alguns momentos a sós com Daemon. Nós havíamos abusado dos privilégios do banheiro, sabendo o que eles queriam que fizéssemos. Levou uma eternidade antes que eu sentisse o formigamento familiar ao longo do meu pescoço. Contendo-me por alguns minutos, corri ao banheiro e bati suavemente na porta de sua cela. Ele estava lá em um segundo. — Sentiu minha falta? —Faça a sua coisa de Lite-Brite. — me apoiava de um pé para o outro. — Vamos. Ele olhou para mim estranhamente, mas um segundo depois, era um cometa brilhante. O que se passa? Apressadamente, eu disse-lhe tudo sobre o garoto assustador no corredor, o que Archer tinha dito sobre eles, o que Prometheus realmente era, e o que Archer tinha dito sobre nós partilharmos um


amigo em comum. Eu não confio em nada disso, mas ou Archer não contou a ninguém o que coletou de mim e de você, ou ele fez, e por algum motivo, não fomos descobertos. A luz de Daemon pulsava. Jesus, isto continua ficando cada vez mais bizarro. Nem me diga. Encostei-me na pia. Se decidirem injetar em alguém mais aquilo de novo... estremeci. Talvez eles só esperem até a mutação dar certo desta vez. Isso, ou eu tenho a sensação de que eles vão ter uma conta de limpeza muito pesada. Argh. Isso foi realmente... Um braço revestido em luz se esticou. Dedos quentes roçaram minha bochecha. Sinto muito que você teve que ver isso. Sinto muito que você teve que ser uma parte disso. Respirei profundamente. Mas você sabe o que aconteceu com Largent não é sua culpa, certo? Sim. Eu sei. Confie em mim, Kitten, eu não vou assumir qualquer culpa desnecessária. Seu suspiro passou através de mim. Então, sobre Archer ... Conversamos mais alguns minutos sobre Archer. Nós dois concordamos que havia uma boa chance de que ele era o cara infiltrado de Luc, mas não fazia sentido. Archer, obviamente, tinha acesso ao LH-11 e poderia ter conseguido isso para Luc. Não podíamos confiar nele — nós não iríamos cometer o erro de confiar em alguém novamente. Mas eu tenho uma ideia. Um que Daemon também estava interessado. Uma vez que tivéssemos em nossas mãos o LH-11, teríamos apenas uma chance de escapar. E se os Origens realmente fossem como Velociraptors, então eles poderiam se tornar a distração perfeita, permitindonos uma pequena chance de sair daqui. Não importa o que fizermos, seria arriscado, com cerca de noventa e nove por cento de chance de falhar. Mas Daemon e eu nos sentíamos tão confiantes dependendo um do outro e só de Luc — e possivelmente Archer. Nós fomos traídos de muitas vezes antes. Daemon assumiu sua forma humana e me beijou rapidamente antes de voltarmos para nossos quartos. Esta era sempre a parte mais difícil — nos obrigar a ir para as nossas próprias camas —, mas a última coisa que precisávamos era arriscarmos ser pegos no momento... um com o outro. Porque isso sempre parecia acontecer quando estávamos juntos. E nós também não confiávamos plenamente que eles nos permitissem ir e vir do quarto um do outro — tudo se parecia como um teste. Eu voltei para minha cama. Sentando, puxei meus joelhos até meu peito e descansei o queixo sobre eles. Esses momentos tranquilos de não fazer nada eram os piores. Em pouco tempo, as coisas


que eu não queria pensar penetraram e afastaram as coisas que eu precisava para me concentrar. Eu realmente queria que Daemon visse que eu estava lidando com isso bem, que nada disso estava mexendo com a minha cabeça. Eu não queria que ele se preocupasse comigo. Fechando os olhos, me movi até minha testa estar contra os meus joelhos. Eu disse a mim mesma a coisa mais brega possível: havia uma luz no fim deste túnel escuro. E seguiu-se com o sempre fiel: toda nuvem escura tem um lado positivo. Eu me perguntei quanto tempo eu poderia me manter dizendo isso.

***** Daemon A equipe maravilhosa por trás do Daedalus realmente esperava que a mutação funcionasse desta vez. Era mais um recruta com aparentemente todo o tipo de entusiasmo. Este se apunhalou no peito, logo abaixo do coração em vez do intestino. Um pouco desordenado. Kat tinha estado lá para testemunhar isso novamente. Eu tinha curado o idiota. No geral foi um relativo sucesso, só que eu não pude chegar perto do LH-11. Uma vergonha, porque não tinha havido um resto do soro na seringa. Kat e eu não estávamos contando com Luc, mas se pudéssemos conseguir o LH-11, e descobríssemos que alguém, se era Archer ou não, poderia nos ajudar a sair, eu ia levá-la. O plano de Katy de deixar as crianças soltas era o melhor que tinha, mas os aspectos técnicos de como poderíamos fazer isso, ficaram para serem vistos. Sem contar que não tínhamos ideia do que nós realmente iríamos soltar. Por mais que eu odiasse admitir, havia pessoas inocentes nesses edifícios. Em três dias, enquanto esperamos que a segunda cobaia mostrasse sinais de mutação, pediram-me para curar mais três soldados e um que tinha que ser um civil, uma mulher que se parecia muito nervosa para se inscrever para isso sem coerção. Ela não apunhalou-se, mas foi injetado nela uma dose letal de alguma coisa. E eu não tinha sido capaz de curá-la, em absoluto. Eu não sabia o que era, e que tinha sido terrível. Ela começou a espumar pela boca, em convulsão, e tentei, mas não havia nada que eu pudesse fazer. Eu não podia ver o ferimento na minha cabeça, e simplesmente não funcionou. A mulher tinha morrido ali mesmo, sob o olhar horrorizado de Kat. Nancy não esteve feliz quando descartaram o corpo inerte da mulher. Seu humor foi agravado no quarto dia, quando Prometheus, também conhecido como LH-11, foi dado ao segundo soldado que eu curei. Mais tarde naquele dia, ele acabou com a cara plantada contra uma parede. Eu não sabia o que havia com eles correndo para paredes, mas esse era o número dois.


No quinto dia, o terceiro sujeito recebeu LH-11. Ele durou um adicional de 24 horas antes de sangrar através de cada orifício, incluindo o umbigo. Ou foi o que me disseram. As mortes, bem, elas se empilhavam, uma após a outra. Meio difícil não levá-las para o lado pessoal. Eu me culpo? Inferno que não. Irritava-me querer molhar o complexo inteiro com gasolina e começar a jogar fósforos? Claro que sim. Eles me mantiveram longe de Kat a maioria dos dias, só nos permitindo estar no mesmo quarto quando eu fazia a coisa da cura, e tivemos alguns minutos aqui e ali no banheiro dos segredos. Não era o suficiente. Kat parecia tão exausta como eu me sentia, e pensava em dar aos meus hormônios um descanso, mas, oh, não. Toda vez que eu ouvia o chuveiro ser ligado, tinha de recorrer a cada grama de autocontrole. Os banheiros não tinham câmeras, e eu podia ficar quieto, o que era perfeito para um pouco de sexo louco, mas não havia nenhuma maneira no inferno que eu estivesse arriscando a chance de um bebê Daemon neste buraco. Eu era totalmente contra a ideia de ter filhos com Kat um dia? Além de me sair urticárias com o pensamento, a ideia não era muito horrível. Claro, eu queria essa besteira da cerca branca... se ocorressem uns bons dez anos a partir de agora, e as crianças não tivessem estranhos cortes de cabelo tigela e não estragassem a mente das pessoas no estilo Jedi. Eu não acho que estava pedindo demais. No sexto dia, quando foi dado LH-11 ao terceiro soldado, ele conseguiu passar o resto do dia e bem até o sétimo dia. Ele imediatamente começou a mostrar sinais de uma mutação bem sucedida. Ele passou no teste de resistência com louvor. Nancy estava tão emocionado, que pensei que ia me beijar, e pensei que realmente iria bater em uma garota. — Você merece uma recompensa. — disse ela, e eu pensei que eu merecia colocar meus pés em seu traseiro. — Você pode passar a noite com Kat. Ninguém vai impedi-lo de fazer isso. Eu não disse nada. Apesar de não rejeitar essa oferta, era bastante assustador escutar Nancy me dizer que eu poderia passar a noite com Kat, enquanto eles nos observavam em vídeo. Pensei nessas crianças nos andares inferiores. Sim, não ia acontecer. Kat esteve tramando algo, aproximando-se da bandeja. Ela tinha parado quando Nancy fez o anúncio. Seu nariz se franziu, e eu estava um pouco ofendido, embora ela provavelmente estivesse pensando a mesma coisa que eu. Trouxeram outro sujeito, este era outro soldado, mas eu estava distraído com o que quer que Kat estava fazendo. Ela estava muito perto das bandejas, praticamente em pé na frente delas. Um movimento de esfaqueamento mais tarde, tinha sangue nas mãos e uma Nancy muito feliz saltando ao redor da sala.


O dr. Roth tinha colocado a agulha usada ao lado das não utilizadas. Vi Kat agarrando com os dedos, mas algo me ocorreu. — Isso significa que estou unido a eles? — perguntei, enxugando as mãos em uma toalha que tinha sido jogada para mim. — Os que não chocaram a cara contra uma parede? Se eu morrer, eles morrem? Nancy riu. Minhas sobrancelhas se levantaram. — Eu não vejo como isso é uma pergunta engraçada. — É uma pergunta muito boa, de autosserviço. — Ela juntou as mãos, os olhos escuros brilhando. — Não. O soro Prometheus que é dado aos indivíduos transformados rompe o vínculo. Isso foi um alívio. Eu não gostava da ideia de vários Calcanhares de Aquiles correndo por aí. — Como isso é possível? Um guarda abriu a porta quando Nancy atravessou a sala. — Nós tivemos muitos anos para diminuir a interconexão da mutação e as consequências, Daemon. Assim como sabemos que é preciso haver um desejo real por trás da mutação. — Ela se virou para mim, a cabeça inclinada para o lado. — Sim. Nós sabemos disso. Não é uma coisa mágica ou espiritual, mas uma mistura de habilidade, força e determinação. Bem, merda ... — Seu irmão estava quase lá. — A voz de Nancy abaixou, e meu corpo ficou tenso. — Não foi falta de determinação ou capacidade. E confiem em mim, ele estava motivado. Temos a certeza disso. Mas ele simplesmente não era forte o suficiente. Apertei a mandíbula. Ira deslizou por minhas veias como veneno. — Nós não precisamos dele. Bethany, por outro lado, bem, isso ainda pode ser visto. Mas de você? — Ela colocou a mão no meu peito. — Você vale a pena manter, Daemon.


CAPÍTULO 18 Katy

Você vale a pena manter, Daemon. Oh meu Deus, eu quase enfiei a agulha através dos olhos de Nancy. Ainda bem que eu não fiz, porque isso iria contra todo o propósito do que eu tinha feito. Cruzando meus braços, cruzei as mãos ao redor da seringa e a mantive escondida debaixo do braço. Eu obedientemente segui Daemon e Archer para fora, esperando alguém me atacar por trás. Ninguém o fez. Na empolgação de uma mutação potencialmente bem sucedida, ninguém estava prestando atenção em mim. Ninguém além de Daemon estava fazendo durante essas coisas, com exceção de Archer, e se ele estava espionando os meus pensamentos, com certeza não disse nada. Eu realmente não tinha pensado nada disso quando peguei o soro, mas quando o seguei na minha mão, sabia que se eu fosse pega, iria, provavelmente, me arrepender. Então, o mesmo aconteceria com Daemon. Se Archer estivesse espiando meus pensamentos agora, e ele não estava trabalhando com Luc, estávamos tão ferrado. Fomos para o elevador, Nancy e a nova mutação híbrida em outra direção. Estávamos sozinhos, apenas nós três, quando as portas do elevador se fecharam. Eu quase não podia acreditar na nossa sorte. Meu coração estava batendo com excitação e medo, como um baterista fazendo um solo. Cutucando Daemon no braço, tive a sua atenção. Ele olhou para mim, e olhei para o meu lado, abrindo cuidadosamente os dedos. Apenas a ponta do topo da seringa ficou visível. Os olhos dele se arregalaram e, encontraram os meus. Naquele instante, ambos sabíamos o que isso significava. Com o LH-11 na mão, não tínhamos tempo. Alguém acabaria por perceber que estava faltando, ou eles poderiam ter até me pegado nas


fitas de segurança. De qualquer maneira, o tempo era questão de vida ou morte. As portas do elevador se fecharam, e Archer virou-se para nós. Daemon se deslocou para a frente, mas a mão de Archer se estendeu. Minha respiração ficou presa na minha garganta enquanto a mão dele batia no painel de controle. O elevador não se mexeu. O olhar de Archer caiu ao meu lado, com a cabeça inclinada para o lado. — Você tem o LH-11? Jesus. Vocês dois são... Eu não achei que você faria. Luc disse que faria. — Os olhos dele pousaram em Daemon. — Mas eu realmente não acho que qualquer um de vocês iria pegá-lo. Meu coração estava batendo tão rápido que meus dedos formigavam em torno da agulha. — O que você vai fazer sobre isso? — Eu sei o que você está pensando. — A atenção de Archer estava em Daemon. — Por que eu não pegar o soro para Luc? Não foi por isso que eu estava aqui, e nós não temos tempo para explicações. Eles vão saber que está faltando muito em breve. — Houve uma pausa rápida, e ele estava de volta para mim. — E o plano em sua cabeça é uma loucura. Eu estava pensando sobre as Origens, mas agora eu estava pensando sobre a Rainbow Brite{6} fazendo a Electric Slide. Qualquer coisa para manter Archer fora da minha cabeça. Ele fez uma careta. — Sério, gente? — Disse ele, tirando a boina. Ele empurrou-a no bolso de trás. — O que exatamente vocês dois esperam realizar? Seu plano tem cem por cento de taxa de falha. — Você é um espertinho. — disse Daemon, os ombros rígidos. — E eu não gosto de você. — E eu não me importo. — Archer virou para mim. — Dê-me o LH-11. Meus dedos se apertaram em torno dele. — Claro que não. Seus olhos se estreitaram. — Tudo bem. Eu sei o que vocês estão prestes a fazer. Mesmo que eu te avisei para não fazer isso, está pensando em deixar o show de horrores, e depois? Fazer uma corrida para ele? Além do fato de que você não sabe como chegar a esse edifício, vai precisar de suas mãos, e não vai poder ficar com a agulha. Confie em mim. Indecisão me inundou. — Você não entende. Cada vez que confiamos em alguém, somos traídos. Entregar isso... — Luc nunca te traiu, não foi? — Quando balancei a cabeça, Archer fez uma careta. — E eu nunca trairia Luc. Mesmo que eu esteja um pouco assustado com essa merda. Olhei para Daemon. — O que você acha?


Houve um momento de silêncio, e então ele disse: — Se você nos enganar, não vou pensar duas vezes antes de matá-lo na frente de Deus e de todos. Você entendeu? — Mas nós precisamos conseguir tirar o LH-11 para fora do complexo. — disse eu. — Eu vou com vocês, gostem ou não. — Archer piscou. — Ouvi dizer que o Olive Garden é um bom restaurante para experimentar. Lembrei-me de nossa conversa sobre ele ter uma vida normal, e por algum motivo isso fez com que o que estávamos prestes a fazer ficasse um pouco mais fácil. Eu não entendia por que ele estava nos ajudando ou a Luc, ou por que ele não tinha conseguido isso antes, mas como ele disse, já estávamos muito profundamente nisso. Engolindo em seco, entreguei a seringa e senti como se estivesse entregando a minha vida, o que de uma maneira, estava. Ele tomou-a, agarrou sua boina, e envolveu a seringa em torno dela, em seguida, empurrou o pacote em seu bolso dianteiro. — Vamos levar este show para a estrada. — disse Daemon, olhando para Archer enquanto estendia a mão e apertava a minha por alguns instantes. — Você está usando um pedaço de opala? — perguntou Archer. — Sim. — Ele deu um sorriso atrevido. — A paixão de Nancy em mim é útil, não é? — Ele acenou com o pulso, e o vermelho dentro da opala pareceu tremer. — Momento para ser incrível. — Transforme-se em Nancy. — Archer apertar o botão do andar. — Rápido. A forma de Daemon piscou e se transformou, encurtando vários centímetros. Suas mechas se converteram em um cabelo fino escuro puxado em um rabo de cavalo. Seus traços se borraram completamente. Seios apareceram. Foi quando eu soube onde ele estava indo com isso. Um terninho de uma mulher sem graça vindo depois, Nancy Husher estava ao meu lado. Mas não era Nancy. — Isso é tão estranho. — murmurei, olhando para ele / ela / ou o que fosse, por algum sinal revelador de que era realmente Daemon. Ela sorriu. Sim. Era ainda Daemon. — Você acha que isso vai funcionar? — perguntei a ele. — Eu vou dizer que nesse caso a minha visão é otimista. Coloquei fios soltos de cabelo atrás da minha orelha. — Isso é reconfortante. — Nós vamos soltar as crianças e depois voltaremos a este elevador e iremos ao térreo. — Ele olhou para Archer com toda a autoridade que Nancy possuía. — Eu vou dar-lhe a opala quando chegarmos lá fora. — Ele olhou para mim. — Não discuta comigo sobre isso. Você vai precisar dela,


porque nós vamos correr, e nós vamos correr mais rápido do que jamais corremos antes. Você pode fazer isso? Este plano não parecia bom para mim. Não havia nada além de um terreno baldio deserto do lado de fora, provavelmente por uma centena de quilômetros, mas eu assenti. — Bem, nós sabemos que eles não vão te matar. Você é muito incrível. — É isso aí. Pronto? Eu queria dizer que não, mas disse que sim, e então Archer apertou o botão para o nono andar. Enquanto o elevador estremecia em movimento, meu coração batia forte. Ele parou no quinto andar. Merda. Nós não tínhamos planejado isso. — Está tudo bem. — disse Archer. — Esta é a forma como você acessa o edifício B. Terror concentrou-se em meu estômago quando saímos para o corredor largo. Tudo isso podia ser uma armadilha ou outra cilada, mas não ia voltar atrás. Archer colocou a mão no meu ombro, como ele normalmente faz quando estava me acompanhando. Se isso deixou Daemon infeliz, ele não mostrou. Sua expressão permaneceu no desdém que caracterizava Nancy. Havia pessoas na sala, mas ninguém realmente prestou atenção em nós. Chegamos ao final do corredor e entramos em um elevador amplo. Archer apertou um botão marcado com B, e o elevador retrocedeu na engrenagem. Depois que ele parou, entramos em outra sala e fui em frente para mais um elevador, e então ele escolheu o nono andar. Nove andares no subsolo. Ugh. Parecia um longo caminho a percorrer para os pequenos Origens sair, mas, novamente, eles eram como excelente bebês Einsteins. Com a boca seca, quis que meu coração desacelerasse antes que eu tivesse um ataque de pânico. Em poucos segundos, o elevador parou e as portas se abriram. Archer se afastou, deixando Daemon e eu sair primeiro. Com o canto do meu olho, o vi apertar o botão de parada. O elevador se abriu em um pequeno átrio sem janelas. Dois soldados estavam postados na frente das portas duplas. Eles se endireitaram imediatamente quando nos viram. — Sra Husher. Oficial Archer — o da direita disse, balançando a cabeça. — Posso perguntar por que você está trazendo ela aqui para baixo? Daemon avançou, juntando as mãos como fazia Nancy. — Eu pensei que seria uma boa ideia para ela ver nossas maiores conquistas em seu próprio ambiente. Talvez isso vai dar-lhe uma melhor compreensão das coisas por aqui. Eu tive que apertar minha boca para ficar fechada, porque as palavras que saíram de sua boca


eram tão parecidas com as de Nancy que eu queria rir. Não uma risada normal, qualquer um, mas uma louca, tipo, rindo histéricamente. Os guardas trocaram olhares. O sr. Comunicativo avançou. — Eu não tenho certeza se isso é uma boa ideia. — Você está me questionando? — Disse Daemon, na voz mais arrogante do que nunca de Nancy. Mordi meu lábio inferior. — Não, minha senhora, mas esta área está fechada para todo o pessoal que não têm autorização e... e para os hóspedes. — O sr. Comunicativo olhou para mim e, em seguida, para Archer. — Essa foi a ordem que deu. — Então eu deveria ser capaz de trazer quem eu quero aqui, você não acha? Com cada batida do coração, eu sabia que estávamos correndo contra o tempo. A mão no meu ombro apertou, e soube que Archer estava pensando isso.. — S-Sim, mas isso vai contra o protocolo. — Sr. Comunicativo gaguejou. — Nós não pode... — Você sabe o quê? — Daemon deu um passo para a frente, olhando para cima. Eu não vi qualquer câmera, mas isso não significava que não estavam lá. — Protocole isso. Daemon/Nancy lançou a mão e um raio de luz irrompeu de sua palma. O arco de energia se dividiu em dois, um batendo no peito do Sr. Comunicativo e o outro no guarda silêncioso. Caíram, fumaça flutuando para cima de seus corpos. O cheiro de roupas e carne queimadas bateu no meu nariz. — Bem, essa é uma maneira de fazer isso. — Disse Archer secamente. — Não pode voltar atrás agora. Daemon/Nancy lançou-lhe um olhar. — Você pode abrir essas portas? Archer se adiantou e se inclinou. A luz vermelha no painel se tornou verde. A vedação hermética estalou, e as portas se abriram. Metade de mim esperando alguém saltar e apontar uma arma para os nossos rostos enquanto caminhávamos para uma área aberta do nono andar, eu prendi a respiração. Ninguém nos parou, mas nós conseguimos um par de olhares estranhos do pessoal da equipe. O chão era de um layout diferente do que os que eu tinha visto, em forma de um círculo com várias portas e janelas compridas. No meio estava algo que me fez lembrar de um posto de enfermagem. Archer soltou sua mão, e eu senti algo frio pressionada na minha. Eu olhei para baixo, surpresa ao descobrir que eu estava segurando uma arma.


— Não há segurança, Katy. — Então ele se aproximou ao lado de Daemon. Em voz baixa, ele disse: — Nós temos que fazer isso rápido. Vê as portas duplas lá? É onde devem estar neste momento do dia. — Ele fez uma pausa. — Eles já sabem que estamos aqui. Um arrepio serpenteou pela minha coluna. Sentia a arma demasiada pesada na minha mão. — Bem, isso não é assustador ou algo assim. — Daemon olhou para mim. —Fique perto. Eu balancei a cabeça, e então caminhamos em torno das áreas de trabalho em direção às portas duplas com duas janelas minúsculas. Archer estava bem atrás de nós. Um homem saiu. — Sra. Husher... Daemon jogou o braço para frente, batendo no peito do cara com um golpe amplo. O homem subiu no ar, o jaleco branco batendo como as asas de uma pomba, antes que ele batesse na janela da área central. O vidro se estilhaçou, mas não quebrou quando o homem deslizou para baixo. Alguém gritou; o som foi chocante. Um outro homem de jaleco correu em direção à entrada da área de trabalho. Archer se virou, pegando-o pelo pescoço. Um segundo depois, um borrão branco passou voando pelo meu rosto e se chocou contra a parede oposta. O caos entrou em erupção. Archer bloqueou a entrada da área de trabalho, que devia ter coisas que não queriam que não tivéssemos acesso, enviando uma pessoa voando atrás da outra, até que o resto do pessoal estava encolhido contra a porta — A porta que precisávamos entrar. Daemon deu um passo diante deles, as pupilas de seus olhos ficando brancas. — Se eu fosse vocês, sairia do caminho. A maioria deles correu como ratos. Dois ficaram. — Nós não podemos deixá-lo fazer isso. Você não entende o que eles são capazes de... Eu levantei a arma. — Movam-se. Eles se moveram. O que era uma coisa boa, porque eu nunca tinha disparado uma arma antes. Não que eu não sabia como usar uma, mas puxar o gatilho parecia mais difícil do que mover um dedo. — Obrigada. — disse, e então me senti estúpida por dizer isso. Daemon correu para a porta, ainda em forma de Nancy. Eu vi um painel e percebemos que seria necessário Archer. Comecei a me virar para ele, mas o som de fechaduras virando ecoou como um trovão. Eu me virei, minha respiração estagnada no meu peito quando as portas recuaram nas paredes. Daemon deu um passo atrás. Assim eu fiz. Nenhum de nós estava preparado para isso.


Micah nos encontrou na porta da sala de aula. Todas as cadeiras estavam cheias de meninos de diferentes idades. Os mesmos cortes de cabelo. Calças pretas iguais. Camisas brancas iguais. Todos tinham um olhar de inteligência perturbadoramente aguçado, e eles se viraram em seus lugares, olhando para nós. Na parte da frente da sala de aula, uma mulher estava deitada no chão, de bruços. — Obrigado. — Micah sorriu, dando um passo para frente. Ele parou na frente de Archer e levantou o braço. Uma pulseira preta fina circulava seu pulso. Silenciosamente, Archer moveu os dedos sobre a pulseira, e houve um clique suave. Ela escorregou do braço de Micah e caiu no chão. Eu não tinha ideia do que era, mas percebi que era importante. Micah virou-se para onde o restante do pessoal se amontoava. Sua cabeça inclinou para o lado. — Tudo o que queremos fazer é brincar. Nenhum de vocês nos deixa brincar. Foi quando os gritos começaram. A equipe começou a cair como batatas quentes, caindo de joelhos no chão, segurando suas cabeças. Micah continuou sorrindo. — Vamos lá. — disse Archer, contornando uma cadeira em direção à porta. Ele saiu do lugar, mantendo a porta aberta. Olhando para trás para a sala de aula, vi que os meninos estavam em pé, movendo-se em direção à porta. Sim, era definitivamente hora de ir. Os homens ainda estavam inconscientes no corredor, e nós entramos no elevador à direita. Uma vez lá dentro, Archer apertou o botão para o nível do solo. Daemon olhou para minha mão. — Tem certeza que está bem com isso? Forcei um sorriso. — Isso é tudo que eu tenho até que eu saia deste prédio estúpido. Ele acenou com a cabeça. — Só não atirar em si mesma... ou em mim. — Ou em mim. — acrescentou Archer. Revirei os olhos. — Que fé que vocês têm em mim, garotos. Daemon abaixou a cabeça em direção à minha. — Oh, eu tenho fé em você. Há outra... — Nem pense em dizer algo sujo ou tentar me beijar enquanto ainda está no corpo de Nancy.


— Eu coloquei a mão em seu peito, mantendo-o para trás. Daemon riu. — Você não é divertida. — Vocês dois precisam se concentrar na tarefa em mãos... Uma sirene tocou em algum lugar do prédio. O elevador parou com uma sacudida no terceiro andar. Luzes se apagaram, e, em seguida, uma luz vermelha acendeu no teto. — Agora isso vai ficar realmente divertido. — disse Archer quando a porta do elevador se abriu. No salão, os soldados e funcionários se moviam com rapidez ao redor, gritando ordens. Archer eliminou o primeiro soldado que apareceu em nosso caminho e gritou. Daemon fez o mesmo. Um soldado puxou uma arma, e eu levantei a minha, apertando o gatilho. O recuo me assustou. A bala atingiu o rapaz na perna. Daemon perdeu o controle sobre a forma de Nancy, ficando em sua própria forma. Seus olhos estavam arregalados, enquanto olhava para mim. — O quê? — perguntei — Você não acha que eu faria isso? — Vão para as escadas. — Archer gritou. — Não sabia que você disparando uma arma seria tão sexy. — Daemon pegou a minha mão livre. — Vamos. Corremos para o corredor a poucos metros atrás de Archer. As luzes do teto se apagaram, substituídas pelo piscar de cúpulas vermelhas e amarelas. Archer e Daemon estavam jogando explosões de bolas de energia como se tivessem combinado, fazendo com que a maioria dos soldados ficassem para trás. Passamos por um conjunto de elevadores. Dois deles se abriram e um punhado de Origens saiu. Seguimos adiante, mas eu tinha de olhar para trás — eu tinha que ver o que eles iam fazer. Eu tinha que saber. Eles foram o desvio perfeito. A atenção de todos estava sobre eles. Um dos meninos tinha parado no meio do corredor. Ele inclinou-se e pegou um revólver caído, e eu vi que seu pulso estava nu da pulseira. A arma esfumaçou e depois se fundiu, assumindo a forma de uma pequena bola. O menino deu uma risadinha. E então ele se virou, jogando os destroços retorcidos da arma direto para um soldado rastejando para ele. A arma foi direto através do estômago do homem. Meu passo vacilou. Santa merda. Tínhamos feito a coisa certa em deixá-los soltos? O que aconteceria se eles saíssem para o mundo real? O tipo de dano que poderiam causar era astronômico.


O aperto de Daemon na minha mão aumentou, puxando-me de volta para a tarefa em mãos. Eu teria tempo para me preocupar com eles mais tarde. Isso esperava. Nós viramos a esquina a toda a velocidade, e de repente eu estava no nível da testa com uma pistola, tão perto que eu podia ver o dedo no gatilho, ver a pequena faísca do disparo. Um grito ficou preso na minha garganta. Daemon rugiu, o som final reverberando ao redor do meu crânio. A bala parou, sua ponta chamuscando minha testa. Não foi mais longe. Apenas parou. O ar saiu dos meus pulmões. Daemon lançou a bala longe, então me puxou para seu peito enquanto nós girávamos, e havia Micah vários metros atrás de nós, uma mão levantada. — Isso não foi muito bom. — disse ele com aquela voz monótona de criança. — Eu gosto deles. O soldado empalideceu, e então ele estava no chão, de cara — não gritando ou segurando sua cabeça — e o sangue se acumulado debaixo dele. Outro Origem apareceu atrás de Micah, e depois outro e outro e outro. Os soldados bloqueando a escada atingiram o chão. Thump. Thump. Thump. O caminho estava desobstruído. — Vamos lá. — Archer disse. Voltando-se para Micah, meu olhar se fixou com o da criança. — Obrigada. Micah assentiu. Com um último olhar, virei-me e corri ao redor dos corpos. As solas finas dos meus sapatos escorregaram no úmido chão — chão escorregadio com sangue. Ele já estava se infiltrando através do fundo dos meus sapatos. Eu não podia pensar nisso agora. Archer abriu a porta da escada, e quando a fechou atrás de nós, Daemon girou sobre mim, com as mãos, de repente segurando meus braços. Ele praticamente me puxou contra ele e até eu ficar na ponta dos meus dedos. — Eu quase perdi você. Mais uma vez. — Seus lábios roçaram sobre o ponto quente na minha testa, e então ele me beijou, um beijo profundo e forte que tinha gosto de medo residual, desespero e raiva. O beijo foi vertiginoso em sua intensidade, e quando ele se afastou eu me senti despida. — Não há tempo para desmaio. — disse ele com uma piscadela. Em seguida, estávamos nos lançando nas escadas, de mãos dadas. Archer pegou um soldado no patamar. Com um lance brutal, jogou-o sobre o corrimão. Uma série de rachaduras repugnantes fizeram com que meu estômago oscilasse violentamente. Soldados saíam para o patamar do segundo andar. Em suas mãos não tinham pistolas normais,


mas o que pareciam ser armas de choque. Usando a grade, Daemon soltou a minha mão e saltou para um nível acima. Um soldado passou voando por mim, pousando dois níveis abaixo do seu lado. Archer estava bem atrás de Daemon. Ele arrancou uma arma de choque e jogou-a para mim. Mudando a pistola para minha mão esquerda, corri o resto das escadas e a apertei no primeiro soldado que estava próximo. Como eu suspeitava, era algum tipo de Taser. Dois fios disparou, acertando o soldado no pescoço. O homem começou a contrair-se como se estivesse tendo uma convulsão e caiu. O clipe desengatou, permitindo-me acertar no que se lançava sobre Archer. Uma vez que o patamar estava livre, Daemon arrastou dois dos homens inconscientes para a porta, empilhando-os um em cima do outro. — Vamos lá. — Archer urgiu quando contornou as escadas, tirando a camisa de manga comprida de camuflagem. Ele estendeu a mão ao pescoço, colocando placas de identificação em sua camisa branca. Com todo o ônix e diamante no prédio, eu era bastante inútil sem a minha arma e o Taser. Os músculos das minhas pernas estavam começando a queimar, mas eu ignorei e avancei. Quando chegamos ao nível do solo, Archer olhou por cima do ombro para nós. Ele não falou em voz alta, e a mensagem foi dirigida a nós dois. Não tentaremos levar qualquer veículo do hangar. Uma vez lá fora, vamos ser mais rápidos do que qualquer coisa que eles têm. Vamos para o sul em direção a Las Vegas, pela estrada de Great Basin Highway. Se nos separarmos, nos encontraremos em Ash Springs. Isso é cerca de oitenta quilômetros daqui Oitenta quilômetros? Há um hotel chamado The Springs. Está acostumado a ter pessoas estranhas aparecendo. Enquanto eu me perguntava que tipo de pessoas estranhas, percebendo que era uma coisa estúpida até mesmo estar pensando nisso, Archer enfiou a mão no bolso de trás e tirou uma carteira. Ele enfiou dinheiro na mão de Daemon. Isso deve ser o suficiente. Daemon assentiu, e depois Archer olhou para mim. — Pronta? — Sim. — eu resmunguei, meus dedos apertando as armas. Com o medo tão espesso que eu podia sentir seu amargo sabor, respirei fundo e acenei com a cabeça novamente, principalmente para o meu próprio benefício. A porta se abriu, e pela primeira vez no que tinha que ser meses, eu respirava o ar fresco do lado de fora. O ar seco, mas limpo, não fabricado. A esperança borbulhou, dando-me a força para


poder avançar. Eu podia ver uma fatia de céu além dos veículos, a cor do crepúsculo, azul pálido e vermelho-alaranjado. Foi a coisa mais linda que eu já vi. Liberdade estava lá. Mas entre nós e a liberdade estava um pequeno exército de soldados. Não tantos quanto eu esperava, mas assumi que muitos ainda estavam no subsolo, lidando com as Origens. Daemon e Archer não perderam o maravilhoso tempo. Explosões de luz branca iluminaram o hangar, ricocheteando no Humvees{7} marrom, rasgando a lona. Faíscas voaram. Socos foram jogados em um combate perto. Eu fiz a minha parte — Eletrocutando qualquer um perto de mim. Quando corri ao redor dos corpos caídos, avistei uma carga de artilharia na parte traseira de um caminhão. — Daemon! Ele virou-se e viu o que eu estava apontando. Afastei-me, evitando por pouco a ser abordada. Eu me virei, apertando mais outra rodada. Pinos de metal se cravaram nas costas do soldado. Luz branca brilhante tingida de vermelho crepitou sobre os ombros de Daemon, envolvendo em torno de seu braço direito. Energia impulsionou, arqueando sobre o espaço entre ele e o caminhão. Vendo o que ele estava prestes a fazer, vários soldados correram, cobrindo-se por trás dos grandes Humvees. Eu fiz o mesmo, indo para uma linha de veículos quando Daemon atingiu a traseira do caminhão, e foi como o Quatro de Julho. A explosão se estendeu através do hangar, uma onda poderosa que abalou o meu interior e me lançou sobre o meu traseiro. Espessas fumaças cinzas se elevavam através do recinto. Em um instante, eu perdi de vista Daemon e Archer. Sobre os estalos das explosões, pensei ter ouvido o sargento Dasher. Fiquei atordoada e imóvel por um segundo, piscando ante o fedor acre de metal e pólvora queimada. Um segundo foi o suficiente. Fora da fumaça pesada, um soldado apareceu. Sentei-me, girando a arma de choque. — Oh, não, você não. — disse ele, pegando meu braço com as duas mãos, acima do meu cotovelo e abaixo, e torcendo-o. A dor subiu pelo meu braço e explodiu ao longo dos meus ombros. Agarrei-me, revirando meu corpo para quebrar o aperto brutal. O soldado era treinado, e mesmo com todo o trabalho que Daedalus teve me treinando, eu não era páreo. Ele pegou meu braço novamente, a dor mais aguda e mais intensa. Larguei a arma de choque, e o soldado acertou um golpe pungente na minha bochecha. Eu não sei o que aconteceu depois. A outra arma estava na minha mão esquerda. Meus ouvidos estavam zumbindo. Fumaça queimava meus olhos. Meu cérebro estava ligado em modo de sobrevivência. Eu disparei a arma. Líquido quente pulverizou sobre toda minha face. Com a arma estando na minha mão esquerda, o meu alvo foi um pouco desviado. O acertei no


lado esquerdo do peito. Eu não tinha certeza de qual parte dele eu visava, mas o acertei. Houve um som borbulhante que achei tão estranho, porque eu podia ouvi-lo sobre a gritaria, sobre os gritos, e ao longo dos projéteis que ainda saíam. Náuseas ondularam meu estômago. Uma mão pousou no meu ombro. Gritando, girei-me e estive a dois segundos de assassinar Daemon. Meu coração quase parou. — Droga. Você me assustou para caramba. — Você deveria ficar comigo, Kitten. Isso não era ficar comigo. Enviando-lhe um olhar, aproximei-me da parte traseira de um Humvee. A noite invadindo o céu nos chamava como uma sereia. Archer estava há alguns Humvees à frente. Nos avistou, olhei para a abertura, e assentiu. — Espere. — disse Daemon. Dasher surgiu de uma das portas, cercado por guardas. Seu cabelo normalmente arrumado estava uma bagunça. Seu uniforme estava enrugado. Ele estava examinando os destroços espalhados, emitindo ordens que eu não podia entender. Daemon olhou para cima, seu olhar seguindo os holofotes. Um meio sorriso apareceu, e ele pegou meu olhar, piscando. — Siga-me. Nós recuamos, arrastando-se ao longo do lado do Humvee. Espiando ao redor da lona queimada, vi que o caminho estava livre. Correndo ao longo da linha de veículos, Daemon parou em frente a um poste de metal que subia para o teto. Quando ele colocou as mãos no poste, a Source crepitou nas pontas dos seus dedos. Uma onda de luz se enrolou ao redor do poste e se espalhou por todo o teto. Lâmpadas explodiram, uma após a outra, entendendo-se ao longo do hangar, mergulhando o recinto na escuridão. — Legal. — eu disse Daemon riu e agarrou a minha mão. Começamos a correr novamente, encontrando-nos com Archer. As vozes em pânico aumentaram, criando uma distração para nós três irmos em direção à abertura inferior, na direção oposta da equipe de Dasher. Mas no momento em que saímos de trás da fileira de Humvees, o brilho fraco emitido do lado de fora foi suficiente. Dasher nos viu imediatamente. — Pare! — Ele gritou. — Isso não vai funcionar. Você não pode sair! — Ele passou junto aos guardas, literalmente empurrando-os para fora do caminho. Ele estava absolutamente aterrorizado, provavelmente sabendo que o menino de ouro de Nancy estava a poucos passos da liberdade. — Você não vai fugir!


Daemon virou. — Você não tem ideia do quanto eu queria fazer isso. Dasher abriu a boca, e Daemon jogou o braço para frente. O impulso invisível da Source levantou Dasher para fora de seus pés e o fez voar no ar como uma boneca de pano. Ele se chocou na parede do hangar e caiu para a frente. Daemon dirigiu-se para ele. — Não! — Gritou Archer. — Nós não temos tempo para isso. Ele estava certo. Por mais que eu quisesse ver Dasher subjugado, mais um segundo e nós seríamos atacados. Agarrando Daemon, o puxei para a abertura escura do hangar. — Daemon. — eu implorei. — Nós precisamos ir! — Esse homem foi tocado por Deus, eu juro. Daemon virou, um músculo saltando em sua mandíbula. O som de botas batendo na calçada ressoou como um trovão nos rodeando, quando Archer moveu-se para a frente. — Abaixem-se. Os braços de Daemon passaram pela minha cintura quando se abaixou, e ele curvou o corpo sobre o meu em um abraço quase esmagador. Através da fenda fina entre seus braços, vi Archer colocar as mãos na parte traseira de um Humvee. Eu não sei como ele fez isso, mas o veículo de seis mil quilos levantou no ar e foi lançado como um Frisbee. — Meu Deus. — eu disse. O Humvee colidiu contra os outros. Como um dominó grande e pesado, criou-se uma reação de rolamento em cadeia, destruindo quase toda a frota e fazendo soldados fugirem. Daemon se ergueu, levando-me com ele. Ele tirou o bracelete de prata de seu pulso e colocou-o sobre o meu. Quase imediatamente, um choque de energia passou por mim. As camadas de esgotamento se desprenderam, meus pulmões se expandiram, e meus músculos flexionaram. Foi como tomar várias doses de cafeína pura. A Source rugiu para a vida, uma primavera quente borbulhando em minhas veias. — Não atire! — Gritou Nancy, saindo correndo da lateral do hangar. — Não atirem para matar! Nós precisamos deles vivos! A mão de Daemon apertou a minha, e então nós estávamos correndo com Archer. Cada passo levava mais perto do lado de fora. Minha velocidade aumentou, assim como a deles. E então nós estávamos do lado de fora, sob o céu azul profundo. Eu olhei para cima por um segundo e vi estrelas piscando, brilhando como mil diamantes, e eu queria chorar, porque estávamos fora. Estávamos fora.


CAPÍTULO 19 Daemon

Nós escapamos. Mas ainda não estávamos livres. Nem todos os veículos estavam sem funcionar. Eles estavam atrás de nós, por terra e céu. Mas nós íamos bem rápido. Usando a opala, Kat quase conseguia alcançar o meu tipo de velocidade, mas com o barulho da hélice do helicóptero que rapidamente se aproximava a uns dezesseis quilômetros de


distância, Archer se separou de nós, indo na direção oeste. Criarei uma distração, ele disse. Lembre-se. Ash Springs. E então ele se foi em disparada, um borrão que desapareceu no horizonte. Não houve oportunidade de perguntar o que estava fazendo nem de impedi-lo. Poucos segundos depois, houve um pulso de luz, e mais um uma milha mais à frente. Eu não olhei para trás para ver se os refletores do helicóptero tinham desviado do nosso curso, mordendo a isca. Não pensei no que aconteceria com ele se fosse capturado. Não podia me dar o luxo de pensar nem de me preocupar com nada que não fosse levar Kat até um lugar seguro, mesmo que só por aquela noite. Corremos pelo deserto, nossos pés levantando o cheiro de sálvia. Não havia nada por quilômetros, e então nos deparamos com um rebanho de bovinos. E depois mais nada outra vez enquanto corríamos sempre por perto da pista. Quanto mais longe íamos, mais eu me preocupava. Mesmo com a opala, eu sabia que Kat não aguentaria o ritmo por muito tempo, não por quase cento e trinta quilômetros. Híbridos se cansavam rápido, mesmo com o realçador. Diferente de nós, onde de fato seria necessário mais energia para desacelerar, ela se esgotaria. Inferno, cento e trinta quilômetros me cansariam, mas Kat… Por ela eu correria um milhão. E eu sabia que ela faria o mesmo por mim, mas não poderia. Não tinha isso em seu DNA. Não havia tempo para parar e lhe perguntar como estava, mas os seus batimentos cardíacos estavam no céu, e cada inspiração que dava era expirada imediatamente. O filete de medo que estava em minhas veias crescia a cada passo e a cada batida acelerada do meu coração. Isso poderia matá-la, ou no mínimo lhe causar sérios danos. Olhei brevemente para o céu noturno. Nada além de estrelas, e nenhuma luz na distância. Ainda tínhamos mais ou menos quarenta e oito quilômetros para percorrer, e seria arriscado demais eu assumir minha verdadeira forma e acelerar o processo. Luzes pelo deserto à noite seria óbvio demais e daria o que falar aos fãs de ÓVNIS. Desacelerando inesperadamente, eu tive que passar a mão pela cintura de Kat para evitar que ela caísse. A sua respiração estava pesada quando me olhou, a pele ao redor da boca pálida e contraída. — Por que… por que estamos parando? — Você não consegue ir muito mais longe, Kitten. Ela sacudiu a cabeça, mas seu cabelo estava grudado nas bochechas. — Eu consigo... consigo fazer isso. — Eu sei que quer, mas é muito. Ficarei com a opala e carrego você. — Não. De jeito nenhum... — Kat. Por favor. — minha voz falhou na última palavra, e ela arregalou os olhos. — Por favor, me


deixe fazer isso. Suas mãos tremeram quando ela afastou o cabelo ensopado de suor do rosto. Aquele queixinho teimoso levantou um pouco, mas ela tirou o bracelete de opala. — Odeio… a ideia de ser carregada. Ela me passou o bracelete, e eu a coloquei, sentindo uma leve energia. Também tirei a arma dela, colocando-a no cós da calça. — Que tal subir nas minhas costas? Então de certo modo não será carregada... vai me montar. — Fiz uma pausa e pisquei. Kat ficou me encarando. — O que foi? — Eu ri, e seus olhos imediatamente estreitaram. — Devia ver a sua cara agora. Como uma gatinha — é isso que eu vivo lhe dizendo. Toda bravinha. Ela revirou os olhos ao ficar atrás de mim. — Você deveria economizar energia e parar de falar. — Ai. — Vai superar essa. — Ela colocou as mãos em meus ombros. — Além disso, bem que precisa que alguém baixe a sua onda de vez em quando. Eu me agachei, enganchando os braços nas costas dos seus joelhos. Com um pulinho ela passou os braços em volta do meu pescoço e passou as pernas pelas minhas laterais. — Baby, minha onda é tão alta que é tipo um tsunami, não tem como diminuir. — Uau — ela disse. — Essa é nova. — Você amou. — Segurando-a com mais força, deixei a Source fazer contato com a opala e se misturar à ela. — Segure-se, Kitten. Vou começar a brilhar só um pouquinho, e nós vamos bem rápido. — Gosto quando você brilha. É como ter uma lanterna particular. Eu sorri. — Fico feliz em poder ajudar. Ela deu uma batidinha no meu peito. — Vamos nessa. Me sentindo muito melhor, saltei do chão e peguei a velocidade que não poderia ter correndo ao lado de Kat. Seu peso não era nada, o que por si só era preocupante. Precisava arrumar uns bifes e hambúrgueres para aquela garota urgente. Quando vi que nos aproximávamos das luzes da cidade, me aproximei da rodovia, procurando uma placa, e lá estava. Ash Springs— Dezesseis quilômetros. — Quase lá, Kitten.


Desacelerei o suficiente para que ela conseguisse descer. — Posso correr o resto. Querendo discutir, mas sabendo que se o fizesse só atrasaria a nossa chegada, fiquei de bico calado. Também sabia que era mais que isso. Kat queria provar, não só para mim, mas para ela mesma, que era útil e não um estorvo. Essa necessidade de mostrar que ela podia ficar no mesmo nível que eu e os outros Luxen foi o que a fez confiar em Blake. Retirei a opala e a devolvi para ela. — Vamos, então. Ela assentiu. — Obrigada. Peguei a mão menor na minha, e nós corremos o resto do caminho até Ash Springs. A viagem toda nos levou cerca de vinte minutos, mas esses minutos pareceram uma vida inteira. Dependendo de como os Daedalus estavam nos caçando, tínhamos uma vantagem boa de umas duas horas, mais se tivessem seguido Archer. Assim que chegamos nos arredores de Ash Springs passamos a caminhar, evitando as calçadas e ficando longe dos postes. A cidade era pequena— Pequena tipo Petersburg. Placas por todo lugar apontavam o caminho para uma de muitas fontes termais naturais. — Aposto que estou fedendo. — Kat ficou olhando com desejo para uma dessas placas. — Adoraria tomar um banho, tipo, agora. Nós dois estávamos cobertos por uma fina camada de poeira do deserto. — Seu cheiro está mesmo meio vencido. Ela me olhou de cara feia. — Obrigada. Rindo baixinho, apertei a sua mão. — Está com o cheiro de uma flor prestes a desabrochar. — Ah, tá bom. Agora está sendo idiota. Eu a levei para detrás de um arbusto no formato de um… inferno, não fazia ideia do que era aquilo. O cruzamento de um elefante com uma girafa? — O que faria por um banho? — me virei, levantando-a por cima de um galho. — Coisas bem safadinhas? — Tenho o pressentimento que você vai perverter essa conversa. — O quê? Jamais faria uma coisa dessas. Sua mente é tão suja, Kitten. Fiquei horrorizado com essa sua insinuação. Ela sacudiu a cabeça. — Desculpe por manchar a sua inocência e virtude.


Rachei um sorriso quando paramos num cruzamento. Mais à frente tinha vários letreiros luminosos de hotéis. As ruas estavam vazias, e eu me perguntei que horas eram. Nenhum motorista sequer tinha passado. — Eu esfaquearia alguém por um banho — Kat disse quando atravessamos a rua. — Incluindo você. Eu dei uma risada surpresa. — Não ia conseguir. — Não duvide da minha vontade de tirar esse fedor de mim... Ei. — Ela parou, apontando para uma via paralela. — É ali? Havia uma placa mais longe. O S estava com a luz vermelha apagada, o que fazia com que se lesse The prings Motel. — Acho que sim. Vamos ver. Correndo pela rua e passando pelas vitrines de algumas lojas, chegamos ao estacionamento. Ele definitivamente ficava de fora da rota dos turistas e… — Nossa — disse Kat, soltando a mão da minha. — Acho que esse é um daqueles motéis que cobram por hora e o pessoal vem se drogar neles. Ela tinha razão. Era estilo fazenda, um só piso, e no formato de U com a recepção no meio e um terraço de madeira percorrendo as entradas dos quartos. A luz era fraca dentro e fora do local, e no estacionamento tinha poucos carros — do tipo de carros que tinham passado do prazo de se hospedarem no ferro-velho. — Bem, agora sabemos que tipo de local Archer gosta de frequentar. — eu disse, estreitando os olhos para a luz amarela que saía pelas placas de madeira em frente à recepção. — Ele não frequentou muitos lugares. — Ela se apoiou em um pé e depois no outro. — Ele nunca nem comeu no Olive Garden, então duvido que seja um conhecedor de hotéis. — Nunca no Olive Garden? Ela negou com a cabeça. — Cara, temos que levar o cara para comer uns gressinos e uma saladas. Que piada — murmurei. — Conversou muito com ele? — Ele era o único que foi… legal de verdade comigo. Bem, do jeito dele. Ele não é um cara de demonstrar muito. — Ela se calou, inclinando a cabeça para trás ao olhar o céu cheio de estrelas. — Não conversamos muito, mas ele sempre esteve comigo. Nunca achei que seria ele que nos ajudaria no começo. Acho que primeiras impressões não querem dizer mesmo droga nenhuma. — Acho que não. — uma cautela repentina apareceu em seu rosto quando ela baixou o queixo. Dava para ver o peso de tudo caindo em seus ombros. Quase a mesma expressão que vi no rosto de Beth na manhã que parti, antes dela surtar.


Não sabia o que dizer enquanto atravessávamos o estacionamento. Na verdade não havia palavras para expressar o quanto a vida de Kat saiu dos trilhos. Nada que eu pudesse dizer ajudaria, e tentar parecia diminuir o valor de tudo o que ela passou. Como dizer a alguém que perdeu um ente querido que o falecido estava em um lugar melhor. Ninguém queria ouvir isso. Isso não mudava nada, não fazia com que a dor da perda passasse nem faria com que se compreendesse o motivo. Às vezes palavras eram mesquinhas. Elas podiam ser poderosas, mas nessas ocasiões raras, como agora, palavras não significavam nada. Paramos debaixo de um poste de iluminação fraca na lateral do hotel que ficava de frente para vários bancos e mesas de piquenique. Fuligem cobria o rosto de Kat. Sangue seco formava pontinhos em suas bochechas. Meu estômago se agitou. — Está sangrando? Ela sacudiu a cabeça, voltando a olhar para o céu. — Não é meu. Era de um soldado. Eu… atirei nele. O pequeno alívio que eu senti foi sobrepujado pelo o que ela teve que fazer e pelo o que ainda teria que fazer caso fosse necessário. Passei a arma para ela. — Ok. Tudo bem. — Toquei suas bochechas. — Fique aqui. Vou assumir outra forma e pegar as chaves. Se alguma coisa parecer estranha, você atira primeiro e pergunta depois. Ok? Não use a Source a não ser que precise. Eles conseguem rastrear coisas assim. Ela assentiu. Eu notei que as suas mãos estavam inquietas. Adrenalina ainda a movia, mantendo-a em pé. Ela precisaria de uma overdose de açúcar logo. — Não vou sair daqui — ela disse. — Ótimo. — Eu a beijei, querendo me demorar para não deixá-la ali fora, sozinha. Mas não havia como levá-la à recepção daquele jeito. Mesmo que fosse um lugar que só desse gente estranha ela com certeza chamaria atenção. — Volto logo. — Eu sei. Ainda não me movi. Meus olhos procuraram os seus olhos cansados, e meus batimentos aceleraram. Beijando-a mais uma vez, eu me forcei a me afastar e me virei, indo até a frente. Separei a imagem de um dos guardas e tomei sua forma. A memória me forneceu a calça jeans e a camiseta. Tudo era uma fachada, como um espelho exibindo um reflexo. Só que a imagem que eu refletia era falsa, e se você a fitasse com muita atenção ou por muito tempo, começava a ver falhas no disfarce. Um sino tocou um ding alegre quando entrei no saguão. O ar tinha cheiro de charutos de cravo. Havia uma lojinha de presentes à direita, várias cadeiras antigas posicionadas na frente de máquinas automáticas, e à esquerda ficava a recepção. Um homem mais velho estava detrás do balcão. Seus olhos pareciam de besouro detrás de lentes


grossas. Ele usava suspensórios. Incrível vestimenta. — E aí — disse o homem. — Quer um quarto? Me aproximei do balcão. — Sim. Tem algum disponível? — Claro que sim. Quer por algumas horas ou por noite? Eu quase ri por causa do que Kat disse lá fora. — Por noite. Talvez duas. — Bem, vamos começar só com uma noite e depois conversamos. — Ele se voltou para a caixa registradora. — Fica por setenta e nove. Só aceitamos dinheiro aqui. Nada que precise assinar e nem documento que precise mostrar. Não era uma grande surpresa. Enfiei a mão no bolso e abri o maço de notas. Puta merda, o que Archer estava pensando andando por aí levando centenas de dólares do tempo todo? Mas também, não era como se fosse fácil alguém roubar dele. Eu passei mais de cem. — Posso dar uma olhada na loja? — Fique à vontade. Não tenho muito o que fazer. — Ele acenou para a TV no canto. — A recepção é sempre ruim por aqui no meio da noite. O mesmo com a TV do seu quarto — quarto catorze, a propósito. Assentindo, peguei o troco e a chave do quarto e fui até a área da loja. Havia uma pilha de camisas unisex com as palavras Route 375: Extraterrestrial Highway{8} impressas em um verde vivo na frente. Peguei uma grande para mim e uma menor para Kat. Tinha uma calça de corrida que ficaria um pouco grande nela, mas que serviria. Peguei outra para mim e me virei, buscando comida. Meus olhos pararam em um boneco de pelúcia verde com uma cabeça oval e olhos pretos enormes. Eu o peguei, franzindo o cenho. Por que diabos os humanos achavam que os alienígenas se pareciam com um Gumby{9} chapado? O gerente do motel deu uma risada. — Se você gosta desse negócio de alienígenas então está no lugar certo. Eu sorri. — Sabe que estamos a uns cento e vinte e oito quilômetros da Área 51? Recebemos muita gente que fica observando ÓVNIS. — Seus óculos tinham deslizado pelo nariz. — Claro, eles não entram na Área 51, mas as pessoas gostam de chegar o mais perto possível. Coloquei o boneco no lugar e me voltei para a prateleira de comida. — Acredita em alienígenas? — Vivi a vida inteira aqui, filho, e já vi umas coisas loucas e inexplicáveis no céu. Ou são alienígenas ou é o governo, e eu não sou muito fã de nenhuma das duas opções.


— Eu também não — respondi, pegando o máximo de coisas doces que consegui encontrar. Acrescentei uma sacola ecológica escrito “They R Among Us{10}”, um desses telefones descartáveis baratos, e outras coisinhas que me chamaram atenção. Antes de voltar ao balcão, dei meia volta e peguei o boneco alienígena idiota. Enquanto ele somava eu ficava de olho no estacionamento. Nada estava fora do lugar, mas estava me coçando para voltar para Kat. — Tem um freezer com gelo lá fora, se precisar. — Ele me passou as compras dentro da sacola. — E se precisar de outra noite, é só passar por aqui. — Obrigado. — Eu me virei, espiando um relógio em cima do balcão. Era um pouco depois das onze. Com certeza parecia muito mais tarde. E era estranho demais a cidade estar tão morta tão cedo assim. Do lado de fora, tirei a chave do bolso e esperei até dobrar o canto para voltar a ser o Daemon ao qual ela estava acostumada. Kat estava esperando onde a deixei, escorada na parede, o que a deixava na sombra. Garota esperta. Ela se virou, passando as mãos no cabelo. — Como foi? — Ótimo. — Enfiei a mão na sacola. — Comprei uma coisa pra você. Ela inclinou a cabeça de lado quando eu parei à sua frente. — Uma banheira portátil? — Melhor. — Tirei o boneco alienígena. — Me lembrou você. Uma risada curta e rouca saiu dela ao pegar o boneco, e meu peito bateu de um jeito engraçado. Não conseguia lembrar a última vez que ouvi sua risada ou qualquer coisa que remotamente se parecesse com uma. — É a sua cara — ela disse. — Vou chamá-lo de DB. — Escolha perfeita. — Passei o braço pelos seus ombros. — Vamos, estamos do lado certo do nosso quarto. Seu banho espera. Ela abraçou DB no peito, suspirando. — Mal posso esperar. O quarto não era tão ruim quanto eu pensei que seria. Recentemente limpo, e os cheiros de Lysol{11} e lençóis limpos eram decididamente bem-vindos. A cama era de casal, bem forrada. Um armário do lado oposto da cama abrigava uma TV que parecia ter problemas com o sinal a qualquer hora do dia. Uma pequena mesa anexa ao armário. Coloquei as compras na mesa e chequei o banheiro. Havia toalhas, sabonetes, e os essenciais, o que era bom porque eu, o idiota que sou, esqueci disso. Voltei ao quarto encontrando Kat de pé lá, ainda


abraçando DB. Era ridículo, esquisito e milhares de outras coisas o quanto que eu achava que ela estava lindinha, coberta de poeira, suor e sangue. — Tudo bem se eu tomar banho primeiro? — ela perguntou. — Porque eu estava brincando. Não vou lhe esfaquear. Eu ri sem disfarçar. — Sim, vá logo para o chuveiro antes que eu jogue o seu bumbum sujo lá. Ela enrugou o nariz para mim e colocou DB na cama e o boneco parecia estar prestes a assistir à má qualidade da TV. Ela depois colocou a arma no criado-mudo. — Serei rápida. — Demore o quanto quiser. Ela hesitou um momento, parecendo querer dizer algo, e então mudou de ideia. Com um último olhar demorado para mim, ela se virou e desapareceu no banheiro. O chiado do chuveiro foi tão imediato que me fez sorrir. Indo até a sacola, tirei o telefone descartável e abri o pacote. Já vinha com créditos de cem minutos. Queria ligar para a minha irmã e irmão, mas fazer isso assim tão cedo seria um risco muito grande. Coloquei o aparelho de lado e fui até a janela. Ela ficava de frente para a estrada e para o estacionamento, o que era perfeito. Espiando por trás das grossas cortinas vermelho borgonha, me perguntei o quanto demoraria para Archer nos encontrar e se ao menos ele chegaria a nos encontrar. Isso podia fazer de mim um bastardo de sangue-frio, mas o destino de Archer não me importava. Não era que não estivesse agradecido pelo o que fez por nós e por ter arriscado o que arriscou, mas não havia espaço dentro de mim para que me preocupasse com os outros. Nós escapamos. E nunca voltaríamos para lá. Eu arrancaria um braço, queimaria uma cidade inteira, e arremassaria o mundo num caos se precisasse só para evitar que Kat voltasse àquele lugar.

CAPÍTULO 20 Katy

A corrente, quase escaldante e contínua de água, tinha levado a sujeira e tudo mais que estava grudado à minha pele. Virei-me algumas vezes e finalmente parei, pressionando as mãos estremecidas no rosto. Já havia usado o potinho de xampu— Duas vezes— E precisava sair dali, mas


estar ali, na banheira com manchas de ferrugem perto do ralo e com aquela pressão inconstante do jato de água era tão diferente dos banheiros do complexo que eu não queria sair. Era como estar dentro de uma bolha, a salvo da realidade. Água corria pelo meu corpo, passando em cascata pelas cicatrizes das minhas costas para se juntar aos meus pés. Baixando as mãos, olhei para baixo. A água não descia rapidamente pelo ralo, fazendo com que se acumulasse na banheira. A água tinha uma coloração rosada. Engoli em seco e fechei o chuveiro. Saindo da banheira para o banheiro cheio de vapor, peguei uma toalha e a coloquei em volta do corpo, prendendo-a em cima. Fiz o melhor que pude para tirar o excesso de água do cabelo, enxugando-o metodicamente. Enrola. Aperta. Enrola. Aperta. Quando acabei, percebi que não tinha motivo para me esconder no banheiro. E era isso que estava fazendo. Me escondendo. Não sabia por que, a não ser que parecia que minhas entranhas estavam feridas e ardendo, excessivamente expostas. Nós escapamos— Estávamos livres por enquanto. Isso por si só era motivo de celebração, mas não sabíamos o que aconteceria. Havia o destino incerto de Archer, para onde iríamos em seguida, e uma vida inteira deixada para trás em Petersburg— Minha mãe, minha escola, meus livros… Eu precisava sair do banheiro antes que Daemon pensasse que tinha desmaiado ou coisa assim.


Segurando a toalha, fui para o quarto. Daemon estava na janela, as costas retas como as de um sentinela. Ele se virou sem mover as pernas, o olhar indo do topo da minha cabeça aos meus pés. A luz do criado-mudo estava acesa, e era fraca, mas quando ele me olhava daquele jeito, parecia que um holofote se voltava na minha direção. Os meus dedos dos pés apertaram o carpete. — Melhor? — ele perguntou, sem sair da janela. Eu assenti. — Muito melhor. Talvez ainda tenha sobrado água. Um lado dos seus lábios se curvou. — Sabe que dia é hoje? — Eu neguei com a cabeça, e ele apontou para a mesinha. — Tem um daqueles calendários de dias aí, do tipo que você tira uma página por dia. Se estiver certo, hoje é dezoito de Agosto. — Meu Deus — sussurrei, profundamente desnorteada. — Eu sumi… nós sumimos praticamente por quatro meses. Ele não disse nada. — Sabia que fazia tempo, mas o tempo era tão estranho lá. Não imaginava que fosse tanto. Quatro meses… — Parece uma eternidade, hã? — É, parece. — Eu me aproximei da cama. — Quatro meses. Minha mãe provavelmente pensa que eu morri. Ele se voltou para a janela, os ombros tensos. Vários minutos se passaram até que falasse. — Consegui umas roupas limpas. Estão na sacola. Acho que vai gostar da camiseta. — Obrigada. — Não foi nada demais, Kitten. Mordi o lábio. — Daemon…? — Ele olhou para mim, os olhos anormalmente brilhantes. Dois olhos verdes e lindos. — Obrigada por tudo. Eu não teria saído de lá se... Ele de repente estava na minha frente, tocando em minhas bochechas. Sorvi o ar assustada quando ele encostou a testa na minha. — Você não precisa me agradecer por nada disso. Nunca teria estado nessa situação se não fosse por mim. E você não precisa me agradecer por algo que eu queria e precisava fazer. — Não foi culpa sua — eu falei com convicção. — Sabe disso, certo? Ele depositou um beijo em minha testa. — Vou me limpar. Também tem comida na sacola se estiver com fome. Se não, devia tentar descansar um pouco.


— Daemon... — Eu sei, Kitten. Eu sei. — Ele afastou as mãos e me deu aquele sorriso convencido seu. — Se alguém aparecer enquanto eu estiver no banheiro, até mesmo Archer, não deixe entrar, ok? — Duvido que uma porta o impeça. — É para isso que serve a arma. Não acho que ele vá ferrar a gente, mas melhor prevenir do que remediar. O argumento dele era válido, mas quando o vi pegar uma calça de moletom e depois desaparecer no banheiro repleto de vapores, detestei a ideia de usar aquela arma outra vez. Usaria se precisasse. Só esperava nunca ter que precisar novamente, o que era idiota porque muito provavelmente a violência do meu dia-a-dia recente estava longe de terminar. Pegando a sacola, eu a trouxe para cima da cama. Sentei e comecei a vasculhá-la assim que a água começou a cair no banheiro. Levantei os olhos, olhando para a porta fechada. Um rubor quente subiu pelas minhas bochechas. Daemon estava tomando banho. Completamente nu. Eu estava de toalha. Estávamos sozinhos, pela primeira vez em quatro meses, em um quarto de motel em penumbra. Meu estômago afundou. O rubor esquentou mais, e eu grunhi em irritação. O que estava fazendo pensando nesse tipo de coisa num momento daquele? Nos últimos dois meses tinha escutado Daemon tomar banho um milhão de vezes. Aquela não era uma escapada romântica no Ritz, a não ser que fugir para salvar a própria vida contasse como preliminar. Sacudindo a cabeça, voltei a me concentrar na sacola. Dentro encontrei uma seleção enorme de doces, o que me fez piscar para conter as lágrimas porque eu sabia que ele os tinha comprado para mim. Deus, ele era atencioso quando eu nem sabia se estava tentando ser, quando realmente importava. Tirei as garrafas de refrigerante e me levantei, colocando-as com os salgadinhos e os doces em cima da mesa. A sacola ecológica me fez sorrir. A camiseta aumentou o meu sorriso de um jeito que parecia estranho, como se minha pele fosse rachar. Olhei para o boneco. — DB… Voltando à cama, encontrei sandálias de dedo na sacola. Perfeito. Nunca mais queria ver aqueles malditos sapatos. Cheguei ao fundo da sacola e meus dedos tocaram uma caixa quadrada. Retirei o último item. Rubor cobriu o meu rosto, e meus olhos se arregalaram. — Oh… oh, uau. A água parou e um segundo depois Daemon saiu com a calça baixa nos quadris e a pele úmida,


brilhando. Meus olhos se fixaram no seu abdômen e nas gotas de água que escorriam pelos gominhos, desaparecendo debaixo do cós. Eu ainda estava só com a toalha. E segurava uma caixa de camisinhas na mão. Meu rosto estava vermelho como uma joaninha. Uma sobrancelha escura se arqueou. Meu olhar caiu na caixa e depois voltou para ele. — Confiante você, não? — Prefiro me chamar de preparado para qualquer situação. — Ele foi até a cama com um gingado de um jeito que só Daemon conseguia fazer sem ficar parecendo um completo imbecil. — Embora esteja decepcionado deles não venderem umas com rostos de alienígenas como o resto das coisas por aqui. Me engasguei ao respirar. — Que tipo de motel vende camisinha? — O meu tipo favorito de motel? — Ele retirou a caixa dos meus dedos moles. — Você passou o tempo todo olhando para elas ao invés de comer, não foi? Uma risada explodiu de mim—uma risada normal e genuína. Os olhos de Daemon se arregalaram, e a coloração ficou mais vívida. A caixa caiu de sua mão, aterrissando com uma pancada leve no carpete. — Faça isso de novo — ele disse, a voz brusca. O som arrepiou as minhas costas. — O quê? — Rir. — Ele se abaixou em cima de mim, as pontas dos dedos tocando minhas bochechas. — Quero ouvir a sua risada outra vez. Eu queria rir novamente para ele, mas todo o humor foi embora sob a intensidade do seu olhar. Uma emoção cresceu dentro de mim como um balão preso por um cordão bem fino. Abri a boca, mas não sabia o que dizer. Músculos ficaram tensos pelo meu corpo. Minha barriga parecia um ninho de borboletas prestes a voar. Levantei a mão, colocando-a em sua bochecha. O pelo nascendo fez cócegas em minha palma e fez meu coração saltar. Deslizei a mão pela curva de sua mandíbula e depois pelos músculos do seu pescoço até seu ombro. Ele estremeceu sob o meu toque e seu peito se ergueu alto. — Kat. — Exalou meu nome; trouxe-o para dentro de si, pronunciou-o como se fosse um tipo de oração. Não pude desviar os olhos, e por um momento fiquei congelada, depois me estiquei, depositando a boca na sua. O leve toque transmitiu um choque pelo meu organismo. Movi os lábios, me familiarizando com a sensação dele. Estranho, mas era como se estivéssemos nos beijando pela


primeira vez. Minha pulsação era forte e meus pensamentos estavam em torvelinho. Ele enfiou a mão no meu cabelo, os dedos se fechando na parte de trás do meu crânio. O beijo se aprofundou até seu gosto estar em todo lugar, e até não existir mais nada além de nós— Somente nós. O resto do mundo desapareceu. Nenhum dos nossos problemas sumiu, mas eles ficaram em espera enquanto minha boca se abria para ele. Nos beijamos como se tivéssemos fome um do outro, e tínhamos. Aqueles beijos me intoxicaram, e seus dedos passaram pela minha mandíbula e garganta, traçando um caminho com delicadeza. Mas minhas mãos eram famintas e correram pelo seu peitoral, seguindo as linhas da sua barriga firme. O modo que o meu toque o afetava me deixava maravilhada. Ele emitiu um som rasgado e me derreti. Ele me fez deitar, posicionando o corpo em cima do meu e apoiando o peso em um braço, mas só as nossas bocas se tocavam na mais doce das torturas. Já tivemos esse tipo de intimidade, duas vezes, mas no momento parecia a primeira vez. Um nervosismo empolgante vibrava por mim enquanto meu corpo acendia. Daemon levantou a cabeça. Entre as fendas estreitas dos seus olhos, suas pupilas eram como diamantes polidos seguindo o movimento de sua mão. Senti-me apertar por dentro quando seus dedos se moveram perigosamente perto da toalha. Cada passada lenta seguindo o tecido fazia minha pulsação aumentar. Tracei com o olhar as suas largas maçãs do rosto e então me capturei pela perfeição dos lábios. Suas mãos pararam em volta do nó que eu dei na toalha, os olhos voltando aos meus. — Não precisamos fazer isso — ele disse. — Eu sei. — Não comprei mesmo as camisinhas pensando que faríamos esta noite. Eu dei um sorriso. — Então… não estava tão confiante assim? — Sempre sou muito confiante. — Ele se abaixou me beijando com suavidade. — Mas não sei se no momento isso é demais. Não quero... Eu o silenciei passando as mãos pelo cós de sua calça, enganchando os dedos para baixá-la. — Você é perfeito. Eu quero... com você. Não é demais. Ele exalou o ar, estremecendo. — Deus, estava torcendo para que dissesse isso. Isso faz de mim uma pessoa ruim? Uma risada saiu. — Não. Isso faz de você um homem. — Oh? Verdade? — Ele capturou minha boca outra vez, depois se afastou mordiscando meu lábio de leve. — Só um homem?


— Sim. — Ofeguei. Minhas costas arquearam quando ele passou a mão pela frente do meu corpo e voltou ao nó. — Ok. Você é mais do que só um homem. Ele riu com vontade. — Foi o que pensei. Sua respiração era morna nos meus lábios inchados, quente a ponto de queimar quando passou pelo meu pescoço. Ele beijou o pulso da minha garganta. Fechei os olhos, feliz de ser levada pelo tumulto de sensações. Precisava daquilo... nós precisávamos daquilo. Um momento de normalidade, de só nós dois, juntos como era para ser. Ele me beijou quando seus dedos desataram o nó, me distraindo ao abrir a toalha. Minha pele ficou arrepiada quando o ar frio correu pelo meu corpo. Ele murmurou alguma coisa naquele idioma lírico dele, um idioma que eu queria entender, porque suas palavras pareciam bonitas. Quando se ergueu, seu olhar mandou o arrepio de frio embora, me queimando de dentro para fora. As extremidades do seu corpo se transformaram em uma luz leve e esbranquiçada. — Você é linda. Eu pensei nas minhas costas. — Todas as partes — ele disse, como se lesse minha mente. Talvez tivesse lido, porque quando o puxei mais perto pela calça, ele cedeu, encaixando o corpo no meu. Peito nu em peito nu. Emaranhei os dedos no seu cabelo quando enganchei uma perna em seu quadril. Ele ofegou. — Você me deixa louco. — O sentimento é mútuo. — disse rouca, levantando o quadril em direção ao seu. Os músculos dos seus braços se contraíram quando ele emitiu um som profundo. Ele apertava a mandíbula com força, as linhas da sua boca tensas quando deslizou uma mão entre os nossos corpos. Aqueles dedos experientes foram de tenros a de tirar o fôlego em um segundo, e eu senti a tensão dentro... Uma luz amarela forte de repente invadiu o quarto, acabando com o momento. Daemon saiu de cima de mim com tanta rapidez que agitou a minha franja ao ir em disparada até a janela e afastar uma pequena parte da cortina. Me sentei às pressas, apalpando o colchão até encontrar a toalha, me cobrindo ao sair da cama, pegando a pistola. Terror subia pela minha garganta. Eles já tinham nos encontrado? Me virei para onde ele estava enquanto ainda prendia a toalha em volta do corpo. Minha mão tremeu tanto que a pistola sacudia. Daemon exalou. — São só faróis— Algum idiota com o farol alto estacionando o carro. — Deixando a cortina


voltar ao seu lugar, ele se virou. — Só isso. Minha mão apertou a arma. — Faróis? Seu olhar desceu para o que eu tinha na mão. — Sim, só isso, Annie Oakley. A arma parecia colada na minha mão. Meu coração ainda bombeava rápido com o terror residual, e esse horror foi bem lento ao sair das minhas veias. Então eu percebi, com uma clareza assustadora, que nossas vidas agora foram reduzidas a isso. Disparar em modo de defesa e pânico toda vez que faróis entravam pela janela ou que alguém batesse à porta ou que um estranho se aproximasse. Era isso. Minha primeira reação a faróis seria agarrar uma arma, me preparar para atirar— Atirar para matar se necessário. — Kat…? Sacudi a cabeça. Um fogo rastejou pelo meu estômago, subindo pela minha garganta. Lágrimas queimavam meus olhos. Tantos pensamentos corriam pela minha mente. Uma pressão comprimiu meu peito, apertando meus pulmões com dedos de gelo. Um calafrio percorreu minha espinha. Quatro meses de lágrimas que não deixei que caíssem se amontoavam dentro de mim. Daemon se colocou à minha frente em um instante, gentil e cuidadosamente soltando os meus dedos da arma. Ele a colocou em cima do criado-mudo. — Ei — disse, tocando em minhas bochechas com as mãos. — Ei, tudo bem. Está tudo bem. Não tem ninguém aqui fora nós. Estamos bem. Eu sabia disso, mas era mais do que faróis acesos no meio da noite. Era tudo—um acúmulo de quatro meses sem controle sobre qualquer aspecto da minha vida ou do meu corpo. Tudo caiu em cima de mim— O medo travoso que nunca passava, o pavor com o qual acordava todos os dias, os exames e os testes de resistência. A dor do bisturi e o horror em ver os humanos mutantes morrerem. Tudo isso me dilacerava. A fuga angustiante onde atirei em pessoas— Pessoas de verdade que tinham famílias e vidas próprias— E eu sabia que tinha matado ao menos uma delas. Seu sangue salpicou em meu rosto. E tinha Blake… — Fale comigo — Daemon pediu. Seus olhos esmeraldas estavam cheios de preocupação. — Vamos, Kitten, me fale o que está acontecendo. Virando a cabeça, fechei os olhos. Queria ser forte. Disse a mim mesma várias vezes que precisava ser forte, mas não conseguia superar aquilo tudo. — Ei — ele disse baixinho. — Olhe para mim.


Mantive os olhos fechados, sabendo que se olhasse para ele, o balão que estava tão cheio de ar e preso tão fragilmente, estouraria. Estava destruída por dentro, e não queria que visse isso. Mas logo ele virou meu rosto e deu um beijo nas minhas pálpebras, dizendo, — Tudo bem. O que quer que esteja sentindo agora é normal. Estou aqui, Kat. Por você, só para você. Está tudo bem. O balão estourou e eu me perdi.

***** Daemon Meu coração rachou quando a primeira lágrima escorreu pela sua bochecha e partiu quando um soluço rouco saiu dos seus lábios. Eu a puxei contra o corpo, passando os braços à sua volta enquanto ela se sacudia com a força do seu pesar e de sua dor. Não sabia o que fazer. Ela não falava. Não havia como com tantas lágrimas. — Tudo bem — continuava dizendo. — Coloque para fora. Deixe sair. — E eu me senti idiota ao dizer isso. As palavras eram tão inadequadas. Suas lágrimas correram pelo meu peito; cada uma cortando como navalha. Sem saber o que fazer, eu a peguei nos braços e a trouxe para a cama. Abracei-a, puxando o cobertor que parecia áspero demais para a sua pele e a cobrindo. Ela se colou a mim, os dedos puxando as mechas da minha nuca. As lágrimas… continuavam vindo, e meu coração se despedaçou com o som aflito de cada respiração sua. Nunca na minha vida me senti mais inútil. Queria consertar aquilo, fazer com que se sentisse melhor, mas não sabia como. Ela foi tão forte no decorrer de tudo aquilo, e se eu tivesse achado por um momento qualquer que ela não tinha sido profundamente afetada, então era um idiota. Eu sabia. Só esperava— Não, rezava— Para que as cicatrizes e feridas fossem apenas físicas. Porque esses eu podia consertar— Podia curar. Não podia curar o que sangrava e se decompunha por dentro, mas tentaria. Faria tudo que fosse preciso para tirar aquela dor dela. Não sabia quanto tempo passou até que se acalmasse, até as lágrimas parecerem secar e sua respiração entrecortada se estabilizasse, exaustando-a a ponto de dormir. Minutos? Horas? Não sabia. Coloquei-a debaixo dos lençois e me estiquei, mantendo o seu corpo morno encostado no meu. Ela não se mexeu uma só vez. Com a bochecha no meu peito, eu continuava passando a mão em seu cabelo, esperando que o movimento a alcançasse em seu sono e de alguma maneira aliviasse suas


aflições. Sabia que gostava quando eu mexia no seu cabelo. Parecia uma coisa tão insignificante, mas era tudo o que eu tinha naquele momento. Em certo ponto eu adormeci. Não queria, mas as últimas seis horas tinham me exigido muito. Devo ter dormido por umas duas horas porque quando abri os olhos, a luz do dia passava pelo espaço entre as cortinas, mas essas horas pareceram minutos. E Kat não estava ao meu lado. Pisquei rapidamente, me levantando nos cotovelos. Ela estava sentada na beira da cama, vestida com a camiseta e a calça que comprei ontem. Seu cabelo caía até a metade de suas costas; as ondas se mexeram quando se virou para me olhar, apoiando uma perna na cama. — Não acordei você, acordei? — Não. — Clareei a garganta, olhando em volta do quarto, levemente desorientado. — Há quanto tempo acordou? Ela encolheu os ombros. — Não muito. É um pouco mais de dez horas. — Uau. Tarde assim? — Esfreguei os olhos com o calcanhar da mão ao me sentar. Ela desviou os olhos, estudando as tiras da sua sandália de dedo. Suas bochechas vermelhas. — Desculpa por ontem. Não era minha intenção te fazer de lenço. — Ei. — Eu me aproximei, passando uma mão pela sua cintura, e puxando-a para perto. — Eu precisava de outro banho. Foi melhor que o primeiro. Ela riu com a voz rouca. — Foi o maior corta clima, não foi? — Nada corta o meu clima com você, Kitten. — Tirei o cabelo do seu rosto, prendendo-o detrás da orelha. — Como está agora? — Melhor — ela disse, levantando os olhos. Que estavam vermelhos e inchados. — Acho que… acho que precisava daquilo. — Quer conversar? Ela lambeu os lábios em nervosismo enquanto remexia as pontas do cabelo. Fiquei feliz em ver o bracelete de opala ainda em seu pulso. — Eu… Muita coisa aconteceu. Prendi o ar, sem ousar me mexer, porque sabia que lhe custava muito se expressar às vezes. Ela internalizava uma tonelada de coisas, guardava tudo para si. Finalmente, ela deu um sorriso vacilante. — Fiquei com tanto medo — sussurrou, e meu peito deu um espasmo. — Quando vi os faróis? Achei que eram eles, e surtei, sabe? Fiquei naquele lugar por quatro meses. Sei que não é nada comparado


a Dawson e Beth, mas… não sei como eles conseguiram. Exalei lentamente. Também não sabia como eles conseguiram, como Dawson e Beth não eram mais perturbados do que já eram. Fiquei de boca fechada e corri a mão pelas suas costas, subindo e descendo. Seu olhar se fixou na porta do banheiro, e ela ficou calada pelo que pareceu ser uma eternidade. Então, bem lentamente, as palavras saíram dela. Os sprays de ônix. Os exames completos. Os testes de resistência com os híbridos e como ela se recusou a participar, bem como a significância disso para ela até eles a confrontarem com Blake. Como ele a incitou a lutar com ele e a usar da Source. A culpa que ela carregava pela morte dele era evidente em sua voz. Ela me contou tudo, e durante todo o relato eu tive que me conter um milhão de vezes. Uma fúria que eu nunca conheci enchia minhas entranhas. — Sinto muito — ela disse, sacudindo a cabeça. — Estou falando pelos cotovelos. É só que… precisava colocar isso para fora. — Não se desculpe, Kat. — Eu queria esmurrar a parede. Ao invés disso, deslizei de modo a sentar ao seu lado, coxa na coxa. — Você sabe que o aconteceu com Blake não foi culpa sua, certo? Ela torceu uma mecha de cabelo com dois dedos. — Eu o matei, Daemon. — Mas estava se defendendo. — Não. — Ela soltou o cabelo e me olhou. Seus olhos vidrados. — Não estava me defendendo, não realmente. Ele me provocou e eu perdi o controle. — Kat, você precisa ver a situação por inteiro. Estavam lhe dando surras… — falar isso em voz alta me fazia querer voltar ao complexo e queimá-lo. — Você estava passando por muito estresse. E Blake… quaisquer que fossem as razões para fazer o que fez, ele cansou de colocar tanto você quanto várias outras pessoas em perigo. — Acha que ele merecia? Uma parte minha verdadeiramente sádica queria dizer que sim, porque sim, tinha dias que eu achava isso. — Não sei, mas o que eu sei é que você não queria matar nem a ele nem a ninguém, mas aconteceu. Você não é uma pessoa ruim. Não é um monstro. Ela franziu o cenho e abriu a boca. — E não, você não é como Blake. Então nem chegue aí. Nunca poderia ser como ele. Você é boa por dentro, Kitten. Traz à tona o que há de melhor nas pessoas, até mesmo em mim. — Eu a empurrei com o ombro, e ela deu um sorriso. — Só por isso você mereceria o Prêmio Nobel da Paz. Ela riu baixo, e então ficou de joelhos. Passando os braços em volta dos meus ombros, ela se


abaixou e depositou o mais doce dos beijos, do tipo que eu guardaria comigo para sempre, nos meus lábios. — Por que isso? — Passei os braços em volta de sua cintura. — Um obrigada — ela disse, descansando a testa na minha. — A maioria dos caras provavelmente daria o fora no meio da noite e sairia correndo com o ataque de histeria. — Eu não faço parte da maioria. — Puxei-a de modo que sentasse em meu colo. — Ainda não percebeu isso? Ela colocou as mãos em meus ombros. — Sou meio lenta às vezes. Eu ri, e ela respondeu com um sorriso. — Que bom que não é a sua inteligência que me faz gostar de você. O seu queixo caiu e ela bateu no meu braço. — Isso é tão de mau gosto. — O que foi? — remexi as sobrancelhas de modo sugestivo. — Só estou sendo sincero. — Cala a boca. — Ela roçou os lábios nos meus. Mordisquei seu lábio inferior e um rubor rosado surgiu em suas bochechas. — Umm, sabe como eu gosto quando fica toda mandona para o meu lado. — Você é doido. Abri as mãos na parte de trás de sua cintura, e a puxei para perto. — Tenho uma coisa bem piegas para dizer. Melhor se preparar. Ela traçou a linha da minha mandíbula. — Estou pronta. — Estou doido por você. Ela explodiu em risos. — Oh, meu Deus, isso é piegas. — Avisei. — peguei seu queixo e trouxe seus lábios aos meus. — Amo o som da sua risada. Isso é muito piegas? — Não. — Ela me beijou. — Nem um pouquinho. — Ótimo. — subi as mãos pela sua cintura, as pontas dos dedos parando bem abaixo dos seios. — Por que eu tenho... — Uma sensação rastejou pelas minhas veias, espalhando-se por todo meu corpo. Kat ficou imóvel, sorvendo o ar bruscamente. — O que foi? Agarrei seu quadril e a coloquei na cama, ao meu lado. Tirando a arma da mesa de cabeceira, passei para ela, que a recebeu com olhos bem abertos.


— Tem um Luxen aqui.

CAPÍTULO 21


Katy

Me levantei rápido, segurando a arma. — Tem certeza? — fiz uma careta. — Ok. Foi uma pergunta idiota. — Eu não... Uma batida agitou a porta do quarto, me surpreendendo a ponto de quase derrubar a pistola. Daemon me olhou com preocupação, e eu corei. Precisava me controlar com urgência. Respirando fundo, assenti. Ele caminhou silenciosamente até a porta, com a graça de um predador letal, e ali estava eu, cambaleando que nem uma criança. Me aproximando demais, disse a mim mesma que estava preparada para usar a arma. Usar a Source, que seria tão perigoso quanto, seria arriscado demais. Atirar com uma arma atrairia atenção, mas com sorte só a do tipo local. Daemon se inclinou, espiando pelo olho-mágico. — Mas que porra? — O que foi? — Meu coração pulou uma batida. Ele olhou para mim por cima do ombro. — É Paris... o Luxen que andava com Luc. Demorei um segundo para me lembrar quem era— O Luxen loiro bem bonito que estava com Luc na boate. — Ele é amigo? — Veremos. — Daemon endireitou os ombros e abriu um pouco a porta. Eu não conseguia ver nada além das suas costas nuas, e se eu tivesse que ficar olhando fixamente para alguma coisa, ao menos minha visão era essa. — Estou surpreso de vê-lo tão longe. — ele disse. — Deveria ficar? — veio a resposta. — Me diga você. Por que está aqui? E por que não devo lhe mandar pelos ares? Minha palma estava suada em volta da arma. Daemon não explodiria Paris. Espera. Sim, ele explodiria, fosse arriscado ou não. — Porque isso chamaria muita atenção — respondeu Paris com sua voz macia. — E além disso, eu não estou só. Daemon deve ter visto mais alguém, porque relaxou os ombros um pouquinho, e saiu da frente. — Bem, entre. Paris passou pela porta, os passos largos e confiantes. Ele me viu segurando a arma. — Bonita camisa.


Eu baixei os olhos, esquecendo que vestia a camiseta da rodovia extraterrestre. — Obrigada. Então Archer entrou, com uma aparência revigorada e limpa. Nem de perto a de alguém que passou a noite correndo pelo deserto. Desconfiança nasceu que nem uma erva daninha. Ele olhou para Daemon. — Interrompemos? Daemon estreitou os olhos ao fechar a porta. — O que está rolando? Archer enfiou a mão no bolso e tirou uma caixinha de vidro. Ele a passou para Daemon. — Aqui está o LH-11. Pensei em lhe dar a honra. — Ele me olhou. — Vai atirar em mim, Kat? — Talvez — murmurei, mas baixei a arma e sentei na beirada da cama. — Por onde andou? Archer franziu o cenho enquanto Paris andava pelo quarto, fazendo cara de nojo. — Bem, minha noite foi bem ocupada, mesmo evitando que metade do exército viesse atrás de vocês. Depois, quando estava voltando para me encontrar com vocês, dei de cara com o seu amigo aqui. — Não chegaria a considerá-lo um amigo — disse Daemon quando se colocou de pé ao meu lado. Paris pôs uma mão no peito. — Você me magoa. Daemon revirou os olhos, e depois em uma voz mais baixa, disse. — Pode baixar a arma, Kitten. — Oh. — eu corei. Me estirando, depositei-a na mesa. Depois me dirigi a Archer. — Te devemos um obrigada por… por tudo. — Esperei que Daemon também agradecesse. Quando não agradeceu, chutei sua perna. — Obrigado — murmurou Daemon. A boca de Archer se curvou achando graça, e eu acho que foi a primeira vez que o vi sorrir de verdade. Fiquei abismada do quanto ele parecia jovem sorrindo. — Não tem ideia do quanto me alegra ouvir você dizer isso, Daemon. — Posso imaginar. — Sério — interrompi. — Agradecemos de verdade. Nunca chegaríamos aqui se não fosse por você. Ele assentiu. — Não fiz isso só por vocês. — Quer se explicar? — perguntou Daemon. Paris bufou ao sentar em cima da mesa. Graças a Deus que a coisa não cedeu e fez com que


amassasse a calça bem passada. — Vocês dois acham mesmo que Archer curtia ser o exemplo perfeito dos Daedalus de como um Origem deveria ser? — Acho que não. — Daemon sentou ao meu lado. — E acho que Luc também não achava. Paris levantou um ombro magro. — E eu acho que você também não curtiu ser o fazedor de mutantinhos deles? — Ah, é, e Nancy estava de quatro por você. — Archer cruzou os braços. — Você era o super-Luxen dela. Quantos humanos você modificou no curto período de tempo que ficou lá? Mais do que qualquer outro Luxen. Daemon enrijeceu. — Aquilo não tem nada a ver com isso. Por que está nos ajudando e por que está com Paris? — E onde está Luc? — eu me intrometi, supondo que ele não poderia estar muito longe. Paris sorriu. — Ele está por aí. — Não temos muito tempo para perguntas, mas posso dar a versão curta e grossa — disse Archer. — Eu devia um favor a Luc, e Paris tem razão. Você tinha razão, Kat. Viver em Daedalus é igual a não ter uma vida. Eles controlavam todos os aspectos. Não interessa como eu fui criado. — Ele abriu os braços com as palmas para cima. — O que importa, o que sempre importa, é estar vivo. — Por que agora? — perguntou Daemon, uma ponta de desconfiança em seu tom. — E essa é a pergunta do ano, hã? — Paris se meteu, sorrindo como se tivesse ingerido as pílulas da felicidade ou algo do tipo. — Por que Archer escolheria esse momento para arriscar tudo — sua vida, qualquer que fosse a vida que levasse? Archer olhou para o outro Luxen de cara feia. — Obrigado, Paris, pro acrescentar isso. Escapar de Daedalus não é fácil. Além de Luc e poucos outros, ninguém nunca conseguiu. Sim, eu poderia ter fugido centenas de vezes, mas eles sempre me encontrariam. Também precisava de uma distração. Então eu entendi. — Você nos usou de distração. Ele assentiu. — Nancy e Sarjento Dasher vão se preocupar mais em encontrar você e Daemon. Não vou ficar no topo da lista deles. Um pouco da tensão se esvaiu do corpo de Daemon. — Nancy disse que havia outros origens por aí se passando por humanos. — Alguns — Archer confirmou. — Duvido que serão um problema no momento. Eles levam vidas


importantes, então não chegarão nem perto de nós. Ainda tinha uma coisa que eu não entendia. — Por que Luc lhe pediu diretamente pelo LH-11? Ele podia ter te escondido. Paris riu baixo. — Acha que existe alguma lógica na loucura de Luc? — Esperava que existisse. — murmurou Daemon, passando uma mão pelo cabelo. — Na verdade tem uma lógica. Além do fato de eu poder brincar de espião para manter Luc… e alguns outros informados com o que os Daedalus estavam fazendo, eu sabia que eles mudaram a versão do LH-11, e era isso que Luc queria, a nova versão: Prometheus. Eu nunca tive contato com a nova droga. Ninguém tinha. Não até que trouxetam você — Archer disse a Daemon. — Foi tipo a tempestade perfeita para todos. Mas não sei por que Luc quer a droga. — E eu não perguntaria a ele. — disse Paris, prevendo algo de assustador. Estremeci com o seu tom, mas depois pensei no que Archer me disse. — E quanto aos Luxen, os que o Sarjento Dasher alegava quererem tomar o controle? Era verdade? Archer olhou para Daemon. — É verdade, e o seu garotinho aqui parece que conhece um deles. Daemon estreitou os olhos. — Saia da minha mente. Eu me virei para ele. — Do que ele está falando? — Foi só uma coisa que Ethan White disse. Lembra dele? — ele perguntou, e eu assenti. Me encontrei com o Ancião Luxen brevemente. — Quando deixei a colônia para vir atrás de você, ele disse algo sobre a Terra não pertencer aos humanos para sempre, mas não pensei muito nisso, porque, qual é… tenho certeza que existem Luxen por aí que queria dominar o planeta, mas isso nunca aconteceria. Archer não parecia convencido, e nem eu, mas aí o origem inclinou a cabeça para o lado. — Falando no diabo… Um segundo depois, a porta do quarto se abriu. Daemon pulou em pé, os olhos ficando completamente brancos enquanto eu pegava a arma, o coração indo à boca. Luc entrou segurando um saco plástico e uma caixa rosa. Seu cabelo estava preso em um rabo de cavalo baixo, um sorriso largo no rosto angelical. — Ei, pessoal! — disse com entusiasmo. — Comprei doughnuts. Pisquei devagar enquanto voltava a sentar.


— Santo Deus, eu quase tive um ataque. — Tenho certeza que tranquei essa porta. — rugiu Daemon. Luc colocou a caixa de doughnuts na cama, e eu a olhei como se detivesse todas as respostas. — E eu tenho certeza de que consegui entrar. Ei, Kat! Pulei ao ouvir o meu nome. — Ei, Luc… — Olha o que eu comprei. — Ele enfiou a mão no saco e tirou uma camiseta da rodovia extraterrestre. — Vamos ser gêmeos de alma agora. — É tipo… um, bem legal. Os lábios de Paris se curvaram. — Você vai mesmo usar essa camisa? — Sim, vou. Até o fim da minha vida. Acho irônica. — O olhar ametista de Luc circulou o quarto, voltando a pousar em mim. — Agora eu acho que vocês dois tem algo para mim? Daemon exalou devagar e pegou a caixinha de vidro. Ele a jogou para Luc, que a pegou no ar. — Aqui. O garoto abriu a caixa pequena e estreita, exalando devagar. Ele a fechou com reverência e a colocou no bolso detrás da calça. — Obrigado. Eu tinha a sensação de que, como Daemon, ele não dizia muito essa palavra. — Então… o que fazemos agora? — perguntei. — Bem… — Luc falou arrastado. — A coisa vai ficar feia. Os Daedalus não vão poupar dinheiro ou vidas para colocarem as mãozinhas imundas em você, Daemon. Eles vão destruir essa cidade. Já estão fazendo isso. E usarão de qualquer meio que faça com que você retorne. Daemon enrijeceu. — Eles vão atrás da minha família, não vão? — Muito provável — ele respondeu. — Na verdade, pode contar com isso. Mudando de assunto! — Luc se voltou para Archer tão rápido que o Origem mais velho deu um passo para trás. — Arrumei um novo transporte para a gente. — Sério? — retrucou Archer. — E é espaço o bastante para nós cinco. — Luc voltou a olhar para Daemon e para mim com um sorriso brincalhão que não predizia nada bom. — Tenho uma surpresa para vocês. Mas primeiro sugiro que coloquem umas roupas. — Ele tirou uma camisa do saco e jogou para Daemon. Era uma camiseta branca e lisa. — Eu e Kat estamos divinos nessas camisetas da rodovia extraterrestre. Já você ficaria estúpido com uma delas. Pode me agradecer mais tarde.


Eu me perguntava como diabos Luc sabia que Daemon também tinha uma camiseta daquela. — E coma uns doughnuts. Pode escolher o que fazer primeiro. Daemon fechou a cara, enquanto eu me sentia feliz para começar a comê-los. Espiei dentro da caixa. Cobertos com açúcar cristalizado, meus favoritos. — Que tipo de surpresa? — perguntou Daemon, segurando a camisa sem indicar de nenhum modo que ia vesti-la. — Se eu contasse, não seria uma surpresa. Mas precisamos cair na estrada logo. Então comam e arrumem as coisas. Temos que ir a alguns lugares. Daemon exalou pelo nariz e depois me olhou. Dava para ver que ele não gostava nem um pouco de ter que acatar ordens de Luc, mas minha boca estava cheia com aquela maravilha de açúcar então não tinha o que acrescentar no momento. Finalmente, ele assentiu. — Tudo bem, mas se você... — Eu sei. Se estiver aprontando com vocês, você vai achar um jeito de fazer com que a minha morte seja bem lenta e dolorosa. Já entendi. — Luc fez uma careta. — Já me considero avisado. — A propósito — Archer disse quando Daemon se inclinou por cima do meu ombro e começou a escolher uns dunuts. — Não se esqueça da caixa de camisinhas no chão. Meu foco disparou para o chão. Lá estava, bem onde Daemon a derrubou ontem. Meu rosto ardia para caramba, e eu quase me engasguei com o doce, o som da risada de Daemon ressoando em meus ouvidos.

*****

Daemon

Não me esqueci das camisinhas quando arrumei as poucas coisas que tínhamos na sacola alienígena. Kat ainda estava um pouco vermelha, e me custou muito não ficar lhe provocando. Peguei leve com ela porque ela estava lindinha demais naquela camiseta idiota e com aquela sandália de dedo barata de plástico, agarrada ao boneco. Passei o braço em volta dos seus ombros quando saímos no sol incandescente do deserto no mês de


agosto. Archer passou por nós baixando o olhar para o que eu tinha na mão. — Bolsa bonita. — Cala a boca — respondi. Ele bufou. Nós dobramos a esquina do motel e eu vi pela primeira vez o nosso transporte. — Opa! É esse o carro? Luc jogou a camiseta nova em cima do ombro ao bater no pára-choque traseiro de um Hummer preto. — Gosto de pensar que combina comigo. Kat trocou o braço que segurava o boneco ao olhar para o monstro. — Você veio dirigindo esse triturador de vilarejos desde o oeste da Virginia? Ele riu. — Não. Peguei esse emprestado. É, eu tinha o pressentimento que o “pegar emprestado” de Luc foi feito no mesmo estilo de quando “peguei emprestado” o carro de Matthew. Indo até o lado do motorista, eu abri a porta traseira para Kat. — Acha que consegue escalar essa coisa sozinha? Ela me olhou por cima do ombro e eu sorri. Sacudindo a cabeça, ela agarrou o suporte de apoio e subiu. Claro, sendo o cara solícito que eu era, a ajudei com um empurrãozinho em um lugar estratégico. Ela virou a cabeça, as bochechas coradas. — Às vezes você é um cachorro. Eu ri e entrei ao seu lado. — Lembre do que eu disse sobre esse negócio de me chamar de algum animal. — É, eu lembro. — Lembre disso mais tarde. — estendi a mão para pegar o seu cinto de segurança antes que ela pudesse. Ela suspirou ao tirar os braços do caminho. — Sabe, eu sou mais do que capaz de colocar o cinto. — Que fofo — disse Archer da porta. Ele entrou e sentou do outro lado de Kat. — Há um motivo para que eu faça isso. — Eu o ignorei, deslizando a faixa da cintura pelo colo dela. Ela arfou baixo quando minhas mãos deslizaram pela parte baixa de sua barriga. Eu lhe dei um sorriso safado ao prender o cinto. — Entendeu agora? — Como eu disse: um cachorro — ela murmurou, mas seus olhos estavam num tom suave de cinza.


Abaixando a cabeça, beijei sua testa e levantei o braço. Havia espaço suficiente para que ela se aconchegasse em mim. — Então, a surpresa é esse carro? Posso chegar a gostar dele. Do banco do passageiro, Luc riu. — Nada disso. Acho que posso ficar com esse. — Só relaxe e aproveite a viagem — disse Paris, ligando o Hummer. — Na verdade, é uma viagem bem tediosa. Além das placas engraçadas sobre alienígenas na rodovia e talvez uma vaca ou duas, não tem nada para se ver. — Que divertido. — Enquanto reajustava as pernas, olhei para Archer. Ele batia os dedos nos joelhos cobertos pela calça jeans, os olhos estreitos fixos nas costas do assento da frente. Não confiava realmente em ninguém dentro daquele carro, não cem por cento. Eles podiam estar nos levando de volta à Área 51. Archer virou a cabeça para mim. Não vamos trair nem você nem Katy. Estreitei os olhos. Pela última vez, fora da minha cabeça. É difícil. Você tem um cabeção. Um lado dos seus lábios se curvou quando ele voltou a fitar o assento. Além do mais, como poderia levá-los de volta? Você viu o que eu fiz para nos tirar de lá. O argumento dele era válido. Podia ser só uma armação, como foi com Blake. Ele fez a mesma coisa. Eu não sou Blake. Quero ficar longe deles tanto quanto você. Não respondi a isso. Voltando o olhar para a janela, observei as casinhas e as placas indicando as fontes termais saírem de foco e finalmente sumirem dando lugar a uma rodovia sem fim de nada a não ser pequenos arbustos e chão castanho-amarelado. Só relaxei um pouco quando vi a placa. — Las Vegas? Vamos apostar dinheiro e ver algum show no Flamingo? Luc sacudiu a cabeça. — Não, a não ser que essa seja a sua praia. Não saber para onde íamos nem por que, não me caía bem. Me mantive alerta, os olhos varrendo a estrada, procurando qualquer veículo suspeito que se aproximasse um pouco demais. Dentro dos primeiros dez quilômetros da viagem de quase duas horas, Kat cochilou. Eu peguei o boneco antes que caísse no assoalho e o segurei. Fiquei aliviado por ela descansar mais. Ela precisava. Toda vez que nos aproximávamos de um carro de polícia eu ficava tenso, pronto para que eles nos parassem por uma multidão de razões que variavam de posse de carro roubado à posse de armamento militar. Mas nenhum nos parou. Absolutamente nada aconteceu durante toda a viagem, com exceção


de Luc e Paris discutindo pela estação de rádio como um casal de velhos. Não conseguia entender a deles. Mas também, eu nem conseguia entender qual era a minha. Pensei nas coisas mais loucas a caminho de Vegas. E falo de coisas bem improváveis, e não sei se tinha a ver com o fato de haver duas pessoas no carro que poderiam estar espionando a minha mente me fazer pensar em coisas que realmente não tinha vontade que outros tivessem conhecimento. Tudo começou quando parei de olhar para a janela e minha atenção parou em minha perna. A mão de Kat apertava minha coxa. Por vários minutos não consegui tirar os olhos daquilo. O que tinha demais a mão esquerda? Era só uma mão e Kat tinha uma mão muito bonita e tudo mais, mas não era isso. Era o que geralmente se colocava na mão esquerda, no dedo anelar. Deus, pensar em anéis e em mão esquerda me deixava com vontade de sair daquele carro e dar umas cem braçadas, mas casar com Kat— Casar? Meu cérebro tropeçava em torno daquela palavra, mas não seria terrível. Não, longe disso. Seria tipo… perfeito. Passar o resto da minha vida com Kat era algo que eu já planejava. Não havia dúvida quando o assunto era esse. Eu a via— Só ela— Em meu futuro. Tomar uma decisão dessas não me fazia suar frio. Talvez pela minha espécie se juntar cedo, normalmente logo que acabava a escola, e pela nossa versão de casamento não ser realmente diferente da dos humanos. Mas nós éramos muito novos. Ainda com cheiro de leite, ou ao menos seria isso que Matthew diria. Por que infernos estava pensando nisso agora, quando nossas vidas estavam uma tremenda bagunça? Talvez porque quando tudo ficava caótico e o amanhã parecia que não ia chegar, você acabava pensando nesse tipo de coisa? Coisas decisivas, por assim falar? Odiava pensar nisso, mas talvez não tivéssemos alguns anos pela frente para esperar para nos casarmos. Me livrando desses pensamentos, apertei o braço em volta de Kat e me concentrei na estrada. Quando os arranha-céus começaram a aparecer, eu a acordei com gentileza. — Ei, dorminhoca, dá uma olhada nisso. Ela levantou a cabeça do meu ombro e esfregou os olhos. Piscando algumas vezes, ela se abaixou um pouco e olhou pela janela. Seus olhos arregalaram. — Uau… eu nunca estive em Vegas. Luc se virou no assento, sorrindo. — É melhor visto à noite, com as luzes todas acesas na Strip{12}. Seu olhar ficou ávido, mas ela se conteve, curvando os ombros. Por mais que eu fosse amar levá-la para passear, para nós não haveria passeios turísticos. Seria arriscado demais. Eu me inclinei, tocando sua orelha com os lábios, e disse: — Na próxima. Eu prometo. Ela virou a cabeça de leve, fechando os olhos. — Vou cobrar.


Beijando sua bochecha, ignorei o olhar especulativo que Archer me deu. Ao entrarmos em Vegas, Kat tentava ficar mais alto do que eu para poder ver tudo. As palmeiras que percorriam a Strip provavelmente lhe eram familiares, mas o navio pirata em frente à Treasure Island não era algo que se via todo dia. Levou uma eternidade para passarmos pelo forte tráfego, e normalmente isso já me deixaria com vontade de arrancar os olhos de impaciência, mas não foi tão ruim. Não com Kat praticamente pulando no meu colo, apontando para atrações famosas como o Bellagio, Caesar’s Palace, e a the Eiffel Tower at Paris. Era tipo o paraíso. Infelizmente, essa versão de paraíso tinha espectadores. Droga. Quando chegamos aos arredores de Vegas, comecei a ficar nervoso com todo esse papo de surpresa, principalmente quando Paris saiu da avenida principal, seguindo por outra via que passava por um clube particular e um imenso campo de golfe. Continuamos seguindo a via, nos distanciando mais da cidade borbulhante. Não havia nada por ali a não ser umas mansões aqui e acolá, e depois um muro de uns seis metros surgiu do nada, uma estrutura brilhante de arenito. Me inclinei, colocando a mão nas costas do banco de Paris. — Isso é quartzito na pedra? — Pode acreditar. Kat me olhou, os olhos se abrindo em compreensão quando Paris desacelerava na frente de um portão de ferro com pedacinhos de quartzo. Nunca tinha visto nada parecido. Um interfone apareceu e Paris disse: — Toc, toc. Ruído de estática e depois a voz de uma mulher disse: — Quem é? Kat levantou a sobrancelha, e eu encolhi os ombros. — A vaca que interrompe. — Paris disse, olhando para Luc que balançava a cabeça. Do interfone: — A vac...? — Muuuuuu! — disse Paris, rindo. Kat deu uma risadinha. Archer revirou os olhos e também balançou a cabeça. Deu para ouvir um som de irritação vindo do interfone. — Isso foi idiota. O portão vai abrir. Só um segundo. — Essa foi ruim mesmo — eu disse.


Paris deu risada. — Eu vi na Internet. Achei engraçado. Sei de mais. Quer ouvir? — Não. — minha refutação saiu junto com a de Archer. Uma coisa na qual concordávamos. É. Vai entender. — Que pena. — Paris acelerou o carro quando os portões se abriram. — Essa nem é a melhor. — Foi muito boa. — Kat disse, sorrindo quando eu a olhei de cara feia. — Achei engraçada. — Você se impressiona fácil. — disse a ela. Ela ia me estapear no braço, mas segurei sua mão. Entrelaçando os dedos nos dela, pisquei um olho. Ela sacudiu a cabeça. — Você não me impressiona. Teria acreditado nela se tanto ela quanto eu nos conhecêssemos menos. Me levou alguns segundos para perceber que também havia enormes quantidades de quartzo no asfalto. A primeira casa apareceu, uma estrutura modesta, parecendo que tinham vomitado quartzo por cima dela inteira— No telhado, nas janelas, na porta de entrada. Puta merda. Como não existiam formações naturais de quartzo na região, o mineral foi trazido para lá, para proteção da comunidade Luxen. — Não sabia sobre isso? — A voz de Luc soou surpresa. — Não. Quer dizer, nunca me pareceu impossível, usar o quartzo desse jeito, mas custaria uma nota, e eu nem sabia que existia uma comunidade aqui. — Interessante. — murmurou Luc, apertando os dentes. Paris o olhou, e eu não entendi o olhar que trocaram. — Os Daedalus também não sabem — disse Archer. — Fica bem debaixo dos seus narizes. O esconderijo perfeito. — Isso é loucura. — Eu sacudi a cabeça enquanto passávamos por mais casas adornadas em quartzo, cada uma maior que a outra. — Como eu não sabia disso aqui? Conhece alguém daqui, Luc? Ele negou. — Na verdade não. Eu tenho alguns… amigos no Arizona, mas precisamos dar uma paradinha aqui primeiro. Esperar a poeira baixar por uns dias até que não seja tão perigoso viajar pelas rodovias. — Então vamos para o Arizona depois? — Kat perguntou, olhando para mim e para Luc. Luc deu de ombros. — É uma opção em aberto. É para lá que Archer vai para se esconder por um tempo, mas se querem ir ou não é com vocês. Podem aceitar a minha oferta de hospitalidade ou a enfiarem no meu


rabo. Kat franziu a testa. — Para mim não faz diferença — ele acrescentou. Ela sacudiu um pouco a cabeça. — Não entendo porque vocês arriscariam tanto para nos ajudar. Ótima pergunta. Luc olhou por cima do ombro. — Temos o mesmo inimigo, e somos mais forte em números. Igualzinho nos filmes de terror. Eu comecei a contar mentalmente os outros Luxen que estariam dentro das casas ou por trás dos muros altos que rodeavam os seus quintais. Não conseguia acreditar naquilo— uma comunidade inteira supostamente invisível aos Daedalus e protegida dos Arum por depósitos de quartzo feitos pelo homem. É. Impressionante. Nós finalmente chegamos a outro muro e o portão se abriu à nossa frente. A casa, se é que se podia chamar aquela coisa monstruosa de casa, aparecia como uma miragem. — É para lá que vamos? — perguntou Kat. Uma expressão maravilhada no rosto. — É um palácio. Isso me fez sorrir. O lugar era realmente absurdo. Tinha que ter mais seiscentos mil metros quadrados, ou talvez mais, com três pisos, uma cúpula enorme na parte do meio e uma sacada percorrendo cada lado. Como o resto das casas, era de arenito branco com quartzo. Ela também tinha um muro alto bloqueando o que quer que exista mais além. Paris seguiu o caminho, parando na metade do círculo em frente aos largos degraus. No meio do círculo havia uma estátua de mármore. De um golfinho. Esquisito. — Certo, crianças, chegamos! — Luc abriu a porta e seguiu para os degraus. Na entrada, ele se voltou para o Hummer. — O tempo está passando. Respirando fundo, segurei a mão de Kat. — Está pronta? — Sim. — Ela me deu um sorriso tímido. — Quero ver como é por dentro. Eu ri. — Estou apostando em uma opulência absurda. — Eu também. — murmurou Archer, saindo do carro. Nós descemos e demos a volta no Hummer. Ela pegou a bolsa dessa vez, enfiando o boneco dentro de modo que ele ficou com a cabeça para fora. Apertando sua mão, subi os degraus enquanto me preparava para Deus sabia o quê. O jeito de Luc sorrir me deixou desconfiado. Parecia que el...


A sensação que percorreu minha coluna foi acolhedora e familiar, mas totalmente impossível. Bem como o pulso de energia que me fez soltar a mão de Kat. Impossível. Recuei um passo da porta. Kat se virou, o rosto cheio de preocupação. — O que foi? O que está acontecendo? Palavras me falharam enquanto fitava a porta. Tudo que conseguia fazer era balançar a cabeça em negativa. Parte de mim estava eufórica, enquanto a outra metade se horrorizada com o que eu sentia — E eu esperava que fosse a minha imaginação. Ficando ao meu lado, Kat colocou as mãos no meu braço. — O que...? A porta pintada de vermelho se abriu, e, quando uma figura saiu das sombras, minhas suspeitas foram confirmadas. — Viemos até aqui correndo para salvar o seu traseiro, mas aí você acabou por se salvar sozinho antes que pudéssemos fazer qualquer coisa. — Dee colocou as mãos no quadril, e seu queixo estava elevado em teimosia. — Que jeito de roubar a nossa glória, hein, Daemon? Luc bateu as mãos. — Surpresa!

CAPÍTULO 22 Katy

Daemon ficou absolutamente mudo. Bem como eu. As únicas pessoas que não olhavam de boca aberta para Dee eram Luc e Paris. Até Archer estava embasbacado, mas eu acho que tinha menos a ver com o que a aparição dela significava para Daemon e mais a ver com o quanto era bonita. E Dee era do tipo de outro mundo, extraordinariamente bonita. Com seus cachos negros brilhosos


caindo em cascata em volta do seu rosto exótico e com aqueles olhos cor de esmeraldas, era de tirar o fôlego. Uma versão mais delicada e mais feminina de Daemon e Dawson. Ela parava o trânsito com humanos, alienígenas, híbridos, e aparentemente origens. Archer parecia que tinha acabado de ver o bebê Jesus numa manjedoura ou algo parecido. Dee atravessou a porta correndo, lágrimas escorrendo por suas bochechas rosadas. Eu saí da frente bem na hora. Ela se atirou em Daemon de uns bons metros de distância. Ele a pegou quando ela passou os braços em torno do seu pescoço. — Jesus — disse ele, as palavras abafadas por todo aquele cabelo. — O que está fazendo aqui? — O que acha? — ela respondeu, a voz grossa de emoção. — Precisávamos fazer alguma coisa. Como sempre, você passou na nossa frente, seu degenerado. Coloquei as mãos em cima do peito, quase chorando, quando outra forma apareceu na entrada e saiu. Arfando em surpresa, não conseguia acreditar no quanto… no quanto Dawson parecia diferente. Mais encorpado e com o cabelo cortado, sem o rosto ossudo e sem olheiras, ele estava idêntico ao irmão. Daemon levantou a cabeça, como se sentisse a chegada. Ele mexeu a boca, mas nenhuma palavra saiu. Nenhum de nós esperava vê-los ali. Como eu, Daemon provavelmente achava que talvez nunca mais fosse ver seus irmãos outra vez. Dawson atravessou a varanda de entrada e colocou o braço em volta da irmã e do irmão. As cabeças dos três se juntaram. Daemon tinha o punho fechado nas costas da camisa de Dee e o outro abraçava Dawson. — É verdade — disse Dawson, sorrindo. — Que inferno, irmão? Sempre tem que acabar na minha frente, hã? Daemon segurou a nuca do irmão e encostou a testa na dele. — Seu idiota — disse, dando uma risada engasgada. — Já devia saber. Eu sempre resolvo as coisas. — É, espere aí... estou puta com você! — Dee se afastou e bateu forte no peito de Daemon. — Podia ter se matado fazendo o que fez! Seu trouxa, idiota, imbecil. — Ela bateu outra vez. Archer fez uma careta e murmurou: — Caramba, essa garota… essa garota sabe bater. — Ei! — rindo, Daemon segurou sua mão. — Deixe disso. Está mais que óbvio que eu não morri. — Eu me preocupei, seu estúpido! — Dee afastou os cachos do rosto e inalou profundamente. — Mas perdoo você, porque está inteiro e aparentemente não tão ruim, e está aqui, mas se fizer uma coisa dessas novamente... — Ok — disse Dawson, colocando um braço em volta do pescoço da irmã, fazendo com que ela virasse. — Acho que ele já entendeu. Todos nós já entendemos.


Dee se soltou e seus olhos varreram Paris e Luc. Ela não prestou muita atenção neles, mas seu olhar cruzou com Archer e voltou imediatamente antes de se afastar imediatamente. Eu fiquei de fora da reunião de família, permanecendo perto de um dos pilares. Não achava que Dee tinha me notado até aquele momento. Em um piscar de olhos ela praticamente me derrubou. Tinha me esquecido de como eram os seus abraços. Para alguém que tinha o corpo de uma bailarina, ela era ridiculamente forte. E os seus abraços… bem, fazia muito tempo que me encontrei recebendo um dos seus apertões de urso. Fui lenta em retribuir, mais pega com a guarda baixa do que qualquer outra coisa, mas depois me toquei e joguei os braços em volta dela. Lágrimas se amontoaram nos olhos, e eu os fechei com força. A parte do meu ser que se sentia dolorida pelo o que aconteceu com Dee amornou, e aquela sensação se espalhou. — Eu sinto tanto — ela disse, lágrimas obstruindo a voz. — Sinto tanto, tanto mesmo. — Pelo quê? Ela ainda não tinha me soltado, e eu não liguei. — Por tudo... por não ver o seu lado das coisas, por estar tão absorvida pela minha dor e raiva a ponto de te abandonar completamente. Por nunca te dizer que eu sentia a sua falta antes que… Antes que fosse tarde demais, era o ela ia dizer. Piscando para conter as lágrimas, eu sorri em seu ombro. — Você não tem nada do que se desculpar, Dee. De verdade. Nada daquilo… — Bem, importava sim. A morte de Adam tinha importância. — Está tudo bem agora. Ela me abraçou mais forte e sussurrou: — Está mesmo? Porque eu me preocupei tanto com você e Daemon e com o que poderia ter… Meu corpo ficou cheio de nós de nervosismo e eu forcei o sol do pavor que estava prestes a nascer a ir embora. Ele não era bem-vindo aqui, não naquele momento de felicidade. — Tudo bem. — Senti saudades. Algumas lágrimas escaparam. — Também senti. — Ok. Ok. Acho que está começando a deixá-la sem ar. — Dawson puxou o braço de Dee. — E eu acho que Daemon está começando a ficar com ciúmes. — Puft. É a minha vez com a Katy. — ela respondeu, mas me soltou. E então Dawson substituiu a irmã. Ele me abraçou, não tão vorazmente como Dee, mas um abraço ainda poderoso.


— Obrigado — ele disse baixinho, e eu sabia que aquelas palavras diziam muito. — Espero que saiba o quanto eu agradeço tudo o que fez. Incerta se conseguia falar, eu assenti. — Ok. Agora estou mesmo com ciúmes. — disse Daemon, e Paris riu. Dawson me apertou brevemente. — Sempre terei uma dívida com você. Eu quis lhe dizer que não era necessário. Ajudá-lo a resgatar Bethany foi algo que eu faria quantas vezes fosse preciso, mesmo sabendo que Blake tinha armado para nós. Depois de cair nas garras dos Daedalus eu mais do que nunca eu entendia o quanto tinha sido importante libertá-la. A única coisa que teria mudado era o local em que estava naquele maldito túnel em Mount Weather. Ele se colocou de lado quando seu irmão se aproximou, pegando a sacola e circulando minha cintura com o braço. Dawson inclinou a cabeça de lado. — E esse boneco ET? — Daemon achou que era a minha cara — disse a Dawson. — Diga o nome que colocou nele — disse Daemon, depois dando um beijo no topo da minha cabeça. Meu coração pulou, e minhas bochechas coraram. — O nome dele é DB. Dee espiou o boneco por cima do ombro de Dawson. — Ele meio que parece com você, Daemon. — Ha. Ha. — Tirei o boneco da sacola e o abracei. Por alguma razão eu adorava aquela coisa ridícula. — Todos querem fazer o favor de entrar? — Luc se balançou nos calcanhares dos pés calçados com tênis Converse. — Estou morrendo de fome. Dee se virou para ficar do meu outro lado quando entramos. Ela deu uma olhada em Archer, que vinha atrás de nós. Se eu notei, Daemon também notou. E o que quer que Dee esteja pensando no momento, Archer provavelmente estava espionando. Eu precisava informá-la disso com urgência. Além do fato de Archer ser, bem, ele realmente era muito diferente de todos nós. A temperatura estava vários graus mais fria dentro da sala iluminada, mesmo com a redoma de vidro permitindo que a luz do sol entrasse. Havia quartzo embutido no chão de azulejo, tornando tudo bem cintilante. Havia plantas com folhas largas posicionadas nos cantos, o que fez meus dedos coçar com a vontade de metê-los na terra. Enfiar os dedos na terra… uau, quanto tempo fazia desde que fiz isso pela última vez? Foi no dia que fui a Mount Weather? Muito tempo. — Está bem?


— Hã? — olhei para Daemon e percebi que devia ter parado de andar, porque todos já estavam no corredor depois da sala de espera. — Eu só estava pensando em jardins. Uma emoção cruzou o seu rosto. Antes que eu pudesse decifrar qual era, ele desviou os olhos. Estendi o braço e puxei a bainha de sua camisa. — E você? Vendo Dawson e Dee? Ele enfiou os dedos no cabelo. — Não sei o que pensar. — Manteve a voz baixa. — Fico feliz por ver os dois, mas… maldição. Eu assenti em compreensão. — Não quer que fiquem perto disso? — Não. Nem um pouco. Quis diminuir suas preocupações de alguma forma, mas sabia que não havia o que pudesse dizer para isso. Me coloquei nas pontas dos pés e beijei sua bochecha. Era o melhor que tinha. Ele sorriu para mim e me colocou no chão. Abriu a boca para dizer alguma coisa, mas Dee voltou à sala. Com a expressão irritada, ela pôs as mãos no quadril. — Certo, vocês dois, venham para cá. Tem gente na grande sala que gostaria de dar um oi. O que seria uma “grande sala” eu não faço ideia, mas é bem grande. Deus, senti tanta falta dela. Daemon levantou a cabeça, sorrindo para a irmã. — É, acho que sei quem nos espera. As pessoas esperando para dar um oi eram ninguém mais ninguém menos que Matthew e Ash e Andrew Thompson. Não devia me surpreender em vê-los. Todos eles— Matthew, os Thompsons— Eram como da família. Eles se aproximaram juntos de Daemon e o engoliram entre si, Dawson e Dee incluídos no abraço. Eu me afastei outra vez, porque esse era o reencontro dele — e um bem merecido. E a sala brigava pela minha atenção. Carpete oriental. Mais estátuas de golfinhos. Mobília emoldurada em quartzo. Um sofá grande o bastante para a família Duggar{13}. Luc sentou em uma cadeira reclinável e começou a mexer no celular. Paris ficou perto dele, como uma sombra sorridente. Archer estava que nem eu, afastado, provavelmente sem saber o que fazer quando Dee começou a chorar de novo. Até Ash estava chorando. Esperava sentir a onda quente de ciúmes quando Daemon a abraçou, mas não senti. Além do fato de Ash ainda conseguir fazer com que o choro ficasse glamoroso, já tinha mais que superado aquele


sentimento inútil. Se tinha uma coisa que eu sabia e entendia neste mundo era que Daemon me amava. Matthew se aproximou, agarrando os ombros de Daemon. — É bom… é bom ver você. — Você também. — Daemon tocou em seus braços. — Desculpe pelo carro. Me perguntei o que aconteceu com o carro de Matthew, mas essa pergunta se perdeu no nó que se formava em minha garganta. Vê-los abraçados era um lembrete do quanto Matthew era importante para todos eles. Ele era o único pai que eles conheciam. — É difícil, não é? — Archer perguntou baixinho. Olhando para ele, franzi o cenho. — Está na minha mente outra vez? — Não. Suas emoções estão todas na sua cara. — Oh. — Eu soprei o fôlego ao voltar a olhar o abraço. — Sinto falta da minha mãe, e não sei… — sacudi a cabeça, sem querer terminar. Quando o grupo se afastou, Matthew foi o primeiro a me abordar. O abraço foi um pouco rijo, mas eu gostei. Ash e Andrew apareceram na minha frente, e fiquei imediatamente cautelosa. Eles nunca foram muito meus fãs. Os olhos azuis vibrantes de Ash estavam vermelhos nas bordas quando me olhou, sem dúvida vendo minhas roupas e me considerando um enorme desastre fashion. — Não posso dizer que estou super emocionada em ver você, mas estou feliz que esteja viva, ou coisa assim. Engasguei com a risada. — Hã, obrigada? Andrew coçou o queixo, o rosto franzido. — É, faço dela as minhas palavras. Eu assenti, sem ideia do que dizer. Levantei as mãos e encolhi os ombros de leve. — Bem, estou feliz em ver vocês também. Ash riu, o som rouco. — Não, não está, mas tudo bem. Sério, a nossa antipatia com você não é prioridade no momento. Archer assobiou de leve e desviou os olhos deliberadamente, o que ganhou o interesse felino de Ash. Tão linda quanto era, duvidava que muitos conseguissem resistir. Fui salva de mais saudações constrangedoras quando alguém entrou na sala. A mulher tinha mais ou menos a idade de Matthew, começo dos trinta, usando um vestido de verão branco que tocava os seus tornozelos. Ela era bonita do tipo modelo com cabelo comprido e loiro.


Obviamente uma alienígena. Ela sorriu com vontade ao juntar as mãos. Pulseiras marrons de bambu chacoalharam. — Fico feliz que todos tenham chegado. Meu nome é Lyla Marie. Bem-vindos à minha casa. Murmurei um olá quando Daemon atravessou a sala para apertar a mão da Luxen. Ele era tão melhor com aquilo do que eu. Quem ia saber? Mas ver todos ali, estar cercada por pessoas que um dia achei que nunca mais veria, era meio aterrador. Estava feliz, e confusa, e essa impressão de que algo de ruim ia acontecer era como o suor na minha pele. Aqui estávamos, todos nós, a alguns quilômetros da Área 51. Tentando tirar esses pensamentos da cabeça quando Daemon apresentou Archer, sentei na beira do sofá, segurando DB no colo. Dee sentou ao meu lado, as bochechas coradas de emoção. Eu sabia que ela começaria a chorar de novo. Dawson se colocou ao lado de Lyla. — Bethany está deitada? Betheny? Meus ouvidos eriçaram. Claro que ela estaria ali com Dawson. Naquele mar de rostos eu simplesmente não tinha pensado nela. Estava doente? Lyla deu batidas de leve nas costas de Dawson. — Ela está bem. Só precisa descansar um pouquinho. Foi uma viagem muito longa. Ele assentiu, mas não pareceu aliviado quando se voltou para Daemon. — Volto logo. Só quero ver como ela está. — Vá — Daemon disse ao sentar no lugar vazio ao meu lado. Apoiando as costas no estofado, ele apoiou o braço no respaldo. — Então… como tudo isso é possível? Como vocês sabiam daqui? — Seus adoráveis irmãos apareceram na minha boate e ameaçaram incendiar tudo se eu não dissesse onde você estava — disse Luc, deixando de olhar para a tela do celular. — Verdade. Dee não ficou muito confortável quando Daemon a olhou com raiva. — O que foi? Nós sabíamos que você ia para lá e que ele provavelmente sabia onde estava. — Espera — disse Daemon, inclinando-se para olhar para Dee. — Você se formou? É melhor que tenha se formado, Dee. ele Estou falando sério. — Ei! Olha quem fala, Sr. Não Tenho Diploma do Ensino Médio. Sim. Eu me formei. Dawson também. Bethany… não voltou para a escola. Isso fazia sentido. Não tinha como explicarem a presence de Bethany. — Nós também nos formamos, você sabe. — Ash fez uma pausa, arrancando o esmalte da unha. — Só queria dizer. Correndo a mão pelo seu cabelo loiro, Andrew fez uma careta para a irmã, mas não disse nada. Archer parecia conter um sorriso— Ou isso ou estava fazendo careta para o golfinho de cristal


ao seu lado. — E quanto a isso? — perguntou Daemon, gesticulando para a casa. Lyla se inclinou no braço do sofá. — Bem, conheço Matthew desde que éramos adolescentes. Mantivemos o contato ao passar dos anos, então quando ele ligou perguntando se eu sabia de algum lugar para ficar, eu o convidei. Daemon colocou os braços entre os joelhos quando seu olhar encontrou o de Matthew. — Nunca mencionou nada disso. Não havia acusação no tom de Daemon, mais confusão. Matthew suspirou. — Não é algo que eu me sentia confortável de falar para qualquer um, nem que eu pensei que alguma vez seria necessário. O assunto simplesmente nunca surgiu. Daemon não disse nada por um momento; ele parecia ingerir aquilo e depois esfregou as mãos no rosto. — Vocês não deveriam estar aqui. Ao meu lado, Dee grunhiu. — Eu sabia que você ia começar com isso. Sim. Estar aqui é perigoso, entendemos isso. Mas não íamos deixar que isso acontecesse com você e Katy. O que diabos isso diria sobre nós? — Que não pensam antes de agir? — Daemon sugeriu corajosamente. Eu bati em seu joelho. — Acho que o que ele está tentando dizer é que ele não quer que vocês corram perigo. Andrew bufou. — Podemos lidar com qualquer coisa que eles tentarem. — Na verdade, não podem não. — Luc colocou os pés no chão e sentou, deslizando o celular no bolso. — Mas o negócio é o seguinte. Eles já corriam perigo, Daemon. Lá no fundo, você reconhece disso. Os Daedalus iriam atrás deles. Nem se engane quanto a isso. Nancy teria batido em sua porta. Os músculos do braço de Daemon ficaram tenso. — Eu sei disso, mas é como ir de uma frigideira para dentro da porcaria de um vulcão. — Na verdade não — disse Dawson da porta. Ele carregava dois envelopes pretos na mão e se aproximou de Daemon e de mim. Passou um para cada um de nós. — Vamos ficar aqui por um ou dois dias. Descobriremos o que fazer e para onde cada um vai, depois todos desaparecemos. É isso que está em suas mãos. Digam oi às suas novas identidades.


CAPÍTULO 23 Katy

Lendo meu novo nome pela terceira vez, ainda não conseguia acreditar naquilo. Algo no nome me parecia familiar. — Anna Whitt? Dee se balançou com animação de leve.


— Eu escolhi os nomes. As coisas começaram a se encaixar. — Qual é o seu, Daemon? Ele abriu a carteira de documentos e deu uma risadinha. — Kaidan Rowe. Umm. Soa bem legal. Abri a boca e me virei para Dee. — Escolheu nomes de um livro! Ela riu. — Achei que ia gostar. Além disso, Sweet Evil é um dos meus livros favoritos, e você que me fez ler, então… Não consegui evitar. Eu ri ao fitar a foto da minha identidade. Era uma cópia idêntica da foto da minha carteira de motorista, exceto que esta continha um endereço diferente de outro estado. Debaixo dela estava a minha verdadeira identidade — Katy Swartz — e umas outras folhas de papel dobradas. Deus, como sentia falta dos meus livros. Eu queria abraçá-los, amá-los, apertá-los. — Achei isso no seu quarto — explicou Dee, batendo um dedo nelas. — Entrei escondido e peguei algumas roupas e isso antes de sair. — Obrigada — disse, deslizando minha nova identidade por cima da antiga. Olhar para as duas me daria uma crise de identidade. — Então, espera, meu novo nome é de um desses livros? — Daemon franziu o cenho. Ele também estava com a identidade verdadeira, mas havia um cartão de banco embaixo dela, no nome de Kaidan. — Tenho medo até de perguntar o que ele é. É melhor que não seja nenhum mago nem coisa parecida. — Não. O livro é sobre anjos, demônios e nefilim, e… — Enrolei, altamente ciente de todos estarem me olhando como se eu tivesse um terceiro olho. — Kaidan é tipo a encarnação da luxúria. Os seus olhos brilharam com interesse. — Bem, não teria como ser mais apropriado. — Ele me cutucou com o cotovelo e eu rolei os olhos. — Hã? Perfeito, certo? — Eca — disse Dee. — Mudando de assunto — disse Dawson, sentando no braço do sofá — Mudei as suas contas para os novos nomes. Também encontrarão documentos escolares, então mesmo que os dois não tenham completado o ensino médio — ele sorriu — ninguém vai desconfiar. Todos estamos com novas identidades. — Como vocês fizeram tudo isso? — Eu perguntei, completamente por fora quando o assunto era


fazer identidades falsas e falsificar registros escolares. Luc deu um sorriso. — Entre os meus vários e abrangentes talentos, criar identidades falsas e forjar documentos está entre eles. Eu olhei para o garoto, me perguntando se havia alguma coisa que não pudesse fazer. — Negativo. — Luc piscou para mim. Estreitei os olhos. Daemon passou os olhos pelos seus papéis. — Gente, sério, obrigado. Isso é um começo. — Ele levantou os olhos brilhantes cor de jade. — Isso já é uma coisa. Eu assenti, tentando não me concentrar em tudo que estava perdendo ao recomeçar. Como a minha mãe. De alguma forma, teria que encontrar um modo de vê-la. — Sim. Ficamos na sala por mais um tempo, mais para sabermos das novidades. Ninguém falou sobre planos, porque eu achava que ninguém sabia exatamente para onde ir a partir dali. Lyla me mostrou sua bela casa quando pedi para usar o toalete, que, a propósito, era do tamanho de um quarto e tinha paredes internas de vidro. A casa tinha ambientes demais no primeiro piso para que qualquer um tivesse a capacidade de preenchê-los com alguma utilidade. E parecia que Lyla não tinha uma pessoa especial em sua vida, então era somente ela naquela casa sem fim. Dee veio junto, passando um braço em volta do meu enquanto Lyla me guiava por uma copa aberta e um solário. — Você vai amar isso — disse Dee. — Só espere. Lyla deu um sorriso por cima do ombro bronzeado. — Acho que Dee passou a última semana aqui fora, tentando descobrir uma maneira de libertá-los, mas… nós não tínhamos realmente um plano que Matthew e eu pudéssemos permitir que eles seguissem que não terminasse com os dois sendo capturados. Cheia de curiosidade, eu deixei que me levassem para fora, de volta para o que eu esperava ser uma temperatura de me deixar sem fôlego, mas acabei dando de cara com um oásis. — Oh, meu Deus… — exalei. Dee ficou se balançando nos calcanhares. — Eu falei que você ia amar. Lindo, não é? Tudo que consegui fazer foi assentir. Numerosas palmeiras de tamanho médio alinhavam um muro com quartzo incrustado, criando uma área perfeitamente sombreada. O espaço era retangular, com um pátio enorme com uma churrasqueira e um espaço reservado para fogueira e várias cadeiras inclináveis. Flores de cores vivas alinhavam o caminho pavimentado, como arbustos que vi no


deserto, mas não sabia os nomes. O cheiro de jasmim e sálvia era forte no ar. Na direção do final da propriedade havia uma piscina com um deque de pedra natural. Era o tipo de jardim que você via na TV. — Quando Dee me disse que você amava jardinagem, eu sabia que teríamos algo em comum. — Lyla correu os dedos por um cróton vermelho e amarelo. — Acho que o seu amor por jardinagem passou um pouco para Dee. Ela tem me ajudado. — Ajudava — Dee deu de ombros. — Você sabe, a não pensar em muitas coisas. Era isso que eu amava na jardinagem. Era uma excelente “esvazia-mente”. Depois de investigar tudo da terra aos cascalhos de cor neutra, segui Dee para o segundo piso. Daemon estava com Dawson, Matthew, e com os irmãos Thompson. Ele precisava passar um tempo com eles. Além do mais, ficar com Dee me trazia um mundo de alegria. Uma das portas dos quartos estava fechada, e eu supus que era onde Beth estava. — Como Beth está? — perguntei. Dee desacelerou o passo, ficando ao meu lado. Baixou a voz. — Ela está bem, eu acho. Não fala muito. — Ela está…? — Uau. Como eu faria essa pergunta sem parecer insenssível? — Sã? — sugeriu Dee, mas sem repreensão. — Alguns dias são melhores que outros, mas ela anda bem cansada ultimamente, dormindo muito. Desviei de uma urna gigante repleta de espadas-de-são-jorge. — Bem, não pode ser alguma doença. Não ficamos doentes. — Eu sei. — Dee parou na frente de um quarto no fim do corredor. — Só acho que a viagem a deixou estressada. Ela queria ajudar, não me entenda mal, mas está com medo. — Ela tem todo direito de estar. — Eu tirei uns fios de cabelo do rosto e me concentrei no quarto. A cama era grande o bastante para abrigar cinco pessoas e tinha uma montanha de travesseiros cobrindo a cabeceira. — Então esse é o nosso quarto? — Hã? — Dee estava me olhando, e depois sacudiu a cabeça. — Desculpa. Sim. Seu e do meu irmão. — Uma risadinha escapou. — Uau, um ano atrás, Katy… Um sorriso puxou os meus lábios. — Eu ia preferir furar meu olho várias vezes com um garfo de bebê do que dormir na mesma casa que Daemon. — Um garfo de bebê? — Dee riu quando foi até o closet. — Isso é sério. — É sim. — Sentei na cama e me apaixonei imediatamente com a consistência. — Garfos de bebê só são usados nas situações mais críticas. Amarrando o cabelo num rabo de cavalo, ela entrou no closet. Pude ver algumas roupas minhas lá


dentro. — Eu peguei um pouco de tudo: jeans, camisas, vestidos, roupa íntima. — Obrigada. De verdade. Isso — disse, gesticulando para mim mesma — é tudo o que eu tenho. Vai ser bom colocar algo meu depois… — parei de falar, não vendo sentido em continuar. Varrendo o quarto com os olhos para me distrair, avistei outra porta. — Temos um banheiro próprio? — Sim. Todos os quartos tem. Essa casa é animal. — Ela sumiu em frente ao closet e reapareceu ao meu lado na cama. — Assim fica meio difícil ir embora daqui. Eu só estava ali há algumas horas e já queria adotar a casa. — Então, para onde vai depois daqui? Vai vir com a gente? Ela encolheu os ombros. — Sinceramente não sei. Ainda não estou pensando nisso, porque não sei como vai ser possível todos nós ficarmos juntos. Ir para casa está fora de questão por uma série de motivos. — Ela fez uma pausa, olhando para mim. — Todo mundo na escola ficou tão… diferente depois que você e Daemon desapareceram. Com todos os policiais e jornalistas de volta, as pessoas começaram a ficar paranoicas de verdade. Lesa ficou fora de si, principalmente depois do que aconteceu com Carissa. É bom que ela tenha um namorado. Ela acha que eu e Dawson saímos da cidade para visitar uns familiares. Meio que é verdade. Puxando a bainha da camisa, eu me preparei. — Posso lhe fazer uma pergunta? — Claro. Qualquer coisa. — Minha mãe... como ela está? Dee levou um momento para responder. — Quer a verdade ou quer que faça com que se sinta melhor? — É ruim, não é? — Lágrimas se amontoaram em meus olhos tão rápido que eu tive que desviar o olhar. — Sabe a resposta para isso. — Ela encontrou a minha mão e a apertou. — Sua mãe está transtornada. Ela ficou um bom tempo sem trabalhar... sem problemas com os patrões. Eles foram bem compreensivos pelo o que ouvi falar. Ela não acredita que você e Daemon fugiram. Foi isso que a polícia finalmente concluiu quando não encontraram evidências do motivo do seu desaparecimento, de Daemon e de Blake, mas também acho que estavam envolvidos. Eles chegaram a essa conclusão muito rápido. Sacudi a cabeça. — Por que isso não me surpreende? Os Daedalus tem gente em todo lugar. — Sua mãe encontrou o notebook que Daemon lhe deu. Tive que dizer que ele comprou para


você. Resumindo, ela sabia que você nunca fugiria sem um notebook. Dei uma risada curta. — Isso é verdade. Ela voltou a apertar minha mão. — Mas a sua mãe está bem, levando tudo em conta. Ela é muito forte, Katy. — Eu sei. — Olhei para ela. — Mas ela não merece isso. Não suporto a ideia dela não saber o que aconteceu comigo. Ela assentiu. — Passei um bom tempo com ela, só por perto ajudando com a casa até virmos embora. Até limpei as ervas daninhas do seu jardim. Achei que poderia compensar por termos te arrastado para tudo isso. — Obrigada. — Eu me aproximei para olhá-la de frente. — Falo sério. Obrigada por passar tempo com ela e ajudar com as coisas, mas vocês não me arrastaram para nada. Ok? Nada disso é culpa sua nem do Daemon. Seus olhos se encheram d’água, e ela disse numa voz fraca: — Fala sério mesmo? — Claro! — Fiquei chocada. — Dee, vocês não fizeram nada de errado. Isso tudo é culpa dos Daedalus. São eles que eu culpo. Eles são responsáveis. Ninguém mais. — É que eu andei tão perturbada. Fico feliz de saber que pensa assim. Ash disse que você provavelmente me odiava... nos odiava. — Ash é uma idiota. Dee riu sem reservas. — Pode ser mesmo às vezes. Eu suspirei. — Eu só queria que houvesse algo que pudéssemos fazer que não fosse fugir. — É, eu também. — Seu joelho balançou quando ela soltou a minha mão e desamarrou o cabelo. — Posso lhe fazer uma pergunta? — Claro. Ela mordeu o lábio. — Foi muito ruim? Fiquei tensa. A única pergunta que eu não queria que me perguntassem, mas Dee esperou, a expressão tão séria que eu tive que dizer algo. — Uns dias eram melhores que outros. — Posso imaginar — ela disse em voz baixa. — Beth falou uma vez. Disse que a machucavam.


Pensando nas minhas costas, apertei os lábios. — Eles fazem isso. Fizeram e disseram muitas coisas. Ela empalideceu e vários minutos se passaram. — Quando estávamos vindo para cá, Luc disse que você… que Blake morreu. É verdade? Arfei em surpresa. Archer deve ter contado a ele. — Blake morreu. — Me levantei, puxando o cabelo para trás. — Não quero falar sobre isso... nem sobre nada do que aconteceu lá. Desculpe. Sei que só está preocupada. Mas não quero pensar nisso. Fode com a minha cabeça. — Ok. Mas se um dia quiser, sabe que estou aqui para você, certo? — eu assenti, e Dee fixou um sorriso largo no rosto. — Então vamos falar de coisa boa. Como daquela bela espécime de homem que veio com vocês, o com o corte de cabelo militar? — Archer? — Sim. Ele é gato. E eu soletraria G-A-A-T-O. Explodi em risadas e depois que comecei não consegui parar. Lágrimas escorreram pelo meu rosto enquanto ela me olhava, perplexa. — O que foi? — quis saber. — Desculpa. — Enxuguei o rosto com os dedos e voltei a sentar ao seu lado. — É só que eu tenho certeza que Daemon teria um derrame se ouvisse isso. Ela fechou a cara. — Daemon teria um derrame se eu mostrasse interesse em qualquer espécie. — Bem, Archer é diferente — comecei devagar. — Por quê? Porque é mais velho? Não pode ser tão mais velho assim, e além do mais, tá na cara que ele é uma boa pessoa. Arriscou a vida para ajudar vocês. Mas tem uma coisa diferente que eu percebo vinda dele. Provavelmente é toda essa onda militar. Achei que era hora de soltar a bomba. — Acher não é humano, Dee. Sua testa ficou ainda mais franzida. — Então ele é híbrido? Faz sentido. — É, não. Ele é, bem, ele é algo diferente. É o que eles chamam de origem... ele é filho de um Luxen com um híbrido. Depois que a ficha caiu ela encolheu os ombros. — E daí? Eu sou alienígena. Não sou preconceituosa. Sorri com aquilo, feliz dela demonstrar interesse em um cara depois de Adam. — Bem, tem mais uma coisa. Eu teria cuidado com o que você pensa perto dele.


— Por quê? — Os origens tem umas habilidades sinistras — expliquei, observando-a arregalar os olhos. — Ele consegue ler sua mente sem que você note. O rosto de Dee foi de pálido a um vermelho cereja. — Oh, Deus. — O que foi? Ela bateu com as mãos no rosto. — Bem, o tempo todo que ficamos lá em baixo fiquei imaginando ele sem roupa.

***** Depois de vestir um tubinho velho terracota que passava no teste de não mostrar as cicatrizes, me juntei a Dee e a todos no andar de baixo. Um imenso jantar com vários pratos se seguiu, consistindo de frutas deliciosas que eu nem sabia que existiam, carnes com molhos ácidos e doces, e uma salada que enchia o maior recipiente que já vi na vida. Comi mais do que achava humanamente possível, até um pouco da carne grelhada do prato de Daemon. Bethany se juntou a nós e ela me abraçou no momento que nossos caminhos se cruzaram. Além de parecer altamente esgotada, ela aparentava estar bem, e seu apetite desafiava o meu. Daemon empurrou o prato para mim com o dedo. — Vai comer a casa de Lyla inteira. Dando de ombros, peguei outro cubo do seu shish kebab{14} com o garfo e coloquei na boca. — Faz tanto tempo que não sei o que é comida que não seja sem gosto e servida numa bandeja de plástico. Ele fez careta, e eu me arrependi imediatamente de dizer aquilo. — Eu... — Coma o quanto quiser. — ele disse, desviando o olhar. Um músculo começou a pulsar em sua mandíbula. Então ele empilhou mais espetos no meu prato e um punhado de uvas e lombo de porco assado, tanta comida que se eu comesse tudo eles teriam que me tirar dali me rolando pelo chão. Meu olhar saiu do prato, encontrando o de Dawson. Ele parecia… parecia triste.


Pus a mão embaixo da mesa e a coloquei no joelho de Daemon, dando um aperto. Ele girou a cabeça para mim, um cacho castanho escuro caindo em sua testa. Sorri para ele, e pareceu funcionar, porque ele voltou a relaxar. E eu comi tanta comida quanto consegui armazenar, sabendo que isso agradava Daemon. O motivo exato eu não tinha certeza, mas no final do jantar, ele já estava no seu normal sendo encantador e filho da mãe. Nosso grupo foi para fora depois do jantar. Daemon estirou o seu traseiro feliz em uma das cadeiras reclináveis de estofado branco, e eu sentei perto de suas pernas. A conversa era leve, o que todos precisavam. Luc e Paris se juntaram a nós, bem como Archer. Até Ash e Andrew não estavam sendo anti-sociais. Bem, eles não conversaram comigo, mas entraram na conversa sempre que Daemon, Dawson ou Matthew faziam um comentário. Eu não disse muita coisa, principalmente porque estava ocupada prestando atenção em Bethany e Dawson. Eles eram tão fofos. Dividindo uma cadeira, Beth sentava no colo de Dawson, a bochecha aninhada embaixo do seu queixo. Ele movia a mão continuamente pelas costas dela. De vez em quando murmurava algo em seu ouvido, e ela sorria ou dava uma risada baixa. Quando não estava olhando para eles, ficava de olho em Dee. Por toda a noite ela foi ficando mais perto… e mais perto do local onde Archer estava sentado conversando com Lyla. Estava contando os minutos até que Daemon notasse. Levou vinte. — Dee — ele chamou. — Por que não pega algo para eu beber? Sua irmã congelou na metade do caminho entre a mesa do pátio e o local da fogueira. Seus olhos luminosos estreitaram. — O quê? — Estou com sede. Acho que devia ser uma boa irmã e ir pegar uma bebida para o seu pobre irmão. Virando o corpo, olhei para Daemon de cara feia. Ele levantou as sobrancelhas para mim e colocou as mãos detrás da cabeça. Eu me virei para Dee.


— Não ouse ir. — Não estava planejando ir — ela respondeu. — Ele tem duas pernas. Daemon não se afetou. — Então por que não vem aqui passar um tempo comigo? Eu girei os olhos. — Acho que não tem espaço para mim nessa cadeira. — Ela cruzou os braços. — E por mais que ame vocês dois, não quero ficar assim tão perto. Àquela altura, Daemon tinha conseguido capturar a atenção de todos presentes. — Para a minha irmã eu arrumo espaço — ele insistiu. — Hã-hã. — Ela virou e foi na direção do pátio. Puxando uma cadeira, ela sentou ao lado de Archer e estendeu a mão. — Não acho que fomos oficialmente apresentados. Archer baixou o olhar para sua mão delgada, depois para Daemon pelo mais breve dos segundos, e aceitou a mão. — Não fomos. Um metro e oitenta e poucos de alienígena se enrijeceu detrás de mim. Oh, céus. — Sou Dee Black. Irmão do idiota conhecido como Daemon. — Ela sorriu com gosto. — Mas provavelmente já sabe disso. — Que ele é um idiota ou que é seu irmão? — Archer perguntou de um jeito inocente. — A resposta é sim para os dois. Engasguei com a risada. Calor emanou de Daemon. — Também sou o irmão que vai lhe dar uma surra se não soltar a mão da minha irmã? A resposta também é sim. Dawson deu uma risadinha da cadeira. Eu me vi sorrindo. Certas coisas nunca mudavam. O lado superprotetor de Daemon ainda era um pé


no saco colossal. — Ignore-o. — disse Dee. — Ele não sabe conviver em sociedade. — Isso eu posso garantir — eu disse. Daemon desencostou o pé do meu quadril e eu o olhei. Ele piscou e disse em voz baixa. — Aquilo nunca vai acontecer. Archer ainda não tinha soltado a mão de Dee enquanto falava com ela, e eu me perguntava se ele fazia aquilo para provocar Daemon ou se só sentia vontade de segurar a mão dela. Daemon abriu a boca para falar algo bem importuno. Agarrei seu tornozelo. — Deixe-os em paz. — Não posso fazer isso. Deslizando os dedos debaixo do jeans, encontrei seu olhar. — Por favor. Ele estreitou os olhos até virarem filetes verdes incandescentes. — Por favorzinho? — Tem açúcar por cima desse por favorzinho? — Talvez. — Tem que ter, e é melhor que seja um montão de açúcar. — Ele se sentou fluidamente e se moveu de modo a colocar um joelho de cada lado do meu quadril. Passou os braços em volta da minha cintura, descansando o queixo em meu ombro. Virei a bochecha contra a sua. Um arrepio percorreu a minha pele quando seus lábios roçaram meu queixo. — Preciso de um montão de açúcar — ele acrescentou. — O que você me diz? — Deixe-os em paz e talvez — respondi, mais do que um pouco ofegante com a possibilidade. — Umm… — ele me puxou para o V de suas pernas. — Você negocia duro. Algo bem safado surgiu em minha mente, e eu corei.


Daemon encostou as costas no estofado, a cabeça inclinada de lado. — No que está pensando, Kitten? — Em nada — disse mordendo o lábio. Ele não parecia convencido. — Está tendo pensamentos impuros comigo? — Ofegou. — Pensamentos impuros? — eu ri. — Não iria tão longe. Os lábios de Daemon roçaram meu lóbulo, e outro arrepio correu coluna abaixo. — Eu iria e um pouco mais. Sacudindo a cabeça, percebi que Daemon foi completamente distraído da conversa de Dee. Ela me devia uma. Não que estar nos braços de Daemon e sentir o seu corpo todo fosse um sacrifício ou algo parecido. Não quando os seus dedos começaram a brincar com a bainha do meu vestido, as costas das mãos passando preguiçosamente por minhas coxas. Dawson e Beth foram os primeiros a irem dormir. Eles passaram por nós, Beth, me dando um sorriso e um “boa noite” baixo. Matthew e Lyla foram os próximos, embora parecessem ir em direções diferentes. Não podia me deixar imaginar outra coisa. Isso seria nojento, porque Matthew já foi mesmo meu professor. A noite caiu e todos entraram, incluindo Archer e Dee. Quando entraram no solário, Daemon entortou tanto o pescoço que eu pensei que sua cabeça cairia, o que foi inútil porque os dois estavam indo para o andar superior. Decidi guardar essa observação para que ele não fosse correndo atrás deles. Somente eu e Daemon continuamos no pátio, fitando o céu cheio de estrelas. Assim que ficamos sozinhos, fui para o seu colo, colocando a cabeça embaixo de seu queixo. De vez em quando ele beijava a minha testa, minha bochecha… meu nariz, e toda vez que o fazia, apagava mais um minuto do tempo que passamos com os Daedalus. Seus beijos tinham mesmo o poder de transformar vidas. Não que eu admitiria isso. Seu ego já era enorme sem essa informação. Não estávamos conversando, porque eu acho que tinha tanto a se dizer e, ao mesmo tempo, nada. Escapamos da Área 51, e por aquele segundo estávamos seguros, mas nosso futuro era incerto. Daedalus procuravam por nós, e não podíamos ficar ali para sempre. Era perto demais da Área 51 e


com a quantidade populacional dali havia muita gente que começaria a fazer perguntas. Luc tinha o LH-11 e não tínhamos ideia do que ele era verdadeiramente capaz ou do por que Luc querer algo tão volátil. Havia híbridos e Luxen no complexo e aqueles garotos… aqueles garotos sinistros. Não tinha ideia do que aconteceria daqui em diante, e só de pensar morria de medo. O amanhã não era garantia. Nem as próximas horas. Minha respiração ficou presa com essa noção e eu enrijeci. O minuto seguinte nos era desconhecido e podia nem chegar. Daemon apertou os braços em volta de mim. — No que está pensando, Kitten? Considerei mentir, mas no momento, não queria ser forte. Não queria fingir que tínhamos tudo sob controle, porque não tínhamos. — Estou com medo. Ele me puxou de volta ao peito e encostou a bochecha na minha. Os pelos que nasciam de sua barba fizeram cócegas, e, apesar de tudo, eu ri. — Seria louca se não estivesse. Eu fechei os olhos, deslizando a bochecha na sua. Provavelmente acabaria ferindo a pele, mas valeria à pena. — Você está com medo? Daemon deu uma risada baixa. — Eu, sério? Não. — É bom demais para isso? Ele beijou o ponto sensível debaixo da minha orelha, provocando uma leva de arrepios pelo meu corpo. — Está aprendendo. Estou orgulhoso de você. Eu ri. Daemon ficou imóvel, como ele parecia fazer sempre que eu ria, e depois me apertou até eu gritar. — Desculpa — murmurou, esfregando o nariz no meu pescoço quando afrouxou os braços. —


Eu menti. — Sobre o quê? Ter orgulho de mim? — provoquei. — Não. Sempre me maravilho com você, Kitten. Meu coração fez uma dancinha louca e eu abri os olhos. Ele soltou o ar irregularmente. — Fiquei apavorado por todo o tempo que estiveram com você e eu não sabia onde você estava. Enlouqueci de medo de nunca mais te ver nem abraçar. E quando a via? Tinha medo de nunca mais ouvir a sua risada nem ver o seu sorriso lindo. Então, é, eu menti. Fiquei apavorado. Ainda estou mentindo. — Daemon… — Estou me cagando de medo de nunca ser capaz de recompensar o que você passou. De nunca mais poder lhe devolver a sua vida e... — Pare — sussurrei, piscando para não chorar. — Tirei tudo de você... sua mãe, seu blog, sua vida. Tanto que você encontrou alegria comendo algo só porque não vinha numa bandeja de plástico. E as suas costas… — Ele travou a mandíbula e sacudiu a cabeça de leve. — E eu não faço ideia de como consertar tudo isso, mas eu vou consertar. Farei com que fique em segurança. Vou garantir que tenhamos um futuro que desejamos. — ele inspirou na mesma hora que eu. — Eu prometo. — Daemon, não é isso... — Desculpe — ele disse, a voz falhando. — Isso...tudo isso... é culpa minha. Seu eu... — Não diga isso. — Virei em seu colo, o vestido subindo quando coloquei as mãos em seu rosto. Fitei os seus olhos brilhantes. — Isso não é culpa sua, Daemon. Nada disso é. — Sério? — ele perguntou em voz baixa. — Acho que toda a coisa da sua mutação foi culpa minha. — Era isso ou deixar que eu morresse. Então você salvou a minha vida. Não acabou com ela. Ele sacudiu a cabeça, fazendo com que as ondas curtas e escuras cobrissem sua testa. — Devia tê-la mantido afastada desde o começo. Devia tê-la mantido segura para que nunca


viesse a se machucar para começo de conversa. Meu coração doeu com suas palavras. — Me escute, Daemon. Isso não é culpa sua. Eu não mudaria droga nenhuma. Ok? Sim, as coisas ficaram uma bosta, mas passaria por tudo de novo se precisasse. Há coisas que eu gostaria de mudar, mas você não... você nunca. Eu amo você. Isso nunca vai mudar. Ele abriu os lábios quando inalou em surpresa. — Diga isso de novo. Passei a almofada do dedo pelo seu lábio inferior. — Amo você. Ele mordiscou meu dedo. — O resto também. Chegando mais perto, dei um beijo na ponta do seu nariz. — Amo você. Isso nunca vai mudar. Ele deslizou as mãos pelas minhas costas, uma parando bem abaixo da minha omoplata e a outra segurando minha nuca enquanto seus olhos me buscavam. — Quero que você seja feliz, Kitten. — Eu sou feliz — disse, passando os dedos pela curva de sua bochecha. — Você me faz feliz. Ele baixou o queixo e deu beijos nas pontas de cada um dos meus dedos. Debaixo de mim e à minha volta, seus músculos ficaram tensos e ele pôs a boca em minha orelha, sussurrando com uma voz grossa: — Quero te fazer muito feliz. Meu coração acelerou. — Muito feliz? Ele colocou as mãos em minhas coxas, seus dedos longos deslizando sob o tecido. — Extremamente, loucamente feliz.


Fiquei sem fôlego. — Lá vem você outra vez com os advérbios. Suas mãos subiram, fazendo com que um calor inundasse meu corpo. — Você ama quando eu ataco com advérbios. — Talvez. Ele passou os lábios traçando uma linha escaldante por minha garganta. — Deixe eu te fazer excessivamente e loucamente feliz, Katty. — Agora? — minha voz saiu num grasnido embaraçoso. — Agora — ele grunhiu. Pensei nas pessoas dentro da casa, mas aí seus lábios estavam nos meus e parecia uma eternidade desde a última vez que me beijou. Suas mãos foram ao meu cabelo quando o beijo se intensificou, nossas respirações se misturando. Ele colocou o braço em volta da minha cintura, e se colocou de pé, minhas pernas presas ao redor do seu quadril. — Eu te amo, Kitten. — outro beijo intenso e ardente acendeu meu interior. — E vou te mostrar o quanto.

CAPÍTULO 24


Daemon

Meus braços a apertaram enquanto esperava sua resposta. Não que acreditasse de fato que me recusaria. Não era isso. Eu queria ter certeza de que estava pronta depois de tudo que aconteceu. Da última vez ela não estava e não foi só o farol. Se não estivesse, tudo bem. Abraçá-la a noite inteira seria tão incrível quanto. Mas eu precisaria de um banho longo e bem frio. Porque tê-la no colo, com a sua parte mais macia pressionada na minha mais dura, estava testando o meu autocontrole e me deixando com mais tesão do que qualquer uma nesse e em outro mundo conseguiria. Kati levantou o queixo seus olhos presos aos meus. Tudo que eu precisava ver, que precisava acreditar estava em seus olhos. — Sim. Não desperdicei tempo depois de ouvir aquela única palavra. Fazer aquilo, ficar com ela de todas as maneiras que eu podia, não apagaria todas as coisas terríveis que aconteceram, mas era um começo. — Segure firme — eu disse, e capturei sua resposta ofegante com um beijo. Ela passou os braços em volta do meu pescoço quando eu agarrei seu quadril. Ao me levantar, suas pernas se prenderam ao meu corpo, e eu contive um grunhido. Surpreso pelo fato de estar tentando chegar até a cama, nunca tirei a boca da sua. Beijando-a. Bebendo dela. Não era o bastante, nunca poderia ser. Eu a carreguei para dentro da casa e passei por todos os aposentos inúteis que pareciam nunca acabar. Ela riu na minha boca quando bati em algo que provavelmente valia uma pequena fortuna. Encontrei a escadaria, subi sem quebrar nossos pescoços e encontrei o quarto onde coloquei as nossas coisas mais cedo. Kat estendeu o braço, batendo no ar até encontrar a porta e fechá-la detrás de nós, justo quando peguei seu lábio com os dentes. Uma mordidinha, e o som que ela fez ferveu meu sangue. Eu ia entrar em combustão antes que qualquer coisa começasse. Nos virei em direção à cama, tirando a boca dos seus lábios mornos. Queria tirar as cobertas e descobrir a roupa de cama mais macia e sedosa que era digna de Kat. Ela deu um beijinho de língua no meu pulso. Foda-se os lençóis melhores.


Eu a coloquei na cama, indo mais devagar do que meu corpo exigia que fosse. Ela me deu um sorrisinho, e meu coração se revirou em meu peito quando me ajoelhei à sua frente. Nossos olhos se prenderam. Minha pulsação estava rápida e eu a sentia em todas as partes do corpo. — Não mereço você. — as palavras eram verdadeiras. Kat merecia o mundo e mais um pouco. Inclinando-se para a frente, ela colocou a mão na minha bochecha e eu senti o toque em todas as células do meu corpo. — Você merece tudo — ela disse. Virei a cabeça, beijando sua palma. Tantas palavras vieram à ponta da minha língua, mas quando ela se levantou e baixou os braços, segurando a bainha do vestido, meu coração parou, e as palavras morreram no silêncio entre nós. Kat levantou o vestido e o tirou, jogando-o no chão ao meu lado. Não conseguia me mexer. Não conseguia nem fazer com que meus pulmões funcionassem. Pensar se tornou quase impossivel enquanto a olhava. Ela me consumia. Sem usar nada a não ser um retalho de tecido fino, seu cabelo caindo pelos ombros e por cima dos seios, ela ficou ali em pé, parecendo uma espécie de deusa. — Você… você é tão linda. — levantei devagar, meus olhos seguindo o leve rubor que descia pelo seu pescoço. Sorri. — Você fica linda demais quando cora. Ela baixou a cabeça, mas eu segurei seu queixo, forçando seus olhos a voltarem aos meus. — Falo sério — disse. — Absolutamente linda. O sorriso tenro, quase tímido, voltou a aparecer. — Elogios vão te levar bem longe no momento. Eu dei risada. — Bom saber, porque eu planejo ir muito longe... e quero pegar a rota com os melhores cenários. Aquele rubor se intensificou, mas ela agarrou minha camisa. Eu fiz o serviço por ela. Tirando-a, eu deixei que caísse onde seu vestido estava. Por um momento, ficamos ali, separados só por alguns centímetros. Nenhum de nós falou. Uma corrente de eletricidade encheu o ar, arrepiando os pelos dos meus braços. As pupilas de Kat começaram a dilatar. Deslizando uma mão por sua nuca, puxei-a com gentileza na minha direção. Então ficamos peito a peito, e o tremor que a percorreu provocou um curto circuito em meus sentidos. Seus lábios se abriram no momento que tocaram os meus; seus dedos encontraram o botão do meu jeans, e meus dedos descobriram a delicada tanga descansando em seu quadril.


Eu a guiei para a cama, e seu cabelo se espalhou com um halo negro. Seus olhos estavam baixos enquanto me olhava, mas eu conseguia ver o leve brilho branco que radiava deles. Seu olhar me queimou por dentro. Eu queria adorá-la. Precisava disso. Cada pedacinho. Começando pelos seus dedos dos pés, fui subindo. Lentamente. Algumas áreas prenderam minha atenção por muito mais tempo. Como o gracioso arco do seu pé e a pele sensível detrás dos seus joelhos. As curvas das suas coxas me encantaram, e os vales mais acima me chamavam. O modo que arqueava as costas, os arfares ligeiros, os sons baixos, e como seus dedos se enterravam em minha pele abalavam meu mundo. Quando finalmente fiquei em cima dela, coloquei as mãos na cama na altura da sua cabeça. Olhando para Kat, voltei a me apaixonar. Perdi o meu coração quando ela sorriu. Encontrei um novo objetivo quando ela pôs a mão entre nossos corpos e me tocou. Me afastei tempo suficiente para pegar a camisinha. E no momento não havia nada entre nós, sem mais espera, quaisquer intenções egoístas desapareceram. Minhas mãos estavam famintas. Eu estava faminto, e minhas mãos em todo lugar, meus lábios seguindo caminho. Nossos corpos se moviam juntos como se nada nos separasse. E quando a olhei, meu olhar viajando por suas bochechas coradas e lábios inchados, soube que nunca haveria um momento mais belo e perfeito em minha vida que esse. Estava me embriagando no seu gosto, no seu toque. Só existia o som dos nossos corações acelerados, até ela chamar meu nome, a respiração entrecortada em meus ouvidos. Mas meu peso devia estar esmagando-a, mesmo se não reclamasse. Levantando, rolei para o lado. Minha mão passou pela suas costelas, pelo seu quadril, e ela se virou para mim, colando tanto que mais uma vez não havia espaço entre nós. — Foi perfeito — ela murmurou sonolenta. Eu ainda não era capaz de falar. Só Deus sabia o que sairia da minha boca no momento, então dei um beijo em sua testa suada. Ela exalou um suspiro de satisfação, e depois apagou em meus braços. Eu estava errado. Não existia um momento mais belo nem mais perfeito do que aquele. E eu queria uma vida inteira deles.

***** Katy De manhã, nossos braços e pernas estavam entrelaçados, e o lençol enrolado no meu quadril.


Foi preciso alguns movimentos ninjas para me desvencilhar de Daemon. Espreguiçando os braços acima da cabeça, eu exalei um suspiro feliz. Meu corpo estava dolorido do tipo gostoso. — Umm, que sexy. Abri os olhos de vez. Assustada e exposta, peguei o lençol, mas a mão de Daemon me impediu. Fogo encheu meu rosto quando meu olhar colidiu com o seu verde floresta. — O que foi? — ele murmurou com preguiça. — Está com vergonha agora? Não vejo sentido. Calor desceu pela minha garganta, e minha pele formigou. O que Daemon disse meio que fazia sentido. Modéstia não esteve presente ontem, mas ainda assim. Puxei o lençol da sua mão e me cobri. Ele fez biquinho, e era ridículo que ainda conseguisse ficar sensual fazendo isso. — Estou tentando manter o mistério vivo. — disse a ele. Ele deu risada, e o som rouco me percorreu. Ficando mais perto, ele beijou a ponta do meu nariz. — Mistério é supervalorizado. Eu quero conhecer cada pequena sarda e cada curva bem de perto. — Acho que fez isso ontem. — Nada. — ele sacudiu a cabeça. — Aquela foi só uma breve apresentação. Quero conhecer os sonhos e aspirações delas. Eu ri. — Isso é ridículo. — É a verdade. — ele rolou na cama, tirando o lençol do corpo e colocando os pés no chão. Meus olhos arregalaram. Nu como no dia em que nasceu, ele se levantou com fluidez, totalmente despreocupado por cada pedacinho seu estar em exibição. Ele ergueu os braços e se espreguiçou. Suas costas curvaram, os músculos flexionaram e alongaram. As linhas laterais do seu quadril se pronunciaram, atraindo minha atenção por tempo demais para que fosse decente. Finalmente, me forcei a levantar os olhos. Nossos olhares se encontraram. — Sabe, existe uma coisa chamada calça. Devia experimentar. Ele me deu um sorriso descarado ao se virar. — Você ficaria arrasada. Imagine só, é isso que vai ver todos os dias daqui em diante. Meu coração fez uma dancinha maluca. — A sua bunda pelada? Nossa. Quero o ingresso. Ele riu outra vez e então desapareceu no banheiro. Sentindo um calor, fechei os olhos. Todos os dias? Tipo, para sempre? Isso fez minha barriga chacoalhar e rodopiar de um jeito bom que não tinha nada a ver com o seu atual estado de nudez. Acordar ao lado de Daemon, dormir ao seu lado? Abri os olhos quando ouvi a porta reabrir. Ele estava esfregando os olhos, e eu o olhava outra vez,


tipo, secando mesmo lugares completamente inapropriados. Era como saber que não se deve olhar uma coisa, então seus olhos iam nela automaticamente. Ele baixou o braço. — Acho que você está babando um pouco. — O que? Não estou nada. — mas posso ter babado. Então puxei o lençol para o rosto. — Um cavaleiro jamais diria algo tão inconveniente. — Eu não sou um cavaleiro. — ele se aproximou, tirando o lençol de mim. Eu segurei, mas a luta de brincadeira não durou muito tempo. — Não tem como se esconder. Eu te peguei. — Você é péssimo. — Pelo menos não fico babando. — Ele jogou o lençol do outro lado da enorme cama. Sua inspeção lenta fez com que eu dobrasse os dedos dos pés. — Ok. Acho que posso estar babando agora. Meu rosto ia queimar antes do café da manhã. — Pare. — Não posso evitar. — Ele colocou uma mão ao lado do meu quadril na cama e se abaixou, roçando os dedos no meu queixo. — Peguei a baba. Rindo, empurrei seu peitoral super firme. — Você tem um senso superinflado de valor próprio. — Anham. — Ele se abaixou até nossos corpos estarem colados e sua coxa entre as minhas. Ele segurou o peso do corpo nos braços ao inclinar a cabeça, passando os lábios nos meus. — Beijo? Agarrei seus braços e lhe dei um selinho rápido. — Pronto. Ele levantou a cabeça, fechando a cara. — Esse é o tipo de beijo que se dá na avó. — O que foi? Quer um melhor? — Esticando o pescoço, dei um beijo mais barulhento, tipo muah. — E agora? — Uma droga. — Isso não é coisa que se diga. — Tente de novo — ele disse, estreitando bem os olhos. O ar ficou preso na minha garganta. — Não sei se você merece um melhor depois de me dizer que o último foi uma droga. Ele fez uma coisa altamente incrível com o quadril, me fazendo ofegar. — É — disse de um jeito convencido. — Eu mereço outro beijo. Sim... sim, ele merecia. Eu o beijei outra vez, mas me afastei antes que o beijo se transformasse em algo mais intenso. Daemon franziu mais a testa e eu sorri.


— Isso é tudo o que merece. — Discordo plenamente disso. — As pontas dos seus dedos desceram pelo meu braço e pelas minhas costelas. O toque leve como o de uma pena continuou pela minha barriga e mais além em direção ao sul. O tempo todo seu olhar estava preso ao meu. — Tente de novo. Quando não me movi, ele fez uma coisinha com os dedos que fez o meu coração martelar as costelas. Levantei a cabeça, me sentindo leve e tonta. Roçando a boca na sua, voltei a beijá-lo, prestando uma atenção especial ao seu lábio inferior. Quando comecei a me afastar, ele passou a mão em torno da minha nuca. — Não. — sua voz era baixa. — Só melhorou de leve. Talvez eu tenha que lhe mostrar. E ele mostrou— Oh, Deus, se mostrou. Ontem foi doce e lento e mais que perfeito, mas isso era algo completamente diferente e tão incrível quanto. Havia um quê de desespero em cada beijo, em cada toque. Uma afobação se ergueu entre nós, aumentando com cada respiração. Daemon se colocou por cima e depois dentro de mim, transformando o fogo brando em uma tempestade que ardia fora de controle. Minhas mãos o seguraram quando a tensão dentro de mim explodiu, e as extremidades do seu corpo ficaram borradas quando qualquer controle que tinha sob si desapareceu. Nenhum de nós se mexeu pelo o que pareceu uma eternidade. Nossos quadris ainda estavam colados. Meus braços presos em volta do seu pescoço. Uma de suas mãos repousava em minha bochecha, a outra enroscada na minha cintura. Até quando ele rolou para o lado ele me levou consigo. Não tinha muita escolha no assunto. Eu não ia soltá-lo. Não queria. Eu queria apertar no stop e parar tudo para ficar ali, bem ali com ele. Porque eu sabia que no momento que deixasse aquela cama, deixasse aquele quarto, uma realidade desconhecida me esperava. Coisas sérias precisavam ser decididas. Decisões que nenhum de nós poderia evitar tinham que ser tomadas. Mas eu pensei naquele negócio de todas as manhãs— No para sempre. Não importava o que fôssemos enfrentar, enfrentaríamos juntos. Isso me deixava preparada. — No que está pensando, Kitten? — ele perguntou, tirando o cabelo da minha bochecha. Eu abri os olhos e sorri. — Estava pensando nas coisas que precisamos decidir. — Eu também. — ele me beijou. — Mas acho que precisamos tomar um banho e nos trocar antes de fazermos isso. Eu ri. — Verdade. — Já lhe disse que amo a sua risada? Não importa. Vou dizer de novo. Eu amo a sua risada. — E eu amo você. — dei um beijo nos seus lábios e me sentei, levando o lençol comigo. — Eu uso o chuveiro primeiro.


Daemon se apoiou no cotovelo. — Podemos usar o chuveiro juntos. — É, acabaríamos precisando de um banho depois que tomássemos banho. — enrolando o lençol em volta do corpo, saí da cama. — Volto já. Ele piscou. — Vou ficar esperando.

***** Daemon Se antes eu tinha alguma dúvida sobre Kat ser a mulher perfeita, essa dúvida desapareceu naquele momento. Ela tomou o banho em menos de cinco minutos. Incrível. Nem tinha achado que fosse humanamente possível. A ideia de Dee de um banho rápido era de quinze minutos. E então ela saiu, uma toalha presa debaixo dos braços, enquanto enxugava o cabelo molhado. Quando ela olhou para a cama, um lindo rubor subiu por suas bochechas. Acho que eu poderia ter me vestido, mas então eu perderia aquele rubor. Jogando as pernas para fora da cama, comecei a andar. Quando passei por ela, apertei a bochecha rosa. Seu rosto ficou ainda mais vermelho, e eu ri quando ela murmurou algo bem grosseiro para uma dama em voz baixa. O banheiro era ótimo e estava cheio de vapor. Ao ficar debaixo do chuveiro, deixando a água bater no meu rosto, pensei na noite de ontem, na manhã de hoje. Meus pensamentos voltaram mais, até a primeira vez que vi Kat saindo pela porta de sua casa, indo até a minha para perguntar localizações. Mesmo que não quisesse admitir no momento, ela tinha enfiado as garras em mim, e não queria que as tirasse. Naquele ponto, meu cérebro basicamente descarregou um monte de porcaria em cima de mim. Trazendo à tona lembranças que quase havia esquecido— De Kat discutindo comigo sobre o canteiro de flores e se recusando a ir ao lago comigo no dia que Dee escondeu minhas chaves. Como se eu precisasse das chaves para ir a algum lugar. Mesmo naquela época eu fiquei procurando motivos para passar mais tempo com ela. Havia tantos momentos. Como quando ela deu uma de ninja com os Arum depois da festa de graduação. Ela arriscou a vida por mim, mesmo quando não fui mais do que um tremendo idiota com ela. E a noite de Halloween? Ela teria morrido por Dee e por mim. Eu teria morrido por ela. Para onde iríamos daqui em diante? Não só onde acabaríamos vivendo ou qualquer merda dessa,


mas nós dois sacrificamos e sacrificaríamos praticamente tudo um pelo outro. Havia mais um passo a ser dado. Pensei na viagem de carro até ali, quando me peguei olhando para sua mão esquerda. Meu coração fez uma coisa estranha em meu peito, algo entre um apertão meio em pânico e um salto empolgado. Eu baixei a cabeça sob a corrente de água. Algo crescia em meu peito, se amontoando até não ter como negar o que eu queria. Meus punhos se fecharam contra o azulejo. Merda. Estava mesmo pensando nisso? Sim. Queria mesmo isso? Totalmente. Era provavelmente a coisa mais louca que já cogitei? Absolutamente. Isso me impediria? Nada. Me sentia como se fosse desmaiar? Só um pouco. Já estava no chuveiro há mais de quinze minutos. Mas que garotinha. Aquela sensação de pânico e de emoção aumentou quando eu fechei as torneiras, cortando a água. Minha mão tremia um pouco, e eu apertei os olhos. Devia pensar direito nisso. Mas de novo, quem eu estava enganando? Quando decidia uma coisa, ia até o fim. E já estava decidido. Nada de fingir que não era sério. Nada de adiar. Era o certo. Eu sentia que era o certo. E era isso que importava— A única coisa que importava. Estava apaixonado por ela. Sempre estaria. Enrolando uma toalha em volta do quadril, entrei no quarto. Kat estava sentada na cama, com as pernas cruzadas, vestida com uma calça jeans e com a camisa escrito MEU BLOG É MELHOR DO QUE O SEU VLOG. É, isso praticamente encerrou a questão para mim. — Então, eu estava pensando — eu disse, a boca movendo antes que meu cérebro a seguisse. — Um dia tem oitenta e seis mil e quatrocentos segundos, certo? Tem mil quatrocentos e quarenta minutos em um dia. Ela franziu a testa. — Ok. Vou acreditar em você. — A conta está certa. — bati na cabeça com o dedo. — Tem um monte de conhecimento inútil aqui dentro. Voltando, está seguindo o meu raciocínio? Uma semana tem mil seiscentos e oitenta horas. Por volta de oitenta e sete mil e mais um pouco horas em um ano, e sabe o que mais? — O quê? — Eu quero passar cada segundo, cada minuto e cada hora com você. — Uma parte minha não conseguia acreditar que uma coisa brega dessas saiu pela minha boca, mas era a mais pura verdade. — Eu quero um ano com todos seus minutos e segundos ao seu lado. Quero uma década equivalente em horas, tantas que nem possa calcular.


Seu peito subiu alto ao me olhar, os olhos arregalados. Dei mais um passo e apoiei um joelho no chão à sua frente, só com a toalha. Provavelmente devia ter colocado uma calça. — Você quer isso? — perguntei. Os olhos de Kat encontraram os meus, e a resposta foi imediata. — Sim. Eu quero. Você sabe disso. — Ótimo. — meus lábios se curvaram. — Então vamos casar.

CAPÍTULO 25 Katy


O tempo parou. Meu coração parou de bater por um momento e depois acelerou a toda velocidade. Me deu um frio na barriga, como se estivesse descendo em uma montanha-russa. Eu o olhei por tanto tempo que ele arqueou uma sobrancelha escura. — Kitten…? — ele inclinou a cabeça de lado. Madeixas molhadas caíram pela sua testa. — Está respirando? Estava? Não tinha certeza. Só conseguia olhar para a cara dele. Não era possível que tivesse dito o que eu achava que disse. Vamos nos casar. A afirmação, porque eu tinha certeza que não foi uma pergunta, era tão improvável que eu fiquei perplexa. Um sorriso torto apareceu em seu rosto. — Ok. Seu silêncio está demorando mais do que eu pensei que demoraria. Pisquei os olhos. — Desculpa. É que… o que foi que me perguntou? Ele riu com vontade e estendeu a mão, entrelaçando os dedos nos meus. — Eu disse: vamos nos casar. Arfando com vontade, apertei sua mão quando meu coração deu outro pulo. — Está falando sério? — Mais sério que nunca — ele respondeu. — Bateu a cabeça no banheiro? Porque passou um bom tempo nele. Daemon deu uma gargalhada. — Não. Deveria me ofender com essa pergunta? Eu corei. — Não. É que… quer se casar comigo? Tipo, casar de verdade? — Existe mais de um tipo de casamento, Kitten? — ele estava sorrindo outra vez. — Não seria legal, porque teríamos que usar as nossas identidades novas, então de certo modo, não será de verdade, mas para mim seria— Para nós. Quero fazer isso. Agora. Não tenho o anel, mas prometo que lhe compro um anel digno quando as coisas… quando as coisas se acalmarem. Estamos em Vegas. Não tem lugar melhor. Eu quero casar com você, Kat. Hoje. — Hoje? — minha voz saiu estranha. Achei que fosse desmaiar. — Sim. Hoje. — Mas somos… — éramos jovens, mas sério, existia mesmo essa de muito jovem com a gente? Eu tinha dezoito, há poucos meses de fazer dezenove. Sempre imaginei estar ao menos na metade dos vinte antes de me amarrar, mas nosso futuro era tão incerto. Não vivíamos no mundo comum que as pessoas enfrentavam todos os dias, sem saber o quanto suas vidas poderiam ser curtas. Estávamos no


lado ruim das estatísticas que não estavam ao nosso favor. Se não conseguíssemos nos esconder e fêssemos capturados outra vez, duvidada que o Daedalus permitiriam que ficássemos juntos novamente. Isso é, se sobrevivêssemos. Não tínhamos a garantia de anos pela frente para poder ver onde a nossa relação daria. — Mas o que? — ele perguntou baixinho. Eu não tinha certeza se precisaríamos de todos aqueles anos para determinar se queríamos ou não ficar juntos. Soube naquele exato segundo que queria passar o resto da vida com Daemon, mas não era tão simples. Alguma coisa podia estar por trás dessa sua decisão. Ele apertou minha mão. — Kat? Meu coração batia loucamente rápido. Parecia que estava no topo de uma montanha-russa. — Quer fazer isso porque talvez o amanhã nunca chegue? É por isso que quer casar comigo? Porque pode não existir outra oportunidade no futuro para que façamos isso? Ele inclinou o corpo para trás. — Posso dizer que isso não tem um papel importante para que casemos agora? Não. Tem sim. Mas não é o único nem o principal motivo para que queira me casar com você. É mais, tipo, o catalisador. — O catalisador — sussurrei. Ele assentiu. — Vou fazer tudo ao meu alcance para que nada de ruim aconteça. Farei qualquer coisa para garantir que tenhamos tempo para fazermos tudo o que quisermos, mas não sou idiota a ponto de desconsiderar o fato de que possa acontecer algo que não vá poder controlar. E, droga, não quero olhar para trás e ver que não agarrei a oportunidade de te fazer minha, de provar de verdade que quero passar o resto da vida com você. Que perdi essa chance. O ar teve dificuldade em passar pelo nó repentino que se formou em minha garganta. Lágrimas queimaram meus olhos. — Quero casar com você porque estou apaixonado por você, Kat. Sempre estarei. Isso não vai mudar hoje nem daqui a duas semanas. Vou estar apaixonado por você daqui a vinte anos do mesmo jeito que estou hoje. — ele soltou minha mão e levantou um pouco, tocando minha bochecha. — É por isso que quero casar com você. Meus olhos se encheram de lágrimas e algumas escaparam. Ele pegou cada uma delas com o polegar. — As lágrimas são uma coisa boa ou ruim? — É que… que coisa linda de se dizer. — enxuguei o rosto com as mãos, me sentindo uma tola


altamente emocional à beira de um colapso. — Então quer mesmo casar hoje? — Sim, Kat, quero mesmo casar. — De toalha? Ele jogou a cabeça para trás e riu. — Talvez eu coloque alguma roupa. Meus pensamentos correram. — Mas onde? — Tem um milhão de lugares em Vegas. — É seguro? Ele assentiu. — Acho que sim, se formos rápidos. Um casamento às pressas em Vegas? Quase dei risada porque iríamos ser mais dois em um milhão de pessoas que vinham a Vegas e se casavam. Um pouco do entorpecimento passou ao saber como… era fácil fazer isso. Se casar. Meu coração deu um salto mortal. — Se não se sentir pronta, tudo bem. Não precisamos fazer isso — ele disse, os olhos encontrando os meus. — Não vou ficar com raiva se não sentir que a hora é certa, mas vou pedir mais uma vez. Nem precisa dizer que não. Só não diga nada. Ok? — ele inspirou. — Vai me tornar o filho da mãe mais sortudo da Terra se casando comigo, Katy Swartz? Minha respiração vacilou. Uma tensão corria por todo meu corpo. Tinha imaginado um pedido bem diferente daquele. Nunca envolvia uma toalha, e eu teria um noivado bem longo, planejaria o casamento, e teria família e amigos testemunhando o momento, mas… Mas eu estava apaixonada por Daemon. E como ele disse, continuaria apaixonada amanhã e daqui a vinte anos. Isso nunca ia mudar. As emoções eram complexas, mas a resposta era simples. Respirei fundo, e pareceu que respirava pela primeira vez na vida. — Sim. Ele me olhou deslumbrado. — Sim? Assenti com vontade balançando a cabeça, igual a uma foca. — Sim. Eu caso com você. Hoje. Amanhã. Quando for. Em um piscar de olhos ele se levantou e eu fui capturada em seu forte abraço. Seus braços me apertavam com força, meus pés a vários centímetros do chão, e sua boca se colou à minha. Aquele beijo era mais uma declaração de propriedade do que qualquer certidão de casamento.


Eu me afastei para poder respirar, agarrando seus ombros. Ele começou a brilhar em um branco leve e bonito ao me olhar com uma expressão maravilhada. Eu sorri. — Bem, vamos começar o show. *****

Daemon Eu não deixaria Kat trocar de camiseta. Gostava daquela. Afinal, foi a primeira camiseta que a vi usando, e eu achava mais que apropriada. Me sentindo como se tivesse acabado de escalar o Monte Everest em um segundo, coloquei uma calça jeans e uma camisa correndo. Ok. Talvez não correndo. Me distraí o tempo inteiro com os lábios de Kat, porque aqueles lábios me disseram sim, o que os transformou de repente em algo que eu não conseguia parar de tocar. Eles estavam inchados quando descemos a escada. Ainda cedo, apenas Lyla estava acordada. Não me constrangi em lhe pedir um carro emprestado, porque não queria Kat andando por Vegas. Lyla nos cedeu facilmente a chave de um Jag, que eu troquei por um Volkswagen que vi na garagem, junto com mais dois carros de sua propriedade. Meus dedos coçaram para pegar o Jag, mas ele chamaria muita atenção. Eu sinceramente não acreditava que fôssemos nos deparar com algum problema. O último lugar em que os Daedalus estariam à nossa procura seria em uma capela, mas eu assumi a mesma aparência do cara que usei no motel, e nós achamos um chapéu e óculos de sol para Katy. — Eu pareço uma celebridade falsificada — ela disse, se olhando no retrovisor. Ela se virou para mim. — E você está meio gatinho. Eu bufei. — Não sei se devo me incomodar com essa declaração. Ela deu um risinho. — Sabe, Dee vai matar a gente. Decidimos não contar a ninguém. Principalmente porque Matthew provavelmente se oporia, e, sinceramente, queríamos fazer isso sozinhos. Era o nosso momento. Nosso pedacinho de bolo que não dividiríamos com ninguém. — Ela vai superar — eu disse, sabendo que era questionável. Dee provavelmente me mataria por não ter podido participar. Dirigindo o VW pelo condomínio e chegando até a estrada de acesso,


estendi o braço e bati de leve na coxa de Kat. — Falando sério, ok? Quando toda essa droga estiver em ordem, se você quiser um casamento grande e tudo mais, eu posso providenciar. Só precisa me dizer. Ela tirou os óculos enormes. — Casamentos grandes custam muito dinheiro. — E eu tenho muito dinheiro guardado. O bastante para garantir que não tenha com o que se preocupar até decidirmos o que vamos fazer, então mais que suficiente para cobrir um casamento. Ela sacudiu a cabeça. — Não quero um casamento grande. Só quero você. Quase parei o VW na hora e subi em cima dela. — Só tenha isso em mente se mudar de ideia. — queria lhe dar tudo—um anel que pesasse no dedo e o melhor casamento de todos. Nenhum dos dois era viável no momento— E, eu tinha que admitir que me dava tesão o fato dela não parecer se importar com essas coisas. Ok. Ela sempre me enchia de tesão, mas não interessava. — Sabe onde quero me casar? Casar. Uau. Nem acredito que disse isso. Voltando — disse Kat, os olhos brilhando sob a asa do chapéu. — Quero a igrejinha, a que todos que vem a Vegas casar vão. Levei uns segundos pensando. — Fala da The Little White Wedding Chapel? A do filme “Se Beber Não Case”? Kat riu. — É triste que a conheça por isso, mas sim. Acho que tem umas duas delas em Vegas. E seria perfeito, duvido que peçam muito mais do que o valor do pacote e a identidade. Eu lhe dei um sorriso. — Se é isso que quer, já tem. Não nos demorou muito para entrarmos em Vegas e pararmos em um dos lugares que tinham as atrações e programações em papel. Kat saiu correndo do carro e pegou alguns panfletos. Um deles era da capela. Aparentemente casamentos repentinos eram uma grande atração. Dã. Precisávamos de uma licença para o casamento. Ela franziu o cenho. — Não quero fazer isso usando nossas identidades falsas. — Nem eu. — Eu estacionei em frente do tribunal, mantendo o motor ligado. — Mas é arriscado demais usar nossos nomes verdadeiros. Além disso, vamos precisar da licença com os nomes nas identidades que vamos usar daqui para frente. Você e eu sempre saberemos a diferença. Ela assentiu e tocou na maçaneta da porta, mas seus dedos escorregaram.


— Tem razão. Bem, vamos nessa. — Ei — eu a parei. — Tem certeza, não é? Quer fazer isso? Ela me encarou. — Absoluta. Eu quero isso. Só estou nervosa. — inclinando a cabeça, ela me beijou. A aba do seu chapéu roçou minha bochecha. — Eu te amo. Isso… eu sinto que é certo. O ar saiu dos meus pulmões como se me socassem. — É sim. Sessenta dólares depois tínhamos uma licença em mãos e estávamos a caminho da capela na Boulevard. Já que as nossas identidades falsas tinham as nossas fotos, eu tive que voltar a ser o Daemon assim que estacionamos. Durante todo o trajeto eu fiquei de olho em qualquer pessoa que parecesse suspeita. O problema era que todo mundo me parecia suspeito no momento. Mesmo àquela hora, as ruas estavam cheias de turistas e pessoas indo para o trabalho. Eu sabia que em todo lugar poderia haver espiões implantados, mas duvidava que um se vestisse de Elvis ou se escondesse em uma capela. Kat apertou meu braço quando a placa da capela ficou visível. O coração ao lado do nome dava um toque legal e espalhafatoso. — A The Little White Wedding Chapel não é tão pequena — ela disse quando entrei no estacionamento. Estacionei e ao tirar a chave da ignição, me transformei outra vez na forma a qual Kat estava acostumada. Um sorriso divertido iluminou seu rosto. — Melhor. — Pensei que o outro cara era gatinho. — Não tanto quanto você. — ela bateu em meu joelho, depois se afastou. — Eu levo a licença. Me virando para a janela, quase não consegui acreditar que estávamos ali. Não que estivesse me arrependendo nem nada, mas não podia acreditar que íamos mesmo fazer isso, que em mais ou menos uma hora, já seriamos marido e mulher. Ou Luxen e híbrida. Corremos para dentro e nos encontramos com a “organizadora de casórios”. Entregando a nossa licença, as identidades e o valor da taxa, já estávamos a meio caminho andado. A loira oxigenada detrás do balcão tentou nos vender todos os pacotes disponíveis, incluindo aqueles em que poderíamos alugar o paletó e o vestido.


Kat fez que não com a cabeça. Ela havia tirado o chapéu e os óculos. — Só precisamos que alguém nos case. Só isso. A loira nos deu um sorriso ultra-clareado ao se inclinar no balcão. — Os pombinhos estão com pressa? Coloquei um braço em cima dos ombros de Kat. — Pode-se dizer que sim. — Se só querem uma coisa rápida, sem sinos, música nem testemunha, então temos o Pastor Lincoln. Ele não está incluído na taxa, então pedimos mais uma contribuição. — Parece bom. — Abaixei a cabeça, roçando os lábios na testa de Kat. — Quer mais alguma coisa? Se quiser, tudo bem. O que for. Kat sacudiu a cabeça. — Só quero você. É tudo o que precisamos. Eu sorri e olhei para a loira. — Bem, pronto. A mulher se levantou. — Vocês são muito fofos. Venham comigo. Kat me cutucou com o quadril quando seguimos a loira e entramos no “Túnel do Amor” — e cara, me apareceram uns mil comentários maliciosos devido a esse nome. Eu os guardei para mais tarde. O Pastor Lincoln era um homem mais velho que parecia mais um avô do que um cara que casava gente maluca em Vegas. Conversamos com ele por uns minutos, e depois tivemos que esperar mais vinte enquanto ele terminava umas coisas. O atraso estava começando a me deixar paranoico, e eu esperava que um exército invadisse a capela a qualquer segundo. Precisava de uma distração. Puxei Kat para o colo e a abracei sua cintura. Enquanto esperávamos, lhe falei sobre as cerimônias que o meu povo fazia, que se pareciam muito com casamentos humanos, com exceção da troca de anéis. — Fazem algo no lugar dos anéis? — ela perguntou. Colocando seu cabelo detrás da orelha, sorri um pouco. — Vai achar nojento. — Quero saber. Minha mão se demorou na curva do seu pescoço. — É meio que um voto de sangue. Ficamos em nossas verdadeiras formas. — Mantive a voz baixa, só caso alguém estivesse escutando, embora tivesse certeza de que coisas mais estranhas eram ouvidas no Túnel do Amor. — Furamos os dedos e encostamos um no outro. É só isso.


Ela acariciou minha mão. — Não é tão nojento. Esperava que dissesse que tinham que correr nus ou consumar o casamento na frente de todo mundo. Joguei a cabeça em seu ombro e dei risada. — Você tem uma mente tão suja, Kitten. É por isso que eu te amo. — Só por isso? — ela se aconchegou até encostar a bochecha na minha. Apertei o abraço. — Sabe que não. — Podemos fazer aquilo... o que o seu povo faz... depois? — ela perguntou, batendo o dedinho em meu peito. — Quando as coisas se acalmarem? — Se você quiser. — Eu quero. Acho que vai deixar mais verdadeiro, sabe? — Senhorita Whitt? Senhor Rowe? — a loira apareceu na porta. Tinha certeza que a garota bronzeada tinha um nome, mas não conseguia lembrar de jeito nenhum. — Estamos prontos. Colocando Kat de pé, segurei sua mão. A porção da capela em si era na verdade bem bonita. Tinha espaço suficiente se você quisesse pessoas presentes. Rosas brancas por todo lugar— Nas extremidades das fileiras de assentos, buquês delas nos cantos e nos pedestais da frente. O Pastor Lincoln estava de pé entre os pedestais, segurando uma bíblia na mão. Ele sorriu ao nos ver. Nossos passos não emitiam som no tapete vermelho. Na verdade, poderíamos pisar com força em madeira que eu não ouviria devido ao martelar do meu coração. Paramos em frente ao ministro. Ele disse algo. Eu assenti. Só Deus sabe o que foi que disse. Nos mandaram ficar de frente um para o outro, o que fizemos, de mãos dadas. Pastor Loncoln continuou falando, mas era como o professor de Charlie Brown, porque não entendi uma palavra do que dizia. Meu olhar estava preso ao rosto de Kat, minha atenção focada na sensação das suas mãos nas minhas e no calor do seu corpo próximo a mim. A certa altura ouvi as palavras que importavam. — Eu agora os declaro marido e mulher. Pode beijar a noiva. Acho que meu coração explodiu. Kat me olhava, seus olhos cinzentos bem abertos e úmidos. Por um momento, não consegui me mexer. Como se estivesse congelado por poucos preciosos segundos, e depois me mexi, tocando suas bochechas e inclinando sua cabeça para trás. Eu a beijei. Tinha beijado-a pelo menos umas mil vezes antes, mas daquela vez— Ah, sim— Daquela vez foi diferente. O seu toque e gosto alcançaram fundo dentro de mim e marcaram a ferro minha alma. — Eu te amo — disse, beijando-a. — Te amo tanto. Ela me apertou.


— E eu a você. Antes que me desse conta, estava sorrindo e então rindo que nem um idiota, mas não ligava. Puxei-a para meus braços, aninhando sua cabeça em meu peito. Nossos corações estavam acelerados, batendo em harmonia— Nós estávamos em harmonia. Naquele momento parecia que tudo o que passamos, tudo que perdemos e que tivemos que abrir mão, tinha valido a pena. Era isso que importava— O que sempre importaria mais.


CAPÍTULO 26 Katy

Me sentindo como uma daquelas personagens de desenho animado que graciosamente levantavam a perna ao serem beijadas pelo Príncipe Encantado, fiquei tonta de felicidade e absolutamente deslumbrada de um modo que nunca acreditei possível. Era só um pedaço de papel que eu apertava na mão. Uma certidão de casamento entre dois nomes que nem eram de verdade. Mas que para mim valia muito. Valia tudo. Não conseguia parar de sorrir nem de me livrar do nó de emoção na garganta. Desde que trocamos os votos fiquei num estado constante de chora não chora. Daemon provavelmente pensava que eu tinha enlouquecido. Ao sairmos, a loira da recepção nos parou. Ela me passou uma foto. — Por minha conta — ela disse, sorrindo. — Vocês formam um casal lindo. Seria uma vergonha não terem nada que capturasse o momento. Daemon olhou por cima do meu ombro. A foto era do nosso beijo— Nosso primeiro beijo como casados. — Santo Deus — eu disse, sentindo as bochechas arderem. — Tenho certeza que estamos comendo a cara um do outro. Ele riu. A loira sorriu ao se afastar. — Acho que esse é do tipo de paixão que dura a vida inteira. Vocês têm sorte. — Eu sei. — E naquele instante eu sabia mesmo o quanto era sortuda, considerando tudo. Ergui os olhos para o meu… o meu marido. Lá no fundo eu sabia que o casamento não era legal, mas para mim era de verdade. Meus olhos quiseram abrir as comportas outra vez. — Sei o quanto sou sortuda. Daemon me presenteou com um beijo ardente que me tirou do chão. Em qualquer outro momento


eu ficaria envergonhada com isso, já que estávamos em público, mas não me importei. Nem um pouco. Piramos totalmente no caminho de volta para a casa, de mãos dadas e com os olhinhos brilhando. Nos levou alguns minutos para sairmos do carro. No momento que ele desligou o carro, nos agarramos. Ávidos— Estávamos tão ávidos. Os beijos não bastavam. Passei por cima do câmbio, sentando em seu colo. Minhas mãos foram para debaixo de sua camisa, tocando a definição da sua barriga. Ele passou as mãos pelas minhas costas, traçando o caminho da minha coluna até seus dedos se emaranharem em meu cabelo. Estava arfando quando ele interrompeu o beijo, pressionando a cabeça no encosto do assento. — Ok, — disse. — Se não pararmos, vamos fazer uma coisa bem pornográfica nesse carro. Dei um risinho. — Esse é um jeito excelente de pagar o favor que ela fez nos emprestando ele. — Sem dúvida. — Ele estendeu o braço e abriu a porta do motorista. Ar frio bateu sobre nós. — É melhor sair antes que eu mude de ideia. Eu não tinha certeza se queria que ele mudasse de ideia, mas me forcei a sair do carro. Daemon estava bem atrás de mim, as mãos no meu quadril quando entramos na casa pela porta que levava a uma pequena dispensa. Matthew estava na nossa frente no segundo que entramos na cozinha, os olhos azuis brilhando de raiva. — Onde diabos estavam? — Saímos — respondeu Daemon. Ele se colocou na minha frente, bloqueando Matthew. — Saíram? — Matthew parecia perplexo. Espiei em volta de Daemon, segurando o certificado contra o peito. — Eu queria ver umas coisas. Matthew ficou de boca aberta. — Não acho mesmo que foi boa ideia — disse Archer, aparecendo na entrada. — Sair por aí fazendo turismo quando a metade do governo está a sua caça. Daemon enrijeceu. — Está tudo bem. Ninguém nos viu. Agora se nos dão licença… Archer estreitou os olhos. — Não acredito que vocês dois… Enquanto ele falava eu cantava “Don’t Cha” na minha cabeça, tentando desesperadamente evitar pensar no casamento, mas um de nós deve ter falhado, porque Archer fechou o bico e pareceu em choque. Como se alguém tivesse acabado de lhe explicar que você pode pedir um prato inacabável


de salada no Olive Garden. Por favor, não diga nada. Por favor. Continuei pensando essas palavras repetidamente, esperando que ele estivesse espiando minha mente no momento. Matthew olhou para Archer, a testa franzida. — Tudo bem, cara? Sacudindo a cabeça, Archer rodou nos calcanhares e murmurou: — Que seja. — Sei que você está puto, Matthew. A gente lamenta. Não vamos repetir. — Daemon estendeu a mão para trás, encontrando a minha. Ele começou a andar. — E pode gritar com a gente o quanto quiser… daqui a umas cinco horas. Matthew cruzou os braços. — O que está pegando? Passando por ele, Daemon lhe deu um sorriso convencido. — Não é o que. Está mais para quem. — Eu estapeei suas costas, o que foi ignorado. — Então a sua lição de moral épica pode esperar um pouquinho? Matthew não teve de fato uma chance de responder. Nós atravessamos a cozinha e um aposento sem propósito com várias estátuas e uma mesa no meio. As vozes de Dee e de Ash ecoaram do outro aposento. — É melhor corrermos — disse Daemon — ou nunca nos livraremos deles. Embora eu não visse a hora de passar um bom tempo com Dee, eu sabia o motivo da pressa. Na metade das escadas, Daemon se virou e colocou o braço embaixo dos meus joelhos, me colocando nos braços. Contendo os risos, passei os braços em volta do seu pescoço. — Não precisa fazer isso. — Mais que preciso — ele disse e percorreu o resto do caminho como um alienígena. Em poucos segundos ele me colocou de volta ao chão no quarto e fechou a porta. As roupas não demoraram muito a sumirem. As coisas foram rápidas e tumultuadas a princípio. Ele se virou, me levando pelo quarto até que eu batesse na porta, seu corpo enorme cobrindo o meu. Havia algo de diferente no que acontecia. Parecia mais genuíno em sua natureza, como se aquele pedaço de papel cômico mudasse tudo, e talvez fosse o caso. Minhas pernas se engancharam ao redor do seu quadril, e tudo se moveu às pressas. Disse a ele que o amava. Mostrei-lhe que o amava. E ele fez o mesmo. Finalmente chegamos na cama e as coisas ficaram mais gentis e carinhosas. Horas se passaram, provavelmente um pouco mais que cinco como Daemon prometeu a Matthew. Ninguém nos interrompeu, o que foi uma surpresa. Estava mais do que confortável em seus braços, a


bochecha repousando em seu peito. Eu sabia que podia parecer estúpido, mas amava escutar o seu coração bater. Daemon brincava com meu cabelo, enrolando as mechas entre os dedos enquanto conversávamos sobre tudo que não tinha nada a ver com o futuro imediato e tudo a ver com o que esperávamos viver — Aquele em que frequentaríamos uma universidade e teríamos empregos. Em que teríamos uma vida. Foi bom, de certo modo, purificador. Então meu estômago rosnou que nem o Godzilla. Daemon deu uma risada. — Ok. Precisamos colocar comida aí dentro antes que comece a me morder. — Tarde demais — eu disse, mordiscando seu lábio. Ele fez aquele ruído sexy na garganta, do tipo que levava a coisas que pediriam mais algumas horas. Eu me forcei a colocar certa distância entre nós. — Precisamos descer. — Para você comer? — Ele sentou, passando a mão pelo cabelo. Estava lindo todo amarrotado. — É, mas também precisamos saber o que todos estão fazendo. — A realidade era um balde de água fria. — Precisamos saber o que nós vamos fazer. — Eu sei. — Ele se abaixou na beirada da cama e pegou minha camiseta. Jogou-a para mim. — Mas é melhor que tenha comida no meio. Graças a Deus que tinha. Dee estava na cozinha preparando um almoço atrasado — ou era um jantar antecipado? — que consistia em uma tábua de frios. Daemon foi para onde vinha o som da voz do irmão, e eu fiquei ao lado de Dee. — Posso ajudar? — perguntei, me equilibrando nos calcanhares. Ela me olhou. — Estou quase acabando. O que vai querer? Presunto? Peito de peru? — Presunto, por favor. — Eu sorri. — Daemon provavelmente vai querer o mesmo. E eu posso fazer o sanduíche se já não tiver feito. — Daemon quer qualquer coisa mastigável. — Ela estendeu o braço, pegando um prato de papel. Eu achei meio engraçado que aquela casa tivesse pratos de papel. Quando ela colocou dois sanduíches de presunto nele, uma explosão alta de risos masculinos fez com que espiasse por cima do ombro. Parecia aliviada. — O que foi? — Perguntei, olhando para o corredor por onde Daemon foi. — Não sei. — Um sorriso discreto apareceu. — Só estou surpresa. Archer está lá com eles. Achei que gritariam e não ficariam dando risada. — Daemon é só… você sabe, só um pouco superprotetor quando o assunto é você.


Ela riu. — Um pouco? — Ok. Bastante. Não é nada contra Archer. Na verdade ele é bem decente. Ele me ajudou, nos ajudou, quando estávamos com o Daedalus, mas ele é mais velho, ele é diferente, e ele... — Tem um pênis? — Dee completou. — Porque acho que para o Daemon esse é o maior problema. Rindo, peguei duas latas de refrigerante. — É, acho que você tem razão. E aí, andou conversando com ele? Ela deu de ombros. — Não muito. Ele não é muito de conversar. — Ele é um cara de poucas palavras. — Encostei o quadril na bancada. — E ele não teve muitas experiências. Então, provavelmente, está tentando se acostumar a tudo isso. Ela sacudiu a cabeça de leve. — É simplesmente insano e horrível o que estão fazendo com pessoas. E tem mais, não é? Queria que pudéssemos fazer alguma coisa. Pensei nos híbridos que vi e nos Origens que libertamos. Será que alguns deles escaparam? Colocando as latas de lado, suspirei. — Há muitos sofrendo muitas injustiças. — Verdade. Houve outra explosão de risos que eu reconheci como de Daemon. Estava sorrindo que nem uma abobalhada antes que percebesse. — Olha só você. Não está toda animadinha hoje? — Dee me cutucou com o cotovelo. — O que aconteceu? Encolhi os ombros. — Só um dia maravilhoso. Não vejo a hora de te contar. Ela me passou a bandeja de frios. — Se for o que ficaram fazendo no quarto a tarde toda não quero saber. Eu dei uma risada. — Não estou falando disso. — Graças a Deus. — Ash se colocou entre nós, pegando um pote de maionese. — Porque ninguém quer ouvir isso. A não ser que o assunto fosse o seu passado com Daemon, Ash era a pessoa mais falante do mundo, mas vai entender. Sorri para ela, o que me rendeu uma expressão estranha. Ash pegou uma colher, enfiou na maionese e depois a meteu na boca. Meu estômago revirou.


— O fato de você ser magra desse jeito e comer maionese a colheradas é universalmente errado. Ela piscou um olho de gato. — Morra de inveja. O engraçado era que eu não sentia inveja. — Mas talvez seja eu quem deva sentir inveja, Kitten. Dee bateu no braço dela. — Não comece. Ela sorriu ao jogar a colher na pia. — Não disse que queria ser a Kitten dele, mas se fosse, bem… essa história poderia ter um fim diferente. Alguns meses atrás ela teria me irritado ao extremo. Agora apenas sorri. Ela me olhou por um momento, e depois revirou os olhos azuis. — Deixa pra lá. Fiquei olhando quando saiu da cozinha. — Acho que ela está gostando de mim — disse para Dee. Ela riu ao colocar o último sanduíche no prato. Havia mais de uma dúzia. — Na verdade, acho que o maior problema é que Ash quer não gostar de você. — Ela faz um excelente trabalho. — Mas não acho que é o que sente de verdade. Dee pegou a bandeja, inclinando a cabeça de lado. — Ela gostava de verdade de Daemon. Não acho que tenha sido amor, mas acho que sempre acreditou que ficariam juntos. Isso é bem difícil de superar. Eu meio que me senti culpada. — Eu sei. — Mas ela vai. Além disso, vai encontrar alguém que suporte a sua chatice, e tudo vai se acertar. — E você? Ela riu e piscou. — Só quero que as coisas se acertem por uma noite... se é que me entende. Engasguei com a risada. — Santo Deus, não deixe Daemon nem Dawson ouvirem isso. — Fala sério. Todos estavam na sala de vídeo — corpos jogados em sofás, poltronas e cadeiras do papai. A maior televisão que já vi enfeitava uma das paredes, bem perto do tamanho de uma tela de cinema. Daemon bateu o lugar ao seu lado no sofá e eu me sentei, entregando-lhe seu prato e refrigerante.


— Obrigado. — Foi sua irmã que fez. Eu só trouxe. Dee colocou a bandeja na mesinha de centro e olhou na direção onde Archer estava sentado ao lado de Luc e Paris. Depois pegou dois sanduíches e foi sentar na poltrona cor de vinho. Dois pontos rosados apareceram em suas bochechas, e eu esperei que estivesse pensando coisas bem comportadas e puras. Uma olhada para Archer, que agora a fitava, me fez assumir que aquele não era o caso. Do meu outro lado, Dawson se inclinou e pegou dois sandubas, um para ele e outro para Beth. A garota estava enrolada em uma manta e parecia quase dormir. Nossos olhos se encontraram e uma tentativa de sorriso iluminou o seu rosto. — Como está se sentindo? — Perguntei. — Ótima. — Ela arrancou pedacinhos do pão. — Só estou cansada. Mais uma vez me perguntei o que poderia haver de errado com ela, porque alguma coisa havia. Ela não parecia apenas cansada; parecia absolutamente exausta. — A viagem foi enorme — Dawson elaborou. — Meio que me cansou também. Ele não parecia cansado. Na verdade, parecia estar novinho em folha. Seus olhos verdes estavam mais que brilhantes, principalmente toda vez que olhava para Beth. O que acontecia o tempo todo. — Coma — ele disse para ela em voz baixa. — Precisa comer ao menos dois desses. Ela riu baixinho. — Dois eu não sei. Ficamos ali por um tempo, bem depois de comermos, e eu acho que todos estavam adiando o inevitável— O papo sério. Tanto que Matthew saiu da sala, dizendo que voltaria em alguns minutos. Daemon se inclinou para frente, colocando as mãos nos joelhos. — Hora de falar sério. — Verdade — disse Luc. — Temos que pegar a estrada logo. Amanhã seria o melhor. — Acho que todos sabemos disso — disse Andrew. — Mas para onde vamos, exatamente? Luc abriu a boca, mas Archer levantou a mão, silenciando-o. — Só um momento. Os olhos do origem mais jovem se apertaram, mas ele recuou em seguida, a mandíbula trincada. Archer se levantou e saiu da sala, os punhos fechados. — O que foi? — perguntou Daemon. Um desconforto subiu pela minha espinha. Olhei para Dawson, que de repente ficou em estado de alerta.


— Luc — chamei, sentindo meu coração tropeçar. Luc se levantou, o peito estufando. Em um segundo ele estava em frente à poltrona e no próximo do outro lado da sala, uma mão em volta da garganta de Lyla. — Quanto tempo? — exigiu saber. — Puta merda. — Andrew pulou de pé, colocando-se em frente à irmã e à Dee. — Quanto tempo? — Luc questionou novamente, os dedos apertando a garganta dela. O sangue fugiu do rosto da Luxen. — Eu-eu não sei do que está fa-falando. Daemon se levantou devagar e se aproximou. Seu irmão estava ao seu lado. — O que está acontecendo? Luc o ignorou, levantando a Luxen apavorada do chão. — Vou lhe dar cinco segundos para responder a pergunta. Um. Quatro... — Não tive escolha — ela ofegou, apertando a munheca do garoto. Meu sangue gelou. Compreensão se espalhou pela sala, seguida de horror. Me aproximei de Beth, que lutava para se desvencilhar da manta. — Resposta errada — disse Luc, a voz baixa ao soltar Lyla. — Sempre se tem escolha. Essa é a única coisa que não podem nos tirar. Luc se moveu tão rápido que eu duvidava que até mesmo Daemon pudesse o acompanhar. Atirou o braço no ar. Uma luz branca desceu por ele, explodindo de sua mão. Uma onda de calor e de poder atravessou a sala, soprando meu cabelo do rosto. A energia golpeou o peito de Lyla, arremessando-a para trás em uma pintura a óleo da Vegas Strip. Uma expressão de choque passou pelo seu rosto, e depois, mais nada. Seus olhos estavam inexpressivos quando deslizou pela parede, as pernas dobradas sob o corpo. Oh meu Deus… recuei, cobrindo a boca com a mão. Havia um buraco no peito de Lyla. Saía fumaça dele. Um segundo depois, ela ficou fora de foco que nem uma TV com o sinal ruim, revelando-se depois em sua verdadeira forma, o brilho se esvaindo até revelar a pele translúcida e um conjunto de veias opacas. — Quer, por favor, explicar por que acabou de matar nossa anfitriã? — Daemon perguntou em um tom perigosamente apático. Archer reapareceu na enorme porta da sala, uma mão agarrando a nuca de Matthew e um telefone esmagado na outra. Escorria sangue do nariz de Matthew de um vermelho escuro com um tom azulado.


Daemon e Dawson correram. — Que diabos? — a voz de Daemon ressoou pela casa. — Tem dois segundos para responder isso antes que eu destrua essa sala usando o seu traseiro. — Seu amigo aqui estava fazendo uma ligação. — O tom de Archer era neutro, tão calmo que um tremor assolou meus músculos. — Diga a eles, Matthew, diga para quem estava ligando. Não houve resposta de Matthew. Ele apenas encarava Daemon e Dawson. Archer o apertou com mais força, puxando sua cabeça para trás. — O bastardo estava com o Daedalus ao telefone. Ele fodeu com a gente. E fodeu bonito.


CAPÍTULO 27 Katy

Daemon se afastou, fisicamente abalado com a acusação. — Não. — Sua voz estava rouca. — Impossível. — Sinto muito — disse Matthew. — Não podia deixar que isso acontecesse. — Deixar que o quê acontecesse? — perguntou Dee. Seu rosto estava pálido e suas mãos fechadas aos lados do corpo. Matthew não tirou os olhos de Daemon. Sua voz, todo seu ser implorava para que Daemon entendesse o impossível. — Não posso perder todos vocês... vocês são a minha família, e Adam está morto. Está morto por causa do que o Daedalus quer. Precisam entender. Essa é a última coisa pela qual queria ter que passar outra vez. Uma sensação arrepiante percorreu as minhas veias. — Outra vez? Os olhos azuis vibrantes de Matthew vieram até mim, e foi como se tivessem aberto as cortinas. Pela primeira vez eu vi a desconfiança e o ódio em seu olhar. Tão potentes e poderosos que atravessaram a sala e me atingiram. — É por isso que não nos misturamos com humanos. Acidentes acontecem, e está em nossa natureza salvarmos aqueles que amamos. É por isso que não amamos humanos. Nos leva a isso! No momento em que nos envolvemos com um humano, o Daedalus ficam a um passo atrás de nós. — Oh meu Deus. — Dee pôs as mãos na boca. Paris fez tsc com a língua. — Essa é uma razão horrível para se trair aqueles a quem considera da família. — Você não entenderia! — Matthew lutou para se soltar de Archer. — Se eu tiver que


sacrificar uma pessoa para salvar outra, é isso que vou fazer. Já fiz. Foi para um bem maior. Fiquei abismada. Completamente sem ação e pensamentos por alguns segundos, mas então pensei naquela noite que Daemon e eu procuramos Matthew depois que vimos os Arum entrarem na casa com Nancy— Na mesma noite que Matthew confirmou que se Beth estava viva, Dawson também tinha que estar. Matthew sabia de tantas coisas que nunca questionamos. E o fato dele saber sobre aquele lugar e nunca ter mencionado? O horror cresceu dentro de mim enquanto o olhava. Luc inclinou a cabeça de lado. — O que eles lhe ofereceram? Todos seriam soltos se devolvesse apenas um deles? Uma troca justa. Uma vida por um punhado de outras? Eu ia vomitar. — Eles queriam Daemon e Kat — ele disse, voltando a olhar para Daemon. — Prometeram que os demais seriam poupados. — Você é louco? — berrou Dee. — Como que isso é ajudar? — Isso vai! — rugiu Matthew. — Por que acha que deixaram você e Daemon em paz? Vocês sabiam do relacionamento de Dawson e que Bethany sabia da verdade sobre nós. Todos vocês corriam risco. Eu precisava fazer alguma coisa. — Não. — A voz baixa de Beth sacudiu a sala. — Foi o meu tio que nos entregou... — Seu tio confirmou o que já era suspeitado — Matthew cuspiu as palavras. — Quando eles vieram me ver para falar de vocês, me deram uma opção. Se eu falasse a verdade sobre a natureza do relacionamento de vocês e do quanto você sabia, todos seriam deixados em paz. — Seu filho da puta. — As extremidades do corpo de Daemon começaram a sair de foco. — Entregou Dawson a eles? Meu irmão? — Suas palavras escorriam veneno. Matthew negou com a cabeça. — Sabe o que eles fazem com Luxen que violam as regras. Nunca mais se ouve falar neles. Eles ameaçaram levar todos vocês. — Ele se virou para Ash e Andrew. — Até vocês. Eu não tinha escolha. Energia estalou pela sala. — É, eles acabam com o Daedalus — disse Archer, flexionando as mãos. — Exatamente para o mesmo lugar que acabou de mandar Daemon e Katy. — Contou a eles de Beth e mim? — A voz de Dawson vacilou na metade da pergunta. Matthew assentiu novamente. — Desculpe, mas você expôs todos a eles. Daemon parecia arrasado, como se tivessem lhe dado uma surra, mas o calor que de repente


aumentava na sala não vinha dele. — É a mesma coisa agora. — Matthew apertou as mãos, como se estivesse prestes a rezar. — Tudo o que eles querem é Daemon e Katy. Todos nós, incluindo você e Beth, serão poupados. Tive que fazer isso. Tive que proteger... Dawson reagiu tão rápido que se alguém na sala quisesse impedi-lo, ele ou ela não teria chance. Inclinando-se para trás, ele emitiu uma explosão de energia instável e em estado puro diretamente em cima de Matthew. O raio atingiu o peito de Matthew, fazendo com que girasse. Eu soube que Matthew estava morto antes que ele caísse no chão. Sabia que foi Dee quem gritou. Sabia que foi Daemon quem agarrou meu braço e me tirou da sala. Sabia que foi a voz de Archer que se ergueu sobre todo o caos, juntando-se a de Daemon ao vomitar ordens. E eu sabia que tínhamos que sair dali. Rápido. Mas nunca esperei que Matthew fizesse algo parecido, nem que Dawson o matasse quase sem piscar. — Fique ao meu lado, Kitten. — A voz grave de Daemon passou por minha pele. Estávamos atravessando a cozinha. — Preciso que você... — Eu estou bem — interrompi, vendo Luc se virar para puxar uma Ash atordoada até a sala de espera. — Eles estão vindo. Agora. — Pode apostar o seu bumbunzinho nisso — disse Archer, tocando as costas. Ele retirou uma arma. — Não gosto de você falando da bunda de Kat, mas, fora isso, para onde vamos? — perguntou Daemon, apertando mais a minha mão. — Qual é o plano? Correr daqui que nem loucos? — Acho que isso mesmo — disse Andrew. — A não ser que queiram ser levados. — Não. — Luc ficou de olho, com certa cautela, em Dawson e Beth. O Luxen ainda tinha a maior cara de ódio. — Vamos sair da cidade, em direção ao Arizona. Tenho um lugar que esses idiotas não vão achar. Mas temos que sair da cidade. Daemon olhou para o irmão. — Está bom para você? — Quando Dawson assentiu, Daemon soltou minha mão e se aproximou dele, tocando seu ombro. — Fez o que tinha que fazer. Dawson colocou a mão em cima da de Daemon. — Faria outra vez. — Tudo bem, deixando de lado essa confraternização familiar, qualquer um que entre nesses carros é porque está dentro — disse Paris, sacudindo um par de chaves. — Se acharem que não estão


prontos para colocarem a vida em jogo por todos aqui, então fique para trás. Se nos ferrar lá fora, mato você. — Ele deu um sorriso bem charmoso. — E provavelmente vou gostar. Daemon o olhou de cara fechada, mas disse: — Faço das palavras deles as minhas. — Já vim até aqui — Andrew disse, encolhendo os ombros. — Posso muito bem continuar. Todos olharam para Ash. — O que foi? — ela perguntou, colocando o cabelo detrás das orelhas. — Olha. Se eu não quisesse tomar parte nessa loucura, teria ficado em casa, mas estou aqui. Fazia sentido, mas eu quis perguntar por que ela e Andrew arriscariam tudo quando não eram fãs nem de Beth nem de mim. Então eu entendi. Não éramos nós. Eram Daemon e Dawson — eles eram a família deles. Podia aceitar isso. Nós corremos até a porta da frente, mas no último segundo eu agarrei o braço de Daemon. — Espere! Preciso ir lá em cima. Archer se virou. — O que quer que seja, podemos deixar. Não é importante. — Daemon… — Meus dedos se cravaram nele. Minha suposição era que todos estavam com suas identidades. Não sabia, mas nós precisávamos dos nossos documentos. Tínhamos que pegá-los. — Merda. — Ele me entendeu. — Vá lá para fora. Eu vou mais rápido. Assentindo, passei por ele e me juntei a Archer. — Sério? — ele rugiu em voz baixa. — Aqueles papeis são tão importantes assim? — Sim. — Não tínhamos anéis. Não tínhamos uma certidão com nossos nomes e, é, não era de verdade, mas tínhamos a certidão, nossas identidades falsas e agora essas coisas significavam tudo. Elas eram o nosso futuro. Dawson já tinha colocado Beth na traseira de um SUV. Ash e Andrew iam no carro com eles. — Vá com eles — disse para Archer, sabendo que ele os protegeria. — Nós vamos com Paris e Luc. Archer não hesitou. Ele interceptou Dawson e se colocou detrás do volante. — Vai me querer dirigindo caso algo aconteça. Confie em mim. Dawson não pareceu convencido, e naquele momento ele era uma réplica exata do irmão, mas ele fez algo que Daemon basicamente nunca fez. Ele não discutiu. Apenas entrou do lado do passageiro sem falar nada. Um segundo depois, Daemon apareceu atrás de mim. — Está tudo no meu bolso.


— Obrigada. Entramos no Hummer, Paris no volante e Luc na frente. Luc se virou quando fechamos as portas. — Sinto muito por Matthew — ele disse para Daemon. — Sei que eram próximos. Ele era da família. Que merda. Mas pessoas fazem merda quando estão desesperadas. — E quando são burras — murmurou Paris. Daemon assentiu ao se escorar no assento. Ele me olhou e levantou o braço próximo a mim. Eu não hesitei. Com o coração doendo bastante, me aproximei e colei ao seu lado. Seu braço me circulou, os dedos apertando meu braço. — Eu lamento tanto — sussurrei para ele. — Muito mesmo. — Shh — ele murmurou. — Não tem nada do que se lamentar. Tinha muito do que me lamentar. Coisas que nem conseguia ao mesmo compreender ao sairmos da casa. E outras coisas, como o fato do Daedalus provavelmente já estarem vindo atrás de nós? É, não podia pensar nisso. O pânico já crescia dentro de mim, querendo afundar suas garras. Eu seria inútil se surtasse. O portão à frente não abria. Daemon me segurou forte quando Paris não pisou no freio. Ele acelerou para o portão de metal. — Que bom que estamos em um Hummer — disse Luc. Daemon pegou o cinto de segurança. — Deve colocar isso. — E quanto a você? — Eu o deixei afivelar meu cinto. — Sou mais difícil de matar. — Na verdade… — Luc prolongou as palavras. — Eu provavelmente sou o mais difícil de matar. — E a síndrome do floco de neve especial ataca de novo — murmurou Daemon. Luc bufou quando Paris acelerou mais ainda pelo caminho estreito, Archer bem atrás de nós. — O Daedalus ao menos lhe mostraram a arma mais perigosa deles? — Nos mostraram muitas coisas — eu disse, me entortando toda quando Luc fez uma curva. — E quanto aquela arma especial deles? — Luc colocou um pé no painel, e eu esperei que o airbag não precisasse ser ativado. — Aquela que consegue apagar um Luxen com um só disparo — a PEP? Projétil de Energia Pura? — O quê? — Meu estômago afundou ao mesmo tempo em que olhava entre Daemon e Luc. — Que tipo de arma é essa? — É de algum tipo de pulso de energia que ltera as ondas de luz— Alta tecnologia. Meio que


ônix, mas muito pior. Daemon franziu a testa. — Eu não a vi, mas Nancy me falou dela. — É uma arma eletromagnética — explicou Luc. — E é muito perigosa para qualquer coisa que esteja por perto. Se eles a trouxerem é porque não estão para brincadeira. A coisa maldita interferiria com os sinais e poderia até ferir humanos, já que o cérebro, os pulmões e o coração são controlados por eletricidade de baixa voltagem. O Projétil de Energia Pura não é fatal para humanos em baixa frequência, mas é catastrófica para a nossa espécie na frequência que for. Fiquei gélida. — Um disparo? — Um disparo — Luc repetiu com a voz grave. — Vocês dois provavelmente não tem com o que se preocupar, já que os querem vivos, mas precisam entender que se trouxerem as armas potentes, pessoas vão morrer. Eu congelei, incapaz de respirar. Mais pessoas morreriam. — Não podemos deixar que isso aconteça. — Me virei para Daemon, indo o mais longe que o cinto de segurança me deixava. — Não podemos deixar que morram por... — Eu sei. — Daemon travou a mandíbula, se mostrando determinado. — Também não podemos voltar. Só temos que dar o fora daqui antes que precisemos nos preocupar com algo assim. Meu coração martelava no peito quando olhei para Luc. Ele não parecia tão convencido. Eu sabia que Daemon tentava me tranquilizar. Agradecia por isso, mas a culpa se amontoou no topo do terror. Se alguém morresse… — Não vai — disse Daemon baixinho. — Sei o que está pensando. Não pense. — Como não vou pensar? Daemon não tinha resposta. O terror progressivo era como um buraco sem fundo, crescendo em tamanho ao nos aproximarmos da cidade aglomerada ao anoitecer. As luzes neon azuis e vermelhas dos letreiros eram mais hostis do que bem-vindas. O tráfego parou completamente ao sul da Boulevard, uma fila sem fim de veículos que mais parecia um estacionamento do que uma estrada. — Bem, podem falar. — Paris bateu no volante com as mãos. — Isso é inconveniente. — Inconveniente? Eufemismo do ano. — Daemon agarrou as costas do assento. — Precisamos sair desse tráfego. Somos alvos expostos aqui. Paris bufou. — A não ser que tenha um hovercraft{15} no bolso da calça, não vejo como posso nos tirar daqui. Tem umas vias alternativas que podemos pegar, mas ficam bem mais à frente.


Com os dedos tremendo, desafivelei o cinto e me adiantei até tocar os joelhos na área perto do câmbio. Uma olhada rápida para trás confirmou que Archer estava ali. — Por que os carros não estão andando? Olhem. — Apontei. A fila de carros saindo da cidade ia até a placa do Caesar’s Palace e mais além. — Está completamente parado. — Ainda não há necessidade para pânico — disse Paris. Um sorriso alegre cruzou seu rosto. — Provavelmente é só um acidente ou uma pessoa nua correndo no meio da rua. Acontece. Estamos em Vegas, afinal. Alguém lá fora buzinou. — Ou a situação mais provável é que tenham bloqueado o tráfego na saída para interestadual. Só estou falando — eu disse. — Acho que ele está tentando olhar pelo lado positivo, Kitten. Quem somos nós para jogarmos uma dose de realidade nesse caldeirão? Passando as mãos suadas pelas coxas, comecei a responder quando um som abafado capturou minha atenção. Me inclinando para trás, espiei pela janela do passageiro. — Ah, droga. Um helicóptero preto sobrevoava a cidade, incrivelmente baixo. Parecia que as hélices bateriam em um prédio a qualquer segundo. Podia ser um helicóptero qualquer, mas eu tinha a sensação de que era o Daedalus. — Vou checar isso — disse Luc, abrindo a porta. — Fiquem aqui. Eu já volto. Luc estava fora do Hummer e rodeando carros antes que qualquer um de nós pudesse falar alguma coisa. Irritação apareceu no rosto de Daemon. — Acha que isso foi inteligente? Paris deu risada. — Não. Mas Luc faz o que Luc sente vontade. Ele vai voltar. Ele é muito bom. Uma leve batida na janela traseira fez com que meu coração saltasse à garganta. Era somente Dawson. Daemon baixou a janela. — Temos problemas. — Deu para perceber. Tráfego totalmente parado? Nada bom. — Dawson se inclinou para o interior do carro. Como sempre, vê-los juntos era um pouco perturbador no começo. — Luc saiu? — É — eu disse, apertando as mãos entre os joelhos. Alguém atrás de Dawson, na outra faixa, assobiou. Ele ignorou. Luc retornou. Ao entrar no Hummer, amarrou o cabelo solto em um curto rabo de cavalo. — Gente, tenho uma notícia ruim e uma boa. Qual querem primeiro?


As articulações dos dedos de Daemon ficaram brancas quando ele apertou o assento. Eu sabia que ele estava a uns dois segundos de bater em um dos garotos da frente. — Eu não sei. Que tal começar com a boa? — Bem, tem uma barricada na estrada há uma milha daqui. Isso nos dá tempo para bolar algo. Minhas palavras saíram roucas. — Essa é a notícia boa? Qual diabos é a ruim? Luc fez careta. — A ruim é que eles tem, tipo, um time da SWAT passando pelos carros, checando cada um deles, então o tempo para se tomar uma decisão é meio que limitado. Eu o fitei. Daemon soltou uma leva épica de palavrões. Ele se afastou do assento abruptamente, sacudindo o carro. Um músculo se flexionou em sua mandíbula. — Não é assim que vão nos pegar. — Gostaria de pensar que não — respondeu Luc. Ele olhou pela janela da frente, sacudindo a cabeça lentamente. — Mas até eu estou pensando que a melhor coisa é abandonar o carro e fugir correndo. — Para onde? — perguntou Dawson, estreitando os olhos. — Não há nada além de deserto dos dois lados de Vegas, e Beth... — Ele parou de se escorar no carro, enfiando os dedos pelos cabelos. — Beth não pode correr quilômetros. Precisamos de outro plano. — Tem algum? — Paris se meteu. — Porque somos todos ouvidos. — Não posso. — Dawson soltou a mão na janela. — Se vocês quiserem fugir, eu entendo, mas Beth e eu teremos que nos esconder em algum lugar aqui. Vocês vão... — Não vamos nos separar — Daemon interrompeu, a voz afiada pela raiva. — Não novamente. Vamos ficar todos juntos, não importa o que aconteça. Tenho que pensar em algo. Tem que haver alguma coisa… — Ele se calou. Meu coração deu um salto. — O que foi? Daemon piscou devagar, e depois riu. Eu franzi o cenho. — Tenho uma ideia — ele disse. — Estou esperando — Luc estalou os dedos. Os olhos de Daemon se estreitaram no garoto. — Estale os dedos outra vez para mim e eu... — Daemon! — Eu gritei. — Se concentra. Qual é a sua ideia? Ele se virou para mim.


— É arriscada, e completamente insana. — Ok. — Soltei as mãos. — Parece algo que você pensaria. Daemon sorriu, e então concentrou o olhar em Luc. — É algo que disse antes. Sobre a força deles estar no fato de ninguém saber que eles existem — Ninguém além de nós. Mudamos isso e ficamos na frente. Vão estar muito ocupados controlando as perdas para nos procurarem. Meu cérebro digeriu aquilo. — Está sugerindo que fiquemos expostos? — Sim. Saímos, e armamos a maior cena possível. Enlouquecemos os humanos. Criamos uma cena capaz de desviar a atenção. — Como na Área 51? Só que dessa vez… — Dessa vez seria épico e completamente incontrolável. Dawson bateu as mãos na lateral do Hummer, ganhando um olhar ofendido de Luc. — Então vamos. — Esperem — disse Paris. Ignorando-o, Daemon tentou a maçaneta. Várias tentativas e nada da porta abrir. Ele olhou chocado para Paris. — Acabou de acionar a trava infantil na minha porta? — Sim. — Paris jogou as mãos para o alto. — Precisa pensar nisso primeiro. — Não precisamos pensar em nada — disse Dawson. — É um plano relativamente bom. Provocamos um caos e possa ser que consigamos escapar. Luc se apoiou nos joelhos. Seus olhos cor de ametistas fixos nos dois irmãos. — Se fizermos isso, não há volta. O Daedalus vai ficar ainda mais puto e virão a toda atrás de nós. — Mas nos dará tempo para escapar — argumentou Daemon. Suas pupilas começavam a brilhar. — Ou tem algum problema com isso? — Problema? — Luc deu risada. — Acho a ideia brilhante. Sinceramente, adoraria ver a cara deles quando Luxen aparecerem no jornal da noite. — Então qual é o problema? — Dawson quis saber, dando uma olhada rápida para a fileira de carros à frente. Ainda não havia movimento. Luc esmagou as costas do assento. — Vocês todos precisam ter certeza do que planejam soltar. Não só o Daedalus, mas toda a comunidade Luxen vai se irritar. Eu? Sou totalmente a favor de causar uma rebelião — e é isso que vai ser, uma rebelião.


— Existem outros — Paris acrescentou rapidamente. — E eles usarão isso em benefício próprio, Daemon. Tirarão vantagem do caos. Engoli com dificuldade, pensando naquele percentual nojento de Luxen que Dasher havia mencionado. — Estamos presos entre uma montanha e um vulcão prestes a explodir. Os olhos de Daemon me encontraram. Eu já sabia o que tinha decidido. Quando o assunto era sua família, e o resto do mundo, ele escolheria a família. Ele colocou a mão na maçaneta. — Abra a porta. — Tem certeza? — Luc perguntou em tom solene. — Só garanta que nenhum humano se machuque. — eu disse. Um sorriso largo brotou no rosto de Luc. — Bem, então é hora de apresentar ao mundo um pouquinho da maravilha extraterrestre.

CAPÍTULO 28


Daemon

Essa tinha de ser uma das acrobacias mais loucas que jamais havia me arrastado. Não só eu estava jogando tudo na cara do Daedalus e do DOD, estava quebrando cada regra pela qual os Luxen viviam. Esta decisão não afetava apenas a mim, isso afetava a todos. Algo tão enorme deveria pelo menos me fazer hesitar um pouco. Fazer-me repensar as coisas, encontrar outro caminho. Mas não havia tempo. Matthew ... Matthew tinha nos traído, e agora estávamos aqui na iminência de sermos capturados. Como eu disse antes, incendiaria o mundo para manter Kat segura. O mesmo era para a minha família. Este seria apenas um tipo diferente de fogo. As pessoas já estavam nos observando, tentando descobrir por que nós abandonávamos nossos carros enquanto caminhávamos até onde Archer esperava por trás do volante. Eu sabia que o fato de Dawson e eu estarmos andando juntos estava chamando muita atenção. — Eu já sei — Archer desligou o motor. — Eu acho que é loucura, mas poderia funcionar. — O que é loucura? — Dee perguntou do banco da frente, que foi devidamente notório. Ela devia ter estado muito ansiosa para meter seu traseiro ali no momento em que Dawson saiu. — Basicamente, estamos presos nesta fila de carros— eu disse a ela, inclinando-me na janela. — Eles bloquearam a estrada à frente, e há um grupo de soldados revistando os veículos. Beth respirou profundamente. — Dawson? — Está tudo bem. — Imediatamente ele foi para a porta de trás, abrindo-a. — Venha aqui. Ela saiu do SUV e plantou-se a seu lado. — Nós vamos causar um pouco de dificuldade para distraí-los. — eu disse, estreitando os olhos sobre os dois. Algo estava definitivamente estava acontecendo, mais do que a superproteção que pode ocorrer na família, mas não tenho tempo para isso. — Espero podermos conseguir as estradas limpas ao mesmo tempo e dar o fora daqui. — Me chame de cínico, mas como é que vamos conseguir limpar um grupo de acidentes e sairmos sem sermos interrompido? — perguntou Andrew. — Porque não é um pouco de dificuldade que vamos causar. — explicou Archer, abrindo a porta e me forçando a dar um passo atrás. — Nós vamos iluminar a Las Vegas Strip, como eles nunca viram antes. Os olhos de Dee se abriram mais.


— Nós vamos mostrar o nosso verdadeiro eu? — Sim. Ash inclinou para frente. — Você está louco? — Possivelmente. — respondi quando afastei um fio de cabelo dos meus olhos. Archer cruzou os braços. — É necessário que eu lembre a todos que ao voltar a entrar nesse carro de volta para casa, concordaram com qualquer coisa? Esta seria a parte de “qualquer coisa” que Paris esteve falando. — Ei, você não tem que discutir comigo. — Andrew sorriu, pulando para fora. — Então, nós vamos nos expor? Kat fez uma careta, e eu quase ri. Andrew parecia muito animado para isso. Parei na frente do SUV. — Você não tem ideia do quanto eu queria assustar algumas pessoas. — Eu não tenho certeza se eu deveria ficar ofendida por isso ou não. — murmurou Kat. Ele piscou, e eu senti um burburinho subir no meu peito. — Você não é mais muito humana. — destacou Andrew e depois sorriu para mim. — Quando é que vamos fazer isso? Estávamos a minutos do anoitecer. — Agora. Mas, prestem atenção, nós não nos separamos muito. Manteremos todos à vista. Eu ou... — As palavras seguintes me disseram muito. Fisicamente machucaram minha alma. — Ou Archer deixará a todos saberem quando é seguro para sair da cidade. Se nossos carros sumirem... — Deus, eu espero que não. — Luc lamentou. Eu atirei-lhe um olhar. — Se nossos carros sumirem, conseguiremos a próxima melhor coisa logo. Não se preocupem com isso. Ok? Houve alguns acenos. Ash ainda nos olhava como se tivéssemos perdido nossa maldita mente, mas Dawson se afastou do SUV. — Eu preciso de você para fazer algo grande para mim, ok? Uma enorme favor — ele disse. Ash assentiu, séria. — O quê? — Eu preciso que você fique com Beth. Mantenha-a fora do caminho e segura se alguma coisa começa a dar errado. Você pode fazer isso por mim? Ela é a minha vida. Se acontecer alguma coisa com ela, isso acontece comigo. Você entende? — Claro que posso. — disse Ash, respirando fundo. — Eu posso mantê-la longe de


problemas enquanto vocês correm como um bando de vaga-lumes brilhantes. Beth fez uma careta. — Eu posso ajudar, Dawson. Eu não sou... — Eu sei que você pode ajudar, amor. — Ele colocou as mãos em seu rosto. — Eu não acho que você é fraca, mas eu preciso que você seja cuidadosa. Parecia que ela estava a ponto de argumentar, e eu estava começando a ficar impaciente e me sentindo mal por meu irmão. Deus sabia que eu tinha passado tempo demais discutindo com Kat sobre não correr na frente de um pelotão de fuzilamento. Falando nisso... — Não diga isso. — disse Kat, sem olhar para mim. Eu ri. — Você me conhece muito bem, Kitten. Beth cedeu e foi entregue para Ash. Graças a Deus, porque as pessoas estavam começando a seguir nossa tendência, saindo de seus carros e irrompendo ao redor. Um cara abriu uma lata de cerveja e se sentou no capô de seu carro, vendo o crepúsculo se aprofundar em um azul escuro. Eu poderia ir direto para uma cerveja agora. — Pronto? — Eu disse a Andrew. Andrew estalou o pescoço. — Isso vai ser incrível. — Tenha cuidado. — Ash pediu. Ele balançou a cabeça. — Sou genial. — Então se pavoneou passando até onde eu estava em pé. — Causar uma cena? Entendi. Virando-me, senti a necessidade de prender a respiração. Não havia como voltar atrás. Com o canto do meu olho, vi Ash indicar a Beth passar através do canteito central até a faixa de segurança. Eles pararam em um aglomerado de palmeiras. — Fique perto de mim. — disse a Kat. Ela assentiu com a cabeça enquanto observava Andrew andar facilmente através dos carros. — Não vou a lugar nenhum. — Fazendo uma pausa, ela mordeu o lábio inferior. — Eu quase não posso acreditar que vocês vão fazer isso. — Nem eu. Kat olhou para mim, e então riu. — Você está com dúvidas? Eu sorri ironicamente. — Um pouco tarde para isso.


E era. Andrew subiu na calçada, indo em direção a um gigantesco navio pirata. Dezenas de pessoas foram atrás dele. Muitos deles tinham câmeras penduradas em seus pescoços. Perfeito. — O que você acha que ele vai fazer? — Perguntou Kat, ainda mordiscando o lábio inferior. Tive que reconhecer. Ela estava tentando muito duro ser corajosa, mas eu podia ver suas mãos tremendo e a forma como ela continuava olhando em direção à curva, onde o Daedalus estaria certamente caminhando em direção a nós. Ela era forte, e eu estava constantemente admirando-a. — Como é que você diz isso? — Eu disse, chamando sua atenção. — Ele vai todo Lite-Brite sobre nós. Seus olhos se iluminaram. — Isso vai ser divertido. Andrew pulou no muro de contenção da piscina onde o barco estava ao lado. Eu fiquei tensa quando vários dos humanos se viraram para ele. Parecia que o tempo congelou por um minuto, e então, com aquele sorriso de coma-merda no rosto, Andrew abriu os braços. Os contornos de seu corpo ficaram borrados. Ouvi o inalar profundo de Kat. Ninguém notou a diferença no primeiro minuto, mas logo depois a névoa se moveu sobre a camisa branca de Andrew e para baixo no resto do seu corpo. Um murmúrio levantou-se da multidão. Então Andrew desapareceu. Desapareceu. Poof. Gritos de surpresa foram em um crescendo, uma sinfonia de gritos animados e sons de confusão. Os condutores ficaram boquiabertos dentro de seus carros. As pessoas pararam a meio passo na calçada lotada, criando um efeito dominó. Andrew reapareceu em sua verdadeira forma. Quase dois metros, seu corpo reluzia mais brilhante do que qualquer estrela no céu ou luz sobre a Strip. A pura luz branca com bordas tingidas de azul. Sua luz era como um farol, forçando todos e qualquer um na rua a olhar para ele. Silêncio. Cara, estava tão silencioso, que você podia ouvir um gafanhoto dando um golpe de caratê em uma mosca. E então aplausos abafaram meu palavrão. Andrew estava lá em cima, em pé na frente de um maldito navio pirata, brilhando como se alguém tivesse metido uma arma nuclear em seu traseiro, e as pessoas estavam aplaudindo? Paris riu quando caminhou para meu lado. — Acho que eles viram coisas mais estranhas nas ruas de Las Vegas. Huh. Ele tinha um bom ponto.


Flashes suaves de luz cintilavam das câmeras por toda a multidão. Andrew, que aparentemente era um showman de coração, curvou-se e, em seguida, se endireitou. Fez uma pequena dança. Revirei os olhos. Sério? — Uau — disse Kat, os braços caindo para os lados. — Ele não se limitou a fazer isso. — Hora de eu participar da diversão. — disse Paris, caminhando para a frente. Chegou a um carro na pista ao lado, um BMW conduzido por um homem de meia-idade, e, em seguida, entrou em sua verdadeira forma. O homem saltou do carro, arrastando os pés para trás. — O que... — Ele disse, olhando para Paris. — O que diabos está acontecendo? Em sua verdadeira forma, Paris caminhou entre os carros, dirigindo-se para a multidão em frente ao navio pirata e Andrew. Parou um pouco abaixo, e sua luz pulsou uma vez, brilhante e intensa. Uma onda de calor saiu dele, forçando vários dos curiosos a darem um passo atrás com pressa. Dee pulou em um dos carros vários metros atrás e ficou de pé alto e ereta, a leve brisa pegando seu longo cabelo, jogando-o ao redor de seu rosto. Em segundos, ela estava em sua verdadeira forma. O casal no carro disparou para fora e correu para a calçada, onde se virou e olhou de boca aberta para Dee. Dawson foi o próximo. Ficou perto de Beth e de Ash, do outro lado da estrada congestionada. Quando assumiu sua verdadeira forma, várias pessoas soltaram gritos assustados. — É minha vez, Kitten, fique perto de mim. Ela assentiu com a cabeça novamente. Ao longe, podia ouvir o helicóptero. Sem dúvida, ele estava circulando para fazer outra procura no Boulevard. Estava perto de conseguir uma surpresa real. O desconforto entre os seres humanos cresceu, tornando-se tão grosso quanto o calor obstruindo o ar. Ele penetrou em mim, fazendo-me arder quando deixei minha forma humana desvanecer-se. Como se alguém tivesse apertado um botão de pausa universal, os seres humanos ao nosso redor pareciam congelados. Suas mãos apertadas em câmeras e telefones celulares. O temor em suas expressões mudando de surpresa à confusão, e então lentamente o medo surgindo. Muitos estavam trocando olhares. Alguns estavam começando a se afastar de Andrew, mas não podiam chegar longe nas calçadas congestionadas. Precisamos encontrar um ponto. A voz de Dawson infiltrou através de meus


pensamentos. Vê o cartaz da Treasure Island? Vou levar até lá. Certifique-se de que ninguém saia ferido, eu disse. Dawson flutuava um passo atrás. Levantando um braço, parecia que estava alcançando o céu para pegar uma estrela. Energia estalou no ar, carregada de estática. A Source crepitou, envolvendo seu braço para baixo como uma cobra. Uma explosão de raios de luz disparou de sua mão, atirando para o céu e correndo ao longo das quatro pistas. Arqueou-se sobre o navio pirata, atingindo o anteparo branco. Luz explodiu em um flash, transformando a noite em dia, por um breve segundo. A energia rolou entre o cartaz e, em seguida, o derrubou, explodindo as órbitas do crânio sob o cartaz gigante em uma chuva de faíscas. Andrew tinha captado a Torre Veneza e todas as luzes muito douradas no topo. Virou-se para mim. Curvando-me, convoquei a Source. Era realmente como fazer uma profunda respiração agradável depois de estar debaixo d'água durante vários minutos. Luz arqueou da minha mão, batendo na torre, provocando uma chuva de fogos de artifício com as luzes. Foi quando as pessoas perceberam que não era algum tipo de show, uma ilusão de ótica ou algo para ficar em torno e apontar. Eles podem não ter entendido o que estavam vendo, mas qualquer que fosse o instinto que os humanos possuíam, desencadeou que houvesse uma resposta. Tornou-se tudo sobre sobrevivência — sobre ficar longe da grande, mau-desconhecido — enquanto tentavam tirar fotos do espetáculo, ao mesmo tempo. Tenho que amar a resposta humana quase inata por capturar tudo em filme. As pessoas corriam como formigas, correndo em todas as direções, abandonando seus carros na sua pressa. Elas fluíam para fora das ruas, uma enxurrada de diferentes formas e tamanhos, empurrando uns aos outros, caindo sobre seus próprios pés. Um cara bateu em Kat, forçando-a para longe do SUV. Por um instante, a perdi de vista no pandemônio. Corri para a frente, afastando os seres humanos como o Mar Vermelho. Seus gritos excitados já eram um zumbido irritante em meus ouvidos. Kat! Sua resposta ressoou na minha cabeça e em voz alta. — Estou aqui! Ela tropeçou em torno de uma mulher que havia congelado na minha frente. O olhar de choque no rosto pálido da moça despertou um pouco de culpa em mim, mas, em seguida, Kat estava na minha frente, os olhos arregalados. — Eu acho que nós temos um monte de atenção das pessoas. — disse ela, levantando o assunto.


Você acha? Toquei seu braço, excessivamente feliz com a faísca que viajou de sua pele para a minha. Luc apareceu ao nosso lado, junto com Archer. — Devemos mover alguns dos carros para fora do caminho? Boa ideia. Mantenha Kat com você. Eu concentrei a atenção na fila de carros à nossa frente. Quatro pistas. Toda repletas de veículos indo de latas velhas a carros de luxo que me entristecia de verdade arranhar. Archer se juntou a mim. — Eu vou te ajudar. Tomou uma pista enquanto eu me concentrava em uma na frente do Hummer. A capacidade de repelir as coisas de nós era mais fácil que atraí-las em nossa direção. Era a liberação de energia, como uma onda de choque. Estendendo os braços, mirei o carro antes de eu começar a agitá-lo, seus aros chocalhando e as engrenagens rangendo. Em seguida, se deslocou para o lado. Um após outro, os carros foram deslizando para fora do caminho como se um gigante invisível tivesse passado o seu braço em toda a estrada. Eu fui até onde podia ver, em seguida, recuando, sabendo o que Daedalus já tinha que estar ciente do que estava acontecendo. Voltando-se para onde estava Andrew, eu o vi disparando rajadas de energia, como se não houvesse amanhã. Escondido atrás de um ônibus de turismo vazio estava um adolescente, filmando tudo em seu telefone. Um pouco de inquietação escorreu pelas minhas veias. Isso tudo estaria no YouTube em segundos. Ao longe, eu podia ouvir sirenes. Com a forma como o tráfego estava aglomerado atrás de nós, eu duvidava que eles estivessem aqui em breve. — Olhe! — Kat gritou e apontou para o céu. Lá em cima, um helicóptero circulava a cena, iluminando com holofotes sobre onde Andrew estava. Não era militar. O emblema da KTNV 13 News estava estampado na lateral. Droga. Eles haviam chegado aqui antes que a polícia. — Isso vai ser ao vivo. — disse Kat, recuando. Seus olhos estavam arregalados. — Eles vão filmar ao vivo... Vai estar em toda parte. Eu não sei por que não pensei nisso até aquele momento. Não que eu não compreendesse totalmente o que isso significaria, mas vendo o helicóptero de notícias circulando o Boulevard me impressionou. As imagens seriam transmitidas para as redações, e de lá seriam transmitidas para a nação inteira em segundos. O governo poderia derrubar alguns vídeos de música aqui e ali, até mesmo uma centena deles, mas isso?


Eles não podiam parar isso. Agora mesmo as pessoas, muito provavelmente, tinham maior probabilidade de sentar na frente de suas TVs, assistindo este desdobrar e sem ter ideia do que estavam realmente vendo, mas saber o que eles estavam vendo, isso era algo sério. — Alguma coisa épica. — Luc falou, o que significava que estava sendo um observador bastardo. — Você fez isso, cara. Eles não podem ocultar isso. O mundo saberá que os seres humanos não são a única forma de vida no planeta assustador. Sim, ia ser ... épico. Meu olhar se arrastou ao longo da estrada. Havia ainda um grande número de pessoas fixados sobre o que Andrew e Dawson estavam fazendo. Ambos estavam se movendo de um lado para o outro pela estrada, praticamente pulando os carros atrás de nós como um jogo alienígena de Frogger. Isso era o que as pessoas em todo o mundo estavam vendo. Não havia nenhuma maneira que pudesse justificar isso. O Daedalus ia pirar. — É isso que você queria, certo? — Archer franziu a testa quando um homem correndo atravessou a rua. — Ir à público. Tem... Um helicóptero escuro veio de entre dois grandes hotéis —um grande pássaro preto. Não era preciso ser um gênio para perceber que não era um helicóptero militar. Sobrevoou sobre nossas cabeças, mas não iluminou embaixo com suas luzes, como o helicóptero da emissora estava fazendo, seguindo os movimentos de Dawson e Andrew. Ele circulou em torno da Treasure Island, desaparecendo por trás do grande hotel. A sensação de mal-estar se ampliou. Estendendo a mão, passei meus dedos em torno do pulso de Kat e ao mesmo tempo gritei para o meu irmão. Ele parou em cima de um BMW vermelho, agachado em sua verdadeira forma. Quando pegou o que eu estava sentindo, saiu do carro, agarrando Dee do carro atrás dele e trazendo-a para baixo ao nível da estrada. Nem um segundo cedo demais, também. O pássaro preto circulou de volta ao redor, subindo alto no céu quando voou para o lado, como se estivesse alinhando-se até... — Eu tenho muito mal pressentimento sobre isso. — disse Luc, andando para trás. — Archer. Você não acha que... O vi primeiro — uma minúscula faísca no fundo do pássaro militar. Não foi quase nada. Apenas um mínimo clarão de luz e não deveria ter dixado meu interior frio e parar meus passos. O que saiu do helicóptero se moveu muito rápido para os olhos humanos acompanhar. O fluxo de fumaça branca contra o céu azul escuro disse-me tudo o que eu precisava saber.


Girando, puxei uma Kat atordoada contra o meu peito e nos levei para baixo ao pavimento quente, curvando meu corpo sobre o dela. Um estalo alto fez com que ela estremecesse em meus braços, e aumentei meu aperto. Horror aterrisou dentro meu intestino como pedras. A raiva era um ácido em minhas veias. O helicóptero de notícias girou de forma irregular enquanto a fumaça saía da cauda. Ele virou-se por todo o céu, seus holofotes mergulhando e subindo sobre o navio pirata e além. O helicóptero continuou girando, caindo do céu, indo direto para a Treasure Island. A explosão abalou os carros. Kat gritou quando ela se torceu em meus braços, tentando olhar para cima. Mas eu não queria que ela visse. Segurei-a para baixo, pressionando seu rosto contra meu peito. Eu sabia que meu toque era quente e tinha que ser quase insuportável tanto empo, mas não queria que ela visse isso. Oh meu Deus... os pensamentos de alguém espelhou o meu próprio. Dawson? Dee? Archer? Luc? Um dos Thompsons? Eu não sabia. As chamas saíam do centro do hotel, um brilho alaranjado que rapidamente se arrastou até a estrutura trêmula. Nuvens de fumaça espessas subiam, escurecendo o céu. Archer estava congelado ao lado da Hummer. — Eles fizeram isso. Santo... Eles atiraram... os militares o jogaram para baixo.


CAPÍTULO 29 Daemon

Pânico emergiu, do tipo que eu nunca testemunhei antes. Pessoas saíram correndo do hotel — as que conseguiram escapar — em direção ao pavilhão e ruas. Ainda em minha verdadeira forma, puxei Kat para fora da rua. Ela dizia algo, mas suas palavras se perdiam em meio aos gritos. Cristo. Nunca esperei isso — nunca achei que eles caçariam humanos, mas tinha subestimado até onde iriam para que continuássemos um segredo. — Mas é tarde demais — disse Luc, agarrando o braço de uma mulher que tropeçou e caiu de quatro no chão. Ele a colocou de pé. A lateral do seu rosto era uma mistura de carne queimada e ossos. — Não há como conter o que já foi visto. E olhem. Eu me virei, trazendo Kat comigo. Ela ficou olhando o rosto deformado da mulher por um bom tempo. O homem que estava no carro em que Dee saltou ainda filmava tudo— Ou seja, nós— Em seu celular. Protegendo Kat, eu me voltei para Luc. Ele estava com a mão na testa da mulher e ela se mantinha imóvel como uma estátua. Ele estava curando seu ferimento. — Vá — ordenou Luc quando terminou. A mulher ficou olhando para ele. Estava usando uma espécie de fantasia— Saia e top de couro. — Vá. Ela saiu às pressas. Archer se virou. — Estão vindo. E estavam. Homens vestidos com fardas da SWAT se aproximavam pelas laterais da rua — e não eram da SWAT de Vegas. Daedalus — militares. E suas armas eram enormes. PEP. Eles atiraram primeiro—uma chama de luz vermelha atingindo em cheio Andrew. Andrew evitou o disparo, voando da parede de contenção e recuando. Um raio de energia saiu dele, esmagando o chão na frente dos homens. O pavimento rachou e se moveu, derrubando vários deles. Armas dispararam. Luzes vermelhas brilharam no céu. Havia mais — homens com roupas de camuflagem detrás dos vestidos de preto.


— Merda — grunhiu Archer. — Isso vai ficar feio. Valeu pela atualização, Zé Roela. Empurrando Kat detrás do corpo, bati o pé com força no chão, causando uma fissura na pista. Levantando os braços, deixei que a Source me percorresse. Colocando as mãos na traseira de uma Mercedes na minha frente, enviei uma carga elétrica ao seu exterior. Eu o ergui do chão, arremessando-o como um Frisbee em direção aos soldados, que se espalhavam que nem baratas. Ele voou pelo ar, girando e girando até bater em uma palmeira, levando-a consigo. Luzes vermelhas pulsaram, voando sobre nossas cabeças e entre eu e Archer, escapando por pouco Luc. Eu me virei devagar. Ah não, vocês não fizeram isso. Energia explodiu de mim em uma onda tumultuada, atingindo quatro dos cinco soldados, arremessando-os no ônibus de turismo. Outra explosão veio da nossa direita, e eu me virei, agarrando Kat ao ver Paris disparar na minha frente. Ele se chocou contra Luc, derrubando-o para que desviasse da trajetória da PEP. Paris foi atingido. Ele se retesou de repente, o corpo convulsionando enquanto sua forma mudava, repetidamente, de humana a Luxen. Eletricidade rastejava sobre o seu corpo, dando curtos-circuitos nos cotovelos e joelhos. Ele ficou imóvel, sua luz diminuindo até que caísse no chão. Um líquido cintilante azul formou uma poça debaixo dele. Morto. Luc emitiu um som inumano, e uma luz incandescente o engoliu. Ele se elevou a vários metros do chão, estática e pequenos dedos de luz estalando debaixo do corpo. Sua luz brilhou uma vez, tão forte quanto o sol ao meio-dia, e gritos soaram. O cheiro de carne queimada invadiu o ar. Mais disparos vieram, passando por perto da minha cabeça e atingindo os carros. A cavalaria tinha chegado, era o que parecia, com armas de munições normais. Dawson apareceu ao meu lado, os dedos roçando a traseira de um sedã. Ele foi arremessado contra o ônibus, esmagando os soldados. Fique atrás de nós, avisei quando senti Kat tentando sair de trás de mim. Eu posso ajudar. Você pode morrer. Então fique atrás de mim. Raiva emanou dela, mas ela trincou os dentes e ficou onde estava. Havia problemas maiores. O cantar de pneus chamou nossa atenção. Tirar os carros da pista nos prejudicou. Uma leva de Humvees apareceu do nada, e um— Aquilo é um tanque? — Estão de brincadeira — disse Kat. — O que planejam fazer com aquilo? Ele mirou em nossa direção, todos nós expostos e brilhando como um letreiro maldito onde se lia:


POR FAVOR, ATIREM EM MIM. OBRIGADO. — Merda — falou Archer. Correndo por entre os carros, Andrew esmurrou o capô de uma pick-up. Chamas brotaram quando ele usou o carro como um coquetel Molotov no tanque. Soldados saíram às pressas pela parte de cima, escapando poucos segundos antes do veículo explodir. O M1 se lançou pelos ares como um rojão, voando pela Boulevard. Caindo nos jardins em frente ao Venetian, ele saiu capotando pelo estacionamento. Com o coração martelando que nem uma máquina de perfuração, ergui os pedaços de asfalto quebrado do chão. Os atirei na direção dos oficiais, forçando sua recuada. Tudo acontecia rápido demais. Soldados vinham de todos os lados, e Luc ia atrás deles, sem se conter. Policiais vinham pela Boulevard atirando em praticamente tudo que respirasse. Pessoas — pessoas inocentes — se escondiam atrás dos carros, gritando. Dee tentava tirá-los da pista, para longe do fogo cruzado, mas todos estavam paralisados de medo. Afinal de contas, ela brilhava que nem um globo espalhado. Dee voltou para a forma humana na frente de um homem e de uma mulher que abraçavam duas crianças. — Saiam daqui! — ela gritou. — Vão! Vão agora! Eles hesitaram um segundo, e então o casal pegou seus filhos e correram na direção do canteiro central onde Ash ainda protegia Beth. Luzes vermelhas passaram perto do meu rosto, fazendo com que eu girasse. Um raio de luz branca formou um arco, e eu ouvi um corpo cair no chão atrás de mim. Vi Kat na minha frente, as pupilas brilhando. Me virei devagar, encontrando um soldado no chão, uma arma PEP em sua mão, sem vida. — Eu posso ajudar — ela disse. Salvou a minha vida. Me voltei para ela. Isso é tão sexy. Ela sacudiu a cabeça e levantou o queixo. — Precisamos— Oh meu Deus, Daemon. Daemon. Meu coração vacilou em resposta ao medo em sua voz. Fui na sua direção, e então senti. Senti em todas as partes do meu ser. Vi Dawson parar. Vi Andrew se virar. Acima das placas de neon do Caesar’s Palace e do hotel Bellagio, nuvens negras se moviam incrivelmente rápido, bloqueando as estrelas. Mas não eram nuvens… nem um enxame de morcegos. Eram os Arum.

*****


Katy As coisas foram de ruins a impossivelmente péssimas em questão de segundos. Em momento algum desde o momento em que Daemon tinha anunciado seu plano, até os militares derrubarem o helicóptero cheio de humanos inocentes, eu acreditei que as coisas chegariam a esse ponto. Tudo o que pretendíamos era pegá-los de surpresa— Provocar um pouquinho de caos para conseguirmos fugir. Não tínhamos planejado começar uma guerra. Agora Paris estava morto e algo pior do que os monstros que viviam no armário vinham atrás de nós. Em momento algum eu duvidei que as sombras correndo pelo céu estariam aqui por coincidência. É, tinha muita coisa Luxen acontecendo no momento, mas a probabilidade dos Arum terem aparecido só para se juntarem à festa? Era mínima. Estavam ali por causa do Daedalus, porque trabalhavam com eles. A nuvem escura se dividiu, correndo pelo céu como manchas de óleo. Ela desceu detrás do Caesar’s Palace, desaparecendo por um segundo, e depois explodiu pelas laterais do hotel. Pedaços de vidro e tudo mais voaram pelos ares. Eu abri a boca para gritar, mas não havia som. Um Arum veio pela Boulevard, movendo-se tão rápido que eu nem pude dizer que levou um segundo para ir de um lugar a outro. Voando por cima da traseira do Hummer, ele pulou em cima de Andrew, levantando-o a vários metros de altura. O grito cheio de pavor de Ash me atingiu. O Arum tomou forma em pleno voo, sua pele negra e brilhante que nem obsidiana. Ele arremessou Andrew como se ele não fosse nada mais que um boneco de pano. Outro Arum correu pelo faixa, desviando dos carros. Ele subiu no ar, capturando Andrew, e os dois caíram de cabeça na piscina do Treasure Island. Daemon deu um salto—uma explosão de luz forte e então estava no ar—jogando o corpo do outro Arum, impedindo que entrasse na piscina. Eles colidiram, uma mistura de luz e escuridão, girando pelo céu como uma bola de canhão. Dawson correu, desviando dos disparos de luz vermelha. O Arum e Andrew reapareceram na piscina e, se jogando para trás, o Arum esmurrou o peito de Andrew. Ele se sacudiu, sua luz piscando como se estivesse com defeito. Comecei a correr, mas braços rodearam minha cintura. Não era um abraço amigável. Pânico me cortou quando meus pés saíram do chão na mesma hora em que vi o Arum levantar Andrew no ar. Outro pulso de luz e então Andrew… Oh, Deus…


O grito de Ash confirmou o que eu suspeitava. Eu a vi assumir sua verdadeira forma e voltar à humana outra vez, como se não conseguisse ter controle. Uma onda de energia rolou pelas faixas da pista. Um segundo depois eu estava de costas, sem ar nos pulmões, e fitando um rosto coberto. O ar me faltou e por um momento não tive ideia do que fazer. Estava petrificada, presa entre a descrença e o terror. Paris estava morto. Andrew estava morto. O cano de uma arma de aparência estranha estava apontado diretamente para o meu rosto. — Nem pense em se mover, — disse a voz abafada. Meu cérebro parou de processar as coisas na velocidade normal. Quando ergui os olhos, vendo-os arregalados refletidos no capacete de operações táticas, a minha parte humana se desligou. Fúria ferveu dentro de mim, e a sensação era boa. Não era de medo nem de pesar. Era de poder. O grito que vinha crescendo dentro de mim, o tipo de grito que deixaria uma marca nos arredores décadas depois, saiu. Não sei como fiz isso, mas o soldado e a arma não estavam mais acima de mim. Ao meu redor, veículos andaram e capotaram. Vidros racharam e explodiram, fazendo chover cacos na pista e em cima de mim. As pontadinhas de dor não eram nada. Quem sabe para onde o soldado foi? Ele simplesmente desapareceu, e isso era tudo o que importava. Me coloquei de pé, olhando em volta. Chamas saíam da Treasure Island e do Caesar’s Palace. Saía fumaça do Mirage. As janelas dos carros explodiam. Corpos se amontoavam na rua. Eu nunca vi tamanha destruição, não na vida real. Procurei Daemon e meus amigos, encontrando-o primeiro. Ele lutava com um Arum, e os dois não eram mais que um borrão branco e preto. Archer brigava com o Arum da piscina, e Dee recolhia o corpo de Andrew do fundo. Água corria pelo seu rosto e cabelo. Ela o jogou por cima do muro de contenção e o abraçou. A cena… provocou dor em cada pedacinho meu. Me virei para onde Ash ainda protegia Beth. Ela estava em forma humana e parecia dividida entre o que prometeu a Dawson e a vontade de correr para o irmão. Isso eu poderia fazer. Poderia proteger Beth e Ash poderia estar onde precisava. O helicóptero militar voltou, impedindo o meu progresso. Archer apareceu do nada. A Source radiava por ele como uma onda de luz, e ele estendeu os braços. Um raio de pura luz branca atingiu a barriga da aeronave, fazendo com que recusasse na direção de um dos cassinos. O impacto foi ensurdecedor, e a bola de fogo resultante iluminou o céu noturno. Eu me voltei para onde ele estava, mas ele havia sumido, que nem um ninja. Jesus. Metendo os pés no pavimento rachado, olhei para o caminho até Beth e Ash. Luc mantinha os soldados ocupados. Ou o que restou deles. Havia aquele cheiro terrível que revirava meu estômago, e eu lembrei do que os origens podiam fazer. Aparentemente, pequenos isqueiros malignos podiam


ser adicionados Ă lista de funcionalidades malucas. Eu acelerei, correndo em volta de um caminhĂŁo virado.


A cabeça de Beth virou em minha direção. Seus braços circulavam a cintura de maneira protetora. Ela parecia aterrorizada. Consegui passar por uma palmeira caída e já estava bem perto. Então fui tirada do chão, voando para trás. Bati na lateral de uma van; o impacto sacudiu meu corpo e jogou minha cabeça para trás. Dardos de dor percorreram minha coluna. Minha visão turvou quando deslizei ao chão. Carambolas. Essa doeu. Pisquei devagar, tentando clarear a visão. Grunhindo, rolei de lado e coloquei as mãos no asfalto partido. Meu braço tremeu quando tentei me colocar de pé. Meu corpo parecia fora de lugar. Eu precisava chegar... Escuridão envolveu a extremidade da minha visão. Passou um segundo para que eu percebesse que não era porque estava prestes a desmaiar. Arrepios percorreram meus braços. Algo frio encostou em mim. Arum. Me colei ao chão e entrei debaixo da van atrás de alguns segundos para recuperar meus sentidos e força. O cheiro de gasolina e fumaça obstruiu minha garganta. Apertei os olhos ao deslizar pela pista, ignorando o modo em que o asfalto ralava minha pele. Consegui sair do outro lado e dei a volta em um sedã engatinhando, me apoiando no porta-malas para me levantar. A van começou a sacudir e depois se afastou. O Arum estava em sua forma humana, pálido e sombriamente belo, uma beleza fria e apática que me roubou o ar e me repeliu. Um sorriso lento e irritante torceu os seus lábios, e foi como ser atingida por ar glacial. Ele não falou ao levantar os braços. O ar rodou ao meu redor quando tropecei para trás. Atrás de mim, as palmeiras tremeram e metal grunhiu. O vento soprou mais forte, e no último segundo me abaixei. As árvores foram arrancadas pelas raízes e iam na direção do Arum. O carro se afastou das minhas mãos como se o chupasse. Uma estante com guias turísticos rolava pelo ar. Pedaços da pista deixaram o chão, flutuaram por um segundo e voaram para ele. Ouvi um grito forte que quase perfurou os meus tímpanos. Uma mulher passou voando por mim, desaparecendo detrás do Arum. Outro corpo distorcido se uniu aos que já estavam no chão. Ele era como um buraco negro particular, sugando tudo em volta e atraindo para si. Eu não fui exceção. Não importava o quanto me prendesse ao chão, meus pés estavam sendo arrastados. Seus dedos gelados envolveram a minha garganta e ele baixou a cabeça na minha. Não me lembrava já ter visto os olhos de um Arum. Eram do tom mais claro de azul, como se toda a cor tivesse sido absorvida. — O que temos aqui? — falou o Arum em voz alta. Ele inalou forte, fechando os olhos como se


sentisse meu gosto. — Uma híbrida. Delícia. Eu não estava nem um pouco disposta a me transformar num lanchinho intergaláctico noturno. Joguei o braço para trás, absorvendo a Source, mas a mão livre do Arum prendeu meu punho, apertando em punição. Meu coração pulou na garganta quando sua bochecha fria tocou a minha. Seus lábios se moveram próximo a minha orelha, provocando um arrepio de repulsa em mim. — Isso pode doer. Um pouco — disse ele, e então riu sem pudor. — Ok. Pode doer muito. Ele ia se alimentar. E aquela partezinha do meu cérebro que ainda funcionava pensou que essa era uma péssima forma de se morrer. Depois de tudo— Daedalus, as armas, as balas, e tudo mais— Iam me sugar até eu secar. Tudo dentro de mim se contorceu, uma mistura de medo e fúria, nojo e pânico. Foi tudo se juntando como uma mola de brinquedo em pé, se concentrando por dentro. Energia vibrou por mim, acentuando os meus sentidos. Senti o Arum contra a pele. Senti quando alinhou a boca a poucos centímetros da minha. Senti quando respirou, o tremor profundo de poder se abrindo dentro dele. E senti o sorver gélido que me alcançou por dentro, puxando com ganchos pequeninos. Coloquei a mão no peito do Arum, e aquela leva de energia me abandonou na rapidez de um soco. Não havia espaço entre ela e o Arum, nada que abrandasse o efeito. A Source explodiu de mim e atingiu imediatamente o Arum. O feixe de luz que saiu de mim para ele foi intenso. Energia implodida, nos jogando para trás. As estrelas deram saltos mortais. Bati de lado no pavimento e rolei até ficar de costas. O Arum estava suspenso no ar, seus braços e pernas bem abertos. Seu corpo tremeu uma, e então duas vezes. Um ponto de luz sobre o peito, a marca que a Source deixou para trás, correu pelo seu corpo em pequenas fissuras de rachas brancas, abrangendo o corpo inteiro. Ele explodiu em milhares de pedacinhos. Santos bebês alienígenas… Quando consegui me levantar e virar da cintura para cima, meus olhos encontraram os de um rapaz. Ele parecia alguém em piloto automático, vendo tudo, mas sem entender o que testemunhava. Eu meio que simpatizei com o cara. Tinha certeza que era a mesma cara de QPEE{16} que eu fiz quando vi Daemon parar o caminhão e percebi que não estava lidando com algo humano. Baixei o olhar. Em sua mão havia um smartphone. Tudo— Ele tinha gravado tudo no celular. Ou seja, meu rosto. Que coisa estúpida de se pensar no momento, principalmente considerando todo o resto que ele deve


ter filmado, mas eu pensei nesse vídeo caindo na Internet, virando febre como aqueles malditos memes Hey Girl. Não era assim que eu queria que minha mãe descobrisse que eu estava viva. Talvez não viva e bem, mas claramente mandando ver. Mas já era tarde demais. Fui em direção ao cara para pegar o telefone, mas ele acordou do choque e saiu correndo. Podia ter corrido atrás dele, mas havia problemas maiores para lidar. O fedor de fumaça e morte permeava tudo. Recuei para onde sabia que havia visto todos pela última vez, usando o ônibus de turismo vermelho como destino, sentindo uma dor a nível celular ao observar o estrago. As armas— Aquelas PEP— Não eram inofensivas caso não atingissem um Luxen ou um híbrido. Postes eram partidos ao meio ou derretidos, prestes a desabarem. Buracos de fogo iluminavam toda a Strip. Havia corpos espalhados pela pista. Eu desviei deles, fazendo careta ao ver as roupas queimadas e derretidas, os buracos de bala e as peles tostadas. Todas aquelas mortes de inocentes pareciam desnecessárias. Os Luxen brilhavam que nem lâmpadas florescentes ambulantes, e até os híbridos eram bem óbvios. Era como se os militares não se importassem com a quantidade de vítimas que faziam. Eles estavam loucos? E eu sabia que o governo distorceria tudo— Diria que era culpa nossa, que os Luxen eram os culpados, mesmo que tivessem atacado primeiro, tirando vidas inocentes. Olhar para todos os corpos revirou meu estômago, mas continuei passando por eles até sentir o calor correr pela minha nuca. Levantando a cabeça, vi Daemon em sua forma humana lutando mano a mano com um soldado. Meu coração deu um salto quando o soldado acertou um gancho de direita, mas Daemon revidou, apagando-o com um soco. Ele olhou em volta, prendendo o olhar no meu. Seu cabelo estava molhado, preso à testa e às têmporas. Seus olhos brilhavam que nem diamantes. Alívio passou pelo seu rosto e ele sacudiu a cabeça, a emoção insuportável em seus olhos. Houve um feixe de luzes vermelhas mais adiante na Strip, me lembrando do quanto as ruas ainda estavam perigosas. Dei outro passo à frente, vendo Ash e Beth rodearem um Humvee virado. Fiquei feliz ao vê-las ainda de pé, apesar das lágrimas que corriam pelo rosto de Ash. O irmão dela… Sorvi o ar. Tanto... — Kat! — Daemon urrou. Braços fortes me prenderam por trás. O instinto de lutar foi acionado, mas fui puxada para trás um segundo antes de um pulso de luz vermelho passar pelo lugar onde estava. O PEP voou, indo na direção de Beth. Ouvi o grito irado de Dawson, e o tempo desacelerou até praticamente rastejar. Os


braços detrás de mim folgaram um pouco. A voz de Archer gritava em meu ouvido. Daemon corria, saltando carros. Ash virou na direção de Beth, movendo-se incrivelmente rápido, tão rápido quanto uma bala. Seus braços rodearam a garota e ela girou, empurrando Beth. O tiro atingiu as costas de Ash. Luz explodiu subindo por sua coluna, seguindo a malha de veias. Sua cabeça caiu para trás e seus joelhos dobraram. Ela caiu para frente, sem a graciosidade que sempre lhe pareceu natural. Não se moveu. Me libertei de Archer, chegando ao lado dela na mesma hora que Daemon. Ele a segurou pelos ombros, virando-a. O líquido brilhoso e azul escorria pela sua boca quando sua cabeça desfaleceu no braço de Daemon. Em algum lugar, o grito de um homem foi interrompido por um ruído terrível de algo esmagando. — Ash — chamou Daemon, dando-lhe uma sacudida de leve. — Ash. Seus olhos estavam fixos no céu sem fim. Parte minha já sabia, mas meu cérebro se recusava a aceitar. Eu e Ash nunca seríamos amigas. Provavelmente nunca mudaríamos o nosso status de “aminimigas”, também, mas ela era incrivelmente forte, teimosa, e eu sinceramente achava que ela seria tipo uma barata, que sobreviveria a uma catástrofe nuclear. Mas aquela bela forma humana— Aquelas feições dolorosamente lindas— Perderam a cor para o brilho suave que rapidamente desvanecia. Não havia nada da Ash nos braços de Daemon, só uma carapaça de pele translúcida e veias estreitas. — Não — sussurrei, olhando para Daemon. Seu corpo tremia. — Maldição — falou Dawson. Seus braços rodeavam uma chorosa Beth. — Ela… Beth soluçou. — Ela salvou a minha vida. De pé ao lado de Dawson, Dee cobriu a boca com as mãos. Não disse nada, mas tudo estava gravado em seu rosto. — Gente, precisamos mesmo… — Luc apareceu detrás de Daemon, dando uma pausa e ficando ainda mais sério. — Droga. Eu levantei a cabeça, sem ideia do que dizer. E se falasse seria inútil. Um carro ou algo parecido explodiu em algum lugar. — Tenho uma SUV enorme a uma quadra daqui.. todos caberíamos. — Luc começou a dizer. — Temos que ir enquanto a pista está limpa. Eles mandarão mais soldados, e não serei mais capaz de acabar com eles. Nem vocês. Estamos ficando sem energias.


— Não podemos deixá-los aqui — Daemon protestou piamente. Archer se meteu. — Não temos escolha. Ficamos aqui um segundo a mais e nos juntamos a eles... Kat se junta a eles. Um músculo da mandíbula de Daemon flexionou, e meu coração sofreu por ele. Eles tinham crescido com os Thompsons, e eu sabia que uma parte de Daemon amava Ash. Não do mesmo modo que ele me amava, mas não de um modo menos importante. — Não quero deixar Paris aqui — falou Luc, capturando o olhar de Daemon. — Ele não merece ser deixado para trás, mas não temos opção. Algo deve ter se conectado na cabeça de Daemon porque ele depositou Ash no chão com delicadeza e se levantou. Eu o segui. — Onde está o carro? — ele perguntou, a voz firme. Luc apontou mais à frente. Cheguei ao lado de Daemon e ele pegou minha mão. Tinham dez de nós há alguns minutos atrás. Agora apenas sete corriam pela estrada escura repleta de carros incendiados, corpos e escombros. Mantive o movimento das pernas, me recusando a me permitir pensar nas coisas. Luc encontrou um Dodge Journey e uma caminhonete, mas agora só precisávamos de um deles. Essa percepção me deu uma pontada de pesar. Archer entrou no assento do motorista da Journey e Luc no banco do passageiro. — Rápido — encorajou Luc. — Ainda há tráfego mais à frente, mas está andando, e o bloqueio policial já era. As pessoas estão abandonando a cidade. Acho que conseguimos nos perder entre eles. Dawson ajudou Beth a entrar pelo lado enquanto eu e Daemon entramos pelo outro. Nós ficamos bem atrás e Dee se juntou a Dawson e a Beth na fileira de bancos do meio. As portas nem se fecharam completamente quando Archer acelerou. Meu corpo ficou dormente quando me virei no assento, olhando a janela traseira enquanto desviávamos de carros e por pouco, das pessoas em pânico pelas ruas. Deixávamos a cidade para trás— Deixando Paris, Andrew e Ash para trás. Continuei olhando pela janela, assistindo Vegas arder em chamas.


CAPÍTULO 30 Katy

A viagem foi silenciosa e tensa. Além do fato de que todos nós olhávamos sobre nossos ombros, esperando que os militares estivessem em nossa cola, nenhum de nós sabia o que dizer ou se alguma coisa poderia ser dita. Virando nos braços de Daemon, pressionei meu rosto no peito dele e inalei o aroma rico, amadeirado. O cheiro de morte e destruição não se impregnou nele, e eu estava agradecida. Se eu fechasse meus olhos e segurasse a respiração até que eu perdesse algumas células do cérebro, quase que eu poderia imaginar que estávamos apenas dando um passeio no deserto. Ele não se importou com as coisas destroçadas. Em algum momento, ele tinha me puxado para longe da janela traseira e eu me aninhei entre suas coxas. Não me importava. Mais do que tudo, seu abraço era tranquilizador depois de tudo. E eu acho que ele precisava disso também. Gostaria de poder estar dentro de sua cabeça, saber o que ele estava pensando agora. Alisei meu polegar sobre o ponto acima de seu coração, traçando distraidamente formas estranhas em seu peito. Esperava que a culpa não estivesse o corroendo. Nada do que aconteceu — o número de mortes — tinha sido culpa dele. Eu queria dizer-lhe isso, mas não queria quebrar o silêncio, também. Parecia que todos no carro estavam de luto por alguém. Eu não tinha sido íntima de Andrew e Ash, não conhecia Paris tão bem, mas suas mortes, no entanto, machucavam. Cada um deles tinha morrido salvando outra pessoa, e a maioria das pessoas nunca saberiam seus nomes ou o que tinham sacrificado. Mas nós saberíamos. Sua perda iria deixar uma marca em todos nós por um bom tempo, se não para a eternidade. A mão de Daemon alisou minhas costas e se enfiou no meu cabelo bagunçado até que seus dedos tocaram a parte de trás do meu pescoço. Ele se mexeu um pouco, e senti seus lábios na minha testa. Apertou-me em sua camisa, comprimindo-me ao longo do meu peito. Estiquei-me, roçando meus lábios contra seu ouvido. — Eu te amo tanto. Seu corpo ficou tenso e, em seguida, relaxou. — Obrigado. Sem saber o que ele estava me agradecendo, aconcheguei-me contra ele, ouvindo seu coração bater de forma constante. Cada parte de mim doía, e eu estava cansada, mas o sono parecia


impossível. Duas horas depois, Luc disse que dirigir-se para o Arizona seria muito arriscado e muito perto de Las Vegas. Eu nem tinha notado em que direção estávamos indo. Havia um outro lugar que havia mencionado — uma das maiores cidades de Idaho, algo chamado de Coeur d'Alene. Outros quinze horas de onde nos encntrávamos. Dee tinha falado então, perguntando como ele tinha tantas propriedades quando tinha apenas quinze anos. Eu pensei que era uma boa pergunta. — Há um monte de dinheiro no tipo de clube que eu dirijo, e favores não são baratos. — disse ele. — Então, gosto de manter minhas opções em aberto, possuir algumas propriedades ocultas ao redor dos Estados Unidos. Você nunca sabe quando vai precisar delas. Dee pareceu aceitar a resposta. E realmente, que escolha temos? Paramos para abastecer em algum lugar no norte de Utah as onze da manhã seguinte. Dawson e Daemon entraram para pegar algumas bebidas e alimentos, mas não antes de mudar suas aparências. O resto de nós ficamos atrás dos vidros escuros, enquanto Archer enchia o tanque, mantendo a cabeça baixa sob um boné de beisebol que tinha dentro do carro. Muito ansiosa para ficar parada, eu me inclinei para a frente e verifiquei Bethany. — Ela está dormindo. — disse Dee calmamente. — Eu não sei como ela consegue dormir. Acho que nunca mais vou dormir de novo. — Sinto muito. — Eu coloquei minha mão na parte de trás de seu assento. — Eu realmente sinto. Sei que você era íntima deles, e desejo... desejo que muitas coisas fossem diferentes. — Eu também. — disse ela, colocando a mão sobre a minha. Ela colocou seu rosto no assento e piscou várias vezes. Seus olhos estavam enevoados. — Nada disso parece ser real. Ou é só comigo? — Não é só você. — Apertei a mão dela. — Eu fico pensando que vou acordar. — E vai ser meses atrás, logo antes do baile, né? Eu balancei a cabeça, mas esse tipo de pensamento positivo era uma passagem só de ida para Downersville. Daemon e Dawson voltaram, com os braços cheios de sacolas. Quando Archer esteve outra vez atrás do volante, eles começaram a distribuir bebidas e lanches. Daemon me entregou um pequeno saco verde de Funyuns. Minha respiração ia ficar ofegante. — Obrigada — Só não tente me beijar por um tempo. — ele disse. Sorri, e me senti estranha por fazê-lo, mas seus olhos brilharam quando eu sorri, e sabia que a regra de não beijar não ia durar muito tempo. Não quando ele tinha aquele olhar em seus olhos. — Você ouviu alguma coisa interessante na loja de conveniência? — Perguntei, curiosa.


Daemon e Dawson trocaram um olhar rápido. Eu não consegui decifrá-lo, mas desconfiei imediatamente quando Daemon abanou a cabeça. — Nada de importante. Meus olhos se estreitaram. Ele arqueou uma sobrancelha para mim. — Daemon... Ele suspirou. — Havia uma TV por trás do balcão, transmitindo ao vivo a partir de Las Vegas. Estava no mudo, portanto, não podia ouvir o que estavam dizendo. — Nada mais? Houve uma pausa. — Algumas pessoas que estavam assistindo estavam falando sobre alienígenas e como eles sempre suspeitaram que o governo os encobria. Algo estúpido sobre um OVNI caindo em Roswell por volta da década de cinquenta. Sinceramente, parei de ouvir. Relaxei um pouco. Isso era uma boa notícia. Pelo menos não havia nenhuma menção a um grupo de linchadores caçando alienígenas. Dirigimos na maior parte do dia, mas, por mais quilômetros que colocávamos entre nós e Vegas realmente não aliviavam a pressão. Seria um longo tempo antes de qualquer um de nós estar realmente confortável. As primeiras coisas que notei sobre o norte de Idaho foram os pinheiros altos e a majestosa encosta da serra ao longe. A cidade, perto do grande, profundo lago azul, era pequena em comparação com Vegas, mas agitada. Passamos por uma entrada para um resort, e tentei prestar atenção às indicações que Luc estava dando a Archer, mas eu sou péssima em direções. Eu me perdi no "vire à direita no cruzamento." Outros quinze minutos ou mais e nós estávamos na borda da floresta nacional. E se eu pensava que Petersburgo estava no meio do nada, obviamente, não tinha visto nada ainda. O Dodge cruzou ao longo de uma estreita estrada de terra cheia de abetos e outras árvores que pareciam perfeitas para pendurar decorações de Natal. — Acho que podemos ser comidos por um urso. — Daemon comentou enquanto eu olhava para fora da janela. — Bem, isso pode acontecer, nas você não precisa se preocupar com muitos Arum. — Luc se virou em seu assento e deu um sorriso cansado. — Este lugar tem depósitos de quartzito naturais, mas os Luxen não estão cientes disso. Daemon assentiu. — Boa informação.


— Os Arum... acha que eles podem aparecer? — perguntou Dee. — Nem um pouco. — Archer respondeu, olhando pelo espelho retrovisor por um segundo. Ele sorriu um pouco, acho que para Beth. — Daedalus tem alguns Arum em segundo plano, que são chamados quando os Luxen... saem da linha. Houve esse problema no Colorado, logo antes de apanharem vocês fora do Mount Weather. Uma mulher em um lugar errado, e um momento errado, e um Arum foi levado. — Você o conheceu. — disse Luc, olhando para Daemon. — Você sabe, o Arum no meu clube ao qual você queria ir todo He-Man para ele? Sim, fui chamado pelo DOD para cuidar de um dos problemas. Olhei para Daemon, que ostentava um grande cenho franzido. — Não parecia como se estivesse cuidando do problema. O sorriso de Luc se tornou parte misterioso, parte triste. — Depende de como você acha que é cuidar das coisas. — Ele fez uma pausa, virandose. — Isso é o que Paris iria dizer. Acomodei-me para trás na curva do braço de Daemon, pensando em perguntar a ele sobre isso mais tarde. O veículo desacelerou em uma curva, e partes de uma cabana de madeira espiou de entre os abetos —uma cabana muito grande e muito cara que tinha dois andares e o tamanho de duas casas. O bar de Luc devia estar indo surpreendentemente bem. O veículo ficou em ponto morto até parar diante de uma porta de garagem. Luc pulou para fora e andou a passou largos em torno da frente do carro. Parando em frente das portas, abriu um teclado e introduziu um código com rápidas dedos ágeis. A porta se abriu sem problemas. — Venham — Disse, passando sob a porta. Eu não podia esperar para sair do veículo, uma vez que entrou na garagem. Minha bunda estava entorpecida e minhas pernas um pouco instáveis quando coloquei meus pés no cimento. Conseguindo que o sangue circulasse novamente, saí da garagem e à luz do sol. Era significativamente mais frio para agosto, provavelmente abaixo de vinte graus. Ou era setembro? Eu não tinha ideia de que mês era, muito menos o dia. Mas era lindo aqui. O único ruído era o chilrear dos pássaros e o farfalhar de pequenas criaturas da floresta. O céu era um bom tom de azul. Sim, era muito bonito aqui e... Lembrava-me de casa. Daemon veio por trás de mim, envolvendo os braços em volta da minha cintura. Inclinou-se sobre mim, apoiando o queixo em cima de minha cabeça. — Não saia correndo desse jeito.


— Eu não corri. Só saí da garagem. — disse, colocando minhas mãos em seus braços fortes. Sua cabeça deslizou para baixo, e a barba em seu rosto me fez cócegas. — Muito longe por agora. Em qualquer outro momento eu teria me manifestado contra seu comportamento, com toda minha coroa de diva, mas depois de tudo, eu entendi o porquê por trás disso. Virei em seus braços, forçando os meus sob os dele e ao redor de sua cintura. — Todo mundo já está investigando a casa? — Sim. Luc estava falando sobre um de nós voltarmos para a cidade mais tarde e conseguir um pouco de comida, antes que seja tarde demais. Parece que todos vamos ficar escondido aqui por um tempo. Abracei-o com força. — Eu não quero que você vá. — Eu sei. — Ele estendeu a mão e alisou meu cabelo para trás do meu rosto. — Mas só Dawson e eu podemos mudar a forma como parecemos. E eu não vou deixá-lo ir sozinho ou deixar Dee ir. Inalando profundamente, endireitei meus ombros. Eu queria vociferar e falar descontroladamente. — Está bem. — Está bem? Você não vai me dar um olhar mal de Kitten? Eu balancei minha cabeça, com foco em seu peito. De repente a emoção arrastou-se, ficando presa na minha garganta. — O inferno deve ter congelado. — Seus dedos se estenderam sobre minha bochecha. — Ei... Inclinando-me para frente, descansei minha cabeça contra ele, e meus dedos se cravaram em seus lados. Um braço caiu para a minha cintura, e me abraçou perto. — Sinto muito. — eu disse, engolindo em seco. — Muita coisa aconteceu, Kat. Não há necessidade de se desculpar. Todos estamos fazendo o melhor que pudemos agora. Levantando minha cabeça, pisquei para conter as lágrimas. — E você? Está bem? Ele ficou olhando para mim, em silêncio. — Você não se culpa pelo que aconteceu em Vegas, não é? Não foi culpa sua. Nada disso. Daemon ficou em silêncio por um tempo muito longo. —Foi ideia minha.


Meu coração voltou a bater fortemente. — Mas todos estivemos de acordo. — Talvez houvesse algo diferente que poderia ter feito. — Ele desviou o olhar, a garganta oprimida. Um puxar tenso apareceu no canto de sua boca. — Todo o caminho até aqui eu fiquei pensando sobre isso. Que outras opções que nós tínhamos? — Nós não tínhamos nenhuma. — Eu queria rastejar dentro dele e de alguma forma fazê-lo se sentir melhor. — Estávamos certos disso? — Sua voz era calma. — Nós não tivemos muito tempo para pensar sobre isso. — Nós não tivemos tempo. Daemon balançou a cabeça lentamente, os olhos apertados e focados na linha de árvore. — Ash, Andrew e Paris... eles não mereciam isso. Sei que eles concordaram com isso e sabiam dos riscos, mas não posso acreditar que eles estão... Estiquei-me, envolvendo suas bochechas em minhas mãos. O calor se estendeu por meu peito, tornando-se uma dor física. — Eu sinto muito, Daemon. Gostaria que houvesse algo mais que eu pudesse dizer. Eu sei que eles eram como a sua família. E sei que significavam o mundo para você. As suas mortes não são culpa sua, no entanto. Por favor, não pense isso. Eu não poderia... Ele me silenciou com um beijo, um beijo doce e terno que eclipsou todas as minhas palavras. — Preciso te dizer uma coisa. — ele disse. — Você pode me odiar depois. — O quê? — Afastei-me, totalmente não esperando esse comentário. — Eu não poderia te odiar. Daemon inclinou a cabeça para o lado. — Eu dei-lhe um monte de razões para me odiar no começo. — Sim, você fez, mas isso foi no começo. Não mais. — Você não ouviu o que eu tenho a dizer. — Isso não importa. — Eu meio que queria dar um soco na cara dele por sugerir isso. — Importa. — Ele respirou. — Você sabe, quando a merda realmente começou a ficar pior em Vegas, eu tinha minhas dúvidas. Quando vi que Paris foi morto, e, em seguida, Andrew e Ash, perguntei-me se eu teria feito isso de novo, da mesma forma, sabendo os riscos. — Daemon... — A coisa é, sabia dos riscos quando saí do carro. Sabia que pessoas podiam morrem e isso não me impediu. E quando olhei para cima e vi você ali, viva e bem, sabia que eu faria tudo de


novo. — Seus brilhantes olhos esmeralda fixaram-se em mim. — Eu faria isso, Kat. Quanto incrivelmente egoísta é isso? Quanto confuso? Isso me faz pensar que sou muito digno de sua aversão. — Não. — eu disse, e então disse novamente. — Entendo o que está dizendo, Daemon. Isso não me faz odiá-lo. Sua mandíbula se apertou. — Deveria. — Olha, eu não sei o que dizer. É cem por cento certo? Provavelmente não. Mas entendo. Entendi por que Matthew deu as costas a Dawson e a Bethany e, em seguida, tentou fazer o mesmo conosco. Nós todos vamos fazer loucuras para proteger aqueles que amamos. Pode não ser certo, mas... mas é o que é. Ficou olhando para mim. — E você não pode se castigar por isso. Não quando você me disse que eu não poderia me castigar com o que aconteceu com Adam por causa das decisões que eu tomei. — Minha respiração estava trêmula. Eu queria apagar a dor em seus olhos, a angústia. — Eu não poderia te odiar. Nunca. Eu amo você, não importa o quê. E não importa o que acontecer no futuro ou o que aconteceu antes disso. — Lágrimas queimavam em meus olhos. — Eu sempre vou te amar. E estamos juntos nessa. Isso nunca vai mudar. Você entende? Quando ele não disse nada, meu coração falhou. — Daemon? Ele se moveu tão rápido que me assustou. Ele me beijou de novo. Não era doce e terno como o último. Era feroz, intenso e poderoso, um agradecimento e uma promessa em um só. Aquele beijo, em seguida, me derrubou e me reconstruiu. Seu beijo ... bem, isso me fez. Ele me fez. E por causa disso, sabia que ia em ambos os lados. Ele me fez. E eu o fiz.

***** Daemon A viagem para a cidade com Dawson tinha sido surpreendentemente tranquila. Estivemos dentro e fora do mercado rapidamente. Não houve forma de evitar os jornais salpicado com fotos de figuras brilhantes através de todos eles, ou ouvir as conversas, enquanto esperávamos na


fila. Algumas delas eram simplesmente loucas, mas o stress envolvia as pessoas na loja, em uma pequena cidade situada sobre um lago, um mundo longe de Vegas. Pelo que pudemos entender, o governo não tinha feito nenhum anúncio oficial, com a exceção de declarar Nevada em estado de emergência e rotular as "ações horríveis" um ato de terrorismo. As coisas estavam ficando ruins. Não apenas do ponto de vista humano, mas a partir dos Luxen. Muitos deles não tinham problemas em viver em segredo. Havíamos feito esse direito voar pelo telhado. E depois havia os que iriam tirar proveito do caos, como Luc havia dito. Eu não pude deixar de pensar em Ethan White e sua advertência. Já era tarde quando voltamos para a cabana, e Kat e Dee tinham preparado espaguete. Foi Kat quem principalmente cozinhou, desde que Dee tentava esquentar tudo com as mãos, o que normalmente tinha resultados desastrosos. Beth tinha ajudado com o pão de alho, e foi bom vê-la levantar e se mover. Eu quase não conseguia lembrar como ela era antes do Daedalus. Sabia que ela era muito mais falante então. E sorria mais. Ajudei Kat a limpar depois. Ela lavou os pratos, e eu os sequei. A cozinha era equipada com uma máquina de lavar louça, algo que Luc sentiu a necessidade de apontar, mas acho que a tarefa tediosa era calmante. Nenhum de nós falou. Havia algo de íntimo sobre isso, nossos cotovelos e mãos se roçando. De alguma forma, Kat tinha um aglomerado de bolhas espumantes brancas em seu nariz. Limpei-a, e ela sorriu, e, droga, seus sorrisos eram como estar sob o sol. Eles me faziam sentir e pensar um monte de coisas, incluindo algumas coisas majoritariamente bregas que provavelmente nunca diria em voz alta. Ela mal conseguia manter os olhos abertos no momento em que terminou. Eu a conduzi para a sala, e ela se sentou no sofá. — Onde você está indo? — Ela perguntou. — Estou indo terminar na cozinha. — Deixei cair uma velha colcha de retalhos sobre ela. — Descanse um pouco. Eu estarei de volta. Enquanto passava pela sala de recreação, pude escutar Archer e Dee conversando em um dos quartos. Eu estava no meio do caminho antes de me parar. Fechando os olhos, amaldiçoei baixinho. Dee precisava de alguém para conversar. Eu só queria que não fosse ele. Eu fiquei ali no corredor escuro, olhando para os painéis de madeira chamativos por Deus sabia quanto tempo antes de me forçar a voltar para a cozinha. Dee não o levaria para Olive Garden. Foi ali que eu desenhei a linha.


Agarrando o pano de prato úmido, joguei-o sobre a mesa e limpei a bagunça de Luc. Os hábitos alimentares do garoto e espaguete não ficavam bem juntos. A terminar, olhei para o relógio. Era quase meia-noite. — Você mentiu para Kat. Eu virei ao som da voz do meu irmão, já sabendo sobre o que ele estava falando. — Você teria feito a mesma coisa. — É verdade, mas ela vai descobrir mais cedo ou mais tarde. Tirando uma garrafa de água do balcão, escolhi as minhas próximas palavras com cuidado. — A última coisa que eu quero que ela saiba agora é que o rosto dela está tomando toda notícia nacional. Em vez de se preocupar sobre o que isso significa para ela, vai se preocupar com sua mãe e... não há nada que possamos fazer agora sobre isso. Dawson encostou-se ao balcão e cruzou os braços. Ele olhou para mim, e o olhei de volta. Sabendo o que esse olhar significava, o cenho franzido e a determinada na mandíbula apertada, suspirei. — O quê? — Exigi. — Eu sei o que você está pensando. Bati meus dedos sobre a garrafa de água. — Ah, sim? — É por isso que você está aqui brincando de Suzy dona de casa. Você está se perguntando o que começou. Eu não respondi por um longo momento. — Sim, estou querendo saber isso. — Não foi só você. Fomos todos nós. Nós todos fizemos isso. — Dawson fez uma pausa, olhando para fora da janela sobre a pia para o vazio escuro que cercava a cabana. — Eu faria tudo de novo. — Você faria isso? Sabendo que Ash e Andrew iriam morrer? — Dizer seus nomes era uma facada quente de dor. Ele passou a mão pelo cabelo. — Eu não acho que você quer que eu responda a essa pergunta. Assenti. Responderíamos a essa pergunta da mesma forma. O que isso dizia sobre nós? Dawson exalou pesadamente. — Isso é uma merda, apesar de tudo. Deus, eles eram como nossa família. Não vai ser o mesmo sem eles. Não mereciam morrer assim. Eu esfreguei meu queixo.


— E Matthew... — Que se foda Matthew. — ele cuspiu, estreitando os olhos. Deixando a garrafa de lado, olhei para meu irmão. — Nós meio que fizemos a mesma coisa, mano. Arriscamos a vida das pessoas para manter Dee e as meninas em segurança. Ele balançou a cabeça. — Isso é diferente. — É mesmo? Dawson não respondeu imediatamente. — Bem, então que se foda. Deixei escapar uma risada seca. — Sim, que se foda. Seus lábios tremeram enquanto olhava para mim. — Cara, o que diabos é que vamos fazer? Eu abri minha boca, mas ri novamente. — Quem sabe? Acho que temos que esperar e ver quais serão as consequências. Eu preciso descobrir como fazer com que Kat pareça com uma vítima inocente nisso. Ela não pode se esconder para sempre. — Nenhum de nós pode. — ele disse solenemente. Depois acrescentou: — Eu pagaria um bom dinheiro para saber o que os anciãos estão pensando no momento. —Fácil. Eles provavelmente querem nossas cabeças. Ele deu de ombros, e um par de momentos se passaram antes que ele falasse de novo. O que quer que seja o que ia dizer, soube que não estava seguro disso. Sua boca se moveu nele por um tempo. — Eu sei que este não é o melhor momento para dizer-lhe isso. Inferno, não tenho certeza se há um momento certo para isso, mas parece que depois do que aconteceu com Ash e o Andrew, eu deveria apenas manter minha boca fechada. Meus músculos ficaram tensos. — Só cuspa, Dawson. — Está bem. Bom. Eu preciso te dizer, porque, bem, acho que alguém mais precisa saber. — As pontas de suas maçãs do rosto coraram, e eu realmente não tinha ideia para onde a conversa estava indo. — Especialmente quando as coisas começarem a progredir e... — Dawson. Ele respirou fundo e disse três palavras que explodiram minha mente.


— Beth está grávida. Minha boca se abriu, mas não houve palavras. Verdadeiramente, não havia palavras. Tudo saiu rápido de Dawson. — Sim, ela está grávida. É por isso que ela tem estado muito cansada e eu não queria que ela fizesse qualquer coisa quando estávamos em Vegas. Era muito arriscado. E a viagem a deixou realmente esgotada, mas... mas sim, nós vamos ter um bebê. Olhei para ele. — Santa... — Eu sei. — Seu rosto se abriu em um sorriso. — Merda. — eu terminei. Então balancei minha cabeça. — Quero dizer... parabéns. — Obrigado. — Ele mudou de posição. Eu quase perguntei como Beth ficou grávida, mas parei antes que eu fizesse essa pergunta estúpida. —Uau. Você vai... você vai ter um bebê? — Sim. Agarrei as extremidades da bancada. Fiquei de queixo caído, e tudo que conseguia pensar era naquelas crianças que estavam no Daedalus — as origens. Os filhos de um homem Luxen e uma fêmea híbrida, tão raro que se Daedalus soubesse disso... Eu não pude terminar o pensamento. Dawson deixou escapar um suspiro. — Está bem. Diga algo mais. —Uh, como... com quantos meses está? — É isso que as pessoas perguntavam, em circunstâncias normais? Seus ombros relaxaram. — Ela está em torno de três meses. Droga. Eles devem ter tido um inferno de um reencontro. — Você está aborrecido, não é? — Ele perguntou. — O quê? Não. Não estou aborrecido. Eu só não sei o que dizer. — E não parava de pensar que em seis meses, íamos ter um bebê que poderia fritar as células do seu cérebro com um único pensamento, se não conseguisse sua chupeta. — Eu só não estava esperando por isso. — Nem eu, ou Beth. Nós não planejamos isso. É apenas uma espécie de... aconteceu. — Seu peito se ergueu bruscamente. — Não que eu pensasse que ter um bebê nessa idade era uma coisa inteligente, mas aconteceu, e nós vamos fazer o nosso melhor. Eu ... Eu já o amo mais do que eu amei qualquer coisa.


— Ele? O sorriso de Dawson foi parte embaraçado, parte alegre. — O bebê pode ser uma menina, mas o chamo de “ele”. Beth fica louca. Forcei um sorriso. Ele não parecia saber sobre as origens. Seria possível que Beth não soubesse, também? Se fosse assim, não tinham nenhuma ideia do que estavam a ponto de trazer a este mundo. Comecei a dizer alguma coisa, mas me calei. Agora não era o momento. — Eu sei que as coisas vão ser difíceis. — Ele continuou. — Nós não podemos ir a um médico regular. Eu sei disso, e isso me assusta muito. — Hey. — Eu me inclinei para a frente, apertando a mão em seu ombro. — Vai ficar tudo bem. Beth e... e o bebê vão ficar bem. Nós vamos resolver isso. O sorriso de alívio de Dawson foi evidente. Eu não tinha ideia de como nós íamos resolver isso, mas as mulheres tinham bebês desde o início dos tempos, sem médicos. Não poderia ser tão difícil, certo? Eu meio que queria me dar um soco no rosto após isso, no entanto. O parto me aterrorizava. Conversamos um pouco mais, e eu prometi manter as coisas calmas. Eles não estavam prontos para compartilhar a notícia com todos, e eu poderia entender isso. Kat e eu não tínhamos contado a ninguém que, tipo, nos casamos. Casamento. Bebês. Aliens em Vegas. O maldito mundo estava chegando ao fim. Ainda me sentindo um pouco em estado de choque, fui para a sala. Parei em frente ao sofá onde Kat estava enrolada contra o braço, a colcha amontoada sob o queixo. Ela estava dormindo. Abaixando-me, a peguei e cuidadosamente a coloquei em meu colo, as pernas estendidas entre as minhas. Ela mexeu-se, rolou para o lado dela, mas permaneceu dormindo. Olhei pela janela para a escuridão, durante horas. Agora, mais do que qualquer coisa, tinha que fazer algo. Não apenas correr e se esconder. Isso ia ser quase impossível como estava. O mundo sabia sobre nós agora. As coisas só iriam ficar mais perigosas a partir de agora em diante. E em poucos meses, nós teríamos um bebê para se preocupar — um bebê que poderia causar todos os tipos de estragos. Tínhamos que fazer alguma coisa. Tínhamos que tomar uma posição, mudar o futuro, ou não haveria futuro para nenhum de nós.


Alisei minha mão pela coluna de Kat, curvando os dedos em torno da nuca dela. Baixando meu queixo, pressionei meus lábios em sua testa. Ela, sonolenta, murmurou meu nome, e meu peito se apertou com o grau da emoção que eu sentia por ela. Inclinei-me para trás no sofá e olhei através da janela para a escuridão. A incerteza do amanhã pairava como uma nuvem de tempestade, mas havia uma coisa que eu estava bastante confiante, algo mais sinistro do que esperar o desconhecido para todos nós. Iríamos ser caçados pelos humanos e pelos Luxen. E se eles achavam que expor a verdade ao mundo era a coisa mais extrema que eu poderia fazer para proteger aqueles que eu amava, não tinham visto nada ainda. Eles não tinham ideia do que eu era realmente capaz de fazer.

CAPÍTULO 31 Katy

Eu tinha sido vagamente consciente de Daemon vindo para o sofá e me abraçando, mas não foi isso que me acordou algumas horas mais tarde. Em algum momento durante a noite, com seus braços me rodeando, seu abraço me apertou até quase o estrangulamento. E ele estava em sua verdadeira forma. Tão bonito como era, também era quente e ofuscante. Lutando para afrouxar seu aperto, eu me virei em seu abraço, apertando os olhos contra o brilho forte. — Daemon, acorda. Você está... Ele despertou bruscamente, sentando-se tão rápido que quase caiu no chão. A luz esmaeceu, e ele estava de volta à sua forma humana, uma expressão perplexa no rosto. — Isso não acontecia desde que eu era criança... mudar para minha forma verdadeira, sem perceber. Eu acariciava seu braço. — Stress?


Ele balançou a cabeça, seu olhar se fixando sobre o meu ombro. Sua expressão ficou tensa. — Eu não sei. É... Passos bateram na escada e dentro de segundos, todos do grupo estavam lá embaixo olhando para fora como Daemon fazia. Desembaraçando-me do seu abraço, afastei a colcha e me levantei. — Alguma coisa está acontecendo, não é? Dee aproximou-se da janela e puxou a cortina fina para trás. — Eu não sei, mas eu sinto... — Eu acordei pensando que alguém estava chamando meu nome. — Dawson passou um braço em volta dos ombros de Beth. — E eu estava brilhando. — Aconteceu o mesmo comigo. — disse Daemon, ficando em pé. Luc passou a mão pelo seu cabelo bagunçado. De pijama, ele finalmente aparentava sua idade. — Eu sinto uma coceira. — Eu também. — Archer comentou calmamente. Ele esfregou o lado de sua mandíbula, olhando para a escuridão do lado de fora da janela da cabana. Olhei para Beth, e ela deu de ombros. Parecia que éramos as únicas que não estavam sentindo o que quer que fosse que os Luxen e os origens estavam sentindo e isso nos deixava confusas. De repente, eles se enrijeceram — todos eles, exceto Beth e eu. Um por um, Daemon, Dawson e Dee trocaram para suas formas Luxen por um breve segundo e, em seguida, retomou para seu aspecto humano. Foi tão rápido, tão imediato, que era como se o sol estivesse na sala por um momento ou dois. — Alguma coisa está acontecendo. — disse Luc, girando. Ele se dirigiu para a porta da frente. — Alguma coisa grande está acontecendo. Ele saiu pela porta e todos os seguiram. Saí para o ar fresco da noite, ficando perto de Daemon, enquanto caminhava para o caminho de cascalho em frente à varanda e, em seguida, na grama. As folhas frias eram macias sob os meus pés descalços. Um estranho calafrio trabalhou seu caminho pela minha espinha e então através das minhas terminações nervosas. Um senso de consciência apertou os músculos do meu pescoço enquanto Luc se afastava mais em todo o pedaço de terra limpa. As bordas da floresta pareciam escuras e sem fim, totalmente inabitável nas horas mais escuras da noite. — Sinto algo. — disse Beth, sua voz quase um sussurro. Ela olhou para mim. — E você? Eu balancei a cabeça, sem saber exatamente o que estava sentindo, mas Daemon enrijeceu ao meu lado, e então senti sua frequência cardíaca aumentar no peito, igual a minha.


— Não. — ele sussurrou. Uma pequena explosão de luz iluminou o céu à distância. O ar ficou preso na minha garganta enquanto eu observava aquele minúsculo ponto de luz viajar para baixo, uma cauda brilhante de fumaça arrastando atrás dela. A luz desapareceu quando se ampliou por trás das Montanhas Rochosas. Outra apareceu no céu. Em seguida, outra, uma e outra vez, e caíam tanto quanto os olhos podiam ver, como estrelas cadentes caindo na Terra. O céu estava iluminado com elas, milhares e milhares de explosões de luz quando entraram em nossa atmosfera e choviam. Eram tantas delas que eu não podia manter o controle de quantos lá estavam, suas caudas em tempo real se misturando, até a noite se transformar em dia. Luc soltou uma estrangulada risada rouca. — Oh merda. Então o ET telefonou para casa, crianças. — E ele trouxe amigos. — disse Archer, dando um passo para trás quando várias das luzes chegaram rapidamente perto, desaparecendo entre os olmos altos e os abetos. Daemon estendeu a mão, entrelaçando seus dedos nos meus. Meu coração deu um pulo quando eles continuaram a cair diante de nós. Pequenas explosões abalaram as árvores, fazendo o chão tremer. Luz pulsava, iluminando o chão da floresta a cada dois segundos, até que uma luz intensa brilhou por alguns segundos e, em seguida, desapareceu. Então, não havia nada. Fez-se silêncio em torno de nós. Não houve grilos, nenhum pássaro, nem pequenos animais correndo. Não havia nada, só nossas respectivas respirações curtas e meu próprio coração batendo trovejando em minhas veias. Um ponto de luz apareceu mais para trás entre os olmos. Um por um, eles apareceram, uma sucessão interminável de luzes vindo à existência. Tantas que eu sabia que tinha de haver centenas aqui apenas na floresta que nos cercava. — Deveríamos estar fugindo agora? — Perguntei. A mão de Daemon apertou a minha, e ele me puxou para o seu lado. Seus braços em volta do meu corpo, me segurando perto, e quando ele falou, sua voz estava rouca. — Não adiantaria, Kitten. Meu coração vacilou uma batida quando a pressão apertou o cerco contra meu peito. — Nós não conseguiríamos fugir deles. — disse Archer, suas mãos fechando em punhos. — São muitos. Eu só podia olhar quando uma compreensão se afundou até meus ossos. Eles se aproximaram da borda da floresta, tomando forma. Como Daemon e cada Luxen que eu tinha visto, suas formas humanas, seus braços e pernas eram bem definidos. Eram realmente altos, todos e cada um deles. Suas luzes cintilantes projetavam sombras quando eles pararam a alguns metros fora da


borda da floresta. Um continuou para a frente, a sua luz mais brilhante do que o sol durante o verão, tingida em um profundo vermelho vibrante, assim como Daemon quando ele estava em sua verdadeira forma. O sargento Dasher e o Daedalus poderiam ter mentido sobre um monte de coisas, mas isso — oh, Deus — isso tinha sido verdade. Eles tinham vindo, assim como Dasher avisou, e tinha de haver centenas aqui, e centenas de milhares em outros lugares. A luz vermelha brilhou novamente a partir de um na frente. Um pulso de energia rolou através da clareira, elevando os minúsculos pelos ao longo do meu corpo. Eu tremia, sem saber o que estava acontecendo, mas então algo ocorreu. Dee foi a primeira a perder a posse de sua forma humana e, em seguida, Dawson. Eu não tinha certeza se era confusão, medo, ou algo sobrenatural, que fazia com que eles respondessem à proximidade de muitos de sua espécie, mas um segundo depois, os braços de Daemon estremeceram ao meu redor, e ele entrou em sua verdadeira forma também. Seus braços caíram para longe de mim, e de repente estava insuportavelmente frio sem o seu calor. Vi Dawson fazer o mesmo e se mover em direção a sua irmã. Os três foram para frente, separando-se de nós. — Daemon. — eu chamei, mas ele não me ouviu. Ele não respondeu. De repente, Archer estava ao meu lado e Luc estava perto de Beth. Recuamos, mas eu não senti meus pés se movendo ou meus músculos trabalhando. Meus olhos estavam fixos em Daemon até que os outros de sua espécie engoliu sua luz. Medo revestiu o interior da minha boca e o sangue virou lama em minhas veias. Naquele instante eu não pude deixar de pensar no que Dasher tinha dito sobre o que aconteceria quando os Luxen viessem — e se Daemon estaria com sua própria espécie ou com a minha. Eu não tinha certeza se Daemon ainda tinha uma escolha. Eu não tinha certeza de que eu tinha, também.

Fim


{1}

Lite-Brite é um brinquedo criado pela Hasbro em 1967, que permite ao usuário criar desenhos brilhantes. Marca de almôndegas. {3} Refresco em pó. {4} Defense Readiness Condition (DEFCON) é um estado de alerta utilizado pelos Forças Armadas dos Estados Unidos. {5} Ele fez um trocadilho com o filme estrelado por John Travolta e Kirstie Alley em 1989. {2}

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Série antiga de desenhos animados. Veículo Automóvel Multifunção de Alta Mobilidade. É um veículo utilitário militar desenvolvido pela AM General que oferece um grande tempo de vida, muito utilizado nos Estados Unidos e outros países e organizações. {8} Rota 375:Rodovia Extraterrestre. {9} Personagem infantil de TV feito de massa de modelar e verde. {10} Eles estão entre nós. {11} Produto de limpeza. {12} Seção de seis quilômetros da Las Vegas Boulevard. {13} Famosa família de reality show cujo casal tem 19 filhos. {14} Espeto de carne geralmente com vegetais. {15} Veículo de colchão de ar. {16} Que Porra É Essa? {7}

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