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O CAMINHO

Eduardo entra na sala e pega um carrinho de mão, de transportar cadeiras, e começa a andar pela sala com ele. Logo em seguida entra Vinícius, que começa a andar de um lado para outro.

Logo em seguida entra Vado e Cláudio, se posicionam descompromissadamente, em algum lugar da sala. Mônica entra e vê os colegas e pensa: -Ih! Já começaram o improviso. Mirian entra por último e pergunta: Mônica já chegou? (E logo vê Mônica em um canto da sala em frente a um espelho) Mirian – Tao não é o caminho? Vinícius não responde, pois está absorto em seu possível caminho. Mônica já não olha no espelho, mas também não dá atenção ao que Mirian disse. Vado – Mirian vai se posicionar em um lugar e fica como que petrificada, grudada, ao chão e a parede, porém observa e por vezes fala, mas parece que ninguém a escuta. Claudio acha uma “revista” do Cabaré da Raça, abre aleatoriamente e lê: - O brasileiro só gosta de dois pretos: O Pelé e o asfalto. Eduardo encontra em um lugar da sala um carrinho de mão, de transportar cadeiras e tenta percorrer caminhos com ele. Mirian pergunta: - Tao pode ser o Caminho? Eduardo começa um busca pelo caminho escolhido, Vado por seu caminho que a toda hora muda de direção e sentido, Vinícius permanece sempre no mesmo trajeto, fazendo idas e vindas, quando Mônica, movida pela certeza de Vini, começa em passo curtos e meticulosos, a passear pelo caminho de Vini; que salta sobre Mônica e encontra Edu, também vasculhando e seguindo o Caminho de Vini, porém sem o carro de mão que foi deixado em outro local da sala. Agora há uma luta, para passar pelo caminho que Vini trilha, e Mônica acaba ficando no chão, e olhando para o teto começa a ver um outro caminho possível. Agora ela passa a questionar. Mônica: Cláudio olha estranhamente para Mírian, como se não entendesse o motivo que leva uma pessoa a ficar parada por tanto tempo.


Vado - talvez seja esse o caminho ficar parado e pensar melhor. Mirian – Porque vocês não param? Cláudio vai para o caminho de Vini e deixa cair o Cabaré da Raça. Mirian – Você deixou o Cabaré da Raça! Claudio não escuta Mirian e segue na luta pelo caminho que Vini trilha. Todos se amontoam no caminho de Vini e quase há uma luta. Mônica levanta e vai correr e se movimentar por todo o espaço. Vado senta no caminho de Vini e pergunta sobre o novo e o velho caminho. Mirian – Tao é Milenar é uma filosofia oriental. Mônica – Porque temos que adotar algo que vem do oriente? Aqui não há um caminho, o nosso caminho? Mirian – Não podemos dispensar algo só por que é de outra cultura, podemos usar o conhecimento que adquirimos com os milenares e transformar no nosso caminho, nosso novo caminho. Cláudio – Nada mais antigo do que buscar “o NOVO”! Edu passa perto de Mirian e ela o olha com desejo de dizer algo. Mirian – Queria muito desejar sair daqui. Eduardo – E porque não sai? Quer aquilo? Aponta para o carrinho. Vado se aproxima e Edu pede a Vado que carregue Mirian, que agora deseja muito percorrer outro caminho, que não o da imobilidade. Eduardo-É pode ser esse o caminho... Vado carga Mirian por um caminho e depois a deixa cair no chão e coloca o carrinho no centro dos caminhos. Eduardo – ...O chão! Do chão, Mirian avista o Cabaré da Raça e lê algo em Inglês. Todos a olham. Cláudio agora adota a imobilidade aparente de Mirian do mesmo local onde antes ela estava e parece começar a entender o ponto de vista dela. Mônica também resolve ficar imóvel, e isso perturba muito Vini. Vinicius – Ficar aí parada vai resolver alguma coisa?


Mônica – Quando ela estava parada você não disse nada, porque será que o meu não movimento aparente te incomoda tanto? Vini se põe a pensar, porém não sai do seu caminho. Edu sai da sala e volta na porta pra dizer que achou outro caminho, Vado sai, Mônica sai, Mirian sai e depois volta para chamar Vini, que se recusa a sair. Mirian – Acabou a cena, o caminho está lá onde eles foram, pode sair desse caminho. Vini, o caminho pode não ser esse, mas acho que está aqui dentro e não lá fora em outro lugar. Mirian vai chamar os outros e todos voltam, para ver o que está acontecendo. Mirian – Ele não aceitou que a cena acabou e disse que o caminho está aqui, na cena, no nosso fazer teatral. Todos se ligam, em caminhos diferentes, mas conectados, por olhares e toques. Luz em fade out. Black out.

O caminho  

Elizabeth Frankenstein