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SALVADOR, TERÇA-FEIRA, 9/9/2008

RABUGA

carol feitosa cfeitosa@grupoatarde.com.br

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CADERNO DEZ!

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GAMES ❚ Spore, novo jogo do criador de The Sims, chega às

lojas nacionais e permite criar vida em seu universo particular

50 milhões de anos de evolução em 5 minutos MIRELA PORTUGAL

Carol Feitosa, 22, artista visual e estudante de psicologia.

CABECEIRA

breno fernandes bfernandes@grupoatarde.com.br

Adolescentemente Um problema do escritor iniciante é ser demasiado autobiográfico. A questão não é pôr a si na obra – afinal ela sai de você, e creio mesmo que nossas experiências sejam o que de mais original podemos oferecer –, mas exagerar até ofuscar a trama e impedir que os personagens revelem características que podem ir além da compreensão do próprio autor. Femininamente [Fundação Casa de Jorge Amado, 62 p., R$ 15], vencedor do Braskem de 2003 e estréia da baiana Renata Belmonte, 26, não escapou deste mal. Em todos os contos, o modo de argumentar segue um padrão claramente visível, a despeito dos distintos personagens. É a autora sobressaindo-se ao narrador. E esta autora tem um discurso basicamente constituído de referências à literatura e à música. Mais que a pretendida

voz das mulheres, temos cá a voz de uma pessoa só, uma adolescente, influenciada e apropriadora das idéias de seus artistas-adolescentes, como todos os adolescentes o são. Outro ponto são os detalhes que compõem as mulheres de Femininamente: escritoras bem-sucedidas, mulheres que vão de Armani “pruma” entrevista de emprego às 2 da tarde ou que afogam as mágoas em Black Labels. Há gente assim? Deve. Mas fica difícil criar empatia sem conhecermos minimamente seu entorno. [Confronte com as femmes fatales Márcia Denser.] Críticas à parte, que Belmonte, tão jovem e já com algum destaque na nossa carente cena literária, sirva de incentivo a quem escreve. Em breve, lerei seu segundo livro, O que não pode ser. Torço para encontrar uma literatura já adulta.

Breno Fernandes, 22, é escritor e estudante de jornalismo [www.abreparentese.com]

Numa galáxia muito, muito distante, a bordo da sua pequena nave de exploração, lá vai o seu próprio ser vivo, tão novo e já querendo conquistar planetas e explorar as fronteiras do universo. Ou abduzir coisas e fazer círculos em plantações. Brincar de Deus não deixa de ser paternal, e em Spore, game da Electronic Arts em que você cria vida, é dífícil não torcer pela evolução do seu rebento. Ainda mais se os gráficos, a jogabilidade e o virtuosismo técnico prometem cada vez mais diversão na próxima fase. Spore chegou às lojas do Brasil e da América Latina na última sexta-feira [5], três anos depois do anúncio oficial e sete após seu início como projeto secreto. Tamanho cuidado e planejamento são reflexo da pretensão do game, um simulador da evolução da vida, desde sua forma unicelular até as guerras interestelares. A idéia ególatra e não menos divertida vem de Will Wright, criador do já clássico The Sims, no qual você vive as dores e delícias de criar, sustentar e matar humanos. VIDA – A evolução é cruel. E subsistir uma vida dá trabalho. Desde a Fase Celular, cuja tarefa basicamente é matar e ingerir outros bichinhos tão simpáticos quanto o seu próprio, Spore mostra que os fracos não têm vez. E logo predador vira presa. As outras fases têm mais elementos e complexidade na proporção do estágio evolutivo. Munido de um DNA mais robusto e depois de descobrir a inteligência, estique suas pernas e dê boas vindas à Fase de Criatura, na qual você está livre para dar vazão ao corpo mais absurdo que desejar para o seu ex-paramécio. Como bom emulador da existência, é o chamado do acasalamento que move a história. Novas gerações podem assim

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Os jogadores podem filmar, fotografar e publicar suas criações na seção Sporepedia, onde ficam também obras de outros usuários. A fase mais longa de produção foi “prever” infinitas combinações de braços, pernas e membros e fazê-los se movimentar.

chegar à Fase de Tribo, com a vida em sociedade, hierarquias, funções e habilidades. A escolha entre ser um povo agrícola, urbano ou guerreiro vai influenciar em suas chances de sucesso futuro na Fase de Civilização, cujo detalhismo não deixaria a desejar em nenhum RPG. Se suas estratégias forem bem-sucedidas, você é o líder do povo que domina todo um planeta. E então está na hora de visitar, aliar-se ou destruir os planetas de outros jogadores na Fase Espacial. Com noções de biologia, psicologia, história e antropologia, Spore é um novo passo para os jogos educativos. Para a próxima vez que alguém te mandar desligar o videogame e ir estudar.

DIVULGAÇÃO

mportugal@grupoatarde.com.br

No Spore, você cria seus monstros

spore  

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