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Salvador, SÁBADO, 11 de abril de 2009 ZEKA | AG. A TARDE

Pé de chocolate É de dentro de um fruto amarelo e cheio de gomos brancos que vem o doce marrom WALTER DE CARVALHO | AG. A TARDE

MIRELA PORTUGAL mportugal@grupoatarde.com.br

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Coberto com flocos crocantes, misturado com leite, com recheio ou sem recheio. Tem chocolate de todo jeito. Mas tudo isso um dia foi uma coisa só e já passou pela terra, como a banana e a maçã: o chocolate já foi fruta e deu em árvore. O “pé de chocolate” chama-se cacaueiro. A fruta é o cacau. No mundo, o cacaueiro é plantado principalmente na América do Sul e América Central. Para os astecas e

Sementes de cacau no ponto em que já estão secas

DOCE COM LEITE – O Brasil já produziu todo o cacau que consumia, e ainda vendeu para outros países. Hoje, precisa comprar de fora para usar aqui dentro. Bem perto de nós, no sudeste da Bahia, é de onde vêm sete de cada dez frutos que nascem no Brasil. Durante 170 anos, o plantio do cacau fez a região crescer e sustentou as famílias que moravam lá. Ilhéus, a 458 quilômetros de Salvador, chegou a ser mais rica que a capital.

Hoje, segundo a Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (Ceplac), o cacau é plantado também no Amazonas, Rondônia, Pará e Espírito Santo. José Basílio Leite, engenheiro agrônomo, explicou para que serve o cacau. “Ele é usado em remédios e produtos de beleza como xampu, batom, sabonete e perfume. Dá também para fazer geleia e suco”.

Cada produto vem de uma parte diferente do cacau. José Basílio contou: “Quando sai da fazenda, o cacau é prensado, e vira a massa de cacau. A massa é separada em uma parte sólida, a torta, e em uma líquida, a manteiga de cacau”. A torta é marrom, e dela vêm os achocolatados em pó. Já a manteiga tem cor de leite condensado e faz os chocolates mais chiques e também os produtos de beleza. Segundo o engenheiro, quanto mais manteiga de cacau, melhor o chocolate. Ele dá uma dica: a manteiga derrete na mesma temperatura do corpo humano. Ou seja, chocolate bom é aquele que derrete na boca e faz meleira nos dedos.

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o galho se multiplica

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Vassoura-de-bruxa Até 1989, a região de Ilhéus era a maior produtora de cacau do mundo e gerava quase 70% de todo o dinheiro da Bahia. Até que um organismo bem pequenininho acabou com toda essa grandeza. Um fungo da espécie Moniliophtora pernicios chegou do Amazonas à Bahia e fez a produção cair de 400 mil toneladas (400 milhões de sacos de 1 quilo) para 100 mil.

Esse fungo começou a parasitar as plantas, ou seja, tirar delas a energia. Ganhou o nome de vassoura-de-bruxa porque fazia nascer no pé do cacau muitas folhas, galhos ou frutos no mesmo lugar, que ganhavam a aparência de uma vassoura, como as de uma bruxa. A região passou por muitas dificuldades por causa desse fungo, contou José Basílio. ”Milhares de famílias ficaram

desempregadas”. Hoje, o governo federal paga a pesquisadores para estudarem formas de combater a praga. A melhor solução até agora foi a clonagem, contou José Basílio. “Juntamos galhos de plantas resistentes ao fungo para crescer junto à outras árvores, e elas viram resistentes também”. FONTES | Nestlé; www.fieldmuseum.org/Chocolate /history.html; Antonnio Zugaib, técnico da Ceplac

Plantação

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Os pés de cacau são plantados um atrás do outro. Quando novos, os frutos são sensíveis à luz e ao vento. Por isso, às vezes, se planta bananeiras e mamoeiros entre os cacaueiros. Os frutos começam a nascer depois de três anos de crescimento da árvore.

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Barcaça

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É o nome da casa que tem o telhado móvel. Ali ficam as sementes do cacau, que precisam secar. Durante o dia, os trabalhadores empurram a barcaça, para que o cacau tome sol. À noite, ela é fechada. Dependendo do calor, a secagem pode durar cinco dias.

A temida vassoura-de

Moradias Nas fazendas de cacau há a casa do dono do lugar e dos trabalhadores. Mas eles podem morar também na cidade, ou perto da fazenda. Na Bahia, as maiores plantações de cacau estão perto de Ilhéus, que já foi a principal exportadora do mundo.

maias [que moravam onde hoje é o México e a Guatemala, respectivamente, entre 200 e 1521] o cacau tinha usos divinos: fazia parte de cerimônias religiosas e servia de remédio. Quando os espanhóis chegaram à América Central, por volta de 1500, deram àquela fruta amarela o nome de Theobroma cacao. Theobroma, em grego, significa “manjar dos deuses”. A semente de cacau logo encheu o porão dos navios. Na Europa, ela foi misturada a açúçar, canela e leite. O resultado foi nomeado chocolate. Só que, como era importado, era caro e para poucos. Só em 1700, ganhou fábricas e preços mais baratos.

WALTER DE CARVALHO | AG. A TARDE


cacau e chocolate