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Reportagem

Formação pré-nupcial favorece a convivência conjugal e inserção na comunidade Pesquisa divulgada no ano passado pelo Instituto Brasileiro de Pesquisa e Estatística (IBGE) comprovou que os brasileiros estão mais dispostos a se casarem. Em contrapartida, o número de divórcios realizados no País recuou na mesma taxa de crescimento dos casamentos, 1,4%. Os números são resultado de um comparativo entre os anos 2012 e 2011. A mesma pesquisa ainda aponta uma queda de 2 anos na duração das uniões. O resultado anterior era de 17 anos, média mantida desde 2002. A atual situação da família chama a atenção, principalmente pela profunda transformação sofrida nestes últimos cinquenta anos, tanto que provocou a realização de um Sínodo dos Bispos sobre a temática, com assembleia marcada para outubro deste ano. O texto preparatório para o sínodo demonstra a preocupação com as rápidas alterações sentidas no ambiente familiar em poucos anos. “Na época em que vivemos, a evidente crise social e espiritual torna-se um desafio pastoral, que interpela a missão evangelizadora da Igreja para a família, núcleo vital da sociedade e da comunidade eclesial.” Quais seriam os caminhos necessários para a solidificação das famílias que se iniciam? Uma solução encontrada para os casais que buscam o sacramento do matrimônio na Igreja é a preparação catequética para a vivência da vida a dois, realizada de forma diversa nas comunidades paroquiais, evidenciando não só os aspectos inerentes à vida conjugal, mas a vivência dos valores cristãos na família e sua consequente abertura à comunidade. A consciência sacramental e comunitária é um dos grandes desafios apontados por padre Gilgar Paulino Freire, pároco da São Judas Tadeu, em São Sebastião do Paraíso: “Falta uma maior convicção do que realmente querem, quando buscam o casamento. Nem sempre estão maduros para tal, apesar de terem idade para contraírem o Matrimônio.” De acordo com o padre,

as paróquias da cidade realizam encontros, conjuntamente, de formação catequética para a vida conjugal, trimestralmente, com duração de um dia, aos domingos. Não é tão atual a preocupação com a formação ampla àqueles que desejam unir-se. Já em 1978, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) estabeleceu orientações pastorais sobre o sacramento do matrimônio. O texto inclui a reflexão teológica específica sobre a família e a união sacramental, além de apresentar uma série de conteúdos a serem ministrados aos nubentes, remetendo às realidades locais a opção pelos métodos utilizados e, ainda, cabe às comunidades capacitar os agentes de pastoral com o intuito de prepará-los para o processo de instrução matrimonial. “A equipe deve ser formada por pessoas que acreditam muito na familia e no casamento, pois utilizam de suas experiências vividas no dia a dia.” Este é o critério fundamental para a participação nas equipes de formação de noivos, de acordo com Marcos Moia, coordenador da equipe de noivos na paróquia Nossa Senhora Aparecida, em Alfenas. A grande aposta desta equipe é o acompanhamento personalizado, pois cada casal de noivos é assessorado diretamente por um casal da equipe e pelo padre que, ao longo de oito encontros, se dedicam a transmitir sua experiência de vida, os valores familiares e, ainda, a essência do sacramento. “Os casais que têm a oportunidade de passar por esses encontros são privilegiados por refletirem sobre temas que estarão vivenciando por toda sua vida e estarão mais preparados para as decisões que porventura terão em seu

cotidiano”, salienta o coordenador. A partilha de experiência sobre a vivência conjugal, realizada nos diversos modos de preparação, parece indicar o caminho das pedras para quem pretende subir ao altar, isto é o que afirma o casal de Guaxupé, Alisson Prado e Laura Caroline, casados há dois meses. “Um ponto que muito nos marcou em uma das falas [do encontro] foi o fato de que teríamos que nos adaptar às diferenças de ambos e, que além do amor, precisaríamos ser companheiros e respeitar muito um ao outro. E isso, já atestamos como verdade.” Em relação à implantação das orientações para o Sacramento do Matrimônio na Diocese de Guaxupé, os entrevistados indicaram uma variedade de reações, mas a majoritária foi a de compreensão e concordância sobre a limitação de arranjos, adequação do repertório musical, número de padrinhos e outros quesitos. A partir da experiência pastoral, padre Gilgar afirma que é essencial esclarecer bem aos fiéis os motivos da diocese em desenvolver estas orientações, ressaltando “a importância do sacramento ser um momento único para eles.” OUTRAS EXPERIÊNCIAS Em 2013, os setores pastorais da diocese promoveram encontros de equipes paroquiais para o matrimônio. O objetivo foi aproximar os agentes que tra-

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balham a preparação matrimonial em suas comunidades e discutir as novas orientações da diocese para o respectivo sacramento. Viu-se que, não obstante o esforço comum de adequação às normas diocesanas, cada paróquia possui aspectos valiosos na acolhida e acompanhamento aos jovens casais. No setor Guaxupé, por exemplo, o referido encontro fez valer uma rica partilha de experiências pastorais. Constatou-se uma dedicação para tornar o matrimônio digno de ser sacramento. Há paróquias que trabalham dinâmicas e símbolos variados para uma compreensão mais acessível do compromisso a ser assumido pelos noivos. Casais idosos de algumas comunidades são valorizados durante alguns momentos, ao partilhar a sabedoria dos anos de união. Algumas paróquias dispõem de casais para acompanhar cada dupla de noivos na preparação e realização do matrimônio, dispensando as chamadas empresas cerimoniais. Há experiência também de paróquias que realizam encontros pós-matrimônio, geralmente com casais de um ou dois anos de vida conjugal, com o intento de acompanhar, fortalecer e orientar aqueles que passaram a viver uma nova experiência de convivência e responsabilidade. Por Sérgio Bernardes

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