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Editorial “A contemplação de Cristo tem em Maria o seu modelo insuperável. O rosto do Filho pertence-lhe sob um título especial. Foi no seu ventre que Se plasmou, recebendo d’Ela também uma semelhança humana que evoca uma intimidade espiritual certamente ainda maior. À contemplação do rosto de Cristo, ninguém se dedicou com a mesma assiduidade de Maria. Os olhos do seu coração concentram-se de algum modo sobre Ele já na Anunciação, quando O concebe por obra do Espírito Santo; nos meses seguintes, começa a sentir sua presença e a pressagiar os contornos. Quando finalmente O dá à luz em Belém, também os seus olhos de carne podem fixar-se com ternura no rosto do Filho, que envolveu em panos e recostou numa manjedoura (cf. Lc 2, 7).” São João Paulo II, Carta Apostólica Rosarium Virginis Mariae Maria e José são inspiradores a todo matrimônio. É o casal que assume um projeto grandioso de Deus. Ele representa a fé do Povo de Israel e ela, a Nova Aliança, pura e sem mancha. Ele, o amado que não desacreditou. Ela, a amada cheia da graça de Deus. Em qualquer época, Maria é ícone do Olhar de Deus. Nela, Deus pousa o olhar sobre os que o temem (Sl 32). O olhar de Maria está a serviço da misericórdia de Deus. A encarnação de Jesus escapa a qualquer espaço de privilégio político ou religioso. O cristianismo entende que Deus quis apresentar-se na periferia – Nazaré (periferia da periferia do Império Romano) e aos excluídos – Maria (mulher, po-

bre, distante do poder político e religioso). Toda manifestação religiosa mariana ocorre em espaços de exclusão, sofrimento e pobreza. Basta ver o contexto de Aparecida, de pescadores e escravos negros, de Guadalupe, da exploração indígena. Maria, conforme o magnificat do evangelho de Lucas é sinal da predileção de Deus pelos pequenos e fracos. Deus e Maria têm um encontro de amor! De um lado, Ele a olha para olhar o Povo. De outro lado, Ela O olha para olhar o Povo. Então, Deus serve-se do olhar de Maria para ver seu Povo. Deus serve-se da fé de Maria para gerar Jesus. Se olhar apenas o Novo Testamento, Maria é a mulher mãe de Jesus. Mas, ao ler a história do Povo de Deus do Antigo Tes-

A Voz do Pastor

Dom José Lanza Neto

“PERMANEÇAMOS NA ESCOLA DE MARIA” Todos nós temos experiência de Maria em nossas vidas. Uns mais, outros menos, mas trazemos de alguma forma a marca, a presença e a grandeza de Maria em nossa espiritualidade. Muitos questionam a maneira de a Igreja Católica apresentar a Mãe de Jesus, chegando quase a afirmar que prestamos culto a uma semideusa. Cada qual procura descrever e fazer uma análise mais demorada, aprofundada sobre papel dela na história da salvação, na Bíblia, na Igreja. É incrível admitir que Deus quis utilizar-se de pessoas importantes: homens e mulheres escolhidos(as) e marcados(as)

tamento, Maria é aquela que Deus esperava para o novo Israel (Os 2, 16-25). Portanto, Maria não é apenas personagem histórica. Ela é símbolo da nova aliança, realizada em seu Filho. Ela, em Jesus, une Deus e o Povo. Ela renova a fé em “Deus conosco” (Ex 3, 11-15; Lc 1,28). Maria é toda especial para Deus, sempre apaixonado pela humanidade. É a nova Judá que dá à luz o Messias para o mundo. Por isso, é a mulher da solidariedade universal, naturalmente missionária. Deus, em Maria, recria a humanidade! Ela é a nova terra, grávida do novo homem “imagem e semelhança de Deus”. COMUNHÃO de maio traz reflexões sobre Maria e os desafios do matrimônio nos dias atuais.

(Papa Bento XVI, Aparecida-SP, 2007)

para exercer tais papéis, funções como líderes, organizadores, evangelistas, profetas, sacerdotes, reis... Assim aconteceu com uma mulher simples, pobre, virgem, porém cheia do temor do Senhor, pronta para acolher a palavra, a graça e Jesus em seu ventre. A Igreja entende que Maria é toda de Deus, modelo para os cristãos, discípula e missionária. É, de fato, modelo para quem quer descobrir um caminho de fé, de vida cristã e servidor (a) de Deus. Temos muitas expressões bonitas e fortes em torno de Maria; nosso povo a acolhe de forma

simples e humana, sem medo de ser enganado. No mês de maio, temos manifestações de amor e devoção sem fim: Coroação, Reza do Terço, Novenas; destacamos uma imagem de nossa mãe a quem oferecemos flores, rosas em abundância (Rosário). Ouvimos constantemente esta afirmação: “Peça à Mãe, que o Filho atende.” Reportamo-nos à passagem bíblica das Bodas de Caná: “Fazei tudo o que Ele vos disser.” Maria é intercessora. A Virgem Mãe nos indica e nos mostra o caminho: sigamo-la! Mãe Missionária, já estamos vivendo as atividades das Santas Missões

Populares. Ajuda-nos e fortalece-nos em nossos empreendimentos. Que não nos deixemos abater pelo cansaço e pelo peso do fardo! Ainda neste mês de maio, celebraremos o “Dia Mundial das Comunicações”. Que sejamos inspirados no compromisso com a verdade, com a formação da consciência cristã e com o respeito às coisas de Deus. E como Maria, possamos transmitir a nosso modo a grandeza de Deus. Sejamos os comunicadores por excelência do Evangelho de seu Divino Filho. Ser cristão é estar comprometido!

Diretor geral DOM JOSÉ LANZA NETO Editor e Jornalista Responsável PE. GILVAIR MESSIAS DA SILVA - MTB: MG 17.550 JP Revisão MYRTHES BRANDÃO Projeto gráfico e editoração BANANA, CANELA E DESIGN - www.bananacanelaedesign.com.br - (35) 3713-6160 Tiragem 3.950 EXEMPLARES

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Ilustração MARCELO A. VENTURA

Jornal Comunhão - A Serviço das Comunidades

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