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MITRA

CORREIOS

A Serviรงo das Comunidades JORNAL DA DIOCESE DE GUAXUPร‰

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ANO XXX - 295

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JUNHO DE 2014

PAPAS E SANTOS


Editorial Um dos aspectos mais belos da Igreja é a sua universalidade. Uma Igreja que celebra a mesma liturgia em todos os cantos do mundo, que professa a mesma fé em diferentes línguas, que carrega os mesmos sinais sacramentais em povos de culturas variadas. Tudo isso é prolongamento do Pentecostes. O Apóstolo Paulo, ao ser perguntado sobre o que pode separar os fiéis do amor de Cristo, responde que nem a morte poderá separá-los deste amor (Cf Rm 8, 38-39). Quando a assembleia chega à eucaristia, que é a celebração do encontro com Jesus Cristo e da espera de sua vinda gloriosa, aclama logo de início: “Bendito seja Deus que nos reuniu no amor de Cristo!” A Igreja inteira, de todos os lugares do mundo, está reunida em cada missa celebrada. Segundo o teólogo Teilhard de Chardin, o altar é o mundo sobre o qual cada missa é celebrada. Daí a razão de, durante as preces eucarísticas, rezar-se pela Igreja do mundo inteiro, pelo papa, pelos bispos e por todos os ministros, até

por aqueles que estão dispersos e pelos irmãos que já partiram desta vida. A Igreja, enquanto Corpo Místico de Jesus Cristo, não é simplesmente um grupo religioso. Ela é a Assembleia dos que creem, dos que foram para sempre incorporados ao Senhor da Vida. Deste modo, a Igreja é da Terra e do Céu, isto constitui sua vocação primeira e íntima no seio da Trindade. É magnífico como a Igreja lembra-se das pessoas que fizeram de sua vida um verdadeiro itinerário cristão. Ao chamar alguém de santo, ela realiza o que o Salmo 111 proclama: “Feliz o homem que teme o Senhor. Permanece para sempre o bem que fez.” Em tempos nos quais a sociedade desqualifica as pessoas pela idade avançada ou pela improdutividade, a Igreja segue seu caminho lembrando-se de todos aqueles que fizeram o bem sobre a terra. São mais de 2000 anos de memórias vivas, mártires e santos da fé. Como não considerar a importância dos santos na vida da Igreja? Seria perder

A Voz do Pastor

a memória do bem que fizeram se os desconsiderássemos? Como não amar Maria Santíssima? Como não querê-la bem se a quem seguimos inteiramente, Jesus Cristo, amou-a até o fim? Uma Igreja que caminha para o céu, que conta com os exemplos e a intercessão dos que já chegaram até a plenitude da fé. Uma Igreja que caminha para a ressurreição e guia-se na luz do Ressuscitado, com aqueles que, Nele, já ressuscitaram. São João XXIII e São João Paulo II fizeram um caminho de santidade pelas vias humanas e pastagens verdejantes da Igreja. Hoje, rogam no céu, junto ao Cordeiro e Pastor Supremo, por aqueles que ainda continuam peregrinos no mundo. Que o testemunho dos novos santos inspire a Igreja na luta pela justiça, paz, solidariedade! Este é o sentido maior de chamar alguém de santo ou santa, pelo fato único de ter participado, em sua vida, da santidade de Deus.

Dom José Lanza Neto

52º Assembleia Geral dos Bispos do Brasil: Só com o olhar mais profundo da realidade, podemos evangelizar A realização da Assembleia Anual da CNBB em Aparecida, que reúne mais de trezentos bispos de todo território nacional, é sempre um momento especial de expressão máxima da Igreja. Mesmo um grupo de reflexão de círculo bíblico ou uma pequena comunidade que se reúne para rezar, deve buscar esta expressão de Igreja. Nossa Assembleia possui algumas características que lhe são próprias. Sempre há um tema central e temas prioritários, além de notas e mensagens concernentes a algumas situações especiais que merecem atenção. De maneira incansável, a Amazônia nos é apresentada com seus desafios e exigências. Este ano, foi aprovado o tema central – Comunidade de Comunidades: Uma Nova Paróquia, bem como os documentos: a questão da reforma agrária com o tema - A Igreja e a questão agrária brasileira no início do século

XXI; e o Diretório de Comunicação. O tema prioritário – Cristãos Leigos e Leigas na Igreja e na Sociedade - continua a ser objeto de estudo e que voltará na próxima assembleia. Enquanto isso, as bases deverão estar envolvidas em reflexão, para que deem sua colaboração. Durante todos os trabalhos, sempre num final de semana, nosso retiro é uma parada estratégica, momento de reflexão e silêncio. O orientador foi Dom Bruno Forte, teólogo renomado em Roma e em toda a Europa. O tema do retiro – O Caminho da Fé: Abraão, nosso Pai na Fé; Maria, a crente, plasmada pela graça; Pedro, a fé de quem aprende a não ser nada; Na escola de Paulo, para viver de Cristo. Sem dúvida, constituiu um momento privilegiado de oração, reflexão pessoal, confissão e aconselhamento. Atitude que chamou-nos atenção foi

a presença de Dom Giovanni D’Aniello, Núncio Apostólico, que ficou entre nós durante todo período da Assembleia e atendeu a mais de 100 bispos. Sua atitude mostrou a disposição e serviço do verdadeiro discípulo. Essa proximidade ajudou a criar ainda mais um bom clima no evento. Dom Leonardo, secretário da CNBB, pediu-nos que fizéssemos um levantamento de todas as obras sociais realizadas nas dioceses e comunidades. Precisamos colocar em evidência esses trabalhos. Disse que somos cobrados constantemente: o que a Igreja tem feito de concreto? Nossa assembleia é importante, pois navegamos em todos os níveis da Igreja, da sociedade e do mundo. Só com o olhar mais profundo da realidade, podemos evangelizar. Ainda foi-nos perguntado a respeito das novas Diretrizes da Ação Evangelizadora no Brasil.

Decidiu-se que continuaremos com as mesmas Diretrizes (2011-2015), com acréscimos, levando em conta o momento especial da Igreja, trazido pelo Papa Francisco e com sua Exortação Apostólica “A Alegria do Evangelho”, a respeito do anúncio do Evangelho no mundo atual. Mereceram destaque nossas celebrações no Santuário Nacional, juntos da Mãe Aparecida e de nosso querido povo devoto. As celebrações foram marcantes, levando em conta dias e datas, bem como as comissões episcopais, bispos falecidos durante o ano que passou e outras situações. Deixamos nosso abraço fraterno, na esperança de que nossa Igreja Particular também acolha este novo ar trazido pelo Papa Francisco e as Santas Missões Populares, que todos assumimos. Que a alegria do Senhor, seja nossa força!

Diretor geral DOM JOSÉ LANZA NETO Editor e Jornalista Responsável PE. GILVAIR MESSIAS DA SILVA - MTB: MG 17.550 JP Revisão MYRTHES BRANDÃO Projeto gráfico e editoração BANANA, CANELA E DESIGN - www.bananacanelaedesign.com.br - (35) 3713-6160 Tiragem 3.950 EXEMPLARES

Impressão GRÁFICA SÃO SEBASTIÃO

Redação Praça Santa Rita, 02 - Centro CEP. 37860-000, Nova Resende - MG Telefone (35) 3562.1347 E-mail PASCOM.GUAXUPE@GMAIL.COM Os Artigos assinados não representam necessariamente a opinião do Jornal. Uma Publicação da Diocese de Guaxupé www.guaxupe.org.br

Expediente

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Ilustração MARCELO A. VENTURA

Jornal Comunhão - A Serviço das Comunidades


Opinião

A EUCARISTIA NA VIDA DA IGREJA Estamos vivendo o tempo mais rico da vida da Igreja, o Tempo Pascal. Tempo de graça, de alegria, tempo de esperança, tempo de exultação, pois Jesus está vivo. Ele ressuscitou. Esta é a grande notícia que dá razão e sentido à nossa fé, que “Ele, o Senhor, vive, não permaneceu na morte”, mas saiu vencedor. A morte não tem poder sobre Ele. Deus está vivo, não é o Deus da morte, mas é o Deus da vida. É neste contexto pascal que o Senhor nos deixa a Eucaristia. Sacramento da unidade A Eucaristia nasce do amor e gera amor. Os caminhos que os homens seguem na vida são bem diferentes e até desencontrados, mas a meta única que todos procuram alcançar é a mesma: a felicidade, que só existe onde há fraterna comunhão no amor. Cristo sabia disso. O seu mais ardente desejo é fazer de todos os homens uma só família, na qual todos sejam irmãos. Um novo mandamento, o meu mandamento eu vos dou: “Amai-vos uns aos outros como eu vos amei.” Para fundamentar e facilitar esta comunhão fraterna entre os homens, Ele instituiu o Sacramento da Eucaristia, sacramento da unidade e do amor. A Eucaristia é o lugar sacramental em que Cristo atualiza sua presença e sua entrega em meio à comunidade cristã, fazendo com que esta, nos sinais do pão e do vinho, entre em comunhão com o corpo e o sangue de Cristo, participando assim da força salvadora de sua morte pascal. Trata-se do sacramento que, de maneira mais direta, torna presente em nossa história o acontecimento central da salvação – “O mistério da morte e ressurreição de Cristo” – celebrando, assim, o encontro entre Deus e o homem em Cristo, na nova aliança que selou para sempre na cruz. Ela é também o sacramento que afeta de modo mais profundo a comunidade eclesial. É realizada por esta, mas ao mesmo tempo, vai construindo a própria Igreja, comprometendo-a com a urgente tarefa de salvação de toda a humanidade. Nenhuma comunidade cristã poderá edificar-se se não tiver sua raiz e seu centro na celebração do sacrifício eucarístico. As próprias espécies usadas na Eucaristia indicam para todos nós o amor fraterno e a perfeita união de paz e justiça. Muitos grãos de trigo formam uma hóstia e muitas uvas espremidas oferecem o vinho da consagração, para que hóstia e vinho consagrados façam de muitos um só corpo e uma só família, a família de Cristo, a Igreja.

A dimensão escatológica da Ceia do Senhor A Eucaristia tem sua origem e sua permanência na vida da Igreja, graças a uma ordem precisa dada por Cristo a seus discípulos, no decorrer da última ceia pascal: “Façam isto em minha memória” (Lc 22, 19; Mc 14, 17, Mt 26, 20). As palavras da instituição se encontram no grande contexto do conjunto da vida e ação de Jesus. Jesus fazia refeições com seus discípulos, mas também com pessoas consideradas marginais e pecadoras. Não eram apenas refeições habituais, para saciar a fome. Elas estavam em estreita conexão com a mensagem central de Cristo e da vinda do Reino de Deus (Mc 1, 14). As ceias de Jesus eram uma celebração prévia da prometida ceia escatológica no novo Reino (Mc 2, 15s; Lc 15, 1s). A última ceia de Jesus foi uma ceia pascal (Mc 14, 12-16). Nela, ele não apenas lança um olhar retrospectivo para a salvação de Israel no Egito, como narra o Antigo Testamento. Também antevê a salvação e a vinda definitivas do Reino de Deus, para além de sua morte iminente e violenta. “Em verdade eu vos digo, não mais bebereis do fruto da videira até o dia em que o beber de novo, no Reino de Deus” (Lc 22, 16; Mt 26, 29;

Mc 14, 25). A celebração da Páscoa no Antigo Testamento foi instituída como celebração memorial da libertação da servidão no Egito e da travessia do Mar Vermelho (Ex 12, 14; 13, 3.9; Dt, 16, 3). Agora, com as palavras “fazei isto em memória de mim”, Jesus instituiu a celebração memorial de uma nova Páscoa, sua libertação dos grilhões da morte e de sua travessia pela morte para a vida nova. Eucaristia e Comunidade Cristo nos deu a Eucaristia na última ceia, durante a qual se orientou à entrega total de si mesmo na cruz. Jesus tomou o pão e o cálice e os entregou aos seus discípulos. Pão e vinho se tornam uma nova realidade, cujo significado é dado pelo próprio Jesus. Quanto ao pão, afirma: “Isto é o meu corpo que é dado por vós.” E quanto ao vinho, diz: “Esta taça é a nova aliança em meu sangue, que é derramado por vós” (Lc 22, 19s). Ele escolheu a forma mais simples e comum a todos nós: comer e beber, ações vitais para a nossa vida. Por isso, a força e os frutos da ceia pascal do Senhor alcançam o hoje da comunidade. Ao anunciar a morte e proclamar a ressurreição de Cristo, a comunidade de fé o acolhe, presente “agora” sobre o altar: o Deus-conosco. Isso se dá no cumpri-

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mento do mandamento do próprio Jesus: “fazei isto em minha memória” (Lc 22,19). Cada fiel é, então, alimentado com a vida de Jesus vitorioso sobre o pecado, vitorioso sobre a separação entre os homens e Deus, sobre toda divisão entre os homens e seus irmãos. Cristo nos deu a Eucaristia, escolhendo a forma de comida em família, pois o encontro da família ao redor de uma mesa, na hora da refeição, favorece o relacionamento interpessoal, o melhor conhecimento mútuo, o diálogo fraterno. Assim nos diz o Concílio (LG 7): “Ao participar na fração do pão eucarístico, somos elevados à comunhão com Ele e entre nós.” Sendo um só pão, todos que participamos deste único pão formamos um só corpo. Os cristãos, alimentados pelo corpo de Cristo na Eucaristia, manifestam visivelmente a unidade do povo de Deus, que, neste Sacramento, é perfeitamente significada e admiravelmente realizada. A comunhão eucarística constitui, pois, o sinal da união de todos os fiéis. Na mesma eucaristia, desaparece toda diferença racial e social, permanecendo somente a participação de todos no mesmo alimento sagrado. Por Pe. Norival Sardinha Filho, Pároco da Paróquia Nossa Senhora das Dores de Ibiraci-MG.

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Notícias

Encontro Diocesano de Comunicação reúne mais de 80 pessoas em Guaxupé No sábado, 17 de maio, foi realizado na Cúria, em Guaxupé, o Encontro Diocesano da Pastoral da Comunicação. Mais de 80 pessoas, vindas dos sete setores, participaram das atividades. O evento teve como tema o 48º Dia Mundial das Comunicações Sociais : “Comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro.” Os participantes puderam se aprofundar sobre o chamado pessoal, o papel da PASCOM dentro das paróquias, também em relação ao Centenário da Diocese de Guaxupé e às Santas Missões Populares. Estiveram presentes padre Henrique Neveston, coordenador diocesano de pastoral; padre Gilvair Messias, coordenador diocesano da PASCOM; padre Gladstone Miguel da Fonseca, da Paróquia São José de São Sebastião do Paraíso; padre Sandro Henrique Almeida dos Santos, da Paróquia Santa Rita de Cássia; padre João Batista da Silva, da Paróquia São Sebastião de Areado, além de vários seminaristas e vocacionados. Profissionais e comunicadores representantes da PASCOM, movimentos e comunidades da diocese também marcaram presença. Um dos momentos mais importantes do encontro foi a divisão dos parti-

Foto: PASCOM Diocese

Objetivo do encontro foi reunir comunicadores pastorais e estudar a mensagem do papa para o Dia Mundial das Comunicações

cipantes em grupos, de acordo com o Setor e a partilha sobre as realidades de cada paróquia e cidade. Foi também momento de falar das dificuldades e sugerir melhorias para que a pastoral cresça em nível diocesano e cumpra sua missão de integrar todas as outras pastorais da Igreja. Cada um dos sete setores elegeu

uma pessoa que será representante da PASCOM. Este coordenador terá participação no Conselho Setorial de Pastoral e também na equipe diocesana da PASCOM. João Vitor Calvelli é responsável pela comunicação da Comunidade Mariana Resgate, de Alfenas e foi um dos participantes. Contou que gostou muito do

evento e que é belo ver a Igreja se mobilizando e utilizando todos os meios para levar o nome de Cristo. “O que mais me marcou foi a reflexão do padre Gilvair sobre a carta do Papa Francisco para o Dia Mundial das Comunicações. Fez-me repensar em como temos nos comunicado. Será que estamos só levando informações ou estamos levando o amor de Cristo verdadeiramente? Precisamos promover esse encontro com o nosso próximo”, frisou ele. Jane Martins faz parte da PASCOM da paróquia São Sebastião de Areado, desde a criação, há cerca de um ano. Para ela, poder trocar experiências com outros agentes foi muito útil e gratificante. “Nós aprendemos e ensinamos novas formas de propagar boas notícias”, destacou. A PASCOM voltará a reunir-se em nível diocesano no mês de novembro, quando serão realizadas oficinas práticas. As paróquias que ainda não possuem a Pastoral da Comunicação formada e desejam iniciar esse trabalho, podem entrar em contato através da página da diocese no Facebook. Por Julianne Batista

Grandioso evento foi promovido pela Paró- Papa Francisco nomeia novo arcebispo quia São Sebastião de Poços de Caldas para Pouso Alegre Foto: Divulgação CNBB

Foto: PASCOM São Sebastião de Poços

Teatro da Paixão contou com número de aproximadamente 3000 pessoas

A Paróquia São Sebastião de Poços de Caldas promoveu, no dia 18 de abril, Sexta Feira Santa, no Estádio Municipal “Dr. Ronaldo Junqueira”, a segunda edição da “Encenação da Paixão e Morte de Jesus na Cruz.” Em cinco palcos, recriaram-se ambientes (Santa Ceia, Horto das Oliveiras, Casa de Caifás, Palácio de Pilatos e o Gólgota) onde Jesus passou suas últimas horas. O elenco foi composto por mais de 100 integrantes, todos da co-

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munidade paroquial. Recursos de som e iluminação também colaboraram para a grandiosidade do evento que emocionou as mais de três mil pessoas que lotaram as arquibancadas cobertas do estádio. Após a encenação, foi realizada a Procissão do Enterro, ao redor do estádio, encerrada com a bênção das ervas medicinais que foram distribuídas ao público. Por Rosilene Mantovani

O Papa Francisco nomeou, no dia 28, dom José Luiz Majella Delgado, CSSR, como novo arcebispo da Arquidiocese de Pouso Alegre (MG). Desde 2009, dom Majella era bispo da Diocese de Jataí (GO). Sucede a dom Ricardo Pedro Chaves Pinto Filho, O.Praem, que teve sua renúncia aceita pelo Santo Padre, por causa da idade, conforme prevê o cânon 401 §1º. Biografia Mineiro de Juiz de Fora, dom José Luiz Majella Delgado, nasceu no dia 19 de outubro de 1953. Aos dois anos, mudou-se com a família para a cidade de Volta Redonda, no estado do Rio de Janeiro. Fez o ensino fundamental em Volta Redonda e Aparecida-SP.Cursou o ensino médio no Seminário Redentorista Santo Afonso. Na faculdade Salesiana de Filosofia, em Lorena-SP, licenciou-se em Estudos Sociais e em Filosofia. Em 1977, fez sua profissão religiosa e iniciou, no mesmo ano, o curso de Teologia no Instituto Teológico São Paulo (ITESP), concluído em 1980. No dia 14 de março de 1981, ordenou-se sacerdote, em Volta Redonda-RJ e, dez anos depois, especializou-se em teologia litúrgica na Pontifícia Faculdade de Teologia Nossa Senhora da Assunção, em São Paulo. No ano 2000, foi para Roma onde

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estudou Espiritualidade Redentorista na Academia Alfonsiana. Como padre, dedicou grande parte de seu ministério ao magistério. Foi professor no Seminário Redentorista de Aparecida e no Centro de Evangelização Missionária, em São Paulo. Foi também superior e diretor dos Seminários Redentoristas em Sacramento-MG e em Aparecida-SP; secretário da Organização dos Seminários e Institutos do Brasil (OSIB) no Regional Leste 2 da CNBB; secretário da Associação dos Liturgistas do Brasil; prefeito do Santuário Nacional de Aparecida; vigário paroquial em Sacramento e na Basílica de Aparecida; secretário executivo local para a 5ª Conferência Geral do Episcopado Latino-americano e Caribenho, em Aparecida, no ano de 2007, tornando-se, em seguida, subsecretário adjunto geral da CNBB, em Brasília, até a sua nomeação episcopal. Dom Majella foi nomeado bispo pelo Papa Bento XVI, em 16 de dezembro de 2009 e ordenado bispo em 27 de fevereiro de 2010 no Santuário Nacional de Nossa Senhora Aparecida por Dom Geraldo Lyrio Rocha. Foi empossado na Diocese de Jataí no dia 6 de março de 2010. Tem como lema episcopal: “Servir por amor.” Por Clayton Bueno Mendonça


Congresso Americano da IAM acontece em Aparecida Foto: www.guaxupe.org.br

Dom José Lanza participou do evento, primeiro continental que contou com 654 assessores

“Nós temos esta missão: defender a vida e proclamar esse anúncio aos corações de todas as crianças do mundo e suas famílias, para que tenham a alegria de um encontro com o Senhor da vida.” A afirmação é de dom Sergio A. Braschi,

presidente da Comissão para a Ação Missionária e Cooperação Intereclesial da CNBB, durante missa que inaugurou na sexta-feira, 23 de maio, o 1º Congresso Americano da Infância e Adolescência Missionária (IAM), evento que se esten-

deu até domingo, dia 25, no Santuário Nacional de Aparecida, em São Paulo. Ao refletir à luz das leituras, o bispo destacou a importância da missão na vida da Igreja, “a começar pelos pequeninos e pelos jovens” e convidou a olhar para os 170 anos de história da Obra da IAM, “que nasceu de um gesto de amor pelas crianças da China.” “Desde o começo, foi um olhar em defesa da vida das crianças. Hoje estamos aqui e somos chamados por Jesus – referindo-se ao Evangelho – para sermos defensores da vida da infância.” Participaram do encontro continental, 654 assessores e coordenadores da IAM, vindos de 17 países, sendo 523 do Brasil. Além disso, mais de 80 voluntários prestaram serviços nos diversos setores da organização. Promovido pelas Pontifícias Obras Missionárias (POM) em parceria com as POM do continente americano, o Congresso teve como tema “IAM da América, a serviço da missão” e como lema “Vocês são meus amigos!” (Jo 15-14). Ao abrir os trabalhos, o diretor das

POM, padre Camilo Pauletti, destacou que o Congresso deseja “impulsionar o espírito e a animação missionária.”. Recordou que o evento acontece no mesmo auditório que, em 2007, reuniu os bispos da América e Caribe para a V Conferência do CELAM cujo Documento final evidencia a missão. “No Brasil, a IAM é nossa jóia. É a Obra Pontifícia mais visível e com maior presença na Igreja e na sociedade. Como Continente Americano, queremos expressar nossa esperança e confiança nas crianças e adolescentes que são as lideranças hoje e amanhã”, finalizou. A Obra da IAM (Santa Infância) foi fundada por dom Carlos Forbin-Janson, bispo de Nancy, França, em 19 de maio de 1843. Tornada Pontifícia pelo papa Pio XI em 1922, hoje a IAM está presente em todos os continentes, em mais de 130 países. Dom José Lanza Neto, que participa do projeto “O Brasil na Missão Continental”, esteve no evento. Da Redação, com fonte: POM e A12.com

Simpósio PV/SAV discute “Missão Vocacional” Entre os dias 16 e 18 de maio, aconteceu o Simpósio Vocacional da Pastoral Vocacional/Serviço de Animação Vocacional (PV/ SAV) dos Regionais Leste I e II, na Casa de Retiro São José, em Belo Horizonte. Organizado pela Comissão Episcopal de Pastoral para os Ministérios Ordenados e a Vida, em parceria com a Pastoral Vocacional e com o Instituto de Pastoral Vocacional (IPV), o encontro teve o tema “Ide e anunciai! Vocações diversas para uma grande missão!”, e os objetivos de “fomentar a cultura vocacional na ação evangelizadora da Igreja no Brasil e avançar no discipulado missionário como legado batismal, na comunhão e complementaridade de vocações e ministérios na comunidade eclesial.” O evento contou com a assessoria de dom João Justino de Medeiros Silva, bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, que abordou a missão do anúncio vocacional à luz da exortação apostólica Evangelli Gaudium, do papa Francisco. Em suas ponderações, dom Justino ressaltou a grande novidade da nova etapa evangelizadora, inaugurada pela Conferência do Episcopado Latino-Americano em Aparecida (2007)

Foto: www.guaxupe.org.br

Diocese foi representada pelo padre Ademir e pelos seminaristas Dione e Hudson

e reforçada pelo pontificado de Francisco, marcada pela simplicidade de anunciar o óbvio, “a novidade é a mesma: a boa nova do Evangelho.” Várias temáticas foram abordadas, inclusive o perigo de se viver uma pastoral acomodada e indiferente à conversão e à missão: “envolver-se é não ir para missão com luvas” afirmou dom João Justino. A missão foi amplamente tratada e, ao final

dos trabalhos em grupos e das conferências, ressaltou-se que a PV/SAV tem que encarnar esta realidade, rompendo com os rótulos ou estereótipos, enfrentando as dificuldades (sombras) e persistindo no seu intento de promover a vocacionalização eclesial. Esta tarefa será conquistada através do diálogo, da atitude cristã crítica e profética e, ainda, do testemunho, até o martírio, se necessário: “o jeito que estou

vivendo é testemunho para os outros ou sinal de desânimo”, questionou dom Dario Campos, bispo de Cachoeiro do Itapemirim, que possui um papel referencial para a PV/SAV Leste II, “que as pessoas possam ver em nós o contentamento!” A Diocese de Guaxupé foi representada pelo padre Ademir da Silva Ribeiro e pelos seminaristas Dione Piza e Hudson Ivan, membros da equipe diocesana da PV/SAV, que avaliaram positivamente o simpósio. “O saldo final é positivo, pois além da partilha de experiências, reflexões e atualização das pistas da ação pastoral, a diocese se fez presente, em um permanente exercício de comunhão com as ações da CNBB e do regional”, afirma Dione. Em uma iniciativa inédita, o simpósio aconteceu de forma simultânea em cinco capitais nacionais, congregando todos os 18 regionais da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, contando com videoconferências e produzindo, como resultado concreto, uma carta documento que será enviada a todos os bispos, párocos e superiores dos institutos de vida consagrada. Por Dione Piza

Manhã de Unidade Paroquial acontece na Basílica Nossa Senhora da Saúde No sábado, 24 de maio, na parte da manhã, os agentes de pastoral da Paróquia Nossa Senhora da Saúde, em Poços de Caldas, reuniram-se para mais um Dia de Unidade Paroquial. Essas manhãs de encontro e estudo na comunidade, que acontecem regularmente, visam justamente a fortalecer a dimensão da comunhão e do alegre serviço entre os membros das pastorais, grupos, serviços e movimentos existentes na Paróquia. Neste último encontro, o assunto tratado

foram as Santas Missões Populares, assumidas pela Diocese de Guaxupé, na perspectiva das celebrações do centenário de sua criação, em 2016. Com a participação de mais de 80 leigos e leigas, religiosas e o padre, a manhã iniciou-se com a celebração eucarística às 7h, na Igreja Matriz. Reunidos no Colégio Jesus Maria José, após um alegre café da manhã, cantou-se o Ofício Divino das Comunidades e, nos trabalhos em grupos, foi debatida a proposta, o processo, a metodologia e a importância das visi-

tas missionárias nas Santas Missões Populares. Todos saíram motivados e cientes de que só uma Igreja missionária é viva e criativa, fiel a si mesma e a Jesus Cristo. Um lema foi rezado e assumido como vivência da espiritualidade missionária:“Todos, tudo e sempre em missão.” Em julho, acontecerá o próximo dia de Unidade Paroquial, quando serão estudados alguns capítulos do livro, “A Vida é Missão”, do padre Luis Mosconi.

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Por PASCOM Basílica

Foto: PASCOM Basílica

Atividade teve como assunto principal “Santas Missões Populares”

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Notícias

Presidência da CNBB avalia a 52ª Assembleia Geral Foto: Divulgação CNBB

Além de momentos de espiritualidade e reflexão, bispos fizeram decisões de grande importância para a Igreja no Brasil

Por dez dias intensos de estudos e reflexões, aconteceu a 52ª Assembleia Geral da CNBB, que reuniu mais de 350 bispos dos 18 regionais, no período de 30 de abril a 9 de maio, no Centro de Eventos Padre Vítor Coelho, em Aparecida (SP). Com programação que incluiu celebração diária de missas, reuniões e retiro de oração, o episcopado brasileiro dedicou-se ao estudo da temática central da “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, além

de temas prioritários sobre a questão agrária, laicato e liturgia. Outros assuntos também estiveram em pauta, como evangelização da juventude, eleições 2014, campanha contra a fome, copa do mundo, entre outros. Na avaliação do arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da CNBB, cardeal Damasceno Assis, a Assembleia terminou com resultados positivos, deixando testemunho da unidade e comunhão entre os bispos do Brasil. “Os trabalhos transcorreram em clima

de muita fraternidade, oração e partilha. Conseguimos concluir os temas previstos na pauta. Estou feliz com os resultados”, ressalta. O arcebispo de São Luís (MA) e vice-presidente da CNBB destaca que a Assembleia encerra-se com orientações práticas para a continuidade da missão da Igreja no Brasil e já antecipa os trabalhos do próximo ano. “Teremos um trabalho muito importante que é a revisão das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadora da Igreja no Brasil. Por decisão do episcopado, as diretrizes serão atualizadas na próxima Assembleia”, comenta dom Belisário. Resultados Entre os textos estudados e avaliados pelo episcopado brasileiro, foram aprovados dois documentos e um estudo. Um documento trata a Renovação Paroquial e outro,a Questão Agrária no Brasil. O documento “Comunidades de Comunidades: uma nova paróquia”, aprovado na Assembleia, discute a renovação das paróquias. De acordo com o bispo auxiliar de Brasília e se-

cretário geral da CNBB, dom Leonardo Steiner, o texto quer contribuir para dinamizar a vida de comunidade. “Vai nos ajudar a sermos presença do Evangelho de maneira fecunda e samaritana, no anúncio do Reino de Deus”, disse. Outro documento, esperado pela sociedade e aprovado pelos bispos, discute a questão agrária brasileira no início do século XXI. “É uma reflexão sobre a realidade do campo e ajudará a compreender a necessidade do cuidado pela terra e também com nossa agricultura familiar”, explica dom Leonardo. O tema prioritário “Os cristãos leigos e leigas” estudado na Assembleia, após diversas reflexões do plenário, foi aprovado como Estudo da CNBB. O texto será enviado às dioceses do Brasil para reflexão e debate nas paróquias e comunidades, a fim de receber contribuições dos leigos. No próximo ano, a temática volta a ser avaliada para possível aprovação como documento oficial sobre o laicato. Da Redação, com fonte de: CNBB

Peregrinação do papa à Terra Santa é marcada por acordos de paz e diálogo A peregrinação ecumênica do papa Francisco à Terra Santa teve início na sexta-feira, 24 de maio, com visita ao Santo Sepulcro e Muro das Lamentações, onde Francisco rezou pela paz no mundo, meditando a oração do Pai-Nosso. No domingo, 25, o papa chegou a Jerusalém para celebrar o 50º aniversário do encontro de Paulo VI e Antenágoras, marco histórico do diálogo ecumênico da Igreja. Na chegada, foi recebido pelo patriarca greco-ortodoxo, Bartolomeu de Constantinopla e pelos chefes das igrejas em Jerusalém. A agenda encerrou-se no dia 26, marcando o terceiro dia da peregrinação, com visita ao grão-mufti de Jerusalém, a dois grão-rabinos de Israel no centro Heichal Shlomo e ao presidente de Israel, Shimon Peres. No período da tarde deste último dia, o papa se reuniu com o patriarca Bartolomeu I, no edifício diante da igreja ortodoxa, no Horto das Oliveiras. O roteiro da visita à Terra Santa encerrou-se com missa na Sala do Cenáculo. Em seguida, o papa retornou a Roma. Ao todo, houve 14 intervenções, entre homilias, discursos e a assinatura de uma declaração conjunta com o patriarca da Igreja Ortodoxa de Constantinopla. Pela paz

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A Jordânia foi a primeira etapa da peregrinação que teve como tema “Que todos sejam um.” Em Amã, o papa reuniu-se com o rei Abdullah e Rania. Após o encontro, seguiu de helicóptero para Belém, onde discursou para autoridades locais, comunidades palestinas da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Francisco expressou solidariedade aos povos que sofrem em consequência dos conflitos e convocou para a paz. “Chegou a hora de se demonstrar coragem, generosidade e criatividade, em prol do bem comum; a coragem de se construir a paz, alicerçada no reconhecimento, por parte de todos, do direito da coexistência de dois Estados que gozem da paz e da segurança, entre os confins internacionalmente reconhecidos”. Na ocasião, o papa falou ao presidente do Estado da Palestina, Mahmoud Abba, a quem chamou de “homem da paz”, desejando que a aliança entre os cristãos seja permanente. Declaração Comum Em encontro na Basílica do Santo Sepulcro, em Jerusalém, o papa Francisco e o patriarca Bartolomeu assinaram declaração comum, a qual pede progresso na aproximação entre as igrejas católica e ortodoxa, quase dez séculos depois. Ajoelhados na entrada da basílica, onde, de acordo com a tra-

Foto: Divulgação - CNBB

Papa Francisco reúne esforços espirituais e políticos para busca do entendimento entre povos divergentes

dição cristã, Jesus foi crucificado e ressuscitou, os líderes selaram a unidade. Francisco e Bartolomeu se comprometeram a respeitar “as legítimas diferenças, pelo bem de toda a humanidade” e em trabalhar para que “todas as partes, independentemente de suas convicções religiosas, favoreçam a reconciliação dos povos.” “Desejo renovar o desejo, expresso pelos meus predecessores, de manter

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diálogo com todos os irmãos em Cristo, para encontrar uma forma de exercer o ministério próprio do Bispo de Roma que, em conformidade com a sua missão, possa se abrir a uma nova situação e ser, no contexto atual, um serviço de amor e de comunhão reconhecido por todos”, disse Francisco na assinatura da Declaração. Da Redação, com fonte de: CNBB


Bíblia

COMO COMEÇOU O CULTO EUCARÍSTICO Acabou de comungar e isso não lhe significou grande coisa. Tocou com a mão no ostensório, que o padre carregava solenemente e isso lhe provocou lágrimas de emoção. Por quê? Porque no ostensório estava uma hóstia consagrada. Mas ele não acabava de pegar uma hóstia também consagrada, colocá-la na boca e engolir, sem tanta emoção? Alguma coisa deve estar errada, muito errada! Como começou Na Europa, há mais de setecentos anos, quando a Missa era rezada de costas para o povo e em latim, só o padre comungava. Sim, é verdade que Jesus mandou comer, não adorar, o pão que é sacramento ou sinal do seu corpo entregue por nós, mas naquele tempo ninguém comungava. Colocaram o povo muito distante de Jesus. Mas o povo inventou uma coisa: comungar pelo olhar! Se não podia engolir a hóstia, o povo podia, pelo menos, olhar. E, na hora da Consagração, tocava o sino e a cidade inteira corria para a igreja a fim de ver a hóstia consagrada, que o padre, de costas, levantava até acima da sua cabeça. Havia até uma superstição: a pessoa que visse a hóstia, naquele dia ela não morreria. Para que todos pudessem ver, tocavam não só uma campainha, mas até o sino da igreja. Foi nesse tempo e nesse ambiente que surgiu a Procissão de Corpus Christi, as bênçãos com o Santíssimo e todo o culto à Eucaristia. O que Jesus disse No capítulo 6 do Evangelho de João, Jesus fala em comer a sua carne. Os judeus perguntam; “Como é que ele vai nos dar a sua carne para comer?” É a pergunta tola do entendimento literal das palavras de Jesus que o evangelista gosta de colocar nos lábios de um personagem, para que o leitor não caia no mesmo erro. É semelhante à de Nicodemos: “Para nascer de novo será preciso ficar pequenino, entrar na barriga da mãe e nascer novamente?” E gastamos tanto tempo e bestunto procurando responder à pergunta dos judeus! Depois da pergunta tola, o evangelista muda o vocabulário. Em vez de dizer comer, alimentar-se de mim,

qual cada qual tirava seu pedaço. Quem presidia a mesa, depois de fazer a oração de ação de graças pelo alimento, partia o pão e passava aos outros, para que cada um também se servisse. Foi assim que Jesus, depois da ação de graças, ao entregar o pão partido para que cada qual tirasse o seu pedaço, disse: “Esse pão sou eu, é a minha pessoa, o meu corpo, que se entrega à morte por vocês e pela multidão, o povão sofredor.” Cada um ia tirar um pedaço daquele pão. Jesus estava dizendo: “Podem tirar pedaços de mim!” O vinho era bebido por todos na mesma taça. Quatro vezes, segundo o ritual da Páscoa, a taça de vinho passa de mão em mão, para que cada qual beba um gole. Na última rodada, ao passar a taça para que cada qual tomasse seu gole, Jesus diz que aquele vinho é o seu sangue. Sangue, no modo de falar bíblico, significa assassinato, morte violenta especialmente. Beber o sangue de Jesus, então, é beber a sua morte violenta, o seu assassinato na cruz.

Jesus passa a dizer “engolir a minha carne” (Jo 6,53, diante no texto grego). Lembra o Zagalo: “Vocês vão ter de me engolir!” Depois que Jesus diz isso, muitos discípulos se afastam, até os doze vacilam. Engolir a morte vergonhosa de Jesus não é fácil. É preferível colocá-lo num pedestal e adorá-lo. O que Jesus queria Era muito perigoso para Jesus entrar à noite, em Jerusalém, depois da sua entrada triunfal na cidade e do que fez no templo na segunda feira. Queriam prendê-lo e crucificá-lo. Por isso, não dormia em Jerusalém. Ao entardecer, saía da cidade. Naquela noite, ele ia entrar na cidade, sabendo e prevendo o que aconteceria. Se as autoridades ficassem sabendo, ele seria preso imediatamente. Sabia que havia um traidor entre os discípulos, por isso, nem eles podiam saber com antecedência em que casa iriam cele-

brar a Páscoa. Marcos 14,12-16 deixa entender bem o clima que havia. Jesus desejava ardentemente celebrar aquela Páscoa com os discípulos em Jerusalém. Seria ele o cordeiro da nova Páscoa. Só a sua morte poderia livrar a humanidade da raiz de toda e qualquer escravidão. Mas ele não queria ser preso antes de celebrar essa Páscoa, a fim de mostrar aos discípulos o significado da sua morte. Comparada com a do cordeiro pascal, a morte dele liberta a humanidade inteira de todo tipo de escravidão. Cordeiro que tira o pecado Todo tipo de escravidão vem do pecado do mundo. Pecado do mundo é a cobiça (Rm 7,7-8) de ser igual a Deus (Gn 3,5), o maior de todos e o dono do mundo. Jesus faz o contrário, sacrifica-se inteiramente pelos outros, aceita o último lugar, a morte de cruz (Dt 21,22-23). Todos comiam do mesmo pão do

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Em minha memória Jesus mandou repetir seu gesto em sua memória. Será que ele mandou apenas pegar um pão e um pouco de vinho e dizer as mesmas palavras que ele disse? Basta lembrar? Celebrar a memória é apenas isso? Fazer memória significa bem mais: significa tornar atual a grandeza do gesto de entregar-se àquela morte humilhante e significa também o compromisso de fazer o mesmo, deixar tirar pedaços de si, dar o sangue em favor dos outros. Eu gostava de perguntar às crianças que iam fazer a primeira comunhão: ‘Vocês têm coragem de deixar tirar pedaços de vocês? Têm coragem de dar o sangue pelos outros?’ Os olhares e as cabecinhas diziam que não. E eu lançava o desafio: ‘Então, por que estão querendo comungar?’ Ficavam sem respostas. Mas um dia, um menino me respondeu: “Por isso mesmo!” Por Pe. José Luiz Gonzaga do Prado, professor de Teologia Bíblica no Centro de Estudos Superiores da Arquidiocese de Ribeirão Preto e na Faculdade Católica de Pouso Alegre (FACAPA). Reside em Nova Resende

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Reportagem

O ENCONTRO DOS PAPAS 27 de abril de 2014, uma data que ficou marcada na história da Igreja Católica. Às 10 horas da manhã, na Praça de São Pedro, no Vaticano, aconteceu a Santa Missa de canonização de João XXIII e João Paulo II, celebrada pelo Papa Francisco e concelebrada pelo Papa Emérito, Bento XVI, e acompanhada por cardeais, bispos, padres, seminaristas, religiosos e por milhares de fiéis. Isso fez com que quatro Papas se encontrassem em uma mesma Celebração. “Declaramos e definimos como santos os beatos João XXIII e João Paulo II e os inscrevemos no Catálogo dos Santos, e estabelecemos que em toda a Igreja sejam devotamente honrados entre os Santos”, foi a fórmula pronunciada pelo Papa Francisco, após a qual a multidão na praça rompeu em aplausos.

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As relíquias dos dois novos santos, uma ampola de sangue de João Paulo II e um pedaço de pele de João XXIII, extraída durante sua exumação no ano 2000, foram colocadas ao lado do altar. A costarriquenha Floribeth Mora, cuja cura inexplicável permitiu elevar aos altares João Paulo II, levou a relíquia do Papa polonês, enquanto a de João XXIII foi entregue por seu sobrinho. Em sua homilia, o Santo Padre destacou a importância destes dois grandes homens para a Igreja: “João XXIII e João Paulo II tiveram a coragem de contemplar as feridas de Jesus, tocar as suas mãos chagadas e o seu lado trespassado. Não tiveram vergonha da carne de Cristo, não se escandalizaram d’Ele, da sua cruz; não tiveram vergonha da carne do irmão (cf. Is 58, 7), porque em cada pessoa atribulada,

viam Jesus. Foram dois homens corajosos, cheios da parresia do Espírito Santo e deram testemunho da bondade de Deus, da sua misericórdia à Igreja e ao mundo.” Da Diocese de Guaxupé, dois padres se fizeram presentes neste grande acontecimento para a Santa Igreja, Gilvair Messias e Robison Inácio. Ao findar o dia da esperada canonização, padre Gilvair, através do facebook da diocese, disse que “O dia foi de cansaço, no entanto, dia de emoção e fé. Que bênção participar, com povos distantes e diferentes em um só coração, desta festa pascal. É uma alegria sem comparação viver este santo momento, no qual a Igreja se rejuvenesce com o testemunho de dois santos pontífices. Papa Francisco chamou João XXIII de o papa da sensibilidade e João Paulo II, o papa da família. A

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partir do evangelho deste segundo domingo da Páscoa, pediu-nos não temer as chagas de Cristo.” Em breves palavras, padre Robison relata a sua emoção de ter participado de perto deste grande encontro de fé: “Em 27 de abril, estive em Roma para a canonização dos Papas Beatos João XXIII e João Paulo II. Estes são dois grandes dons de Deus para a Igreja, no tempo contemporâneo. Os dois homens elevados às honras dos altares foram tirados da ordinariedade da vida e conduzidos por Deus ao governo supremo da Igreja, na qualidade de Sumos Pontífices. Governaram a Igreja com fé ínclita e ousadia apostólica em contextos marcados por adversidades. O dia 27 de abril de 2014 entrou para os anais da Igreja Católica como dia do encontro de quatro Papas. Uma missa de canonização de dois Papas, os Beatos João XXII e João Paulo II, presidida pelo Papa Francisco e concelebrada pelo Papa Emérito Bento XVI. O encontro dos quatro Papas aconteceu em um momento no qual o mundo enfrenta uma profunda crise de referência. Inserida neste contexto, a Igreja governada pelo Papa Francisco aposta em um novo florescimento missionário. O encontro dos quatro Papas foi um encontro de quatro carismas, de quatro dons que Deus concedeu à Igreja na atualidade: João XXIII, o Papa da Bondade; João Paulo II, o Papa da Esperança; Bento XVI, o Papa da Fé; Francisco, o Papa da Caridade. Nos dias que precederam a missa de canonização, os meios de comunicação na Europa enfatizaram a importância do evento para a Igreja e para o mundo. Tive a graça de presenciar esse acontecimento histórico e quão grande foi minha alegria ao constatar que a multidão que tomou as ruas de Roma era formada, majoritariamente, por jovens! Na Itália é primavera, na Igreja é primavera! Os campos da Igreja estão floridos e exalam o perfume suave da santidade!”


escolheu como lema papal “Obediência e Paz”. Em pouco tempo, revelou ser um pastor atento, manso, afável e dotado de uma admirável firmeza no enfrentamento dos inúmeros desafios da Igreja, imersa no ambiente pós-guerra. O povo viu nesse pontífice um reflexo da bondade de Deus e o chamou de o “Papa bom”. Durante o seu pontificado, que durou menos de cinco anos (19581963), nomeou 37 cardeais, publicou as Encíclicas Mater ET Magistra (1961) e Pacem in Terris (1963), sendo esta última um documento papal inédito, por exortar sua mensagem de paz ao mundo inteiro. O fato que mais marcou seu papado e causou comoção em seu rebanho foi o anúncio do Concílio Ecumênico Vaticano II, solenemente inaugurado em 11 de outubro de 1962. Segundo os vaticanistas, ao convocar o Vaticano II, o Papa seguiu sua intuição profética com o objetivo de “atualizar a doutrina cristã” e acabou por abrir a janela de uma nova primavera para o catolicismo. Não conseguindo ver o fim do Concílio, o papa morre em 03 de junho de 1963, aos 83 anos. Desde então, muitos fiéis começaram a pedir sua intercessão a Deus, em uma amostra de que acreditavam se tratar de “um Papa santo”. O milagre da cura da freira, Ir. Caterina, ocorreu na cidade italiana de Nápoles, depois de ter sido curada de um hematêmese ou vômito de sangue, após ter uma visão de João XXIII, que lhe disse: “Irmã Caterina, eu orei e muitas irmãs têm feito (...) Rasgou-me o próprio coração esse milagre (...) faça o raio X”, e recomendou a recitação do Rosário. Pouco tempo depois, as irmãs e os mesmos médicos reconheceram o desaparecimento instantâneo da fístula e dos sinais da doença.Ir.Caterina recuperou a saúde, da qual usufruiu até a data de seu falecimento, em 2010.

João XXIII, O Papa da bondade O papa João XXIII convocou o Concílio Vaticano II e entrou para a História aclamado como o “Papa bom”, que inaugurou uma nova primavera para a Igreja. Sucessor de Pio XII, João XXIII nasceu Angelo Giuseppe Roncalli, no dia 25 de novembro de 1881, em Sotto il Monte, na província italiana de Bérgamo. Aos 11 anos, ingressou no seminário local, onde estudou e se formou em teologia. Foi ordenado sacerdote no dia 10 de agosto de 1904, em Roma. Assumiu vários trabalhos pastorais, entre eles, secretário do bispo de Bérgamo. Em 1953, foi nomeado cardeal por Papa Pio XII e enviado como Patriarca de Veneza aonde conduziu com sabedoria o seu pastoreio. Com a morte de Pio XII, foi eleito

João Paulo II – O Papa do povo Também conhecido como “João de Deus” e “Papa dos Jovens”, João Paulo II deixou um legado de 26 anos à frente da Igreja, marcado pela empatia e pelo apoio popular.

Sumo Pontífice no dia 28 de outubro de 1958, assumindo o nome de João XXIII em homenagem ao pai e

Nascido na Polônia, em 18 de maio de 1920, Karol Josef Wojtyla teve um dos pontificados mais longos da história do catolicismo, encerrado com a sua morte, em 02 de abril de 2005. Em 1942, Karol começou seus estudos no seminário. Foi ordenado padre quatro anos mais tarde, em 1° de novembro, na Cracóvia e bispo

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em 1958, nomeado pelo Papa Pio XII. Diante de muitos trabalhos e dedicação à Igreja, chega a ser eleito papa em 16 de outubro de 1978 e assume o nome de João Paulo II. João de Deus fez a sua primeira visita ao Brasil em 1980 e, um ano depois, sofreu o grande atentado enquanto percorria a Praça de São Pedro no papamóvel, antes da Catequese. Durante o seu pontificado, ajudou a derrotar as ditaduras socialistas do Leste Europeu; criticou as injustiças e desigualdades promovidas pelo capitalismo; pediu a paz no Oriente Médio; condenou os atentados terroristas e opôs-se à invasão do Iraque, classificando-a de “imoral e injusta”, atitudes que caracterizaram sua postura social como progressista. João Paulo II foi o papa que mais beatificou (1 338 proclamados), mais canonizou (482 santos) e mais realizou encontros oficiais (982) na história. Em seu pontificado, realizou-se a alteração do rosário, pela primeira vez em nove séculos, ao qual foi acrescentado mais um bloco de cinco mistérios (luminosos), ligados à vida pública de Jesus. Criou a Jornada Mundial da Juventude e os Encontros Mundiais da Família. O Papa Bento XVI dispensou o tempo de cinco anos de espera depois da morte, para o inicio da causa da beatificação e canonização. O milagre que o fez ser beatificado é o da cura da religiosa francesa, Marie Simon-Pierre, que sofria do mal de Parkinson. Para a sua canonização, foi a cura de Floribeth Mora, da Costa Rica, que tinha um coágulo no cérebro. A mulher acabou não passando por uma cirurgia, pois o coágulo sumiu milagrosamente. Esse caso foi escolhido entre as mais de 200 possíveis curas atribuídas à intercessão de João Paulo II. Por Douglas Ribeiro

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A Caminho do Centenário

DOM JOSÉ DE ALMEIDA BAPTISTA PEREIRA, 5º BISPO DA DIOCESE DE GUAXUPÉ meado bispo pelo Papa Pio XII, em 22 de dezembro de 1953, como bispo titular de Baris in Pisidia e bispo auxiliar da Diocese de Niterói. Foi ordenado bispo no dia 2 de fevereiro do ano seguinte. Adotou como lema episcopal Ipsa Conteret (Ela esmagará), à luz de Gn 3, 15b. Permaneceu na referida diocese até o ano de 1955, quando foi nomeado, pelo mesmo Papa, primeiro bispo residencial da recém-criada Diocese de Sete Lagoas (MG), em 7 de novembro de 1955. Enquanto bispo residencial de Sete Lagoas, participou da Primeira (1962) e Segunda (1963) Sessão do Concílio Ecumênico Vaticano II, em Roma.

Primeiros anos e vocação José de Almeida Baptista Pereira nasceu em São Gonçalo, no Estado do Rio de Janeiro, em 26 de julho de 1917. Seus pais foram Balthazar Bernardino Baptista Pereira Júnior e Maria Carolina de Oliveira (Almeida) Baptista Pereira. Era o irmão mais novo de dom José Newton de Almeida Baptista, arcebispo de Brasília (DF), falecido em 2001. Em 1929, com apenas 11 anos, iniciou seus estudos (Ensino Médio) no Seminário de São José de Niterói, em Niterói (RJ). Cursou Filosofia (1934 a 1936) e Teologia (1937 a 1940) no Seminário Central de Ipiranga (SP). Sacerdócio e Episcopado No dia 22 de dezembro de 1940, ordenou-se sacerdote. Foi professor nos Seminários de São Paulo, Rio de Janeiro e Niterói; reitor do Seminário São José de Niterói. De 1951 a 1953, exerceu a função de vigário ecônomo da paróquia São Lourenço, também em Niterói (RJ). Dom João da Matha de Andrade e Amaral, bispo da então Diocese de Niterói (1948-1954), no seu último ano de vida, devido o agravamento de sua saúde, pediu à Santa Sé um bispo auxiliar. Com apenas 36 anos de idade, o então vigário de São Lourenço, padre José de Almeida, foi no-

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Bispo de Guaxupé No dia 2 de abril de 1964, o Papa Paulo VI nomeou-o bispo residencial de Guaxupé. A notícia da nomeação foi recebida com espírito de fé e de sincera alegria, pois se tratava de um bispo muito estimado e já conhecido de todo o clero diocesano, para o qual pregou um retiro espiritual. Na sexta-feira, 1º de maio do mesmo ano, Sua Excelência tomou posse canônica. Segundo consta nos arquivos da Diocese de Guaxupé, a data da posse, memória litúrgica de São José Operário, foi escolhida por dom José de Almeida com o intuito de demonstrar, juntamente com seu amor pela beatíssima Virgem Maria, fixado em seu brasão episcopal (Ipsa Conteret), o sentido de seu apostolado na diocese, que seria eminentemente social. Sua Excelência chegou às 17 horas, na sede episcopal de Guaxupé, vindo de Pouso Alegre (MG), acompanhado pelo arcebispo metropolitano da Arquidiocese daquela cidade, dom José D’Angelo Neto. Foi recebido nos limites da Diocese de Guaxupé (estrada Guaxupé/Tapiratiba). Em frente ao Palácio Episcopal, esperavam-no o colendo cabido, o clero diocesano, os seminaristas, representantes de vários bispos e dom Tomás Vaquero, bispo da Diocese de São João da Boa Vista (SP). Após calorosas aclamações, formou-se um

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espírito. Isso era muito forte. A pastoral no tempo dele era referência no Regional Leste 2 da CNBB. Material de catequese da Diocese de Guaxupé foi vendido para o Brasil inteiro. Houve um trabalho árduo. Outros ficavam só com a reforma, foi um problema. Os mais velhos sofreram por isso. Houve um período forte de incentivar o Ensino Religioso no primário. Ele preparou um material. A ideia era a própria professora trabalhar o material na escola.” Ainda segundo o padre José Luiz, “dom José de Almeida incentivava o clero a estudar. Foi ele que criou os quatro primeiros setores na Diocese: Guaxupé, Passos, Poços e Alfenas.” Segundo Maria do Carmo Noronha, dom José de Almeida era um homem de grande personalidade, simples, convicto de sua fé. Ela, que trabalhou na equipe central de catequese, afirma que o referido bispo mostrava grande interesse pela catequese em toda a diocese.

cortejo rumo à Catedral, onde se realizou a cerimônia de posse. Dom José de Almeida, paramentado, de mitra e báculo, sob o pálio, dirigiu-se à Catedral. As escadarias estavam literalmente tomadas pelo povo. Chegando à Catedral, Sua Excelência dirigiu-se à capela do Santíssimo, onde rezou pela diocese por alguns minutos. Em seguida, fez uma devota visita ao túmulo de dom frei Inácio João Dal Monte, na cripta, enquanto o coro entoava o Te Deum. Depois, dirigiu-se à cátedra e foi lida a bula de sua nomeação. Na homilia, disse das suas disposições essencialmente espirituais, dentro de um plano estritamente sobrenatural, na diocese, que deve ser uma comunidade de fé autêntica (a fé sem obras é morta) e uma comunidade de caridade. À noite, foi servido um jantar no Se-

minário, onde mais uma vez o bispo recém-empossado recebeu homenagens do clero. Na ocasião, dom José de Almeida disse do seu desejo de uma união de fé e caridade entre o bispo e o clero. Dom José de Almeida, enquanto bispo residencial de Guaxupé, participou da Terceira (1964) e Quarta (1965) Sessão do Concílio Ecumênico Vaticano II, em Roma. Sobre sua ação pastoral na Diocese de Guaxupé, padre José Luiz Gonzaga do Prado afirma: “Foi uma época muito difícil. Foi um clima de abertura e de mudança, mudar tudo. Ele (dom José de Almeida) repetia: ‘o que não se renova, morre. Tem que renovar a Igreja’. Havia uma questão bem clara: reforma (externa): mudança, imagens, altar, português; renovação (interna): mentalidade,

Renúncia, novas atuações e últimos anos Embora não tivesse completado 75 anos de idade, dom José de Almeida pediu renúncia ao Papa Paulo VI. Seu pedido foi aceito em 16 de janeiro de 1976. Emérito, continuou solícito e colaborou de forma admirável com a Diocese de Nova Friburgo (RJ), onde passou a residir. Assumiu por vários anos a paróquia de São José do Ribeirão, distrito de Bom Jardim. Ao completar 75 anos, deixou a paróquia e foi residir em Nova Friburgo. Escreveu algumas obras: “O Homem, desafio de hoje e sempre”; “Catequese bíblica do rosário da Virgem”; “Introdução à sociologia” (pro manuscripto); “História de São José do

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Ribeirão (RJ).” Dom José de Almeida Baptista Pereira faleceu numa sexta-feira, 30 de janeiro de 2009, por volta das 18h, no Hospital Unimed, em Nova Friburgo, vítima de câncer nos pulmões. Estava com 91 anos. O seu corpo foi velado na Catedral Diocesana São João Batista, em Nova Friburgo e o sepultamento ocorreu no dia seguinte, na mesma Catedral, após a Missa de Exéquias. Foi um bispo que participou, acreditou e vivenciou o espírito do Concílio Vaticano II. Por mais de onze anos de seu apostolado na Diocese de Guaxupé, persistiu com sabedoria e inteligência, coragem e determinação para que os ensinamentos do Vaticano II fossem aplicados e, para isso, incentivou a execução de um Plano de Ação Pastoral. Monsenhor Hilário Pardini confirma isso: “Dom José cumpriu com fidelidade essa grandiosa missão de orientar na diocese a aplicação do Concílio Vaticano II. Agiu sempre com firmeza e mansidão, com decisão e paciência, com determinação e respeito pelas pessoas. Sem ferir ninguém, sem provocar dissensões e sem quebrar a unidade, as modificações foram introduzidas, a mentalidade mudou, a Igreja diocesana tomou outro aspecto, mais de acordo com os ideais do Evangelho explicitados pelo Concílio.” Era um homem que lia muito. Mesmo com a idade avançada, estava lúcido e atualizado. Foi exemplo de um pastor dedicado que soube amar e servir na gratuidade, seja como bispo auxiliar de Niterói, seja nas dioceses mineiras de Sete Lagoas e Guaxupé. Por Clayton Bueno Mendonça, seminarista em Ano Pastoral na Paróquia Sagrada Família e Santos Reis de Guaxupé

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Comunicações

Comemorações de Junho Natalício 14 Pe. Tadeu dos Reis Ávila 14 Pe. Sidney da Silva Carvalho 14 Pe. Adivaldo Ferreira Antônio

19 Pe. Wellington Cristian Tavares 22 Pe. Donizete Miranda Mendes 29 Pe. Pedro Alcides Sousa

Ordenação 26 Pe. Bruce Éder Nascimento 29 Pe. Olavo Amadeu de Assis 30 Pe. Luiz Caetano de Castro

Agenda Pastoral de Junho 1 3-5 7 12 14

Ascensão do Senhor – Dia Mundial das Comunicações Sociais Diocese: Encontro Vocacional no Seminário São José em Guaxupé Cursilho Feminino em Poços de Caldas Assembleia Regional de Pastoral em Belo Horizonte - MG Diocese: Reunião do Conselho Diocesano de Pastoral em Guaxupé Reunião da Coord. Diocesana de CEBs em Jacuí Diocese: Reunião da Pastoral Presbiteral Setores: Reunião dos Conselhos de Pastoral dos Setores (CPSs)

18 Diocese: Encontro com os Presbíteros até 05 anos de ministério 20-22 Visita Pastoral na Paróquia Sagrada Família em Carmo do Rio Claro 21 Reunião da Equipe Diocesana dos MECEs em Guaxupé Reunião do Setor Famílias em Guaxupé 22 Reunião preparatória para o cursilho de jovens em Alpinópolis 26 Diocese: Reunião Geral do Clero em Guaxupé 27 Dia de Oração pela Santificação dos Presbíteros 28 Setor Cássia: Reunião do Conselho Diocesano do ECC

FAZEMOS PARTE DESTA HISTÓRIA Se sua paróquia tiver bons registros que marcaram os 100 anos da Diocese de Guaxupé, envie-nos para que possamos juntos recontar os passos deste caminho.

E por falar em caminho... Preparamo-nos para as esperadas Santas Missões Populares! É tempo de Assembleias Paroquiais Missionárias. O Secretariado de Pastoral solicita inscrever o quanto antes os missionários de sua paróquia, para organização do evento.

Se é tempo de refletir a missionariedade de nossa Igreja, também é tempo de rezar, de cantar o centenário. Adquira em www.guaxupe.org.br a oração e o hino das comemorações jubilares e divulgue-os em sua comunidade.

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