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JORNAL DA DIOCESE DE GUAXUPÉ

DIOCESE DE GUAXUPÉ

ANO XXIX - 283

JUNHO DE 2013

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editorial Jovens somos nós! Jovens com milhares de perguntas... Jovens à procura de respostas! Jovens à procura de algo mais. Não estamos satisfeitos com os rumos deste mundo. E é por isso que avançamos para as águas mais profundas. O que está bom deve ficar.

Enquanto o Brasil se prepara para sediar o maior evento da Igreja e um dos maiores do país neste ano, a Jornada Mundial da Juventude, discute-se, em seu território, a questão da maioridade penal. Ninguém nega que violência e ondas de furtos são nítidas até nas menores cidades. De outro lado, qualquer cidadão um pouco mais crítico também entende que os fatos não serão resolvidos com medidas de punição apenas, se não agravarem mais a situação. Bons resultados conseguidos nesta área estão em alternativas socioeducativas espalhadas

O que não é tem que mudar. Jovens somos nós! Jovem é a nossa voz... Não sabemos tudo. Mas sabemos que podemos ajudar!

pelo país, em muitos casos, sem apoio do Estado, sobreviventes da caridade da população. Quando um grande tema cai na opinião popular, entende-se que decidir por uma coisa ou por outra dará ao país uma solução para o específico ponto em debate. Não será este o momento de ouvir aqueles que têm cuidado de tais problemas, como responsáveis por casas de retenção de menores, pequenos projetos de incentivo cultural e educativo ao menor das periferias das médias e grandes cidades? Quase sempre, uma opinião é dada

Pe. Zezinho, Jovens somos nós

por todos. Aprender a ouvir antes de dizer e opinar é necessário em tempos de variados comentários sobre variadas questões. A Igreja apresenta seu ponto de vista. Embora em nota oficial da CNBB, não deixa de ser opinativa ao se tratar de uma instituição religiosa dentro de uma conjuntura nacional. No entanto, para os católicos, uma Igreja que ouve para então falar, sua voz é de grande valor. COMUNHÃO de junho traz questões que tocam desafios e sonhos juvenis. O mundo do jovem, afinal, nunca será um outro mundo, mas o condensado mundo de todos!

Dom José Lanza Neto

voz do pastor ADORAÇÃO EUCARÍSTICA MUNDIAL É admirável a iniciativa do Papa Francisco de promover uma hora de Adoração Eucarística (02 de junho de 2013) para concretização do Ano da Fé, a pedido do Pontifício Conselho da Promoção para nova Evangelização. O objetivo é despertar a todos para o sentido mais profundo da fé celebrada na liturgia, particularmente na Eucaristia, meta para qual se encaminha a Ação da Igreja e fonte de onde promana toda sua força. A proposta é que esta adoração

aconteça em todas as catedrais, segundo o horário local, à hora de Roma. Desse modo, muitos fiéis poderão unir-se, ao mesmo tempo, com seu bispo e com o sucessor de Pedro, junto a Jesus vivo no Santíssimo Sacramento do altar. Este momento de alcance universal pretende ser um gesto de partilha espiritual. Tal atitude comprova sua simplicidade, mostrando-nos que nossa vida é construída nas pequenas coisas, talvez insignificantes para o mundo. Poderia apresentar um grande

projeto em vista de grandes impactos, mas não. É diante de Jesus Eucarístico, escondido no pão, que colocamos sonhos, ideais, desafios nossos e da Igreja. Na oportunidade desta Oração Eucarística, o Papa Francisco apresentará suas intenções particulares e teremos oportunidade de colocar as nossas também. É comum, nas paróquias, a exposição do Santíssimo Sacramento – momento de oração, meditação, adoração e escuta da Palavra do Senhor. Só

através da oração, teremos motivações e forças para testemunhar a fé. Sem a oração é como a fé sem obras, nos tornamos teóricos, cheios de argumentação, mas sem vida, vazios e prepotentes. Que vivamos este Ano da Fé em profunda comunhão com Cristo, “Único mediador entre Deus e os homens” (1Tm 2,5). Nele nasce nossa comunhão e fortalece os vínculos fraternos. Caminhemos com olhos fixos em Cristo Jesus!

expediente Diretor geral DOM JOSÉ LANZA NETO Editor e Jornalista Responsável PE. GILVAIR MESSIAS DA SILVA - MTB: MG 17.550 JP Revisão MYRTHES BRANDÃO Projeto gráfico e editoração BANANA, CANELA E DESIGN www.bananacanelaedesign.com.br - (35) 3713-6160 Tiragem 3.950 EXEMPLARES

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Impressão GRÁFICA SÃO SEBASTIÃO Ilustração MARCELO A. VENTURA Conselho editorial PADRE JOSÉ AUGUSTO DA SILVA, PADRE HENRIQUE NEVESTON DA SILVA, IR. MÁRCIO DINIZ, MARIA INÊS MOREIRA E NEUZA MARIA DE OLIVEIRA FIGUEIREDO.

Redação Praça Santa Rita, 02 - Centro CEP. 37860-000, Nova Resende - MG Telefone (35) 3562.1347 E-mail PASCOM.GUAXUPE@GMAIL.COM Os Artigos assinados não representam necessariamente a opinião do Jornal. Uma Publicação da Diocese de Guaxupé www.guaxupe.org.br

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opinião NOTA SOBRE A REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL

“Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9)

O debate sobre a redução da maioridade penal, colocado em evidência mais uma vez pela comoção provocada por crimes bárbaros cometidos por adolescentes, conclama-nos a uma profunda reflexão sobre nossa responsabilidade no combate à violência, na promoção da cultura da vida e da paz e no cuidado e proteção das novas gerações de nosso país. A delinquência juvenil é, antes de tudo, um aviso de que o Estado, a Sociedade e a Família não têm cumprido adequadamente seu dever de assegurar, com absoluta prioridade, os direitos da criança e do adolescente, conforme estabelece o artigo 227 da Constituição Federal. Criminalizar o adolescente com penalidades no âmbito carcerário seria maquiar a verdadeira causa do problema, desviando a atenção com respostas simplórias, inconsequentes e desastrosas para a sociedade. A campanha sistemática de vários meios de comunicação a favor da redução da maioridade penal violenta a imagem dos adolescentes, esquecendo-se de que eles são também vítimas da reali-

dade injusta em que vivem. Eles não são os principais responsáveis pelo aumento da violência que nos assusta a todos, especialmente pelos crimes de homicídio. De acordo com a ONG Conectas Direitos Humanos, a maioria dos adolescentes internados na Fundação Casa, em São Paulo, foi detida por roubo (44,1%) e tráfico de drogas (41,8%). Já o crime de latrocínio atinge 0,9% e o de homicídio, 0,6%. É, portanto, imoral querer induzir a sociedade a olhar para o adolescente como se fosse o principal responsável pela onda de violência no país. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ao contrário do que se pro-

paga injustamente, é exigente com o adolescente em conflito com a lei e não compactua com a impunidade. Ele reconhece a responsabilização do adolescente autor de ato infracional, mas acredita na sua recuperação. Por isso, propõe a aplicação das medidas socioeducativas que valorizam a pessoa e lhe favoreçam condições de autossuperação para retornar a sua vida normal na sociedade. À sociedade cabe exigir do Estado não só a efetiva implementação das medidas socioeducativas, mas também o investimento para uma educação de qualidade, além de políticas públicas que eliminem as desigualdades sociais. Junta-se a isto

A Igreja no Brasil continua acreditando na capacidade de regeneração do adolescente, quando favorecido em seus direitos básicos e pelas oportunidades de formação integral nos valores que dignificam o ser humano. a necessidade de se combater corajosamente a praga das drogas e da complexa estrutura que a sustenta, causadora de inúmeras situações que levam os adolescentes à violência. Adotada em 42 países de 54 pesquisados pela UNICEF, a maioridade penal aos 18 anos “decorre das recomendações internacionais que sugerem a existência de um sistema de justiça especializado para julgar, processar e responsabilizar autores de delitos abaixo dos 18 anos” (UNICEF). Reduzi-la, seria “ignorar o contexto da cláusula pétrea constitucional – Constituição Federal, art. 228 –, além de confrontar a Convenção dos Direitos da Criança e do Adolescente, as regras Mínimas de Beijing, as Diretrizes para Prevenção da Delinquência Juvenil, as

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Regras Mínimas para Proteção dos Menores Privados de Liberdade (Regras de Riad), o Pacto de San José da Costa Rica e o Estatuto da Criança e do Adolescente” (cf. Declaração da CNBB contra a redução da maioridade penal – 24.04.2009). O Conselho Episcopal Pastoral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), reunido em Brasília, nos dias 14 a 16 de maio, reafirma que a redução da maioridade não é a solução para o fim da violência. Ela é a negação da Doutrina da Proteção Integral que fundamenta o tratamento jurídico dispensado às crianças e adolescentes pelo Direito Brasileiro. A Igreja no Brasil continua acreditando na capacidade de regeneração do adolescente, quando favorecido em seus direitos básicos e pelas oportunidades de formação integral nos valores que dignificam o ser humano. Não nos cansemos de combater a violência que é contrária ao Reino de Deus; ela “nunca está a serviço da humanidade, mas a desumaniza”, como nos recordava o papa Bento XVI (Angelus, 11 de março de 2012). Deus nos conceda a todos um coração materno que pulse com misericórdia e responsabilidade pela pessoa violentada em sua adolescência. Nossa Senhora Aparecida proteja nossos adolescentes e nos auxilie na defesa da família. Brasília, 16 de maio de 2013 Dom José Belisário da Silva Arcebispo de São Luís do Maranhão Presidente da CNBB, em exercício Dom Sergio Arthur Braschi Bispo de Ponta Grossa Vice-Presidente da CNBB, em exercício Dom Leonardo Ulrich Steiner Bispo Auxiliar de Brasília Secretário Geral da CNBB

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notícias CEBS REALIZAM 30 o ENCONTRO DIOCESANO Por José Luiz Gonzaga do Prado Foto: Marco Antônio

Pela trigésima vez na diocese, reuniu-se um grupo de pessoas que busca realizar o sonho do jeito “antigo-novo” de ser Igreja. A primeira vez foi em janeiro de 1984, em Machado. Agora, aconteceu de 26 a 28 de abril, em Carmo do Rio Claro. Participaram do Encontro 138 pessoas. As reuniões tiveram lugar no Centro de Formação São José, local amplo e acolhedor, como é o coração do povo de Carmo do Rio Claro. A cordial acolhida foi na sexta feira (26) à noite, que incluiu uma motivadora celebração. Os participantes ficaram hospedados em casas de famílias da cidade. No sábado de manhã, os encontristas tomaram melhor conhecimento da cartilha ‘Grupos de Reflexão – o que é?’ Na parte da tarde, irmão Márcio Diniz, com uma equipe de Jovens, provocou a reflexão em oficinas sobre as questões mais importantes que afetam a juventude no Brasil, hoje. No intervalo da tarde, foi prestada uma homenagem ao Sr. Sebastião José de Paula, morador do Carmo do Rio Cla-

Em Carmo do Rio Claro encontro deu ênfase à aspectos juvenis

ro, que esteve presente ao 1º Encontro diocesano e ainda hoje, com seus 86 anos, participa de todos os encontros e reuniões. No domingo de manhã, o grupo teve a imensa alegria da presença do bispo e do coordenador diocesano de pastoral. Presidindo a Eucaristia de encerramento do Encontro, dom Lanza, em sua homilia,

refletiu o tema da última Assembleia da CNBB e reforçou a proposta de uma Igreja, rede de comunidades ou Paróquia, Comunidade de Comunidades. Na mesma linha, as palavras do coordenador de pastoral, ao final da missa, trouxeram a todos grande esperança e incentivo. Na parte restante da manhã, os participantes se reuniram por setores para

chegar às conclusões práticas como reforço aos Grupos de Reflexão; eleição dos delegados ao 13º Intereclesial, a realizar-se em Crato, no Ceará; avaliação do Encontro e decisões práticas como data e local do 31° Diocesano; programação dos Setores e coordenações.

COMUNICADORES DISCUTEM SOBRE REDES SOCIAIS NA EVANGELIZAÇÃO Por Sérgio Bernardes

Foto: PASCOM

e, também, conteúdos de espiritualidade e formação. Para Bruno Luiz, da paróquia São Sebastião, de São Sebastião do Paraíso, o trabalho com as redes sociais são complementares às mídias tradicionais. “O informativo tem maior aceitação entre os adultos e possui um conteúdo mais voltado à formação, enquanto o site e o facebook têm atraído mais os jovens.” Segundo ele, dois ingredientes colaboram para uma aceitação positiva na comunidade, “a parceria com as pastorais e uma atualização constante [dos conteúdos publicados].“ Em razão da temática da Juventude da CF 2013 e a forte participação dos jovens nas redes sociais, a Pastoral da Juventude desenvolveu um momento de reflexão, no início do encontro, com analogia sobre o poder de “comunicação” da água. Pascom, Setor Juventudes e o professor Pablo Moreno articularam o evento

“Procurando tornar o Evangelho presente no ambiente digital, podemos convidar as pessoas a viverem encontros de oração ou celebrações litúrgicas em lugares concretos”. Esta afirmação faz parte da mensagem do papa emérito, Bento XVI, para o 47º Dia Mundial das Comunicações Sociais, que se realizou no dia 12 de maio. Em consonância com a temática proposta por Bento XVI, a Diocese de Guaxupé promoveu encontro para aperfeiçoamento técnico dos agentes da Pastoral da Comunicação, principalmente

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nas ações realizadas nas redes sociais. O evento aconteceu em Guaxupé, no dia 27 de abril e contou com a participação de representantes de seis setores diocesanos. A assessoria foi realizada pelo professor Pablo Moreno Fernandes Viana, com mestrado em Comunicação e docente na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (PUC-Minas), no campus de Poços de Caldas. O professor apresentou um panorama da recente evolução do meio digital, desenvolvendo temas como democratização do acesso, interatividade

e processos de produção de conteúdo online. Em relação à construção coletiva da informação, afirma: “estas ferramentas [de mídia social] dão a possibilidade de todos sermos autores, porém falta a consciência do que é importante.” O encontro promoveu, ainda, uma avaliação sobre as atividades realizadas nas comunidades e suas perspectivas de atuação nos veículos online. O resultado demonstrou que todas as paróquias que enviaram seus representantes já possuem suas contas nas principais redes sociais para a divulgação de suas atividades

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saicí ton ANUNCIADA AGENDA DO PAPA FRANCISCO NO BRASIL Por Assessoria de Imprensa JMJ2013 O Papa Francisco terá uma agenda repleta de atividades em sua primeira grande viagem internacional, em julho deste ano. A programação no Rio de Janeiro, por ocasião da Jornada Mundial da Juventude Rio2013, inclui desde Atos Protocolares, como o encontro com a presidente do Brasil, Dilma Rousseff, até a visita a uma comunidade carente, a um hospital e a jovens detentos. CHEGADA E PRIMEIROS ATOS OFICIAIS O Papa chegará ao Brasil no dia 22 de julho, segunda-feira. A acolhida oficial será feita no Aeroporto Internacional do Galeão/Antônio Carlos Jobim, a partir das 16h. Logo após, haverá uma cerimônia de boas vindas no jardim do Palácio Guanabara, onde o Santo Padre fará seu primeiro discurso. No local, acontecerá a recepção protocolar das três esferas de governo, a cargo da presidente da república, Dilma Rousseff, do governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral e do prefeito da cidade, Eduardo Paes. A residência do Sumaré receberá o Sumo Pontífice durante sua estada no Brasil. A casa hospedou o beato João Paulo II em suas duas visitas ao nosso país, em 1980 e 1997. É um lugar reservado, pacato e longe dos grandes movimentos da cidade. Além do Papa Francisco, lá se hospedará toda a comitiva papal. Com a simplicidade que o mundo já conhece, o Santo Padre vai presidir missas diárias privativas na Residência. VISITA A APARECIDA O Santo Padre visitará, na quarta-feira, dia 24 de julho, o Santuário Nacional de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, maior santuário mariano do mundo. A visita foi um pedido pessoal do Papa Francisco, já que possui uma devoção pública por Maria, mãe de Jesus. Ao lado do cardeal Dom Raymundo Damasceno, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e arcebispo de Aparecida, o Sumo Pontífice celebrará uma Missa, após a veneração da imagem da Virgem na Basílica. UM DOS LEGADOS SOCIAIS DA JMJ RIO2013 Ainda na quarta-feira, o Papa Francisco participa da inauguração do Pólo de Atenção Integrada da Saúde Mental (PAI), voltado para a recuperação e dependência química, um dos legados sociais da JMJ Rio2013. Com 350 médicos, cerca de 500 profissionais de saúde, 648 leitos de internação, 323 leitos de enfermaria, 12 leitos de emergência, 75 leitos de UTI e 11 salas de cirurgia, o Hospital São Francisco da Tijuca (antiga Ordem Terceira da Penitência/VOT) é um hospital geral que oferece atendimento em 22 especialidades. A instituição presta

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atendimento particular, para clientes de planos de saúde e para pacientes do SUS, encaminhados via Secretaria do Estado de Saúde do Rio de Janeiro. O Papa discursará na ocasião. UMA QUINTA-FEIRA EMOCIONANTE No dia 25 de julho, quinta-feira, Eduardo Paes, prefeito do Rio, em um gesto simbólico e tradicional, entregará as chaves da cidade ao Sumo Pontífice, traduzindo o respeito pelo Santo Padre e a autoridade que representa. Além disso, também está previsto um rápido encontro com representantes do mundo esportivo, com a bênção das bandeiras olímpicas. Ainda pela manhã, o Papa Francisco parte para um encontro emocionante. Depois de 33 anos, um Papa volta a visitar uma comunidade carente. Desta vez, ao invés do Vidigal, na Zona Sul do Rio, por onde passou João Paulo II, em 1980, a visita será a uma favela da Zona Norte. A comunidade escolhida foi a de Varginha, dentro do Complexo de Manguinhos, recentemente pacificada pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro. O Papa falará aos moradores e dará sua bênção. Às 18h, o Santo Padre participa da festa de acolhida dos jovens na orla de Copacabana, um dos Atos Centrais da JMJ Rio2013. Haverá a primeira saudação aos peregrinos da Jornada e um discurso papal. UM DIA SÓ PARA OS JOVENS Um dos pontos turísticos mais visitados da cidade e antiga casa de repouso

do imperador Dom Pedro, a Quinta da Boa Vista receberá um dos maiores pontos de catequese do evento e a Feira Vocacional. O Santo Padre atenderá quatro confissões de jovens no local, na manhã de sexta-feira, dia 26. Em seguida, alguns jovens detentos se encontrarão com o Papa Francisco no Palácio Arquiepiscopal São Joaquim. Ao meio dia, o Sumo Pontífice fará a Oração Angelus Domini do balcão central do Palácio. Antes do tradicional almoço com os jovens de todos os continentes, que acontece nas Jornadas, o papa fará uma saudação ao Comitê Organizador Local da JMJ Rio2013 e aos patrocinadores. Às 18h, acontece a Via Crucis com os jovens, na orla da Praia de Copacabana, o terceiro Ato Central da JMJ, com um discurso do Santo Padre. UM SÁBADO DE ENCONTROS E ORAÇÃO As atividades oficiais começam com a Santa Missa, da qual participarão bispos, sacerdotes, religiosos e seminaristas, na Catedral São Sebastião, presidida pelo Santo Padre. Logo após, o Papa Francisco se encontrará com representantes da sociedade da cidade e do Brasil, no Teatro Municipal. A estrutura, construída no século XIX, por muito tempo foi palco principal das apresentações artísticas de todo o país. À tarde, participa de um almoço com os cardeais brasileiros, a presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os bispos do Regional Leste 1 da CNBB (que compreende as dioceses

do Estado do Rio de Janeiro) e o Séquito Papal, no grande refeitório do Centro de Estudos do Sumaré. A partir das 19h30, o Papa Francisco estará em Guaratiba, no Campus Fidei para a Vigília de Oração com os jovens, quarto Ato Central da JMJ Rio2013, quando ele fará um discurso aos peregrinos e passará um momento de adoração ao Santíssimo Sacramento com os jovens presentes. DOMINGO DE DESPEDIDAS Às 10h da manhã, o Papa Francisco reencontra os jovens da noite anterior no Campus Fidei para a Santa Missa de envio da JMJ Rio2013 e anunciará o próximo local que acolherá a Jornada Mundial da Juventude. Ao meio dia, também fará a oração do Angelus Domini com os peregrinos. O almoço será com o Séquito Papal no refeitório do Centro de Estudos do Sumaré. O Papa Francisco deverá encontrar-se com o Comitê de Coordenação do Conselho Episcopal Latino Americano (CELAM) antes de sua despedida. Para agradecer pessoalmente aos 60 mil voluntários envolvidos nos trabalhos da Jornada, o Papa deverá encontrar-se com eles no Pavilhão 5 do Rio Centro, às 17h30. Haverá ainda uma cerimônia de despedida no Aeroporto Internacional Antônio Carlos Jobim, onde o Santo Padre fará um discurso. Sua partida de volta a Roma está marcada para as 19h.

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reportagem

JOVENS: E O FUTURO?

Por Douglas Ribeiro Lima

Diante dos grandes desafios que se impõem à humanidade no mundo moderno, em que carecem atitudes imediatas que proporcionem à juventude um futuro melhor, vem à lembrança a máxima de que “os jovens são o futuro da humanidade.” Mas, ao pensar no jovem como futuro, perguntam-se: quais são, portanto, os anseios da juventude? Quais são os seus sonhos e medos? Como vê a Igreja? Alguns jovens de diferentes cidades foram ouvidos e responderam às perguntas acima enunciadas. Apontam-se aqui quatro delas: PERCEPÇÃO DO MUNDO

SOBRE SONHOS E ESPERANÇAS

“O mundo nos oferece muitas coisas, boas ou ruins, depende de como usufruímos delas. No mundo, temos a oportunidade de sermos humanos, de trabalharmos, de convivermos com pessoas diferentes que, com toda certeza, nos acrescentam algo bom. Também neste mesmo mundo, temos a oportunidade de conhecer coisas que não nos fazem bem, como os vícios e a violência”, disse Luiza Aparecida Oliveira Mariano, 22 anos, participante do grupo de jovens “Amor Maior”, da paróquia Nossa Senhora Aparecida de Alfenas (MG).

O seminarista Douglas Luiz Marciano, 18 anos, da paróquia São José de Machado (MG), falou um pouco sobre perspectivas dos jovens no mundo atual: “Os sonhos e as esperanças dos jovens no mundo atual estão baseados, em sua maioria, à parte material. Almejam sucesso na carreira profissional, isso tudo devido à propaganda que a mídia proporciona. Porém percebemos, cada vez mais, uma sede de Deus: os jovens também querem conhecer esse plano salvífico que Deus propõe. Agora, cabe à Igreja suprir essa ânsia de Deus, cabe à mesma mostrar para o jovem a beleza de estar com Deus.”

MEDOS A aluna de enfermagem da USP, Bruna de Almeida Ocana, 22 anos e que reside em São Paulo (SP), disse sobre o medo dos jovens de hoje: “Acredito que os jovens de hoje têm muito medo de desapontar seus familiares, portanto procuram buscar o caminho que seus pais acreditam. Jovens têm medo de não conseguirem sucesso profissional, já que na sociedade em que vivemos, o trabalho é elemento importante para que uma pessoa seja atuante. Além disso, podemos dizer que a maioria também tem medo de não conseguir formar sua própria família, estágio importante na vida de qualquer pessoa e que mostra total independência e responsabilidade.”

O JOVEM E A IGREJA Como vê a Igreja? O que espera dela? “A Igreja ainda é o sacramento de Jesus Cristo no mundo, sua testemunha e continuadora de sua missão, tendo os fiéis e seus pastores como principais protagonistas. Ainda hoje, ela representa e apresenta aquilo de que o mundo precisa. Deve ser a esperança que nasce dentro de cada coração de que é possível seguir Jesus Cristo. Espero que a Igreja continue a anunciar o Evangelho, a formar cristãos conscientes e fiéis e que através da oração, cheguemos todos àquela unidade que nos pede o próprio Cristo”, disse João Marcos Acácio, 19 anos, participa do grupo de jovens “Life” na paróquia São Judas Tadeu de São Sebastião do Paraíso (MG).

“A Igreja precisa de vós, e vós precisais da Igreja”, disse o Papa emérito, Bento XVI. A Igreja e o Mundo precisam de jovens que se sintam motivados a ser o futuro do mundo, para que assim, sem medo e com coragem, possam desbravar horizontes.

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juventudes JUVENTUDE E NAMORO Por Ir. Márcio Diniz, SC, Religioso pertencente à Congregação dos Irmãos do Sagrado Coração – Paraguaçu/MG, na função de assessor do Setor Diocesano da Juventude

“Como é bom no namoro descobrir que, naquela pessoa podemos confiar! Como é maravilhoso descobrir que temos alguém com quem podemos dialogar! Claro que no namoro é bom o carinho que trocamos. São importantes os beijos e abraços, mas o bom mesmo é a oportunidade de ter com quem partilhar minha vida.” (Subsídio da Pastoral da Juventude - Afetividade e Sexualidade) Juventude e namoro, tema pertinente na conjuntura atual, tendo em vista as dificuldades de alguns jovens lidarem com sua afetividade e sexualidade. Essa ação acaba normalizando relações superficiais entre eles. Há uma crescente na experiência do “ficar”, momento sem compromisso e fugaz, em detrimento de uma relação de namoro, como espaço de encontro com o outro, onde se busca morar no abraço do outro. A meu ver, essa realidade não afeta somente o espaço juvenil. É uma crescente também no mundo adulto que acaba normalizando essa ação. Isso ocorre por haver uma crise instaurada na instituição familiar, que deveria orientar a caminhada dos jovens, como destaca o documento de Aparecida, nº 303: “é dever dos pais, especialmente através de seu exemplo de vida, a educação dos filhos para o amor como dom de si mesmos...” Infelizmente muitas famílias têm pouco contribuído na formação da afetividade e sexualidade juvenil e, por isso, temos uma crescente dificuldade nesta dimensão vivida pelos jovens, jovens esses que serão adultos muito em breve. É nessa perceptiva que destacamos a importância da experiência do namoro para o mundo juvenil, como tempo de conhecer o outro, tempo de crescimento a dois, quando se conhecem os limites e as

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riquezas do outro. O conhecimento prévio pode ajudar bastante para que o namoro seja sinônimo de crescimento: conhecer as características da pessoa, seu jeito próprio de ser, pensar, comportar-se, relacionar-se com os outros e com mundo ao seu redor. Esse conhecimento prévio do outro pode ser resultado da amizade que se estabelece quando gostamos de uma pessoa e mantemos com ela um grau de proximidade. Namorar exige maturidade de ambos, especialmente na dimensão afetiva. Empenhar-se e constantemente saber

Devemos nos perguntar: O que falta para colocarmos Cristo no centro do namoro? Dois personagens nos ajudam a refletir sobre isso. O primeiro é Santo Agostinho que disse “simplesmente ame” e o próprio Jesus, que considerava que por amor tudo é possível. Por isso, queridos jovens, sigamos esses personagens e efetivemos relações saudáveis e cuidantes de/para/com as pessoas que amamos, indo contra a correnteza que reverbera os “ismos” e as relações coisificadas e superficiais. “Jovens, sejam fortes e corajosos, e que

Namorar exige maturidade de ambos, especialmente na dimensão afetiva.

lidar com a complexidade das realidades humanas, em vista de um ideal, à luz da experiência de Jesus que é amor e dos ensinamentos da Igreja, como destaca o documento Evangelização da Juventude: “a ação pastoral deve responder às necessidades de amadurecimento afetivo e à necessidade de acompanhamento” (nº 304). Se os jovens namorados dizem “sim” ao que constrói e “não” ao que destrói, estão aproveitando esta experiência tão importante – o namoro – para construir a própria autonomia diante das pressões massificantes.

a Palavra de Deus permaneça em Vós” (Cf. 1 Jo 2,14). ORAÇÃO: Senhor Jesus, Seja o centro na vida dos casais enamorados Para que possam viver Em comunhão permanente de amor e acolher os frutos dessa vivência: a harmonia, a paz, a ternura, a compaixão e a plena felicidade. Vós que viveis com o Pai, na unidade do Espírito Santo. Amém

PARA APROFUNDAR NO TEMA:

Aos jovens com afeto: Vida e sexualidade Vol. 1 Aos jovens com afeto: Desafio e Atualidades – Vol. 2 A obra está organizada no formato de um fichário em dois volumes. Ao todo, são abordados 50 temas, distribuídos ao longo de quatro partes (Vida, Sexualidade, Desafios e Atualidade). Entre esses 50 temas, estão, por exemplo: Liberdade, Autoestima, Família, Amor, Relação Sexual, Castidade, Gravidez, Amizade, Erotismo, Aborto, Masturbação, Adoção, Células Tronco etc. Aos jovens com afeto pode ser adquirido nas livrarias católicas ou no site das Edições CNBB, http://www.edicoescnbb.com. br/loja/busca-302647-aos_jovens_com_ afeto

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liturgia CANTANDO O QUE SE CELEBRA E CELEBRANDO O QUE SE CANTA Por Pe. Gledson Antonio Domingos, pároco da Paróquia São Francisco de Assis e Santa Clara de Poços de Caldas, coordenador de liturgia do Setor Poços e coordenador da música litúrgica na diocese

“Cantai ao Senhor um cântico novo, Seu louvor na assembleia dos fiéis!” ( Sl 149, 1)

Quando falamos em música litúrgica, logo nos vem à ideia de que são músicas difíceis, ou que ninguém sabe, e sendo assim, a participação da assembleia eucarística não acontece. Daí, então, serem introduzidos outros cantos que são considerados bonitos, ou simplesmente porque o povo gosta. Fazendo isso, será que nossas comunidades cantam realmente a liturgia celebrada, obser-

determinado canto que toda assembleia chorou ou se exaltou, mas nem se lembram de qual foi a liturgia falada. Ficaram apenas na cantada, sem vínculo com a verbal. Quando a Igreja com sua equipe de liturgia fala sobre música litúrgica, ela fala desta vinculação que não vem acontecendo. Os textos da liturgia cantada devem ligar-se à liturgia falada, para não celebrar um tempo

Celebrar não é apenas cumprir um rito, mas sim, encarnar-se no mistério celebrado, isto é, fazer de nossas celebrações eucarísticas verdadeiros encontros, verdadeiros lugares de debruçar-se e deliciar-se da ceia tão sonhada por Jesus.

vando o dia, o tempo, ou seja, o mistério pascal? “Cantar é próprio de quem ama”, já dizia Santo Agostinho, e se amamos, temos que nos dedicar cada vez mais ao cantar correto, pois o amor exige sabedoria e inspiração. Infelizmente muitas de nossas celebrações eucarísticas têm levado o povo apenas a um êxtase momentâneo. As pessoas saem dessas celebrações achando que o mais bonito que aconteceu nela foi quando cantaram

e cantar outro. Ou só porque estamos em uma missa “intitulada”, as músicas podem fugir do que a Igreja celebra naquele dia. A Igreja do Brasil, há muitos anos, vem se desdobrando para apresentar ao povo um repertório condizente com o que celebramos. Hoje já temos o Hinário Litúrgico, porém aberto a novas composições que podem ser introduzidas nos livros já existentes. Foram escolhidos textos e melodias com espiritualidade, poesia e ligação

íntima ao nosso lecionário cristão. À guisa de curiosidade, nosso repertório foi considerado o melhor da Igreja na América Latina. Quem disse isso foram os bispos no encontro do CELAM, em Aparecida, pedindo-nos que lhes enviássemos nosso hinário. Disseram também que: “O Brasil tem um rico repertório e quase não o usa, e nós queremos ter e ainda não conseguimos.” Logo, é urgente a conscientizarão de nossos grupos de músicas. Juntamente com os padres, é preciso valorizar o que temos, não apenas porque temos, mas para levarmos realmente nossas assembleias eucarísticas a ce-

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lebrarem o Mistério Pascal de Cristo, que passa pela Eucaristia, vai ao nosso dia a dia e volta para a Eucaristia, na forma de uma espiral, sempre em direção ao Reino de amor. Celebrar não é apenas cumprir um rito, mas sim, encarnar-se no mistério celebrado, isto é, fazer de nossas celebrações eucarísticas verdadeiros encontros, verdadeiros lugares de debruçar-se e deliciar-se da ceia tão sonhada por Jesus. O caminho é sintonizarmos com o que viemos buscar. Há uma necessidade imensa de sabermos o que cantar, quando e o porquê cantar.

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bíblia UM DEUS APAIXONADO Por Pe. José Luiz Gonzaga do Prado, professor de Teologia Bíblica no Centro de Estudos Superiores da Arquidiocese de Ribeirão Preto. Reside em Nova Resende

EXPERIÊNCIA PESSOAL Oséias tirou Gomer da zona de prostituição. Fez da prostituta sua esposa e com ela teve filhos. Passado algum tempo, a esposa o abandonou e voltou à prostituição. Oséias, porém, continuava apaixonado, fez tudo para que ela voltasse a viver com ele, deu-lhe um tempo de provação e tornou a unir-se a ela. NA VIDA DEUS LHE FALA Na sua história de vida, no que aconteceu entre ele e Gomer, Deus se revelou a Oséias, mostrou-lhe o que pensava sobre seu povo. Assim, os acontecimentos e sentimentos vividos tornaram-se metáfora ou parábola do que acontecia entre Javé e seu povo: Javé, um marido apaixonado e o povo, uma esposa inconstante e infiel. Os nomes dos filhos de Oséias também se tornaram figura do que Deus dizia: Jezrael, nome do primeiro filho, é o nome do sítio onde o general Jeú exterminou a fa-mília real de Israel; “Não-Compadecida” e “Não-Meu-Povo”, nomes da filha e do filho seguintes, por si só já falam. Mas o amor apaixonado de Oséias por Gomer vai fazê-lo tirá-la novamente da prostituição. É Javé que se casa novamente com seu povo e para sempre, conforme a

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justiça e o direito, com amor e com carinho (Os 2,21). Jezrael, nome do primeiro filho de Oséias, significa ‘Deus semeia’, agora Deus vai semear, vai multiplicar seu povo, terá compaixão da “Não-Compadecida” e ao “Não-Meu-Povo” vai dizer ‘Tu és o meu povo’ e ele responderá: ‘Tu és o meu Deus!’ (Os 2,24-26). ALIANÇA, CASAMENTO DE JAVÉ COM O POVO A partir daí, firmou-se a figura da aliança como um casamento de Deus com o povo pobre e sem terra que fugira do Egito. Já Oséias dizia: “Pois agora eu é que vou seduzi-la, levando-a para o deserto e falando-lhe ao coração. Ela, então me responderá como na juventude, quando escapou da terra do Egito. Naquele dia, ela passará a chamar-me de ‘meu marido’ e não mais de ‘meu Baal’. Caso-me contigo com toda a fidelidade e então conhecerás Javé!”. Jeremias também lembra o tempo quando o povo vivia acampado no deserto à procura de uma terra boa de cultivo. “Assim diz Javé: Eu bem me lem-

bro de ti, da paixão da tua juventude, do amor do teu noivado, quando me seguias pelo deserto, terra onde não se planta.” (Jr 2,2). O mesmo Jeremias diz mais adiante: “Um povo de sobreviventes da espada encontra caminho no deserto. É Israel a caminho do lugar do seu repouso! Lá de longe, Javé lhe apareceu: ‘Eu te amo com amor de eternidade, por isso guardo por ti tanta ternura!’” (Jr 31,3). O Segundo Isaías, falando da esperança de fim do cativeiro da Babilônia diz: “Não fiques com vergonha, não há motivo para corar o rosto! Deverás esquecer para sempre a vergonha que passavas na juventude, nunca mais hás de lembrar as desilusões do teu tempo de viúva, pois teu marido é teu criador, Javé dos exércitos é o seu nome! Mulher abandonada e aflita, Javé te chama. Esposa da juventude, um dia abandonada, contigo fala o teu Deus. Por um breve instante, eu te abandonei, com imenso amor de novo eu te recolho. Na raiva, por um momento eu te escondi o meu rosto, com

amor eterno voltei a me apaixonar por ti” (Is 54,4-8). Já o Terceiro Isaías, celebrando a esperança do retorno para a Terra e a reconstrução de Jerusalém canta: “Não mais terás o nome de ‘Abandonada’ nem tua terra será chamada de ‘Lugar Ermo’. Ao contrário, serás chamada de ‘Meu Bem’ e tua terra será chamada de ‘Senhora’, pois Javé se apaixonou por ti, a tua terra estará casada. Como um jovem que se casa com uma jovem, assim teu criador se casará contigo. Mais que um recém casado feliz com a esposa, contigo estará feliz Javé” (Is 62,4-5). NO NOVO TESTAMENTO Não só as Bodas de Caná figuram num casamento a passagem da antiga para a Nova Aliança como mudança da água para o vinho, mas inúmeras parábolas também falam da realização plena do Reinado de Deus como uma festa de casamento. O Apocalipse arremata, convidando para a festa do casamento do cordeiro e falando da cidade nova que desce do céu para a terra como uma noiva arrumada para o casamento.

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a caminho do centenário DOM ANTÔNIO AUGUSTO DE ASSIS, 1 o BISPO DA DIOCESE DE GUAXUPÉ Por Clayton Bueno Mendonça, seminarista e estudante de Teologia na Faculdade Católica de Pouso Alegre (FACAPA) Foto: Arquivo Arquidiocese de Pouso Alegre

PRIMEIROS ANOS E VOCAÇÃO Antônio Augusto de Assis nasceu em Lagoa Dourada, então Diocese de Mariana, no Estado de Minas Gerais, em 5 de dezembro de 1863. Seus pais foram Pedro Augusto de Assis e Maria Francisca de Assis. Tinha um irmão: Carlos Augusto de Assis. Com 20 anos, foi para o seminário em Mariana, onde o recebeu Dom Antônio Maria Corrêa de Sá e Benevides, bispo diocesano. Ali ficou durante 3 anos. Entrou para o seminário maior e completou os cursos de filosofia e teologia. Das mãos de Dom Benevides recebeu a tonsura e as quatro ordens menores; as três ordens maiores recebeu-as de Dom Silvério Gomes Pimenta.

1907, como bispo titular de Sura e bispo coadjutor da Diocese de Pouso Alegre. Ordenou-se bispo no dia 17 de novembro do mesmo ano. Adotou como lema episcopal In caritate non ficta (Na caridade não fingida), à luz de 2 Cor 6, 6ss. Com a transferência de Dom Nery para sua terra natal, Campinas (SP), Dom Assis foi nomeado Vigário Capitular de Pouso Alegre, em outubro de 1907. Em 27 de janeiro de 1909, tornou-se bispo de Pouso Alegre, tomando posse a 17 de novembro do referido ano. Em agosto de 1913, Dom Assis embarcou para a Europa, regressando em novembro. Autorizado pela Sagrada Congregação Consistorial, transferiu a residência episcopal para Dores de Guaxupé, atual Guaxupé, aonde chegou em 21 de novembro de 1913. Fixou residência em um prédio, no Largo da Matriz (atualmente praça Américo Costa), cedido pelo Sr. Conde Ribeiro do Valle. Em fevereiro de 1914, deu início aos cursos do Ginásio Diocesano. E, aos 9 de agosto daquele mesmo ano, benzeu a primeira pedra do edifício onde funcionaria o Seminário Menor e o Colégio Diocesano. Naquela época, chegaram à Guaxupé as primeiras religiosas Concepcionistas e instalaram estabelecimento para educação de meninas e moças. Daí em diante, Dom Assis desenvolveu muitas atividades com o objetivo de organizar o futuro bispado.

Padre Assis, em 1907, no dia de sua ordenação episcopal

SACERDÓCIO E EPISCOPADO No dia 24 de abril de 1892, foi ordenado sacerdote por Dom Silvério Gomes Pimenta. Sua primeira paróquia foi a cidade mineira de São José del Rei (atual Tiradentes). Mais tarde, como coadjutor, por seis meses, residiu em Juiz de Fora (MG). Na Diocese de Pouso Alegre (MG), foi pároco na paróquia Nossa Senhora da Conceição, em Pouso Alto (a partir de 1907, esta paróquia passou a pertencer à Diocese de Campanha). De 1903 a 1905, foi pároco em Borda da Mata e de 1905 a 1907, de Vargem Grande (atual Brazópolis). Chamado por Dom João Batista Corrêa Nery foi para Pouso Alegre, sede do bispado, onde exerceu as funções de secretário do bispado, visitador diocesano, coordenador da obra das vocações sacerdotais, reitor do seminário (1902), arcipreste do cabido diocesano e vigário geral. Com apenas 43 anos de idade, o Papa Pio X nomeou-o bispo , em 10 de julho de

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Dom Assis, sentado à esquerda, no dia de sua ordenação episcopal

Pouso Alegre, até a posse do novo bispo desta Diocese. Segundo consta dos arquivos da Cúria Diocesana de Guaxupé, a cerimônia de posse consistiu em Missa, na nova catedral, pela manhã, com comunhão geral dos fiéis. À tarde, foi prestada uma homenagem ao Sr. Bispo, sendo saudado pelo povo. Às dezoito horas, fez-se a leitura das bulas pontifícias, entoando-se o “Te Deum”, dando-se a bênção solene com o Santíssimo Sacramento. Após a fundação do bispado, Dom Assis continuou a trabalhar ardorosamente pelo estabelecimento das instituições diocesanas. Conseguiu ajuda às paróquias para a conclusão das obras do prédio destinado à instalação do Seminário e Colégio Diocesanos. Visitou, com frequência e zelo apostólico, a Diocese; pregava, administrava o Sacramento da Confirmação e animava o movimento religioso. Organizou a Cúria Diocesana e o serviço paroquial. Realizou em Guaxupé as Conferências do Episcopado da Província Eclesiástica de Mariana.

NOVAS ATUAÇÕES E ÚLTIMOS ANOS

Dom Assis - 1913

BISPO DE GUAXUPÉ Na quinta-feira, 3 de fevereiro de 1916, criou-se a Diocese de Guaxupé e, na segunda-feira, 7 de fevereiro do mesmo ano, o Papa Bento XV nomeou Dom Assis primeiro bispo de Guaxupé. No domingo, 28 de maio, Sua Excelência tomou posse da nova Diocese, continuando como administrador apostólico de

No dia 2 de agosto de 1918, foi nomeado bispo titular de Diocletianópolis e auxiliar de Dom Silvério Gomes Pimenta, arcebispo de Mariana. Visitou pessoalmente toda aquela arquidiocese e assistiu com carinho e desvelo Dom Silvério, até seus últimos momentos. Em 24 de fevereiro de 1922, recebeu o título de arcebispo titular de Berito. Com a morte de Dom Silvério, transferiu-se Dom Assis para o Rio de Janeiro. Lá, trabalhou como auxiliar do cardeal Dom Sebastião Leme; exerceu, entre outras funções, as de capelão do convento da Ajuda, onde morava e professor do Seminário Maior de Niterói. A convite de Dom Duarte Leopoldo e Silva, arcebispo de São Paulo, realizou

na referida arquidiocese longas viagens pastorais. Com a criação da Diocese de Jaboticabal (SP), a 25 de janeiro de 1929, Dom Assis foi nomeado pelo Papa Pio XI, em 31 de julho de 1931, seu primeiro bispo. Com quase 68 anos de idade, Sua Excelência tomou posse da nova Diocese no dia 8 de novembro do mesmo ano, com o título pessoal de arcebispo. Em Jaboticabal, Dom Assis também realizou um fecundo trabalho pastoral. Os últimos anos de vida, passou-os em São João del Rei, rodeado pelos seus e em perfeita lucidez. A Diocese de Jaboticabal estava sob a imediata administração do bispo coadjutor, Dom José Varani. Como uma das grandes datas da vida de Dom Assis, destaca-se o jubileu de ouro de ordenação episcopal, transcorrido no dia 17 de novembro de 1957, em Jaboticabal. Foi um acontecimento ímpar na história eclesiástica brasileira e raro na história da Igreja. Naquela ocasião, seu nome foi inscrito na ordem nacional do mérito. Faleceu numa terça-feira, 7 de fevereiro de 1961, às 9 horas, em São João del Rei. Estava com 97 anos de idade. O sepultamento aconteceu na Catedral daquela cidade; posteriormente seus restos mortais foram transferidos para a Catedral de Nossa Senhora do Carmo, em Jaboticabal, aos pés da Excelsa Mãe que ele tanto amou. Foi um homem que acreditou na sua vocação e missão apostólica, de grande cultura, um poliglota, um estudioso que, até o final da vida, esteve sempre às voltas com os livros de sua biblioteca. Foi, sobretudo, um homem bom, um evangelizador incansável, além de carinhoso amigo de todos seus parentes e de quantos com ele tiveram a felicidade de conviver. Pelo Espírito Santo, viveu a caridade não fingida...

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comunicação COMEMORAÇÕES DE JUNHO 14 19 22 29

NATALÍCIO Pe. Sidney da Silva Carvalho Diácono Wellington Cristian Tavares Pe. Donizete Miranda Mendes Diácono Pedro Alcides Sousa

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ORDENAÇÃO Pe. Bruce Éder Nascimento Pe. Olavo Amadeu de Assis Pe. Guido Motinelli Pe. Luiz Caetano de Castro

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Setores (Alfenas, Areado e Poços): Reunião dos Coord. Paroquiais da Catequese Diocese: Reunião da Pastoral Presbiteral Setores: Reunião dos Conselhos de Pastoral dos Setores (CPSs) Diocese: Reunião com os Agentes do SAV Setor Poços: Encontro de MECEs Diocese: Encontro com os Presbíteros até 05 anos de ministério Diocese: Reunião do Setor Famílias em Guaxupé

AGENDA PASTORAL DE JUNHO 1 6 7-9 8-9 8

Reunião do Conselho Diocesano de Pastoral em Guaxupé Reunião do Clero Diocese: Encontro Vocacional no Seminário São José em Guaxupé Encontro Diocesano de Oração – RCC Diocese: Reunião do Setor Juventude em Guaxupé Reunião da Coord. Diocesana de CEBs em Guaxupé Reunião do Conselho Diocesano do ECC em Guaxupé Setores (Cássia, Paraíso, Passos e Guaxupé): Reunião dos Coord. Paroquiais da Catequese

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pais e filhos JOVENS A CAMINHO DO ENCONTRO Por Maria do Carmo Noronha, reside em Guaxupé Sabemos que não é fácil... Nesses momentos da realidade em que vivemos, quando parece dominar a violência, quando tantos conflitos mostram indícios alarmantes de guerras religiosas, quando o desrespeito é uma constante no cotidiano de muitos povos, qual será nossa resposta? O que é feito desse ecumenismo que devemos viver? Sabemos que o ecumenismo é um processo que vai se desenvolvendo com avanços e retrocessos, enfrentando barreiras religiosas e sociais. Essa é nossa missão.

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Vivemos agora a fase de preparação para o encontro dos jovens, para uma verdadeira tomada de consciência da nossa missão de possibilitar o ecumenismo. Temos que romper preconceitos, derrubar muros políticos e econômicos, condenar as discriminações baseadas em valores tradicionais e possibilitar a vivência e o respeito, as diversidades culturais. Isso vai exigir muita humildade, maturidade e práticas que fecundem o surgimento de uma nova mentalidade, de uma cultura ecumênica.

É realmente uma nova mentalidade. São novas formas de viver a fé e de não desistir dos sonhos e da esperança. É uma programação para se alcançar a unidade das Igrejas, o que é importante, insubstituível. São sinais que indicam nova espiritualidade ampla, profunda, singela e amorosa. As Campanhas da Fraternidade da Igreja, mesmo aquelas que não se declaram ecumênicas, vão alimentando a construção de uma mentalidade em que o compromisso com a vida é a chave do verdadeiro ecumenismo.

Então, é o Espírito que nos chama para sermos nós, juventude, um sinal de esperança diante de um mundo dividido e ameaçado pela sede do lucro e do poder. Senhor, em ti está a fonte da vida. Só tu, Senhor, nos colocas a serviço da pessoa humana na defesa e na participação de tudo o que criaste, Senhor. Tenhamos, então, olhos com brilho para ver os corações e grandes para celebrar a caminhada ecumênica.

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educação e vida JUVENTUDE - MEDOS E ANGÚSTIAS Por Neusa Maria Figueiredo, psicóloga em Cabo Verde, Botelhos e Guaxupé Somos nós, os adultos, que temos medo dos jovens ou os jovens que têm medo de nós, adultos? Certo é que ultimamente temos vivido momentos de tensão constante por não sabermos como lidar com os jovens e eles, por sua vez, estão cada vez mais descrentes de nós, de nossas orientações, de nossos valores e de nossas crenças. O momento pelo qual o mundo está caminhando é um tempo de ameaças no que diz respeito a futuro, empregabilidade, satisfação pessoal e realizações concretas profissionais, pessoais e das relações. Valores que determinaram os comportamentos dos dois últimos séculos, como trabalhar para conquistar, casar para ter filhos e pessoas com valores próximos aos seus, permitindo trabalharem e crescerem juntos, já não são fundamentais neste período em que poucos são os vencedores. Muitas são as influências políticas e sociais, as famílias não mais são vistas como essenciais e importantes e, consequentemente, os jovens se percebem sós, inseguros, ameaçados, na defensiva e claro, amedrontados. É bom lembrar que todo animal ameaçado se defende agressivamente e o humano não é diferente. Para enfatizar esta frase, busquei uma definição de juventude de 1983: “Juventude é uma daquelas palavras cuja definição se presta a todo tipo de manipulação, entre outras coisas, porque é uma categoria que tende a ser percebida e definida biologicamente, ignorando-se que as ‘divisões entre idades são arbitrárias’ e ‘objeto de disputa em todas as sociedades’” (Bourdieu, 1983). É desta maneira que toda a sociedade vem lidando com os jovens, esquecendo-se de fazer prevalecer autoridade, uma manei-

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ra de demonstrar que se está preocupado e interessado no outro, utilizando de autoritarismos que quase sempre são ameaçadores e amedrontadores. Freud constatou que apesar dos jovens se rebelarem contra a autoridade dos pais, sempre recorrem a eles quando em situações de conflitos ou dores. É necessidade implícita e real que o ser humano carece de apoio e segurança. Se a família é este ponto de apoio, com certeza desenvolveu na criança e no jovem condutas seguras, com correspondência familiar e social de aprovação e incentivo. O jovem é passível de vulnerabilidade por não estar ainda maduro nas suas emoções e apresentar reações mais impulsivas do que pensadas. Neste momento, toda e qualquer ação ameaçadora do adulto faz com que o jovem responda de maneira também ameaçadora. Jovens são formados à imagem e semelhança da sociedade que os educa e os forma. É a sociedade em que vivem, inclusas as instituições que frequentam, as responsáveis diretas para orientá-los na compreensão dos valores positivos ou negativos que irão determinar a capacidade do jovem de estruturar e formar uma personalidade sadia. Assim, o jovem poderá desbravar, acreditar e perceber que obstáculos existem para serem contornados, permitindo aos mesmos trabalharem tanto emoções positivas quanto negativas com a segurança de sobrevivência e capacidade de novas conquistas. É muito importante compreender que autoridade é responsável direta pela organização dos indivíduos e dos grupos, por ser a detentora das regras, valores e procedimentos da boa convivência. É bom também lembrar-se de uma fala de Winnicott,

quando ele diz que criança normal quando tem confiança nos pais provoca sobressaltos para exercer seu poder de desunião, destruição, cansaço, medo e sedução. Um jovem também pode ser interpretado desta maneira, se o que a sociedade familiar, social ou religiosa pratica estiver em acordo com o que ela prega, permitindo ao jovem desenvolver ações críticas, questionadoras e desafiantes, pois sabe que encontrará um grupo social estável, capaz de ouvi-lo e debater com ele. Maiores são os medos tanto quanto mais inseguro se sente o indivíduo; portanto é muito importante que pais, igreja, instituições formadoras sejam mais modelos do que críticos. Muitas vezes, a crítica vem acompanhada de ameaças que tornam crianças e jovens inseguros, pouco questionadores, ameaçados e quase sempre incapazes de reação frente ao menor obstáculo, levando-os a atitudes defensivas, agressivas ou até mesmo automutiladoras, quando não homicidas ou suicidas. Como cristã, acredito que a religião e a base de fé permitem ao jovem perceber que

catástrofes não acontecem sozinhas. Depois delas sempre vem o socorro, as ações benevolentes e o fortalecimento do “eu’ após as dores sofridas. Cada vez que nos fortalecemos, mais distante fica o medo. Disse Davi a Salomão: “Seja forte e corajoso! Mãos ao trabalho! Não tenha medo e nem desanime, pois Deus, o Senhor, o meu Deus está com você” (1 Cr 28, 20).

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