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Paróquia Nossa Senhora da Assunção Natal – Em 25.12.2013 – Missa das 18 horas Liturgia: Isaías 52, 7-10 - Salmo 97(98) – Hebreus 1, 1-6 - João 1,1-18 Homilia – Monsenhor Ademar Dantas Nós, queridos irmãos e irmãs, na liturgia da igreja, celebramos o mistério da nossa fé. Celebramos o mistério de Deus revelado a nós, o mistério da pessoa de Cristo, seu filho. Na liturgia nós nos encantamos por prestarmos a Deus o devido culto, a devida adoração o devido louvor. O mistério da fé, o mistério de Deus, o mistério do menino Deus feito Cristo Jesus. No contemplar o presépio que é antecipado pela contemplação do encontro do anjo Gabriel com a menina Virgem Maria, no dia 25 de março, faz nove meses hoje, no contemplar o mistério do Natal, nós nos confundimos, nós nos aniquilamos, nós nos desconsertamos pela grandeza do amor de Deus revelado a nós em Cristo Jesus. Os anjos cantaram esta noite “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”. Antes do Concílio do Vaticano o canto era “Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens de boa vontade”. Graças a Deus isso foi corrigido, porque acentuava-se que a glória de Deus era resultante da boa vontade da humanidade. O Concílio do Vaticano nos fez ver que a glória de Deus é resultante da benignidade de Deus, da vontade de Deus, do amor de Deus. Por isso, Glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens, toda humanidade amada por Deus. No presépio, se revela em total clareza o amor de Deus. E o nosso desconserto vem porque, na nossa limitação e no nosso pecado, não cabem generosidade deste tamanho, delicadeza deste tamanho, paternidade deste tamanho. Deus nos ama. Ontem, na leitura do profeta Isaías, nos foi anunciado que tudo seria mudado. Tudo seria queimado. A bota do capataz, as espadas, tudo aquilo que eram sinais de aflição e de desgosto para a comunidade, ia tudo se transformar porque nasceu para nós um menino, um filho de Deus foi dado. Esse menino será chamado, dizia o profeta ontem, “conselheiro admirável, Deus forte, príncipe da paz, pai dos tempos futuros”. Hoje, o mesmo profeta vem nos dizer, convidando-nos à exultação, à alegria, ao mesmo tempo, diante das ruínas de Jerusalém, que o Senhor consolou o seu povo, resgatou Jerusalém que era o sinal, a expressão maior do pecado, da separação, da ruptura. Todos os confins da terra hão de ver a salvação de nosso Deus. Em Hebreus, segunda leitura, nos disse com todas as letras que Este, que entrou no mundo depois dos profetas, este através de quem o pai mesmo falou porque é seu filho, Este é o esplendor da glória de Deus. Dirão mais tarde, a Glória de Deus é uma comunidade feliz, é o homem vivo em plenitude, dando vazão à graça que nele foi derramada. Ele é o esplendor dos filhos de Deus. Ele é que sustenta o universo com o poder da sua palavra. É muita Teologia no mistério do Natal. É muita coisa grande dita com tanta simplicidade como o grande Deus pregou na simplicidade do presépio. Ele que está acima de todo criado dos anjos. Ele a quem foi dado o nome que supera tudo pela humilhação, pelo aniquilamento. Ai vem o evangelista João, nesta página de 18 versículos, jamais suficientemente compreendida, jamais suficientemente explicada, jamais suficientemente passada adiante.


João disse que essa palavra que é luz, essa palavra que é vida, essa palavra que é Deus, essa palavra que fez tudo e nada que do que foi feito foi feito sem essa palavra. Essa palavra que está no mundo e não foi acolhida, essa palavra que existiu pelos profetas e não foi levada a sério. Essa palavra se fez carne e habitou entre nós. Deus se fez carne. Observemos que o evangelista João diz “essa palavra se fez homem, se fez corpo, se fez pessoa, essa palavra se fez carne”. O substantivo que João usa é grego, sarx, que traduz carne víscera, carne entranhas, carne músculo. Não carne simbólica, não carne figurada, mas carne real. Essa palavra se fez carne e habitou entre nós. E é por essa palavra feita carne que nós vemos a glória de Deus. Ontem, na encenação do presépio feita aqui, na celebração da noite de natal, do nascimento do Salvador, três irmãos nossos entraram aqui transfigurados em Reis e ofereceram presentes. Eles ajoelharam-se, segundo diz Lucas, diante do presépio para adorar o menino. Deus manifestou expressão da glória de Deus. É Deus aqui no meio de nós com toda a essência, o esplendor, a vinda, a riqueza, o poder, a glória com que Ele sempre existiu e que está a merecer o louvor de anjos, arcanjos, querubins, serafins, potestades celestes, como descreve o texto do Apocalipse: Deus está aqui. E na oração que dirigimos a Deus hoje, nós dizíamos: ó Pai, admiravelmente nos criastes, do nada, por um querer, por uma palavra, por uma expressão de amor que se multiplica bonum difusivum sui - o bem se dá por si mesmo. Admiravelmente nos criastes e mais admiravelmente ainda restabelecestes a nossa dignidade. No cartão de natal que recebemos, lemos um pensamento que diz “a vinda do filho de Deus plenifica a nossa vida”. Não existe outra causa que possa presidir a importância do ser humano maior do que aquela. Deus quis ser homem, quis ser uma pessoa humana. Deus nos deu por esse ato, por esse gesto, por essa atitude, uma dignidade impercebível, uma dignidade que ninguém jamais poderá aquilatar o valor, a grandeza e a inviolabilidade desta dignidade. A justiça, o respeito, a fraternidade se sustentam no mistério da encarnação se nós formos homens e mulheres de fé. Não é a carta de direitos humanos, não são os princípios filosóficos, nem as teorias antropológicas que nos garantem que nós valemos muito. Admiravelmente nos criastes e mais admiravelmente ainda restabelecestes a nossa dignidade, ó pai, pelo mistério da encarnação Vossa, do Vosso Filho, do Menino de Nazaré. Por isso vemos o esplendor, a essência mesmo de Deus, a glória de Deus. Nós vimos a sua glória e dele é que nós recebemos, diz João, graça sobre graça. Moisés e o Antigo Testamento nos deram as normas, as leis, os princípios, as orientações. Ele nos deu a graça. Paulo vai dizer que essa graça é infinitamente maior, superabunda, é quantitativa e qualitativamente incomensurável. E se o natal é a festa da fraternidade, a festa do encontro, é a festa dos presentes, dos votos, se o natal é a festa desta alegria, desta euforia é porque nós deveríamos reconhecer que há no outro a mesma e a igual dignidade que Deus nos confiou. O natal não pode ser apenas de ocasião, de uma esporádica explosão de fraternidade e justiça. De jeito nenhum. O natal não pode apenas provocar a nossa emoção de sair pelas ruas, pelos semáforos a abraçar e a oferecer aos mendigos algum resto da nossa casa, não. O natal tem que ser a causa maior que preside todos os nossos gestos e todos os nossos atos para amar o outro, para reconhecer nele a imagem, o esplendor, a glória, a essência de Deus manifestando na sua humanidade, tornado filho no filho.


Peçamos ao senhor, meus queridos irmãos e irmãs, que neste natal da Paróquia Nossa Senhora da Assunção nos ajude, muito, a crescer na direção do irmão. Não mão estendida em algumas oportunidades, mas corações abertos em todos os momentos. Não gestos de fraternidade, mas atitudes de fraternidade. Não comportamentos de justiça, mas conversão do coração para o outro. Assim, com certeza, o esplendor de Deus vai ofuscar a nossa fragilidade, o nosso pecado. Veio para o que era seu, mas nem todos o receberam, mas a todos que o receberam deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus. Não pelo sangue, não pela carne, não pela vontade do homem, mas pelo desejo magnânimo e generoso de Deus. A luz que brilha nas trevas. As trevas não conseguirão superar a luz a beleza, o clarão, a beleza, o esplendor de Deus no filho feito homem. Feliz Natal nesta perspectiva!

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