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Guia de Navegação para Tablets e Smartphones

EDIÇÃO 17 | ANO 4 | NOVEMBRO/2016 Direção geral: Sérgio Fernandes Editora-chefe: Francine de Almeida Editora-assistente: Débora Otte Consultor Eclesiástico: Pe. José Alem Revisão: Marcus Facciollo Projeto gráfico: Agência Minha Paróquia Diagramação: Renan Trevisan Assistente de arte: João Vitor Pereira Comercial: Adriana Franco Banco de imagens: Shutterstock

A revista digital Sou Catequista é uma publicação da agência Minha Paróquia, disponível gratuitamente para smartphones e tablets nas plataformas IOS e Android. Os conteúdos publicados são de responsabilidade de seus autores e não expressam necessariamente a visão da agência Minha Paróquia. É permitida a reprodução dos mesmos desde que citada a fonte. O conteúdo dos anúncios é de total responsabilidade dos anunciantes.

Rua Castelnuovo, 609 – Vila Castelo Branco CEP 13061-085 – Campinas, SP www.minhaparoquia.com.br


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www.minhaparoquia.com.br (11) 3455 7631 / (19) 3227 0149 contato@minhaparoquia.com.br


Editorial Amigo(a) catequista. Paz e bem! Estamos iniciando, novamente, um período de preparação para a segunda maior festa cristã: o Natal do Senhor. O tempo do Advento é marcado por uma vivência mais profunda da vida de oração, que nos faz refletir sobre os principais eventos que antecederam o nascimento de Jesus e a forma como Ele se fez presente, pela primeira vez, no mundo dos homens. Mas como revelar o mistério da chegada do Filho de Deus, com todos os seus personagens e significados, aos catequizandos? E como promover, de fato, um encontro significativo com Jesus Cristo, seu reino e sua Igreja? Nesta 17ª edição da Revista Sou Catequista, trazemos respostas para algumas dessas perguntas e sugestões interessantes para quem se vê diante do maravilhoso desafio de evangelizar. E por falar em desafio, o escritor e compositor Rogério Bellini, que assina a nossa matéria de capa, nos conta que se tornou catequista porque teve medo de não saber rezar. Interessante, não? De fato, a oração tem uma enorme importância na vida do cristão, como você vai conferir na seção “O catecismo responde”. Como já é praxe, temos uma dica de filme especial para você utilizar, de maneira eficaz, os recursos multimídia com seus catequizandos. Aliás, percebemos que a construção dos encontros, de forma estruturada e lógica, ainda é uma dificuldade para muitos. Por isso trazemos, ainda, um roteiro detalhado, com passos metodológicos, para você se preparar melhor para as reuniões com o seu grupo. Por fim, quero reforçar que você é quem nos faz seguir em frente com esse projeto. Portanto, não deixe de enviar suas críticas, sugestões e, assim, colaborar com outros colegas em permanente formação. Afinal, ser catequista requer uma constante troca de experiência, vivência e conhecimento. Que seja este um momento de verdadeira reflexão e renovação da esperança para os novos tempos que virão. Boa leitura! Desejo à você e sua família um santo e abençoado Natal. Nos encontraremos, novamente, na próxima edição, a primeira de 2017. Até lá. Francine de Almeida, Editora-chefe

soucatequista.com.br facebook.com/soucatequista


PARA LER A REVISTA, DESLIZE PARA AS PRÓXIMAS PÁGINAS OU TOQUE NOS ITENS DO ÍNDICE.

NESTA EDIÇÃO 14

NOSSOS LEITORES 10

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TEMPO LITÚRGICO

DE CATEQUISTA PARA CATEQUISTA

BÍBLIA

O MEDO DE NÃO SABER REZAR ME FEZ CATEQUISTA!

DESAFIO SOU CATEQUISTA 12

18

ITINERÁRIO CATEQUÉTICO

COMO CONSTRUIR UM ENCONTRO DE CATEQUESE

48

ESPECIAL

COMO REVELAR AS SURPRESAS DE DEUS NA CATEQUESE

PROTAGONISMO INFANTIL

34 62

7 DICAS PARA TRABALHAR GÊNESIS 1-11 NA CATEQUESE

44 66

CAMINHANDO EM FAMÍLIA NA COMPANHIA DE

"'ESCONDEESCONDE': O DIVINO SE FEZ CRIANÇA E ACEITOU BRINCAR CONOSCO"

72

LECTIO DIVINA

LEITURAS CONTEMPORÂNEAS PARA UMA CONSCIÊNCIA CRISTÃ

78

REFLEXÃO

MENSAGEM DO PAPA

TORNE-SE CRIANÇA CATECINE

OBRAS DE MISERICÓRDIA

70 80

SUGESTÕES DE APP

88

O CATECISMO RESPONDE

A TRADIÇÃO DA ORAÇÃO

86

SUGESTÕES DE LEITURA


Nossa equipe tem se dedicado bastante para trazer de presente a vocĂŞ uma revista tĂŁo caprichada.

E o que pedimos em troca? Pedimos apenas que

#compartilhe,

curta a nossa fanpage e divulgue este trabalho ao mĂĄximo de pessoas.

E obrigado pela amizade!


NOSSOS LEITORES

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Quero agradecer ao pessoal da revista Sou Catequista pelo excelente material que nos enviam gratuitamente. Espero que essa ideia tenha ainda mais frutos. E que chegue a mais catequistas. Deus os abençoe muito e muito! Adriana Cunha Muito obrigado por esse presente. Francinaldo Macário Muito bem produzida, conteúdo interessante e reflexivo. Lorena Lima

AJUDE-NOS A CHEGAR A MAIS CATEQUISTAS!

AVALIE E DEIXE O SEU COMENTÁRIO SOBRE O APLICATIVO NA APPSTORE: < CLIQUE AQUI A SUA AVALIAÇÃO NOS AJUDA A MELHORAR DE POSIÇÃO NO RANKING E TER MAIS DESTAQUE NAS LOJAS.

Gostei muito! Boas leituras para ajudar em nossas Catequeses. Roger Ribeiro

Os conteúdos das revistas são excelentes e nos auxiliar por demais na missão de catequistas. Reinaldo Almeida


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NOSSOS NÚMEROS

Excelente e perfeito! Funciona como material de classe. Está sendo um apoio para mim e meus catequizandos. Joana Carvalho da Silva

Ótima iniciativa! Cumpre totalmente com o papel de auxiliar e ensinar para termos bons encontros catequéticos e também sobre a emoção deste serviço.

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Lucas Lima

Ótimo! Estão de parabéns pelo trabalho. Material incrível. Julio Cesar Souza Kaike

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contato@soucatequista.com.br


Na última edição da Sou Catequista, a Editora Ave-Maria, em parceria com a gente, brindou a leitora Ariane Souza Dias com um exemplar exclusivo! Entendendo a importância da formação para catequistas e catequizandos, a Ave-Maria nos enviou mais um livro para sorteio. Para recebê-lo em sua casa, você precisará responder à questão-chave do desafio:

TEMPO DO ADVENTO A palavra advento tem origem latina e significa “chegada”, “aproximação”, “vinda”. No Ano Litúrgico, o Advento é um tempo de preparação para a segunda maior festa cristã: o Natal do Senhor. Neste tempo, celebramos duas verdades de nossa fé: a primeira vinda (o nascimento de Jesus em Belém) e a segunda vinda de Jesus (Parusia). Assim, a Igreja celebra a vinda do Filho de Deus entre os homens e vive alegre expectativa da segunda vinda. ENTÃO RESPONDA: Como você está se preparando para celebrar o Natal de Cristo? A resposta deve ser enviada em forma de comentário para o endereço (www.soucatequista.com.br), lembrando que os textos publicados em nossa página oficial no Facebook serão considerados inválidos. Reforçamos: use seu conhecimento e criatividade à vontade, mas não se esqueça de ser objetivo. Nossa equipe analisará cada resposta e escolherá um (a) vencedor (a). Boa sorte!


Saiba mais sobre o Livro


DE CATEQUISTA PARA CATEQUISTA

O medo de não saber rezar me fez catequista! por Rogério Bellini

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E

u me recordo que quando eu tinha 8 anos de idade e ainda nem estava na catequese, fui a convite dos meus amigos mais velhos participar de um dos encontros de catequese. Ao final desse encontro, a catequista pediu para que eles individualmente rezassem o Pai Nosso e a medida que cada criança acertava, ela ganhava um santinho com a imagem de Jesus. Meu desejo era também ganhar aquele santinho. Mas eu não sabia rezar... Em outra ocasião, eu fui com meus amigos em uma celebração de Coroação de Nossa Senhora. Ao chegarmos na igreja, cada criança recebia uma vela ornamentada como se fosse uma flor confeccionada de papel crepom ao redor. Os primeiros bancos da igreja estavam tomados de crianças e a celebração consistia de cada uma delas subir até o altar, ascender a sua vela e rezar uma Ave Maria, sozinha ao microfone. Eu ganhei minha vela porém eu também não sabia rezar a oração da Ave Maria. Meus amigos começaram a me ensinar na hora, então eles diziam e eu repetia, depois eles pediam para eu dizer sozinho e eu não conseguia memorizar. Como todas as crianças, eles começaram a me botar medo,


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dizendo que eu ia errar, passar vergonha no altar, enfim... a minha vez se aproximava e eu cada vez mais tenso, com medo, foi então que eu decidi ir embora, eu literalmente fugi da igreja e fiquei escondido atrás de um carro do outro lado da rua, esperando que minha vez passasse para que eu pudesse retornar. Quando todas as crianças haviam finalizado suas orações, elas se posicionavam atrás do altar onde estava uma imagem linda de Nossa Senhora. Ali cada catequizando era convidado a pegar algumas pétalas de rosas para o momento da coroação. E foi nesse momento que eu entrei novamente na igreja, e presenciei uma criança colocando a coroa em Nossa Senhora e a alegria de todos em saudá-las com pétalas de rosas. Foi a cena mais linda que eu guardo nas minhas memórias de infância.


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Ao finalizar, uma das catequistas chamada Dona Lúcia Gemente me abordou e me perguntou: Menino, onde você estava? Por que você foi embora? E eu respondi, eu sai porque tive medo! Foi ai que ela me disse: Medo do que? De rezar? Eu disse que não sabia rezar e ela sorriu dizendo que isso não seria motivo para ter medo. Foi nesse dia, que eu prometi a mim mesmo, que eu aprenderia a rezar e me tornaria catequista para ensinar todas as crianças a rezarem, para ensiná-las a não terem medo de falar com Deus. E foi a partir desse dia que eu aceitei o chamado para minha vocação. Anos depois eu me tornei catequista e comecei a participar da Pastoral da Catequese junto com a Dona Lúcia, eu tive a oportunidade de ser coordenador dela e sempre que nos encontramos rimos muito dessa história. Na minha paróquia eu acabei me tornando uma referência para o meu grupo de catequese, em seguida para as outras paróquias que compreendiam o meu setor. Minha prática catequética tomou uma proporção maior e acabei sendo convidado para integrar a equipe arquidiocesana de catequese. Me tornei escritor e compositor e comecei a evangelizar em outras dioceses. Viajei quase todo o Brasil através da minhas obras, meus livros foram destaques em feiras internacionais e eu merecedor de títulos e reconhecimentos por esse trabalho. E pensar que tudo isso começou pelo medo de não saber rezar... abraço, Rogério Bellini

Saiba mais sobre o livro


TEMPO LITÚRGICO

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por Pe. José Alem, cmf


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NATAL, UM MISTÉRIO A SER DESCOBERTO

O

acontecimento que comemoramos com o nome de natal é grande e ao mesmo tempo simples. Deus expressa no natal a sua grandeza e a sua simplicidade. Esse nascimento num ambiente de pobreza tem uma expressão ainda a ser descoberta por nós e que não poderá não encantar, comover e desafiar nossa fé tão pequena que ainda não nos permite ver a grandeza desse mistério.

Durante a permanência de José e Maria em Belém “completaram-se os dias dela. E Ela deu à luz seu filho primogênito e, envolvendo-o em faixa, deitou-o numa manjedoura, porque não havia lugar para eles na hospedaria” (Lc 2, 6-7). Podemos entender os esforços de José à procura de um lugar na hospedaria ou em alguma família acolhedora, como era comum no povo de Israel, mas, na impossibilidade de encontrar, devido a afluência de estrangeiros em Belém, encontrou refúgio numa gruta da vizinhança. Maria vai meditando naquelas circunstâncias e reconhece os desígnios da Providência de Deus que permitia e favorecia que o nascimento de Seu Filho Jesus fosse o mais indigente, num abrigo de animais.


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Isso mostra que não importa o lugar e suas condições, mas nos ensina que o verdadeiro acolhimento que se faz a esse Menino não depende dos bens materiais nem do conforto, mas somente do coração que crê e ama. Maria, com o seu coração imaculado supria com seu amor materno tudo o que faltava. O menino, para nascer no mundo e nos corações só precisa de amor. Deus é assim: ele aprecia mais a misericórdia – a miséria acolhida no coração – do que os sacrifícios. Deus aprecia mais o coração aberto para acolher e amar do que as coisas que possam apenas dar conforto material. Quanta coisa podemos aprender disso ao contemplar essa realidade vivida e proclamada no nascimento de Jesus. Olhando essa realidade da gruta onde nasce o Salvador da humanidade, o Filho de Deus que assume a condição humana, podemos entender uma verdade fundamental para toda a vida: o Salvador vem a esse mundo para conquistar os corações das pessoas. Esse é o dom que Ele pede, dom que nenhum outro bem pode substituir.

MARIA, O CAMINHO PARA JESUS Maria, em Belém, oferece ao Seu Filho salvador que acabara de nascer, em nome de toda a humanidade um acolhimento ardente de fé e de amor. Inexplicável beleza. No momento que o anjo Gabriel saúda Maria e lhe propõe, em nome de Deus, que Ele deseja dela uma resposta que possibilite que Seu Amor se torne Seu Filho, Maria aceita, responde sim representando que a humanidade é capaz de mudar a história e dizer também sim a Deus e fazer novas todas as coisas. No entanto, Maria responde de um modo único e original que só ela seria capaz de fazer. Assim, diante da criança que acaba de nascer Maria também representa cada um de nós: em nome de toda a humanidade e com a plenitude e perfeição que ultrapassa a tudo e a todos, Maria entrega seu Coração a Seu Filho, o Cristo – o escolhido, o eleito, santo, o príncipe da paz, o Senhor. Essa entrega de Maria é algo muito maior do que a afeição de uma mãe por seu filho. Junto ao seu amor de mãe, próprio de uma mulher que anseia por dar à luz e amar seu filho, está sua expressão simples, profunda e plena de fé. Sim, só a fé remove montanhas... como Maria pode experimentar ao superar a gravidez humana e aceitando gerar por obra do Espírito Santo. Inexplicável grandeza do mistério da fé.


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Maria olha para aquele menino, seu filho, não somente como mãe, mas como uma pessoa que crê. A criança que Maria vê diante de si na estrebaria, não tem aparência alguma que faça supor sua identidade e a sua missão no futuro, mas já presente desde a sua fecundação. Ninguém poderia pensar que ali estava o Messias, o Filho do Altíssimo, o Salvador que iria “ocupar o trono de Davi”. Maria, porém, crê, com todo o coração, nas palavras do anjo e contemplando essa criança tão frágil e desprovida de tudo, ela reafirma a sua fé. Assim, Maria nos ensina o que é viver o Natal e o que é fundamental para que o Natal se realize de fato, em cada celebração. Nesse pequenino, nascido na obscuridade de um abrigo noturno, Maria reconhece a luz que veio para iluminar o mundo inteiro. Sua alma está iluminada por uma luz interior: a fé. Assim, a noite já não é escura. Há uma claridade que tudo transforma. Diante da criança recém-nascida desaparecem as sombras e tudo é luz. Assim é para quem crê. A noite é tão clara como o dia. Essa luz, que é Jesus, está, de agora em diante presente no mundo e não vai demorar a se difundir pela humanidade. E o Natal é festa da luz... que é Jesus. A luz do Cristo se difunde cada vez mais no universo e continua a pedir-nos, como a Maria, um acolhimento de fé. Possamos nós, como Maria, crer com ardor nessa Luz que brilha na noite e dissipa nossas trevas.

A HUMANIDADE AO ENCONTRO DO NATAL Desde o nascimento de Jesus, a humanidade vai se abrindo à descoberta da fé.

“Havia nos arredores uns pastores, que vigiavam e guardavam seu rebanho nos campos durante as vigílias da noite. Um anjo do Senhor apareceu-lhes e a glória do Senhor refulgiu ao redor deles, e tiveram grande temor. O anjo disse-lhes: Não temais, eis que vos anuncio uma boa nova que será alegria para todo o povo: hoje vos nasceu na Cidade de Davi um Salvador, que é o Cristo Senhor. Isto vos servirá de sinal: achareis um recémnascido envolto em faixas e posto numa manjedoura. E subitamente ao anjo se juntou uma multidão do exército celeste, que louvava a Deus e dizia: Glória a Deus no mais alto dos céus e na terra paz aos homens, objetos da benevolência (divina). Depois que os anjos os


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deixaram e voltaram para o céu, falaram os pastores uns com os outros: Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou. Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura. Vendo-o, contaram o que se lhes havia dito a respeito deste menino. Todos os que os ouviam admiravam-se das coisas que lhes contavam os pastores”. (Lc 2, 8-12). Os pastores – pobres, excluídos e tidos como indignos de serem confiáveis– foram os que testemunharam por primeiro, em toda a humanidade, o mistério revelado. O anjo diz a todos nós, através deles “não temais”. E os orienta no caminho a seguir. Esse é o caminho seguro que os pastores fizeram “com grande pressa” e nos indica o que fazer para chegar onde chegaram: acharam Maria, José e o Menino. É para isso que deve caminhar a humanidade. Eles mostram que a humanidade pode acolher, se encantar, aceitar o convite e decidir ir às pressas, sem questionar, complicar, problematizar tão grande notícia que vem iluminar a escuridão. Eles foram e encontraram. E nós também podemos seguir o mesmo caminho e encontrar esse tesouro: Deus personificado em meio a nós. A escolha dos pastores revela o que Deus já tinha realizado em Maria: “Ele exalta os humildes”. É aos humildes que Deus se manifesta e a quem Jesus se revela. Os considerados grandes deste mundo, satisfeitos com sua suposta grandeza e dignidade iriam duvidar e desprezar do anjo até a sua existência. Tudo poderia virar mito ou superstição. Um recém-nascido, deitado numa manjedoura, o Messias? Seria ridículo, desprezível, insuportável ter que acreditar que um miserável, num lugar impróprio, com aparência frágil e sem nenhum distintivo fosse o esperado Messias. Os pastores, gente simples, foram capazes de receber a mensagem... sem questionar, mesmo que ficassem surpresos e até... confusos. Mas foram... às pressas. Eles tinham um coração simples, capaz de ir encontrar e adorar esse menino... como fizera Maria... Às pressas ela foi ao encontro de Isabel e lá o mistério se revelou. Também nós, para vivermos o mistério do Natal precisamos ter um coração “manso e humilde” uma alma transparente que acolha essa luz e dissipe toda escuridão. Assim podemos ver além dos olhos, apesar das aparências o mistério revelado. A exemplo dos pastores abramo-nos imediatamente para o mistério anunciado e contemplemos o Salvador com o mesmo olhar e ardor de fé. Maria segurou em seus braços o filho que viera de sua fé e de seu ventre materno. Ela sustentou em si o Senhor do mundo. Sua alma engrandece o Senhor e seu espírito exulta de alegria em Deus, Seu e nosso Salvador. E reconhece como o Senhor fez maravilhas nela e fará em todos os que acolherem o fruto do seu ventre. É impressionante ver aquela criança totalmente entregue à sua Mãe. Deus nos braços de uma Mulher. Incompreensível mistério da fé. E Maria, mais do que possui-lo deseja somente entregar-se a Ele sempre mais, na escuridão do mistério e na sua irradiante luz.


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É assim o Natal – encontro e entrega. Presente de amor ao Amor que se faz presente. A luz daquela noite de Belém iria continuar a iluminar, desde então, toda a vida da humanidade. Felizes os que creem... e acolhem... verão coisas maiores... A atitude de Maria manifesta definitivamente qual é a atitude da vida de todos nós. Quando os pastores foram à procura do menino não o encontraram só. Com ele estava Maria e José. Essa é a gruta certa, esse é o roteiro certo que garante que não nos enganemos, que não entremos em grutas erradas – em caminhos estranhos na vida. Esse é o destino certo: Maria, José e o Menino. Trindade de amor. Aspiração do coração de todo ser humano, desejo oculto que sempre projeta desejos em nosso ser. Desejo de encontrar o que ai está, presente, revelado, mas que é preciso ser humilde, acolher, ir ao encontro. Tudo isso nunca decepcionará nunca. Nossa procura irá nos conduzir àquilo que buscamos e ao encontrar e nosso coração vai arder. O que fazer para viver esse mistério a cada dia? Como celebrar esse nascimento de Deus entre nós e nos alegrarmos com essa boa nova anunciada pelo anjos aos pastores e a todos nós? Esse menino cresceu, viveu uma inédita e revolucionária vida de um amor que provocou todo tipo de reação e que ainda hoje continua questionando a todas as pessoas, mesmo aquelas que se consideram distantes dele. E a história se repete. E Ele... se coloca em nosso caminho, nos indaga sobre o que “estamos falando” e nos ajuda a reler a história, sobretudo aquela mais oculta no coração de cada um de nós. E podemos nos surpreender como Ele é real. E como o Natal foi o início de uma história que continua para sempre e ainda temos muitos que descobrir, aprender, e viver... Para isso basta deixar Ele entrar nas nossas vidas, como Maria, e tudo o mais... “nos será dado em acréscimo”. Foi assim e é assim que o mistério do Natal continua. Um feliz encontro com Jesus, Maria e José nesse Natal e sempre na alegria e na certeza de que Ele vive e está no meio de nós.

Pe. José Alem Sacerdote membro da Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria. Educador e comunicador, Professor de Filosofia, Espiritualidade, Comunicação, Psicologia da Religião. Especialista em Logoterapia. Filósofo clínico. Assessor de cursos e formação através de palestras, retiros, encontros, oficinas. Escritor e assessor de projetos de comunicação e educação.


BÍBLIA

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7 DICAS PARA TRABALHAR

Gênesis 1-11 NA CATEQUESE Por João Melo


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A

maioria de nós se recorda do tempo em que escutamos, logo no início de nossa catequese, as histórias de como Deus criou o mundo em sete dias, de Adão e Eva e a serpente sedutora, e das histórias do dilúvio e da torre de Babel. Muitos ficaram com aquelas noções primeiras e nunca mais tiveram oportunidade de aprofundar os temas ou mesmo de revisitar os textos bíblicos com um olhar mais atento. Outros, em maiores apuros, viram-se em conflitos entre a sua fé ingênua e o que a ciência ensina... conflitos que não têm sentido algum, como vimos na última edição da Revista Digital Sou Catequista. As narrativas de Gn 1-11 são envolventes e ao mesmo tempo desafiantes. Foi pensando em você catequista que na 16ª edição da Revista Digital Sou Catequista nós falamos sobre “Criação, Big Bang, dilúvio, dinossauros e outras questões de Gn 1-11”. Se você ainda não leu aquele texto, aproveite para fazê-lo agora. Nesta edição, queremos apresentar sete dicas sobre como trabalhar criativamente temas do Gn 1-11 na catequese das diversas idades.


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1) Fazer a leitura de Gn 1-11 a luz da pessoa de Jesus Cristo A catequese em nossas comunidades paroquiais, com pouquíssimas exceções, inicia-se com os temas dos capítulos 1 a 11 do livro do Gênesis. Essa prática pode ser preocupante quando, num esquema de catequese tradicional, se definem os conteúdos da catequese simplesmente de acordo com a ordem dos eventos da História da Salvação: Corre-se o risco de incluir Jesus como mais um conteúdo lá no meio da “linha do tempo” que traçamos como itinerário catequético. Daí que, passando pelas narrativas das origens, dos patriarcas, juízes, reis, profetas... esquecemos o centro da catequese: Jesus Cristo. A catequese é toda ela cristocêntrica! Não estou dizendo que devemos omitir as narrativas bíblicas que não falam de Jesus, mas que precisamos permeá-las de uma dimensão crística, isto é, encontrar o elo que as liga profundamente ao mistério da vida de Jesus Cristo. A tabela a seguir ajuda a identificar a conexão entre os relatos de Gn 1-11 e alguns textos do Novo Testamento:

ANTIGO TESTAMENTO NOVO TESTAMENTO A Criação - Gn 1,1-2,4ª Tudo foi criado por Cristo, em Cristo, para Cristo Rm 1,3-4; 1 Cor 8,5-6; Cl 1,15-20; Jo 1,1-14. Paraíso e Pecado (Adão e Eva) – Jesus, o Novo Adão: Gn 2,4b-3,24 1 Cor 15, 45-49 Caim e Abel – Gn 4,1-16 O sangue derramado pelos inocentes Mt 23, 29-36; O amor ao irmão 1Jo 2,7-11; 1Jo 3,11-20. O Dilúvio (Noé) – Gn 6,5-9,17 Dilúvio e Batismo 1Pd 3, 20-21 A torre de Babel – Gn 11,1-9 Pentecostes: A divisão e dispersão de Babel inverte a direção - At 2, 1-11


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2) Aprender técnicas de contação de história Ela influi e desperta a sensibilidade e o amor à leitura nas crianças e ajuda na compreensão do texto. É uma técnica dinâmica, envolvente e funciona muito bem com os textos de Gn 1-11. Além de cursos, a internet está repleta de boas indicações de como contar uma boa história e prender a atenção dos pequenos e dos grandes:

Como contar histórias infantis Dicas para contação de histórias


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3) Conhecer o significado dos símbolos presentes nas narrativas do livro das origens - Gn nos ajuda a encontrar a mensagem de Deus Seria pouco proveitoso tratar desses temas de maneira “fria”, como em uma aula, no estilo de perguntas e respostas, ainda mais se estes forem crianças ou jovens. A catequese sobre as histórias dos primeiros capítulos da Bíblia não é apenas para levar ao conhecimento das verdades da fé, muito menos para discussões que pouco ou nada têm a ver com a vida de nossos iniciandos. É preciso que esses encontros de catequese, mais do que esclarecer dúvidas de fé, levem à conversão, à uma espiritualidade sadia e às atitudes evangélicas, isto é, que essas narrativas bíblicas sejam inspiração para o nosso caminhar hoje.

VEJA ALGUNS SÍMBOLOS DOS RELATOS DE GÊNESIS: Jardim/paraíso: Jardim em hebraico é gan, e significa proteger. Nos relatos de Gn jardim e paraíso equivalem. O jardim é chamado de Éden, palavra que significa delícias, prazer. Portanto, é lugar de felicidade plena. Havia um jardim perto de onde Jesus fora sepultado (cf. Jo 19,41). O paraíso é símbolo da esperança de uma vida em plena comunhão com Deus. Árvores da vida: Símbolo da vida imortal. É uma imagem retomada depois no livro do Apocalipse 22,2 para relembrar ao ser humano que seu desejo de imortalidade só é possível em Deus. Nudez: Simboliza o medo de Adão e Eva, uma vez que comeram do fruto e se sentem como “deuses”, conhecedores do bem e do mal, de estarem na frente de um Deus mais poderoso. Costela: A mulher foi “tirada” da costela do homem porque se trata de uma parte do corpo que fica ao lado, ou seja, simboliza que a mulher foi feita para ser companheira do homem e não sua escrava. Noé: O nome Noé em hebraico Noah significa aquele que prolongou sua existência, para indicar que ele sobreviveu ao dilúvio. Noah vem da palavra nhm que significa consolar. Noé é visto como o consolador do povo. Arco-íris e montanha: Sinais da presença de Deus. A montanha no Antogo Testamento sempre representou a proximidade com Deus. O próprio texto explica a simbologia do arcoíris: “Porei meu arco na nuvem e ele se tornará um sinal da aliança entre mim e a terra” (Gn 9,13). Há muitos outros símbolos em Gn 1-11... o significado dos nomes dos personagens, dos outros elementos importantes nas narrativas (serpente, arca, torre, etc)...


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4) Cantar e ouvir músicas É bem verdade que as músicas, os vídeos e mesmo as bíblias infantis não substituem a leitura do texto da Bíblia. Todavia, os recursos audiovisuais e outros materiais didáticos podem ajudar a internalizar a memória das narrativas de Gn 1-11 e aprofundar os valores e a mensagem dos textos. Além disso, os cantos ajudam a celebrar comunitariamente a fé. AÍ VÃO ALGUMAS SUGESTÕES DE MÚSICAS - IRÃO TOCAR NO PLAYER DA REVISTA :) DEUS CRIOU O PASSARINHO IRMÃO SOL, IRMÃ LUA - PE. ZEZINHO O QUE TEM NA ARCA DE NOÉ? - PAULINHO SÁ CÂNTICO DAS CRIATURAS – PE. FÁBIO DE MELO ALELUIA – ROBERTO CARLOS


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5) Relacionar Gn 1-11 com as idades dos iniciandos Na hora de propor alguma atividade lúdica ou mesmo alguma dinâmica, é bom ter em conta as idades dos iniciandos.

AS CRIANÇAS PEQUENAS,

por exemplo, desenvolvem com facilidade a sensibilidade e a admiração pela beleza do mundo físico, pelas plantas, pelos animais e pelo ser humano. Despertar o sentido do sagrado da obra da criação e o respeito pela Criação.

Com os ADOLESCENTES,

AS CRIANÇAS ATÉ OS SETE ANOS

costumam interessar-se por livros e pela leitura, daí que as narrativas bíblicas são importantes nessa fase.

pode-se tratar do tema da criação do homem e da mulher também na dimensão da sexualidade, entendendo-a na dimensão de bênção que convida à relação sadia com os outros, ao amor recíproco e à fecundidade entre um casal.

Na PRÉ-ADOLESCÊNCIA,

parece ser um tempo oportuno para tratar dos temas de Gn 1-11 como a responsabilidade em relação à criação, a ideia de transgressão (pecado) e o cuidado com o outro enquanto também meu irmão.

Os JOVENS,

uma vez que estão em uma fase de grande tomada de decisões na vida, são chamados a refletir os temas existenciais – sentido da vida - de modo que se sintam motivados a assumir a tarefa da vida como projeto de Deus e a vocação humana e cristã.

Já os mais ADULTOS

têm plenas condições de revisitarem a trajetória de suas vidas suscitando um sentimento de gratidão, mas também a consciência de culpa que se redime em comtemplar a vocação humana como uma bênção.


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6) Estudar a encíclica Laudato Si do papa Francisco Os primeiros relatos do livro do Gênesis nos recordam a missão de cuidar da criação. No capítulo “Educação e espiritualidade ecológicas” do documento Laudato Si, o papa nos convida à uma conversão ecológica e oferece uma série de pistas para a construção de um estilo de vida mais humano e respeitoso com a criação. É um texto que pode ser muito bem aproveitado pelos catequistas! Link da Carta encíclica 'Laudato Si’ do papa Francisco sobre o cuidado da casa comum

Laudato Si – CNBB


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7) Preparar os encontros com antecedência, usar de criatividade e bom senso Antes de mais nada, faça uma leitura atenta de todo o texto da Escritura que vai ser usado no encontro de catequese, escolha as atividades que sejam mais adequadas para o perfil do seu grupo de iniciandos e prepare todo o material que for usar com antecedência. É preciso tomar cuidado, por exemplo, para na narrativa de Adão e Eva não fazer uma depreciação da mulher. O destino do ser humano, homem e mulher é ser imagem de Deus em Cristo (2 Cor 3,18). Nos trechos de Gn 1-11 vemos que Deus intervém na história humana como verdadeiro protagonista. Nos relatos da criação a Bíblia não se preocupa em explicar como surgiu o mundo, mas afirma que só existe um Deus que é o Criador de todas as coisas, que o mundo tem um começo e por consequência um final. O texto bíblico também ensina que a natureza é obra criada, isto é, não se confunde com Deus e que tudo o que Ele cria é bom, portanto, a origem do mal não está em Deus. Mostra ainda que todas as coisas criadas estão inter-relacionadas e que o homem e a mulher são criados para cuidar e administrar a obra da criação. Na narrativa de Caim e Abel, a Bíblia quer mostrar a violência que está no coração do homem e que deve ser superada, por isso o relato é um convite a conversão e pode ser acompanhada na catequese por um rito penitencial.


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Para discutir com o grupo de catequistas: a) O que aprendemos de cada um dos relatos de Gn 1-11? Que sentido esses relatos têm para a nossa vida hoje? b) Como podemos preparar criativamente os encontros de catequese sobre Gn 1-11? c) Quais atividades lúdicas ou dinâmicas vamos propor nesses encontros? d) Quais os materiais ou recursos que vamos usar?

INDICAÇÕES DE LEITURA E APROFUNDAMENTO: KRAUSS, Heinrich; KUCHLER, Max. As Origens: Um estudo de Gênesis 1-11. São Paulo: Paulinas, 2007. SAB – Serviço de Animaç��o Bíblica. E Deus viu que tudo era bom: Pedagogia bíblica da primeira infância. São Paulo: Paulinas, 2015.

JOÃO MELO Graduado em Filosofia e especialista em Catequese. É acadêmico dos cursos de Teologia (PUC-SP) e Jornalismo (FAPCOM). Leciona Filosofia, Sociologia e História. Atua na formação de agentes de pastorais ligados a iniciação à vida cristã na Arquidiocese de São Paulo.


ITINERÁRIO CATEQUÉTICO

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COMO CONSTRUIR

UM ENCONTRO DE CATEQUESE Por Ângela Rocha


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U

ma das ações mais importantes dentro do Planejamento/Itinerário é a construção dos ENCONTROS a serem realizados, com uma estrutura metodológica que proporcione o aprendizado da fé de acordo com a idade e capacidade cognitiva dos interlocutores. A catequese é um processo, com etapas e programação sistemática, progressiva e os encontros não fogem desta programação. Vamos entender então um pouco do que é necessário para o bom desenvolvimento de um encontro de catequese, ou seja, quais são os Passos Metodológicos. Vamos lembrar, no entanto, que o catequista precisa estar preparado para eventuais imprevistos como, por exemplo, uma mudança de assunto ou foco. É preciso então “jogo de cintura” para corrigir o rumo ou então saber aproveitar a oportunidade ou contexto para enriquecer o encontro.

PASSOS METODOLÓGICOS

1) ACOLHIDA O grupo precisa se sentir esperado, acolhido, apresentado de um para o outro. Sempre podemos realizar um sinal, um gesto ou uma atitude de acolhida. Quando iniciamos um trabalho catequético com um grupo é bom gastar mais tempo para entrosar o grupo, o que pode ser realizado com o uso de dinâmicas. Isso ajuda a criar vínculos com o grupo. A acolhida pode ser um simples gesto, uma música, um momento orante, uma brincadeira, etc.


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2) MOTIVAÇÃO Motivar não é apenas usar dinâmicas ou recursos. Motivar na catequese é dar motivo, razão para estar no encontro e ser parte do grupo de catequese, através de um processo que movimenta e entusiasma, encaminhando cada catequizando para a prontidão no acolhimento da mensagem bíblica. A motivação deverá ser realizada em vista do objetivo traçado para o encontro. Todos nós sabemos o que queremos ensinar no nosso encontro, logo, precisamos analisar se a dinâmicas ou recursos atendem ao nosso objetivo ou se serão mais uma brincadeira, entre tantas outras que o nosso catequizandos aprende. Para sabermos se a dinâmica ou recurso cumpriu o seu papel, devemos ouvir os comentários dos catequizandos. Se fizerem referência mais para a técnica do que para o que descobriram com ela, aplicamos apenas uma dinâmica, um recurso. Mas, se os comentários estiverem ligados à técnica e à descoberta de algo novo, interagindo com o conteúdo, aí motivamos e despertamos para a compreensão e aplicação na vida. Serviu, portanto como canal de comunicação, por onde a mensagem irá passar, pois a primeira porta se abriu. Sabemos que o recurso/dinâmica cumpriu seu papel quando este provoca reflexões sobre o tema apresentado.


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3) PALAVRA (LEITURA BÍBLICA) A narração do texto bíblico mantém a atenção sobre o fato, pois é sempre agradável ouvir alguém contar uma história. Daí a importância do catequista preparar-se antecipadamente e poder substituir a leitura pela narração ou proclamação da Palavra. É sempre bom explorar o texto bíblico proporcionando aos catequizandos o estudo do fato mais de perto, fazendo perguntas, realizando dinâmicas para que a mensagem e a atitude de Jesus e de outras pessoas, favoreça a compreensão de que a Bíblia contextualiza a história do povo de Deus. È importante também que o catequista associe o texto bíblico as situações que presenciamos hoje, para que haja por parte do catequizandos a compreensão de que o processo, a caminhada continua. Essa caminhada é decorrente da maturidade e situação histórica do povo. É sempre necessário estabelecer um elo com a realidade dos catequizandos, através de uma adaptação da Palavra de Deus de acordo com aquilo que envolve a comunidade. ANTES DE APRESENTAR O TEXTO BÍBLICO, PODEMOS DESTACAR A PALAVRA DE DEUS DE DIFERENTES MANEIRAS: Passar a bíblia de mão em mão; Deixar a Bíblia em um lugar de destaque, para que cada catequizando coloque a mão e faça um pedido; Colocar pedras sobre a Bíblia, para propiciar um momento de pedido de perdão, para para que os catequizandos possam se expressar enquanto retiram as pedras; Amarrar a Bíblia com cordas para que aos poucos possam ir desamarrando; Preparar uma entrada oficial e solene da Bíblia; Cantar antes da proclamação.


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4) ORAÇÃO É o ponto alto do nosso encontro, é o momento da inter-relação: Deuscatequizandos-catequista. É o momento do silêncio, da explicitação, de nosso louvor, agradecimento e o pedido de ajuda a Deus, para conseguirmos fidelidade, coragem e esperança na caminhada. É neste momento que devemos estar preparados e preparar o grupo para a escuta e o diálogo com Deus, assim teremos percorrido os caminhos de um verdadeiro encontro. Se isso não acontecer poderemos ter ficado nas aulas de catequese, não em verdadeiros encontros de catequese. Percebemos que partimos para o encontro catequético analisando algo da própria vida dos catequizandos: motivados por uma situação, um símbolo, um fato, apresentamos a Palavra de Deus (texto bíblico) que nos mostrará uma proposta em relação a nossa realidade e nos dará luzes para a caminhada, abrindo caminho para o momento da oração. A oração jamais deve ser feita de maneira mecânica, o catequizando precisa ser preparado para este momento. Podemos aproveitar as fórmulas (Pai-Nosso, Ave-Maria...), os textos da Bíblia, como as orações espontâneas. O importante é educar para a oração, a fim de que não sejam apenas rezas mecânicas. Devemos educar o catequizando para se colocar diante de Deus de modo espontâneo.

5) ATIVIDADES As atividades na catequese são um processo de ensino-aprendizagem, por meio dos quais é possível perceber o que foi assimilado pelo catequizando, sobre a mensagem apresentada. Portanto, devem estar a serviço da fé. É importante não ficar preso apenas ao que é escrito ou expresso pelo catequizando. É necessário dar um passo a mais, transformando a atividade em uma ação transformadora, gerando o envolvimento na comunidade. É insuficiente realizar encontros com perspectivas de comunidade e o catequizando não experenciar a prática participativa. São muitos os momentos em que podemos propiciar envolvimento dos catequizandos, com ações transformadoras na comunidade: organização de campanhas sociais; missões; encontros de casais; encontros das diversas pastorais; organização da festa do padroeiro (a), etc.


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6) COMPROMISSO É o momento do agir. É algo que procuramos fazer a partir da nossa realidade individual, daquilo que aprendemos, que descobrimos e queremos melhorar ou mudar. O catequista atua neste momento do encontro como aquele que fornece pistas para despertar as atitudes de vida fraterna na comunidade, no grupo de amigos e vida familiar, usando como referencial o tema trabalhado no encontro. Uma proposta de agir deve partir sempre das condições reais do catequizando, daquilo que é possível realizar. É um meio pelo qual o catequizandos toma consciência de que alguma coisa deve ser feita sobre o assunto trabalhado, sentindo-se comprometido com a mensagem e com a mudança, a partir das suas necessidades e de forma espontânea. A proposta do agir na catequese deverá ser um convite para partilhar e servir, saindo de si em busca do encontro com o outro e com Deus. O COMPROMISSO pode partir dos próprios catequizandos, sem ser uma imposição ou sugestão do catequista.

7) AVALIAÇÃO É o processo de reflexão em torno da tarefa catequética com função construtiva. O que se avalia: Os elementos do processo catequético Ação do catequista O desenvolvimento O catequista deve perceber após o encontro se os objetivos traçados foram atingidos. É o momento de rever procedimentos e corrigir os rumos para o próximo encontro. Listar ponto positivos e negativos observados é um bom ponto de partida para a correção de encontros futuros.


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CONSIDERAÇÕES IMPORTANTES É importante destacar que o planejamento não garante a totalidade da ação, pois muito dependerá da ação do espírito Santo, que age no catequistas, mas o planejamento é uma ferramenta para que a caminhada do grupo possa ser bem trabalhada. Cabe salientar, também, que os momentos deste método não são estanques e nem sequências de operações, mas é um processo. Neste sentido nosso conceito de método deve ser ampliado deixando de lado concepções de que o método é só uma questão didática de cada encontro catequético, com passos que precisam ser seguidos a risca. Muito pelo contrário, são passos que podem ser alterados a qualquer momento. Este pensar exige uma visão mais global e menos segmentada, portanto se torna necessário que o catequista realize o planejamento do Itinerário Catequético que seu grupo vai percorrer durante um determinado tempo, tendo sempre em mente o fim da caminhada, ou seja, o objetivo. Assim, não se trabalha a soma de elementos transmitidos nos encontros, encontro por encontro, mas o conjunto de ações que vai se realizando e que irão ajudar a chegar ao objetivo. Além dos TEMAS/CONTEÚDOS envolvidos, a catequese devem priorizar outras dimensões: liturgia, oração, relação com a comunidade, aspectos missionários da evangelização, etc.


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RELEMBRANDO... O que é ITINERÁRIO: O catecismo da Igreja Católica diz que para tornar-se cristão é preciso ser iniciado na fé cristã “por um Itinerário e uma iniciação que passa por várias etapas” (n. 1229). A palavra itinerário significa caminho. Precisamos de um caminho por onde andar. Neste caso, trata-se do conjunto de elementos que unidos levam aos mesmos objetivos. Uma catequese de modelo escolar se preocupa mais com a transmissão de conteúdo, aula após aula. Na catequese, queremos avançar para um itinerário global, ou seja, um plano que inclua elementos de transformação, que não se limite ao encontro de catequese e ao conteúdo do manual. Alguns elementos são fundamentais neste itinerário: Palavra (o conteúdo da fé); Encontro de catequese; Celebrações (nos encontros e com a comunidade); Envolvimento da família; Ações (que geram a transformação da vida do catequizando, na família, na comunidade e na sociedade). “A catequese não é uma supérflua introdução na fé, um verniz ou um cursinho de admissão á Igreja. É um processo exigente, um itinerário prolongada de preparação e compreensão vital, de acolhimento dos grandes segredos da fé (mistérios), da vida nova revelada em Cristo Jesus e celebrada na liturgia”. ( DNC, n. 37).

“O QUE VIMOS E OUVIMOS VO-LO ANUNCIAMOS”. (1JO 1,3)

Fontes: CNBB. Diretório Nacional de Catequese – DNC . Itens 157-162. Edições CNBB, 2006. MACHADO, Léo P. Metodologia Catequética. Em Formação Básica de catequistas. Editora Arquidiocesana de Curitiba, 2013. OLENIKI, Marilac, MACHADO, Léo P. O encontro de catequese. Petrópolis: Vozes, 2005.


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BASEADO EM TUDO QUE VIMOS, PODEMOS AGORA MONTAR UM QUADRO COM OS PRINCIPAIS PASSOS DE UM ENCONTRO. E NA SEQUENCIA MODELO A SER UTILIZADO POR VOCÊS QUANDO ORGANIZAREM O ENCONTRO.

ROTEIRO DE ENCONTRO

ANTES

Interlocutores (Catequizandos) Duração Local

Tema / Conteúdos

DURANTE

Objetivo(s)

Duração do encontro: 1 hora, 1 hr e meia, 2 horas... Sala de catequese, Templo, casa do catequizando, do catequista... Como vai ser ambientado? Qual será o tema trabalhado no encontro? Qual o conteúdo a ser explorado? Que objetivo eu quero atingir com o tema proposto?

Material (Recursos)

Texto, canto, Bíblia, velas, flores, cartaz, etc...

Passos metodológicos

Palavra: Qual a Palavra, texto bíblico que vai fundamentar o tema?

Atividades educativas Atividades / Compromisso (sócio-transformador)

DEPOIS

Quem são nossos catequizandos? Idade, etapa, catequese de eucaristia, de crisma...

Avaliação

Motivação: Vou usar uma dinâmica? Uma brincadeira? Vou contar uma história? Cantar uma música?

Oração: Como será o momento orante do grupo? Orações espontâneas, fórmulas... Que atividades vou trabalhar para assimilar o conteúdo? As atividades não se limitam a exercícios e escritos, podem incentivar ações transformadoras fora do momento do encontro. Que pistas posso dar aos catequizandos para que levem para sua vida o que viram no encontro? Como despertar a consciência de que algo precisa ser feito sobre o assunto e que gere mudanças na vida do catequizando. É um convite para partilhar e servir, ir em busca do outro e de Deus. Avaliação do encontro pelo retorno recebido dos interlocutores. Avaliar se os recursos utilizados atingiram seu objetivo. Se o conteúdo foi assimilado satisfatoriamente e se são necessárias mudanças de conduta num próximo encontro.

TOQUE AQUI PARA BAIXAR ESSE ROTEIRO EM BRANCO PARA USAR EM SUA CATEQUESE

ÂNGELA ROCHA

Catequista e formadora na Paróquia Sagrados Corações.Especialista em Catequética pela FAVI, Curitiba-PR.Administradora do grupo Catequistas em Formação.


ESPECIAL

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por RogĂŠrio Bellini


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A

catequese deve conduzir o catequizando a fazer uma experiência profunda com Jesus Cristo e seu reino. Não é apenas uma doutrina, um ensino, um catecismo, ela é um verdadeiro encontro, uma experiência de vida no amor a Deus e aos irmãos.

O catequista reflete em seu rosto a alegria, o entusiasmo, o encantamento por Jesus Cristo, pelo seu reino e pela sua Igreja. Os catequizandos são tocados pela alegria do catequista. Esta alegria toca, convence, inflama, atrai as pessoas ao seguimento de Jesus. Quanto mais alegria, tanto mais a catequese será agradável e convincente. A alegria é sinal da fé, manifesta a experiência feita do amor de Deus e o desejo de comunicá-la. O bom catequista tem fé, competência e metodologia, mas transmite tudo isso através da alegria. Como promover esse encantamento? Como revelar as surpresas que Deus promove em nossa vida? Ao promover um encantamento, o catequista imediatamente consegue prender a atenção dos catequizados: eles se surpreendem, sorriem e, deste modo, têm o coração disposto a receber, pois estão contentes. Surpresas encantam mesmo! Algumas surpresas podem ser utilizadas para narrativas bíblicas e aprendizagem dos conteúdos catequéticos e são possíveis do catequista fazer com as crianças, porque estão baseadas em idéias criativas, em experiências químicas e são muito simples. SEPAREI AQUI SEIS SUGESTÕES SIMPLES PARA PROMOVER AS SURPRESAS DE DEUS E MELHOR APROVEITÁ-LAS - TOQUE NOS PESENTES PARA LER!

Rogério Bellini Formado em Psicologia (UNIP) e Administração de Empresas (UNISO), possui Especialização em Jogos Cooperativos (UNIMONTE) e MBA em Recursos Humanos com certificação internacional em Inovação pela UC Berkeley School of Information. Escritor, Compositor e Contador de Histórias. É também Formador de Catequistas e Coordenador da Catequese Infantil na Arquidiocese de Sorocaba/SP.


PROTAGONISMO INFANTIL

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"'ESCONDE-ESCONDE':

O DIVINO SE FEZ

CRIANÇA E ACEITOU

BRINCAR CONOSCO" Por José Sotero


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“Quando a estrela acende ninguém mais pode

apagar. Quando a gente cresce tem um mundo pra

ganhar. Brincar, dançar, saltar, correr. Meu Deus do céu onde é que eu vim parar?”

Paulo Tatit

O

artigo apresenta como temática a arte de jogar como mediação do processo revelatório divino. Como transfigurar nossas percepções absolutizadas como adultos, para uma visão e práxis do sagrado mais espontânea e flexível, preconizadas na infância? O processo do jogo se impõe neste horizonte, não apenas como uma prática específica da infância, mas como uma forma diferente e ousada de ver o mundo e a realidade. Os jogos divertem, abrem a imaginação, promovem o movimento do corpo, permitem sonhar e, com isso, promovem uma abertura à novidade transformadora da história revelada pelos milagres, os encontros e as surpresas da missão. Desta maneira, se sobressai a premissa da infância como espaço teológico, visto que as crianças nos ajudam a aprender a respeito de quem é esse Deus que nos ama, sendo possível aprender e vivenciá-lo inclusive de forma lúdica. Na verdade, essa relação entre o divino e o lúdico, é o “despontar” de uma nova visão em relação à infância, que no campo teológico será o eixo universal na missão da Igreja. A infância no decorrer da história da humanidade sofreu uma série de transformações no que diz respeito à sua essência, como também ao papel que representa no mundo. Destacase de imediato na trajetória histórica, o “não lugar” que, durante anos, a criança ocupou. Na Idade Média, conforme aponta Philippe Ariès (1978) não havia uma separação clara entre o que seria adequado para crianças e o que seria específico da vivência dos adultos. Desde a sua gênese, a palavra infância carrega consigo o estigma da incapacidade, da incompletude perante os mais experientes, relegando-lhe uma condição subalterna diante da sociedade. Era um ser anônimo, sem um espaço determinado socialmente. A infância é um conceito que começará a se desenvolver, segundo Zygmunt Bauman (1998) a partir dos séculos XVI e XVIII, através da Revolução Educacional. Dessa maneira, a concepção de infância moderna, que permanece até os nossos dias, apresenta-se assim: uma fase da vida em que os indivíduos precisariam de cuidados especiais e deveriam estar resguardados de algumas informações que pudessem lhes ser nocivas, para que se desenvolvessem e se constituíssem, no futuro, como adultos plenos.


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Por outro lado, no espaço tempo da contemporaneidade, a infância conquistou um outro status, o século XX representou um marco na inserção da criança na sociedade, passou a ser reconhecida como um período fundamental no desenvolvimento do ser humano, com características próprias e práticas específicas. Vale ressaltar que o reconhecimento, os novos conhecimentos sobre a infância trouxeram valorização e proteção para a criança, que passou a ter direitos garantidos por lei, assumindo uma posição prioritária nas políticas públicas, já que a melhoria na qualidade de vida das crianças é essencial para empreender transformações sociais. Portanto, a partir do momento que se percebe a criança como sujeito de direitos, se descortina novo capítulo na história embasado pelos valores da dignidade e respeito ao ser. No avançar da reflexão sobre a infância, surge principalmente na América Latina o discurso sobre protagonismo infantil, como ramificação de outros grupos que lutam por melhorias em suas condições de vida. Etimologicamente, a palavra protagonismo é derivada de protagonistés, que em grego significa “o ator principal”. Incorporado ao campo educacional, o termo ganhou desdobramentos, sendo utilizado como forma de promover a participação das crianças no processo educativo e na abertura de espaços que favoreçam o exercício de sua cidadania. A participação é um dos eixos fundamentais para promover o protagonismo da infância. Desde o paradigma do protagonismo infantil, fala-se na participação que reconhece a infância em sua capacidade e possibilidade de perceber, interpretar, analisar, questionar, propor e agir em seu ambiente social, comunitário e familiar.


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Essa compreensão só se tornou possível com o desenvolvimento do conceito de infância e uma modificação na maneira de entender a criança e de agir em relação a ela. Com os avanços ocorridos a partir do século XX nos estudos das áreas da educação e da saúde, sobretudo no campo da neurociência, a criança passou a ser reconhecida como cidadã, modificando “profundamente as práticas com a infância, que passou a ser vista como um período de formação fundamental na vida do ser humano”. (Lima, 2001, p.3) Além dos avanços nas áreas da educação e saúde, a infância contou também com o surgimento nas últimas décadas de um emergente rosto na organização familiar, fruto da nova configuração das famílias, constituindo-se de distintas maneiras (pais separados, mães e pais solteiros, filhos criados por avós, entre outas) e de uma maior abertura na relação pais e filhos. O cenário reflete um panorama de modificações no modelo educativo adotado pelas famílias na condução do desenvolvimento de seus filhos, a introdução do diálogo, a mudança nos métodos repressivos, a flexibilização das regras e uma participação mais ativa dos filhos na dinâmica familiar. Este fenômeno do respaldo da criança a partir de um lugar diferenciado nas famílias e o fato da inserção social elevou as crianças na centralidade das discussões da atualidade, como um grupo formador de opinião. “Este fenômeno do respaldo da criança a

partir de um lugar diferenciado nas famílias e

o fato da inserção social elevou as crianças na

centralidade das discussões da atualidade, como um grupo formador de opinião”


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O PEGADOR, BATE-CARA NO PIQUE-ESCONDE: JESUS E AS CRIANÇAS! Naquele momento, os discípulos se aproximaram de Jesus e perguntaram: “Quem é o maior no Reino do Céu?” Jesus chamou uma criança, colocou-a no meio deles, e disse: “Eu lhes garanto: se vocês não se converterem e não se tornarem como crianças, vocês nunca entrarão no Reino do Céu. Quem se abaixa e se torna como essa criança, esse é o maior no Reino do Céu. E quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe.” Mt 18, 1-5. Baseados neste texto bíblico de Mateus 18, 1-5 podemos propor uma redescoberta da infância, compreendendo as crianças como mediadoras da revelação divina. Elas nesta proposta relacional integram o centro do processo evangelizador, de modo que suas vidas nos comuniquem a novidade de Deus, sendo necessários nessa empreitada momentos significativos de encontro com o transcendente. Acreditamos que de início, seja válida a aposta no potencial que a criança possui para se abrir à transcendência e vivenciar experiências profundas de espiritualidade, visto que a sensibilidade das crianças para o mistério, para a curiosidade sobre a vida favorece maior encontro e familiaridade com o transcendente. Jesus no episódio relatado em Mateus 18, 1-5, ao responder uma indagação dos discípulos, apresenta uma criança no meio deles e convida-os a se parecerem com ela. Esse “tornarse criança” é um convite para se colocar no mesmo nível do outro, fazer-se pequeno, ficar à medida dele. É um derrubar as barreiras, fazer um itinerário de aproximação do outro, descobrindo as potencialidades, belezas e desafios num processo de acolhida, principalmente naquilo que o outro carrega de “encarnação” de Cristo Jesus. Nesse diálogo com os discípulos, Jesus declara que as crianças simbolizam o que têm de melhor na humanidade, o reflexo que ele gostaria de ver reproduzido em cada um de nós. Jesus se identifica tanto com as crianças a ponto de dizer: “quem recebe em meu nome uma criança como esta, é a mim que recebe”. Na verdade, Jesus está misteriosamente escondido em cada criança e cada um está habilitado para reconhecê-lo. Sendo assim, precisamos despertar o Jesus internalizado em cada criança. Comunguemos das palavras proféticas pronunciadas pelo Papa Emérito Bento XVI, no Santuário de Mariazell na Áustria (Avvenire, 4 set.2007): “Deus se fez pequeno por nós. Deus não vem com uma força exterior, mas vem na impotência de seu amor, que é o que constitui a sua força. Põe-se em nossas mãos. Pede o nosso amor. Convida-nos a também fazer-nos pequenos, a descer de nossos altos tronos e a aprender a ser crianças diante de Deus...O menino Jesus também nos lembra naturalmente todas as crianças do mundo, nas quais quer nos encontrar”.


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OS OUTROS, JÁ ESTÃO ESCONDIDOS: O DIVINO QUE SE ESCONDE NA INFÂNCIA As crianças são apontadas como eleitas para receber os mistérios divinos, chave de revelação, sujeitos teológicos. Jesus ao utilizar a imagem da infância nos convida sutilmente a fazer uma inversão irônica da rigidez da Lei, que não requer das crianças seu seguimento ou cumprimento. Deste horizonte, pode-se entender que Jesus ressignifica a noção de reino como uma realidade que ultrapassa o cumprimento do padrão religioso, ele amplia nosso olhar sobre Deus e como nos aproximamos do divino, não se limita na interpretação e vivência de homens adultos. Como conclui Judith M. Gundry-Wolf (2008), a expressão “como uma criança” significa “como alguém que é totalmente dependente da graça divina”. ...Em outro texto, defini esta lógica “adulto-cêntrica” da seguinte maneira: “Representa-se a vida do adulto, entre outras coisas, com a maturidade, a frieza nas decisões, a superação das instabilidades, a semeadura da razão, a efetividade dos resultados. E é na rigidez destes estereótipos onde muitas vezes perdemos a surpresa da espontaneidade, o frescor do contato dos corpos e a riqueza de caminhos que abrem nossa liberdade intrínseca. Em outros termos, nos esquecemos da condição lúdica que caracteriza a vida social e humana” (Panotto, no prelo). Deus decide se revelar através da história, portanto nenhum discurso pode descrevê-lo de maneira definitiva. Por outro lado, a imagem de Deus na tradição cristã é marcada fortemente por uma visão masculina e adulta. Esta imagem masculinizadora do divino traz consigo um discurso ideológico que subordina o papel das mulheres e das crianças a uma posição de inferioridade em relação ao homem. Além disso, silencia por completo em várias instâncias – social, familiar e eclesial – o discurso da infância como uma alternativa de sujeitos ativos na elaboração teológica. É perceptível que o adulto-centrismo imperante legitima as formas de construir e exercitar teologia, principalmente ao que diz respeito ao privilégio da manutenção de um lugar no poder que define a realidade e o controle do divino sobre a verdade revelada. O universo teológico precisa avançar para além do discurso habitual, precisamos inserir no campo reflexivo elementos de corporalidade, redimensionar o olhar para aspectos experiencial, participativo e comunitário. Dessa forma, integrar as crianças no fazer teológico significa um questionamento da lógica adulta, é um passo para desestabilizar a ordem e a estabilidade institucional dos poderes sociais e religiosos. É uma oportunidade para dar voz a um dos setores mais marginalizados de nossa sociedade, um serviço de denúncia e desarmamento de uma prática de poder e domínio por parte dos adultos, especificamente dos homens. As percepções da realidade, assim como a “costura” entre as formas e sentidos com as quais as construímos, precisam ser ressignificadas.


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“Integrar as crianças no

fazer teológico significa um

questionamento da lógica adulta”


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UM ESCONDERIJO DESCOBERTO – O JOGO COMO OPÇÃO METODOLÓGICA Vislumbrar a infância como espaço tempo teológico, é aceitar o jogo como caminho para construir a vida, as ideias, as percepções e os lugares. No movimento missionário de Jesus Cristo é passar para o outro lado da margem. O jogo é caracterizado pela centralidade da diversão, dispõe o corpo como espaço primordial do movimento, em detrimento à dinâmica da razão. A compreensão do divino passa a ser uma “janela aberta”, visto que os exercícios lúdicos questionam as regras estabelecidas. Considerar a infância no ato de apalavramento de Deus que é a teologia, é uma forma singela de apalavrar sobre as próprias crianças, com a contagiante finalidade de lhes dar um espaço de sentido, é uma forma de localizá-las em um lugar central na criação de percepções. A infância é a representação da noção de processo, de abertura para aquilo que ainda está em devir, do poder do espontâneo. Através da teologia, enquanto lugar emancipatório e social que nos permite ver “além”, seremos motivados por esse frescor da infância em nosso encontro com o divino e nas formas institucionais, ao possibilitar um sentido novo e transformador nos discursos e práticas circundantes no universo das crianças. Deus se revelou a elas e nelas. O que fazer para que estas vozes sejam escutadas? Como perceber a revelação divina no ser criança? O que devemos mudar em nosso adultocentrismo para nos abrirmos à surpresa dos gestos de nossas crianças? Como resposta a esta visão racional, adulto-cêntrica e dogmática do teológico, impõe-se o processo do jogo, não apenas como uma prática específica da infância, mas como uma forma diferente e ousada de ver o mundo e a realidade. O próprio Jesus já nos provocava neste sentido ao falar com os discípulos sobre “ser como crianças”. Os jogos divertem, abrem a imaginação, promovem o movimento do corpo, permitem sonhar e, com isso, promovem uma abertura à novidade transformadora da história revelada pelos milagres, os encontros e as surpresas da jornada dos discípulos enviados em missão. Diante deste cenário, Deus se apresenta de maneira descontraída, ao passo que sua revelação se transforma em um campo desconhecido de múltiplas possibilidades, promove os movimentos infinitos de todo corpo e a liberdade que pulsa da vida. O poeta Rubem Alves nos ajuda na reflexão sobre o encanto da arte de jogar:


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No jogo, o homem encontra significado, e, portanto, diversão, precisamente no fato de suspender as regras do jogo da realidade, que lhe convertem em um ser sério e em constante tensão. A realidade nos deixa doente. Produz úlceras e depressões nervosas. O jogo, entretanto, cria uma ordem por meio da imaginação e, portanto, produto da liberdade (1976: 112). O exercício de fazer teologia a partir da arte do jogo implica mudar as regras da sua produção. É um ressignificar do labor teológico em seu formato adulto-cêntrico, possibilitando à infância a construção de seu lugar social, outro modo de relação com o divino. Assumir o lúdico da teologia reflete a abertura de inclusão para a infância, é evidenciar que existe uma flexibilidade na imagem de Deus. Essa apropriação do processo revelatório divino por um público mais espontâneo, revela que a beleza sutil da infância tem muito a contribuir na construção da civilização do amor. É notório que a linguagem do brincar é a própria expressão da infância. O brincar apresenta inúmeras possibilidades, sendo a principal atividade das crianças. Na brincadeira, o mundo da infância se transforma e a criança produz cultura, constrói vínculos, interage com seus pares, sente prazer e reflete a presença divina por meio do movimento gerador de vida, leveza e agilidade criativa. Infelizmente, a brincadeira está perdendo espaço para as mídias e para as rotinas intensas na escola. É urgente despertar a voz de esperança do profeta Jeremias, quando ele proclama: “as praças da cidade se encherão de meninos e meninas, que nelas brincarão”.

"Na brincadeira, o mundo da infância se transforma e a criança produz cultura, constrói vínculos,

interage com seus pares, sente prazer e reflete a presença divina por meio do movimento gerador de vida, leveza e agilidade criativa"

Ao brincar, a criança passa a interagir com o mundo que a cerca, desenvolve a imaginação e interioriza a realidade. Além disso, existe a possibilidade de potencializar a escuta das crianças em brincadeiras, ao motivar para o diálogo sobre os assuntos que lhes afetam e opinem de maneira compatível com o momento da vida em que elas se encontram. Nesta dinâmica de roda de conversa lúdica, as crianças poderão expressar o jeito “divertido” de relacionar-se com o transcendente.


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“as crianças são dom e

sinal da presença de Deus em nosso mundo”

O despertar do protagonismo infantil nasce dessas iniciativas que promovem a autoproteção e empoderamento das crianças – para que elas ampliem a capacidade de argumentação e sejam escutadas de maneira integral. São nesses e outros espaços lúdicos que existem a garantia do exercício da cidadania. Afinal, as crianças são sujeitos que se expressam e agem com singularidade, produzem cultura, aprendem nas interações sociais com os diversos interlocutores e são portadoras de um discurso teológico. Como afirmam White, Willmer e Bunge: A teologia das crianças funciona como corretivo para esta marginalização ou invisibilidade das crianças no pensamento mais generalizado. A teologia das crianças sustenta que nós cristãos devemos seguir a Cristo e colocar as crianças em nossa elaboração teológica, porque isto é inerente à nossa fidelidade e nos une aos seguidores de Jesus (2011:23).

O PEGADOR GRITA: “FULANO 1, 2, 3!” – POR UM RECOMEÇO DA BRINCADEIRA! Pela nobreza de aceitar com simplicidade a mensagem evangélica, as crianças são dom e sinal da presença de Deus em nosso mundo, tanto que Jesus as acolheu com especial ternura, conforme Mateus 19, 14. Por sua vez, Rubem Alves reforça que “quem não sabe brincar e não é criança não se entende com Deus” (Ibid.: 20). Portanto, as crianças nos ajudam a aprender a respeito de quem é esse Deus que nos ama, sendo possível aprender inclusive de forma lúdica.


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Mais uma vez retomamos a máxima – “aprender a ser como as crianças” – para entender a lógica do reino de Deus. O contexto em que as crianças se apresentam a Jesus, nos provoca que o êxito da pastoral da infância implica numa resistência perante os problemas, críticas e oposições que possam surgir. O próprio Jesus nos oferece o caminho: agir com amabilidade, com uma pedagogia da ternura. A pastoral de Jesus com a infância nos converte em defensores das crianças, em promotores de ações concretas, para promover a dignidade das crianças. É um convite a sermos ativistas pela infância, a sermos como as crianças que são os mais indefesos e vulneráveis da sociedade. Na verdade, é o “despontar” de uma nova visão em relação à infância, que no campo teológico será o eixo universal na missão da Igreja. A criança, como espaço sagrado, exige de cada um de nós uma atitude de reverência e cuidado. É necessário o desejo de aproximação desta “terra santa”, que oportuniza novas alegrias, descobertas, profunda aprendizagem e uma intensa humanização. Ao retirar nossas sandálias diante do chão sagrado e acolhermos a criança enquanto “terreno transcendental”, brotará um sentido que se vai descobrindo em detalhes do cotidiano, comunhão à mesa, abraços solidários e festivos, almas em diálogo rico e profundo, o sabor da graça na caminhada contínua nessa estrada estreita. Nesse contexto, as crianças são recebidas, abraçadas e se tornam sinais de nossa esperança cristã. REFERÊNCIAS BLOG da formação à distância sobre estímulo à participação infantil. Disponível em: http://participacaoinfantil. blogspot.com.br/2008/10/participao-e-protagonismo-infantil.html. Acesso em 25/08/2015. CAMINHOS de Solidariedade Marista nas Américas: crianças e jovens com direitos. Subcomissão Interamericana de Solidariedade. Porto Alegre: EDIPUCRS, 2013. 204 p. CORES em composição na Educação Infantil. Rede Marista de Solidariedade. 1ª ed. São Paulo: FTD, 2010. 100 p. PASTORAL na Educação Infantil: Referencial para a ação pastoral-pedagógica. Grupo Marista. Curitiba: Champagnat, 2012. 207 p. PROJETO para a Educação Infantil: Currículo em Movimento (volume 2). Província Marista Brasil Centro-Sul. São Paulo: FTD, 2007. 240 p. SEGURA, Harold; PEREIRA, Welinton (orgs.). Para falar de criança: Teologia, Bíblia e Pastoral para a Infância. Rio de Janeiro: Novos Diálogos, 2012. 196 p. TEXTOS de trabalho. Curso EaD Escola em Pastoral: Módulo I - Evangelização das Infâncias. Província Marista Brasil Centro-Norte. Brasília, 2015. ZATTONI, Mariatereza; GILLINI, Gilberto. Deus faz bem às crianças: A transmissão da fé às novas gerações. São Paulo: Loyola, 2010. 218 p.

José Sotero dos Santos Neto Religioso do Instituto dos Irmãos Maristas. Graduando em Teologia (ISTA), formado em Letras-Português (UNIT), especialista em Língua Portuguesa (UNIT). Coordenador da Escola Catequética Marista Ir. Lourenço em Belo Horizonte/MG.


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LECTIO DIVINA

Leituras Contemporâneas para uma Consciência Cristã Por Márcio Oliveira Elias

A

leitura da Sagrada Escritura não deve ser tão somente um adorno em nossos dias, mas sentimento de pertença para as nossas consciências. Sejamos pessoas do bem; sejamos humildes para compreender nossas limitações e as limitações do outro, construindo uma compreensão crítica dentro do nosso coração. Vamos nos reconhecer como criaturas viventes no amor, desconstruindo os maus sentimentos que habitam dentro de nós, ou que nos invadem sorrateiramente, e que nos tiram o discernimento da Verdade. Compartilhar a mentira e o ódio nos exclui da partilha do amor de Deus; nos torna cúmplices da torpeza e da soberba. Não somos treva; somos luz no Pai que nos deu a vida. Somos filhos, somos irmãos, somos paz. Sejamos os verdadeiros cristãos que pregamos.


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Devemos nos confortar em Deus, na sua vontade e na sua força, para que possamos enfrentar os obstáculos e as provações da vida. Diante de tantos impulsos negativos que o mundo nos desperta, não é fácil ser coerente com a verdade e a justiça todo o tempo; portanto é necessário atenção e discernimento contínuo. A fé no sopro divino, que há em nosso coração, deve ser constantemente abastecida pela oração, numa vigília incessante que nos permita anunciar corajosamente o mistério do Evangelho da Vida, principalmente ao espelho da minha consciência. (Ef 6,10-20) A consolação e o alento no amor é comunhão no Espírito, imprimindo a ternura e a compaixão em nossa intimidade de ser. Apesar da diversidade existente na pessoa humana, estamos unidos no mesmo amor para viver em harmonia, procurando a comunhão fraterna incessantemente. Cada um de nós é importante para si mesmo e para o outro, pois o mais importante é a liberdade que temos para amar e sermos amados. (Fl 2,1-4) O Senhor conhece a nossa destinação e as escolhas que nos são apresentadas, mas a ninguém é dado o conhecimento de seu próprio futuro, pois nós o construímos a cada momento do nosso presente. Cristo nos foi apresentado para ser o caminho da verdade e da vida, onde encontraremos nossa compreensão de felicidade plena. A escolha nos é ofertada, e a decisão cabe a cada pessoa humana. (Ap 5,1-10) Jesus nos libertou da morte e do pecado com sua entrega na cruz, mas não nos basta dizer ‘Senhor, Senhor’, para encontrarmos o Reino da Vida. O anúncio do Evangelho de Cristo nos revela a prática da vontade de Deus Pai em nossas vidas, que devemos edificar na rocha da nossa fé vivencial. Quando afirmamos que nossa existência se apresenta como um depósito daquilo que escolhemos ser, não significa uma escatologia da morte; ao contrário, estamos anunciando a escatologia da vida eterna, que será o Reino da Vida aqui e agora, elevando os nossos talentos para as boas ações e pensamentos edificantes pela graça concedida no Cristo ressurreto. (Mt 7,21.24-27) O Senhor nosso Deus é a grandeza e a força presente no cosmo; nada lhe é oculto, nada lhe é despercebido, principalmente nossas tristezas e angústias. O Senhor é o Deus eterno que nos criou para o amor, e tem misericórdia de nossos tropeços e quedas, pois os que confiam na Palavra correm sem se cansar, caminham sem parar, em direção do Reino da Vida. Cristo ampara a nossa caminhada, justamente por ser a Palavra viva no meio de nós, que aponta a mansidão e a humildade do seu coração como espelho, que nos libertará de nossas angustias e tristezas. (Is 40, 25-31; Mt 11, 28-30) A mãe Maria é a serva de Deus, que caminha sob a sua escolha e seu comando, sendo pessoa abençoada pela Graça Divina. Ela acreditou na promessa do Senhor, que enviou o seu Filho, a fim de resgatar a todos nós que recebêssemos a filiação adotiva. Somos filhos de Deus, pois assim nos ensinou o Cristo: ‘Pai Nosso!’ Sendo assim, já não somos escravos do pecado, mas herdeiros por graça do Senhor, nosso Pai. (Lc 1,39-47; Gl 4,4-7)


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Somos chamados a ser anunciadores da paz e do bem pelo Reino da Vida. O Senhor fez conhecer a salvação e a justiça no seu Amor Ágape, pois de muitos modos nos falou, e nos fala hoje na Pessoa do Cristo, como expressão íntegra de seu Ser, sustentando-nos com a Revelação de sua Palavra. No princípio a Palavra estava com Deus; vindo a nós como luz da humanidade, para que posamos compreender e dar testemunho da luz, capacitando-nos e nos tornando filhos, que acreditam em sua Boa Nova. A Palavra se fez carne e habitou entre nós, para contemplarmos e vivenciarmos a sua glória, como escolha voluntária cheia de graça e de verdade, pois o Cristo de Deus, que está na intimidade do Pai, nos deu a conhecer a verdade, e a verdade nos libertará. (Is 52,710; Sl 97; Hb 1,1-6; e Jo 1,1-18) O pedido é que amemo-nos uns aos outros, porque o amor vem de Deus Pai e, portanto, todos nós que nos propomos amar participamos do seu Mistério. Deus é amor por se manifestar entre nós, enviando o Cristo para que tenhamos vida em abundância por meio de sua anunciação. Não fomos nós que amamos a Deus, mas foi Ele quem primeiro amou a sua criação, e nos ofertou a sua graça. (1Jo 4,7-10) A força do Espírito Santo habita em Cristo, bem como em todos nós que nos consagramos com a unção de sua Boa Nova, visto que somos convidados e enviados para proclamar a libertação e a graça do Senhor. Somos chamados a cumprir os mandamentos das Escrituras Sagradas, que são revelação do amor e da misericórdia de Deus Pai. Nosso testemunho deve conter palavras cheias de encanto e sabedoria, que podemos conquistar colocandonos abertos ao conhecimento do Mistério Divino. (Lc 4,14-22a) “O que é o homem, para dele te lembrares, ou o filho do homem, para com ele te ocupares?”; a expressão “filho do homem” nos remete a pessoa de Jesus, que se fez menor ao assumir a condição humana no sofrimento, na dor, no amor, na alegria, na luta e na perseverança, porquanto, em todos os aspectos da existência terrena. Na sabedoria de Deus Pai essa condição verdadeiramente humana foi coroada de glória e honra, pela graça em favor de todos para os quais fora provada em sua paixão, morte e ressurreição, o desejo de conduzir seus filhos à santificação pela assunção de sua humanidade em plenitude. (Hb 2,5-12)

Márcio Oliveira Elias Advogado, Professor de Teologia Pastoral. Bacharel em Teologia, com especialização em Teologia Contemporânea e Filosofia. Atua na formação permanente de agentes pastorais e fiéis leigos na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim/ ES, sendo coordenador do projeto ‘Instituto Evangelii Gaudium’, instituição formativa de denominação católica, que tem por objetivo precípuo produzir e difundir o conhecimento da Doutrina Cristã. Currículo Lattes: http://lattes.cnpq. br/8107470947444867 - e-mail: moelias@terra.com.br.


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REFLEXÃO

Torne-se criança por Fernando José


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I

rmão amados porque na Sagrada Escritura Jesus sempre pede para que sejamos como crianças? Devemos tornamos criança perante Deus, pois essa é condição para entrarmos no seu Reino. Em Matheus 18,3 Jesus garante dizendo “Se vocês não se converterem e não tornarem como crianças, vocês nunca entrarão no Reino do Céu”. Cristo deixa claro na escritura que o sei Reino e dedicado para os convertidos e os que vivem como crianças. Todos em um raciocínio rápido vamos responder que é porque devemos ter o coração puro igual a de uma criança e estamos certos, por que é do coração que sai toda a maldade do ser humano como por exemplo homicídio, adultério, imoralidade, roubos, calunias e etc. e os de coração puro não tem maldades e são as crianças esse exemplo de pureza. Mas quando Jesus faz esse pedido vai muito além de termos pureza no coração devemos como crianças ter um coração humilde e confiante fazer uma entrega de corpo e alma aos desígnios de Deus, como fazem as crianças quando se jogam no colo de seu pai pois sabem que nada acontecera que mal algum vai acontecer neste salto em direção ao colo do pai. Assim devemos fazer se jogar sem medo em direção ao colo do Pai que tudo sabe e nunca vai deixar que seu filho amado fique sem amparo e proteção. Em Marcos 10, 14 quando Jesus diz “Deixem as crianças virem a mim. Não lhes proíbam, porque o Reino de Deus pertence a elas”. Neste contexto as crianças servem como exemplo não só pela inocência e a pureza de coração, mas também por serem fracas e muitas das vezes desamparadas. E mais uma vez Cristo nos dá as crianças como exemplos que devemos seguir para alcançarmos a vida eterna na presença de Deus. Devemos ser como crianças em um sentido mais amplo, não só na pureza de coração, mas também de sermos sinceros e honestos em nossas atitudes e ações. Jesus pede que sejamos assim como elas, nada de ter várias máscaras uma para cada situação e sim de sermos sinceros e verdadeiros. Devemos ser nós mesmo nada mentir ou aceitar certas situações para agradar alguém isso você nunca vai ver de uma criança, pois ela e sincera se ela gosta fala que gosta se não gosta também fala que não gosta. Não devemos viver de ambições e na busca do poder, pois as crianças não sabem de nada disso e vivem felizes na sua simplicidade e é isso que Cristo pede a todos nós que tenhamos uma vida vivida na simplicidade, humildade, sinceridade, pureza e amor de uma criança, sem se preocupar com as opiniões das pessoas, pois se vivermos querendo agradar a todos, podemos ter certeza que não vamos conseguir agradar a todos, é com as qualidades que encontramos nas crianças que poderemos agradar e aproximar-se de Jesus Cristo. Essa deve ser nossa missão aqui na terra de vivermos a busca de Cristo como crianças buscam os braços dos seus pais.

Fernando José dos Santos Professor Universitário, Catequista, Ministro da Eucaristia, Casado e Pai de duas filhas. E-mail: catequistafernandosantos@gmail.com


LITERATURA

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Caminhando em família na companhia

de

Conheça o Livro


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U

ma verdadeira proposta de oração pela nossa família, onde percorremos uma trajetória guiados pela sabedoria, pela mansidão e pela companhia de São José. Essa é a proposta do livro “3 meses com São José – Em oração pela minha família”.

A obra, de autoria do Sacerdote e Missionário Claretiano Pe. Luís Erlin, apresenta os 30 anos da vida da Sagrada Família de Nazaré, narrados em 1ª pessoa sob o olhar misericordioso de José, homem escolhido por Deus para ser o pai de Jesus na terra, que retrata as alegrias, medos, tristezas e angústias de sua divina missão. A história é contada diariamente durante 3 meses, desde o dia 19 de dezembro até 19 de março, sendo esta última a data da Festa Litúrgica do santo, celebrado por toda a Igreja. Além de trazer o dia a dia da família de Jesus, o livro apresenta reflexões e orações diárias para aprofundamento dos valores cristãos e a oração e comunhão familiar, ajudando o leitor a percorrer um caminho de amor e fé. O livro trata-se também de uma continuação do livro “9 meses com Maria”, em que Maria narra diariamente os 9 meses de sua gestação. Em “3 Meses com São José – Em oração pela minha família”, as palavras de José, fiel esposo de Maria e pai humano de Cristo, tornam-se um guia espiritual, que leva cada fiel a percorrer o mesmo caminho outrora pisado por este que é considerado pela Igreja como modelo de santidade a ser seguido.

Meu bom José Olhe o que foi meu bom José Se apaixonar pela donzela Dentre todas a mais bela De toda a sua Galileia Casar com Débora ou com Sara Meu bom José, você podia E nada disso acontecia Mas você foi amar Maria Você podia simplesmente Ser carpinteiro e trabalhar Sem nunca ter que se exilar De se esconder com Maria Meu bom José, você podia Ter muitos filhos com Maria E teu ofício ensinar Como teu pai sempre fazia Por que será, meu bom José Que este teu meigo filho um dia Andou com estranhas ideias Que fizeram chorar Maria Me lembro às vezes de você Meu bom José, meu pobre amigo Que desta vida só queria ser feliz com sua Maria Me lembro às vezes de você, Meu bom José, meu pobre amigo, Que desta vida só queria ser feliz com sua Maria (Georges Moustaki) COMO PRATICAR OS TRÊS MESES DE ORAÇÃO DIARIAMENTE COM O LIVRO “3 MESES COM SÃO JOSÉ”


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MENSAGEM DO PAPA

OBRAS DE MISERICÓRDIA: MELHOR ANTÍDOTO AO VÍRUS DA INDIFERENÇA, AFIRMA O PAPA

A

s obras de misericórdia são o melhor antídoto ao vírus da indiferença: foi o que disse o Papa Francisco aos milhares de fiéis reunidos na Praça São Pedro para a Audiência Geral, em outubro passado.

Não se trata de realizar grandes esforços ou gestos sobre-humanos, explicou o Papa. “Jesus nos indica uma estrada muito mais simples, feita de gestos pequenos, mas de tão grande valor aos Seus olhos, sobre os quais seremos julgados”. Confira as palavras do Santo Padre:


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PAPA FRANCISCO AUDIÊNCIA GERAL Praça São Pedro

Queridos irmãos e irmãs, bom dia! Nas catequeses precedentes entramos gradualmente no grande mistério da misericórdia de Deus. Meditámos sobre a ação do Pai no Antigo Testamento e depois, através das narrações evangélicas, vimos que Jesus, nas suas palavras e nos seus gestos, é a encarnação da Misericórdia. Ele, por sua vez, ensinou aos seus discípulos: “Sede misericordiosos como o Pai” (Lc 6, 36). É um compromisso que interpela a consciência e a ação de cada cristão. Com efeito, não é suficiente experimentar a misericórdia de Deus na própria vida; é necessário que quem a recebe se torne também sinal e instrumento para os outros. Além disso, a misericórdia não está reservada só para alguns momentos particulares, mas abraça toda a nossa existência diária. Por conseguinte, como podemos ser testemunhas de misericórdia? Não pensemos que se trata de realizar grandes esforços nem gestos sobre-humanos. Não, não é assim. O Senhor indica-nos um caminho muito simples, feito de pequenos gestos que, contudo aos seus olhos têm um grande valor, a tal ponto que nos disse que com base neles seremos julgados. De facto, uma das páginas mais bonitas do Evangelho de Mateus oferecenos o ensinamento que poderíamos considerar, de qualquer maneira, como “o testamento de Jesus” por parte do evangelista, que experimentou diretamente sobre si a ação da Misericórdia. Jesus diz que todas as vezes que damos de comer a quem tem


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fome e de beber a quem tem sede, que vestimos uma pessoa nua e acolhemos um estrangeiro, que visitamos um doente ou um preso, é a Ele que o fazemos (cf. Mt 25, 31-46). A Igreja definiu estes gestos “obras de misericórdia corporal”, porque socorrem as pessoas nas suas necessidades materiais. Contudo, há também outras sete obras de misericórdia chamadas “espirituais”, relativas a outras exigências igualmente importantes, sobretudo hoje, porque tocam o íntimo das pessoas e com frequência fazem sofrer mais. Certamente todos se recordam de uma que entrou na linguagem comum: “Suportar pacientemente as pessoas inoportunas”. E há; há muitas pessoas inoportunas! Poderia parecer algo sem importância, que nos faz sorrir, mas contém um sentimento de caridade profunda; e assim é também para as outras seis, que é bom recordar: aconselhar os que têm dúvidas, ensinar os ignorantes, advertir os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, rezar a Deus pelos vivos e pelos mortos. São ações diárias! “Sinto-me aflito”. “Mas, Deus ajudar-te-á, não tenho tempo...”. Não! Paro, ouço, perco o meu tempo e consolo a pessoa, este é um gesto de misericórdia que é feito não só a ela, mas também a Jesus! Nas próximas Catequeses refletiremos sobre estas obras, que a Igreja nos apresenta como o modo concreto de viver a misericórdia. Ao longo dos séculos, muitas pessoas simples as puseram em prática, dando assim testemunho genuíno da fé. Por outro lado, a Igreja, fiel ao seu Senhor, nutre um amor preferencial pelos mais débeis. Frequentemente são as pessoas mais próximas de nós que precisam da nossa ajuda. É melhor iniciar pelas mais simples, que o Senhor nos indica como as mais urgentes. Infelizmente num mundo atingido pelo vírus da indiferença, as obras de misericórdia são o melhor antídoto. De facto, orientam a nossa atenção para as exigências mais elementares dos nossos “irmãos mais necessitados” (Mt 25, 40), nos quais Jesus está presente. Jesus está sempre presente neles. Onde houver uma necessidade, uma pessoa carente, quer material quer espiritualmente, Jesus está ali. Reconhecer o seu rosto no de quem é carente é um verdadeiro desafio contra a indiferença. Permite que estejamos sempre vigilantes, evitando que Cristo passe ao nosso lado sem que o reconheçamos. Vem à mente a frase de Santo Agostinho: “Timeo Iesum transeuntem”


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(Serm. 88, 14, 13), “temo que o Senhor passe” e eu não o reconheça, que o Senhor passe ao meu lado numa dessas pessoas simples, necessitadas e eu não me dê conta de que é Jesus. Tenho medo de que o Senhor passe e não o reconheça! Perguntei-me por que Santo Agostinho disse que temia a passagem de Jesus. Infelizmente, a resposta está nos nossos comportamentos: porque com frequência estamos distraídos, somos indiferentes, e quando o Senhor passa ao nosso lado nós perdemos a ocasião do encontro com Ele.

ESTOU CONVICTO DE QUE ATRAVÉS DESTES SIMPLES GESTOS DIÁRIOS PODEMOS REALIZAR UMA VERDADEIRA REVOLUÇÃO CULTURAL

As obras de misericórdia despertam em nós a exigência e a capacidade de tornar viva e operante a fé com a caridade. Estou convicto de que através destes simples gestos diários podemos realizar uma verdadeira revolução cultural, como aconteceu no passado. Se cada um de nós, todos os dias, realizar uma delas, isto será uma revolução no mundo! Mas, cada um de nós! Quantos Santos ainda hoje são recordados não pelas grandes obras que realizaram, mas pela caridade que souberam transmitir! Pensemos na Madre Teresa de Calcutá, que foi canonizada recentemente: não nos lembramos dela por tantas casas que abriu no mundo, mas porque se inclinava sobre cada pessoa que encontrava no meio da rua para lhe restituir a dignidade. Quantas crianças abandonadas Madre Teresa abraçou. Quantos


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moribundos acompanhou até ao limiar da eternidade, segurandoos pela mão! Estas obras de misericórdia são os traços do Rosto de Jesus Cristo que cuida dos seus irmãos mais débeis para levar a cada um a ternura e a proximidade de Deus. Que o Espírito Santo nos ajude! Que o Espírito Santo acenda em nós o desejo de viver este estilo de vida: pelo menos de fazer uma por dia, pelo menos! Memorizemos de novo as obras de misericórdia corporais e espirituais e peçamos ao Senhor que nos ajude a pô-las em prática diariamente e no momento em que vemos Jesus numa pessoa carente.

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O CATECISMO RESPONDE

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A TRADIÇÃO DA ORAÇÃO Qual a importância da Tradição em relação à oração? Na Igreja, é através de uma Tradição viva que o Espírito Santo ensina os filhos de Deus a orar. A oração não se reduz, com efeito, ao brotar espontâneo dum impulso interior, mas implica contemplação, estudo e compreensão das realidades espirituais que se experimentam.

Quais as fontes da oração cristã? São: a Palavra de Deus, que nos dá a “sublime ciência de Cristo” (Filp 3,8); a Liturgia da Igreja que anuncia, atualiza e comunica o mistério da salvação; as Virtudes Teologais; as Situações Quotidianas, porque nelas podemos encontrar Deus.


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Na Igreja existem diferentes caminhos de oração? Na Igreja existem diferentes caminhos de oração, segundo os diferentes contextos históricos, sociais e culturais. Pertence ao Magistério discernir a sua fidelidade à tradição da fé apostólica e aos pastores e catequistas o explicar-lhe o sentido, que é sempre referido a Jesus Cristo.

Qual o papel do Espírito Santo na oração? Uma vez que o Espírito Santo é o Mestre interior da oração cristã e “nós não sabemos o que devemos pedir” (Rm 8,26), a Igreja exorta-nos a invocá-lo e a implorá-lo em todas as ocasiões: “Vinde, Espírito Santo!”.

Em que é que a oração cristã é mariana? Em virtude da sua singular cooperação com a ação do Espírito Santo, a Igreja gosta de orar a Maria e de orar com Maria, a orante perfeita, para com Ela engrandecer e invocar o Senhor. De fato, Maria, “mostra-nos o caminho” que é o Seu Filho, o único Mediador.

Como é que a Igreja reza a Maria? A Ave Maria é a oração mediante a qual a Igreja pede a intercessão da Virgem. Outras orações marianas são: o Rosário, o hino Acatistos, a Paraclisis, e os cânticos das diversas tradições cristãs.


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CATECINE

UM FILME QUE PODE MUDAR NOSSA VIDA por Paul Asay


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E

u vejo muitos filmes, e muitas pessoas me perguntam: “Este é bom?” Normalmente a pessoa está perguntando se eu gostei de um determinado filme ou não. Ela quer saber se foi engraçado ou empolgante e se eu acho que poderia ser indicado ao Oscar.

Mas, há outro tipo de “bom” que eu olho quando vejo um filme, e isso me leva ao novo filme da Disney, Queen of Katwe (Rainha de Katwe). Phiona Mutesi, a personagem principal do filme (interpretada por Madina Nalwanga), vive em uma das regiões mais pobres de Uganda, nas ruas caóticas de Katwe. Ela não tem pai e sua mãe não tem dinheiro para mandá-la para a escola. Todas as noites, a pequena e lutadora família se reúne para agradecer por aquilo que eles têm… Mas, eles têm muito pouco.

“VOCÊ ACHA QUE DEUS SE ESQUECEU DE NÓS?” Phiona pergunta para sua irmã mais velha, Night.

“EU NÃO ACHO QUE DEUS CUIDE DE NÓS” diz Night.


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Robert Katende (interpretado por David Oyelowo) foi para a escola para ser engenheiro, mas os empregos são escassos. Enquanto espera por algo melhor, Robert aceita um emprego como diretor de esportes. Robert também é um talentoso jogador de futebol, e a ideia é que ele ensine futebol às crianças pobres das favelas. As crianças poderão fazer algum exercício, se divertir, alimentar e, se tudo correr bem, encontrar um pouco de esperança. Mas Robert tem outra paixão: xadrez. E logo ele começa a ensinar às crianças – a maioria não sabe ler nem escrever – como jogar o elegante jogo de tabuleiro, que normalmente só é jogado pelos mais ricos de Uganda. Uma tarde, Phiona e seu irmão tropeçam em clube de xadrez de Robert. Phiona começa a aprender de outra menina o básico do jogo. A menina segura um peão e o chama de “pequeno homem”. Ela aponta para o rei e o chama de presidente. A rainha, a menina explica, é a peça mais poderosa no tabuleiro. E se você perdê-la, acabou – a menos que você, de alguma forma, mova um peão lentamente em todo o comprimento do tabuleiro. O momento em que o peão alcança a outra extremidade, ele pode se tornar outra peça… até mesmo a poderosa rainha.

“NO XADREZ, O PEQUENO PODE SE TORNAR GRANDE” diz Phiona. “É POR ISSO QUE EU GOSTO”.


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As atuações em Queen of Katwe são incríveis: Nalwanga interpreta Phiona com graciosidade e espírito. Lupita Nyong’o, que ganhou um Oscar por seu trabalho em 12 Years a Slave (12 Anos de Escravidão), interpreta a mãe de Phiona. O ano ainda não acabou, mas até agora, Queen of Katwe tem um lugar no meu top 10 pessoal de 2016. Mas o filme, baseado em uma história real, é mais do que apenas uma história: é um daqueles raros filmes que podem fazer de você uma pessoa melhor. Eu assisti ao filme com uma pessoa que trabalha para uma dessas agências de ajuda cristã – uma agência que ajuda crianças em todo o mundo, incluindo Uganda. Esse ministério, e outros iguais a ele, ajudam a fornecer aos mais pobres alimentos, vestuário, educação, e até mesmo abrigo. Graças à generosidade de inúmeros doadores, milhões e milhões de crianças recebem esperança. Nem todas se tornarão campeões de xadrez, é claro, mas algumas se tornarão médicos, advogados, professores e políticos. Elas conseguirão emprego, irão se casar e criar seus filhos em circunstâncias melhores.


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No filme, Phiona se pergunta se Deus se esqueceu de sua família. Ele não tinha esquecido, mas, muitas vezes, nós esquecemos. Esquecemos que, como cristãos, somos chamados a nos doar, a mostrar o rosto de Jesus para o mundo que nos cerca. O talento e dedicação de Phiona ao jogo de xadrez é louvável, mas ela nunca teria tido uma oportunidade de descobrir o xadrez sem a ajuda de um ministério cristão – o que contratou Robert e é apoiado por pessoas como você e eu. Quando doamos para causas que valem a pena – quando doamos nosso tempo e energia, e nosso dinheiro – temos a rara oportunidade de entrar em histórias maiores do que nós. Temos uma oportunidade de ajudar a ser uma peça de Deus. Isso não é um dever; isso é uma honra. O filme tem direção de Mira Nair e é uma adaptação do livro homônimo do jornalista Tim Crothers, que tirou Phiona do anonimato em 2013. O roteiro ficou a cargo de William Wheeler (Ray Donovan). Queen of Katwe estreou-se no Festival Internacional de Cinema de Toronto no dia 10 de setembro de 2016.

Confira o trailer legendado


SUGESTÕES DE APP

Liturgia Diária

A

companhe diariamente toda a caminhada litúrgica da Igreja por meio do aplicativo Liturgia Diária.

O aplicativo disponibiliza as leituras bíblicas de cada dia e uma reflexão do Evangelho do dia em texto e áudio. Além disso, o usuário poderá agendar o horário que deseja ser avisado para estudar a Palavra. O aplicativo foi desenvolvido com o objetivo de transmitir a Palavra de Deus a todos os fiéis que buscam se alimentar da Sagrada Escritura. Baixe grátis em seu smartphone ou tablete com sistema Android ou IOS.

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SUGESTÕES DE LEITURA

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EDUCAR PARA O SAGRADO UMA RESPOSTA À CRISE DA SOCIEDADE PÓS-MODERNA De Ezio Aceti Editora Ave-Maria

Um dos maiores desafios que o mundo enfrenta na atualidade é o da educação. Quando associada à religião as dificuldades são maiores ainda. Vivemos num milênio onde a sociedade age como se Deus tivesse dia, hora e local certo para falarmos com Ele. As pessoas estão deixando de se relacionar com Deus, assim tem perdido o sentido do sagrado. Neste livro, o autor quer nos mostrar que para mudarmos esse cenário as crianças são fundamentais. Dividida em três capítulos, a obra promove a educação por meio da "cultura do sagrado", do mistério e do amor, tendo o educador como grande aliado nessa função.

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CATEQUESE DESDE O VENTRE MATERNO De Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da CNBB Editora Pastoral Familiar Brasil

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CATECRIANDO:

NOVAS DINÂMICAS DE GRUPO PARA A CATEQUESE De Ir. Mary Donzellini (org) Editora Paulus

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