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JORNAL DA DIOCESE DE GUAXUPÉ

DIOCESE DE GUAXUPÉ

ANO XXIX - 285

AGOSTO DE 2013

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editorial “Cristo ‘bota fé’ nos jovens e confia-lhes o futuro de sua própria causa: ‘Ide, fazei discípulos’. Ide para além das fronteiras do que é humanamente possível e criem um mundo de irmãos. Também os jovens ‘botam fé’ em Cristo. Eles não têm medo de arriscar a única vida que possuem porque sabem que não serão desiludidos.” Papa Francisco, durante discurso de chegada ao Brasil para JMJ 2013

Agosto é o mês dos ventos. As folhas maduras caem das árvores, fertilizam o solo para novas e robustas plantas. As árvores são movimentadas de um lado para o outro, o que faz delas mais resistentes, porque foram provadas pela força dos ventos. O sopro cumpre sua missão: despoja a vida de seus excessos e a rejuvenesce. Próximo a agosto, chegou Francisco ao Brasil. O papa trouxe novos ventos à Igreja. Veio para ver os jovens. Mas ninguém é capaz de negar que este homem é, para a Igreja, tão jovem quanto a juventude. Sua presença rejuvenesce a

todos. Não é homem de excessos. Quer o essencial. Porém, com o necessário movimento. A Jornada Mundial da Juventude, com a evangélica inspiração “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19), invocou o necessário e urgente Sopro do Espírito para reanimar a Igreja em sua missão. A juventude, hoje, sente-se vocacionada a transformar o mundo em casa de irmãos. Sabe que é discípula de Jesus Cristo e que sua jornada vai além das fronteiras impostas pelos sistemas sociais. Quer botar fé no mundo, porque o próprio Cristo veio para botar fé na hu-

manidade. Um mês para pensar sobre a força dos ventos... que leva, que traz, que renova. Mês vocacional. Oportunidade para olhar com amor a vida consagrada. A Diocese de Guaxupé teve e tem a alegria de acolher a presença de religiosos e religiosas, homens e mulheres que fazem a jornada do vento do Espírito. Alguns vindos de longe, de lugares diversos e aqui deixam suas marcas, rejuvenescem os espaços sem grandes pretensões, motivados simplesmente pelo chamado que receberam do Cristo: “Ide e fazei discípulos...”

Dom José Lanza Neto

voz do pastor MARIA VOCACIONADA, AQUELA QUE SERVE Maria, a vocacionada por excelência! Sua vocação distinguiu-se pelo seu generoso serviço. O serviço é uma das exigências da evangelização. Servir de forma gratuita, sem olhar a quem. Estamos no mês de agosto, mês vocacional. Refletiremos sobre as mais diversas vocações. O que pensar depois de passada a Jornada Mundial da Juventude? Tantos jovens foram marcados pelo Senhor, ainda mesmo antes da jornada. Quantas reflexões, caminhadas, orações, missões... Esperamos que a juventude seja generosa em dizer ao Senhor que está disponível para segui-Lo mais de perto, consagrando

sua vida numa entrega total. Será que vale a pena darmos todo esse incentivo, encorajando-a em tal seguimento? Não seria um desperdício entregar sua juventude, sua força física, sua beleza e expressão maior de sua vida a algo sem muito brilho? É claro que vale a pena e o Senhor merece o que temos de melhor, de mais bonito e de mais sério. Por ocasião do 50º Dia Mundial de Oração pelas Vocações, 21 de abril, nosso Papa Emérito, Bento XVI, numa mensagem dizia: “Amados jovens, não tenhais medo de seguir Jesus e de percorrer os caminhos exigentes e cora-

josos da caridade e do compromisso generoso. Sereis felizes por servir, sereis testemunhas daquela alegria que o mundo não pode dar, sereis chamas viva de um amor infinito e eterno, aprendereis a dar a razão da Vossa Esperança.” Invoquemos a mãe de todas as vocações para que desperte entre os jovens muitas e santas vocações. Lembremo-nos sempre de que o melhor meio de suscitar boas vocações, após orações, é a pregação do bom exemplo, a edificação da caridade mútua, da alegria serena e da paz da vida em comum.

Um belo trabalho está sendo desenvolvido, em nossa diocese, pelo Serviço de Animação Vocacional (SAV), tendo à frente um padre jovem, juntamente com jovens seminaristas. A eles, nosso apoio e oração. Esse trabalho se destaca pelas visitas aos jovens vocacionados em suas famílias e a formação das equipes paroquiais. Grande parte de nossa diocese encontra-se bem servida vocacionalmente, graças à ação daqueles e daquelas que acreditam que Jesus continua chamando. Que não nos faltem força e coragem, vamos em frente!

expediente Diretor geral DOM JOSÉ LANZA NETO Editor e Jornalista Responsável PE. GILVAIR MESSIAS DA SILVA - MTB: MG 17.550 JP Revisão MYRTHES BRANDÃO Projeto gráfico e editoração BANANA, CANELA E DESIGN www.bananacanelaedesign.com.br - (35) 3713-6160 Tiragem 3.950 EXEMPLARES

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Impressão GRÁFICA SÃO SEBASTIÃO Ilustração MARCELO A. VENTURA Conselho editorial PADRE JOSÉ AUGUSTO DA SILVA, PADRE HENRIQUE NEVESTON DA SILVA, IR. MÁRCIO DINIZ, MARIA INÊS MOREIRA E NEUZA MARIA DE OLIVEIRA FIGUEIREDO.

Redação Praça Santa Rita, 02 - Centro CEP. 37860-000, Nova Resende - MG Telefone (35) 3562.1347 E-mail PASCOM.GUAXUPE@GMAIL.COM Os Artigos assinados não representam necessariamente a opinião do Jornal. Uma Publicação da Diocese de Guaxupé www.guaxupe.org.br

JORNAL COMUNHÃO


opinião VIDA RELIGIOSA CONSAGRADA

Por Pe. Luiz Caetano, religioso rogacionista, responsável pela Obra Social e Setor Econômico do Educandário em Passos

BREVE HISTÓRICO Desde o princípio do cristianismo, sempre, homens e mulheres, por amor ao Reino dos Céus, “abriram mão do casamento”. Gradativamente, esta forma de vida, como novidade na Igreja, foi-se expandindo por várias regiões. Passou pelo Egito, pela Palestina, principalmente depois da chamada Paz Constantina (313), quando o Cristianismo deixou de ser uma religião perseguida, visto que o Edito de Milão outorgou liberdade religiosa a todos os cidadãos do Império. Como no início os cristãos eram muito perseguidos, podemos dizer que a primeira tipologia de Vida Religiosa surgiu apenas no final do século III com o Monaquismo. Os chamados “ascetas” viviam o celibato, possuíam uma intensa vida de oração, praticavam jejuns, abdicavam-se de seus bens e ajudavam os mais necessitados, colocando-se assim, em relevo, o despojamento do próprio Jesus Cristo. Com o passar do tempo, apareceu a tendência para a vida em comum, de maneira mais ordenada. Assim, nasceram os múltiplos Institutos de Vida Consagrada, através de Ordens, Congregações, posteriormente Institutos e Sociedades de Vida Apostólica. Alguns ainda permanecem, mesmo com o passar de tantos anos e muitos outros continuam sendo gestados. CARISMA Podemos dizer que a Vida Religiosa Consagrada tem por finalidade a essên-

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cia de viver a primeira Consagração, na Aliança do Sacramento do Batismo, a qual todos os cristãos leigos assumem igualmente. Depois, por opção, consagram-se especificamente à vivência dos Conselhos Evangélicos: Pobreza - vivência da partilha e da solidariedade; Castidade - vivência do amor indiviso, dedicado radicalmente a Deus e ao próximo, no serviço à comunidade; Obediência - vivência na fidelidade ao diálogo e na missão da igreja, Povo de Deus. Muitas congregações adotam seus votos próprios. Neste caso, os Rogacionistas possuem o Quarto Voto – o Rogate – ou seja, rezar e zelar pelas vocações. É muito importante lembrar que o carisma da Vida Religiosa Consagrada é essencialmente eclesial, por isso, a consagração a ela adquire seu pleno significado, quando vivida na comunidade eclesial. PRESENÇA DO REINO Para melhor compreendermos a Vida Religiosa como presença do Reino, as celebrações da CNBB para o mês de agosto deste ano de 2013 elencaram recordações e propostas, definindo-as em um tríplice eixo: 1 – Consagração: todos Religiosos Consagrados devem ter momentos privilegiados para encontrar-se com Deus, pertencer totalmente a Ele. Através da intimidade com Ele, as motivações são purificadas e a fé reabastecida. Quando falta esta intimidade e amizade, a Vida

Religiosa vai perdendo o sentido de sua consagração. E a comunhão com Deus, com os outros e consigo mesmo vai se deteriorando. 2 – Comunhão: todos Religiosos Consagrados devem colocar-se como operários a serviço da grande messe, oferecendo tudo o que são e fazem inseridos na comunidade e na Igreja local, sendo presenças vivas do Reino na vida fraterna e em comunhão com a Igreja. 3 – Missão: todos os Religiosos Consagrados devem colocar-se a serviço do Reino, anunciando e denunciando qualquer forma de injustiça. Não podemos deixar de elencar que discipulado e missão não são dois momentos diferentes. Em Mc 3,13-14, Jesus convida os doze para ficarem com Ele, isto é, estarem em comunhão com Ele. Depois são enviados a pregar. Por isso, podemos dizer que todo discípulo é missionário, pois Jesus o faz partícipe de sua missão, ao mesmo tempo que o vincula a Ele como amigo e irmão (Documento de Aparecida, 144). Um olhar de atenção para os principais momentos de instrução de Jesus aos discípulos acontece nas diversas circunstâncias da missão: encontros (Mt 19,23), conflitos (Mc 9,33), parábolas (Mc 4,34), oração (Lc, 11,1) e envio (Mt 10,1). Assim, a missão torna-se uma verdadeira escola para a comunidade do discipulado. (Cf. Celebrações para mês vocacional – agosto 2013, CNBB)

CONTRIBUIÇÕES Houve, por parte de nossos fundadores, um esforço enorme para encararem, apaixonados, os desafios de suas épocas e criarem comunidades que estivessem em sintonia com as causas emergentes, tendo em vista os contextos em que eram chamados a atuar. Muitos tiveram que adaptar-se às circunstâncias, aceitarem novas formas de estruturas para encaixarem os carismas. O importante de tudo isso é saber, ao longo dos séculos, que a Vida Religiosa Consagrada foi, no seio da Igreja, sinal e presença, testemunho vivo de oração e caridade, de contemplação e apostolado. No entanto, a prioridade da Vida Religiosa não é somente a convivência através da vida compartilhada, mas a missão assumida em comum, formando uma verdadeira comunidade de irmãos. O mundo de hoje exige um testemunho de comunhão, de fraternidade e de diálogo (VC 51) não apenas como autêntico serviço evangélico, mas, sobretudo, como sinal. Por isso, precisamos estar sempre adequando nossas estruturas, nossas relações, estilos de vida, espiritualidade, planejamentos, missão, segundo o carisma. O desafio atual, mais do que nunca, é descobrir a vontade de Deus num tempo de “mudanças de época”, tempos desnorteadores (cf. DGAE, 2011-2015, nº 20, CNBB) e colocar os pés a caminho, sendo presença do Reino de Deus na vida de todos os seres humanos.

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ESPECIAL: JORNADA MUNDIAL DA JUVENTUDE

Por Sérgio Bernardes

CLIMA DE EXPECTATIVA NAS RUAS DO RIO, ANTES DA JMJ Mesmo antes do início oficial da Jornada Mundial da Juventude (JMJ Rio 2013), um expressivo número de peregrinos de todo o mundo já preenchia as ruas do Rio de Janeiro com suas cores, idiomas e expectativas pela chegada do papa Francisco para a JMJ, no dia 22 de julho. Em vários pontos da cidade, era possível deparar-se com grupos de peregrinos de diversas nacionalidades, que aproveitavam o evento para conhecerem as atrações turísticas oferecidas pelo Rio. Os visitantes também percorriam toda a cidade, criando oportunidades de evangelização, através de músicas, orações, conversas com os moradores locais, inclusive, participando das missas em diversas comunidades cariocas. Há um grande anseio dos grupos entrevistados em relação à Jornada Mundial da Juventude. O padre Andres Espinoza Duran, do México, traça algumas perspectivas para o evento, “estamos muito contentes por termos um papa latino-americano, nos preparamos espiritualmente para este momento. Acredito que será uma oportunidade de compartilhar a alegria da fé”.

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JOR RNAL COMUNHÃO JORNAL


A PASSAGEM DO PAPA FRANCISCO

Desde sua chegada, o papa Francisco se mostrou bastante próximo da multidão que se deslocava por toda a cidade para presenciar de perto a passagem do sucessor de Pedro pelo Brasil. Em seu primeiro discurso, junto às autoridades do país, do estado e da cidade do Rio de Janeiro, pronunciou que a juventude é a “pupila dos olhos” da sociedade. Sem esta luz, não haverá futuro e, portanto, o mundo não verá

seus próprios caminhos. Com muito afeto, que é próprio do pontífice, pediu licença para entrar no país e saudou a todos com a paz. “Aprendi que para ter acesso ao povo brasileiro, é preciso ingressar pelo portal do seu imenso coração; por isso, permitam-me que nesta hora, eu possa bater delicadamente a esta porta. Peço licença para entrar e transcorrer esta semana com vocês. Não tenho ouro nem prata,

mas trago o que de mais precioso me foi dado: Jesus Cristo! Venho em Seu nome, para alimentar a chama de amor fraterno que arde em cada coração e desejo que chegue a todos e a cada um, minha saudação: ‘A paz de Cristo esteja com vocês!’” Em Aparecida (SP), no dia 24, mesmo debaixo de chuva, os peregrinos se mantiveram às portas do Santuário Nacional para ver o papa, que saudava incansavelmente a todos e beijava algumas crianças pelo trajeto. Em sua homilia, disse que o cristão não vive sem as essenciais virtudes - esperança e alegria. Depois, ternamente, carregou a imagem de Nossa Senhora Aparecida para saudar o povo e pedir que por ele rezasse. A sensação que ele transmitiu foi de muita tranquilidade e alegria, mesmo diante de um engarrafamento na cidade do Rio, nas visitas ao Hospital São Francisco da Providência de Deus, na inauguração da ala psiquiátrica que dará assistência a dependentes químicos e à comunidade da Varginha, na qual o papa exortou a todos num

discurso forte e enérgico: “Nenhum esforço de ‘pacificação’ será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma.” Ainda na manhã do dia 25, fez questão de um encontro com os jovens argentinos que participavam da JMJ. Uma multidão de peregrinos lotou a Catedral Metropolitana para este encontro inesperado com o Sumo Pontífice. A cidade do Rio de Janeiro, há algum tempo em tons de cinza – da violência, da morte, do tráfico, da injustiça, das guerrilhas, durante a JMJ, em tons de festa – cores continentais, cores de esperança, de alegria, de coragem, de fé. O papa reuniu-se com a juventude para celebrar a vida e a força da fé cristã, capaz de contagiar o mundo e destruir os esquemas opressores do mal. Em eucaristia, vigília, confissões e via-sacra, o papa e a juventude rejuvenesceram não só o Rio, como a Igreja no mundo.

O evento contou com números grandiosos, cerca de 60 mil voluntários nacionais e estrangeiros que contribuíram decisivamente na organização da JMJ. As atividades foram inúmeras, como cordão de isolamento nos eventos oficiais, assessoria de imprensa, atendimento aos peregrinos e socorristas. Quem revela a importância do trabalho voluntário durante o evento é o espanhol Abel Cobos que atuou no balcão de informações na rodoviária Novo Rio: “Muitos peregrinos vieram sem conhecer a cidade. Quando se encontraram conosco, ficaram mais felizes, porque viram que tudo se soluciona.” Além dos eventos denominados ‘Atos Centrais’, a JMJ ofereceu uma

grande quantidade de atividades paralelas, como o Festival da Juventude, repleto de atrações musicais, apresentações cinematográficas, teatrais e de dança. E, no período da manhã, os peregrinos puderam participar de catequeses com bispos e cardeais em seus respectivos idiomas. Numa destas catequeses ministradas na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, no Méier, o cardeal dom Geraldo Magela Agnelo recordou aos jovens a importância do encontro pessoal com Cristo, que se manifestou durante a JMJ. “Sentir-se enviado é algo que devemos acolher no coração, por ser discípulo de Cristo, eu me coloco à disposição deste envio.”

EVENTOS EXTRA-OFICIAIS

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reportagem MÃOS DE MULHERES CONSAGRADAS Mulheres com rostos de Igreja... consagradas para servir! enviadas a diferentes missões. Sentem-se obreiras do apostolado. De mãos postas à oração, com mãos na massa, na messe, no mundo – em nome do amor, de Jesus Cristo! O Cristo viveu momentos precisos de sua missão na companhia de mulheres. Nasceu pelo sim de Maria, aproximou-se da samaritana à beira do poço, vivenciou a amizade de Marta e Maria, teve os pés lavados por uma suposta pecadora – gesto mais tarde repetido por Ele mesmo na última ceia, anunciou a Boa Nova da Ressurreição a Maria Madalena. A Igreja navega pelas águas tumultuosas do mundo, muitas vezes remada pelas mãos corajosas e firmes de várias mulheres. Recorda-se de Joana D’Arc, Teresa D’Ávila, Rita de Cássia, Teresa de Calcutá, Nhá Chica... Tantos nomes podem ainda ser lembrados! Uma Igreja também de mãos femininas. A Diocese de Guaxupé, em seus quase 100 anos, edificou-se com a participa-

Por Pe. Gilvair Messias

ção ativa de muitas mulheres. Um mutirão de consagradas passou pela história diocesana. Sejam em trabalhos diocesanos ou paroquiais, elas atuaram e atuam em diferentes carismas, urgências da missão em cada tempo. Já em 1914, com a chegada de Dom Antônio Augusto de Assis a Guaxupé, para fixar moradia, elas foram convidadas pelo prelado, que via a necessidade de trabalhar a educação, as primeiras religiosas Concepcionistas do Ensino. Várias são as congregações femininas que fizeram parte da história da Diocese de Guaxupé. Outras continuam na missão, muitas vezes silenciosas como as mãos de uma mulher sobre a massa de pão. O COMUNHÃO abriu este espaço para ouvir algumas comunidades religiosas, momento oportuno para também louvar e agradecer o serviço evangélico de todas. E fica à disposição para publicar, em edições futuras, suas experiências pastorais.

ORDEM DAS CARMELITAS DESCALÇAS

Há 62 anos, no Carmelo São José, na cidade de Passos, hoje com 15 irmãs, o carisma da Ordem das Carmelitas Descalças é o “da amizade com Deus, buscando vivê-lo numa vida de oração, fraternidade, imolação pela Igreja, trabalho, silêncio, solidão, intercessão, espalhando ao nosso redor o perfume da intimidade com Deus. Fomos fundadas por Santa Teresa de Ávila em 1562 e estamos presentes nos 5 continentes, num total de cerca de 12 mil carmelitas”, relata a Irmã Maria Elizabeth da Trindade.

tado, também atendemos às pessoas para aconselhamento, direção espiritual, escuta.” Viver o silêncio da oração e afastadas do barulho do mundo não significa desconhecer a realidade. As irmãs manifestam clareza e consciência nítida dos desafios que lhes são impostos. “Permanecermos fiéis ao chamado de Deus e ao carisma diante dos contravalores que a sociedade atual apresenta e quase impõe. Manter nosso estilo de vida de simplicidade e pobreza; viver a comunhão

Como Moisés no monte, com os braços levantados, enquanto o povo batalha pelo Reino”, as irmãs carmelitas são mãos unidas em oração

“Como Moisés no monte, com os braços levantados, enquanto o povo batalha pelo Reino”, as irmãs carmelitas são mãos unidas em oração, mãos de Igreja que suplica pelo Reino, pelo Povo de Deus. Diz irmã Elizabeth “que nosso único ‘trabalho apostólico’, previsto em nossas constituições, é aquele inerente à nossa vocação, ou seja, rezar por todos os que trabalham diretamente com o povo, ser o sustentáculo dos evangelizadores, fermentar a sociedade de maneira silenciosa e escondida com o fermento do amor de Deus. Além deste acima ci-

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fraterna no amor numa comunidade e num mosteiro onde convivemos 24 horas por dia, numa partilha de vida e de ideal. Saber conduzir e formar as novas gerações de carmelitas segundo o carisma, mas atentas às novidades do Espírito para o hoje de nossa história, caminhando com a Igreja.” E, por saberem dos desafios, mantêm a força da esperança que, segundo a comunidade, é a de “vivermos a unidade querida por Jesus, sendo instrumentos de transformação e de provocação na sociedade hedonista e secularizada.”

CONGREGAÇÃO DAS IRMÃZINHAS DA IMACULADA CONCEIÇÃO (CIIC) Atualmente situadas em Passos, com 03 religiosas, mas há 96 anos na Diocese de Guaxupé, as Irmãzinhas da Imaculada Conceição já exerceram valioso apostolado na história diocesana: pastorais paroquiais; serviço de enfermagem; direção das Santas Casas em São Sebastião do Paraíso, Guaranésia, Guaxupé, Cássia, Itaú de Minas, Fortaleza de Minas, Campestre e Passos; presença nos asilos de Cássia e Guaranésia; atuação nos Conselhos Tutelares em Passos; assistência à Casa da Criança de Guaxupé.

que atuam nas visitas e alimentação dos pacientes e familiares; assistência às famílias e aos doentes através da eucaristia, orações, visitas, chamando o padre para assistência pastoral-sacramental e o pastor para atendimento ao seu fiel; presença de uma irmã na Pastoral Vocacional – SAV; irmã cursando Enfermagem. O trabalho é vasto, a messe é grande, porém os trabalhadores são poucos. As irmãs assumem como desafios o número pequeno de religiosas para esta missão. E ainda “atender as necessidades das pessoas quando pedem os sacramentos. Por não termos um

Confiai sempre e muito na Divina Providência; nunca, jamais desanimeis, embora venham ventos contrários.

Identificadas pelo carisma: “Sensibilidade para perceber os clamores da realidade e disponibilidade para servir aos mais necessitados e aos que estão em situação de maior injustiça”, as irmãzinhas exercem hoje os trabalhos: Pastoral da Saúde; Departamento de Assistência Religiosa na Santa Casa de Misericórdia de Passos e Hospital Regional de Câncer - com 102 voluntários

Santa Paulina Capelão, nem sempre conseguimos um padre.” E esperam: “um dia ter um capelão ou um padre designado para esta missão; Paróquias que assumem o apostolado para com os doentes e com a Pastoral da Saúde; que a Santa Casa também tenha interesse por esta missão.”

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megatroper

IRMÃS CISTERCIENSES DA CARIDADE Há 23 anos, em Claraval, hoje com 05 religiosas, as Irmãs Cistercienses da Caridade participam dos benefícios e da espiritualidade cisterciense, sobretudo na união ativa e contemplativa, na liturgia e no empenho apostólico. “Nosso carisma tem sua raiz no amor a Cristo Crucificado”, dizem as irmãs. Inspiradas pela fundadora, madre Claudia, no caminho da cruz, as religiosas creem que a caridade se modela pela educação. “Educar não é apenas instruir, ensinar, transmitir ideias, mas é,

nefício sócio-cultural e religioso, especialmente da juventude. Em 1994, vendo a necessidade das famílias, a Congregação, com a ajuda de benfeitores italianos, contribuíram para a fundação da Creche Claudia De Ângelis da Cruz, com o objetivo de acolher as crianças, dando uma educação fundamental, possibilitando às mães trabalharem. Atualmente a mesma acolhe cerca de 90 crianças. Cuidam naturalmente da animação litúrgica, da catequese e do percurso de discernimento vocacional, propon-

Educar não é apenas instruir, ensinar, transmitir ideias, mas é, essencialmente para nós, Irmãs Cistercienses, formar ao amor, tentando trazer para fora o melhor que existe em cada pessoa. Concretamente, nossa atenção é voltada, de modo particular, ao mundo jovem, na educação, nas atividades apostólicas nas paróquias e na missão.

essencialmente para nós, Irmãs Cistercienses, formar ao amor, tentando trazer para fora o melhor que existe em cada pessoa. Concretamente, nossa atenção é voltada, de modo particular, ao mundo jovem, na educação, nas atividades apostólicas nas paróquias e na missão.” Falam ainda que “tudo isso é possível se todos os dias mantivermos em pé os três pilares que nossa fundadora deixou: comportar-se bem com Deus; comportar-se bem consigo mesmo; comportar-se bem com o próximo.” Desde a fundação em 1990, as irmãs se dedicam a trabalhar para o be-

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do a Palavra evangelizadora às pessoas de diversas idades, envolvendo crianças, jovens, pastoral da saúde e da esperança. Acompanham também as famílias ameaçadas pelo perigo do alcoolismo e drogas, exploração de menores e ao combate à prostituição de adolescentes e jovens. Atualmente destaca-se na atuação das irmãs o Projeto “CRESCER” - Educando para vida, que acolhe cerca de 40 crianças e adolescentes. O objetivo é educar para a vida, através do artesanato, da arte, música e de diversas outras atividades formativas.

CONGREGAÇÃO DAS IRMÃS DA NOVA BETÂNIA Inspiradas pelo carisma de cuidar de padres idosos, auxiliar nas paróquias, nas diversas pastorais, divulgar a boa leitura por meio de livrarias católicas, trabalhar em hospitais, escolas, faculdades – surgiram, há 28 anos, em Guaxupé, as Irmãs da Nova Betânia. Hoje, com 03 religiosas, atuam na Santa Casa de Misericórdia de Guaxupé, Casa da Criança, Centro Universitário da Fundação Educacional de Guaxupé (UNIFEG), Livraria Católica Nova Betânia e pastorais da Paróquia Nossa Senhora do Rosário.

fim de despertar cada vez mais jovens dispostas a dar continuidade ao Serviço do Reino de Deus.” Às lideranças pastorais, neste mês dedicado às vocações, as irmãs rogam “despertar em nossas comunidades e nossas famílias uma renovada consciência vocacional.” “Nós, como membros vivos da Igreja, somos também responsáveis em alimentar o chamado de Deus no meio da Juventude.” Em uma comunidade nova, as irmãs da Nova Betânia dizem o que é importante recordar sempre para manter o espírito religioso: “Nós, religiosas, vivemos em comunidade e

A vida, por si mesma, é uma resposta minuto a minuto. Viver, escolher proporcionar a vida, é um constante desafio. Em um mundo marcado pelo crescente consumismo e secularismo, tornam-se ainda mais difíceis pessoas que se disponham a consagrar suas vidas. O constante desafio é manter um trabalho vocacional intenso, a fim de despertar cada vez mais jovens dispostas a dar continuidade ao Serviço do Reino de Deus.

Sobre os desafios da vida religiosa, as irmãs dizem que a vida, por si mesma, “é uma resposta minuto a minuto. Viver, escolher proporcionar a vida, é um constante desafio.” Em um mundo marcado pelo crescente consumismo e secularismo, tornam-se ainda mais difíceis pessoas que se disponham a consagrar suas vidas. “O constante desafio é manter um trabalho vocacional intenso, a

procuramos nos ajudar mutuamente numa verdadeira unidade fraterna. Procuramos viver o espírito das bem-aventuranças, dando ao mundo testemunho da felicidade eterna, garantida a todos, pelo Cristo. É tempo de despertar e comprometer-se por meio da oração, a todos os religiosos, a fim de perseverarem na vocação.”

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ponto de vista teológico REDESCOBRIR A VOCAÇÃO NOS DIAS DE HOJE! Por Pe. José Augusto da Silva, pároco da Matriz São Domingos (Poços de Caldas) e Professor na FACAPA (Pouso Alegre) Grande desafio que se nos impõe é recuperar a arte da atenção diante da voz que chama! Acossados por uma realidade polifônica e polissêmica, sentimos nossa atenção esmorecer e diluir-se. Afinal, quem chama? Como discernir Aquele que chama, o Senhor, Pai de Nosso Senhor Jesus Cristo, dos variados chamamentos internos e externos a nós? Creio que o primeiro passo é recuperar aquela ancestral atitude e, por isso mesmo, basilar e determinante: a atenção da fé. Conforme nos lembra o Papa Francisco em sua primeira Encíclica, Lumen Fidei, a fé é uma conjugação dos verbos “ouvir” e “ver”: ouvir os apelos de Deus Pai nos semblantes humanos, nos caminhos e descaminhos da história! Dessa efetiva conjugação, maturamos nossa fé e, por decorrência, sentimo-nos mais autorizados na resposta aos apelos do Senhor.

Ouvir e, ao mesmo tempo, enxergar a realidade presente nos capacita a responder com mais inteireza o chamamento do Senhor. Com os ouvidos atentos ao que diz a Palavra e com os olhos voltados para a história, reencontramos a paz necessária do discernimento.

Shemá, Israel (cf. Dt 6,4)! O povo é convidado a ficar na escuta do que o Senhor tem a dizer. Amá-Lo sobre todas as coisas e ao seu semelhante como a si mesmo é o cumprimento da Lei. O distanciamento da “escuta” conduziu o povo ao desterro, ao desastre. Não obstante a riqueza teológica produzida no Exílio, o povo amargurou as consequências da não atenção aos apelos de Deus. O profeta Zacarias relembra: “Eles, porém, não quiseram escutar: voltaram-me as costas, revoltados, e taparam os ouvidos para nada ouvir” (Zc 7,11). Ouvir e, ao mesmo tempo, enxergar a realidade presente nos capacita a responder com mais inteireza o chamamento do Senhor. Com os ouvidos atentos ao que diz a Palavra e com os olhos voltados para a história, reencontramos a paz necessária do discernimento. Diz Isaías: “Vistes muitas coisas sem lhes dar atenção, tivestes os ouvidos abertos sem escutar” (Is 42,20). Realidade polifônica e polissêmica! Como outrora, vemos a superficialidade das coisas, temos medo de

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atentar aos fatos. Ouvimos, mas não captamos o essencial. O desafio cresce: como discernir os apelos do Senhor numa realidade caleidoscópica? A arte da atenção nos coloca em sintonia fina com a vontade de Deus. O chamado à existência e, por conseguinte, o chamado à vocação cristã, só pode ser respondido com a consciência de que ainda não somos aquilo que Deus nos propôs desde o início: imago Dei. Vivemos a dialeticidade do pecado e da graça. Não há como fugir desse fato. É bem verdade que Deus é sempre fiel e paciente conosco; espera ternamente nossa resposta generosa ao Seu amor. No entanto, ainda não adquirimos a completude daquela graça iniciada no dia do Batismo. Temos um longo caminho a percorrer, especialmente na vivência comunitária! Sem essa consciência, podemos nos equivocar na resposta.

Viver a vocação cristã nos dias de hoje significa, após ter recuperado a arte da atenção, “ouvir e ver”, colocar-se à disposição dos apelos, nem sempre claros, porém constantes do Senhor da Vida. Significa experimentar o amor transfundo do Deus vivo e verdadeiro, que se verga sobre o caído; é experimentar em nossa carne a bondade que naõ teme sujar-se com as vicissitudes de nossa condição humana. Vale dizer: é fazer a experiência do encontro que nos recorda nossa verdadeira altura. Um exemplo forte e atual é aquele narrado pelo quarto evangelho: “Vinde e vede um homem que me contou tudo o que tenho feito. Não seria ele, porventura, o Cristo?” (Jo 4,29). A mulher samaritana reencontrou seu caminho: reencontrou-se consigo mesma, com Deus e com os irmãos. A consequência natural de quem descobre e vive sua vocação é tornar-se mensageiro do amor de Deus. Como a samaritana, compartilha com os irmãos o que viu e ouviu no gracioso encontro.

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bíblia VOCAÇÃO É DESAFIO Por Pe. José Luiz Gonzaga do Prado, professor de Teologia Bíblica no Centro de Estudos Superiores da Arquidiocese de Ribeirão Preto. Reside em Nova Resende O Papa Francisco vem repetindo, com frequência, que é preciso sair, que é preciso arriscar-se, que ele prefere uma Igreja acidentada a uma Igreja trancada em casa, doente e deprimida. O Documento de Aparecida, sem dúvida, por influência do Cardeal Jorge Bergoglio que fazia parta da equipe de redação do documento, insiste em que não basta ser discípulo, é preciso também ser missionário. A vocação para sair de si é para todos. Ninguém é vocacionado para se acomodar. Ninguém é vocacionado para garantir a própria vida e subsistência com tranquilidade e conforto. É vocacionado para remar contra a corrente – também palavras do Papa Francisco – para esquecer a segurança de casa e sair, ir, “como ovelha no meio de lobos”, anunciar a salvação que se encontra no Messias Jesus. AMÓS Amós era “um dos pastores de Técua” (Am 1,1), aldeia de Judá, ao sul de Jerusalém. Mais adiante (7, 14), ele se diz também “vaqueiro e cultivador de sicômoros”. Tomando conhecimento do que se passava no reino norte, o reino de Israel, sente-se chamado por Deus para denunciar a exploração dos pobres e o culto falso que tentava encobrir a exploração dos mais fracos no economicamente próspero e convencido Israel. Ele faz suas denúncias no Santuário Nacional de Betel (2,6-7): “Eles vendem o justo por dinheiro; o sofredor, por um par de sandálias; esmagam a cabeça dos fracos no pó da terra e tornam mais penosa a vida dos oprimidos.” “Escutai esta palavra, vacas de Basã, do planalto de Samaria, vós que explorais os fracos e esmagais os carentes, que só sabeis dizer aos maridos: ‘Traze, vamos beber!’” “Sou contra, detesto vossas festas, não sinto o menor prazer nas vossas celebrações!” “Afasta de mim a algazarra de teus cânticos, a música de teus instrumentos nem quero ouvir. Quero apenas ver o direito brotar como fonte, e correr a justiça qual regato que não seca.” Evidentemente ele foi expulso do Santuário e também do país. Amasias, o sacerdote chefe do Santuário, imaginou que

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ele fosse dos “profetas profissionais”. Esses ganhavam a vida fazendo profecias para agradar os poderosos ou para cobrar a fim de modificar o sentido de suas palavras. Assim, disse-lhe que o Santuário era uma dependência do palácio do rei e que Amós deveria ir ganhar a vida dessa forma lá na sua terra, o reino de Judá. Aí ele nega ser desses profetas e se diz vaqueiro e cultivador de sicômoros. JEREMIAS Jeremias não gostou de ser vocacionado. Disse: “Maldito o dia em que fui gerado! Jamais seja abençoado o dia em que minha mãe me deu à luz!” (Jr 20,14) “Minha mãe poderia ter sido minha sepultura, ter ficado grávida para sempre! Por que fui eu sair do seu ventre? para só ver tristeza e aflição? para gastar minha vida em fracassos?” (Jr 20,17) Ele tentou resistir. Veio a mim a palavra do Senhor: “Antes de formar-te no seio de tua mãe, eu já contava contigo. Antes de saíres do ventre, eu te consagrei e fiz de ti profeta para as nações.” Eu respondi: “Ah! Senhor Deus, não sei falar, sou uma criança.” O Senhor respondeu-me: “Não me digas: ‘Sou uma criança’, pois a todos quantos eu te enviar, irás e tudo o que eu te mandar dizer, dirás. Não tenhas medo

deles, pois estou contigo para defender-te.” Mas não foi capaz. “Tu me seduziste, Senhor, e eu me deixei seduzir! Foste mais forte do que eu e me subjugaste! Tornei-me a zombaria de todo dia, todos se riem de mim. Sempre que abro a boca é para protestar! Vivo reclamando da violência e da opressão! A palavra de Deus tornou-se para mim vergonha e gozação todo dia. Pensei: ‘Nunca mais hei de lembrá-lo, não falo mais em seu nome!’ Mas parecia haver um fogo a queimar-me por dentro, fechado nos meus ossos. Tentei aguentar, não fui capaz.” PAULO O Apóstolo se diz chamado, como Jeremias, desde o ventre de sua mãe (Gl 1,15). Foi fariseu fanático e inimigo dos primeiros discípulos, mas quando lhe caiu a ficha que o crucificado Jesus era mesmo o Salvador enviado por Deus, abandonou tudo o que sabia e que praticava, tudo virou prejuízo e lixo para ele (Fl 3,8). “Pela Lei (pelo fanatismo com que seguia a Lei escrita e oral) morri para a Lei” (Gl 2,19), disse ele. Pela sua pregação de uma fé em Jesus totalmente desvinculada das observâncias judaicas, ele ganhou muitos inimigos. Diziam que não era verdadeiro

apóstolo, que outros que se diziam enviados pelos Apóstolos que estavam em Jerusalém eram superapóstolos, mais apóstolos do que ele. Ele, então, desabafa: (2Cor 11,22-27) “Eles são hebreus? Eu também! São israelitas? Eu também! Descendentes de Abraão? Eu também! São ministros de Cristo? Fora do juízo, eu digo: Eu sou mais! Muito mais pelos trabalhos, muito mais pelas prisões, muitíssimo mais pelas chibatadas, muitas vezes perto da morte, cinco vezes recebi dos judeus as quarenta chibatadas menos uma, três vezes dos romanos apanhei de varas, uma vez fui apedrejado, três vezes eu naufraguei, fiquei uma noite e um dia perdido em alto mar. Sou mais ministro de Cristo pelas muitas caminhadas, pelos perigos dos rios, pelos perigos dos bandidos, perigos da parte dos compatriotas, perigos da parte dos gentios, perigos na cidade, perigos no descampado, perigos no mar, perigos dos falsos irmãos, pela labuta e pelo cansaço, muitas noites sem dormir, pela fome e pela sede, muitas vezes fazendo jejum forçado, pelo frio e falta de agasalho.” É por esses desafios todos, não por qualquer outro motivo que ele se pode dizer mais ministro de Cristo do que tantos outros.

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notícias EQUIPES DE FORMAÇÃO CRISTÃ EM COMUNIDADE ENCONTRAM-SE Por Vera Lúcia R. Brazão Foto: Secretariado Pastoral

Em Guaxupé, no dia 06 de julho, reuniram-se representantes das Equipes de Formação Cristã da Diocese, com a presença de 109 pessoas. Segundo a programação proposta para este ano, seriam dois momentos abordando o Ano da Fé: primeiro, sobre o Concílio Vaticano II e o segundo, sobre Catecismo da Igreja Católica, com enfoque na Formação Cristã em Comunidade. Padre José Luiz Gonzaga do Prado discorreu sobre o Ano da Fé e ressaltou a necessidade de uma transformação interior, que leve da oração à ação. Destacou a importância do Concílio Vaticano II, convocado pelo Papa João XXIII, na reestruturação da Igreja Católica. Pode-se falar em Igreja antes do Vaticano II e Igreja pós Vaticano II. Propôs ao grupo a leitura de trechos das Constituições Dogmáticas: Sacrosanctum Concilium (sobre a Sagrada Liturgia), Lumen Gentium (sobre a Igreja), Dei Verbum (sobre a Revelação Divina), Gaudium et

Vaticano II e Catecismo da Igreja foram assuntos abordados

Spes (sobre a Igreja no mundo de hoje) e finalizou com plenário. Padre Francisco Carlos Pereira abordou o Catecismo da Igreja Católica (CIC) e a Formação Cristã em Comunidade (FCC). Quanto ao CIC, deu ênfase à necessidade de se buscar um verdadeiro encontro pessoal com Jesus Cristo, partindo da experiência de vida de cada um e inserir-se na caminhada do Povo de Deus. Para isso, há que se possuir formação doutrinária com estudo da Bíblia Sagrada e conhecimento do CIC, atualizado e publicado 30 anos após o Vaticano II. Com o tema “Catecismo da Igreja Católica e Formação Cristã em Comunidade: sem rivalidades”, explanou a respeito das quatro partes do CIC e os cinco Módulos da FCC. Ficou claro aos presentes que há sintonia entre teoria – CIC – e módulos – FCC. Finalizou com a apresentação de tópicos comuns, mostrando os paralelos e, mesmo com abordagem e didática diferentes, que a coesão está mantida.

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DE FÁTIMA, EM PASSOS, REALIZA SEMANA MISSIONÁRIA A Paróquia Nossa Senhora de Fátima, em Passos, realizou entre os dias 14 e 20 de julho a V Semana Missionária, que marcou os trabalhos do projeto das Santas Missões Populares (SMPs). Em avaliação realizada em novembro de 2012, as lideranças da paróquia decidiram realizar em 2013 o projeto das Santas Missões Populares, que foi definido como prioritário. Com a coordenação da Equipe de Formação e de representantes dos cinco Regionais da Paróquia, realizaram-se em fevereiro, março e abril, três dias de formação com as lideranças da Comunidade para sensibilização, formação e divulgação das SMPs. Após a missa de envio dos missionários, aconteceram três semanas de visitas missionárias que contemplaram todas as ruas do território paroquial, nos meses de abril, maio e junho. Como 3ª etapa do projeto das SMPs, teve lugar entre os dias 14 e 20 de julho a V Semana Missionária. Há cinco anos, são acolhidos nas casas da Comunidade seminaristas diocesanos que realizam um trabalho de visitas, celebração e acolhimento das famílias. Porém, em ocasião da Jornada Mundial da Juventude, a Semana Missionária deste ano contou com a presença de 21 jovens franceses (Pauline Gatard, Charlene Boreau, Kevin Tessandier, Antony Rabald, Claire Raynal, Pauline Valentin, Freddy Marileau, Hugo Morand, Nicolas Arduino, Laurence Manesse, Chloé Camilleri, Kevin Dupré, Marie Pierre, Simon Parcot, Paul Fradet, Lucie Raynal, Marie Sarah, Charles Mar-

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chand, Maxime Petit, Marie Disko, Caroline Dumont) e também o padre Benoit, além dos queridos seminaristas diocesanos, Hudson, Michel, Wallisson, Mathias e Silas. A vinda dos franceses à Paróquia foi articulada pelo Ir. Marcos, da Congregação São Gabriel, atual coordenador pedagógico do CAPP. Como todos os anos, os seminaristas,

bem como os franceses, se hospedaram em casas de famílias da própria comunidade e durante toda a semana, fizeram visitas, bênçãos e participaram das celebrações. A comunicação, antes vista como dificuldade para realização das visitas, não foi empecilho à missão. O amor fraterno e a acolhida fizeram franceses e brasilei-

Por Andressa Cristina Santos ros sentirem-se em um só lugar, a Igreja. A presença dos seminaristas é sempre essencial. Eles abdicam de suas férias para estar na paróquia. As SMPs ainda terá uma 4ª etapa, que serão os trabalhos desenvolvidos na Semana da Família, Mês da Bíblia, Mês do Dízimo e Novena de Natal.

Foto: Paróquia N. Sra. de Fátima

Com apoio do pároco e participação da comunidade, seminaristas e missionários franceses foram acolhidos para a missão

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saicí ton SETOR POÇOS REALIZA ENCONTRO SOBRE GRS Foto: Doralice Scassiotti

Aproximadamente 200 pessoas participaram do evento, com objetivo de articular os GRs nas paróquias do setor

No dia 22 de julho houve o Encontro do Conselho Pastoral de Setor (CPS), no Salão Paroquial da Paróquia de São Sebastião de Poços de Caldas, com o tema “Grupo de Reflexão – O que é?”. Os Grupos de Reflexão (GRs) estão em consonância com o objetivo aprovado na IV Assembleia Diocesana de Pastoral, realizada em 2009, afirmando que a renovação das comunidades eclesiais deve ser à luz do jeito antigo/novo de ser Igreja. Os Grupos de Reflexão formam comunidades como há muito deixaram de ser ( jeito novo) semelhantes às comunidades primitivas, as Igrejas que se reuniam nas

Por Doralice Scassiotti casas ( jeito antigo). Durante o evento, foi também mencionado sobre o cuidado que se deve ter com os grupos, porque possuem uma estrutura muito simples, mas também muito frágil. “Criar é muito fácil, o difícil é manter a chama que se acendeu quando da sua criação. Sendo assim, com a mesma facilidade com que são formados, podem morrer.” O encontro contou com mais de 200 participantes de todo o setor, sendo ministrado e coordenado pela Irmã Terezinha – OP, da paróquia de São Domingos e padre Francisco Carlos Pereira, da Paróquia Nossa Senhora da Saúde.

SETOR GUAXUPÉ PROMOVE ENCONTRO DE MECES Foto: Maria de Fátima Dias

Aconteceu em 21 de julho, no Instituto Federal do Sul de Minas/Campus Muzambinho, o 5º Encontro de Meces do Setor Guaxupé. O evento contou com a participação de 400 Meces. Durante o dia houve palestras. Padre Gilvair Messias falou sobre o tema “Deus esse desconhecido”. Padre José Milton disse sobre “Fé, um dom que se deve redescobrir, cultivar e testemunhar”. “Concílio Vaticano II e Catecismo da Igreja Católica”

Atividade setorial anual oportuniza espiritualidade e confraternização do grupo de MECES

Por Maria de Fátima Dias foi o assunto discorrido por padre Célio Laurindo. Momento de Espiritualidade, Adoração ao Santíssimo Sacramento, teve a condução de padre Donizetti Brito, da Paróquia Sagrada Família e Santo Antônio de Machado. Presidiu a celebração eucarística, dom José Lanza Neto. A animação do Encontro ficou por responsabilidade do seminarista Juliano Vasconcelos e do Coral da RCC de Muzambinho.

comunicação NOMEAÇÃO Nomeado pároco, no dia 09 de julho, para a Paróquia São José de Capetinga, padre Julio César Martins.

COMEMORAÇÕES DE AGOSTO 5 7 15 18 19 20

NATALÍCIO Pe. André Aparecido da Silva Pe. Edson Alves de Oliveira Pe. João Pedro de Faria Pe. Júlio César Martins Pe. Antônio Donizeti de Oliveira Pe. Marcos Luiz Silva Rezende Pe. Sebastião Marcos Ferreira Pe. Carlos Virgílio Saggio

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Pe. João Batista da Silva Pe. Alfredo Máximo da Silva ORDENAÇÃO Pe. Irineu Viana Pe. Gladstone Miguel da Fonseca Dom Messias dos Reis Silveira (presbiteral) Pe. Adirson Costa Morais Pe. José Ronaldo Neto Pe. Riva Rodrigues de Paula

AGENDA PASTORAL DE AGOSTO Diocese: Reunião do Conselho Diocesano de Pastoral em Guaxupé 22º Um dia com Maria no Santuário em Poços Diocese: Reunião da Pastoral Presbiteral Diocese: Reunião do Setor Juventude em Guaxupé Reunião da Coord. Diocesana de Catequese em Guaxupé Reunião da Coord. Diocesana dos Grupos de Reflexão em Guaxupé Reunião da Equipe de Comunicação em Guaxupé 11-17 Semana Nacional da Família 3 4 8 10

DIOCESE DE GUAXUPÉ

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Diocese: Reunião do Conselho de Formação Presbiteral em Guaxupé Diocese: Encontro Vocacional no Seminário São José em Guaxupé Setores: Reunião dos Conselhos de Pastoral dos Setores (CPSs) Diocese: Encontro com os Presbíteros até 05 anos de ministério Dia do Catequista Diocese: Encontro Diocesano de Coord. de Grupos de Jovens em Guaxupé Diocese: Reunião do Conselho Diocesano do ECC em Guaxupé Reunião Diocesana do Serviço de Animação Litúrgica em Guaxupé

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educação e vida SONHOS Por Neusa Maria Figueiredo, psicóloga em Cabo Verde, Botelhos e Guaxupé Há sonhos que se sonha só, há os que sonhamos a dois e os sonhos comunitários. Em todos eles, almejamos encontrar a realização de nossos desejos mais íntimos, nas diversas esferas da vida. Sabe-se que o sonho alimenta a alma, a solidão, as noites de insônia, a ausência da pessoa amada, os projetos mais desejados e os próprios sonhos, pois sempre que se alcança ou se desiste de um, saímos em busca de outro. É como se os sonhos fossem a própria necessidade de vida. A medicina sabe que o sonho noturno é uma necessidade da mente. Sem ele, o ser humano se desestrutura psiquicamente, podendo mesmo desenvolver doenças mentais. Acordado, o sonho permite que nossa imaginação seja continuamente exercida, bem como trabalha nossa mente para desenvolver projetos que satisfaçam nosso Eu. Os sonhos fazem parte dos acervos dos poetas, dos escritores, dos artistas, dos estadistas, dos humanistas como se fossem uma linguagem universal, estimulando os homens a continuarem e a humanidade a sobreviver. Os sonhos que se sonha só são os pessoais e individuais. São aqueles que vamos tendo por toda a vida e acreditando que darão certo. Se sou pequeno, sonho em ser grande para poder executar coisa que “criança” não faz. Se cresci, sonho em realizar coisas que façam de mim uma pessoa realizada e de sucesso. Se o tempo passa... e o ingrato tempo passa, sonho que os meus herdeiros realizarão os sonhos que não realizei e assim, continuo sonhando. Os sonhos a dois – ah! os sonhos a dois! Estes são sempre coloridos, planejados e com a certeza de que tudo terá sempre um final feliz. Normalmente fazem parte dos casais enamorados, de amigos que escolhem seguirem, juntos, a caminhada escolar, profissional ou social. Os sonhos a dois são alimentados por projetos a curto, médio e longo prazo. Os sonhos comunitários, como o próprio nome diz, são de muitos, são ambiciosos e quase sempre têm por finalidade a realização do outro e não de si mesmo. É um desejo ardente que acomete pessoas com um mesmo objetivo solidário, social, humanitário ou mesmo de satisfação universal, como paz mundial, acabar com a fome ou a miséria, sustentação do planeta e tantos outros projetos já em andamento ou ainda em forma de sonhos... E os sonhos noturnos? teriam eles alguma relação com os sonhos vividos acordados? A psiquiatria e a psicologia sabem que sonhamos os desejos mais profundos e também as experiências vividas durante o dia. Os sonhos fazem parte da humanida-

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de desde o princípio da civilização. São citados em textos bíblicos, literatura e expressos em telas. A psiquiatria utiliza-se da manifestação dos sonhos desde que foi reconhecida como uma especialidade da medicina e ganhou força com Freud, quando o mesmo começou a interpretar os sonhos de seus pacientes e percebeu que muitas doenças psíquicas apresentadas eram decorrentes da insatisfação, frustração e decepção vividas quando seus sonhos, sonhados acordados, não eram satisfeitos. Hoje, sabe-se que as pessoas que perdem a vontade de viver são aquelas que perderam a capacidade de sonhar, de acreditar que o amanhã pode ser diferente, que há um dia após o outro e que somos nós os idealizadores de nossas vontades e de nossas conquistas. Diz a música: sonhar é preciso... Sonham os jovens, que mesmo diante de um mundo conturbado, ganancioso e

corrupto não se calam e saem às ruas em protesto; sonham que o amor, a solidariedade e a fé movem montanhas e caminham, juntos, independente de raça, religião ou cor, como aconteceu na Jornada Mundial da Juventude, crédulos que Deus é por todos, mas cada um tem de fazer sua parte. Sonham os doentes, que mesmo com suas dores e suas feridas acreditam que a medicina é por eles e para eles e que com fé conseguirão o alívio ou a cura. Sonham os pais que seus filhos serão bons o suficiente para sonharem e trabalharem pela humanização do mundo. Sonham os avós que seus netos poderão voltar a correr livremente pelas ruas sem serem abordados ou mortos por causa de um tênis. Sonham os namorados em poderem sentar num banco de jardim ou na mesa de um barzinho sem serem assaltados ou maltratados pela falta de amor entre os

homens. Sonham os homens em poderem voltar a ter trabalho digno e poderem ser provedores de suas famílias, com remuneração suficiente para que suas esposas possam sonhar em voltar a ser esposas e mães que contam histórias a seus filhos, sem precisar ficar fora de casa oito horas por dia para ajudarem no sustento da casa. Sonha-se com matas verdejantes, rios límpidos, abundância de alimentos, felicidade plena. Sonha-se com o Paraíso, enquanto não conseguimos perceber plenamente que ele já nos foi dado gratuitamente, no dia em que Deus, corajosamente, criou o mundo e nos colocou nele. Enfim, sonhamos todos e sonhamos muito. E os sonhos que sonhamos acordados só se tornam pesadelos se perdermos o controle deles. Tem razão o poeta - sonhar é preciso.

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jornal_comunhao_agosto2013