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Senhor, aumentai a nossa fĂŠ!

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Carta Pastoral

C. Pastro - “Bom Pastor orfeu” O Bom Pastor atrai as ovelhas com a suavidade de suas palavras, que são como música para as ovelhas, ávidas de ouvir falar das “coisas do reino de Deus”. Na companhia de Cristo, nosso Bom Pastor, amparados por seu carinho e atenção, somos nutridos e fortalecidos na fé. No Ano da Fé, deixemo-nos atrair, instruir, alimentar, fortalecer, consolar e orientar na fé também nós por Ele.


Senhor, aumentai a nossa fé!

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Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer Arcebispo Metropolitano de São Paulo

Senhor, aumentai a nossa fé!

2ª Carta Pastoral à Arquidiocese de São Paulo Ano da fé 2012-2013


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Arquidiocese de São Paulo Avenida Higienópolis, 890 - Higienópolis 01238-000 – São Paulo/SP www.arquidiocesedesaopaulo.org.br Secretariado Arquidiocesano de Pastoral Avenida, Higienópolis, 890 - Higienópolis 01238-000 – São Paulo/SP e-mail: pastoral.arquid.sp@terra.com.br www.arquidiocesedesaopaulo.org.br 2º Carta Pastoral à Arquidiocese de São Paulo: Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer Ano da Fé 2012-2013 São Paulo, 1º de outubro de 2012 Diagramação e Arte: Luiz Dalmacyr e Thiago Silva


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Cardeal Dom Odilo Pedro Scherer Arcebispo Metropolitano de São Paulo

Aos Excelentíssimos Bispos Auxiliares Aos membros do Clero, Aos Religiosos/as e outros Consagrados/as A todos os fiéis leigos/as da Arquidiocese de São Paulo

Senhor, aumetai a nossa fé! Queridos Irmãos e Irmãs, Comemoramos o 50º aniversário do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962-1965), que foi um evento extraordinário da Igreja no século XX. A comemoração deste Jubileu de Ouro é uma ocasião para reavivar a memória do grande Concílio, para retomar seus Documentos, suas decisões e orientações, e para avaliar os frutos até agora já produzidos; ao mesmo tempo, tem o objetivo de continuar a sua aplicação nos nossos dias. Para comemorar os 50 anos do Concílio, o Papa Bento XVI, com uma Carta Apostólica muito bela, chamada Porta Fidei (A Porta da Fé), convocou toda a Igreja a promover o Ano da Fé, que vai de 11 de outubro de 2012 até o Domingo de Cristo Rei do próximo ano (24.11.2013). E convidou todos os católicos a viverem intensamente o Ano da Fé. De fato, o primeiro grande objetivo que o Beato João XXIII tinha em mente, ao convocar e abrir o Concílio Ecumênico Vaticano II, foi a promoção renovada e integral da fé da Igreja, recebida dos Apóstolos. Esta é a primeira e mais importante missão da Igreja, que também nós devemos continuar hoje, de modo fiel; é uma tarefa permanente, que não podemos


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jamais dar como concluída; a fé é um dom precioso, que Deus nos concede por graça; ela cresce conosco e nos faz crescer humana e espiritualmente; mas precisa ser nutrida e reavivada constantemente, como a chama da vela, que a simboliza; do contrário, ela pode tornar-se fraca, esfriar e até se extinguir. Para ajudar-nos a viver o Ano da Fé, a Providência de Deus oferece vários estímulos importantes, como a Assembleia do Sínodo dos Bispos sobre a “nova evangelização, para a transmissão da fé cristã”, a comemoração dos 20 anos do Catecismo da Igreja Católica e a Jornada Mundial da Juventude, em 2013, com a presença do Papa Bento XVI no Brasil; aqui em São Paulo, o Ano da Fé coincide com a entrada em vigor do 11º Plano de Pastoral da Arquidiocese, que nos encoraja a sermos “testemunhas de Jesus Cristo na cidade de São Paulo”. O Ano da Fé é, pois, um “tempo favorável” para renovar o conhecimento e apreço pela fé que recebemos, e para a professarmos com firmeza e alegria. Desejo, com esta Carta Pastoral, oferecer a todos os filhos e filhas da amada Arquidiocese de São Paulo uma reflexão motivadora e, ao mesmo tempo, as necessárias orientações para a vivência do Ano da Fé em nossa Comunidade Eclesial Metropolitana, colocada sob o patrocínio do Apóstolo São Paulo, grande missionário, mestre e testemunha da fé!

1. Olhos fixos em Jesus, autor e consumador da nossa fé! (cf Hb 12,2) Agradeço e louvo a Deus por todos aqueles que já nos precederam no caminho da fé em São Paulo; depois dos primeiros missionários Jesuítas, entre os quais o Pe. Manoel da Nóbrega e o Beato José de Anchieta, foram tantas as gerações de missionários, sacerdotes, pessoas consagradas, pais e mães de família, pessoas ilustres ou desconhecidas, que nos deixaram a herança da fé em São Paulo. Bispos, Pastores zelosos, nutriram a fé do rebanho do Senhor com sua palavra e o testemunho de suas vidas. Para nossa alegria e estímulo, a Igreja de São Paulo também foi edificada pelo testemunho de fé de Santa Paulina e Santo Antônio de Santana Galvão, dos Beatos José de Anchieta e Mariano de la Mata. Ao longo de quase 5


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séculos, as sementes da fé, aqui lançadas e cultivadas, já produziram frutos abundantes e continuam a florescer nesta Metrópole! Dou graças a Deus e manifesto minha admiração e sincero apreço por todos aqueles que hoje estão empenhados em viver, testemunhar e transmitir a fé católica, mesmo em meio a tantas dificuldades! Louvado seja Deus pelos que anunciam Sua Palavra, pelos que se dedicam à catequese, conduzindo irmãos a Cristo e alimentando sua fé! Também hoje, muitas mães e pais continuam a pedir o Batismo para os filhos, introduzindo-os na vida da fé e na comunidade cristã; são multidões de catequistas e pregadores leigos, que partilham com os outros o patrimônio precioso de sua fé e da vida eclesial. Graças a Deus! A fé continua a ser testemunhada, nutrida e transmitida em nossa Cidade por milhares de pessoas consagradas a Deus e ao seu Reino, nos diversos carismas da Vida Consagrada Religiosa e das outras formas de consagração a Deus e à Igreja; elas rezam, doam sua vida e ajudam o próximo em nome de Deus. A fé é alimentada e confirmada pelos sacerdotes, que celebram a Liturgia, anunciam a Palavra de Deus e entregam a vida inteira no pastoreio do Povo do Senhor, para que Cristo seja conhecido e amado, e para que os irmãos caminhem seguros na fé! Deus seja louvado por tudo isso! A Carta aos Hebreus foi dirigida a uma comunidade que passava por dificuldades grandes e por crises de fé, tentada de pessimismo, desânimo e abandono da fé em Cristo. O autor conforta os fiéis e os convida a recordar o passado, para se darem conta de quantos já passaram por isso! Tantos enfrentaram crises e provas maiores, e ficaram firmes na fé, pois sabiam que Deus é fiel e sua Palavra não engana. E convida a prosseguir firmes na fé, sem desanimar, com o olhar fixo em Jesus Cristo, que está na origem de nossa fé cristã e é capaz de a sustentar e levar até à perfeição (cf Hb 10, 32-12,13). O Ano da Fé é uma ocasião preciosa para que também nós olhemos para aqueles que já nos precederam na fé, atravessaram tantas dificuldades e crises, e continuaram firmes e perseverantes na fé, “com os olhos fixos em Cristo Jesus”. A Ele também nós voltamos nosso olhar, junto com tantas testemunhas da vida cristã, que nos precederam na fé, e com os irmãos que


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conosco ainda são peregrinos na fé.

2. “Filha, a tua fé te salvou” (Lc 8,48) Uma mulher doente, no meio da multidão, seguia Jesus e procurava chegar perto dele para o tocar, ainda que fosse apenas nas suas vestes. Na sua fé simples, ela compreendeu que Jesus tinha a força de Deus para ajudá-la e quis aproximar-se dele. Conseguiu e foi curada. Jesus a confortou e disse: “filha, a tua fé te salvou”. Esse encontro a fez experimentar a ação salvadora de Deus. Como ela, tantos doentes e outras pessoas, como Zaqueu, a Samaritana, Maria Madalena, o bom ladrão e Saulo, tiveram encontros semelhantes com o Mistério de Deus, presente na pessoa de Jesus Cristo. Esses encontros com Deus transformaram suas vidas. A fé é um dom, uma graça sobrenatural e uma capacidade interior, que Deus dá a todos os que a pedem e procuram. O Papa Bento XVI disse várias vezes que a nossa fé cristã não vem como conclusão de um raciocínio lógico perfeito, nem de um alto ideal ético; essas coisas podem ser boas, mas ainda não fazem nascer a fé, que vem de uma experiência pessoal e comunitária muito bonita: nasce do encontro pessoal com Deus, por meio de Jesus Cristo. Sim, porque Deus não é uma idéia abstrata, nem uma energia cósmica, mas um ser pessoal, um “Tu”, que se relaciona conosco como um Pai e com quem também nós podemos relacionar-nos como filhos. Embora sejamos pobres criaturas, recebemos esta capacidade maravilhosa de sintonizar com Deus. E o encontro com Deus acontece quando O procuramos e nos abrimos a Ele; e pode ser surpreendente. A fé, mais que uma postura intelectual, é nossa resposta e adesão a Deus e se traduz numa relação vital, pessoal e comunitária com Ele. Mas a fé também é um ato humano. Mediante o dom sobrenatural da fé, somos capazes de reconhecer a Deus e de aderir a Ele com firme certeza interior e de orientar nossa vida para Ele; somos capazes de reconhecer sua vontade e de acolhê-la livremente com nossa vontade e nossos afetos. De muitas maneiras Deus vem ao nosso encontro e se manifesta a nós; mas é


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especialmente através de Jesus Cristo, Filho de Deus que se fez homem, que nós conhecemos a Deus: “ninguém jamais viu a Deus; o Filho único, que é Deus e está na intimidade do Pai, foi quem O deu a conhecer” (Jo 1,18). O dom da fé é como uma luz interior, que nos faz reconhecer Deus, como Deus; e nos leva a assumir nosso lugar de criaturas. Pela luz da fé cristã, aprendemos a ver nossa vida, as outras pessoas, o mundo e todas as coisas de um modo novo. “Todos vós sois filhos de Deus pela fé no Cristo Jesus” (Gl 3,26). Pelo dom precioso da fé cristã, reconhecemos Deus como Pai amoroso, e Jesus Cristo como Filho de Deus, nosso Salvador e Irmão; e o Espírito Santo nos concede a graça e a capacidade de nos reconhecermos filhos queridos de Deus e de agir como familiares e íntimos de Deus, que procuram, em tudo, fazer o que é conforme Deus. Pelo dom da fé, também nos tornamos capazes de aderir às verdades da fé, que decorrem do Evangelho de Cristo e do testemunho dos Apóstolos, dos Santos e da Igreja; essas verdades da fé são preservadas e transmitidas de geração em geração, com carinho e fidelidade pela Igreja, comunidade de fé. Na Bíblia, temos muitos outros personagens, que tiveram encontros especiais com Deus e foram pessoas de grande fé: Abraão ouviu o chamado de Deus e seguiu sua voz, na certeza de que Deus é fiel; Moisés, no alto da montanha, ficou frente a frente com Deus; tornou-se amigo de Deus e grande servidor do seu povo, em nome de Deus; os Profetas arderam de zelo por Deus e enfrentaram toda sorte de perseguições, por serem testemunhas de Deus; Maria e José, pessoas de fé, colocaram-se inteiramente a serviço da obra de Deus. Também os apóstolos, Zaqueu, o centurião romano... e, depois deles, ao longo da história da Igreja, quantas pessoas tiveram grande fé e até deram a vida pela fé no martírio, de modo heróico, porque tinham uma experiência profunda do encontro com Deus, com quem se relacionavam de maneira pessoal pela oração, a escuta da sua Palavra e a obediência aos seus mandamentos. Mas também aparecem na Bíblia, e até hoje, pessoas que, apesar de se encontrarem com Deus, por meio de Jesus e da Igreja, não lhe deram ouvidos nem mudaram de vida. Assim, Herodes perdeu a chance de se en-


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contrar com o mistério de Deus, manifestado no menino Jesus, que fez resplandecer a glória de Deus aos pastores e aos reis magos em Belém; tantas outras pessoas encontraram Jesus e o desprezaram, não reconhecendo nele o “sinal de Deus”; o jovem rico esteve frente a frente com Jesus, mas não teve a coragem de segui-lo, preferindo ficar com seus bens... Outros seguiam Jesus apenas por interesse ou vantagem, mas o abandonaram, quando Ele lhes falou que era preciso ficar firmes, mesmo tendo que tomar a cruz e seguir atrás dele... Tantos discípulos, ouvindo as palavras de Jesus sobre o “pão da vida” (cf Jo. 6), foram-se embora, achando que a ‘lógica de Deus” é muito difícil de ser abraçada. Pedro, em nome dos apóstolos, disse a palavra iluminadora: “Senhor, a quem iremos nós? Tu tens palavras de vida eterna e nós cremos e sabemos que tu és o santo de Deus” (cf Jo 6,69). Crer é levar Deus a sério, colocar fé nas suas palavras, que não enganam e só querem o nosso bem. Ter fé, é colocar-se nas mãos de Deus e deixar-se conduzir por Ele.

3. “Perseveravam na doutrina dos Apóstolos” (cf At 2,42) Muitas vezes, a fé é confundida com um desejo forte, uma vontade grande de querer algo: “tenho muita fé que vou fazer um bom negócio... que vou recuperar a saúde... que vou alcançar a vitória... Tenho fé em tempos melhores...” Esta é uma expectativa humana, mas ainda não é fé religiosa: só o Mistério de Deus e as coisas que se relacionam com Ele são objeto de fé religiosa. Acima de tudo, cremos “em” Deus, na sua pessoa, no seu ser; todo o resto que cremos, decorre deste primeiro ato de fé: cremos em Deus. Nossa fé cristã é, pois, mais que um sentimento vago, ou um desejo forte: é a adesão à pessoa de Deus e a tudo o que dele procede. Por isso nós afirmamos que cremos “em”; nossa fé também se traduz em afirmações de fé, em verdades de fé, que nossa inteligência elabora a partir daquilo que cremos. Nossa fé cristã tem, portanto, uma referência comum e nós podemos dizer – “eu creio”, e também - “nós cremos”. No Batismo, recebemos a fé da Igreja, que se expressa nos artigos do Creio em Deus Pai (Credo); após a profissão de fé, o celebrante conclui


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com estas palavras: “esta é a nossa fé, que da Igreja recebemos e sinceramente professamos, razão da nossa alegria em Cristo Jesus, nosso Senhor”. E, então, o celebrante pergunta: “Quereis que vosso filho/filha seja batizado na mesma fé da Igreja, que acabamos de professar?” E os pais e padrinhos respondem: “Queremos!” Nossa Igreja, nas suas origens, recebeu esta fé do testemunho dos Apóstolos sobre Jesus. Nas origens da Igreja, uma das características da comunidade cristã era a perseverança “no ensinamento dos apóstolos” (cf At 2,42); fiel à “doutrina dos Apóstolos”, a Igreja elaborou os artigos do Creio, já nos primeiros séculos do Cristianismo e, até hoje, persevera nesta fé, não se desviando e procurando permanecer fiel à preciosa “herança apostólica”. A Igreja não “inventa” a cada época a sua fé, nem modifica a fé recebida dos Apóstolos. E nós, pelo Batismo, também acolhemos esse patrimônio da fé da Igreja, enriquecido pelo testemunho dos santos e dos mártires, e pela experiência da Igreja, ao longo dos séculos. É um dom muito precioso, que precisamos conhecer e valorizar! Cada uma das afirmações do Creio é densa de conteúdo e significado. Para apreciar e amar mais nossa fé, é necessário conhecer melhor o que cremos. Só se valoriza e ama aquilo que se conhece. Por isso mesmo, neste Ano da Fé, somos convidados a conhecer mais e melhor o patrimônio da fé eclesial, explicada no Catecismo da Igreja Católica. Muitos falam e escrevem, por iniciativa pessoal, sobre a fé e a religião católica; por vezes, até se fazem afirmações não corretas, ou se deixam dúvidas no ar... O Catecismo da Igreja Católica nos traz a explicação oficial da fé da Igreja. O Papa e os Bispos, unidos a ele, são os responsáveis maiores por zelar pela fé da Igreja e têm a missão de garantir aos irmãos a correta explicação da fé.

4. “Faze isso e viverás” (Lc 10,28) A fé, quando é verdadeira e cultivada, envolve a pessoa inteira e muda a sua vida. O exemplo de Abraão, Moisés e dos profetas, de Maria, José, Paulo e de tantos personagens da Bíblia é bem eloqüente. O encontro com Deus leva logo a perguntar: Senhor, o que queres de mim? O que devo fazer?


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Como devo viver? A fé se traduz numa resposta vital a Deus. Esta resposta se concretiza na adoração e no louvor a Deus, no reconhecimento da vontade de Deus e na obediência aos seus mandamentos; leva ainda a viver de forma digna de Deus, na retidão e honestidade, abandonando o pecado, os vícios e o que não fica bem para um filho de Deus; a fé nos aproxima de Deus e nos faz filhos e amigos de Deus; e nos leva a sermos colaboradores na obra de Deus. A fé precisa ser traduzida numa vida de fé, para agradar a Deus e para obter a salvação. Sem a fé, ninguém é tornado justo diante de Deus, nem se pode conseguir a vida eterna sem perseverar na fé até o fim (cf Mt 10,22; 24,13). Mediante a vida na fé, começamos a degustar, desde agora, a luz e a alegria da vida eterna, que é a meta de nossa caminhada terrena. A fé é o começo da vida eterna, quando veremos Deus “face a face” (cf 1Cor 13,12), tal como Ele é (cf 1Jo 3,2). Mas durante esta vida ainda estamos sujeitos ao mal; a fé pode passar por muitas provas e até por períodos de obscuridade. E, então, é preciso perseverar, permanecendo firmes; Deus não nega sua ajuda a quem quer caminhar na fé. A vida na fé faz aparecerem as boas obras, como frutos da fé. Obras da fé são a prática fiel da religião, a vida coerente com a dignidade e o respeito que Deus merece; o amor ao próximo, a prática das virtudes humanas e cristãs e a colaboração generosa para a edificação da convivência humana, conforme Deus. Obra da fé é também o empenho missionário no testemunho cristão, alegre e corajoso, perante o mundo, e na transmissão da fé aos irmãos. Quem descobre o valor da fé cristã, não a retém só para si, mas procura ajudar outros a também descobrirem esse tesouro. Obra grande da fé é ajudar outras pessoas a encontrarem Deus e a acolherem a luz da fé em suas vidas.

5. “Ainda haverá fé sobre a terra?” (Lc 18,8) Um dia, Jesus fez esta pergunta intrigante aos apóstolos: “O Filho do Homem, quando vier, ainda vai encontrar fé sobre a terra?” (Lc 18,8). A fé, se não é cultivada, pode esfriar e até se extinguir; e, então, a pessoa já não


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sente nada em relação a Deus, nem se importa em procurar Deus ou em seguir seus Mandamentos; cai no indiferentismo religioso e vai entrando pelo caminho da negação da fé. Quantas vezes ouvimos dizer que alguém “perdeu” a fé, ou abandonou” a fé”... A fé perdida deixa um vazio muito grande e faz falta na vida; esse vazio acaba sendo preenchido por outras coisas e ocupações, que vão tomando o lugar de Deus na vida das pessoas. A perda da fé não é, geralmente, um ponto de chegada, mas o início de um caminho que leva à idolatria ou à magia, pois o vazio de Deus precisa ser preenchido no coração humano. Ídolo é tudo aquilo que toma o lugar de Deus. Muitas vezes, o próprio homem quer tomar o lugar de Deus, proclamando-se o “deus” de si mesmo; esta tentação é tão antiga como a humanidade e, já no paraíso terrestre, Adão e Eva caíram nela: “sereis como Deus!” (cf Gn 3,5). O abandono da fé em Deus é uma realidade preocupante. Vivemos um tempo de crise de fé, que se caracteriza pela superficialidade na adesão a Deus e às verdades da fé proclamadas pela Igreja; o subjetivismo leva facilmente as pessoas a escolherem o que mais gostam e traz mais vantagem, em vez daquilo que é “verdade”. Muitos não conhecem mais qual é a nossa fé, nem sabem explicar a si ou aos outros aquilo que faz parte da nossa fé; podemos falar de um analfabetismo religioso bastante comum. Há também a fé apenas vaga e superficial, que não é regularmente alimentada mediante a prática religiosa e a participação na vida da Igreja, onde a fé pode tornar-se esclarecida e forte. Há ainda o lamentável abandono da fé e da prática religiosa católica, a “migração” de religião para religião, sem aderir com convicção e firmeza a nenhuma. Isso acaba levando ao indiferentismo. Não é novidade e esses fatos sempre existiram; mas hoje preocupa a dimensão que esse fenômeno alcançou; a pergunta de Jesus manifesta a sua preocupação com relação ao esvaziamento e à perda da fé. Também hoje, isso não pode deixar tranqüilo a ninguém que tem fé firme e ama sua fé e a Igreja, zeladora, testemunha e transmissora da fé herdada dos Apóstolos. É por isso que celebramos o Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI: é uma ocasião de ouro para uma nova tomada de consciência sobre a nossa


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fé, para o seu testemunho e proclamação pública e para intensificar a transmissão da fé aos outros. São Paulo fala dos “filhos na fé” (cf 1Tm 1,2), que ele gerou para a fé em Cristo Jesus mediante o anúncio do Evangelho (cf 1Cor 4,15). Quantos já ajudamos a “nascerem para a fé”? Seria muita pena se nós não transmitíssemos nossa fé aos outros, se esse tesouro precioso fosse enterrado conosco, sem que o tenhamos passado a outros... Seria a falência da missão da Igreja e a frustração da nossa vocação de discípulos de Jesus, enviados ao mundo como missionários para anunciar a Boa Nova a todos os povos, em todos os tempos (cf Mt 28,19).

6. “A fé vem da pregação da Palavra de Cristo” (cf Rm 10,17) A fé é a resposta do homem a Deus, que vem ao seu encontro e se manifesta a ele. A resposta do homem não se dá simplesmente no pensamento, na reflexão intelectual ou num sentimento vago, mas com uma adesão pessoal, que muda a vida e leva a converter-se, como fruto dessa adesão a Deus. A fé, como já dissemos, é resultante de uma dupla ação: do Espírito Santo, que move o coração humano a crer, e da própria pessoa, que diz, com a palavra e a vida: “eu creio!” A fé, portanto, não é fruto apenas de discursos e esforços humanos; e a Igreja aconselha a buscar a fé, com todo o empenho e oração, e chama à fé mediante o anúncio da Palavra de Deus, que tem o poder de tocar-nos interiormente e de nos levar ao ato de fé. Eis porque o anúncio e a acolhida da Palavra de Deus são tão necessários! A “pregação” e a acolhida da Palavra podem acontecer de muitas maneiras: na leitura pessoal da Sagrada Escritura, nas celebrações litúrgicas, nos retiros e encontros de formação, na conversa com outras pessoas. O testemunho de vida cristã vivida com dignidade, retidão e caridade, na alegria da fé, também são formas de anúncio. O anúncio da Palavra de Deus é a primeira e mais importante missão da Igreja; e também é a primeira missão das paróquias e comunidades da Igreja, de todas as instituições e organizações pastorais da Igreja, dos grupos e


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associações de fiéis, de todas as expressões e formas da Vida Consagrada religiosa ou laical, bem como da própria família cristã. Todas as formas organizadas da Igreja, que a constituem e manifestam ao mundo, têm esta missão primeira: anunciar a Palavra de Deus, para que o mundo creia e encontre a salvação e a vida em Jesus Cristo. Isto deve fazer-nos refletir muito, se estamos, de fato, cumprindo esta nossa missão, enquanto batizados. Sem o anúncio da Palavra de Deus, a fé não desperta; apenas um pouco de anúncio e escuta da Palavra de Deus, acaba resultando na superficialidade e na fraqueza da fé. Não será verdade que o mundo, ao nosso redor, ou até mesmo dentro de nossa casa e na Comunidade da Igreja, tem fome e sede de ouvir a Palavra de Deus? O profeta Amós anunciava essa fome e sede de Deus: “Dias virão, oráculo do Senhor Deus, em que hei de mandar à terra uma fome, que não será fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir a Palavra do Senhor” (cf Am 8-11). Deus colocou essa fome e sede no coração humano; e encarregou-nos de saciar os famintos e sedentos da Palavra de vida, que também se fez “Pão da vida”, em Jesus Cristo (cf Jo 6).

7. “Eu sei em quem acreditei” (2Tm 1,12) Na primeira Carta de Pedro, o autor dá instruções aos que haviam aceitado o Evangelho com fé e tinham recebido o Batismo, exortando-os ao crescimento e à perseverança no caminho iniciado; e também lhes aconselha: “Estai sempre prontos a dar as razões da vossa esperança a todo aquele que vos pedir” (cf 1Pd 3,15). Em outras palavras, Pedro encoraja os fiéis a compreenderem sempre melhor a própria fé, para explicar aos outros por que creem e “como” creem. Esta recomendação continua valendo ainda hoje para nós. Muitas pessoas são “frias” na fé e não vibram por aquilo que a Igreja crê, e que elas receberam no Batismo, talvez porque não conhecem a fé: só valorizamos e amamos aquilo que conhecemos. Por isso, a fé inicial precisa ser alimentada, para crescer, tornar-se robusta e produzir abundantes frutos de virtude e de vida cristã. Como dá para continuar crendo e praticando a fé, se ela


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nunca mais é alimentada? Talvez esteja aqui a explicação, por quê muitos fiéis católicos não conseguem responder a um questionamento ou provocação sobre a fé católica; e acabam deixando a fé e a Igreja. Como explicar o que não conhecemos, ou aprendemos de maneira equivocada? Como transmitir o que não amamos? O alimento da fé é a Palavra de Deus, anunciada e acolhida com coração aberto; mas, também, a caridade, a prática da virtude, a Liturgia, a oração pessoal e comunitária, mediante a qual cultivamos nossa familiaridade e amizade com Deus; sem conversa e freqüentação da pessoa amada, não cresce o amor e a amizade... Poderia crescer, florescer e frutificar uma planta sem receber água e cuidados? Sem oração, como poderia crescer a amizade com Deus e dar frutos a fé? A catequese está a serviço do crescimento e do amadurecimento da fé e da vida cristã. A catequese de iniciação à vida cristã acontece normalmente na infância e na adolescência; mas pode acontecer também na vida adulta. E há uma catequese que acompanha a vida inteira, pois o alimento espiritual não deve faltar ao longo de toda a vida. O Catecismo da Igreja Católica é um livro precioso, que todas as famílias deveriam ter em casa, junto com a Bíblia. Ele é indispensável para que as pessoas adultas continuem a estudar e a adquirir, ao longo da vida, uma fé robusta e esclarecida. O Papa Bento XVI recomenda que estudemos com intensidade o Catecismo da Igreja Católica. A leitura e o estudo do Catecismo da Igreja Católica também nos darão a possibilidade de resistir às muitas provas e contradições postas à fé e de afirmar, com São Paulo, com firmeza e consciência serena: “Eu sei em quem acreditei!” (2Tm 1,12). Por outro lado, o conhecimento melhor da fé, que a Igreja inteira professa, nos dá a percepção clara de que não estamos sozinhos e cremos com tantos outros, no mundo inteiro; que cremos como tantos outros creram e creem, inclusive santos e mártires, grandes missionários, teólogos, papas e bispos da Igreja, pessoas simples e ilustres, que creram antes de nós e continuam crendo ainda hoje. Somos fortes na fé quando estamos na comunidade de fé, que também conta com a companhia dos santos e da imensa multidão de irmãos de fé que, durante 20 séculos, cultivaram e testemunharam a fé da Igreja! Nossa


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fé não é desprezível nem se podem ter enganado todas essas pessoas! Sim, sabemos em quem acreditamos!

8. Fica firme naquilo que aprendeste! E sabes de quem o aprendeste (cf 2Tm 3,14) A transmissão da fé aos outros é parte essencial da missão da Igreja; isso foi até mesmo tema da Assembleia do Sínodo dos Bispos, em outubro de 2012, em Roma. De vários modos, a fé precisa ser transmitida de uma geração para outra; se isso não for feito, o dom precioso da fé deixa de ser passado para frente e se extingue. Ao longo dos tempos, a fé foi geralmente transmitida no seio da família e da comunidade cristã freqüentada pela família. Evidentemente, também aconteceu pela ação dos missionários e pregadores, mas sempre no seio da comunidade de fé, que é a herdeira, depositária e testemunha do “patrimônio da fé” da Igreja. O Magistério da Igreja Católica, no seu âmbito universal, representado pelo Papa e pelos Bispos em comunhão com ele, zela para que a comunidade permaneça fiel à fé e a transmita de modo autêntico; em âmbito local, nas dioceses, os bispos em comunhão com o Papa, com seus padres, têm esta mesma missão de guardiães e mestres da fé. A animação e a condução da comunidade de fé é um serviço essencial da Igreja, recebido e exercido como uma vocação, uma graça divina, um carisma do Espírito Santo. A Igreja, na sua profissão de fé, faz referência ao “ensinamento dos apóstolos”. Todas as doutrinas e ensinamentos devem ser confrontados com o testemunho dos Apóstolos, transmitido a nós pela Sagrada Escritura e pela Tradição viva da fé da Igreja. Por isso, o que a Igreja transmite, e nós aprendemos dela no “ensinamento da fé”, não deve ser visto como idéia privada e subjetiva de alguém, ou como uma doutrina particular. É um “patrimônio” da Igreja, comunidade de fé. A primeira comunidade cristã era perseverante “no ensinamento dos Apóstolos” (cf At 2,42). E São Paulo exorta Timóteo, um jovem Bispo colocado à frente de comunidades formadas a partir de sua pregação: “permanece firme naquilo que aprendeste e aceitaste como verdade. E sabes de


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quem o aprendeste!” (2Tm 3,14). Timóteo tinha aprendido de Paulo, que já estava na prisão, pronto para ser martirizado, depois de se ter entregue inteiramente por Cristo e pelo Evangelho (cf 1Tm 4,6). Mas Paulo refere-se também à mãe e à avó de Timóteo, que lhe transmitiram a fé na infância: “recordo-me da fé sincera que há em ti, que habitou primeiro em tua avó, Lóide, e em tua mãe, Eunice” (cf 2Tm 1,5). No Livro do Deuteronômio, Deus ordena aos pais: “gravai estas minhas palavras em vossos corações. Ensinai-as a vossos filhos, falando-lhes delas, seja quando estiverdes sentados em casa, seja andando a caminho” (cf Dt 11,18-19). Transmitir a fé no Deus dos pais, era um dever sagrado; abandonar a fé herdada dos pais, era impensável! Também os pais e avós cristãos têm a missão importantíssima da transmissão da fé aos filhos. Ao celebrarem o Sacramento do Matrimônio na Igreja, os esposos prometem, diante de Deus, que irão “educar na fé os filhos, que Deus lhes enviar”. Os pais realizam esta missão quando criam na família um ambiente de fé, com oração freqüente, com sinais e símbolos religiosos na casa, no quarto dos filhos, com o testemunho do santo respeito a Deus, da caridade para com o próximo, da participação na Missa dominical; eles realizam essa missão quando apresentam os filhos para o batismo, ensinando-lhes a conhecer e amar a Deus e os encaminham para a catequese de iniciação à vida cristã e para os Sacramentos. Exorto, portanto, mães e pais a “gerarem” seus filhos também para a fé em Deus! Não há missão mais sublime e meritória!

9. “Acabei a minha corrida, guardei a fé” (2Tm 4,7) A perseverança na fé, até o fim, é uma questão crucial na vida de cada um; é uma preocupação que devemos ter sempre e uma graça, que devemos pedir muito a Deus. Jesus exorta os discípulos, de muitas maneiras, a ficarem firmes nas provações, a não serem inconstantes, a não abandonarem a sua companhia e o caminho do discipulado diante das provações: “quem perseverar até o fim, será salvo” (cf Mt 10,22). Na cultura atual, onde tudo é descartável, tudo vai ao sabor da moda e


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das tendências do momento, onde tudo é medido pela vantagem imediata, pelo menor esforço e o máximo de satisfação, a perseverança na fé é, certamente, mais difícil. Com facilidade se abandona a fé e a prática da religião, quando não se consegue aquele “resultado” que se almeja mediante a oração e as práticas religiosas. Por vezes, a própria religião é praticada como uma espécie de imposição da vontade humana a Deus, em vez de ser a humilde e sincera adoração de Deus e a obediência aos seus mandamentos. Na verdade, isso não é de hoje. Já São Paulo observava, com preocupação: “Vai chegar um tempo em que muitos não suportarão a sã doutrina, mas, conforme seu gosto, se cercarão de mestres, que só atiçam o ouvido. E assim, deixando de ouvir a verdade, eles se desviarão para as fábulas”. Por isso, ele exorta a Timóteo, seu colaborador: “Diante de Deus e de Jesus Cristo, que há de julgar os vivos e os mortos, eu te peço com insistência: proclama a Palavra, insiste oportuna e inoportunamente, convence, repreende, exorta, com toda a paciência e com a preocupação de ensinar” (cf 2Tm 4,15). A verdade da fé não é passageira, pois refere-se a Deus e às realidades sobrenaturais e eternas, que não estão sujeitas à volubilidade do tempo e dos nossos gostos. Mas é preciso lembrar sempre: permanecer fiéis e perseverantes na fé, significa mais do que abraçar algumas verdades abstratas e absolutas: é um compromisso pessoal com a pessoa de Deus e com Jesus Cristo, de quem tem origem nossa fé. Por isso, São Paulo podia dizer que fazia tudo por Cristo e que seu viver é Cristo... Os mártires não morreram apenas por “verdades”, mas por Deus e por Cristo, para não serem infiéis a Deus e aos compromissos de consciência para com Ele. A fé, que não é nutrida constantemente, fica frágil e pode desaparecer. Condição para perseverar na fé, é alimentá-la constantemente na Palavra de Deus, na oração, na Eucaristia, na participação da vida da comunidade cristã e na prática das virtudes, sobretudo da caridade. A participação regular na Missa dominical é fundamental para permanecermos abertos e sintonizados com o “Mistério da fé”. E, se tivermos a preocupação de ajudar outras pessoas a chegarem a Deus e a encontrarem a fé, também nós teremos a graça de perseverar nela.


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No fim da vida, São Paulo, já prisioneiro e à espera do martírio, podia afirmar com serena consciência: “combati o bom combate, terminei a minha corrida, guardei a fé. Agora, fico à espera da coroa de justiça que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia” (cf 2Tm 4,7-8). Oxalá, todos nós possamos dizer o mesmo no final de nossa vida!

10. “E as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (cf Mt 16,19) A Igreja é a Comunidade dos Batizados, que acolheu o Evangelho de Cristo e respondeu -“creio” – manifestando sua adesão a Deus, por meio de Jesus Cristo, no dom do Espírito Santo. Jesus Cristo quis a Igreja; reuniu discípulos em torno de si, preparou-os e os enviou ao mundo, com a ordem de anunciarem o Evangelho e de serem suas testemunhas entre os homens (cf At 1,8). Jesus prometeu aos discípulos que estaria sempre com eles, até o fim dos tempos; e enviou-lhes o Espírito Santo para os assistir e fortalecer na sua missão. Os apóstolos obedeceram à determinação de Jesus e fizeram como Ele lhes mandou. Depois deles, seus sucessores continuaram a fazer o mesmo e, assim, de geração em geração, continuam a fazer até hoje. Deste modo, os cristãos são amparados e conduzidos com segurança e permanecem fiéis ao Evangelho de Cristo, sem se desviarem do caminho. Nossa fé não é apenas um ato individual e privado; ela também é adesão àquilo que a Igreja inteira, unida ao Papa e aos Bispos, sucessores dos apóstolos, crê e professa. Desde os primeiros tempos do Cristianismo, houve o risco de desvios na fé recebida dos apóstolos; o próprio São Paulo alerta, em diversas passagens, contra os falsos mestres e pregadores, que desviavam os fiéis da verdadeira fé: “Mesmo que nós, ou um anjo vindo do céu vos pregasse um evangelho diferente daquele que vos pregamos, seja excluído” da comunidade (cf Gl 1,8-9). A Igreja, fiel ao seu divino Mestre e Fundador, não adapta sua pregação ao gosto dos ouvintes, só para os agradar; ela precisa permanecer na verdade do Evangelho e nela perseverar, mesmo nas dificuldades e perseguições. Jesus prometeu sua assistência a Pedro, quando lhe entregou o “poder


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das chaves”, afirmando que “as portas do inferno não prevalecerão contra a Igreja” (cf. Mt 16,18), fundada sobre a rocha inabalável, que lhe serve de fundamento: essa rocha é o próprio Cristo, “pedra angular da Igreja”, rejeitada pelos homens, mas escolhida e preciosa aos olhos de Deus (cf Ef 2,20). É por isso que, mesmo em meio às crises e críticas, nunca devemos perder a confiança na nossa Igreja Católica; é verdade que ela precisa converter-se e purificar-se constantemente, para ser santa e fiel ao seu Senhor; mas tenhamos a certeza de que Jesus Cristo nunca vai abandonar sua Igreja; quem permanece unido à Igreja, permanece unido a Cristo. Por isso mesmo, ninguém deve desprezá-la ou abandoná-la. O que nos dá segurança, é que não estamos sozinhos na nossa fé: cremos com toda a Igreja, comunidade de fé; e cremos como a Igreja crê. Isso nos faz pensar que cremos com a Virgem Maria e São José, os apóstolos, os mártires e santos de todos os tempos... Cremos com Santo Agostinho, com São Francisco e Santa Clara, São Tomás e São Domingos, Santo Inácio de Loyola e Santa Teresa, com São Vicente de Paulo e São João Bosco, só para citar alguns. E cremos com os Beatos João 23 e João Paulo 2º. Não estamos sozinhos em nossa fé!

11. “Senhor, aumentai a nossa fé!” (Lc 17,5). O Ano da Fé Um dia, as apóstolos deram-se conta que sua fé era muito pequena; vários discípulos até abandonaram Jesus e foram-se embora, achando que suas palavras eram difíceis demais para serem aceitas. Não conseguiam acolher plenamente a Boa Nova e o próprio Jesus. Então Ele perguntou aos doze apóstolos: “Também vós quereis ir?” Pedro, em nome de todos, respondeu: “Senhor, a quem iríamos nós? Tu tens palavras de vida eterna e nós cremos e sabemos que tu és o santo de Deus” (cf Jo 6,69). Trata-se de uma escolha: ou ficamos com a certeza que vem de Cristo, ou confiamos em nossas limitadas certezas, que não levam longe... Em outra ocasião, os discípulos viram que sua fé era pouca e pediram a Jesus: “Senhor, aumentai a nossa fé!” (Lc 17,5). Sempre existiram crises de fé, que levaram até a duvidar, ou a abandonar a fé e a afastar-se da Igreja, comunidade de fé. Muitas vezes, essas crises acontecem porque a fé não é cultivada, nem robustecida; não se ama, nem se aprecia o que não se conhe-


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ce. Por isso, como os discípulos, também nós pedimos: “Senhor, aumentai a nossa fé!” O Ano da Fé se apresenta como uma “hora de Deus” para a Igreja e todos os católicos. Durante este ano, teremos muitas ocasiões para renovar e aprofundar a nossa fé, para celebrar com grande intensidade os “Mistérios da Fé”, na Liturgia, e para manifestar e testemunhar publicamente nossa fé. Desejo, pois, apresentar as principais indicações para viver com proveito o Ano da Fé em nossa Arquidiocese. Muitas dessas indicações foram propostas pela própria Santa Sé, para que sejam realizadas em todo o mundo, de acordo com as circunstâncias de cada lugar. São objetivos para a vivência do Ano da Fé: a) renovar a profissão da fé, de maneira pessoal e comunitária; b) aprofundar o conhecimento das verdades da fé; c) difundir, estudar e conhecer melhor o Catecismo da Igreja Católica e/ou o Compêndio do Catecismo; d) pedir perdão a Deus pelas infidelidades contra a fé; e) despertar nos fiéis um novo apreço pela fé católica, a alegria de crer e o desejo de testemunhar e transmitir a fé aos outros. Algumas das iniciativas do Ano da Fé serão de âmbito arquidiocesano; para essas, convidamos a inteira comunidade arquidiocesana a participar; outras serão de âmbito regional, envolvendo as paróquias e demais organizações eclesiais e pastorais das Regiões Episcopais; e outras, enfim, serão de âmbito paroquial e local; estas serão a maioria e sua organização dependerá das próprias paróquias e das organizações e grupos eclesiais ali existentes. Conto, portanto, com a boa vontade, o interesse e o dinamismo dos Padres, Diáconos, Religiosos e lideranças dos Leigos para a promoção de iniciativas que ajudem a alcançar os melhores frutos do Ano da Fé.

11.1. Ações destacadas durante o Ano da Fé No Ano da Fé, teremos alguns momentos mais destacados para valorizar nossa fé católica, quer no conjunto das verdades professadas no Creio, quer nalgum Mistério da Fé, em particular. • 04/11/2012, Domingo de Todos os Santos, abertura do Ano da Fé na Arquidiocese. A abertura solene, na Arquidiocese, será feita pelo


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Arcebispo, na Catedral Metropolitana e, pelos Bispos Auxiliares, em uma igreja de referência de cada Região Episcopal. No mesmo domingo, também se fará em cada paróquia, a abertura solene do Ano da Fé; • 25/01/2013, celebração solene na Catedral Metropolitana e em todas as igrejas da Arquidiocese da festa do apóstolo São Paulo, mestre e testemunha da fé, Patrono da Arquidiocese de São Paulo; a celebração será precedida de um Tríduo em todas as paróquias e comunidades da Arquidiocese;. • 05/05/2013, peregrinação arquidiocesana anual para o Santuário de Nossa Senhora Aparecida, para renovar nossa fé; participação especial dos jovens; • 19/05/2013, Pentecostes dos jovens crismandos e já crismados, para a profissão da fé; • 30/05/2013, Solenidade de Corpus Christi, com especial manifestação da nossa fé no Mistério Eucarístico. Pela manhã, procissão arquidiocesana no centro; à tarde, celebração nas paróquias; • 16-20/07/2013, Semana Missionária da Juventude em São Paulo; • 23-28/07/2013, participação dos jovens na Jornada Mundial da Juventude do Rio de Janeiro, com a presença do Papa; Peregrinações do povo de cada Região Episcopal para a Catedral da Sé, para renovar a fé junto com o Arcebispo, o respectivo Bispo Auxiliar e o clero; sempre ás 15h: • 25/08/2013 – Região Episcopal Ipiranga • 01/09/2013 – Região Episcopal Belém • 15/09/2013 – Região Episcopal Lapa • 22/09/2013 – Região Episcopal Santana • 29/09/2013 – Região Episcopal Brasilândia • 06/10/2013 – Região Episcopal Sé


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• 03/08/2013, 09h30: peregrinação especial do clero (Padres e Diáconos) à Catedral Metropolitana, para a solene renovação da profissão de fé, na festa do Santo Cura de Ars; • 17/08/2013, peregrinação dos religiosos/as e demais “consagrados” à Catedral Metropolitana para a renovação da profissão de fé; • 24/11/2013, Domingo de Cristo Rei: solene encerramento do Ano da Fé.

11.2. A fé celebrada na Liturgia Os grandes e belos Mistérios da Fé, que cremos, são celebrados na Liturgia; assim, expressamos a nossa resposta e adesão de fé na adoração, na contemplação, na ação de graças e no louvor. Por isso, cada momento do Ano Litúrgico é uma ocasião rica para tomar consciência da nossa fé naquele Mistério da fé especialmente enfocado na celebração: Advento e Natal, Quaresma, Páscoa e Pentecostes, as Solenidades e Festas relativas a Deus Pai, ao Espírito Santo e ao Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor; ou aquelas relativas à Virgem Maria e aos Santos. — Advento e Natal de 2012: a Novena de Natal tem como tema – Natal feliz é Natal com fé; — Quaresma de 2013: celebrada com especial atenção para a conversão, o pedido de perdão pelas infidelidades a Deus e às Promessas do Batismo; — Campanha da Fraternidade de 2013: com o tema voltado para a juventude, terá a preocupação especial da transmissão da fé às novas gerações; — Páscoa de 2013: especial ocasião para a renovação da fé pascal e para a catequese sobre os Mistérios da nossa “fé pascal” no Redentor, o Senhor ressuscitado, vencedor do pecado e da morte; — Festas dos Santos Padroeiros das Paróquias e Comunidades, dos santos Fundadores das Ordens, Congregações e Institutos de Vida Consagrada: apresentar os santos como testemunhas qualificadas da fé da Igreja;


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— Em todas essas ocasiões, como também nas reuniões, encontros, cursos formativos e retiros espirituais, fazer a renovação da profissão de fé batismal, de maneira solene e pública, segundo a forma do Símbolo Niceno-Constantinopolitano, como pede a Santa Sé, ou na forma do Símbolo dos Apóstolos, não perdendo a ocasião para explicar algum aspecto da fé professada pela Igreja. A forma da renovação da fé está no final desta Carta Pastoral.

11.3. Ano da Fé e Catecismo da Igreja Católica — Durante o Ano da fé, divulgar amplamente, para que as pessoas adquiram, a Sagrada Escritura, o Catecismo da Igreja Católica, o Compêndio do Catecismo, o Youcat (Catecismo Jovem) e o livrinho de cabeceira “Sou Católico, vivo a minha fé”, da CNBB; — Aproveitar todas as ocasiões, ao longo do Ano da Fé, para uma abundante pregação sobre as verdades da nossa fé contidas no Creio em Deus Pai; — Promover catequeses sistemáticas para os fiéis sobre a primeira parte do Catecismo da Igreja Católica (parágrafos 01 a 1065); essas catequeses também sejam feitas pelos Meios de Comunicação Social, a Internet e nas Redes Sociais; dar ocasião ao povo para esclarecer suas dúvidas de fé; — Divulgar entre o povo as catequeses do Papa, em Roma, nas quartas-feiras; — Promover visitas e peregrinações aos “lugares da fé”, como os Santuários, ou as igrejas relacionadas com a vida de algum santo, fora da Arquidiocese, ou na própria cidade de São Paulo (Santa Paulina, Santo Antônio de Santana Galvão, Beato Padre José de Anchieta e Pe. Mariano de la Mata); — Promover entre os casais e as famílias uma renovada consciência sobre o seu dever de viver e testemunhar a fé, de a transmitir aos filhos e de introduzi-los na vida da Igreja;


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— Mover a Comunidade paroquial, e as organizações eclesiais dentro dela, para que não falte a catequese de iniciação à vida cristã para nenhuma criança e adolescente de família católica. Promover o ensino religioso católico nas escolas católicas; — Ao longo do Ano da Fé, promover retiros, cursos e reflexões sobre a fé da Igreja, sempre em base ao Catecismo da Igreja Católica, para jovens e adultos; promover em cada paróquia da Arquidiocese o dia de adoração ao Santíssimo Sacramento; — Formar mais catequistas e aprofundar a formação dos que já atuam na catequese; formar pregadores da fé católica; — As Religiosas e Religiosos, os membros das Associações de Fiéis, Novas Comunidades e Movimentos eclesiais procurem comunicar com alegria e generosidade o dom da fé; — Durante todo o Ano da Fé, dar abundantes oportunidades para que o povo possa confessar. Alguns livros básicos deveriam estar presentes em todas as casas e acompanhar a vida das famílias e pessoas no caminho de sua fé católica: a Bíblia; o Catecismo da Igreja Católica; o Compêndio do Catecismo da Igreja Católica (em forma de perguntas e respostas); Sou Católico, vivo a minha fé (da CNBB); o Youcat (Catecismo Jovem). Cada família também deveria ter algum manual ou livro de orações, para as orações diárias e as principais devoções católicas, que ajudam a cultivar e preservar a fé católica e a transmiti-la às novas gerações. Alguns sinais identificadores da nossa fé católica deveriam merecer uma renovada atenção neste Ano da fé: a) ter na sala de nossas casas, bem como nos quartos e nos ambientes de trabalho um crucifixo; b) em nossas casas, ter alguma imagem ou quadro de Nossa Senhora; c) fazer o sinal da cruz, antes de iniciar as atividades principais do dia e também rezar antes das refeições, sobretudo quando feitas em casa e em família; d) ter consigo um sinal identificador da própria fé, como uma carteirinha de “identidade católica”, que as paróquias podem oferecer; e) fazer a caridade aos pobres e, em geral, praticar as obras de misericórdia previstas em Mt 25.


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Conclusão: “Feliz, aquela que acreditou!” (Lc 1,45) Entregando esta Carta Pastoral a todos os queridos filhos e filhas da Igreja, que está em São Paulo, recomendo especialmente aos sacerdotes e diáconos, aos religiosos, religiosas e demais pessoas consagradas, assim como às lideranças da Pastoral, que ajudem os demais irmãos e irmãs a terem o melhor proveito do Ano da Fé, pondo em prática as orientações desta Carta. Como conclusão, faço um convite muito especial para que todos vivam este Ano da Fé como um “ano da graça de Deus” para suas vidas. Pelo dom da fé, temos acesso ao mais importante em nossas vidas: a comunhão e a familiaridade com Deus, que preenche de sentido a vida! Quem não tem fé, peça-a com confiança na oração; busque-a com profundo interesse e abertura de coração e Deus não vai deixar de responder à sua busca. Quem tem pouca fé, procure crescer na fé mediante a prática assídua da oração, da caridade, da acolhida da Palavra de Deus, da participação na Missa dominical e nos demais Sacramentos, especialmente a Confissão. Quem tem fé robusta, agradeça a Deus cada dia e seja humilde! Peça a graça da perseverança na fé até o fim da vida. E partilhe esse dom precioso com seus familiares e amigos e com quem vive sem fé; a fé autêntica contagia e incendeia... São Paulo, Patrono de nossa Arquidiocese, foi contagiante no seu amor a Cristo e no seu ardor apostólico, conquistando muitos irmãos para Cristo! Ninguém retenha só para si a alegria e o consolo da fé. Quero, pois, fazer um apelo, que pode soar como um desafio: cada católico praticante, durante o ano, traga para a prática da fé mais um irmão católico não praticante. Com todo o respeito pela liberdade de consciência do próximo, mas também com todo o zelo de quem quer lhe fazer um imenso bem, fale de sua fé, de nossa fé, das coisas bonitas da fé da Igreja... Talvez, ninguém lhe tenha falado ainda! Sobretudo, procure dar-lhe o testemunho de uma vida correta e feliz. Quem conseguir ajudar um irmão a se aproximar mais da fé e da prática da religião, pode estar certo de uma bendita recompensa de Deus!


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Os Bem Aventurados Pe. Anchieta e Pe. Mariano, com os santos Frei Galvão e Madre Paulina, que viveram em nossa cidade e a edificaram com o testemunho de sua fé, intercedam por nós! Maria, Mãe de Jesus Cristo, pôs toda a sua fé em Deus e se colocou inteiramente à disposição da obra de Deus. Sua prima Isabel a proclamou “feliz”, porque acreditou nas palavras que lhe foram ditas da parte de Deus! (cf. Lc 1,45). E até hoje nós agradecemos a Maria, porque ela acreditou, e a proclamamos “bendita entre todas as mulheres”! Que Nossa Senhora da Assunção nos ensine a crer com fé forte e perseverante, para sermos felizes também nós. São Paulo, na memória litúrgica de Santa Teresinha do Menino Jesus, Doutora da Igreja, 01 de outubro de 2012

Card. Dom Odilo P. Scherer Arcebispo Metropolitano de São Paulo


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PROFISSÃO DA FÉ NO ANO DA FÉ

(Os fiéis reunidos podem ter velas acesas nas mãos durante a profissão de fé; a seguir, invocam o Espírito Santo (hino Veni Creator ou outro); depois, quem preside a celebração introduz a Profissão de Fé com as palavras seguintes, ou outras semelhantes): PR.: Irmãos e irmãs, o Ano da Fé nos remete ao Creio, que é a profissão pública da fé da nossa Igreja. “Professar a fé na Trindade – Pai, Filho e Espírito Santo – equivale a crer num só Deus, que é Amor (1Jo 4,8): o Pai, que na plenitude dos tempos enviou seu Filho para a nossa salvação; o Filho, Jesus Cristo, que redimiu o mundo no mistério da sua vida, morte e ressurreição; o Espírito Santo, que guia a Igreja através dos séculos, enquanto ela aguarda o regresso glorioso do Senhor” (cf Porta Fidei, 1). Com os apóstolos e todos os irmãos na mesma fé, também com aqueles que já nos precederam nesta fé, nós proclamamos: TODOS: Creio, Senhor, mas aumentai minha fé! (pode ser cantado) PR.: Desde as suas origens, a Igreja entregava o Creio aos adultos, que se preparavam para o Batismo; depois de aprendê-lo de cor, em outra celebração, eles o professavam publicamente. A esses catecúmenos, Santo Agostinho exortava, dizendo: “O Símbolo do santo mistério reúne as palavras sobre as quais está edificada com solidez a fé da Igreja, nossa Mãe, apoiada no alicerce seguro, que é Cristo Senhor. Deveis trazê-lo sempre na mente e no coração; deveis repeti-lo nos vossos leitos, pensar nele nas praças e não o esquecer durante as refeições; e, mesmo quando o corpo dorme, o vosso coração continue acordado, por ele”. Com os apóstolos, os mártires, os santos e todos os cristãos e cristãs, nós também proclamamos: TODOS: Creio, Senhor, mas aumentai minha fé! PR.: Neste Ano da Fé, o Papa Bento XVI nos convida a refletir sobre nossa fé e a compreender melhor seu conteúdo. Vamos usar o texto do Creio Ni-


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cenoconstantinopolitano. Ele é a Declaração de nossa fé católica. Ao longo deste Ano da Fé, vamos repeti-lo cada dia, especialmente na oração da manhã ou da tarde e, com a força do Espírito Santo, testemunhá-lo com nossos irmãos e irmãs com nossa própria vida. Em comunhão com toda a Igreja, professemos agora a nossa fé católica: TODOS: Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,/ criador do céu e da terra,/ de todas as coisas visíveis e invisíveis./ Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,/ Filho Unigênito de Deus,/ nascido do Pai antes de todos os séculos:/ Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,/ gerado, não criado, consubstancial ao Pai./ Por ele todas as coisas foram feitas./ E por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus:/ e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria e se fez homem./ Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;/ padeceu e foi sepultado./ Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras,/ e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai./ E de novo há de vir, em sua glória,/ para julgar os vivos e os mortos;/ e o seu reino não terá fim./ Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida,/ que procede do Pai e do Filho;/ e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado:/ ele, que falou pelos profetas./ Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica./ Professo um só batismo para a remissão dos pecados./ E espero a ressurreição dos mortos/ e a vida do mundo que há de vir./ Amém. PR.: Esta é a fé, que da Igreja recebemos e alegremente professamos, motivo de nossa esperança e alegria em Cristo Jesus, nosso Senhor! TODOS: AMÉM! PR.: Ó Deus, nosso Pai, concedei-nos a graça da fé firme num coração renovado, para vos reconhecermos como Deus vivo e verdadeiro, e Aquele que enviastes, Jesus Cristo. Guiados pelo Espírito Santo ao longo deste Ano da Fé, possamos progredir no caminho da fé com o coração repleto de alegria e ser para os outros, testemunhas do vosso amor, atraindo-os para vós. Por Cristo, nosso Senhor. TODOS: AMÉM!


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Oração a São Paulo Apóstolo Patrono da Arquidiocese de São Paulo Ó São Paulo, Patrono de nossa Arquidiocese, discípulo e missionário de Jesus Cristo: ensina-nos a acolher a Palavra de Deus e abre nossos olhos à verdade do Evangelho. Conduze-nos ao encontro com Jesus, contagia-nos com a fé que te animou e infunde em nós coragem e ardor missionário, para testemunharmos a todos que Deus habita esta Cidade imensa e tem amor pelo seu povo! Intercede por nós e pela Igreja de São Paulo, ó santo apóstolo de Jesus Cristo! Amém.

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Profissão de Fé Católica Esta é a fé, que da Igreja recebemos e alegremente professamos, motivo de nossa esperança e alegria em Cristo Jesus, nosso Senhor!

Creio em um só Deus, Pai todo-poderoso,/ criador do céu e da terra,/ de todas as coisas visíveis e invisíveis./ Creio em um só Senhor, Jesus Cristo,/ Filho Unigênito de Deus,/ nascido do Pai antes de todos os séculos:/ Deus de Deus, luz da luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro,/ gerado, não criado, consubstancial ao Pai./ Por ele todas as coisas foram feitas./ E por nós, homens, e para a nossa salvação, desceu dos céus:/ e se encarnou pelo Espírito Santo, no seio da Virgem Maria e se fez homem./ Também por nós foi crucificado sob Pôncio Pilatos;/ padeceu e foi sepultado./ Ressuscitou ao terceiro dia, conforme as Escrituras,/ e subiu aos céus, onde está sentado à direita do Pai./ E de novo há de vir, em sua glória,/ para julgar os vivos e os mortos;/ e o seu reino não terá fim./ Creio no Espírito Santo, Senhor que dá a vida,/ que procede do Pai e do Filho;/ e com o Pai e o Filho é adorado e glorificado:/ ele, que falou pelos profetas./ Creio na Igreja, una, santa, católica e apostólica./ Professo um só batismo para a remissão dos pecados./ E espero a ressurreição dos mortos/ e a vida do mundo que há de vir./ Amém.

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