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Está quase amanhecendo quando vou para a cama. Deito em cima do cobertor, desperto, sem tirar os sapatos ou as roupas, e fico olhando para o teto. Estou cheio, e também vazio, mas não de um jeito ruim. Talvez vazio não seja mesmo a palavra. Me sinto leve. Talvez eu ame a Libby Strout. Não só goste dela. Ame. De verdade. Amo sua risada divertida e rouca, que faz parecer que ela está resfriada. Amo o jeito como anda, como se desfilasse. Amo sua imensidão, e não estou falando do peso físico. Então começo a pensar em seus olhos. Se você me perguntasse como são os olhos da Caroline, eu não saberia dizer. Embora possa dizer como são quando olho para eles, não consigo descrever quando não estão diante de mim. Mas sei dizer como são os olhos da Libby. São como deitar na grama sob o céu em um dia de verão. O sol te cega, mas você sente o chão sob seu corpo, então por mais que pareça que você poderia simplesmente sair flutuando, sabe que isso não vai acontecer. Você se sente aquecido por dentro e por fora, e o calor se mantém ali quando se afasta. Posso dizer outras coisas também. 1. Ela tem uma constelação de sardas no rosto que lembra Pégaso (bochecha esquerda) e Cisne (bochecha direita). 2. Seus cílios são muito compridos, e quando está brincando comigo ela dá umas piscadas lentas, de propósito, que tiram meus pés do chão. 3. O sorriso dela é maravilhoso, como se viesse do fundo de seu corpo, uma parte feita de céu azul e raios de sol. Então eu penso: Espera um pouco. Sento. Esfrego a cabeça. Talvez seja a bebida, mas… Quando comecei a conseguir lembrar do rosto dela? E de repente estou tendo uma experiência meio Sexto sentido e minha mente volta às semanas que convivi com ela. Penso em todas as vezes que a vi, em cada vez que consegui distinguir a Libby em uma multidão ou reconhecer quem era fora de contexto. Testo meu cérebro. Imagine suas sobrancelhas. Levemente arqueadas, como se estivesse sempre interessada. Imagine seu nariz. Treme quando ela ri. Imagine sua boca. Lábios vermelhos, os cantos sempre apontando para cima, como se estivesse sorrindo mesmo

Juntando os Pedaços - Jennifer Niven  
Juntando os Pedaços - Jennifer Niven  
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