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Ligeiramente adiantado, entro no estacionamento e paro na última vaga da primeira fila. Marcus derruba o celular e se abaixa para pegar. Quando levanta a cabeça, é uma pessoa totalmente diferente. Assim, o esquema que eu tinha na cabeça se desfaz, e tenho que começar de novo: Cabelo desgrenhado + queixo pontudo + pernas de girafa = Marcus. Mal acabo de estacionar o Land Rover e ele já desce do carro e começa a falar com as pessoas. Quero dizer: Me espere. Não me deixe sozinho. Quero segurar o braço dele para não me perder. Em vez disso, mantenho os olhos em Marcus sem piscar, porque não quero que suma. Ele se mistura na multidão, entrando na escola como mais um do rebanho. O reino animal tem coletivos bem doidos. Um fato de cabras. Uma vara de porcos. Uma panapaná de borboletas. Uma capela de macacos. Como um grupo assim seria chamado? Um terror de alunos? Um pesadelo de adolescentes? Por diversão, analiso os rostos que passam, procurando meu irmão. Mas é como tentar escolher um peixe no meio de um cardume. Sento por trinta segundos, curtindo a solidão. Trinta. Vinte e nove. Vinte e oito. Vinte e sete… Vai ser o único momento de paz até eu voltar pra casa. Nesses trinta segundos, penso em tudo que não posso pensar pelas próximas oito horas. É sempre a mesma coisa. Minha cabeça é ferrada…

Juntando os Pedaços - Jennifer Niven  
Juntando os Pedaços - Jennifer Niven  
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