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A Inteligência Emocional e a Gestão das Emoções A Inteligência Emocional é uma área relativamente nova da psicologia. Basicamente, a Inteligência Emocional significa a capacidade que uma pessoa tem de compreender e influenciar as suas próprias emoções e as emoções das pessoas que a rodeiam, ou seja, uma inteligência intrapessoal ou interpessoal. O termo inteligência emocional foi criado por Daniel Goleman, no seu livro com o mesmo nome, e, desde então, têm sido inúmeros os estudos sobre o tema e a sua aplicação à gestão de carreiras. A inteligência emocional pode ser dividida em cinco capacidades diferentes: 1. Auto-consciência: a capacidade de reconhecer e compreender os próprios sentimentos, saber o que significam e aceitá-los. Só quem sabe porque se sente como sente, pode dominar as suas emoções, moderá-las e controlá-las. 2. Gestão de emoções: a capacidade de gerir e lidar com os próprios sentimentos de forma responsável e correcta consoante a situação. Emoções como o medo, a ira ou a tristeza são mecanismos de sobrevivência básicos que não podemos desligar ou evitar. Podemos, porém, orientar as nossas reacções emocionais ou substituir comportamentos menos adequados, como os violentos ou anti-sociais. 3. Rentabilização do potencial existente: um elevado QI não faz de nós génios, bons alunos ou profissionais – os verdadeiros bons resultados requerem qualidades como a perseverança, gostar de aprender, auto-confiança e capacidade de passar por cima da derrota ou das adversidades. 4. Empatia: a capacidade de sentir as emoções dos outros e compreendê-las, colocando-nos no seu lugar. 90% da comunicação emocional faz-se sem palavras. Isto implica que a empatia face a outras pessoas requer a predisposição para as observar, ouvir e compreender, mesmo naquilo que não é expresso verbalmente. 5. Criação de relações sociais: em todos os contactos com outras pessoas, entram em jogo capacidades sociais – contacto com clientes, relação com amigos, conversas de circunstância. Relacionarmo-nos bem com as outras pessoas depende da nossa capacidade de prestar-lhes atenção, de reconhecer conflitos e de os solucionar, perceber o ponto de vista dos outros e respeitá-lo. Uma vez que todos nós lidamos com a emoção de forma diferente em situações diferentes, torna-se difícil para os investigadores medir a inteligência emocional de forma correcta. Não há nenhum teste de quociente emocional (QE) cientificamente comprovado que nos permita aferir a “quantidade” de inteligência emocional que cada um possui. Mas é sempre possível realizar alguns testes que dão uma ideia, a traços largos, de como estamos de inteligência emocional.

Estratégias de Gestão das Emoções – a importância do auto-controlo Todos nós passamos por uma luta constante para manter sob controlo as nossas emoções, regulá-las e equilibrá-las, esquecendo facilmente que estas não representam apenas uma fragilidade, mas também um potencial.


As emoções são mecanismos que nos ajudam a: • Tomar decisões com prontidão e segurança (que curso tirar, como investir dinheiro, que bebida escolher); • Reagir com rapidez perante acontecimentos inesperados; • Comunicar de forma não-verbal com outras pessoas (tom de voz, postura, expressão facial). Reconhecer as próprias emoções é a base do QE: só quem aprende a perceber os sinais emocionais, a classificá-los e a aceitá-los, pode controlar as suas emoções e explorá-las em seu benefício. A chave de acesso ao mundo emocional é a atenção, pois supõe ter a percepção e a consciência do próprio mundo interior com o objectivo de não se deixar dominar por ele. As emoções básicas como a cólera ou o medo fazem parte do nosso equipamento emocional, estando enraizadas biologicamente na nossa natureza. A nós cabe-nos determinar como as controlar. a) A cólera Enquanto mecanismo primitivo de sobrevivência, a cólera desempenhou um papel fundamental em nos manter vivos, pois esta emoção é capaz de libertar hormonas e energias capazes de nos tornar aptos para o combate ou mesmo a fuga. Estas energias libertadas eram esgotadas com frequência, não havendo acumular das mesmas, o que já não acontece com o homem moderno ou “civilizado”, que não tem oportunidade de libertar a sua indignação, caindo num círculo vicioso. Como o organismo não recebe nenhum sinal de que o perigo já passou, mantém a situação de cólera. Quando se acumulam situações irritantes e a frustração delas resultante não se liberta, ficamos cada vez mais perto do limite da tolerância, até “explodirmos” perante pequenas coisas. A maior parte das pessoas, para evitar esta situação-limite, reprime a sua indignação, o que dá frequentemente origem a transtornos psicossomáticos, como úlceras, hipertensão e problemas cardíacos. Estratégias de controlo da cólera 1. Introspecção – perante uma situação que nos irrita, devemos auto-observarnos e procurar compreender por que razão estamos perturbados, isto é, reavaliar a nossa reacção perante os acontecimentos e verificar se é justificada ou exagerada. 2. Interpretar positivamente a situação – procurar ver sempre o lado positivo de todas as situações. Nem sempre é fácil ou possível, mas pode evitar que situações menores se convertam em dramas emocionais (ex.: perdeu o autocarro, mas pode pensar que ia demasiado cheio e que o próximo já estará menos lotado ou que pode, durante a espera, tomar o pequeno-almoço que não teve tempo de tomar em casa). 3. Actividade física/relaxamento/distracção – qualquer situação de indignação desencadeia no organismo um máximo de esforço físico, que se pode prolongar até à exaustão se não se libertar toda a energia negativa. Praticar exercício físico com regularidade ou mesmo caminhar, ajuda a libertar as emoções negativas e a oxigenar o corpo. Práticas de relaxamento, como a inspiração e a expiração profundas, o ioga e a meditação são poderosos auxiliares na libertação da pressão diária. Por vezes, afastarmo-nos dos problemas momentaneamente ajuda a readquirir uma nova perspectiva sobre os mesmos. Ter hobbies, estar com os amigos ou


desligarmo-nos por instantes das situações stressantes pode ajudar a reavaliar de outro modo o que anteriormente nos parece insuportável.

b) O medo Trata-se de uma reacção perante situações ameaçadoras ou que causam insegurança, nas quais perdemos o controlo sobre o que nos rodeia. Perante algo que nos causa medo, a nossa única preocupação é sobreviver e mantermo-nos incólumes, o que, à semelhança da cólera, nos foi muito útil, nomeadamente na fuga de eventuais predadores. Os factores que desencadeiam o medo são, entre outros: • • •

Perigos gerais – medo perante a perspectiva de um acontecimento importante (um exame, uma intervenção cirúrgica), medo de envelhecer ou de ficar doente, medo de catástrofes naturais. Situações desconhecidas – medo de novas tecnologias, ruídos nocturnos, mudar para uma escola/cidade desconhecida. Relações sociais – medo da exclusão, da solidão, do fracasso ou troça.

Embora útil, o medo é vivido de modo diferente nos tempos modernos, pois temos de continuar a nossa vida como se nada se passasse e raramente temos situações assustadoras que possamos superar de modo directo e ultrapassar de vez. Por exemplo, um familiar pode estar em perigo de vida nos cuidados intensivos, mas não podemos deixar de cuidar dos filhos na mesma ou de apresentar a declaração de IRS a tempo e horas. Quando o medo passa a impedir-nos de ter uma vida normal, então passamos para o domínio das fobias. Estratégias contra o medo Há duas maneiras de superar o medo: eliminar a ameaça ou a auto-tranquilização. 1. Reconhecer o perigo para o superar – o medo também tem um lado positivo, sendo o indicador de que algo está mal. Devemos encarar o medo como uma forma de termos mais cuidado connosco: temos medo de doenças? Então o melhor é adoptar comportamentos saudáveis. 2. Reinterpretação da situação – muitos dos medos que os adultos possuem foram-lhes transmitidos pelos progenitores. Crianças, filhas de pais que demonstram medo de aranhas, tendem a tornar-se adultos com aversão a estes animais ou mesmo com aracnofobia. Reavaliar a situação permitenos pensar racionalmente se alguns medos que temos são, de facto, justificáveis. 3. Dessensibilização – por vezes, a melhor maneira de acabar com um medo não é evitar a situação que o causa, mas enfrentá-la aos poucos. Pessoas com ornitofobia começam por ver imagens de aves, passam para o toque de penas, etc., até conseguirem estar junto de uma ave sem a reacção de medo. c) Tristeza e depressão vulgar A tristeza e os estados de espírito depressivos são reacções de adaptação a perdas ou mudanças, em especial para aquelas para as quais não conseguimos encontrar um sentido ou explicação:


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Perdas irreparáveis – morte de pessoa próxima, a impossibilidade de ter filhos ou o fracasso de um sonho que se tinha para a vida. Perda de objectivos, de posição ou de poder – saída dos filhos de casa, despedimento. Discriminação e/ou sensação de insegurança. Traumas – maus-tratos/abusos na infância, divórcio. Esgotamento – sobrecarga física e/ou emocional. A tristeza debilita os nossos interesses e a nossa energia relativamente às actividades normais. De um ponto de vista evolutivo, esta falta de vontade e de energia destinava-se a que as pessoas não se afastassem do seu meio, onde estavam mais seguras. É uma reacção de adaptação normal, mas quando se torna omnipresente e afecta o dia-a-dia, estamos perante um sinal de alarme que tem de ser tratado, de modo a não degenerar numa depressão profunda.

Estratégias contra a tristeza e a tendência para a depressão As estratégias dependem, em cada caso, da situação de partida e da frequência e intensidade do abatimento de que se padece. 1. Distracção – encontrar formas de espairecer a tristeza: sair com amigos, praticar desporto, passear, ler, aprender algo novo, ouvir música, são mecanismos muito eficazes que podem ajudar a ultrapassar estados depressivos. 2. Altruísmo – dedicar tempo a ajudar os outros é uma forma de relativizarmos os nossos problemas. Fazer voluntariado em hospitais, albergues de animais abandonados, iniciativas ambientais, pode colocar-nos face a problemas bem maiores que os nossos, ajudando-nos a perceber a dimensão do que nos aflige. 3. Optimismo – manter uma atitude aberta e optimista ajuda a mudar a perspectiva perante a adversidade. Pessoas tendencialmente mais optimistas raramente caem em estados depressivos. 4. Auto-dedicação – dedicar tempo para nós mesmos, preenchido com actividades em que nos sintamos mimados (ida a um salão de beleza, assistir a um jogo, compra de algo muito desejado). 5. Medicação – em caso de depressões que não reagem a mecanismos simples como os anteriores, podem ter de ser tratados com antidepressivos, mas sempre prescritos por um médico.

Inteligencia emocional e gestao das emocoes  

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