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Projeto de desenvolvimento de Travesseiro Sustentável a partir da fibra natural da Paineira. Rafael Campachi Castilho e Millene Franciele de Menezes Mazoni. Faculdade de Ciências e Tecnologias de Birigui – FATEB / SP. O referido artigo se trata da problemática das espumas flexíveis de Poliuretano (P.U.) utilizadas na confecção de travesseiros, características do material, descarte, depredação do meio-ambiente e riscos para a saúde dos usuários diante da utilização do produto travesseiro. Referese também a possibilidade de agregação de fibras de Paina como enchimento desse produto. O trabalho teve os objetivos de verificar e analisar o descarte da supra mencionada matéria prima na região de Birigui e, o estudo das fibras da paineira. Resultando na percepção de entulhos depositados de forma irregular. Também como resultado uma matéria-prima alternativa, de caráter sustentável, com boa flexibilidade e possível de ser produzida a partir do plantio de lotes de Paineiras nessa região.


Project Bolster Sustainable development of natural fiber from the Paineira. Rafael Castillo and Campachi Millene Franciele Mazoni de Menezes. Faculty of Science and Technology Birigui - FATEB / SP. That article deals with the issue of flexible foam polyurethane (PU) used in the manufacture of pillows, material characteristics, disposal, destruction of the environment and risks to the health of users before using the product pillow. It also refers to the possibility of aggregation of kapok fibers as filler in the product. The work had the objective to verify and analyze the disposal of the above mentioned raw materials in the region of Birigui, and the study of the fibers of the cotton tree. Resulting in the perception of debris deposited irregularly. Also as a result an alternative raw material, character development, with good flexibility and can be produced from the planting of lots of Painswick in the region.


Figura 01 - Aterro irregular, Freguesia de Pomares-Arganil/Portugal..........................................12 Figura 02 - Colchonete e sofá jogados na rua, Penápolis/SP...........................................................18 Figura 03 - Colchão jogado na rua, Penápolis/SP................................................................................18 Figura 04 - Gráfico do consumo brasileiro de P.U................................................................................19 Figura 05 - Rejeitos de produção, Penápolis/SP..................................................................................19 Figura 06 - Gráfico das fases do sono....................................................................................................22 Figura 07 - Makura, travesseiro japonês................................................................................................24 Figura 08 - Encosto de cabeça em marfim do túmulo de Tutankhamon........................................24 Figura 09 - Travesseiro egípcio................................................................................................................24. Figura 10 - The Kanbun Master, Yoshiwara makura-e (casa de prostituição), 1660...................25 Figura 11 - Mosaico de fotos da Ceiba Speciosa, Paineira Rosa e Paineira Branca.....................23 Figura 12 - Tronco de Ceiba Speciosa, Penápolis/SP..........................................................................30


Dedicatória e Agradecimentos..................................................................................05 Resumo............................................................................................................................06 Lista de ilustrações......................................................................................................08 Sumário...........................................................................................................................09 1 Introdução.....................................................................................................................10 1.1 Sociedade de consumismo......................................................................................11 1.2 Espumas flexíveis.....................................................................................................12 1.3 Travesseiro Ecológico............................................................................................14 1.4 Objetivo.......................................................................................................................14 1.5 Justificativa...............................................................................................................15 2 Sustentabilidade........................................................................................................16 2.1 Definição....................................................................................................................16 2.2 Reciclagem ou Deciclagem?................................................................................17 3 Problemática..............................................................................................................18 3.1 Identificação do Problema....................................................................................18 3.2 Definição do Problema..........................................................................................19 4 O Sono..........................................................................................................................22 4.1 Ciclo do Sono............................................................................................................22 4.1 Você dorme bem?...................................................................................................23 4.2 Posições para dormir...........................................................................................23 5 História do Travesseiro...........................................................................................24 5.1 Uso terapêutico.......................................................................................................25 5.2 Tipos de Travesseiro.............................................................................................26 6 A Paineira....................................................................................................................28 6.1 Árvore de Lã.............................................................................................................30 6.2 Plantio.......................................................................................................................31 6.3 Fibra de Paina.........................................................................................................31 7 Lista de Pré-requisitos............................................................................................32 7.1 Considerações Finais.............................................................................................33 Referências....................................................................................................................34 Apêndices........................................................................................................................35


A sociedade é uma organização constituída por seres humanos e suas relações dividem espaço com a natureza que é sua fonte de sobrevivência. E esta relação “indivíduo – natureza” deve ser harmônica, mas na realidade não é isso o que acontece, o meio ambiente está depredado e os recursos naturais vem sendo esgotados, tudo para atender às necessidades econômicas de uma sociedade marcada pelo consumismo. O problema é o dano ambiental, por tal fator vem surgindo cada vez mais a questão da sustentabilidade, reciclagem, ecodesign. Algumas empresas “acordaram” para o problema e estão se movimentando para fazer algo ao respeito, desenvolvendo novas formas de produzir para não agravar ainda mais o meio ambiente, alternativas baseadas em recursos renováveis.

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Mas a questão de sustentabilidade depende do indivíduo, da sociedade e da tecnologia industrial. Deve ser quebrado aquele sistema linear que o consumismo e a indústria implantaram, o uso da reciclagem com intuito de economizar 90% de energia e recursos naturais gastos na produção. O papel do designer é se voltar para a sustentabilidade, criando novos produtos e mudando o conceito dos consumidores, diminuindo o consumo desenfreado de produtos.

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Perante este assunto de caráter sustentável é que vem a ser abordada a questão das espumas flexíveis de poliuretano (popularmente chamado de P.U.). Este material é um dos polímeros mais usados mundialmente pela indústria, por conta de sua gama de aplicações, como espumas flexíveis, que é responsável pela movimentação da maior quantidade de produtos de poliuretano produzidos industrialmente, só no Brasil as espumas flexíveis equivalem a 60% da produção desse material.

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Figura 01 - Aterro irregular, Freguesia de Pomares-Arganil/Portugal. Fonte: Blog Rouxinol de Pomares.


Espumas que vão se transformar em enchimento para o interior de colchões, sofás e travesseiros, produtos domésticos que são consumidos por todas as classes sociais, que geram grande movimentação da economia mundial, que cativam os designers a criarem novas tendências e produtos.

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Para começar a se falar de um “Travesseiro Ecológico” é necessária a compreensão e análise de outros produtos e conceitos, tais aqueles relacionados com a forma de dormir e o próprio sono, quanto mais para projetar-se um produto como este já que o travesseiro é o instrumento principal para o momento de dormir, de relaxamento e presente em todas as casas brasileiras. Na posição deitada há inúmeros pontos no corpo que sofrem ação de compressão entre o colchão, travesseiro e o próprio corpo. Além de como dormir e quais as posições ideais para ter conforto, é necessária a atenção para o ciclo do sono, quais os efeitos físicos e psicológicos causados pelo mesmo, na qual dependem do gênero e da qualidade do travesseiro. Muita gente não sabe que existem vários tipos de travesseiros e cada um deles é específico para cada posição de deitar. A história do travesseiro e da almofada se “entrelaçam”, não sabendo a origem certa mas com relatos mais antigos datam no Egito Antigo, China, e Grécia Antiga.

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Foi visto o tema do trabalho e a problemática do produto travesseiro, agora o texto trata-se sobre os objetivos desejados a serem alcançados pelo projeto. Perante o Briefing que aponta trabalhar com produto voltado para a sustentabilidade, foi analisado muitas possibilidades de atuação para melhora de produtos que estão sendo fabricados, comercializados, usados e descartados no meio ambiente. Pós-análise, optou-se por trabalhar com a problemática do material Poliuretano, com objetivo de produzir um travesseiro que substitua a espuma de P.U., e não apenas ela, que vem sendo utilizada para enchimento interno do mesmo. Objetivo, este, que visa diminuir o risco ao meio-ambiente causado pelo descarte indevido das supra referidas espumas, e também diminuir os danos à saúde dos usuários que utilizam travesseiros com esse tipo de enchimento. A natureza precisa ser preservada, assim como a vida e o bem estar das pessoas, o projeto foi elaborado para sanar essas necessidades, com objetivos de atuação voltados para os fatores meio-ambiente e usuário. Sem deixar de lado os parâmetros social, econômico e ambiental que todo produto de design deve obrigatoriamente atender.


Tratando-se do tema em questão (proposto pelo Briefing), existem inúmeras opções a serem trabalhadas, desde a criação de um móvel ecológico até mesmo a elaboração de um sistema para aproveitamento da água proveniente da chuva, mas escolheu-se projetar um travesseiro com enchimento de fibra de Paina. Por que projetar esse produto? Primeiramente porque travesseiro é um objeto que praticamente é utilizado por todas as pessoas, é indispensável e de uso cotidiano, é um produto que está extremamente ligado à vida de todos os usuários. Em segundo lugar, porque a fibra da Paina, não degrada o Meio Ambiente, pois já faz parte dele, observada com bastante frequência na região noroeste, torna-se viável a produção em larga escala, favorecendo a geração de novos empregos. E visando, justamente, a redução no uso e descarte das espumas flexíveis de Poliuretano, propõe-se o projeto do travesseiro ecologicamente correto, pois ainda há muito o que se fazer. Com os temas apresentados junto com uma abordagem ergonômica e uma metodologia de projeto baseada em LOBACH, o documento vem apresentar o projeto de design sobre Travesseiro ECOlógico.

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As ações do ser humano dentro da sociedade geram conseqüências para o meio em que vive, por isso é percebido uma mudança no ecossistema desde o início da civilização até os tempos atuais, isso se tornou mais acelerado e agravante a partir das revoluções industriais onde o consumismo rege as necessidades e ações das pessoas, esgotando os recursos naturais do planeta e gerando mais lixo. O problema está na complexibilidade da economia atual, diretamente dependente de recursos não renováveis e do consumo de energia – palavra, esta, que é a origem das movimentações econômicas e combustível para a tecnologia. Para John Thackara, essa é uma problemática extremamente delicada na qual pode acarretar o colapso da sociedade industrial. Há linhas de pensamento que pregam como única alternativa seria o refúgio da sociedade em outro ambiente, outro seguimento de raciocínio é a crença no aparecimento de novas fontes de energia perante a inteligência humana, há ainda a empresa “Marks & Spencer” que idealiza que a tecnologia é a chave da solução de todos os problemas. Mas John trás um novo plano, considerando como plano B, que consiste, através da análise e intuição destes pensamentos citados acima, uma forma de ação de tentativa e erros para sanar essa crise de energia que assombra o futuro do ecossistema, buscando transformação da inovação e do cotidiano das pessoas.

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Entre os inúmeros conceitos sobre Sustentabilidade, este projeto trás como definição: é toda forma de transformação da sociedade, do indivíduo e da tecnologia visando reverter o problema ecológico, utilizando novas formas de se interagir com o meio. É papel do designer criar projetos em prol do sustentável, produtos mais leves, substituindo os meios físicos pela informação. Projetar através da inovação do fator cultural, social e tecnológico, baseando-se em recursos renováveis, da observação do passado e da situação presente do sistema e buscar novas possibilidades, são tarefas desse profissional para tentar resolver o problema ecológico que afeta toda a vida da sociedade no planeta. É isso que John aborda em seu livro “Plano B”, que cabe ao designer promover ações para transformar o cotidiano das pessoas, mudar a forma como consomem, criar um sistema que valorize mais o indivíduo e não o produto, conectar as pessoas e ter a consciência que a real necessidade delas está no fim e não nos objetos. Ter um mundo com menos coisas e mais pessoas, isso não significa regressão da tecnologia, pelo contrário, é um novo formato mais sustentável para a ação tecnológica. Se os indivíduos utilizassem mais os meios, os serviços, haveria menor retirada de recursos do planeta e menor acúmulo de lixo, coisas desnecessárias que o consumismo força as pessoas comprarem. Mudança do meio, da forma de pensamento das pessoas e da economia, pensar no fluxo de materiais e da utilização da energia, substituição do ter pelo usar, utilização de recursos sustentáveis, valorização do ser humano a cima da valorização do lucro e por fim, promover ações projetando a consequência de seus atos são a “chave” para resolver o problema da sustentabilidade.


A Reciclagem busca fazer com que a matéria prima torne parte de um ciclo que garante sua permanência para produção de novos produtos, sem a necessidade de gerar novas matérias-primas. Mas não confunda esse termo com a “Desciclagem”, são dois assuntos muito interessantes para o design, ambos estão relacionados com a forma de produzir e gerar novos projetos. O lixo e o descarte irregular de produtos são os problemas e a reciclagem é a forma de resolução destes.

Reciclar está relacionado com o processamento da essência da matéria, modificar, transformar a cadeia de moléculas até gerar uma matéria-prima renovada. É revolucionar algo que já fora utilizado. Relatos de extração de plástico de mares e oceanos que são um risco para a vida da fauna marinha e que são aproveitados para fazer roupas e carpetes é exemplo de reciclagem, assim como a coleta de latinhas nas cidades para transforma-las em fios e outras peças de alumínio. A desciclagem está envolvida em disfarçar, “esconder o lixo para debaixo do carpete”. Desciclagem pode ser definida como descer, decair, transformar um produto em outro inferior. Ela permite a reutilização da matéria para gerar novos produtos, mas não fundamenta o ciclo da mesma, pode ser considerada como uma opção secundária. Como exemplo dessa referida ação pode-se citar a utilização de plástico moído para preenchimento interno de paredes e para mistura de cimento, latas servindo como vasos de plantas e até mesmo artesanatos em geral.

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Pesquisas feitas no ano de 2010 revelam que foram produzidas 16,9 milhões de toneladas de P.U. no planeta, sendo 441 mil toneladas apenas no Brasil, e que 50% destas são destinadas a produção de espumas flexíveis. Com tanto material sendo produzido e consumido, qual vai ser o fim desse produto, como será descartado? Esse é a problemática a ser tratada no projeto. As espumas são destinadas a aterros sanitários e para a incineração (a queima de poliuretano libera, entre outras substâncias, CO2 para a atmosfera, sendo extremamente prejudicial à Camada de Ozônio).

Figura 02 - Colchonete e sofá jogados na rua. Fonte: Autores.

Muito da reciclagem do P.U. acontece nas industrias, onde o material descartado sofre mudanças em sua conformação e volta ao uso comercial embutido em diversos tipos de produtos, seja para flocos, moído ou prensado à vapor. Outras transformações podem ser mencionadas, como a reciclagem química, onde o rejeitos passam por diversos processos químicos e voltam a ser os materiais que deram origem ao Poliuretano, derivados do petróleo. Porém, esta tecnologia tornase inviável economicamente quando se calcula o quanto desse material sai das linhas de produção e tomam o comercio todos os anos, sendo descartados, a sua maioria, em até dois anos de uso.

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Figura 03 - Colchão jogado na rua. Fonte: Autores.


Visando justamente promover o cuidado com o Meio Ambiente, surgiu o Poliuretano Biodegradável, que se dissolve no prazo de dois anos retornando a terra como um produto estável e não poluente, porém, ainda não se pode vê-lo em circulação comercial em escala igual às demais espumas.

As pessoas diariamente adquirem produtos como colchões, travesseiros e estofados em geral, estes quando ficam velhos são descartados, e com base na pesquisa de campo feita em Ferro-velhos e em ruas da cidade de Penápolis, foi observado que há restos de produtos de espumas flexíveis descartados inadequadamente. É um assunto muito sério a ser tratado pelos designers, é algo presente e faz parte da cultura do brasileiro. Apesar de haver-se constatado uma luz na história do descarte de espumas flexíveis de P.U., com a reciclagem e as bioespumas, elas ainda existem e estão lá contribuindo para o aumento dos lixões e a degradação do meio ambiente.

Figura 04 - Gráfico do consumo brasileiro de P.U. Fonte: Poliuretanos.com

Figura 05 - Rejeitos de produção. Fonte: Autores

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O sono é, basicamente, dividido em dois seguimentos: o somo REM e o NREM. O primeiro apresenta alternância na variação das ondas no eletroencefalograma (EEG- aparelho de registro de correntes elétricas no encéfalo), sendo ondas de baixa amplitude. Na ocorrência do sono REM, não há a ativação dos sistemas aminérgicos e o córtex é ativado diretamente. No referido, a vigília abrange fronteiras para se entender o surgimento e o desenvolvimento de patologias provenientes de alterações do sono, tais como doenças depressivas e Alzheimer. É nessa etapa onde a maioria dos sonhos acontecem. O sonho NREM possui ondulações em sincronia no EEG, é caracterizado por quatro fases (1,2,3,4),

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após cinco minutos se inicia a primeira fase de sono, isso se dá ao término do período de vigília. Ocorre variações térmicas controladas, liberação de melatonina, no estágio 2 há diminuição do ritmo cardíaco e respiratório. Depois vem a ativação do sono chamado delta, sono de ondas lentas que corresponde ás etapas 3 e 4, onde alguns efeitos físicos são observados, como a diminuição do tônus muscular e a quase inexistente vibração das pálpebras. Existem substâncias que promovem o controle homeostático do sono, regulam o ciclo sono-vigília e inibem o Sistema Nervoso Central, que são a adenosina (produto metabólico), neurônios e melanonina, gama-hidroxibutirato (neuropepitídio) respectivamente. Existe um termo chamado “sono fragmentado”, que consiste na intrusão da vigília que causa vários despertares durante o sonho, pesquisas mostram que há a deficiência de hipocretina -1 neste caso.

Figura 06 - Gráfico das fases do sono. Fonte: Institudo Brasileiro do Sono, LUCIANO P. PINTO JR e MÔNICA ANDERSEN


O fator dormir é uma característica essencial para a saúde física e psicológica do corpo humano, está diretamente relacionada com o desempenho do sistema nervoso-central. Uma boa noite de sono proporciona relaxamento e recuperação das energias desgastadas ao longo do dia, sem contar na produção de proteínas extremamente relevantes para a saúde. O ato de dormir afeta o sistema músculo-esquelético, atingindo a coluna vertebral, por tal motivo foram feitos vários estudos preocupados com as posições de dormir, que em muitas situações analisadas, são a causa de vários “problemas de coluna”. A má forma de se posicionar na hora de dormir acarreta o stress e o esmagamento da coluna vertebral, podendo proporcionar patologias como: dor lombar (lombalgia), lordose e escoliose.

Não foi comprovada - pela ciência – a forma ideal correta para dormir, mas segundo GRACOVETSKY, 1987; HAEX,2005, o melhor posicionamento é o que reduz o stress acumulado e promove o relaxamento dos músculos, proporcionando assim um condicionamento equilibrado para o corpo. Outros pesquisadores afirmam que existem três tipos de posicionamento: posição de decúbito dorsal (aquela que o feto se encontra no ventre materno), posição de ventre para cima e dormir de bruços. A primeira é a mais indicada pelos referidos, na qual necessita a utilização de uma almofada entre as pernas, garantindo maior conforto e eficiência da posição. A segunda é aceitável no caso de utilização de almofada abaixo dos joelhos, garantindo uma leve flexão das pernas, proporcionando relaxamento e estabilidade. A última posição é contra indicada, na qual causa torção do pescoço e origina desconforto na região da cervical e da lombar, além e torcicolo e mal aproveitamento do sono.

Assim como o colchão e as posições para dormir, o travesseiro é um dos principais causadores de dores e problemas físicos durante o ato de dormir. É também o responsável por alinhar as vértebras da coluna cervical, alinhando a cabeça, o pescoço e o tronco quando se trata da posição deitada. Por isso é necessário altíssima preocupação na hora de escolher o travesseiro. Existem inúmeros gêneros e cada um deles são específicos para cara posição de dormir e problemas de coluna. Segundo a empresa “Altenburg Viscoelástico Alto”, a altura dos travesseiros é muito importante para a qualidade do sono e varia de acordo para cada necessidade. Para dormir de lado a altura recomendada é de 16cm, para dormir na posição ventre para cima a altura varia entre 11 a 13cm.

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Estudar a história do travesseiro é perceber que ele faz parte da história da humanidade desde seus primórdios, e sua origem confunde-se com a almofada e o colchão. O travesseiro é um tipo de almofada usada junto á cabeceira da cama destinada para dormir, um objeto muito antigo, com relatos de peças encontradas nos sarcófagos dos faraós no Egito Antigo. Em todo continente asiático e europeu, era artigo luxuoso onde só a nobreza possuía seus exemplares, os travesseiros antigos eram confeccionados com pedras preciosas, cristais e simbolizavam status. Depois do Egito, a história revela que o travesseiro teve sua primeira forma de produção na idade média, onde as gueixas utilizavam apoios de madeira forrados com camadas de tecido para não desmanchar os penteados ao se deitarem.

Figura 08 - Encosto de cabeça em marfim do túmulo de Tutankhamon.

Esse objeto passou por milhares de anos de evolução, na região de Araçatuba, por volta da década de 50, os moradores da zona rural usavam a paina para enchimento dos travesseiros, haviam muitas árvores nos sítios daquela região. Atualmente existem vários gêneros de travesseiros no mercado. O que é mais significativo são os materiais de enchimento em sua confecção, que variam muito dependendo do tipo de utilização e necessidade.

Figura 09 - Travesseiro egípcio. Figura 07 - Makura, travesseiro japonês. Fonte: Kimonoboy.com

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Figura 10 - The Kanbun Master, Yoshiwara makura-e (casa de prostituição), 1660.

Como a principal função do travesseiro é alinhar a coluna vertebral com a cabeça, hoje, a medicina unida com a tecnologia se preocupam com o desenvolvimento de produtos para uso terapêutico, destinado a preservar a saúde, por isso, atualmente, são capazes de diminuir ou até mesmo acabar com problemas como aquelas indesejadas dores nas costas, pescoço e ombros ao acordar de uma noite mal dormida. Recentemente foram criados os produtos: travesseiro de espuma da NASA, terapêutico, ergonômico e anti-ácaros. Estes podem corrigir a postura na posição deitada, favorecendo a circulação sanguínea, podem melhorar o problema de dor de garganta (relaxando a tensão dos músculos e tendões do pescoço) e podem evitar o surgimento de alergias, conjuntivite, asma e rinite provocadas pela ação dos ácaros.

O primeiro tipo citado possuí uma alta tecnologia desenvolvida pela NASA que tem a capacidade de fazer o travesseiro adaptar-se ao contorno da nuca da pessoa, eliminando a pressão entre a cabeça e superfície do objeto, melhorando assim a circulação do sangue.

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Tavesseiro de Espuma compata de Poliuretano - Suporta com facilidade o peso da cabeça, não variando assim de altura durante a noite. Entretanto, é pouco macio, causando assim desconforto na hora de dormir devido a pressão imposta pela espuma ao peso da cabeça.

Travesseiro de Espuma látex - Possui uma estrutura perfurada, o que favorece a ventilação, entretanto, por ser um material emborrachado, exerce pressão contrária em relação ao peso da cabeça, o que pode acarretar em dores na cervical. Podendo, porém, ser bastante confortável, dispondo de apoio para todas as posições para dormir. Travesseiro de Flocos de Espuma de Poliuretano - Como há espaços entre os pedaços de espuma, torna-se mais macio, contudo, os flocos podem se deslocar para os cantos da fronha durante a noite, perdendo então a altura recomendada e desnivelando a cabeça com a coluna cervical.

Travesseiro de Viscoelástico - Também conhecido como “Espuma da Nasa”, uma espuma de última geração que se adapta ao contorno e a temperatura do corpo, facilitando a circulação sanguínea e prevenindo dores. A sensação é de estar deitado sobre as nuvens, pois não há pressão contrária.

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Travesseiro de Molas - Criado na década de 50, eram uma cópia dos colchões de molas, mas por serem barulhentos e duros, não obtiveram sucesso, ainda com a evolução para as molas ensacadas em tecido. Mas como o travesseiro é um produto que sofre pressões de todos os lados, deve apresentar um formato não retangular, as molas ensacadas nunca funcionaram para um bom travesseiro.


Travesseiro de Microfibra - Ou também conhecido como pluma sintética de poliéster siliconada. É um material bem flexível e por isto não oferece pressão em relação ao peso da cabeça, moldando-se muito bem ao formato do corpo. Mas por ser sintético pode gerar calor em demasia, bem como reações alérgicas dermatológicas.

Travesseiro de Plumas de Ganso - Apesar de serem os modelos mais macios, moldaveis e leves, ajustam-se facilmente ao formato da cabeça, mas são os que mais acumulam fungos, ácaros e bactérias. Além de não serem estruturados para alinhar a cervical com o tronco. Contudo, são os travesseiros que estão mais presentes em ambientes sofisticados. Travesseiro de Ervas - Tem em seu enchimento uma mistura de ervas aromaticas como o alecrim, camomila e a macela, que acreditase melhorar a qualidade do sono e muito utilizado pelos adeptos da aromaterapia. Porém, nada pode ser comprovado. Pessoas alérgicas devem evitar este produto, além disso, não oferecem sutentação suficiente para a coluna, pois as ervas movem-se no interior do travesseiro, colocando a cabeça em má posição. Travesseiro Multicamadas - Com regulagem de altura por meio de camadas removiveis, permite o melhor conforto e alinhamento para a coluna cervical, tanto para quem dorme de lado, quanto para quem dorme de barriga pra cima. É ortopédico, dando a firmeza necessária para suportar o peso da cabeça e impedir que ela se mova durante a noite. Travesseiro Antiacaro - Normalmente trata-se apenas de uma proteção que os travesseiros ganham, essenciais para proteger o produto de ácaros e bactérias que comumente se proliferam em materiais porosos como as espumas em geral, sobrevivendo de restos de pele morta e a umidade do próprio corpo humano. Em seis meses de uso um travesseiro normal pode acumular até 300 mil ácaros.

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Figura 11 - Mosaico de fotos da Ceiba Speciosa, Paineira Rosa e Paineira Branca. Fonte: Autores; Mauro Guanandis


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Chorisia Speciosa, conhecida popularmente aqui no Brasil como Paineira, é uma vegetação da família Bombacaceae, apelidada também em algumas regiões de paineira–de–ceda (Ceará), árvore–de–lã (São Paulo), entre outros nomes. Seus exemplares são encontrados também na Argentina, nas Antilhas, no sul dos Estados Unidos e em regiões tropicais e subtropicais no hemisfério Norte. É uma árvore grande, podendo atingir 30 metros de altura, frondosa, com uma copa paucifoliada bem arredondada, é uma vegetação bem robusta e esplendorosa. O fuste pode chegar a 16 metros, detentora de um troco grosso e de base circular, com raízes fortes. É uma árvore admirada pelas suas flores, que são vistosas, macias, cor branco – avermelhada, podendo haver uma variação vasta na tonalidade, desde o cor de rosa bem intenso com ranhuras mais escuras até o tom rosa claro bem esbranquiçado. Seu fruto é na forma de cápsula loculicida e as sementes são pretas ou marrom–escuras.

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Figura 12 - Tronco de Ceiba Speciosa, Penápolis/SP. Fonte: Autores.


A fibra cujo uso é a principal preocupação da parte da matéria–prima deste projeto, fica alojada no interior do fruto (Paina). A Paina deve ser colhida quando apresentar a coloração parda, deve ser posta para a secagem na qual, posteriormente, abrirá e mostrar–se-á as sementes e as fibras. As Painas são os apêndices gerados pelas células epidérmicas e elas envolvem as sementes, são consideradas fibras que, quando o fruto é aberto, ficam dispostas em cinco partes, semelhantes uma estrela de cinco pontas. Ela é dotada de uma maciez incrível, semelhante aos fios de seda, no âmbito comercial é uma matéria-prima cara e pode substituir as espumas flexíveis de poliuretano nos travesseiros.

Para o projeto dar certo foi pensado na possibilidade de produção em larga escala dessas árvores para poder retirar a sua fibra natural. Constatouse que na região de Birigui é possível e viável o plantio de Paineiras, seria necessário uma vasta área verde, muitos hectares, porque é necessário um espaço grande entre os exemplares e devem ser plantadas em linhas. O clima da região é favorável e propício, a espécie suporta clima temperado úmido, subtropical úmido e subtropical de altitude. A árvore resiste a grandes períodos de seca e também a períodos de chuvas concentradas no verão. Em relação à adaptação ao gênero de solo da região, não há problema porque essa é uma espécie que se adapta muito bem a quase todos os tipos de solos. O plantio de Chorisia Speciosa proporcionará, além do benefício para a natureza, a geração de empregos, na qual os cultivadores deverão fazer a semeadura através de sementeiros diretamente no solo ou em mudas após 3 meses a germinação. A Paineira possui crescimento rápido à moderado, segundo Silva & Torres, (1992), pode atingir 21 m3/ha.ano-1. 31


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Com base na pesquisa de opinião realizada e nas informações reunidas neste trabalho, vem considerar a necessidade de melhoramento do produto travesseiro. Demonstrando problemas com mal ajuste fisiológico ao usuário, de funcionalidade até o uso de materiais agressivos ao meio ambiente e ao ser humano, provenientes em sua maioria de fontes não renováveis, de impossibilidade econômica de reciclagem, contribuindo acentuadamente para o acúmulo de lixo por seu grau de importância elevada na vida humana. Uma análise detalhada dos dados recolhidos aponta para caminhos ecologicamente sustentáveis. Resgatando velhos costumes interioranos com tecnologia e design inovador, contribuindo para o desenvolvimento econômico e social. Possibilidades de solução para os problemas destacados acima, demonstradas no embasamento deste trabalho qual se destina a projetar um produto com valores conceituais, duradouro, acessível e moderno. Propõe simplificar a tecnologia e agregar o homem ao processo. O mundo não pode ser construído com apenas uma única ideia, assim como ele não está sendo destruído por apenas uma única atitude. Tudo parte do coletivo com pequenas ações que geram reações, relativas e dependentes umas das outras. E o destino é a soma das escolhas de cada um.

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LOBACH, Bernd. Design Industrial. Bases para a Configuração dos Produtos Industriais. São Paulo: Edgard Blucher, 2001. THACKARA, John. Plano B. O Design e as Alternativas Viáveis em um Mundo Complexo. Tradução Cristina Yamagami. São Paulo: Saraiva, 2008. KAZAZIAN, Thierry. Haverá a Idade das Coisas Leves. Design e Desenvolvimento Sustentável. 2ed. São Paulo: Senac, 2009. REIMÃO, Rubens. Sono: Estudos Abrangentes. Editora Atheneu. São Paulo, 1996. ROSSINI, Sueli; RIBEIRO DO VALLE, Luiza Elena; REIMÃO, Rubens. Segredos do Sono – Sono e Qualidade de Vida. Editora Tecmedd. São Paulo, 2008.

PLÁSTICO – ascensão e queda de um milagre moderno. Produção de Manic. Apresentação de Amir Lobaki. TV CULTURA, 2001. 1 vídeo (53:27min), son, color.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 10520: informação e documentação: citações em documentos: apresentação. Rio de Janeiro, 2002.

Rinite alérgica. Disponível em: <http://drauziovarella.com.br/doencas-e-sintomas/rinite-alergica/> História do sofá. Disponível em: <http://www.estofadosjardim.com.br/blog/2011/03/sofa-tem-historia/>

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História do colchão. Disponível em: <http://www.colchaocostarica.com.br/dicas_do_sono/colchao/A-Historia-do-Colchao_37.html História do Travesseiro. Disponível em: <http://www.manifatturafalomo.it/blog/guanciali/cuscini-guanciali-latticeviscoelastico/> Acesso em 12 Mai. 2012. Tipos de Travesseiros. Disponível em: <http://www.colchaoterapeutico.com/travesseiros> Acessado em 07 Mai. 2012. Descarte de poliuretano. Disponível em: <bradescoseguroauto.jalopnik.com.br>. Acesso em 05 Set. 2010. Poliuretano, Demanda e Produção. Disponível em: <http://www.poliuretanos.com.br/> Acesso em 22 Mar. 2012. Reciclagem de Poliuretano. Disponível em: <http://www.poliuretanos.com.br/> Acesso em 22 Mar. 2012. PORTAL ASSINTECAL. Coim Brasil recicla 180 toneladas de solados. Disponível em: <http://www.assintecal.org.br>. Acessado em 13 Mar. 2008. Chorisia Speciosa – Paina. Disponível em: < www.embrapa.br/. Acessado em 16 Jun. 2012.

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1- O que você leva em consideração na compra de um travesseiro? ( ) Preço ( ) Conforto/Saúde ( ) Material do enchimento ( ) Tamanho ( ) Outro __________ 2- Em que posição você dorme? ( ) De lado ( ) De bruços ( ) De barriga pra cima ( ) Outro __________ 3- O que pode substituir o travesseiro na hora de dormir? ( ) Coberta ( ) Brinquedo ( ) braço ( ) Outro __________ 4- Já teve problemas com a utilização de um travesseiro? ( ) Sim Qual? __________ ( ) Não 5- Você acha que os travesseiros de antigamente eram mais confortáveis? ( ) Sim ( ) Não

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6- Além de dormir, para quê mais serve o travesseiro? ( ) Assistir TV ( ) Ler ( ) Brincar ( ) Outro __________ 7- Quantas horas você dorme por noite? ( ) 6hs à 8hs ( ) 5hs à 3hs ( ) 8hs à 10hs ( ) Mais de 10hs 8- Que tipo de colchão você usa? ( ) Espuma ( ) Mola ( ) Ortopédico ( ) Outro __________ 9- Você já teve problemas alérgicos com travesseiros? ( ) Sim Qual? __________ ( ) Não 10- De quanto em quanto tempo troca o travesseiro por outro novo? ( ) 6 Meses à 2 anos ( ) 6 à 4 anos ( ) Mais de 4 anos


11- Dê uma nota para a importância do travesseiro na hora do descanso. ( )0( )1( )2( )3( )4( )5 12- Você usaria um travesseiro de formato não retangular? ( ) Sim ( ) Não 13- Quando você troca o travesseiro, como descarta o antigo? ( ) Doação ( ) Lixo ( ) Reciclagem ( ) Outro __________ 14- Quantos travesseiros usa para dormir? ( ) 1 ( ) 2 ( ) 4 ( ) Outro __________

18- Qual o tamanho ideal de um travesseiro para você? ( ) Médio ( ) Grande ( ) Pequeno ( ) Outro __________ 19- Você dorme abraçado com o travesseiro? ( ) Sim ( ) Não ( ) Às vezes 20- Qual a altura do seu travesseiro? ( ) Alto ( ) Médio ( ) Baixo ( ) Outro __________

15- Você dorme com um travesseiro entre as pernas? ( ) Não ( ) Sim ( ) Às vezes 16- Você dorme com um travesseiro sob os joelhos? ( ) Não ( ) Sim ( ) Às vezes 17- Qual tipo de enchimento para travesseiro você prefere? ( ) Espuma compacta ( ) Flocos de espuma ( ) Espuma da Nasa ( ) Microfibra

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Trabalho de conclusão de curso, desenho industrial, faculdade de tecnologia de birigui, 2012

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