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Não vou falar do pintor nem do escultor, mas do Milan Dusek gravador, que conheci nos anos 1980, no ateliê de Lêda Watson, e que tomei como modelo pela vida afora. Ele já era um gravador de respeito. Tinha currículo. Vinha do Ateliê de Gravura do Museu de Arte Moderna (MAM) do Rio de Janeiro. Lá, convivera com grandes mestres, como Friedlaender, Edith Behring e Rossini Perez. Tivera participação importante na Bienal de São Paulo, o que não era pouca coisa, além de medalhas e prêmios consagradores. Mas seu comportamento era o de um gentil, discreto e disciplinado aprendiz à procura de uma linguagem ideal, de uma técnica perfeita, de um discurso próprio, original – postura que nunca abandonou. Dessa época, marcou-me a série dos babuínos, cujos macacos desfocados, estilizados, idealizados já revelavam o nenhum compromisso de Dusek com a realidade ou com a abstração, sequer com a fantasia, mas consigo mesmo. Mais tarde, na individual de 40 anos de gravura, deu para sentir que Dusek se mantinha fiel à proposta original: não se deixara rotular, seguia sendo ele mesmo, aquele artista imune

Milan Dusek - Obra gravada  
Milan Dusek - Obra gravada  

Catálogo de gravuras do artista plástico Milan Dusek. Brasília, 2014.

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