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Acervo pessoal

lhe conferem cores as mais variadas; a limpeza e o entintamento quando pela primeira vez surge a imagem negra, ainda com fundo vermelho-cobre; finalmente, a sua transferência para o papel branco úmido e macio, no qual aparece toda a riqueza de meias-tintas e do negro... ou o fracasso! A um observador casual escapa 90% do drama de uma simples e humilde gravura. Estudei gravura com Friedlaender e Edith Behring no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Datam dessa época as minhas primeiras água-tintas sobre o tema cidade, ainda um tanto líricas e nas quais o elemento humano não aparece, a não ser indiretamente, sendo a cidade obra do homem. 196

Já na série de pintura “Os antípodas”, a preocupação foi com o homem moderno, o homem habitante de grandes cidades, onde ele está sujeito a toda espécie de pressões geradas pelos absurdos amontoados humanos. O mesmo problema (falta de espaço vital) é sentido nas “paisagens marinhas”. Durante quase toda minha vida me concentrei em alguns poucos temas, desenvolvendo cada um em séries. “Os antípodas”, “as condecorações”, “os Ícaros”, todos tendo por base o homem moderno. Acho que uma das obrigações do artista é funcionar através da intuição como uma espécie de barômetro e espelho da sociedade. Nos tempos modernos, o artista plástico foi renegado pelos arquitetos, que eram

Milan Dusek - Obra gravada  
Milan Dusek - Obra gravada  

Catálogo de gravuras do artista plástico Milan Dusek. Brasília, 2014.

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