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de cobre. A solução foi aquecer as chapas e desenhar com o lápis de cera, cujo traço resiste ao banho de ácido. Para ele, o mais bemsucedido exemplo dessa técnica foi sua Fruteira, de 1961. Um experimento que deu resultados belíssimos (embora Milan o classifique como “besteira juvenil”) foi a impressão a partir de chapas de alumínio. O artista havia sido presenteado com cerca de 20 lâminas do material – um verdadeiro convite à sua inquietude. Inicialmente, nada dava certo, pois os ácidos não corroíam o alumínio. Milan foi aumentando a concentração da substância até que surtir efeito: o susto da reação do ácido sulfúrico no alumínio, com direito a fumaça espessa e corrida por baldes de água, resultou em placas que acabaram sendo trabalhadas à maneira negra. Entre esses trabalhos, encontra-se Homem-placa, de 1969, em que a textura grossa do metal pode ser apreciada. Mais tarde, entre novas experimentações, Milan fez até gravura com cola e cartão, numa técnica curiosa que não permitia tiragens senão ínfimas ou provas únicas. Seu experimento mais recente é o buril em acrílico, com o qual retratou bonecos descartados – elaborados, aliás, sobre placas de acrílico “sem serventia”. Como o que o encanta é o processo, Milan não tem pejo de, uma vez saciada a curiosidade, reintroduzir técnicas tradicionais em sua paleta.

Oto Dias Becker Reifschneider

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Milan Dusek - Obra gravada  
Milan Dusek - Obra gravada  

Catálogo de gravuras do artista plástico Milan Dusek. Brasília, 2014.

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