Page 1

1

A REFORMA EDITORIAL DA DÉCADA DE 50 OU A TEORIA NA PRÁTICA É OUTRA COISA Nilson Lage O texto que se segue comenta a dissertação de mestrado da jornalista Liriam Sponholz, “O Estado de S. Paulo (1942-1972), uma contribuição à história das técnicas jornalísticas”, aprovada no Curso de Pós-graduação em História, Setor de Ciências Humanas, Letras e Artes da Universidade Federal do Paraná. As observações foram feitas na banca de avaliação da dissertação, em 1999. 1. O referencial teórico A análise do tema técnicas jornalísticas, nessa dissertação, é feita com base em um único referencial teórico, a Escola de Frankfurt, e, nessa escola, a partir de um texto seminal, Dialética do iluminismo, de Adorno e Horkheimer. Esse texto subsidia outros textos citados, como os de Cremilda Medina (Notícia, um produto à venda – cuja falta notei na bibliografia) e Ciro Marcondes Filho (Imprensa e capitalismo). Uma observação inicial é que essa linha, não sendo a única, não é talvez a melhor para esse estudo. A Escola de Frankfurt, partindo de Marx, substituiu progressivamente o conceito de classe operária, sujeito da História, por outro conceito, o de massa, que existe desde o Império Romano e designa populações totalmente manipuláveis e sujeitas ao discurso do poder. Assim, os autores de Frankfurt assumem a teoria da agulha de injeção, segundo a qual os meios de comunicação inoculam um veneno contra o qual as vítimas não têm qualquer defesa. Paralelamente, estabelecem uma hierarquia de qualidade com base no princípio de que os produtos industriais em cultura são sempre inferiores a obras ditas eruditas, produzidas em condições artesanais. Frankfurt é uma escola pessimista, apocalíptica. No caso do texto de Adorno-Horkheimer, isso se explica também pelo contexto: as circunstâncias trágicas de uma Alemanha que vivia o fracasso da República de Weimar, a ascensão do nazismo e o peso das amargas representações da sociedade contemporânea na arte expressionista. Alguns textos de Frankfurt – destaco aqui os de Habermas – são exemplares brilhantes de uma tradição que, na filosofia alemã, reporta-se a Kant, carregada de um idealismo essencialista que pouco tem, realmente, com Marx. No entanto, algumas análises que decorrem dessa linha teórica podem ser questionadas com base nos fatos. Entre elas a tese de que a notícia é o produto que o jornal põe à venda – coisa de que Cremilda Medina estava tão convencida que colocou no título de seu livro. Isso simplesmente não se encaixa com a economia de um jornal como O Estado de São Paulo.. Em primeiro lugar, a tiragem – a venda de exemplares que resultaria da atração da notícia – não é tão importante quanto parece. O preço de banca não cobre os custos de produção de um jornal desse porte. Veículos populares, eventualmente com tiragens gigantescas – uma revista como Amiga, por exemplo – , são pouco programados pelas agências de publicidade; tornam-se pouco lucrativos, portanto, razão pela qual O Dia, do Rio de Janeiro, mudou há alguns anos sua linha editorial. Jornais que se associam a políticas contrárias aos interesses do grande capital – como a Última Hora de Samuel Weiner – tendem também a ser mal programados. Como jornais vivem principalmente de anúncios, a questão central é credibilidade, que implica prestígio ou aceitação da elite, tanto a cultural quanto a econômica. É a partir do patamar de credibilidade que a tiragem passa a ser considerada. E credibilidade em jornalismo se conquista com a oferta de serviços confiáveis de informação pública. A credibilidade é também central nas decisões financeiras e das instâncias de poder das quais dependem as empresas jornalísticas. Jornais são clientes constantes de bancos, já que ope1


2 ram uma indústria pesada, com grandes investimentos em pessoal, matéria prima (papel) e em equipamentos que sofrem rápida superação tecnológica. Em toda parte, mas especialmente no caso brasileiro, favores obtidos do Estado – não apenas anúncios, mas concessões e privilégios de toda ordem – fazem parte do ganho, confessado ou não, dessas organizações. Isso é evidente, por exemplo, no caso da participação das principais firmas do ramo na recente privatização do sistema Telebrás. Jornais são instituições a que se atribui peso político. Ora, a credibilidade – entendida como aceitação e prestígio social – é fator absolutamente desconsiderado nas análises fundadas no modelo de Frankfurt, com sua visão esquemática do capitalismo. E provavelmente esse caráter esquemático é o que terá mais contribuído para a rápida difusão e aceitação do modelo frankfurtinano. No contexto da Escola de Frankfurt – que despreza a existência na indústria cultural de textos informativos, atribuindo a toda mensagem função conativa, de convencimento – resta ainda estabelecer porque a forma centrada no lead seria embalagem mais adequada ao consumo da notícia do que qualquer outra. E, se isso ocorresse, qual o sentido de técnica similar não ser adotada por outros discursos propagandísticos. Ou porque a retórica (dos discursos políticos, por exemplo) inclui procedimentos e estratégias suprimidos na técnica de escrever notícias. 2. O modelo americano As técnicas editoriais do jornalismo moderno fixaram-se nos Estados Unidos no final do século XIX e, principalmente, no início do século XX, coincidindo com a instituição do ensino superior de Jornalismo. Foram, no entanto, adotadas universalmente com um mínimo de adaptação a culturas regionais, de modo que não se pode falar, hoje, em um modelo americano: jornais escrevem-se mais ou menos da mesma maneira seja na Finlândia ou na China. Na década de 50, as técnicas de redação já estavam internacionalizadas e há muitos anos chegavam ao Brasil no texto das agências internacionais – não apenas as americanas. Desde a Segunda Guerra Mundial e, depois, nos primeiros embates da guerra fria, ocupavam as primeiras páginas dos jornais, em particular do Estadão. Havia nítida diferença de estilo entre a cobertura noticiosa internacional, de um lado, e a cobertura local e nacional, de outro. No caso específico do Diário Carioca, a reforma editorial, conduzida por Danton Jobim e Pompeu de Souza na década de 50, consistiu não apenas da introdução da técnica do lead, mas também de uma série de inovações que correspondiam à modernização do idioma escrito. O Diário incorporou formas de escrever – escolhas léxicas e gramaticais – difundidas a partir da Semana de Arte Moderna de 1922 por autores que objetivavam aproximar o texto literário da fala brasileira. Por exemplo: dizer que alguém mora “na rua X” e não “à rua X”, limitar o tratamento cerimonioso, eliminar do texto palavras em desuso (como edil ou alcaide) e formas gramaticais em extinção no idioma, como as mesóclises, os realizar-se-á, os far-se-ia ou os da-me-lo-iam. O lead do Diário Carioca lembra mais o texto dos jornais ingleses do que o dos jornais americanos, particularmente porque os períodos são mais longos do que na imprensa dos Estados Unidos. Houve certamente transposição para o ritmo do idioma português do princípio formulado por Laswell – a resposta às perguntas quem fez, o que fez, onde, quando, como e porque/para que. Imitação do modelo americano encontra-se, na década de 50, no noticiário da Tribuna da Imprensa, de Carlos Lacerda – embora esse jornal tenha se notabilizado mais pelos artigos do proprietário do que propriamente pela informação jornalística. E se firmará com a reforma da imprensa paulista, que só vai ocorrer em larga escala na década de 70. O manual de redação da Folha de São Paulo, com sua ênfase em frases extremamente curtas e “uma proposição por período”, é exemplo de imitação servil de padrões – alguns já superados – da imprensa dos Estados Unidos, 2


3 que se manifesta, por exemplo, na substituição do genitivo português “de tantos anos” pelo atributivo inglês, que decorre da expressão “years old”. A história da modernização técnica editorial da imprensa brasileira não foi ainda contada. Alguns fatos são relevantes. Um deles, que Danton Jobim era catedrático de técnicas de redação do Curso de Jornalismo da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade do Brasil, e Pompeu de Souza seu assistente. Outro que, já numa série de artigos publicados sem assinatura em agosto de 1945, sob o título “Cartas a um foca”, o Diário Carioca expunha a técnica do lead e defendia sua adoção. Um terceiro, que a modernização do texto no Diário antecedeu a publicação das primeiras traduções de manuais técnicos americanos no Brasil, o de Frazer Bond e o de John Hohenberg. 3. Industrialização e técnica jornalística Há, sem dúvida, relação entre o processo econômico vivido pelo Brasil a partir do nacionalismo desenvolvimentista de Vargas e a adoção, aqui, das modernas técnicas jornalísticas, que se difundiam pelo mundo. No entanto, a importação de técnicas é sempre questão complexa. Por exemplo: a imprensa de vários países africanos recebeu-as como parte do acervo cultural da metrópole e, portanto, lá, essa relação não pode ser sustentada. No caso brasileiro, é interessante observar que a modernização do texto ocorreu não em um grande jornal, ou em um jornal articulado com a modernidade econômica, mas no Diário Carioca, jornal pequeno, essencialmente político e com pouquíssimos anúncios, pertencente a um empreiteiro de obras públicas, Horário de Carvalho Júnior, que o utilizava principalmente como alavanca para seus negócios em áreas governamentais. Nada mais arcaico, portanto. O próprio Jornal do Brasil, que herdou a redação do Diário e somou às técnicas editoriais diagramação inovadora, não poderia jamais ser apontado como protótipo de modernidade. Era um jornal de anúncios classificados, pertencente a um comerciante do setor de importação, com perfil católico e certo reacionarismo histórico, desde que foi fundado como órgão monarquista no segundo ano da República, em 1891. As teses frankfurtianas e de autores como Medina e Marcondes Filho conduzem a dissertação a algumas conclusões inadequadas. Por exemplo, a de que a linguagem jornalística é a mais coloquial possível. Não. Ela poderia ser bem mais coloquial, se não fosse o compromisso do jornalismo com as instâncias sociais que sustentam a linguagem formal. Assim, a linguagem jornalística básica situa-se na intercessão dos conjuntos léxicos e gramaticais formais e coloquiais – ela é tão coloquial quanto se permite formalmente. Outra questão duvidosa é a colocação da reforma editorial iniciada no Diário e da reforma gráfica promovida pelo Jornal do Brasil no mesmo contexto, o da influência americana. Na verdade, a diagramação introduzida no Jornal do Brasil antecipou-se à reformulação gráfica da maioria dos jornais dos Estados Unidos. Ela é obra de um artista, o escultor construtivista mineiro Amílcar de Castro, personagem do mercado internacional de arte. Sua inspiração vem de Mondrian via teóricos de design, partindo da divisão do retângulo em massas cinzentas retangulares. O Jornal do Brasil abrigou, na época, um grupo de intelectuais (Reinaldo Jardim e Ferreira Gullar, entre outros) voltado para a estética concretista (por exemplo, na poesia) e veiculou suas idéias em um suplemento dominical que, curiosamente, circulava aos sábados. A reforma gráfica do JB incorpora algumas novidades tecnológicas da época, como as fotografias com câmaras de disparadores rápidos e filmes de alta sensibilidade – que tornavam possíveis fotos instantâneas sem o uso de flash, revolucionando a estética do fotojornalismo. Essas as fotos que se queria valorizar. A influência da revista Paris Match está supervalorizada: na verdade, Paris Match era apenas um dos muitos veículos que se voltavam para a exploração da foto-atualidade usando as máqui3


4 nas Laika e, depois, Nikkon e Cannon. Em termos de influência sobre o grafismo do Jornal do Brasil, em que pesem as diferenças estéticas entre revistas e jornais, talvez a mais importante tenha sido de outra revista francesa muito mais sofisticada, a Realitées-Illustration. Ao contrário do que ocorreu com o projeto gráfico, a reforma do texto jornalístico é processo cumulativo, que incorpora experiências de jornais e jornalistas de todo o mundo ao longo de décadas. A origem do lead não se prende à moda nem a qualquer escolha literária. O lead decorre da maneira como as pessoas contam umas às outras episódios pontuais a que assistiram, começando pelo mais relevante, com o objetivo evidente de atrair a atenção do interlocutor. Se formalizarmos esses tópicos orais situando o evento no tempo e espaço e dando nomes civis a pessoas e temas, chegaremos ao lead clássico. E não é verdade que o lead descontextualize o fato: apenas faz com que a exposição do fato anteceda a exposição do contexto. Um provável erro factual, decorrente da subordinação dos fatos à tese do trabalho, ocorre na página 20, quando se trata da formação de uma geração de jornalistas, que inclui Jânio de Freitas, José Ramos Tinhorão, Ferreira Gullar, Armando Nogueira, Thiago de Mello e eu. Diz-se então que muitos de nós viemos “de experiências e trabalho nos Estados Unidos”. Pelo que sei, é falso: se tivéssemos ido aos Estados Unidos, teria sido para campeonatos de bola de gude. Éramos muito jovens e, os que eu conheço, de famílias pobres. Jânio tinha, se não me engano, passagem pela Faculdade de Arquitetura; Tinhorão, filho de um garçon, estudou Jornalismo e Direito; eu, de família de trabalhadores, vim da Faculdade de Medicina, Ferreira Gullar havia chegado do Maranhão, onde era poeta. Thiago de Mello, também poeta, não pertence ao grupo e, se trabalhou no Diário, foi por pouco tempo e sem sentido de carreira. Experiência de trabalho nos Estados Unidos quem teve mesmo foi Pompeu de Souza, em rádio, durante a Segunda Guerra Mundial, mas ele era bem mais velho. Não foi através de nós que trafegou a tal influência americana. Há algumas omissões importantes, quando se trata de jornalistas que fizeram o Diário – embora não tenha sido objeto da dissertação relacioná-los. Entre os que começavam, e que teriam longa carreira, Evandro Carlos de Andrade, por exemplo, ou Oscar Maurício Azêdo; entre os mais experientes, Carlos Castello Branco, o mais brilhante jornalista político brasileiro de sua geração, e Luís Paulistano, que morreu em um desastre de helicóptero, na década de 60. 4. Imprensa carioca e imprensa paulista Da mesma forma que a reforma editorial e a reforma gráfica ocorreram, no Rio de Janeiro, em jornais que não se alinhavam entre os mais integrados no processo político da grande imprensa – O Globo, por exemplo, ou os Diários Associados de Assis Chateaubriand – ela não se realizou, nessa etapa, na imprensa paulista, embora São Paulo já fosse o centro dinâmico do capitalismo brasileiro. A introdução do lead gerou, ao longo da década de 60, forte reação dos jornais tradicionais, particularmente de O Globo. Lá, Nélson Rodrigues, porta-voz de Roberto Marinho, dono da casa, moveu campanha feroz contra os “idiotas da objetividade” do copy desk do Jornal do Brasil. O jornal da Condessa Pereira Carneiro – Maurina Dunshee de Abrtanches – assumiu, naquele período, o perfil de porta-voz ou símbolo de uma revolução cultural da classe média carioca e brasileira. Foi o tempo da bossa nova, do cinema novo, desaguando em propostas de uma insurreição sem povo – os sindicatos haviam sido anulados como força política em 1964 - que terminariam gerando as manifestações estudantis e urbanas de 1968, e, após o AI-5, finalmente, por suas alas radicais, as tentativas de chegada ao poder via ações guerrilheiras urbanas e rurais. O capitalismo industrial brasileiro ancorado em São Paulo prosperou ligado ao Estado, dependente do Estado, planejado e sustentado por empresas e bancos do Estado. Historicamente, as tentativas de implantação do grande capitalismo no Brasil, quando não colocadas sob o guar4


5 da-chuva do Estado, foram rapidamente suprimidas. E o processo desenvolvimentista da década de 50 decorreu de projetos e iniciativas públicas, concebidas desde a Revolução de 30 e, mais objetivamente, no segundo governo Vargas. Ainda assim, a ideologia da elite paulista é contra o Estado. A imagem uspiana do funcionário público é o do fiscal, que entra na loja para cobrar impostos e receber suborno. Há, nisso, uma espécie destorcida de pensamento anarquista e, ao mesmo tempo, viés internacionalista que se articula com a origem agrária, exportadora, da economia de São Paulo. O desenvolvimento dependente de Fernando Henrique Cardoso é uma síntese desse quadro ideológico. E a linha editorial do Estado de São Paulo, no período considerado, resumia-se a combater Vargas, sua herança e tudo que Vargas significava. O Estado de São Paulo, tal como O Globo, associava as novas técnicas do jornalismo, não à influência americana – para ele, sempre positiva – mas a um avanço do pensamento nacionalista, de esquerda, sobre redutos tradicionalmente conservadores da imprensa. O que se temia era a transferência de poder à redação, sumariada no copy desk, que lia e podia alterar todas as matérias em nome da qualidade editorial. Mas o Estadão era, ainda assim, um jornal que se validava pelo volume de informação, incomum mesmo considerando outros grandes veículos do mundo. O lead chegou ao Estadão pela porta dos fundos, levado por jornalistas que haviam aprendido a escrever dessa maneira e argumentavam que, se era assim que se fazia por toda parte, não haveria razão para ser diferente. Quando, finalmente, não havia mais jeito – e os leitores de prestígio reclamavam do estilo pesado e palavroso da maior parte do jornal – é que o Estado de São Paulo pensou em mudar. Era o início da década de 70 e a repressão esvaziava o argumento ideológico contra as novas técnicas jornalísticas. Ainda assim, a primeira iniciativa de mudança foi a fundação de um vespertino, o Jornal da Tarde – estranho veículo escrito e paginado como se fosse revista, praticamente sem informação nova, preenchido com matérias reescritas do jornal-matriz. Em lugar de fazedores de leads, disse um de seus editores, “temos fazedores de frases de efeito”. Eram tópicos frasais de parágrafos expositivos típicos de magazine – claramente inspirados na experiência da revista Realidade, da Editora Abril. 5. Conclusão Há aspectos muito positivos nessa dissertação: (1) Ela envolve algo sobre que, até há pouco, não se dava importância – a técnica editorial dos jornais. E relaciona a técnica com a nossa tardia revolução industrial que, como todas as tentativas anteriores de desenvolvimento autônomo do Brasil, está sendo jugulada. (2) Permite-nos colocar em xeque a teoria dominante na área de comunicação, que decorre da Escola de Frankfurt, exemplo de visão global, baseada em condições inevitáveis, para a explicação de fatos do mundo. Creio ter deixado claro que há outros modelos teóricos que podem ser aplicados ao caso – embora, certamente, envolvam maior complexidade conceitual. (3) Mas o que é mais relevante, no caso, é que a dissertação aborda o jornalismo não como mera expressão de vontade de magnatas e corporações do ramo – ou como mero discurso do poder – mas como forma de conhecimento distribuído socialmente e como atividade em que se mobilizam pessoas dotadas de vontade e inteligência – aquelas da categoria profissional a que pertenço.

5


A REFORMA EDITORIAL DA DÉCADA DE 50  

A REFORMA EDITORIAL DA DÉCADA DE 50 OU A TEORIA NA PRÁTICA É OUTRA COISA

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you