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BRUNO REIS SANTOS LUÍS ALVES MIGUEL RAMOS

GONÇALO DE ALMEIDA

JOÃO SERPA


04 ASSIM DE SURRA

08 GNEWS

10 ILUSTRAÇÃO

Coisas breves da vida e de objectos do quotidiano dum modo geral.

Notícias sobre tudo e mais alguma coisa exista.

Bonecada nova, feita por gente nova para todos os gostos e feitios.

18 JOÃO CATARINO

26 DOS TÚNEIS AOS TUBOS

38 SKATE IN PEACE

Entrevista ao Surfista Ilustrador da Linha de Cascais.

Diário fotográfico de uma viagem à ilha da Madeira.

A vida e morte de uma tábua de Skate nas mãos de um Skater.

46 BEHIND THE WALLS

56 MR. BRAINWASH

66 BITAITE

O backstage de uma crew de Graffiti. Vivência e momentos partilhados.

O mais recente fenómeno do movimento Street Art.

Uma revisão da Gnew através dos olhos de um treinador de Pokémon.

OLÁ E ADEUS

CREW

TÉCNICA

Esta é a primeira e a ultima vez que fazemos isto, quem nao gostar ponha na borda do prato, preocupa-te contigo que deus preocupa-se com os outros. Fizemos a festa lançamos os foguetes e apanhamos as canas.

Fundadores Bruno Reis Santos, Miguel Ramos, Gonçalo de Almeida, Luís Alves e João Serpa Editores Joana Nina e Patrícia Viegas Fotografia João Serpa, Miguel Ramos e Nikolay Komitov

Design e Arte Final Bruno Reis Santos, Miguel Ramos, Gonçalo de Almeida, Luís Alves e João Serpa Tiragem 05 exemplares Impressão Obigraf - Artes Gráficas Lda


Assim de surra

Nova MTN Paint sai para o mercado

Novo Pentel Color Brush

Assim de surra

Wild Tiger Balm

Independent insiste em continuar

GNEW

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Bálsamo chinês a base de tigre, cura tudo, dores musculares, picadas de insectos, constipações, tosse, congestão nazal, dores de cabeça, problemas familiares, mau-olhado, impotência sexual, azar ao jogo, miopia, hifenizações, azia. Melhor que farinha amparo o endireita, cura qualquer maleita, além disso tem um preço muito assessível e encontra-se a venda em qualquer loja do chinês.

Muito usado no mundo de BollyWood para imitar o sangue dos satanicos malvados,chega ao mercado a nova Mtn Red Paint. Com isto podes assustar os teus vizinhos ao salpicar galinhas e escrever mensagens horrendas na escada do teu prédio com o teu squeezer. Com alta opacidade, esta tinta nunca vai sair dos caixotes e caixas de electricidade. Os teus tags ganham nova vida no graffiti enquanto escorrem alegremente pela superfície da crosta terrestre. Á venda em todas as farmácias e dietéticos. Em caso de dúvida ou persistência dos sintomas consulte o seu médico ou farmacêutico.

Uma alternativa portátil aos pincéis tradicionais, agora a Color Pentel Brush tem uma nova gama de cores vivas, à base de aguarela e de secagem rápida. Pensas que desenhas mal, então desenha lá com isto, tudo o que fizeres vai parecer “bueda fixe” e já vais puder dizer que és ilustrador. Se Leonardo da Vinci tivesse nesta altura um pincel destes provavelmente a Mona Lisa tinha ficado a mostrar os dentes.

Clássicos. Nunca passam de moda e ficam sempre bem com qualquer roupa. A Independent insiste em continuar a fazer uns dos melhores trecos do mundo recomendado pelos melhores profissionais. Tal como a Bimby, consegues fazer praticamente tudo com eles e duram tanto como as Eastpacks, O único problema é a crise e o dinheiro que é pouco para podermos brincar com eles.


Observador da série Fringe visto nas Caldas da Rainha

O regresso de Os Lacraus

Assim de surra

Power Ranger Amarelo retira-se

Não deixa de surpreender que uma banda como os Lacraus, o mais letal ferrão roque do ocidente cristianizado, tenha escolhido a designação árabe do animal, ao invés do mui latino “escorpião”. Por outro lado, não surpreende que surpreendam. Fica este amargo de boca quando damos conta dos anos recentes em que nada escutámos dos Lacraus: fomos nós que hibernámos, não eles. Em boa hora retornamos à sua presença.

07 GNEW

Este indivíduo passa por ti e tu nem o vês. Vigia-te, controla-te e muda o teu destino. – Don´t mess with him – ou então arriscas-te a que “as coisas sejam resolvidas de modo diferente” segundo o próprio. A sua aparência é terrificamente assustadora e a sua cabeça rapada reflecte literalmente o que se passa no seu interior, caos e destruição são os seus intuitos e convicções e ele “vê tudo o que fazes mesmo não estando presente” só de surra...portanto e nunca é demais lembrar, tenham cuidado! Tenham muito cuidado...

Apesar da especulação, a rapariga. Sim, é uma rapariga! Que vai finalmente reformar-se. Foram muitos combates, muitas mortes, muito sofrimento, lágrimas e dor. Aos 57 anos, a “ranger maluca”, como é designada por causa da cor do seu uniforme põe fim a uma carreira gloriosa alegando que vai voltar na série 104.5 para a qual está previsto o lançamento lá para meados de Maio de 2084 na sua Televisão independente SIC aos Sábados de manhã como era hábito no Buéréré apresentado pela Ana Malhoa que é boa “comó milho”.


Gnews

GNEWS

GNEW

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Sumol Nazaré Special Edition adiado para Janeiro Competição vai ser adiada para o início do próximo ano, de acordo com as datas disponíveis no calendário da IBA O Sumol Nazaré Special Edition vai ser adiado para Janeiro, estando o período de espera previsto para entre os dias 02 e 30 desse mês. Os requisitos estabelecidos pela organização para a realização da quinta edição da prova não foram, nem vão ser cumpridos ao longo da janela inicialmente estabelecida – entre os dias 12 de Outubro e 01 de Novembro –, pelo que a competição vai ser adiada para o início do próximo ano, de acordo com as datas disponíveis no calendário da International Bodyboard Association (IBA). “Durante o período de espera, infelizmente não estiveram, nem vão estar, reunidos todos os requisitos necessários para o bom desenrolar da prova em termos de direcção do swell, tamanho e vento. Várias janelas de oportunidades surgiram, mas nenhuma delas se revelou, ou vai revelar até ao dia 01 de Novembro, satisfatória de acordo com requisitos que achamos importantes para garantir um excelente espectáculo de bodyboard como todos (organização, atletas e público) desejam, em plena segurança”, esclarece Dino Casimiro, da direcção técnica da prova. A organização do Sumol Nazaré Special Edition 2011 estabeleceu determinados requisitos para a realização da competição, que passam

por factores como o tempo de duração, vento e ondas. O campeonato, que está integrado no calendário da International Bodyboard Association, vai contar com a presença dos 24 atletas já anunciados: Luís Pereira, Fábio Laureano, Gonçalo Campos, Jaime Jesus, Ricardo Faustino, António Cardoso, João André, Gastão Entrudo, Dino Carmo, Tiago Moita Silva, Paulo Costa, Filipe Ferreira, Manuel Centeno, João Pinheiro, Rui Ferreira, Francisco Pinheiro, Bernardo Barroso, Tiago Fazendeiro, João Neiva, Rui Pereira, Dudu Pedra, Jeff Hubbard, Pierre-Louis Costes e Amaury Lavernhe. “Acreditamos que em janeiro vamos conseguir reunir as melhores condições para a realização do Sumol Nazaré Special Edition, de forma a proporcionar um excelente espetáculo, que é o que todos desejam”, remata o diretor técnico da prova.


Mostra de artes e afins, é promovida pelo atelier Art e Expressão e como objectivo dar a conhecer novos artístas A Maga é uma mostra de artes e afins, promovida pelo Atelier Arte e Expressão de Caldas da Rainha, tratando-se de um evento que encerra o seu principal enfoque na ilustração. Este ano, o evento irá acontecer de 8 a 18 de Dezembro, prometendo diferentes acontecimentos e, claro, usando vários dos espaços que a cidade oferece, entre os quais a mostra colectiva, na Galeria dos Silos, urban art e outro tipo de mostras em tempo real e exposições, instalações e performances, bem como concertos e lançamento de fanzines, em vários dos espaços da cidade, públicos, privados e comerciais O atelier, uma iniciativa criada em 1989, tem-se vindo a constituir como um reconhecido promotor de actividades de carácter cultural e social e assume actualmente na MAGA um dos seus principais investimentos. Desde a sua primeira edição, a MAGA já possibilitou a mostra de trabalhos de dezenas de artistas nas mais diversas vertentes, e tem por objectivo não só mostrar mas também criar e educar públicos de forma informal para este tipo de expressão. Para atingir este objectivo, o Atelier Arte e Expressão optou por trabalhar em conjunto com diferentes entidades e espaços culturais e comerciais. Assim, esta colaboração vai além da divulgação

dos artistas convidados, já que se propõe que nestes espaços exista também o desenvolvimento de actividades com ligação à ilustração, proporcionando desta forma um maior envolvimento com o público em geral. Este ano, o evento irá acontecer de 8 a 18 de Dezembro, prometendo diferentes acontecimentos e, claro, usando vários dos espaços que a cidade oferece, entre os quais: - Mostra colectiva, na Galeria dos Silos - Urban art e outro tipo de mostras em tempo real - Exposições, instalações e performances, bem como concertos e lançamento de fanzines, em vários dos espaços da cidade, públicos, privados e comerciais.

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MAGA está de volta ás Caldas da Rainha


Já nasceram os meninos

Texto por Bruno Reis Santos

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Em vésperas de Natal um breve olhar as palhinhas para ver o que anda a ser feito pela nova geração de ilustradores portugueses.

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Bonecada Nova


JĂĄ nasceram os meninos

Maria Err

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As aventuras da ilustradora que percorre montanhas e mares nunca antes navegados em busca de poderes magicos para se tornar na super poderosa Marie ERR e conquistar o universo num piscar d’olhos. Influenciada pelos desenhos animados da Warner Bros, pelos filmes do Woody Allen, pelos musicos da Stones Throw e pelo mundo dos Underground Comix, Marie desenha e cria personagens baseadas nas suas aventuras do dia a dia. O seu trabalho e maioritariamente colorido e comico sempre com um feeling positivo. www.marieerr.com


Já nasceram os meninos

Mariana a Miserável

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Quando era pequena queria ser florista, mas cedo tomou a liberdade de seguir uma vida de “miséria, fossa e rock n’roll. A um passo da queda e a outro do casamento por conveniência, vendeu o seu coração numa loja de souvenirs para pagar a conta da água. Na origem das bizarrias que faz está uma grande compota de estórias de gente má como as cobras, de flores que não se cheiram, de amor, de desamor, de desassossegos, de finais infelizes ou de finais apenas, de cárdio citologias (seja lá isso o que for) e de homens feios, porcos e maus. Começou recentemente a comercializar e publicar as suas criações e acredita que mais cedo ou mais tarde vai dominar o mundo. marianaamiseravel.blogspot.com


Já nasceram os meninos

Andy Calabozo

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Andy Calabozo é o resultado de décadas de sarrabiscos nas páginas finais dos cadernos,de horas infindáveis a procurar de faces em manchas, sombras, entulho e resíduos de qualquer natureza. É uma personagem imaginária que sofre de comportamento obsessivocompulsivo, é um pseudónimo que se sobrepôs ao seu criador, é inocente e sexista, é aleatório e deliberado, é imaturo, bizarro, curioso, sinistro, é tudo isto e não é nada… é uma meta, um objectivo, o de atingir o máximo de prazer na descoberta das personagens que povoam o seu próprio imaginário através da exploração das formas, linhas, padrões, texturas e elementos com os quais se identifica. www.flickr.com/photos/ralg/


Já nasceram os meninos

Anoik

“Anoik, na língua morta kunza, do sul do Chile, referente à acção de mostrar algo, que raramente é visto, oferecer algo difícil de ter. Depois desta definição, podemos prever muita presunção e adivinhar uma personagem elevada e interessante, mas não, Anoik é um indivíduo normal que trabalha ideias simples. No que diz respeito ao seu trabalho, insiste em ilustrar animais a falar ou a pensar (Wise animals), costuma esconder-se atrás de “citações” de personalidades, para criticar os que o rodeiam (Quotes of a firestarter), gosta de desenvolver trabalho de designer gráfico para as artes, porque em ultimo caso, tudo pode ser justificado com “ilustrei o que eu senti” e por fim gosta de escrever textos auto-biográficos ou auto-criticas na terceira pessoa do singular.” cargocollective.com/anoik

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Jo達o Catarino


Fotos por João Serpa

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Numa conversa à beira-mar com Carcavelos como pano de fundo, João Catarino fala-nos um pouco sobre o seu percurso desde a Ilustração ao Surf.

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Da linha para o mar

João Catarino

JOÃO CATARINO


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Jo達o Catarino


Onde se inspira? Estar desperto com o radar ligado à vivência das coisas, o que eu gosto de fazer são desenhos de viagens não interessam os quilómetros que se façam mas as sensações que se têm durante a viagem em si. Ilustração é estares a receber estes momentos seja no Surf seja nas viagens, até pode ser um passeio a pé ou uma viagem no metro, é estares atento e admirares o que te rodeia.

“Ilustração é estares a receber estes momentos seja no Surf seja nas viagens (...) é estares atento e admirares o que te rodeia.”

Que importancia teve para si a antónio arroio? A António Arroio foi muito importante, sou menino da linha, nasci aqui em Carcavelos, quando entrei na António Arroio, afastaram-me daqui, desta mini Califórnia e levaram-me para aqueles bairros cinzentos onde passava doze horas por dia, foi como arrancar um dente do ciso. No início foi difícil mas com o tempo fui-me adaptando e mais tarde, quando comecei a aperceber-me que haviam pessoas que desenhavam melhor que eu motivou-me e foi aí que me senti a evoluir, foi bastante positivo, passei lá alguns dos melhores anos da minha vida.

João Catarino

Mas não vive só da ilustração… Há cerca de 20 ilustradores que sobressaem mais em Portugal e talvez só dois é que vivem apenas da ilustração; o João Fazenda e o André Carrilho por exemplo, sou um admirador do trabalho deles (…) Para a maior parte das pessoas, ilustração é apenas “fazer bonecos” e torna-se uma profissão bastante desvalorizada.

Quais são as suas influências? Na minha adolescência/pré-adolescência lia a revista Tin-Tin era para mim uma grande inspiração em termos gráficos porque era uma compilação de vários autores, nem a comprava, tinha acesso a ela porque tinha um vizinho que comprava e depois emprestava a mim e a outros meus vizinhos (…) e também o autor do Corto Maltese, Hugo Pratt em termos gráficos pela maneira como utilizava o os altos contrastes.

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...

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O que o fez despertar para a ilustraçâo? Sempre gostei de desenho, e há 20 anos pouco se falava em ilustração, desde miúdo que desenho, abdicando da atenção às aulas para isso, sempre tive uma dificuldade enorme de concentração. Tal como a minha filha agora, foi o meu pai que me motivou a seguir o desenho e o fascínio por experimentar materiais de desenho. Na António Arroio comecei a gostar de desenhar letras, e foi aí que se iniciou esse gosto particular pela Tipografia mais tarde o meu pai aconselhoume a tirar Design nas Belas Artes.


João Catarino

Como se iniciou no meio profissional? Enquanto na António Arroio, comecei a vender T-shirts de Surf feitas por mim, com ilustrações relacionadas com o Surf e por aí (…) só haviam coisas importadas na altura e eram todas caras, com aqueles motivos havaianos de flores e etc. as minhas eram únicas e as pessoas gostavam e compravam-mas. Fazia dezenas de T-shirts à mão com o ambiente do Surf daqui de Carcavelos. Na altura, os “Pros” do Surf, os que eram heróis aos meus olhos, começaram a vir falar comigo por causa das T-shirts, foi um motivo de grande orgulho e um enorme estímulo simultaneamente.

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Qual é a sua opinião em relação à esad? Comecei a dar aulas na ESAD há 3 anos, para mim é uma escola recente em todos os aspectos. A ESAD é uma escola que começou de uma forma artesanal, tem um enquadramento fantástico, é uma escola belíssima devido à sua arquitectura e ao seu meio envolvente. Provavelmente a melhor escola da área do Design neste momento. Quando comecou a fazer surf? Como descobriu e se iniciou no surf? Comecei com o primeiro boom do Surf em Portugal no início dos anos 80, fazia campismo selvagem com os meus Pais em Ribeira de Ilhas. Naquela altura acampavam lá também alguns Surfistas Australianos e Ingleses com aquela aparência característica, carrinhas Volkswagen, por aí (…) via-os dentro de água e sentia uma enorme curiosidade, uma vez lembro-me de contar uns quinze dentro de água e achar que eram muitos, tinham hábitos estranhos e opostos aos que se praticavam no nosso país naquela altura, fumavam, bebiam e faziam sempre muito barulho à noite, tanto que às vezes eu tinha medo. Mais tarde comecei a ilustrar o que via em guardanapos e através dessas imagens cresceu ainda mais o interesse, mais tarde comecei a ver algumas revistas de Surf e aí foi o fascínio completo, mas naquela altura o Surf era muito mal visto. Mas o primeiro contacto que tive mesmo com o Surf foi quando comprei uma prancha em terceira mão a meias com um primo meu, mas nessa nunca me consegui por de pé, nem hoje consigo, é muito pequena.

Experiências frustradas… Sim, essas são as verdadeiras experiências frustradas, só no final da década de 80 é que retomei e aí sim com uma maior motivação pois tinha um amigo na mesma exacta situação que me acompanhava. Quais são as prais que costuma frequentar? Gosto bastante de Carcavelos, São Pedro do Estoril e Ericeira. Onde costumo Surfar mais é São Pedro. Depois existem aquelas praias mais míticas que eu vou lá pouco para manter a misticidade do local, adoro a Costa Vicentina (…) Já viste que está a dar aqui uma direitinha? Isto aqui é coisa nova!... ...

“Na altura, os “Pros” do Surf, os que eram heróis aos meus olhos, começaram a vir falar comigo por causa das T-shirts, foi um motivo de grande orgulho...”


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Jo達o Catarino


Para si quais são os melhores “spots”? Lá fora há uma imensidão de sítios por descobrir mas para mim nós não precisamos, Indonésia é um paraíso e gostava imenso de lá ir, mas por cá elejo a zona da Ericeira. As praias que me atraiem são as que têm de tudo, Ponta Ruiva perto de Sagres pelo seu conjunto geral de inserção paisagística também, eu dou valor ao antes, durante e ao o depois por todo o circuito de boas vibrações que isso me transmite. Por exemplo, Santo Amaro de Oeiras tem das melhores ondas mas nunca surfei lá porque o meio envolvente não me atrai, a praia tem uma saída de esgoto, já imaginaste? ...

João Catarino

Quem admira mais no mundo do surf? Tenho a felicidade de ser seu contemporâneo, Kelly Slater,

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considero-o não só o melhor surfista do mundo como o melhor desportista do mundo. Não há ninguém a competir seja em que desporto for que tenha o registo dele, os que hoje competem com ele quando nasceram já ele ganhava. Depois reúne tudo o que o Surf tem de genuíno, é uma figura simpática, é inevitável a sua eleição mas como pratico Long Board gosto mais de Surfistas clássicos como Gery Lopez ou Joel Tudor, têm uma linha de Surf muito elegante, fazem daquilo uma dança, algo que vale a pena ver mesmo. Já competiu? Já. Mas não me agrada esse tipo de instinto competitivo gosto quando é com amigos porque o surf para mim é mais uma experiencia estética e contemplativa de tudo o que nos rodeia.

O que pensa do surf a nivel nacional? Houve um boom brutal, de alguma maneira tornou-se consensual em termos sociais o engraçado é que agora não há ondas para todos! Daí agora a nível de competições não surgirem tantos novos talentos como era esperado. Tiago Pires? Se ele está lá é porque é fruto de um trabalho brutal, mas de momento não se vêm surgir novos campeões e no entanto temos a melhor costa, mas Portugal não tem promessas como por exemplo o Brasil por mera falta de apoios, gastam todo o dinheiro no Futebol e esquecem-se do resto.


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Jo達o Catarino


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Dos tĂşneis aos tubos


Texto e fotos por João Serpa

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Registo fotográfico das aventuras e desventuras de um grupo de amigos bodyboardersque decide rumar até uma ilha no meio do oceano Atlântico, a Madeira. Entre ondas e muita diversão, lá foram descobrindo os encantos da ilha.

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Ilha da Madeira

Dos túneis aos tubos

DOS TÚNEIS AOS TUBOS


Dos tĂşneis aos tubos

Entre vales e montanhas muitos tĂşneis percorrem a ilha por estradas serpenteadas.

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Dos tĂşneis aos tubos

Jorge AndrĂŠ a apontar a linha para mais um tubo.

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Dos túneis aos tubos

A crew que percorreu a ilha a observar as condições do mar.

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Dos tĂşneis aos tubos

Ricardo Faustino a bater em mais um Lip para mais um bom Invert.

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Dos tĂşneis aos tubos


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Dos tĂşneis aos tubos


Dos tĂşneis aos tubos

Visual do PaĂşl do Mar em mais um dia tempestuoso, recebendo linhas perfeitas de ondas.

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Dos tĂşneis aos tubos

Nuno TrovĂŁo a encaixar em mais um tubo na parte mais sombria da ilha, em Contreiras no Norte da ilha.

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Dos tĂşneis aos tubos

Entre mercados e festa com a tradicional bebida da Madeira, a Poncha, chegou a hora do adeus a esta ilha.

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Skate in peace


SKATE IN PEACE Desde o nascimento à sua morte, a história de 6 tábuas de skate e das suas passagens pelo mundo.

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Texto por Gonçalo de Almeida e fotos por João serpa

Skate in peace

A vida de uma tábua


Fidelity Element

AWS

Skate in peace

Zero

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Esta é capaz de ter sido uma das minhas tábuas preferidas. Comprei-a no bana como todas as outras e é uma zero do jamie thomas, preta com uma cruz com azas. Acho que foi a primeira tábua que se rachou a fazer uma manobra halfcab boardslide. Comprei-a mais ou menos em 2004, 2005 e deve ter durado ai uns bons 2 anos.

A marca é portuguesa. É tão boa como as outras só que mais barata, o que é bom. O modelo é de um skater que já não me lembro do nome, e o desenho é uma lamina com o nome da marca escrito. Não me lembro muito bem do que consegui com ela, mas provavelmente me propocionou bastantes horas de diversão.

Custou-me 120 euros na Ericeira Surf Shop que era 180… Mas nesta loja é tudo mais caro. Ainda assim, já vinha completo, com rodas da Element e trecos da Royal. Ouve mesmo quem me quisesse comprar fazia um som totalmente diferente de todos os skates que já tive. Talvez seja feita de uma madeira diferente não sei, o que é certo é que durou mais do que a maior parte dos skates que tive.

Chama-se Alien Workshop e é uma das minhas marcas preferidas. Foi uma das maiores que tive, mas no fim acaba como as outras, com menos 2 ou 3 centimetros. Conheci esta marca há bastante tempo, acho que foi a primeira marca de skate que tive contacto, através de um amigo meu do secundário que andava de skate. Isto há uns 10 anos atrás.


Fidelity

Stereo

Jart

Skate in peace

Girl

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Tábua com um nome “rapariga” só pode ser boa. Girl Skateboards tem os melhores skaters a meu ver. O modelo é do Rick McCrank, e tem, tinha, uma ilustração da cara dele tipo auto retrato, com ele a vomitar e a sair lixo por todo o lado. De qualquer das formas , está no meu top 5 da evolução. Consegui fazer bastantes coisas engraçadas gostei muito.

Outra fidelity devia ter menos dinheiro na altura. Desta vez escolhi uma preta com o logo da marca. Também não me lembro do skater a quem pertence, mas deve ser um português qualquer. Esta é recente, devo te-la adquirido em 2008 ou 2009. Foi na altura em que deixei de andar com tanta frequência pela força das circunstâncias.

Esta é a mais antiga deste set. É uma Stereo, e se não estou em erro foi a minha 3ª tábua. A primeira foi uma Powell e a segunda uma Hook-Ups, que dei 50 euros por ela. Esta custou por volta dos 30 euros mas as horas que passei com ela valem muito mais do que isso.

É a mais recente de todas elas. Jart é uma marca Espanhola muito boa. Apesar de não gostar muito dos skaters Espanhóis, reconheco que é capaz de ser o país com melhores spots da Europa. Na medida em que passa-se o seguinte, é a minha ex tábua.


Skate ĂŠ arte e cair faz parte 5

Skate in peace

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Mordidela na roda

O que acontece quando uma força imparável encontra um objeto imóvel? Podes ponderar sobre este paradoxo enquanto raspas as palmas das mãos no chão, mas basicamente é “Murder, She Wrote”. A mordidela pode ser causada por trecos soltos, uma pedra, paus, pavimento irregular... Mas às vezes são as presas de uma fera rancorosa que só queria ver-te cair.

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O Yoga da Morte

O yoga é suposto ser tranquile e meditativo, mas esta mixelândia monstruosatransporta o teu peso para onde menos o podes suportar: o teu maldito pescoço. Isto pode ser o choque da tua vida, e se tiveres sorte, vives para o contar. Quando se trata dos demónios das quedas não há escapatória, então, enquanto esperas pela sua chegada, cai e roda quando puderes, mete os braços para fora e feliz skate. 5

Pendurado

As transições são espetaculares. Experiênciar uma na tua cara é que não. Quando a tua tábua ficar presa no topo do half, lembra-te que os Deuses das transições exigem um sacrifício humano. Nada pessoal. E não te preocupes, não vais sentir nada... Até chegares ao chão. Não é por acaso que esta manobra se chama “Disaster”.

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A Racha

As lixas novas agarram mesmo. Mantém-te a bordo quando as coisas correm mal, e quando precisas de ejetar, ela deixa-te ir. No entanto, o que dá pode tirar e uma queda de pé dentro/pé fora não vais esquecer tão cedo. Raramente vistos fora da ginástica ou na pista de dança, a racha vai terminar qualquer sessão. Também se pode chamar de James Brown ou Van Damme.

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Mr. Wilson

Dennis o pimentinha foi uma personagem de banda desenhada, em que o seu skate era muitas vezes pisado pelo seu vizinho, Mr. Wilson, mandando-o direitinho ao chão. Tiro e queda. Mas não se deixem enganar por este bonito senário do skate por cima da cabeça, porque a banda desenhada nunca incluio um coxis partido ou uma hemorrogia grave na coxa, em que esta dança pode oferecer.


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Behind the walls


GRAFFITI Texto por Miguel Ramos, fotos por João Serpa e Miguel Ramos

Como as crews funcionam no mundo do graffiti, backstage da vida dos writters e toda a vivência que está inerente.

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BEHIND THE WALLS


Behind the walls

Behind the walls

Grafite ou grafito (do italiano graffiti) é o nome dado às inscrições feitas em paredes, desde o Império Romano. Considera-se grafite uma inscrição caligrafada ou um desenho pintado ou gravado sobre um suporte que não é normalmente previsto para esta finalidade. Por muito tempo visto como um assunto irrelevante ou mera contravenção, atualmente o grafite já é considerado como forma de expressão incluída no âmbito das artes visuais, mais especificamente, da street artou arte urbana - em que o artista aproveita os espaços públicos, criando uma linguagem intencional para interferir na cidade. Entretanto ainda há quem não concorde, pois acaba comparando o grafite com a pichação, que é bem mais controverso. Sendo que a remoção do grafite é bem mais fácil do que o piche.

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O GRAFFITI começou em Nova York em que os rapazes novos começaram a pintar comboios e ficou ai “convencionado” que aquele era o suporte mais eficaz para a divulgação pela cidade. Graffiti implica essencialmente Tags, bombings e fames, sendo os “fames” tendencialmente os mais apreciados pela população em geral, quanto ao ser arte ao vandalismo, isso é uma coisa que não nos cabe definir, há quem diga um e quem diga outro e tudo depende de muita coisa. Uma coisa é certa: Graffiti é ilegal. Estivemos com a G4L crew que nos explicou como se procede neste mundo mais fora do conhecimento comum. “Há regras e ao mesmo tempo não as há, é tudo muito subjectivo e cada um tem que encontrar o seu papel neste mundo e definir os seus objectivos, isto acima de tudo serve para nos divertirmos criar laços entre nós, cada missão que fazemos juntos acaba por nos unir mais”

“Cada missão que fazemos juntos faz com que nos unamos ainda mais”

Fazer por fazer não vai dar a lado nenhum, isso é certo em todo o lado. Mas porquê o graffiti? “Eu costumo dizer que antes isto que drogar-me ou roubar, isto pessoalmente apareceu-me inconscientemente, via na rua, gostava, mas não fazia a minima ideia como funcionava o “jogo”. Ao longo dos anos e depois de começar a lidar com as pessoas que ja estavam nisto ha mais tempo é que comecei a perceber as regras. E é ai que é tudo subjectivo, isto é como um precurso de vida e cada writter acaba por ter valores diferentes uns dos outros, isso é que talvez faça confusão para as pessoas porque elas não percebem isso. O que é errado para mim para outro pintor pode ser certo ou pode até nem querer saber. Lá por pintar não quer dizer que ache bem que se pinte tudo e mais alguma coisa” E como grupo? Como é que se juntaram? Foi apenas porque todos pintavam? “Mais ou menos, o Fylme e eu já nos conhecemos desde 2002 e pintavamos mas não um com o outro mais tarde com a formação da crew é que isso passou a acontecer, entretanto conhecemos o Oume e chegámos a pintar com ele quando ainda estava a começar, mais tarde começámos a dar-nos bem ficámos amigos e vimos que podia ser um bom membro para o grupo. Com o Raro foi um antigo membro que no começo da crew o pôs na crew e a amizade acabou por surgir. Isto tudo para dizer que tudo isto é mais do que graffiti, acima de tudo somos um grupo de amigos e é assim que isto acaba por resultar. Acho que um grupo juntar-se só porque pintam e nada mais passados uns meses é quase garantido que a crew acaba por “morrer”.” Muitos não sabem ou têm uma ideia errada de como as crews se juntam para pintar. O Gnew acompanhou-os numa das suas missões, vejam:


s nas latas.

Põem-se os caps para cada lata a fim de poupar tempo na

Behind the walls

Colocam-se as luvas para não deixar impressões digitai

missão.

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A cor de preenchimento fica com

íman para ser usada com gestos

Põem-se todas as latas a ser usad

rapidos e silenciosos

as no saco. O saco pode ser facil

mente largado para trás ao contrário

de uma mochila.


Behind the walls

Antes de avançarem espreitam para ver se o caminho está livre.

Cada um fica encarregue de uma parte da peça. ( Lines, preenchimento, brilhos, etc..)

GNEW

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No fim tira-se a foto de crew para por no album. :)

“O graffiti é dirigido para quem o faz, é por isso que é tao incompreendido”

“Desta vez correu tudo bem mas temos que estar sempre preparados, nunca sabemos se alguem vê e chama a policia e ai tem que estar tudo muito bem organizado para fugirmos sem deixar ninguem para trás... O problema aqui é que além de estarmos atentos á policia também temos que estár atentos aos malucos que andam por ai á noite. Já houve uma altura que fugimos de um carocho bebado que começou a atirar pedras aos gritos. “Saiam daqui Americanos! No graffiti aqui!!”.

Eu não gosto de catalogar o graffiti como essa “arte” que se fala, porque acho que é bem mais que isso, prefiro olhar como se fosse outra arte, uma mais pura. As pessoas com quem converso sobre este tema estranham o facto de eu dizer que não me identifico minimamente com a “arte”, mas como é lógico tenho um fundamento: o graffiti é absolutamente dirigido a uma parte da sociedade, todo o resto não o sabe classificar, procurando parecenças artísticas que são utilizadas por artistas tradicionais.


Behind the walls

Puaks

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Omega // TMD

TMD & COD Krews

GNEW

Reals // TBK

Steel // MSK


Behind the walls

Chas // Loveletters

Kures

GNEW

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Omega // TMD

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Mr. Brainwash


O herdeiro de Andy Warhol Texto por Lu铆s Alves e fotos por Gavin Bond

A hist贸ria de Thierry Guetta, um Video-maker Franc锚s que se tornou no mais recente fen贸meno do mundo do Street-art.

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O herdeiro de Andy Warhol

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Thierry Guetta é um Francês que vivia em Los Angeles desde que imigrou para os Estados Unidos no início dos anos 80. Pai de família, Thierry tinha uma loja de roupas “vintage” no bairro comercial mais boémio da cidade e conseguia viver bem vendendo os seus produtos aos habitantes mais fashion de Los Angeles. Comprava por 50 dólares e se algo tinha defeito chamava de Design e vendia por 400 dólares, então de 50 dólares poderia fazer milhares. Mas Thierry tinha um hábito muito peculiar, onde quer que fosse não ia sem a sua câmara de vídeo. Não se lembrava de quando ou como foi parar à sua mão, apenas soube que nunca mais a iria largar. Com o passar do tempo aqueles que o conheciam já nem estranhavam a presença da sua câmara de filmar. Thierry parecia bastante contente vendendo roupa e apontando a sua câmara a tudo o que se mexia, até que em 1999 de férias com a sua família em França, uma descoberta mudaria completamente a sua vida. O seu primo, que naquela altura se dedicava à arte, estava a colar mosaicos de uma maneira que se fizessem

parecer com as personagens do famoso jogo “Space Invaders” e então ele começou a filmá-lo e a acompanhá-lo sem ter noção de que estava perante um dos protagonistas de um explosivo novo movimento que seria designado de “Street Art”. Este novo tipo de “Graffitti” veio de uma geração que usava stickers, stencils, posters e esculturas para deixar a sua marca de uma qualquer forma. Com a chegada da Internet estas “peças efémeras “poderam ser partilhadas com milhões de pessoas, Street Art iria se tornar no maior movimento de contracultura desde o Punk e Thierry havia aterrado bem no epicentro deste. Através do seu primo “Space Invader” Thierrry conheceu “Monsieur André” que desenhava um personagem que ele mesmo havia criado ”uma cara sorridente que piscava o olho e que tinha longas pernas por todo o lado, como um desenho animado”, mais tarde conheceu “Zeus” que pintava sombras na rua de várias coisas. Thierry gostava de filmar estas pessoas porque sentia que estas amavam o que faziam e começou a olhar tudo aquilo como se fosse uma

galeria a céu aberto, mas não só, o prazer de filmar de noite e de dia e de acompanhar com a sua câmara o que “ninguém via” motivava-o tanto como o próprio medo de ser apanhado. Thierry tinha acidentalmente encontrado algo em que se focar, o homem que filmava tudo, caiu num intrigante mundo “underground”, e agora que o havia encontrado não estava disposto a largá-lo. Estava no sítio certo a hora certa, visto que a arte convencional é concebida para durar centenas de anos como as estátuas de bronze ou as pinturas de óleo sobre tela, ao contrário do Street Art com o seu período de vida bastante reduzido necessitava ser documentado, só era necessário alguém com uma câmara.


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Alguns meses depois Space Invader visitou Los Angeles pela primeira vez dando a Thierry a oportunidade de continuar a sua nova paixão no seu território. Mas a sua paixão foi crescendo e o seu primo já não era suficiente, ele poderia filmá-lo sempre que quisesse e ele queria alguém inacessível. A oportunidade surgiu quando o seu primo marcou um encontro com outro “artista de rua” da Costa Oeste de seu nome Shepard Fairey. Shepard havia se tornado famoso por ter transformado o rosto de um senador desconhecido num ícone universal, mas no ano 2000 era o artista mais prolífico do mundo. As experiências de Shepard com o poder da repetição vinham desde 1989 sob a influência de uma imagem baseada num lutador de luta livre dos anos 70 “Andre o Gigante” combinando a cara de Andre com o comando de “Obedeçam” (Obey) Shepard já havia espalhado cerca de um milhão de imagens por todo mundo e embora não o soubesse o seu mundo estava prestes a colidir com o de Thierry.

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Shepard estava numa gráfica de Los Angeles quando Thierry o abordou pela primeira vez, Invader n tinha podido comparecer então Thierry chegou com a sua câmara em riste, sem pedir, e simplesmente filmou-o. Nessa noite quando Shepard finalmente conheceu Space Invader, levou-o num tour pela cidade. Thierry filmava tudo o que Invader fazia e naquela noite, consequentemente, o que Shepard fazia. Mas quando Invader regressou a França Thierry manteve-se com Shepard, acompanhando todos os seus movimentos, fosse onde fosse. A namorada de Shepard Amanda sempre achara Thierry estranho mas para Shepard era muito importante que alguém passasse os seus feitos da parede para a fita e não só, alguém que o acompanhasse e pudesse controlar a situação por causa da polícia. Após dez meses da presença constante de Thierry, inevitavelmente veio a questão; para quê exactamente Thierry estava filmando?” e foi aí que Thierry teve a grande ideia que envolveria os seguintes 8 anos da sua vida , transformar as suas filmagens num documentário sobre Street Art . No seu novo papel como documentarista, Thierry começou a viajar pelo mundo com Shepard gravando cada detalhe da vida do artista. Mas não era só Shepard o alvo da câmara de Thierry, durante as suas aventuras na área Thierry ia conhecendo novos artistas de rua. O Documentário de Thierry estava a caminho de se tornar na expressão autêntica do nascimento de um movimento, protagonizado pelas maiores figuras de Street Art do mundo, com uma excepção: “Banksy”.


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Mas Thierry não era o único intrigado, na altura a reputação deste misterioso personagem e das suas aventuras, haviam transcendido o próprio mundo do Street Art, Banksy havia come- ”Tudo começou quando fiz um desenho çado na sua província de mim mesmo segurando uma câmara mas não demorou muito a que as suas peças se e pedi a alguém para o ilustrar e gostei, espalhassem por toda a então fiz pequenos stickers transparentes Inglaterra, mais tarde para funcionarem como stencils” e devido a uma série de exposições das suas obras Banksy estava transformando o que era chamado de vandalismo numa outra coisa.Todos diziam a Thierry que era impossível aceder a Banksy, mas ele estava o telefone toca, Shepard Fairey estava com determinado a quebrar esse tabu, enquanto Banksy que precisava da ajuda de alguém que pensava numa maneira de o fazer continuava lhe mostrasse os melhores sítios de Los Angeles, a filmar os seus “clientes” habituais o que eles o Puzzle estava finalmente completo. Numa não suspeitavam era que o documentário de relação gradual Thierry ganha a confiança de Thierry não existia na realidade. O tempo passava Banksy e este abre-lhe as portas do seu, até e Thierry, apesar de não perder a esperança, agora secreto, mundo. Nunca ninguém tivera ia esmorecendo com o facto de não conseguir esse privilégio, Banksy considerava Thierry chegar a Banksy até que um dia milagrosamente um amigo.

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De repente, um imprevisto; ”Tudo começou quando fiz um desenho de mim mesmo segurando uma câmara e pedi a alguém para o ilustrar e gostei, então fiz pequenos stickers e fi-los transparentes para funcionarem como stencils, nunca os tinha visto transparentes.” Gostou tanto que o próximo passo foi ir à gráfica tal como tinha aprendido com “Obey” e fez impressões de 10 e 12 metros. Na primeira noite esteve desde as 10 da noite às 8 da manha, e continuou, seguindo o exemplo de Obey, seguindo o movimento da arte de rua, fez cada vez mais copias e fê-las cada vez maiores e espalhou-as pela cidade. Mais tarde Banksy regressou a Los Angeles para a sua primeira exposição nos EUA “Barely Legal” e a exposição teve tanto impacto que o Street Art era agora misturado com a arte contemporânea, todos os coleccionadores de arte não estavam satisfeitos sem um Banksy, e foi ai que o mesmo achou que era a hora de Thierry lançar o seu vídeo e mostrar que o Street Art não se tratava de fama ou de dinheiro, nunca o tinha sido. Aqui surge o seu primeiro grande desafio, transformar milhares de horas de fitas não vistas num épico documentário conforme vinha prometendo a todos à tanto tempo. “Life Remote Control” foi assim que se designou o fracasso de Thierry, ele havia compilado imagens únicas e mágicas num autêntico filme de

terror de hora e meia. Foi aí que Banksy se apercebeu que Thierry não era um cineasta mas sim alguém que apenas sabia usar uma câmara. Banksy sentiu que tinha de intervir pois não podia deixar que algo tão único fosse completamente destruído, e sentiu que só o conseguiria com Thierry à distância. Assim sendo, Banksy aconselhou Thierry a voltar para casa e para continuar com os seus stickers e posters, apelar ao seu lado criativo e talvez montar uma ”Para mim todo o movimento de Street Art exposição. E assim era sobre lavagem cerebral, Obey é lavagem foi, Thierry voltou a Los Angeles cheio cerebral, Banksy é lavagem cerebral de entusiasmo pois então eu uso MBW e sou Mr. Brainwash!” tinha interpretado o conselho de Banksy quase como uma ordem directa, pousar a sua câmara e tornar-se num artista de rua ele próprio. Então, utilizando a fórmula que vira funcionar tão bem com todos os artistas de rua que havia acompanhado, Thierry criou o seu próprio alter ego ”para mim todo o movimento de Street Art era sobre lavagem cerebral, Obey é lavagem cerebral, Banksy é lavagem cerebral então eu uso MBW e sou Mr. Brainwash!”


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Mas Mr. Brainwash tinha um longo caminho a percorrer, muitos dos nomes do Street Art já tinham exposto nas mais variadas galerias do mundo então Thierry tinha agora um novo desafio, o de montar a sua própria exposição. Quando Banksy sugeriu a Thierry que ele fizesse ”um pouco de arte” nunca imaginou o quão longe as coisas iriam. Thierry vendeu tudo o que tinha para investir num espaço e num Staff para reproduzir peças em nome de Mr. Brainwash numa escala industrial. Tendo muitos dos melhores colaboradores consigo, Thierry apenas precisava de ter a ideia, alguém o faria por ele. Enquanto a maioria dos artistas começa modestamente, subindo degrau a degrau Thierry havia decidido que Mr. Brainwash teria de aparecer com impacto. Os estúdios antigos da CBS com mais de 4500 m2, no coração da antiga Hollywood, estiveram vazios durante um ano até que Thierry decidiu que seria o lugar ideal para a sua primeira exposição

“Life is Beautifull”. Com o Staff em crescendo e as ideias a florir, “Life is Beautifull” estava muito longe da “pequena exposição” que Banksy lhe havia sugerido. Apesar da dimensão do evento as coisas estavam a ser feitas de acordo com o previsto mas a três semanas da abertura, aconteceu o imprevisto, Thierry cai de umas escadas e fractura o pé esquerdo, agora a precisar de uma operação e sobre o efeito excessivo de analgésicos Thierry depara-se com a enormidade da situação. Ele havia hipotecado até a sua própria casa, arriscou perder tudo o que tinha, tudo pela sua exposição. E foi ai que Banksy decidiu dar uma ajuda enviando alguns membros do seu Staff para o apoiar. Agora com pessoas que sabiam tratar de forma devida da exposição Thierry tinha mais tempo para se dedicar a outras vertentes da mesma, como a sua promoção. E é ai que entra novamente Obey. Contactado por Thierry Obey publica e divulga a exposição de Thierry assim como Banksy, nunca imaginando que este transformasse meras frases em Outdoors gigantes de promoção à sua exposição. Os media ficaram curiosos e cedo se apressaram a entrevistar Thierry ou Mr. Brainwash como agora se intitulava. Uns dias depois Los Angeles descobriria que

havia uma nova estrela na cidade, Mr. Brainwash estava nas primeiras páginas e graças a isso todos os olhos estavam sobre ele incluindo os de coleccionadores de arte que começaram a querer adquirir muitos dos trabalhos mesmo antes da abertura da exposição. Contando ainda que as primeiras 200 pessoas ganhariam uma peça única de graça. Apesar da má preparação a exposição foi um sucesso com uma afluência de 4000 pessoas no primeiro dia e com um lucro de 1 milhão de dólares no final da primeira semana, Mr. Brainwash tinha entrado em cena. “Life is Beautifull” manteve-se aberta por mais dois meses e conforme a reputação de Thierry crescia as suas peças iam aparecendo nas galerias por todo mundo Miami, Nova York, Londres, Paris e até Pequim . Concluindo e na voz de quem acompanhou o percurso de Thierry, ele é como o herdeiro de Andy Warhol, banalizando a arte mas desta vez realmente de um modo sem sentido. Com o tempo se verá se a sua identidade é apenas fruto da copia de alguém ou se Thierry continuará a surpreender o mundo com a sua lavagem cerebral.

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Bitaite “Insustentável, ainda assim, esta revista esta DO CAR*LHO. Há quem o admita...”

Bitaite

Por João Barateiro Vila Franca de Xira

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Prof. Roach Treinador de Pokémons da Liga Vermelha, já tens três crachás ganhos com a ajuda do seu primeiro Pokémon Baulbasaur.

A imagem de uma Revista tacanha e taciturna faz hoje parte de um passado não tão distante assim. Por entre a panóplia de erros grosseiros cometidos pelos editores da GNEW, os últimos dias antes da impressão estão marcadas por uma capacidade empreendedora da qual resultou uma nova imagem da Edição presente. O reconhecimento internacional de uma revista moderno, de vistas largas, fica a dever-se em muito à ousadia colocada na candidatura de apenas um paginador enquanto o resto estava no facebook, o que demonstra uma grande capacidade de iniciativa.Faz parte do mandamento dos críticos usar a fórmula básica para a tentativa de convencimento dos mais incautos: gastaram-se milhões de milhões, e a consonância entre a planificação e a sustentabilidade dos projectos fica muito a desejar, argumentam. A existência ainda hoje de um pesado caderno de encargos no âmbito do artigo sobre o João Catarino é um exemplo agitado pelos detractores. Outro, ainda mais eloquente, é o do modo como algumas das imagens utilizadas para o artigo do Serpa, asfixiaram em serviço de dívida ao mesmo. Tais repercussões negativas são, apesar de tudo, uma fórmula demasiado linear de abordagem. Além de não ser facilmente contabilizável o eco internacional das iniciativas e a capacidade

de atracção (duradoura) nos mercados jornaleiros, existem benefícios decorrentes do cumprimento de cadernos de encargos exigentes. Mais do que a devolução de parte substancial das áreas brancas, permitiu requalificar uma zona até então execrável. Graças ao artigo do Bruno, mudou-se significativamente a vivência de várias pessoas, ofertando-se novas acessibilidades a par da concomitante atracção decorrente da requalificação mental. Sem a organização do texto do Gonçalo as cidades de Leiria, Braga, Coimbra, Aveiro, Faro, Loulé, Lisboa, Porto e Guimarães seriam hoje mais atávicas; dificilmente teriam saído de uma cepa torta só rompida por mero bambúrrio. No caso do Luis e Miguel, com uma dupla ousadia bem sucedida: juntaram à condição de anfitriões do Graffiti e Street Art e deles retiraram incomensuráveis benefícios. Até contabilístico, o balanço das grandes iniciativas aconselha prudência. O país atravessa tempos complexos e é fácil manejar críticas, apontando-as a tudo e todos. O passado, obviamente, está marcado por erros imperdoáveis de gestão. Insustentável, ainda assim, esta revista esta “DO CAR*LHO”. Há quem o admita...


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Uma revista centrada na temática urbana. Feito para a disciplina de Projecto da ESAD.CR. Autores: Bruno Santos, João Serpa, Gonçalo de Almei...

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