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Destaques

Conversando com Lucília Rodrigues Ribeiro Uma Senhora com 81 anos Página 4

Acreditar sempre

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Deslocação a RioMaior ANO DE 2012 • Ano de Esperança

Director: Alexandre Martins • Chefe de Redacção: Paulo Emanuel Propriedade: Fundação Obra do Ardina Fundadora: Maria Luísa Ressano Garcia Nº 471 Ano LXIV – Janeiro/Fevereiro/Março 2012 Orgão de Informação Regional – 1 Euro

Embora com algum atraso, é com muita alegria, que saudamos todos os nossos assinantes, amigos e benfeitores. Neste ano em que a crise passa a ser a “palavra do dia”, mas, em que nós acreditamos que a Esperança, tem de ser o caminho a seguir com o qual temos de vencer. Agradecemos os votos de Boas-Festas a todos e apresentamos a nossa gratidão pelos donativos que nos ofereceram.

O Director do Jornal “O Ardina” Alexandre Martins

I Centenário do nascimento de Maria Luísa Ressano Garcia (1912-2012) Alexandre Martins o primeiro centenário do seu nascimento,queremos comemorar dignamente estes acontecimentos. Para isso, convidamos os seus familiares e todos os seus amigos, a juntarem-se a nós para uma reunião em que possamos organizar um programa que esteja à altura da pessoa que foi a Sra. D. Maria Luísa Ressano Garcia. Gostaríamos de iniciar esta efeméride no dia da mulher, 8 de Março ou no fim-de-semana seguinte. Esperamos poder contar não só com Ex.Ardinas mas também com aqueles que com ela colaboraram e gostaríamos da participação da União Noelista Portuguesa. Para isso esperamos que nos contactem para marcarmos uma reunião de trabalho. Em folha solta no interior desta publicação, onde há outras questões, que gostaríamos que nos ajudassem, mandando-nos pelo correio as suas respostas.

N

D. Maria Luísa quase na “hora da D. Maria Luísa, partida” disse-me: Não me deixe tinha bons e bem morrer a Obra, porque a Obra do colocados amigos, Ardina é de Deus. É da Igreja. En- que lhe valiam igualmente quanto for necessário tem de exis- à sua Fundação. tir… “Por intermédio de sua Ex.ª o Adaptando-se aos tempos, passando por altos e baixos, receben- Senhor Ministro da Justiça, um gedo a ajuda e compreensão de uns neroso benfeitor que deseja ficar e o desinteresse e negativismo de anónimo, fez-nos chegar a imporoutros, porque a Obra é precisa, tância de 5.000$00. Muito bem-haja à mão Cristã e com a ajuda de Deus tem cumprido os fins para que foi criada e, no Amiga que assim se lembrou da dia 1 de Novembro, próximo com- nossa Casa e que soube escolher o melhor amigo da casa do Ardina, pleta 70 anos de bem-fazer. Diz o actual Director Executivo Dr. Carlos Diogo, que pelo menos, mais 70 anos há-de fazer, cuja esperança é baseada na sua vontade e capacidade de trabalho, organização e desejo da continuidade aos O Tiago e o Ilídio, seus objectivos princi- os mais recentes residentes pais sem se afastar nos nos lares da obra do ardina princípios cristãos que apagam as velas das comemorações dos 100 anos do nascimento de estão na base da Obra Maria Luísa Ressano Garcia. do Ardina.

Apóstolos foram doze os que Jesus escolheu para o acompanharem e espalharem os seus ensinamentos por toda a parte. Também foram doze os jovens vendedores de jornais, revistas e outras “bugigangas” da época que a Assistente Social Maria Luísa Ressano

Garcia com o apoio da União Noelista Portuguesa, recebeu para serem acolhidos e seguirem exemplarmente os ideais que na década de trinta foram sonhados e praticados pelo então jovem Sacerdote Francisco Moreira das Neves. Foi então no dia 1 de Novembro de 1942 que nasceu a primeira Casa do Ardina em Portugal, tendo-se seguido mais duas com a designação de Associação de Protecção aos Ardinas, pois só a estes se destinava. Estes locais de acolhimento chamavam-se Casas do Ardina e funcionavam em regime de semi-internato. Com altos e baixos, tentando sempre acompanhar os tempos, defendendo os valores de sempre,

para assim dobradamente nos fazer saber bem a sua esmola” (in “O Ardina”, n.º 34 de Junho de 1949, pág. 2,“generoso donativo”). Alguns Ministros, algumas altas entidades da Hierarquia da Igreja ou do estado, o próprio cardeal Cerejeira, o Sr. Bispo de Vatarba, o Sr. Bispo de Priene, a Infanta D. Filipa de Bragança, a Esposa do chefe de Estado, D. Berta Craveiro Lopes, foram algumas pessoas com quem sempre pode contar:“Desde a primeira hora que a “Obra do Ardina” teve a aprovação e a bênção de sua Eminência o Sr. Cardeal Patriarca, pelo muito queridos que são ao seu coração os Ardinas, os garotos de Lisboa. Estes, ainda no último Natal, quando foram apresentar a sua Eminência os seus cumprimentos de Boas-Festas, manifestaram-nos um desejo, que gostosamente aprova-

Maria Luísa Ressano Garcia, viajando, sempre com a Obra do Ardina, no coração e no horizonte.

mos:“podemos levar ao Sr. Cardeal um trabalho em ferro forjado feito por nós nas nossas oficinas?” À humilde oferta da “Obra do Ardina” quis agora Sua Eminência responder com sua generosidade habitual, enviando-nos cinco mil escudos que haviam oferecido para distribuir aos seus pobres. Bem-haja!

funda o seu primeiro lar familiar no início da década de oitenta.Vivendo sempre com muitas dificuldades económicas e financeiras, tem resistido a todas as intempéries. E, ultimamente até tem merecido especial atenção e apoio pela parte do ministério da Solidariedade Social, o que muito nos regozija e ajuda a resolver as dificuldades financeiras, a que nos vimos forçados a chegar, para que a Obra do Ardina continue a cumprir a sua missão, sem que às crianças nada faltasse. “Não estamos no mundo apenas para existir. Não estamos só de passagem A cada um de nós foi dada a capacidade De fazer algo de maravilhoso.” Madre Teresa de Calcutá

Nota de Administração / Redacção – Isto foi há 63 anos, E HOJE?

Comemorações em 2012 marcam o centenário do nascimento de Maria Luísa Ressano Garcia. O ano de 2012 será iluminado pela memória e história. O motivo é a comemoração do centenário de nascimento da nossa fundadora D. Maria Luísa Ressano Garcia, 1912-2012. Esperamos e desejamos poder apresentar uma ampla programação, queremos acima de tudo agradecer a quem foi capaz de trazer para a nossa sociedade uma Instituição como é a Obra do Ardina.


2 Estatuto Editorial de “O Ardina” 1 – O Jornal “O Ardina” nasce por necessidade de divulgar e informar as pessoas de bem, visando a consciencialização dos valores educativos e das responsabilidades colectivas. 2 – É uma publicação de periocidade trimestral. 3 – O Jornal “O Ardina” é um órgão informativo que se distende dos muros das “Casas do Ardina” às famílias, instituições e sociedade em geral. 4 – O Jornal “O Ardina” informa sobre a vida quotidiana e actividades e dinamismo dos utentes, nos relacionamentos sociais e acontecimentos colectivos que se intercalam com o ideário educativo de defesa dos valores, formando os jovens em situação de risco e pré-delinquência, procurando sempre seguir a filosofia preventiva. 5 – O Jornal “O Ardina” visa responsabilizar, comprometer e influir a sociedade, tanto em termos individuais como colectivamente, tornando-se um elemento de utilidade premente, na sociedade aberta e democrática que vigora. 6 – O Jornal “O Ardina” não é vendido nos lugares habituais de publicações comuns, mas sim enviado para Portugal Continental,Regiões Autónomas da Madeira e dos Açores e emigrantes em diversos países e bem como países de língua oficial portuguesa, e distribuído às portas das igrejas. 7 – O Jornal “O Ardina” compromete-se a respeitar os princípios deontológicos da imprensa e a ética profissional, de modo a não visar fins comerciais, respeitando sempre a boa fé dos leitores e a verdade da informação conforme o estipulado no nº 4 do artigo 3º da Lei de Imprensa (D.L. nº 85/C-75, de 6 de Fevereiro). 8 – A Alta Autoridade para a Comunicação Social deliberou em 13 de Março de 1996, classificar “O Ardina” de: “publicação periódica, de expansão regional e informação especializada”. 9 – A publicação do presente Estatuto Editorial de “O Ardina” visa o cumprimento do disposto no D.L. nº 85C/75 de 26 de Fevereiro, art.º 55º da Lei de Imprensa.

JANEIROFEVEREIROMARÇO2012

APÁGINADAENFERMEIRA

Enf. Maria de Lourdes Andrade

A picada é veneno, e o vinho é a morte

ACNE na Adolescência É uma doença da pele, causada por uma inflamação dos folículos pilosos e das glândulas sebáceas.

Não olhes para o vinho, quando se mostra vermelho, quando resplandece no copo e se escoa suavemente. Tenho um sobrinho que quando tinha 18 anos, começou a beber cerveja.A mãe bem o aconselhou, mas ele respondia que era só uma cervejinha com os amigos para comemorar. A mãe já aborrecida e incapaz de fazer alguma coisa, levou-o ao cemitério, onde estava enterrado o marido. “Oh mãe o que venho aqui fazer? O teu pai está aqui enterrado. Morreu eras tu ainda pequeno. Bebia bastante, a toda a hora. Deixou de trabalhar, caiu doente e assim ficou durante longos meses com uma cirrose, que o levou à morte. Não tinha dinheiro para te pôr na escola, por isso só tens a classe. Não te pude dar os sapatos e roupa que precisavas. És magro, porque os alimentos eram poucos, embora eu trabalhasse bastante em casa de senhoras lavando e engomando roupa. A partir deste momento és o único responsável pela vida que escolhes”. A mãe morreu, e os anos passaram. O Gracílio é o nome dele casou e tem um filho mas o vicio continuou, ficou só sem emprego, sem casa e sem casamento. Passaram - se mais de 40 anos. Os amigos já não os tinham e agora com a vida completamente destruída conheceu o neto, o filho do filho. Estava doente, mas houve uma mudança muito grande na sua vida.A Criança, o neto amava o seu avô de tal maneira que o avô fez um compromisso com Deus – deixar de beber, por amor a esse neto. Hoje já com a cabeça branca, vive feliz no seio da família, que embora separados sempre o amou e o ajudou.

Há vários tipos de acne: – Acne Tropical – afecta jovens de raça branca expostos a um clima quente e húmido e pode atingir o tronco e extremidades do corpo. – Acne neo-natal e infantil – embora rara atinge mais as crianças do sexo masculino. – Acne química – causada pela exposição a certos produtos químicos e óleos localizada em áreas cobertas com roupa impregnada com estes produtos (pernas). – Acne Vulgar – afecta sobretudo os adolescentes, em especial o rosto, ombros peito e pescoço, onde há mais concentração de glândulas sebáceas. Podem aparecer por pontos negros, quistos e pústulas. As Causas são várias: – Aumento de secreção do sebo e por uma obstrução do canal de escoamento das glândulas sebáceas da pele. – Factores genéticos – perturbações hormonais, perturbações digestivas, carências de certas vitaminas, inflamação do folículo devido à multiplicação de bactérias, limpeza deficiente da pele ou o uso de produtos agressivos, certos cosméticos à base de gorduras, medicamentos, o espremer das borbulhas ou pontos negros, etc. O que fazer então? Ao primeiro sinal, o jovem deverá consultar o seu médico, para poder fazer o tratamento adequado ao seu caso. Praticar desporto e ter uma alimentação adequada à idade, desporto que pratica, gozar e ter uma vida ao ar livre, educar o seu intestino, lavar (não esfregar) 2 a 3 vezes por dia as zonas afectadas. Abster-se de legumes fechados, álcool e tabaco ou excitantes, assim como de fritos, doces e gorduras. Aceitar a acne e ajudar outros com o mesmo problema, pois se o jovem for cuidadoso em pouco tempo a acne desaparecerá.

Abraão Lincoln A 13 de Maio de 1888 a princesa Isabel assinava a Lei Áurea dando liberdade aos negros do Brasil. Abraão Lincoln, quando jovem foi trabalhar para uma quinta e nas noites frias dormia num celeiro cheio de feno. Ele era pobre mas trabalhador e perseverante.Tinha grandes alvos e aspirações na vida. Conheceu a filha do patrão e dedicou-lhe verdadeiro carinho e sincero amor. Por ser pobre e até de figura pouco agradável, foi expulso pelo patrão e recusado o seu pedido. Não conseguiu dormir toda a noite e escreveu a carvão na parede do celeiro o seu nome e da

rapariga que amava. Os anos passaram e lincoln venceu na vida. Tornou-se um brilhante advogado e presidente dos Estados Unidos. Um dia, o agricultor mandou destruir o celeiro e admirado quis saber que nomes eram aqueles escritos na parede. Esse homem passou por aqui? Foi meu empregado? Queria casar com a minha filha? Se este agricultor soubesse o futuro brilhante que esperava este humilde trabalhador Lincoln… Com certeza o teria tratado de outra maneira. Na história Americana Lincoln ocupa um lugar

de destaque; era um homem justo para com todos e tornou-se um grande herói na luta contra a escravidão negra no país. Foi assassinado friamente. Mas a sua obra ficou e hoje continua a ser lembrado como homem justo que foi. Deus manda o sol brilhar sobre os justos e os injustos. Deus não faz a diferença entre as pessoas, quer elas sejam pretas, brancas ou amarelas. Sejamos bons para todos e tratemos todos de igual modo, tanto na cor da pele, como na sua vida e na sociedade. Mais tarde ou mais cedo a recompensa vem, boa ou má, em consequência das nossas acções.

A estas Instituições e a todas as outras que não estão aqui mencionadas o nosso Muito Obrigado. Mas um agradecimento muito especial para o Grupo Jerónimo Martins, para o Banco Alimentar e para o Montepio que têm sido fantásticos, fabulosos, e sempre muito generosos.


DARVOZAOSJOVENS Rafael Furtado • 18 Anos

Estou mais confiante com o mundo, já fiz 18 anos, consigo colocar em prática algumas competências que adquiri na Fundação Obra do Ardina, na “minha Casa”, desde que cá cheguei, tinha então 11 anos. Encontro-me a estudar o meu curso de restauração – Cozinha e pastelaria, tenho como objectivo vir a ser Cozinheiro e também estou a frequentar uma escola de condução, com o objectivo de ficar com a carta de condução para posteriormente poder conduzir. De momento sinto-me muito feliz e realizado por todas as actividades que estou a realizar e também porque chegaram novos jovens para a Obra do Ardina, eu e outros colegas tivemos a preocupação de os receber e integrar na casa que é a minha e que agora também será a deles. Gostaria também de expressar o meu contentamento pela abertura do lar no 2.º piso o que me leva a pensar que a nossa família aqui na Obra do Ardina irá aumentar, pois tal como eu necessitei de ajuda sei que existem muitas outras Crianças e Jovens que se encontram na rua ao frio e ao relento, sem roupas, medicamentos, brinquedos, livros, porque nem sequer vão à escola e não tem uma verdadeira família. A todos os amigos da Obra do Ardina aproveito para desejar um feliz ano de 2012.

JANEIROFEVEREIROMARÇO2012

Já fiz 18 anos

Nunca é tarde A transformação da minha vida escolar dá-se num momento determinante, porque actualmente com 16 anos encontrei a formação que melhor me serve, na qual me encontro muito motivado na minha formação PIEF. Em anos anteriores nunca estive motivado para a escola, hoje o meu maior desejo é conseguir atingir os objectivos que me são propostos e atingir através da minha nova formação um caminho profissional que me ajude a entrar no mercado de trabalho. Ivan Lopes • 16 Anos

Ano novo vida nova Ano novo vida nova assim espero que seja a minha vida este ano, repleta de sucesso e poder estar com as pessoas que mais gosto que são os meus irmão, minha mãe e as minhas sobrinhas. Espero que este ano também seja melhor em termos financeiros para o ardina, visto que estamos a passar algumas dificuldades mas nada que não se resolva.A todos os ardinas, ex. ardinas, funcionários e amigos do ardina eu desejo um óptimo 2012 cheio de saúde e felicidade. Marco Rafael • 19 Anos

Um Grito de Aflição!… Corações Apelativos

Ano novo vida nova Mais um ano se passou mais uma etapa se completou, 2012 um novo ano novos horizontes e perspectivas se aproximam muitos sonhos se mantém novos de certeza que irão surgir. Espero que 2012 seja um ano positivo, quero alcançar os objectivos que tenho traçados, quero fazer tudo aquilo que estiver ao meu alcance, quero ajudar as pessoas que me ajudaram, pois com esse apoio muita coisa já consegui realizar e acredito que muito mais posso fazer. Sandro Ribeiro

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Somos 2 irmãos, o Adolfo de 25 anos e o Sérgio de 23. A nossa mãe era boa e muito amiga, mas infelizmente morreu. O pai biológico ignora completamente a nossa existência. Estivemos na Obra do Ardina onde aprendemos uma profissão. Saímos da Instituição porque já tinha-mos curso e idade. Outros mais novos que precisavam foram ocupar os nossos lugares. Já estivemos a trabalhar, mas o emprego acabou… Temos aprendido muito e, não temos dúvidas, que precisamos de qualquer trabalho, que seja honesto. Não queremos enveredar por caminhos escuros que conduzam ao mal. Estamos muito gratos por sermos ajudados por amigos relacionados com a Obra do Ardina, senão dormiríamos na rua e já tínhamos morrido á fome. Mas esta situação não é justa nem formativa. Na nossa idade precisamos de autonomia pois temos bom corpo para trabalhar, desejamos pois ardentemente um trabalho honesto de pessoas dignas. Já nos inscrevemos em muitos lados com os currículos, já respondemos a muitos anúncios dos jornais, mas parecem que as “cunhas” é que valem porque outros passam à nossa frente. Ouve-se por vezes dizer que trabalho há, mas não o aceitam. Nós precisamos ser alguém na vida, ter valor. O trabalho dignifica, qualquer que seja. Por favor é justíssimo lutarmos com coragem por uma vida pessoal de futuro e de bem. Amigos generosos não esqueçam este apelo que é profundo… Obrigado!...

Adolfo Rodrigues • Sérgio Rodrigues

Chegou a hora da partida! Era pequeno… Os meus pais morreram. Com 7 anos de idade foi a Obra do Ardina que me acolheu e ao meu irmão Paulo com 6 anos. Foi a minha melhor casa. Considero o Dr. Martins como o meu pai. Aproveitei o que fui capaz oxalá que os outros saibam aproveitar mais do que eu, do tanto que nos oferecem aqui. Agora fiz 18 anos e gostaria de fazer a minha própria vida e de acabar o curso. Levo o Ardina no Coração… Rui Pereira • 18 Anos

De visita ao Porto e ao Estádio do Dragão

Ricardo Pereira • 13 Anos

Na companhia do meu colega Ivan, fizemos uma viagem, que tinha como destino o Porto. Foi muito cansativa, mas quando chegámos ao Porto, o Sr.Vítor Quelhas acolheu-nos em sua casa e muito bem. Gostei muito de conviver com a esposa e os três filhos, O Miguel, O Tiago e o Nuno. Esta visita tinha como principal objectivo ir pela primeira vez ao estádio do dragão, ver um jogo do Futebol Clube do Porto, e acreditem que foi muito entusiasmante.Ver os jogadores tão perto, e ainda por cima a jogarem ao vivo e eu a assistir, foi mesmo o realizar de um grande sonho.Acrescento que o jogo a que assistimos foi o F.C. do Porto contra o Nacional da Madeira. O Porto ganhou por 2-0. Do que me foi possível ver da cidade do porto e também um pouco de Gaia, gostei muito de conhecer principalmente a história de alguns dos monumentos e adorei ver os locais que só conhecia por terem passado na televisão. Pareciam ser bem maiores. Mas ao vivo, realmente o Porto tem mais encanto. Obrigado a todos os que nos acolheram e obrigado por tudo o que nos proporcionaram.


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CENTRAIS

JANEIROFEVEREIROMARÇO2012

…”Sob a orientação da Dra. Manuela Eanes foi oferecido por Embaixatrizes de vários países que anualmente faziam na FIL um evento com artigos oriundos dos seus países que vendiam ao público”…

…”Recordo também com saudade a aprendizagem dos jovens nas oficinas sob a orientação de mestres qualificados”…

Conversando com Lucília Rodrigues Ribeiro Uma Senhora com 81 anos

Uma amiga • Santer

Hoje desloca-se acompanhada por pessoas amigas. É uma senhora culta, de gostos requintados. Enquanto gozou de saúde, caminhou muitos anos seguidos para a Obra do Ardina. O Ardina (OA): Durante quantos anos a senhora colaborou no Ardina? Lucília Rodrigues Ribeiro (LRR): Foram muitos anos, mas não me recordo quantos. (OA):A senhora fez parte, durante vários mandatos,do Conselho de Administração. Que outras funções desempenhou? (LRR): Dirigi o curso de culinária e artes domésticas, destinado a rapazes da Obra do Ardina e a raparigas de outras instituições. Fazia as ementas das refeições, provava as iguarias depois de confeccionadas, assistia á preparação das mesas do refeitório e ao decurso das refeições.

Vigiava a higiene dos aposentos de dormir dos rapazes e a lavandaria. (OA): Exercia, pois, funções de coordenação e de disciplina. A Obra do Ardina é uma grande família,com a colaboração de todos os seus membros. Oferece-lhe citar alguém que lhe mereceu maior consideração? (LRR): Exercíamos o trabalho específico com o director da instituição, o Dr. Alexandre Martins, com quem reuníamos periodicamente para tratarmos dos assuntos relacionados com o normal funcionamento da instituição e acordarmos orientações a seguir na melhor resolução de assuntos problemáticos que surgiam no dia a dia. É claro que numa casa com tantos funcionários e tantos rapazes surgem sempre problemas, alguns de difícil resolução, mas com boa vontade,compreensão e por vezes alguma condescendência seguia-se sempre em frente.

(OA): Na Obra do Ardina luta-se, por vezes com grandes dificuldades, para que nada falte às Crianças e aos Jovens. Cite,por favor acontecimentos que lhe deixaram maiores recordações. (LRR): Sim, Deus sabe quão algo difícil era preciso enfrentar… Mas falando de acontecimentos genéricos recordo com satisfação a oferta de um andar sito no Largo Mendonça e Costa em Lisboa. Sob a orientação da Dra. Manuela Eanes foi oferecido por Embaixatrizes de vários países que anualmente faziam na FIL um evento com artigos oriundos dos seus países que vendiam ao público. No ano que a Obra do Ardina fez 50 anos de existência foi, então contemplada com as receitas que obtiveram. O andar recebido foi devidamente preparado e decorado, fundou-se no mesmo um lar de residência

para os jovens mais velhos da instituição. Recordo também com saudade a aprendizagem dos jovens nas oficinas sob a orientação de mestres qualificados. Era um trabalho digno de menção realizado com energia e interesse por jovens da instituição muitos já andados por maus caminhos outros de famílias muito pobres. Ali se esforçavam na aprendizagem de uma profissão, tão importante na sua vida futura. A Obra do Ardina sofreu muitas nuances complicadas. Em 1986 deflagrou um incêndio posto na casa mãe da Rua Dr. Oliveira Ramos. Os jovens que estavam a jantar saíram todos ilesos pelas traseiras de outros prédios acompanhados pela Assistente Social Anabela que com eles jantava. Os jovens foram depois acolhidos no Centro de Observação e Acção Social de Lisboa do Ministério

da Justiça,hoje Centro Educativo da Bela Vista. Lá continuaram a sua formação profissional e formação escolar. (OA): Sabemos que ao receber “O Ardina” se interessa pela sua leitura. Como sente na actualidade a Obra do Ardina? (LRR): Pelo que leio e pelas visitas que tenho feito a instituição continua dentro das possibilidades que vai tendo, registo que continua os seus trabalhos meritórios, mas com graves dificuldades económico-financeiras. (OA): Sra. D. Lucília Bem-Haja pela sua disponibilidade e por todas as atenções, nomeadamente por nunca ter deixado de contribuir com a sua ajuda solidária para a manutenção da instituição que tão necessária é. Fazemos votos para que conte muitos anos com saúde e alegria pelo bem-fazer.

Campanha do Banco Alimentar Contra a Fome 764 toneladas Rafael Furtado e Rafael Silva dois do milhares de voluntários da Campanha do Banco Alimentar

Uma vez mais, fizemos parte dos muitos voluntários que aderiram à campanha de recolha de alimentos do Banco Alimentar Contra a Fome. Porque é cada vez mais premente a ajuda às pessoas que vivem com mais dificuldades, temos a alegria de informar que ajudámos a recolher parte das 764 toneladas de alimentos doadas na área da

grande Lisboa e que posteriormente serão distribuídos por 73 mil pessoas através de 365 Instituições de Solidariedade Social. Ao Dr. Carlos Diogo, ao Sr.Vasconcelos, ao Paulo Emanuel, ao Rafael Silva e ao Rafael Furtado a nossa gratidão por terem mobilizado pessoas e veículo de forma a colaborarem nesta campanha.


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JANEIROFEVEREIROMARÇO2012

A Música das Esferas ALEGRIA, um dos espectáculos mais conhecidos do Cirque du Soleil (Circo do Sol), de origem canadiana, esteve em Lisboa a celebrar a passagem para o ano crepuscular de 2012. Mais uma vez viveu-se o arrebatamento, a excelência, a alegria. A magnifica execução dos trapezistas, acrobatas, dançarinos, músicos, palhaços, etc., reflecte o que há de mais estético e aberto na natureza humana através de uma arte de palco contemporânea do pensamento que brinca. Desde a exuberância das coreografias à mestria dos executantes, por momentos a realidade é uma fábula, uma ode à criação. A multiplicidade das formas e das cores cria um humor incendiário e cosmopolita que se torna parte dos cenários, das vestes e das narrativas.A linguagem exprime-se através de todo o corpo num fogo de bicho que harmoniza os contrários. Tudo se une a tudo: As faixas de luzes às redes do trapézio e os ritmos frenéticos das acrobacias à profundidade onírica da gestualidade.

Haverá algo em comum entre o Cirque du Soleil e a Obra do Ardina? A Obra do Ardina é também uma ode ao encontro na diversidade. Encontro entre jovens, gerações, desamparos e sonhos por delinear e concretizar. E se o espírito do Cirque du Soleil tem a capacidade de deslumbrar quem assiste é porque encena o segredo de uma comunidade circense fecunda e unida por preocupações sociais, económica e ecológicas. Sem a coesão do corpo de artistas, coreógrafos e encenadores não seria possível uma tal harmonia a arrasar a perfeição. Na obra do ardina também há uma alegoria da partilha e uma preocupação de excelência, desde que se iniciou com os seus fundadores até ao momento actual – a vontade dos jovens é a sua força de transformação e a instituição continua a existir para lhes dar voz e oportunidade:Começam por ter uma casa onde morar e dai um espaço próprio; podem relacionar-se com outros jovens

…”Na obra do ardina também há uma alegoria da partilha e uma preocupação de excelência”…

em situações semelhantes e desenvolver afectos e cumplicidades; estudar e projectar futuros sem que as falhas mais ou menos graves dos seus familiares ou deles mesmos constituam um obstáculo às suas mais caras realizações. Se se traçar um paralelo entre realidades comunitárias que visam a excelência

lembro a descoberta de uma tribo com uma filosofia relacional surpreendente citada no prefácio de Helena A. Marujo ao livro o poder do perdão de Robert D. Enright (Editora Estrela Polar). “(…) Uns Antropólogos encontraram uma tribo na África do Sul, um povo chamado Babemba onde, de cada vez que um elemento

do grupo comete um deslize significativo, foge às normas, erra de forma saliente,toda a tribo pára o que está a fazer e reúne-se em circulo, no centro da aldeia.Ai chegados, o “pecador” ou “pecadora” senta-se no meio do círculo, qual alvo. Então, todos os pressentes, das crianças aos anciãos, partilham histórias positivas que viveram com o “culpado” ou “culpada”, sublinhando-lhe as qualidades e o melhor do seu passado. A reunião pode demorar horas, mantendo-se viva até haver assunto. Publicamente e no momento conjunto de confronto com a falha humana, o que o grupo faz é relembrar o bom e não dedicar atenção ao erro,como se todos dissessem: perdoamos-te. Hoje erraste, mas o que realmente nos importa é sublinhar e dar voz a todas e tantas vezes em que nos orgulhámos do ser humano que és.A tua pessoa é maior do que as tuas falhas. Este colectivo verbaliza, mas sobretudo abertamente concretiza, o acto de perdão.” Em torno do erro e do perdão concebe-se então

uma forma de tolerância excepcional, sem condenações implacáveis; a partir de um desejo de compreensão e inclusão, quais Fénix, há sempre lugar para” renascer das cinzas” e começar de novo como diz a canção… Na obra do Ardina, na arte circense ou em qualquer outro lugar do mundo. Como se sabe, a filosofia do perdão foi radicalmente vivida pelas comissões de verdade e reconciliação mobilizadas por Desmond Tutu e Nelson Mandela nos apartheids. E a humanidade aí manifestada circulou feliz por todos os cantos do planeta. Por vezes erra-se sem querer.Por vezes Erra-se por querer. Por vezes é-se imprudente e as consequências são inimagináveis. Com tudo, a realidade é remível e está em permanente construção, o que significa que o novo ser humano,com os olhos postos no seu próprio infinito, pode ser uma obra-prima irredutível. Cristina Veora • Jornalista e escritora Lisboa, 16 de Janeiro de 2012

A Obra do Ardina presente na Natalis Sr. Vasconcelos, preparando-se para mais um dia de Feira

Vista do Stand da Obra do Ardina, na FIL

A FIL recebeu de 03 a 11 de Dezembro a sua feira de Natal, contou com a presença de mais de 300 expositores de vários sectores: artesanato nacional e internacional, decorações, livros, electrónica de consumo, gastronomia, doçaria, gourmet, brinquedos, moda e acessórios. Uma oferta global para quem pretendeu fazer as suas compras de Natal. A Obra do Ardina também esteve presente, no seu stand, colocou várias peças de artesanato cuja procura nos encheu de orgulho. Desta forma aproveitamos para agradecer aos Voluntários que dedicaram parte do seu tempo a gerirem o stand da Instituição. Eles foram, inexcedíveis, Bem-Haja, Dra. Marília Antunes, Dr. João Torrão, D. Maria Luísa Beja Andrade, Enf.ª Maria de Lurdes, Cristina Veora, Sr. José Vasconcelos, Eng.º Gabriel, D. Maria do Carmo e Paulo Emanuel.


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PÁGINADEPOESIA

JANEIROFEVEREIROMARÇO2012

Ao homem que dedicou a sua vida ao ensinamento da propagação do amor, através da grande obra de solidariedade que tem desenvolvido, desejo um Santo Natal e que essa aura de amor incondicional permaneça entre nós por muitos mais “Natais” no exemplo dos ensinamentos que Cristo Jesus trouxe à terra.

Vem Senhor Jesus

A.S. Vem Senhor Jesus

Moreira das Neves, Padre, Poeta e Escritor Na 1.ª Visita Choravam mil crianças pelos caminhos De olhos postos no azul em graça alada: «Senhor! Senhor! Na Terra não há nada «Que nos não lembre, em vão, senão espinhos. «Falta-nos tudo: desde a paz dos ninhos «A doçura do pão que farta e agrada. «Somos a luz do Céu em alvorada «E não sabemos o que é ter carinhos.

Vem Senhor Jesus, estou à tua espera! Vem de novo em meu coração nascer! Quero ai estabelecer tua morada, Transformá-lo numa gruta aconchegada Para que tenha sentido meu viver. Vem senhor Jesus trazer-me a tua Paz! Ouço anjos nos céus cantarem para nós, Vejo a tua luz as trevas desfazer, E acredito que o mal não vai vencer Se me decidir a escutar a tua voz. Vem Senhor Jesus, não me deixes só! Enxuga as lágrimas das faces sofridas, Encosta a tua face nos desanimados, Abraça com ternura os desamparados, Vem Senhor Jesus, transforma as nossas vidas. Margarida Martins Alves Natal 2011

Do livro dos visitantes do hospital de Paços de Ferreira

«E não sabemos o que é ter um lar!» – Nisto, ela – a santa Noiva – indo a passar, Cai dentro de si como uma flor que feche.

Meu Deus! A dor não há ninguém que a vença! Paira, na terra, como a sombra escura E pavorosa de uma noite imensa.

Sente que o coração lhe escalda o peito. Sonha… E do seu sonho sai-lhe feito O Divino milagre desta CRECHE.

Um infinito cális de amargura Escorre sobre as almas em tormento. A dor atinge o próprio sol, na Altura.

Paços de Ferreira, 2-VII-1928

Em torvelinho, range, ao longe, o vento. As notas mais vibrantes da harmonia Perderam todo o seu deslumbramento.

Santo António Se na Fremia das sua pregações. Com corações de pedra se encontrava, Encarando de frente as multidões - Santo António Gritava. Se deparava, em duas caminhadas, Com semeadores de ódio ou de heresia, Em defesa das almas ameaçadas - Santo António rugia. Se descobria um pobre desvalido Ou uma dor de mãe que ao céu bradava, Então, baixando o olhar compadecido, - Santo António Chorava. Mas se via uma bilha se quebrar, Quando de água da fonte alguém a enchia, Depois de, um milagre, a converter, - Santo António sorria… Moreira das Neves

É toda cor de fogo a luz do dia. À noite, é toda sangue a cor do luar. Senhor p´las tuas chagas, alivia Os doentinhos que aqui vêm chorar, Em fundas convulsões, e – que sei eu! – Lábios queimados, todo em febre o olhar. Um deles, inda há pouco, aqui morreu, Com tua doce imagem sobre o peito E as pupilas erguidas para o Céu. Dá ternura, Senhor! Senhor, dá jeito Aos dedos virginais das religiosas, Para que, sobre a dor de cada leito, Deponham sempre, com fervor de esposas, Florinhas brancas, num sorriso ideal, Bálsamos frescos, pétalas de rosas. Enche de paz e amor este Hospital! (Os pobrezinhos não têm outra casa…) E faz rondar sobre ele, em voos de asa, Todos os corações de Portugal!


LIGA DE AMIGOS EM ACÇÃO…

“O Pedreiro” Paulo Emanuel Porque são tempos difíceis os que estamos a viver no momento, e muito provavelmente porque serão tempos ainda mais difíceis os que iremos encontrar no futuro próximo, partilho com os nossos leitores e amigos uma história que nos ajuda a construir os dias difíceis que ainda temos pela frente… “Um velho pedreiro que construía casas há muito tempo, estava pronto para se aposentar.Ele informou o chefe, do seu desejo de se aposentar e passar mais tempo com sua família. Ele disse ainda que sentiria falta do salário, mas realmente queria aposentar-se. A empresa não seria afectada pela saída dele. Mas o chefe estava triste em ver um bom funcionário partir, então ele pediu ao pedreiro para trabalhar num último projecto,como um favor pessoal. O pedreiro não gostou, mas acabou concordando. Foi fácil de ver que ele não estava entusiasmado com a

…”as nossas atitudes e escolhas de hoje estão construindo a “casa” em que iremos morar amanhã”…

ideia.Assim o pedreiro prosseguiu fazendo o trabalho de segunda qualidade e usando materiais inadequados. Quando o pedreiro acabou, o chefe veio fazer a inspecção da casa construída. Depois de inspeccioná-la, deu a chave da casa ao pedreiro e disse: “Esta é a sua casa. Ela é o meu presente para si”. O pedreiro ficou muito surpreendido. Que pena! Se ele soubesse que estava construindo a sua própria casa, teria feito tudo diferente....

O MESMO ACONTECE CONOSCO. Nós construímos a nossa vida, um dia de cada vez, e muitas vezes fazendo menos que o melhor possível na sua construção. Depois, com surpresa, nós descobrimos que precisamos de viver na casa que nós construímos. Se pudéssemos fazer tudo de novo, faríamos tudo diferente.Mas agora não podemos voltar atrás. Nós somos os pedreiros. Todo o dia martelamos pregos, ajustamos tábuas e construímos paredes. Alguém já lhe disse

que: “A vida é um projecto que nós mesmo construímos?” As nossas atitudes e escolhas de hoje estão construindo a “casa” em que iremos morar amanhã. Portanto construamos com sabedoria”, porque esta vida não é para ser vivida num só dia….

“Bem aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus” (Mateus 5:3)

Um Grande Amigo M.ª dos Anjos Santareno Foi em Agosto passado que vimos em Santa Cruz o Grande Amigo Rev.º Pe. Carlos Pratas. Encontrámo-lo pela última vez sentado numa cadeira de rodas, já não falava mas ouvia. Foi com profunda emoção que lhe transmiti a gratidão que a Obra do Ardina tinha para com ele. Foi um grande amigo que recebeu em sua própria casa jovens da Obra do Ardina. O bom acolhimento, a

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GERAL

partilha solidária que usou e os seus paroquianos usaram na Silveira, em Santa Cruz e na Amadora calam bem fundo no nosso coração. Pedi-lhe que rezasse pelo bom funcionamento da Obra do Ardina. Temos a certeza que face a face com Cristo a sua Acção de Amigo continua a ser fundamental para que esta IPSS supere as suas dificuldades e continue com vigor as suas tarefas de BEM FAZER a favor do mundo com mais PAZ e mais FELICIDADE e com JUSTIÇA SOCIAL.

Miguel Ângelo, com a sua esposa e filho.

Reverendo Padre Carlos Pratas, celebrando a Santa Missa

Mais uma visita de um amigo que não nos esquece MAGOS

A Esperança de um Mundo melhor! M.ª dos Anjos Santareno

Haja mais justiça social!... Não podemos parar… A inactividade significa desistir da luta; o que é próprio dos fracos dos que põem de lado objectivos definidos, que conduzam a um futuro mais justo, benéfico para os que mais sofrem. Muitos dizem: eu não tenho culpas de haver tanto sofrimento, porque não contribui para isso. Atenção, é mais correcto reflectir em situações reais, que são bem visíveis à nossa volta. Nada de indiferença… a casos bem pontuais. Pensemos, então: Nada me falta à mesa. Durmo todas as noites com muito conforto. Como posso esquecer aquele que me estende a mão, aquele que vi dormir no passeio ao frio e à chuva!... Ou aquela Criança mal tratada, a criança que não tem pais, ou estes que, perto ou longe, ignoram os filhos e ainda os perdidos nos caminhos da vida sujeitos ao mal, à delinquência. Sejamos, pois conscientes. Procuremos ajudar quem precisa… Oh! Como são tantos os injustiçados, sem culpas dos nascimentos que tiveram ou que perderam as suas famílias. São, pois, os que precisam de muito calor humano, de compreensão, de AMOR… Por exemplo os meninos que vivem na Obra do Ardina em lares devidamente organizados ou em outras IPSS precisam muito de si, de mim e da solidariedade de seres humanos bem formados.Todo o apoio é necessário, para crescerem com dignidade e sejam um dia PESSOAS DE BEM. Esquecê-los nunca… Sejamos generosos.

No dia de reis tivemos o grato prazer de receber em nossa casa «a sagrada família», representada pelo Miguel Ângelo, mulher e o seu filhinho, Santiago,que conta sete meses. O menino é lindo… está muito desenvolvido e bem cuidado. Foi para nós uma grande alegria ver o Miguel que,vindo de uma família de 12 filhos, entrou no Ardina com 7 anos,

onde cresceu e se manteve até aos 18. Vive feliz com a família que constituiu. É um homem digno com 33 anos que se mantém no 1.º emprego desde que saiu da Instituição. PARABÉNS MIGUEL! Que Deus continue a ajudar-te, são os nossos votos. Aparece sempre que possas… Obrigado por teres vindo. Saudações amigas.


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ÚLTIMA

JANEIROFEVEREIROMARÇO2012

Chegada a Rio Maior

Igreja Paroquial de Rio Maior

Padre António Diogo, Dra. Maria dos Anjos e João Rafel

Deslocação a Rio Maior João A. V. Torrão “Eu sou a Maria dos Anjos e sou voluntária peregrina da Obra do Ardina há mais de trinta anos”. Foi assim que a Drª Maria dos Anjos se apresentou na paróquia de Rio Maior onde, comigo e o João Rafael, um dos jovens utentes dos Lares da Fundação da Obra do Ardina, nos deslocámos nos dias 19 e 20 de Novembro passado numa missão de angariação de fundos junto daquela comunidade. E, de facto, é graças a esta “peregrinação” da Drª Maria dos Anjos e de outros voluntários que a Obra do Ar-

dina que tem sido possível manter uma instituição que em breve completará a bonita idade de 70 anos. É desta deslocação e dos seus resultados que pretendemos dar conta neste pequeno artigo, que representa um justo agradecimento ao Sr. Padre António Diogo e à comunidade paroquial de Rio Maior, pela sua solidariedade, forma generosa como nos receberam e suas ofertas.

Rio Maior nas missas aí celebradas nos dias referidos, estivemos também presentes em missas celebradas em Arca da Memória, Azinheira e Quintas. Em toda a parte fomos recebidos com carinho e recebemos a solidariedade das

Como acima já referimos, a deslocação a Rio Maior ocorreu nos dias 19 e 20 de Novembro passado. Para além da nossa presença na Igreja paroquial de

Restaurante Fortaleza

Acreditar Sempre Carlos Alberto Ereira Diogo O presente número do Nosso jornal é publicado num período em que um pouco por toda a parte se apelou à fraternidade, à solidariedade, crença no próximo e esperança no futuro, é o fim da quadra festiva de Natal e do Ano Novo. Eu recuso-me a pensar que o Natal acabou, para mim não acabou, não é um instante, pois, num tempo de reconhecido momento de perda de valores e princípios, e em que parece valer tudo, é dever de todos continuar a acreditar. Foi acreditando nas suas capacidades que o Padre Moreira das Neves, em colaboração com a Assistente Social Maria Luísa Garcia e um grupo de mulheres

pessoas, traduzida em contributo monetário ou em géneros (foram-nos oferecidas batatas, feijão e mercearia). Numa das localidades, Azinheira, salvo erro, algumas pessoas que não sabiam da nossa deslocação e não estavam com dinheiro no mo-

noelistas da época, criaram a “Obra do Ardina”, surgindo como associação em 1942, destinada exclusivamente à protecção dos ardinas da cidade de Lisboa. Foi, também, acreditando nas suas capacidades e a pedido da Dra. Maria Luísa Garcia que entretanto adoecera, e já no inicio da década de 70, que o Professor e Assistente Social Dr. Alexandre Martins pega nos destinos da Instituição, dando continuidade a uma imensa obra, em que ao longo de 40 anos por entre alegrias e tristezas a conduziu até meados de 2011. A Instituição ao longo dos anos sofreu alterações decorrentes das necessidades sociais e é hoje uma Fundação com natureza jurídica de Instituição Particular de Solida-

riedade Social (I.P.S.S), destinada a ajudar e a acolher crianças e jovens de todo o país que se encontrem em situação de risco familiar e/ou psicológico. Porque acredito e comungo dos mesmos princípios universais idealizados pelos meus antecessores, e porque nunca gostei de ser um católico mole e confortavelmente instalado, aceitei o desafio de poder caminhar por muitos e muitos anos ao lado dos que mais precisam. Estar disponível para contribuir para esta causa, leva-me a sentir um filho de Deus tocado pela sua graça.Sei que tudo o que fizer no plano social será fraco e estéril se não tiver a ajuda sobrenatural que Nossa Senhora está sempre disposta a conceder-

mento, chegaram a pedir dinheiro aos vizinhos para darem o seu contributo. A todos queremos aqui agradecer publicamente a sua generosidade. No entanto, em especial, queremos agradecer ao Sr. Padre António Diogo, que não só teve a gentileza de nos oferecer a estadia, como esteve sempre connosco, como ainda enquadrou a Obra do Ardina no âmbito da homilia, de modo a que os seus paroquianos melhor a pudessem compreender e ajudar. Um agradecimento também em particular ao Sr.António, proprietário do Restaurante Fortaleza que, ao aperceber-se da nossa “mis-

são” de solidariedade, quis também dar o seu contributo especial oferecendo-nos o jantar de domingo, antes do regresso a Lisboa. À parte a publicidade, o restaurante e três moinhos de vento adaptados ao turismo constituem um local aprazível para férias ou fim-de-semana. Para terminar, informamos todos os que deram a sua oferta que, para além dos géneros atrás referidos, conseguimos arrecadar um montante em dinheiro de 854,31 euros. Em nome da Fundação da Obra do Ardina e dos jovens e crianças que dela beneficiam, muito obrigado comunidade paroquial de Rio Maior.

…”através da oração ajudarei esta “Obra do Ardina”, a fazer mais 70 anos”…

-nos. Procurarei não entrar em facilitismos e fraquezas. Sei que com muito trabalho, dedicação e amor vindo do interior do coração, e através da oração ajudarei esta “Obra do Ardina” a fazer mais 70 anos, para além

Director: Alexandre Luís Mendonça Martins – Chefe de Redacção: Paulo Emanuel – Edição e Propriedade de «Obra do Ardina» – R. Dr. Oliveira Ramos, Nº 7 – 1900-210 LISBOA – Telef.: 21 816 51 50 • Fax: 21 815 40 46 email: ardina@net.sapo.pt – Redacção e Administração: «Casa do Ardina» registado sob o nº 108305 – Rua Dr. Oliveira Ramos, 7 – 1900-210 LISBOA Apartado 9025 – 1901 LISBOA Codex – Composição, Paginação: Miguel Delgado Impressão: Tipografia Rápida de Setúbal, Lda. – Tiragem: 7.500 exemp. e média distrib. aproximada – Depósito Legal N.º 253/82 – Assinatura anual: 6 euros Contribuinte: 500 205 442

daqueles que a 24 de Janeiro celebra, e são já 70 anos. Parabéns, eu acredito! Recordar sempre Lembrar toda a generosidade que sentimos no ano anterior, desde cidadão anónimos, dos assinantes, dos voluntários, das Instituições várias, como sendo a família e amigos “Goodsense” da

EmpórioCapital, a Direcção Project Finance do Grupo Millenium BCP, a Fundação BP, o Banco Alimentar, a acção da turma de estudantes de psicologia da UAL e sem esquecer um pequeno grupo de crianças da catequese que se quis solidarizar para com todas as crianças e jovens que são o corpo e alma da Nossa (de todos) “Obra do Ardina”.


Jornal O Ardina