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Ano VI - No 1 - Abril de 2009 Jornal laboratório dos alunos do 2 o ano de Jornalismo do Departamento de Comunicação Social da Universidade de Taubaté

Poluição sonora incomoda Taubaté

Aterro sem solução Idosos reclamam dos ônibus

Onde fica este

monumento?


Abril de 2009

:: Opinião :: :: Editorial ::

:: Enquete ::

Novos ares no jornalismo regional

Como você avalia o trânsito de Taubaté?

por Rebeca Monteiro

“Está crítico. E do jeito que estão sobrando carros na montadoras, daqui a um ano ficará impossível dirigir nas ruas”. Odair de Oliveira, aposentado

Fotos: Camila Sardinha / Vale Repórter

Esta é a primeira edição do Vale Repórter em 2009, jornal elaborado por alunos do segundo ano de Jornalismo da Universidade de Taubaté, que pretende oferecer à população não somente informação, cidadania e cultura, mas também proporcionar ao leitor a variedade de opiniões e diferentes visões sobre fatos que marcam a região. Nesta edição, o Vale Repórter traz uma novidade: estamos de cara nova! Novo formato, mais moderno e compacto, é de fácil manuseio e distribuição. Apresenta um visual prático para a leitura, em tempos nos quais cada minuto é precioso. O conteúdo apresenta reportagens de temas interessantes, que têm compromisso com o leitor. As editorias abordam temas relacionados ao nosso cotidiano, como a atual oferta de transporte público para os idosos da cidade, situação bastante constrangedora, visto que somos um país no qual a terceira idade tem seu próprio estatuto, porém esta parcela da população sofre para usufruir de um direito que possui. Em relação ao trânsito, colocamos um alerta sobre os acidentes, que têm tirado tantas vidas, ocorridos com motociclistas. Na reportagem de capa, uma matéria sobre os monumentos pouco conhecidos de Taubaté revela que muitas praças escondem homenagens a ilustres desconhecidos da maioria da população. Destacamos também o monumento em homenagem à Bandeira, construído por causa do Dia do Hino à Bandeira, comemorado em treze de abril, que ilustra a primeira página desta edição. Nesta edição, a editoria de economia trata do assunto num tom irônico e divertido em uma charge sobre a polêmica Nota Fiscal Paulista. E por falar em economia, é inevitável pensar na crise, por isso, uma reportagem aborda os setores que ainda não sentiram os efeitos da “marola” que afeta o cenário financeiro. Na reportagem sobre cidadania, mostramos como é a distribuição de pílulas anticoncepcionais e preservativos nos postos de saúde públicos da região. Sobre saúde, o tema principal é o vegetarianismo e a opção por uma vida saudável que os adeptos dessa prática fazem para si mesmos e para o planeta. O Vale Repórter traz tudo isso e muito mais: utilidade pública, esportes, cultura, educação, meio ambiente, além de um perfil e uma entrevista com personagens que fazem a diferença no cotidiano de Taubaté e região. Para tornar o jornal mais completo e interessante para o leitor a cada edição, a equipe de alunos de Jornalismo da Universidade de Taubaté conta com a colaboração dos leitores. Portanto, dê opiniões ou sugestões, que podem ser enviadas ao e-mail: valereporter@gmail.com. Boa leitura!!!

“Em certos horários, fica bem congestionado. A cidade está crescendo e não está comportando a quantidade de carros”. Maria Aparecida Cambará, cabeleireira

“A população de Taubaté é desatenta. Eu acho que eles deviam ter um pouco mais de consciência para não causar problemas”. Abel Cláudio dos Santos, vigia

“O trânsito para em determinados horários, principalmente na parte central, pois a cidade é antiga e as ruas são muito estreitas”. Claudionor dos Santos, auxiliar administrativo

“Comparado a São Paulo está bom. Os motoristas daqui são mais calmos, mas existe muito trânsito para uma cidade pequena”. Luciane Rossi, auxiliar administrativo

Enquete realizada por Camila Sardinha e Rebeca Monteiro

:: Expediente :: Jornal laboratório produzido por alunos do 2º ano de Jornalismo do Departamento de Comunicação Social da Universidade de Taubaté

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Reitora Profa. Dra. Maria Lucila Junqueira Barbosa Vice-reitor Prof. Dr. José Rui Camargo Pró-reitor de Administração Prof. Dr. Francisco José Grandinetti Pró-reitor de Economia e Finanças Profa. Ms. Marisa de Moura Marques Pró-reitor Estudantil Prof. Ms. Armando Antonio Monteiro de Castro Pró-reitora de Extensão e Relações Comunitárias Profa. Dra. Ana Aparecida Silva Almeida Pró-reitora de Graduação Profa. Ms. Mara Cristina Bicudo de Souza Pró-reitor de Pesquisa e Pós-graduação Prof. Dr. José Roberto Cortelli Chefe do Departamento de Comunicação Social Prof. Ms. Marcelo Tadeu dos Reis Pimentel

Coordenadora de Jornalismo Profa. Ms. Viviane Fushimi Veloso Coordenador do Núcleo de Veículos Impressos Prof. Ms. João Rangel Marcelo Editora e Jornalista Responsável Profa. Dra. Eliane Freire de Oliveira (MTb. 26.559) Professor Editor Prof. Dr. Robson Bastos da Silva Revisão Profa. Ms. Adriana Cintra de Carvalho-Pinto Profa. Ms. Silvia Regina Ferreira Pompeo Araújo Tratamento e Edição de Imagens Aguinaldo de Jesus Nogueira Alves e Fernandina Célia da Silva Estagiários Camila de Oliveira Almeida (3o JO A) Diego Migotto (2o JO M) Jéssica Larissa dos Santos (1o Web)

Fotolito Futura Impressão Unitaugraf Tiragem 2.000 exemplares REDAÇÃO: Avenida Professor Walter Thaumaturgo, 700 - Centro Taubaté - SP - CEP 12030-040 - Tel.: (12) 3625-4291 valereporter@gmail.com http://www.webvalereporter.blogspot.com Foto da capa: Laís Reis (2o JO M)

O teor das matérias e conteúdos expressos neste jornal são de responsabilidade de seus autores.

DISTRIBUIÇÃO DIRIGIDA E GRATUITA

:: Responsáveis pela página: Mariane de Barros (editora), Rebeca Monteiro (repórter) e Camila Sardinha (diagramadora e repórter fotográfico) ::


Abril de 2009

:: Utilidade Pública ::

Iniciativas dão esperança a cães e gatos Voluntários cuidam de animais abandonados por aqueles que deveriam zelar pelo seu bem Andressa Brunelli / Vale Repórter

por Francine Milene

“Todos os animais existentes no país são tutelados do Estado”. Isto é o que está previsto no primeiro artigo do Decreto Lei nº 24.645, que estabelece medidas de proteção aos animais. Mas não é bem isso que se vê nas cidades e bairros da região. Muitos cães, gatos, cavalos e outras espécies estão em praças públicas, soltos debaixo de viadutos, nos mercados e ruas. De onde vieram? Para onde vão? Porque foram abandonados? É uma incógnita para todas as pessoas que, mesmo sem perceber, se deparam com eles em seu dia a dia, como se já fizessem parte do cenário habitual de suas vidas. Nas cidades do Vale do Paraíba, existem abrigos administrados pelo poder público ou que recebem ajuda de entidades, e que são responsáveis pela retirada dos animais das ruas. Mas, além dessas instituições, há iniciativas como a da técnica em Enfermagem Luciene Alvez, que mora em um sítio no município de Pindamonhangaba com seus 37 cachorros e 12 gatos, todos retirados das ruas ou abandonados na porta de sua casa. Tudo começou com três cachorros, mas, com a chegada de outros bichos, em fevereiro de 2007, Luciene sentiu a necessidade de mudar de sua, casa próxima do centro da cidade, para um sítio em um bairro mais afastado e com um espaço maior. Os cachorros e gatos são recebidos voluntariamente por Luciene nas piores condições possíveis, pois chegam maltratados, com medo e muitas vezes agressivos. Os animais recebem os cuidados e atenção da técnica em Enfermagem e de suas duas irmãs, Lúcia e Luciana. Todos são castrados, vacinados e vermifugados. Os números desta grande família só não têm aumentado ultimamente devido aos gastos com alimentação, vacinas e toda assistência necessária, que é custeada pelas irmãs. A relação entre Luciene e seus cães e gatos é muito especial. “Valentim tem medo de chuva e, se fosse gente, acho que trabalharia no ITA, porque ele adora helicóptero”, diz com um grande sorriso, descrevendo um dos animais. A cadela Brenda tem medo do escuro e a gatinha encontrada no Mercadão de Taubaté adora tomar água direto da torneira. Luciene diz que ganha a fidelidade deles graças ao carinho, mas faz um pedido: que as pessoas não transfiram seus problemas para as outras, nem para seus animais. O Decreto Lei n° 24.645 considera como maus tratos: “Abandonar animal doente, ferido, extenuado ou mutilado, bem

Filhotes de uma mesma ninhada aguardam adoção em um abrigo de Taubaté como deixar de ministrar-lhe tudo o que humanitariamente se lhe possa prover, inclusive assistência veterinária”. Como Luciene, o dentista José Álvaro Giovanelli Filho também acolhe animais abandonados desde 1997. Porém, ele prioriza dar amparo àqueles que estejam doentes, feridos, para dar o devido tratamento e recuperálos. Já estiveram sob seus cuidados muitos animais e hoje estão abrigados em seu sítio, em Taubaté, 60 cães, um cavalo, um burro e três tartarugas. Seus cães, além de receberem todos os cuidados veterinários, são adestrados. “As pessoas sempre têm algum interesse para gostarem uma das outras, mas os animais não. Gostam de alguém, independente de quem sejam”, define Álvaro. O primeiro cachorro que o dentista tirou das ruas foi um São Bernardo, que estava abandonado em São José dos Campos. Depois foram chegando outros, a maioria com problemas, atropelados, que se encontravam em situações problemáticas, que aparentavam não ter mais jeito. Giovanelli conta que já encontrou cachorro dentro de saco plástico, outro que o dono disse que estava doente, mas era falta de comida. Certa vez, pegou um cão chamado Nero, que chegou pesando dois quilos. Em estradas, parava o carro, pulava na frente do cachorro, colocava dentro de seu carro e o levava para casa. Apesar dos traumas e da agressividade de alguns cães, o dentista nunca foi atacado. Quando um de seus animais morre, Álvaro diz que sofre, mas sabe que fez o máximo e que virão outros e ele está fazendo sua parte. “Eu não os esqueço, eu adoro meus bichos, muito mais

que muita gente que eu conheço”. É o caso de Sandra Maria da Silva Santos, moradora do bairro Santa Teresa, em Taubaté, que tem uma gata de cinco meses, rajada em cinza e preto, que é muito querida por todos em sua casa. O animal já tomou todas as vacinas e é castrado, tudo sob a supervisão de uma veterinária da confiança de Sandra, que acredita ser importante a iniciativa das pessoas que contribuem com a sociedade retirando os animais das ruas. “Pessoas que abandonam animais são pessoas sem noção de quanto vale uma vida. Um animal abandonado não pode sequer pedir ajuda. Tenho mais pena das pessoas que fazem tal ato, pois são infelizes consigo mesmas”, diz . “Graças a Deus que existem pessoas que são iluminadas e generosas e ajudam e amparam esses animais”.

:: Flagrante :: Camila Sardinha / Vale Repórter

O curioso aviso se destaca em uma praça na Rua Rio Grande do Sul, na Vila São Geraldo, em Taubaté. Afinal, a quem se destina a placa?

:: Responsáveis pela página: Adriano Silva (editor), Francine Milene (repórter) e Andressa Brunelli (diagramadora e repórter fotográfica). Colaboração: Camila Sardinha (repórter fotográfico) ::

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Abril de 2009

:: P erfil :: Perfil

Uma vida por trás da tinta prateada A atuação como estátua viva pode ser por necessidade, por diversão ou por ambas as coisas por Cristian Martins

Semáforo vermelho, os carros pararam. Lá vai um robô se movimentando em meio aos carros, talvez para pedir ajuda para comprar óleo para suas juntas. Com o calor que fazia, não era de se duvidar que ele estivesse totalmente seco. Quem sabe o robô estivesse atrás de um coração para se tornar humano, como no Mágico de Óz. Mas não, era apenas mais um brasileiro tentando mostrar sua arte e seu dom e ainda sustentar uma família, já que o robô em questão é Moisés Urias Júnior, de 22 anos – casado e pai de um menino de um ano e meio – com a árdua missão de levar dinheiro para casa por meio das apresentações como estátua viva, que faz nas praças, semáforos e eventos pela cidade e também pela região. Com uma roupa toda pintada de prata – para cada evento e personagem ele possui uma roupa própria – Moisés fica nove horas por dia na rua trabalhando, apesar de muitas pessoas não o verem como trabalhador e sim como um desocupado ou até mesmo um marginal. “Às vezes, me vêem como vagabundo, mesmo ficando das nove da manhã às seis da noite na rua”, diz Moisés, que acredita que sua profissão deva ser respeitada, já que a defende como uma forma alternativa de ganhar dinheiro. O que ninguém imagina é que o rapaz é totalmente informado sobre o trabalho de outros artistas que, como ele, fazem

estátuas-vivas. Ele diz que há vários concursos e competições nessa área no Brasil e no mundo, e que só não foi trabalhar no exterior por já ter constituído família. Aliás, quem diria que conseguiria, com seu trabalho, adquirir o próprio terreno e um carro, além de recursos para quitar as contas de casa, com simples moedinhas que ao fim do dia somam em média R$ 60. “Já me ofereceram serviço com carteira assinada e tudo, mas eu não troco isso por nada”, defende o artista de rua. Por essa ótica, parece que nem é tão difícil e até rentável desenvolver essa atividade, mas Moisés têm vários desafios a cada dia. Um deles é o descaso dos motoristas, que, às vezes, até fecham seus vidros com medo de assalto. Outro desafio são as piadinhas do público e a fiscalização que, volta e meia, insiste em lhe pedir licença para trabalhar. “Eu não peço dinheiro a ninguém, eu recebo doações e por isso não preciso de licença.Eu sou um artista de rua”, explica. Moisés não atua só nas ruas.Por diversas vezes, foi convidado para trabalhar em eventos de empresas, lojas, danceterias, entre outros locais. Pessoas que veem nele o que talvez não observa Marcos Fellipe, motorista que nem se quer deu conta que havia uma pessoa em frente ao seu carro quando parou no semáforo. “Nem olho muito, porque se a gente fica olhando, eles acham que temos que dar alguma coisa”, argumenta o rapaz, enquanto desvia o olhar.

Há seis anos o homem prateado distrai as pessoas em cruzamentos e praças

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Fotos: Renata Marangoni / Vale Repórter

Moisés Urias Jr. defende sua arte Novamente o semáforo fechou. Os carros pararam. Palco montado. Platéia confortável. Inicia-se uma nova sessão do espetáculo. Mas quem está lá não é o Moisés. Pelo menos não agora. Neste curto espaço de tempo, o rapaz de olhar profundo e sorriso tímido dá vida àquela estátua prateada. Com a combinação perfeita de pó alemão, óleo de amêndoas e movimentos curtos e precisos, ele espera agradar o público, a fim de que sua arte seja reconhecida e assim receber algum donativo. “As pessoas me dão se quiserem e o quanto quiserem”, reforça o artista. A necessidade que Moisés e outros artistas têm de confrontar as “regras” da sociedade vem de uma tentativa de mostrar aos demais que é possível, ou ao menos louvável, a luta para sobreviver de uma forma paralela, de modo não convencional aos padrões atuais. Vem, também, de uma vontade de mostrar que é possível fazer arte no país, embora a luta pela sua valorização seja uma das mais vãs. Cada um tem o seu olhar sobre essas pessoas, uns com descaso, preconceito, medo, outros com admiração ou até mesmo pena. “Eu admiro essas pessoas, que ficam o dia inteiro embaixo do sol, fazendo arte e ganhando seus trocados”, elogia Carlos de Almeida. O mais curioso é que mesmo sofrendo rejeições – estas em maior número que aprovações – e vivendo de forma incerta, sem saber o quanto vai levar para casa ao fim do dia, Moisés é bem enfático quando questionado sobre a possibilidade de mudar de ramo: “Eu não troco isso por nada”, argumenta o solitário homem prateado.

:: Responsáveis pela página: Vinicius Ilkin (editor), Cristian Martins (repórter) e Renata Marangoni (diagramadora e repórter fotográfico) ::


Abril de 2009

:: Entrevista ::

De amadora a vencedora de concurso Raquel Guimarães conquistou prêmio nacional de fotografia em competição universitária Aguinaldo de Jesus / DECOM

por Mayara Barbosa

até agora. Ontem eu estava mexendo nos equipamentos, fui ler os manuais para ver como funciona. É estranho porque você tem “Uma estudante de Jornalismo que vitudo aquilo ali, tudo seu, e o concurso é rou notícia”. É assim que Raquel Guimamuito grande, é um concurso nacional. É rães dos Santos, 21 anos, define o atual muito estranho! Eu não acredito até agora momento de sua vida. Cursando o 3º ano que isso aconteceu comigo! de Comunicação Social na Universidade de VR – Por que você escolheu a foto Taubaté, a estudante conquistou o 1º luvencedora e o que ela representa? gar na segunda edição do Concurso UniRaquel – Das fotos que eu fiz em versitário de Fotografia promovido pela Aparecida, nós selecionamos dez para manSony com o tema “O meu olhar sobre o dar e que se adequavam ao tema. Dessas Brasil”. Para quem só havia ganhado uma fotos,ainda deveriamos selecionar três. Olhamos para aquela foto e dissemos: essa garrafa de vinho em um bingo em toda a tem que ir, essa com certeza vai. Mas não vida, Raquel recebeu como prêmio um equipamento fotográfico protem um motivo. Ele disse que era interessante manfissional. Detalhe: foi o pridar essa porque é retrato, e meiro concurso do qual ela “Eu nunca ganhei participou. A foto escolhié legal. Eu também nada em um concurso, retrato gostei muito dela. da pela aluna e seu professó uma garrafa de VR – Sobre o tema do sor de fotojornalismo, João Rangel, foi feita em Apavinho em um bingo” concurso, qual é o seu olhar sobre o Brasil? recida (SP) durante a tradiRaquel – É o que está recional festa folclórica de São Benedito. Na competição, Raquel gatratado na foto, que são as festas populares. A característica do Brasil é a mistura nhou por unanimidade de votos. Em meio das raças e tudo de bom que aquilo ali reflea cliques, flashes e entrevistas, frutos de sua recente conquista, a estudante converte na nossa sociedade, na formação da nossou com o Vale Repórter sobre sua relação sa sociedade. Essas festas culturais, essa religiosidade, ao louvar os santos, de festecom a fotografia e os detalhes de como é ser jar os santos. É o maracatu, é o frevo, o uma ganhadora! Vale Repórter – Como surgiu o seu samba, a capoeira, que são coisas que vieinteresse pela fotografia? ram para a gente e que foram adaptadas Raquel Guimarães – Eu comecei a gospor nós. Eu acredito que é isso. A força do povo, a garra do povo e os festejos. tar de fotografia por causa do meu pai. Ele VR – Qual a emoção de ter ganhado não é fotógrafo, mas sempre gostou muito o concurso? Como você se sente? de fotografia. Eu acabei adquirindo esse gosto pela foto, que é uma maneira de arte Raquel Guimarães / Divulgação muito bonita, muito expressiva. VR – O que a fotografia representa para você? Raquel – A fotografia é uma maneira de expressar a visão sobre as coisas, a fotografia é uma maneira de arte. VR – Como surgiu o interesse pelo concurso? Raquel – Eu vi no Departamento o cartaz e achei interessante um prêmio de fotografia universitário. Conversei com o professor Rangel, vi que o tema era o meu olhar sobre o Brasil e tinham as fotos que eu fiz em Aparecida no ano passado. Eu perguntei para ele se poderia mandar as fotos de Aparecida. Ele disse que seria oportuno selecioná-las. Mandei três fotos de lá. VR – Como foi a experiência de ter participado do concurso e ter ganhado? Raquel – Em relação a ganhar, eu não esperava mesmo. Eu nunca ganhei nada em um concurso, só uma garrafa de vinho A fotografia vencedora do concurso em um bingo! É uma coisa inacre-ditável

Raquel está feliz com a repercussão Raquel – Eu acredito que isso vai me abrir bastante portas. É interessante porque é o jornalista que virou notícia, a estudante de Jornalismo que virou notícia. Eu gostei da repercussão que houve. Eu não esperava... foi relativamente grande. Quando eu ponho meu nome na internet, no Google, aparece um monte de coisa... VR – Qual a importância desses concursos para os fotógrafos amadores? Raquel – Eu não sou uma pessoa extremamente experiente em técnica. Eu deveria saber muito mais porque é o que eu quero fazer para minha vida profissional. É extremamente importante porque serve de estímulo e motivação para que eu estude mais e faça meu trabalho melhor. É importante que todo mundo participe. VR – O que mais gosta de fotografar? Raquel – A cultura popular. Sempre que tem roda de capoeira eu tento ir para ver e tirar foto. Participo do grupo de maracatu daqui de Taubaté e tento fazer fotos. São coisas mais difíceis de fotografar porque há mais movimento. Também participei da festa de São Benedito. Gosto de fotografar as manifestações populares e coisas banais do cotidiano, que são bonitas e que despertem a vontade de fazer a foto. VR – Daqui em diante, como pretende dar continuidade ao seu trabalho fotográfico? Raquel – Agora que eu tenho o equipamento, fica mais fácil trabalhar. Fazer freelas, bater fotos por acaso. E ver o que vai dar.

:: Responsáveis pela página: Mayara Barbosa (editora e repórter) e Felipe Rodrigues (diagramador) ::

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Abril de 2009

:: Economia ::

Sem sentir o gostinho amargo da crise Setores da economia de Taubaté que ainda não sofreram turbulências podem ter problemas por Tiago Eulálio

Num pequeno espaço montado no quintal de sua residência, Eda Firmo dá conta de seu pequeno negócio no ramo de pastéis fritos na hora. Com a cara e a coragem, uma ajudinha da neta e um avental sempre muito branco, essa educadora aposentada não viu outra saída para complementar a renda, que é tão pouca se contabilizado apenas o benefício de sua categoria. O pequeno empreendimento de Eda, tão comum no município, faz parte de uma parcela do mercado que não foi atingida diretamente pela crise financeira. Desde o declínio ocorrido no mercado americano no último trimestre de 2008, todos os países sentiram os efeitos da crise em suas economias, proporcionais ao grau de estreitamento das relações comercias entre o país berço do problema e os demais. O Brasil e os outros países emergentes perceberam menos a instabilidade exterior, pois não têm sua economia tão dependente dos Estados Unidos. Com os municípios, o processo não é diferente. “As cidades que estão mais integradas a essa globalização, a esse mercado mundial, são aquelas que demonstram um efeito negativo maior”, explica Edson Trajano, pesquisador do Núcleo de Pesquisas Econômico-sociais (Nupes) e professor de Ciências Econômicas da Universidade de Taubaté. Ao ocupar grande espaço na mídia, a crise fez com que a atitude do consumidor fosse mais cautelosa. Para a Associação Comercial e Industrial de Taubaté (ACIT), não há como negar que a crise chegou à cidade. “O medo do desemprego acaba in-

fluenciando negativamente o comércio de uma maneira geral”, afirma Alexandre Andrade, consultor de comunicação da instituição. Com um cliente escolhendo melhor o que vai comprar, pois seu bolso está menor, o consumo acaba se transformando, produtos e serviços mais caros e com parcelas maiores dão lugar à preferência de outros mais baratos e com o financiamento menor. A população reserva seu orçamento para aquisição de bens considerados mais necessários. “O setor de supermercados e de alimentos vive um bom momento no município”, diz Andrade. Para Eda, que está se virando há quatro anos como vendedora autônoma, o melhor momento de seu negócio é o vivido “desde abril do ano passado”, quando voltou à atividade depois de várias tentativas que deram resultados anêmicos. Na outra mão, o desempenho de outros setores considerados não tão necessários à sobrevivência caiu, como a prestação de serviços. “Houve uma redução no número de rematriculados para o ano de 2009 e uma diminuição quase que pela metade dos interessados em fazer um curso de idiomas”, lamenta Tatiana Costa Moscardo, divulgadora de uma escola de idiomas. Como o assunto da crise econômica mundial está em alta, a sensação geral é de preocupação, mas isso não é realmente necessário, pois Taubaté não apresentou quedas significativas se comparada às outras cidade do Vale do Paraíba. O município está bem. Para Trajano, “temos uma vantagem, pois a unidade da Volkswagen de Taubaté produz, principalmente, para o mercado inRenata Sartori / Vale Repórter

Setor alimentício, como o mantido por Eda Firmo, ainda se mantém estável

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Fonte: Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo

Variação em 12 meses do repasse do IPI nas cidades do Vale do Paraíba, em São Paulo Taubaté - 0,63%

Pindamonhangaba - 7,45%

Jacareí - 8,26%

Guaratinguetá - 12,44%

São José dos Campos - 20,43% 25

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O valor do IPI foi calculado no período de janeiro/2008 a janeiro/2009, confirmando que Taubaté obteve a menor queda na arrecadação de impostos.

terno, que não foi tão afetado pela crise”, avalia. Com a medida do governo de reduzir o IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), a crise foi amenizada. Além disso, o setor de construção civil mantém seu desempenho estável, pois projetos nessa área são de médio a longo prazo, ou seja, projetos que foram iniciados não serão cancelados e provavelmente prosseguirão até seu término, apesar das turbulências.O risco é de que novos projetos não saiam do papel por enquanto, o que caracterizaria uma desaceleração do setor. Entretanto, o pior da crise no município ainda pode estar por vir. “O grande desafio será após a fim da redução do IPI, porque Taubaté depende muito da indústria automobilística”, continua Trajano. A preocupação também é com o setor público, pois a arrecadação de impostos em janeiro de 2009 foi menor de que em janeiro de 2008. “Se a crise se aprofundar, o poder público terá que rever seu orçamento, pois a aprovação dele [do orçamento]foi feita em agosto de 2008, anterior a crise”, salienta o pesquisador do Nupes A tendência é de que Taubaté sentirá menos a crise do que as outras cidades do Vale do Paraíba, uma vez que o setor exportador da cidade é menos importante do que de outros municípios. O pastel frito que Eda vende, atende apenas à comunidade onde ele está localizado e, assim como outros do ramo que não exportam, passará o ano de 2009 com possíveis quedas, mas sem maiores problemas. Quando indagada sobre qual será sua atitude em relação à crise, Eda dá uma lição de otimismo e confiança no produto que faz. “Tenho a responsabilidade de abrir as portas todos os dias para atender a quem gosta do meu pastel”.

:: Responsáveis pela página: Daniella Coelho (editora), Tiago Eulálio (repórter) e Renata Sartori (diagramadora e repórter fotográfico). Colaboração: Felipe Cortez (pauteiro) ::


Abril de 2009

:: P olítica :: Política

Aterro sanitário está operando no limite Impactos ambientais provocados por lixão de Taubaté podem afetar a saúde da população Rafael Lima / Vale Repórter

por Rafael Lima

A cena se repete todos os dias. A vista que se tem é assustadora e, pior ainda, degradante. É como se caminhões estivessem transportando milhares de ‘bombas’ a fim de depositá-las, gerando acúmulo infinito e formando um verdadeiro campo minado ao longo das décadas. O solo está morto e os estilhaços do estouro atingem quem está a sua volta. Pode parecer uma história fictícia, porém, ela é real, preocupante e está justamente sob os pés da população: o aterro sanitário de Taubaté. Há trinta anos, o local foi escolhido para abrigar os resíduos sólidos originados pelo lixo domiciliar, gerado por moradores da cidade. O lixão, como é chamado popularmente, fica no bairro do Itaim, zona rural. Mas, a falta de exigência técnica para implantação de aterros no final da década Prefeitura de Taubaté já foi multada pela Cetesb por causa do aterro irregular de 1970 reflete agora suas conseqüências. A produção de lixo no município chesolo. Apesar da situação, a prefeitura negoAlgumas das exigências são: condições ga a 220 toneladas diárias sem passar pela cia uma área para desapropriação ao lado hidrológicas favoráveis; sistema de coleta seletiva, misturando todo tipo de do atual aterro sanitário. O diretor do Deimpermeabilização da base do aterro saniresíduos industriais com os domiciliares. partamento de Serviços Urbanos (DSU) Retário; sistema de drenagem subsuperficial Esta prática provoca a diminuição da vida nato Felgueiras, responsável pelo aterro, de líquidos percolados; sistema de drenaútil do aterro e resulta no impacto amdisse que, em reunião com a Cetesb, foi gem vertical de gases; tratamento de líquibiental. Neste caso, a contaminação do solo apresentado relatório sobre o novo local. “É dos percolados (água somada ao chorume). e, por consequência, do lençol freático, é um processo demorado e que exige um esEm Taubaté, o aterro sanitário é condada praticamente como certa por amtudo completo”. siderado 100% irregular. No final do ano bientalistas. Muito além das responsabilidades técpassado, a prefeitura foi multada pela O engenheiro agrônomo Paulo Fortes, nicas dos órgãos públicos de promover esCetesb em R$ 89 mil. Em contrapartida, o professor do Departamento de Agronomia tudos que evitem a degradação da natureexecutivo apresentou uma proposta técnida Universidade de Taubaté (Unitau) é pioza, está a conscientização da população. ca para solução global dos neiro em projetos sobre a Taubaté desenvolve pela primeira vez um problemas de resíduos, que coleta seletiva do lixo e programa que orienta os moradores a seleestá sendo analisada pelo reciclagem. Ele explica que A produção de lixo o lixo orgânico daquele que pode ser órgão. A exigência é o eno aterro da cidade acumuno município chega a cerramento das atividades cionar reaproveitado. “As pessoas depositam o lixo lou uma grande quantidaem qualquer lugar e não sabem qual vai ser de de chorume – líquido pre- 220 toneladas diárias, no aterro, porém, o munito causado pela decompomisturando todo tipo cípio quer utilizar o local o destino do resíduo. Ele vai para o bueiro e sição dos resíduos misturade resíduos industriais por mais um ano e meio pode poluir o mar”, ressalta Felgueiras. A iniciativa da prefeitura deve districom o propósito de licencidos com a água das chuvas a domiciliares, o buir, além de panfletos informativos, 25 ar uma nova área. – que provavelmente cheque provoca a pontos de entrega do lixo reciclável e entuO gerente da agência gou ao lençol freático. lho neste semestre. No bairro Jardim Ana ambiental da Cetesb em “Quando o chorume atindiminuição da vida Rosa, os moradores já adotaram os Pontos Taubaté, Mário Luiz Alves, ge o lençol [freático] ele auútil do aterro de Entrega Voluntária (PEV), que se estendestacou que a prefeitura menta todos os sais, medeu para os carreteiros da cidade. A deve buscar uma alternatais, substâncias orgânicas premiação é uma cesta básica para quem tiva para a disposição do lixo com urgência. e inorgânicas que estão dentro do aterro. fizer 40 viagens até o local. “Nós suspendemos a aplicação de novas Elas correm em direção aos rios e entram O deputado estadual Padre Afonso penalidades enquanto analisamos e verifiem contato com algas, peixes e plantas. Lobato (PV-SP), cujo partido é conhecido camos a viabilidade desta proposta. Tudo Certamente afetam a cadeia alimentar”, por defender as causas ambientais, ressalvai depender dos estudos geotécnicos que afirma Fortes. tou a tese da redução na produção de lixo. foram feitos e que serão complementados. A constatação é grave. De acordo com “O povo deve ter consciência de que quanEles devem mostrar efetivamente uma esa legislação ambiental, um aterro sanitário to menos lixo, como sacolas plásticas, for tabilidade neste tipo de solo para que ele só pode ser liberado se atender a requisitos produzido, quanto maior for a reciclagem e possa ter condições de suportar por este impostos pelo órgão fiscalizador, neste caso a coleta seletiva, é uma enorme contribuiperíodo [um ano e meio] o recebimento do a Cetesb (Companhia de Tecnologia de Sação para a queda do impacto ambiental e lixo”. Ainda não se sabe exatamente qual a neamento Ambiental) ligada à Secretaria aquecimento global”. extensão atingida pela contaminação do do Meio Ambiente do Estado de São Paulo. :: Responsável pela página: Rafael Lima (editor e repórter) ::

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Abril de 2009

:: Cotidiano ::

Imprudência é fator de risco nas ruas O aumento do número de motociclistas transitando sem cautela provoca mais acidentes Vicente Almeida / Vale Repórter

por Amanda Antunes

“É a sua chance de comprar a moto que combina com você”, informa uma propaganda na televisão, tentando vender motocicletas com grandes descontos. É cada vez mais comum encontrar anúncios desse tipo de veículo em promoção. Em tempos de crise financeira, os carros tiveram uma queda em seus valores, e as motos, que sempre tiveram um preço mais acessível, estão muito mais baratas e mais fáceis de serem adquiridas. Carlos Alberto Silva é frentista de um posto de gasolina e depende de uma moto para ir trabalhar e transitar pelas ruas de Taubaté todos os dias. Ele possui uma motocicleta vermelha, já teve uma moto popular de 125 cilindradas, modelo 2001. “Eu via essa moto na vitrine da loja e sonhava com ela”, lembra o motociclista, que um dia teve a motocicleta como seu sonho de consumo. O frentista perdeu a moto preta, seu orgulho, em um acidente de trânsito. “Um ônibus virou sem dar seta e acertou em cheio eu e minha moto”, conta o rapaz, indignado. O acidente aconteceu quando Carlos passava pela Avenida do Povo, no centro de Taubaté, há 7 anos. O motociclista, que não tinha habilitação para dirigir a moto, não pôde processar ninguém, nem reclamar. Assim, o caso foi arquivado. Carlos sofreu fraturas na tíbia e no perônio. A fase mais difícil para ele foi a de recuperação, pois ficou cerca de um ano na cama, sem poder se levantar, e durante um ano foi submetido a sessões de fisioterapia. Além disso, por não ter feito cirurgia, os ossos se encaixaram tortos e ficou uma cicatriz que carrega na perna esquerda, na qual a pele é bem sensível e sangra com facilidade. Apesar do acidente e

:: Humor ::

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Mesmo com garupa, motociclista desrespeita a lei em ultrapassagem perigosa suas consequências, o frentista continua usando uma motocicleta como meio de transporte. “Eu ando porque sou burro, porque eu gosto de andar de moto. Mas não aconselho ninguém a andar de moto”, desabafa. Hoje em dia, Carlos tem muito mais medo de transitar de moto pelas avenidas movimentadas da cidade, entretanto, tem cautela em dobro, pois acredita que o trânsito de Taubaté está muito perigoso. Um caso mais recente de acidente de trânsito envolvendo uma motocicleta aconteceu com Júlio Máximo, gerente de uma loja de roupas. O rapaz estava na garupa de uma moto com um amigo, a cerca de 85 km/h na Avenida Eufrásio Fernandes, em Guaratinguetá. A moto bateu na traseira de um automóvel e Júlio foi lançado por cima do carro e na queda, fraturou duas

costelas e o braço. O amigo, que guiava a motocicleta, teve ferimentos leves na barriga. “Quando lembro do acidente, acho que nunca mais vou ser imprudente no trânsito. Eu e meu amigo abusamos da sorte”, relata. Júlio também conta que seu amigo ficou bastante assustado com o acidente e passou a ser mais cuidadoso. “Já era tarde da noite e não pensamos que poderia acontecer alguma coisa se a gente acelerasse um pouco”. O gerente, que nunca gostou muito de andar de moto, evita ao máximo ter que subir em uma novamente. “Só subo em moto se precisar mesmo de carona, se não, prefiro até ir andando”, relata, em meio a risos. O jovem acha motocicleta um transporte perigoso, que pode ser ainda mais perigoso se combinado com descuido. “A moto é pequena e quem dirige acaba achando que não acontece nada se passar no cantinho da rua, mesmo com o sinal fechado, por exemplo. As pessoas precisam parar de achar e tomar cuidado”, adverte o jovem. Os veículos de duas rodas estão tomando as ruas e, em consequência disso, houve um considerável aumento de acidentes de trânsito nos quais as motos estão envolvidas. Apesar do aumento de ocorrências com as motocicletas, o Capitão Costa, da 3ª Companhia do Comando de Policiamento Rodoviário da Polícia Militar do Estado de São Paulo, garante que essas ocorrências ainda não ultrapassam as que envolvem carros, pois a frota de veículos é bem maior. Costa acredita que são necessárias campanhas de conscientização para a diminuição dos incidentes com motocicletas que estão ocorrendo.

:: Responsáveis pela página: Vanessa Marcelino (editora), Amanda Antunes (repórter) e Vicente Almeida (diagramador e repórter fotográfico). Colaboração: Viviane Sorbile (pauteira) ::


Abril de 2009

:: Cotidiano ::

Idosos sofrem com transporte público Espaços reservados aos maiores de 65 anos são ocupados, muitas vezes, por outras pessoas por Fernanda Rocha

Superlotação, falta de informação, horários confusos, pontos de ônibus descobertos e, acima de tudo, falta de respeito. Os idosos de Taubaté enfrentam diversas dificuldades para utilizar o transporte público. É o caso de Rita Batista da Silva, de 63 anos, que acordou cedo para ir ao hospital realizar um exame de sangue. Chegou ao centro da cidade graças ao transporte alternativo, porque o ônibus não passava. A aposentada ficou desesperada por não saber se já tinha perdido o ônibus, ou se ele estava atrasado. Ela ainda paga passagem e, várias vezes, deu sinal e o motorista não parou. Rita quer usar o transporte de graça, mas sabe que, além de não poder, o problema do desrespeito é grande. “Eu estou esperando fazer 65 anos e uso o ônibus para tudo. Na van, mais de dois [idosos] não levam e, quando levam, reclamam”. O vice-presidente do Sindicato dos Transportes da cidade, José Roberto Gomes, afirma que a companhia que opera o transporte público em Taubaté não suporta a demanda dos idosos e, por isso, sofre uma grande deficiência. Todas as pessoas que vão até o Sindicato para reclamar ou denunciar, são encaminhadas ao Departamento de Trânsito. “O Sindicato não pode interferir nem no transporte público nem nas leis de trânsito. Há reuniões entre essas equipes, porém, os representantes da terceira idade não estão vendo as melhorias no transporte público”, diz Gomes. Não é preciso entrar em um transporte público para ver que não só os idosos, mas também todo cidadão que utiliza o

meio para qualquer fim que seja, sofre com a falta de espaço. Em horários de pico, por exemplo, quando crianças, jovens e trabalhadores estão indo ou voltando de seus respectivos compromissos, é notório a ocupação do espaço físico destinado aos idosos por outras pessoas. Josias Ferreira, de 77 anos, se sente ofendido quanto aos seus direitos. “Tem vez que vou pegar o ônibus e está tudo cheio. Aí preciso esperar o próximo”, desabafa. Enquanto mostrava seu RG, que utiliza para não pagar passagem porque não possui o Cartão do Idoso, ressaltou outro problema. “Também tem que melhorar para o deficiente físico. Aumentar o número de vagas na frente é uma alternativa”. Maria Flordimar Ribeiro, de 66 anos, vem de Belo Horizonte para visitar a família em Taubaté e relata ter enfrentado diversos obstáculos. Dentre os principais problemas observados, segundo ela, estão as pessoas mais jovens, que fingem não ver os idosos, usam as vagas de direito deles. “Enquanto a gente pagava, qualquer carro nos carregava. Mas nós não temos culpa de sermos idosos”. Ela já se sentiu humilhada ao entrar no ônibus e ser obrigada a ouvir coisas do tipo “Ah, que gente chata”, mas ela finge que não é com ela. O diretor do Departamento de Trânsito de Taubaté, Valdir Aguiar, diz que há projetos para a terceira idade, dentre eles, o transporte gratuito para o idoso acima de 60 anos, plataforma elevatória para deficientes físicos, cartão dos idosos da empresa ABC Transportes Ltda. e a diminuição do intervalo entre um ônibus e outro nas linhas. Um projeto de lei, que consiste no Kadu Schiavo / Vale Repórter

Falta de vagas para o idoso seguir o percurso sentado é uma das reclamações

uso gratuito do transporte público para os moradores do município de Taubaté a partir dos 60 anos, ainda não pode ser sancionado, pois aguarda a licitação entre as empresas – ABC Transportes Ltda. e Viação Jacareí Ltda. Sobre o excesso de reclamações de cumprimento de horários por parte dos carros públicos, Aguiar ressalta que uma inspeção deverá ser implantada. “Com a tecnologia, devemos implantar um tipo de fiscalização em tempo real dos ônibus. Assim, veremos no sistema quem está atrasado, o ônibus ou o cidadão”. Quanto às vans, Aguiar lembra que o total de vagas é de 15 por micro-ônibus, e que as vagas destinadas para o idoso são proporcionais. E que a dificuldade de locomoção é grande, devido ao curto espaço que o veículo proporciona. Antonio Mafra Neto, presidente municipal do Sindicato dos Aposentados e Idosos, disse que nos dois anos de existência do Sindicato, não houve grandes avanços quando se fala de transporte público e os projetos citados pelo Diretor de Trânsito, Valdir Aguiar, até o momento não foram suficientes para os idosos. Mafra disse que está aberto a qualquer diálogo que seja em prol do idoso. Dificuldades O cansaço não serve como desculpa para Maria Regina da Silva, de 60 anos, porque a saúde do marido pede por socorro. Usuária da linha Maracaibo/Poço Grande, bairro de Tremembé, ela sai de casa às 6h da manhã, com ou sem disposição. “O ônibus passa de duas em duas horas. Isso quando não atrasa”, revela. No período em que fica no centro de Taubaté, ela aproveita para acompanhar Alfredo Batista dos Santos, seu marido, ao médico, comprar medicamentos e o que não encontra na cidade em que reside. “Eu tenho 64 anos, faço 65 esse ano e, mesmo apresentando o documento de identidade, não me deixam andar sem pagar ”, conta Batista. “Muitas pessoas veem a gente com tanto desprezo, que chega a ser melhor pagar a passagem e sentar lá atrás, do que arriscar passar humilhação”, emenda Batista, que tem problemas cardíacos e deve fazer cateterismo o quanto antes. Telma Ortiz, presidente do Conselho Municipal do Idoso, ressalta que melhorias estão por vir, principalmente com uma possível concorrente no itinerário do município de Taubaté. Ela diz que pedidos e reclamações referentes ao transporte público são frequentes e que a primeira melhoria esperada é o uso gratuito pelo idoso que tenha 60 anos.

:: Responsáveis pela página: Ricardo Gimenes (editor), Fernanda Rocha (repórter) e Kadu Schiavo (diagramador e repórter fotográfico). Colaboração: Viviane Sorbile (pauteira) ::

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:: Primeira Página ::

Ilustres pouco conhecidos Fotos: Laís Reis / Vale Repórter

Espalhados em vários pontos da cidade, os monumentos passam quase despercebidos na correria do cotidiano por Lucas Fersa

Quando se lê um gibi, é fácil perceber que heróis não morrem. Mas, quando se observa a realidade, não apenas de Taubaté, mas do Brasil inteiro, os heróis não só morrem, como também são esquecidos em praças públicas. Inaugurado em 1974, o Monumento ao Expedicionário fica em frente ao Cemitério Municipal da cidade e é um tributo aos heróis brasileiros que lutaram na Segunda Guerra Mundial. Essa recordação fica na Praça Pistoia, que recebeu esse nome em reconhecimento à cidade italiana de mesmo nome, que abriga o Cemitério ao Expedicionário Brasileiro e a Praça Brasil. Dentro do cemitério, há também o Mausoléu ao Expedicionário, que fica sempre trancado para evitar roubos, protegendo os restos de quem um dia foi glorificado. Gravada em uma placa, ao lado da porta, está uma pequena trova: “Pois chora a saudade eterna/ De alguém que não mais existe”, escreveu a trovadora Lourdes Quintanilha, pressentindo o esquecimento dos pracinhas. Sentado em sua mesa e cercado de papéis, o administrador do cemitério,

Monumento à Bandeira fica na Avenida Marechal Deodoro, em Taubaté Tomaz Benedito de Toledo, conta que, às vezes, alguns curiosos visitam o túmulo e pedem para olhá-lo por dentro. Porém, ressalta que são os familiares que mais visitam e que eles vêm em dias específicos. “Dia das Almas, Dia dos Pais e Dia das Mães são os mais importantes; então, nessas datas vem gente visitar”. Em contrapartida, existem os monumentos que dispensam datas especiais para serem visitados, como o dedicado a Dom José Pereira da Silva Barros. Sua estátua com

os dois dedos levantados simboliza um cumprimento para todos que por ali passam, e que nem sequer o notam. Na placa, que sumiu há algum tempo, deveria constar a data de 1° de janeiro de 1922 em que o “monumento foi erigido pelo povo de Taubaté”, além do título de Arcebispo de Darnis, nomeação que Dom José recebeu do Papa Leão XIII. Márcia Cristina Pereira, que varre diariamente as folhas secas do chão por ali a serviço da prefeitura, parece nem notar o ilustre desconhecido de bronze, que tem o pedestal todo pichado. Questionada sobre quem é aquele cidadão homenageado na praça, arrisca timidamente: “Jacques Félix?”.

Brasão faz homenagem aos pracinhas na Praça Pistoia, em frente ao Cemitério Municipal

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:: Responsáveis pela página: Aline Santos (editora), Lucas Fersa (repórter) e Laís Reis (diagramadora e repórter fotográfico) ::


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:: Primeira Página :: Laís Reis / Vale Repórter

Expedicionários Na Praça Dr. Monteiro, que parece um grande canteiro central, encontra-se outro símbolo grandioso, porém quase imperceptível a pedestres e motoristas, o Monumento ao Expedicionário. A honraria foi inaugurada em 5 de dezembro de 1965 e está rodeado por uma grade verde há seis meses. Sob seu patamar, ergue-se um obelisco de granito maciço, que mede oito metros. Também, tem hastes metálicas para suporte das bandeiras, que deveriam ser hasteadas em 8 de maio, data em que se comemora o Dia da Vitória, quando Alemanha se rendeu, em 1945, e depois disso, em poucos dias, seria o fim da Segunda Guerra Mundial com a rendição do Japão. Quatro degraus que o compõem são as representações dos quatro pracinhas que morreram em campanha. Na placa, encontram-se os nomes: José Antonio Moreira, José Vicente de Paula, Rubens Leite e Teodoro Francisco Ribeiro. Abaixo da placa, lê-se 28/ 10/80 a 02/06/08 escrito com corretivo de caneta, provavelmente, quem escreveu não foi um soldado. Um dos poucos utilizadores do local é um grupo de dançarinos de hip-hop. “Como o piso é bem liso, o pessoal usava para fazer aquelas acrobacias”, ressalta o comerciante Adilson de Souza, que trabalha há 12 anos em frente ao monumento e diz nunca ter visto nenhum hasteamento da bandeira nacional no local. Praça da Imprensa Além do uso para outros fins, uma outra praça bem próxima sofre com o mau cheiro, pois é usada como banheiro, não apenas pelos cachorros que transitam pelo local. A Praça da Imprensa, que recebeu esse nome por um decreto em 1967, é dedicada à classe jornalística e está localizada ao lado da Igreja do Rosário. Quase ninguém conhece a praça pelo verdadeiro nome e a intitulam como Largo do Rosário. Seu espaço está dividido entre bancos e mesinhas de concreto, local de trabalho de taxistas, uma loja de gibis antigos onde, do lado de fora, pendurados, estão alguns brasões de jornalistas taubateanos. A cor vibrante da parede faz destacar o medalhão inaugurado em 10 de setembro de 1973, que levou o rosto de Praxedes de Abreu, em comemoração ao Dia da Imprensa. Praxedes era jornalista e colaborou com todos os jornais da região. Foi fundador e diretor do jornal A Tribuna, órgão político de publicação trimestral que teve curta existência. Ao lado da homenagem a Praxedes, outras duas são feitas: uma para Stipp Júnior, fundador do jornal Diário de Taubaté, e outra do jornalista Osny Guarnieri Filho, um dos idealizadores do curso de Jornalismo da Universidade de Taubaté. A viúva de Stipp Júnior e atual diretora do jornal Diário de Taubaté, Iara de Carvalho, considera a praça muito importante, pois acredita que o jornalismo é uma ferramenta, que, se bem usada, ajuda a população, por isso merece ser lembrado. A jornalista também ressalta que é importante cuidar desses bens públicos e que os taubateanos deveriam se preocupar mais em saber a história desses marcos desconhecidos. “Se a gente não gosta da nossa casa, se não gosta da nossa cidade, a gente também não gosta do nosso país. Que futuro a gente vai ter numa situação dessa?”, argumenta. Monumento à Bandeira Sem cuidado algum se encontra o Monumento à Bandeira, que está deteriorando e ficando escuro pela ação do tempo. Esse monumento, que ilustra a capa desta edição do Vale Repórter, fica situado na Avenida Marechal Deodoro, importante via de acesso para as cidades de Pindamonhangaba e Tremembé. Ao longe, a forma do monumento não pode ser definida, nem ao menos de perto. Sem nenhuma placa, ele pode ser sintetizado pela palavra concreto. O livro “Taubaté e Seus Monumentos”, publicado em 1979, de autoria de Antonio Mello Junior, é o único que conta qual era o

Monumento foi protegido por grades para não ser danificado sentido dessa construção. Uma edição da obra encontra-se no Museu Paulo Camilher Florençano e nela está documentado que o presidente do Rotary Club de Taubaté, entre os anos de 1969 e 1970, Sebastião Garcia Roman, foi o idealizador do projeto. A intenção era de “fazer construir em praça pública um monumento à Bandeira, onde o pavilhão nacional seja hasteado em todas as comemorações cívicas”. Tal desejo não deve ter mais sentido, vendo o jardim descuidado. Em um local bem escondido em frente a uma árvore encontra-se uma base de concreto, onde deveria haver uma placa, mas apenas o livro de Mello Junior revela o que deveria constar ali: “Monumento à Bandeira – Oferecido pelos Rotary Clubs de Taubaté e Taubaté-Oeste – Conselho Diretor de 1969/70”. Padre Cícero A placa de identificação não é o problema na homenagem a Padre Cícero Romão Batista, mais conhecido e chamado pelos devotos como Padim Ciço. Ele, além de padre, foi um grande líder do Nordeste do país. A estátua, no bairro do Bonfim, foi doada em 2007, pelo prefeito de Juazeiro do Norte (CE), Dr. Raimundo Macedo. O bairro foi escolhido por haver grande número de migrantes nordestinos. “Há a festa nordestina todos os anos, por esse motivo foi feito a doação dessa estátua e colocada naquele local na entrada do bairro”, informa o Departamento de Cultura de Taubaté. Metade da rotatória onde se encontra o monumento ao padre está com a grama aparada, porém o que foi cortado não foi recolhido e a grama seca ficou ali. Já na outra parte, a grama continua crescendo. A base que sustenta a imagem e que se encontra ainda sem terminar, está rachando. Dessa forma, não é de se duvidar que uma hora o Padim Ciço caia lá do alto do pedestal onde se encontra.

:: Responsáveis pela página: Aline Santos (editora), Lucas Fersa (repórter) e Laís Reis (diagramadora e repórter fotográfico) ::

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:: Primeira Página :: Fotos: Laís Reis / Vale Repórter

Outros desconhecidos estão por Taubaté Construções e mausoléus destinados a perpetuar a memória de pessoas e feitos notáveis espalham-se em diferentes praças e logradouros da cidade Difundidas pela cidade de Taubaté, diferentes construções, sob a forma de obeliscos, bustos, pavilhões e estátuas representam homenagens a fatos e personagens marcantes do município e do país, que apesar de importantes, são poucos conhecidos pela população. Entre eles: Centenário da Independência O obelisco, que fica na Praça Dr. Barbosa de Oliveira, em frente à Rodoviária Velha, foi inaugurado em 7 de setembro de 1922, em comemoração ao centenário da Proclamação da Independência. Passados mais de 80 anos, o monumento está relegado ao esquecimento, fim comum para todos os outros citados nessa matéria. Cônego José Luiz Pereira Nasceu em Pindamonhangaba, mas foi pároco na Vila Nossa Senhora das Graças e professor na Escola Monteiro Lobato, o Estadão. No dia de sua morte, a prefeitura decretou luto oficial de três dias. Em 11 de março de 1973, foi inaugurado o monumento, feito com dinheiro de uma campanha entre os fiéis. A homenagem se encontra na Praça Nossa Senhora das Graças, em frente à Igreja de mesmo nome.

Imagem de Padre Cícero fica próxima ao bairro do Bonfim, onde vivem muitas famílias de origem nordestina

Josef Studenick Nascido na antiga Tcheco-Eslováquia, foi empresário em Taubaté do ramo de metalurgia, que teve uma grande fábrica exportadora para países da América do Sul, Central e países da África. Morreu em 26 de outubro de 1962 e, um ano após sua morte, amigos e funcionários homenagearam sua memória com um busto, que hoje se encontra na praça em frente ao convento Santa Clara. Atualmente, o monumento não tem placa de identificação. Praça Coronel Vitoriano Um obelisco, em meio à praça de mesmo nome, sem placa de identificação. Acredita-se que é uma homenagem ao Coronel, mas não há como confirmar. Esse monumento, assim como muitos outros monumentos taubateanos, não resgatam com clareza o significado daquilo que representam, quer tenham placa ou não. Dia Internacional de Monumentos e Sítios O dia 18 de abril é o Dia Internacional de Monumentos e Sítios e também a data em que se comemora o Dia de Monteiro Lobato, circunstância ideal para se lembrar do passado. “Ali tudo foi, nada é. Não se conjugam verbos no presente. Tudo é pretérito”, escreveu Lobato em 1907, em seu livro intitulado “Cidades Mortas”, enfatizando a ligação do homem com o passado. O teor da frase do criador do Sítio do Pica-pau Amarelo, no caso dos monumentos despercebidos de Taubaté, sofreria uma pequena alteração nos dias atuais: parece que nada foi e nada é. Vida Longa aos heróis e líderes deste país do esquecimento!

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Prefeitura não remove pichações do pedestal de Dom José Pereira da Silva Barros, no Bom Conselho :: Responsáveis pela página: Aline Santos (editora), Lucas Fersa (repórter) e Laís Reis (diagramadora e repórter fotográfico) ::


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:: Primeira Página ::

Não existem monumentos às mulheres Homenagens são feitas exclusivamente aos ilustres cidadãos taubateanos do sexo masculino Camila Oliveira / Vale Repórter

por Lucas Fersa

É incomum perceber um monumento, porém quem repara não encontra algum dedicado a mulheres. As figuras femininas estão quase que restritas às imagens das santas, como é o caso da Imaculada Conceição em frente ao Convento Santa Clara. No entanto, Taubaté tem representantes do sexo feminino que se destacaram nas artes plásticas, na música, na literatura, na política, na medicina e em outras atividades expressivas do cotidiano e da história da cidade. A professora Maria Dolores Alves Cocco trabalha há 23 anos no Departamento de Arquitetura da Universidade de Taubaté e ministra aulas de Técnicas Retrospectivas, disciplina que cuida dos restauros. Ela acredita que a falta de monumentos deve-se pelo fato do homem sempre ter tido um papel de destaque na sociedade e as mulheres sempre ocuparem posições atrás de um grande homem, como diria o famoso jargão. “A parte da educação da mulher, o acesso dela à cultura, à informação e às atividades típicas como cidadã vieram muito tardias”, enfatiza a professora. O professor Antonio Carlos de Argollo Andrade, historiógrafo do Arquivo Histórico Municipal, cita duas grandes personagens taubateanas como merecedoras de homenagem. Uma seria Chiquinha de Matos, benfeitora que ajudava os mais pobres com roupas e alimentos, “em uma época que não havia Ongs de amparo aos mais necessitados”, conta o professor. Dona Chiquinha de Mattos não virou monumento mas recebeu homenagem nomeando importante rua de comércio da cidade de Taubaté. Outra mulher, tão importante quanto, seria Joana Martins Castilho, a Joaninha. Apesar de não ser taubateana, viveu na cidade e era ousada como aviadora, chamando a atenção do empresário de comunicação Assis Chateaubriand. A título de curiosidade, o conhecido refrigerante Guaraná Joaninha foi batizado com esse nome em sua homenagem. O Departamento de Cultura informa que para ser erigido um monumento em homenagem a uma pessoa, em comemoração a um evento ou em celebração a alguma coisa, a comunidade

Obelisco na Praça Coronel Vitoriano não tem identificação deve solicitar a um vereador e ele fará o pedido à prefeitura. Assim, serão avaliados os custos e a possível instalação do monumento. “Todas as homenagens têm um trâmite administrativo para a sua aquisição”, ressaltou um funcionário do setor. Laís Reis / Vale Repórter

Na pequena Praça da Imprensa há homenagens a três jornalistas que atuaram em Taubaté: Praxedes de Abreu, Stipp Jr. e Osny Guarnieri :: Responsáveis pela página: Aline Santos (editora), Lucas Fersa (repórter) e Laís Reis (diagramadora e repórter fotográfico) ::

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:: Cidadania ::

Poder público investe em prevenção Caçapava adota distribuição de métodos anticoncepcionais para diminuir problemas de saúde Mayara Lopes / Vale Repórter

por Mayara Lopes

Alice tem 13 anos, namora Lucas, de 14 anos, e ambos cursam o 7º ano, antiga 6ª série do Ensino Fundamental. Alice começa a vida sexual com Lucas, porém não utiliza métodos anticoncepcionais e acaba engravidando. Após esconder a gravidez por quatro meses, torna-se impossível sustentar essa situação e a menina se vê contando para a família, que reprova o acontecido. Alice precisa largar a escola para criar a criança, pois Lucas a abandona, fugindo das responsabilidades. Agora, a jovem Alice terá que deixar de lado a juventude para assumir os cuidados do ser que está gerando. Essa pequena história fictícia se repete em número expressivo de vezes no cotidiano das cidades brasileiras, o bastante para levantar a questão da gravidez indesejada na adolescência, fazendo com que setores da sociedade busquem alternativas para amenizar o problema. Projetos de distribuição de preservativos e anticoncepcionais ao alcance de toda a população não faltam. O governo federal adota uma política de distribuição de preservativos, que são encaminhados aos municípios para então serem dados à população, juntamente com campanhas para difusão de seu uso, na prevenção de doenças sexualmente transmissíveis e controle de natalidade.O pro-

Número de casos de Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) no Brasil:

A Organização Mundial de Saúde estima que ocorram, no mundo, cerca de 340 milhões de casos de DST por ano. Nessa estimativa não estão incluídos a herpes genital e o HPV. Em números, no Brasil, as estimativas de infecções de transmissão sexual na população sexualmente ativa são: Sífilis: 937.000 Gonorréia: 1.541.800 Clamídia: 1.967.200 Herpes genital: 640.900 HIV: 593.000 HPV: 685.400

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Fonte: Plano Nacional DST/Aids

A distribuição de preservativos é feita gratuitamente nos postos de saúde grama DST Aids do Departamento de Vigilância e Saúde do município de Caçapava distribui uma média de 15 mil a 18 mil preservativos por mês, divididos entre Postos de Saúde e Programas de Saúde da Família (PSF) espalhados pelos bairros. As exceções são os meses que possuem datas comemorativas específicas, como o Carnaval ou o Dia dos Namorados, em que são realizadas campanhas de acordo com o plano de metas do governo federal e esse número aumenta significativamente. “Seguimos o Plano de Ações e Metas do Governo Federal, o PAM, que nos dá as diretrizes de campanhas a serem seguidas durante o ano”, esclarece a coordenadora do programa Rosângela Delchiaro. Outro projeto desenvolvido pelo setor de infectologia por meio do programa DST Aids é a formação de jovens multiplicadores. São ministradas palestras de educação sexual semanalmente, no período de dois a três meses, para alunos a partir do 9º ano do Ensino Fundamental. “Nas palestras, procuro abordar com os adolescentes temas como sexualidade, doenças sexualmente transmissíveis, vulnerabilidade e auto-estima, e esse jovem, além de utilizar para si as informações obtidas, as leva adiante”, explica a educadora social do programa, Vera Bueno. Como alternativa ao preservativo no controle de natalidade, as pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS) podem obter anticoncepcionais gratuitos na Central de Medicamentos, em Caçapava, apresentando apenas a receita médica e o RG. Para as mulheres que utilizam o SUS ou qualquer rede de saúde particular, outra opção é com-

prar anticoncepcionais na Farmácia Popular, um programa de iniciativa do governo federal, que repassa descontos de até 90% aos medicamentos. A Farmácia Popular de Caçapava vendeu 356 unidades no mês de fevereiro, entre anticoncepcionais de cartela e injetáveis, número pouco expressivo pelo tamanho do município, que possui uma média de 80 mil habitantes, segundo estimativa do IBGE. Os preços são expressivamente menores em relação às farmácias comuns, variando de R$ 0,42 a R$ 3,14, dependendo do tipo do anticoncepcional, se na forma de comprimidos, injetável ou pílula. Há controvérsias entre o poder público e os setores mais conservadores da sociedade, principalmente a Igreja Católica, em relação à distribuição massiva de métodos anticoncepcionais. A Congregação Nacional de Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, por meio de seu página oficial na internet (http://cnbb.org.br/), um texto do Bispo da Diocese de Nova Friburgo Dom Rafael Llano Cifuentes, explicando os motivos da repulsa católica ao que ele intitula ‘febre anticoncepcional’. A principal questão a ser considerada pela Igreja é a lei natural que determina a existência de um vínculo inseparável entre a relação sexual e a transmissão da vida. A posição da maioria dos jovens é clara quando esse assunto está em pauta. “Acho correta a distribuição de anticoncepcionais e preservativos, porque a Igreja não pode ser tão conservadora, em pleno século XXI. É melhor prevenir do que ter um filho e não dar amor”, argumenta Rafaela Pereira, de 19 anos, estudante universitária.

:: Responsáveis pela página: Daniel Pascotto (editor), Mayara Lopes (repórter) e Marcelo Vital (diagramador) ::


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:: Educação ::

Cursos que ajudam a realizar sonhos Como o ensino superior à distância pode concretizar o desejo de conquistar um diploma por Daisyane Mendes

não é presencial, e o processo de ensino ocorde duração, Marco interessou-se e, algum re utilizando os vários meios de comunicatempo depois, estava inscrito no vestibular ção: material impresso, televisão, internet, de uma universidade com sede no sul do Com o fichário, a lapiseira favorita, etc. A maioria dos estudantes dos cursos país. Passou na seleção e logo virou estucanetas, borracha, bloco de anotações unioferecidos em Taubaté faz parte de um grudante de novo. Agora, ele cursa Processos versitário, caneta marca texto e sua apospo de pessoas, que como Marco, possuem Gerenciais, um curso com duração de dois tila, Marco Aurélio de Paula Silva, casado e família, emprego, carreira, mas ainda não anos e meio e que, de acordo com o próprio pai de duas filhas, liga o carro e vai para a possuem curso superior. Marco, é semelhante ao curso de Adminisfaculdade. Geralmente, essas pessoas escolhem tração de Empresas. Aos 44 anos, Marco tem muita disos cursos a distância pela facilidade, afinal A rotina desse pai de família mudou posição para tornar seu sonho de cursar o curso é flexível em relação a horários e muito, pois quase todos os dias é necessáuma faculdade uma realidade. A trajetória dias. Um dos principais rio ao menos um acesso à desse brasileiro, que hoje reside em Taubaté, motivos é o tempo, pois internet para verificar noé semelhante a de muitos outros que ensão cursos de curta duratas, faltas, trabalhos, procontraram nos cursos superiores a distân“Cursar uma ção, e também pelo preço, vas, agendas, matérias, cia a chance de obter um diploma de ensino faculdade a distância pois são mais baratos que fóruns, teleaulas, exercícios superior. Marco precisou parar o curso de é bem diferente de os cursos presenciais ofee atividades. Todo o conteúAdministração de Empresas há 15 anos, do a ser aprendido é disquando estava cursando o segundo ano. Um cursar uma faculdade recidos por outras instituiNa maioria das veponibilizado na internet, no bom emprego o fez mudar a vida de sua normal, porque você ções. zes, os alunos querem aprisite da faculdade. Marco família de Minas Gerais para o Estado de não está presente morar seus conhecimentos sempre se atualiza antes de São Paulo. para o trabalho que já reair trabalhar. A universidade Trabalhando como metalúrgico em todos os dias e não lizam. “Os cursos a distântem o seu pólo de ensino uma montadora de veículos em Taubaté, tem os professores cia não eram tão aceitos em um colégio particular de ele não encontrou uma maneira de concilitodo dia com você” até dois anos atrás. Os Taubaté e possui muitos ar o horário da faculdade e os diversos horácursos geravam medo, inalunos. Pelo menos duas rios da empresa. Cada semana trabalhava segurança. Hoje em dia, teinstituições oferecem curem um turno diferente e o serviço pesado o mos a ajuda da mídia, que mostra o que é sos a distância com pólos na cidade, de grafez deixar seu sonho de lado. O tempo pasuma faculdade a distância”, afirma Cosme duação à pós-graduação, e mantêm mais sou rápido e Marco decidiu investir apenas Marques, coordenador do pólo da Uninter de 500 alunos em suas turmas. no futuro de suas filhas. Hoje, ele é eletriem Taubaté. De acordo com o Ministério da Educista de manutenção na fábrica e usa diariDe acordo com Cosme, algumas emcação, o ensino superior pode ser ministraamente os conhecimentos que adquiriu em presas ainda preferem empregar pessoas do nas seguintes modalidades: presencial, seu curso técnico. Mas não é só isso. Marco que cursam uma faculdade presencial. A quando exige a presença do aluno em, pelo atualmente também é um estudante unifaculdade à distância ainda é vista com desmenos, 75% das aulas e em todas as avaliversitário. confiança, mas um bom aprendizado deações; semipresencial, quando combina enGraças a um panfleto trazido para pende principalmente do aluno. Para o cosino presencial com outras atividades que casa por sua filha mais velha, que divulgaordenador, é responsabilidade do aluno espodem ser realizadas a distância; e a disva uma faculdade com oferta de cursos sutudar e se esforçar. “Ele tem uma aula tância, quando a relação professor-aluno periores a distância, por um curto período presencial por semana durante duas horas, Lucilene Ribeiro / Vale Repórter e ainda tem que ler os livros e as páginas na internet”, diz Marques. “Cursar uma faculdade a distância é bem diferente de cursar uma faculdade normal, porque você não está presente todos os dias e não tem todos os professores todos os dias com você”, conta Marco Aurélio. Isso pode gerar dúvidas que não conseguem ser sanadas imediatamente. “É uma faculdade ideal para pessoas que não têm muito tempo, ou têm um horário de trabalho apertado ou que não é fixo”, destaca Marco. É importante ressaltar que a procura por esses cursos por jovens ainda é pequena, pois é necessário maturidade para acompanhar uma faculdade que é flexível e que exige muita responsabilidade. Assim, pessoas como Marco podem se graduar, especializar ou quem sabe, realizar um sonho que fora interrompido anos atrás e manter Alunos assistem às aulas ministradas com o uso de tecnologias e da internet suas conquistas no emprego. :: Responsáveis pela página: Rafael Ramos (editor), Daisyane Mendes (repórter) e Lucilene Ribeiro (diagramadora e repórter fotográfico) ::

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Abril de 2009

:: Saúde ::

As muitas vantagens de ser vegetariano Com a abstenção da ingestão de carne, adeptos buscam purificação do corpo e da mente por Ana Paula Alcântara

As razões que levam as pessoas a se tornarem vegetarianas são várias: religiosas, ideológicas, éticas ou nutricionais. Atualmente, existem grupos de jovens que compartilham de outras razões e afinidades. Eles praticam o vegetarianismo de forma séria, porém mais criativa, pois além da eliminação da carne nas refeições, eles dividem os mesmos gostos culturais, como a música, a moda e o esporte. Fazendo a distribuição dos cartazes que promovem a mensagem “SEJA VEGETARIANO” pela cidade, esses adeptos procuram propagar o ideal da não-violência contra os animais e a busca pelo equilíbrio do corpo e da mente. Mas por que realmente uma pessoa se torna vegetariana? A professora de yoga e estudante de fisioterapia Genice Vicenzi acredita já ter nascido diferente, pois quando criança, em Santa Catarina, ela vivia em uma fazenda onde se comia muita carne nas refeições. “Era difícil ter só um tipo de carne no almoço. Às vezes, tinha carne de gado, frango, peixe. Eu era forçada a comer e falava: um dia eu ainda não vou comer carne, mas quando se é criança, os pais mandam e você tem que obedecer”. Quando se tornou adolescente, Genice começou a perceber que a ingestão de carne não lhe fazia muito bem. “Eu realmente optei por parar de comer carne quando eu comecei a estudar a espiritualidade, e percebi que nós não temos necessidade de nos alimentar de um outro ser vivo”, ressalta a professora. Genice afirma não ter tido anemia por nunca mais comer carne, isso não prejudicou sua vida, nem durante a gravidez de seus dois filhos, que hoje são vegetarianos por opção própria. Ser vegetariano significa se alimentar unicamente de vegetais, como legumes, verduras, frutas, grãos e brotos, além de excluir do seu cardápio qualquer tipo de carne: carne vermelha (bovina), carne branca (pescado) e carne amarela (aves). Poucos sabem, mas o álcool também é abolido por grande parte dos vegetarianos. Entre os adeptos do vegetarianismo existem três categorias: os lactovegetarianos, que se alimentam de leite e seus derivados; os ovolactovegetarianos, que incluem também ovos; e os macrobióticos, que se alimentam exclusivamente de vegetais, excluindo de seu cardápio ovos, leite e seus derivados. Há os simpatizantes, que não podem ser considerados vegetarianos, pois aderem a essa prática por modismo e não por respeito à filosofia, ingerindo álcool ou comendo peixes, por exemplo. “Quem é vegetari-

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ano tende a viver melhor”, defende Everton de Sousa, proprietário de um restaurante vegetariano em Taubaté e adepto dessa prática desde a adolescência. “Os benefícios de ser vegetariano são uma alimentação mais leve e com mais disposição”, acredita Everton. Ele alerta que os vegetarianos não são contra a ingestão de carne, mas ressalta que, ao ingeri-la, a pessoa tem menos ânimo, visto que a digestão é mais lenta, chegando a durar até três dias para as carnes vermelhas. Hoje, o consumo generalizado de carne é tão grande que a maioria das pessoas enfrenta um tipo diferente de proibição: as ordens médicas. Pesquisas têm demonstrado que dietas vegetarianas podem proporcionar condições para uma vida mais saudável. Estatisticamente, é entre os consumidores de carne, ovos e laticínios que há maior incidência de males cardiovasculares, artrite, diabetes e osteoporose. A carne vermelha, em especial, é a segunda maior cau-

sa de câncer, perdendo apenas para o fumo. Sendo que a carne crua ou mal passada tem um risco adicional, pois pode carregar larvas de parasitas, que provocam intoxicação alimentar, perturbações crônicas, danos neurológicos e até mesmo a morte. Não há como negar, porém, que na carne e nos ovos a proteína é completa, isto é, contém todos os aminoácidos essenciais à elaboração dos tecidos. Mas, da combinação de qualquer cereal, como arroz, com qualquer leguminosa, como feijão, também se faz uma proteína completa. Essa substituição tem um custo que pode ser muito menor e mais inteligente para o organismo e para a sociedade. No entanto, a nutricionista Maria Cecília Vasconcelos lembra: “uma dieta vegetariana tem que ser bem planejada para que não haja prejuízo de certos nutrientes como ferro, cuja deficiência pode levar à anemia, vitamina B12 e zinco, mais abundantes em alimentos de origem animal”. Sabrina Zambello / Vale Repórter

Vegetarianismo proporcionou mais flexibilidade para a professora de yoga

Combate ao câncer envolve apoio e solidariedade Tanto quanto a prevenção e o tratamento, o fundamental é a busca por informações que resultem em bons resultados e tragam qualidade de vida. São estas as finalidades das entidades assistenciais da região. Em Taubaté, existem entidades filantrópicas que apoiam crianças e adultos com câncer e seus familiares, oferecendo serviços psicológicos e sociais. O atendimento engloba também a doação de medicamentos e hospedagem completa gratuita para pacientes da região. Outro serviço muito importante oferecido pelas entidades é a orientação jurídica quanto aos direito dos doentes com câncer perante aos órgãos públicos. “As entidades filantrópicas são muito úteis no apoio aos doentes, elas são muito integradas aqui com o hospital, fazendo a parte social”, destaca o médico Rooselvet Kalumi, coordenador do Centro Cirúrgico de Oncologia do Hospital Regional do Vale do Paraíba, referência no tratamento de câncer em adultos.

:: Responsáveis pela página: Juliana Peloggia (editora), Ana Paula Alcântara (repórter) e Sabrina Zambello (diagramadora e repórter fotográfico) ::


Abril de 2009

:: Meio Ambiente ::

Excesso de barulho provoca estresse Intenso movimento nas ruas centrais já interfere na qualidade de vida das cidades do interior Diego Migotto / Vale Repórter

por Pedro Almeida

“Promoção imperdível. Entre e confira nossas ofertas!”. Pode-se dizer que isso é apenas a publicidade de uma loja no centro de Taubaté num dia de semana, mas para a dona de casa Rita Fortunato, é o som que a acompanha diariamente. Moradora de um prédio em frente a duas grandes redes de loja, ela reclama do som do alto falante e do excesso de barulho no centro da cidade. “Tem muita propaganda, locutor gritando nas portas, carros de som. Ainda não me acostumei. As pessoas deveriam ter um pouco mais de consciência”, desabafa Rita, que logo às 5h30min da manha é despertada pelo movimento de carros, ônibus e pelos sons do comércio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o nível de ruído tolerável ao ouvido humano está por volta dos 55 decibéis, mas uma pesquisa, realizada por uma estudante do Departamento de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de Taubaté (Unitau), constatou que no centro comercial da cidade, a média chega a ser de 74 decibéis , um índice elevado para um município com o porte de Taubaté. Para o professor Luiz Antonio Brito, orientador da pesquisa realizada em 2008, as pessoas que moram em áreas comerciais ou que estão expostas ao alto índice de ruído, têm a saúde afetada de forma que nem percebem. “Dentre os cinco sentidos, a audição é a única que não pode ser controlada. O organismo das pessoas tem um mecanismo próprio de proteção e um desses mecanismos são algumas enzimas lançadas no tímpano que vão enrijecendo o ouvido. Quando o excesso de ruído acaba, essa enzima se dissipa”, explica Brito. O mecanismo de defesa de uma pessoa que fica exposta por muito tempo ao ruído pode se desgastar com frequência. O resultado disso é que o tímpano fica permanentemente protegido contra o excesso de barulho causando danos como, por exemplo: dificuldade de falar com as pessoas, de diferenciar alguma frequência de som, perda na qualidade musical. O professor ressalta que se uma pessoa se adaptar a algum ruído é sinal que a audição já sofreu algum dano. O representante comercial Augusto Donizete depende de muita disposição para realizar seu trabalho e o sono é o primeiro a ser afetado. “Esse barulho me atrapalha muito, principalmente na hora de dormir. Devido ao meu trabalho, tenho que viajar muito e preciso de um sono mais tranquilo e não consigo. É quando bate o cansaço. Quando chego em casa, quero sossego, mas o barulho da rua não deixa”. Augusto é ca-

Além do barulho do trânsito, carros de som ajudam a aumentar o nível de ruídos sado com Rita e eles se mudaram para o novo apartamento, que fica na esquina de duas principais ruas do comércio de Taubaté, há apenas três meses. No momento em que a equipe de reportagem os visitou, havia um carro de propaganda de uma rádio da cidade, com o som ligado, bem embaixo da janela da sala do casal. “Quando um barulho desses termina é um alívio muito grande. A sensação que sinto é de paz. Daí você pode assistir sua televisão, pode conversar no tom normal”, destaca Rita. Além desse momento, em outros três instantes a conversa precisou ser interrompida devido ao barulho dos caminhões e ônibus, buzinas de carros, propagandas dos mais variados tipos. Além de afetar o corpo humano, os efeitos da poluição sonora interferem no estado psicológico. A estudante Bruna Aquino , 17 anos, é um exemplo. Moradora de um prédio próximo ao marco zero da cidade, ela alega desconforto na hora de estudar. “Esse excesso de barulho atrapalha meus estudos e afeta, principalmente, minha concentração. Não adianta fechar a janela, o som continua. Fica uma situação difícil”, reclama a estudante. Casos como a da estudante Bruna são comuns. A falta de concentração, alteração de humor e vulnerabilidade em se irritar são as maiores queixas de moradores que têm que conviver com a movimentação do centro urbano. Para o psicólogo Élison Santos, priorizar o silêncio é uma forma de remédio para a alma. “Todo mundo precisa ter um momento de silêncio, até mesmo para assimilar tudo o que foi vivido durante o dia. Precisamos de silêncio para ter uma saúde

mental equilibrada”, avalia. Élison alerta também para a falta de atenção dos órgãos governamentais que são responsáveis pelo bem-estar da população. “A saúde mental é também encargo da saúde pública. A partir do momento em que essas políticas comerciais e de trânsito interferem a ponto de causar transtornos no campo psicológico das pessoas, o governo tem que tomar responsabilidade e cabe à população se organizar e correr atrás desse direito”. O ruído de trânsito de veículos automotores, o mau estado de conservação da frotas e das ruas, além da falta de um planejamento urbano são os fatores que contribuem para a poluição sonora, um crescente problema que agrava o cotidiano dos moradores da região central da cidade.

:: Flagrante :: Diego Migotto / Vale Repórter

Taubaté apresenta um índice elevado de ruídos nas vias públicas, com médias entre 58 a 74 decibéis na região central. Mas o pico de 104,8 decibéis foi registrado em uma manhã de trânsito normal na cidade.

:: Responsáveis pela página: José Caetano (editor), Pedro Almeida (repórter) e Diego Migotto (diagramador e repórter fotográfico) ::

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:: Cultura ::

Patrimônio audiovisual em boas mãos Acervo do Museu da Imagem e do Som é desconhecido por muitos e cultivado por poucos Gabriela Audrá / Vale Repórter

por Letícia Eschechola

Com uma voz mansa, um humor cativante e um orgulho evidente ao falar do que faz, Shirley Santos, 51 anos, ex-professora e atual responsável pelo acervo fotográfico do Museu de Imagem e Som de Taubaté, relata sua função passo-a-passo, com a satisfação evidente do trabalho que cumpre. “Tenho saudades das crianças, dos alunos, mas hoje não trocaria isso aqui por nada”. Em um auditório abafado, que ainda carrega traços de uma reforma inacabada, Shirley, um tanto quanto tímida de início, vai se desinibindo ao falar de seu mundo fotográfico e parece até se esquecer do calor que faz no local ao narrar o processo de conservação das fotos. Ela explica uma nova técnica usada por meio de envelopes de papel pH neutro em que as fotos são depositadas. Após descrever o processo que desempenha diariamente, a funcionária aparenta mergulhar em um mundo de inspiração, quando começa a falar sobre seu maior ídolo dentro do ramo em que atua. “Não há como falar de fotografia sem lembrar do grande Paulo Camilher Florençano”, ressalta Shirley, que fala do fotógrafo com admiração e conhecimento, pois Camilher foi um dos profissionais que mais se entregou com seriedade ao seu trabalho. A responsável pelo acervo fotográfico do museu explica que o local passou por uma obra recente que durou quatro anos e está quase no final. Assim, algumas melhorias foram feitas e outras ainda serão realizadas, como a mudança do acesso das

:: Flagrante :: Gabriela Audrá / Vale Repórter

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A fachada simples e sem atrativos do Museu da Imagem e do Som esconde a riqueza cultural do local: a instituição mantém importante acervo fotográfico da cidade e da região, além de um grande arquivo sonoro, e ambos podem ser consultados.

Logo na entrada do Mistau, uma curiosa exposição recebe os visitantes fotografias à população. Esse acesso, que era disponibilizado com uma demora de dois dias para a entrega do material solicitado, passa a ser imediato, por meio de computadores que ficarão logo ao fundo do hall de entrada. “O museu já não comportava a quantidade de visitantes e não estava se equiparando aos museus das grandes cidades, por isso foi preciso ampliar e modernizar”, explica o coordenador do Mistau, Cláudio Helvécio. Ele também relata que, após a reforma, o museu obteve uma expansão de 400 metros quadrados, porém ainda faltam algumas conclusões que não foram planejadas, como o sistema de ventilação e a construção de um bar-café no hall de exposição. Helvécio argumenta que o museu recebe visitas de toda parte do Brasil e de toda faixa etária, desde grupos escolares a grupos da terceira idade. Ele também cita visitantes vindos dos estados do Rio de Janeiro, Paraná e Mato Grosso. Andando pelos corredores silenciosos do museu, sem grande visitação devido à recente reforma, o único som que ecoava era a voz Shirley demonstrando cada parte do museu de forma sábia e detalhista, provando conhecer a fundo sua função. “Temos aqui, em média, 30 mil fotos. Muitas delas são doações por parte das famílias de fotógrafos já falecidos, são imagens que retratam os mais variados lugares e situações”. Não satisfeita em detalhar tudo, a atenciosa funcionária se dirige a uma sala e volta com as mãos já cobertas por um par de luvas, carregando uma foto da Praça Dom Epaminondas e um pincel branco. Exibe então a foto com o prazer de dizer o

quanto ela é antiga e como está em ótimo estado de conservação. Logo em seguida, pega o pincel e, fazendo com sutileza cada movimento, ela simula o processo que repete todos os dias. “Eu já passei várias vezes em frente a esse museu, mas nunca tive curiosidade de entrar pra conhecer”, afirma Márcio Lima, comerciante que mora no mesmo bairro em que o museu está localizado. Ele, como muitas pessoas, mostra o desinteresse e a falta de curiosidade de uma grande parte da população pelo conhecimento adquirido em meio àquelas fotos entre outros materiais expostos. Shirley diz que, mais que um trabalho, a vida dentro do museu trouxe a ela um aprendizado inigualável. Ela conta que vem aprendendo e descobrindo durante esses quatros anos em que trabalha no museu, que conhecimento nunca é demais. “Eu venho me interessando tanto por tudo que vejo em minha volta aqui dentro, que tomei a decisão de prestar vestibular pra entrar em uma faculdade de História no próximo ano”. Ela afirma que só conheceu a fundo a história de sua cidade por meio de fotografias. A funcionária despede-se orgulhosa e emocionada. “Voltem sempre aqui, porque enquanto eu estiver em condições de trabalhar, eu estarei dentro desse museu. Afinal, conheci meu mundo e minha cidade por meio dessas fotografias”. O Museu de Imagem e Som está localizado próximo ao Horto Municipal de Taubaté e permanece aberto para visitação de terça-feira à sexta-feira, das 8h às 11h30 e das 12h às 17h30.

:: Responsáveis pela página: Adriano Barreto (editor), Letícia Eschechola (repórter) e Gabriela Audrá (diagramadora e repórter fotográfico) ::


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:: Cultura ::

Caravanas atraem público universitário Gravações de programas de TV são os destinos preferidos por aqueles que procuram diversão por Camila Tchmola

lera toda com expectativas de ir lá e se diaos estúdios, eles esperam até as gravações vertir bastante”, explica o estudante Daniel. começarem e isso tende a durar quase o dia Os ônibus escolhidos pelos organizainteiro e, em algumas gravações, os particiShows, passeios em outras cidades e dores das excursões podem variar depenpantes chegam a ganhar almoço ou lanche gravações de programas de televisão estão dendo da emissora. “São escolhidos pela enquanto aguardam a produção. À noite, entre os destinos das excursões, que gaprópria emissora que já possuem as emtodos retornam para seus destinos. nham cada vez mais força hoje em dia. presas, em alguns casos o ônibus é fretado, Para o estudante Daniel Tieri BarboEntre os mais escolhidos estão às idas mas sempre com o mesmo padrão, no messa, a experiência de ir a esses programas é ao programas de auditório, nos quais as mo nível dos ônibus que são oferecidos pela válida. “Acho que vale a experiência, pois é pessoas têm a chance de poder conhecer emissora, assim se mantém a mesma quabem interessante, mesmo para quem vai seus artistas favoritos, saber como funciolidade”, relata Robson. Para Bruna, a situaaté lá apenas para a bagunça e para ver na a gravação desses programas, a organição dos ônibus é boa. “Eu fui a excursões pessoas famosas. Apesar do cansaço, zação dos produtores, como tudo é feito na que tinham bastante convárias horas esperando, foi televisão ou até mesmo para ter a chance forto no ônibus, deram um dia bem vivido”. Já para de aparecer em seus programas favoritos. “Dá trabalho, mas que colchas, água, refrigerante, a estudante Bruna Rolim de A maioria do público participante desno fim acaba valendo lanches, e era bem limpo. Andrade, o cansaço é deixasas viagens é formada por estudantes de Mas eles poderiam melhodo de lado, “Toda exaustão colégios e faculdades, que estão em busca a pena por ser os banheiros que, em é esquecida quando temos de experiências culturais e de diversão. prazeroso e também rar alguns casos, possuíam a sensação de descontrair, Robson Monteiro dos Santos, 32 anos, copelo fato de a cada um cheiro não muito agrabrincar um pouco”, afirma. meçou a participar de excursões há 12 anos dável”, destaca. O que motiva as pese hoje em dia realiza caravanas desse tipo viagem poder fazer Mas também têm soas a irem a esses passeios de turismo por todo o Vale do Paraíba. Para 46 novas amizades”, aqueles que acham que a é a curiosidade pelo saber, o ele, o fato de preparar esses passeios é acagarante o organizador viagem poderia ser melhoentretenimento que é ofebar unindo o útil ao agradável, pois assim de caravanas rada, como por exemplo, recido. “O mais legal é quanele pode ampliar o ciclo de amizades, de se no que diz respeito ao do estão passando o som, divertir e ainda conseguir ganhar algum dicumprimento de horário. ficando mais descontraído nheiro. Mas, para que tudo isso possa ocor“Poderiam ser mais rígidos quanto ao horáo momento e acabamos nos divertindo rer, é preciso ter um contato direto com as rio de saída e chegada, pois assim poderiam muito com os erros de gravação também”, emissoras, que agendam essas visitas e inaproveitar mais esse tempo que nos foi prodestaca Paula Ramos Corrêa Carvalho de formam os destinos oferecidos. posto”, ressalta Alexandre Ribeiro da Silva, Mendonça, de 15 anos, que já participou de A viagem pode começar pela madrude 19 anos. gravações de diversos programas televisivos. gada, mas isso pode variar de acordo com a A maior dificuldade enfrentada é orO fato de serem formadas novas amilocalização do programa escolhido. As pesganizar essas caravanas, os que se responzades anima aqueles que vão a essas carasoas se encontram num lugar que já foi sabilizam pelas excursões têm que correr vanas. “Vou também para conhecer novas combinado previamente e seguem nos ôniatrás das pessoas que desejam ir, realizar pessoas, formando ciclos de amizade que bus com destino aos estúdios desses prolistas, lidar com pessoas que desistem na normalmente não acontecem no dia a dia”, gramas. Durante esse percurso, alguns aproúltima hora, conseguir a documentação de complementa a estudante Paula. “O ôniveitam para dormir, outros para conversar todos os participantes, entre outros afazebus é bagunça o tempo todo, falação, a gae comentar suas expectativas. Chegando res. Trata-se de uma atividade autônoma e Allana Thomé / Vale Repórter que precisa de fiscalização por parte do poder público. O transporte rodoviário interestadual e internacional de passageiros, no Brasil, é um serviço público e essencial, responsável por uma movimentação superior a 140 milhões de usuários por ano. A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) é o órgão responsável pela permissão e autorização para operação desses serviços por meio de sociedades empresariais legalmente constituídas para tal fim. No caso das excursões, geralmente são iniciativas individuais ou de agências de turismo, que providenciam as caravanas de forma legal e segura para todos. “Dá trabalho, mas que no fim acaba valendo a pena por ser prazeroso e também pelo fato de a cada viagem poder fazer 46 novas amizades é o que me dá energia pra continuar organizando essas excursões”, garante o organizador de caravanas Robson Monteiro Excursões são organizadas até três vezes por semana para o mesmo local dos Santos. :: Responsáveis pela página: Camila Tchmola (repórter) e Allana Thomé (diagramadora e repórter fotográfico) ::

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:: Esportes ::

Chuteiras nem um pouco populares Equipe de rúgbi do Vale é pentacampeã em um dos esportes menos conhecidos no país por Jonas Barbetta

Gerson Guimarães / Vale Repórter

No país do futebol, ainda existem modalidades esportivas as quais grande parte dos brasileiros desconhece. É o caso do rúgbi, esporte descendente do futebol e que é muito popular na Europa, em países da África e no sul da Ásia. As chuteiras são as mesmas usadas para atirar, com os pés, a bola redonda. Mas a bola em forma de ovo de avestruz, que passa de mão em mão, caiu como uma luva na cidade de São José dos Campos e a prática da modalidade entre as crianças tem se tornado cada vez mais frequente. Em um campo com as traves improvisadas e com a grama avançando os limites do terreno do centro de treinamento do time da cidade, na Vila Industrial, todas as segundas e quartas-feiras começam a chegar os adeptos do esporte para o treinaTreino do time de base do São José Rugby abre oportunidades para os atletas mento. Por volta das 15h, o ônibus traz os meninos com idades de 7 a 13 anos, que dora Ana Maurícia da Silva diz que o rúgbi européias decoram as paredes do local. Corecebem seus uniformes ainda do lado de é um esporte bem visto pela população, incidência ou não, tais objetos acabam serfora do vestiário para dar inícios aos treimas que deveria ser mais divulgado pela vindo como estímulo aos iniciantes no esnos. Já no local de treinamento, fora das mídia. “Ele [o rúgbi] é um porte para alcançarem o linhas quase apagadas do campo, crianças esporte muito valorizado primeiro lugar nas compecujos calções dão impressão de serem calO que levou o São porque tem muito pouca tições. Para que as crianças ças, treinam separadas dos mais velhos. José Rugby a ser gente que joga rúgbi femipossam ter ainda mais inDentro do campo, de um lado, formanino e eu acho que deveria centivos ao esporte, o São se a equipe feminina e na outra ponta do pentacampeão José Rugby tem um projegramado, em treino pesado e jogadas rápibrasileiro, em 2002, crescer porque é um esporte tão bom. É um esporte to que ajuda a difundir o das, o time masculino ensaia as táticas que 2003, 2004, 2007 e coletivo e tem que ser diesporte às crianças da periserão usadas nos jogos oficiais. 2008, foi pela equipe fundido, com certeza”, feria. “É o sétimo ano do Saulo de Oliveira, jogador da terceira destacou a atleta de 23 projeto social que atende a linha do time de base do São José Rugby é ser formada pelas anos, durante a tempestatrês bairros carentes daqui um deles. “O rúgbi é bom de todas as macategorias para atletas de, que insistia em não ir da cidade. Por meio desse neiras. É bom para o corpo, para a estatura menores de 18 anos embora naquele dia. projeto, a gente oferece física, pela disciplina”, afirma uma das Para o presidente do transporte, alimentação e grandes promessas da equipe. “No rúgbi, São José Rugby, Ange todo material esportivo você tem que puxar mais o corpo, ter conGuimerá, o diferencial da equipe joseense é para as crianças praticarem o rúgbi. São tato e não ter medo”, disse Pedro Henrique que a idade média das crianças que comemais de 120 garotos que fazem parte desse da Costa Lopes, um dos atletas que espeçam a praticar o esporte está bem abaixo projeto”, disse o treinador rava o início do treino. dos outros times. “Um menino que comeMaurício Ferreira Coelho. Cauê Monteiro de “O rúgbi é bom de ça a jogar com sete anos, quando chega aos A chuva desaba e os Barros Fonseca, 16 anos, diz quinze, já sabe tudo de rúgbi. Um menino atletas precisam deixar o que, no início, a prática do todas as maneiras. começa com quinze só vai saber com campo por causa da enoresporte é meio confusa. O rúgbi é bom para o me quantidade de raios que que vinte anos”, afirma o ex-jogador nascido “No começo é meio difícil na França e que no período pós-Segunda porque você não conhece corpo, para a estatura ameaçam a segurança no Guerra Mundial escolheu o Brasil para dimuito o jogo, mas, com o física, pela disciplina”, local. Todos os jogadores se fundir a prática do esporte. recolhem para o interior do tempo, você acostuma. Pra afirma uma das Para Guimerá, o principal fator que prédio da administração e quem conhece o rúgbi, ele é grandes promessas da aguardam a tempestade levou o São José Rugby a ser pentacampeão muito bem visto, mas eu equipe de São José brasileiro, com títulos conquistados em passar. Durante a espera acho que ele não é muito 2002, 2003, 2004, 2007 e 2008, foi pelo fato para voltar aos treinos, as conhecido pelo Brasil, não dos Campos de a equipe ser formada pelas categorias equipes masculinas e femicomo deveria ser”. E assim para atletas menores de 18 anos. “Foi jusninas se descontraem sencomeça o treino do dia sob tamente o desenvolvimento dos times de tados na escada que dá acesso à quadra ameaça da chuva que caiu naquele dia. base a razão principal para o sucesso. Não poliesportiva – que há muito não passa Na sala da administração, várias prahá outra maneira de ser campeão”, observa por uma reforma – e conversam sobre as teleiras com os troféus conquistados ao lono presidente do time. jogadas ensaiadas antes da chuva. A jogago dos anos e diversos pôsteres de equipes

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:: Responsáveis pela página: Kim Gaspar (editor), Jonas Barbetta (repórter) e Gerson Guimarães (diagramador) ::


Vale Repórter