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UFOs LESLIE KEAN OVNIs - MILITARES, PILOTOS E O GOVERNO ABREM O JOGO Com prefácio de John Podesta

Tradução: Silvia Sarzana


Diretor Editorial e Publisher Rodrigo Coube Editor Marcos Torrigo Tradução Silvia Sarzana Revisão Thais Tardivo Projeto gráfico, diagramação e capa Edinei Gonçalves 1a edição - 2011 Dados Internacionais de Catalogação na Publicação (CIP) (Câmara Brasileira do Livro, SP, Brasil) Kean, Leslie UFOs: OVNIs: militares, pilotos e o governo abrem o jogo / Leslie Kean; com prefácio de John Podesta; tradução das passagens do Zohar e introdução Silvia Sarzana. — Bauru, SP: Idea Editora, 2011. Título original: UFOs: generals, pilots, and government officials go on the record. ISBN 978-85-88121-43-0 1. Documentos públicos 2. Objetos voadores não identificados 3. Objetos voadores não identificados Aparição e encontros 4. Objetos voadores não identificados - Pesquisa I. Podesta, John. II. Título. 11-08744 CDD-001.942 Índices para catálogo sistemático: 1. Objetos voadores não identificados: Ufologia 001.942 UFOs - GENERALS, PILOTS, AND GOVERNMENT OFFICIALS GO ON THE RECORD WITH A FOREWORD BY JOHN PODESTA Copyright © 2010 by Leslie Kean. “The UAP Wave over Belgium” copyright © 2010 by Wilfried De Brouwer. All rights reserved. Published in the United States by Harmony Books, an imprint of the Crown Publishing Group, a division of Random House, Inc., New York Publicado mediante acordo com Crown Publishers, editora da The Crown Publishing Group, uma Divisão da Random House, Inc. Todos os direitos desta edição reservados à Idea Editora Ltda.

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Para Paul


CONTRACAPA

“Até hoje não sei o que vi, mas certamente não era um avião; não era um objeto voador que os seres humanos da terra possam ter feito. Ele se movia muito rapidamente. Imagine: eu estava olhando para ele a uma distância de cerca de 110 Km e ele pulou repentinamente 10 graus à minha direita. Estes 10 graus representam cerca de 11 km por momento, e não falo por segundo porque foi muito menos de um segundo. Agora, você pode tentar calcular a velocidade assumida para que ele movesse de uma posição estacionária para este ponto. Seria necessário uma tecnologia de um nível muito, muito alto. Também ele foi capaz de desligar meu lançador de mísseis e os instrumentos de alguma forma. De onde ele veio, eu não sei.” General Parviz Jafari (Aposentado) Força Aérea Iraniana Combate Aéreo sobre Teerã em 19/09/1976 “Na noite de 19 de Maio de 1986, vários OVNIs foram captados (nos radares) no sudeste do Brasil e todo sistema de defesa aéreo foi colocado em alerta. Jatos F-5 e F-103 com os melhores pilotos da força aérea foram lançados para interceptar os objetos. O Coronel Ozires Silva, que acabara de deixar a Embraer para então presidir a Petrobrás, e seu piloto, Comandante Alcir Pereira da Silva, estavam voando em um jato executivo Xingu perto de Poços de Caldas, em direção a São José dos Campos, quando radares diversos localizaram 21 OVNIs no céu de São Paulo ao Rio de Janeiro. Silva e seu piloto viram um deles e perseguiram-no por meia hora - uma luz brilhante vermelho alaranjada, de movimentos rápidos, que parecia saltar de um ponto ao outro. Eles não conseguiram alcançá-lo e, finalmente, desistiram da perseguição”. General Brigadeiro José Carlos Pereira (Aposentado) Força Aérea Brasileira “Leslie Kean encontrou um caminho sério entre as visões extremas dos teóricos da conspiração, de um lado, e as dos “negadores”, de outro. Um livro instigante, fascinante.” Neal Lane, PhD. Universidade Rice, antigo diretor do Escritório da Casa Branca de Ciência e Política de Tecnologia


ORELHAS

“Se você não sabe muito sobre OVNIs, precisa ler este livro. Se você acha que os relatos sobre OVNIs são absurdos, este livro irá desiludi-lo dessa noção. ‘UFOs’, de Leslie Kean, poderia e deveria se tornar o ‘ponto de inflexão’ que leva à aceitação pública da realidade dos OVNIs e de todas as suas implicações” DON DONDERI, PhD. Departamento de Psicologia da Universidade McGill (aposentado) “Como eu, Leslie Kean é uma agnóstica em relação aos OVNIs. Seu livro é um belo trabalho de jornalismo - não sobre crenças, mas sobre fatos. Kean apresenta os mais precisos, os mais críveis relatos de OVNIs que você irá encontrar. Ela pesquisou muito para descobrir os fatos e deixar as coisas acontecerem por elas mesmas. MILES O'BRIEN Antigo correspondente da CNN de ciência/espaço “Este é um livro sério. É crível, claro e convincente, sem quaisquer saltos rebuscados na lógica. Kean não apenas faz o processo, mas clama por toda uma nova, realista e concreta perspectiva sobre os OVNIs, que tem mais honestidade e integridade do que qualquer outro livro que eu tenha lido. Este é um livro para pessoas de mente aberta.” JOHN L. PETERSEN Fundador e presidente do Instituto Arlington “Nestas páginas, somos confrontados pelo fenômeno OVNI como revelado pelos funcionários do governo e especialistas militares em aviação. A análise desafiante de Leslie Kean é escrita com visão e profundidade penetrantes. As revelações deste livro constituem um evento divisor de águas ao tratar do tabu contra o discurso racional sobre este assunto controverso.” HAROLD E. PUTHOFF, PhD. Diretor do Instituto para Estudos Avançados, em Austin Os fenômenos OVNIs intrigam e também preocupam muita gente. Utilizando uma abordagem jornalística e científica, este livro aborda questões fundamentais sobre OVNIs: O que realmente sabemos sobre eles? É realmente possível que algum desses objetos sejam do espaço sideral? Os pilotos sempre os veem? Como governos e militares lidam com avistamentos? As respostas, sob todos os aspectos, são nada menos que surpreendentes. LESLIE KEAN é uma jornalista investigativa que tem artigos publicados no mundo todo como no Boston Globe, Baltimore Sun, Atlanta Journal-Constitution, Providence Journal, The Nation, International Herald Tribune, Globe and Mail, e Journal of Scientific Exploration, entre outras publicações. É co-autora de “Burma’s Revolution of the Spirit” e cofundadora da


Coalizão para a Liberdade de Informação. Mora em Nova York. “O assunto OVNIs é tão não ortodoxo, que mesmo uma abordagem franca e racional pode parecer que se está cruzando uma linha para um território questionável. Fiz o melhor que pude para manter clara, lógica e bem documentada toda essa informação.”


SUMÁRIO Prefácio, por John Podesta Introdução PARTE 1: OBJETOS DE ORIGEM DESCONHECIDA CAPÍTULO 1 - Aeronave Majestosa com Poderosos Holofotes Radiantes CAPÍTULO 2 - A Onda FANI sobre a Bélgica Pelo Major General Wilfried de Brouwer CAPÍTULO 3 - Pilotos: Uma Janela Única para o Desconhecido CAPÍTULO 4 - Circundado por um OVNI Pelo Capitão Júlio Miguel Guerra CAPÍTULO 5 - Fenômenos Aéreos Não Identificados e Segurança da Aviação Por Richard F. Haines, PhD CAPÍTULO 6 - Incursão no Aeroporto O'Hare, em 2006 CAPÍTULO 7 - OVNIs Gigantes sobre o Canal da Mancha, em 2007 Pelo Comandante Ray Bowyer CAPÍTULO 8 - OVNIs como Alvos da Força Aérea CAPÍTULO 9 - Combate Aéreo sobre Teerã Pelo General Parviz Jafari (Aposentado), Força Aérea Iraniana CAPÍTULO 10 - Combate Próximo com um OVNI Pelo Comandante Oscar Santa Maria Huertas (Aposentado), Força Aérea Peruana PARTE 2: NO CUMPRIMENTO DO DEVER CAPÍTULO 11 - As Raízes do Descrédito dos OVNIs na América CAPÍTULO 12 - Assumindo Seriamente o Fenômeno


CAPÍTULO 13 - O Nascimento de COMETA Pelo Major General Denis Letty (Aposentado) CAPÍTULO 14 - A França e a Questão dos OVNIs. Por Jean-Jacques Velasco CAPÍTULO 15 - OVNIs e o Problema da Segurança Nacional CAPÍTULO 16 - “Um Poderoso Desejo de Não Fazer Nada" CAPÍTULO 17 - Os Verdadeiros Arquivos X Por Nick Pope CAPÍTULO 18- O Extraordinário Incidente na Floresta de Rendlesham Pelo Sargento James Penniston (aposentado) da Força Aérea Americana e pelo Coronel Charles Halt (aposentado), da Força Aérea Americana CAPÍTULO 19 - Chile: Casos Aeronáuticos e a Resposta Oficial Pelo General Ricardo Bermúdez Sanhueza (aposentado), da Força Aérea Chilena, e pelo Capitão Rodrigo Bravo Garrido, da Aviação do Exército do Chile CAPÍTULO 20-OVNIs no Brasil Pelo General Brigadeiro José Carlos Pereira (aposentado) PARTE 3: UM CHAMADO À AÇÃO CAPÍTULO 21 - Entrando na Briga: Uma Nova Agência sobre OVNIs na América CAPÍTULO 22 - FAA Investiga um Evento OVNI “Que Nunca Aconteceu" Por John J. Callahan CAPÍTULO 23 - Ocultação do Governo: Política ou Mito? CAPÍTULO 24 - O Governador Fife Symington e o Movimento para a Mudança CAPÍTULO 25 - Esclarecendo a História Por Fife Symington III Governador do Arizona, 1991-1997 CAPÍTULO 26 - Envolvendo o Governo dos Estados Unidos CAPÍTULO 27 - Agnosticismo Militante e o Tabu dos OVNIs


Pelo Dr. Alexander Wendt e pelo Dr. Raymond Duvail CAPĂ?TULO 28 - Enfrentando Um Desafio Extremo Agradecimentos Sobre os Contribuidores Sobre a Autora


PREFÁCIO Por John Podesta

Como alguém interessado na questão dos OVNIs, acho que sempre compreendi a diferença entre fato e ficção. Você poderia me chamar de um cético curioso. Mas sou cético sobre muitas coisas, incluindo a noção de que o governo sempre sabe e que o povo não é confiável em relação à verdade. É por isso que dediquei três décadas da minha vida - na prática privada e como conselheiro do Comitê Judicial do Senado, na Casa Branca, no governo do Presidente Clinton e, agora, no Centro para o Progresso Americano - ao princípio fundamental de proteger a abertura no governo. Por causa desse compromisso, apoiei o trabalho da jornalista investigadora Leslie Kean e sua organização, a Aliança pela Liberdade de Informação, em sua iniciativa, lançada em 2001, de obter documentos sobre OVNIs através do Ato de Liberdade de Informação. No espírito da investigação, Kean solicitou, com sucesso, uma injunção na Corte Federal sobre um caso importante, como era seu direito perante a lei. O tempo de puxar a cortina sobre esse assunto está ultrapassado. OVNIs: Generais, Pilotos e Oficiais do Governo Falam dos Registros envolve tal esforço e apela para a pessoas de mente aberta, como eu mesmo. Apresentando os fatos, o livro inclui afirmações somente de fontes mais acreditadas - aqueles em posição de saber - sobre um fenômeno fascinante, cuja natureza ainda precisa ser determinada. Kean e sua impressionante equipe de contribuidores não fazem reivindicações inconvenientes, mas fornece uma análise racional da maior parte das informações pertinentes, muitas apresentadas aqui em primeira mão e detalhadamente, afirmando que são necessárias investigações posteriores. Kean fez mais do que sua lição de casa como obstinada repórter investigadora, diligentemente lutando com este perplexo assunto por dez anos, ao mesmo tempo tendo que enfrentar atitudes de zombaria e negação pelo governo. Mas ela perseverou, e seu livro claramente coloca o tabu a respeito dos OVNIs sem pernas para se apoiar. Kean e seus distintos coautores pedem o estabelecimento de uma pequena agência governamental que coopere com outros países que já estão formalmente investigando, revisando e liberando informação relevante sobre OVNIs. Essa nova agência lidaria com a liberação de documentos e quaisquer futuras investigações, com abertura e eficiência. É uma ideia a se considerar e é definitivamente o tempo para que o governo, os cientistas e os especialistas em aviação trabalhem juntos na revelação das questões sobre OVNIs, que há muito tempo permanecem no escuro. É hora de descobrir qual verdade está realmente lá fora. O povo americano - e os povos ao redor do mundo - quer saber e ele pode lidar com a verdade. UFOs - OVNIs: Militares, Pilotos e o Governo Abrem o Jogo representa um passo essencial nessa direção, lançando as bases para um novo caminho a seguir.


INTRODUÇÃO

Dez anos atrás, trabalhando como repórter investigativa para uma estação de rádio pública da Califórnia, fui repentinamente confrontada por uma realidade aparentemente impossível. Um colega, em Paris, enviou-me um novo e extraordinário estudo realizado por antigos oficiais de alta patente franceses, documentando a existência de objetos voadores não identificados e explorando seu impacto potencial sobre a segurança nacional. Agora conhecido como Relatório COMETA1, esse trabalho sem precedentes marcou a primeira vez em qualquer país que um grupo deste tamanho e estatura declarou que os OVNIs - sólidos, mas ainda inexplicáveis objetos no céu - constituem um fenômeno real, justificando uma imediata atenção internacional. Os distintos autores de COMETA - treze generais aposentados, cientistas e especialistas espaciais trabalhando independentemente do governo da França - passaram três anos analisando encontros de pilotos e militares com OVNIs. Nos casos que apresentam, todas as explicações convencionais de alguma coisa natural ou feita pela mão do homem foram eliminadas pelos autores e suas equipes de especialistas associadas e, contudo, tais objetos foram observados em uma faixa estreita por pilotos, rastreados pelo radar e oficialmente fotografados. Eles alcançaram velocidades e acelerações tremendas, giraram em ângulos agudos e retos num lampejo e podiam parar e permanecer no ar, desafiando as leis da física. O que significaria isso? Uma vez que alguns oficiais militares do COMETA estavam servindo no Instituto Francês de Altos Estudos para a Defesa Nacional - uma agência de planejamento estratégico financiada pelo governo - sua caracterização de OVNIs como um fenômeno com possíveis implicações para a segurança nacional assumiu séria importância. Em seu relatório de noventa páginas, escrito com objetividade, clareza e lógica, os autores explicaram que cerca de 5% dos avistamentos - aqueles para os quais há documentação suficientemente sólida para eliminar outras possibilidades - não podem ser facilmente atribuídos a fontes terrestres, tais como exercícios militares secretos ou fenômenos naturais. Estes 5% parecem ser de “máquinas voadoras completamente desconhecidas, com desempenhos excepcionais, que são guiadas por uma inteligência natural ou artificial”. Em sua conclusão surpreendente, os autores estabelecem que “numerosas manifestações, observadas por testemunhas confiáveis, poderiam ser obra de origem extraterrestre”. De fato, escreveram eles, a explicação mais lógica para esses avistamentos2 é a “hipótese extraterrestre”. Isso não significa que aceitaram essa conclusão como um fato ou tiveram quaisquer crenças particulares sobre este ou outro caminho. Deixaram muito claro que a natureza e origem dos objetos permanecem desconhecidas. Por “hipótese”, quiseram exprimir uma teoria não provada, uma explicação possível, plausível, que precisasse ser testada antes que pudesse ser decidida, e seria apenas uma tese até que isso acontecesse. Porém, a convicção com que desenvolveram essa teoria como a solução “mais provável” para o quebra-cabeça, já que outras tinham sido excluídas em inúmeros casos, era provocadora. Os dados oficiais sobre os OVNIs de todas as partes do mundo estavam acessíveis aos membros do grupo, e eles estavam determinados a dar uma resposta racional, sem preconceitos. E assim o fizeram, sem reservas.


Quem eram essas pessoas que fizeram tais afirmações? Entre elas, todas aposentadas, estavam um general de quatro estrelas3, um almirante de três estrelas, um general major e um antigo chefe do equivalente francês da NASA. Foram suas credenciais que tornaram o relatório digno de séria consideração. Outros oficiais militares, engenheiros, cientistas, um chefe de polícia nacional e o chefe de uma agência do governo que estudava o fenômeno completavam esse grupo impressionante. O estudo não foi sancionado pelo governo, mas foi realizado independentemente e, depois, apresentado aos escalões mais altos do governo da França. O prefácio estabelece que o relatório “contribui para retirar a camada irracional do fenômeno dos OVNIs” e, de fato, o estudo atingiu seu objetivo. Porém, o grupo chegou a urna determinação que a maioria dos oficiais do governo e cientistas dos Estados Unidos ainda consideraria artificial. Enquanto isso, todo mundo concorda que se fosse provado que esses OVNIs eram sondas ou veículos de fora da Terra, isso seria um desenvolvimento monumental na história da humanidade, um marco na evolução da civilização. Se houvesse mesmo uma leve possibilidade de tal descoberta, eu pensei, parecia que valia a pena o esforço dos cientistas em tentar descobrir. E aqui estava um grupo altamente respeitável, de um país europeu sofisticado, estabelecendo que tal resultado era uma expectativa plausível e até provável. Isso explica porque e como me interessei pelo assunto dos OVNIs, sobre a questão do que realmente sabemos e não sabemos sobre eles, e como poderíamos descobrir mais. O Relatório COMETA foi um catalisador. Por mais que eu quisesse, era difícil deixá-lo passar e simplesmente voltar ao meu trabalho normal, colocando-o de lado. Ficava imaginando: poderia realmente haver objetos tecnológicos voadores que não fossem feitos pelo homem? Será que esses artefatos não eram possivelmente construções americanas altamente secretas ou artefatos militares avançados de algum outro país? Não, disseram os generais e o restante dos outros contribuidores do grupo francês de alto nível. Os países não fazem voos experimentais repetidamente em espaço aéreo estrangeiro, sem informar as autoridades locais e, depois, mentir a respeito disso. Conforme eu cavava mais, aprendi que esses objetos têm aparecido há décadas em uma grande variedade de formas e tamanhos, algumas vezes em “ondas” por todo o globo, demonstrando capacidades além de nossa compreensão científica. Isso não era um mito. E talvez, eu pensei, os generais e seus colegas franceses soubessem até mais do que revelaram. Não apenas todos os membros apoiaram a conclusão, como também insistiram em uma ação internacional. Os autores recomendaram que a França estabelecesse um “acordo de cooperação setorial com países europeus e outros países interessados” no assunto dos OVNIs, e que a União Europeia empreendesse uma ação diplomática com os Estados Unidos, “exercendo eficiente pressão para esclarecer este assunto crucial, que precisa constar do âmbito de alianças políticas e estratégicas”. O relatório, intitulado “OVNIs e Defesa: Para o que precisamos nos preparar?”, é fundamentalmente um chamado para a ação, um pedido à prontidão, em antecipação de encontros futuros com objetos desconhecidos. Eu não tinha ideia de onde isso tudo poderia levar - a mim, a qualquer governo ou ao nosso futuro. Meu colega francês foi chamado para fazer o acompanhamento, e ele explicou que tinha secretamente desviado para mim uma cópia em inglês do relatório, que tinha acabado de ser traduzida. A notícia estava sendo retida para posterior liberação e até agora foi publicado


apenas na França. Meu amigo sabia que eu era uma repórter freelance de mente aberta, com vínculos com muitas editoras, e ele queria que eu fizesse um avanço nesta história, em vez de deixá-la para a mídia convencional, que raramente leva os OVNIs a sério. “Você é a única repórter na América a ter a versão em inglês”, me disse ele excitadamente ao me ligar de Paris. “É todo seu. Mas não deixe ninguém saber onde você o conseguiu”. O desafio era sedutor e enervante. Secretamente, comecei a procurar o assunto OVNIs mais extensivamente, sem contar nada nem para meus colegas mais íntimos da estação de rádio. Eu sabia que estava explorando algo que a maioria dos jornalistas considerava ridículo ou, no melhor dos casos, excitante, mas, por outro lado, irrelevante para as lutas de vida-emorte dos seres humanos, questões que devem ser o foco de qualquer repórter responsável e progressista. Conforme os meses foram passando, tornei-me cada vez mais preocupada em manter silêncio sobre esse meu interesse, enquanto produzia e apresentava um programa diário de notícias investigativas. Comecei a me sentir como se estivesse escondendo algo vergonhoso e proibido, semelhante ao uso de uma droga ilegal. Em retrospecto, a intensidade de minha preocupação e insegurança era avassaladora, pois o tabu em relação aos OVNIs tinha grande poder sobre mim, e foi necessário um tempo antes que eu me sentisse armada com fatos suficientes para lidar com as atitudes daqueles com os quais eu trabalhava e que eram tão compatíveis comigo em todos os outros aspectos. Esse não era um assunto fácil de assumir, e compreendi porque outros jornalistas não o fizeram. Inicialmente, senti-me oprimida pelo que parecia ser obstáculos quase intransponíveis. A história dos OVNIs era, jornalisticamente, esquiva, contaminada por teorias conspiratórias, desinformação e simples desleixo, e tudo tinha de ser cuidadosamente separado do material legítimo. As questões levantadas pelo fenômeno OVNI eram profundamente perturbadoras para nosso modo de pensar costumeiro. O assunto carregava um estigma terrível e, portanto, era um risco profissional para aqueles publicamente engajados nele. Mas também apontava para algo possivelmente revolucionário, algo que podia desafiar toda a nossa visão de mundo. Embora assustador, tenho de confessar que isso o tornou ainda mais atraente para mim. E quanto mais eu aprendia, melhor compreendia a validade de estudos de caso adicionais, bem como de documentos do governo que lançassem alguma luz sobre o assunto. Os dados reunidos, o acúmulo de evidências durante décadas, finalmente se tornou convincente e completamente mistificador. Apesar dos problemas, simplesmente não havia maneira de eu me forçar a ignorar o assunto. Corno se verificou, esse relatório não solicitado mudou radicalmente o curso de minha carreira como jornalista, de maneiras que eu jamais poderia imaginar naquela época. Os OVNIs tornaram-se o foco4 de minha vida profissional após a publicação de minha primeira história sobre eles no Boston Globe. A editora do Fórum Dominical do Globe, uma seção de análise semanal das notícias na qual eu tinha previamente feito publicações, ficou apreensiva sobre cobrir o assunto dos OVNIs. Isso compreensivelmente a enervou, mas, após muita discussão, ela foi suficientemente corajosa para prosseguir com minha longa história. Fiquei extremamente nervosa sobre “sair do armário” profissionalmente, como uma repórter que Deus me livre! - achou esse assunto tolo digno de atenção. Mas eu sabia que esse era um furo jornalístico, e como poderia eu resistir a isso? Revelei a notícia do Relatório COMETA, exatamente como meu colega francês tinha me pedido seis meses antes, e a estatura dos


generais e dos outros colaboradores autorizando o relato ganhou a batalha, isentando-me do ridículo. Eu mesma incluí análises adicionais baseadas em informações reveladoras enunciadas em documentos oficiais do governo americano relativas a OVNIs e segurança nacional, que apoiavam a perspectiva francesa. Para meu deleite, o artigo foi distribuído através do serviço de notícias do New York Times e captado por jornais de todo o país. Claramente havia interesse nacional. As pessoas que seguiam o assunto OVNIs extasiaram-se com o fato de que pelo menos um jornal de prestígio tinha levado a história a sério, e um funcionário do Congresso até enviou uma carta elogiosa para o Globe. Recebi numerosos e-mails de testemunhas de eventos OVNIs em resposta ao artigo, incluindo alguns pilotos, que nunca até então tinham ousado se apresentar. Meus olhos foram abertos por isso e, agora, eu tinha cruzado aquele ponto em que não há volta. A história apresentava aquela citação inquietante - impressa em preto e branco, clara como as outras histórias do dia com as quais ela estranhamente se misturava - de “máquinas voadoras completamente desconhecidas, com desempenhos excepcionais, que são guiadas por uma inteligência natural ou artificial”, como descritas pelos oficiais franceses aposentados. Ingenuamente, pensava que isso teria de gerar algum tipo de rumor e que outros jornalistas avidamente procurariam saber de onde eu tinha obtido o relatório. Eu sabia que havia um desdém pelos OVNIs em nossa cultura, mas também sabia que essa era uma notícia de última hora, que assumiria um papel de liderança. Surpreendentemente, nada aconteceu. Fui exposta a um outro aspecto deste mundo estranho. Foi o início de um rude despertar, um rito de passagem para a realidade desconcertante de que os OVNIs não podem ser absolutamente reconhecidos, mesmo como simples objetos voadores não identificados que são. Era como se todo mundo estivesse fingindo que eles não existiam. Desde então, a história do Globe solidificou meu interesse e aumentou minha confiança. Focalizei-me na investigação e em chegar a um acordo com esse assunto - um processo que nunca termina. Fundamentalmente, depois de muitos anos de pesquisa e em entrevistas abrangentes com pessoas-chave, aprendi que os OVNIs são um mistério científico genuíno. Tem havido extraordinários avistamentos de OVNIs na América por mais de sessenta anos, muitos por pilotos e pessoal militar, e muitos produzem evidências físicas. Volumes de estudos de caso foram publicados5 por pesquisadores e cientistas qualificados desde os anos 50 do século passado, documentando incidentes com OVNIs por todo o globo e deixando um registro sólido, que pede uma análise posterior por cientistas contemporâneos. As fontes mais acreditadas claramente reconheceram, e estabeleceram repetidamente, que não sabem ainda o que são os objetos - contrariamente às opiniões do público de que os OVNIs, por definição, são espaçonaves extraterrestres. Mas eu tinha sempre de chegar a um acordo com o fato de que esses surpreendentes objetos não identificados de alta performance existem, sem dúvidas - exatamente como os autores do COMETA tinham inequivocamente estabelecido. Há dados suficientes disponíveis para esclarecer isso a qualquer pessoa que decida estudá-los. Porque só isso é tão potencialmente explosivo, que eu não conseguia entender a indiferença gerada entre aqueles que levaram isso suficientemente a sério para se elevarem acima do ridículo, mas que permaneceram indiferentes e desinteressados. Finalmente compreendi - repetidamente, através da pesquisa e publicação de minhas


histórias subsequentes, cada uma das quais se assemelhava a uma notícia avassaladora para mim, mas nunca era suficiente para estimular uma mudança - que a história dos OVNIs não poderia ser apropriadamente contada, e nem o tabu poderia ser ultrapassado, através de pequenas notícias6, não importando quantas delas houvesse. Agora acredito que a única maneira de transmitir a história toda - para realmente dar a notícia sobre a existência dos OVNIs e transmitir o impacto do material para a pessoa ainda não exposta a ele - é através de um livro como este, que inclui algumas das melhores fontes do mundo, contando pessoalmente todos os detalhes. Pequenos informes e citações curtas não podem transmitir uma história desta magnitude. Os capítulos que você vai ler tratarão de questões fundamentais sobre OVNIs, que preocupam tanta gente. O que nós realmente sabemos sobre eles? É realmente possível que alguns desses objetos sejam do espaço sideral? Os pilotos sempre os veem? Como governos e militares lidam com avistamentos? Por que, na América, há tanta negação e exposição ao ridículo no que se refere aos OVNIs? As respostas, sob todos os aspectos, são nada menos que surpreendentes. Como qualquer jornalista faria, eu confiava nas fontes oficiais, documentos liberados através do Ato de Liberdade de Informação, relatos de casos corroborados, evidência física e numerosas entrevistas com testemunhas militares e da aviação, e nos investigadores do governo de todo o mundo. Cheguei a conhecer pessoalmente muitas dessas testemunhas oficiais, e não tive dúvida quanto à credibilidade de seus relatos, que são quase sempre corroborados por outros. Algumas possuíam informação transmitida e me mostraram documentos que não podem ser registrados por causa de sua sensibilidade, e outros documentos fornecidos por fontes muito fidedignas, que não podem ser verificados ou corroborados, mas ainda são valiosos como conhecimento. Também encontrei, entrevistei e conheci numerosas testemunhas civis durante anos, pessoas comuns, com vários estilos de vida, que me impressionaram com seus relatos sinceros e claros de surpreendentes incidentes com OVNIs. Elas também fizeram contribuições essenciais para a busca da compreensão a respeito do fenômeno. Meu papel aqui é de escrever como um observador objetivo e como um guia. Ao mesmo tempo, coloco-me em posição de apoio a um esforço de resolver as muitas questões não resolvidas sobre os OVNIs, mais do que ignorá-las, e em apoio às testemunhas e especialistas que se apresentaram. Ao fazer isso, estou direta e abertamente confrontando atitudes irracionais e má informação. Isso significa que estou praticando uma espécie de “jornalismo de defesa”, algo que eu nunca tive como objetivo e que é o modus operandi de muitos repórteres investigativos, que cavam uma história para servir a uma causa maior. Não sou uma “crente” em relação a qualquer coisa, exceto quanto a fatos, mesmo quando não estão de acordo com nossa visão de mundo estabelecida. O assunto OVNIs é tão não ortodoxo, que mesmo uma abordagem franca e racional pode parecer que se está cruzando uma linha para um território questionável. Fiz o melhor que pude para manter clara, lógica e bem documentada toda essa informação. É por isso que muito deste livro consiste de relatos pessoais de investigadores especialistas e testemunhas, que falarão diretamente de OVNIs, alguns pela primeira vez. Através de suas palavras, os leitores terão, em primeira mão, acesso ao material e podem tirar suas próprias


conclusões. Esses indivíduos, de nove países diferentes, são homens altamente treinados, que se atribuíram o trabalho assustador de confrontar esse fenômeno através de profunda investigação, ou que diretamente o testemunharam, não por qualquer escolha própria. Alguns deles tiveram acesso a arquivos secretos, testemunhas informantes, e o desdobramento de investigações de caso que estavam além do alcance de qualquer jornalista ou qualquer pessoa de fora de seu mundo privilegiado, fechado. Eles se apresentaram coletivamente aqui para dar acesso a todos nós, e explicar o que sabem sobre OVNIs, em sua capacidade profissional como pilotos, funcionários do governo e oficiais militares de alta patente. De um ponto de vista pessoal, cada um foi transformado de um modo ou de outro, algumas vezes muito drasticamente, por esta interação com o “impossível”. Todos ficaram confusos e querem respostas para as mesmas sérias perguntas de todos nós, mas geralmente por suas próprias razões. Cada um deles começou sua relação com o assunto como um cético e, muito embora muitos estejam agora aposentados de seus trabalhos oficiais de investigação dos OVNIs, a maioria não conseguiu se libertar do impulso intenso de querer descobrir o que eles são. Permaneceram envolvidos de várias maneiras. Um deles está planejando dar um curso sobre a história dos OVNIs em uma universidade proeminente; outro é contatado frequentemente pela mídia para dar palestras sobre o assunto; um antigo cientista da NASA comanda um grupo de pesquisa que estuda fenômenos aéreos anômalos; um antigo investigador do governo recebe frequentes ligações em seu celular do pessoal nervoso da Força Aérea que está observando fenômenos estranhos em localizações remotas. Assim, nesse sentido, esses homens não estão realmente “aposentados”. E alguns estão trabalhando como comandantes para linhas aéreas comerciais. Observei que muitos, até mesmo aqueles que cheguei a conhecer bem, hesitavam em revelar o aspecto emocional de suas experiências com os OVNIs. Algumas testemunhas lidam há anos com o impacto de um encontro incompreensível. Meu trabalho era cutucar, tanto quanto eu pudesse, as mentes desses militares reticentes e pilotos da Força Aérea não propensos a revelar seus temores. São homens orientados primeiro para o dever, e o significado de suas afirmações deve ser enfatizado. Esse grupo corajoso está revelando uma história imensa para o mundo. Durante muitos anos, eles todos descobriram uma grande negociação a respeito dos OVNIs, apesar da capacidade do fenômeno de permanecer não identificado, mesmo quando fazia aparições repetidas, tentadoras, nas chamadas ondas, ou engajadas em perseguições do tipo gato-e-rato com pilotos da Força Aérea. Os objetos vêm e vão, algumas vezes deixando um “bip” no radar, uma imagem num filme ou uma impressão no solo. Esse grupo diverso pode fornecer tanto um olhar íntimo e factual deste fenômeno misterioso quanto podemos esperar conseguir como leigos. Nenhum desses escritores foi privado das afirmações dos outros, nem, para minha surpresa, sequer me fez perguntas sobre o que os outros contribui- dores estavam escrevendo. Mesmo assim, há similaridades impressionantes, não apenas em seus próprios relatos dos OVNIs, mas também em suas interpretações, atitudes e ideias de resolução futura. Para mim, essa uniformidade valida a natureza mundial do fenômeno e também mostra que, quando adequadamente investigado, as mesmas conclusões são obtidas não importa onde ocorra a


investigação. Existe uma curiosidade universal, que aumenta com o tempo, sobre o mistério OVNI. Eu o vi crescer e tenho observado um aumento concreto na cobertura que a mídia faz a respeito dos OVNIs, desde que comecei este estudo, dez anos atrás. Quanto mais aprendemos, mais confuso se torna. Muitas pessoas, ainda, continuam a pensar que o assunto se baseia em fantasia ou falsa identidade, ou algum tipo de piada e, portanto, uma perda de tempo. Minha esperança mais profunda é que essas pessoas em particular lerão este livro, do começo ao fim, e chegarão a uma conclusão. Podemos todos concordar, eu assumo, que ninguém pode repudiar um assunto sem saber alguma coisa sobre ele. Fiz o melhor que pude para destilar, de uma imensa quantidade de material, alguns dos fatos mais interessantes e essenciais. Neste país, os OVNIs tornaram-se um assunto nacional no final dos anos 40, quando houve muitos avistamentos de grande interesse e preocupação púbica, que foram amplamente cobertos pela mídia. A Força Aérea Americana assumiu a tarefa de falar desses eventos, complicados pelo início da Guerra Fria, na tentativa de explicar o maior número possível de casos, para desviar a atenção pública do mistério. Por trás dessa cena, o tema levou grande preocupação até os níveis mais altos e a Força Aérea não estava equipada para proteger o público de um fenômeno inteiramente desconhecido, mas aparentemente tecnológico, que poderia ir e vir à vontade. No início dos anos 50, estabeleceuse o Projeto Livro Azul, uma pequena agência que recebia relatos dos cidadãos, investigava tais relatos e oferecia explicações para a mídia e o público. O Livro Azul gradualmente solidificou-se como um esforço de relações públicas com a intenção de desmascarar os avistamentos de OVNIs. Centenas de arquivos se acumularam, e a Força Aérea encerrou o projeto em 1970, terminando todas as investigações oficiais - ou, assim disseram eles publicamente - sem ter encontrado uma explicação para muitos incidentes chocantes com OVNIs. Os casos apresentados por nossos contribuidores ocorreram todos depois do encerramento do Projeto Livro Azul, entre 1976 e 2007. Nosso governo ainda fica de fora da controvérsia em relação aos OVNIs e não tem qualquer política em relação à crescente preocupação. Dentro da estrutura histórica, os próximos capítulos examinarão o papel da CIA no estabelecimento do protocolo para desmascarar os OVNIs: o forte contraste entre a manipulação dos OVNIs por nosso próprio governo e o governo de outros países; as questões relativas à segurança da aviação e a segurança nacional no que se refere aos incidentes com OVNIs; a psicologia do tabu OVNI; e a questão de um encobrimento do governo americano. Grande parte do público americano está se tornando cada vez mais frustrado com o padrão das negações do governo a respeito dos OVNIs, especialmente quando a evidência vem aumentando com o tempo. Como câmaras digitais e telefones celulares são agora coisas comuns, fotos de OVNIs surgem quase todo o dia, embora sejam mais facilmente falsificáveis, tornando a nova tecnologia uma faca de dois gumes. Enquanto novos exoplanetas estão sendo descobertos e os cientistas reconhecem a probabilidade de vida em outros lugares do universo, a demanda pelo estudo do negligenciado fenômeno OVNI tornou-se imperativa. Acho que você concordará, no final da leitura, que há agora renovada esperança de solução do enigma OVNI e também concordará com a importância desse esforço.


DEFININDO O INDEFINÍVEL: O QUE É UM OVNI? É extremamente importante estabelecer bem no início que nem eu nem os outros escritores estamos afirmando que haja veículos espaciais em nossos céus, simplesmente porque não negamos os dados que mostram a presença física de alguma coisa lá. O termo “OVNI” tem sido mal empregado e tornou-se tão parte da cultura popular que sua definição original (e precisa) está quase completamente perdida. Praticamente todo mundo equaliza o termo “OVNI” a veículo espacial extraterrestre e, assim, numa torção perversa do significado, a sigla transformou-se mais em algo identificado do que algo não identificado. A falsa, mas amplamente difundida, suposição de que um OVNI é necessariamente uma espaçonave alienígena é geralmente a razão do termo criar uma gama exagerada e confusa de respostas emocionais. Um reconhecimento da hipótese extraterrestre como válida, embora não provada uma explicação possível digna de um escrutínio científico futuro - é algo inteiramente diferente de abordar o assunto dos OVNIs como se essa descoberta já tivesse sido feita. Historicamente, foi a Força Aérea Americana que, cerca de cinquenta anos atrás, inventou a expressão “objeto voador não identificado” para substituir a popular, mas mais lúgubre, expressão “disco voador”. A Força Aérea definiu um “OVNI” como “qualquer objeto no céu que, por desempenho, características aerodinâmicas ou formas incomuns não se conformam a qualquer aeronave ou míssel atualmente conhecido, ou que não pode ser positivamente identificada como um objeto familiar”. Essa é a definição abraçada por todos os contribuidores deste livro, e a definição empregada por todos os documentos relevantes do governo e relatos oficiais de pilotos. Se um objeto no céu não pode ser identificado, mas nós ainda não podemos excluir a possibilidade do que ele poderia ser, se tivéssemos mais dados, então não é uma verdade desconhecida. Nessa situação, não podemos determinar o que ele é ou o que ele não é. Novamente, um OVNI genuíno, o OVNI com o qual estamos interessados neste livro, é um objeto que, por exemplo, exibe capacidades extraordinárias, que estão além da tecnologia conhecida, ao ser captado pelo radar e observado por inúmeras pessoas qualificadas, e numa tal extensão que dados suficientes são obtidos, bem como estudo suficiente é empreendido para eliminar outras possibilidades conhecidas. Por existir tanta bagagem associado ao termo OVNI, alguns cientistas e outros especialistas empregaram uma nova terminologia para separar estudos sérios daqueles mais frívolos. Em vez de OVNI, alguns de nossos contribuidores escolheram usar “fenômenos aéreos não identificados” ou “FANI”. Richard Haines, antigo cientista sênior da NASA e especialista em segurança da aviação, define FANI da seguinte maneira: O estímulo visual que produz um relato de avistamento de um objeto ou luz vista no céu, a aparência e/ou dinâmica de voo que não sugere um objeto voador lógico, convencional, e que permanece não identificado após íntimo escrutínio de toda evidência disponível, por pessoas que são tecnicamente capazes tanto de fazer uma identificação técnica completa, bem como uma identificação baseada no senso comum, se uma for possível7. No contexto deste livro, os termos OVNI e FANI significam essencialmente a mesma coisa


e serão usados indistintamente, embora alguns autores prefiram usar um ou outro exclusivamente. “FANI” sugere um escopo mais amplo, incorporando talvez uma gama maior de fenômenos, que, por exemplo, podem não parecer ser um objeto voador. Não importando qual a sigla usada, o fenômeno é frequentemente imóvel ou flutuante, não voador, e algumas vezes é visto simplesmente mais como luzes incomuns do que um objeto sólido, especialmente à noite, quando a iluminação brilhante subjuga a observação de qualquer estrutura física. FANI mantém a clareza de que esses objetos e luzes podem representar muitos tipos de fenômenos que se originam de fontes diversas. Um segundo ponto fundamentalmente importante é que cerca de 90 a 95% dos avistamento de OVNIs podem ser explicados. Nos 5 a 10% restantes, uma vez que se tenha determinado que um objeto é genuinamente um OVNI pelos padrões apropriados, então tudo o que sabemos é que não é algo natural ou feito pelo homem, ou uma fraude definitiva, o que, infelizmente, ocorre muito. Exemplos de fenômenos algumas vezes confundidos com OVNIs são: balões metereológicos, sinalizadores, balões, aviões voando em formação, aeronaves militares secretas, pássaros refletindo o sol, aviões refletindo o sol, dirigíveis, helicópteros, o planeta Vénus ou Marte, meteoros ou meteoritos, lixo espacial, satélites, parélios, cristais de gelo, luz refletida por nuvens, luzes no solo ou luzes refletidas sobre uma janela de cabine, inversões de temperatura, nuvens de perfuração; e a lista continua! Sim, a grande maioria dos relatos geralmente pode ser explicada por alguma dessas coisas, mas, naturalmente, estamos interessados naqueles que não o podem. Segue-se, portanto, que aquela pergunta frequentemente feita: “Você acredita em OVNIs?” realmente não tem base, mas é geralmente feita e cria problemas intermináveis de comunicação. Realmente não faz sentido, porque sabemos que objetos não identificados existem, são oficialmente documentados e definidos como tal pela Força Aérea Americana e de outros governos ao redor do mundo. Por mais de cinquenta anos, a realidade dos objetos voadores não identificados não constituiu objetos de crença ou questão de fé, opinião ou escolha. Antes, ao usarmos a definição correta de OVNIs, é uma questão de fato. Do mesmo modo que com os objetos identificados - tais como aviões, mísseis e outros tipos de equipamento feitos pelo homem - estes objetos não identificados também podem ser fotografados, criar retornos de radar, deixar marcas no solo e ser observados e descritos por múltiplas testemunhas independentes em localizações separadas. Em termos de crença, o interrogador está realmente perguntando: “Você acredita em espaçonaves alienígenas?” Essa é uma questão inteiramente diferente. Para abordar racionalmente o assunto OVNIs, precisamos manter a posição agnóstica em relação à sua natureza ou origem, porque simplesmente não sabemos ainda a resposta. Ao sermos agnósticos, estamos dando um passo enorme. Assim, frequentemente, o debate sobre OVNIs alimenta duas polaridades, ambas representando posições insustentáveis. De um lado, os “crentes” proclamam que os extraterrestres chegaram do espaço e que nós já sabemos que os OVNIs são veículos alienígenas; e, do outro lado, os “desmistificadores” argumentam com agressividade que os OVNIs não existem. Essa batalha contraprodutiva tem infelizmente dominado o discurso público há muito tempo, aumentando a confusão e criando uma distância maior da abordagem científica (para o agnóstico). O ceticismo como princípio é a premissa fundamental deste livro. O astrofísico Bernard


Haisch, antigo editor científico do The Astrophysical Journal e do The Journal of Scientific Exploration, define o verdadeiro cético como “aquele que pratica o método do não julgamento, está engajado no raciocínio racional e desapaixonado como exemplificado pelo método científico, mostra vontade em considerar explicações alternativas sem preconceito baseado em crenças anteriores, e que busca evidência e cuidadosamente investiga sua validade”. Convido você a olhar o material apresentado aqui pela perspectiva de um agnóstico - objetivamente, com mente aberta e verdadeiramente cética. Agora podemos iniciar uma jornada fascinante. Apresentarei alguns dos materiais mais poderosos, que muito profundamente me impactaram durante meu próprio processo de exploração e descoberta. Durante esse processo, os outros escritores e eu pedimos ao leitor para considerar a veracidade dos seguintes pontos. A serem revisados no final do livro, que destilei dos meus dez anos de exame cuidadoso do assunto OVNI. Estas cinco premissas são completamente avaliadas e ilustradas pela evidência ao longo de todo o livro: (1) Existe em nossos céus, no mundo todo, um fenômeno físico sólido, que parece estar sob

controle inteligente e é capaz de velocidades, manobrabilidade e luminosidade além da tecnologia comumente conhecida. (2) Incursões de OVNIs, frequentemente em espaço aéreo restrito, podem causar riscos à segurança da aviação e aumentar a inquietação quanto à segurança nacional, muito embora os objetos não tenham demonstrado abertamente atos hostis. (3) O governo americano rotineiramente ignora os OVNIs e, quando pressionado, libera explicações falsas. Sua indiferença e/ou rejeições são irresponsáveis, desrespeitosas, com testemunhas dignas de confiança e frequentemente especializadas, e potencialmente perigosas. (4) A hipótese de que os OVNIs são de origem extraterrestre ou interdimensional é razoável e precisa ser levada em conta, segundo os dados que temos. Porém, a origem e a natureza reais dos OVNIs ainda não foram determinadas pelos cientistas e permanecem desconhecidas. (5) Dadas suas implicações potenciais, a evidência pede uma investigação científica sistemática envolvendo o apoio do governo americano e cooperação internacional. Acredito que, depois de ler este livro, o leitor perspicaz aceitará - ou pelo menos reconhecerá como plausíveis - essas cinco posições como notáveis ou inconcebíveis conforme pareceram no início. Leslie Kean Nova York


PARTE 1

OBJETOS DE ORIGEM DESCONHECIDA

“Toda verdade passa por três estágios. Primeiro, ela é ridicularizada; segundo, é rejeitada com violência; e terceiro, é aceita como evidente por si própria” Arthur Schopenhauer


CAPÍTULO 1 - Aeronave Majestosa com Poderosos Holofotes Radiantes

Começamos esta investigação sobre uma base muito sólida, com a crônica em primeira mão de um Major General sobre um dos mais vívidos e bem documentados casos de OVNIs que já existiu. O que você irá ler demonstrará a materialidade dramática e muito misteriosa dos OVNIs - neste caso, aqueles que foram incomumente ousados. Embora algumas partes possam soar como ficção científica, elas não são. O fato é que objetos flutuantes ou deslizantes, geralmente triangulares, foram vistos por milhares de pessoas e investigados por cientistas das universidades e funcionários do governo e, contudo, nunca foram explicados. Deixaram impressões em filmes e, ainda que virtualmente impossível de serem detectados por radar, dispararam o lançamento de F-16s da Força Aérea em ansiosa perseguição. Os avistamentos ocorreram em uma “onda” de mais de dois anos sobre a Bélgica, iniciando-se no final de 1989. Para iniciar a exploração deste livro sobre o fenômeno OVNI, o Major General belga Wilfried de Brouwer, agora aposentado, forneceu um relato exclusivo que inclui algumas respostas pessoais, que ele nunca expressou antes. Como chefe da Divisão de Operações do Staff Aéreo, o então Coronel de Brouwer desempenhava um papel importante, junto a funcionários de outros ramos do governo, na mobilização de vários departamentos para tentar identificar os estranhos intrusos que viviam se mostrando de maneira não anunciada sobre as cidades e o campo. “Centenas de pessoas viram urna aeronave triangular majestosa com uma extensão de aproximadamente cento e vinte pés (mais de 3.600 metros), com poderosos holofotes radiantes, movendo-se muito lentamente, sem fazer qualquer ruído significativo, mas, em vários casos, acelerando a velocidades muito altas”, disse de Brouwer publicamente alguns anos atrás, descrevendo apenas a primeira noite da onda. Numerosos oficiais de polícia estavam entre o grupo inicial de testemunhas, reportando de diferentes localizações, conforme múltiplas aeronaves deslizavam, pairavam e iluminavam os campos ao longo de suas rotas - os mesmos oficiais que tinham gracejado descaradamente quando houve o primeiro chamado de rádio sobre os avistamentos. E os estranhos objetos continuaram voltando, por alguma razão insondável, a se mostrar sobre o calmo território da Bélgica. O Coronel de Brouwer recebeu a tarefa de lidar com a onda de OVNIs pelo ministro da defesa do país, Guy Coéme. Depois de passar vinte anos como piloto de combate da Força Aérea Belga, de Brouwer tinha sido indicado para o ramo de Planejamento Estratégico da OTAN, em 1983, como coronel. Ele, então, tornou-se Comandante da Ala de Transporte da Força Aérea Belga e, em 1989, chefe da Divisão de Operações do Staff Aéreo. Promovido a Major General em 1991, tornou-se Delegado Chefe de Staff da Força Aérea Belga, no cargo de operações, planejamento e recursos humanos. Começando em 1995, após sua aposentadoria da Força Aérea, ele trabalhou por mais de dez anos como consultor das Nações Unidas, para melhorar as capacidades de resposta rápida da Logística da ONU durante emergências. Homem de grande integridade e responsabilidade, de Brouwer estava determinado a fazer tudo o que pudesse para descobrir o que estava invadindo o espaço aéreo belga e repetidamente cometendo infrações às regras básicas da aviação. Encontrei, pela primeira vez, o General de Brouwer pessoalmente ao arranjar sua viagem


para Washington, DC, em novembro de 2007, para falar em uma conferência internacional de imprensa, que eu tinha organizado com o cineasta James Fox. Nós reunimos um painel de antigos oficiais militares de alta patente e funcionários do governo e da aviação de sete países, para falar à imprensa sobre incidentes e investigações de OVNIs, e que foi filmado para um novo documentário. Também queríamos dar a esses corajosos palestrantes a oportunidade de encontrar suas contrapartes de outros países e conversar privadamente por um período de dias. Muitos contribuidores deste livro se encontraram então pela primeira vez. O General de Brouwer é extremamente preocupado com a precisão factual, conservador em suas estimativas e meticuloso na atenção aos detalhes. É um homem que não tira conclusões precipitadas, nem tende ao exagero ou embelezamento. Ele se preocupa em salvaguardar o relato preciso dos acontecimentos na Bélgica, apesar da passagem do tempo. “Recentemente, quando estava na internet, descobri um acúmulo de informações erradas sobre a onda de OVNIs na Bélgica”, escreveu-me ele em um e-mail, enquanto trabalhávamos na edição de seu longo texto. “Isso me levou a reagir; não posso aceitar que os chamados pesquisadores venham com afirmações baseadas em informação incorreta. Testemunhos de centenas de pessoas são negligenciados e são feitas tentativas para convencer as pessoas que as observações não foram nada mais do que equívocos de aeronaves comuns. Também as afirmações oficiais do Ministro da Defesa e da Força Aérea foram negligenciadas ou mal interpretadas por estes pesquisadores.” Em uma de nossas conversas mais recentes, pedi ao general para refletir sobre sua experiência durante a onda OVNI de vinte anos atrás - que ele diz que foi única, mas também frustrante, uma vez que foram incapazes de identificar a aeronave invasora. O que mais o impressionou foi a extrema sinceridade das testemunhas com as quais falou, muitas das quais eram “intelectuais altamente qualificados, genuinamente confusos com o que tinham visto e convencidos de que não estavam lidando com tecnologia convencional”. Infelizmente, frequentemente tinham medo de vir a público, por causa do estigma ligado aos OVNIs. “Uma pessoa, que eu conhecia há anos, trabalhava na OTAN naquela época”, disse de Brouwer. “Ele estava tão surpreso, que não ousava mencionar isso para ninguém, nem mesmo para sua esposa. Ele apenas falou de sua experiência para mim com a condição de que eu não revelasse seu nome.” Tive a boa sorte de conversar com uma testemunha especialista, de posição bastante elevada, que não se conteve, apesar dos riscos. O coronel André Amond, um engenheiro civil aposentado, era o diretor de infraestrutura militar do Exército belga e também, antigamente, responsável por questões de impacto ambiental do Exército a nível do Estado Maior, cooperando intimamente com oficiais americanos. Como relata De Brouwer no próximo capítulo, Amond e sua esposa olharam amplamente para uma dessas máquinas de voo baixo, enquanto dirigiam por uma estrada e estacionavam no acostamento. Amond não teve absolutamente nenhuma dúvida sobre a natureza excepcional daquilo que viu. Com total convicção, ele percorreu todo o caminho para o topo, registrando um relatório escrito e fornecendo uma série de desenhos para o Ministro da Defesa belga. No que lhe diz respeito, o coronel Amond foi capaz de eliminar todas as explicações possíveis para o objeto, e afirma que era alguma espécie de “veículo aéreo desconhecido”. Ao refletir sobre esse evento duas décadas depois, ele escreveu em um e-mail: “Ainda não há hoje


qualquer explicação! Isso foi uma pena, porque eu queria saber antes de morrer. Dê uma explicação correta de meu avistamento. Isso é tudo o que posso pedir”. Ele fala de milhares de outros que nunca tinham pensado em OVNIs antes de terem a experiência de ver um. Para muitos, o efeito disso perdura por toda a vida. Para ter compreensão plena do significado da evidência a ser apresentada pelo General de Brouwer, precisamos reconhecer as circunstâncias especiais desta série extraordinária de eventos. A maioria dos casos de OVNIs não é de “ondas” e não oferece tantos dados como este o fez. Geralmente eles envolvem um único incidente e naturalmente são mais difíceis de documentar e investigar. As muitas centenas de relatos vívidos e consistentes coletados ao longo do tempo na Bélgica - acumulados e investigados por um grupo de cientistas que trabalhava com a Força Aérea - criaram oportunidades para a detecção por radar e outras aplicações técnicas que beneficiam a preparação avançada. O grande número de avistamentos aumentou a probabilidade de se obter fotos e vídeos válidos. Os militares tiveram o tempo adequado para ter acesso e testar uma gama de opções do que poderiam ser os objetos, que poderiam ser verificadas ou eliminadas com base em investigações oficiais, tais como se havia qualquer helicóptero no ar em uma determinada hora. Oficiais poderiam se preparar para futuras visitas de OVNIs, treinando especialistas em radar para lidar com esses alvos excepcionais e aprontando jatos da Força Aérea para serem lançados no momento da notícia. Conforme os eventos se desenrolaram por meses e anos na Bélgica, todas as explicações mundanas e convencionais foram descartadas. Tornou-se muito claro o que os objetos não eram, mas ainda não estava claro o que eles eram. Finalmente, a única opção possível que restou, não importa o quão remota seja, era que os objetos fossem caças F-117A Stealth ou outras aeronaves militares secretas americanas, enviadas em algum tipo de exercício clandestino experimental. O General de Brouwer achava extremamente improvável que aeronaves secretas pudessem ser enviadas em voos repetidos sobre a Bélgica sem qualquer notificação oficial, em violação às normas aéreas, uma vez que nenhum pedido de sobrevoo por parte da Força Aérea Americana foi recebido. Ele também tinha consciência de que as habilidades tecnológicas apresentadas pelos objetos estavam além da capacidade mesmo de aeronaves experimentais - o que, o general aponta, ainda é o caso hoje. Contudo, ele perguntou à Embaixada americana em Bruxelas e à OTAN, através de contatos informais com seus adidos. A resposta foi exatamente a que ele esperava. E os resultados desse inquérito foram descobertos em um documento do governo americano, confidencial naquela época, mas liberado através do Ato de Liberdade de Informação. O memorando “Bélgica e a Questão OVNI”, de março de 1990, observa que De Brouwer perguntou se os objetos eram aeronaves militares B-2 ou F-117, afirmando que ele fez a pergunta apesar de saber que “as alegadas observações não correspondiam de maneira nenhuma às características observáveis das aeronaves americanas”. O documento posterior afirma que “a USAF (Força Aérea Americana) confirmou à BAF (Força Aérea Belga) e ao MOD belga (Ministro da Defesa) que nenhuma aeronave Stealth da USAF estava operando na área de Ardennes8 durante os períodos em questão”. De Brouwer contou-me que um oficial americano assegurou-lhe privadamente que os Estados Unidos não tinham um “programa sinistro” que pudesse ter causado esses múltiplos avistamentos.


Em 1992, o Ministro da Defesa belga, Leo Delcroix, confirmou isso uma vez mais, ao responder uma carta de um pesquisador francês. “Infelizmen- te, nenhuma explicação foi encontrada até hoje”, escreveu ele. “A natureza e origem do fenômeno permanecem desconhecidas. Uma teoria pode ser definitivamente descartada, porém, uma vez que autoridades americanas garantiram às Forças Armadas Belgas que nunca houve qualquer tipo de teste de voo americano9.” Esse é um ponto importante a se ter em mente, quando se lê os relatos de testemunhas fornecidos por De Brouwer. Ficamos presos a um sério dilema. Os militares de algum país tinham testado aeronaves novas extremamente avançadas desde a metade dos anos 70, que foi quando relatos de tais aeronaves triangulares começaram? A Bélgica tinha sido escolhida como lugar para testes de voos repetidos, monitorados de uma base secreta em algum lugar? O bom senso nos diz que, se um governo desenvolveu imensas aeronaves, que podem flutuar sem movimento a apenas algumas centenas de metros do solo, e então disparar em alta velocidade num piscar de olhos - tudo sem fazer qualquer ruído -, tal tecnologia teria revolucionado tanto a viagem aérea e a guerra moderna quanto, provavelmente, a física também. Nas duas décadas seguintes à onda belga, os Estados Unidos envolveram-se em três guerras. Se tivessem tais capacidades avançadas, eles certamente as teriam colocado em uso. Se algum governo estava, secreta e inexplicavelmente, voando essa maravilha sobre a Bélgica, teria que ter mentido para as autoridades belgas quando inquirido e, assim, teria rompido a parceria entre os membros da OTAN, que se baseia em respeito e confiança mútuos. E cada pessoa envolvida com a criação e voo desta aeronave altamente avançada teria tido que manter em segredo a tecnologia milagrosa e seus repetidos testes de voo - de fato, ninguém se apresentou e nada sobre esse empreendimento nunca vazou. Contudo, nas mentes de alguns, isso permanecerá como uma possibilidade, não importa quão improvável seja. No que se refere ao General de Brouwer, essa possibilidade foi completamente descartada. Assim, em sua mente, o que restou? “Estou abordando o assunto FANI de maneira pragmática. Reduzo-me aos fatos e evito extrapolações para possíveis atividades extraterrestres”, respondeu o General por e-mail. “Contudo, encorajo a pesquisa científica, que deve se basear na análise objetiva de uma série de observações relatadas durante a onda belga. Essa pesquisa não deve excluir a opção extraterrestre.” Finalmente, quero indicar a significância de fotografias coloridas, em close-up, de um objeto não identificado que De Brouwer apresentará - uma das imagens mais reveladoras de OVNI de todos os tempos. Os leitores poderiam perguntar, com razão, por que não há mais fotos e vídeos inequívocos dos objetos na Bélgica, já que foram muitos os avistamentos. Em parte, isso se deve às exigências estritas das autoridades em relação à aceitação de fotografias; seus métodos de triagem eliminaram todas as imagens questionáveis e inverificáveis. Além disso, é fácil esquecer que, vinte anos atrás, ainda não estavam em uso câmeras de vídeo, câmeras digitais relativamente baratas e telefones celulares. Muito frequentemente, as pessoas não carregavam consigo câmeras manuais naqueles tempos imprevisíveis, em que os OVNIs passavam sobre as cabeças, enquanto dirigiam. Em minhas conversas com muitas testemunhas de OVNIs ao longo dos anos, aprendi que ao observarem alguma coisa terrível e algumas vezes assustadora, como um OVNI gigantesco em voo baixo, as pessoas se tornam quase petrificadas. Estão vendo algo que supostamente não existiria, algo ameaçador, imenso e


silencioso, previamente inimaginável. A maioria não tira os olhos dessa coisa de outro mundo, exceto talvez para rapidamente reunir os membros da família ou os amigos. Elas ficam olhando fixamente, e a distração de tirar uma fotografia não está em suas mentes. A aeronave geralmente vai embora tão logo esteja fora de vista. Elas não querem correr para procurar uma câmera dentro de casa, ou abrir uma mala, no porta- malas do carro, para achar uma, ou se preocupar se a máquina tem filme. O momento é muito incomum e empolgante. Mesmo quando uma foto é tirada, nem sempre vem a público. Se as luzes estão a alguma distância e a exposição é muito curta, não aparece nada. Também, outras características dos OVNIs podem inibir o registro de suas luzes brilhantes no filme. Em um caso, um produtor de filmes belga, junto com dois colegas, usando um filme de alta sensibilidade, fotografou um dos objetos que passava diretamente sobre suas cabeças. O fotógrafo estimou sua altitude como de aproximadamente 300 metros, com um diâmetro de seis vezes aquele de uma lua cheia. Como um controle, ele fotografou um avião comum alguns minutos depois, usando as mesmas definições da câmera. Nas fotos, porém, os “holofotes” brilhantes do OVNI, que eram para os olhos do observador muito mais brilhantes do que as luzes de um avião, ficaram muito pouco discerníveis. A forma triangular do OVNI, claramente visível a olho nu, também se perdeu no filme. Ao mesmo tempo, as luzes do avião ficaram muito mais brilhantes do que aquelas do OVNI, aparecendo exatamente da maneira que eles tinham visto do solo, muito embora o OVNI estivesse muito mais perto dos observadores do que o avião. Experimentos de laboratório mostram que isso provavelmente se deveu ao efeito da luz infravermelha ao redor do OVNI, o que pode até causar o desaparecimento do objeto na foto. Essa poderia ser a razão do porquê poucas fotos úteis foram recebidas pelos investigadores durante a onda belga, e porque fotos de OVNIs de confiança não são tão comuns quanto se poderia esperar. Desenhos de testemunhas desempenharam um papel importante, encapsulando detalhes impressos na memória dos observadores imediatamente após os avistamentos. Os investigadores podem, então, fazer comparações entre versões feitas em diferentes localizações, em tempos diferentes ou por múltiplas testemunhas do mesmo evento, visto de pontos diferentes - pessoas que não sabiam umas das outras. “Vai chegar o dia em que, indubitavelmente, o fenômeno será observado com os meios tecnológicos necessários, para não haver nenhuma dúvida sobre sua origem”, comentou o General De Brouwer recentemente. Nesse meio tempo, algo física e tecnologicamente real, contudo completamente desconhecido por nós, repetidamente se inseriu nos céus de toda a Bélgica. Não sabemos de onde surgiu, para onde estava indo ou por que estava lá. Mas o fato de sua existência é suficientemente notável e desafiador para aqueles de nós abaixo dele, incapazes de fazer qualquer coisa a respeito.


CAPÍTULO 2 - A Onda FANI sobre a Bélgica Pelo Major General Wilfried de Brouwer (Aposentado)

Em 29 de novembro de 1989, quando eu era o Chefe de Operações do Staff Aéreo Belga, um total de 143 avistamentos foram relatados em uma pequena área ao redor de Eupen, Bélgica, trinta quilômetros a leste da cidade de Liège e onze quilômetros a oeste da fronteira alemã. Alguns avistamentos relatados foram testemunhados por mais de uma pessoa, o que significa que pelo menos 250 pessoas descreveram a extraordinária atividade FANI, com muitos relatos ocorrendo depois do pôr-do-sol. O tempo estava claro, com céu aberto e boa visibilidade. Dois policiais federais, Heinrich Nicoll e Hubert Von Montigny, fizeram o relato mais importante. Às 15hl5min, ao patrulharem a estrada entre Eupen e a fronteira alemã, eles viram um campo próximo iluminado com tal intensidade que poderiam ler o jornal dentro do carro. Flutuando sobre o campo, havia uma aeronave triangular, com três holofotes iluminando o solo e uma luz vermelha piscando no centro. Sem fazer qualquer ruído, moveu-se lentamente na direção da fronteira alemã por cerca de dois minutos e, então, repentinamente virou-se na direção da cidade de Eupen. Os policiais a seguiram. Outras testemunhas independentes relataram que viram o estranho objeto junto à mesma estrada. Ele permaneceu sobre a cidade de Eupen por aproximadamente trinta minutos e foi visto por numerosas testemunhas adicionais.

O objeto, então, prosseguiu para o Lago Gileppe, onde permaneceu imóvel, flutuando por aproximadamente uma hora, enquanto Nicoll e Von Montigny sentavam-se em seu carro, numa colina próxima, e testemunhavam um espetáculo extraordinário. A aeronave


repetidamente emitiu dois raios de luz vermelha com uma bola vermelha na ponta de ambos os raios, no plano horizontal. Em seguida, os raios desapareceram e as bolas vermelhas retornaram ao veículo. Alguns minutos depois, um outro ciclo começou; cada ciclo durante vários minutos. Hubert Von Montigny disse que era como um mergulhador lançando uma flecha de uma arma sob a água, que desacelerava no final de sua trajetória e, em seguida, era recuperada pelo mergulhador11. Mas houve mais ainda. De repente, às 18h45min, os policiais viram uma segunda aeronave, que surgiu por trás do bosque e fez uma manobra inclinada para frente, expondo a parte superior da fuselagem. Eles a descreveram como um domo na estrutura superior, com janelas retangulares acesas no interior. E, então, partiu para o norte. Cerca de quarenta minutos depois, às 19h23min, a primeira aeronave parou de emitir as bolas de luz vermelha e partiu para o sudoeste. Os dois policiais, que estavam em contato por rádio com sua delegacia, souberam que outro FANI tinha sido relatado no norte de Eupen, e eles se dirigiram para um ponto de observação, ao sul da autoestrada E40. Dessa posição, viram o FANI se mover para a cidade de Henri-Chapelle, onde dois outros colegas policiais, Dieter Plummans e Peter Nicoll (sem parentesco com Heinrich Nicoll), viram a aeronave indo na direção de Eupen. Plummans e Peter Nicoll pararam seu carro perto de um mosteiro, quando observaram a aeronave, que tinha três holofotes muito potentes e uma luz vermelha central piscante, a uma distância de 100 metros e a uma altura aproximada de 80 metros. A aeronave estava imóvel e silenciosa, mas repentinamente emitiu um som de assobio e reduziu a intensidade das luzes. Simultaneamente, uma bola de luz vermelha saiu do centro e se dirigiu diretamente para baixo, não longe da posição em que estavam. Os policiais ficaram aterrorizados. A bola de luz mudou de seu caminho vertical para um horizontal e sumiu de vista por trás de algumas árvores. A aeronave, então, foi diretamente para cima do carro de polícia e se dirigiu para o nordeste. Eles a seguiram por aproximadamente oito quilômetros, até o perderem de vista. Contudo, seus colegas Heinrich Nicoll e Hubert Von Montigny - os dois policiais a observar primeiro os objetos algumas horas antes - puderam seguir seus movimentos em sua posição ao sul da estrada. No total, treze policiais relataram ter visto a aeronave em oito localizações diferentes nas vizinhanças de Eupen. Muito civis também viram os objetos.


Por exemplo: uma família de quatro pessoas, dentro de um carro na estrada a oeste de Liège, viu uma plataforma retangular acima deles, visível por causa das luzes da estrada. Eles relataram que ela passou lentamente por sobre eles, a uma baixa altitude, com um holofote em cada canto. Um total de setenta avistamentos relatados em 29 de novembro foram completamente investigados, e nenhum desses avistamentos poderia ser explicado por tecnologia convencional. Considerando que aproximadamente uma pessoa em dez esforçou-se para relatar sua experiência, a equipe de investigadores e eu estimamos que mais de 1.500 pessoas devem ter visto o fenômeno em mais de setenta locais, de diferentes ângulos, durante aquela tarde e noite.


Depois dos avistamentos iniciais em 29 de novembro, uma série de avistamentos ocorreu em Io de dezembro (quatro observações) e 11 de dezembro de 1989, quando vinte e uma testemunhas relataram descrições similares de uma aeronave triangular. Em 1o de dezembro, o meteorologista Francesco Valenzano e sua filha pequena, caminhando pela praça Nicolai, em Ans, perto de Liège, viu uma grande aeronave, que se movia lentamente, aproximando-se em baixa altitude. A aeronave deu uma volta sobre a praça sem fazer qualquer ruído e, quando passou diretamente sobre suas cabeças, Valenzano observou uma forma de delta, com três luzes colocadas em posição triangular e uma luz vermelha no meio posicionada mais abaixo do que a estrutura inferior da aeronave. Em 11 de dezembro, um garoto de dozes anos, junto com seus pais, avós e irmã, testemunhou uma aeronave semelhante na vizinhança de sua casa por aproximadamente quinze minutos. No início, ela estava imóvel e, depois, começou a se mover em direção à sua casa, passando verticalmente por cima dela. O desenho do garoto apresenta uma visão frontal (abaixo, à direita), uma visão de quando ela estava quase passando por cima (abaixo, à esquerda) e uma visão de quando ela estava totalmente por cima (topo). As formas diferentes poderiam explicar porque algumas testemunhas relataram uma aeronave que não era triangular. De fato, o desenho mostra que a percepção da forma pode variar dependendo do ângulo de observação e da altitude.


Cerca de quinze minutos depois, uma aeronave semelhante foi observada a aproximadamente 97 km mais para o oeste, e vários relatos subsequentes se seguiram. Às 18h45min, o Coronel André Amond, um engenheiro civil do Exército belga, estava dirigindo com sua esposa, quando ambos viram três painéis grandes de luz e uma luz vermelha piscante à direita deles. Ele estava dirigindo mais rápido que a aeronave, mas quando pararam e desceram do carro para observar o fenômeno, os painéis de luz os atingiram e viraram-se na direção deles. Repentinamente, eles viram um holofote gigante, cerca de duas vezes o tamanho da lua cheia, que se aproximou deles até uma distância estimada de 100 metros. A esposa do coronel ficou assustada e pediu para irem embora. Enquanto ele abria a porta do carro, a aeronave fez um giro muito apertado para a esquerda a uma velocidade de aproximadamente 10 milhas por hora e três outras luzes apareceram na parte inferior da aeronave, numa forma triangular, com uma luz central pulsante. Não havia som e, embora fosse noite de lua cheia, as testemunhas não viram a estrutura da aeronave. Depois de completar o giro, ela repentinamente acelerou muito rapidamente, desaparecendo na escuridão da noite. O Coronel Amond enviou um relato detalhado ao Ministro da Defesa belga. Ele verificou que essa aeronave não era um holograma, um helicóptero, uma aeronave militar, um balão, um ultraleve motorizado, ou qualquer outro veículo aéreo conhecido. Durante uma recente revisão da investigação, viu-se que uma outra testemunha tinha visto o objeto com três luzes brilhantes e uma luz vermelha pulsante aproximadamente cinco minutos antes de Amond e sua esposa. O tempo exato poderia ser reconstruído, porque ela estava indo para casa de trem, que chegou à estação ferroviária de Ernage vinte minutos antes


dos Amond virem a aeronave. Em 4 de abril de 1990, às 22h, na cidade de Petit-Rechain, uma senhora estava passeando com seu cão pelo quintal, quando observou os holofotes de uma aeronave flutuando sobre sua casa. Ela alertou seu companheiro, que correu para fora com sua câmera recém-comprada. A câmera estava carregada com slides coloridos, mas apenas duas imagens foram captadas pelo filme. Encostando-se ao muro para evitar a instabilidade, ele tirou duas fotografias. A primeira com tempo de exposição manual de um a dois segundos, enquanto a aeronave estava se inclinando para a esquerda. Em seguida, começou a se mover e desapareceu de vista por trás das casas próximas. Depois de revelar o filme, o fotógrafo viu quatro pontos de luz em um slide e nada no segundo, que ele descartou. Várias semanas depois, ele mostrou a foto restante a seus colegas metalúrgicos durante seu horário de almoço na fábrica. Um de seus amigos entrou em contato com um jornalista local, que publicou a foto numa revista francesa. Daí, especialistas da academia militar belga foram notificados e requisitaram o slide original para análise. Uma equipe sob a direção do Professor Marc Acheroy descobriu que uma forma triangular tornava-se visível quando o slide sofria superexposição. Depois disso, o slide colorido original foi posteriormente analisado por François Louange, especialista em imagens via satélite do centro de pesquisa espacial nacional francês, CNES, pelo Dr. Richard Haines, antigo cientista sênior da NASA, e finalmente pelo Professor André Marion, doutor em física nuclear e professor da Universidade de Paris-Sul e também do CNES. Os achados principais foram: • Nenhum efeito de radiação infravermelha. • Nenhuma indicação de qualquer adulteração no slide. • A câmera estava estável, mas a aeronave movia-se lentamente e tinha uma inclinação de

cerca de 45 graus quando a foto foi tirada. • A rotação dos holofotes não ocorreu ao redor de um ponto central. • A luz do meio era muito diferente das outras três luzes. • As luzes estavam posicionadas simetricamente em relação à estrutura da aeronave. Uma análise mais recente do Professor Marion, em 2002, usou tecnologia mais sofisticada. Ele confirmou os achados anteriores e explicou uma nova descoberta: o tratamento numérico da fotografia revelou um halo de alguma coisa mais brilhante ao redor da aeronave. Processos ópticos especiais mostram que, dentro do halo, as partículas de luz formam um certo padrão ao redor da aeronave, semelhantes a flocos de neve em turbulência. Isso é bastante similar ao padrão de limalhas de ferro que são causados por “linhas de força” em um campo magnético12. Isso poderia indicar que a aeronave estava se movendo usando um sistema de propulsão magnetoplasmadinâmico, como sugerido pelo Professor Auguste Meessen13 em um de seus estudos. Muitos elementos ocultos foram revelados apenas através da análise dessa fotografia, mostrando que a foto não era falsa. Os especialistas observaram especificamente que as características únicas das luzes eram muito específicas, e disseram que tal efeito não ocorreria se a foto fosse uma fraude14. Também, os achados dos especialistas eram consistentes com o


relato do fotógrafo, que, inicialmente, não gostou muito de sua foto de quatro estranhas luzes e a manteve em uma gaveta por semanas, antes de mostrá-la a alguém. Ele não estava certo do que era e, durante um tempo, não pensou muito nela. Embora a grande maioria dos relatos descrevesse uma aeronave triangular com três holofotes e uma luz piscante na parte inferior, como foi capturado na foto de Petit-Rechain, várias testemunhas relataram formas e características muito especiais. Em 22 de abril de 1990, sete relatos de triângulos foram apresentados e mais um relato mais incomum feito por dois trabalhadores em Basècles, a sudoeste de Bruxelas. Eles estavam no pátio da fábrica, pouco antes da meia-noite, quando repentinamente dois enormes holofotes brilhantes apareceram, iluminando o pátio. Uma imensa plataforma trapezóide movia-se muito lenta e silenciosamente, ligeiramente acima da chaminé, cobrindo, em certo ponto, o pátio inteiro (100 x 60 metros) Os dois homens descreveram seis luzes e disseram que a cor do objeto era acinzentada. Eles viram estruturas na parte de baixo da plataforma, que lhes pareceu como “uma aeronave de transporte virada de cabeça para baixo”. Outro avistamento peculiar, notavelmente semelhante a esse da fábrica em Basècles, ocorreu em 15 de março de 1991, em Auderghem, perto de Bruxelas. Um engenheiro eletrônico acordou durante a noite e ouviu um assobio de alta frequência quase inaudível. Olhou pela janela e viu uma grande aeronave retangular, a uma baixa altitude, com estruturas irregulares na parte ventral. Vestindo uma jaqueta, ele subiu para um terraço no andar de cima e assistiu a aeronave cinza escuro se movendo muito lentamente sem as luzes. O assobio tinha parado e a aeronave estava, então, silenciosa. Alguns dias antes, em 12 de março de 1991, um total de vinte e sete relatos foram feitos em uma pequena área a sudoeste de Liège. Em duas ocasiões, uma aeronave foi vista sobre a usina nuclear de Thiange. Uma testemunha relatou que estava diretamente acima das luzes vermelhas no topo de uma das enormes chaminés. Ela flutuou ali por aproximadamente um minuto, lançando uma de suas luzes sobre a estrutura externa, enquanto a outra luz apontava diretamente para uma das chaminés. Depois de terminar sua “inspeção”, o OVNI começou a se mover lentamente e voou diretamente através da enorme nuvem de fumaça branca que saía da chaminé antes de desaparecer na escuridão.


Ocasionalmente, uma aeronave parecia responder à presença ou ações dos observadores, como descrito anteriormente, quando o Coronel Amond saiu de seu carro e o objeto imediatamente se aproximou. Em 26 de julho de 1990, às 22h35min, o Sr. e a Sra. Marcei H. estavam também em seu carro, passando por Grâce-Hallogne e se dirigindo para Seraing, quando olharam para fora e viram um objeto imóvel no céu. Tinha a forma de um triângulo equilátero com cerca de doze metros de lado. Era um objeto escuro, mas tinha um cinturão de luz branca, semelhante a um tubo de neon, correndo ao longo de dois dos lados. As testemunhas puderam ver três holofotes iluminando o solo à frente. Os holofotes pareciam estar afastados do objeto, mas ligados um ao outro por uma espécie de “suporte”. Também eram visíveis duas luzes piscantes, uma vermelha e outra verde, na parte inferior da aeronave. A base - o lado com os dois holofotes brancos - estava voltada na direção deles.

Surpreso, o Sr. H. disse para sua esposa: “Só de brincadeira, vou piscar os faróis do carro”. Ele piscou os faróis duas vezes - ligando e desligando, ligando e desligando. No mesmo momento, as duas luzes brancas da base do triângulo giraram, voltando-se para os dois passageiros do carro abaixo, piscando três vezes. A iluminação era brilhante, mas não cegante. Então, mantendo as luzes voltadas para o carro em movimento, o objeto foi em direção ao veículo, movendo-se com a base para frente, posicionando-se à direita, a uma distância de aproximadamente 100 metros e a uma altura entre 60 a 100 metros.


(É interessante que o Coronel Amond também relatou uma distância de 100 metros depois que o objeto se aproximou.) E, então, fez um giro lateral e, ainda se movendo com sua base para a frente, voou na mesma direção do carro, seguindo-o enquanto ele descia a estrada montanhosa na direção de Seraing. Embora a colina fosse bastante íngreme, o OVNI moveu-se acompanhando o terreno e manteve-se em altura constante acima do solo em declive, voando à mesma velocidade do carro [60 - 70 km/h]. Quando chegaram à ponte em Seraing, o Sr. e Sra. H. estavam bem assustados. Finalmente, o objeto cruzou o rio Meuse, bem à direita deles, sem fazer qualquer ruído, e então começou a subir, partindo rapidamente na direção de GrâceHollogne. Um livro enorme poderia ser escrito só com os relatos de testemunhas e desenhos reunidos nesses dois anos de pico. Apresentei apenas uma amostra. E posso concluir com confiança que as observações durante o que é agora conhecido como “a onda belga” não foram causadas por histeria de massa. As testemunhas entrevistadas pelos investigadores foram sinceras e honestas. Não conheciam umas às outras anteriormente. A maioria estava muito surpresa com o que tinha visto, e hoje, vinte anos depois, ainda estão preparadas para confirmar sua experiência incomum. A visão do objeto foi assustadora ou aterrorizante; uma delas caiu de sua bicicleta e ficou em choque. Várias testemunhas tiveram problemas em suas funções superiores e preferiram não revelar seus nomes para a mídia. De aproximadamente 2.000 relatos registrados durante a onda belga, 650 foram investigados e mais de 500 permanecem inexplicados. É lógico assumir que muitos milhares mais testemunharam atividades de FANI e não as relataram. Os achados foram excepcionais. Mais de 300 casos envolveram testemunhas vendo uma aeronave a menos de 300 metros, e mais de 200 avistamentos duraram mais de cinco minutos. Algumas vezes, os observadores estavam bem debaixo da aeronave. Embora muitas questões permaneçam sem resposta, a análise mostrou que uma série de características podem ser tidas como certas e algumas conclusões podem ser tiradas. • A maior parte das testemunhas relatou que a aeronave tinha uma forma triangular, mas um


certo número de relatos mencionou outras formas, tais como a de um diamante, a de um charuto, ou a de um ovo e, em alguns casos espetaculares, uma aeronave de transporte virada de cabeça para baixo. • As atividades aéreas relatadas não eram autorizadas e, contudo, foram observadas por muitas testemunhas, embora não tenham sido registradas nos radares de vigilância. • Pode-se deduzir que tanto em 29 de novembro quanto em 11 de dezembro, pelo menos duas aeronaves estavam ativas ao mesmo tempo. Em 29 de novembro, dois policiais relataram duas ao mesmo tempo em diferentes localizações, e também duas formas diferentes foram relatadas. Em 11 de dezembro, as testemunhas relataram ver uma aeronave ao mesmo tempo em duas localizações. • Em várias ocasiões, a aeronave fez uma manobra inclinada, permitindo que os observadores vissem o seu lado superior, revelando um domo no topo. Algumas relataram janelas ou luzes nas laterais do objeto; outras viram janelas iluminadas no domo. • Não foi experimentada nenhuma interferência no rádio, nem efeitos eletromagnéticos. • Nenhum ato hostil ou agressivo foi observado. • Os objetos voadores não tentaram se esconder e, em vários casos, moveram-se em direção aos observadores no solo. Algumas testemunhas relataram que as aeronaves responderam a seus sinais, tais como apagando uma de suas luzes e quando elas piscaram as luzes dos faróis de seus carros. • As aeronaves tinham um desempenho que não era possível para a tecnologia conhecida. Eram capazes de permanecer estacionárias e flutuantes, mesmo em posições incomuns, tais como ficar na vertical e/ou em inclinações de 45 graus ou mais. Podiam voar a velocidades baixas e acelerar muito rapidamente, mais rápido do que qualquer aeronave conhecida, e permaneciam silenciosas ou faziam apenas um ruído muito leve, mesmo quando flutuavam ou aceleravam. Os objetos estavam equipados com holofotes bem grandes, com um diâmetro de mais de um metro, capaz de iluminar intensamente o solo de uma altura de 100 metros ou mais. A integridade dessas luzes era variável - em alguns casos, as testemunhas relataram que as luzes não estavam iluminando o solo e não eram cegantes. Especialistas estão convencidos de que os holofotes são de natureza muito especial; o tamanho e a intensidade não tinham sido vistos em qualquer aeronave conhecida. Esses objetos possuíam uma luz vermelha na parte inferior, em seu lado de baixo, e aparentemente não estava ligada à estrutura, parecendo pulsar mais do que girar. Em três ocasiões, bolas de luz vermelha deixaram a estrutura e, em duas ocasiões, foram vistas retornando à aeronave. • Algumas dessas capacidades de desempenho individuais poderiam ser explicadas isoladamente, mas a combinação de todas elas torna-as altamente incomuns, até mesmo enigmáticas. A tecnologia usada por esses objetos era tão avançada que mesmo hoje, vinte anos depois, ainda não está disponível. • A conclusão mais importante é de que houve atividades de origem desconhecida no espaço aéreo da Bélgica. O número de casos e a credibilidade do vasto número de testemunhas nos deixa com um mistério intrigante nas mãos. Os eventos de 29 de novembro foram extensivamente cobertos pela mídia, e naturalmente a Força Aérea estava sobrecarregada de perguntas. Estas eram endereçadas ao Ministro da


Defesa, mas terminaram em minha mesa de Chefe de Operações do Staff Aéreo. Perguntaramme repetidamente sobre a origem e a natureza desses objetos. A Força Aérea belga tentou identificar os alegados intrusos. Verificamos os registros de radar de 29 de novembro, mas nada de especial tinha sido registrado. Além disso, autoridades da aviação civil confirmaram que nenhum plano de voo tinha sido introduzido e que nenhuma atividade especial tinha sido registrada pelos radares civis. Consegui determinar que os objetos vistos em 29 de novembro não poderiam ter sido helicópteros, dirigíveis ou qualquer outra aeronave de asa fixa. Isso implica que os objetos relatados tinham cometido uma infração das regras existentes da aviação. Estávamos lidando com um problema. Examinei posteriormente para descobrir se esses objetos poderiam ter sido voos de espionagem feitos pelo F-117 Stealth ou por qualquer outro avião semelhante. Por causa dos desempenhos descritos, que não combinavam com qualquer capacidade tecnológica conhecida, fiquei convencido de que esse não era o caso. Também não consegui acreditar que qualquer outra nação teria conduzido experimentos com aeronaves empregando tecnologia desconhecida sobre uma área povoada, sem qualquer autorização formal. Contudo, fiz a pergunta à Embaixada dos Estados Unidos, que rapidamente confirmou que nenhum voo de Stealth ou quaisquer outros voos experimentais tinham ocorrido sobre a Bélgica. Porque não houve nenhuma explicação para os eventos de 29 de novembro e também porque os avistamentos continuaram, concordamos em autorizar o sistema de defesa nacional a liberar dois caças a jato F-16 sempre que atividades anormais fossem relatadas. Os primeiros F-16 foram enviados em 8 de dezembro, depois que luzes estranhas foram relatadas, mas nada definitivo foi determinado. Em cooperação com autoridades da Aviação Civil e da Polícia Federal, a Força Aérea estabeleceu um procedimento pelo qual os F-16 pudessem identificar esses fenômenos. Para assegurar que os caças não fossem liberados irresponsavelmente, decidimos que a autorização para o lançamento de aeronaves do Alerta de Rápida Reação (QRA) fosse dada quando: (1) o avistamento de um objeto fosse confirmado pela polícia, e (2) o objeto fosse detectado pelo radar. Isso significava que as estações de radar tinham de prestar especial atenção em alvos de movimento lento, quando notificada pela observação pela polícia. Isso evitaria lançamentos desnecessários, mas também tinha grandes desvantagens. A maioria das testemunhas não reagiu chamando a polícia ou não foi capaz de ligar suficientemente rápido - os telefones celulares não existiam ainda - para a polícia para confirmar os avistamentos. Também foi problemático para os controladores de radar trabalharem com uma tela altamente atravancada, para serem capazes de registrar alvos incomuns mostrados. Assim, as medidas de precaução impediram subidas rápidas. Como Chefe de Operações do Staff Aéreo, senti-me obrigado a seguir bem de perto os eventos. Porém, não foi dada nenhuma prioridade a isso pelo governo belga, já que nenhum incidente ameaçador tinha ocorrido e nenhum inquérito formal fora conduzido pelos organismos governamentais. Embora o Ministro da Defesa insistisse em uma abordagem transparente, especialmente para mostrar ao público que não havia encobrimentos, a Força Aérea não estava autorizada a estabelecer um escritório dedicado a condução de seus próprios inquéritos. Em vez disso, a Força Aérea dava apoio ao SOBEPS - o grupo de pesquisa


científica que investigava o caso - de qualquer maneira que pudesse, tal como fornecendo informação sobre atividades aéreas registradas sobre as áreas de observação e respondendo a perguntas sobre dados de radar. A SOBEPS abordou a questão profissionalmente e a informação fornecida pela Força Aérea permitiu que a organização fizesse investigações objetivas e arquivasse todos os dados relevantes. Na noite de 30-31 de março de 1990, o lançamento de um F-16 foi iniciado, depois da observação de estranhas luzes por vários policiais e depois que um objeto voador foi confirmado por duas estações militares de radar. Uma vez no ar, os pilotos tentaram interceptar as alegadas aeronaves e em um ponto de alvos registrados pelo radar com comportamento incomum, tais como saltar grandes distâncias em segundos e aceleração além da capacidade humana. Infelizmente, não conseguiram estabelecer qualquer contato visual. O Ministro da Defesa recebeu perguntas sucessivas sobre este lançamento, mas a Força Aérea precisava de tempo para analisar apropriadamente os dados. Fizemos uma coletiva de imprensa cerca de três meses depois, em 11 de julho de 1990. As atividades dos F-16s foram reconstruídas, mas a análise técnica não tinha sido totalmente terminada. Eu apresentei uma determinada situação de radar, que mostrava acelerações extraordinárias, muito além do desempenho de qualquer aeronave conhecida. Contudo, acrescentei que isso precisava de análises posteriores de especialistas, porque esses tipos de retornos poderiam ter sido causados por interferência eletromagnética. Descobriu-se que apenas uma câmera do F-16 tinha feito registros de radar satisfatórios; assim, a comparação entre os registros do avião não foi possível. Este foi um problema sério. Uma comparação teria nos permitido excluir aqueles retornos causados por interferência eletromagnética, porque os dados de tal interferência nunca são os mesmos em dois radares diferentes. Portanto, não conseguiríamos ter certeza se os ecos do radar eram causados por interferência eletromagnética ou por algo incomum. Assim, a conclusão da Força Aérea foi de que a evidência foi insuficiente para provar que havia aeronaves reais no céu naquela ocasião. A decisão da Força Aérea de que a evidência era insuficiente para concluir que havia atividades incomuns no céu, durante aquela noite de 30 de março de 1990, foi alegremente aceita pelos céticos irracionais e pelos desmistificadores, que imediatamente afirmaram que toda aquela onda de OVNIs belgas foi uma farsa. Para eles, um caso explicável seria suficiente para desacreditar os mais de quinhentos avistamentos que permaneciam inexplicáveis - uma posição que ainda é apresentada pela maioria deles hoje. Em 1990, a Força Aérea estabeleceu em diversas ocasiões que não tinha explicação para os numerosos avistamentos. Hoje, os céticos persistentes, que fazem questão de divulgar suas posições, apresentaram a teoria de que eram helicópteros. Na mesma época da onda de OVNIs, a Força Aérea estava trabalhando com autoridades da Aviação Civil e tinha mais de 300 aeronaves - incluindo helicópteros -, várias estações de solo de radar, 500 pilotos, mais de 300 engenheiros, 100 controladores, e milhares de técnicos, etc., mas foi incapaz de encontrar a resposta. Mesmo assim, alguns desmistificadores não qualificados afirmavam ter encontrado essa resposta. Seu real objetivo é dar desinformações às pessoas, criar confusão e ridicularizar os avistamentos. Algumas testemunhas, que fizeram relatos em 1989, são até hoje perseguidas e


desacreditadas. Não admira que várias testemunhas não ousaram revelar seus nomes; algumas nem mesmo assumiram o risco de relatar seus avistamentos. Pessoalmente, experimentei isso com duas pessoas diferentes - um jornalista e um funcionário da OTAN - que conhecia há muitos anos. Eles relataram verbalmente dois avistamentos sensacionais, mas não quiseram [ou ousaram] colocar nada no papel. A abordagem do problema OVNI tem de ser crítica, mas objetiva. De fato, estamos lidando com uma questão muito importante: nosso espaço aéreo está sendo violado por intrusos desconhecidos? Falsas afirmações e desinformação por pessoas que tentam ridicularizar o fenômeno OVNI estão sendo usadas por aqueles que se recusam a aceitar que alguns avistamentos permanecem inexplicáveis e poderiam ser possivelmente alguma tecnologia desconhecida. Tristemente, isso não apenas tem forte impacto sobre as testemunhas, mas também diminui o senso de responsabilidade dentro do governo. Nenhum de nossos líderes políticos quer se envolver com o assunto OVNIs. Sabendo que a vasta maioria da população está mais preocupada com suas necessidades imediatas e de curto prazo, os líderes políticos focalizam a atenção na resolução desses problemas, em oposição a questões estratégicas de longo prazo. Evitam qualquer ligação com OVNIs, porque têm medo de serem ridicularizados e perderem a credibilidade com o público. Parece uma batata quente - não toque nela ou queimará os dedos. A grande maioria dos líderes militares rejeita quase automaticamente qualquer responsabilidade na investigação dos avistamentos de OVNIs, pois isso não figura em seus termos de referência. Devotam todo seu tempo e energia em operações em andamento e não se preocupam com assuntos sobre os quais não têm firme controle. Além disso, se não houver qualquer ameaça direta de fenômenos aéreos não identificados - que eu saiba, nenhum incidente recente de segurança foi relatado -, investigações de avistamentos de OVNIs não estão na lista de prioridades dos comandantes militares, e eles não iniciarão as investigações. Relatos de OVNIs são considerados um entrave, uma interferência nas rotinas normais, que consomem tempo. Uma maneira fácil das autoridades pararem com o fluxo de perguntas irritantes é dar uma explicação falsa para os fenômenos relatados, como já o fizeram inúmeras vezes. Numa certa extensão, essas táticas funcionam no abafamento da questão, em particular se ocorreu apenas um evento. Mas isso não lida com a substância do problema. Pelo contrário: cria uma atmosfera de desconfiança e suspeita entre aqueles que testemunharam o evento e as autoridades responsáveis. Para os militares, torna-se mais problemático quando os eventos ocorrem não apenas uma vez, mas diversas vezes. As autoridades de defesa estão sob pressão para fornecerem uma resposta aceitável. Infelizmente, durante a onda belga de OVNIs, essa resposta não foi encontrada. Para dizer a verdade, há apenas uma solução. A verdade é que a Força Aérea não conseguiu determinar a origem dos objetos testemunhados por milhares de pessoas. Não é fácil admitir que as autoridades responsáveis pela defesa aérea e administração do espaço aéreo não são capazes de encontrar uma explicação aceitável, mas, em minha opinião, isso é melhor do que dar falsas explicações. O governo belga foi honesto e reconheceu publicamente que não conseguia explicar os múltiplos avistamentos.


Contudo, autoridades militares não deveriam esperar para entrar em ação até serem forçados a isso pelo público e pela mídia. Deveriam se preocupar com as possíveis implicações de segurança quanto às atividades aéreas incomuns. Se testemunhas confiáveis relatam a presença de FANI, isso não tem de ser captado ou identificado por autoridades da Aviação Civil e sistemas de defesa aérea; deve-se admitir que pode haver um problema e um esforço deve ser feito para se conduzir investigações mais profundas com especialistas qualificados. E se essas aeronaves tivessem intenções mais agressivas? Quem seria responsável se incidentes ocorressem? Permanecem as perguntas. Que autoridade militar ousaria combater esse problema ou, melhor, que autoridade militar ousaria reconhecer que há um problema? Esta política de "avestruz” é a abordagem certa? Investigar formalmente relatos confiáveis de OVNIs criaria uma atmosfera de abertura e transparência, e motivaria outras testemunhas a contarem suas experiências. As investigações forneceriam a base científica para que autoridades relevantes expressassem abertamente uma opinião oficial sobre o problema dos OVNIs. Porém, parece que um chamado para o despertar seria, para nós, reconhecer formalmente que existe um problema. Um grande acidente serviria, mas não é isso que estamos esperando. Pelo contrário: é isso que queremos evitar. Precisamos todos estar preparados para a próxima onda OVNI, onde quer que possa ocorrer.


CAPÍTULO 3 - Pilotos: Uma Janela Única para o Desconhecido

Os OVNIs belgas não pareceram criar qualquer tipo de perigo à segurança de aviões em voos, até onde sabemos, e o General De Brouwer deixou claro que os objetos não exibiram qualquer comportamento ameaçador. Contudo, conforme estabeleci no segundo ponto a ser considerado, na Introdução, este nem sempre é o caso. Alguns de nossos relatos mais convincentes sobre encontros com OVNIs foram fornecidos por pilotos comerciais e da Força Aérea, e algumas vezes a segurança da aviação foi comprometida. Pouco antes de publicar minha primeira história sobre o Relatório COMETA no Boston Globe, interessei-me pela questão dos OVNIs e segurança da aviação. Afinal, se essas coisas estão realmente lá fora, deveríamos esperar que pelo menos alguns pilotos tivessem visto deslumbrantes exibições de luz ao voarem à noite, ou talvez triângulos gigantes à luz do dia, ou discos metálicos passando em alta velocidade pela janela da cabine. De fato, não seriam eles as testemunhas mais prováveis? Talvez os passageiros pudessem até estar em risco, se estivessem muito próximos de um imprevisível objeto voador não identificado. Poder-se-ia facilmente imaginar que o testemunho de uma coisa assim a cerca de 11.000 metros de altitude - algo sem asas, mas muito mais rápido e ágil do que o pesado jato - deve ser consideravelmente mais enervante do que ver o mesmo objeto com os pés firmemente plantados no chão. Mas além de simplesmente ver um deles, poderiam ser perigosos? Para minha surpresa, rapidamente descobri que um relatório de noventa páginas tratando desta questão tinha acabado de ser liberado pelo mais qualificado pesquisador do mundo sobre encontros de pilotos com OVNIs. E, ainda melhor, percebi que esse estudo científico bem documentado poderia servir como “gancho” para outra história, do mesmo modo que o Relatório COMETA tinha feito antes. “Segurança da Aviação na América - Um Fator Anteriormente Negligenciado”, do Dr. Richard Haines, um cientista pesquisador sênior da NASA Ames Research Center, e antigo chefe do NASA’s Space Human Factors Branch, era um estudo espantoso, com mais de cinquenta páginas de resumos de casos envolvendo pilotos e suas tripulações15. Aquele “fator negligenciado” referia-se, naturalmente, a fenômenos aéreos não identificados, ou FANIs16. O relatório apresentou mais de uma centena de casos de encontros de pilotos com uma variedade desses FANI, incluindo cinquenta e seis quase perdas, todas afetando a segurança do avião. A maioria dos casos envolveu inúmeras testemunhas, e muitas estavam nas comunicações por rádio, no solo, e também houve corroboração por radar. Pilotos experientes apresentaram relatos de objetos, abrangendo desde discos prateados a bolas de fogo verde, fazendo loops ao redor de aviões de passageiros, voando ao lado do avião, apesar das tentativas de evasão por parte dos pilotos ou inundando as cabines com luz cegante. O Dr. Haines documentou casos de efeitos eletromagnéticos sobre os sistemas de navegação e operação do avião ligados a OVNIs próximos, ou o mergulho repentino de um piloto para evitar uma colisão. Ele escreveu que a capacidade da tripulação em desempenhar seus deveres de maneira segura é rompida quando os membros da tripulação enfrentam “fenômenos luminosos e/ou sólidos extremamente bizarros, inesperados e prolongados pinoteando ao redor


de seu avião”. O perigo colocado pelo fenômeno em voos reside mais na resposta humana a ele do que nas ações do próprio OVNI, porque os objetos não parecem ser agressivos ou hostis e parecem ser capazes de evitar colisões, executando giros em alta velocidade no último minuto, como num flash. O Dr. Haines, autor de mais de setenta trabalhos apresentados em revistas científicas de excelência e de mais de vinte e cinco relatórios para o governo americano pela NASA, especializou-se em desempenho humano, design tecnológico e interação humano-computador, enquanto esteve na NASA. Tendo contribuído com os projetos americanos Gemini e Apollo, bem como com o Skylab e Estação Espacial, em 1988 ele se aposentou de seus vinte e um anos como cientista aeroespacial sênior do NASA Ames Research Center. Subsequentemente, trabalhou como cientista pesquisador sênior para o Research Institute for Advanced Computer Science, RECOM Technologies Inc., e Raytheon Corp. do NASA Ames Research Center até 2001. Inesperadamente, Haines tornou-se interessado no assunto OVNI na década de 60, quando estava conduzindo uma pesquisa envolvendo simuladores de voo para a NASA. Como ele mesmo explica, os pilotos comerciais iriam como voluntários para a sua instalação e voariam em simuladores para estudos sobre segurança da aviação, aviônica e muitas outras áreas. “De tempos em tempos, um piloto se ofereceria para me falar de alguma experiência que tinha tido que simplesmente me surpreendia”, disse Haines em uma entrevista em 200917. Embora ele tivesse ouvido falar de OVNIs naquela época, não tinha nenhum interesse neles. “Ouvi muitas e muitas histórias dessas testemunhas muito confiáveis; assim, isso começou a chamar minha atenção. Disse para mim mesmo: posso explicar essas coisas; todas elas são fenômenos naturais ou mal identificados pelo olho humano’, que eu conhecia muito por estudar óptica e a visão humana. Posicionei-me como um cético para desmistificar a coisa toda. Mas quanto mais encarava o assunto seriamente, mais convencido ficava de que havia alguma coisa ali. Alguma coisa que merecia ser olhada. Contudo, nenhum de meus colegas estava fazendo isso.” Ele, então, começou sistematicamente a coletar dados e relatos de testemunhas oculares e a fazer muita análise de tudo. E faz isso desde então. Hoje, ele desenvolveu um database internacional de mais de 3.400 avistamentos de OVNIs em primeira mão fornecidos por pilotos comerciais, militares e privados, com especial atenção aos casos em que a segurança da aviação foi comprometida, diferentemente daqueles avistamentos durante os quais os objetos não tiveram qualquer efeito sobre o avião ou sua tripulação. De fato, durante anos, ele e seus associados estiveram tentando alertar a comunidade da aviação para os efeitos de fenômenos aéreos desconhecidos sobre a segurança do avião. Em 2001, junto com o diretor executivo Ted Roe, ele estabeleceu o Centro de Relatórios da Aviação Nacional sobre Fenômenos Anômalos (NARCAP)18, uma respeitada organização de pesquisa sem fins lucrativos, que serve também como centro de relatos confidenciais para uso dos pilotos, tripulação e controladores de tráfego aéreo, que, de outra maneira, teriam medo de fazer relatos sobre avistamentos. Os cientistas do NARCAP coletam e analisam dados de alta qualidade para posterior compreensão da natureza fundamental de todos os tipos de fenômenos aéreos não identificados, que possam trazer alguma ameaça à segurança da aviação. Os assessores técnicos e científicos do grupo, com larga experiência em aviação e aeronáutica, de doze países diferentes - juntamente com outros especialistas, abrangendo desde geofísicos e


psicólogos a meteorologistas e astrofísicos -, contribuem com pesquisa e publicam “Technical Reports” no website do grupo. Sinto-me privilegiada por ter conhecido o Dr. Haines, e ele me convidou para participar de uma série de encontros anuais privados do NARCAP durante estes anos; o último foi em julho de 2008. Fiquei honrada por conhecer muitos desses profissionais dedicados, que estão fazendo um trabalho de destaque, apesar dos obstáculos que encontram. Trabalhos e contínuas pesquisas são apresentados àqueles reunidos ao redor da mesa, e estratégias são discutidas para se adquirir uma acessibilidade maior à comunidade da aviação, certificando-se de que o NARCAP permaneça distinto de grupos ativistas ligados a OVNIs, nos quais a segurança da aviação não é obviamente o foco e onde uma abordagem científica rigorosa é menos frequentemente empregada. Não obstante, os esforços do grupo para levar esse assunto à arena científica e à comunidade da aviação caíram em ouvidos surdos. “Há poucas dúvidas em minha mente de que qualquer discussão racional sobre evidência substanciada da presença e comportamento de OVNIs em nossos céus está caminhando rapidamente para superar o impacto sobre duas gerações de americanos que, repetidamente, disseram outra coisa: que o assunto OVNI deve, no melhor dos casos, ser colocado na categoria de folclore e, no pior deles, encarado de algum modo como propaganda prejudicial.” O Dr. Haines comentou recentemente, em um e-mail: “Mas precisamos nos manter trabalhando em direção ao objetivo de aceitar a verdade quando e onde a encontrarmos. Fazer menos do que isso nos coloca em um possível futuro perigoso.” Além dos esforços legítimos de confrontar questões de segurança, fiquei intrigada com o papel central e absolutamente crucial que os pilotos podem desempenhar em simplesmente documentar esses misteriosos e esquivos OVNIs, seja ou não a segurança um dos fatores, uma vez que representam os observadores mais experientes e bem treinados do mundo em relação a tudo que voa. Capazes de rapidamente identificar e responder a qualquer coisa que poderia colocar um voo em perigo, aos pilotos se exige o conhecimento prático de qualquer outra aeronave, voos-testes militares e outras atividades aéreas especiais, tais como testes de mísseis, bem como fenômenos climáticos e naturais incomuns. Os pilotos profissionais são altamente qualificados a diferenciar uma verdadeira anomalia de qualquer outra coisa. Que melhor fonte de dados temos sobre OVNIs? O mundo da aviação está em posição de fornecer informação que poderia aumentar enormemente o conhecimento sobre OVNIs, se os nossos cientistas quisessem tirar vantagem disso. Esses profissionais passam horas intermináveis atrás de uma janela única para milhas de céu geralmente vazio, uma plataforma perfeita para a observação de detalhes excepcionais a respeito da aparência física e comportamento de OVNIs, quando eles aparecem. Os pilotos seriam capazes de determinar precisamente a distância e velocidade da anomalia, bem como seu tamanho relativo, o que é mais difícil de estimar a partir do solo. Poderiam também documentar o impacto transitório de campos eletromagnéticos sobre o equipamento da cabine, fornecendo pistas potencialmente úteis, bem como a natureza de qualquer radiação do objeto. Capazes de permanecer calmos e focados durante situações estressantes inesperadas, os pilotos podem relatar acuradamente eventos externos, usando o radar de bordo e a comunicação com o controle de tráfego aéreo, com seus radares de solo, para seguir o objeto. Perto do avião, poderia ser contatado e ser pedido para comandar a área, ou jatos militares poderiam ser


lançados se o encontro fosse prolongado. E - de grande interesse para todos nós - membros da tripulação seriam capazes de tirar fotos marcantes e fazer vídeos dos encontros mais demorados. Essas circunstâncias únicas potencialmente transformariam qualquer avião a jato em laboratório especializado de estudo de fenômenos anômalos raros. Evidências importantes de OVNIs vêm sendo obtidas dessa maneira em muitos casos poderosos desde os anos 50, não apenas aumentando a preocupação com a segurança, mas também dando grande acréscimo ao registro histórico. Os pilotos estão entre aqueles que menos provavelmente, em relação a qualquer grupo de testemunhas, irão fabricar ou exagerar relatos de avistamentos estranhos. Mas, infelizmente, como se encontram as coisas agora, muitos preferem nunca ser confrontados com o dilema de ver um OVNI e ter de decidir se o relata ou não. De acordo com Haines, relatar a presença de um OVNI tem sido suficiente para ameaçar a carreira de alguns pilotos e, por essa razão, muitos escolhem não fazer isso. Neil Daniels, capitão da United Airlines por trinta e cinco anos19, com mais de 30.000 horas de voo e uma Cruz de Distinção Aérea da Força Aérea Americana, foi um desses pilotos que temiam relatar esse tipo de avistamento, apesar do efeito físico experimentado por seu avião. Em 1977, ele, seu copiloto e um engenheiro de voo observaram “uma luz extremamente brilhante na extremidade da asa”, como ele descreveu, a cerca de 1 km de seu United DC- 10, que estava em rota para o aeroporto Boston Logan, proveniente de San Francisco. Enquanto voava com o piloto automático, o avião de passageiros foi forçado a um giro para a esquerda não comandado, aparentemente puxado pela interferência magnética do objeto, levando o Centro em Boston a perguntar: “United 94, onde você está indo?” O Capitão Daniels respondeu: “Bem, deixe- me descobrir isso. Eu o avisarei.” O capitão e seu primeiro oficial notaram, então, que suas três bússolas estavam todas indicando posições diferentes e, naquele ponto, eles deliberadamente desligaram o piloto automático e passaram a voar manualmente. (Haines indica que o sensor magnético que fornece a entrada para a bússola então controlando o piloto automático era aquela localizada mais perto do OVNI.) A luz intensa seguiu ao lado do avião à mesma altitude durante vários minutos, e depois partiu rapidamente e desapareceu. O Capitão Daniels disse que o objeto luminoso partiu tão rapidamente que ele não compreendeu como isso poderia ser feito por uma máquina construída pelo homem. Mas, sem considerar o que era, disse ele, “ela causou um rompimento do campo magnético ao redor do avião. A ponto de puxá-lo para fora do curso”. Nem Daniels nem qualquer outra pessoa de sua tripulação relataram o incidente. Os controladores de tráfego aéreo não fizeram perguntas sobre o distúrbio no voo. Foi como se todo mundo quisesse fingir que nada tinha acontecido, mas Daniels não conseguiu esquecer o que tinha visto com seus próprios olhos. Sete meses depois, enquanto caçava patos com seu chefe na United Airlines, ele teve uma momentânea mudança de opinião e decidiu contar-lhe a história. Infelizmente, ele descobriu que seu instinto inicial de se manter calado estava certo. “Sinto muito ouvir isso”, advertiu o chefe de Daniels. “Coisas ruins podem acontecer a pilotos que dizem ter visto essas coisas.” Agora aposentado, Daniels não ficou particularmente preocupado com a segurança de seu jato naquela época. Mas se, como ele relatou, um OVNI pode, à distância, tirar um avião do


curso, o que poderia acontecer se estivesse mais perto?


CAPÍTULO 4 - Circundado por um OVNI Pelo Capitão Júlio Miguel Guerra Em 1982, o piloto Júlio Guerra, da Força Aérea portuguesa, olhou da janela de sua cabine para o solo abaixo e viu um disco metálico voando lentamente. Repentinamente, ele disparou para cima, em sua direção, em alta velocidade. Durante uma demorada série de eventos, esse objeto demonstrou uma grande variedade de manobras, bem perto do pequeno avião de Guerra, o que foi testemunhado por dois outros pilotos da Força Aérea, chamados ao local. Ao deixar a Força Aérea depois de dezoito anos de serviço, Guerra tornou-se capitão da Portugália Airlines20, a maior linha aérea comercial de Portugal. Ele nunca mais viu outro OVNI, mas lembra-se muito claramente desse evento transformador de vida. Na manhã de 2 de novembro de 1982, eu estava voando em um DHC-1 Chipmunk, em direção ao norte, para a região de Montejunto e Torres Vedras, perto da base aérea de Ota. Estava um dia muito bonito e claro, sem nuvens, e me dirigi para a minha área de trabalho, a E [eco] zona, planejando subir para 6.000 pés, para um treinamento acrobático. Como tenente de vinte nove anos, com dez anos na Força Aérea, era instrutor de voo do esquadrão 101 da Força Aérea, voando sozinho em meu avião. Por volta das 10h50min, quando estava sobrevoando a zona Maxial em uma altitude de 5.000 a 5.500 pés, notei abaixo de mim e à esquerda, perto do solo, uma outra “aeronave”. Mas, após alguns segundos, vi que essa aeronave parecia ter apenas uma fuselagem. Não tinha asas e não tinha cauda; somente uma cabine. Tinha uma forma oval. Que tipo de avião poderia ser?

Imediatamente, virei meu avião 180 graus, para a esquerda, de modo a seguir e identificar esse “objeto”, que estava voando para o sul. De repente, o objeto subiu diretamente para a minha altitude de 5.000 pés em menos de dez segundos. Parou diretamente à minha frente, primeiro com um pouco de instabilidade, oscilações e um movimento ondulatório. Depois, estabilizou e ficou parado - um disco metálico composto de duas metades, uma no topo e outra em baixo, com algum tipo de faixa ao redor do centro, brilhante, com o topo refletindo o sol. A


metade de baixo era de um tom mais escuro. Inicialmente, ele se moveu junto com meu avião; depois, voou em uma velocidade fantástica, em uma grande órbita elíptica para a esquerda, entre 5.000 pés para o sul e aproximadamente 10.000 pés para o norte, sempre da esquerda para a direita, repetindo essa rota. Tentei mantê-lo à vista. Imediatamente, quando percebi que era um objeto desconhecido, chamei a torre de controle e disse ao controlador que havia um estranho objeto voando ao meu redor. Ele e outros de três ou quatro outros aviões disseram que devia ser algum tipo de balão. Alguns outros pilotos que voavam em outras zonas fizeram piadas e eu lhes pedi que viessem e vissem com seus próprios olhos, já que não acreditavam em mim. Disse-lhes que se fosse um balão, como poderia subir do solo até 5.000 pés em alguns segundos? A resposta foi silêncio. Eles começaram a perguntar qual a minha localização, minha zona de trabalho e dois companheiros oficiais da Força Aérea, Carlos Garcês e Antonio Gomes, disseram que iriam se juntar a mim. Enquanto esperava e ficava olhando para ele, quis saber um pouco mais a respeito desse objeto. Muito embora estivesse perto, não sabia o que ele era. Fiquei sozinho com ele por quinze minutos - que achei uma eternidade - sem saber o que viria depois ou se ele retornaria em seu curso estabelecido. Fiquei ali, focalizando esta coisa, que repetia seu curso elíptico ao redor de meu avião. Quando Garcês e Gomes chegaram em seus Chipmunk depois de cerca de quinze minutos, perguntaram-me pelo rádio: “Onde está ele?”. Dei-lhes a posição e, depois que o viram, sentime melhor, porque agora mais dois pilotos da Força Aérea tinham visto a mesma coisa que eu. Eles ficaram ali comigo por cerca de dez minutos, enquanto o objeto mantinha seu padrão circular, cada volta praticamente igual à anterior, e nós conversávamos pelo rádio. Eu estava no interior da órbita e eles fora dela, de modo que o objeto passava entre os dois aviões. Por causa disso, pudemos estimar o tamanho relativo em comparação com o comprimento da fuselagem do Chipmunk (7,75 metros): 2,40 a 3,00 metros. Depois de cerca de dez minutos, eu ainda estava curioso e realmente queria saber mais sobre o objeto. Assim, decidi fazer uma interceptação, o que significava que eu iria diretamente na direção dele, mas ligeiramente para o lado, de modo que ele seria forçado a alterar seu curso. Disse a meus colegas da Força Aérea que estava planejando uma interceptação. Uma vez que a velocidade do objeto era muito maior do que a minha, voei diretamente para um ponto da trajetória elíptica. Ele veio em minha direção e passou sobre mim, por cima de meu avião, e parou ali, como um helicóptero aterrissando, mas muito, muito mais rápido, quebrando todas as regras da aerodinâmica. Foi muito perto do meu avião: apenas cerca de 4,5 metros. Fiquei atônito. Fechei os olhos e, naquele momento, congelei, sem qualquer reação. Não houve impacto... Então, voou num lampejo na direção da montanha de Sintra e dali para o mar. Tudo isso aconteceu tão rápido que eu não consegui fazer nada com meu avião para tentar evitar o objeto. Um dos outros pilotos viu tudo. Várias vezes os objetos tinha ficado muito perto de mim, e consegui verificar que era redondo, com duas metades semelhantes a duas tampas bem apertadas. Cuidadosamente olhei para a metade inferior, que parecia ser de uma cor entre o vermelho e o marrom, com um


buraco ou mancha escura no centro. A faixa central parecia algum tipo de grade e, possivelmente, com algumas luzes, mas era difícil de dizer, já que o sol brilhava muito e era refletido. Logo após aterrissarmos, nós três preenchemos relatórios detalhados e independentes sobre o incidente, e nossos aviões foram periciados a procura de danos, mas não ouvimos mais nada do pessoal da Força Aérea e não fomos interrogados pelos militares. Pouco depois, o General José Lemos Ferreira, Chefe de Staff da Força Aérea portuguesa aquela época, autorizou a liberação de todos os registros para uma equipe de cientistas e especialistas. Em 1957, o General Ferreira testemunhou, ele próprio, o avistamento de um objeto luminoso desconhecido, quando estava liderando um voo noturno entre a base aérea de Ota, em Portugal, e Córdoba, na Espanha. Três outros pilotos, voando em aviões separados, viram o fenômeno também - inicialmente, um grande objeto e, depois, quatro pequenos “satélites” que saíram dele. Ele estava consciente da importância científica desse tipo de coisas, e enviou um relatório sobre o incidente para o Projeto Livro Azul21, realizado pela Força Aérea Americana. Já que o general tinha alguma compreensão sobre OVNIs, liberou toda informação existente na Força Aérea portuguesa a respeito de meu encontro e uma demorada investigação científica foi lançada em 1983 e completada em 1984. A equipe de especialistas incluía cerca de trinta pessoas de diferentes disciplinas e instituições acadêmicas, incluindo historiadores, psicólogos, físicos, meteorologistas, engenheiros e outros cientistas. A investigação envolveu a cooperação entre os militares e cientistas civis. Voltei à zona e fiz o caminho que o objeto realizara em sua ascensão vertical inicial, no qual ele levou apenas alguns segundos. Estimando o tempo em dez segundos e cobrindo a mesma distância, determinamos que ele estivesse voando a mais de 300 milhas por hora verticalmente. Isso não é possível para um helicóptero e, mais importante, um ser humano que estivesse dentro não sobreviveria a força G da aceleração necessária a este movimento para cima. Uma vez que consegui mostrar aos investigadores, no mapa, a trajetória do objeto em sua órbita elíptica relativa a pontos no solo, eles puderam determinar sua velocidade em cerca de 1.550 mph. Essa velocidade é incrível, especialmente devido às manobras que ele estava fazendo. Não sei se ele era de outro universo ou planeta, ou se era daqui mesmo. Simplesmente não sei. Desde então, nunca mais vi algo semelhante. A equipe científica estudou todos os dados e os relatórios dos três pilotos e, depois de uma reunião dos trinta investigadores, na cidade do Porto, em 1984, o grupo forneceu uma análise escrita de mais de 170 páginas. Eles fizeram tudo o que podiam para compreender este caso, mas não conseguiram encontrar uma explicação. Concluíram que o objeto permanecia não identificado22. Conversei sobre minha experiência com a mídia e não tive qualquer problema. O assunto foi coberto seriamente por muitos jornais e pela TV, porque havia três pilotos da Força Aérea envolvidos. Desde então, as pessoas me abordam para me contar sobre outros incidentes com OVNIs, mas a maioria delas quer manter suas experiências em segredo. Outro incidente ocorreu em Portugal antes do meu. Um piloto da Força Aérea, um colega, viu uma parte de um objeto por trás das nuvens, que parecia ter duas ou três janelas. Ele perdeu o controle de seu Dornier Do 27. O avião começou a cair e ele só conseguiu recuperar o controle exatamente acima da copa das árvores. Seus comentários estavam na gravação do


controlador de tráfico aéreo e ele pensou que era o seu fim. Eu estava lá na base, quando ele aterrissou e conversou em seguida com um grupo de colegas e preencheu um relatório. Os engenheiros tentaram descobrir como ele tinha perdido o controle. Depois, alguns engenheiros que não pertenciam à Força Aérea vieram ao hangar onde seu avião estava estacionado com muitos outros aviões idênticos. Eles conseguiram localizar exatamente o avião, através de um instrumento que mede a radiação. O avião registrou alta radiação e não se conseguiu explicar isso. Esse piloto continuou sua carreira como piloto da aviação civil, como eu fiz. Depois de dezoito anos na Força Aérea, que terminaram em 1990, comecei a voar comercialmente e agora sou um comandante da Portugália Airlines [TAP], embora eu ainda voe sozinho. Até agora não sei o que vi naquele dia de 1982, mas amo voar como sempre. Meu encontro, embora incrível, não conseguiu mudar isso.


CAPITULO 5 - Fenômenos Aéreos Não Identificados e Segurança da Aviação por Richard R. Haines, PhD Segurança é de importância primordial para todos os que voam ou estão ligados a voos. Contudo, a maioria dos americanos nunca ouviu falar sobre o fato de que os avistamentos de FANIs podem afetar a segurança de voo. Esses incidentes não são investigados por qualquer agência de governo, como o são outros eventos que afetam os aviões. De fato, os funcionários da aviação impedem que esses eventos venham a público, censurando os relatórios de várias maneiras. Pilotos que fizeram um relato oficial de FANI continuam a ser ridicularizados por funcionários do governo e/ou suas próprias companhias de aviação e instruídos a não relatar seus avistamentos publicamente. Essa atitude não serve a ninguém e, de fato, coloca a todos nós em grande risco, quando fizermos viagens aéreas. Ela impede que a comunidade científica adquira os dados necessários para investigar a origem desses OVNIs e, também, impedem as companhias aéreas e organizações de pilotos de tomar as medidas necessárias ou fornecer aos pilotos o treinamento especializado, bem como os protocolos de segurança. Apesar de tudo isso, esses fenômenos aéreos incomuns continuaram a infestar as operações de voos comerciais, militares e privados por muitos anos. O incidente descrito pelo tenente Guerra sobre Portugal, em 1982, fornece um exemplo poderoso de um caso em que a segurança da aviação foi desafiada por um objeto não identificado, segundo quaisquer padrões: militares, privados ou comerciais. Sempre que não se consegue uma comunicação com um veículo aéreo de qualquer tipo, que faz uma abordagem a uma velocidade muito alta e depois para inesperadamente a 4,5 metros do avião de alguém, qualquer piloto no mundo justificadamente se preocuparia e até sentiria medo. O tenente Guerra e seus dois colegas pilotos devem ser louvados por relatarem esse incidente bizarro aos oficiais, embora as pressões contra fazer isso sejam menos intensas na Europa e na América do Sul do que são aqui. Além disso, o General Ferreira, o chefe do Staff Aéreo da Força Aérea Portuguesa naquela época, voluntariamente tornou todos os registros disponíveis a um grupo de pesquisa científica qualificado a investigar - um cenário que, infelizmente, não vemos nos Estados Unidos. Contudo, todos os países são igualmente afetados pelo fato de que um FANI pode aparecer sem aviso, a qualquer hora e em qualquer lugar. Três tipos de comportamento dinâmicos de OVNIs e suas consequências foram consistentemente relatados. Os primeiros e principais são as manobras muito próximas e em alta velocidade de OVNIs perto de aviões. Muitos casos envolvem uma distância relativamente pequena - geralmente da ordem de dezenas de metros - entre o avião e o fenômeno aéreo relatado, o que os qualifica como quase acidentes pelos padrões da aviação federal nos Estados Unidos e no Reino Unido. Enquanto a estimativa do piloto da distância de OVNI possa ser afetada pela escuridão ou pela falta de interpretações confiáveis de distância visual, esses profissionais altamente treinados geralmente são muito precisos, e em geral não incorrerá em erro por mais de uma ordem de magnitude23. Felizmente, a ameaça física imediata de uma colisão em voo parece improvável, devido ao alto grau de manobrabilidade exibida pelos OVNIs. Em muitos casos, os objetos rapidamente evitaram a colisão no último minuto, e os pilotos não tiveram nada a ver com esses movi


mentos. Mas, em alguns casos, as reações do piloto podem ser um problema também. Para evitar uma colisão percebida com um OVNI, alguns fazem manobras de controle violentas, resultando em ferimentos de passageiros e da tripulação. E há sempre o perigo de que, se o piloto fizer a manobra de controle errada, na hora errada, durante um encontro extremamente próximo, ocorra uma colisão no ar. Em um exemplo, um Boeing KB-50 tanque de reabastecimento aéreo da Força Aérea Americana estava aterrissando à noite, na base Pope, da Força Aérea, na Carolina do Norte, quando o piloto e a tripulação notaram um objeto e viram estranhas luzes. Em sua abordagem final, o piloto teve de manobrar ao redor do objeto e subir novamente para esperar que ele partisse. O pessoal da torre da Força Aérea viu o OVNI pairando sobre o aeroporto e o viu através de binóculos por vinte minutos, estabelecendo que não era um fenômeno atmosférico de qualquer tipo. Os funcionários da Força Aérea reconheceram que “o OVNI representava um perigo para as operações de voo na área” - uma das poucas afirmações oficiais registradas em relação a este efeito24. O segundo impacto que um OVNI pode ter sobre a segurança da aviação é afetar o funcionamento adequado do equipamento de orientação da navegação, dos sistemas de controle de voo, as operações de radar, e a comunicação de rádio com a interferência de sua alegada radiação eletromagnética. Obviamente, em situações onde os pilotos confiam em seus instrumentos, a probabilidade de um incidente ou de um acidente aumenta quando efeitos eletromagnéticos anômalos fazem com que funcionem mal. Felizmente, na maioria desses exemplos, o equipamento reassume seu funcionamento normal depois que o objeto parte. Finalmente, distrações na cabine produzidas por encontros próximos com OVNI tiram a atenção da tripulação e pode prejudicar sua habilidade de voar seguramente. É compreensível que testemunhar objetos bizarros ou luzes inexplicadas passando ao lado de um avião, ou voos em círculo ao redor dele, seria desconcertante para qualquer um a bordo, especialmente para aqueles responsáveis pela segurança dos passageiros. A informação que reuni para documentar casos de OVNIs afetando a segurança da aviação vem do meu extenso banco de dados. Ela consiste de relatos de pilotos e controladores de tráfego aéreo obtidos de fontes oficiais americanas e de outros governos, entrevistas privadas, e relatos de colegas internacionais, que trabalharam com o NARCAP. Segundo nossas estatísticas, em uma carreira média de piloto comercial, um piloto tem a mesma chance de ver um OVNI como tem de bater em um pássaro em voo ou encontrar cisalhamento de vento extremo. A ameaça à segurança é pequena, mas potencialmente significativa e deve ser tratada como qualquer outro perigo não frequente de segurança. Muitos problemas de segurança de voo não são relatados ou sub-relatados, mas a diferença aqui é de que as colisões com pássaros e cisalhamentos de vento são ocorrências geralmente aceitas e relatadas, e os OVNIs não. Três casos sobre a Austrália e a Nova Zelândia são de grande interesse, ilustrando os efeitos aos quais estou me referindo. Em 22 de agosto de 1968, por volta das 17h40min, dois pilotos estavam voando de Adelaide para Perth, na Austrália, a 8.000 pés de altitude, em um monomotor Piper Navajo, quando avistaram um enorme objeto com forma de charuto circundado por cinco objetos menores. A estranha formação manteve um ângulo constante da própria rota deles de voo por mais de dez minutos, enquanto eles voavam a 195 nós. Um dos pilotos disse depois: “O objeto grande abriu sua parte central, com os objetos menores


entrando e saindo dele”. O controle de tráfego aéreo de solo foi contatado e respondeu que não havia nenhum tráfego aéreo conhecido na área. Nesse ponto, o rádio falhou em todas as frequências até que o objeto foi embora, “como se por um único comando25”. Dez anos depois, um evento chocante ocorreu. Um piloto privado desapareceu quando estava na rota para King Island, ao sul de Melbourne, na Austrália, após um encontro muito próximo e assustador com um enorme objeto desconhecido. Em 21 de outubro de 1978, Frederick Valentich, de vinte anos, tinha alugado um Cessna 1821, um avião monomotor, para um pequeno voo noturno. Exatamente após as 21h, ele entrou em contato por rádio com o Aeroporto de Tullamarine, em Melbourne, de uma altitude de 4.500 pés, enquanto voava sobre as águas do Estreito de Bass. Por seis minutos e meio, ele conversou com o especialista de serviço de voo Steve Robey, no aeroporto de Melbourne, sobre algo não identificado orbitando o seu avião, dirigindo-se diretamente a ele, caçando-o. A gravação terminou com quatorze segundos de ruídos metálicos incomuns, e, depois, somente silêncio. A transcrição de voz entre Robey, no Serviço de Voo, em Melbourne, e Valentich em seu Cessna - que foi registrada e referida como Delta Sierra Juliet - é apresentada a seguir. Estudei cuidadosamente a gravação e observei as muitas vezes em que as inflexões de voz de Valentich elevavam-se no final de suas transmissões, como se ele estivesse fazendo uma pergunta. O jovem piloto estava claramente desorientado, às 21hl0min, no final e provavelmente no início. Há muitas pausas durante suas transmissões, que estão indicadas por reticências. 21:06:14 Valentich: Melbourne, aqui é o Delta Sierra Juliet. Há qualquer tráfego de voo conhecido abaixo dos 5.000 pés? 21:06:23 Robey: Delta Sierra Juliet - nenhum tráfego conhecido 21:06:26 V: Delta Sierra Juliet - Estou - parece [ser] uma grande aeronave abaixo de 5.000 pés. 21:06:46 R: Delta Sierra Juliet - Que tipo de aeronave é? 21:06:50 V: Delta Sierra Juliet - Não posso afirmar. Tem quatro luzes brilhantes... me parecem luzes de aterrissagem. 21:07:04 R: Delta Sierra Juliet. 21:07:32 V: Melbourne, este [é] Delta Sierra Juliet. A aeronave passou em cima de mim a pelo menos mil pés. 21:07:43 R: Delta Sierra Juliet - Roger - e ela, ela é uma grande aeronave - confirma? 21:07:47 V: Hum, desconhecido devido a velocidade em que está voando... Há qualquer aeronave da Força Aérea nas vizinhanças? 21:07:57 R: Delta Sierra Juliet - Nenhuma aeronave nas vizinhanças. 21:08:18 V: Melbourne - ela está se aproximando agora do leste - em minha direção. 21:0828 R: Delta Sierra Juliet. 21:08:49 V: Delta Sierra Juliet. Me parece que está fazendo algum tipo de jogo - voou sobre mim duas - três vezes, em uma velocidade que não consegui identificar. 21:09:02 R: Delta Sierra Juliet - Roger. Qual é o seu nível atual? 21:09:06 V: Meu nível atual é 4.500, quatro cinco zero zero. 21:09:11 R: Delta Sierra Juliet... E confirma - você não consegue identificar a aeronave.


21:09:14 V: Afirmativo. 21:09:18 R: Delta Sierra Juliet - Roger... Aguarde. 21:0928 V: Melbourne - Delta Sierra Juliet. Não é uma aeronave. É... 21:09:46 R: Delta Sierra Juliet - Melbourne. Pode descrever a... er, aeronave? 21:09:52 V: Delta Sierra Juliet... Conforme ela vai passando, tem uma forma longa... [não posso] identificar mais do que isso. Em uma velocidade... Está a minha frente agora, Melbourne? 21:10:07 R: Delta Sierra Juliet - Roger. E de que tamanho seria o, hum, objeto? 21:10:20 V: Delta Sierra Juliet - Melbourne. Parece que ela está me perseguindo. O que estou fazendo agora é orbitar e a coisa está orbitando também sobre mim... Ela tem uma luz verde e uma espécie de revestimento metálico. É todo brilhante do lado de fora. 21:10:43 R: Delta Sierra Juliet. 21:10:48 V: Delta Sierra Juliet... Acabou de desaparecer. 21:10:57 R: Delta Sierra Juliet. 21:11:03 V: Melbourne, você sabe que tipo de aeronave estou vendo? É [um tipo de] aeronave militar? 21:11:08 R: Delta Sierra Juliet. Confirme que... hum, a aeronave simplesmente desapareceu. 21:11:14 V: Repita. 21:11:17 R: Delta Sierra Juliet... A aeronave ainda está com você? 21:11:23 V: Delta Sierra Juliet... Está, ah.... [agora] aproximando-se pelo sudoeste. 21:11:37 R: Delta Sierra Juliet. 21:11:52 V: Delta Sierra Juliet - o motor está falhando. Estou em vinte e três—vinte e quatro... E a coisa está tossindo. [É audível na gravação o problema de motor.] 21:12:04 R: Delta Sierra Juliet—Roger. Quais são suas intenções? 21:12:09 V: Minhas intenções são - ah.... ir para King Island - ah.. Melbourne, esta aeronave estranha está flutuando novamente sobre mim... está flutuando e não é um avião. 21:12:22 R: Delta Sierra Juliet. 21:12:28 V: Delta Sierra Juliet—Melbourne... [Uma pausa de dezessete segundos, durante a q[ual um ruído pulsado, metálico muito estranho é audível, com nenhum padrão discernível em tempo ou frequência.] 21:12:49 R: Delta Sierra Juliet, Melbourne. Fim da transcrição. Valentich nunca mais foi ouvido. A descrição de Valentich de “uma luz verde e uma espécie de metal, todo brilhante do lado de fora” é importante. Nos anos seguintes ao evento, um colega obteve relatos de vinte testemunhas oculares na região, descrevendo uma luz verde movendo-se erraticamente no céu, na mesma hora da noite do voo de Valentich. Anos mais tarde, viajei para a cidade-resort de Apollo Bay, na Austrália, e entrevistei Ken Hansen26, que tinha quarenta e sete anos na época


do incidente, em 1978, e suas duas sobrinhas. Hansen estava dirigindo com as duas garotas, quando eles observaram, no céu acima, as luzes de um avião junto com uma grande luz verde. A presença dessa segunda luz era tão incomum, que Hansen decidiu encostar o carro, parar e descer. Ele disse que quando o fez, claramente viu uma segunda grande luz circular esverdeada, “como se ela estivesse voando no topo do avião”. Seu tamanho visual, segundo sua descrição, era equivalente àquela de uma bola de tênis sustentada no comprimento de um braço, com uma razão entre ela e o avião de cerca de quatro para um. Assumindo que essa estimativa seja precisa, o OVNI teria cerca de quarenta e oito pés transversalmente. Sua cor verde era semelhante às luzes de navegação do avião. Hansen observou que ela mantinha uma distância constante acima e ligeiramente atrás das luzes do avião, enquanto ele assistia por cerca de quinze a vinte segundos, até que ambas as luzes desapareceram de vista, Ele contou à sua esposa naquela noite sobre a grande luz verde, bem como aos seus colegas de trabalho, no dia seguinte, antes que soubesse sobre o que Valentich tinha relatado. Quando nos encontramos, suas sobrinhas confirmaram os detalhes fornecidos pelo tio. Consegui obter informação muito valiosa ao ir com Hansen ao local em que ele tinha encostado seu carro, pois ele reconstruiu para nós o que tinha visto. A história do encontro de Valentich com um OVNI e seu subsequente desaparecimento foi relatada pela mídia do mundo todo, angariando muita atenção. Apesar dos esforços coordenados de pilotos privados e dos aviões de localização e resgate do governo australiano, nenhum traço dele e de seu avião jamais foi encontrado. Há evidência suficiente para sugerir que ele provavelmente caiu no mar entre seis e vinte quilômetros da praia, mas provavelmente nunca saberemos o que aconteceu. A natureza do objeto grande com luzes verdes, que acompanhou o avião durante seus últimos minutos, permanece um grande mistério27. Cerca de dois meses depois, um notável avistamento aéreo foi documentado sobre a Nova Zelândia. O comandante Bill Startup, um piloto sênior que trabalhava para a Safe Air Ltd., com vinte e três anos de experiência e 14.000 horas de voo, e seu copiloto Robert Guard, com 7.000 horas de voo, foram testemunhas-chave. O avião de carga Argosy que eles pilotavam estava fazendo uma entrega de jornais entre Wellington e Cristchurch, na costa de Kaikoura da Ilha Sul. O repórter da televisão australiana Quentin Fogarty, do Canal O, em Melbourne, Austrália, seu cameraman David Crockett, e o operador de som Ngaire Crockett também estavam a bordo, porque o OVNI foi testemunhado pela tripulação e registrado pelo radar cerca de dez dias antes, na mesma rota. Fogarty estava fazendo um documentário para a televisão sobre eventos anteriores, parcialmente por causa do elevado interesse em OVNIs após o desaparecimento de Valentich. Ele queria um pano de fundo para seu documentário e, assim, ele juntou-se à entrega de jornais em 30-31 de dezembro, de 1978, para esse propósito. Ele nunca esperou testemunhar ele próprio qualquer fenômeno estranho. Mas, naquele voo, pouco antes da meia-noite, uma série de fenômenos luminosos surgiu, acompanhou o avião e voou ao redor dele. O comandante Startup e o copiloto Guard, que estavam bem conscientes das luzes regulares e bem familiares ao longo da costa, foram os primeiros a notar as estranhas luzes à frente deles. Por cerca de trinta minutos, o cameraman Crockett filmou os objetos luminosos em um filme colorido de 16 mm, enquanto Fogarty comentava na câmera como os eventos se desenrolaram. Ao mesmo tempo, os sistemas de bordo e o controle de tráfego aéreo em Wellington, na Nova Zelândia, rastrearam os objetos


com o radar, enquanto eram vistos pelo comandante Startup e os outros que estavam a bordo. As leituras de radar foram relatadas aos pilotos pelo controlador de tráfego aéreo Geoffrey Causer, e também testemunhada pelo técnico de manutenção de radar Bryan Chalmers. Causer permaneceu em constante comunicação com os pilotos durante todo o incidente e todo o diálogo foi gravado. Assisti ao filme dessas imagens incomuns - mostrando luzes brilhantes em foco e fora de foco, algumas redondas, algumas sugestivas da forma de um disco - que também foram cuidadosamente analisadas por outros. As luzes desapareciam e reapareciam em localizações totalmente novas, algumas vezes várias ao mesmo tempo. Seu comportamento não pôde ser explicado pela aerofísica normal. Em certo ponto, as testemunhas no avião observaram luzes voando em formação com o avião. Eles, então, ouviram do controlador de tráfego aéreo que o fenômeno estava tão próximo do avião, que o radar não conseguia separar os dois. Causer registrava apenas um sinal na tela do radar, mas era duas vezes maior do que tinha sido antes. “Há um sinal forte em formação com vocês. Pode ser à direita ou à esquerda. O seu sinal dobrou de tamanho”, ele relatou. Chalmers também viu o sinal de tamanho duplo. Parecia que havia dois aviões voando juntos à mesma velocidade, tão perto um do outro que eram indistinguíveis no radar. Tal proximidade poderia, naturalmente, ser uma ameaça à segurança do avião, mas este não sofreu qualquer efeito nocivo28. Esses são casos incomuns. Pequenos eventos envolvendo quase colisões são mais comuns. Em 8 de agosto de 1994, um voo comercial com rota de Acapulco para a Cidade do México, no México, quase colidiu com um OVNI, que saiu disparado de uma nuvem na direção do avião. Felizmente o OVNI manobrou para evitar a colisão. Um Boeing 737, de uma linha transoceânica japonesa, estava em rota de Okinawa para Tóquio, em velocidade de cruzeiro, em 11 de novembro de 1998, quando o primeiro oficial repentinamente viu duas “luzes estroboscópicas” brancas a frente dele. As duas luzes separaram-se rapidamente e ele fez um mergulho para evitar a colisão. Nesses dois casos, o objeto nem foi detectado pelo radar de solo. Em 2004, em uma tarde ensolarada, durante a aproximação de um voo comercial ao aeroporto de São Paulo, Brasil, os dois membros da tripulação viram uma esfera luminosa à frente deles, e que permaneceu na mesma altitude deles enquanto desciam. O avião turbo propelido teve de se inclinar agudamente e mergulhar para evitar a colisão29. Nos Estados Unidos, o caso do comandante Phil Schultz é excepcional - um que eu investiguei pessoalmente. Entrevistei longamente o comandante e recebi dele um Relato de Avistamento Aéreo, escrito à mão, de seis páginas. O Comandante Schultz estava pilotando o voo 842 da TWA, de San Francisco ao aeroporto John F. Kennedy, sobre o Lago Michigan, em um dia claro de verão, de 1981. De repente, ele viu um “objeto de metal prateado, grande e redondo”, com seis “portinholas” pretas, igualmente espaçadas ao redor da circunferência, que rapidamente “desceu para atmosfera de cima”. O Comandante Schultz e seu copiloto estavam tão próximos do objeto, que ele parecia uma enorme toranja sustentada a um braço de distância. Esperando uma colisão em pleno ar, eles se prepararam para o impacto. O objeto, então, fez um giro agudo, em alta velocidade, evitando o avião, e partiu. Schultz não preencheu um relatório na TW, mas, em vez disso, trabalhou diligentemente


comigo para reconstruir precisamente o evento visto da cabine de seu avião. Isso me permitiu acertar muitos fatos importantes sobre o evento. Sua velocidade de aproximação e de partida foi calculada como sendo de cerca de 1.000 milhas por hora, com um alto giro G. Nenhuma onda de choque ou turbulência foi sentida. O piloto automático do avião permaneceu engatado durante todo o encontro, e não foram observados quaisquer efeitos eletromagnéticos. O primeiro oficial viu só os dois terços finais do evento e o engenheiro de voo não viu nada, devido à sua posição na parte de trás da cabine. O Chicago Center não tinha nenhum outro tráfego aéreo na área, embora seu radar naquela hora tivesse uma abrangência de cerca de 240 quilômetros. Com larga experiência como piloto de caça da Marinha americana, na Guerra da Coréia e depois, o comandante Schultz nunca aceitara a realidade dos OVNIs antes desse acidente. Esse encontro mudou instantaneamente sua crença. Quando lhe perguntei o que ele achava que o objeto era, ele rapidamente respondeu: “Não tenho dúvidas. Era uma aeronave extraterrestre”. Ele disseo mesmo em seu relatório escrito à mão para mim: que ele acreditava que a coisa era uma “espaçonave”30.

Também nos Estados Unidos, uma aparente colisão, muito enigmática e à baixa altitude, ocorreu em 23 de outubro de 2002, exatamente a nordeste de Mobile, Alabama, segundo o relatório de acidente ao National Transportation Safety Board [NTSB] - o Conselho Nacional de Segurança de Transporte. Na rota de Mobile a Montgomery, Thomas Preziose, de cinquenta e quatro anos, com 4.000 horas de voo a seu favor, estava pilotando sozinho, transportando carga de cerca de uma tonelada de registros de papel. Ele partiu nesse voo às 19h40min. O relato preliminar do acidente afirmava que o Cessna 208B, um Cargomaster com número de registro na FAA NÜ - um monomotor comercial de asa alta - “colidiu em voo com um objeto desconhecido [itálicos meus] a 3.000 pés de altitude e desceu descontrolado para as águas pantanosas, em Big Bateau Bay, em Fort Spanish, Alabama”31. A colisão ocorreu cerca de seis minutos após a decolagem, em aproximadamente 19h46min. De modo interessante, o NTSB


emitiu um relatório posterior que não mencionava a colisão com um objeto desconhecido. Baseado em dados de um sistema automático de observação de superfície, a 12km do local do acidente, registrou, às 18h53min, que havia uma camada de nuvens esparsas a 700 pés e um céu carregado de nuvens começando a 1.200 pés, com ar claro entre essas duas camadas, e uma visibilidade de 8km. O vento estava a 11 nós a 60 graus. Pode ser significativo, nesse acidente fatal, observar que um DC-10 passou a cerca de 1.000 pés acima do Cessna, após aproximar- se dele de frente, às 19h45min - segundos antes da colisão - e teria produzido turbulência de vórtice de ponta de asa32. Depois, o piloto proferiu suas últimas palavras, antes de sua morte: “Night Ship 282. Precisei desviar, precisei desviar, precisei desviar, precisei [fim da transmissão às 19h45min57s]. Se Preziose colidiu com um objeto físico, este nunca foi localizado. Contudo, um estranho resíduo vermelho [referido como “marcas de transferência”] foi encontrado cobrindo pelo menos catorze áreas diferentes do avião caído, que estavam espalhadas no local, tanto dentro quanto fora do avião. O bloco do motor tinha se dividido, sugerindo uma força de impacto muito grande. Infelizmente, o hardware de registro dos dados de radar estava inoperante na hora do acidente; contudo, o NTSB não requisitou os dados de radar da Estação Naval de Pensacola, a menos de uma hora de distância. O DC-10, que passou sobre o Cessna exatamente antes dele colidir, foi inspecionado depois de pousar e nenhum dano de qualquer espécie foi encontrado. O relatório final do NTSB indicou que o acidente foi causado por desorientação do piloto. Porém, uma investigação independente encontrou numerosas discrepâncias tanto em relação à documentação da FAA, quanto da investigação conduzida pelo NTSB33. Várias amostras do resíduo vermelho do Cargomaster foram analisadas, usando um Espectroscópio Fourier de Transformação Infravermelha. Uma das amostras mostrou-se mais semelhante ao material de referência consistindo de polímero tera e isoftalato, com a “possível presença de compostos de silicato inorgânico”34. Verificou-se também que uma outra amostra de metal da asa era muito semelhante ao material de referência que consistia de “materiais epóxi com alguns preenchedores de silicato inorgânico”. Enquanto certos segmentos de metal de veículos aéreos não tripulados [UAV] da Força Aérea Americana foram também submetidos à mesma análise para comparação, pouco foi dito a respeito desses achados, exceto que sua composição era “significativamente diferente” das marcas vermelhas residuais. A base aérea americana desses UAVs mais próxima é Tyndall, em Panamá City, na Flórida, cerca de 240 km de ESE. Se alguma coisa colidiu com esse avião, isso certamente o qualifica como um OVNI até que seja positivamente identificado. Considerando os muitos tipos de manobras de voo de um OVNI que têm sido relatados, fica claro que qualquer que seja o fenômeno, ele parece ser uma aeronave de alto desempenho em virtualmente todos os aspectos. Essa mesma conclusão foi apresentada em um relatório recente não-confidencial do Reino Unido35. Na maioria dos relatos desses pilotos, o avião parece ser o foco da “atenção” do fenômeno. Essa conjectura tem sido apoiada também por muitas centenas de relatos de pilotos estrangeiros altamente qualificados36. Centenas de relatos em meus arquivos sugerem que a variedade dos fenômenos está associada com um elevado grau de inteligência e controle de voo deliberado37.


A maioria dos relatos de pilotos indica que o FANI tende a se aproximar do avião durante a escuridão. À noite, é possível ver as cores prontamente discerníveis em regiões localizadas, relativamente pequenas (semelhantes a fontes de luz individuais) e/ou mais difusamente sobre toda a sua superfície. A aparência dos padrões de luz do OVNI assume muitas formas diferentes, que poderiam ser interpretadas como algum tipo de luzes anticolisão ou de navegação, muito embora luzes de um azul intenso geralmente não sejam permitidas na América, como relatado em alguns casos. Muitos pilotos compreendem que irão experimentar uma ampla gama de fenômenos visuais na atmosfera durante sua carreira, mas eles não esperam que alguns permaneçam inexplicados após considerar-se todos os fenômenos naturais conhecidos e objetos feitos pelo homem. Quando isso acontece, cada testemunha fica com uma incerteza duradoura, uma dúvida sobre a real identidade daquilo que viram e precisam lutar com a decisão de se devem ou não relatar o evento. Muito provavelmente ele não faz isso. Os pilotos sabem como as pessoas são tratadas quando discutem ou relatam avistamentos estranhos, e não têm tendência a se arriscarem ao ridículo ou à segurança de trabalho. Chamo isso de “lei de relatos diminuídos” - um efeito defeedback negativo que inibe cada vez mais as pessoas de dizerem qualquer coisa sobre o que viram. O efeito disso a longo prazo é que cada vez menos dados confiáveis tornam-se disponíveis para o estudo sério, e todo o assunto dos OVNIs resvala mais ainda para o domínio do mito e do humor. Uma vez que isso vem acontecendo há muitas décadas, os administradores das companhias aéreas e os burocratas do governo podem validamente dizer que não há nada a investigar ou ser levado a sério, porque os pilotos não estão relatando nada. E os cientistas, que corretamente alegam que não podem estudar um fenômeno sem dados confiáveis, justificam se por não se interessarem. Os fenômenos “anômalos” já raros parecem estar se tornando até mais raros, reforçando a crença errônea de que, em primeiro lugar, esses eventos não ocorrem. Os controladores de tráfego aéreo frequentemente têm consciência desses esses encontros não relatados com OVNIs, uma vez que são eles normalmente os primeiros a receber as chamadas de rádio da tripulação sobre um OVNI, ou captar os alvos no radar. Mas eles também não relatam muito incidentes. Um controlador, do Los Angeles Air Route Traffic Control Center, escreveu: “Em meus seis anos no Centro, eu pessoalmente fiz parte de três encontros bizarros, não militares, e não civis. Sou apenas um dos 15 mil controladores de voo; assim, tem de haver muitos mais que não são relatados... Em um quarto incidente que eu presenciei (na área, mas não no setor real), o controlador contou a seu superior sobre o encontro e, depois, ambos determinaram que não havia nada no radar. Eles apenas balançaram a cabeça, coçaram o queixo e foi tudo. Isso, acredito, é o que tipicamente acontece. Ninguém sabe realmente o que fazer38”. Baseado em pesquisa e entrevistas conduzidas por mim e meus associados, no NARCAP, estimamos que apenas cerca de 5 a 10% dos avistamentos de OVNIs pelos pilotos são relatados. A menos que implementemos mudanças políticas, os tripulantes continuarão a permanecer em silêncio. A História está cheia de assuntos previamente ridicularizados, que se tornaram importantes para a humanidade, como confirma o estudo de história da ciência. Não devemos


simplesmente não dar atenção aos OVNIs, porque nos sentimos desconfortáveis em simplesmente pensar neles. Nem o preconceito da sociedade em relação aos OVNIs, nem a permanente ignorância sobre eles, irá provavelmente impedir que continuem aparecendo, nem tais respostas provam que eles não existem. Esses fenômenos simplesmente não desaparecerão.


CAPITULO 6 - Incursão no Aeroporto O’Hare, em 2006

Em 7 de novembro de 2006, algo inimaginável ocorreu no Aeroporto O’Hare, em Chicago, durante uma rotineira hora do rush da tarde. Por cerca de cinco minutos, um objeto com forma de disco pairou calmamente sobre o terminal da United Airlines e, depois, fez um buraco num banco de nuvens acima, enquanto partia rapidamente. Dificilmente alguém tenha ouvido falar sobre ele, até que a história apareceu na primeira página do Chicago Tribüne, no dia 1o de janeiro de 200739, quase dois meses depois, o que precipitou uma agitação de cobertura pela CNN, MSNBC e outras redes de notícias. Com mais de um milhão de acessos, a história do Tribüne rapidamente alcançou o Status de ser a parte mais lida de toda a história do website do jornal, mas, depois, desapareceu da tela de radar da mídia. Nenhuma declaração oficial foi fornecida para um público fascinado, mas também alarmado, ou para os empregados da United diretamente envolvidos. Era um dia comum, nublado, com visibilidade de cerca de 6 km e ventos a 4 nós. Entre 4h e 4h30min daquela tarde, pilotos, administradores e mecânicos da United Airlines olharam para cima, de sua posição no solo, no terminal, e viram o estranho objeto pairando exatamente sob um banco de nuvens, que começava a 1.900 pés acima do solo. Segundo essas testemunhas, o disco de aspecto metálico era do tamanho de um quarto de dólar ou de meio dólar mantido à distância de um braço. Baseado em vários testemunhos visuais, o OVNI tinha um tamanho estimado de cerca de 7 a 26 metros de diâmetro e estava suspenso a aproximadamente 1.500 pés acima do Portão 07 do terminal da United. Um piloto anunciou o avistamento pelo rádio de solo para todos os aviões pousados; um mecânico da United que movia um Boeing 777 ouviu a conversa pelo rádio a respeito do disco voador e olhou para cima; pilotos, que esperavam para decolar, abriram as janelas dianteiras para se inclinar para fora e ver o objeto. Houve um murmúrio na United Airlines. Um funcionário da gerência recebeu um chamado pelo rádio sobre o objeto e correu para fora para ver por si mesmo. Ele, então, chamou o centro de operações da United, certificou-se de que a FAA foi contatada e dirigiu-se para a multidão, para falar diretamente com as testemunhas lá. Os relatos mostraram que o evento durou de cinco a quinze minutos. Então, com muitos olhos agora fixados nele, o disco suspenso repentinamente disparou para cima, a uma velocidade inacreditável, e sumiu em menos de um segundo, deixando um buraco semelhante ao buraco central de um cookie nas nuvens densas. A abertura tinha aproximadamente o mesmo tamanho do objeto e aqueles diretamente sob ele puderam ver o céu azul do outro lado. Após alguns minutos, a ruptura no banco de nuvens se fechou, como se as nuvens fossem sugadas até se juntarem. “Isso foi extremamente incomum, segundo as testemunhas”, disse ao noticiário televisivo o repórter do Chicago Tribune, Jon Hilkevitch, após entrevistar as testemunhas da United para a sua matéria. “Os aviões simplesmente não reagem desse jeito. Eles cortaram as nuvens.” Definitivamente isso não era um avião, disseram os observadores, e muitos pareciam chocados pelo que tinham visto. Alguns estavam impressionados; outros, com medo. “A credibilidade dos testemunhos está fora de questão, e a segurança era a grande preocupação”,


disse Hilkevitch durante uma conversa por telefone. Ele notou que todos os observadores, independentemente, descreveram a mesma coisa: um disco pairando sem fazer barulho e disparando para cima, deixando um claro buraco nas nuvens. “As únicas discrepâncias foram quanto às estimativas de tamanho e que alguns disseram que ele estava girando”, disse-me ele. Infelizmente, cada uma dessas testemunhas da aviação, de alta credibilidade - e havia muitas - escolheram permanecer anônimas, devido a temores pela segurança de seu trabalho. Um empregado da United disse-me que ele poderia ser considerado como um “traidor” de sua companhia aérea. Testemunhas não querem ser “pegas falando com a mídia, uma vez que a companhia de aviação declarou oficialmente que nada tinha acontecido”, escreveu ele em um e-mail. Essas testemunhas de algo que supostamente não existe - algo para se rir com os colegas - foram abandonadas com suas observações abaladas. “Aprendi que esta é uma posição controversa, mas com meu extenso conhecimento de tecnologias da aviação moderna, sei que este OVNI provavelmente não foi criado neste planeta”, disse-me um deles alguns meses depois. A FAA e a United Airlines inicialmente negaram ter qualquer informação sobre o incidente, mas ambas tinham de saber do avistamento, quando uma gravação de uma chamada de uma supervisora da United para a torre de controle do tráfego aéreo foi liberada pela FAA. Eu ouvi essas gravações. “Ei, você viu um disco voador sobre o C17?” perguntou a supervisora, que disse que seu nome era Sue. Risadas são audíveis provenientes do operador da torre Dave e de uma segunda pessoa próxima a ele. “Foi isso que um piloto na área da rampa do 07 nos disse”, continuou ela. “Eles viram um disco voador sobre eles. Mas não conseguimos ver sobre nós”. As risadas continuam nervosamente e Dave responde: “Ei, vocês estão celebrando os feriados ou o que? Estão celebrando o Natal hoje? Não estou vendo nada Sue, e se tivesse visto, não o admitiria. Não, eu não vi nenhum disco voador no portão Cl7.” Cerca de 15 minutos depois, Sue liga novamente, desta vez falando com o operador Dwight. A conversa foi a seguinte: Sue: “Aqui é a Sue da United”, [risada] Torre: “Sim,” [tom sério] [pausa de 12 segundos] S: “Havia um disco lá fora, voando ao redor.” T: “Havia o que?” S: “Um disco”. T: “Um disco?” S: “Sim.” T: “Pode esperar um segundo?” S: “Claro” [pausa de 33 segundos] T: “Ok, desculpe, o que posso fazer por você?” S: “Desculpe, havia, eu disse ao Dave, um disco voador lá fora acima do Charley 17 e ele pensou que eu estava bêbada. Mas não estou bêbada, nem estou bebendo.” T: “Sim.” S: “Alguém tirou uma foto dele. Assim, se vocês o virem lá fora


T: “Um disco como um Frisbee?” S: “Uma coisa do tipo OVNI.” T: “Sim, ok.” S: “Ele tirou uma foto dele”, [risos] T: Quanto acima de Charley 17?” S: “Bem, estava sobre nossa torre. Assim...” T: “Sim.” S: “Assim, se acontecer de vocês virem qualquer coisa...” [ela continua a rir] T: “Você sabe, manterei um olho aberto para isso.” S: “Ok.” Infelizmente, a fotografia a que Sue se referiu nunca foi encontrada. Também, devido à maneira em que as torres foram construídas, os operadores não conseguiam ver o OVNI; sua localização no céu não estava dentro de seu campo de visão através da janela, devido à saliência do telhado. Assim, ele pairou no ponto cego da torre. Aviões cheios de passageiros estavam pousando e decolando, enquanto aquela “coisa do tipo OVNI” pairava no céu e ninguém sabia o que essa coisa era, porque ela estava lá, ou o que poderia fazer em seguida. Nessa conversa gravada, que incluiu risadas, Sue precisou proclamar que não estava bêbada e Dave disse que se tivesse que admitir, mesmo que ele tivesse visto o disco, não o faria - um comentário flagrante do tabu em relação aos OVNIs que infecta o pessoal da aviação, mesmo no meio de um incidente possivelmente perigoso sendo relatado por observadores treinados da aviação. Dave poderia ter reagido diferentemente, se o disco voador tivesse sido captado pelo radar, mas não foi. Talvez o objeto tivesse algum tipo de capacidade de ocultação, mas, ao mesmo tempo, sabemos que os radares dos aeroportos não estão configurados para registrar objetos estacionários como este e, no outro extremo, nem movimentos extraordinariamente rápidos, porque são comportamentos fora das normas. O incidente do O Hare não é o único exemplo disso. Objetos não identificados frequentemente não são detectados pelo radar - mesmo quando fisicamente presentes e vistos por múltiplas testemunhas -, e obviamente isso não significa que eles não estejam lá. Em muitos outros casos, traços no radar são capturados, fornecendo dados valiosos sobre os movimentos do objeto. O que determina essa variabilidade na detecção não se sabe. Felizmente, uma equipe de especialistas do grupo do Dr. Richard Haines, o NARCAP, passou cinco meses investigando rigorosamente o incidente e suas implicações quanto à segurança, e analisando todas as possíveis explicações para o avistamento. Seu relatório de 154 páginas tem a coautoria de Haines, do meteorologista William Pucket - anteriormente da Agência de Proteção Ambiental -, do engenheiro aeroespacial Laurence Lemke - também anteriormente com a NASA em projetos de missões espaciais avançadas -, Donald Ledger um piloto canadense e profissional da aviação - e cinco outros especialistas40. Eles concluíram que o disco do O’Hare era um objeto físico sólido, comportando-se de maneiras que não poderiam ser explicadas em termos convencionais. Ele tinha penetrado no espaço aéreo restrito Classe B sobre um grande aeroporto sem utilizar um transponder. O estudo do NARCAP estabeleceu:


Este incidente é típico, como muitos outros antes dele, onde um fenômeno desconhecido foi capaz de evitar o contato com o radar e, portanto, um reconhecimento oficial e uma resposta efetiva. Quando combinado com a tendência profundamente enraizada que os pilotos têm contra relatar esses avistamentos, a FAA aparentemente tinha bases justificáveis para ignorar este FANI em particular como não existente41. E, de fato, a FAA tentou ignorar o incidente, apesar das implicações de segurança, mas a pressão do Chicago Tribüne e outros a forçou a uma resposta. Inicialmente, um porta-voz da FAA tentou explicar o incidente como luzes do aeroporto refletindo na parte inferior das nuvens. Porém o evento ocorreu à luz do dia e as luzes do aeroporto ainda não tinham sido ligadas. Em uma segunda tentativa, um porta-voz diferente escreveu que toda a coisa tinha sido um “fenômeno climatológico”. Obviamente, esses pilotos da United e os funcionários do aeroporto sabem como reconhecer luzes do aeroporto nas nuvens e condições climáticas incomuns, embora fosse um dia nublado comum. Eles não descreveriam um disco voador, cada um fornecendo a mesma descrição independente das diferentes posições, se alguma condição de tempo estranha estivesse ocorrendo, e sugerir outra coisa é um insulto àqueles que cumprem seu dever relatando a incursão. O especialista em transporte Hilkevitch, que rotineiramente cobre eventos mundanos bem menos excitantes, que regularmente ocorrem no Aeroporto O’Hare, foi mistificado pelo desinteresse da FAA no incidente. “Se isso era um avião, deveria ter sido investigado”, ele me disse. “A FAA trata a menor questão de segurança como muito importante. Ela investigaria um bule perdido na cozinha e que caísse enquanto um avião estivesse pousando.” Brian E. Smith, um antigo administrador do Programa de Segurança da Aviação, da NASA, disse-me que “os administradores gostariam de ouvir sobre estas operações do veículo, antes que elas se tornem acidentes ou desastres”. Disse que as implicações de segurança de qualquer coisa operando fora da autoridade do controle de tráfego aéreo em grandes aeroportos são óbvias, não importando qual veículo seja. Os especialistas do NARCAP concordaram: A qualquer hora, um objeto aéreo pode pairar por vários minutos sobre um aeroporto movimentado, mas não ser registrado pelo radar ou mesmo visto pela torre central. Isso constitui uma ameaça potencial à segurança de voo. A identidade desses FANIs permanece desconhecida. Um inquérito oficial do governo deveria ser realizado para avaliar se as tecnologias de sensoriamento estão adequadas ou não a um futuro incidente como este42. Assim, o que exatamente está ocorrendo aqui? Decidi falar com o porta-voz da FAA, Tony Molinaro, e pedir-lhe mais detalhes sobre “condições climáticas” bizarras, que ele disse que os pilotos da United Airlines interpretaram como um objeto físico - condições climáticas tão aberrantes, que foram capazes de fazer um buraco redondo bem definido através de um espesso banco de nuvens em um segundo. Um fenômeno assim certamente mereceria um estudo pelos cientistas na época da mudança climática e é realmente até mais do que uma novidade do que discos pairando ou disparando


em alta velocidade, que têm sido notícia desde os anos 1940. “Na ausência de qualquer tipo de evidência factual, não podemos fazer mais nada”, disseme Molinaro em uma entrevista por telefone, em resposta à minha pergunta de por que a FAA escolheu não investigar isso. Mas havia evidência factual para seu fenômeno climático recémdescoberto? O clima é o melhor palpite, ele disse, e então indicou um fenômeno natural específico, que não é realmente climático: uma “nuvem furada”, como é coloquialmente chamada. Afinal, afirmou ele, este tipo de buraco na nuvem tem uma “forma perfeitamente circular, como um disco redondo” e tem “vapor subindo por ele”. Em outras palavras, as testemunhas interpretaram o buraco na nuvem com um disco (muito embora o disco tenha sido visto durante vários minutos antes do buraco ser criado), e a ascensão de vapor, de alguma forma se movendo para cima em desafio à gravidade, foi o que as testemunhas acreditaram ser o disco disparando para cima através das nuvens. Isso não soa ridículo, se você parar e pensar um pouco? É o tipo de resposta que tipicamente é fornecida há décadas, quando os funcionários são pressionados a dizer alguma coisa. E mesmo que Molinaro tenha começado sua explicação qualificando-a como um “palpite”, esse tipo de eufemismo sutil rapidamente se perde na mídia de massa e do público em geral. E esse seu palpite é razoável? Contatei especialistas em clima e cientistas especializados em física de nuvens - algo que a FAA teria sabiamente de ter feito, antes de liberar sua explicação. Não, isso não poderia ser o que as testemunhas viram - eu fiquei sabendo. Nuvens furadas são formadas quando cristais de gelo de uma nuvem, que está mais acima, caem numa nuvem que está abaixo. O buraco é formado quando os cristais de gelo caem e não quando sobem, como Molinaro postulou. Gotas de água extremamente geladas da nuvem inferior aderem aos cristais, aumentando seu tamanho e deixando um espaço ao redor deles na nuvem. A massa de cristais acumula peso e, então, cai em uma segunda nuvem mais abaixo, evaporando quando encontra ar mais quente. O fator chave é que esse processo somente ocorre em temperaturas abaixo do congelamento. A temperatura a 1.900 pés sobre o Aeroporto O’Hare, no dia do avistamento, era de aproximadamente 11°C, de acordo com o Serviço Nacional de Meteorologia. Os climatologistas e outros especialistas em clima com quem falei afirmaram que as temperaturas precisam estar abaixo de zero para explicar o avistamento de uma nuvem furada. E eles me disseram que um buraco em uma nuvem pode ser formado por um único outro jeito: evaporação por calor. E foi exatamente isso que ocorreu, segundo a explicação das testemunhas para o que elas viram: um objeto redondo, de alta energia, muito provavelmente emitindo algum tipo de radiação intensa ou calor enquanto atravessava o banco de nuvens. Assim, a evaporação por calor não seria a explicação mais lógica, o “melhor palpite” para o que aconteceu? A equipe do NARCAP também reconheceu a tolice da explicação de Molinaro: Postulamos que a natureza instantânea de formação do buraco, a forma circular e suas bordas agudas, tudo indica a emissão direta, por exemplo, de radiação eletromagnética da superfície da esfera achatada nos polos como a causa provável do buraco nas nuvens. Não conseguimos identificar o objeto ou fenômeno interno à superfície dessa esfera, mas duas


conclusões parecem inescapáveis: (1) o objeto ou fenômeno observado teria de ser objetiva e externamente real para criar o efeito de buraco; e (2) o fenômeno do buraco associado a este objeto não pode ser explicado como um fenômeno climatológico convencional, nem por uma aeronave convencional, conhecida ou não.”43 Infelizmente, nosso governo não está querendo emitir uma afirmação sábia sobre o que realmente aconteceu, dando o devido respeito aos relatos das testemunhas e, em vez disso, recusou-se a investigar. Mais uma vez, o público em geral, curioso, foi deixado de fora, frustrado, alarmado, e perplexo com o silêncio de seu governo. Mantendo o padrão histórico, a explicação da FAA de uma nuvem furada é factualmente ridícula, uma vez que a temperatura no O’Hare era muito alta para que isso tivesse sido uma possibilidade física. Não obstante, uma vez emitida e impressa pela mídia a explicação da FAA, não importando quão artificial seja, ela fornece uma saída útil para aqueles inclinados a rejeitar um e todos os avistamentos de OVNIs, para aqueles que acreditam que essas coisas não existem. A maioria das pessoas nunca saberá que a temperatura no O’Hare tornaria a explicação da FAA impossível (essa informação só foi trazida à tona meses depois do fato) e são seduzidas por aquilo que as autoridades dizem. Então, o caso fica contaminado por aquela semente de dúvida, que faz parte do registro. Aqueles que conhecem os fatos sobre o incidente do O’Hare continuam a desconfiar de nosso governo, que demonstrou, mais uma vez, que evitará lidar com incidentes com OVNIs a todo custo. Esse evento recente ilustra claramente os princípios fundamentais do problema OVNI, do qual falei na introdução: são objetos físicos, reais; permanecem inexplicados; podem ser um perigo para a segurança da aviação; nosso governo rotineiramente os ignora, desrespeitando testemunhas especialistas e emitindo falsas explicações; a hipótese extraterrestre não pode ser descartada quando nenhuma explicação natural ou devida ao homem se aplica; e uma imediata investigação é necessária. Por que nosso governo não tem interesse em um objeto estranho, altamente tecnológico, pairando sobre um grande aeroporto, como relatado pelo pessoal competente da companhia aérea? E quanto à segurança dos passageiros? E nossa segurança nacional após 11 de setembro? O desagrado oficial para lidar com o fenômeno OVNI está enraizado a ponto de ser contraprodutivo, mas possivelmente perigoso.


CAPÍTULO 7 - OVNIs Gigantes sobre o Canal da Mancha, em 2007 Pelo Comandante Ray Bowyer Cinco meses após o incidente no O’Hare, em 25 de abril de 2007, ocorreu um outro avistamento, envolvendo pilotos e pessoal da aviação, desta vez sobre o Canal da Mancha, na região da Normandia da costa francesa. O piloto de uma companhia de aviação comercial, Ray Bowyer, não hesitou em relatar seu avistamento de dois OVNIs imensos, testemunhado por ele e seus passageiros, muito embora não tendo havido impacto direto na segurança de voo. Seguindo o regulamento, ele submeteu seu relatório à Autoridade da Aviação Civil [CAA], o órgão regulatório da aviação britânica responsável pela segurança aérea, equivalente à FAA. Desta vez, os objetos foram seguidos pelo radar e o avistamento foi notícia ao redor do mundo, sem demora. O Comandante Bowyer diz que não houve efeitos negativos por ter falado a respeito do incidente, quando foi abordado pela BBC. Sua companhia aérea deu-lhe todo apoio que precisou, e o controle de tráfego aéreo local liberou a informação registrada aos jornalistas e pesquisadores que perguntaram sobre o caso. “Eu não senti qualquer perigo de ser ridicularizado, porque tudo o que eu fiz foi relatar o que realmente aconteceu, como era meu dever”, afirmou ele. Especialmente depois de ler sobre o caso do Aeroporto O’Hare, que ocorreu apenas alguns meses antes do seu avistamento, Bowyer observou as diferenças entre o sistema de relatórios americano e o britânico e também entre as atitudes oficiais nos dois países. O fato de que as tripulações e pessoal de solo foram pressionados por sua companhia para não discutir o incidente e que a FAA não fez investigações, surpreenderam-no. “Eu teria ficado chocado se me dissessem que a CAA não investigaria ou se a CAA me dissesse que o que eu havia visto era alguma coisa completamente diferente”, comentou ele, em resposta à afirmação da FAA de que as testemunhas estavam realmente observando uma condição climatológica. “Mas parece que os pilotos na América estão acostumados a esse tipo de coisa, é o máximo que posso dizer.” Encontrei o Comandante Bowyer em nossa conferência de imprensa, em Washington D.C., seis meses após seu avistamento, quando encontrei também o General De Brouwer. Ele compareceu por alguns dias com total cooperação de sua companhia aérea, Aurigny Air Services, que voa entre as Ilhas do Canal, tanto na França quanto no Reino Unido. Achei o Comandante Bowyer notavelmente franco, realista, um britânico absolutamente incorruptível. Em outras palavras, um homem naturalmente honesto, abençoado também por um grande senso de humor. Seu relato, apresentado a seguir - embora às vezes alarmante - expressa essas qualidades pessoais e coloca-se em contraste interessante com os estilos mais formais e contidos de nossos contribuidores militares. Sempre houve uma forte conexão na minha família com o voo e, muito embora inicialmente eu tenha treinamento como engenheiro de produção e pesquisa, sempre desejei ardentemente voar. Assim, em 1985, comecei a voar e, quatro anos depois, obtive meu brevê de piloto


comercial. Desde então, trabalhei para muitas companhias aéreas na Bretanha, na Europa e no Oriente Médio. Trabalhei dez anos, começando em 1999, na Aurigny Air Services, baseada nas Ilhas do Canal, que ficam entre o sul da Grã Bretanha e o norte da França. A Aurigny voa entre as três ilhas maiores - Alderney, Jersey e Guernsey - e o oeste da França e Inglaterra. Completei cerca de 5.000 horas de voo e 8.000 pousos para a Aurigny, no avião Britten-Norman Trislander. Embora muito básicos e barulhentos, esses aviões, de dezoito lugares e três motores, são fortes e ideais para o trabalho neste pequeno setor, em viagens curtas, tais como aquelas para Alderney, a menor e mais ao norte das ilhas servidas pela companhia aérea. A cabine de comando do Trislander não é separada da área de passageiros - nós todos nos sentamos em essencialmente uma cabine aberta. Enquanto piloto o avião, posso literalmente me virar e conversar com o passageiro atrás de mim. Em 23 de abril de 2007, meus passageiros e eu testemunhamos vários, contudo não identificados, objetos sobre essas ilhas, enquanto cruzávamos o Canal da Mancha. Eles eram muito, muito grandes e foram captados pelo radar em duas localizações, e uma foi testemunhada por um outro piloto de um outro ponto totalmente diferente. A 4.000 pés de altitude naquela tarde, a visibilidade era muito boa - pelo menos 160 km com uma de névoa abaixo de nós, a 2.000 pés. Estávamos em rota de Southampton, Inglaterra, para Alderney, que leva cerca de quarenta e cinco minutos, viajando a 150 milhas por hora. Inicialmente, vi um objeto que parecia próximo por causa de seu aparente tamanho, e considerei que estivesse apenas a 8 ou 10 km de distância. Porém, enquanto o tempo passava e o objeto permanecia à vista, muito embora eu tivesse voado 32 km para mais perto dele, ele ainda parecia estar a uma boa distância. Inicialmente, quando o vi, pensei, baseado em experiência passada, que aquela brilhante luz amarela era reflexo do sol em uma estufa comercial em Guernsey, famosa por sua produção de tomates. Mas, neste caso, o movimento relativo do avião em combinação com o ângulo crítico entre o solo e o sol indicava que tal reflexo não poderia ocorrer. Além disso, não havia luz do sol direta de cima, pois havia uma camada de nuvens a 10.000 pés cobrindo toda a área. Com isso em mente, peguei meus binóculos, enquanto voava com o piloto automático e, vendo-o com um aumento de dez vezes, verifiquei que este objeto emissor de luz tinha forma definida: aquela de um charuto fino, com as duas extremidades afiladas. A taxa de proporção era aproximadamente de 15:1, e claramente pude ver, através dos binóculos, uma faixa escura a dois terços da distância da esquerda para a direita. Conforme fui chegando mais perto do objeto, uma segunda forma idêntica apareceu para além da primeira. Ambos os objetos tinham a forma de disco achatado com a mesma área escura no lado direito. Eram de um amarelo brilhante, com luz emanando deles. Passei a informação para o controle de tráfego aéreo de Jersey (ATC) e eles disseram inicialmente que não tinham contato. Pressionei o ponto nas próximas milhas e o controlador em Jersey, Paul Kelly, então disse que obteve os primeiros contatos ao sul de Alderney. Assim, aqui estávamos em uma clara tarde de maio, com dois objetos à frente ficando cada vez mais próximos e maiores, sem qualquer explicação do que eram eles! Estava espantado, mas curioso. Neste ponto, os passageiros começaram a notar essas coisas incomuns e a fazer perguntas sobre eles. Decidi não fazer qualquer anúncio pelo intercomunicador, para não alarmar


ninguém, mas era óbvio que alguns ficaram preocupados. Naquela hora, os dois objetos idênticos eram facilmente visíveis sem binóculos, com o segundo atrás daquele que estava mais próximo, com exatamente as mesmas características, embora mais afastado. O ATC então me informou que havia dois reflexos no radar, ambos a sudoeste de Alderney. Isso estava além do meu destino, o que me deixou contente, pois os objetos estavam se tornando desagradavelmente próximos. É difícil descrever seu brilho, mas consegui olhar para essa luz fantástica sem desconforto. Parecia que os dois estavam parados, mas os traços do radar mostraram, posteriormente, outra coisa: eles estavam realmente se afastando um do outro a cerca de 6 nós, um para o norte, a partir da extremidade norte de Guernsey, para o farol Casquettes, e o outro se dirigindo para o sul, ao longo da costa noroeste de Guernsey. Devido à camada de névoa, é improvável que os objetos fossem visíveis do solo. Porém, depois do acontecido, a rádio BBC recebeu um relato não corroborado de que um deles tinha sido visto por um turista, que estava em um hotel local em Sark, perto do farol Casquettes. Chegando ao local de começar a descida, trinta e dois quilômetros NNE de Alderney, mantive uma altitude de 4.000 pés, para permanecer com uma boa visão dos objetos. Se eles começassem a se mover, queria ser capaz de agir para impedi-los, se possível. Devido à minha proximidade, a área escura no lado direito do objeto mais próximo tomou uma aparência diferente, no limite entre o amarelo brilhante e a faixa escura vertical. Parecia ser uma camada pulsante entre as duas cores diferentes, uma espécie de interface com azuis, verdes e outros tons cintilantes, subindo e descendo a cada segundo ou assim pareceu. Era fascinante, mas eu estava agora bem além de nosso ponto de descida e, para ser franco, não estava muito aborrecido por ter de pousar. Naquela hora, meus sentimentos eram confusos. A segurança dos passageiros era soberana e isso sempre vem primeiro. De modo que pousar era a prioridade. Porém, eu estava realmente intrigado com o que quer que fosse aquilo que estava à minha frente, muito embora estivesse também saudavelmente temeroso. Se o avião estivesse vazio, teria chegado muito mais perto, talvez sobrevoasse o objeto mais próximo para obter mais informações e satisfazer minha curiosidade. Contudo, nunca colocaria os passageiros em risco. Minha última visão dos objetos foi enquanto eu passava para os 2.000 pés e descia através da camada de névoa. Durante todo o encontro, que durou quinze minutos, não houve interferência com qualquer dos sistemas ou instrumentos do avião, e as comunicações pelo rádio aparentemente não foram afetadas. Após o pouso, perguntei se algum dos passageiros tinha visto alguma coisa incomum, sem querer orientá-los, e disse-lhes que se eles tivessem visto e quisessem relatar, precisariam deixar seus nomes e números no balcão de check-in. Os passageiros Kate e John Russell, sentados três fileiras atrás de mim, tornaram públicos seus avistamentos, e sua história está bem documentada. Pelo menos quatro outros passageiros viram os objetos, e o senhor que se sentava bem atrás de mim pediu-me emprestado os binóculos para ter uma visão mais próxima. Caminhei para nosso departamento de operações para fazer um relato oficial, como exigido por lei, informando às autoridades que aqueles objetos não identificados tinham sido vistos dentro do espaço aéreo controlado, onde certamente não deveriam estar. Fiz um desenho esquemático rápido, e este foi enviado ao ATC de Jersey e também para o Ministro da Defesa e para a Autoridade da Aviação Civil, em Londres. Com isso feito, era hora de tomar uma


rápida xícara de chá e retornar para Southampton, com uma outra leva de passageiros. Fiquei um pouco preocupado ao pensar na partida para o oeste, na direção de onde eu havia visto o objeto mais próximo e, embora nada estivesse visível à frente, enquanto alinhava o avião para a decolagem, eu tinha consciência de que havia perdico contato com o par de objetos apenas por causa da camada de névoa. Agradecidamente, após subir acima de 2.000 pés, não havia nada para se ver. Foi então, nesta viagem de volta a Southampton, que tive tempo para fazer um balanço de quão grande os dois objetos realmente eram. Enquanto estava em Alderney, recebi confirmação dos sinais de radar pelo controlador que tinha recebido os dados. Consegui determinar que eu estava a aproximadamente 88 km de distância do primeiro objeto, não a 16 km ou menos, como eu pensara originalmente. Voando pela Europa à noite, acaba-se conhecendo o tamanho das cidades em relação a extensões específicas, colocando uma escala sobre lugares de tamanho conhecido, ao longo de um ângulo oblíquo conhecido de um ponto de visão distante. Consegui aplicar essa mesma referência aos objetos não identificados, presumindo que eram discos achatados. Naturalmente, eles pareciam longos e finos a partir de meu ponto de visão lateral. Ver uma cidade razoavelmente grande de uma distância de 88 km seria comparável ao tamanho deste objeto. Foi neste ponto que seu tamanho maciço tornou-se claro e eu estimei que estivesse acima de 1,6 km de comprimento. Em meu subsequente retorno a Alderney desde Southampton, telefonei para a ATC de Jersey e falei com Paul Kelly, o controlador em serviço, que se comunicou comigo durante o avistamento. Ele me informou que um piloto de outro avião tinha descrito um avistamento como “correspondendo à descrição” daquilo que eu vira. Isso me deu um grande alívio, pois confirmou que eu não estava maluco!

De fato, o comandante Patrick Patterson, o piloto de um avião Blue Island Jetstream que, da Ilha de Man, se dirigia para Jersey, tinha testemunhado a mesma coisa que eu, de 32 km ao sul acima da minúscula ilha de Sark. Alguns meses depois, encontrei-me com o Comandante Patterson e trocamos informações sobre o que tínhamos visto. Embora seu avistamento tivesse durado apenas um minuto mais ou menos, sua descrição provou-me que tínhamos visto a mesma coisa, ainda que ele tenha visto apenas um único objeto, estando o segundo atrás do primeiro e, portanto, fora de vista.


O sinal de radar registrado naquela hora mostra claramente dois objetos se movendo lentamente, aparecendo e desaparecendo simultaneamente do radar. Os sinais começam e terminam exatamente na mesma hora, nem um minuto, ou mesmo dez segundos, a mais. O objeto mais setentrional termina, em seus momentos finais, transitando sobre o farol Casquettes. O radar também mostra o avião Blue Island indo do topo à esquerda para o fundo à direita e meu avião indo do topo à direita para o centro. Um relatório extenso realizado por uma equipe de pesquisadores independentes (dos quais eu discordo em alguns conteúdos) não oferece totalmente evidências que expliquem o avistamento, o que confirma, para mim, que dois objetos tangíveis realmente apareceram sobre as Ilhas do Canal naquele dia. Esse estudo chega a detalhes extraordinários e tem mais de 175 páginas, com referências ao tempo, inversões térmicas, atividade militar, movimentos de transporte de superfície e muitas outras áreas de investigação44. Porém, há um ponto significativo com o qual tenho de discordar da equipe: a sua rejeição dos sinais de radar, que para ela eram retornos provavelmente de um navio de carga. Por que os dois sinais começariam e parariam no meio do oceano, exatamente no mesmo momento, quando deveriam ser vistos partindo ou retornando ao porto? E o objeto que estava ao norte termina, em seus momentos finais, transitando sobre o farol de Casquettes - cena de muitos naufrágios, incluindo o do SS Stella, no final do século XIX, com grande perda de vidas. Com ondas a 8 nós nesta área, isso certamente seria muito inapropriado; de fato, seria temerário fazer um navio de carga navegar nesse local! Independentemente da controvérsia, e muito embora muitos avistamentos de pilotos não tenham múltiplas testemunhas ou rastreamentos por radares, eu ainda insisto para que todas as tripulações relatem o que quer que vejam, tão logo seja possível, e a se apresentar como testemunha. A lei aérea estipula muito claramente que, se uma tripulação de um avião vê outra aeronave em um local em que não deveria estar, deve, na primeira oportunidade, relatar todo o cenário a uma autoridade relevante. Em meu caso, a Autoridade da Aviação Civil Britânica soube em vinte minutos sobre o avistamento, como descrito no diário de bordo do voo, enviado por fax diretamente para o escritório da CAA competente. Os militares foram informados pelo controle de tráfego aéreo de Jersey na mesma hora. Isso não é uma opção; é uma obrigação que as tripulações devem reagir desta maneira. Desde que vi os dois OVNIs e relatei os avistamentos abertamente, as pessoas têm me feito aquela pergunta que todos gostariam de ver respondida sobre esse assunto: “Então, o que é que você viu? O que você acha que era?” Na verdade ainda não tenho uma resposta que me satisfaça. Há uma série de “e se” a ser considerada. Por exemplo: E se foi um sonho? Ou e se não houvesse qualquer camada de nuvens entre o solo e os objetos? Seu brilho puro certamente teria sido visto a centenas de quilômetros pelas pessoas em terra e por todos os pilotos no ar. A superfície do mar e da terra teria sido iluminada como se por dois mini-sóis. Também, quatro dias depois, houve um terremoto fora da costa de Kent, a cerca de 320 quilômetros. Será que eles seriam luzes de terremoto, um fenômeno raro coincidente com tremores de terra? Improvável. Não foram vistos sobre a água, uma vez que elas ocorreram diretamente na linha da falha geológica. E poderia uma delas se manifestar como um objeto


definido brilhante, estacionário, com uma duplicata exata a alguma distância? Altamente duvidoso. Ou o brilho dos objetos era apenas um efeito colateral, já que talvez eles fizessem parte de algum experimento secreto? Tenho interesse em saber se algum satélite militar ou governamental captou essa luz brilhante ou fonte de poder extraordinária, o que seria provável. De qualquer modo, o Ministro da Defesa afirmou por escrito que isso não era um exercício militar ou qualquer coisa pertencente aos militares. Minha conclusão para todos os que fazem a pergunta é simples: acredito que havia duas aeronaves sólidas trabalhando em uníssono naquele dia, demonstrado pelo fato de que estavam ligados tanto no tempo quanto no espaço. O que eram, não posso responder. O que estavam fazendo, uma vez mais não posso responder. O que posso dizer é que para máquinas tão imensas, que eram visíveis a mais de oitenta quilômetros, por duas fontes independentes e com evidência do radar para provar sua procedência, apenas posso concluir que não eram daqui das redondezas e com isso quero dizer que eles não eram, não podiam ser, manufaturados na Terra. Assim, o que vem a seguir? Bem, esse caso, corno muitos outros, foi encerrado, antes mesmo que tivesse começado, no que se refere às autoridades. Os militares britânicos e franceses mostraram o seu agora costumeiro “Não estamos muito preocupados, realmente”, uma vez que seus respectivos espaços aéreos não estiveram sob ameaça direta. Interpreto isso como: “Nós o vimos, mas não há nada que possamos fazer para impedir ou fazê-los ir embora”. Acredito que o que testemunhamos naquele dia, junto com aquilo que muitos pilotos testemunham ao redor do mundo em base regular, é conhecido por todas as autoridades relevantes como algo não originário deste planeta, e isso é sabido há muito tempo. Mas e se as pessoas do mundo fossem informadas disso? Poderia resultar em recriminação contra o governo, a religião e as autoridades, possivelmente agitação civil em larga escala, culminando em uma nova ordem mundial, que poderia ou não ser benéfica ao planeta, ou uma miríade de outros cenários complicados e imprevisíveis. As autoridades talvez façam bem em considerar manter a tampa da caixa de Pandora no lugar. Por outro lado, acredito que está chegando a hora em que eles não mais serão capazes de continuar varrendo esse assunto pra debaixo do tapete. Com uma tecnologia melhorada disponível, e com mais avistamentos sendo fielmente registrados a cada dia, a hora certamente não está muito distante. Logo, eles terão de confrontar as pessoas com aquilo que sabem. Dependendo do que sabem, ou o que seríamos capazes de aprender uma vez que eles façam isso, suspeito que essa poderia ser a hora da raça humana crescer. Forçados a confrontar sua própria pequenez em relação ao lugar da Terra no Universo, os seres humanos poderão finalmente enfrentar o futuro como um peixe minúsculo num grande oceano. Para mim, todo esse episódio expôs um novo mundo que eu não sabia que existia. Conheci um grupo de pessoas muito incomuns, que são fascinadas pelos OVNIs - um ramo eclético de dedicados crentes, sonhadores, escritores, céticos, cineastas, testemunhas, psicoterapeutas, antigos oficiais militares e todo tipo de pessoas assim. Algumas das que conheci acreditam firmemente em inteligência extraterrestre; outras insistem em refutar qualquer ideia de uma inteligência maior do que a mente humana. De qualquer modo, as crenças são firmemente mantidas e vocalmente expressas em todas as formas de mídia. E toda uma indústria surgiu


para satisfazer a fome de conhecimento ao redor desse assunto. Quanto a mim, a vida retornou ao normal. Ainda dou entrevistas ocasionalmente para o jornal, a TV ou o rádio, mas aqui em casa, em Guernsey, o incidente foi praticamente esquecido. As pessoas têm outras coisas na cabeça agora, e se preocupar com alguma coisa que não vai pagar a hipoteca de suas casas cai firmemente para um segundo ou terceiro lugar. Independentemen- te, pode estar chegando o dia em que toda a raça humana terá de enfrentar a assustadora realidade de que coexistimos com outros neste universo. Do meu ponto de vista, faríamos bem em nos acostumar com isso agora, por que, francamente, temos muito pouca escolha.


CAPÍTULO 8 - OVNIs como Alvos da Força Aérea

Jatos comerciais de passageiros operam muito independentemente da aviação militar e, obviamente, como descrito por Richard Haines, têm opções limitadas quando têm de responder a um OVNI próximo. Também, pelo menos na América, o estigma contra relatar tais eventos é bem grande entre os pilotos civis, que enfrentam a possibilidade de que, se relatarem, a história poderia vazar para a mídia, aumentando ainda mais a zombaria. Nenhuma testemunha teria registrado o caso do O’Hare, em 2006, apesar dos números que validariam o incidente e a preocupação legítima com a segurança da aviação expressa por muitos deles. Mas o que acontece quando pilotos em jatos militares, completamente armados, encontram OVNIs? Ou se a radiação eletromagnética dos OVNIs desabilita equipamento sensível em bases militares, como ocorreu na cabine de um avião? Isso se torna uma questão de segurança nacional? Tais considerações avançam ainda mais quando há problemas de segurança da aviação causados pela proximidade acidental com OVNIs. Quando é apropriado que os jatos militares assumam uma ação agressiva? Em contraste com a aviação comercial, os militares operam dentro de uma arena menos pública. Diferentemente dos pilotos comerciais, que estão comprometidos com a segurança e conforto de frequentemente centenas de passageiros, bem como com a proteção de sua própria reputação pessoal e a da sua companhia aérea, os oficiais da Força Aérea têm um conjunto muito diferente de prioridades. Esses pilotos são orientados para a proteção de sua pátria de ataques e para a manutenção da prontidão para uma invasão não antecipada ou um ataque terrorista. Os aviadores militares estão preparados para se defender, se necessário; seus jatos estão carregados não com passageiros, mas com armamento letal, que pode ser usado tanto para o ataque, quanto para a defesa. Pilotos militares e seus controladores de tráfego aéreo são treinados para obedecer ordens e não fazer muitas perguntas, e o sistema funciona bem tanto na arte de relatar informação sensível, quanto na de manter sua confidencialidade. Dentro das Forças Armadas, os pilotos são aqueles que mais provavelmente preenchem relatórios como urna questão de dever, livre dos riscos que os pilotos comerciais enfrentam, porque eles sabem que tal informação será provavelmente restrita. Quando os pilotos da Força Aérea enfrentam um OVNI, há frequentemente outras testemunhas de um segundo avião, ou de uma base abaixo, e a informação pode rapidamente percorrer a cadeia de comando. Esses oficiais sabem que outro avião pode ser prontamente chamado como apoio em qualquer batalha incomum. E eles podem se defender instantaneamente, se necessário. Sabendo disso, alguém naturalmente se pergunta: Os pilotos militares já dispararam em OVNIs? A resposta chocante é: sim. Em novembro de 2007, tive a felicidade de encontrar e passar alguns dias com dois pilotos que tiveram, ambos, longas “batalhas” com OVNIs. O general iraniano aposentado Parviz Jafari era major da Força Aérea iraniana, em 1976, e lhe foi ordenado pelo Comando da Força Aérea que subisse em seu jato Phantom F-4 II e abordasse um OVNI luminoso observado sobre Teerã. Várias vezes, durante uma caçada do tipo “gato-e-rato”, ele e seu navegador


tentaram lançar um míssil SideWinder em objetos menores adicionais à sua frente, mas, no momento do lançamento, seu equipamento desligou, retornando ao normal somente quando seu jato se afastou. O objeto principal tinha sido perseguido por um segundo jato da Força Aérea e foi registrado pelo radar da cabine e observado do solo por um general e uma tripulação experimentada em navegação aérea. Um segundo evento semelhante ocorreu quatro anos depois, em 1980, sobre uma base aérea do Peru, quando o então tenente Oscar Santa Maria Huertas recebeu a ordem de interceptar o que se acreditava inicialmente ser um dispositivo de espionagem aérea. Ele atirou no objeto semelhante a um balão, fazendo um fogo de barragem com metralhadora, mas não obteve qualquer efeito. Ele rapidamente compreendeu que aquilo era algo desconhecido: um OVNI. Três vezes ele fixou o alvo no objeto, quando ele estava parado, mas todas as vezes, no último instante, os tiros iam diretamente para cima. O OVNI foi testemunhado à luz do dia por mais de mil soldados e pelo staff da base militar de La Joya. O General Jafari e o Comandante Santa Maria45 encontraram-se pela primeira vez em nossa conferência de imprensa de 2007, em Washington, D.C., à qual também compareceram o General De Brouwer, o comandante Ray Bowyer e vários outros contribuidores deste livro. Foi uma oportunidade de apresentar publicamente as declarações, mas também uma oportunidade única para aqueles homens conversarem durante alguns dias, formando a base de uma rede internacional. Como coorganizadora e contato de mídia do evento, bem como anfitriã de nossos conferencistas, fiquei a par de muitas discussões privadas durante o café-da-manhã e de algumas que duraram até tarde da noite. Nunca esquecerei a tarde de dois dias antes da conferência, quando o General Jafari e o Comandante Santa Maria apertaram-se as mãos e sentaram-se juntos pela primeira vez. Eles tinham acabado de chegar ao Washington Hotel, depois de longas viagens de partes muito distantes do planeta. Esses dois cavalheiros modestos se juntaram ao nosso pequeno grupo no restaurante do terraço do hotel, cansados, mas aliviados por estarem entre amigos e excitados pelo momentoso evento de imprensa que tinham à frente. O General Jafari, sentado à minha direita, era afável e animado, e logo estava respondendo a uma série de perguntas dos que estavam em nossa mesa sobre o incidente de 1976. Nem Jafari nem Santa Maria sabiam muito sobre as experiências um do outro e a conversa que se seguiu foi espontânea, sem qualquer planejamento, sem gravadores ou câmeras que reduzissem a intimidade. O Comandante Santa Maria não falava inglês, mas logo depois de Jafari começar o seu relato, um casal que falava espanhol e estava na mesa ao lado confessou que eles não conseguiram deixar de escutar e um deles se ofereceu para traduzir para ele. Depois de Jafari, ele contou sua história, incitado por aqueles que estavam ao redor. Ambos os homens, cada um testemunha de um dos eventos mais incomuns na história da Força Aérea, descobriram como suas experiências eram similares. Cada um deles pôde se identificar com o medo e a admiração expressa pelo outro ao recontarem suas histórias. Como pilotos da Força Aérea de dois continentes diferentes, ambos repentinamente se defrontaram com algo completamente impossível, contudo poderosamente real. Foram as horas mais notáveis que eu já tinha passado desde o início desta jornada dez anos atrás, e me senti privilegiada por testemunhar isso. Os dois militares aposentados eram homens modestos, despretensiosos e diretos, bem como


totalmente acreditáveis. Jafari descreveu um objeto veloz vindo atrás de seu caça Phantom F-4, enquanto ele se preparava para voltar para a base. Alguém, em nossa mesa, perguntou-lhe como ele se sentiu. “Naquele momento”, ele respondeu em seu inglês perfeito, mas pitoresco, “levei o maior susto”. Santa Maria fez um desenho de seu OVNI num cartucho de açúcar servido com nosso café, cartucho este que guardei como lembrança. E por que esses dois pilotos se sentiram compelidos a atirar nesses OVNIs? O General Jafari explicou que estava agindo em legítima defesa. Inicialmente, ele não tinha intenção de fazer isso, porque o general iraniano, que lhe dera a ordem, e seu navegador estavam simplesmente interessados em dar uma boa olhada no objeto brilhante, para tentar determinar sua identidade. Mas Jafari logo se viu confrontado pelas ações altamente inesperadas e ameaçadoras ao seu avião. As circunstâncias de Santa Maria foram diferentes. Desde o início, disseram-lhe que o propósito de sua missão era destruir o “dispositivo de espionagem” que estava acima de sua base aérea, já que este não tinha respondido à comunicação normal. O piloto nem tinha ideia de quão fúteis seriam suas ações, quando tentou atirar no OVNI. Em retrospecto, sempre haverá uma interrogação quanto a se houve agressão real por parte do OVNI, e nós não temos ideia de suas intenções ou propósitos, ou mesmo se esses conceitos se aplicam. Porém, tais incidentes, embora raros, levantam sérias questões sobre segurança nacional. Do jeito que está agora, parece haver um acordo uniforme nos mais altos níveis militares que os OVNIs não são beligerantes. Mesmo quando provocados por agressão humana, eles não revidaram - e temos de assumir que eles têm toda a capacidade de fazê-lo. Como o General Denis Letty, da França, assegurou aos leitores do Relatório COMETA, embora “manobras de intimidação tenham sido confirmadas”, os OVNIs não demonstraram atos hostis até hoje. Talvez o verdadeiro problema de segurança nacional repouse nas tentativas impulsivas, mesmo que compreensíveis, dos pilotos militares em se defenderem daquilo que eles logo descobrem ser fenômenos de tecnologia vastamente superior com agendas desconhecidas urna perspectiva verdadeiramente assustadora. Mas mesmo que os pilotos sintam que a autodefesa está garantida, tais ações poderiam ter consequências desastrosas, se eles forem bem sucedidos na tentativa de destruí-los. Os riscos de se envolver militarmente com algo poderoso assim, e completamente desconhecido, são autoevidentes. Niguém pode predizer o comportamento de algo que não compreendemos. Estar no modo de ataque também reduz a possibilidade de estabelecer comunicação com o OVNI, se isso for possível, ou de simplesmente aprender mais sobre ele, através da observação cautelosa. Os relatos de Jafari e Santa Maria fornecem as histórias internas daquilo que os dois pilotos da Força Aérea experimentaram quando tentaram atirar em um OVNI. Eles não receberam qualquer treinamento ou preparação para lidar com tal eventualidade não antecipada.


CAPÍTULO 9 - Combate Aéreo sobre Teerã Pelo General Parviz Jafari (Aposentado), Força Aérea Iraniana Por volta das 23h da noite de 18 de setembro de 1976, cidadãos ficaram assustados com um objeto desconhecido sobrevoando Teerã à baixa altitude. Assemelhava-se a uma estrela, mas era maior e mais brilhante. Algumas dessas pessoas ligaram para a torre de controle do tráfego aéreo, no aeroporto Mehrebad, onde Houssain Pirouzi era o supervisor encarregado naquela noite. Depois de receber quatro ligações, ele foi para o lado de fora e olhou através de binóculos na direção indicada pelas pessoas. E ele viu o também - um objeto brilhante piscando luzes coloridas e mudando de posição a cerca de 6.000 pés de altitude. Parecia também que ele mudava de forma. Pirouzi sabia que não havia aviões ou helicópteros nas vizinhanças naquela noite. Por volta de meia noite e meia, ele alertou o posto de comando da Força Aérea, onde, naquela hora, estava o General Yousefi, que foi para fora e também viu o objeto. Ele decidiu lançar um caça Phantom F-4 II, da base aérea Shahrokhi, localizada fora de Teerã, para investigar. O F-4 levava duas pessoas: o Capitão Aziz Khani e o Primeiro Tenente Hossein Shokri, o navegador. Eu era major e comandante de esquadrão naquela época, e um de meus pilotos, que estava entre os primeiros homens alertados na área, decolou imediatamente. Deixei minha casa e me dirigi para a base, para ser responsivo à operação que ocorria lá. O F-4 já estava no ar quando cheguei à base, e Khani e Shokri tinham visto o objeto e estavam tentando caçá-lo. Mas o objeto estava se movendo perto da velocidade do som, de modo que eles não conseguiam pegá-lo. Quando chegaram o mais perto possível dele, todos os seus instrumentos desligaram, o rádio foi truncado e eles perderam a comunicação. Ao se afastarem novamente do objeto, todos os instrumentos do F-4 ligaram novamente e as comunicações foram reassumidas. Cerca de dez minutos depois, recebi a ordem de decolar um segundo caça para abordar o objeto. Então já era cerca de lh30min da madrugada de 19 de setembro. O Primeiro Tenente Jalal Damirian, meu segundo piloto no assento de trás, operava o radar e outros equipamentos. Quando decolamos, o objeto parecia exatamente aquilo que tinha sido relatado. Era muito brilhante, voando em baixa altitude sobre a cidade e, então, começou a subir. O Capitão Khani tinha alcançado a fronteira russa e, naquele ponto, disseram-lhe para voltar. Quando voltou, ele disse que podia ver o objeto em frente a ele. Eu disse: “Onde exatamente você o está vendo?”, Ele respondeu: “Sobre a represa, perto de Teerã”. Eu disse a ele: “Vá para casa. Eu cuido dele”. Enquanto ele voltava, examinei os arredores e, então, eu o vi. Estava piscando luzes intensas vermelhas, verdes, laranjas e azuis46, tão brilhantes que eu não conseguia ver seu corpo. As luzes compunham uma forma de diamante - só luzes brilhantes; nenhuma estrutura sólida poderia ser vista através ou ao redor delas. A sequência de flashes era extremamente rápida, como uma luz estroboscópica. Talvez as luzes fizessem parte de um objeto maior, que não conseguíamos ver. Não havia como saber. Eu me aproximei deles; talvez cerca de cento e doze quilômetros em situação de escalada. Repentinamente, ele saltou cerca de 10 graus para a direita. Em um instante! Dez graus... E


então novamente ele saltou 10 graus e depois novamente... Tive de virar 98 graus para a direita da minha posição de 70 graus. Assim, mudamos a posição 168 graus para o sul da capital. Perguntei à torre se eles o tinham no radar. O operador respondeu: “O radar está fora do ar. Não está operacional agora”. De repente, do assento de trás, o Tenente Damirian disse: “Senhor, eu o tenho no radar”. Olhei para a tela do radar e vi o marcador. Eu disse: “Ok, bloqueio de freio e redesenhe”. Isso era para ter certeza de que não era um efeito do solo ou uma montanha que estivemos pegando no radar. Agora tínhamos um bom retorno na tela, e ele estava a 43 quilômetros, 30 graus a esquerda; nossa velocidade de aproximação era de 150 nós em escalada. Nós o mantivemos no radar. O tamanho no radar era compatível com aquele de um petroleiro 707. Neste momento, achei que esta era a minha oportunidade de atirar nele. Mas, quando ele o que quer que fosse - estava perto de mim, minhas armas emperraram e a comunicação pelo rádio foi truncada. Chegamos mais perto, a 40 km em nossa frente. De repente, ele pulou de volta para a distância de 43 km em um instante. Perguntei-me o que era aquilo. Eu ainda estava vendo aquela forma de diamante gigante e brilhante, com luzes coloridas piscando. Então, fui surpreendido por um objeto redondo que tinha saído do primeiro objeto e que começou a vir diretamente a mim, a uma velocidade muito alta, como se fosse um míssil. Imagine uma lua brilhante vindo do horizonte - era isso o que ele parecia. Fiquei realmente assustado, porque achei que talvez eles tivessem lançado algum tipo de projétil na minha direção. Eu tinha oito mísseis a bordo, quatro operados por radar e quatro do tipo que é atraído pelo calor. O radar estava travado no objeto maior, aquele com forma de diamante, e eu tinha de tomar uma rápida decisão do que fazer. Compreendi que, se aquele segundo objeto fosse um míssil, teria algum calor associado a ele. Assim, selecionei um míssil AIM-9 para atirar nele. Tentei atirar e olhei para o painel para confirmar a minha escolha do míssil. Repentinamente, nada estava funcionando. O painel de controle de armas estava desligado e eu estava sem qualquer instrumento e sem o rádio. Os indicadores estavam girando ao acaso e os instrumentos estavam flutuando. Neste ponto, eu estava até mais assustado. Não conseguia me comunicar com a torre e tinha de gritar para falar com meu navegador. Pensei que, se ele chegasse mais perto de mim do que 6 km, teria de ejetar antes do impacto, para evitar a área de explosão. Para impedir isso, eu tinha de virar. Assim, fiz um giro raso para a esquerda, para evitar o impacto do objeto que vinha em nossa direção, e que estava à vista à minha direita. Ele chegou cerca de 6 ou 8 km de nosso avião e, então, parou no nosso lado direito. Olhei rapidamente para o meu lado esquerdo, para descobrir onde eu estava em relação ao solo. Um segundo depois, quando olhei de volta, o objeto tinha sumido! Eu disse: “Oh, meu Deus!”, e o Tenente Damirian respondeu: “Senhor, ele está à esquerda.” Olhei para a esquerda e lá estava ele. Olhei uma vez mais para o objeto principal lá em cima e, então, o objeto menor voou suavemente para debaixo dele, juntando-se a ele. Tudo isso aconteceu rapidamente e eu não sabia o que pensar. Mas em poucos segundos outro objeto saiu! Ele começou a circular ao nosso redor. Mais uma vez, todos os instrumentos desligaram, bem como o rádio. Então, ele foi embora e tudo se tornou operacional novamente e o equipamento funcionava bem. Esse segundo objeto também parecia uma espécie de lua -


uma luz redonda e brilhante. Reportei-me à torre. O General Yousefi estava ouvindo e o operador disse: “A ordem é para voltar”. Começamos a nos dirigir para a base aérea militar, e então notei que um desses objetos estava nos seguindo pelo lado esquerdo, durante a descida. Relatei isso à base. Enquanto eu fazia um giro para a aproximação final, vi outro objeto bem à minha frente. Chamei a torre e perguntei: “Tenho tráfego à minha frente; o que é?”. Ele disse: “Não temos tráfego”. Eu disse: “Estou olhando para ele agora; está na minha frente, em baixa altitude.” Ele ainda insistiu que não havia qualquer tráfego, mas havia. Parecia um retângulo fino com uma luz em cada extremidade e uma no meio. Estava vindo em minha direção, mas quando comecei a virar à esquerda para pousar, perdi o seu sinal. Meu companheiro manteve-se olhando e disse: “Enquanto você estava virando, pude ver um domo redondo sobre ele, com uma luz fraca no interior”. Tirei os fones de ouvido e me concentrei em minha aproximação da base, distraído e preocupado com todas essas coisas que estavam acontecendo ao meu redor. Mas ainda não tinha acabado. Olhei para meu lado esquerdo e vi o primeiro objeto, aquele com forma de diamante, e outro objeto brilhante saiu dele e se dirigiu diretamente para o solo. Pensei que iria ver uma grande explosão, quando ele atingisse o solo, mas isso não aconteceu. Ele pareceu reduzir a velocidade e pousou suavemente sobre o solo, irradiando uma luz tão brilhante, que pude ver as areias do solo àquela distância: cerca de vinte e quatro quilômetros. Relatei isso à torre e eles disseram que também tinham visto. Agora, o general, que ainda estava ouvindo, ordenou que me aproximasse dele e desse uma olhada. Assim, recolhi o trem de pouso e os flaps e virei o avião. Eles me disseram para passar por cima dele e ver se eu conseguia descobrir o que era. Logo que cheguei a cerca de seis ou oito quilômetros dele, novamente o rádio desligou, bem como o painel. Estava acontecendo novamente a mesma coisa. Tentei sair daquela área, porque eles não conseguiriam me ouvir pelo rádio. Então, lhes disse: “Isso acontece todas as vezes que me aproximo dessas coisas”. Pensei que realmente não deveria ter ido lá, mas, como tinha recebido a ordem, eu fui. Finalmente, o general disse: “OK, volte e pouse.” Conseguimos ouvir o alarme de emergência vindo da localização onde o objeto tinha pousado. O alarme soa como aquele de uma ambulância ou de um carro de polícia, e seu propósito é ajudar a encontrar pessoas, quando são ejetadas de um avião, ou se há uma queda de avião. É um som localizador que diz: “Estou aqui”. Nesse caso, o alarme relativo ao OVNI foi relatado por alguns aviões civis próximos. Depois de pousar, fui até o posto de comando e, então, fomos até a torre. Eles disseram que o objeto principal tinha acabado de desaparecer repentinamente, num instante. A primeira coisa que fiz naquela manhã foi um relatório, no quartel general, e todo mundo estava presente: todos os generais. Durante ele, um coronel americano, Olin Mooy, da Força Aérea Americana, que estava com o Grupo Americano de Assistência e Consultoria Militar, alocado em Teerã, sentou- se à minha esquerda, e fazia anotações em sua prancheta. Quando expliquei como não consegui lançar o míssil, porque meu painel estava desligado, muito embora eu tentasse, ele disse: “Você teve sorte de não conseguir atirar”. Depois, eu quis conversar com ele e perguntar-lhe se esse tipo de coisa tinha sido visto antes, e tinha também outras perguntas. Procurei por ele, mas não o encontrei.


Depois, eles me levaram e ao Tenente Damirian para o hospital. Fizemos uma série de testes, especialmente de sangue. Quando já estava indo embora, um médico veio correndo atrás de mim e disse: “Não se preocupe com isso, mas o seu sangue não está coagulando”. Assim, tiraram outra amostra de sangue e, então, disseram: “Ok, pode ir agora.” Ordenaram-nos que retornássemos ao hospital mensalmente, durante quatro meses, para um exame e mais testes sanguíneos47. Então, fui de helicóptero, pilotado por outra pessoa, até a área exata onde o objeto brilhante pousou. O alarme chegou dessa área e voamos bem em cima do local, mas não havia nada. Nada. Pousamos ali e dei uma volta para ver se havia qualquer sinal de calor ou queima, ou salpicos. Novamente, nada. Tudo estava plano e intocado. Porém, apesar de tudo isso, o bipe ainda estava soando. Isso era muito confuso para todos nós. Havia algumas casas pequenas e jardins próximos, e perguntei aos moradores se tinham visto alguma coisa, mas nada. O alarme de emergência continuou tocado durante dias e também foi ouvido por aviões comerciais naquela área. Isso realmente me incomodou. Um grupo de cientistas nos questionou durante um tempo, mas estava tudo no papel, por escrito, enviado ao quartel general. Eles me telefonavam repetidamente na base e eu tinha de ir ao quartel general e ler o relatório e responder mais perguntas, novamente e novamente. Os oficiais iranianos examinaram e testaram os dois F-4 em busca de radioatividade e não encontraram nada. Mais tarde, um memorando anteriormente secreto, proveniente da Agência de Inteligência da Defesa (DIA), escrito pelo Tenente Coronel Mooy, aquele que tentei encontrar depois da reunião, foi liberado na América através do Ato de Liberdade de Informação. Ele documentava o evento detalhadamente, em mais de três páginas, e tinha sido enviado à NSA, à Casa Branca e à CIA. Outro documento, datado de 12 de outubro de 1976, escrito pelo Major Coronel Roland Evans, fornecia uma avaliação do caso para a DIA. Dizia que “Este caso é um clássico que reúne todos os critérios necessários para um estudo válido do fenômeno OVNI”. Para elucidar este ponto, Evans listou alguns fatos importantes em seu documento para a DIA: havia múltiplas testemunhas altamente creditáveis dos objetos, de diferentes posições; os objetos foram confirmados por radar; o desligamento de todos os instrumentos aconteceu em três aeronaves isoladas - um jato comercial e os dois caças F-4; e “uma quantidade excessiva de manobrabilidade foi exibida pelos OVNIs.” A avaliação disse que a confiabilidade da informação foi “confirmada por outras fontes” e o valor dessa informação era “elevado”. O documento dizia que a informação seria potencialmente útil. Isso demonstra que o governo dos Estados Unidos levou muito a sério essa informação, e para mim, naquela época, ficou claro que essa informação estava sendo mantida em segredo lá. Há provavelmente material adicional nos arquivos do governo americano, mas ninguém me disse mais nada. Em meu país, nem mesmo o Xá do Irã teve interesse. Encontrei-me com ele quando ele visitou meu esquadrão, na base aérea de Shahrokhi, no Hamadan, e perguntou sobre o OVNI. Ele convocou uma reunião com certo número de generais e com os pilotos envolvidos no encontro. Quando o comandante da base contou ao Xá que eu fui o piloto que deu caça ao OVNI, o Xá me perguntou: “O que você acha disso?”, eu respondi: “Em minha opinião, eles não podem ser do nosso planeta, porque se alguém deste planeta tiver tal poder, teria o mundo inteiro sob o seu comando”. Ele simplesmente disse: “Sim” e nos contou que este não era o


primeiro relato que tinha recebido. Até hoje não sei o que vi. Mas certamente não era um avião; não era um objeto voador que seres humanos da Terra possam ter feito. Ele se movia muito rapidamente. Imagine: eu estava olhando para ele a uma distância de cerca de 110 km e ele pulou repentinamente 10 graus à minha direita. Estes 10 graus representam cerca de 11 km por momento, e não falo por segundo porque foi muito menos de um segundo. Agora, você pode tentar calcular a velocidade assumida para que ele se movesse de uma posição estacionária para este segundo ponto. Seria necessária uma tecnologia de um nível muito, muito alto. Também ele foi capaz de desligar meu lançador de mísseis e os instrumentos de alguma forma. De onde ele veio, eu não sei. E não posso duvidar do que aconteceu. Não foi só comigo. Foi com meu navegador, com os dois pilotos do primeiro caça, com os homens na torre, com as pessoas do quartel general, com o General Yousefi, que estava de plantão no posto de comando da base aérea - todos eles viram. Muitas pessoas, no solo, ficaram preocupadas conosco. E nós também o capturamos no radar de nossa cabine. Ninguém pode dizer que eu imaginei isso. O radar estava travado no objeto e pude determinar seu tamanho, porque praticamos o reabastecimento com os petroleiros 707, e o retorno que obtínhamos do OVNI no radar indicava que eles tinham aproximadamente o mesmo tamanho. Tenho dois arrependimentos: um é de que eu não tinha uma máquina fotográfica no avião, para tirar uma foto do OVNI;, o outro é que, por estar muito animado e algumas vezes assustado, não pensei em tentar chamá-los pelo rádio e perguntar: “Quem são vocês? Por favor, comuniquem-se conosco!”. Mais tarde, desejei ter feito isso. Em meu caso, espero que, algum dia, desenvolvamos essa tecnologia aqui, de modo que possamos viajar facilmente para outros planetas e bisbilhotá-los também.


CAPÍTULO 10 - Combate Próximo com um OVNI Pelo Comandante Oscar Santa Maria Huertas (Aposentado), Força Aérea Peruana Em 11 de abril de 198048, às 7hl5min da manhã de uma sexta-feira, eu estava estacionado na base da Força Aérea de La Joya, na região de Arequipa, no Peru. Era um dia como qualquer outro. Havia aproximadamente 1.800 militares e civis na base, e estávamos começando a nos preparar para nossos exercícios diários. Muito embora eu fosse apenas um tenente de vinte e três anos, já tinha oito anos de experiência de voo militar. Era bastante precoce como piloto militar. Aos dezenove anos, voava em missões de combate, e aos vinte fui selecionado como piloto de testes do mais novo jato supersônico peruano, o Sukhoi. Tendo recebido alguns troféus como piloto, também era conhecido como um bom atirador, com grande habilidade em disparos do ar. Havia poucos que tivessem essa perícia, o que me levou a ser selecionado para uma missão altamente incomum e inesperada naquela manhã rotineira. Junto com meu esquadrão, estava pronto naquele momento para decolar, como sempre estamos. Um chefe de serviço chegou em uma van e desceu para nos dizer que havia um objeto que parecia algum tipo de balão suspenso no ar, na direção da extremidade da pista. Paramos do lado de fora para vê-lo e ficamos sabendo, então, o que tínhamos de fazer. Quatro de nossos pilotos ficaram do lado de fora, observando o objeto. O segundo comandante da unidade, Comandante Carlos Vasquez Zegarra, ordenou que um dos membros do esquadrão aéreo decolasse e trouxesse o objeto para baixo. Nosso chefe voltou-se para mim e disse: “Oscar, é você quem vai”. O objeto redondo estava cerca de cinco quilômetros de distância de nós, em uma altitude de 2.000 pés (600 metros) acima do solo. Como o céu estava absolutamente limpo, o objeto brilhava devido ao reflexo da luz do sol. Esse ’’balão” estava em espaço aéreo restrito, sem autorização, representando um grave desafio à soberania nacional. Todos os pilotos civis e militares usam mapas aéreos, nos quais espaços aéreos altamente protegido, como aquele sobre a nossa base, estão claramente marcados. Todos sabem onde se localizam essas áreas restritas e ninguém nunca voa sobre elas, sob nenhuma circunstância. Essa coisa não só tinha aparecido em uma dessas áreas, mas não estava respondendo às comunicações enviadas em frequências universalmente conhecidas, e estava se movendo em direção à base. Ela tinha de descer. La Joya era uma das poucas bases na América do Sul que possuía equipamento proveniente da União Soviética, e estávamos preocupados com espionagem. Em 1980, o Peru não tinha qualquer balão aerostático de nenhum tipo, tais como balões meteorológicos ou de passageiros. Sabíamos, portanto, que isso era alguma coisa estranha e não era de nosso país. Estávamos familiarizados com balões meteorológicos, mas eles tinham antenas e cabos e voavam apenas acima de 45.000 pés. Este estava em uma altitude mais baixa. Não tínhamos ideia de onde ele vinha, e ele estava chegando cada vez mais perto. A única opção que tínhamos era destruí-lo. O comandante do esquadrão, Capitão Oscar Alegre Valdez, ordenou- me que decolasse em meu caça Sukhoi-22, para interceptar o balão antes que chegasse mais perto de nossa base. Imediatamente me dirigi para meu caça, sem tirar os olhos daquela coisa no céu, e repassei em


minha mente cada passo que tinha de dar nesta missão. Uma vez que o objeto estava dentro do perímetro da base e meu avião estava armado com metralhadoras de 30 mm, decidi atacá-lo de nordeste para sudeste. Nessa rota, o sol estaria à minha esquerda e eu poderia evitar atirar na base com minhas armas. Depois de decolar. Fiz um giro para a direita e atingi uma altitude de 8.000 pés (2.500 metros). Então, posicionei-me para o ataque. Zerando no balão, alcancei a distância necessária e atirei uma rajada de sessenta e quatro balas 30 mm, que criaram um “muro de fogo” em forma de cone, que normalmente destrói qualquer coisa em seu caminho. Alguns dos projéteis desviaram-se do alvo, caindo no solo, e os outros o atingiram com precisão. Pensei que o balão se rasgaria e gases começariam a sair dele. Mas nada aconteceu. Parecia que aquelas balas enormes foram absorvidas pelo balão, e ele não sofrera nenhum dano. Então, repentinamente, o objeto começou a subir muito rapidamente e se afastou da base. “O que está acontecendo aqui?”, pensei comigo mesmo. “Tenho de chegar perto dele.” Assim, eu subi. Comecei uma caçada ativando o afterburner de meu avião, e disse à torre de controle que pretendia seguir os procedimentos e continuar a tarefa de fazer o objeto descer. Já que eu sabia que esta era uma missão extremamente incomum, perguntei se eles tinham certeza de que os gravadores estavam funcionando, de modo que qualquer coisa que estivesse ocorrendo a partir daquele momento seria gravada. Então, uma série surpreendente de eventos ocorreu. Meu jato voava a 600 mph (950 km/h) e o “balão” permaneceu a cerca de 1.600 pés (500 metros) à minha frente. Conforme fomos nos afastando da base, eu dizia à torre de controle: “Estou a três mil metros de altitude e a vinte quilômetros da base... Estou a 6.000 m de altitude e 40 km da base...” e assim por diante. Nessa hora, eu estava sobre a cidade de Camana, que ficava a cerca de 52 milhas (84 km) da base, voando a 36.000 pés (11.000 m). Estava em plena perseguição ao objeto, quando ele fez uma parada repentina e me forçou a desviar para o lado. Fiz um giro para cima, para a direita, e tentei me posicionar para outro disparo. Mais uma vez, obtive a posição desejada para atirar, que era aproximadamente 3.000 pés (1.000 m) do objeto. Comecei a fechar nele, até que eu tivesse uma visão perfeita dele. Travei no alvo e estava pronto para atirar. Mas, exatamente neste momento, o objeto fez outra subida rápida, fugindo do ataque. Fiquei embaixo dele. Ele “frustrou o ataque”. Tentei essa mesma manobra de ataque mais duas vezes. A cada vez, eu tinha o objeto na mira quando ele estava estacionário. E a cada vez, o objeto escapava, subindo verticalmente segundos antes de eu começar a atirar. Ele esquivou-se do meu ataque três vezes e em cada uma delas no último instante. Durante todo esse tempo, estava muito concentrado em tentar atingir minha janela de cerca de 1.300 a 2.300 pés (400 a 700 metros) de distância, que era onde eu tinha de posicionar meu avião para atirar. Conforme isso ia se tornando cada vez menos possível, fiquei muito surpreso e me perguntava o que estava acontecendo. Então, aquilo se tornou algo pessoal para mim. Eu tinha de conseguir. Mas não podia, porque ele estava sempre subindo. Eu estava com prometido com esta missão e sentia que tinha de obter o sucesso. Isso era tudo o que importava e me sentia confiante por saber que tinha um avião notável. Finalmente, como resultado dessa série de movimentos rápidos para cima, o objeto chegou a uma altitude de 46.000 pés (14.000 metros). Eu tinha de pensar em fazer alguma coisa a


mais! Decidi fazer uma subida ousada com meu avião, de modo a, desta vez, estar acima do objeto e, então, desceria verticalmente sobre ele e iniciaria um ataque de cima. Deste modo, se o objeto começasse a subir como nas três vezes anteriores, ele continuaria sendo meu alvo e, para mim, seria mais fácil disparar. Eu não estava preocupado com alguma colisão, por causa da manobrabilidade e agilidade de meu avião. Assim, acelerei à velocidade supersônica e voltei para onde o “balão” estava, desta vez voando à velocidade Mach 1.6, que é aproximadamente 1.150 mph (1.850 km/h). Calculei a distância entre eu e o objeto enquanto começava a subir. Conforme ia subindo, vi que o objeto estava, de fato, sob mim e pensei que seria capaz de atingir a altitude necessária para fazer a manobra planejada e realizar o ataque. Mas, para minha surpresa, o objeto subiu mais uma vez a alta velocidade e se colocou a meu lado, em formação paralela! Isso me deixou sem qualquer possibilidade de ataque. Voando a Mach 1.2, continuei minha subida, ainda esperando passar para cima dele, para iniciar o ataque planejado. Mas não consegui. Alcançamos a altitude de 63.000 pés (19.200 metros ou 19 quilômetros) e, repentinamente, a coisa parou completamente e permaneceu estacionária. Ajustei as asas de meu avião a 30 graus e estendi suas lâminas, para que o avião fosse capaz de manobrar àquela altitude, e pensei que ainda poderia tentar colocar o objeto no alvo para atirar. Mas foi impossível. Eu não conseguia ficar tão imóvel quanto este “balão”. Naquele momento, a luz de aviso de baixo combustível começou a piscar, indicando que eu tinha só o suficiente para voltar à base. Naquelas condições, não conseguiria continuar o ataque. Assim, voei para mais perto do objeto flutuante, para observá-lo e tentar determinar o que era. O Su-22 não tinha radar a bordo, mas o equipamento de visão tinha gradações bem marcadas, que comunicavam a distância do alvo e seu diâmetro. Essa tecnologia baseava- se no uso de raios laser. Cheguei a cerca de 300 pés (100 metros) dele. Fiquei assustado ao ver que o “balão” não era balão de jeito nenhum. Era um objeto que media cerca de 35 pés (10 metros) de diâmetro com um domo brilhante no topo, colorido com um tom creme, semelhante a um bulbo de luz cortado ao meio. O fundo era uma base circular mais larga, de cor prata, e assemelhava-se a algum tipo de metal. Faltavam todos os componentes típicos de um avião. Não tinha asas, jatos de propulsão, exaustores, janelas, antenas, etc. Não tinha qualquer sistema visível de propulsão. Naquela hora, percebi que ele não era um dispositivo de espionagem, mas um OVNI, alguma coisa totalmente desconhecida. Eu estava quase sem combustível. Assim, não conseguiria atacar ou manobrar meu avião, ou fazer uma fuga em alta velocidade. Repentinamente, fiquei com medo. Achei que poderia ser abatido. Depois de me recobrar do impacto de vê-lo, comecei meu retorno à base aérea e expliquei à torre de controle exatamente o que tinha visto. Quando me acalmei, pedi por rádio que outro avião viesse e continuasse o ataque, tentando ocultar meu medo. Eles disseram que não; que ele estava muito alto e que era para eu voltar. Tive de planar parte do caminho para baixo, devido à falta de combustível, ziguezagueando para tornar mais difícil atingir meu avião, sempre olhando nos espelhos retrovisores, esperando que ele não me perseguisse. Ele não o fez. Eu tinha ficado voando por vinte e dois minutos. Enquanto estava pousando, estava muito excitado e mal podia esperar para contar às


pessoas sobre aquela coisa extraordinária que eu tinha perseguido. Era tão fascinante, que eu realmente queria que alguém mais subisse e desse uma olhada. Tinha descrito o objeto como voador, muito embora ele não tivesse qualquer equipamento visível para isso - nada que o fizesse voar! Quando saí de meu avião, meu esquadrão estava me esperando e me fez um monte de perguntas. O homem da manutenção estava lá e verificou os cartuchos de balas e disse: “Capitão, está claro que você fez alguns disparos”. Outros chegaram e houve muitas perguntas e conversas. Logo depois do meu pouso, todo o pessoal envolvido no incidente se reuniu para uma instrução - todo o pessoal de operações, da defesa aérea, da defesa da base, e o general que era o comandante da ala aérea. Devido à ameaça estabelecida por esse “balão”, nossa base tinha ativado seu sistema de defesa e todos os sistemas estavam em alerta. Todo mundo fazia relatórios. Soubemos que o objeto nunca foi registrado pelo radar, muito embora os operadores de radar pudessem vê-lo no céu, como o podiam as pessoas que o tinham observado mais cedo, quando estava estacionário. Elas também o descreveram como redondo e metálico. Disseramnos que o que tinha acontecido naquele encontro tinha de permanecer ali somente, e que não devíamos, de maneira nenhuma, divulgá-lo. Depois dessa instrução, encontrei-me com o pessoal da Inteligência e fomos olhar todos os catálogos disponíveis com fotos de diferentes tipos de objetos voadores ou dispositivos aéreos empregados para espionagem, mas não encontramos nada que pudesse manobrar da maneira que descrevi sem qualquer tipo de sistema de propulsão. O objeto consequentemente foi catalogado como um objeto voador não identificado. Ele permaneceu no mesmo lugar em que o deixei por mais duas horas, visível para todo mundo da base ao refletir o sol. Nunca vi qualquer oficial do governo americano na base, discutindo o caso, e eles nunca me entrevistaram. Contudo, um documento do Departamento de Defesa dos Estados Unidos, datado de 3 de junho de 1980, intitulado “OVNI Avistado no Peru”, descreve o incidente e declara que o objeto permanece de origem desconhecida. Em conclusão, posso dizer que, em 1980, tive uma experiência de combate com um objeto voador não identificado, que voou e manobrou no ar sem qualquer forma reconhecível de aeronave, formas que mesmo hoje são partes necessárias de qualquer máquina voadora. Esse objeto realizou manobras que desafiam as leis da aerodinâmica. Após minuciosa investigação de todos os dados disponíveis em relação a aeronaves, nossos especialistas militares não conseguiram descobrir qualquer artefato ou máquina que pudesse fazer o que este objeto fez. Muitos anos depois, soube de casos semelhantes nos quais aviões militares perseguiram objetos voadores não identificados sem conseguirem disparar suas armas, devido ao fato de que seus sistemas eram bloqueados antes do disparo. Discuti isso com especialistas de todo o mundo, incluindo aqueles do evento do Clube de Imprensa Nacional, em Washington, D.C., em novembro de 2007. Tanto o caso iraniano de 1976, como outro semelhante no Brasil, envolveram o desligamento do equipamento eletrônico - as telas de controle apagaram. Meu equipamento era mecânico e, talvez, seja essa a razão de ele não poder ser desligado. Assim, em vez disso, o objeto tinha de saltar para longe no último minuto. Encontro-me na posição única, pelo menos no momento e tanto quanto sei, de ser o único piloto militar no mundo que realmente disparou uma arma e atacou um OVNI.


Ainda me dรก calafrios ao pensar nisso.


PARTE 2

NO CUMPRIMENTO DO DEVER

“É uma das ironias da norma moderna, que é de longe mais aceitável hoje afirmar publicamente a crença de alguém em Deus, de cuja existência não há evidência científica, que OVNIs, cuja existência - o que quer que possam ser - é fisicamente documentada Alexander Wendt e Raymond Duvall


CAPÍTULO 11 - As Raízes do Descrédito dos OVNIs na América

Devido a todos nós estarmos expostos longamente a uma atmosfera de ridículo e de exoneração automática do fenômeno OVNI, suspeito que a informação apresentada possa ser muito surpreendente, até chocante, para alguns leitores. Não é fácil para alguém concordar com a evidência da realidade dos OVNIs e, contudo, vimos que tal evidência não pode ser descartada. Lendo a investigação meticulosa do General De Brouwer, ou o disco pairando sobre o Aeroporto O’Hare, ou o imenso objeto cintilante saltando pelo céu noturno sobre Teerã, somos forçados a conciliar dois paradigmas radicalmente conflitantes. Há aquela posição que sempre conhecemos, na qual essas coisas estão fora de questão, não podem acontecer, segundo as leis da física e da cosmologia e, portanto, elas simplesmente não acontecem. Mas, então, há o fato de que objetos desconhecidos foram vistos por milhares de pessoas em todo o mundo, demonstrando essas capacidades “impossíveis” bem diante de nossos olhos. Mais perturbadora, naturalmente, é a possibilidade inferida de que esses OVNIs, aparentemente sob algum tipo de controle inteligente, poderiam ter uma origem externa ao planeta Terra, não importando quão impensável essa ideia possa ser. O leitor pode se sentir aturdido por essa possibilidade, incrédulo e hesitante em prosseguir a leitura. Pode haver ainda aquela tendência para repudiar tudo isso como tolice ou algum tipo de aberração psicológica, que nenhuma quantidade de evidência pode mudar. Alguns leitores poderiam se sentir desafiados neste ponto, ou profundamente alarmados. Simples curiosidade e mente aberta acalmarão essas reações muito naturais. Qualquer um que se aventure neste estranho domínio travará, em algum nível, uma batalha interna, como eu, depois de descobrir e pesquisar o Relatório COMETA. Como qualquer outra pessoa, fiquei nervosa com tudo isso, mas também, como jornalista investiga- tiva, logo fiquei intrigada com seu poder e portentosidade. Como já descrevi, queria descobrir tanto quanto pudesse sobre o fenômeno OVNI - descobrir realmente se havia alguma coisa ali. E, depois de um tempo, desenvolvi uma espécie de desafio - mas isso não era por causa da resistência em aceitar os OVNIs como reais. Em vez disso, estava perturbada com o fato de que algo real estava acontecendo e ninguém parecia estar prestando atenção. Sendo naturalmente rebelde, senti-me atraída pelo desafio tanto de minhas próprias fronteiras intelectuais, quanto das limitações do pensamento convencional. Respeito e humildade suavizaram os aspectos mais enervantes do processo de descoberta, porque quanto mais eu aprendia, mais convincente tudo aquilo se tornava. Por que deveríamos assumir que já compreendemos tudo o que há para saber, em nossa infância aqui neste planeta? Minha evolução levou anos, envolvendo muita leitura, discussões com pesquisadores veteranos, revisão de documentos do governo e entrevistas com oficiais militares aposentados e testemunhas de OVNIs. Acho que a maioria de nós, desejando considerar este assunto, mesmo sem este nível de intensidade, chega a um ponto de transição, aquele momento decisivo em que cruzamos nossa própria barreira interna profundamente enraizada. Não é fácil. Afinal, estamos lidando com algo inapreensível: a natureza essencial do OVNI. Temos de chegar a um acordo com a aparência recorrente de algo absolutamente desconhecido e inexplicável pela


ciência, algo que opera como se estivesse fora das fronteiras de nosso mundo físico, mas ao mesmo tempo nele. Para dificultar ainda mais, ficamos sobrecarregados pela negatividade e negação do status quo, que todos nós absorvemos em um outro grau. Para compreender esse aspecto do problema, precisamos ter os pés no chão e olhar para as raízes políticas e históricas da reação do governo americano ao fenômeno OVNI, começando na época em que os oficiais primeiro reconheciam que estavam lidando com algo que não podia ser facilmente explicado. Mesmo que o fenômeno seja psicologicamente difícil de enfrentar, tal desculpa não é suficiente para explicar a falta de ação, a rejeição e o ridículo, que tem sido a norma por tantos anos. Por que há esse tabu tão forte contra assumir o assunto seriamente, quando há tanta evidência dele? De fato, nosso governo tem uma política - uma posição estabelecida de inação criada há mais de cinquenta anos - subjacente à sua abordagem normal dos OVNIs. Certos eventos essenciais nos colocam no caminho infeliz em que nos encontramos hoje. Tudo começou no final da década de 1940, quando funcionários do governo tiveram de enfrentar um repentino influxo de avistamentos de OVNIs nos céus da América, muitos dos quais foram relatados por observadores altamente acreditáveis, tais como pilotos militares e civis. O interesse popular pelos OVNIs (chamados de “discos voadores” naquela época, porque eram frequentemente descritos com a forma de disco achatado) era crescente, em resultado da cobertura nacional feita pela mídia e pelo fato de que ninguém sabia o que eram ou como lidar com eles. Inicialmente, as autoridades tentaram determinar se os objetos eram ou aeronaves estrangeiras secretas, tais como uma tecnologia superior da União soviética, ou possivelmente alguma espécie de fenômeno atmosférico ou meteorológico recentemente descoberto. Em 1947, as coisas estavam se tornando desconfortavelmente claras. O Tenente General Nathan Twining, comandante do Comando de Equipamentos da Força Aérea, um dos principais comandos da Força Aérea Americana, enviou um memorando secreto relativo a “Discos Voadores” para o general comandante das Forças Aéreas do Exército, no Pentágono. A considerada opinião - baseada em dados fornecidos por numerosos ramos da Força Aérea que ele estabeleceu era de que “o fenômeno relatado é algo real e não visionário ou ficção... As características de operação relatadas, tais como taxas elevadas de ascensão, manobrabilidade (particularmente em rotação) e ação que deve ser considerada evasiva quando avistado ou contatado por aviões amigáveis e pelo radar, levam à crença na possibilidade de que alguns dos objetos são controlados ou manualmente, automaticamente ou remotamente.” Twining descreve os objetos como metálicos ou refletores de luz, circulares ou elípticos, com o fundo achatado e um domo no topo, algumas vezes com “luzes bem mantidas de formação, variando de três a nove objetos”, e normalmente silenciosos. Ele propôs que as Forças Aéreas do Exército fizessem um estudo detalhado dos OVNIs, estabelecendo uma classificação de segurança e um codinome para ele49. Como resultado, tal projeto foi estabelecido dentro do Comando de Equipamento Aéreo e recebeu o codinome “Sign”50. A nova agência começou suas operações no começo de 1948, em Wright Field (agora chamado de Wright-Patterson Air Force Base - Base da Força Aérea Wright-Patterson), com o intuito de colher informações, avaliá-las e calcular se o fenômeno era uma ameaça à segurança nacional. Como o Projeto Sign tornou-se mais convencido de que os objetos não eram russo, as divisões cresceram entre aqueles que achavam que eram


“interplanetários” - o termo usado naquela época, quando se sabia muito menos sobre nosso sistema solar - e aqueles que estavam determinados a encontrar uma explicação mais convencional. Posteriormente naquele ano, algumas pessoas do staff do Projeto Sign escreveram um relatório altamente secreto, uma “Estimativa da Situação”, fornecendo dados de casos convincentes e concluindo que, baseados na evidência, os OVNIs eram muito provavelmente extraterrestres. O documento finalmente pousou na mesa do General Hoyt Vanderberg, Chefe do Staff da Força Aérea, que o rejeitou como inaceitável, porque ele queria provas, e mandou-o de volta a seus autores do Projeto Sign. Daí, então, os proponentes da hipótese extraterrestre perderam terreno e, por causa da mensagem clara de Vanderberg e outros, a posição mais segura de que os OVNIs precisavam ter explicações convencionais foi adotada pela maioria dos investigadores do projeto. Parece que eles estavam sob pressão para mudar seu foco de atenção. A “Estimativa da Situação” foi declaradamente destruída e nenhuma cópia foi encontrada, apesar das repetidas tentativas usando o Ato de Liberdade de Informação (FOIA)51. O Projeto Sign foi, posteriormente, renomeado como Projeto Grudge, que então se tornou o conhecido Projeto Livro Azul, em 1951, durando dezenove anos. Com a passagem do tempo, foi se tornando cada vez mais claro que estes objetos não pertenciam a qualquer governo estrangeiro, e tivemos de enfrentar a clara possibilidade de que não se originaram aqui na Terra. Documentos do governo americano, liberados através do FOIA, mostram que, como resultado, alguns funcionários de múltiplos ramos do governo continuaram a afirmar que eles poderiam ser interplanetários. Como antes, outras facções agarraram-se à sua esperança de encontrar uma explicação convencional, não importando qual. Em julho de 1952, o FBI foi informado, através do escritório do Major General John Samford, o diretor de Inteligência da Força Aérea, e disse que “não era inteiramente improvável que os objetos avistados muito possivelmente fossem naves de outro planeta, tal como Marte”. A Inteligência Aérea estava “praticamente certa” de que eles não eram “naves ou mísseis de outra nação deste mundo”52, relata o memorando do FBI. Outro memorando do FBI afirmou, alguns meses depois, que “alguns militares estão considerando seriamente a possibilidade de naves planetárias”53. Ao mesmo tempo, as preocupações com a defesa nacional estavam se acumulando em relação à preponderância de objetos não identificados tecnologicamente avançados voando sobre os Estados Unidos, durante a Guerra Fria. Uma série famosa de avistamentos sobre o Congresso da nação, na qual os aviões da Força Aérea foram enviados para interceptar os objetos brilhantes captados pelo radar de solo, compôs as manchetes nacionais, em julho de 1952, e precisou de uma conferência de imprensa, a maior desde a Segunda Guerra Mundial, na qual o chefe da Inteligência, General Samford tentou acalmar o país. Ele disse: O interesse da Força Aérea no problema se deve ao nosso sentimento de uma obrigação em identificar e analisar, com a melhor habilidade que temos, alguma coisa no ar que tem a possibilidade de ser uma ameaça aos Estados Unidos. Visando cumprir essa obrigação, desde 1947, temos recebido e analisado entre um e dois mil relatos, que nos chegaram de todos os tipos de fontes. Dessa grande quantidade de relatos, somos capazes de explicar adequadamente a grande maioria deles - explicá-los para nossa própria satisfação. Porém,


há, então, uma certa porcentagem deles, feitos por observadores acreditáveis, de coisas relativamente incríveis. É este grupo de observações que estamos agora tentando resolver. Chegamos hoje à única firme conclusão em relação a esta porcentagem: que ela não contém qualquer padrão de propósito ou de consistência que possamos relacionar a alguma ameaça concebível aos Estados Unidos54. Ele disse aos repórteres que os eventos em Washington, D.C., foram provavelmente meras aberrações causadas por inversões térmicas - camadas na atmosfera nas quais temperaturas elevadas afetam o desempenho do radar - uma interpretação discutida pelos pilotos e operadores de radar envolvidos. O número crescente de relatos estava se tornando difícil de administrar, junto com o crescente interesse público no fenômeno. No final de 1952, H. Marshall Chadwell, diretor assistente da Inteligência científica da CIA, enviou um memorando sobre esse problema para o Diretor da Central de Inteligência (DCI). “Avistamentos de objetos inexplicados em grandes altitudes e viajando em altas velocidades nas vizinhanças das principais instalações de defesa dos Estados Unidos são de tal natureza que não podem ser atribuídos a fenômenos naturais ou a tipos conhecidos de veículos aéreos”55, afirmou ele. Em outro memorando de 1952, intitulado “Discos Voadores”, Chadwell da CIA disse que o DCI precisava “ter o poder” de iniciar a pesquisa necessária “para resolver o problema da identificação positiva de objetos voadores”. A CIA reconheceu a necessidade de uma “política nacional” do que “deveria ser dito ao público em relação ao fenômeno, para minimizar o risco de pânico”56, segundo documentos do governo. Portanto, foi decidido que o DCI deveria “listar os serviços de cientistas selecionados para revisar e avaliar a evidência disponível”57. O resultado disso foi que a CIA arranjou um encontro criticamente importante, que mudaria para sempre tanto o curso da cobertura da mídia, quanto a atitude oficial em relação ao assunto OVNI. Os resultados deste encontro ajudam a explicar o afastamento onipresente dos funcionários americanos nas décadas seguintes. A CIA começou seu trabalho em janeiro de 1953, quando convocou um painel de cientistas escolhidos a dedo, presidido por H.P. Robertson, um especialista em física e sistemas de armas do Instituto de Tecnologia da Califórnia, para um sessão a portas fechadas de quatro dias. As autoridades estavam preocupadas que os canais de comunicação estivessem ficando tão saturados pelas centenas de relatos de avistamentos de OVNIs, que se tornassem perigosamente entupidos. Muito embora os OVNIs tivessem demonstrado que não eram uma ameaça à segurança nacional, falsos alarmes poderiam ser perigosos, e as agências de defesa poderiam ter um problema em discernir uma intenção verdadeiramente hostil. Os oficiais estavam preocupados com a possibilidade de que os soviéticos pudessem tirar vantagem desta situação, estimulando ou organizando uma onda OVNI, e depois atacassem. Assim, o objetivo do Painel Robertson era encontrar maneiras de reduzir o interesse público, de modo a impedir o preenchimento de relatos. Membros do distinto painel receberam uma revisão apressada de casos OVNIs selecionados e sequências excepcionais de filmagem, que tinham sido mantidas em segredo até então. Isso significava a representação de uma visão geral dos melhores dados sobre OVNIs que estavam no arquivo, mas os quatro dias não foram, nem de longe, suficientes para uma avaliação adequada. Não obstante, em seu relatório secreto


escrito ao se completar a revisão, o Painel Robertson recomendou que “as agências de segurança nacional dessem os passos necessários imediatamente para tirar os Objetos Voadores Não Identificados do status especial que lhes tinha sido dado e da aura de mistério que eles infelizmente adquiriram58.” Como chegaram a isso? O painel propunha a criação de um largo programa educacional, integrando os esforços de todas as agências interessadas, com dois objetivos principais: treinamento e desmascaramento. Treinamento tinha a ver com mais educação pública em como identificar objetos conhecidos no céu, de modo que não fossem erroneamente interpretados como OVNIs. O desmascaramento foi basicamente usado em relação à mídia. “O ‘desmascaramento5 resultaria na redução do interesse público em ‘discos voadores5, que hoje suscita uma forte reação psicológica”, escreveu o painel, “e seria realizado pela mídia de massa, tais como a televisão, os filmes e artigos populares”. Além da mídia, o painel recomendava usar psicólogos, especialistas em propaganda, astrônomos amadores, e até os desenhos da Disney, para reduzir o entusiasmo e a credulidade. “Os clubes de negócios, as escolas secundárias, as faculdades e estações de televisão, ficariam satisfeitos em cooperar na apresentação de um documentário do tipo filme, se preparado de maneira interessante. O uso de casos verdadeiros mostrando primeiro o ‘mistério’ e, então, a explicação’ seria convincente.” Finalmente, grupos de civis estudando OVNIs deveriam ser “vigiados”, devido à sua “grande influência no pensamento de massa, se avistamentos generalizados ocorressem”. Para resumir, um grupo de cientistas selecionados pela CIA aconselhou nosso governo a encorajar todas as agências na comunidade da Inteligência a influenciar a mídia de massa e a se infiltrar em grupos civis de pesquisa, com o propósito de desmascarar os OVNIs. A mídia poderia, então, tornar-se um instrumento para dissimuladamente controlar a percepção pública, uma espécie de bocal para a política e propaganda governamentais “desmascararem”, ou ridicularizarem, os OVNIs. O interesse público nos incidentes com OVNIs devia ser fortemente desencorajado e diminuído através dessas táticas, e os operadores da Inteligência poderiam ter certeza de que os fatos ficariam longe dos pesquisadores, através da desinformação. Em nome da segurança nacional, o assunto era um jogo justo para todo o aparato da Inteligência americana. Todas essas recomendações foram escritas, preto no branco, pelo painel da CIA e, depois, tornadas confidenciais, e o público não teve acesso ao relatório completo até 1973, quando o explosivo Relatório do Painel Robertson finalmente foi liberado em sua totalidade. Quando a CIA convocou seu grupo selecionado de cientistas, em 1953, o astrônomo J. Allen Hynek tinha trabalhado por alguns anos como consultor do Projeto Livro Azul da Força Aérea Americana. Anteriormente como diretor do Observatório Mcmillan da Universidade Estadual de Ohio, e depois presidente do departamento de astronomia e diretor do Centro de Pesquisa Astronômica Lindheimer, da Universidade Noroeste, o Dr. Hynek tinha sido contratado em 1948. Ele participou da maioria das reuniões do Painel Robertson e observou a agenda predeterminada se revelar, notando que não foi dada a devida atenção à melhor evidência de OVNI. “A implicação, no Painel Robertson, era que os OVNIs eram um assunto sem sentido (um nonsense - uma não-ciência), a ser desmascarado a todo custo”, revelou Hynek mais tarde. “Isso tornou o assunto dos OVNIs cientificamente não respeitável.” 59


O Projeto Livro Azul foi estabelecido como um repositório de casos de OVNIs e um lugar para as pessoas ligarem e fazerem relatos de avistamentos, mas, na realidade, era uma operação de relações públicas, amadorística e com pouco pessoal, focada em dar qualquer explicação sobre os avistamentos de OVNIs, não importando quão artificial fosse a explicação. Ao longo de sua carreira como representante público popular do Livro Azul durante sua operação, Hynek estava bem consciente da integração da tática de “treinamento e desmascaramento” dentro do programa da Força Aérea, mas, ironicamente, como um dos implementadores da agenda do Painel Robertson, ele era parte do próprio problema. Anos mais tarde, ele admitiu que “por aproximadamente vinte anos [do Projeto Livro Azul, 1951-1970], não se deu atenção suficiente ao assunto para se adquirir o tipo de dados necessários até mesmo para se decidir a natureza do fenômeno OVNI”60. Hynek era a única presença consistente no Livro Azul e o único cientista. O escritório era composto principalmente por levas sempre mutantes de funcionários de baixo escalão, sem qualquer treinamento particular que os preparasse para esta linha de trabalho e, frequentemente, com pouco interesse nele. Hynek trazia alguma respeitabilidade ao projeto da Força Aérea, embora tal projeto nunca tivesse sido equipado para resolver o problema e o preconceito oficial o manteve assim. Apesar de sua eventual transformação, após duas décadas de trabalho com a Força Aérea, Hynek tinha anteriormente esticado a lógica até seus limites, de modo a afastar o máximo possível os relatórios sobre OVNIs. Em seu livro de 1972, A Experiência OVNI: Uma Investigação Científica, ele reconheceu que desmascaramento era o que a Força Aérea esperava dele. “Toda a operação Livro Azul foi uma trapalhada baseada na premissa categórica de que as coisas incríveis relatadas não poderiam possivelmente ter qualquer base em fatos”61, escreveu ele. A Força Aérea, pelo menos publicamente, tinha obedientemente cumprido o papel de desmascaramento que o painel da CIA tinha tão altamente recomendado, e os registros do Livro Azul estão cheios de exemplos de casos sólidos sendo considerados ridículos, frequentemente por explicações enfurecedoras, algumas vezes dadas pelo próprio Hynek. Mesmo quando ele se tornou mais consciente da contradição, nos anos posteriores, Hynek disse que não quis brigar com os militares e sentiu que era mais importante ele manter o acesso ao armazém de dados do Livro Azul, “por mais pobres que eles fossem”62. Nesse sentido, talvez a mais famosa de suas declarações seja a do “gás do pântano” feita em 1966. Durante dois dias, mais de uma centena de testemunhas em Dexter e Hillsdale, no Michigan, viram objetos não identificados brilhantes em altitudes relativamente baixas, muitos dos quais perto de áreas pantanosas. Isso rapidamente se tornou uma história nacional altamente carregada nos noticiários e houve grande pressão sobre a Força Aérea para resolver o caso o mais rapidamente possível. Hynek foi chamado para uma conferência de imprensa, uma daquelas quase beirando a histeria, como ele a descreveu, onde ele fez o comentário de que as luzes poderiam ter sido o brilho de algo chamado gás de pântano, um fenômeno raro que surge da ignição espontânea de vegetação em degradação. A hostilidade que ele enfrentou da imprensa e entre o público por sua explicação do “gás do pântano” foi amplamente divulgada e a ridicularização que sofreu por parte da mídia é, agora, lendária. Dessa vez, todo mundo parecia reconhecer que a Força Aérea tinha ido muito longe e cruzado uma linha inaceitável em seu desmascaramento.


A frustração americana com a Força Aérea, a incapacidade de investigar adequadamente e falar dos recorrentes avistamentos de OVNIs, tudo isso já tinha sido construído, e muitos agora começavam a sentir que a Força Aérea não só era incompetente, como realmente tentava encobrir a verdade sobre os OVNIs. Duas figuras bem conhecidas desta era - o Major Donald Kehoe, do Comitê Nacional de Investigações sobre fenômenos aéreos (um grupo de pesquisas civil) e o Dr. fames E. McDonald, um físico atmosférico sênior, da Universidade do Arizona tiveram papéis críticos ao trazerem credibilidade e conhecimento do assunto OVNI ao desafiarem a abordagem do Projeto Livro Azul. Seguindo a publicação de livros best-sellers e histórias de revistas sobre OVNIs naquele ano, o interesse do público em relação ao fenômeno chegou ao máximo. Nunca saberemos em que extensão a recomendação do Painel Robertson foi diretamente implementada, mas sabemos que um dos conferencistas desse painel intensificou-a em 1966. O astrofísico Thornton Page, da Universidade Johns Hopkins, escreveu para Frederick Durant, chefe do departamento de aeronáutica do Museu Nacional do Ar e do Espaço - ambos tinham sido membros do Painel Robertson - afirmando que ele havia “ajudado a organizar o programa da CBS TV sobre as conclusões do Painel Robertson”, referindo-se ao especial de duas horas de duração “OVNI: Amigo, Inimigo ou Fantasia?”, apresentado pelo confiável Walter Cronkite63. O programa desmascarou os OVNIs de todos os ângulos, com preconceitos intensos e falsas afirmações, tais como as de que não existiam qualquer evidência pelo radar ou fotografia para apoiar a realidade física dos OVNIs. Parece claro que devia haver alguém por trás das câmeras que justificasse uma posição tão extremada. Ironicamente, o próprio Thornton Page apareceu no especial da CBS defendendo a objetividade da avaliação do Painel Robertson e dizendo aos telespectadores que “nós tentamos avaliar todos os relatos sem dizer previamente que eram ridículos”. Cronkite relatou que o painel da CIA não encontrou “qualquer evidência de OVNIs” e terminou a transmissão encorajando os espectadores a se lembrarem que “enquanto a fantasia melhora a ficção científica, a ciência se serve mais de fatos”64. Devido ao ultraje de seus constituintes que seguiam uma série de avistamentos em seu estado, incluindo aqueles rotulados de “gás do pântano”, o Deputado Gerald Ford, líder da minoria republicana naquela época, “na firme crença de que o público americano merece uma explicação melhor do que a que está sendo fornecida pela Força Aérea”, convocou audiências no Congresso sobre o assunto OVNI65. Exatamente antes do especial de Cronkite, em 5 de abril de 1966, o Comitê de Serviços Armados ouviu dos membros da Força Aérea, incluindo o consultor J. Allen Hynek, sobre o problema dos OVNIs, e eles consideraram as recomendações para uma investigação científica independente do Projeto Livro Azul. A Força Aérea deu o primeiro passo para sair do confuso negócio de OVNIs, concordando em encontrar uma universidade que estivesse disposta a coordenar o estudo, uma que ajudasse a Força Aérea a decidir se continuava com seu próprio programa ou se desembaraçava de uma campanha insatisfatória de relações públicas, que se tornava cada vez mais difícil de manter. No final de 1966, ficou decidido: a Universidade do Colorado concordava em sediar um estudo relativo aos OVNIs, patrocinado pelo governo, a ser chefiado por Edward U. Condon, um físico bem conhecido e antigo chefe da Secretaria Nacional de Normas e Medidas. Embora as expectativas iniciais fossem elevadas para esse projeto, e por um curto período de tempo


acrescentou-se legitimidade ao escrutínio científico dos OVNIs, gradualmente ele desmoronou, devido às disputas internas entre os membros do comitê de estudos. Logo tornou-se sabido que, desde o início, Condon manteve visões pessoais fortemente negativas sobre o assunto e nunca pretendeu proceder justa ou objetivamente. Acima disso tudo, surgiu o conflito sobre se a hipótese extraterrestre tinha qualquer validade ao lado de muitas outras teorias sob consideração. O ponto de crise foi atingido quando dois membros preocupados descobriram um memorando de 9 de agosto de 1966 enviado pelo coordenador do projeto, Robert Low, para dois decanos da universidade. Nele, Low discutia os prós e contras de se fazer um projeto de pesquisa sobre OVNIs, quando ele ainda estava em discussão. Se o projeto fosse empreendido, ele expôs o problema: Ele deve ser abordado objetivamente, isto é, tem de se admitir a possibilidade de que coisas como OVNIs existiam. Não é respeitável considerar seriamente tal possibilidade... Poderse-ia ter de chegar ao ponto de considerar a possibilidade de que os discos, se algumas das observações foram verificadas, comportam-se de acordo com um conjunto de leis físicas desconhecidas por nós. O simples ato de admitir essas possibilidades apenas como possibilidades nos coloca além dos limites e perderíamos mais em prestígio dentro da comunidade científica do que possivelmente obteríamos por realizar a investigação. Assim, Low oferecia uma saída: Nosso estudo deveria ser conduzido quase que exclusivamente por não crentes, que, embora possivelmente não conseguisse provar um resultado negativo, poderiam e provavelmente acrescentariam um impressionante corpo de evidência de que não há realidade para as observações. O artifício seria, creio eu, descrever o projeto de modo que, para o público, ele pareceria um estudo totalmente objetivo, mas, para a comunidade científica, apresentaria a imagem de um grupo de não crentes tentando ao máximo ser objetivos, mas tendo uma expectativa quase nula de descobrir um disco66. A linguagem específica que ele empregou em seu memorando - particularmente a palavra “artifício” - ajudou a dar o jogo de presente. O termo “disco voador” foi frequentemente empregado em conjunção com “crentes” e “entusiastas”, que assumiam que os objetos eram extraterrestres e não estavam (presumivelmente) usando o método científico para tratar do problema. Con- don ficou enfurecido por isso ter se tornado público e demitiu duas pessoas que tinham vazado o memorando no dia seguinte. Embora Low tentasse manter suas opiniões em segredo, Condon não tinha problema em dirigir suas atitudes negativas para seu público-alvo. Em uma palestra, de janeiro de 1967, ele observou: “É minha tendência agora recomendar que o governo saia deste negócio. Minha atitude agora é de que não há nada aí para ele”. E acrescentou: “Mas só devo chegar a uma conclusão em mais um ano”67. Em resposta à preocupação pública sobre tudo isso, e em reação à continuidade dramática dos avistamentos de OVNIs, uma segunda audiência do Congresso foi convocada pelo Comitê de Ciência e Aeronáutica, em julho de 1968. Uma hoste de cientistas de fora da Força Aérea


apresentou trabalhos próprios convincentes sobre os OVNIs; muitos deles tinham sérias reservas sobre a efetividade do estudo Condon e advogava um estudo continuado dos OVNIs, apesar dos resultados. O testemunho do Dr. James E. McDonald, do Instituto de Física Atmosférica e professor de Metereologia da Universidade do Arizona, foi o que mais se estendeu, fornecendo uma série de relatos de casos de OVNIs convincentes. Uma autoridade e um líder respeitado no campo da física atmosférica, McDonald escreveu muitos trabalhos altamente técnicos para revistas profissionais. Devido a seu interesse pessoal, ele passou dois anos examinando material de arquivos oficiais e dados de radar sobre OVNIs, anteriormente secretos, entrevistando várias centenas de testemunhas e conduzindo investigações de casos em profundidade por sua própria conta, detalhes dos quais foram fornecidos ao comitê. McDonald testemunhou que não havia nenhum outro problema em sua jurisdição comparável a este. “A comunidade científica, não apenas neste país, mas por todo o mundo, vem casualmente ignorando como algo sem sentido um assunto de extraordinária importância científica.” Ele indicou que tendia para a hipótese extraterrestre como uma explicação, devido “ao processo de eliminação de outras hipóteses alternativas, não por argumentos baseados naquilo que eu chamaria de ‘prova irrefutável’.68” O Dr. Hynek recomendou que um conselho científico de inquérito do Congresso estabelecesse um mecanismo para o estudo adequado dos OVNIs, “usando todos os métodos disponíveis da ciência moderna”, e que se deveria buscar cooperação internacional através das Nações Unidas69. Uma pesquisa extensa foi feita e livros foram escritos sobre o tumultuado processo, que finalmente produziu o relatório do Comitê Condon, “Estudo Científico de Objetos Voadores Não Identificados”, liberado em 1968. O tomo, com aproximadamente 1.000 páginas, começa com conclusões e recomendações do próprio Condon. Ele declarava que um estudo científico posterior dos OVNIs não estava garantido e recomendava que a Força Aérea encerrasse o Projeto Livro Azul. Nada deveria ser feito com os relatos sobre OVNIs submetidos ao governo federal a partir de então. Ele escreveu que nenhum OVNI tinha causado qualquer problema de segurança nacional ou de defesa, e que não havia nenhum sigilo oficial quanto aos relatórios sobre OVNIs. O resumo de duas páginas do relatório, liberado para a imprensa e o público, realmente contradizia os achados contidos dentro do volume, que a maioria da pessoas não se incomodou em ler. De fato, o próprio Condon não participou da análise dos estudos de caso cuidadosamente pesquisados que compuseram o estudo, e parece que ele também não se preocupou em ler o produto final. O extenso estudo realmente fornece algumas análises científicas excelentes realizadas por outros membros do comitê, enterrados entre muitas análises tediosas de casos de importância marginal, que se arrastaram página após página. Outros casos chave foram deixados completamente de fora. Alguns relatos realmente verificaram a realidade dos ainda não resolvidos e altamente perplexantes fenômenos OVNI. Por exemplo: o investigador William K. Hartman, astrônomo da Universidade do Arizona, pesquisou duas fotografias extraordinárias de McMinnville, no Oregon, e afirmou que “este é um dos poucos relatos de OVNI no qual todos os fatores investigados - geométricos, psicológicos e físicos - parecem consistentes com a afirmação de que um objeto voador extraordinário, prateado, metálico, com forma de disco, com dezenas de metros de diâmetro, e evidentemente artificial, voou dentro do campo de visão de duas testemunhas”70.


Indiferentemente, o resumo de Condon estabelecia: “Nada surgiu do estudo de OVNIs nos últimos vinte anos que tenha acrescentado algo ao conhecimento científico”. E a Academia Nacional de Ciências endossou as recomendações de Condon. “Um estudo de OVNIs em geral não é um caminho promissor para a expansão do conhecimento científico dos fenômenos”, concluiu sete semanas depois71. Condon acrescentou insulto à injúria ao dizer ao New York Times que sua investigação “era um montão de bobagens”, e ele sentia “ter se envolvido em tal tolice”72. O Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica (AIAA) estava entre aqueles que registraram objeções após ter passado um ano estudando o texto de 1.000 páginas do relatório Condon. O AIAA estabeleceu que o resumo de Condon não reflete as conclusões do relatório, mas, em vez disso, “divulga muitas de suas [de Condon] conclusões pessoais”. Os cientistas do AIAA não encontraram base no relatório para a determinação de Condon de que estudos posteriores não tinham valor científico, mas declararam que “um fenômeno com tal taxa elevada de casos não explicados (cerca de 30% no próprio Relatório) deveria ter levantado curiosidade suficiente para prosseguir no estudo”73. Por trás das mentes fechadas e do desdém de Condon e Low, junto com aqueles de outros neste campo, repousa, mais uma vez, o problema da confrontação com a hipótese extraterrestre. Como Hynek apontou naquela época, Condon e seus apoiadores erroneamente igualaram a noção de OVNIs com algo extraterrestre, acreditando que, se os OVNIs fossem reconhecidos como um fenômeno genuíno, ocorreria uma aceitação implícita da hipótese extraterrestre. Isso claramente era inaceitável para eles. Como Low indicou em seu memorando, o simples ato de admitir tal possibilidade estava “além dos limites”, e qualquer profissional que fizesse isso arriscaria perder o prestígio dentro da comunidade científica, que não tinha abertura para um conceito tão radical. Mesmo depois de vinte e dois anos de acumulação de dados pela Força Aérea, junto com estudos independentes feitos por vários cientistas, como McDonald, um número esmagador de cientistas e funcionários do governo ainda sente profundo mal-estar com a mais remota possibilidade de tal hipótese. Essa aversão foi tão forte que seus mantenedores não se preocuparam com o fato ela ter minado completamente a precisão e efetividade de um estudo científico caro, de longa duração, do qual se dependia tanto e que todos sabiam que teria um impacto imenso, histórico. Em vez disso, o último prego foi martelado no caixão. Em dezembro de 1969, a Força Aérea anunciou o término do Projeto Livro Azul - a única investigação oficial do governo sobre OVNIs - efetivada no mês seguinte. Desde então, os cientistas podiam justificar seu desinteresse pelos OVNIs, citando as conclusões do Relatório Condon. O governo podia se referir à decisão da Força Aérea de encerrar suas investigações para justificar seu desinteresse nos casos de OVNIs. A mídia podia apreciar tudo, enquanto fazia piada dos OVNIs ou os relegava à ficção científica. Agora, não era mais necessária nenhuma ação direta por parte daqueles que faziam parte do Painel Robertson, porque as sementes tinham sido plantadas e o momentum se autogeraria nas décadas futuras. A “idade do ouro” das investigações oficiais, das audiências do Congresso, das conferências de imprensa, do estudo científico independente, de grupos poderosos de cidadãos, de livros best-sellers e revistas cobrindo as estórias, tinha chegado ao fim. Nas décadas seguintes, muitos pesquisadores dedicados carregaram a tocha e devotaram


suas vidas para documentar casos e aumentar nosso conhecimento do fenômeno. Sua capacidade e extenso trabalho têm sido cruciais para nos fazer avançar. Mas, tendo sido uma vez uma preocupação galvanizante no palco nacional, a questão OVNI se tornou agora marginal. O tabu contra os OVNIs estava estabelecido e hoje, quarenta anos depois, essa proibição em levar a sério os OVNIs está completamente embebida em nossa sociedade, como um câncer eficazmente em metástase.


CAPITULO 12 - Assumindo Seriamente o Fenômeno

Para avaliar as ações do governo americano e colocá-las em perspectiva, podemos aprender muito com o exame das atividades de outros governos e o tratamento que seus militares e sua aviação deram aos encontros com OVNIs. Desde o encerramento do Projeto Livro Azul, os Estados Unidos se tornaram quase párias do cenário internacional quanto a investigações oficiais sobre OVNIs, o que é especificamente um problema, já que, como superpotência, têm potencial único para influenciar o progresso científico em questões de significância global. Outras nações comportaram-se admiravelmente quando os eventos OVNI ocorreram dentro de seu espaço aéreo. Alguns coletaram dados úteis quando objetos anômalos surgiram no radar ou deixaram marcas no solo, como aconteceu na França e no Reino Unido. Estes dois países estavam especialmente bem equipados para lidar com eventos tão notáveis quanto um OVNI pousando, porque tinham agências governamentais especificamente encarregadas de obter relatos sobre OVNIs e conduzir investigações. Mesmo depois que os Estados Unidos saíram do negócio dos OVNIs em 1970, outros países mantiveram os seus, e outros ainda, depois, abriram novos escritórios de investigação, abordando o problema direta e responsaivelmente. Nos anos seguintes ao fechamento, pelos Estados Unidos, de sua única agência pública relativa a OVNIs, aqueles que avançavam fizeram o melhor que podiam, lutando algumas vezes por recursos. Graças aos céus, eles não se moldaram no Projeto Livro Azul. Em vez de se devotarem a espalhar falsas explicações e propaganda, tais agências desejavam conduzir investigações honestas e reconhecer, particularmente em casos documentados pelos pilotos, a presença de algo não identificado, que não podia ser explicado. Pilotos e tripulações em outros países não são pressionados a ficarem quietos, como seus colegas americanos foram durante o incidente do O’Hare, e não são, nem de perto, cautelosos em relação ao ridículo como eles. Nos outros lugares, pilotos comerciais e militares registram seus encontros, e conferências de imprensa são convocadas para liberar a informação. Questões de segurança da aviação são encaminhadas em conexão com esses eventos. Em geral, embora o governo americano não tenha feito nada desde 1970, grande parte do restante do mundo vem se movendo cada vez mais na direção de considerar os OVNIs mais seriamente. O estudo do Reino Unido sobre os OVNIs começou em 1950, dentro do Ministério da Defesa, tornando-o um dos mais longos programas oficiais do mundo. Havia uma agência designada, ou “balcão OVNI”, que lidava com os relatos sobre OVNIs e investigava os casos. Em dezembro de 2009, os funcionários tornaram-se tão sobrecarregados pelo volume de relatos do público, que durou cerca de dez anos, e a corrente interminável de pedidos da FOIA sobre o assunto, que o programa de relatos públicos foi encerrado. O Ministério da Defesa não encontrou uma maneira de resolver estes casos, que, conforme afirmou, não representavam uma ameaça à segurança nacional. Porém, reconheceu o óbvio: que quaisquer “ameaças legítimas” - casos envolvendo pilotos militares, instalações de defesa aérea ou objetos rastreados por radar - continuariam a ser investigados74. O Reino Unido já tinha também começado o longo processo de liberação de todos os arquivos acumulados durante os anos em que o “balcão OVNI” esteve em operação.


Na América do Sul, Chile e Peru estabeleceram novas agências governamentais para o estudo dos casos de OVNIs em 1997 e 2001, respectivamente. Os militares brasileiros vêm conduzindo investigações sobre OVNIs desde o final dos anos 40. Astronautas, cientistas e oficiais de alta patente russos falam publicamente sobre os eventos OVNIs de lá. E pela primeira vez o Departamento de Defesa Mexicano forneceu dados sobre um avistamento não resolvido do pessoal da Força Aérea para um pesquisador civil em 2004, um passo importante de abertura do governo daquele país. O governo da França é geralmente reconhecido pela manutenção da mais produtiva, científica e sistemática investigação governamental sobre os OVNIs do mundo, durante mais de trinta anos sem interrupções. A agência, agora chamada GEIPAN75, é parte da agência espacial francesa conhecida como CNES76, o equivalente francês da NASA, e serve como modelo para outros países que a têm consultado durante anos. Particularmente notável é a rede de cientistas, funcionários da polícia e outros especialistas ligados ao GEIPAN, prontos a ajudar na investigação de qualquer caso de OVNI que seja notícia no momento. Seu propósito tem sido sempre agir puramente como uma agência de pesquisa, não basicamente ligada a questões de defesa, como o era o Ministério da Defesa na Inglaterra, ou com a segurança da aviação como no Chile. O grupo foi estabelecido sete anos depois do encerramento do Projeto Livro Azul, e estabelece, como sua missão, simplesmente investigar “fenômenos aeroespaciais não identificados” e disponibilizar ao público suas descobertas. Jean-Jacques Velasco, da França, Nick Pope, do Reino Unido, e o General Ricardo Bermúdez, do Chile, chefiaram pequenas agências governamentais em seus próprios países, que funcionavam em tempo integral na investigação de casos de OVNIs. Eles, entre outros que escreveram nas páginas deste livro, descrevem seu trabalho inovador em nome de seus governos, e o impacto que este trabalho sobre os fenômenos OVNIs tem tido em suas vidas. Em países de todo o mundo, testemunhas e investigadores, como eles, estão muito conscientes da necessidade de uma participação maior dos Estados Unidos e estão agora se reunindo para chamar a atenção sobre este problema. Quer tenham estabelecido ou não escritórios específicos para essa investigação, muitos governos acumularam quantidades maciças de documentos de casos de OVNIs durante décadas, e o público colocou uma ênfase enorme em se obter a liberação desses arquivos oficiais. Em anos recentes, como parte de uma tendência de maior transparência, números sem precedentes desses documentos deixaram de ser secretos e tornaram-se públicos pela primeira vez. Desde 2004, governos do Brasil, Chile, França, México, Rússia, Uruguai, Peru, Irlanda, Austrália, Canadá e Reino Unido liberaram arquivos tidos anteriormente como secretos e, em 2009, Dinamarca e Suécia juntaram-se a eles, liberando mais de 15.000 arquivos cada. Porém, nenhum desses registros mudou nossa compreensão geral do fenômeno, além da confirmação de que os mesmos eventos ocorrem por todo o mundo e que o comportamento dos objetos, e frequentemente dos governos respondendo a eles, vêm se repetindo há anos. Infelizmente, tem havido pouco avanço em termos de realmente resolver o mistério, e a obtenção de mais documentos não é a resposta. De fato, investigadores do governo têm sido enormemente limitados pelo fato de que tudo o que são capazes de fazer é aprender tanto quanto possível após a ocorrência de um único


evento. Sem maiores recursos, não se pode fazer muito exceto arquivar os relatos, ano após ano. Cartas de civis sobre avistamentos isolados, frequentemente questionáveis, também são acrescentados aos arquivos, compondo uma grande proporção das páginas liberadas. Embora geralmente fascinantes, os documentos do governo não mais revelam alguma coisa nova. E os milhares e milhares de páginas não levaram a um avanço maior na compreensão. Os arquivos mais sensíveis - relatos da Inteligência ligados a implicações mais sérias relativas à segurança nacional, e análise e investigações provavelmente mais profundas - continuarão secretos e não serão liberados. Nenhum documento “explosivo” há muito esperado emergiu. Acredito que uma demanda para a liberação de ainda mais arquivos - mesmo nos Estados Unidos - não é mais um foco útil. É um caminho lateral interessante, mas não atinge o âmago da questão. A ênfase indevida na busca de liberação de documentos poderia até prolongar a paralisação internacional que enfrentamos agora e dar aos governos uma saída, afirmando que eles fizeram a parte deles ao liberarem os arquivos ou que isso será feito em um futuro próximo. Contudo, o público continua muito excitado sobre ver novos lotes de documentos do governo sobre OVNIs. Mais recentemente, a liberação de grandes arquivos pela França, em 2007, e pelo Reino Unido, em 2008, 2009 e 2010, gerou uma cobertura frenética da mídia internacional na América. Foram tantas pessoas que entraram no website da França no primeiro dia, que ele caiu. O interesse maior foi o anúncio de que cerca de 28% dos casos franceses permaneciam inexplicados - aproximadamente a mesma porcentagem encontrada no Projeto Livro Azul e no Relatório Condon, em 196877. Uma peça, exibida em 2008, no New York Times, por um repórter situado no Reino Unido, focava seletivamente alguns dos mais tolos novos documentos liberados pelo Ministério da Defesa britânico (cartas escritas para a agência por pessoas malucas) e forneceu aos leitores a abordagem padrão e descaradamente tendenciosa tradicionalmente empregada por aquele famoso jornal78. Ironicamente, isso levou ao avanço da mídia que eu estava esperando. O New York Times publicou a primeira peça séria sobre OVNIs na história do jornal. “Ameaças Voadoras Não Identificadas”, pelo antigo Ministro da Defesa do Reino Unido, Nick Pope79, ofereceu uma resposta racional àquela história essencialmente desonesta inicial. Mas, mais uma vez, nada desta publicidade mudou a paisagem política na América em relação aos OVNIs, ou fez muito de nada realmente, exceto colocar a questão de que os OVNIs devem ser levados a sério. Infelizmente, não temos meios de saber se mais documentos reveladores permanecem trancafiados por alguns governos em locais seguros. Sabemos menos ainda sobre o que permanece confidencial nos Estados Unidos, o mais importante de todos, e é altamente improvável que estes documentos sejam liberados logo. Se uma agência do governo não deseja liberar certos documentos delicados, através do Ato de Liberdade de Informação, ela não o fará. Assim, buscando uma nova ênfase, enquanto tentamos informar e persuadir os oficiais americanos a reavaliarem a questão OVNI, podemos começar a aprender com outros países, com agências governamentais estabelecidas, e descobrir o que obtiveram com elas. Como foram estabelecidas e por quê? Como o seu trabalho contrasta com aquele do Projeto Livro Azul? O que aprenderam sobre os OVNIs? Que ações foram tomadas em função disso? Primeiro e mais importante, voltamo-nos para a Lrança. Peças exclusivas do General Denis


Letty, chefe do grupo COMETA, e de Jean-Jacques Velasco, chefe da agência governamental francesa por mais de vinte anos, exploram essas questões. Outro especialista conhecido da Lrança, Yves Sillard, é um dos mais proeminentes proponentes da pesquisa em cooperação internacional sobre OVNIs. Antigo diretor geral do centro nacional espacial francês, CNES, Sillard é atualmente o presidente do comitê diretor do GEIPAN. Em 1977, enquanto chefiava a CNES, ele fundou o comitê cientifico francês original, encarregado da investigação dos relatos de OVNIs - GEPAN, que tinha, então, esse nome diferente. Sillard serviu em muitos cargos importantes no gover- no e ocupou outros na pesquisa entre aquela época e seu recente retorno ao GEIPAN. Em 1998, a OTAN indicou-o como secretário assistente geral para assuntos científicos e ambientais. Nos Estados Unidos, a Administração Nacional de Aeronáutica e Espaço (NASA) é considerada, na mente popular, a principal organização científica com o maior conhecimento de tudo o que acontece no espaço exterior - um líder global na Terra e na pesquisa espacial. O CNES tem um mandato e uma estima na França paralelos àqueles da NASA nos Estados Unidos. Responsável pela formação e implementação da política nacional francesa na Europa, o CNES, embora menor do que a NASA, também trabalha no desenvolvimento de sistemas espaciais e novas tecnologias em cooperação com a Agência Espacial Europeia, cujo quartel general é em Paris. Obviamente, as visões dos sucessivos diretores de ambas as organizações CNES e NASA - são de grande significância, seja ao lidarem com as complexidades da exploração espacial, seja das perplexidades do fenômeno OVNI. Yves Sillard, desconhecido para a maioria dos americanos, é um homem de estatura dentro da comunidade espacial europeia. Ele fundou, há mais de trinta anos, o que se tornou a mais eficaz agência de investigação de OVNIs do mundo, e ainda desempenha um papel de liderança na direção dessa agência hoje. Mais importante: ele obteve sucesso ao estender uma ponte entre o que geralmente é uma lacuna entre a pesquisa espacial científica e as investigações de OVNIs, assegurando assim a coexistência de ambas dentro da estrutura da agência espacial nacional do governo francês. Em 2007, Sillard consolidou suas ideias no livro Phénomènes aérospatiaux non identifiés: Um défi à la science80, escrito sob sua direção em colaboração com outros cientistas. Um ano depois, em 2008, tive o privilégio de encontrá-lo no quartel general do CNES, em Paris. O Sr. Sillard fez o seguinte comentário, composto especialmente para este livro, resumindo a situação atual. Precisamos todos reconhecer o poder destas palavras concisas, contundentes, que são altamente incomuns, dada a estatura do Sr. Sillard na comunidade mundial. A realidade objetiva dos fenômenos aéreos não identificados, melhor conhecidos pelo público como OVNIs, não está mais em dúvida. Os dados registrados pelo GEIPAN baseiamse em métodos rigorosos de análise e controle. Os casos aeronáuticos são provenientes de testemunhas competentes, treinadas para lidar com situações inesperadas e reagir calmamente. O clima de suspeita e desinformação, para não mencionar escárnio, que ainda muito frequentemente circunda a coleta de relatos, ilustra a forma surpreendente de cegueira intelectual. Esta é, obviamente, a razão do silêncio de muitas testemunhas, que não ousam se apresentar, e é particularmente verdadeiro para os pilotos, civis ou militares, que temem arriscar suas carreiras ao falarem. Precisamos estar muito abertos para a informação, de modo a minimizar o drama e tornar mais fácil o preenchimento de relatórios pelas testemunhas.


Ao abordar o assunto OVNIs, precisamos considerar o futuro. Um dia, através da conquista do espaço, seremos capazes de viajar para fora de nosso sistema solar, algo que é concebível para nós agora, através da simples extrapolação de nossas capacidades técnicas existentes. Pela primeira vez, esse potencial abre a porta para a visão crível de contato com civilizações distantes, consideradas como impensáveis no passado. Apesar de algum progresso espetacular em anos recentes, a ciência hoje pareceria muito modesta, ao olharmos para trás algumas centenas de anos. O desenvolvimento da ciência, mesmo nas próximas décadas, certamente levará a novos conceitos imprevisíveis hoje. O que parecem ser obstáculos intransponíveis para que civilizações mais avançadas viajem de exoplanetas para a Terra provavelmente serão encarados sob uma luz bem diferente, e hipóteses completamente novas, ligadas a teorias cosmológicas ainda não conhecidas, serão provavelmente propostas e realizadas, mudando completamente a forma como vemos o mundo físico e o universo ao redor. Mesmo agora - muito embora a ideia seja somente hipotética - o que aconteceria se alguns fenômenos não identificados fossem descobertos como automáticos e veículos habitados viessem de exoplanetas? O famoso “princípio da precaução” não inspiraria os líderes políticos a pelo menos pensarem sobre as consequências para cada aspecto de nossa sociedade, se a hipótese fosse confirmada? A posição do Bureau Ambiental Europeu é de que “o princípio da precaução justifica a ação imediata no caso de incerteza e ignorância para impedir o prejuízo potencial”. Define-se “incerteza” como “uma estrutura de compreensão onde sabemos o suficiente para identificar o que não sabemos”81. Os autores do Relatório COMETA iniciaram o processo de oferecer algumas recomendações de senso comum para as maiores autoridades civis e militares, de modo a prepará-las para reagir da maneira mais apropriada, para o caso daquilo que é hoje apenas uma hipótese se transforme amanhã em realidade. Eu recomendaria uma sensibilidade maior das autoridades do mundo todo. Enquanto nenhuma outra interpretação crível tenha sido formulada, vamos simplesmente esperar que o GEIPAN e outras agências possam dar uma modesta contribuição a este debate, e que possam estimular o pensamento a respeito desses fenômenos, cuja existência não pode ser contestada. E, finalmente, vamos esperar que nossos esforços conjuntos inspirem mentes não preconceituosas a considerar a hipótese extraterrestre com seriedade e rigor que ela merece, enquanto nenhuma outra interpretação seja formulada.


CAPÍTULO 13 - O Nascimento de COMETA Pelo Major General Denis Letty (Aposentado)

Para aprender mais sobre a abordagem aberta dos militares franceses ao problema dos OVNIs, o Major General Denis Letty nos forneceu sua perspectiva pessoal sobre o histórico Relatório COMETA, explicando porque se sentiu pessoalmente compelido a organizar um grupo de investigação. Como mencionei anteriormente, era o trabalho de um grupo de generais franceses aposentados e outros oficiais desse país reunindo-se para escrever esse relatório, o que primeiro chamou minha atenção para o assunto. O General Letty foi o iniciador desse esforço, a força motriz por trás de sua realização. No relatório, ele e outros autores criticaram o governo americano por negar a existência dos OVNIs, pelo tratamento áspero das testemunhas e seu excessivo sigilo e espalhamento de “desinformaçãoEles pediram que o governo americano se juntasse à França e outros países numa aventura cooperativa para investigar o fenômeno OVNI, talvez sob os auspícios da União Europeia. Nenhuma resposta foi obtida. Denis Letty, presidente do grupo COMETA, é um antigo piloto de caça bem conhecido, que foi chefe da Defesa Aérea da França, na zona sudeste, e da missão militar francesa das Forças Aéreas Aliadas da Europa Central. Comandante da Quinta Ala, também serviu como comandante da base aérea de Estrasburgo. Em 2008, tive o privilégio de conversar com o General Letty em sua casa na periferia de Paris. Ele e sua esposa foram extremamente amáveis comigo e com o cineasta James Fox, que, com os arquivos, notas e uma equipe de filmagem para documentar nossos debates, invadiu o bem mantido apartamento duplex deles, com uma vista estonteante da cidade. Para mim, pessoalmente, encontrá-lo foi um marco. Digno, amável e bem-apessoado, o General Letty foi sincero e descontraído conosco, embora transmitisse tremenda autoridade. Ele ainda fica incrédulo com o fenômeno OVNI e quer muito encontrar uma solução. Quando nos sentamos ao redor da mesa em sua sala de estar, discutindo casos franceses com a câmera funcionando, Letty falou da questão da transparência do governo em relação aos OVNIs. “Eu não acredito que um país poderoso como os Estados Unidos ache aceitável reconhecer que algo estranho possa voar sobre o país e este não possa limpar os seus céus. Outro problema pode ser o pânico, criado pelas pessoas imaginando que seus militares não possam protegê-las.” Eu cuidadosamente observei seus comentários posteriores sobre o papel do governo americano: “Estamos convencidos de que alguns governos não dizem tudo o que sabem sobre o assunto e estou falando, naturalmente, sobre os Estados Unidos. É por isso que pedimos a cooperação de todos os países. Estamos prontos para fazer a pesquisa, para trabalhar juntos.82” O general está convencido de que nada permanece oculto em relação aos OVNIs com os militares franceses, uma vez que todos os arquivos foram liberados no ano anterior para chegar a esse ponto. Recentemente, o General Letty desenvolveu aqui os seus pensamentos.


A primeira vez que tive consciência83 dos OVNIs, em 1965, como capitão no terceiro staff do quartel general da Força Aérea Tática (FATAC), na cidade de Metz, foi quando recebi todos os relatos recebidos pela polícia nacional no território da Primeira Área. Alguns eram desconcertantes. Já que não havia ameaça perceptível, nós simplesmente os arquivamos. Inicialmente, fiquei apenas um pouco surpreso, mas, depois, pilotos competentes que eu conhecia pessoalmente começaram gradualmente a admitir terem se confrontado com estes fenômenos. Um deles foi Hervé Giraud, agora coronel, que, em 1977, estava voando em um Mirage IV com seu navegador, a cerca de 32.000 pés, depois do escurecer. Eles viram uma luz extremamente brilhante aproximando-se em rota de colisão, diretamente para eles. Giraud comunicou-se por rádio com o controle de tráfego aéreo militar, que não tinha qualquer traço na tela de seu radar. Ele teve de virar para a direita para evitar o objeto e, depois, tentou manter contato visual com ele. O objeto sumiu e, depois, ou ele voltou ou algo idêntico a ele surgiu. Giraud sentiu como se estivesse sendo observado neste ponto, sem defesas, e ambos os homens ficaram desconcertados, enquanto o piloto não tinha mais como fazer outra manobra apertada. E ainda não havia nada no radar. Eles retornaram em segurança para a base em Luxeuil. O Capitão Giraud relatou que percebeu que o objeto era sólido e imenso, comparando-o a um caminhão de dezoito rodas correndo à noite com todas as luzes acesas. Ele não emitia quaisquer raios luminosos, mas brilhava com uma luz branca estável, que obscurecia qualquer forma por trás da iluminação. Dois pontos nesse caso impressionaram-me. Nada além de uma nave de combate poderia ter a velocidade e a manobrabilidade desse objeto. Mas se fosse urn jato de combate, teria sido registrado no radar, especialmente naquela baixa altitude. De fato, nenhum tráfego foi registrado pelos controladores de tráfego aéreo em qualquer lugar daquela área do Mirage IV. Em segundo lugar, a velocidade do objeto durante os dois encontros foi tão alta durante um giro agudo, que ele teria de ser supersônico. Isso significa que, se ele fosse um jato de combate, teria feito um grande estrondo, que teria sido ouvido no solo e na área circunvizinha, especialmente quando as coisas estavam quietas à noite. Nenhum som foi ouvido em lugar algum. Houve outros casos envolvendo pilotos voando em caças Mirage e em aeronaves de treinamento. Mas mais um relato em particular me marcou. Em 1979, soube que o Capitão Jean-Pierre Fartek, na época piloto de um Mirage III, tinha visto um OVNI. Foi mais incomum, porque isso não ocorreu enquanto ele estava voando, mas quando estava em sua casa em um povoado próximo de Dijon, durante o dia. O objeto estava muito próximo do solo. Quis encontrá-lo para discutir isso e arranjei um encontro três meses depois, na base de Estrasburgo. Em outra ocasião, fui até a casa dele e conversei com sua esposa, que também tinha visto o OVNI. Ele me disse que, em 9 de dezembro de 1979, por volta das 9hl5min, sua esposa estava descendo as escadas para preparar o café da manhã, quando viu um estranho objeto em forma de disco pela janela. Ele chamou Fartek para ver. O objeto estava flutuando baixo sobre o solo, em frente de uma fileira de macieiras, cujos ramos podiam ser vistos atrás dele. Por causa disso, o capitão pode medir a distância de cerca de 250 metros a partir de sua casa. Ele tinha aproximadamente 20 metros de diâmetro e 7 metros de altura. O tempo estava claro, com


excelente visibilidade. Eu ainda tenho as notas que escrevi durante o encontro com o capitão e sua esposa: • O objeto parecia como dois pires invertidos voltados um para o outro, com um contorno

preciso, de cor metálica cinza na parte de cima e azul escuro embaixo, sem luzes ou vigias. • Estava a cerca de 3 metros do solo, não estabilizado, e então subiu para o nível das árvores, enquanto oscilava continuamente. Depois, desceu novamente, sempre oscilando. Depois, inclinou-se e acelerou rapidamente para atingir uma velocidade muito superior àquela do Mirage III, e desapareceu. O Capitão Fartek e sua esposa forneceram muitos outros detalhes. Havia um claro traçado entre a parte de cima e a de baixo da aeronave, e a diferença na cor não poderia ser devida aos efeitos da luz do sol. A claridade e a precisão da forma do objeto não deixavam dúvidas de que era algo sólido e físico. O disco parecia girar simetricamente ao redor de um eixo, mas a oscilação era lenta, como se estivesse tentando encontrar o equilíbrio. Movia-se sem qualquer ruído. As testemunhas puderam ver claramente as árvores bem atrás dele, mas não puderam dizer se ele produzia alguma sombra. O Capitão Fartek cuidadosamente verificou se havia turbulência sob o objeto enquanto ele flutuava, mas não conseguiu detectar nenhuma, e não deixou qualquer marca no solo. Sua velocidade de partida foi tão extraordinária, que desapareceu no horizonte em poucos segundos. O Capitão Fartek relatou este incidente à estação de guarda aérea na base. Ele diz que outras pessoas também viram o fenômeno, mas não ousaram relatá-lo, tais como seus vizinhos com seus filhos. Naquela época, o comandante da base instruiu Fartek a não falar sobre isso, por que tinha medo do ridículo. Fartek ficou muito aborrecido com a experiência. Ele me contou, quando nos encontramos, que o avistamento colocou em questão sua percepção do que era então chamado de “disco voador”, porque ele nunca tinha acreditado neles. Agora, ele reconheceu para mim, depois de ver essa aeronave, que ele não mais duvidava de sua existência. Ouvindo seu testemunho, eu também não tinha mais dúvidas sobre a realidade do fenômeno. De fato, tomados em conjunto, achei o testemunho dos Farteks tão perturbador, que fiquei preocupado com o problema dos OVNIs desde então. Em 1996, depois que me tornei major, o Capitão Fartek foi entrevistado para o estudo COMETA que eu iniciei e, mesmo então, após dezessete anos, ele ainda estava abalado com o que viu. O seu caso foi documentado em nosso relatório, na seção sobre avistamentos do solo.


A decisão de criar um “Comitê de Estudos Abrangentes”, de doze membros, abreviado para COMETA, para estudar os OVNIs, foi tomada em 1996, dentro da associação de auditores veteranos do Instituto Francês de Estudos Superiores para a Defesa Nacional, uma agência de planejamento estratégico financiada pelo governo. Uma vez que a França vem estudando oficialmente casos de OVNIs há vinte anos, dados substanciais de casos bem investigados e documentados foram coletados por nossa agência governamental. De fato, a França era líder mundial neste processo. Sentimos que era hora para uma avaliação, analisando a situação atual ao redor do mundo e questões de defesa, e a necessidade de cooperação internacional para lidar com este problema global. Iniciei o estudo privado e tornei-me o presidente do grupo. O General Norlain, antigo comandante da Força Aérea Tática francesa e conselheiro do Primeiro Ministro, e André Lebeau, antigo chefe do CNES, ficaram felizes em nos ajudar e concordaram em desempenhar papéis principais. Nessa época, nós três já estávamos aposentados da carreira militar, embora eu fosse, até 2002, o presidente de uma companhia aeronáutica que trabalhava principalmente para a Defesa francesa. A investigação durou de 1996 até 1999. Começamos entrevistando pessoas que tinham testemunhado fenômenos OVNI na França e, depois, fizemos a revisão dos melhores casos reconhecidos e totalmente estudados ao redor do mundo. Coletamos dados apenas de fontes oficiais, autoridades governamentais, pilotos e Forças Aéreas, da França e de outros países. No processo, avaliamos e consolidamos as melhores informações e apresentamos nossa pesquisa às autoridades francesas apropriadas. Todos os testemunhos que retivemos para o Relatório COMETA apoiam-se em peças tangíveis de evidência: ecos no radar, sinais no solo, fotografias, fenômenos eletromagnéticos e até modificações no processo de fotossíntese em plantas. Muitos dos relatos fornecidos por testemunhas totalmente independentes confirmam uns aos outros. Ficou claro que pelo menos 5% dos avistamentos, dos quais há sólida documentação, não podem ser atribuídos a fontes naturais ou humanas. Nossos especialistas examinaram todas as explicações possíveis para estes casos. Queremos demonstrar que o fenômeno OVNI é real e não o resultado de fantasia. Fiquei atônito ao descobrir, e agora saber com certeza, que objetos silenciosos e completamente desconhecidos algumas vezes penetram em nosso espaço aéreo com capacidades de voo


impossíveis de serem replicadas na Terra. E esses objetos parecem ser operados por algum tipo de inteligência. O Relatório COMETA demonstra, de maneira direta, que a hipótese extraterrestre é a explicação mais racional, embora, naturalmente, não possa ser provada. Desde a liberação do relatório, tenho citado frequentemente o General Thouverez, comandante da Força Aérea de Defesa da França, que, em 2002, reconheceu que objetos desconhecidos podiam algumas vezes ser vistos no céu da França e que, consequentemente, era nossa responsabilidade estudá-los seriamente84. Devido a afirmações como essa, meus colaboradores e eu acreditamos que era importante submeter o Relatório COMETA às mais altas autoridades do Estado e o enviamos para o Primeiro Ministro e para o gabinete militar do presidente. No interesse de informar o público, também o publicamos na França. Na época de sua liberação, a França tinha reduzido consideravelmente os esforços de sua agência nacional sobre OVNIs, no CNES, deixando apenas dois funcionários. Após a liberação de nosso relatório, a agência foi ressuscitada e renomada para GEIPAN, um processo provavelmente facilitado pelo apoio de nosso grupo. O Relatório COMETA tem, desde então, recebido reconhecimento mundial - apesar de alguma difamação virulenta da parte de certas pessoas - e quando se lê cuidadosamente seus achados impossíveis de ser ignorados. Advogamos uma forte cooperação internacional na investigação dos OVNIs, com os Estados Unidos em particular, e continuamos a fazer isso. Os avistamentos, em novembro de 2006, sobre o Aeroporto O’Hare, perto de Chicago, e sobre Guernsey, em abril de 2007, que foram relatados por pilotos e controladores de tráfego aéreo, reforçaram nossa determinação de não desistir desse esforço. Agora, temos esperança de que, enquanto continuamos a coletar relatos de muitos colegas ao redor do mundo, facilitaremos enormemente a compreensão que leva a um esforço internacional unificado, que determinará a verdadeira natureza e origem dos OVNIs. Estamos prontos, em nosso país, a desempenhar um papel significativo em tal esforço.


CAPITULO 14 - A França e a Questão dos OVNIs Por Jean-Jacques Velasco

Jean-Jacques Velasco foi o responsável pela agência de OVNIs do governo francês por mais de vinte anos. Embora tenha começado suas investigações depois do fechamento do Projeto Livro Azul, trabalhou para o governo consistentemente por quase o mesmo período de tempo que J. Allen Hynek trabalhou para o governo americano. Permaneceu focado e dedicado, como o fez Hynek, tornando-se uma das figuras mais conhecidas do mundo no que se refere aos OVNIs. Velasco era um engenheiro, que trabalhava no desenvolvimento dos satélites franceses, no CNES, quando se envolveu com a nova agência, estudando fenômenos aeroespaciais não identificados, no ano em que foi fundada, 1977, por Yves Sillard. Seis anos depois, tornou-se responsável por essa agência. Ao longo de seu mandato, Velasco trabalhou abertamente dentro da agência nacional espacial francesa nas investigações sobre OVNIs e não foi sobrecarregado por uma estrutura militar restritiva e complexa. Permanece ativamente envolvido com estudos de caos sobre OVNIs até hoje e é autor de vários livros sobre o assunto. Durante vinte e um anos85, de 1983 a 2004, fui diretor do programa francês que investiga e analisa fenômenos aeroespaciais não identificados. Trabalhando dentro da estrutura de uma missão oficial com responsabilidades específicas, impus a mim mesmo, como era meu dever, uma grande reserva ao expressar quaisquer interpretações ou conclusões sobre a questão dos OVNIs. Agora, tudo isso mudou. Depois dessas décadas de experiência e conhecimento adquiridos, não mais me cerceio e posso expressar minhas conclusões pessoais com completa liberdade de consciência. Portanto, escolhi falar aqui mais livremente e com mais abertura do que em minhas prévias publicações. Primeiro, é possível mostrar, usando os dados de casos oficialmente estabelecidos listados em todo o mundo, de que os OVNIs - objetos materiais - existem e são distintos de quaisquer fenômenos comuns. Esses casos são poucos, mas suas características extraordinárias e efeitos físicos demonstram esse fato sem ambiguidade. Com base em casos bem estabelecidos, não há dúvidas da existência dos OVNIs. Os OVNIs parecem ser “objetos artificiais e controlados” e suas características físicas podem ser medidas por nossos sistemas de detecção - particularmente o radar. Eles exibem uma física aparentemente muito diferente daquela que empregamos nos países mais tecnologicamente avançados. Os radares de solo e de bordo mostram que suas performances excedem enormemente nossas melhores capacidades aeronáuticas e espaciais. Tais capacidades incluem luzes estacionárias e silenciosas, acelerações e velocidades que desafiam as leis da inércia, efeitos sobre a navegação eletrônica ou sistemas de transmissão, e a aparente habilidade de induzir apagões elétricos. Quando encontrados por aeronaves militares, esses objetos parecem capazes de antecipar e neutralizar as manobras defensivas dos pilotos, tais como em casos notáveis como aquele do General Parviz Jafari, sobre Teerã, e os incidentes na Base da Força Aérea de Malmstrom86. Em tais encontros, o fenômeno OVNI parece se


comportar como se estivesse sob algum tipo de controle inteligente. Minha relação com esse assunto começou em 1977, quando estava trabalhando como engenheiro no CNES, a agência espacial francesa. Naquele ano, o CNES se tornou responsável pelo lançamento de uma investigação oficial do fenômeno OVNI, na França, sob os auspícios de uma nova agência interna, chamada GEPAN87. Logo entendi porque o CNES estabeleceu esse departamento: a França estava lidando com a questão de fenômenos aeroespaciais não identificados havia mais de vinte e cinco anos. Começou em 1951, quando três pilotos da Força Aérea, voando em caças separados Vampire F-5B, encontraram um objeto redondo, prateado e brilhante. Dois tentaram cercá-lo, mas ele foi muito mais rápido do que eles. Seguiu-se uma onda OVNI em 1954, na qual policiais de toda a França metropolitana coletaram mais de 100 relatos oficiais de “discos voadores”, alguns dos quais foram classificados como “encontros próximos”. Em um caso, observado por vários milhares de pessoas, alguma coisa estranha voou para frente e para trás sobre Tananarive, que é hoje Antananarivo, a capital de Madagascar. As testemunhas estavam fazendo compras em um mercado aberto no começo da noite e ficaram congelados no lugar pasmos com o que viram. Eles descreveram uma espécie de bola verde do tamanho de um avião, seguida por um objeto metálico com forma semelhante à de uma bola de rúgbi. Cães corriam e uivavam por toda a cidade e o gado entrou em pânico e destruiu as cercas de seus currais. O mais extraordinário foi o fato de que, durante o voo sobre a capital deste fenômeno, o sistema público de eletricidade apagou e retornou alguns minutos mais tarde, depois da partida da “grande bola verde” e seu companheiro aparente. Como seria de se esperar, houve um clamor público e muita cobertura pela imprensa, que propôs uma investigação pelas autoridades governamentais francesas. Vinte anos depois, em 1974, o Ministro da Defesa, Robert Galley, declarou na rádio nacional que existia um fenômeno inexplicado, que precisava ser estudado. Naquela época, eu não tinha ideia de que me tornaria tão envolvido com essa investigação. Nossa primeira tarefa no GEPAN, compreendi, era estabelecer uma rede entre a polícia, o Exército, a Força Aérea, a Marinha, metereologistas, oficiais da aviação e uma metodologia, de modo que os dados dos avistamentos pudessem ser relatados e centralizados. Um conselho científico, composto de astrônomos, físicos, juristas e outros cidadãos eminentes, encontrava-se anualmente para avaliar e dirigir os estudos. Esta primeira fase, de 1977 a 1983, chegou a três conclusões básicas, que ainda permanecem válidas: • A vasta maioria dos relatos de OVNIs pode ser explicada após análise rigorosa. • Porém, alguns fenômenos não podem ser explicados em termos da física, psicologia ou

psicologia social convencionais. • Parece altamente provável que esta pequena porcentagem de fenômenos aeroespaciais não identificados tem uma base física. Gradualmente desenvolvi uma expertise nesses estudos e, começando em 1983, passei a ser o responsável pelo GEPAN. Seguindo estes passos iniciais, começamos a desenvolver uma abordagem mais teórica, mas ainda rigorosa, desses estudos. Ficou claro no início que seria


necessário considerar tanto a natureza física quanto psicológica do fenômeno. Para entender completamente o relato de uma testemunha, tínhamos de avaliar não apenas o relato, mas também a sua personalidade e o seu estado mental, o ambiente físico no qual o evento ocorreu e o ambiente psicossocial da testemunha. O GEPAN criou um banco de dados, único no mundo, de todos os casos de avistamentos de fenômenos aeroespaciais registrados pelas autoridades francesas desde 1951, o que permitiu a análise estatística. Adotou-se uma classificação que coloca os fenômenos aeroespaciais não identificados (FANI) em quatro categorias: Tipo A: O fenômeno é total e inequivocamente identificado. Tipo B: A natureza do fenômeno provavelmente foi identificada, mas restam algumas dúvidas. Tipo C: O fenômeno não pode ser identificado ou classificado devido a dados insuficientes. Tipo D: O fenômeno não pode ser explicado, apesar dos relatos precisos das testemunhas e da boa qualidade da evidência recolhida no local. Nos casos do Tipo D, aqueles que permanecem inexplicados, também foi adotada uma subcategorização, usando a classificação “Encontros Próximos” estabelecida pelo Dr. J. Allen Hynek, baseada na distância do avistamento e nos efeitos gerados pelo fenômeno. Essas investigações no local, realizadas a pedido da polícia ou de autoridades da aviação civil e militar, seguidas por análise científica, tornou possível confirmar a existência de raros fenômenos físicos, classificados como inexplicados (FANI), que não se conform am a quaisquer fenômenos conhecidos naturais ou artificiais. A análise estatística e as pesquisas realizadas desde a criação do GEPAN tornou isso ainda mais claro. A categoria do Tipo D continha mais casos ocorridos durante alguns períodos incomuns, chamados “ondas”, como a onda de 1964, onde aproximadamente 40% dos casos do banco de dados pertencem a essa categoria. O GEPAN iniciou várias linhas de pesquisa, envolvendo outros laboratórios e consultores e países onde eventos semelhantes ocorreram. Isso nos permitiu fazer comparações com arquivos e bancos de dados adicionais. Trabalhamos desenvolvendo sistemas aprimorados de detecção, tais como análise de imagens de fotografias e vídeos. Em 1988, o GEPAN tornou-se uma nova agência, chamada SEPRA88, para ampliar a missão, de modo a incluir a investigação de todos os fenômenos de reentrada, incluindo detritos provenientes de satélites, lançamentos, etc. Quando um objeto não identificado deixa vestígios ou qualquer tipo de efeito marcado no ambiente, que possa ser registrado e medido por sensores ou instrumentos, referimo-nos a eles como OVNI. Entre os casos de vestígios físicos sobre o solo que foram completamente investigados, três deles sofreram análises rigorosas e não puderam ser categorizados como objetos conhecidos. Em novembro de 1979, uma mulher chamou a polícia para dizer que um disco voador tinha pousado em frente à casa dela. Os policiais foram imediatamente ao local de pouco relatado e o GEPAN foi também, com uma equipe multidisciplinar de investigadores. Outra testemunha forneceu um relato independente de um objeto pousando. A evidência visível incluía uma área gordurosa achatada em uma direção uniforme e a análise da fisiologia das plantas foi, em


seguida, enviada para uma respeitada universidade. Uma vez que esta era a primeira vez que coletávamos amostras de solo e vegetais de um presumido local de pouso, protocolos rigorosos ainda não tinham sido estabelecidos para a sua análise e nenhum resultado significativo foi obtido. Porém, isso mudou com o caso Trans-em-Provence, um dos casos mais conhecidos da França. Por volta das 5 horas da tarde de 8 de janeiro de 1981, o eletricista Renato Nicolai estava construindo um pequeno abrigo para uma bomba d’água em seu jardim, naquela tarde ensolarada. Ele ouviu um assobio baixo vindo do alto. Olhando ao redor, viu um objeto ovóide no céu, que se aproximou do terraço no fundo do jardim e pousou. A testemunha se aproximou cautelosamente, para observar o estranho fenômeno por trás de uma oficina, mas, em um minuto, o objeto elevou-se e moveu-se na mesma direção em que tinha vindo. E continuava a emitir aquele assobio baixo. Enquanto o objeto ia embora, Nicolai viu duas protrusões redondas na parte de baixo, que ele disse parecerem com mecanismos de pouso. Ele se aproximou da cena do aparente pouso e observou depressões circulares separadas por uma coroa sobre o solo. No dia seguinte, depois de observar o quão aborrecido ele ficou durante a noite, sua esposa chamou a polícia, que veio à casa deles e encontrou dois círculos concêntricos no solo, um com 2,2 metros de diâmetro e outro com 2,4 metros de diâmetro, com uma área elevada entre eles de 10 centímetros de largura. Eles recolheram amostras do solo e amostras de controle da área externa. Os investigadores do GEPAN foram até o local um mês depois, recolheram amostras adicionais do solo compactado e das plantas próximas, coletaram amostras de controle e entrevistaram novamente o Sr. Nicolai. Os vestígios físicos deixados pelo “objeto” forneceram aos laboratórios muita informação útil sobre sua natureza, sua forma e suas características mecânicas. A análise bioquímica realizada na alfafa silvestre do local revelou grande deterioração da vegetação, aparentemente causada por campos eletromagnéticos poderosos. O Dr. Michel Bounias, do Instituto Nacional de Pesquisas Agronômicas, mostrou que a degradação vegetal foi provavelmente devida a micro-ondas pulsadas. No ano seguinte, novas medidas obtidas mostraram que a alfafa tinha retornado à sua atividade biológica normal. A Investigação do GEPAN durou dois anos inteiros e chegou a algumas conclusões interessantes. Houve evidência de uma forte pressão mecânica, provavelmente devida a um peso elevado sobre a superfície do solo e, simultaneamente ou imediatamente, o solo foi aquecido entre 300° e 600° C. Na vizinhança imediata desses vestígios, o teor de clorofila das folhas da alfafa silvestre foi reduzido de 30 a 50%, inversamente proporcional à distância do local de pouso. As folhas da alfafa mais jovem experimentaram uma perda maior de clorofila e, além disso, exibiram “sinais de senescência prematura”. Através de comparações, a análise bioquímica mostrou numerosas diferenças entre amostras obtidas perto do local e aquelas mais distantes.


O relatório concluiu que “era possível mostrar qualitativamente a ocorrência de um evento importante, que trouxe consigo deformações importantes do terreno, causadas pela massa, mecânica, um efeito do calor e, talvez, certas transformações e depósitos de traços minerais”. A radiação nuclear não parece contar em relação aos efeitos observados, mas algum tipo de campo elétrico poderia ter a ver com as reduções da clorofila89. Cerca de um ano depois do caso de Trans-em-Provence, o assim chamado caso Amaranto de 1982 envolveu o avistamento diurno por um cientista (M.H., um biólogo celular) de um minúsculo objeto de cerca de 1 metro de diâmetro, flutuando sobre o seu jardim. A testemunha viu, primeiro, a brilhante aeronave voadora às 12h35min, na frente de sua casa, fazendo uma lenta descida. Ele recuou, pois o objeto parecia se mover em sua direção, até que ele parou a cerca de 1 metro do solo, e ficou ali, pairando silenciosamente, por cerca de 20 minutos, tempo medido pelo cientista em seu relógio. Ele não ficou assustado e, sendo um cientista, fez uma observação precisa, detalhada. Descreveu-o como oval e assemelhando-se a dois pires de metal acoplados, um sobre o outro. A metade superior era um meio domo verde azulado. Repentinamente, o objeto disparou para cima, como se fortemente sugado, e a grama sob ele momentaneamente ficou reta, mas não deixou nenhum vestígio visível sobre o solo. A polícia fez observações extensas sobre o evento nas cinco horas seguintes e relatou seus achados ao GEPAN, que enviou uma equipe de investigadores quarenta e oito horas depois. De grande interesse foram os vestígios visíveis deixados na vegetação circundante, particularmente em um arbusto de amaranto, cujas folhas estavam dessecadas, desidratadas após o evento. Os frutos de outras plantas ao redor de onde o objeto ficou pairando pareciam ter sido cozidos. Análises bioquímicas mostraram que esses efeitos só podiam ter sido causados por um forte fluxo de calor, muito provavelmente devido a campos eletromagnéticos poderosos, causando desidratação. Esse campo elétrico deve ter excedido 200kV/m ao nível da planta, o que poderia também ter feito as lâminas das folhas de grama se levantarem. Investigações subsequentes mostraram que esse fenômeno poderia ser reproduzido em laboratório, usando campos elétricos muito intensos. Um psicólogo responsável pela análise do testemunho e pelo perfil psicológico da testemunha concluiu, em seu relatório, que essa história não tinha sido inventada e que a testemunha não era nem mitomaníaca nem fraudadora.


Tais investigações de campo demonstraram a possibilidade da realidade física dos FANIs, mas, de fato, casos aeronáuticos são aqueles que fornecem resultados mais convincentes sobre este assunto. Diferentemente das testemunhas no solo, os pilotos estão operando dentro da estrutura de transporte ou em missão de segurança aérea, seguindo as diretivas dos centros de controle de navegação civis ou militares. São observadores neutros e altamente treinados, quando os avistamentos ocorrem. Tais observações de estranhos fenômenos aéreos não identificados por pilotos civis e militares, na França, levaram à criação de um banco de dados de 150 casos de FANIs aeronáuticos, começando em 1951. A classificação nas quatro categorias mostrou que mais de 10% (mais de 15 casos) pertenciam ao Tipo D, aqueles que não podem ser explicados, apesar dos relatos precisos da testemunha e de evidência de boa qualidade. Em cerca de metade desses casos, efeitos ambientais, tais como interferência eletromagnética nos instrumentos de bordo e/ou perturbações na conexão via rádio com os controladores de tráfego aéreo, foram relatados pelos pilotos, quando os OVNIs estavam próximos. Em janeiro de 1994, o SEPRA investigou um caso que se tornou o caso mais excepcional documentado nos céus da França. Em 28 de janeiro, o comandante Jean-Charles Duboc e o copiloto Valerie Chauffour estavam pilotando o voo 3532 da Air France, fazendo a conexão Nice-Londres, a uma velocidade de 350 nós (aproximadamente 650 km/h), no começo da tarde. A visibilidade era excelente, quando um membro da tripulação informou o comandante e seu copiloto sobre um objeto escuro à esquerda do avião, que ele achava ser um balão meteorológico. Eram 13hl4min GMT, e o sol estava no zénite. Inicialmente, Duboc achou que era uma aeronave parada num ângulo de 45 graus. Mas logo os três concordaram que não era um objeto familiar. Estimaram a distância em 50 km (22 milhas) e uma altitude de 10 km (seis milhas). Inicialmente parecia ter uma forma de sino e, depois, mais semelhante a uma lente ou disco, marrom e largo, e as testemunhas ficaram chocadas com suas mudanças de forma. Após cerca de um minuto, ele desapareceu quase instantaneamente, como se, repentinamente, tornasse-se invisível, sem qualquer trajetória de escape. A duração desse avistamento foi de aproximadamente um minuto.


O comandante Duboc relatou o incidente às autoridades do centro de controle de navegação aérea, em Reims, que não tinha qualquer informação sobre qualquer artefato no local. Um relatório foi, então, enviado ao SEPRA, que o classificou como do Tipo C, isto é, que foi insuficientemente documentado para identificação. Porém, Reims contatou o centro de operações de defesa, em Taverny, o CODA, e nós, posteriormente, aprendemos algo importante que nos permitiu reclassificar esse evento como um claro Tipo D: o CODA registrou um traço no radar de seu centro de controle, em Cinq-Mars-La-Pile, que correspondia tanto na localização quanto na hora da observação pela tripulação do voo 3532 da Air France. O objeto desapareceu do radar e da vista da tripulação no mesmo instante. As investigações do CODA excluíram a possibilidade de um balão metereológico. Devido à precisa distância de cruzamento das duas trajetórias ser conhecida, os especialistas estimaram que o OVNI tinha cerca de 225 metros de comprimento. No estudo de casos da aviação, uma contribuição importante foi feita pelo destacado investigador francês independente90 Dominique Weinstein, que catalogou 1.305 casos de FANIs e avistamentos de OVNIs por pilotos - casos para os quais os dados adequados os categorizam como desconhecidos - coletados de fontes oficiais, incluindo o material que eu forneci do CNES/SEPRA. Os resultados obtidos são interessantes: 606 casos (36,7%) são avistamentos realizados por pilotos militares e tripulações; 444 casos (26,9%) são avistamentos por pilotos civis; e 196 casos (11,8%) por pilotos privados. Em 200 casos (12.1%) a observação visual foi confirmada pelo radar de bordo ou pelo radar de solo. E em 57 casos (3,45%), os pilotos observaram efeitos eletromagnéticos e perturbações em um ou mais sistemas de transmissão do avião. Em combinação com o radar, podemos esboçar um quadro claro da materialidade das manobras dos OVNIs no espaço aéreo. A análise de certas características e manobras desses objetos indica comportamentos que não têm nada a ver com qualquer fenômeno natural ou com operações realizadas por aeronaves ou máquinas aeronáuticas e espaciais. Um ponto crucial que notei, mostrado no estudo de Weinstein, é que o comportamento de um OVNI depende de se o encontro envolve uma aeronave militar ou um avião de passageiros civil. A neutralidade normalmente parece ser a regra geral com companhias aéreas comerciais e aviões privados, mas ocorre uma interação ativa entre OVNIs e aviões militares. Os pilotos militares geralmente descrevem os movimentos dos OVNIs como se eles fizessem manobras aéreas de aeronaves convencionais, usando termos tais como perseguições, fugas, giros agudos, em formação, colisão próxima, e combate aéreo. Vinte e dois casos militares, no catálogo de Weinstein, envolvem quase perdas, e seis incluem “combates” relatados ou manobras de combate entre os OVNIs e as aeronaves militares. Concluo que esses incidentes claramente demonstram que de maneira nenhuma estes sejam exemplos de eventos naturais, mas que os OVNIs são fenômenos com comportamento deliberado. A natureza física dos OVNIs foi provada. Alguns deles também exibem controle inteligente, quando interagem com aviões militares. Gostaria de propor uma hipótese intrigante, que é importante para mim, pessoalmente. De minha parte, foi necessário fazer alguma pesquisa, que se estendeu para fora da França e para os Estados Unidos. Acredito que haja uma conexão entre poder nuclear estratégico, bombas atômicas, e a presença de objetos artificiais não identificados no céu. Isso é sugerido pelos


dados coletados durante várias décadas. Poderia ser parte das respostas à questão de por que os OVNIs estão presentes em nosso ambiente. Achei muito interessante que esta associação entre locais estratégicos sensíveis e sobrevoos de “discos voadores” tenha sido proposta dentro da Força Aérea Americana, durante a Guerra Fria. A Inteligência da Força Aérea observou que muitos dos avistamentos ocorriam sobre “instalações sensíveis”. De acordo com um documento, um encontro foi realizado em 16 de fevereiro de 1949, em Los Alamos, Novo México, que incluiu Edward Teller, “o pai da bomba H”. O Comandante Richard Mandelkorn, da Marinha americana, escreveu, em seu relatório sobre o encontro, que “há causa de preocupação91 com as ocorrências continuadas de fenômenos inexplicáveis dessa natureza nas vizinhanças de instalações sensíveis”. E um memorando da Inteligência do Exército, escrito um mês antes delineando diferentes teorias para estes “fenômenos extraordinários”, estabeleceu quase a mesma coisa: “Sente-se que estes incidentes92 são de importância muito grande, especialmente quando ocorrem na vizinhança de instalações sensíveis”. Em 28 de abril de 1949, o Dr. Joseph Kaplan, membro do Conselho Científico Consultivo da Força Aérea, recomendou uma investigação científica sobre os “fenômenos aéreos não identificados” observados e enfatizou que “isso era de extrema importância”, porque “essas ocorrências estão relacionadas com a Defesa Nacional dos Estados Unidos”93. Tais documentos históricos nos possibilitam entender as origens da conexão entre OVNIs e bases nucleares, e ver que este problema foi assumido muito seriamente por autoridades militares e governamentais. Mais explícita foi a parte de um relatório de George E. Valley, físico do MIT e perito em radiação e membro do Conselho Científico Consultivo da Força Aérea, submetido ao Projeto Sign da Força Aérea, em 1949. Valley varreu para o lado todas as suposições de fenômenos conhecidos naturais e artificiais e avançou para a hipótese de objetos extraterrestres, especificamente “naves espaciais”. Ele estabelece que qualquer “civilização extraterrestre”, que constrói esses objetos, teria de ser muito mais desenvolvida do que a nossa. E continua a escrever: Tal civilização poderia observar que, na Terra, nós agora temos bombas atômicas e estamos desenvolvendo rapidamente foguetes. Em vista do passado histórico da humanidade, eles devem estar alarmados. Deveríamos, portanto esperar, nesta época acima de tudo, observar tais visitações. Uma vez que os atos da humanidade, muito facilmente observados à distância, são explosões de bomba A, devemos esperar alguma relação entre o tempo das explosões da bomba A, época em que as naves espaciais foram vistas, e o tempo necessário para que tais naves cheguem e voltem para sua base94. Temos em registro o número de explosões e testes realizados pelo mundo, na atmosfera até 1963 e subterrâneas de 1958 até 1998, desde a primeira explosão no deserto do Novo México, em 1945, até o mais recente na Índia, em 1998, um total de mais de 2.400 explosões (543 testes atmosféricos e 1.876 explosões subterrâneas). Comparando testes nucleares a cerca de 150 casos de OVNIs visuais/radar recolhidos desde 1947, notamos que as curvas são praticamente superpostas no tempo e que coincidem, com não mais do que alguns meses


aparecendo entre o número de explosões e uma das aparições de OVNI. Esta similaridade das duas curvas sugeriria que a presença provada dos OVNIs está relacionada à atividade estratégica nuclear no mundo. Baseio minha hipótese em meus estudos de documentos oficiais, locais e zonas de avistamentos de OVNIs e observações feitas por pessoal civil e militar ocupando altos postos e envolvidas em programas secretos. Há numerosos exemplos de OVNIs voando sobre ou próximos a bases do comando aéreo estratégico e outras bases militares nos Estados Unidos, especialmente aqueles documentados durante a década de 1960. De fato, voos de “bolas de fogo verdes” e “discos voadores” ocorreram sobre locais sensíveis dos Estados Unidos, tais como Los Alamos, Albuquerque, Kirtland AFB, Alamogordo, e Holloman AFB. Os perímetros de Oak Ridge, Hanford e Knoxville, onde eram produzidos os materiais para as bombas nucleares, também foram sobrevoados. E outros exemplos foram documentados: Great Falls e Malmstrom AFB (Montana); Fairchild (Washington); Kincheloe, Wurtsmith e Sawyer AFB (Michigan); Plattsburg (Nova York); Loring AFB (Maine); e Pease AFB (New Hampshire)95. Talvez se houvesse algum tipo de monitoramento, ele manifestasse mais fortemente quando existisse uma situação de crise nuclear no planeta. Em 16 de março de 1967, na base da Força Aérea de Malmstrom, em Montana, aproximadamente 20 mísseis nucleares foram repentinamente fechados, enquanto OVNIs estavam bem próximos. Algo muito extraordinário também ocorreu um ano antes, na Base da Força Aérea Minot, em Dakota do Norte: em 24 de outubro de 1966, o sistema de mísseis Minuteman foi adversamente afetado, durante uma tarde, enquanto OVNIs eram avistados do solo por múltiplos observadores em três sítios de mísseis separados, durante mais de três horas, e dois objetos foram captados pelo radar. As comunicações e radiotransmissões entre as várias instalações que monitoravam os eventos foram interrompidas pela estática quando o OVNI chegava perto do sítio. Às 16h49min, os alarmes de segurança internos e externos do silo de mísseis Oscar 7 foram ativados na mesa de controle localizada a 16 km de distância. Uma equipe de segurança foi despachada e descobriu que não apenas a cerca se abriu, mas a porta horizontal que fechava o silo de mísseis também estava aberta. Essa porta de concreto reforçado pesava aproximadamente 20 toneladas e não havia marcas de pneus e nem qualquer registro de uma visita que pudesse ser responsável por isso. Esse caso coloca fortemente em vista algumas questões sérias sobre a natureza desse fenômeno, que foi responsável por: vários ecos de radar tanto de bordo quanto de solo; a perda de transmissões UHF; a observação simultânea, tanto do solo quanto do ar, desta imensa bola luminosa estacionária acima da zona do Oscar 7; o disparo do alarme; e a abertura da porta do silo de 20 toneladas. As testemunhas principais desse incidente foram localizadas e entrevistadas anos depois, confirmando esses eventos. O diretor de operações da Base da Força Aérea Minot apresentou um relatório detalhado, liberado com os arquivos do Projeto Livro Azul da Força Aérea. Diferentemente do caso de Teerã, em 1976, onde as autoridades militares iraniana não souberam como reagir à presença dos OYNIs, a Força Aérea Americana sabia que não deveria intervir repentinamente pela força sobre o silo de mísseis Minuteman, mas deveria permanecer tão neutra quanto possível diante desse tipo de situação.


Fico fascinado com a possível correlação entre atividade nuclear, localização de instalações de armazenagem de armas nucleares e a presença de OVNIs. Podemos ver, em um gráfico, a relação entre explosões atômicas e avistamentos, tanto visualmente quanto por radar, olhando a similaridade das duas curvas. Não podemos ter certeza do porquê, mas talvez os OVNIs estão “monitorando”, e essa atividade aumentou durante os tempos de atividade nuclear perigosa no planeta. Depois de muitos anos estudando os casos inexplicados mais importante, acho que chegamos a um certo nível de conhecimento sobre os OVNIs. Eles parecem ser objetos artificiais e controlados, cujas características físicas podem ser medidas por nossos sistemas de detecção, particularmente o radar. Eles obedecem a uma física, que é de longe superior e mais evoluída do que aquela de nossos países mais tecnologicamente avançados, ressaltada por voos silenciosos e estacionários, acelerações e velocidades que desafiam as leis da inércia, os efeitos sobre os sistemas de transmissão e navegação eletrônica da aeronave e os apagões elétricos. Esses desempenhos foram mostrados pelo radar. Quando aviões militares estão diretamente envolvidos, tais objetos são capazes de antecipar e neutralizar as manobras dos pilotos visando missões de defesa e segurança. E alguns casos notáveis mostram a capacidade dos OVNIs de aparentemente compreender uma situação particular ou antecipar intenções de fuga ou neutralização militar. O fenômeno OVNI está definitivamente relacionado a algo controlado e inteligente. A única especulação que me permito fazer sobre os OVNIs é que, se são sondas artificiais, não podem ser de origem terrestre e, consequentemente, precisam ser provenientes de algum outro lugar. Se civilizações extraterrestres existem e têm a capacidade de chegar até nós, sua motivação poderia bem ser monitorar nosso planeta, devido às preocupações causadas pelo comportamento humano.


CAPITULO 15 - OVNIs e o Problema da Segurança Nacional

Enquanto a agência francesa, sob a direção de Velasco, estava focada no estudo científico da evidência dos OVNIs, como um programa do Centro Espacial Nacional durante os anos 70,80 e 90, o governo americano não estava fazendo absolutamente nada visando os contínuos avistamentos de OVNIs do outro lado do Atlântico, não importando quem os relatasse ou que efeitos estavam produzindo sobre aeronaves ou instalações militares. Uma vez encerrado o Projeto Livro Azul, a política pública americana parecia ser a de negar qualquer interesse em OVNIs, mesmo se significasse evasivas óbvias ou se colocasse um pouquinho de verdade aqui e ali. Idealmente, apesar dos dados extraordinários coletados na França e em outras partes do mundo, o governo americano claramente esperava que as pessoas simplesmente esquecessem completamente os OVNIs. Declarações da Força Aérea no encerramento do Projeto Livro Azul geraram munição para a negação dos OVNIs, que é usada até hoje, mostrando que nada mudou na América por mais de quarenta anos. Quando abordada com alguma pergunta sobre OVNIs, a Força Aérea ainda nos responde com as mesmas palavras - ironicamente chamadas de “ficha técnica” - que começaram a ser usadas quando o Livro Azul foi encerrado. Estabelecendo que as investigações sobre OVNIs foram interrompidas, a declaração apresenta três pontos exatamente os mesmos feitos pela Força Aérea, em sua nota em 1969, anunciando o encerramento do Livro Azul. Ela afirmava então, como o faz hoje, que o governo americano não mais investigará os OVNIs pelas seguintes razões: • Nenhum OVNI relatado, investigado e avaliado pela Força Aérea deu qualquer indicação de

ameaça à segurança nacional. • Não há nenhuma evidência submetida à ou descoberta pela Força Aérea de que os avistamentos categorizados como “não identificados” representam desenvolvimentos ou princípios tecnológicos além do conhecimento científico dos dias atuais. • Não há evidência indicando que os avistamentos categorizados como “não identificados” sejam veículos extraterrestres96. Será que a “ficha técnica” da Força Aérea realmente nos apresenta os fatos do momento e se aplica ainda hoje? Em contraste com outras agências do governo apresentadas neste livro, um olhar por trás da cena de como o governo americano realmente se comportou em relação aos OVNIs desde o fechamento do Livro Azul - apesar de sua posição pública - mostra uma duplicidade oficial contínua e deixa muitas questões não respondidas sobre o que estava realmente acontecendo. Ao se examinar a ficha técnica, o segundo ponto pode ser discutido simplesmente pelo estudo de casos de avistamentos registrados por múltiplas testemunhas naquela época e muitos outros que ocorreram desde então, como aqueles do General Parviz Jafari e do Comandante Oscar Santa Maria Huertas. O Dr. James Harder, um professor de engenharia civil da Universidade da Califórnia, disse ao Comitê de Ciência e Astronáutica, em sua audiência de


196897: “Com base nos dados e nas regras comuns de evidência, como as que seriam aplicadas nos tribunais civis PI criminais, a realidade física dos OVNIs tem sido provada para além da dúvida razoável”. Os OVNIs demonstraram “segredos científicos que nós não conhecemos”98. A questão da origem extraterrestre, o terceiro ponto, permanece uma hipótese não provada, mas havia evidência suficiente na época para manter essa possibilidade, e certamente nenhuma justificativa para julgar tudo completamente improcedente. O primeiro ponto, a declaração de que os OVNIs nunca ameaçaram a segurança nacional, contudo, é a mais relevante para qualquer governo, porque absolve as agências responsáveis pela defesa da nação de qualquer responsabilidade de prestar atenção em objetos não identificados no céu. Porém, esse primeiro ponto é falso. Nenhum OVNI, nem mesmo um, teve algum impacto sobre a segurança nacional? “Ameaça” pode ser uma palavra muito forte e a escolha dessa palavra em particular, como pronunciada pelo General Samford em sua conferência de imprensa de 195299", foi o que permitiu que a Força Aérea convivesse com a declaração de que nenhum OVNI tivesse dado alguma indicação de ameaça à segurança nacional. Nós ainda não observamos um comportamento hostil ou agressivo da parte deles. Mas não há dúvidas de que, nos anos seguintes a essa declaração, os OVNIs mostraram-se como motivo de preocupação em relação à defesa ou segurança nacional, impactando nossas capacidades defensivas e causando alarme durante a Guerra Fria. Apesar da intenção do Painel Robertson de reduzir o foco público nos OVNIs por razões de segurança nacional, o antigo diretor da CIA, o Vice-Almirante Roscoe Hillenkoetter, o primeiro diretor da CIA, que serviu até 1950, não concordava com a posição da mesma, em 1953, de que os OVNIs deviam ser ridicularizados na arena pública. Em 1960, ele fez uma declaração, como relatado no New York Times: “É hora da verdade ser trazida a público nas audiências abertas do Congresso”. “Nos bastidores, oficiais de alta patente da Força Aérea estão muito preocupados com os OVNIs. Mas através do ridículo e do sigilo oficial, muitos cidadãos são levados a acreditar que os objetos voadores não identificados são um absurdo. Para esconder os fatos, a Força Aérea silenciou seu pessoal.” A abertura do artigo, distribuído através da United Press International, traz o seguinte: A Força Aérea enviou a seus comandados um aviso para tratarem os avistamentos de objetos voadores não identificados como “coisa séria”, diretamente relacionada com a defesa nacional, soube-se hoje. Um porta-voz da Força Aérea confirmou a emissão da diretiva após algumas partes dela se tornarem públicas por um grupo privado de “disco voador”. Os novos regulamentos foram emitidos pelo inspetor geral da Força Aérea, em 24 de dezembro. Os regulamentos - revisando aqueles similares emitidos no passado delineiam procedimentos e dizem que “as investigações e análises dos OVNIs são responsabilidade direta da Força Aérea para a defesa dos Estados Unidos.100” Posteriormente naquele ano, o congressista Leonard G. Wolf deu entrada a um “aviso urgente” do Vice Almirante Hillenkoetter no Registro do Congresso, afirmando que “certos perigos estão associados a objetos voadores não identificados”, particularmente porque os OVNIs podem causar uma guerra acidental, se confundidos com armas soviéticas. Ele indicava que o General L. M. Chassin, coordenador dos Serviços Aéreos Aliados da OTAN, avisou que


uma tragédia global poderia ocorrer. “Se persistirmos na recusa de reconhecer a existência dos OVNIs, terminaremos, um belo dia, por confundi-los com mísseis teleguiados de algum inimigo – e o pior nos aconteceria”, disse ele. Baseado em um estudo de três anos realizado pelo bem conhecido Comitê Nacional de Investigações sobre Fenômenos Aéreos (NICAP), com o qual Hillenkoetter estava associado, o republicano Wolf declarou que para todo o pessoal da defesa “deveria ser dito que os OVNIs são reais e deveriam ser treinados para distingui-los - por suas velocidades e manobras características - dos aviões convencionais e mísseis... O povo americano precisa ser convencido, por fatos documentados, que os OVNIs não poderiam ser máquinas soviéticas”101. Mais tarde, um tipo diferente de preocupação com a segurança nacional foi registrado e não envolvia os russos, mas a própria segurança de nossas bases militares. Exatamente dois anos antes de a Força Aérea dizer ao público que os OVNIs não eram uma ameaça à segurança nacional, ocorreu um evento que alguns antigos oficiais militares acreditam contradizer dramaticamente aquela conclusão, muito embora qualquer intenção proposital ou de ação direta - por parte do OVNI - permaneça indeterminada. Na manhã de 24 de março de 1967, o Primeiro Tenente Robert Salas, da Força Aérea, um oficial lançador de mísseis, recebeu um chamado de um assustado guarda de segurança, relatando um objeto de farma oval, vermelho brilhante, pairando diretamente sobre o Centro de Controle de Lançamento Oscar Flight, na Base da Força Aérea Malmstrom, em Montana. Com uma liberação “acima do Top Secret”, Salas tinha sido designado para aquela base, como parte de uma equipe responsável pelos sítios de mísseis e pelo lançamento de mísseis com ogivas nucleares, em caso de guerra. Salas imediatamente foi acordar o comandante da equipe, Primeiro Tenente Fred Meiwald, que estava cochilando em sua pausa. Então, em um minuto após a chamada telefônica, os mísseis começaram a fechar, um a um. “Eles entraram em um não-ir’, enquanto o OVNI estava sobrevoando”, disse Salas. “Isso significa que eles foram desligados, não podiam ser lançados”. Havia em Oscar Flight dez mísseis, e Salas lembra que todos ficaram inativos. Os mísseis estavam localizados de oito a dezesseis quilômetros do centro de controle onde o OVNI pairava e estavam cerca de 1,6 km de distância um do outro, com fontes independentes de força. Uma semana antes, na manhã de 16 de março de 1967, a cerca de 56 km de distância de Oscar Flight, OVNIs tinham visitado também as instalações de Echo Flight, e todos os seus mísseis foram igualmente desligados. No total, vinte mísseis foram desabilitados no espaço de uma semana. Um telex anteriormente confidencial declara que “todos os dez mísseis em Echo Flight, em Malmstrom, perderam o início de alerta [alerta estratégico] em dez segundos um do outro... O fato de não haver razão aparente para a perda de dez mísseis pode ser realmente identificado como causa de grave preocupação neste quartel general”102. Salas soube pelos engenheiros da Boeing, anos depois, que os técnicos verificaram cada causa possível para falhas de mísseis, mas não foram capazes de encontrar uma explicação definitiva para o que aconteceu. Na época, foi sugerido que a causa mais provável tenha sido algum tipo de pulso eletromagnético diretamente introduzido no equipamento103. Qualquer que tenha sido a força envolvida, tinha de penetrar 200 metros solo abaixo para causar seu dano. Em 1995, quando o Tenente Salas tentou acessar os arquivos governamentais relativos ao incidente, a Força Aérea enviou-lhe sua reedição da declaração pública de 1969 - a “ficha


técnica de hoje - de que nenhum OVNI nunca deu qualquer indicação de ameaça à segurança nacional, com uma carta afirmando que essa declaração ainda era verdadeira. Dada sua experiência e subsequente confirmação por outras testemunhas sobre o incidente de 1967 em Malmstrom, Salas claramente não concorda com essa declaração da segurança nacional. “Ela é simplesmente incorreta”, diz ele. “Se você considerar o fato de que este incidente com OVNI resultou na perda de vinte mísseis durante a Guerra Fria e a Guerra do Vietnam, isso era uma ameaça à segurança nacional. A Força Aérea não está nos dizendo a verdade.” Salas não é o único antigo oficial da Força Aérea a tomar essa posição. Outros - o pessoal dos mísseis, a polícia de segurança, os operadores de radar e os pilotos - apresentaram-se com relatos similares104. Podemos concluir que a declaração da Força Aérea justificando o fechamento do Projeto Lvro Azul baseou-se em mentiras sobre questões de grande importância para o povo americano naquela época. A negação sobre o quadro geral dos OVNIs era, em si mesma, perigosa. E não fazia sentido. Poderiam os militares americanos realmente decidirem dar as costas para os OVNIs em 1969, quando avistamentos impactantes estavam ocorrendo nas bases aéreas? Parece inconcebível. Isso teria sido altamente irresponsável, uma violação do dever. Mais provavelmente, o governo desinformou o público, para tirar os OVNIs da arena. Um público cada vez maior exige respostas para as perguntas relativas a algo que a Força Aérea não conseguiu explicar no final dos anos 60 e a estratégia da CIA de “treinar e desmascarar” não foi suficiente para cuidar do problema. Talvez as autoridades responsáveis quisessem reprimir o medo sobre quaisquer prejuízos associados aos OVNIs, uma vez que, de qualquer modo, não podiam fazer nada com eles. Mas parece altamente improvável que todas as investigações oficiais fossem simplesmente perdidas. Agora, não temos mais que especular sobre essa questão, graças a um explosivo documento do governo, anteriormente secreto e posteriormente liberado através do Ato de Liberdade de Informação. Expedido secretamente dois meses antes do anúncio da Força Aérea, em 1969, de que todas as investigações do governo sobre OVNIs seriam encerradas, ele mostra que, de fato, os OVNIs eram considerados uma questão de segurança nacional e continuaria a ser tratado como tal. O “Memorando Bolender”, como o documento passou a ser conhecido, de outubro de 1969, ilustra a duplicidade da postura pública do governo em relação aos OVNIs. O propósito do memorando, enviado pelo General Brigadeiro da Força Aérea Carrol H. Bolender, um antigo piloto de caça noturno da Segunda Guerra Mundial, que posteriormente se tornou administrador da missão Apollo da NASA, quando estava para terminar oficialmente o Projeto Livro Azul. Ao enviá-lo, Bolender fazia questão de que os regulamentos já estivessem prontos, através dos quais “os relatos de objetos voadores não identificados, que poderiam afetar a segurança nacional” fossem feitos, relatos esses que não fossem “parte do sistema Livro Azul”. Isso sugere que mesmo antes do encerramento do Livro Azul, os relatos mais sensíveis já fossem sendo canalizados para outro lugar. Ele continua dizendo que “a função de defesa poderia ser realizada dentro da estrutura estabelecida pela Inteligência e operações de vigilância, sem a continuação de uma unidade especial como o Projeto Livro Azul”. E depois: O encerramento do Projeto Livro Azul não deixaria qualquer escritório federal oficial para


receber relatos de OVNIs. Porém, como já estabelecido, os relatos de OVNIs que poderiam afetar a segurança nacional continuariam a ser controlados através dos procedimentospadrão da Força Aérea designados para este propósito. Presumivelmente, os departamentos de polícia locais responderiam aos relatos que caíssem dentro de suas responsabilidades105. Em outras palavras, os militares realmente não precisavam do Livro Azul - que era simplesmente uma operação de relações públicas - para continuarem a lidar com os OVNIs. Em vez disso, sem o escrutínio público, podiam continuar com as investigações de casos e dizendo às pessoas que nunca houvera uma indicação de ameaça à segurança nacional por parte de qualquer OVNI. Três pontos importantes ficaram claros no memorando Bolender, desconhecido da maioria dos americanos e, provavelmente, da maioria dos oficiais militares e funcionários do governo naquela época, o que nos conta a verdadeira postura do governo: • Os OVNIs podem afetar a segurança nacional. • Uma “função de defesa” pode ser necessária na resposta aos OVNIs. • Relatos afetando a segurança nacional são “tratados” independentemente do Projeto Livro

Azul. Não sabemos em que extensão os oficiais de baixa patente do Projeto Livro Azul, ou o mais importante cientista do Projeto Dr. J. Allen Hynek, sabiam que alguns relatos de OVNIs eram obtidos e investigados em outro lugar. O Dr. Condon, ao preparar a liberação de seu estudo da Universidade do Colorado, acreditava que tinha acesso a todos os dados sobre OVNIs dos arquivos do governo e que nada era escondido dele. O que parece ser um pressuposto questionável. Embora alguns chefes tivessem altas posições, é possível que alguns casos de segurança nacional nunca chegaram às suas mãos. Depois que o Livro Azul foi fechado, sabemos que o governo americano continuou a ter algum nível de envolvimento nas investigações de OVNIs, através de uma série de agências. Apesar das afirmações em contrário, feitas pelo governo, esse fato foi revelado em documentos oficiais liberados através do Ato de Liberdade de Informação. Dois exemplos flagrantes envolvem os casos de tentativas de abater os OVNIs do Irã e do Peru, como contados anteriormente pelo General Parviz Jafari e pelo Comandante Oscar Santa Maria. Os oficiais do governo americano estavam interessados em ambos os casos e preencheram relatórios secretos sobre eles naquela época - relatórios que demonstram que consideraram seriamente esses casos, mas queriam manter esse interesse em segredo. Por volta dessa mesma época, em 1975, os oficiais americanos ainda estavam lidando com a atividade de OVNIs perto das Bases Aéreas do oeste dos Estados Unidos. A Força Aérea Americana lançou jatos militares sobre Montana para dar caça a múltiplos objetos desconhecidos, conforme detalhado no diário do diretor sênior do NORAD (Comando de Defesa Aérea Norte-americana) daquela região. O diário de 8 de novembro de 1975 relata a chegada de dois a sete OVNIs - um “objeto grande que passava de vermelho para laranja para amarelo”, com luzes pequenas nele, e outro com luzes brancas e vermelhas. “Conversa sobre os OVNIs; Aconselhado a ir em frente e lançar os caças, mas ter certeza e informar pilotos, FAA”, diz o documento. Dois F-16 tentaram a abordagem, mas conforme os caças chegavam


mais perto, as luzes do objeto se apagavam e retornavam apenas quando os caças partiam. Finalmente, o objeto acelerou para uma “alta velocidade”, disparou para cima e “agora não se pode diferenciá-lo das estrelas”, relata o diário do NORAD106. Esse relatório tem similaridades interessantes com outros casos nos quais o OVNI parece “reagir” à aproximação dos jatos da Força Aérea. Aqui, de acordo com o NORAD, as luzes se apagavam quando os aviões chegavam perto e, depois, não conseguiram ver os OVNIs. Quando os jatos recuavam, as luzes reapareciam. Parece, uma vez mais, que algum tipo de inteligência respondia e inventava um meio de “escapar”. Os militares americanos relatavam tudo isso entre eles mesmos, mas mantinham isso longe do povo americano. E havia mais. No dia seguinte, o diário registra o avistamento de “um objeto em forma de disco branco e laranja”, o que resultou numa ordem para que “uma equipe móvel de segurança” fosse investigar. Dois mais foram vistos em 12 de novembro: um “pareceu estar enviando um raio de luz para o solo intermitentemente” e, depois, desapareceu. Diferentemente dos relatos completos de perseguições de OVNIs por caças armados tanto do Irã, do Peru e da Bélgica, os diários mais abreviados do NORAD não revelam a missão dos jatos lançados da Força Aérea Americana. Os pilotos teriam atirado nos OVNIs caso estivessem suficientemente perto e em posição de assim o fazer? Será que não consideraram os objetos como uma ameaça potencial à segurança nacional? Que ações por parte dos objetos poderiam ter provocado a agressão da Força Aérea? Os relatórios do Departamento de Defesa afirmam que os OVNIs foram perseguidos pelos caças da Força Aérea, após o objeto ter planado sobre três instalações supersensíveis de lançamento de mísseis nucleares, também em 1973, de acordo com o Washington Post. “Uma fileira de sítios de lançamento de mísseis nucleares e bases de bombardeiros foram visitadas por esquivos objetos não identificados em voo baixo”, relatou o Post107. Os avistamentos foram registrados pelo radar sobre instalações em Montana, Michigan e Maine. Os objetos pairaram, em alguns casos até 3 metros do solo. “Em várias ocasiões, após a segurança da base ter sido penetrada, a Força Aérea enviou aviões de caça e aviões de comando aerotransportados para realizar uma perseguição infrutífera. “Os registros não indicam se os caças atiraram nos intrusos”, continua o Post (ênfase nossa). E, diz ele, que durante as perseguições, as tentativas de “deter” os objetos também não tiveram sucesso. Deter? Isso é peculiar. Como os militares deteriam um deles? A única maneira de deter tal aeronave seria fisicamente desabilitá-la ou abatê-la. A declaração do Post sugere que a Força Aérea pode ter tentado fazer exatamente isso, mas não sabemos e não fomos capazes de descobrir. Sabemos muito, porém, sobre o que aconteceu, em 1976, sobre Teerã, e sobre o incidente de 1980, no Peru, parcialmente por causa do interesse do governo americano em ambos os casos, o que levou ao preenchimento de relatórios americanos em agências de Inteligência. Pode-se assumir que os casos de Jafari e Santa Maria devem ter sido de particular interesse não apenas por causa da ação militar realizada pelos pilotos contra os OVNIs, mas também porque eles realmente interagiram com eles. Em ambos os casos, houve uma interação recíproca de ação e resposta durante um grande período de tempo, um tipo de comunicação entre um homem vulnerável em um avião pequeno e uma desconhecida máquina voadora altamente tecnológica. Nenhum dos pilotos sabia de onde ele era ou por que estava lá. Mas durante esse extenso combate, ambos foram capazes de observar bem de perto os objetos.


O aspecto de segurança nacional é óbvio - ou, talvez, segurança global seja a expressão mais certa. Em suas tentativas de abater os OVNIs, nenhum piloto obteve sucesso, mas por diferentes razões. Santa Maria atirou no objeto, na primeira vez, com uma barreira de balas, que não tiveram absolutamente qualquer efeito. Mas, nas tentativas subsequentes, o objeto subiu verticalmente a uma velocidade extremamente alta e evitou o fogo adicional. No caso de Jafari, os mecanismos de acionamento do míssil ficaram inertes todas as vezes em que ele estava a ponto de lançá-lo. Ambos os OVNIs demonstraram uma característica surpreendente: repetidamente escaparam do ataque no último momento, exatamente quando os pilotos já tinham fixado o alvo e estavam prontos a atirar, como se, de algum modo, eles “soubessem” ou registrassem, de alguma maneira, quando os pilotos iam apertar o botão. Essas evasivas de último minuto parecem muito perfeitamente realizadas a tempo, e foram repetidas inúmeras vezes para serem consideradas coincidências. Ambos os casos estão entre as melhores demonstrações registradas de algum tipo de controle inteligente da parte de um OVNI. Apesar da distância entre eles, os objetos pareciam estar altamente focados nas ações dos caças com os quais estavam batalhando. E nenhum OVNI retaliou ou prejudicou os jatos, apesar das manobras agressivas destes. Poder-se-ia admitir que o governo americano claramente tinha ficado interessado nesses eventos notáveis, apesar das afirmações contrárias. E ele estava. Os documentos fascinantes da FOIA contam a verdadeira história. Em 1976, o incidente iraniano foi a principal notícia em Teerã, e apareceu até mesmo na televisão americana. Como descrito anteriormente pelo General Jafari, o Tenente Coronel Olin Mooy, da Força Aérea Americana, compareceu à reunião do dia seguinte ao incidente. E foi ele quem escreveu um memorando de três páginas para o governo americano, intitulado “Avistamento de OVNI”, que foi classificado como secreto e distribuído, sob forma de teletipo, da Agência de Inteligência de Defesa dos Estados Unidos para o secretário de estado, para a CIA, para a Agência de Segurança Nacional, para a Casa Branca, e para a Força Aérea, Exército e Marinha. Esse relato altamente incomum108 conta em detalhes a informação dada por Jafari na reunião, incluindo uma descrição do objeto primário e dos objetos secundários, menores; a perda dos instrumentos de bordo em conjunção com as tentativas de atirar e o aparente pouso de um objeto. Mais significativa foi a incrível avaliação da DIA da descrição narrativa feita por Mooy, escrita pelo Major Coronel Roland Evans, em 12 de outubro de 1976. Ele declara que: Um relato surpreendente: este caso é um clássico que satisfaz todos os critérios necessários para um estudo válido dos fenômenos OVNI. • O objeto foi visto por múltiplas testemunhas em diferentes localizações (i.e. Shemiran,

Mehrebad e o leito seco de um lago) e de diferentes campos de visão (tanto do ar quanto do solo). • A credibilidade de muitas das testemunhas era alta (um General da Força Aérea, tripulações qualificadas, e operadores de torre de controle experientes). • Avistamentos visuais confirmados por radar. • Efeitos eletromagnéticos (EME) semelhantes foram relatados por três aeronaves separadas. • Houve efeitos fisiológicos em alguns membros das tripulações (i.e. perda de visão noturna


devido ao brilho do objeto). • Uma quantidade excessiva de manobrabilidade foi exibida pelos OVNIs109. A avaliação indica que a confiabilidade da informação foi “confirmada por outras fontes” e seu valor era Alto (definida como “única, oportuna e da maior significância”). Foi usada, ou planejada para ser usada, como “inteligência atual”. Esta informação de alto valor da Inteligência, de grande significado, relativa a um marcante relatório de OVNI, que justificou um estudo posterior do fenômeno, foi arquivada como tal - apesar do governo americano não ter interesse nos OVNIs e da total rejeição aos avistamentos, ser o padrão público repetido em muitos casos na América e apesar de ter sido dito ao público, em 1969, que os OVNIs não eram uma preocupação. Quatro anos depois, nosso governo também preencheu um relatório sobre o incidente peruano envolvendo Oscar Santa Maria. Um “relatório de informação” do Departamento de Defesa (DoD)/Chefes Conjuntos do Pessoal foi distribuído para quase tantas agências quanto o relatório do Irã. Intitulado “OVNI Avistado no Peru”110, o documento de junho de 1980 foi preparado pelo Coronel Norman H. Runge, que declarou que a fonte era “um oficial da Força Aérea Peruana, que observou o evento... A fonte foi considerada confiável no passado”. Santa Maria não sabe o nome desse oficial, não foi entrevistado por qualquer americano e claramente lembra que nenhum oficial americano esteve presente durante suas instruções. “Éramos muito cuidadosos em relação a guardar nossos procedimentos e operações mais sensíveis”, explicou ele, de sua casa no Peru, em uma de nossas entrevistas telefônicas. Infelizmente, o relatório do DoD fornece uma data errada do encontro peruano: 9 de março de 1980 em vez de 11 de abril. Santa Maria acredita que a informação foi distorcida e alguns dos dados imprecisos, porque o relatório só foi preenchido dois meses depois do incidente. Houve, aparentemente, atrasos, pois a comunicação foi feita através de vários canais até chegar aos americanos. O documento relata que um OVNI foi observado sobre a base e o Comando Aéreo lançou um SU-22. “A FAP (Força Aérea Peruana) tentou interceptar e destruir o OVNI, mas sem sucesso”, declara o documento. O piloto “interceptou o veículo e atirou nele a uma distância muito curta, sem causar qualquer dano aparente. O piloto tentou passar sobre o veículo, mas o OVNI ultrapassou o SU-22.” Acho interessante que o termo “veículo” tenha sido empregado consistente e alternadamente com “OVNI” em todo esse documento do governo americano; geralmente o termo “objeto” é a escolha oficial, deixando um espaço mais amplo para uma série de explicações possíveis. Um “veículo” é algo construído para o propósito de transportar pessoas ou coisas. Este, que permanece de origem desconhecida, inexplicavelmente não foi afetado pelas balas atiradas a curta distância. Assumindo que era um veículo de origem desconhecida, como declarado, com uma capacidade que nenhum veículo feito pelo homem tem, o conceito de “veículo” passa, então, a ser provocativo, vindo de um coronel da Força Aérea. O que estaria transportando e por quê? Não parece ter havido nenhum problema em relação ao reconhecimento oficial da existência de um OVNI real, dez anos depois do encerramento do Projeto Livro Azul, em um documento classificado como secreto. Neste caso, um coronel da Força Aérea Americana reconhece a existência de um OVNI real - e não era o que se poderia


esperar de uma agência governamental que, publicamente, zomba disso. Por alguma razão, em décadas recentes, parece haver mais uma preferência oficial em investigar casos estrangeiros do que aqueles nacionais. Talvez haja um interesse particular em casos militares, envolvendo ou o ataque a um OVNI ou uma caçada realizada por caças da Força Aérea, como as mostradas pelas autoridades do Irã, do Peru e da Bélgica. Ou é mais fácil para o nosso governo explorar casos estrangeiros sem ser notado e sem chamar a atenção sobre um evento OVNI? Se isso fosse feito tão abertamente, as conclusões da Força Aérea emitidas naquela época do Projeto Livro Azul, e repetidas desde então, teriam de ser rescindidas. Obviamente, as consequências disso seriam algo que o Departamento de Defesa preferiria evitar. Contudo, enquanto tornavam secretos estes relatórios, nossos oficiais estavam bem conscientes dos esforços de outros governos - os países nos quais eles buscavam informações para investigar adequadamente os avistamentos de OVNIs feito por militares. Nós nos beneficiamos com essas informações, mas certamente não seguimos o exemplo deles. Em vez de contribuir de algum modo, os oficiais americanos parecem gostar de ficar saltitando mundo afora, verificando casos de outros lugares, ocasionalmente encontrando um que “seja um clássico, que satisfaz todos os critérios necessários para um estudo válido do fenômeno OVNI”, como a avaliação do DIA declarou. Em vez da Força Aérea Americana lidar abertamente com os eventos OVNIs daqui, nosso governo vem teimosamente ignorando avistamentos não ambíguos, que afetam a vida de milhares de americanos. Simultaneamente, tem pronto um sistema de relatos de incidentes com OVNIs “dentro da estrutura estabelecida para operações de Inteligência e vigilância”, da qual não gosta de falar. Isso tudo é um pouco confuso. Mas, na medida em que todos nós, cidadãos, somos afetados, as agências do governo ainda fornecem explicações insustentáveis para os eventos de OVNIs nos Estados Unidos, ou os ignoram completamente, mesmo quando encontros levantam questões de segurança da aviação e, sim, segurança nacional, e apesar de sabermos que estão interessados em casos estrangeiros. Por quanto tempo as autoridades continuarão a sacudir a defeituosa “ficha técnica” da Força Aérea, para justificar este comportamento irresponsável?


CAPÍTULO 16 - “Um Poderoso Desejo de Não Fazer Nada”

A maioria dos americanos não tem consciência de que, a não muito tempo atrás, enquanto nosso governo estava silenciosamente preenchendo relatórios sobre casos estrangeiros, uma dramática onda OVNI ocorreu sobre solo americano. O espetáculo dessa onda foi tão dramático quanto aquele da Bélgica, e a grande aeronave, voando em baixa altitude, assemelhava-se àquelas vistas sobre aquele país em alguns aspectos. Somente três anos depois que os detalhes do incidente de 1980, no Peru, foram distribuídos às agências do governo americano, a “onda do Vale do Hudson” começou no estado de Nova York e em partes de Connecticut. Ela durou alguns anos e, depois que tudo acabou, nosso governo preencheu um outro documento secreto sobre a onda da Bélgica, em 1990. Mas nenhum oficial fez investigações sobre algo aqui ocorrido entre esses dois eventos relatados, apesar de nossos próprios OVNIs terem sido testemunhados por milhares de cidadãos americanos. Nenhum documento oficial foi preenchido sobre os eventos do Vale do Hudson - pelo menos que nós saibamos. Contudo, sua semelhança com a onda da Bélgica foi notável. Começando em 1982, a onda americana também durou muitos anos, com o pico ocorrendo dentro de um período de dois anos, e também envolveu repetidas visitas de grandes objetos silenciosos, algumas vezes mais de um naquela época, pairando em baixas altitudes com luzes extremamente brilhantes. Grupos de pessoas assistiram, frequentemente de perto, ou enquanto permaneciam diretamente sob eles, e alguns relataram ver uma estrutura escura e sólida por trás das luzes. Muitos, enquanto dirigiam ao longo da Taconic Parkway ou sozinhos em estradas do interior, levados até lá para ver melhor os OVNIs, enquanto outros viram os objetos enquanto passeavam com seus cães ou faziam corridas ao longo de reservatórios e lagos. As testemunhas disseram que essas estruturas pareciam ser tão grandes quanto campos de futebol e eram capazes de dispararem a velocidades incríveis a partir de posições estacionárias. Como é típico nos OVNIs, eram silenciosos ou emitiam um zumbido baixo. Os OVNIs do Vale do Hudson, como aqueles da Bélgica, não exibiram qualquer comportamento agressivo ou hostil. De fato, de maneira semelhante, as testemunhas menos intimidadas reportaram que piscaram as luzes de seus carros para os objetos e receberam piscadas em resposta. E essa onda, também, foi simultaneamente vista por policiais - em Danbury, Connecticut, a polícia inicialmente zombou das ligações telefônicas das testemunhas, antes de ser rudemente despertada, que foi exatamente como a polícia da Bélgica fez inicialmente. Mais tarde, doze policiais só deste departamento tiveram os seus próprios avistamentos111. Caminhos podiam ser determinados devido ao volume de relatos de várias localizações em curtos períodos de tempo, e mapas de rota foram feitos, exatamente como posteriormente o foram na Bélgica. Similarmente, algumas fotos noturnas e vídeos foram feitos em Nova York e analisados por vários laboratórios, apesar de não tão extensivamente, nem as imagens foram tão poderosas como a foto de Petit-Rechain, de 1990. Embora os residentes do Vale do Hudson relatassem principalmente objetos com forma de delta ou V e os vistos na Bélgica fossem na maioria triangulares, ao se ler os relatos das


testemunhas de ambos os eventos, os comportamentos similares das aeronaves são impressionantes. O fenômeno bizarro e altamente incomum da “bola de luz vermelha”, relatado por quatro policiais belgas, também apareceu no estado de Nova York. No primeiro, a dramática noite da onda belga, em 1989, dois pares de policiais, em diferentes localizações, assistiram a bola de luz vermelha sair como um raio de um objeto que pairava, e que, depois, voltou para o OVNI - um detalhe raro observado bem de perto. Heinrich Nicoll, um dos policiais que testemunhou esse espetáculo, interpretou a bola de luz como uma sonda de algum tipo. Em uma entrevista, ele disse: “A bola manteve-se indo e vindo, como se estivesse tentando medir alguma coisa”112.

Durante a onda do Vale do Hudson, David Athens, chefe do Corpo de Bombeiros de New Fairfield, em Connecticut, estava do lado de fora conversando com um policial, em julho de 1984, quando ambos viram uma fileira de luzes em um padrão circular. “Eu diria que era algo feito pelo homem exceto que duas das luzes vermelhas saíram do grupo e foram em direções diferentes atrás das montanhas. Uma delas voltou e a outra não”113, relatou Athens. Jim Cooke, um engenheiro biomédico, ficou chocado de ver um objeto triangular pairando a não mais de 4,5 metros da superfície da água do Reservatório Croton Falis, tarde de uma noite de outubro de 1983, enquanto dirigia de volta para casa. Ele saiu do carro e ficou olhando da margem do reservatório. “Algo saiu da parte de baixo do objeto; um raio vermelho de luz


ou algo sólido que brilhava em vermelho - eu realmente não sei o que era. Mas parecia estar sondando a água”114, disse ele. Segundo Cooke, o objeto se moveu lentamente sobre o reservatório e, a cada parada, a “sonda vermelha” interagia com a água e, depois, era puxada de volta. Como a aeronave belga que essencialmente exibiu a mesma coisa, esta era triangular. A descrição de Heinrich Nicoll foi notavelmente semelhante àquela de Cooke. Ele também testemunhou o fenômeno sobre a água, que ele também interpretou como uma sonda de algum tipo. Podemos nunca saber qual o propósito dessa estranha bola vermelha, que sai do OVNI, mas isso sugere que objetos muito semelhantes podem ter visitado ambas localizações nos anos 80. Apesar das similaridades intrigantes, houve uma grande diferença entre esses eventos no norte do Estado de Nova York e aqueles da Bélgica - não nos detalhes do que realmente aconteceu, mas na maneira como estes encontros extraordinários, repetidos ano após ano, foram tratados pelas autoridades: os responsáveis pela proteção dos cidadãos e pelo monitoramento de incursões aéreas não registradas sobre áreas habitadas. Precisamos lembrar que a onda de OVNIs de 1989-90, na Bélgica, foi racional, aberta e responsavelmente tratada pelo governo. A Força Aérea belga foi colocada imediatamente em ação, e outras agências, tais como a Gendarmerie Nationale (uma combinação de polícia e exército) e o equivalente na Bélgica à FAA americana também cooperaram na mobilização para identificar os objetos. A Força Aérea não foi a única responsiva, mas foi até proativa em sua investigação, procurando por objetos em múltiplos sistemas de radar, lançando F-l6s para interceptar algum objeto em três ocasiões e, depois, concedeu uma conferência de imprensa para explicar tudo isso ao público. Além disso, foi providenciada a análise, por uma série de laboratórios fotográficos, sobre a fotografia de uma aeronave, uma das melhores fotos de OVNIs já registradas. E para dar um passo além, a Força Aérea belga tornou todos os dados e recursos, incluindo estações de radar e até aviões, disponíveis a um grupo altamente competente de cientistas civis, que organizaram os dados, entrevistaram testemunhas e mantiveram extensos registros. Tudo isso foi coberto pela mídia europeia, com alguns relatórios para os Estados Unidos também. Durante tudo isso, o governo belga não escondeu informações, deu falsas explicações ou ridicularizou as testemunhas. De fato, sabemos que o Coronel Wilfried De Brouwer, chefe de investigação da Força Aérea, disse a verdade às pessoas. Muito foi aprendido, exceto pela coisa mais importante de todas. A origem e o propósito das próprias aeronaves. Contudo, nos Estados Unidos, nossa onda de OVNIs não foi tratada de maneira nenhuma. Nada foi feito por qualquer agência de nosso governo. Não houve mobilização em nível estadual ou nacional. Nenhum F-16 da Força Aérea foi lançado (pelo menos não há registro público disso). Nenhuma tentativa foi feita para capturar os objetos pelo radar. Nem houve qualquer parceria estabelecida com uma organização de pesquisa americana para colher relatórios, embora grupos científicos qualificados estivessem prontos e esperando. Nenhum laboratório do governo analisou as fotografias. Nenhum órgão do governo convocou uma conferência de imprensa para fornecer os dados da Força Aérea para um público faminto de informação. A mídia local fez uma grande cobertura nos locais onde os eventos realmente aconteceram e foram fato, mas, por não haver nenhum funcionário encarregado a não ser os policiais locais, a cobertura nacional foi mínima.


Quando pressionada por ligações telefônicas, a FAA disse às testemunhas que elas tinham visto alguma outra coisa diferente do que tinham visto - coisas reconhecíveis, que faziam muito barulho, tais como aviões em formação ou helicópteros. Numerosos fatores tornaram essas explicações insustentáveis, sendo a mais óbvia a de que algumas vezes a aeronave flutua ou se move mais lentamente do que os aviões podem voar, frequentemente em altitudes muito baixas, e era geralmente silenciosa. Porém helicópteros ou um grupo de aviões voando em formação são notoriamente barulhentos. Também o OVNI foi visto em muitas ocasiões em que não havia aviões ou dirigíveis voando, como confirmado pelo aeroporto próximo. Algumas vezes as testemunhas viram uma estrutura sólida, maciça ao redor das luzes, bloqueando o céu por trás dela, facilmente distinguível de aeronaves convencionais. Em 1984, por exemplo, seis guardas de segurança da instalação nuclear de Indian Point testemunharam um OVNI pairando a cerca de cem metros sobre o reator, em espaço aéreo restrito. Dois guardas disseram aos investigadores que era um objeto sólido maior do que um campo de futebol115. Contudo, a indiferença do governo dos Estados Unidos nunca mudou, apesar do fato daquilo que foi chamado de “bumerangues de Westchester County” terem pairado ou cruzado de um lado para o outro, durante anos, o Vale do Hudson e partes do Connecticut, ostentando luzes coloridas que algumas vezes piscavam quando pessoas se aproximavam. As testemunhas tiveram que lidar com esses eventos por conta própria; encontros que para alguns eram perturbadores, para outros, assustadores, e inspiradores de temor para quase todo mundo, mas nenhuma orientação oficial foi oferecida sobre o que fazer. Os Departamentos de Polícia de Nova York e de Connecticut ficaram inundados de ligações, mas como pequenas unidades podiam responder? Elas simplesmente não estavam preparadas ou equipadas para tratar de algo assim; podiam simplesmente registrar os relatos das testemunhas - alguns de seus próprios funcionários. Engarrafamentos de tráfego ocorreram na Rota 84, uma via pública principal, enquanto os motoristas olhavam espantados para o céu. E os aeroportos locais simplesmente disseram às pessoas que ligavam que não tinham nada no radar e não poderia confirmar os avistamentos. Comunidades foram deixadas sem assistência ao tentarem obter algum sentido desses eventos absolutamente atordoantes, e a maioria do público americano jamais ouviu qualquer palavra sobre eles. Como poderia uma coisa tão momentosa como esses avistamentos do Vale do Hudson, repetidos ano após ano, serem ignorados por nosso governo e serem varridos para debaixo do tapete? Essa indiferença é tão assombrosa, que alguém poderia justificadamente perguntar se tais eventos realmente ocorreram. Muitos poderiam perguntar como isso realmente aconteceu, se nunca se ouviu nada a respeito disso? Essa situação, de quebra-cabeça, instigando perguntas legítimas sobre a existência real dos OVNIs, representa uma das razões básicas para que americanos inteligentes e de boa formação não “acreditarem” em OVNIs. E é uma boa razão. Uma conclusão racional seria: se isso estivesse realmente acontecendo, teríamos sido informados. Se o Projeto Livro Azul, da Força Aérea, estivesse ainda atuante naquela época dos avistamentos no estado de Nova York, eles teriam investigado oficialmente, mesmo que não no nível que muitos de nós teríamos gostado. Teria sido mais difícil para a Força Aérea oferecer explicações rápidas e dúbias para esses eventos, o que aconteceu repetidamente. Felizmente, o cientista-chave do Livro Azul, ao longo de seus vintes anos de funcionamento,


ainda estava ativamente investigando casos de OVNIs na metade dos anos 80 e estava dando atenção aos avistamentos no norte do estado de Nova York. Embora não mais formalmente associado ao governo dos Estados Unidos, o Dr. J. Allen Eíynek começou a investigar a onda do Vale do Eludson, em 1984. Naquela época, ele era amplamente encarado como a principal autoridade mundial no que se refere aos OVNIs, bem como um eloquente porta-voz sobre o assunto para o público americano. Esses avistamentos foram o foco final da vida do Dr. Hynek - ele morreu em 1986 - e ele empregou uma grande quantidade de energia na confrontação com a chocante indiferença dos funcionários do governo americano diante das repetidas e visitas bem documentadas de algum tipo de fenômeno116. Ele percebeu que a apatia do governo era o que impedia a história de explodir na mídia nacional. Apesar do fato de ele ter estado na linha de frente de muitas investigações sobre OVNIs durante mais de três décadas, a implacável onda do Vale do Hudson parecia tanto atemorizar e desconcertar Hynek muito além de qualquer outra coisa. Nada semelhante a isso tinha ocorrido anteriormente na América. Em um ensaio de 1985117, ele descreveu “centenas de pessoas opulentas, extremamente profissionais das áreas suburbanas”, cujas declarações ele e outros registraram em fitas K-7 como “surpresas, aterradas e frequentemente assustadas” pelos bizarros avistamentos. Ao sobrevoar a Taconic Parkway, ou cruzar em baixa altitude sobre ruas e casas, “um objeto totalmente estranho e possivelmente ameaçador” constituía um sério risco que deveria ter preocupado a FAA, escreveu ele. Para os cientistas, esses eventos deveriam ter sido uma preocupação científica empolgante, e a polícia e a mídia foram completamente negligentes em sua apatia e indiferença, mantendo a coisa toda fora da consciência do público. Para compreender como tais coisas podiam ocorrer sem nosso conhecimento sobre elas, precisamos examinar a inação total daqueles que tinham a responsabilidade. “Foi como se uma doença mergulhasse todos os que ali se encontravam, exceto as testemunhas, em um estupor mortal”, disse Hynek. “Na história dos avistamentos de Bumerangues, a FAA, a mídia, os cientistas, os policiais e os militares poderiam todos momentaneamente ter tocado o mistério, mas parece que, então, a apatia interveio, exaurindo todo o incentivo e deixando em seu lugar um poderoso desejo de não fazer nada.” Como tantos hoje, Hynek queria saber como e porque essa chocante inação ocorria. Ele tinha sido um cético em relação aos OVNIs quando contratado pela Força Aérea, e com seus colegas do mundo científico tinha frequentemente feito piada das pessoas que relatavam ter visto OVNIs. Apesar dele, inicialmente, ter sido contratado para mostrar que nada existia deste “nonsense”, ele passou por uma transformação gradual durante seu longo trabalho para o governo. Enquanto investigava centenas de casos de OVNIs e entrevistava incontáveis testemunhas dignas de crédito, ele reconheceu que havia um fenômeno físico, real, envolvido, e um daqueles bem misteriosos. Deste modo, ele descreveu, em 1977: Comecei como um total “desmistificador”, que tinha grande prazer em arruinar o que parecia ser, inicialmente, casos enigmáticos. Eu era o arquiinimigo daqueles “grupos e entusiastas dos discos voadores”, que desejavam muito que os OVNIs fossem interplanetários. Meu próprio conhecimento desses grupos veio quase totalmente do que ouvi do pessoal do Livro Azul: eles são todos “malucos e visionários”.


Minha transformação foi gradual, mas, no final dos anos 60, tornou-se completa. Hoje, não gastaria nem mais um minuto sobre esse assunto dos OVNIs, se não sentisse seriamente que o fenômeno OVNI é real e que os esforços para investigá-lo e compreendêlo, e finalmente resolvê-lo, poderiam ter um efeito profundo - talvez até ser o trampolim para a observação do universo pela humanidade118. Em 1985, o dedicado investigador foi confrontado pela manifestação extrema de um fenômeno peculiarmente americano conhecido como o tabu OVNI - a recusa automática e profundamente arraigada em reconhecer que algo tão contraditório ao que consideramos “normal” e, portanto, inaceitável para nossa visão de mundo, poderia possivelmente existir, não importando as evidências apresentadas. Nesse caso, Hynek observou que o tabu é tão poderoso, que pode contrariar os deveres de grupos de pessoas altamente responsáveis em posição de autoridade. Ele lutou para encontrar algum tipo de resposta para esse dilema. Hynek observou que ver os bumerangues do outro mundo, de Westchester County, causou estresse, trauma e terror entre as testemunhas. Elas não receberam qualquer resposta e sentiram-se desprotegidas por seu governo, e muitas não quiseram “vir a público” para falar desses eventos por temor de serem ridicularizadas. Enraizada nas mentes da maioria das pessoas - tais como dos policiais que receberam os relatos das testemunhas e eles mesmos não tinham visto nada - estava a crença coletiva de que esse tipo de evento possivelmente não pode ocorrer. A única maneira de tratar disso era rotular as testemunhas de “malucas”. E, contudo, milhares de pessoas realmente viram os objetos. Elas tiveram que lidar com o enigma de que elas sabiam que esses eventos tinham acontecido, como o fizeram outros daquela área que foram testemunhas ou foram informadas, por fontes confiáveis, sobre os avistamentos, tais como os jornais locais. Como todas essas pessoas podiam estar mentindo ou confusas? Ou será que havia algo maior, mais profundamente enraizado, que impedia os funcionários do governo de verdadeiramente ouvir os relatos, aceitando-os como verdadeiros e investigar? Hynek postulou que, em sua incapacidade de aceitar algo tão revolucionário quanto a existência dessas aeronaves inconcebíveis, nossa psique simplesmente se fecha, deixando tudo do lado de fora. A realidade impossível “superaquece os circuitos mentais e queima os fusíveis, num mecanismo de proteção da mente... Quando o ponto de ruptura coletivo é atingido, a mente precisa abertamente ignorar a evidência patente dos sentidos. Ela não consegue mais conter tal evidência dentro de suas fronteiras normais”. Ele concluiu que, à natureza totalmente bizarra, chocante e até traumática de tal evento, não há qualquer energia para a ação, como se todo mundo estivesse operando com uma bateria gasta. Essa dinâmica pode afetar grupos de pessoas como um todo, e aqueles responsáveis não estão isentos de seus efeitos entorpecentes. “Com a apatia, vem a habilidade de aceitar até a mais vazia das explicações - qualquer coisa - para repelir a necessidade de pensar sobre o impensável”, escreveu Hynek. Isso pode não fornecer uma resposta completa, mas toca na natureza profunda do tabu OVNIs, que age para nos manter na ignorância, mesmo que os eventos estejam bem na nossa frente. Esse fenômeno basicamente psicológico, colocado em movimento pelo Painel Robertson, nos anos 50, atua aqui com uma força e uma tenacidade muito maiores do que em outros países. Ele infundiu a administração inadequada de nossa agência da Força Aérea, o


Projeto Livro Azul, até seu encerramento. Depois, o tabu tornou-se integrado e aceito, afetando todos os níveis de governo. Ainda é difícil de acreditar que os eventos do Vale do Eludson deslizaram para debaixo do tapete e não foram notados pela maioria de nós - mas, de fato, foi isso que aconteceu. Naturalmente, se nosso governo tivesse respondido da mesma maneira que o fez o governo belga, tudo teria sido diferente. E até mais importante, se tivéssemos estabelecido uma agência semelhante àquela da França, devotada a pesquisar por sua própria conta, um conhecimento até maior poderia ter sido adquirido. O Reino Unido, nosso aliado mais próximo, tinha um escritório para receber relatos de OVNIs durante a época da onda do Vale do Hudson e teria investigado tudo. O governo americano, embora responsável por um território e um espaço aéreo enormes em comparação com a França, a Bélgica ou o Reino Unido, parece estar operando no limite de sua capacidade de voltar um olho cego para os OVNIs.


CAPÍTULO 17 - Os Verdadeiros Arquivos X Por Nick Pope

O Ministério da Defesa britânico estabeleceu seu escritório para investigação de OVNIs nos anos 50, mais ou menos na mesma época em que os Estados Unidos estabeleceram o Projeto Livro Azul. Porém, os britânicos mantiveram suas investigações por muito, muito mais tempo. Nick Pope foi o homem encarregado de chefiar esse projeto do governo de 1991 a 1994. Sua perspectiva do fenômeno mudou radicalmente durante seus anos de focalização intensiva nas investigações e do acesso à informação governamental “interna”sobre os OVNIs. Como os outros contribuidores deste livro, ele gostaria de ver mais envolvimento por parte das agências de Inteligência e dos funcionários do governo dos Estados Unidos. Pope tornou-se um dos mais ativos dos antigos funcionários do governo britânico a falar sobre a questão, procurado pela mídia mundial como um especialista líder. Ele combina uma afiada mente analítica com um forte interesse no fenômeno OVNI, ambos fermentados por uma sagacidade seca exclusivamente britânica. É ainda outro exemplo dos muitos funcionários e militares que, conforme foram adquirindo conhecimento com as investigações virtualmente por acidente, flexionaram seus músculos céticos e se descobriram absorvidos pelo poder inesperado da evidência que, inicialmente, esperavam refutar. Nick Pope tinha acesso a arquivos secretos e a outras informações altamente sensíveis e que não tem a liberdade de compartilhar, o que torna seus insights e convicções até mais intrigantes. Ainda envolvido com o assunto em base semi-oficial, recentemente trabalhou com os Arquivos Nacionais Britânicos como consultor para o programa em andamento para desclassificar e liberar os arquivos sobre OVNIs do Ministério da Defesa. Trabalhei para o Ministério da Defesa por vinte e um anos, começando em 1985. Naquela época, a política era a de mover pessoas a cada dois ou três anos - em nível de transferência ou de promoção - para que todos ganhassem experiência em uma ampla margem de trabalhos diferentes: política, operações, pessoal, finanças, etc. Eu já tinha completado dois ou três trabalhos diferentes, e no começo dos anos 90 estava trabalhando em uma divisão chamada Secretariado (Staff Aéreo) e tinha sido destacado para o Departamento de Operações da Força Aérea, no Centro de Operações Conjuntas. Trabalhei ali durante o planejamento da Guerra do Golfo, durante a própria guerra e, depois, durante os resultados do conflito, como um portavoz, preparando material para as reuniões diárias dos ministros e chefes de serviço. Meu trabalho era coletar dados sobre as operações da Real Força Aérea (RAF), e colher assuntoschave que o pessoal sênior precisava saber: detalhes de quaisquer baixas e perdas, alvos atacados, avaliação dos danos de batalha, etc. Foi trabalhando ali que fui abordado, em 1991, e questionado se, após ser liberado dos deveres no Centro de Operações Conjuntas, gostaria de trabalhar nas investigações sobre OVNIs - um cargo mergulhado em outra parte da divisão.


Aceitei o convite, muito embora soubesse pouco sobre o assunto e certamente não acreditava em OVNIs. Assim, embora mantivesse a mente aberta em todas as minhas investigações, meu ponto de partida era amplamente cético. O Ministério da Defesa (MoD) estava investigando o fenômeno OVNI desde o início dos anos 50 e já tinha recebido mais de 12.000 relatos de avis- tamentos até então. Em todo esse tempo, os objetivos não tinham realmente mudado muito. Em 1950, o MoD estabeleceu o secreto Grupo de Trabalho dos Discos Voadores, composto de especialistas da Inteligência técnica e científica, para investigar e avaliar os numerosos avistamentos de OVNIs que estavam sendo relatados pela mídia. Em 1951, o grupo recomendou que as investigações fossem terminadas “a menos e até que alguma evidência material se tornasse disponível”119. Mas essa política foi revertida alguns anos depois de uma série de avistamentos de OVNIs de alto perfil envolvendo os militares. Duas divisões do Ministério da Aeronáutica - S6, uma divisão civil do Staff Aéreo, e a DDI (Tech), uma divisão da Inteligência técnica - tornaram-se, então, ativamente envolvidas na investigação de avistamentos de OVNIs. Sua instrução era para pesquisar e investigar o fenômeno OVNI, procurando evidências de qualquer ameaça ao Reino Unido. Essa política ainda vigorava, quando assumi o cargo nos anos 90. Os avistamentos de OVNIs eram investigados para ver se havia e vidência de qualquer coisa de algum significado para a defesa, qualquer ameaça à defesa do Reino Unido, ou informação que pudéssemos usar, científica ou militarmente. Ter um projeto OVNI de maneira nenhuma implica uma crença governamental em visitas extraterrestres. Simplesmente reflete o fato de que mantemos um olhar atento em nosso espaço aéreo e queremos saber de qualquer coisa que esteja operando na Região de Defesa Aérea do Reino Unido. Muitos outros países fazem pesquisas semelhantes. Tive acesso a todos os arquivos de OVNIs anteriores, alguns dos quais tinham sido altamente confidenciais, de modo que tinha um vasto banco de dados para acessar. Isso me permitiu empreender vários projetos de pesquisa, procurando tendências, etc. Mas o pão com manteiga do trabalho era a investigação de novos avistamentos que eram relatados em base virtualmente diária. Costumávamos receber de 200 a 300 relatos a cada ano. A metodologia de uma investigação é basicamente padrão. Primeiro, a testemunha é entrevistada para se obter o máximo de informações possível sobre o avistamento: data, hora e localização do avistamento, descrição do objeto, sua velocidade, sua altura, etc. Depois, tentase correlacionar o avistamento com atividade aérea conhecida, tais como voos civis, exercícios militares ou se houve lançamento de balões meteorológicos. Podemos verificar com o Observatório Real de Greenwich, para ver se fenômenos astronômicos, tais como meteoros ou bolas de fogo, poderiam explicar o que foi visto. Podemos verificar se algum OVNI foi visualmente rastreado pelo radar. Se tivermos uma fotografia ou um vídeo, podemos consultar vários especialistas do MoD para melhorar e analisar as imagens. Podemos também fazer uma ligação com o pessoal do Sistema de Alerta Precoce de Mísseis Balísticos, da RAF em Fylingdales, onde há um radar especial. Finalmente, sobre questões técnicas e científicas, podemos consultar o Staff de Inteligência de Defesa, embora esta seja uma área que não posso discutir de maneira nenhuma. Após a investigação, cerca de 80% dos avistamentos de OVNIs podem ser explicados como má identificação de algo comum, tais como luzes de aviões, satélites, balões


meteorológicos ou planetas. Em cerca de 15% dos casos, a informação era insuficiente para se obter qualquer conclusão. Os aproximadamente 5% remanescentes de avistamentos pareciam desafiar qualquer explicação convencional. Os tipos de casos que tivemos nessa última categoria incluíram incidentes com OVNIs que foram testemunhados por várias pessoas ou as testemunhas eram observadores treinados, tais como policiais ou militares; avistamentos por pilotos civis ou militares; avistamentos com evidência fotográfica ou vídeo, onde a análise técnica não encontrou nenhum sinal de fraude; avistamentos seguidos pelo radar e avistamentos envolvendo aeronaves aparentemente capazes de velocidades e de manobras muito além das mais avançadas que conhecemos. Falo de maneira geral, porque meus termos de referência limitavam minhas investigações a avistamentos na Região de Defesa Aérea do Reino Unido, não estabeleci ligações com outros países a esse respeito. Porém, na ocasião levantamos questões sobre o fenômeno em geral ou sobre avistamentos específicos em outros países, através da respectiva Embaixada Britânica. Também me encontrei com funcionários de outros países a título privado, que estiveram envolvidos com trabalhos do governo sobre este assunto, tais como Jacques Patenet, da unidade do CNES GEIPAN, da França, e com o Coronel Aldo Olivero, da Força Aérea italiana. Durante essas discussões, ficou claro que nossos termos de referência e metodologias eram amplamente semelhantes, como o eram nossas conclusões. O INCIDENTE COSFORD Em 30 e 31 de março de 1993, houve uma série de avistamentos de OVNIs no Reino Unido, envolvendo mais de 100 testemunhas, muitas delas oficiais de polícia e pessoal militar. O OVNI também voou diretamente sobre duas bases da Força Aérea. O que vem a seguir é a extraordinária história daquilo que vem sendo investigado como o Incidente Cosford. O primeiro avistamento ocorreu em 30 de março, por volta das 20h30min, em Somerset. Este foi seguido por um avistamento às 21h, em Quantock Hills. A testemunha era um policial que, junto com um grupo de escoteiros, tinha visto uma aeronave que ele descreveu como “semelhante a dois Concordes voando lado a lado e ligados entre si”. Os relatos eram muitos e chegaram rápidos e, quando cheguei na manhã seguinte para trabalhar, recebi uma torrente deles. Logo ficou claro que eu tinha um grande evento OVNI em minhas mãos. Um dos relatos mais interessantes veio de um civil, em Rugely, Staffordshire, que relatou o avistamento de um OVNI, que ele estimou como tendo uns 200 metros de diâmetro. Ele e outros membros da família me contaram como tinham perseguido o objeto em seu carro e chegado extremamente perto dele, acreditando que ele tinha pousado num campo próximo. Quando chegaram lá poucos segundos depois, não havia nada para ver. Muitas das descrições relataram um objeto de forma triangular ou luzes percebidas como sendo da parte inferior de tal aeronave. De fato, em uma aparente coincidência, esses avistamentos ocorreram no mesmo dia, três anos depois, da onda de avistamentos na Bélgica, que levaram ao lançamento dos caças F-16 para interceptar um OVNI captado pelo radar. O OVNI do Reino Unido foi visto por uma patrulha da polícia da Força Aérea baseada no posto da RAF, em Cosford, a 240 km a noroeste de Londres. Seu relato policial oficial (classificado como Polícia em Segredo) estabeleceu que o OVNI passou sobre a base “à grande


velocidade.... em uma altitude de aproximadamente 350 metros”. Ele descreveu duas luzes brancas com um tênue brilho vermelho na parte de trás, sem se ouvir qualquer ruído de motor. O relato da polícia da Força Aérea continha também detalhes de uma série de avistamentos por civis, que eles tinham recebido durante os inquéritos com outras bases militares, aeroportos civis e polícia local. Mais tarde, naquela noite, o funcionário da meteorologia da RAF, em Shawbury - a base que fornece treinamento avançado para tripulações de helicópteros, controladores de tráfego aéreo e pessoal de operações de voo para as forças armadas do Reino Unido - viu o OVNI. Ele me descreveu como o objeto tinha se movido lentamente através do campo, em direção à base, a uma velocidade de não mais que 50 ou 60 km/h. Ele viu a aeronave lançar um estreito raio de luz (como um laser) para o solo e viu a luz ir para frente e para trás através do campo para além do perímetro da cerca, como se estivesse procurando alguma coisa. Ele ouviu um som desagradável de zumbido de baixa frequência vindo do objeto e disse que podia tanto ouvir quanto sentir isso - um pouco como ficar de pé em frente a um alto-falante de sons graves. Estimou que o tamanho do objeto estava entre o tamanho de um avião de transporte Hercules C-130 e um Boeing 747. Depois, disse-me que o raio de luz tinha sido retraído de maneira não natural e que o objeto repentinamente acelerou para o horizonte muitas vezes mais rápido do que um avião militar. Aqui estava um experiente oficial da RAF, que regulamente via aviões e helicópteros, falando-me sobre algo que, ele disse, era muito improvável que ele já tivesse visto antes. A linha do partido do MoD de que os OVNIs “não tinham significância para a defesa” estava, parece, sendo decididamente chacoalhada. Fiquei imaginando o que eu deveria dizer a ele - “Não se preocupe! Provavelmente era apenas um balão meteorológico”? Por uma série de razões, os OVNIs notavelmente são subregistrados. Os dois fatores principais, aqui, são medo da descrença e/ou do ridículo, e o fato de que muitas pessoas não saberem a quem contatar para fornecer os detalhes de seus avistamentos. Embora houvesse instruções para que os relatos de OVNIs fossem enviados para bases militares, aeroportos civis e delegacias de polícia, para serem encaminhados ao MoD para investigações, este sistema nacional nem sempre funcionava. No arquivo de caso de 30-31 de março de 1993, o incidente com o OVNI deixou claro que houve muito mais avistamentos chegando ao departamento. Uma linha de descartes de um relatório policial de um avistamento em Liskeard, Cornualha, afirmava que o objeto foi “visto por outros policiais por toda a Cornualha e Devon” Podemos apenas imaginar o número de relatórios de avistamentos que foram subregistrados naquela noite. Devido à semelhança entre esses relatos e aqueles repetidamente preenchidos na Bélgica, em 1989 e 1990, pedi para o Staff da Inteligência de Defesa para fazer algumas perguntas discretas às autoridades belgas, através da embaixada britânica, em Bruxelas. Lembro-me que nosso adido conseguiu falar com o General De Brouwer e os dois pilotos dos F-16. Ficou claro que De Brouwer tinha realizado uma excelente investigação sob circunstâncias bem difíceis. Como De Brouwer, comecei uma investigação detalhada dos avistamentos de Cosford, sendo que a principal diferença era que o incidente de Cosford não fazia parte de uma “onda”, mas apenas um evento, como a maioria dos casos de OVNIs. Trabalhei intimamente com a RAF, com colegas do Staff da Inteligência de Defesa e com o pessoal do Sistema de Aviso Precoce de Mísseis Balísticos da base Fylingdales da RAF. Uma das primeiras coisas que fiz


foi ordenar que as gravações de radar fossem apreendidas e enviadas a mim no Edifício Principal do MoD, em Whitehall. Os dados de radar foram copiados em fitas de vídeo K-7 padrão VHS, e chegaram pouco depois. Assisti aos vídeos com especialistas relevantes da RAF, que me disseram que havia alguns estranhos retornos de radar, mas que eram inconclusivos. O radar não é uma ciência exata e, em certas circunstâncias, podem ser gerados retornos falsos. Posteriormente, foi feita uma avaliação mais formal dos dados de radar. Infelizmente, um dos chefes do radar não estava trabalhando no radar primário durante o período relatado, de modo que somente o radar de vigilância secundária podia ser visto. Mas com esta e outros verificações, conseguimos construir um quadro de toda a atividade de aviões e helicópteros sobre o Reino Unido, de modo que pudemos fatorá-los na investigação e eliminálos de nossos inquéritos, se fosse apropriado. O Sistema de Aviso Precoce de Mísseis Balísticos da RAF, com seus poderosos radares de localização espacial, foi parte importante de minha investigação sobre OVNIs. As autoridades de lá rapidamente me alertaram para o fato de que tinha havido uma reentrada na atmosfera terrestre de um foguete russo carregando um satélite de comunicação: o Cosmos 2238. Postulamos que essa era uma possível explicação para a multidão de avistamentos de OVNIs que ocorreu por volta da 1h10min, em 31 de março. Uma teoria frequentemente trazida à baila para explicar alguns dos mais espetaculares avistamentos de OVNIs é que eles poderiam ser um protótipo de aeronave, zangões ou outro veículo aéreo não tripulado. Naturalmente, a qualquer hora, poderemos testar o voo de várias coisas, que não veríamos em grandes shows aéreos por vários anos, mas o ponto de partida é que esses testes ocorrem em áreas específicas, de modo que, pelo menos dentro do governo, podemos diferenciar entre projetos confidenciais - que não são de conhecimento público, como o programa do caça F-117 Stealth, antes de 1988 - e OVNIs. Mesmo assim, tinha havido controvérsia sobre a Aurora Americana, uma alegada substituição hipersônica do Blackbird SR-71, que alguns jornalistas e entusiastas da aviação declararam estar voando no espaço aéreo britânico sem conhecimento das autoridades do Reino Unido. Assim, levamos a questão dos avistamentos de março de 1993 às autoridades americanas, através da embaixada britânica em Washington. Seria possível que alguma coisa tivesse saído errada com o processo normal de sobrevoo de um outro país e nossos avistamentos de OVNIs poderiam ser atribuídos a algum protótipo americano? A resposta que obtive - via nosso adido na embaixada britânica, em Washington - foi extraordinária: os americanos tinham tido os seus próprios avistamentos desses OVNIs grandes, de forma triangular, e queriam saber se a RAF poderia ter tal aeronave, talvez como parte de um programa “oculto”, capaz de se mover de uma virtual flutuação para velocidades de milhares de quilômetros por hora em apenas um instante. Desejaríamos que tivéssemos! O interessante sobre isso foi que alguém nos Estados Unidos ainda estava claramente interessado em OVNIs, apesar da aparente indiferença em relação ao assunto desde 1969, com o encerramento do Projeto Livro Azul. Dada a conclusão do MoD de “nenhum significado para a defesa” em relação aos OVNIs, parece bom concluir esta seção com citações do documento do MoD, que contradiz a instância usual. Em uma reunião de instruções, que preparei para o chefe da divisão em 16 de abril de 1993, depois da investigação Cosford, escrevi: “Parece que um objeto de origem desconhecida


esteve operando na Região de Defesa Aérea do Reino Unido sem ser detectado pelo radar; isso parece ser de considerável significância de defesa e recomendo investigações posteriores, dentro do MoD ou com as autoridades americanas”. Meu chefe de divisão era normalmente cético em relação ao fenômeno OVNI, mas, nesta ocasião, ele concordou com minha conclusão. Suas instruções, de 22 de abril de 1993, para o Chefe Assistente do Staff Aéreo (urn dos mais antigos oficiais da RAF) declarou: “Em resumo, parece haver alguma evidência nesta ocasião de que um objeto não identificado (ou objetos) de origem desconhecida esteve operando sobre o Reino Unido”. Isso foi o mais perto que o MoD chegará a dizer de que há mais em relação aos OVNIs do que fraudes ou erros de identificação. O INCIDENTE DA FLORESTA DE RENDLESHAM: A REVISÃO DE UM CASO ARQUIVADO O mais espetacular incidente britânico com OVNIs ocorreu tarde de uma noite de Natal, em 1980, e nas primeiras horas do dia seguinte, quando estranhas luzes foram vistas na Floresta de Rendlesham, perto de Ipswich. As inúmeras testemunhas eram principalmente do pessoal da Força Aérea dos Estados Unidos baseada nas bases gêmeas Força Aérea Americana/OTAN da RAF em Bentwaters e Woodbridge, em Suffolk. Muito embora os eventos tenham ocorrido em solo britânico, estas bases eram instalações da Força Aérea Americana naquela época. A Floresta de Rendlesham situa-se entre as duas bases e, como a Guerra Fria ainda estava decididamente gelada, o avistamento de um OVNI em dois locais militares mais sensíveis da nação foi de um interesse decididamente grande. No projeto OVNI, tive acesso ao grande arquivo do MoD sobre esse incidente, que, naquela época, não tinha sido liberado ao público120. Mesmo a informação mais básica deste caso era extraordinária, e decidi empreender o que a polícia chamaria de revisão de um caso arquivado do incidente. Este foi essencialmente uma análise do MoD sobre o caso, avaliando o que conhecíamos e - mais importante - vendo o que os investigadores deixaram passar. A série de eventos começou nas primeiras horas do dia 26 de dezembro, quando o pessoal que estava trabalhando viu luzes tão brilhantes, que temeu que uma aeronave tivesse caído. Eles solicitaram e obtiveram permissão para saírem da base e investigar. Não encontraram uma aeronave caída - encontraram um OVNI. A patrulha de três homens do 81° Esquadrão de Polícia de Segurança - Jim Penniston, John Burroughs e Ed Cabansag - viu um pequeno objeto movendo-se por entre as árvores. Em certo ponto, ele pareceu pousar em uma pequena clareira. Eles se aproximaram cautelosamente e Penniston chegou suficientemente perto para ver estranhas marcações na lateral do objeto, que ele comparou aos hieróglifos egípcios. Ele fez alguns esboços rápidos em seu bloco de notas121. Posteriormente, por causa da complicada posição legal e jurisdicional das bases da Força Aérea América no Reino Unido, a polícia de Suffolk foi chamada até o local onde o objeto tinha aparentemente pousado. Eles conduziram um breve, porém inconclusivo, exame e, depois, partiram. Mas três mossas eram visíveis na clareira e, quando mapeadas, tomaram a forma de um triângulo equilátero.


A notícia do encontro com o OVNI espalhou-se rapidamente pelas bases e chamou a atenção do comandante, Tenente Coronel Charles Halt. Ele era cético, mas tinha os relatos oficiais escritos pelas testemunhas, incluindo de- senhos que elas fizeram do que tinham visto. Duas noites depois, Halt estava em função social, quando um jovem aviador surgiu e correu até o coronel. “Senhor”, balbuciou ele, “ele voltou”. Halt olhou para ele confuso. “O quê?”, replicou ele. “O que voltou?”, “O OVNI, senhor - o OVNI está de volta”. Halt permaneceu cético, mas reuniu uma pequena equipe e foi para a floresta investigar. Subsequentemente, ele afirmou que tinha ido sem qualquer expectativa de ver alguma coisa. Em suas próprias palavras, ele disse que sua intenção era “desmascarar” tudo aquilo. Mas nunca o fez. Ele também encontrou o OVNI, tornando-se um dos oficiais da mais alta patente a registrar um avistamento de OVNI. Enquanto ele e seus homens seguiam o objeto, seus rádios começaram a funcionar mal, bem como as poderosas lanternas, que tinham trazido para iluminar a floresta, misteriosamente começaram a desligar. Uma peça do equipamento que não sofreu esse efeito foi a filmadora que o coronel levou com ele para documentar sua investigação. O vídeo ainda existe e pode se ouvir a tensão crescente na voz de Halt e nas vozes de seus homens, conforme o OVNI se aproxima: “Eu o vejo também... Está de volta... Está vindo por aqui... Não há dúvidas e ele... É estranho... Parece um olho piscando para você... Quase queima os seus olhos... Está vindo em nossa direção agora... Agora estamos observando o que parece ser um raio descendo até o solo... um objeto ainda pairando sobre a base Woodridge... irradiando para baixo.” Em certo ponto, a tensão em suas vozes parece tornar-se quase pânico, quando o OVNI chega mais perto e lança raios de luz para baixo, perto de Halt e seus homens. Após esses eventos, Halt escreveu um relato oficial do incidente e o enviou para o Ministério da Defesa. Embora tenha recebido o título inócuo de “Luzes Inexplicadas”, seu relato descreveu o OVNI da primeira noite como sendo “de aparência metálica e forma triangular... Uma luz vermelha pulsante no topo e uma fileira de luzes azuis na parte de baixo... Os animais das fazendas próximas fugiram correndo”. Ele continuou detalhando as leituras de radiação feitas no local de pouso e fez uma descrição de seu próprio avistamento. O relatório de Halt foi recebido pela mesma seção do Ministério da Defesa, onde, pouco mais de dez anos depois, eu passaria três anos pesquisando e investigando avistamentos de OVNIs. O relatório chegou às mãos de meus predecessores, que começaram uma investigação. Mas eles foram impedidos por um erro crítico, que teria terríveis consequências. Por qualquer que tenha sido a razão - e pode ter sido nada mais do que um simples erro tipográfico - o relatório de Charles Halt deu datas incorretas para o incidente. Assim, quando o MoD verificou as gravações de radar, estava olhando em dias errados. Procurar evidências de radar é uma parte crítica de qualquer investigação sobre OVNIs. Tem havido uma profusão de avistamentos espetaculares de OVNIs ao longo dos anos, muitos relacionados com o radar. Os abrangentes arquivos sobre OVNIs do MoD detalham várias perseguições, incluindo aquelas em que pilotos da RAF encontraram OVNIs e os perseguiram - sem sucesso, eu poderia acrescentar. Na ausência de quaisquer dados de radar, que poderiam confirmar a presença de OVNIs na Floresta de Rendlesham, a investigação acabou. Contudo, como descobri anos depois, o OVNI tinha sido detectado, afinal. Falei com um antigo operador de radar da RAF, Nigel Kerr, que estava na base Watton, da


RAF, no Natal de 1980, e tinha recebido uma chamada de alguém da RAF em Bentwaters. A pessoa queria saber se havia qualquer coisa incomum na tela do radar. Ele olhou e, por três ou quatro varreduras, algo apareceu diretamente sobre a base. Foi somente anos mais tarde que Kerr ouviu falar do incidente da Floresta Rendlesham e compreendeu que ele poderia ter a peça que faltava do quebra-cabeça. Naquela época, porém, na aparente ausência de dados de radar para verificar a presença do OVNI, indiscutivelmente a peça de evidência mais crítica nunca foi acompanhada. O Staff da Inteligência de Defesa tinha avaliado as leituras de radiação feitas no local de pouso e julgado que eram “significativamente mais elevadas do que a média do local”. De fato, eram cerca de sete vezes mais altas do que seria esperado para a área. Reavaliando o caso em minha revisão, fiquei desapontado com o que encontrei. Descobri uma série de erros adicionais que tinham estragado fatalmente a investigação: falha em isolar o local de pouso, pesquisá-lo com detectores de metal ou colher amostras de solo, demora em relatar o incidente ao MoD, falha no compartilhamento de informações entre o MoD e a USAF. Se a investigação tivesse sido tratada diferentemente, poderíamos saber um pouco mais hoje sobre o estranho objeto que pousou. Enquanto a demora e o fraco compartilhamento de informações foram indiscutivelmente erros humanos, a raiz do problema foi a confusão sobre jurisdição e se eram os britânicos ou americanos quem deveriam liderar a investigação. Em minha visão, ambos tinham jurisdição, mas as autoridades britânicas tinham primazia e deveriam ter liderado. Justiça seja feita, as dificuldades foram agravadas pela natureza sem precedentes do incidente. Simplesmente não havia um padrão de procedimento operacional para cobrir uma situação como esta. Verifiquei novamente a avaliação das leituras de radiação, mas, desta vez, com o Departamento de Proteção Radiológica e eles confirmaram a análise original. Falei com testemunhas-chave desse caso complexo em muitas ocasiões. Fiquei convencido de que eles estavam dizendo a verdade e, embora as recordações variassem em algumas circunstâncias, isso era esperado dado o tempo que tinha passado e o fato de que os eventos ocorreram em várias noites, com pessoas diferentes sendo envolvidas em diferentes localizações. De fato, seria suspeito se todo mundo contasse exatamente a mesma história, porque, em minha experiência, isso sugeriria conluio impróprio entre as testemunhas. Mas o simples fato de que este foi um evento de múltiplas testemunhas, onde os envolvidos eram militares e onde houve evidência física, torna este um dos avistamentos mais significativos de OVNI122. O último almirante de cinco estrelas Lorde Hill-Norton, antigo Chefe do Staff de Defesa do Reino Unido (o equivalente ao Presidente dos Chefes Adjuntos de Staff, nos Estados Unidos), embora aposentado naquela época, frequentemente me pedia para informá-lo sobre o fenômeno OVNI e selecionar para ele material sobre o assunto - uma tarefa assustadora para um funcionário do governo de nível médio. Ele era particularmente franco sobre o caso da Floresta de Rendlesham e sentia fortemente que a linha do MoD sobre o incidente (que os eventos “não tinham significância defensiva”) era inteiramente inaceitável e em desacordo com os fatos. Em uma carta que ele escreveu para o ministro da defesa do Reino Unido, da qual fez uma cópia para mim, o almirante resumia sua visão sobre o caso da seguinte maneira:


Minha posição tanto privada quanto publicamente, expressa nos últimos doze anos ou mais, é de que há apenas duas possibilidades: a. Uma intrusão em nosso espaço aéreo e pouso por aeronave não identificada ocorreu em Rendlesham, como descrito. Ou: b. O Vice-comandante de uma base aérea operacional, armada nuclearmente, dos Estados Unidos, na Inglaterra, e um grande número de seus alistados, estavam ou alucinando ou mentindo. Qualquer uma delas simplesmente tem de ser “do interesse do Ministério da Defesa”, o que tem sido repetidamente negado, precisamente nestes termos123. O PROJETO CONDIGNO Em 15 de maio de 2006, sob o Ato de Liberdade de Informação do Reino Unido, que é amplamente semelhante ao FOIA dos Estados Unidos, o Ministro da Defesa publicou um relatório anteriormente secreto sobre os OVNIs. Muitas informações sobre estes já tinham sido liberadas, tanto nos Arquivos Nacionais quanto no website do Ministério da Defesa, mas a liberação deste último estudo era diferente e totalmente sem precedentes. O estudo foi classificado como “Secreto. Somente para Leitura no Reino Unido” e apenas onze cópias do relatório foram feitas. Tinha mais de 460 páginas e recebeu o codinome de Projeto Condigno. O trabalho começou em 1996 e o relatório final não foi publicado até dezembro de 2000. Interessantemente, a escala de tempo é amplamente semelhante ao semioficial Relatório COMETA, da França, que foi iniciado em 1995 e liberado em 1999. Não havia qualquer ligação entre os dois projetos e a alta confidencialidade e extrema sensibilidade do estudo do Reino Unido impossibilitaram a ligação com qualquer outro país. O relatório representou uma tentativa de empreender um estudo científico próprio e em profundidade, que olharia todas as evidências que o MoD tinha acumulado em décadas, e chegar a uma visão definitiva sobre o fenômeno OVNI. O meu oposto no Staff da Inteligência de Defesa (DIS), que era meu principal contato no Staff e minha passagem para esta organização secreta, tinha discutido isso comigo pela primeira vez em 1993. Como eu, ele parecia intrigado com certos casos de OVNIs de nossos arquivos, e nossas discussões sobre a aerodinâmica e sistemas de propulsão dos objetos pareciam provenientes de um script de Jornada nas Estrelas. Nada era dito abertamente, mas, quando explicações convencionais para alguns dos mais convincentes casos de OVNIs eram eliminadas, dedos eram apontados sugestivamente para cima. E sempre que a questão de quem estava operando esses OVNIs era mencionada, a maravilhosa expressão “aquela gente” era usada. Esses encontros mais frequentemente eram privados, i.e, apenas nós dois, e ninguém anotava nada. Porém, em uma ocasião, meu chefe me acompanhou e sentou-se em silêncio na maior parte do que se tornou uma reunião particularmente surreal. “O que ele quis dizer com ‘aquela gente’?”, ele perguntou, de maneira exasperada, quando retornamos ao nosso próprio escritório. Mas como fazer um estudo comissionado, quando tantos de nossos colegas achavam que o MoD devia desistir completamente de suas investigações sobre OVNIs, como a Força Aérea


dos Estados Unidos tinha feito em 1969? Uma de nossas táticas era uma simples prestidigitação linguística: banimos o acrônimo “OVNI”. Uma menção a “OVNI” e os preconceitos e sistemas de crenças das pessoas afloram, sejam elas crentes ou céticas. O termo era muito emotivo e carregava muita bagagem. Assim, inventamos a expressão “fenômenos aéreos não identificados” (FANI) como substituta e tentamos usá-la em todos os documentos internos, empregando o termo OVNI apenas em nossas relações com o público. Funcionou. Com o termo OVNI tendo sido calmamente posto de lado, pressionamos para que o estudo fosse aprovado. Para minha surpresa e deleite, dada a existência de algumas vozes mais céticas no departamento, os recursos finalmente foram obtidos. Avaliei a proposta formal, quando ela chegou, e recomendei a meus chefes que o estudo fosse comissionado. Contra minha própria expectativa, minha recomendação foi aceita. Porém o projeto foi subsequentemente adiado e, em 1994, fui promovido e passei a trabalhar numa seção diferente. Portanto, não fiz parte desse estudo e certamente não sou - como tem sido declarado na Internet - seu autor anônimo. Assim, o que conseguimos? Após quatro anos e 460 páginas de análise, será que conseguimos resolver o mistério dos OVNIs? Bem, não, não conseguimos. O que conseguimos foi uma abrangente extração junto a alguma pesquisa existente, acompanhada de algumas novas teorias exóticas. “Que os FANIs existem é indiscutível”, estabelece o Resumo Executivo, antes de dizer que não foi encontrada nenhuma evidência que sugira que eles sejam “hostis ou estejam sob algum tipo de controle”. Mas, por sua própria admissão, o relatório não forneceu uma explicação definitiva do fenômeno: “O estudo não conseguiu fornecer a certeza da explicação de todos os FANIs”, diz ele, deixando a porta aberta. Um dos aspectos mais controversos relaciona-se com o que o relatório chama de “campos relacionados de plasma”. Plasmas atmosféricos eletricamente carregados receberam o crédito de terem originado alguns dos relatos de grandes aeronaves de forma triangular, enquanto a interação de tais campos de plasma com os lobos temporais do cérebro é citada como uma outra razão do porquê as pessoas sentirem que estão tendo uma experiência estranha. O problema é que não há consenso científico aqui, e não se deveria tentar explicar um fenômeno desconhecido citando evidência de outro. Em outras palavras, você não pode explicar um mistério com outro. O relatório também trata de questões de segurança de voo. Há numerosos avistamentos de OVNIs envolvendo pilotos, e a Autoridade da Aviação Civil (CAA) tem registros de alguns casos aterradores de quase disparo de mísseis entre aviões de caça e OVNIs. Em um desses casos, de 6 de janeiro de 1995, um OVNI chegou perigosamente perto de bater em um Boeing 737, com sessenta passageiros a bordo, em sua aproximação do aeroporto de Manchester. A CAA recomendou aos pilotos que relatassem o encontro com o OVNI. Contudo, o relatório oficial declara que tanto o grau de risco ao avião e as causas eram “incalculáveis”. Numerosos pilotos da RAF também têm visto OVNIs. Falei com muitas dessas testemunhas e nem todas fizeram um relatório oficial. O Projeto Condigno possui uma intrigante recomendação, quando chega à parte de tais encontros aéreos: “Nenhuma tentativa deve ser feita de manobrar melhor que um FANI durante a interceptação”124.


PÚBLICO INFORMADO... PÚBLICO NEGADO Quando me juntei ao MoD, em 1985, ele era uma organização fechada, com público e interface de mídia limitados. Mas o Ato de Liberdade de Informação (FOI A) do Reino Unido entrou plenamente em vigor em 2005, e o departamento, que deixei em 2006, depois de uma carreira de vinte e um anos, ficou virtualmente irreconhecível, diferente daquele que conheci, quando lá comecei mais de duas décadas atrás. A seção onde trabalhei estava agora tão ocupada lidando com os pedidos de FOI, que isso tinha passado a ter precedência sobre a pesquisa e investigação, que era feita na minha época. Poucos avistamentos de OVNIs foram investigados em qualquer sentido que a palavra tenha, e a maioria dos avistamentos suscitou pouco mais do que uma carta padrão. Se a testemunha era um piloto comercial ou oficial militar, o incidente era pelo menos investigado, mas não na extensão que anteriormente se investigava. Em 2007, a carga de trabalho envolvia lidar com os pedidos de FOI sobre OVNIs em uma base de caso a caso, o que estava se tornando intolerável e sei que o pessoal estava ficando cada vez mais frustrado. Portanto, devido a esta carga administrativa, o MoD decidiu proativamente liberar todo o seu arquivo sobre OVNIs. O governo francês tinha feito isso em 2007 e os funcionários do MoD e os Arquivos Nacionais esperavam que essa seria uma boa notícia sobre a abertura do governo e liberdade de informação. O MoD me confirmou, em dezembro de 2007, que a decisão final tinha sido tomada e eu revelei devidamente a história na mídia. Os 160 arquivos, alguns dos quais contendo centenas de páginas de documentos, abrangiam ao todo dezenas de milhares de páginas. Cada página tem de ser considerada quanto à redação, para assegurar que as informações confidenciais e dados pessoais não sejam liberados. O primeiro lote de oito arquivos foi liberado em 14 de maio de 2008, e em um mês houve cerca de dois milhões de downloads do website dos Arquivos Nacionais. Até agora, muitos dos avistamentos de OVNIs são mundanos, mas há alguns relatos extraordinários de pilotos militares e civis e avistamentos corroborados por evidência de radar. Espera-se que o programa de liberação esteja completo em 2011. O MoD estava no meio de seu programa de liberação dos arquivos sobre OVNIs, quando tomou a decisão, em dezembro de 2009, de fechar seu escritório que recebia os relatos do púbico - o bem conhecido “balcão OVNI” - para o desapontamento de muitos. Fiquei surpreso por não ter havido nenhum anúncio no Parlamento e nenhuma consulta pública sobre a mudança de política, o que acabou com toda a correspondência com o público britânico sobre os avistamentos de OVNIs. Em vez disso, a notícia estava vazando de maneira a não atrair a atenção, através de uma emenda em um documento já existente, “Como Relatar um avistamento de OVNI”, na seção de Liberdade de Informação do website do MoD. O novo texto afirmava que “em mais de cinquenta anos, nenhum relato de OVNI revelou qualquer evidência de ameaça potencial ao Reino Unido” e continuou a dizer que “o MoD não mais responderia aos avistamentos de OVNIs, nem os investigaria.” Diante disso, parece que o projeto OVNI do MoD foi encerrado, espelhando o que tinha acontecido ao Projeto Livro Azul, nos Estados Unidos. Mas a real situação era sutilmente diferente. Um porta-voz do MoD disse à imprensa que “qualquer ameaça legítima ao espaço


aéreo do Reino Unido será seguida por nossas verificações de radar 24/7 e tratada pelos aviões de caça da RAF”125. Isso confirmou o que eu já sabia: atrás de portas fechadas, longe do escrutínio público, os avistamentos de OVNIs realmente interessantes não seriam ignorados. Avistamentos feitos por policiais, OVNIs testemunhados por pilotos civis ou militares, objetos não relacionados seguidos pelo radar - todas essas coisas continuariam a ser observadas, embora fora de um projeto OVNI formalmente constituído. Isso não seria surpresa. Afinal, onde a evidência sugere que o espaço aéreo do Reino Unido foi penetrado por um objeto não identificado precisa haver automaticamente um interesse defensivo. Pensar e agir a partir de uma posição de indiferença só porque o objeto intruso é uma aeronave não convencional seria perigoso. Como muitos países, a Bretanha permanece vulnerável à espionagem e a ataques terroristas. E se o “OVNI” se transformar em um protótipo de avião espião ou zangão? E se for um avião sequestrado com seu transponder desligado, como vimos em 11 de setembro? Dada a segurança climática atual, esta não é a hora de tirarmos os olhos da bola, simplesmente por causa da bagagem associada ao termo “OVNI”. Tenho sentimentos confusos em relação a este recente e controverso desenvolvimento. Por um lado, afastar o público parece um retrocesso em termos de responsabilidade e governo aberto e talvez até paternalismo. Por outro lado, os avistamentos de OVNIs no Reino Unido estiveram em alta nos últimos dez anos e o MoD estava recebendo mais pedidos FOI sobre OVNIs do que sobre qualquer outro assunto. Separar-se disso e concentrar-se nos avistamentos feitos por pilotos e em objetos não relacionados pegos pelo radar pode representar nossa melhor chance de fazer progressos em nossa investigação do fenômeno OVNI. A realidade é que os OVNIs ainda não foram levados a sério e investigados. Ainda são tratados como algo de potencial significado defensivo, mas, infelizmente, agora o público em geral não será necessariamente mantido informado sobre estes casos mais importantes de OVNIs. Enquanto o MoD tem se mantido, sem necessidade, na defensiva no que se refere aos OVNIs, procurando constantemente subestimar o assunto e o envolvimento do departamento, não tenho visto evidência que sugira a existência de uma conspiração para abafar alguma verdade sinistra sobre os OVNIs. A maioria dos avistamentos é má identificação de objetos comuns e fenômenos naturais. Mas há evidências convincentes nos arquivos do MoD e nos arquivos de outros países que demonstram que alguns OVNIs não podem ser explicados em termos convencionais. Enquanto não houver alguém com uma explicação definitiva para o fenômeno OVNI, minha pesquisa e investigações demonstram que não apenas eles existem, mas que suscitam questões importantes sobre segurança aérea e nacional. Apesar da natureza extraordinária de alguns materiais deste capítulo, tudo o que escrevi pode ser verificado por referência aos documentos disponíveis nos Arquivos Nacionais ou no website do MoD. Porém, as pessoas frequentemente me pedem para ir além dos fatos e entrar nos domínios da especulação. Sem considerar o que eu sei, o que é eu acho? Em que eu acredito? Quanto o meu trabalho oficial sobre o fenômeno OVNI me afetou? Vinte e um anos de trabalho para o governo ensinaram-me a escolher cuidadosamente as palavras. Em termos de minha visão do mundo, meu trabalho sobre os OVNIs teve um profundo efeito. Antes de começar minha pesquisa e investigações oficiais, eu sabia pouco sobre OVNIs e não tinha qualquer crença particular sobre o fenômeno. Depois, senti que meus olhos e minha


mente tinham sido abertos para um mundo que anteriormente tinha ignorado. Certamente havia mais em relação ao fenômeno do que má identificação ou fraude. E os 5% mais ou menos de avistamentos que desafiam as explicações convencionais? Algum deles poderia ser atribuído a algo exótico ou até extraterrestre? Muitos cientistas agora acreditam que deve haver vida em outros lugares do universo. Se há civilizações em um raio de 100 anos-luz da Terra, a Matriz de Quilômetros Quadrados, o mais poderoso radiotelescópio do mundo, que deverá ficar pronto em 2024, deverá ser capaz de detectá-las. Será que poderíamos estar sendo visitados por alguma civilização extraterrestre? Vários de meus colegas no MoD, nas Forças Armadas e na Inteligência acreditavam que sim, e eu certamente não posso descartar a possibilidade. Se apenas um OVNI acabar sendo uma nave espacial extraterrestre, as implicações são incalculáveis.


CAPITULO 18 - O Extraordinário Incidente na Floresta de Rendlesham Pelo Sargento James Penniston (aposentado) da Força Aérea Americana e pelo Coronel Charles Halt (aposentado), da Força Aérea Americana

I. SARGENTO JAMES PENNISTON Em 1980, quando eu tinha vinte e cinco anos, fui designado para a maior ala tática de combate da Força Aérea, no complexo Bentwaters/Woodbridge da RAF, na Inglaterra. Eu era o oficial sênior de segurança, responsável pela segurança da base de Woodbridge. Naquela época, eu tinha uma autorização top-secret de segurança dos Estados Unidos e da OTAN e era responsável pela proteção dos recursos de guerra da base. Pouco depois da meia-noite da noite de Natal - a madrugada de 26 de dezembro de 1980 o Sargento Steffens relatou-me que algumas luzes tinham sido vistas na Floresta de Rendlesham, exatamente do lado de fora da base. Ele me informou que o que quer que fosse, não tinha caído... Tinha pousado. Dei o desconto do que ele havia dito e relatei ao centro de controle, ao voltar para a base, que tínhamos a possível queda de uma aeronave. Então, pedi aos aviadores de Primeira Classe Edward Cabansag e John F. Burroughs para irem comigo até lá. Quando chegamos perto do local suspeito da queda, rapidamente ficou aparente que não estávamos lidando com um avião caído ou qualquer outra coisa. Havia uma luz brilhante emanando de um objeto no chão da floresta. Conforme nos aproximamos, apareceu em nosso campo de visão um objeto de silhueta triangular, com cerca de 3 metros de comprimento por 2 de altura. Estava totalmente intacto, pousado em uma pequena clareira dentro da floresta. Conforme nos aproximávamos do objeto, nossos rádios começaram a apresentar problemas. Então, pedi a Cabansag para ficar mais para trás e retransmitir de volta ao Controle de Segurança Central (CSC) as transmissões, enquanto eu e Burroughs prosseguíamos em direção ao objeto. Inicialmente, fiquei confuso, sem compreender o que estava vendo. Isso era realmente inacreditável. Depois, o medo me atingiu, mas disse a mim mesmo que tinha de permanecer focado. Isso era uma ameaça para nós e para a base? Eu tinha de determinar isso em primeiro lugar. Quando chegamos perto do objeto de forma triangular, havia luzes azuis e amarelas girando ao redor da parte externa da superfície e o ar ao nosso redor estava eletricamente carregado. Podíamos sentir isso em nossas roupas, pele e cabelo. Parecia eletricidade estática, que faz os seus pelos ficarem em pé e dançarem em sua pele. Mas não havia som nenhum vindo do objeto. Nada em meu treinamento me preparou para o que estávamos testemunhando. Não era nenhum tipo de aeronave que eu já tivesse visto antes. Depois de dez minutos sem qualquer agressão aparente, determinei que não era hostil à minha equipe e decidi me aproximar mais. Seguindo o protocolo de segurança, realizamos uma completa investigação, incluindo um exame físico total do objeto. Depois de andar ao redor dele, a admiração e o espanto me oprimiram. Todo o medo se foi. Durante esse processo, tirei fotografias, fiz anotações e enviei mensagens, através do aviador Cabansag, para o CSC, seguindo os procedimentos necessários. Os sentimentos que tive durante esse encontro não se


pareciam com nada que eu já tivesse sentido antes. Em um dos lados do objeto havia símbolos que tinham cerca de 7,5 cm de altura e 75 cm de um lado a outro. Esses símbolos eram pictóricos; o maior deles era um triângulo, que estava centralizado no meio dos outros. Estavam gravados na superfície. Coloquei minha mão sobre o objeto e ele era quente ao toque. A superfície era lisa como vidro, mas tinha uma qualidade de metal e eu senti uma baixa voltagem constante percorrendo minha mão e se movendo para o meio de meu antebraço.

Depois de aproximadamente 45 minutos, a luz do objeto começou a se intensificar. Burroughs e eu, então, assumimos uma posição defensiva longe dele, conforme ele se elevava do chão, sem produzir qualquer ruído ou perturbação do ar. Ele manobrou entre as árvores e disparou a uma velocidade incrível. Sumiu num piscar de olhos. Em meu bloco de anotações, que sempre carrego comigo, escrevi: “Velocidade Impossível”. Subsequentemente descobri que outras pessoas da base em Bentwaters/Woodbridge, todos observadores treinados, tinham testemunhado a decolagem.


Naquele momento, soube que a tecnologia desse objeto era, de longe, muito mais avançada do que jamais conseguiríamos produzir. Quando ele decolou, senti-me sozinho, sabendo agora o que eu e John sabíamos. Repentinamente, não houve mais dúvidas. Compreendi, com 100% de certeza, que éramos parte de uma comunidade maior, que estava além dos confins de nosso planeta.


Após retornar ao CSC, fizemos o informe e, então, fomos aconselhados a retornar ao local de pouso à luz do dia, para procurar evidências físicas. Depois de guardarmos nossas armas, Burroughs e eu voltamos ao local e descobrimos ramos quebrados espalhados no chão. Parecia que tinham sido forçados para baixo, quando o objeto pousou. Havia marcas de chamuscamento nas árvores de frente para o local. Mas, o mais importante, descobrimos três mossas no solo, marcas deixadas pelo trem de pouso do OVNI nos três cantos do triângulo. Fiquei aliviado por encontrar a prova de que tinha realmente acontecido. Tirei fotos do local de pouso e, junto com aquelas que eu tinha tirado do objeto, levei o filme para o laboratório da base. Depois de deixar Burroughs em casa, voltei sozinho para o local e fiz moldes de gesso das três mossas deixadas no solo pelo objeto. A informação adquirida durante a investigação foi relatada, através dos canais militares, e disseram à minha equipe e outras testemunhas para tratar a investigação como altamente confidencial. Nenhuma discussão posterior foi permitida. Fomos interrogados pelo Primeiro Tenente Frecl Buran, comandante de plantão do CSC; pelo Sargento J. D. Chandler, chefe de voo; e pelo comandante do turno do dia Capitão Mike Verano. Nos dias seguintes, entrevistas adicionais foram conduzidas pelo Coronel Charles Halt e, depois, pelo Escritório de


Investigações Oficiais da Força Aérea (AFOSI). Este foi um tempo verdadeiramente difícil para mim, pois estava em choque pelo que eu tinha testemunhado. Voltei ao laboratório fotográfico da base, já que fui um dos que preencheram a ordem de serviço para a revelação dos dois rolos de filme de 36 mm usados para fotografar o objeto e local de pouso. Disseram-me que as fotos tinham sido aparentemente superexpostas ou veladas e que nenhuma delas deu certo. Porém o Sargento Sênior Ray Gulyas tirou seis fotos do local, 48 horas depois do evento, que ele revelou fora da base e que subsistiram; duas delas mostram um policial britânico e o Capitão Verano examinando o local, e as três mossas estão claramente demarcadas por varetas na vertical. Ainda não estou certo sobre tudo o que pode ter acontecido durante aquela noite de 1980. Esse evento e suas implicações ainda têm grande peso sobre mim. Quando todas as peças do quebra-cabeça estiverem finalmente reunidas, então, esperançosamente, conseguiremos montar o quadro. Até lá, continuarei tentando encontrar respostas para as muitas perguntas que ficaram. II. CORONEL CHARLES I. HALT Em 1980, eu era o vice-comandante da base de Bentwaters da RAF, o maior complexo de bases gêmeas, na Inglaterra. Como tal, meu trabalho é fornecer apoio e backup para o comandante da base e agir como comandante em sua ausência. No final de dezembro de 1980, fui chamado para investigar um estranho evento, que estava distraindo nossa polícia de segurança de seus deveres básicos. Logo depois da meia-noite e na madrugada de 26 de dezembro de 1980, os patrulheiros de nossa polícia descobriram estranhas luzes na floresta a leste do portão traseiro da base Woodbridge da RAF. Os patrulheiros - Sargento John Penniston e os aviadores de Primeira Classe John Burroughs e Edward Cabansag - foram despachados para a floresta, para investigar. Eles relataram a descoberta de um estranho objeto triangular, pousado em três pernas. O objeto tinha cerca de 3 metros de cada lado, com múltiplas luzes. Ele manobrou rapidamente e deixou a área. Não fiquei sabendo imediatamente dos detalhes; contaram-me somente a respeito das estranhas luzes, e assumi que havia uma explicação razoável. Duas noites depois, a festa de Natal para as famílias do dia 27 foi interrompida por um comandante de polícia. Ele falou dos estranhos eventos e afirmou que “ele” tinha voltado. Uma vez que meu chefe tinha de fazer premiações, fui encarregado de ir até lá e investigar. Eu esperava encontrar uma explicação. Peguei meu gravador de bolso e uma fita k-7 e levei comigo mais quatro pessoas para a floresta: Bruce Englund (comandante de voo), Bobby Bali (superintendente de voo), Monroe Nevilles (NCO preparação para desastres) e um jovem policial de segurança, Adrian Bustzina. John Burroughs, que tinha testemunhado o evento duas noites antes com James Penniston e que estava de folga, pegou uma carona para fora e ficou me chamando em um rádio emprestado. Nem ele e nenhum dos outros policiais de segurança (pelo menos quinze ou vinte) tiveram permissão de ultrapassar a estrada de serviço na floresta, onde os caminhões e os “ilumina-tudo” - sistemas portáteis de iluminação gerada por motores - estavam estacionados. Fiquei realmente aborrecido por ter tantos policiais fora da floresta. Era o pesadelo das


relações públicas apenas esperando para acontecer. Fomos para o local onde alguma coisa tinha pousado e encontramos as três mossas de 5 cm de profundidade e 30 cm de diâmetro no solo, num padrão triangular. Fizemos leituras e descobrimos uma radiação suave e evidência física, incluindo um buraco na copa de uma árvore e ramos quebrados. Havia abrasões nas laterais das árvores que estavam de frente para o local do pouso. Enquanto documentava esse exame falando em meu gravador, notei alguns sons bens estranhos, que eu pensei que eram dos animais no celeiro de uma fazenda próxima. “Eles estão muito, muito agitados, fazendo um barulho horroroso”, registrei no gravador. Apenas alguns segundos depois, um de meus homens observou primeiro um brilhante objeto oval vermelho alaranjado com um centro negro na floresta. Lembrou-me um olho e parecia estar piscando. Manobrou horizontalmente por entre as árvores, com ocasionais movimentos verticais, ziguezagueando ao redor dos troncos, como se estivesse sob controle inteligente. Eis um resumo de minha gravação, conforme eu assistia isso, com alguma agitação: Ten. Coronel Halt: Nós quase esbarramos na primeira luz que vimos. Estamos a cerca de 130 a 160 metros do local. Tudo o mais está mortamente calmo. Não há dúvidas sobre ela; há alguma estranha espécie de luz vermelha cintilando à frente. Sgt. Nevilles: Sim, é amarela. H: Eu vi um tom de amarelo nela também. Estranho. Parece estar vindo um pouco por este caminho? Nevilles: Sim, senhor. H: Está mais brilhante do que antes... Está vindo por aqui. Definitivamente está vindo por aqui. Sgt. Ball: Pedaços estão sendo disparados! H: Pedaços dele estão sendo disparados. Sgt Ball: Aproximadamente à frente. H: Não há dívidas sobre ele - isso é estranho! Quando nos aproximamos, ele retrocedeu silenciosamente para o campo aberto a leste. Ficamos olhando espantados por um ou dois minutos. Registrei mais no gravador: H: Estranho. Partiu novamente. Vamos nos aproximar da margem da floresta naquele ponto. Podemos fazer isso sem as luzes? Vamos fazer cuidadosamente. Vamos... O.K., estamos olhando para a coisa. Estamos provavelmente a cerca de trezentos metros de distância. Ela parece um olho piscando para você; está ainda se movendo de um lado para o outro e quando ajustamos o binóculo nele, uma espécie de centro vazio, um centro escuro, é... Ten. Englund: É como uma pupila... H: É como a pupila de um olho, olhando para você, piscando... E o lampejo é tão brilhante no binóculo, que quase queima o seu olho. O reflexo do objeto tremeluziu brilhantemente, através do pasto, na janela de uma casa de


fazenda, cuja lateral estava de frente para nós, e eu fiquei preocupado com a segurança dos moradores. Podíamos ver o farol de Orford Ness mais distante à direita e, a uns dois quilômetros de distância, o outro lado da casa da fazenda, durante todo o evento. Repentinamente, o objeto explodiu em cinco luzes brancas que rapidamente desapareceram. Então, observamos vários objetos com múltiplas luzes vermelhas, verdes e azuis no céu ao norte, que mudavam de forma, indo da elíptica até a redonda, e se moviam rapidamente em ângulos agudos. Vários outros objetos eram vistos ao sul e se aproximou em alta velocidade e depois parou quase acima de nossas cabeças. Ele enviou para baixo um raio branco concentrado - um fino e denso raio, como um laser - muito perto de onde eu estava parado. Ele iluminou o solo a cerca de 3 metros de nós, que simplesmente ficamos ali, imaginando se isso era um sinal, algum tipo de comunicação ou, talvez, um aviso. Realmente não sabíamos. O raio se apagou e o objeto retrocedeu de volta para o céu. Eu relatei isso, mais uma vez, em meu gravador de bolso. Um outro objeto também enviou raios para baixo, naquela noite, perto ou na área de armazenagem de armas. Eu estava a vários quilômetros de distância, mas pude ver alguns raios e eles foram relatados pelo rádio daquele lugar. Depois, outras pessoas da área de armazenagem me disseram ter visto os raios. Isso me deixou muito preocupado. O que ele estava fazendo ali? O tempo todo tínhamos dificuldades de comunicação com a base, pois todas as três frequências de rádio - comando, segurança e execução legal - ficavam picotando. Essa atividade continuou por cerca de uma hora. Durante todo esse evento, registrei no gravador os vários avistamentos, conforme surgiam, e registrei cerca de dezoito minutos de informação. No dia seguinte ao incidente, corri para o Coronel Gordon Williams, Comandante de Ala da 81° Ala de Combate Tático, na base de Bentwaters da RAF, no hall de entrada comum. Ele tinha ouvido minhas transmissões de rádio na noite anterior e eu liguei o gravador para ele ouvir. Ele me pediu o gravador emprestado e o levou para a reunião de staff da Força Aérea, onde todo o pessoal ouviu, bem como o seu chefe, o General Robert Bazley. Williams me disse que ninguém, naquela reunião, teve qualquer ideia e permaneceram todos em silêncio. Mas ele me instruiu para entrar em contato com o oficial de ligação da RAF, Don Moreland, para dizer que, uma vez que isso tinha acontecido fora da base, o General Bazley tinha declarado que era “um assunto britânico”. Aconteceu que Don estava de férias, mas quando retornou, ele me pediu para preencher um memorando (a sua ausência explica a demora na data do documento). Escrevi os detalhes em meu memorando de 13 de janeiro de 1981, “Luzes Inexplicadas”, e uma cópia foi enviada para o Ministro da Defesa britânico e para a 3a Força Aérea. O memorando descrevia o avistamento de Penniston e dos dois patrulheiros de um objeto triangular pousado no solo, bem como as depressões e outras evidências físicas que encontramos no local de pouso. Descrevia também as várias luzes e objetos que eu e várias outras pessoas testemunhamos subsequentemente. Algum tempo depois, meu novo chefe encontrou minha gravação e, sem que eu soubesse, começou a apresentá-la em festas e coquetéis. Isso acabou vazando e um pesquisador americano começou a cavar, para obter mais informações. Em 1983, recebi uma ligação de Pete Bent, na qualidade de Comandante da 3a Força Aérea, que me disse que esse memorando estava para ser liberado sob o Ato de Liberdade de Informação. Eu conhecia Pete e pedi-lhe


para queimá-lo, destruí-lo, e lhe disse que a minha vida e a dele nunca mais seriam as mesmas por causa do que aconteceria se ele fosse liberado. Ele disse que muitas pessoas conheciam as declarações e que, então, ele não tinha escolha. Em outubro de 1983, meus piores medos se concretizaram. O popular tabloide britânico News of the World publicou uma enorme manchete com a história em sua primeira página. Os repórteres estavam enxameando a base à procura do autor do memorando. Felizmente, eu já estava voando para os Estados Unidos naquela época, mas isso foi apenas o começo. Em 1984, a gravação também se tornou pública. A gravação original me foi devolvida e tenho também o gravador de bolso utilizado naquela noite. Se o memorando não tivesse sido liberado, eu teria continuado em silêncio. Essa experiência não é algo que eu queira falar publicamente. Por outro lado, ninguém nunca tentou me influenciar para não fazer isso. Quando recebi minhas instruções finais antes de deixar a Força Aérea, isso nem mesmo foi mencionado. Assim, perguntei se poderia falar sobre o caso e me foi dada permissão, como se realmente não importasse. Ao longo dos anos, tenho ouvido privadamente muitas outras testemunhas. O operador de torre da área de armazenagem de armas e um funcionário de comunicações, que trabalhava na mesma torre, disseram-me que viram um objeto que entrou na floresta perto da base de Woodbridge. Os operadores da torre de controle de tráfego aéreo, em Bentwaters, também viram um objeto e observaram algo cruzar suas telas de radar em velocidade extremamente alta, acima de 3000 a 4000 km/h - o monitor do radar registrou um risco em oposição à série usual de bips, mesmo para os aviões mais rápidos. Outras testemunhas estão se apresentando agora com relatos semelhantes. Todas tinham sido advertidas para não falar por alguém superior na cadeia de comando, ou tinham medo de falar naquela época por várias outras razões. Muitos ficaram imaginando quanto o governo dos Estados Unidos poderia saber sobre o incidente da Floresta de Bentlesham. Ao longo dos anos, ficou claro para mim que agentes do Escritório de Investigações Espaciais (OSI), o principal serviço de investigação da Força Aérea, esteve na base e secretamente investigou o caso nos dias que se seguiram. O incidente deixou todo mundo muito nervoso. Oficiais de alta patente queriam ficar de fora dele e o OSI queria ter sob controle todos os envolvidos. Os agentes do OSI interrogaram rigorosamente cinco jovens aviadores, alguns deles em choque naquela época, que eram testemunhas-chave. Esses homens relataram depois que os agentes lhes disseram para não falar sobre os eventos, senão suas carreiras estariam em risco. Drogas tais como o sódio pentotal, frequentemente chamada de “soro da verdade” quando usada com algum tipo de lavagem cerebral ou hipnose, foram administradas durante esses interrogatórios, e a coisa toda teve efeitos prejudiciais, e duradouros, sobre os homens envolvidos. Outras testemunhas podem ter sido expostas a altas doses de radiação do objeto pousado. Algumas tiveram problemas de saúde e lutam com problemas pessoais até hoje. A repressão, pelo OSI, não é incomum entre os militares, mas ninguém envolvido jamais admitiu isso. O comandante do OSI para Bentwaters me disse, então, que eles não estavam investigando. Outros relataram uma história diferente. Aposentei-me da Força Aérea Americana em 1991, como coronel. Essa publicidade não foi exatamente um reforço de carreira. Contudo, consegui me tornar o comandante da base em


duas grandes instalações e, na época de minha aposentadoria, era diretor do diretório de inspeções do Escritório de Inspeção Geral do DoD. Nessa posição, fazia a supervisão de inspeção de todos os serviços militares e agências de defesa. Ainda não tenho ideia do que vi naquela noite. Deve ter sido alguma coisa além de nossa tecnologia, a julgar pela velocidade dos objetos, o modo como se moviam e os ângulos em que viravam, e outras coisas que eles fizeram. Eu sei de uma coisa, sem qualquer dúvida: esses objetos estavam sob controle inteligente.


CAPITULO 19 - Chile: Casos Aeronáuticos e a Resposta Oficial Pelo General Ricardo Bermúdez Sanhueza (aposentado), da Força Aérea Chilena, e pelo Capitão Rodrigo Bravo Garrido, da Aviação do Exército do Chile Junto com as nações europeias ocidentais, a América do Sul também desempenhou um papel principal no estabelecimento de novas agências para investigar os OVNIs, e estes esforços reuniram algum ímpeto nessa parte do mundo. O Peru estabeleceu seu Escritório para a Investigação de Atividade Anômala, da Força Aérea, conhecido como OIFFA126, em 2001, basicamente preocupado com a segurança das operações de voo. E o governo peruano deu outro passo importante cerca de dois anos depois. A Força Aérea publicamente relatou suas investigações de uma série de avistamentos, gravados em vídeo, na remota área de Chulucanas, afirmando que, o que quer que fosse, era fisicamente real, mas não podia ser explicado127. Anunciado, em fevereiro de 2003, pelo Coronel José Raffo Moloche, da Força Aérea Peruana, o reconhecimento oficial da existência dos OVNIs nunca fora providenciado publicamente antes pelo governo peruano, de modo que este foi um avanço importante. O Comandante Julio Chamorro, fundador e primeiro diretor da OIFFA, tinha sido previamente designado para a base aérea de La Joya e foi testemunha do incidente envolvendo Oscar Santa Maria Huertas, em 1980, quando a base foi colocada em alerta. Ele me disse que o Peru fundou sua agência da Força Aérea porque “estes eventos anômalos ocorriam com frequência suficiente sobre o território nacional para criar perigo, e nós reconhecemos que precisam ser levados a sério”. Chamorro diz que, como diretor do OIFFA, tinha abordado a Embaixada americana em várias ocasiões, para discutir a situação, com o propósito de pedir assistência, mas nunca recebeu resposta. “Não conseguimos qualquer ajuda dos americanos para lidar com este problema”, diz ele A Força Aérea uruguaia, que tem sido ativa nas investigações de OVNIs durante décadas, liberou seus arquivos sobre OVNIs em 2009, e tornou-os públicos, incluindo registros de quarenta casos que permanecem inexplicados, alguns deles envolvendo pilotos militares. “O fenômeno OVNI existe e preciso enfatizar que a Força Aérea não descarta uma hipótese extraterrestre, baseada em nossa análise científica”, disse o Coronel Ariel Sánchez naquela época, um oficial com trinta e três anos de serviço ativo, que preside uma comissão da Força Aérea para estudar os casos128. O Chile estabeleceu uma agência em seu departamento de aviação civil, o equivalente ao FAA americano, em 1997, para investigar casos de OVNIs que afetavam a segurança da aviação. O CEFAA129 foi fundado e dirigido pelo General Ricardo Bermúdez e logo desenvolveu uma relação com o ramo da aviação do Exército chileno, em 2002. O General Bermúdez preparou um curso em nível de graduação em FANI para a Universidade de Ciência e Tecnologia, em Santiago, “designado para fornecer aos estudantes as ferramentas necessárias para distinguir o que é real e o que é ficção em relação aos OVNIs”, como ele o descreve. O curso foi montado para incluir uma ampla gama de palestras de outros professores de campos relacionados, tais como astronomia, física espacial e astronáutica. Em janeiro de 2010, o General Bermúdez foi redesignado como chefe do CEFAA, em uma


cerimônia elaborada presidida pelo diretor geral da aviação civil. Representantes das Forças Armadas, da polícia (carabineros) e comunidades acadêmicas e de pesquisa de todo o Chile compareceram, e o evento foi coberto pela mídia. “Foi uma bela cerimônia, que teve o total apoio das autoridades”, escreveu Bermúdez em um e-mail130. I . GENERAL RICARDO BERMÚDEZ SANHUEZA Nos últimos dias de março131 e início de abril de 1997, vários fenômenos aéreos anômalos foram observados sobre a cidade de Arica, no norte distante do Chile. Por dois dias consecutivos, luzes foram vistas a oeste da cidade e do aeroporto, alarmando as pessoas da região. Luzes também foram vistas sobre o mar, aparentemente se movendo de forma coordenada. Além dos membros da população civil, outras testemunhas incluíam funcionários civis e militares especialistas em aeronáutica do aeroporto Chacalluta, o aeroporto daquela cidade. A notícia percorreu a imprensa e o Departamento Ministerial de Aeronáutica Civil, DGAC, deu uma declaração pública, reconhecendo e confirmando tais observações. Esta foi a primeira vez que o governo chileno tinha reconhecido publicamente a existência de objetos não identificados no espaço aéreo nacional. Dado o grande destaque do caso e o forte interesse público no assunto, e as discussões que já tinham ocorrido dentro da Força Aérea sobre falar do assunto OVNI, o General Gonzalo Miranda, diretor do DGAC, ordenou a criação de um comitê para estudar fenômenos aéreos anômalos. Este grupo, o CEFAA, ficou encarregado de compilar, analisar e estudar cada incidente envolvendo os fenômenos aéreos observados por pessoas da aeronáutica, civis ou militares. Os trabalhos foram iniciados em 3 de outubro de 1997. Fui o responsável pelo CFAA de 1998 a 2002. Como diretor da Escola Técnica da Aeronáutica, tinha outros importantes postos educacionais na Força Aérea, tais como diretor da Escola de Engenharia e vice-diretor da Escola de Aviação. Tinha sido um investigador ativo de fenômenos não identificados, especialmente quando servi como adido de aviação, na Inglaterra. Foi durante essa atribuição que cheguei à conclusão de que havia alguma coisa acontecendo nos céus do mundo e que não sabíamos o que era. Minha posição como diretor do CFAA exigiu que eu mantivesse uma visão científica sobre este tópico, mas também significava que eu desejava considerar qualquer hipótese sobre a origem e a natureza desses fenômenos. Meus deveres eram, entre outros, chefiar sessões regulares do staff e membros do grupo, para guiar os esforços de pesquisa e fornecer a estrutura logística para implementação desses esforços. Além disso, promovi a cooperação com a universidade e organizações científicas, tanto nacionais quanto estrangeiras. Isso incluiu trabalhar com o Dr. Richard Haines e o NARCAP, e com o GEIPAN do governo francês. Todos os dias eu verificava o progresso dessas várias investigações e supervisionava o plano de seus procedimentos. Às vezes, eu mesmo fazia uma pesquisa e me envolvia ativamente com as investigações de casos. Como a FAA americana, o mandato legal do DGAC é administrar o espaço aéreo nacional e assegurar a segurança de todas as operações aéreas civis, militares e comerciais. Para o CEFAA, trabalhando com a mesma autoridade, a segurança da aviação de voos comerciais é a prioridade. Operações aéreas exigem preparação e execução cuidadosas, sem qualquer


elemento de distração para os pilotos. O avistamento de um fenômeno desconhecido é certamente uma grande distração, que poderia afetar tanto a tripulação do avião, quanto o pessoal do tráfego aéreo na torre de controle. Potencialmente, ele poderia sobrecarregar as comunicações de rádio tanto de pilotos quanto dos controladores do tráfego aéreo, se os operadores estiverem focados em fenômenos bizarros, transmitindo detalhes e perguntas, um fato que deveria preocupar os oficiais de qualquer país. A política do CEFAA é analisar casos sólidos com dados científicos adequados, mas somente se houver uma indicação de que a segurança do avião poderia ter estado em risco. Como diretor, afirmei desde o começo que CEFAA está comprometido com a cooperação internacional pelas seguintes razões: • Compartilhar informação relevante e novos achados. • Fornecer um incentivo para as universidades e organizações científicas para trabalharem com

isso em equipes multidisciplinares dos vários ramos da ciência. • Marginalizar charlatães e pseudo-investigadores e denunciar fraudes. • Ter um método uniforme de processos investigativos e de análise. • Coordenar recomendações para operadores de controle de tráfego, quando houver riscos de efeitos eletromagnéticos ou outros prejuízos nos instrumentos a bordo dos aviões. O Chile, indubitavelmente, deu um grande passo na investigação de fenômenos aéreos anômalos. E exatamente como a Força Aérea chilena foi uma das primeiras a ser criada no mundo, é também histórico que sejamos um dos primeiros a oficialmente reconhecer estes fenômenos e a instalar uma agência governamental especificamente para a investigação dos mesmos. A posição oficial do CEFAA tem sido sempre reconhecer que algo está acontecendo em nossos céus, mas nós, até agora, não sabemos o que é. Uma grande porcentagem dos relatos que recebemos foi confirmada como planetas, meteoritos ou fenômenos meteorológicos, ou não fornecem dados suficientes para uma análise. Ocasionalmente, somos incapazes de tomar uma decisão, porque as testemunhas se recusam a ser entrevistadas, ou não são dignas de crédito, ou até mesmo estão cometendo uma fraude. Algumas vezes, nossos pilotos ficam com medo do ridículo, embora esse problema tenha melhorado um pouco. De todos os casos que analisamos, cerca de 4% não têm explicação, significando que, usando todos os meios tecnológicos disponíveis, não conseguimos chegar a uma conclusão satisfatória. Acreditamos que há a possibilidade de que sejamos forçados a nos confrontar com uma interferência maior dos OVNIs no futuro, especialmente considerando a documentação de incidentes realizada por especialistas em outros países. Cremos ser da maior importância estar preparados. Oficialmente, o Chile não pediu diretamente a cooperação dos Estados Unidos. Porém, em abril de 1998, o CEFAA informou o oficial adjunto de aeronáutica, da Embaixada dos Estados Unidos no Chile, sobre nossa existência e mencionou o interesse do Chile em trabalhar com a agência apropriada dos Estados Unidos, para compartilhar experiências, políticas, procedimentos, etc., em relação a este tópico. Em julho de 2000, O CEFAA enviou à embaixada um documento pedindo para consultar o Pentágono se um avistamento


testemunhado por um grande número de pessoas ao longo da costa central do Chile, no mês de fevereiro anterior, tinha sido devido à atividade do Sistema Nacional de Defesa Antimíssil. Ambos os pedidos não receberam resposta. Para ser franco, não obtivemos qualquer resposta dos Estados Unidos em tempo nenhum em que tentamos obter sua cooperação. Agora, no início de 2010, estou retornando a meu posto como diretor do CEFAA. Temos três investigadores em tempo integral e muitos novos casos para estudar. Em resumo, estou convencido que os OVNIs existem e são uma realidade que não pode permanecer sem reconhecimento pelos governos. Os fenômenos são evidentes em todas as partes do mundo, e nenhum esforço para estudá-los deve ser negligenciado. Para se alcançar esse objetivo, a cooperação internacional é vital, para gerar padrões de protocolos e políticas para a análise de dados. Pessoalmente, segundo meu melhor julgamento, concordo com os achados do Relatório COMETA: há uma alta probabilidade de os OVNIs serem de origem extraterrestre. Porém, até que a hipótese possa ser confirmada ou refutada, devemos nos abster de cair nos domínios da filosofia ou da religião. Por outro lado, não podemos descartar tal hipótese, só porque pode parecer precipitada. Precisamos analisá-la rigorosa e cientificamente, para que possamos chegar a conclusões viáveis. O Capitão Bravo, de trinta e três anos, é o mais jovem de nossos contribuidores e o único atualmente em serviço ativo militar. Tive a oportunidade de passar alguns dias com ele no final de 2007, quando ele falou em nossa conferência de imprensa, com a permissão das autoridades chilenas. Embora o Capitão Bravo nunca tenha testemunhado um avistamento de OVNI, tornou-se um investigador meticuloso dos relatos de pilotos e uma autoridade sobre esse assunto em seu país. II. CAPITÃO RODRIGO BRAVO GARRIDO Desde o início da história chilena, tem havido relatos de fenômenos aéreos não identificados, algumas vezes chamados de OVNIs, em nossos céus. Ao longo dos anos, aumentamos nossa capacidade de explicar muitos dos avistamentos, mas continua a haver outros sem explicação científica ou lógica. Em 1997, uma análise de defesa foi conduzida na indústria das telecomunicações, que tocaram no assunto dos fenômenos anômalos e seus efeitos nos campos eletromagnéticos. Foram observados casos onde houve um bloqueio nas comunicações via rádio concorrente com a presença de um OVNI perto do avião. Reconhecendo o impacto potencial sobre a segurança da aviação, em outubro de 1997, o Departamento de Aviação Civil, que está sob a supervisão direta do comandante chefe da Força Aérea chilena, estabeleceu o Comitê para o Estudo de Fenômenos Aéreos Anômalos, conhecido como CEFAA. Em cooperação com especialistas da aviação, essa agência lida com relatos sólidos, bem documentados, de fenômenos aéreos não identificados. Em 2000, com vinte e quatro anos, eu estava em treinamento para me tornar piloto militar. Para minha tese, apresentada no ano seguinte, fui designado a fazer uma pesquisa sobre os fenômenos aéreos não identificados para determinar seus efeitos e impacto na segurança do espaço aéreo. O ramo da aviação do Exército do Chile132, tinha em seus arquivos muitos relatos de pilotos militares, descrevendo incidentes durante o voo, envolvendo fenômenos aéreos que


não correspondiam a tráfego aéreo normal. Estes incidentes colocaram uma ameaça potencial à segurança aérea. Um dos casos mais importantes da aviação civil ocorreu em 1988 e mostrou que objetos voadores não identificados podem ser um perigo para as operações aéreas. O piloto de um Boeing 737, na corrida de aproximação final ao Aeroporto Tepual, na cidade de Puerto Montt, ao sul de Santiago, repentinamente encontrou uma grande luz branca circundada de verde e vermelho. A luz estava se movendo em direção ao avião, vindo diretamente para ele, e o piloto teve de fazer um giro abrupto para a esquerda para evitar a colisão. O fenômeno também foi observado pelo pessoal da torre de controle. Mais recentemente, em 2000, a tripulação de um avião do exército chileno, voando ao sul de Santiago, observou um objeto longo, com forma de charuto, de uma cor cinza brilhante. Ele voou paralelamente ao lado direito do avião por dois minutos, muito perto dele, e depois desapareceu a uma velocidade extremamente alta, ao longo da costa montanhosa. Este objeto foi detectado pelo radar do centro de controle de Santiago, que notificou a tripulação minutos antes do incidente e confirmou as observações feitas pelo piloto. Aconteceu que o piloto desse avião era o diretor de estudos da aviação militar e era também meu instrutor de voo durante meu treinamento. Devido à minha ligação com ele, tive acesso ao relato inteiro desse incidente, preenchido dentro do meu departamento por todos os envolvidos e, posteriormente, investiguei o caso. Consegui entrevistar os outros pilotos, o engenheiro de voo, e os passageiros desse voo que também observaram o objeto. Nesse caso incomum, os membros da tripulação da aviação militar confirmaram a realidade do OVNI, através da observação cuidadosa e relato detalhado. Simultaneamente, o radar confirmou os movimentos do objeto. O caso aumentou o interesse oficial dos militares e do pessoal da aviação chilenos nos FANIs. De fato, esse evento significativo teve um grande efeito sobre as atitudes e opiniões de nossos pilotos militares. Foi por causa de meu envolvimento nesse caso essencial que pedi para estudar o tópico não convencional dos FANIs para me graduar em meu programa de treinamento como piloto. Depois de conduzir esta investigação, conclui, em minha tese, que os OVNIs são fisicamente reais e sua presença em nossos céus é concreta. Porém, as dificuldades surgem quando tentamos estudar seu comportamento, devido à complexidade dos fenômenos e à nossa incapacidade de prever eventos OVNIs. Percebi que a ampla variedade de formas, estruturas, cores e movimentos deles significam que podem compreender um fenômeno maior e mais generalizado do que temos entendido. Quando me tornei piloto, ouvi histórias sobre encontros com OVNIs e tornei-me consciente dos riscos que podem criar, dos possíveis perigos. No Chile, há um excelente treinamento em espaço aéreo fornecido para todos os tipos de emergências, mas não há nada escrito ou ensinado sobre OVNIs. Isso significa que quaisquer reações durante encontros com OVNIs são deixadas a critério dos pilotos e, naturalmente, terão de ser improvisadas na hora. Quando estava fazendo a pesquisa sobre FANI, um elo estabeleceu-se entre nosso BAVE e o CEFAA, e as duas agências trabalharam juntas para compartilhar informação e cooperar nos casos. Nossa análise objetiva e o sério respeito em relação a esse fenômeno ajudaram a alimentar a consciência sobre os OVNIs entre nossas tripulações. Em cooperação com a segurança de voo, eles agora mantêm uma abertura em relação aos relatos de qualquer situação


anormal e não mais ridicularizam as discussões sobre os OVNIs. Continuei a estudá-los, com todo o apoio do CEFAA, e meus estudos de casos militares e questões de aviação, bem como casos da Aviação do Exército, estão sendo enviados diretamente ao CEFAA. Até hoje, analisei vinte e oito casos, nove envolvendo aeronaves da Aviação do Exército chilena. Estes nove casos bem documentados foram estudados por outros funcionários do governo chileno e foram apresentados em relatórios oficiais. Também colaboramos intimamente com algumas organizações civis de investigação, que fornecem vasta experiência de pesquisa e que também trocam informação com outros países. Embora minha posição oficiai no BAVE não seja especificamente ligada aos OVNIs, sou a pessoa que os pilotos consultam depois de uma observação, antes de submeterem seus relatórios a seus departamentos, como é requerido. Parece que cada vez mais lido com esse assunto, porque me tornei conhecido como referência para relatos e investigações sobre OVNIs. No momento, tanto o BAVE como o CEFAA estão desenvolvendo métodos de pesquisa adicionais e criando um importante banco de dados para futuras operações aéreas. Não mantemos essa informação em segredo. Há interesse real sobre o assunto dos OVNIs, mas, infelizmente, a ciência não apoia experimentos ou um teste de evidência, e nossa metodologia científica atual para medidas e verificação de dados não é facilmente aplicável ao estudo do fenômeno OVNI. O resultado é que esse estudo atraiu muitos investigadores autodidatas, promovendo teorias não científicas, que são cobertas pela mídia de massa. Por isso, no Chile, bem como em outros países, os OVNIs são considerados como algo separado da ciência clássica e são rejeitados pelas instituições científicas estabelecidas. Isso torna muito difícil identificar essas anomalias existentes nos céus ao redor do mundo. Pessoalmente, acredito que o fenômeno OVNI é o mais interessante de todos os muitos fenômenos que afetam nosso planeta e é um que desafia totalmente a explicação lógica. Deste então, ele parece estar além de nossa capacidade de compreendê-lo. Mas novos casos continuam a ser documentados por pilotos, controladores de tráfego aéreo, pessoal de operações nos aeroportos do mundo, e muitos outros com o treinamento adequado para determinar se um objeto voador é algo incomum. Muito embora a verdadeira origem desses OVNIs permaneça desconhecida, eles afetam a aviação em qualquer lugar, e isso precisa ser discutido. Eventualmente, acredito, seremos capazes de determinar a verdadeira natureza deste fenômeno, se o método científico for aplicado.


CAPITULO 20 - OVNIs no Brasil Pelo General Brigadeiro José Carlos Pereira (aposentado)

A maioria dos norte-americanos não tem consciência de que o Brasil é o quinto maior país do mundo, ocupando a maior parte do leste do continente sul-americano. Tem atraído muitos dedicados pesquisadores de OVNIs e investigadores de campo durante décadas, alcançando a duvidosa reputação de ser um “berço quente” de eventos OVNI estranhos. Também tem uma rica história de envolvimento de oficiais e relatos da Força Aérea. Os militares brasileiros vem investigando OVNIs há muitos anos, como demonstrado por documentos governamentais. Por exemplo: O Brasil deu uma contribuição significativa com a liberação da mais importante série de fotografias da história dos OVNIs. Somente algumas das claras fotografias do OVNI foram obtidas de fontes oficiais, sujeitadas a extensiva análise laboratorial, que verificou sua autenticidade, e depois liberadas ao público. Quatro imagens do Brasil, conhecidas como as fotografias de Trindade, estão entre as melhores e mais valiosas fotos já tiradas. O governo brasileiro esteve envolvido com a liberação dessas fotos mais de cinquenta anos atrás. Por volta do meio-dia de 16 de janeiro de 1958, um oficial aposentado da Força Aérea brasileira, Capitão José Teobaldo Viegas e Amflar Vieira Filho, chefe de um grupo de exploradores submarinos, foram os primeiros - entre os muitos oficiais, marinheiros e outros - a avistar um objeto incomum do deck de um navio-escola da Marinha brasileira. Almiro Baraúna, um fotógrafo submarino profissional que estava a bordo, começou a tirar uma série de fotografias bem sucedidas do céu acima da Ilha de Trindade, apesar da comoção no deck causada pela multidão de observadores. O Capitão Viegas afirmou depois: “A primeira visão foi aquela de um disco brilhando com um brilho fosforescente, que, mesmo à luz do dia, parecia ser mais brilhante do que a lua”. Com o tamanho aproximado de uma lua cheia, “ele seguia seu caminho pelo céu. Mudando para uma posição inclinada; sua forma real estava claramente delineada contra o céu: aquela de uma esfera achatada, circundada no equador por um largo anel ou plataforma”. O Ministro da Marinha Brasileira endossou as fotografias de Trindade. Um repórter da UPI afirmou que “o Ministro da Marinha, Almirante Antonio Alves Câmara disse, após o encontro com o Presidente Juscelino Kubitschek, que estava no Palácio Presidencial de verão, em Petrópolis, que ele também atestava pessoalmente a autenticidade das fotos”. Kubitschek ordenou que elas fossem liberadas ao público, e a Câmara de Deputados exigiu uma investigação pela Marinha, que compilou um relato133. As fotos originais e os negativos foram analisados tanto pelo Laboratório de Reconhecimento Fotográfico da Marinha, quanto pelo Serviço Aerofotogramétrico da Cruzeiro do Sul (privado), e ambos confirmaram sua autenticidade. Posteriormente, especialistas civis nos Estados Unidos conduziram outras análises134. Foi só recentemente, em 2008 e 2009, que o governo brasileiro começou sua liberação


de numerosos arquivos previamente secretos sobre OVNIs e afirmou que iria gradualmente liberar todos, em grupos por décadas, uma década de cada vez. Escritos, documentos, fotos e esboços desde os anos 50 até os anos 80 já foram tornados públicos mais de 4.000 páginas - muitas delas relativas à “Operação Disco” da Força Aérea135, envolvendo investigações militares extensas dos OVNIs na região amazônica, em 1977. A. J. Gevaerd, coordenador do Comitê Brasileiro de Pesquisadores de OVNIs, um proeminente grupo de civis, e seus colegas têm sido fundamentais na concretização da liberação dos arquivos do governo. Gevaerd também foi o primeiro a entrevistar o General Brigadeiro José Carlos Pereira (aposentado), o oficial brasileiro de mais alta patente a falar sobre OVNIs. O General Brigadeiro Pereira contribuiu para este livro com uma peça original sobre o tratamento dos eventos OVNIs no Brasil nos níveis mais altos, incluindo seus pensamentos pessoais sobre o fenômeno. Conforme seu pedido, alguns dos materiais incluídos nesta peça foram retirados de uma entrevista transcrita com Gevaerd, enquanto outras foram escritas especialmente para ela. Tudo foi traduzido do português136. O General Brigadeiro começa seu ensaio com uma descrição de uma série de avistamentos espetaculares envolvendo pilotos militares e o radar, em 19 de maio de 1986, que veio a ser conhecida como “a noite oficial dos OVNIs no Brasil”. Só foi em 2009 depois que o General Brigadeiro Pereira completou seu ensaio “OVNIs no Brasil” - que toda a documentação tornou-se pública sobre este caso. O recentemente liberado “Relatório de Ocorrência”, de cinco páginas, sobre o incidente de 1986 foi escrito pelo comandante do Comando de Defesa Aérea brasileiro para fornecer ao Ministro da Aeronáutica a “informação dada pelo controle de tráfego aéreo e defesa aérea, bem como pelos pilotos interceptadores envolvidos no evento”. O relatório, anteriormente secreto, afirma que as leituras de radar, tanto do sistema de defesa aérea quanto dos jatos, foram registadas simultaneamente, enquanto, também simultaneamente, os pilotos observavam os objetos através da janela da cabine. Tal “realização” é bastante rara: capturar um OVNI no radar de solo e no radar dos aviões, enquanto os pilotos o observam, tudo ao mesmo tempo. Isso é o que a Força Aérea da Bélgica esperava realizar ao lançar os F-16, alguns anos depois, como descrito pelo General De Brouwer. O documento lista numerosas características comuns dos fenômenos registrados naquela noite, tais como acelerações e desacelerações repentinas, capacidade de pairar, e velocidades supersônicas. Os objetos foram observados como luzes brancas, verdes e amarelas e, algumas vezes, sem qualquer luz. A conclusão oficial diz: “É opinião deste Comando que o fenômeno é sólido e reflete inteligência por sua capacidade de seguir e sustentar distância de seus observadores, e também de voar em formação, não necessariamente tripulados.137” O Brigadeiro José Carlos Pereira foi comandante do Comando de Defesa Aeroespacial do Brasil138 de 1990 a 2001 e, depois, tornou-se General Comandante de Operações da Força Aérea até 2005. Nesse posto, ele supervisionou treze generais e 27.000 subordinados. Antes desses cargos, ele foi comandante de várias bases aéreas no Brasil e comandante da Academia da Força Aérea brasileira.


Na noite de 19 de maio de 1986, vários OVNIs foram captados no sudeste do Brasil e todo o sistema de defesa aérea foi colocado em alerta. A Força Aérea lançou seus mais experientes pilotos em jatos F-5 e F-103 para interceptar tais objetos. O Coronel Ozires Silva, presidente de uma companhia petrolífera brasileira, e seu piloto, Comandante Alcir Pereira da Silva, estavam voando em um jato executivo Xingu perto de Poços de Caldas, em direção a São José dos Campos, quando os radares de diferentes localizações mostraram vinte e um OVNIs no céu de São Paulo ao Rio de Janeiro. Silva e seu piloto viram um deles e perseguiram-no por trinta minutos - uma luz brilhante vermelho alaranjada, de movimentos rápidos, que parecia saltar de um ponto a outro. Eles não conseguiram alcançá-lo e, finalmente, desistiram da perseguição. Essa foi uma situação em que numerosas testemunhas especialistas viram algo e o radar detectou a mesma coisa. O equipamento de radar pode ser afetado por muitos fatores diferentes e pode apresentar um falso eco, mas um alvo falso aparece muito brevemente e é facilmente reconhecido, porque desaparece rapidamente. A história é diferente, quando temos uma trajetória regular para seguir. Também, quando temos mais de um radar captando o mesmo alvo, sabemos que a coisa é séria. Esse equipamento opera em diferentes frequências, de modo que temos a correlação de leituras independentes provenientes de fontes diferentes. Esses dados não têm nada a ver com os olhos humanos. Quando, junto com o radar, o par de olhos de um piloto vê a mesma coisa e, então, os de outro piloto e assim por diante, o incidente tem real credibilidade e sólida base. Alguns dias depois desses avistamentos, o Ministro da Aeronáutica do Brasil, Brigadeiro Octávio Moreira Lima, chamou uma coletiva de imprensa para explicar o que tinha acontecido. Ele revelou que seis jatos tinham sido lançados das bases da FAB em Santa Cruz e Anápolis, e alguns dos pilotos tinham feito contato visual, enquanto todos os objetos eram registrados no radar. O ministro prometeu um relatório oficial nos trinta dias seguintes, mas, por alguma razão, ele mudou de ideia a esse respeito. Isso provavelmente foi por alguma razão política ou, talvez, medo do pânico, porque, naquela época, o pensamento era de que a população poderia entrar em pânico se soubesse. Mas, ao mesmo tempo, os pilotos e controladores não foram proibidos de falar sobre o assunto. Os eventos daquela noite foram realmente surpreendentes, e algumas de nossas simples perguntas tiveram respostas simples também. Os pilotos viram os fenômenos? Sim. Os radares os captaram? Sim. Ozires Silva e outros pilotos militares os viram? Sim. Os pilotos de aviões comerciais os viram? Sim. Os momentos dos avistamentos são correlacionados? Sim. As trajetórias dos objetos se correlacionam? Sim. Tudo isso foi tecnicamente analisado. Então, isso aconteceu? Sim, aconteceu. Tudo foi seguido tanto pelos radares dos aviões quanto pelos radares de solo. Os radares dos aviões operam na banda de micro-ondas, que é muito estreita, enquanto os radares de solo operam numa banda muito mais larga, de modo que não se corre o risco de confusão ou correlação errônea. Durante esse evento, os militares não ficaram com medo de algum tipo de invasão. Jatos armados com mísseis decolaram e alcançaram os objetos em menos de dois minutos. Esses


jatos estão sempre armados, mas com armamentos de tempos de paz, consistindo de dois mísseis pequenos. Se aqueles objetos fossem de um país inimigo, eles teriam sido esmagados naquela noite. Aqueles pilotos eram altamente treinados, e suas capacidades de radar foram aumentadas ao máximo, o que normalmente não é necessário. Os radares nunca operam em capacidade total, para economizar energia e impedir o desgaste do equipamento. Mas, depois que os jatos decolaram, a capacidade foi aumentada para um alcance mais amplo. As comunicações não tiveram falha nenhuma e o país não estava sofrendo qualquer ameaça. Não acho que os OVNIs tenham feito qualquer ameaça real à segurança nacional. Mas temos de reconhecer que a atual falta de conhecimento dos objetos é suficiente para levantar suspeitas, como aconteceria com qualquer coisa aparentemente tão avançada. Assim, chegamos então às maiores questões. O que eram aqueles objetos? Ninguém sabe. Eles não eram jatos estrangeiros atacando. Eram objetos voadores não identificados. E onde estão esses objetos agora? Quem sabe? Foram capturados? Não que saibamos. Assim, eis onde chega o problema de evidência material e nós não temos a resposta. Quando eu era comandante, esses avistamentos incomuns ocorriam cerca de um por mês e geralmente eram de curta duração. Lembro-me que havia de dois a três incidentes por ano, com pilotos militares sendo enviados para interceptar alguma coisa desconhecida que apareceu no radar. Nossos pilotos civis não têm medo de falar sobre o assunto, e sempre o fazem, porque não querem perder seus empregos por não relatarem eventos incomuns. A primeira coisa que fazem quando veem algo estranho é chamar os controladores de voo, porque têm uma imensa responsabilidade pessoal. Um avião civil está sempre em contato com o controle de tráfego aéreo e todas essas operações no Brasil estão ligadas à Força Aérea e são de natureza militar. Quando um piloto comercial diz “Há alguma coisa acontecendo aqui”, o centro de controle imediatamente relata isso ao centro de operações militares daquela área, no caso de ser alguma coisa séria. Eles farão alguma coisa em relação ao fato e relatarão ao centro de operações da defesa aérea139, que é o órgão superior e o único a supervisionar todo o país. Então, o piloto ou o controlador de tráfego aéreo preencherá um relatório. Eles sabem onde obter o formulário - em qualquer base da Força Aérea ou qualquer escritório de controle de tráfego aéreo espalhados por todo o país - e o devolvem preenchido em qualquer base da Força Aérea. Depois, há sempre uma investigação após o piloto registrar o que viu. Como solicitado no formulário, ele precisa relatar a direção, a altitude e a velocidade do objeto. Também precisamos de outros detalhes, tais como a posição do sol, comparativamente com o avião naquela hora. O brilho do objeto também é importante, bem como o tipo de nuvens no céu, naquele momento. Todos esses dados são preciosos. Os controladores, então, são capazes de verificar se algum outro avião cruzava o caminho desse piloto, o que poderia explicar o evento. A partir daí segue-se uma investigação e, se descobrem que nenhuma outra aeronave estava lá e as condições do tempo não constituíam um fator, temos uma situação especial. E todas essas coisas são fáceis de se verificar, quando tudo é falado no relatório inicial. Prosseguimos eliminando todas as possibilidades até que estejamos certos de que não há nenhuma explicação convencional para os dados e, então, o relatório é seguramente arquivado. Relatos de piloto em que tudo foi feito para se obter uma explicação convencional são finalmente descartados, e alguém da Defesa Aérea informará o piloto de que eles descobriram


o que aconteceu. Se nenhuma explicação for encontrada, o caso é transferido para outra pasta chamada “Livro de Ocorrências de Voo”. Todos esses casos não resolvidos são mantidos ali e espera-se que os pesquisadores possam, finalmente, terem acesso a eles. Eles incluem relatos sérios de pilotos e controladores de tráfego aéreo - tudo o que não conseguimos explicar, tudo o que é mantido como secreto, vai para essas pastas. É importante enfatizar que este “Livro de Ocorrências de Voo” contém casos que não poderiam ser explicados nem mesmo após a análise de peritos especialmente designados para essa tarefa. Quando eu era comandante da COMDABRA, o Comando de Defesa Aeroespacial do Brasil, de 1999 a 2001, todos os casos envolvendo OVNIs vistos por pilotos e pelos radares chamavam a minha atenção. Participei diretamente de uma investigação de um incidente com OVNI apenas uma vez, embora tivesse acesso aos arquivos secretos e a relatos oficiais ou não. Depois de me aposentar, ainda tive acesso a praticamente todas as informações que desejei sobre o assunto. Não tenho seguido o que aconteceu na Defesa Aérea nos últimos quatro anos, mas sei que continuamos a receber relatórios. Mesmo assim, quero mencionar algo importante. Acredito que mais de 90% de todos os avistamentos nunca são relatados. O Brasil é um país imenso e esses relatórios são preenchidos somente onde há um aeroporto ou uma base da Força Aérea e somente por pessoas que sabem como funciona o processo. Os civis nem mesmo sabem que esses formulários existem e estão disponíveis por todo o país. Não conheço a atual porcentagem de avistamentos que resultam em relatórios, mas acho que deve ser bem pequena. Assim, o número de relatos que chegam ao conhecimento dos militares é quase insignificante. É um grande passo para um país reconhecer oficialmente a existência dos OVNIs, como a França fez. Mas liberar informação não causou pânico nas pessoas, e não acho que causaria se mais arquivos fossem abertos. Ninguém teme a transparência; ao contrário, as pessoas temem a falta dela. Acho que, a partir do momento em que o governo abrir o assunto para debate, todo o medo das pessoas em relação a isso desaparecerá. E, se há um país que nunca entra em pânico, é o Brasil. Muito pelo contrário. Talvez até possamos criar um novo sambinha em comemoração. Como lidamos com a existência dos OVNIs? A evidência mostra que fenômenos inexplicáveis estão ocorrendo e isso leva muitos de nós a acreditar na presença de espaçonaves alienígenas visitando o planeta Terra. Porém, tirar conclusões sobre o que essas coisas são é perigoso, uma vez que não temos conhecimento suficiente para isso. Acredito que a ciência tem muito mais trabalho a fazer para identificar e explicar o fenômeno. Precisamos de astrônomos, metereologistas, especialistas em aviação, astrofísicos e muitos outros cientistas, porque uma investigação assim precisa reunir muitos especialistas. De fato, este esforço precisa envolver toda a nação. O efeito sinergístico do conhecimento é inegável. Sou um homem devotado à ciência, um homem com uma mente científica. Se você apresentar a hipótese de que extraterrestres possam estar aqui e possam estar fazendo coisas que não podemos compreender, a sua ideia é contrária ao raciocínio científico convencional. Tanto quanto sei, nosso próprio sistema solar não contém vida em qualquer planeta, exceto a Terra. Estou baseando minhas ideias no conhecimento que temos hoje, obtido da maneira como a ciência atualmente entende o universo. Essa é a ressalva a ser considerada. Se assumimos


apenas o conhecimento atual, sou forçado a rejeitar qualquer possibilidade de alguém vir do espaço sideral para a Terra. E isso fica mais complexo, se formos mais longe, porque Alfa Centauro, a estrela mais próxima, não parece ter um sistema planetário. Movemo-nos, então, para a parte do universo que os astrônomos chamam de “zona inabitável”, que está a muitos anos-luz da Terra. Porém, nunca afirmarei que nenhuma outra civilização poderia estar um milhão de anos mais avançada do que a nossa em algum lugar. Humildemente insisto, portanto, que nosso conhecimento atual parece ser inerentemente insuficiente para compreender todas as coisas. Depois de aprender sobre os OVNIs, enquanto era militar da ativa, ficou claro - de fato, certo o alto grau de ignorância que temos em relação ao universo, dado o atual estágio de desenvolvimento científico humano. O fenômeno OVNI tem demonstrado que temos muito mais a aprender sobre a física e outras áreas científicas. Não temos ainda a palavra final dentro da ciência e, eventualmente, seremos capazes de compreender o que agora desconhecemos. Olhe para o que aconteceu nesses últimos cem anos, com descobertas que vão desde a penicilina ao avião. Nós, humano, deixamos o solo pela primeira vez em um aeroplano cerca de 100 anos atrás e, em apenas um século, fomos capazes de alcançar a lua. Em termos astronômicos, um século não é nada, nem mesmo pó. Obviamente, um povo avançado não empregaria foguetes, como os nossos, para enviar naves ao espaço. Se em um século e com nossa capacidade limitada, conseguimos isso, pense então o que seremos em mais cem ou mil anos a partir de agora. Não tenho problemas em colocar a filosofia nesta discussão, na tentativa de abordar as questões que não temos sido capazes de resolver: quem somos, de onde viemos e para onde vamos. Desde Aristóteles, os seres humanos vêm se fazendo as mesmas perguntas e ainda não sabemos as respostas. A investigação científica do fenômeno OVNI, em combinação com outros assuntos dentro da ciência e da filosofia, poderia ser um caminho para chegarmos a essas respostas. Nenhuma instituição tem o direito de fechar a porta sobre a discussão de qualquer assunto, seja científico, político, social ou religioso - e isso inclui o estudo de objetos voadores não identificados, que considero estar no domínio da ciência. Acredito que não apenas o Brasil, mas também todos os países social e tecnicamente desenvolvidos devem estabelecer agências governamentais para abordar esse assunto. Os Estados Unidos certamente deveriam liderar, uma vez que esse país é e continuará sendo o maior poder tecnológico do planeta, com grande capacidade de agregar conhecimento de outros países. E, se deve aceitar que alguma coisa está vindo do espaço para cá, acho que a ONU deveria ser a responsável, mais do que deixar a tarefa nas mãos dos países individualmente.


PARTE 3

UM CHAMADO À AÇÃO

“O único caminho para se descobrir os limites do possível é ir além deles para o impossível” Arthur C. Clarke


CAPITULO 21 - Entrando na Briga: Uma Nova Agência sobre OVNIs na América

Apesar da dedução espantosa, contudo racional, de que a hipótese extraterrestre deva ser considerada para explicar os OVNIs, como nossos especialistas apontaram, os governos têm aversão em falar desse ponto e suas implicações. Eles não são motivados a reunir recursos e descobrir se esta hipótese pode ser provada, ignorando o interesse popular sobre o assunto e seu potencial para descobertas revolucionárias. De fato, a qualidade desconcertante da hipótese extraterrestre - novamente, estamos falando apenas sobre uma teoria, não um fato provavelmente explica porque muitos governos desejam manter uma distância segura de todo esse negócio confuso. A dificuldade de pesquisar alguma coisa tão evasiva e imprevisível quanto OVNIs também é um problema - embora não um problema intransponível. As agências, que estão tentando enfrentar o desafio, têm alcançado muitas coisas, como foi demonstrado nos capítulos anteriores, mas, ultimamente, há falta de recursos para resolverem o mistério dos OVNIs por conta própria. Mesmo depois de muitas décadas de pesquisa focalizada na França, da exploração de implicações defensivas no Reino Unido, e investigações de campo na Amazônia brasileira (para tomar três exemplos significativos), ainda não sabemos o que os objetos realmente são. Em seus respectivos países, algumas agências governamentais continuam a coletar relatos de casos e investigar avistamentos, acrescentando mais dados para acumular, mas não resolver qualquer coisa, quando o restante do mundo olha para o outro lado. Quando perguntados, a maioria dos oficiais militares, que estiveram pessoalmente envolvidos com incidentes com OVNIs, abstém-se de interpretar ou especular, contudo, privadamente, muitos têm um interesse agudo, persistente, em chegar ao fundo do problema. Eles desejam saber o que é que viram ou o que seus colegas militares confiáveis encontraram, e esse desejo não diminui com o tempo. Essas testemunhas e pessoas de dentro das organizações reconhecem a possibilidade extraterrestre ou, talvez, interdimensional. Uma vez que você tenha observado uma dessas manifestações bizarras bem de perto, a sua mente se abre, você não tem escolha. Mesmo aqueles que antes eram desmistificadores, que teriam zombado da mera noção de um OVNI, são forçados a reconhecer o que era inconcebível. Eles frequentemente se sentem isolados, com medo do ridículo, não apoiados pelo mundo ao seu redor. Mas, coletivamente, podem ser capazes de fazer a diferença. Testemunhas confiáveis e investigadores do governo documentaram milhares de relatos convincentes de casos. Nós agora temos dados acumulados suficientes para estabelecer a realidade de alguns tipos consistentes de fenômenos físicos sem qualquer dúvida. Ainda, o governo americano fica para trás, recusando-se a reconhecer isso, deixando os cidadãos americanos emperrados num beco sem saída. Como podemos superar isso? Em termos de achar um modelo viável, podemos olhar para a agência de OVNIs da França como a mãe de todos eles, porque, como vimos, seu escritório dentro do CNES vem trabalhando diligentemente no problema por mais de trinta anos, mais de uma perspectiva de pesquisa do que militar. Ao buscar conhecimento puramente para seu próprio bem, os franceses abriram uma ampla gama de explicações para os OVNIs, como os


cientistas devem fazer. O histórico Relatório COMETA, de 1999, quebrou uma barreira, quando seus generais, almirantes e engenheiros, junto com o antigo chefe do CNES, trouxeram o assunto para o domínio militar e declararam, com grande autoridade, que, muito embora não tenha sido provada, a hipótese extraterrestre é a explicação mais provável do fenômeno. Será que seremos capazes de descobrir, para satisfação dos cientistas da comunidade mundial, o que são e de onde vêm os OVNIs? Isso é algo que nós, como sociedade planetária, seremos capazes de decidir fazer? E se o fizermos, teríamos de ser proativos, rigorosamente buscando uma solução para este problema, tornando-o uma prioridade. Alternativamente, será que preferiríamos ficar sentados e esperando que os aparentemente todo-poderosos objetos voadores revelem-se mais totalmente para nós? Quase todos dos mais preocupados, mais confiáveis e mais sérios oficiais militares e funcionários do governo com os quais conversei concordam sobre três pontos básicos, quando o assunto vem à tona: • Que mais investigação científica é obrigatória, parcialmente por causa do impacto dos OVNIs

em aviões e para a segurança da aviação. • Que essa investigação precisa ser internacional, uma cooperação envolvendo muitos governos e transcendendo a política. • Que tal esforço global não pode ser eficaz sem a participação dos Estados Unidos, a maior potência tecnológica do mundo. Estamos trancados pelo tabu sufocante dos OVNIs, que serviu para nos proteger de assuntos subjacentes mais profundos e até de ameaças - tanto percebidas quanto inconscientes - inerentes ao reconhecimento mais básico de um fenômeno físico chocante e sem explicação. Agora precisamos chocalhar esta jaula. Nesta seção, exploraremos estas questões políticas cruciais com a ajuda de um antigo funcionário de alto nível da FAA, um antigo governador de estado e, mais teórica e filosoficamente, dois importantes cientistas políticos. Contudo, a determinação final sobre o papel potencial de nosso país no futuro terá de ser decidido por todos nós. Logicamente, o primeiro passo em direção a uma solução é o estabelecimento de um escritório ou uma pequena agência dentro do governo dos Estados Unidos para conduzir investigações apropriadas sobre OVNIs, para fazer a ligação com outros países e para demonstrar à comunidade científica que este é, de fato, um assunto que vale a pena estudar. Para alcançar esses objetivos, precisamos considerar onde - em que ramo do governo - os Estados Unidos deveriam criar este modesto “escritório de OVNIs”, para que o processo comece. Usando outros países como modelo, há muitas opções. Frequentemente, é a Força Aérea que conduz essas investigações, como vimos na Bélgica e no Brasil, muito embora nenhum governo tenha estabelecido um departamento especial dentro da Força Aérea para tal propósito. Porém, em ambos os casos, os generais envolvidos afirmaram que uma unidade específica encarregada, em tempo integral, das investigações sobre OVNIs teria ajudado enormemente o processo e eles advogam tal necessidade. Talvez os Estados Unidos precisem abrir um novo escritório na Força Aérea, tendo o cuidado extremo de não repetir os muitos erros do Projeto Livro Azul. O General De Brouwer, da Bélgica, recomenda que a Força Aérea seja o lugar para a nova agência, porque é responsável pela segurança do espaço aéreo e tem os


meios para intervir, se necessário. O trabalho do escritório, ele acrescenta, precisa ser objetivo, imparcial e transparente, e grupos civis privados poderiam ajudar nesse esforço. Quatro agências específicas descritas anteriormente - o GEIPAN da França, o CEFAA do Chile, o OIFAA do Peru, e o escritório do Ministério da Defesa do Reino Unido - foram estabelecidas em quatro departamentos diferentes em cada um de seus respectivos países. A agência francesa foi fundada dentro do equivalente à NASA, enquanto as autoridades chilenas estabeleceram a sua dentro do equivalente à FAA americana, com ênfase na segurança da aviação. O escritório peruano é uma agência da Força Aérea e o escritório de OVNIs britânico fica dentro do Ministério da Defesa, com um mandato de proteger os interesses de defesa do Reino Unido. Essa diversidade tanto de localização quanto de ênfase tem muito a nos ensinar, mostrando que dentro de nosso próprio país temos uma série de opções estruturais. Muitos de nossos contribuidores, tais como Jean-Jacques Velasco da França, o Dr. Richard Haines dos Estados Unidos, o General Bermúdez do Chile, e o General Brigadeiro Pereira do Brasil, salientam a importância de se estabelecer algum tipo de banco de dados centralizado “uma organização global séria que seja objetiva, ligada às agências pelo mundo todo, e comprometida a responder, de maneira científica e responsável, às questões maiores levantadas pelo assunto OVNI”, como Bermúdez a descreve. “Sem isso, estamos empacados.” Alguns propuseram, portanto, que a ONU talvez fosse o ponto focal para o estudo dos OVNIs, já que o fenômeno ocorre no mundo todo, transcendendo as fronteiras nacionais. Teoricamente, isso faz sentido, mas sua efetividade seria altamente improvável, dadas as muitas dores de cabeça e preocupações burocráticas do mundo atual, em um tempo de perigos e dificuldades crescentes. Porém, em um tempo mais antigo, em um mundo relativamente mais simples, uma abordagem foi feita nos Estados Unidos apenas com esse propósito. Sete anos depois que o Projeto Livro Azul foi encerrado, J. Allen Hynek e outros tentaram estabelecer um organismo de investigação internacional dentro da ONU. Em 1978, Sir Eric M. Gairy, então Primeiro Ministro de Granada, propôs na Assembleia Geral da ONU que as Nações Unidas estabelecessem “uma agência ou departamento para se encarregar, coordenar e disseminar os resultados de pesquisa sobre Objetos Voadores Não Identificados e fenômenos relacionados”140. Com seus associados, Dr. Jacques Vallée e o Tenente Coronel Larry Coyne, um piloto do Exército americano cujo helicóptero quase colidiu com um OVNI em 1973, o Dr. Hynelc pediu - em uma audiência nas Nações Unidas - que os Estados Unidos fornecessem a estrutura na qual os muitos cientistas e especialistas do mundo, que trabalhassem com o fenômeno OVNI, pudessem compartilhar seus estudos. Ele assinalou que os OVNIs tinham sido relatados em 133 países membros da ONU e que existiam mais de mil casos onde “havia evidência física da presença imediata do OVNI. Em membros significativos, esses relatos tinham sido feitos por pessoas altamente responsáveis astronautas, especialistas em radar, pilotos militares e comerciais, funcionários do governo, e cientistas, incluindo astrônomos”141. Apesar dessas preocupações, os teletipos do Departamento de Estado mostram que a delegação dos Estados Unidos na ONU não tinha levado em consideração o esforço de Gairy, chamando-o de “lançamento relâmpago de vendas”142 e tentando impedir que sua resolução passasse. Uma mensagem confidencial enviada ao Secretário de Estado americano pela missão na ONU fez um “pedido de ação”, buscando “instruções sobre a posição dos Estados Unidos a


ser tomada neste assunto, bem como o nível desejado de visibilidade. No ano passado, Granada requisitou nosso apoio e Misoff teve de lutar duramente nos bastidores, para diluir a resolução e, de fato, adiar a votação por um ano. Outra consideração é se se deve emitir um aviso sobre as declarações feitas pelos americanos sobre a delegação de Granada”143. Posteriormente, os americanos conduziram “sessões de negociação” com delegados de outras missões, “numa tentativa de chegar a uma solução mutuamente aceitável para o problema”. O plano foi concebido para encaminhar à resolução de Granada ao Comitê do Espaço Sideral sem um mandato para se iniciar um estudo. Isso aliviaria “a necessidade de votar uma resolução e apostar nos resultados”144. Apesar dos esforços dos Estados Unidos para bloquear a votação, a Assembleia Geral finalmente adotou um projeto de resolução submetido por Granada. Tudo desmoronou em 1979, quando Gairy foi deposto, durante uma tomada comunista interna. Hynek tinha também informado ao comitê da ONU sobre um estudo inaugurado pelo CNES, o centro espacial nacional francês, realizado por cientistas de muitas disciplinas. Ele observou que os estudos de casos resultantes eram “exemplares e muito superiores aos estudos prévios em outros países... as implicações para a ciência e o público em geral dessa investigação francesa são profundas”145. A agência oficial governamental francesa, GEPAN, tinha apenas sido formada dentro do CNES, sob a direção de Yves Sillard, como parte de uma resposta natural e lógica a um problema científico, relacionado ao espaço, que precisava de mais pesquisa. Ao mesmo tempo, também eram feitos esforços nos Estados Unidos para se criar uma nova investigação de OVNIs dentro de nossa agência espacial nacional, a NASA. Mas, nos EUA, isso não é assim tão simples - mesmo que o pedido à NASA tenha vindo do mais alto escritório do país: o do presidente dos Estados Unidos. Sem o conhecimento da maioria dos americanos, mesmo o Presidente Cárter não conseguiu obter a agência publicamente financiada para olhar a evidência dos OVNIs e ver se talvez, apenas talvez, um órgão investigador dentro da NASA se justificasse. Cárter tinha tido seu próprio avistamento de OVNI em 1969, antes dele se tornar o governador da Geórgia. Em 1973, enquanto governador, ele preencheu à mão um formulário de relato em resposta e um pedido de um grupo civil de pesquisa sobre OVNIs. De acordo com seu relato, ele tinha acabado de fazer um discurso em Leary, Geórgia, no início de uma tarde de outubro. Ele e dez membros do Lions Club de Leary viram um objeto luminoso, brilhante, às vezes tão grande quanto a lua. Por mais de dez minutos ele mudou de cor e “chegava perto e se afastava, chegava perto e se afastava” e, em outras vezes, permanecia parado; depois, ele “desapareceu”146. Um ano e meio após a eleição de Carter para a presidência, em 1977, seu consultor de ciência, Frank Press, escreveu para o administrador da NASA, Robert Frosch, recomendando que a NASA estabelecesse “um pequeno painel de inquérito” para ver se havia quaisquer “novos achados significativos” desde o Relatório Condon. “O ponto focal para a questão dos OVNIs deveria ser a NASA”147, escreveu Press, e a resposta inicial de Frosch foi entusiástica: “Um painel de inquérito como o que você está sugerindo poderia possivelmente descobrir novos achados significativos”, respondeu ele em setembro. “Isso certamente geraria interesse e poderia levar à designação da NASA como ponto focal para assuntos relativos a OVNIs.” Ele sugeriu que a NASA nomeasse um “funcionário de projeto”148 para revisar os relatos de


OVNIs dos últimos dez anos e fizesse uma recomendação. A Casa Branca concordou sem demora149. A Força Aérea dos Estados Unidos, que tem publicamente declarado que não vale a pena investigar OVNIs, parecia ter enraizado profundamente hesitações sobre o pedido da administração Cárter para que a NASA iniciasse um novo inquérito. O Coronel Charles E. Senn, chefe da Divisão de Relações com a Comunidade, da Força Aérea, afirmou, em uma carta enviada ao Tenente General Duward L. Crow, da NASA, “eu sinceramente espero que você seja bem sucedido no impedimento à reabertura das investigações sobre OVNIs”150. Não há registro para indicar em que extensão essa ou qualquer outra pressão da Força Aérea teve influência dentro da NASA em resposta ao pedido de Frank Press em nome de Cárter. Alguns empregados da NASA também tinham reservas. Depois de uma série bastante longa de cartas, memorandos e averiguações, feitas através dos vários níveis da burocracia hierárquica da NASA, a agência rejeitou o pedido do presidente dos Estados Unidos em dezembro de 1972 - sem dar ao funcionário do projeto a oportunidade de revisar os dados acumulados. Frosch disse que a NASA precisava de “evidência física legítima de fontes confiáveis... evidência física ou tangível disponível para análise laboratorial completa” para fazer isso. Devido à ausência de tal evidência, ele disse: “não somos capazes de imaginar um procedimento científico seguro para a investigação destes fenômenos”. Portanto, ele propôs que nenhum passo fosse dado para “estabelecer uma atividade de pesquisa nesta área ou convocar um simpósio sobre esse assunto”151. O Dr. Richard C. Henry, um proeminente professor de astrofísica da Universidade Johns Hopkins, era então diretor delegado da Divisão de Astrofísica da NASA e envolveu-se no processo de tomada de decisão. Em um ensaio publicado em 1988, Henry teve problemas com a afirmação de Frosch de “urna ausência de evidência física ou tangível”. Ele disse que havia uma abundância de evidências relevantes naquela época, uma situação que ele, como chefe da Divisão de Astrofísica, certamente estava consciente. Henry disse que a afirmação de Frosch negando a existência de um sólido protocolo científico era simplesmente falsa. “A Academia Nacional de Ciências endossou o estudo Condon sobre os OVNIs e endossou especificamente seus procedimentos (protocolo). Para nós, é quase difícil dizer que nenhum protocolo é possível!”, escreveu ele em um memorando para o administrador de ciência espacial da NASA, Noel Hinners. “O ponto é que, para ter sentido, o protocolo precisa cobrir a possibilidade de que o fenômeno OVNI se deve em parte a inteligências que estão muito além da nossa.152” Ironicamente, foi esse mesmo Relatório Condon que estabeleceu o tom negativo dentro da corrente principal da ciência e, sem dúvida, influenciou a rejeição inconsistente da NASA ao pedido presidencial cientificamente embasado de Carter. Claramente, a NASA parece ser um lar improvável para uma agência americana de OVNIs. Mas e a FAA? Essa agência parece desempenhar um papel muito diferente na relação com os OVNIs do que os departamentos de aviação civil de países da Europa Ocidental e da América do Sul, apesar de seu mandato para proteger nossos céus. Precisamos lembrar que, em 2006, a FAA informou aos pilotos e a outras testemunhas da aviação, que viram o disco pairando sobre o Aeroporto O’Hare, que aquilo era um fenômeno meteorológico, muito embora o tempo estivesse bastante normal (era dia) e todos os dados do clima foram registrados através de


procedimentos padrão. Quando pressionada, a FAA deu um passo adiante e atribuiu o avistamento a uma nuvem furada - um fenômeno climático bastante raro e específico, que exige temperaturas congelantes para ocorrer - apesar do fato de que as temperaturas no O’Hare naquela tarde estarem bem acima do congelamento. Tais afirmações irresponsáveis servem para desencorajar as testemunhas de preencherem relatórios, o que normalmente seria o primeiro passo na condução de qualquer tipo de investigação153. Infelizmente, a FAA parece um candidato ainda menos provável do que a NASA para assumir a pesquisa dos OVNIs neste ponto. Uma comparação com a Autoridade da Aviação Civil (CAA) de nosso aliado mais íntimo, o Reino Unido, faz-se necessária. Lá, é mandatório relatar qualquer incidente onde os pilotos ou a tripulação acreditam que tenha havido algum perigo para os seus aviões, qualquer que tenha sido a fonte. Então, a CAA e outras autoridades têm uma base sobre a qual decidir se uma investigação se justifica. Depois que o Comandante Ray Bowyer e seus passageiros observaram um par de objetos brilhantes sobre o Canal da Mancha, em 2007, a primeira coisa que Bowyer fez ao pousar foi enviar por fax à CAA um relatório, seguindo um procedimento padrão exigido. Não houve tentativa, por parte da companhia aérea ou de qualquer outra pessoa, de silenciar a história, que foi contada pela BBC154. De fato, muitos arquivos da CAA sobre casos não resolvidos envolvendo pilotos, controladores de tráfego aéreo e pessoal de solo vêm sendo liberados. Por exemplo, em 1999, uma notícia da BBC relatou que “um OVNI que aparentemente evitou colidir com um avião de passageiros, voando do Aeroporto de Heathrow, em Londres, deixou perplexos os especialistas da aviação”. Um objeto metálico passou a cerca de 750 metros do avião, mas por alguma razão não foi detectado pelo radar. A BBC relata que o piloto preencheu um relatório de quase perda (um “airprox”) e que “um relatório da CAA não encontrou explicação para o incidente, que também confundiu os especialistas militares e a polícia local”155. Imagine se a FAA tivesse feito tal afirmação sobre o incidente do O’Hare. Sendo usado para uma abordagem mais razoável, o Comandante Bowyer achou o “sistema americano de não relatar” uma coisa difícil de imaginar, porque a CAA não faz distinções entre causas possíveis de angústia no avião. Como é estranho, após reflexão, que a FAA na América pareça não levar em conta um raro perigo - objetos voadores não identificados - e reconheça todos os outros, mesmo que o impacto potencial possa ser o mesmo. A FAA não fornece formulários de relatos para esse tipo de avistamento - embora ofereça formulários de relato de atividade vulcânica e choque com pássaros e um detalhado “questionário de exposição a raio laser”. A FAA não tenta esconder sua discriminação. Como questão de política, a agência tem informado seus empregados de que não quer ter nada com os relatos de OVNIs ou qualquer coisa anômala, não importando quão severo seja o perigo para o avião ou vidas dentro dele. O Manual de Informações Aeronáuticas de 2010, da FAA156, na Seção 6, sobre “Relatos de Segurança, de Acidentes e Perigos”, afirma que “pessoas que desejem relatar atividade de fenômenos inexplicados/OVNI” devem contatar um centro de coleta, tal como o Bigelow Aerospace Advanced Space Studies, uma nova organização de pesquisa focada em novas e emergentes tecnologias espaciais, ou o Centro Nacional de Relatos de OVNI (NUFORC), um grupo civil com formulários de relatos e uma linha direta sobre OVNIs, que mantém registros


cuidadosos de avistamentos de OVNIs. Com um humor não intencional, o manual continua a dizer que “se há preocupação expressa de que a vida ou a propriedade poderiam ter estado em perigo” por causa do OVNI, “relatar a atividade157 no departamento de aplicação da lei local”. Isso significa o departamento de polícia local em cuja jurisdição o jato estava voando na hora em que esteve em perigo, isto é, a uns mil metros acima do solo? Ou a força policial mais próxima de um aeroporto que poderia ter um OVNI pairando sobre ele? Assumidamente, tais diretivas ilógicas teriam de ser alteradas se nosso país estabelecesse uma agência OVNI. Duas testemunhas do incidente do O’Hare fizeram exatamente o que o manual sugeria: ligaram para o NUFORC e fizeram relatórios escritos de seus avistamentos. Ironicamente, ambos me disseram que nunca tinham lido o manual da FAA e não tinham consciência de que era aquilo que o manual dizia que deveriam fazer! Ambos ouviram falar do NUFORC independentemente e não sabiam aonde mais ir com suas informações, que, eles achavam, era um dever relatar. Foram esses relatos que chegaram ao Chicago Tribüne, que solicitou ao repórter Jon Hilkevitch que investigasse mais e, eventualmente, revelasse a história do O’Hare na primeira página. Minha impressão é que a maioria dos empregados da FA A provavelmente não lê o manual - certamente não de uma ponta à outra - mas, quando os avistamentos ocorrem, eles parecem conscientes de suas atitudes como empregados. A mensagem é transmitida a eles, frequentemente sutil e indiretamente, como uma espécie de ameaça profissional velada, de que eles não devem falar com a imprensa sobre esses incidentes. A negligência da FAA pode chegar a ser perigosa, ou o problema pode ser que outras agências do governo precisem assumir mais responsabilidade pelos incidentes com OVNIs, que a FAA afirma estarem fora de sua jurisdição. Não importa que ramo do governo tem de fazer isso; a ameaça, se há alguma, colocada por objetos não identificáveis em proximidade com aviões comerciais precisa ser adequadamente avaliada por uma nova unidade estabelecida para investigar OVNIs. Nick Pope, antigo funcionário do MoD e especialista em OVNIs do Reino Unido, diz que o governo define “ameaça” de uma maneira muito específica, especialmente dentro dos círculos de Inteligência militar. A fórmula é mais ou menos esta: Ameaça = capacidade + intenção. Por exemplo: Os Estados Unidos estão conscientes de que o Reino Unido tem armas nucleares (ameaça) e, portanto, poderia lançar um ataque nuclear contra a América (capacidade), mas, uma vez que o Reino Unido não tem intenção de lançar tal ataque, os Estados Unidos não enfrentam nenhuma ameaça a esse respeito. Pope assinala que nós certamente sabemos que os OVNIs possuem a capacidade de ser uma ameaça, dadas a suas fantásticas velocidade e manobrabilidade, muito superior à nossa própria tecnologia. Mas, nesse caso, a intenção dos OVNIs é completamente desconhecida e, portanto, imensurável. Por isso, os OVNIs precisam ser encarados seriamente como possíveis ameaças, e o Ministério da Defesa do Reino Unido os monitora por essa razão158. Pope suspeita que os círculos da Inteligência militar americana também definem “ameaça” dessa maneira. O fato de a FAA instruir seus empregados a não relatar essa ameaça potencial reside na contradição a essa fórmula básica. Talvez seja hora de mudar o manual da FAA e fornecer aos empregados formulários de relatos apropriados. A reticência do governo dos Estados Unidos em falar do problema dos OVNIs parece ter


infectado todos os departamentos que poderiam potencialmente abrigar uma nova agência de investigação. Contudo podemos ultrapassar esses obstáculos através de uma abordagem racional. Algumas autoridades sugeriram maneiras específicas, baseadas em sua experiência direta. No final dos anos 80, John J. Callahan era chefe da Divisão de Investigações, Avaliações e Acidentes da FAA, uma posição de nível extremamente elevado, exatamente abaixo das posições federais indicadas pelo Congresso. Quando trabalhava com agências militares, o posto de Callahan (GM15) era igual ao de um general. Um dia, no começo de 1987, ele inesperadamente enfrentou o problema de administrar um caso de OVNI - um avistamento dramático, de trinta minutos de duração, relatado por pilotos da Japan Air Lines de um OVNI gigante sobre o Alasca. Anteriormente, Callahan nunca tinha sequer pensado sobre o assunto dos OVNIs. Quando ouviu sobre o caso da JAL, pediu que os dados extensivos fossem imediatamente enviados a ele e chamou a atenção do administrador da FAA, o Almirante Donald D. Engen. Este convocou uma reunião, que, segundo Callahan, incluiu membros do staff científico do Presidente Reagan, como eles eram descritos naquela época. Também incluiu três agentes da CIA. Callahan não disse nada publicamente sobre seu papel no incidente até 2001, treze anos depois de sua aposentadoria. Enquanto falava com alguns dos associados de sua comunidade, que o tinham sondado para obter alguma informação, ele decidiu que era hora de falar. Os dados desse caso tinham sido mandados para a sua casa, quando ele se aposentou, e tinham definhado em seu celeiro por todos aqueles anos. Alguns gráficos tinham até sido mordiscados por ratos, ele descobriu depois. Franco e brusco, com um estilo um tanto folclórico e um pouquinho de senso de humor, John Callahan não fez nenhum mistério sobre o fato de que ele não ficara contente com a maneira pela qual a FAA se conduziu em relação aos OVNIs. E nem é a favor de se sonegar informação ao público sobre o assunto, e ele está armado com a evidência, a experiência e a autoridade para preparar um caso bastante forte. Até agora, ninguém mais que tenha assistido a reunião no quartel general da FAA, em Washington, apresentou-se. Fiz um pedido de FOIA à FAA dos registros de compromissos e cronograma do Almirante Engen durante essa época, mas me disseram que tais registros não existiam (ele já morreu). Liguei para o chefe de Callahan daquela época, Harvey Safeer, agora aposentado na Flórida. Safeer se lembrava do incidente do Alasca, mas não tinha nenhuma lembrança de tal reunião. A esposa de John Callahan, J. Dori Callahan, teve um grande papel na FAA, em seu próprio direito, na época do incidente. Inicialmente, como controladora de tráfego aéreo, a Sra. Callahan era gerente de filial do Sistema de Dados do Serviço de Voo (FSDS) da organização das Instalações de Rota Aérea, a parte da FAA que fornece o suporte de hardware para todos os seus sistemas de controle de tráfego aéreo. Ela, posteriormente, tornou-se administradora de divisão dos programas de software dos Sistemas de Terminal de Radar Automatizados (ARTS), e aposentou-se da FAA em 1995, com vinte e oito anos de serviço. Dori Callahan lembra-se bem que essa reunião de alto nível foi convocada pouco tempo depois de seu marido ter apresentado seus dados ao almirante, e também que ele disse a ela o que aconteceu lá imediatamente depois. Além disso, como uma especialista da FAA, ela posteriormente analisou as cópias impressas do radar do caso Alasca, que Callahan tinha


fornecido para a CIA na reunião, junto com gráficos explicativos preparados pela engenharia e pelo pessoal de software do Centro Técnico. “E já que eu tinha trabalhado tanto na organização de hardware quanto na de software naquela época, compreendi tudo”, explicou ela em um email de 2009. John Callahan assinala que, ao olhar dados incomuns de radar, o departamento de hardware disse que obviamente era um problema de software, e o departamento de software disse que era claramente um problema de hardware. “Ambas as equipes eram muito experientes e conheciam o sistema de software do tráfego aéreo, e ambas eram totalmente capazes de saber quando o sistema não estava funcionando corretamente”, afirmou a Sra. Callahan em seu email. “Em outras palavras, não havia nada errado com o hardware na época do avistamento do JAL 1628, e o software estava funcionando bem. Olhando para a tela do radar do objeto lançando-se para e ao redor do avião da JAL, era óbvio que havia um objeto mudando de posição ao redor do jato. Se tivesse sido uma imagem fantasma [um falso alvo], como foi sugerido pela FAA, todo o tráfego naquela área de controle teria sido fantasma e este não teria se movido para frente e para trás do avião.” Em contraste com o incidente do O’Hare, a FAA realmente conduziu uma investigação oficial dois meses depois do evento do Alasca - principalmente porque havia evidência de radar, e porque o “interesse público” forçou a questão. A FAA queria “assegurar-se de que ninguém tinha violado o espaço aéreo que controlamos”, explicou um porta-voz naquela época159. Mas talvez tenha havido outras razões para isso. Apesar do proclamado desinteresse da FAA nos OVNIs, Richard O. Gordon, um funcionário do Escritório de Padrões de Voo da FAA, informou o comandante da JAL sobre um cenário surpreendente, durante a longa entrevista de 1987. Ele disse que o relato detalhado do comandante era “muito, muito interessante e precisamos descobrir o que há lá”. Como revelado em uma transcrição literal160, Gordon descreveu planos para obter a informação fornecida pelo comandante e enviá-la para Washington, para que as autoridades de lá pudessem descobrir se ela equiparava-se a alguns dos relatos anteriores. “Temos uma grande quantidade de material, onde os pilotos tiveram outros avistamentos”, declarou. Ele disse ao comandante que talvez sua descrição e esboços fossem semelhantes ao que tinha acontecido “no Arizona e em Nova York ou em outros lugares”, e que “temos um local em Washington, D.C., onde os reuniremos” para descobrir se há dois casos semelhantes. Essa é uma admissão muito interessante: a FAA mantém registros de avistamentos de OVNIs pelos pilotos; eles estão armazenados em uma localização específica em Washington, D.C.; os funcionários da FAA fazem comparações de casos quando novos incidentes ocorrem. Se for verdade, isso certamente é um tapa na cara da posição pública da agência sobre os OVNIs. Apesar da reação dos funcionários da FAA diretamente envolvidos com o caso Alasca, a conclusão da FAA foi de que as leituras de radar eram alvos falsos devido ao mau funcionamento do sistema. Muito embora houvesse o radar para dar apoio aos relatos de testemunhas, a FAA descartou esses dados como errôneos e declarou que “era incapaz de confirmar o evento”161. Elogiou os três “pilotos profissionais”, contudo o relatório final ignorou completamente os avistamentos visuais relatados em detalhe durante as entrevistas da FAA com essas testemunhas162.


John Callahan contesta vigorosamente essas afirmações sobre o radar. Ele assinala o ponto importante de que o radar não está configurado para detectar objetos que se comportam da maneira como os OVNIs o fazem, e que precisamos renovar e atualizar sua tecnologia. Esse antigo chefe da Divisão de Investigações e Acidentes não ficou nem um pouco surpreso com a resposta da FAA em relação ao incidente do O’Hare alguns anos atrás. “Era previsível”, ele me disse. “Quando os pilotos relatam estar vendo um objeto assim, a FAA oferecerá um monte de outras explicações. É como usar uma venda nos olhos. É sempre alguma outra coisa, de modo que não pode ser o que é.”


CAPÍTULO 22 - FAA Investiga um Evento OVNI “Que Nunca Aconteceu” Por John J. Callahan Você está prestes a ler sobre um evento que nunca aconteceu. Eu fui chefe da Divisão de Investigações, Avaliações e Acidentes da FAA, em Washington, de 1981 a 1988. Durante essa época, envolvi-me em uma investigação de um evento extraordinário, mas me pediram para não falar sobre ele. Já aposentado, decidi que o público tinha direito a essa informação e que poderia lidar com ela. Nada terrível aconteceu em resultado de minha discussão pública desse incidente, porém nada de útil resultou disso, embora nunca seja tarde. Cheguei a compreender a séria necessidade que temos de melhorar nossos sistemas de radar, de modo que possam detectar objetos incomuns no céu, como um com que lidei, quando estava na FAA, em 1987. Era o começo do mês de janeiro de 1987, quando recebi uma ligação do ramo de qualidade de controle do tráfego aéreo, do escritório regional da FAA, no Alasca, pedindo orientação sobre o que dizer para o pessoal da mídia, que estava inundando o escritório. A mídia queria informações sobre o OVNI que perseguiu um 747 japonês no céu do Alasca por cerca de trinta minutos, em 7 de novembro de 1986. De algum modo, as palavras tinham sumido. “Que OVNI? Quando isso ocorreu? Por que o quartel general de Washington não tinha sido informado?”, perguntei. “Ei”, replicou o controlador, “quem acredita em OVNIs? Só preciso saber o que dizer à mídia para tirá-la daqui”. A resposta a essa pergunta era fácil: “Diga-lhes que está sob investigação. Então, reúna todos os dados - as gravações de voz e dos discos de dados de computador, das instalações tanto de tráfego aéreo quanto militares responsáveis pela proteção da área da costa oeste. Envie os dados à noite para o Centro Tecnológico da FAA, em Atlantic City, New Jersey”. Eu queria os dados sobre o voo da meia-noite, não importando quanto aborrecimento teria para obtê-los.


O voo 1628, da Japan Air Lines, um jato de carga com um piloto, um copiloto e um engenheiro de voo, estava ao norte de Anchorage, e foi logo após as 17 horas. O comandante Kenju Terauchi descreveu ter visto um objeto redondo gigantesco, com luzes coloridas piscando e correndo ao redor, que era muito maior do que seu 747, tão grande quanto um porta-aviões. Sua tripulação, Takanori Tamefuji e Yoshio Tsukuda, viram-no também. Em certo ponto, dois objetos apareceram e pararam diretamente à frente do 747, e o comandante disse que eles estavam “disparando luzes”, iluminando a cabine e emitindo calor, que ele podia sentir em seu rosto. Os objetos, então, voaram em voo nivelado com o 747. Depois, o comandante fez um giro, para escapar do OVNI, mas este voava ao lado do jato, mantendo distância constante. Terauchi conseguiu estimar o tamanho da “espaçonave” maior, como ele a chamou, como sendo pelo menos do tamanho de um porta-aviões, porque ele o tinha em seu radar, e o radar do avião possui marcações de extensão. Ele relatou tudo isso aos funcionários da FAA, exatamente como tinha visto. Durante trinta e um minutos, o OVNI pulava milhas em questão de segundos. Uma varredura de radar no controle de tráfego aéreo, em Anchorage, leva dez segundos. Em um momento, Terauchi diz, “está aqui à minha frente a treze quilômetros, e quando a antena de radar passa, vemos um alvo lá. Dez segundos depois, o objeto está repentinamente dez ou doze quilômetros atrás dele. Ele ia de treze quilômetros à frente do 747 para dez ou doze atrás em apenas alguns segundos, em uma única varredura do radar”. A tecnologia era “impensável”, disse Terauchi, porque os OVNIs pareciam controlar tanto a inércia quanto a gravidade. Os funcionários da FAA entrevistaram o comandante e sua tripulação extensivamente nos dias e meses seguintes. Todos eles forneceram descrições e desenhos independentes das “espaçonaves” e seu comportamento notável. Essas três testemunhas confiáveis sabiam como reconhecer aviões. Se esse objeto tivesse sido um exercício militar secreto, os pilotos teriam sido informados disso e não teriam perdido tempo, passando trinta e um minutos fugindo e relatando a presença do OVNI. E a FAA não teria tido o aborrecimento de fazer entrevistas após o evento. Essas testemunhas eliminaram todas as explicações possíveis para o que tinham observado bem de perto, por um longo período de tempo. Quando um piloto olha pela janela e vê uma aeronave disparando bem à frente de seu nariz ou voando junto com ele, a primeira coisa que ele faz é chamar o controle de tráfego aéreo e dizer: “Ei, há algum tráfego na minha altitude?” E o controlador entra em pânico, olha para a tela e diz: “Não, não temos nenhum tráfego na sua altitude”. O tráfego aéreo então pede ao piloto do 747 maiores informações: que tipo de aeronave, se há marcações visíveis, a cor ou os números na cauda, etc., e então o controlador informa: “Vamos seguir este sujeito e fazê-lo seguir os padrões de voo assim que pousar no aeroporto. Nós o notificaremos e retiraremos o seu brevê de piloto. Faremos o que for preciso para encontrar o piloto da aeronave desconhecida.” Se seu brevê for retirado, o piloto não terá mais autorização para voar. Nesse caso, o piloto respondeu, dizendo: “É um OVNI”. Porque ele podia vê-lo muito claramente. Mas quem acredita em OVNIs? Esse é o tipo de atitude que o controle de tráfego aéreo tinha naquela época e, de qualquer modo, nem o controlador nem a FAA estava equipada para rastrear alguma coisa como esta. A FAA tem procedimentos que cobrem o rastreamento


de aeronaves não identificadas, mas não há procedimentos para controlar OVNIs. Depois de receber a ligação relativa ao OVNI da região do Alasca quase dois meses após a ocorrência do evento, reuni-me a meu chefe Harvey Safeer, que alertou o administrador da FAA, Almirante Engen. Safeer e eu nos dirigimos para o Centro tecnológico da FAA, em Atlantic City, New Jersey, para observar a reprodução, pelo computador, do evento e saber mais sobre o que tinha acontecido. A FAA tinha desenvolvido um programa de computador capaz de recriar o tráfego da tela do controlador, chamado exibição do plano de visão (PVD). Eu instruí o especialista da FAA a sincronizar as gravações de voz com os dados do radar - desse modo, poderíamos ouvir tudo o que o controlador e o piloto disseram, enquanto assistíamos a tela do radar. Seria exatamente como se estivéssemos atrás do controlador no Alasca, assistindo tudo o que estava acontecendo enquanto ele conversava com o piloto e a tripulação do jato da JAL. Gravei em vídeo o que estava acontecendo na tela do radar, enquanto o evento era reproduzido.

Mais tarde, naquele dia, pedi aos especialistas em automação da FAA para marcarem os alvos do radar ao longo da rota de voo em um mapa e explicando o que cada alvo estava fazendo ao longo da rota de voo do 747. Engenheiros de hardware e de software colocaram tudo em um grande mapa, que mostrava cada alvo ao longo do voo do 747, durante seu encontro relatado com o OVNI. Eles o penduraram na parede e assinalaram: Isso foi quando vimos o OVNI pela primeira vez; isso foi quando o piloto viu o OVNI; isso foi quando os militares viram o OVNI. Fizeram isso no mapa inteiro. Eu fiz um vídeo do mapa. A impressão e a reprodução da tela do radar exibiram alvos primários na vizinhança do 747. Esses retornos de sinal foram exibidos por volta do mesmo tempo e lugar em que o piloto relatava estar vendo o OVNI. O piloto e a tripulação viam o sinal em sua própria tela de radar e foram capazes de realmente ver o OVNI imenso simultaneamente, conforme ele se aproximava de seu avião. Qualquer um que assista a essa reprodução pode ver e ouvir isso, mas, naturalmente, quando a CIA assistiu, seu pessoal disse que você não pode vê-lo porque ele não está lá. A pergunta que eu sempre faço é: Em quem você vai acreditar: nos seus olhos


mentirosos ou no governo? Tanto o controlador de radar quanto o manual observaram o sinal primário. Os controladores militares também viram o sinal primário em seus radares e o identificaram como um “primário duplo”, o que significa que ele era grande o suficiente para ser mais do que apenas um avião. Durante a reunião, no Centro Tecnológico da FAA, em Atlantic City, pedi tanto aos engenheiros de hardware quanto aos de software (que eram as mesmas pessoas que tinham construído o sistema de controle de tráfego aéreo) para me dizerem o que eram aqueles pontos na vizinhança do avião da JAL. Os engenheiros de hardware disseram: “Este sinal aqui é um problema de software, e este outro aqui também”. Todas as vezes, ao longo da rota, diziam: “É um problema de software; não há nada errado com nosso sistema de hardware”. Então, eu disse: “Muito bem; isso faz sentido para mim”. Então, o rapaz do software levantou-se e disse: “Este sinal aqui é um problema de hardware; e este aqui - um problema de hardware”. Não havia problemas nem de hardware, nem de software. “Bem”, perguntei, “o que temos aqui, se não temos nada? Temos um sinal ali ou não?”. Um dos técnicos afirmou: “Minha religião me proíbe de acreditar em OVNIs”. Então, eu disse: “Tudo bem”, e saí. Quando voltei para o quartel general da FAA, fiz um rápido relatório, para o administrador Engen, da reprodução do radar e mostrei-lhe o vídeo da tela de radar sincronizada com as gravações de voz. Ele assistiu tudo e, então, convocou uma reunião com o staff científico do Presidente Reagan, e disse-me que minha função era fazer uma exibição para eles e entregarlhes esta operação, “já que a FAA não controla os OVNIs”. Na reunião, olhamos a impressão dos dados e exibimos o vídeo duas ou três vezes - os participantes eram a CIA, o grupo científico do presidente e um bando de seguranças. Conversamos por cerca de uma hora e meia, e os cientistas fizeram uma série de perguntas - de fato, perguntas muito inteligentes. Eles queriam saber coisas tais como a velocidade da antena do radar, a frequência e a largura da banda, e o algoritmo do equipamento que calculava a altitude. O pessoal que a FAA trouxe para a sala eram engenheiros técnicos - especialistas de hard e software - e eles responderam àquelas perguntas como se fossem professores de matemática do ensino médio. Era como se cuspissem todo aquele material. Realmente era surpreendente assistir esses especialistas da FAA trabalhando. No final, uma das três pessoas da CIA disse: “Este evento nunca aconteceu. Nós nunca estivemos aqui. Estamos confiscando todos esses dados, e todos vocês devem jurar segredo”. “O que você acha que era?”, perguntei à pessoa da CIA. “Um OVNI, e esta é a primeira vez que eles apareceram por mais de trinta minutos no radar”, ele respondeu. Eles - a equipe científica do presidente - estavam doidos para por as mãos nos dados. “Bem, vamos informar o público americano de que fomos visitados por um OVNI”163, sugeri. “De maneira nenhuma. Se falássemos ao público americano que os OVNIs existem, haveria pânico”, ele me informou. E foi isso. Eles pegaram tudo o que estava na sala - e, naquela época, os impressos de computador enchiam caixas e caixas. Aqueles impressos da FAA foram intitulados de


“Incidente OVNI em Anchorage, 18/11/86”, escrito na tampa das caixas. Os impressos forneceram amplos dados para que um especialista em automação fosse capaz de reproduzir em um mapa tudo o que o controlador via. Algumas semanas depois, um técnico da FAA trouxe de lá um relato desse evento que nunca ocorreu. Eu o coloquei em uma pequena mesa de canto de meu escritório e disse: “Deixe aí. Quando a CIA quiser o restante dos dados, tenho certeza de que eles virão e levarão”. Algum tempo se passou e alguém trouxe as gravações de voz do incidente e nós as colocamos ao lado do relatório naquela mesa, esperando que a CIA viesse e levasse. O mapa produzido no Centro Tecnológico também veio para o meu escritório, onde permaneceu por um ano e meio, junto com o relato detalhado da FAA e com as fitas de voz, que tinham sido colocados naquela mesa de canto, esperando pela CIA. Ninguém apareceu e as pegou. Quando eu estava me aposentando, em agosto de 1988, e partindo, um dos administradores, com pressa de me ver ir embora, empacotou tudo o que estava pendurado nas paredes e mesas de meu escritório e despachou para minha casa. E, desde então, tenho os dados e o vídeo em minha posse. Agora, mais de vinte anos depois, ficou muito claro para mim que a maioria das pessoas, incluindo os controladores da FAA, não estava realmente familiarizada com a maneira como o sistema de radar da FAA funciona e porque todas as aeronaves que cruzam nosso espaço aéreo não são captadas pelo radar ou exibidos no PVD dos controladores. O sistema e a organização da FAA não estão configurados para identificar e seguir esses tipos de aeronaves. Em resumo, o equipamento atual da FAA não assinala uma “espaçonave”, a menos que a aeronave tenha reduzido sua velocidade para uma semelhante àquela dos aviões normais. As razões são simples: os OVNIs parecem não ter nenhum transponder; são frequentemente muito grandes para que o sistema de automação os considere uma aeronave, de modo que o radar os interpreta como algo climático (as leituras de radar com uma assinatura irreconhecível são frequente e automaticamente enviadas, através de um segundo sistema, como condições climáticas); ou são muito rápidos para que o radar obtenha um sinal antes deles desaparecerem. Se algo está pairando, como aconteceu no Aeroporto O’Hare, em 2006, ele frequentemente não se mostra ou, se o faz, apareceria como um pequeno ponto, e os controladores da FAA não lhe dariam muita atenção. Durante a reprodução do evento de 1986, claramente observei um sinal primário de radar na posição relatada pelo piloto japonês. Mas os sinais de radar eram intermitentes, porque o OVNI estava aparecendo como um sinal primário extremamente grande, de modo que o sistema de computadores da FAA tratou o retorno do sinal de radar como condição climática. Independentemente, o sinal podia ser visto próximo do 747 e por trinta e um minutos. Assim, temos um problema. Por causa das deficiências de radar, quando um piloto relata estar vendo um objeto incomum, a FAA não investigará, a menos que o objeto possa ser identificado por um piloto no ar e, em vez disso, a FAA oferecerá uma série de fracas explicações. Se a FAA não consegue identificar o objeto dentro da terminologia dela própria, então ele não existe. Outro clichê que algumas vezes usamos: para todo problema, há uma solução. A FAA parece acreditar que o inverso também é verdadeiro: se não há solução, então não há problema. A investigação do OVNI do Alasca é um desses casos. O relatório final da FAA concluiu


que os retornos de radar de Anchorage eram simplesmente uma “imagem dividida”, devida ao mau funcionamento do equipamento de radar, que apresentou segundos blips ocasionais, que tinham sido confundidos com um OVNI. Assim, a FAA não confirmaria que o incidente ocorreu. Contudo os três controladores que trabalharam com os pilotos, durante o longo avistamento, fizeram afirmações que contradizem esse achado: “Várias vezes tive retornos primários únicos onde o JAL 1628 relatou tráfego”, escreveu um deles. “Observei dados no radar que coincidiam com a informação que o piloto do JAL 1628 relatou”, afirmou outro. O porta-voz da FAA daquela época, Paul Steucke, disse que foi só uma “coincidência” que a imagem dividida caísse na distância certa e do mesmo lado do avião onde o objeto foi visualmente avistado pelo piloto. E o relatório final simplesmente ignorou completamente os três avistamentos visuais com todos os seus detalhes e desenhos, como se o evento realmente nunca tivesse acontecido. Lembre-se: ninguém que esteja voando em um avião pode ver uma imagem dividida. Então, em quem você vai acreditar: nos seus olhos mentirosos ou no governo?


CAPITULO 23 - Ocultação do Governo: Política ou Mito?

A diretiva da CIA de que “este evento nunca aconteceu”, como relatado pelo antigo funcionário da FAA, John Callahan, talvez seja familiar àqueles que lêem as declarações de testemunhas militares americanas aos eventos OVNIs. Foi dito mais ou menos a mesma coisa por seus oficiais superiores: não falem a ninguém sobre o incidente que você acabou de experienciar. Nos últimos anos, alguns dizem que ainda não podem falar publicamente, porque estão vinculados a juramentos de segurança e, sem dúvida, há muitos outros que, por medo de quebrarem tais juramentos, nem mesmo insinuam o seu envolvimento em um evento OVNI, enquanto ainda são militares da ativa. Mas um número de homens e mulheres corajosos, nos últimos anos, tem falado disso, apesar das ordens de juramento, sem repercussões. Essa repetida demanda por silêncio, acompanhada de uma super zelosa confidencialidade de documentos governamentais e das furtivas identificações errôneas lançadas pelo Projeto Livro Azul, e posteriormente pela FAA, tem levado a muita especulação se as agências do governo estão envolvidas em uma espécie de ocultação - uma política cuidadosamente orquestrada e amplamente difundida, oculta de quase todo o mundo, para manter em segredo “a verdade” sobre os OVNIs. Enquanto publicamente ignora e evita o assunto OVNI, sob a superfície e desconhecido até para aqueles subordinados amordaçados, um pequeno, contudo poderoso, grupo está ativamente ocultando um conhecimento explosivo, tal como a origem extraterrestre de pelo menos alguns OVNIs. No mínimo é isso que muitos - mesmo os conservadores - analistas chegam a acreditar. Por mais forçado que isso soe, essa suposição radical não pode ser descartada. Documentos provam que o fenômeno OVNI se tornou uma preocupação para a Força Aérea, a CIA e o FBI desde o final da década de 40, dando assim às autoridades americanas muito tempo para colher os melhores dados e estudar as evidências físicas. Obviamente, os militares ficariam extremamente interessados nas capacidades tecnológicas demonstradas por tais objetos, se pudessem ter acesso a elas. Precisamos considerar a possibilidade de que suficientes dados concisos - até material recolhido de OVNIs caídos - poderiam ter sido obtidos e estudados em segredo. Se os funcionários do governo estivessem famintos para descobrir algumas das chaves para estas novas e exóticas tecnologias, ou achassem que estávamos à beira de descobrir uma nova física, alguma coisa de um outro espaço-tempo talvez, as descobertas poderiam dar à América novas capacidades inimagináveis. Naturalmente, um estudo assim teria sido intimidante e poderia levar décadas. Não importa quão intenso seria, os cientistas ainda poderiam não ser capazes de descobrir muito a respeito do funcionamento ou origens dos OVNIs, dada a sofisticação dos sistemas tecnológicos, talvez indecifráveis, e tão notáveis, que para nós parecem quase mágicos. A analogia seria como a de um grupo de homens das cavernas obtendo repentinamente a posse de um aparelho de televisão, antes mesmo de compreender os conceitos fundamentais da eletricidade ou das ondas de rádio. Naturalmente, isso é pura especulação. Mas mesmo que nossos cientistas encobertos fizessem muito pouco progresso na compreensão do que tinham nas mãos, não é difícil imaginar que os responsáveis seriam extremamente cuidadosos para manter tal


informação revolucionária longe de algum país “inimigo” ou nações trapaceiras, incluindo a União Soviética, durante a Guerra Fria. Eles também estariam atentos a qualquer benefício econômico futuro, que pudesse resultar dessas tecnologias exóticas, e provavelmente iriam querer assegurar que as corporações americanas fossem as beneficiárias exclusivas de quaisquer avanços. Como discutido previamente, alguns documentos oficiais dos anos 40 e 50 claramente mostram que, tendo eliminado a opção do fenômeno como sendo alguma nova manifestação dentro do mundo natural, uma série de oficiais de alta patente realmente assumiram a posição de que os OVNIs eram interplanetários. Uma tendência para reter uma informação para o público sobre algo tão impensável é concebível, dadas as suas potencialmente vastas implicações. Talvez aqueles em posse do segredo apenas quisessem protelar a liberação da informação até que pudessem aprender mais, mas esse dia nunca chegou. Também, refletindo a equação de Nick Pope de “ameaça = capacidade + intenção”, teria havido muita preocupação em relação aos perigos inerentes. Uma resposta racional do governo teria sido a de compreender e controlar a situação tanto quanto possível, antes de reconhecer qualquer coisa sobre objetos voadores não identificados e manter essa explosiva informação em segredo. Nosso governo não quis arriscar uma histeria em massa. Obviamente, não sabemos com certeza se, ou não, tal programa de pesquisa secreto existe, embora haja palpites e sugestões, geralmente de relatos de indivíduos afirmando conhecimento indireto, o que mantém a questão viva. Ela é repetidamente levantada por aqueles curiosos sobre OVNIs, muitos dos quais encaram isso como uma questão de máxima e convincente importância. Porém, a noção alternativa é muito mais fácil de aceitar: que os Estados Unidos estão tão perplexos quanto qualquer outra pessoa sobre este mistério, e tão desamparados em confrontar um fenômeno imprevisível como qualquer outro país. A superpotência mundial simplesmente encolhe os ombros e olha para o outro lado, como se não houvesse nada a ser feito, focalizando-se em assuntos mais urgentes enfrentados pelos seres humanos do que no surgimento esporádico de algo estranho no céu. O fato é que, mesmo se eventualmente soubéssemos que um grupo de pesquisa secreto tem estado operando, o Estado (significando o governo, os militares e as estruturas científicas que criam nossa sociedade) indubitavelmente não está a par desta informação sobre os OVNIs. Qualquer esforço nos bastidores teria de ser tão exclusivo, tão inteiramente acobertado, que, de fato, sua existência não faria qualquer diferença para nosso governo ou país e para as pessoas que não sabem nada sobre isso, e que essencialmente são todas. Neste sentido, não tem importância para o negócio estabelecer uma agência americana, de modo que uma investigação aberta e mundial possa ocorrer. Contudo, muito embora a questão de um encobrimento seja realmente uma questão lateral, e continuará a ser tanto quanto tal programa - se é que ele existe mesmo - permaneça profundamente enterrado, permanece o foco do interesse público, muito debatido e frequentemente explorado em documentários de televisão. Nas entrevistas sobre OVNIs, esta é geralmente uma das questões básicas feitas. Quando me envolvi, inicialmente, com o assunto dos OVNIs, busquei fontes confiáveis, como qualquer jornalista investigativa responsável faria, tentando descobrir o que nosso governo realmente sabia sobre os OVNIs. O processo levou muitos anos, exigindo grande


cuidado e discernimento e, finalmente, as fontes começaram a me procurar também. Se escolhi ou não levar qualquer pessoa a sério, isso dependeu de meu julgamento pessoal, que, para mim, baseia-se em encontrar a pessoa sempre que possível, conversar muito com ela, conhecêla com o tempo, aprender sobre seu passado, verificar a precisão dos fatos relatados e compreender suas motivações. Também sempre busco corroboração. Quando sondando a questão de um possível programa de pesquisa do governo em relação aos OVNIs, ou qualquer outra coisa desse assunto que é altamente sensível, as fontes raramente fazem o registro por razões óbvias. Seus relatos são também extremamente difíceis de serem verificados, porque, mesmo que deem nomes de outros envolvidos, tais pessoas negarão qualquer conhecimento de um programa assim. O alarme pode soar a uma tentativa de se localizar tais indivíduos, de modo que, algumas vezes, pediram-me para não fazer isso. Esse tipo de informação, portanto, por mais excitante que possa ser, tem de ser relegada àquilo que os repórteres chamam de “fundo profundo”. Pode ajudar a informar como alguém encara um assunto, mas não centralmente. Pode nos cutucar numa certa direção, ou inspirar futuros inquéritos. É tudo muito intrigante, mas sempre fora do alcance. Fico desejando levar a sério tal informação sensível, quando duas ou mais fontes confiáveis e qualificadas relatam a mesma coisa independentemente uma da outra - por exemplo, quando homens de diferentes ramos do governo, que não se conhecem, com anos separando suas afirmações, fornecem essencialmente os mesmos relatos. E, no que se refere à questão de um programa de pesquisa secreto do governo sobre OVNIs, isso tem ocorrido. Um número de fontes confiáveis falaram-me sobre suas conversas com contatos militares de alto nível, que dizem que estão conscientes de um programa profundamente oculto de pesquisa de OVNIs, um dos quais é tão bem guardado que mesmo às pessoas dos mais altos níveis militares é negado o acesso a ele. Alguns desses relatos independentes incluem nomes e detalhes específicos. Ao longo dos anos, muita evidência de caso tem também indicado a plausibilidade desse tipo de programa, embora ele não possa ser autoritariamente determinado de uma maneira ou de outra. Algumas das fontes anônimas a que eu me referi incluem cientistas, todos com PhD, com currículos enormes e impressionantes, alguns dos quais trabalharam para a CIA ou outras agências de Inteligência - um astrofísico, um físico, um astrônomo, entre outros - e um engenheiro aeroespacial da NASA. Uma fonte militar, o Comandante Will Miller, da Marinha americana, aposentado, fez uma gravação de seu relato, enquanto mantinha certas especificidades confidenciais. Ele concordou em responder a uma série de perguntas que lhe apresentei no final de 2009 sobre a questão do sigilo governamental. Embora ainda bastante ativo, Miller, que agora vive na Flórida, aposentou-se da ativa em 1994, no mesmo ano em que foi condecorado com a Medalha de Serviço Meritório do Departamento de Defesa. Como um oficial naval e veterano condecorado do Vietnã, ele teve seu próprio avistamento de um navio da Marinha, enquanto servia no Vietnã. Depois, ele se tornou oficial sênior do centro de comando de operações; depois, analista sênior da Inteligência e administrador do programa de operações futuras do DoD, tais como o planejamento da III Guerra Mundial, sistemas de armas não letais e futuros sistemas espaciais. Foi consultor do Comando Espacial dos Estados Unidos e Comando do Sudeste americano e suas operações internacionais antidrogas, da Força Tarefa da Junta Interagências do Leste. Como especialista em operações especiais de contingência, Miller possuía autorização Top


Secret com acesso à Informação Comportamental Sensível (SCI), significando que tinha acesso à informação sensível, cujo manuseio é restrito a um passo além da classificação Top Secret, incluindo aquilo que está relacionado a tópicos e programas não publicamente reconhecidos. Quando oficial da ativa ao longo dos anos 80, Miller não escondeu seu interesse nos OVNIs. “Eu era simplesmente um oficial preocupado que estudava o assunto, olhava os fatos e conversava com os militares”, diz ele. “Pessoas com conhecimento pessoal me procuravam, porque sabiam que eu tinha interesse. Fiz isso por um longo tempo.” Em 1989, Miller tinha se tornado agudamente consciente de que oficiais militares de alta patente não estavam propriamente informados sobre o fenômeno OVNI e ele ficou preocupado, como os autores do COMETA, sobre o surgimento de possíveis questões de segurança nacional, não dos próprios OVNIs, mas de falta de preparação. Ele acredita que precisamos assumir que os OVNIs têm o mesmo direito de autodefesa à intenção hostil ou a atos hostis como outorgamos às nossas próprias forças militares. Felizmente, esses direitos não têm sido exercidos pelos OVNIs, tanto quanto se sabe, quando atacados. “Somente uma pequena fração tem demonstrado uma semelhança remota de hostilidade, e isso foi apenas após severa provocação, geralmente um ataque por aeronave militar”, diz ele. “Se todo o corpo de dados fosse examinado, a conclusão óbvia seria de que os OVNIs não são hostis. Isso é precisamente o que os militares americanos declararam após os muitos anos de estudo dos OVNIs: que eles não constituem ameaça à segurança nacional dos Estados Unidos.” Depois de aposentado da Marinha americana, Miller começou a dar passos para estabelecer uma série de briefings de informação, que culminaram nos encontros, em 1997, com o Vice Almirante Thomas R. Wilson, vide-diretor de Inteligência do Staff da Junta e, em 1998, com o Tenente General Patrick M. Hughes, diretor da Agência de Inteligência da Defesa (DIA). (Wilson, posteriormente, tornou-se diretor da DIA e Hughes o vice-presidente corporativo da Inteligência e Contra-terrorismo do Departamento de Segurança da Pátria.) Miller forneceu-me um relato confidencial detalhado desses encontros e daqueles que conduziram a conversação, incluindo pessoas, instruções preparatórias, tópicos discutidos e reações das pessoas. Ele explicou que levantou duas preocupações de segurança nacional: o risco de agressão da parte de humanos não informados em relação aos OVNIs, levando a um possível desastre, e o desprezo do governo em relação à preocupação do público sobre os OVNIs e sua recusa em fornecer respostas honestas a questões legítimas. Miller sente fortemente que o sigilo desnecessário ameaça o senso público de segurança pessoal, enquanto corrói a confiança nas instituições governamentais encarregadas de informar e proteger os cidadãos americanos. “Os oficiais têm universalmente recebido estas instruções com a mesma séria consideração de outras instruções sobre qualquer outra questão de segurança nacional”, diz ele. Contatei pela primeira vez o Comandante Miller dez anos atrás, em 1999, apresentado por um colega mútuo. Fiquei repetidamente impressionada pela semelhança de suas conclusões e abordagem expressas por aqueles militares franceses do Relatório COMETA, a mim comunicadas antes que Miller tivesse qualquer ideia de seu conteúdo. Ele e os oficiais franceses tinham todos passado por um processo semelhante para chegar a essas posições, mas dentro de Forças Armadas diferentes. Todos foram meticulosamente cuidadosos com o que diziam, sugerindo que sabiam mais do que poderiam revelar. Naturalmente, Miller nunca teve


a força dos números que o grupo francês teve - é uma voz solitária num vasto deserto e uma voz particularmente corajosa, dado o risco à sua reputação pelo fato de se associar ao assunto dos OVNIs. Enviei-lhe uma cópia confidencial do Relatório COMETA enquanto escrevia minha primeira história de OVNI para o Boston Globe. Passei, então, muitos meses em entrevistas telefônicas substanciais com ele, e nos encontra- mos pessoalmente um ano depois. Com o tempo, cheguei a conhecer e confiar nele como uma pessoa íntegra, de clareza e devoção a seu país, e o consulto regularmente sobre assuntos que envolvem os OVNIs e os militares. Bem conectado nos altos níveis do impenetrável mundo da Inteligência e dos militares, Miller é uma verdadeira “pessoa íntima” da mais alta ordem. Ele é um dos poucos que tem persistentemente levado sua preocupação com os OVNIs a autoridades acima dele, e passou muitos anos avaliando a relação oficial com o fenômeno através de seu acesso a generais e almirantes americanos, contatos na NASA e outras fontes de informação sensível. “Os oficiais militares com quem falei ficaram extremamente interessados em obter informação factual sobre o assunto OVNI, já que, mesmo no nível de almirante, eles não conseguiam obter essa informação através dos canais normais da Inteligência militar”, disseme Miller. Ao longo dos anos, conforme continuou a falar com seus contatos, tornou-se mais e mais convencido da existência de um bem dissimulado programa sobre OVNIs, baseado em declarações que, diz ele, confirmam esse fato, feitas pelo pessoal militar que comparecia às suas reuniões no Pentágono. Pedi-lhe, no final de 2009, sua avaliação geral. Ele respondeu em um e-mail: 1. É fato que há aqueles em altas posições no governo que têm interesse nesse assunto (em muitos casos, porque eles próprios ou membros de suas famílias tiveram um avistamento ou uma experiência pessoal com o fenômeno). 2. Quando o povo americano diz que o governo está no meio de uma ocultação maciça, na maioria dos casos isso NÃO é absolutamente verdade: as pessoas naquela posição em que você diria “eles têm de saber” absolutamente não sabem. 3. Permaneço firmemente convencido de que muitos militares e civis dos mais altos níveis das agências, departamentos e organizações são propositadamente mantidos no escuro, de modo que esses líderes podem plausível e honestamente negar conhecimento do assunto. Depois, pedi a Miller para elaborar quem está mantendo quem no escuro: O “grupo de controle” não pode permitir que qualquer informação de sua pesquisa fechada sobre os OVNIs seja acessada por qualquer um que não sejam aqueles especialmente autorizados pelo Programa de Acesso Especial Não Reconhecido (USAP). Nem os Chefes de Staff da Junta de Inteligência nem o próprio diretor da DIA podem obter QUALQUER informação sobre o assunto. Este é um fato. Porém, sei que fontes dentro de múltiplas organizações mantêm tal informação. A liderança permanece “protegida” de tal conhecimento. No que se refere a mim, a pergunta está respondida.


Ele acrescentou mais comentários sobre a questão do sigilo: De meu conhecimento, membros do Staff da Junta em geral têm apenas consciência dos OVNIs e de algumas das questões de sigilo vindas do que eles leem e assistem pela TV. De fato, não há segredos relacionados aos OVNIs desde o consenso de que não se provou a sua existência e, portanto, não possuem lugar na lista de tópicos secretos, sobre os quais os membros do Staff da Junta estão proibidos de falar. Porém, diz-se que, se uma pessoa encontrar documentos ou outras informações relacionadas ao assunto dos OVNIs que eram confidenciais, então essa pessoa seria obrigada a não discutir tal informação. O fenômeno é ignorado como se fosse um mito não provado, apesar da existência de informação confidencial sobre ele. Sei que essa informação reside nas “agências de três letras”. Isso não é surpresa, já que múltiplas agências no passado seguiram esses objetos, receberam relatos sobre eles e criaram relatórios ligados a encontros militares e/ou civis com os mesmos e/ou seus efeitos. Especialmente onde sistemas de vigilância e detecção estão em causa, uma pessoa sensata poderia assumir que as agências encarregadas da detecção e monitoramento do ar, do espaço e do mar, via vários sistemas técnicos de vigilância, detectariam periodicamente esses OVNIs/aeronaves ou teriam relatos dos mesmos a elas enviados, que poderiam, então, ser disseminados para as autoridades/consumidores finais que precisam saber. Seria possível manter um segredo assim? Miller referiu-se à possibilidade de um Programa de Acesso Especial Não Reconhecido (USAP) como uma localização potencial para um grupo que controlasse o acesso à informação OVNI. Os USAPs são um dos mecanismos conhecidos dentro do Departa mento de Defesa para o controle de informação sensível sem conhecimento público de sua existência. Um relato investigativo de Bill Sweetman, em Janes International Defense Review, lançou uma tremenda luz, na medida em que o DoD é capaz de manter segredos. Esses “projetos negros” dentro do DoD, oficialmente chamados de Programas de Acesso Especial (SAP), são estruturados para que os envolvidos em um componente não saibam o que está acontecendo em outro, impedindo o conhecimento do quadro maior. Mais profundamente enterrado está o USAP a que Miller se referiu: um programa negro tão sensível que o fato de sua existência é um “núcleo secreto”, definido na regulamentação da Força Aérea dos Estados Unidos como “qualquer item, progresso, estratégia ou elemento de informação cujo comprometimento resultaria em falha irrecuperável”. Isso significa que se exige de todos os participantes a negação da verdadeira existência do programa, se confrontados, uma vez que até o “sem comentários” é considerado uma confirmação164. A ocultação desses projetos é apoiada pela “disseminação de dados falsos, mas plausíveis, ou desinformação”. Frequentemente, a informação falsa é acompanhada de alguma verdade, de modo que as duas são indistinguíveis e a verdade, portanto, é desacreditada. “Apresentada com um muro de negação e com maneira nenhuma de se dizer a diferença entre desinformação fortuita e aquela deliberada, a maior parte da mídia abandonou qualquer tentativa séria de investigar programas confidenciais”, escreve Sweetman. Talvez, como vem sendo revelado em ocasiões ao longo das décadas, alguns dos documentos oficiais vazados e personagens


sombrios com alegações ferozes, emergindo das profundezas do mundo escuro da Inteligência, poderiam ser parte de um programa de desinformação oficial, protegendo da verdade a propriedade exclusiva dos USAPs, confundindo aqueles que chegam muito perto dela. Nós simplesmente não sabemos. Em 2008, adquiri um documento extremamente interessante do Reino Unido, silenciosamente liberado a um pesquisador através de um pedido de FOI. Ele chegou perto de verificar a existência de tal grupo secreto na América - o único documento governamental legítimo, confirmado, a fazer isso, que eu saiba. Acontece que foi escrito em 1993, durante uma excursão de dever de Nick Pope, no “escritório OVNI” do Ministério da Defesa, no qual ele desempenhou um papel em sua concepção e execução. Intitulado “Estudo de Fenômenos Aéreos Não Identificados” e possuindo apenas uma página, o documento é uma proposta para um estudo (que foi aprovada e se tornou o Projeto Condigno, descrito no Capítulo 17). Iniciado pelo Staff de Inteligência de Defesa (DIS), precisava da aprovação do departamento de Pope. Escrito por sua contraparte no DIS, foi encaminhado para o superior de Pope “Sec (AS)2”, o diretor representante do Staff Aéreo, e classificado como “Secret UK Eyes A”. A seção chave é o parágrafo 2, com duas partes redigidas e substituídas por fileiras da letra X: 2. Tenho consciência, a partir de fontes da Inteligência, que XXXXX acredita que tais fenômenos existem e tem uma pequena equipe estudando-os. Também tenho consciência de que existe um grupo informal na comunidade XXXXXXXXXXX e é possível que isso reflita uma organização mais formal.

Após cuidadosa consideração, baseada em raciocínio dedutivo, ofereço a seguinte análise. Antes de gastar recursos com qualquer estudo, a primeira coisa que uma agência do governo faria é verificar com seus aliados e descobrir o que eles já possam ter aprendido sobre o assunto que está sendo considerado. É razoável assumir que a Inteligência do Reino Unido faria essa verificação com seu aliado número um, os Estados Unidos, através de suas próprias fontes na comunidade da Inteligência, já que os funcionários desta, como aquele que escreveu essa proposta, trabalham diretamente com suas contrapartes em outros países. Em segundo lugar, também é lógico assumir que a Inteligência do Reino Unido estaria interessada no trabalho de quaisquer grandes países, jogadores importantes que podem ser adversários e, assim, são monitorados em base regular. Neste caso, esse país seria a Rússia. O próximo passo é voltar ao documento e ver se esses países fisicamente se ajustariam nos espaços com a letra X. O número de X usado no processo de redação não necessariamente corresponde ao número de letras que faltam. Portanto, quando se vê o que se ajusta, tem que se olhar para a quantidade de espaços, e não para o número de letras X. Isso só acontece com a palavra “Rússia”, que se ajusta à primeira linha, e as palavras “US Intelligence” (Inteligência dos Estados Unidos), que se ajusta perfeitamente na segunda linha em que os X foram colocados, quando se mede o comprimento das palavras em relação aos espaços, e também na manutenção dos espaços entre as palavras dentro de cada linha. Substituindo o X, o documento ficaria assim (a ênfase foi acrescentada): Tenho consciência, a partir de fontes da Inteligência, de que a Rússia acredita que tais


fenômenos existem e tem uma pequena equipe estudando-os. Também tenho consciência de que existe um grupo informal na comunidade da US Intelligence e é possível que isso reflita uma organização mais formal. O significado e as implicações dessas duas linhas, especialmente a segunda, valem a pena serem considerarados. A linha um não constitui nenhuma surpresa, já que muito se sabe sobre a pesquisa de longa data da Rússia e o interesse militar no fenômeno OVNI. Na linha dois, a afirmação “tenho consciência” significa que o escritor está afirmando um fato: o grupo informal existe. Um “grupo informal” é aquele que não fornece nada por escrito e nem deixa quaisquer registros para trás; é um grupo que escapa da visão dos Comitês da Câmara ou do Senado, e poderia ser estabelecido assim, porque seu trabalho corre contra a política estabelecida. Poderia ser parte de um SAP. Como foi definido por Nick Pope, “um grupo informal seria uma rede solta de indivíduos, talvez de certo número de diferentes agências, reunindo-se para discutir um determinado assunto, mas sem termos formais de referência”. A segunda metade dessa sentença começa com “é possível” - diferentemente de “tenho consciência”, essa frase não afirma um fato, mas apenas a possibilidade. Isso também é realmente muito revelador. Alguém precisa perguntar por que esse escritório de Inteligência não conseguiria obter mais informações sobre a natureza desse grupo de seu aliado mais próximo. Não lhe disseram muito sobre a natureza desse “grupo informal” e não foi capaz de determinar se isso refletia mais de uma estrutura “formal”, algo apropriadamente constituída. Isso atesta a natureza altamente secreta e profundamente enterrada do grupo informal. Se, de fato, essa interpretação está correta - e tenho muita razão em acreditar que está -, esse documento se refere a um grupo secreto dentro da Inteligência americana estudando ativamente os OVNIs. Esse é um pedaço de papel muito mais importante do que qualquer caso novo de relatos liberado recentemente pelo MoD, que tem recebido toda a atenção. A posição pública do governo dos Estados Unidos é a de que eles não têm investigado OVNIs desde 1970, quando o Projeto Livro Azul foi encerrado. Mas esse documento britânico - cuja proveniência está fora de discussão - potencialmente explode essa afirmação. Segundo essa análise, os Estados Unidos estão estudando OVNIs. Mas fazem isso da maneira revelada pelo Reino Unido; o programa está operando pelas costas não apenas do público e da mídia, mas também do Congresso, do Senado e do Presidente. Porém, isso não é de maneira nenhuma uma “prova” definitiva, já que nunca obteremos confirmação adequada, como no caso das palavras que faltam e que permanecem confidenciais. Abordei Nick Pope, esperando receber alguma pista, alguma mensagem oculta. Mas ele é muito profissional para ser pego com a guarda baixa. Ele reconhece que ajudou seu colega do DIS com o esquema da proposta de um estudo de OVNIs, e pode se lembrar que os nomes de dois países foram escritos no documento. Perguntei-lhe sobre minha avaliação das duas palavras que faltam e se ele poderia responder de algum modo a isso. “Sem Comentários” foi sua resposta. Esse material, embora intrigantemente sugestivo, não é de maneira nenhuma definitivo. Dando um passo atrás, precisamos refletir uma vez mais sobre o que realmente sabemos, para seguirmos em frente. Cautela, ou abrandamento, deve ser o nome do jogo, quando se lida com o assunto não aceito dos OVNIs. A realidade do que nós realmente sabemos é suficientemente


extraordinária. Para muitos, o processo de discernimento não é fácil. Os teóricos da conspiração e a mídia televisiva deram fôlego a uma mitologia intricada e baseada em rumores ao redor da ideia de uma ocultação, levando alguns a eliminar todo o assunto dos OVNIs como ficção científica fútil, e outros a engolir todo bocado oferecido. Aqueles que se situam no meio não têm maneira de diferenciar a informação válida daquela fantasiosa, que mistura tudo em uma grande tigela de uma sopa intragável. (Isso é essencialmente desinformação autocriada e nenhum agente secreto é necessário para espalhá-la, já que a mídia e as grandes fileiras da assim chamada comunidade OVNI cuidam disso elas mesmas.) Mas, por trás de todas as reações extremas, está o fato de que o Estado não parece querer que nós saibamos que os OVNIs existem. Já que sabemos que eles existem, temos de assumir que o governo sabe disso também. Se for assim, por que está ocultando isso? E o que é que está escondendo? As pessoas estão desesperadas por respostas e, muito frustradas, elas compreensivelmente chegam a desconfiar profundamente de nosso governo neste assunto. Alguns tiram vantagem dessa situação. Os chamados denunciantes, com vários níveis de saúde psicológica e clareza mental, regularmente pulam na tigela de sopa - pessoas que não têm relação com fontes confiáveis às quais me referi inicialmente - afirmando conhecimento direto de algum aspecto de uma ocultação sinistra do governo. Grupos indiscriminados sobre OVNIs transformaram-se, ou a seus porta-vozes, em heróis e enviam-nos para coletivas de imprensa, oferecendo-os como carneiros para o sacrifício, para serem ridicularizados pela mídia que se incomoda em tomar notas. E, em muitos desses casos claramente infundados, a zombaria é bem merecida. Outros se introduzem no mercado como acadêmicos ou ativistas, fazendo acusações sem base e afirmações sobre as más ações do governo em relação aos OVNIs, baseados mais em rumores do que em registros. Esses extremistas servem apenas para enlamear as águas e compor o pesadelo das relações públicas que os OVNIs já enfrentam no discurso público. Tristemente, esse é o único tipo de informação sobre os OVNIs a que muitos americanos vêm sendo expostos. Colocando o exagero de lado, oficiais aposentados e investigadores sérios tornam legítimo o ponto de que os fatos conhecidos sozinhos, tais como aqueles levantados ao longo deste livro, levam a perguntas perplexas e não respondidas sobre a confidencialidade do governo americano. Em 1990, o grupo francês do COMETA puniu os Estados Unidos pelo que ele chama de um “arsenal repressivo impressionante” de táticas de proteção à informação sobre OVNIs, incluindo uma política de desinformação e regulamentos militares proibindo a divulgação pública dos avistamentos. O Regulamento da Força Aérea 200-2 - “Relatando Objetos Voadores Não Identificados”, por exemplo, proíbe a liberação ao público e à mídia de quaisquer dados sobre “aqueles objetos que não são explicáveis”. Um procedimento ainda mais restritivo é delineado na Publicação 146 da Junta Exército, Marinha e Força Aérea, que ameaça perseguir qualquer um que esteja sob sua jurisdição - incluindo pilotos, agências civis, capitães da marinha mercante, e até alguns navios pesqueiros - pela divulgação de relatos daqueles avistamentos relevantes para a segurança dos Estados Unidos. Felizmente, não tenho consciência de quaisquer casos nos quais tais ações extremas foram tomadas. Mas sabemos com certeza, como mostrado pelo memorando de Bolender e arquivos do governo liberados através do FOIA, que o governo americano tem algum nível de


envolvimento nas investigações de OVNIs desde o encerramento do Projeto Livro Azul, apesar das afirmações em contrário. Contudo, os oficiais em geral são irracionalmente indiferentes a revelar eventos OVNI, como o foram durante os avistamentos do Vale do Hudson, nos anos 80, zombando e dando falsas explicações, quando pressionados. Sabemos também que documentos sobre OVNIs têm sido previamente classificados como confidenciais pelas agências do governo, como mostrado em sua última liberação, através do Ato de Liberdade de Informação, e que algumas informações permanecem assim. Os arquivos sobre OVNIs da Agência de Segurança Nacional (NSA) foram liberados em 1997, seguindo anos antes a lei, mas eram tão pesadamente editados (a NSA afirmou que todas as deleções tinham a ver com a proteção de métodos e fontes sensíveis) que eram virtualmente inúteis. Em resposta aos pedidos de FOIA, as agências inicialmente negaram ter documentos arquivados, que apareceram mais tarde em outro lugar, ou foram encontrados em uma segunda pesquisa. Os pesquisadores descobriram que, em muitos casos de OVNI onde relatórios oficiais foram preenchidos na época, nenhum pôde ser encontrado posteriormente, quando buscados nos locais lógicos. E, como foi afirmado também no memorando Bolender, os relatos de OVNIs que afetavam a segurança nacional eram arquivados fora do sistema Livro Azul. Onde estão esses arquivos e por que não podem ser todos liberados? Ao longo dos anos, mesmo funcionários seniores do governo fizeram um esforço para ter acesso à evidência oculta de OVNIs. O Senador Barry Goldwater tentou penetrar nos cofres da Base da Força Aérea Wright-Patterson, o lar do Projeto Livro Azul, durante a “era dourada” dos OVNIs dos anos 60, e descreveu seus esforços em uma série de cartas que escreveu em resposta a inquéritos anos depois. Goldwater, piloto licenciado e major general aposentado da Reserva da Força Aérea dos Estados Unidos, tinha estudado relatos de pilotos respeitáveis e tinha um interesse de muitos anos no assunto. Ele estava convencido de que um programa secreto sobre OVNIs existia. “A cerca de dez ou doze anos atrás, fiz um esforço para descobrir o que havia no prédio da Base Aérea Wright- Patterson onde a informação está armazenada e que tinha sido reunida pela Força Aérea, e este meu pedido foi compreensivelmente negado. Estava ainda classificada acima do Top Secret”, escreveu ele em uma carta de 1975165. Em uma carta, de 1981, a um pesquisador, Goldwater disse que - em relação a este esforço - “Tive uma longa série de negações de um chefe após o outro, de modo que desisti... Esta coisa é altamente classificada, muito embora, admitirei aqui, haja muita coisa sendo liberada, é impossível obter algo disso”166. Em 1983, ele escreveu: “Não tenho ideia de quem controla o fluxo do “preciso saber”, porque, francamente, disseram-me de um modo empático que não era da minha conta, que desde então eu nunca tentei torná-lo um assunto meu”167. Finalmente, quando perguntado durante uma entrevista de rádio em 1994, o Senador Goldwater disse: “Acho que o governo sabe. Não posso apoiar isso, mas acho que no campo Wright-Patterson, se você pudesse ir a certos lugares, descobriria o que a Força Aérea e o governo sabem sobre os OVNIs... Telefonei para Curtis LeMay e disse: ‘General, sei que temos um aposento em Wright- Patterson onde vocês colocam todo esse material secreto. Posso ir lá?’ Nunca ouvira falar que ele ficara furioso, mas ele ficou mais furioso do que os infernos comigo; amaldiçoou-me e disse: ‘Nunca mais volte a me fazer essa pergunta!’168” Um ano depois, em 1995, o congressista do Novo México Steven Schiff anunciou os resultados de uma investigação do Escritório Geral de Contabilidade (GAO), que ele iniciou


em nome de seus eleitores, tentando ter acesso a relatórios relacionados a eventos ligados a uma misteriosa queda em 1947, perto de Roswell, Novo México, que tinha se tornado famoso devido à crença popular de que o que tinha caído era um disco voador. “O Relatório do GAO afirma que as mensagens que saíram do Campo Aéreo do Exército de Roswell (RAAF) deste período de tempo foram destruídas sem a autorização apropriada”, explicou Schiff em seu comunicado à imprensa. “Compreendo que essas mensagens eram registros permanentes, que não deveriam nunca ter sido destruídas. O GAO não conseguiu identificar quem destruiu as mensagens ou porque.169” A Força Aérea afirmou por quase meio século que o objeto caído era um balão meteorológico. Em 1994, enquanto Schiff estava esperando os resultados do GAO, a Força Aérea se retratou dessa afirmação e anunciou que os detritos da queda eram realmente provenientes de um dispositivo então confidencial para detectar evidência de um possível teste nuclear soviético170. Naturalmente, essa explicação atrasada levanta novas questões suficientes para manter a controvérsia Roswell em andamento, uma delas incluindo um livro de testemunhos convincentes contradizendo a posição da Força Aérea. Os esforços infrutíferos tanto de Goldwater quanto de Schiff para obter informação através de canais oficiais não provam uma ocultação de conhecimento sobre o que são os OVNIs, como muitos gostariam de acreditar, mas revelam quão difícil é obter informação definitiva sobre os OVNIs do governo dos Estados Unidos. De fato, cada componente usado para argumentar que esse sigilo excessivo do governo demonstra que há uma ocultação de conhecimento sobre OVNIs poderia ter um monte de possíveis explicações alternativas. Sabemos que o FOIA não funciona eficientemente, e que a complicada burocracia envolvida com a manutenção de registros está sobrecarregada e não é bem organizada. Os OVNIs poderiam logicamente estar no fim da lista de prioridades. E onde estão todos aqueles que teriam trabalhado neste profundo programa negro - centenas ou milhares de especialistas, ou os membros sobreviventes de suas famílias? Certamente pelo menos alguns poderiam sentir o imperativo moral de compartilhar conhecimento ou descobertas sobre os OVNIs com o restante da humanidade, e poderiam aceitar o risco de fazer isso, talvez até buscando abrigo nos programas de proteção à testemunha. E ainda não houve, tanto quanto sabemos, nenhuma confissão no leito de morte ou testamentos de algum desses cientistas do governo, nem de qualquer esposa que revelasse a verdade sobre um Programa de Acesso Especial sobre OVNIs. Nem mesmo um. E, finalmente, não vimos os resultados de nenhuma tecnologia militar de retro engenharia verdadeiramente fantástica que poderia ter resultado de OVNIs capturados, apesar dos rumores em contrário. Diretivas para funcionários do governo e militares dando-lhes instruções para manter assuntos sensíveis em silêncio constituem um procedimento padrão de operações para uma série de assuntos e propósitos. O repentino surgimento de um objeto desconhecido criando uma devastação para os pilotos da Força Aérea não seria algo que qualquer autoridade militar desejaria tornar público, especialmente durante a Guerra Fria. Se os militares foram incapazes de identificar essa coisa, parece muito mais lógico que o evento seja mantido sob proteção. Mas isso não significa especificamente que haja uma ocultação dos OVNIs, ou que já aprendemos que natureza esses objetos desconhecidos possam ter. Uma série de preocupações com a segurança nacional poderia obrigar o sigilo governamental e os militares sempre preferem errar por excesso de sigilo ao oposto.


Retornando à análise mais fácil, talvez os projetos de pesquisa sensíveis dentro do governo americano evitem lidar com os OVNIs simplesmente porque até nossos funcionários mais especializados da Inteligência realmente não saibam muito sobre eles, e podem achar que não há nada a ser feito de um ou de outro modo. Os objetos não nos causaram prejuízos e há muitos outros assuntos mais imediatamente perigosos a serem tratados envolvendo a sobrevivência humana, tanto econômica quanto ambiental. Isso significaria que a única ocultação seja aquela que oculta qualquer reconhecimento de que os OVNIs existem e não envolve nada mais do que isso. E esse não reconhecimento tem sua própria lógica. Faz sentido que as autoridades não teriam motivação para anunciar publicamente que há máquinas desconhecidas aparentemente todo-poderosas voando sem restrições em nossos céus e além do nosso controle. Será que nosso governo iria querer reconhecer sua própria impotência em face de algo não identificado, contudo bem documentado? Algumas autoridades podem se preocupar com o pânico público, se soubermos o que eles são ou não. Mesmo que o governo reconheça a presença de um fenômeno não explicado, a hipótese extraterrestre tornar- se-ia parte do debate e, se o pensamento vier a ser de que eles provavelmente são veículos ou sondas de algum outro lugar, pareceria que eles têm completo poder sobre nós. Que órgão oficial iria querer descarregar uma bomba assim num mundo já tão instável? Por outro lado, é importante lembrar que a Força Aérea da Bélgica fez exatamente isso em 1990, bem como outros países, em relação a eventos específicos, e nenhum levante popular ou ondas de terror perturbaram essas sociedades. Em vez disso, as pessoas continuaram com suas vidas com muito menos necessidade do que encontramos aqui na América de criar explicações alternativas ou teorias de conspiração para satisfazer a curiosidade humana natural. Não obstante, neste país imenso e multicultural, que se vê como um líder planetário em muitas frentes, abrir aquela porta através de qualquer tipo de afirmação oficial parece permanecer totalmente desagradável. Porém, tal reticência do governo precisa e pode ser superada ou, pelo menos, contornada, segundo o antigo governador Fife Symington, do Arizona, que teve uma experiência única para dizer o mínimo - em ambos os lados desta cerca complicada, levando à sua atual posição sobre o assunto. Começando com a marcante coletiva de imprensa de 2007, ele e outros de todo o mundo formaram uma plataforma unida para buscar uma nova abordagem. Os cidadãos do mundo, incluindo os americanos, estão prontos a seguir em frente.


CAPITULO 24 - O Governador Fife Symington e o Movimento para a Mudança

Em 13 de março de 1997, uma década depois que a onda de OVNIs do Vale do Hudson se acalmou, vários OVNIs triangulares ou em forma de V fizeram uma série de novas aparições, dessa vez sobre o oeste dos Estados Unidos Era uma agradável noite de primavera no Arizona, clara e calma, e inúmeras famílias estavam fora de casa em número maior do que o usual, olhando para o céu, porque o cometa Hale-Bopp estaria visível naquela noite. Em vez disso, começando por volta das 20 horas daquela noite, todas foram brindadas com um espetáculo aéreo ainda mais assombroso: uma série de maciças aeronaves errantes silenciosas, planando pelo céu como nada que eles tivessem visto anteriormente. Um objeto central movia-se de norte para sudeste através do estado, viajando cerca de 320 km de Paulden para Tucson, passando perto de Phoenix e comunidades vizinhas. A exibição foi de 20hl5min até 21h30min. Muitas centenas - mais provavelmente milhares - de pessoas assistiram ao espetáculo. As linhas telefônicas do Departamento de Polícia ficaram congestionadas e a instalação da Força Aérea local, a Base Luke da Força Aérea, ficou sobrecarregada com as chamadas. Relatos de avistamentos de todo o estado inundaram as linhas do Centro Nacional de Relatos de OVNIs (NUFORC) - o bem conhecido repositório de relatos de OVNIs citado no manual da FAA - situado em Seattle, Washington. Mesmo assim, os controladores do tráfego aéreo aparentemente não registraram os estranhos objetos no radar. Embora as descrições das luzes diferissem, uma característica mais importante prevaleceu: a aeronave era maciça, era um objeto sólido e não simplesmente luzes, e frequentemente parecia estar a uma altitude muito baixa no céu, bloqueando a luz das estrelas por trás dela. Uma testemunha mais disse que ele conseguia ver claramente o lado de baixo dela e se ele tivesse atirado uma pedra, ele conseguiria atingi-la. Segundo relatos de testemunhas oculares nos arquivos do NUFORC, que recebeu seu primeiro relato às 16h55min, de Henderson, Nevada, um grupo de três pessoas, que disseram que a aeronave bloqueava a maior parte do céu, enquanto uma família de cinco pessoas descreveu estar olhando para fora pelas janelas do automóvel, enquanto dirigia a 120 km/h, e observou a aeronave incrivelmente imensa passando sobre seu carro. Um jogo teve de ser interrompido enquanto o maciço objeto passava sobre as cabeças de mães, pais, crianças e técnicos, que o olhavam incrédulos. Algumas pessoas descreveram sua cor como um cinza escuro semelhante ao de uma arma de metal, e muitas pessoas ficaram aterradas pelo silêncio do objeto, dado o seu tamanho, especialmente quando o viram sumir num piscar de olhos171. Foi difícil determinar quantos objetos estiveram presentes, porque os relatos variaram em termos do número de luzes, cores das luzes e movimentos. A velocidade da aeronave, ou aeronaves, variou de sem movimento até altíssimas velocidades em um instante. Telefonemas chegaram rapidamente ao NUFORC de muitas comunidades em diferentes localizações, sugerindo a probabilidade de que vários objetos estavam cruzando os céus, alguns talvez se movendo rapidamente entre as localizações. Levou muitos meses para que os investigadores civis assumissem o caso, para compilar todos os relatos, mapear as trajetórias e determinar


que, de fato, vários objetos foram vistos. Uma vez mais, como na onda do Vale do Hudson, nenhum funcionário do governo foi enviado para investigar ou responder às perguntas de cidadãos aterrados e alarmados. Falando sem rodeios, em 1997, o governo federal falhou em reagir à presença de algo imenso e desconhecido invadindo espaço aéreo restrito sobre uma capital dos Estados Unidos da América. A conselheira da cidade de Phoenix, Francis Emma Barwood, respondendo à pressão dos jornalistas e seus eleitores, foi a única funcionária eleita a lançar uma investigação pública. Mas ela disse também que não recebeu informações de nenhum nível do governo. Diz que falou com mais de setecentas testemunhas, que telefonaram para seu escritório, incluindo oficiais de polícia, pilotos e antigo pessoal militar, todos fornecendo descrições muito semelhantes dos objetos. Ainda, funcionários do governo pareciam não estar interessados. “Eles nunca entrevistaram uma testemunha sequer”, disse-me Barwood em uma conversa a alguns anos atrás. “Como poderiam eles possivelmente não saber sobre aquela imensa aeronave voando baixo sobre grandes centros populacionais? Isso é inconcebível, mas também assustador.” Devido a seu desejo de responder às preocupações do público sobre o incidente, Barwood foi impiedosamente ridicularizada por grande parte da mídia de Phoenix, incluindo um bem conhecido cartunista de um grande jornal do Arizona, e ela também sofreu comentários depreciativos de figuras políticas masculinas. “O que me aconteceu foi uma lição para outros funcionários eleitos”, disse-me ela. “Se você fala sobre isso, será ridicularizada, humilhada, agredida com tudo o que você pode imaginar e, finalmente, perde a credibilidade.” A mídia forneceu uma cobertura mínima na época do incidente, mesmo em Phoenix, com poucos jornais locais e noticiários dando notas, mas não deram prosseguimento. Três meses depois, em 18 de junho, tudo isso mudou quando o USA Today trouxe o caso à tona sob luzes nacionais172 com uma história de primeira página. Depois, ela foi catapultada para uma rede de notícias noturnas, quando os avistamentos foram apresentados, embora minimamente, pela ABC e NBC, e tornou-se conhecida como “As Luzes de Phoenix”. Na época em que a história do USA Today surgiu, a pressão foi se elevando dentro do estado do Arizona, e a reação pública intensificou-se através deste novo nível de atenção da mídia nacional. Cidadãos frustrados queriam respostas. No dia seguinte, 19 de junho, o governador republicano Fife Symington anunciou, pela manhã, na televisão, que ele estava ordenando uma investigação completa e que faria “todos os inquéritos necessários. Chegaremos ao fundo disso. Descobriremos se foi um OVNI”173. Posteriormente, naquela tarde, ele deu uma coletiva de imprensa, dizendo às pessoas que ele revelaria a fonte por trás das Luzes de Phoenix. Com a cobertura de uma mídia excitada e cidadãos grudados em seus aparelhos de TV, esperando as notícias, Symington chocou alguns, irritou outros e divertiu muitos mais, quando apresentou suas “explicações”. Seu chefe de staff, Jay Heiler, algemado e usando uma fantasia de alien, com uma grande máscara cinza de borracha, com enormes olhos negros, que cobria toda a sua cabeça, entrou no aposento escoltado por oficiais de polícia da segurança pública. O governador apresentou o fantasiado como “a parte culpada”. Enquanto os risos enchiam o aposento, ele gracejou: “isso só serve para mostrar que vocês são demasiado sérios”, e a máscara foi removida diante das câmeras174.


Symington também anunciou que ele tinha feito inquéritos com o comandante da Base Luke da Força Aérea, o general encarregado da Guarda Nacional, e o chefe do Departamento de Segurança Pública, mas não tinha sabido de nada àquela altura dos acontecimentos. Essa importante afirmação foi ofuscada pelas reações do que ele agora chama de sua coletiva “fajuta” de imprensa. Como seria de se esperar, o escritório da Conselheira Barwood foi bombardeado por ligações telefônicas de pessoas indignadas, e o governador recebeu sua cota também. Incapaz de chegar a qualquer lugar por si mesma, Barwood abordou o Senador pelo Arizona, John McCain, e pediu-lhe para conduzir uma investigação, e como ele explicou, em uma carta de outubro de 1997 a um eleitor: “A Força Aérea informou meu escritório, em julho, que o Departamento não mais conduzia investigações sobre OVNIs”. McCain passou então a explicar que as instalações militares locais, porém, “fizeram um esforço para resolver o assunto, verificando registros daquela noite, e ele foi informado que a Guarda Nacional tinha derramado chamas de magnésio de alta intensidade no sudoeste de Phoenix, entre 21h30min e 22h, que poderiam ser vistas por 240 km175. De fato, as notícias e documentários da televisão sobre as Luzes de Phoenix repetidamente destacou um vídeo feito por volta das 22 horas por um fotógrafo amador, como se representasse uma sequência real do OVNI. O agora infame vídeo foi submetido a uma análise detalhada por pelo menos dois profissionais qualificados, e ambos determinaram que as luzes brilhantes mostradas suspensas em fileira sobre a crista de uma montanha e, depois, sumindo de vista, eram realmente labaredas176. Já que o vídeo amador foi feito às 22 horas, a mesma hora que a Guarda Nacional afirma estarem caindo as labaredas LUU2, como parte de um exercício de treinamento conhecido como “Operação Snowbird”, e a análise fotográfica confirma que as luzes neste filme eram quase certamente labaredas; o questionável vídeo posterior não é a evidência que muitas pessoas tinham desejado. Esse fato parece ter sido negligenciado pela mídia, faminta por alguma coisa visual, quando relatam a história. O tempo de caimento das labaredas é extremamente importante. Os avistamentos mais amplamente vistos de objetos não identificados através do Arizona naquela noite começaram aproximadamente às 20h15min, embora alguns objetos tenham sido vistos mais cedo, à luz do dia. Claramente, os sobrevoos de OVNIs foram um evento separado e independente das labaredas posteriores. É interessante que, em sua carta, o Senador McCain, um amigo de longa data do governador Symington, informou a seu eleitor curioso que ele ainda estava explorando outras possíveis explicações. Em uma coletiva de imprensa, em 2000, McCain reconheceu que um incidente no qual luzes misteriosas foram vistas sobre o Arizona tinha realmente ocorrido. “Isso nunca foi completamente explicado”, ele disse, “mas tenho de dizer-lhes que não tenho nenhuma evidência, seja de alienígenas ou de OVNIs”177. Naquele mesmo ano, uma ação coletiva foi movida, na Corte Distrital de Phoenix, por testemunhas exigindo uma explicação do governo federal. Em resposta a um pedido ordenado pela corte para uma busca por essa informação, o Departamento de Defesa manteve que não conseguiu encontrar qualquer informação sobre objetos triangulares. Ele forneceu detalhes deste processo de pesquisa ao juiz da Corte Distrital, Stephen M. McNamee. Em 30 de março de 2000, três anos após os avistamentos, McNamee concluiu que “uma pesquisa razoável foi conduzida”, muito embora


nenhuma informação tenha sido obtida, e ele destituiu o caso. Não temos maneira de medir quão completa essa pesquisa realmente foi. E a afirmação do DoD parece aberta a questionamentos, especialmente à luz de um inquérito britânico anterior sobre a aeronave triangular observada sobre a Base da Real Força Aérea, em Cosford178. Como relatado por Nick Pope, esse objeto foi visto sobre uma centena de testemunhas, na Inglaterra, em 1993, incluindo oficiais de polícia e pessoal militar. Na época, o MoD enviou uma carta discreta à Embaixada dos Estados Unidos, que foi “divulgada para todas as ‘Agências interessadas’ nos Estados Unidos”, para descobrir se o objeto de Cosford poderia ser atribuído a algum protótipo secreto americano, tal como o Aurora. Em resposta, os oficiais americanos disseram que tinham tido os seus próprios avistamentos desses grandes OVNIs de forma triangular e queriam saber se a RAF poderia ter uma aeronave assim! Essa resposta notável equivale a um reconhecimento pelos oficiais americanos - que provavelmente eles não esperavam que se tornasse público - de que, em 1993, eles tinham consciência da existência de objetos não explicados operando sobre os Estados Unidos com as extraordinárias capacidades atribuídas aos OVNIs de Cosford. Talvez estivessem aludindo à onda do Vale do Hudson dos anos 80, embora outros avistamentos tenham ocorrido desde então. O importante é que esses oficiais reconheceram a semelhança entre o objeto de Cosford e aqueles vistos aqui, e estavam suficientemente perplexos para expressar sua esperança de que os OVNIs americanos pudessem ser uma aeronave secreta britânica voando sem autorização, uma proposição altamente improvável dada a relação íntima com o Reino Unido. Após essa troca de correspondências, o MoD britânico deixou de lado o incidente de Cosford. “Nenhuma das explicações usuais serviu para explicar os avistamentos de OVNIs”, afirmou o MoD. A evidência mostrou que “um objeto (ou objetos) não identificado de origem desconhecida esteve operado sobre o Reino Unido” (grifos nossos). Os funcionários americanos tinham inadvertidamente reconhecido, privada e secretamente, naturalmente, que isso também era verdade nos Estados Unidos, ao concordarem que os nossos OVNIs se comportaram da mesma maneira que aqueles na Bretanha. Parece inconcebível que só alguns anos depois, em 1997, funcionários dos Estados Unidos de algum lugar não tenham levado a sério avistamentos semelhantes no Arizona. Obviamente, os funcionários do DoD, respondendo à ordem de pesquisa da Corte, não eram os mesmos que tinham respondido ao MoD sobre o triângulo de Cosford, Provavelmente, não sabiam nada da troca de correspondências anterior. Porém, o inquérito britânico sobre o OVNI de Cosford foi enviado a “todas as agências interessadas”, o que deve ter incluído algum departamento dentro do DoD. Infelizmente, não temos nenhum modo de determinar a profundidade da pesquisa do DoD, nem sabemos de onde a questão intrigante sobre nossos próprios triângulos misteriosos, afirmados ao Reino Unido, originou-se dentro de nosso governo. Em 2000, durante o litígio na Corte, o DoD não inquiriu autoridades de outros departamentos do governo como parte de um esforço para fazer tudo o que fosse possível para obter a informação sobre esses objetos? Não faria sentido que o DoD poderia até abordar o Reino Unido naquelas circunstâncias, como tinha feito antes, para descobrir se aquele país tinha tido ocorrências semelhantes? Não foi isso o que a Corte lhes pediu para fazer e assumimos que este nível de pesquisa e comunicação não ocorreu. Entretanto, é difícil sondar como o staff do DoD, a quem foi exigido descobrir algo sobre os objetos de 1997, conseguiu


não ter absolutamente nada que resolvesse as questões levantadas pelo cidadãos do Arizona, e não ter se preocupado com a reação pública ao incidente. Se, de fato, o DoD não tinha qualquer informação sobre os objetos não identificados de origem desconhecida operando sobre os Estados Unidos, em 1997, em qualquer lugar dentro do departamento, isso em si mesmo é um admirável estado das coisas. Os oficiais de lá tinham ficado alarmados pela informação fornecida pelos depoimentos das testemunhas através da Corte e não queriam descobrir mais? Alguém poderia considerar tal desdém em relação a um maciço objeto flutuando sobre um Estado americano como altamente irresponsável, especialmente daqueles encarregados de defender o nosso país. Outros poderiam considerar isso tão inexplicável, que especulariam se o pessoal do DoD não foi instruído por emissários dos “controladores” da informação sobre OVNIs dentro de um programa negro secreto para ficar quieto. Talvez as coisas tenham mudado desde 11 de setembro, pois agora parece ser difícil de imaginar que tal objeto aparentemente avançado tecnologicamente, capaz de escapar da detecção do radar, pudesse viajar silenciosamente sobre uma capital e não ser notado pelas autoridades federais. Contudo, até hoje, os funcionários americanos continuam a manter encobertas as Luzes de Phoenix e outros avistamentos americanos de misteriosos triângulos gigantescos que ocorreram desde então. O caso fervilhou nos sete anos seguintes até que o antigo governador do Arizona, Fife Symington trouxe-o à luz, em 2007, na época do décimo aniversário das Luzes de Phoenix. Inesperadamente, ele fez um dramático anúncio surpresa: que ele próprio - apesar de sua fajuta coletiva de imprensa, enquanto era governador - tinha realmente testemunhado o que ele chamou de “aeronave de origem desconhecida” juntamente com seus concidadãos naquela mesma noite de março, mas tinha decidido não tornar isso público. Além disso, ele afirmou que o caso permaneceu não resolvido, que deveria ser oficialmente investigado e que os incidentes com OVNIs em geral precisavam ser levados a sério pelo governo dos Estados Unidos. Nessa inesquecível noite de março, de 1997, Symington já tinha chegado em casa e estava assistindo os noticiários, quando recebeu algumas ligações telefônicas sobre o avistamento. Ele pulou em seu carro e, sem acompanhamento de seu segurança, que já tinha ido embora, dirigiu-se a um parque próximo a Squaw Peak, fora de Phoenix, e muito surpreso viu algo altamente incomum, brilhantemente iluminado, sobre a sua cabeça. “Foi dramático”, disse ele em nossa primeira entrevista. “E não poderiam ter sido labaredas, porque era muito simétrico. Tinha um perfil geométrico, uma forma constante.” Formado em Harvard e veterano da Força Aérea, condecorado pelo Vietnã, Symington é neto de Henry Clay Frick, o magnata do carvão e do aço, e primo do último Stuart Symington, Senador Democrata pelo Missouri. Ele foi o governador republicano do Arizona por dois mandatos: em 1991 e reeleito em 1994. Piloto de longa data, ele voa frequentemente em seu avião bimotor Beechcraft Baron, entre suas duas casas: em Phoenix e Santa Bárbara, na Califórnia. Symington foi o primeiro a se apresentar no final de 2006, quando meu colega James Fox, um talentoso cineasta de documentários, enviou-lhe uma cópia de seu documentário Out of the Blue, que inclui a cobertura das Luzes de Phoenix. Fox estava acrescentando novo material ao aclamado filme, para um relançamento. Ele nunca tinha falado com o antigo governador e


decidiu abordá-lo para ver se descobriria por que Symington tinha encenado aquela infame coletiva de imprensa fajuta. Fox tinha entrevistado inúmeras testemunhas que não acharam graça naquilo e ainda estavam aborrecidas pelo que, para elas, tinha sido zombaria e escárnio do governador. Ele assumiu que, dado aquele comportamento, o governador conservador não levara os OVNIs a sério e não esperava que Symington concordasse com uma entrevista. Quando recebeu Out of the Blue, Symington assistiu e aparentemente achou-o fascinante, mas, inicialmente, ficou hesitante em responder. Finalmente, ele concordou. Naquele ponto, diz Symington, ele decidiu que, quando encontrasse o cineasta, ele lhe contaria toda a história. “Eu estava enjoado e cansado das pessoas serem ridicularizadas por relatarem avistamentos legítimos”, explicou-me posteriormente, e decidiu que era a hora de assumir uma posição. E James Fox não tinha ideia do que estava armazenado, quando se encontrou pela primeira vez com o antigo governador, em Santa Bárbara, e ligou suas câmeras. Parecia que os dois homens iam se bater imediatamente. Em certo ponto durante a entrevista filmada, Fox ligou seu gravador. Enquanto a câmera mantinha um close-up do rosto de Symington, capturando sua sutil mudança de expressões. Fox o fez ouvir uma mensagem pessoal, que ele tinha registrado de uma das antigas eleitoras do governador, Stacey Roads. Roads e sua filha adolescente foram testemunhas do OVNI do Arizona, e ela começou pela descrição exata de onde eles estavam quando ela viu a aeronave. “Um triângulo maciço passou sobre a 1-10 e sobre meu carro. Era tão grande que, se eu abrisse um jornal e o colocasse sobre as minhas costas, não conseguiria bloquear o objeto inteiro. Ele estava viajando muito lentamente e sem qualquer ruído”, dizia ela na gravação. E esta continuou com Fox perguntando a Roads se tinha alguma pergunta a fazer para o governador, e ela respondeu: “Isso ainda é um assunto ridículo para ele, após ter aparecido na TV com seu alienígena, fazendo-nos todos assistir aquela tolice? Nós todos permanecemos firmes em nossas descrições e muitas evidências apareceram desde então. Ele ainda sente que esta é uma questão ridícula ou assumiu uma nova posição?” O governador Symington respondeu imediata e pensativamente sem um pingo de fanfarronice. “Nunca senti que toda a situação tinha a ver com o ridículo, embora certamente tenhamos tirado vantagem disso. Não há dúvidas sobre isso”, admitiu ele. “Mas não considero que seja ridículo. Era uma ocorrência legítima; uma aeronave de origem desconhecida; quem sabe de onde; inexplicável e provavelmente um dos maiores avistamentos na história moderna do país, porque tantas pessoas o viram em Maricopa County - e eu o vi também.” James Fox estava absolutamente despreparado para tal resposta. “Eu fiquei chocado”, relembra ele. “Levei um tempo para processar tudo. Fiquei pensando: Eu realmente ouvi o que eu achava que tinha ouvido? Meu impulso imediato foi me certificar de que as câmeras estavam gravando, e elas estavam. Eu não queria pressionar, mas queria que ele se sentisse à vontade. Fui embora e revisei a gravação. Levou um dia ou dois para que a ficha realmente caísse e para que eu percebesse que eu tinha algo imenso aqui.” Tendo mantido escondida a história de Symington por cerca de seis meses, James Fox me telefonou no começo de 2007 para me contar sobre essa entrevista, porque estávamos nos aproximando do décimo aniversário das Luzes de Phoenix, com eventos comemorativos planejados no Arizona. Discutimos a possibilidade de apresentar a história na mídia impressa naquela época, pouco antes do lançamento do filme atualizado, o que incluía a entrevista


original. Symington pareceu ficar satisfeito com a ideia de ter a primeira peça escrita sobre o seu testemunho do avistamento do OVNI apresentada por alguém que compreendeu o problema maior e o contexto apropriado para a história, e quem a trataria com respeito. Como jornalista, naturalmente fiquei deliciada com este “furo”, e sabia que os repórteres da corrente principal da mídia iriam correr atrás disso depois, incluindo aqueles que tinham levado à imprensa o incidente de Phoenix anos atrás. Mas, dessa vez, eles seriam forçados a ler uma peça séria, apropriada, bem pesquisada, antes que pudessem agarrar a notícia por si mesmos. Essa era uma oportunidade, embora efêmera, para que eu apresentasse uma história de OVNIs da maneira que deveria ser contada. Fui introduzida a Symington via telefone e conduzi uma longa entrevista, na qual ele expandiu o que tinha dito a James Fox. Fui atingida por sua sinceridade e, embora ele fosse agora um homem de vida relativamente privada, que não tinha mais interesse em se candidatar e não apreciava a exposição na mídia, ele manifestou seu compromisso em ajudar tanto James quanto a mim em nossos esforços para trazer maior credibilidade ao assunto dos OVNIs e impactar a política do governo. Em 18 de março de 2007, publiquei a história de Symington em um artigo de primeira página de um jornal relativamente pequeno do Arizona, The Daily Courier, com a manchete: “Symington Confirma que Viu o OVNI a 10 Anos Atrás”. Escolhi o Courier porque tinha um registro passado de fornecer uma cobertura boa e justa das Luzes de Phoenix. Como antecipado, a história teve um impacto dramático e percorreu as salas de notícias da televisão nacional durante dias, colocando grande demanda sobre Symington. Ele apareceu na CNN e na Fox News, mas recusou todos os outros pedidos. Ao longo dos anos, entrevistei Symington muitas vezes mais e cheguei a conhecê-lo bem. Sua notável jornada pessoal, tanto como governador quanto como testemunha de avistamentos de OVNI, forçado a lutar simultaneamente com o impacto de seu próprio avistamento e com a força restritiva do tabu OVNI sobre funcionários eleitos, é altamente incomum. Certamente lhe dá uma perspectiva única e o levou a se tornar um advogado pela mudança de uma ultrapassada e contraproducente política - ou não política - sobre os OVNIs em Washington. Mas o que torna a situação de Symington ainda mais excepcional é que, embora ele tenha ficado atemorizado por seu avistamento e acreditasse que essa aeronave não poderia ter sido construída pelo homem, ele simplesmente não a ignorou. Foi longe demais na outra direção, a ponto de promover uma coletiva de imprensa fajuta, com uma pessoa fantasiada de alienígena, que inadvertidamente insultou as outras testemunhas. Como podia ele rir disso, fazer piada, dada a sua experiência direta de um evento fisicamente real e inexplicável, alguns meses antes? Em retrospecto, Symington diz: “Se tivesse de fazer tudo novamente, provavelmente teria lidado com isso de maneira diferente”. Mas o estado do Arizona estava “à beira da histeria” com o sobrevoo de OVNIs, quando ele promoveu a conferência de imprensa, e a loucura aconteceu. “Eu queria aliviar as pessoas, acalmá-las, assim introduzi um pouco de leveza. Mas nunca achei que a situação toda fosse um caso de zombaria”, diz ele. Foi por isso que, dez anos depois, livre dos constrangimentos do escritório político, ele queria esclarecer as coisas e fazer as pazes com seus eleitores, como Stacey Roads. Agora, podemos obter uma compreensão clara do antigo governador dentro daquilo que


levava os funcionários do governo a resistir intensamente ao simples reconhecimento da mera existência de algo não identificado no céu, que não tem de ser associado com algo extraterrestre ou alienígena. Nesse caso incomum, o funcionário sabia que era real, porque o tinha visto com seus próprios olhos e não teve de confiar apenas nos relatos das testemunhas. Mas centenas de outros também o viram! Ele ainda espera se retratar. Como ele pôde se reprimir? E por que ele se sentiu compelido a fazer isso? Ele explica dessa maneira: Você não é uma pessoa normal quando é um governador. Você tem de ser extremamente cuidadoso sobre afirmações públicas e como você se controla. Uma figura pública está sempre pronta para ser atacada. Tudo é usado pela mídia e por seus opositores. Você tenta evitar ser assunto de ridicularização áspera, porque tem séria responsabilidade enquanto está nesta função, e sua estatura pública está diretamente relacionada à sua capacidade de fazer as coisas. Se, de repente, você é tipificado como palhaço ou maluco, não será eficaz. Tive de fazer uma escolha. Minha principal prioridade era cumprir as responsabilidades para as quais fui eleito como governador. Nos meses que se seguiram ao evento, Symington observou a imprensa fazendo piada de sua amiga Francês Barwood por simplesmente levar a sério o avistamento, em resposta à pressão pública - e ela nem mesmo tinha sido testemunha. Ele também teve de lidar com a sua parcela de batalhas políticas dentro do mundo vicioso da política do Arizona e diz hoje: “Consegue imaginar o que teria acontecido se eu tivesse dito alguma coisa?”. Embora sua decisão seja compreensível, esse é um comentário triste sobre nossa política não dita em relação aos OVNIs e o poder desse tabu irracional e habitual que a maioria de nós não tem questionado, e que levou o governador Symington a acreditar que seria rotulado de “palhaço” ou “maluco” se reconhecesse algo que ele e tantos outros tinham visto no céu. Embora estivesse politicamente em risco, tais rótulos prejudiciais não são apenas perigosos para figuras políticas, como ele, mas também são prejudiciais quando aplicados, todos os dias, às pessoas que testemunharam o fenômeno. Imbuídas de preconceitos e de um medo irracional do desconhecido, tais atitudes vêm se entrelaçando à nossa cultura por mais de cinquenta anos e não é bem compreendida. Mas a experiência de Symington mostra porque funcionários eleitos e oficiais de altas patentes militares, na América, esperam a aposentadoria antes de se arriscarem a dizer qualquer coisa sobre os OVNIs, não importando qual a sua experiência. Naquela época, esse governador encontrou-se diante de uma situação sem precedentes. Repentinamente confrontado com uma escalada de protestos públicos seguindo uma não antecipada cobertura noticiosa nacional de um avistamento de OVNIs em todo o estado, ele tinha de agir rápido. Ele sentiu que era urgente mudar o estado de espírito de todos. Sua administração estava por conta própria naquele momento, sem ideia do que tinha passado pelos céus de Phoenix, ou como lidar com as consequências deste evento momentoso. Não houve apoio do governo federal aos funcionários estaduais, não houve respostas das autoridades locais, e a ridicularização pública tinha sido desencadeada contra aqueles que ousavam questionar o que tinha acontecido. Assim, contando com suas próprias forças pessoais para lidar rapidamente com um problema altamente incomum, o governador Symington optou por


um embuste público para aliviar as coisas e cortar o ímpeto com um duro golpe. “E nunca achei que este avistamento representasse algum tipo de ameaça”, explica ele. “Também tenho um bom senso de humor. Todo mundo, incluindo a mídia, foi pego de surpresa. Isso pareceu um modo efetivo de mudar as coisas.” Imagine, por um momento, se um escritório do governo encarregado de investigar eventos OVNIs como este - exatamente o que estamos esperando estabelecer agora - já existisse naquela época das Luzes de Phoenix e o caso tivesse recebido o tratamento adequado. Pode-se imaginar o seguinte: durante o evento real, em resultado de algumas ligações de Washington, pilotos já estariam no ar e a eles teria sido pedido que voassem perto dos objetos, observassemnos e, se possível, tirassem fotografias. Os jatos da Força Aérea teriam sido lançados para se obter uma visão mais próxima e tentar envolver os objetos. Controladores civis e militares de tráfego aéreo poderiam tentar captá-los no radar, e as bases militares poderiam tentar contatálos via sinais de comunicação enviados por nossa melhor tecnologia. Telescópios de alto poder teriam sido apontados para os céus, para a altitude adequada, para possivelmente ver os objetos. O investigador chefe de nosso escritório OVNI teria estado ao telefone, em contato com uma equipe local de cientistas e especialistas da aviação, já no solo do Arizona ou nos estados vizinhos, como parte de uma rede estabelecida. No começo da manhã seguinte, o funcionário de nossa agência teria sido despachado para Phoenix, para uma reunião com todos os funcionários relevantes, incluindo, naturalmente, o governador. Seu próprio avistamento, e talvez aqueles de outros funcionários ou de seus familiares, junto com pilotos comerciais e militares, teriam sido discutidos e documentados. Testemunhas civis teriam sido encorajadas a preencher relatórios independentes e fornecer desenhos do que tinham visto, junto com fotos ou vídeos domésticos, tão rapidamente quanto possível. Repórteres teriam fornecidos filmes e entrevistas com testemunhas gravadas por câmeras de TV na noite anterior. Nosso funcionário de coordenação do escritório central teria tido acesso a todos os registros de radar e poderia entrevistar controladores de tráfego aéreo, oficiais de polícia, e teria tido acesso às ligações telefônicas recebidas pelos escritórios do governo, e a todos os pilotos que tivessem voado perto dos objetos. As bases da Força Aérea e as instalações militares no Arizona - todas tendo estado em alerta durante o sobrevoo - teriam sido abordadas em relação aos objetos, e informariam os investigadores se alguma labareda ou formações incomuns de luzes, ou quaisquer outras manobras militares estivessem sido programadas para aquela noite. O público teria sido informado através de uma série de coletivas de imprensa - como aquelas fornecidas pelo Conselho de Segurança do Transporte Nacional (NTSB), por exemplo, nos dias seguintes à queda de um avião - sobre o progresso das investigações. E aos cidadãos teria sido garantido que o avistamento não constituiu uma ameaça, que ninguém tinha sido prejudicado, que as autoridades apropriadas estavam investigando o incidente, e que o público seria mantido informado do desenvolvimento das investigações. Idealmente, esse evento não teria se tornado algo sensacionalista ou desproporcionalmente explorado pela mídia, e simplesmente seria uma das muitas notícias do dia, talvez até sem grande interesse de muitos que não testemunharam um objeto não identificado. Em resumo, uma pequena agência com vínculos com especialistas de múltiplas disciplinas, por todo o país, poderia empreender uma investigação limpa, clara e completa de algo como as


Luzes de Phoenix, em um curto espaço de tempo. Se a identidade dos objetos não pudesse ser determinada depois de um tempo razoável, não haveria necessidade de recusar essa informação do público. As pessoas continuariam com suas vidas, como o fizeram na Europa e América do Sul, quando tais anúncios foram feitos e a comunidade científica - hoje ativamente investigando o fenômeno - obteria dados relevantes para estudos posteriores. “Se o avistamento, que afetou tantas pessoas no Arizona, tivesse sido oficial, rápida e abertamente investigado, sem qualquer estigma ligado a ele, toda a histeria e confusão resultantes que eu enfrentei como governador poderiam ter sido evitadas”, afirma Symington. “Esta é a abordagem sensata, reconhecida em outros países, e deveria se tornar a nova política americana. Gostaria de ver outro governador passar pelo que eu passei em 1997, e é apenas uma questão de tempo para que ocorra novamente.” Não foi à toa que a apreensão e a frustração cresceram no estado do Arizona. Como poderia alguém sentir-se seguro, ou confiar que as autoridades poderiam protegê-lo, quando a intrusão por uma aeronave maciça é tratada como se nunca tivesse acontecido? Cada um de nós precisa se perguntar o que nós poderíamos ter feito e como nos sentiríamos se tivéssemos ficado sob este objeto flutuante silencioso. Faz muito sentido ter uma pequena agência a ser preparada para a eventualidade de um outro evento OVNI amplamente testemunhado. Outro fator, como vem sendo apontado por muitos oficiais militares, é o risco de ações agressivas, potencialmente desastrosas, que poderiam ocorrer contra um OVNI, devido à falta de preparação dos responsáveis pela defesa do país. Se um objeto do tamanho do que foi visto sobre Phoenix chegasse muito perto do solo, por exemplo, ou disparasse um raio penetrante sobre um observador, ou realizasse uma série de ações tão assustadoras quanto pudéssemos imaginar, como responderíamos? Pilotos têm tentado abater OVNIs no ar. O que aconteceria se uma resposta semelhante fosse disparada do ar sobre uma base aérea de defesa no solo? Não podemos esquecer que estamos lidando com algo tão desconhecido para nós, tão inteiramente inexplicável, que não temos ideia do que aconteceria na próxima vez que um OVNI aparecesse. O estabelecimento de um escritório do governo seria o primeiro passo na distribuição de dados apropriados, na preparação de manuais e nas recomendações públicas para a Força Aérea e todas as outras instalações militares por todo o país. O estado do Arizona viu mais do que um proeminente funcionário eleito em confronto com o problema OVNI. Antes de seu avistamento, Fife Symington tinha desfrutado de uma longa relação com um mentor que tinha fortes opiniões sobre a confidencialidade do governo americano e os OVNIs. Barry Goldwater, cinco vezes senador pelo Arizona, indicado à presidência pelos republicanos em 1964, piloto e amigo da família de Symington, foi um herói e uma figura paterna para este desde que tinha doze anos. Goldwater serviu como chefe de campanha nas duas eleições bem sucedidas de Symington para governador. Symington relembra que em uma série de ocasiões, quando estava voando para eventos de campanha com Goldwater, o antigo senador contou-lhe sobre seus esforços para obter informação secreta sobre OVNIs na Base da Força Aérea Wright-Patterson, quando Goldwater escreveu suas cartas179. É interessante que Symington nunca soube que Goldwater tinha escrito qualquer coisa sobre suas aventuras até quando ele me recontou essas conversas, quando, para sua surpresa e deleite, eu lhe enviei cópias das cartas. “Barry estava convencido de que os OVNIs existem e que o governo retém todo esse material sigiloso, e o está fazendo por


questões tecnológicas. Ele não sabia disso como um fato, mas tinha altas suspeitas”, diz Symington. Infelizmente, Goldwater não estava bem o suficiente para comentar o incidente sobre as Luzes de Phoenix, tendo sofrido um derrame em 1996. Ele morreu em 1998, em sua casa fora de Phoenix. Hoje, Symington está inclinado a concordar com Barry Goldwater de que nosso governo está retendo informação secreta sobre os OVNIs. “Se colocamos as mãos em uma nave espacial antes de qualquer outra pessoa, você pode ter certeza que a agarraríamos e trabalharíamos com ela, e estaríamos interessados na tecnologia avançada. Isso é tão válido quanto qualquer outra ideia para explicar porque isso seria mantido em segredo”, diz ele. A “saída do armário” do governador Symington representa uma virada histórica no esforço de trazer o reconhecimento oficial e a mudança política à questão OVNI na América. Nunca antes houve um funcionário duas vezes eleito desta estatura que não apenas reconheceu ter testemunhado um objeto voador não identificado, como também assumiu uma postura pública, advogando a mudança. Quando foi forçado a testar o sistema, o governador descobriu em primeira mão que não funcionava. Como resultado, ele em certa extensão fez deste esforço uma missão pessoal, que está sendo conduzida com o apoio de outros antigos funcionários igualmente convencidos de outros países, alguns dos quais estão reunidos neste livro. Como um antigo funcionário eleito do governo, na América, e parte do sistema político, Symington está em posição única para influenciar uma mudança na política. Através de seus contatos e experiência de governo, ele pode ajudar a nos movermos na direção da fundação de uma nova agência do governo - da qual ele poderia ter se beneficiado muito, enquanto em exercício - e já fez isso acrescentando sua voz e apoio à nossa coalizão internacional.


CAPÍTULO 25 - Esclarecendo a História Por Fife Symington III Governador do Arizona, 1991-1997

Entre as 20h e 20h30min de 13 de março de 1997, durante meu segundo mandato como governador do Arizona, testemunhei algo que desafiou a lógica e a minha realidade: uma maciça nave em forma de delta silenciosamente navegando sobre Squaw Peak, na reserva de montanha de Phoenix. Uma estrutura sólida, mais do que uma aparição, dramaticamente grande, com uma borda distinta cheia de luzes, viajava pelos céus do Arizona. Eu ainda não sei o que era. Como piloto e antigo oficial da Força Aérea, posso dizer que certamente essa aeronave não se assemelhava a qualquer objeto feito pelo homem que eu já tivesse visto. Tão logo cheguei em casa, contei à minha esposa Ann sobre ela. Ann ouviu atentamente e nós dois ficamos pensando durante muito tempo se eu deveria tornar público o que eu tinha visto. Finalmente, pelo menos naquela época, chegamos à conclusão de que eu não deveria, pois, ao fazer isso, muito provavelmente eu seria ridicularizado pela imprensa, que me distrairia e à toda a minha administração do trabalho para o qual fui eleito. O mesmo incidente foi testemunhado por centenas, senão milhares, de pessoas no Arizona, e meu escritório foi imediatamente assediado por ligações telefônicas dos moradores preocupados do Arizona. Mesmo assim, consegui manter minha cabeça no lugar - até dois meses depois, quando uma história sobre os avistamentos apareceu no USA Today. Catalisada pelo artigo, a histeria se intensificou até o ponto em que decidi amenizar o estado de ânimo e acrescentar uma nota de leveza, fazendo uma coletiva de imprensa, na qual meu chefe do pessoal aparecia fantasiado de alienígena. Originalmente uma ideia minha, minha equipe imediatamente abraçou-a com entusiasmo. Não apenas isso reduziria qualquer pânico incipiente, como também mostraria a face humana daqueles que ocupavam o escritório público. No evento, conseguimos acalmar a ansiedade crescente do público e, apesar do fato de que, no processo, também aborrecemos alguns de meus eleitores, senti que nossa abordagem tinha, em última instância, servido a um bem maior. Em retrospectiva, porém, gostaria de definir uma parte do registro. Como assegurei a James Fox, quando ele me entrevistou para o seu documentário Out of the Blue, nunca tive a intenção de ridicularizar ninguém. Meu escritório realizou inquéritos - no Departamento de Segurança Pública, na Guarda Nacional Aérea e com os oficiais chefes da Base Luke da Força Aérea - quanto à origem da aeronave, mas até hoje tudo isso permanece sem respostas. Finalmente, a Guarda Nacional Aérea afirmou ser a responsável, dizendo que, naquela época, seus pilotos tinham lançado labaredas. Esta explicação, porém, desafia o senso comum, pois labaredas não voam em formação. De fato, essa história parece indicativa da atitude em relação aos avistamentos frequentes nos canais oficiais, que fornece razões tais como balões meteorológicos, gás do pântano e labaredas militares, significando aparentemente concordar com nossa experiência e expectativas mais do que com nossas observações. Nunca fiquei satisfeito com essa explicação tola. Pois, como sugerido pela análise (do Dr. Bruce Maccabee, entre outros) de um vídeo feito na época, poderia bem ter sido labaredas


militares nos céus depois daquele evento - por volta das 22 horas, para ser exato - o que eu e tantos outros observamos entre as vinte e as vinte horas e trinta minutos foi, em nossa inspeção, alguma coisa totalmente diferente: uma imensa e misteriosa aeronave. Hoje, naturalmente, sei que não estava sozinho ao testemunhar algo tão extraordinário. Há muitos oficiais da aviação militar de alta patente e funcionários do governo que testemunharam coisas semelhantes aparentemente inexplicáveis em outras épocas e em outros locais do céu, e que compartilham de minha preocupação de que o nosso governo deprecia esses fatos, o que, para nós, seria um perigo. Alguns deles vieram a público neste livro, e eu me junto a eles na sugestão de uma nova abordagem a esse problema. Com o devido respeito, queremos que o governo dos Estados Unidos pare de perpetuar o mito de que todos os OVNIs podem ser explicados em termos práticos e convencionais. Em vez disso, nosso país precisa reabrir a investigação oficial que encerrou em 1970. Não devemos mais evitar o diálogo internacional sobre esse assunto importante. De preferência, insistimos que as agências apropriadas de nosso governo trabalhem em cooperação com países que já começaram a trocar relatórios de avistamentos e a se esforçar, no espírito de um inquérito científico genuinamente aberto, para aprender mais sobre OVNIs e para obter resultados de tais inquéritos, sejam eles imediatamente compreensíveis ou não, totalmente públicos.


CAPITULO 26 - Envolvendo o Governo dos Estados Unidos Em 2002, cofundei a Coalizão pela Liberdade de Informação180, uma aliança e um grupo de advocacia independente cuja missão é obter credibilidade científica, congressional e de mídia, para o frequentemente mal compreendido assunto dos OVNIs. Muito de nosso trabalho tem sido construído pelo esforço de adquirir novas informações através do Ato de Liberdade de Informação, e rapidamente ele ganhou o apoio de John Podesta, um dos nossos mais fortes advogados pela abertura no governo. Como o antigo chefe de staff do Presidente Clinton, Podesta contribuiu para a retirada do sigilo de 800 milhões de páginas de documentos durante a administração Clinton. Em 2008, ele chefiou a equipe de transição do Presidente Obama e agora dirige o proeminente Centro para o Progresso Americano, em Washington. Nossa iniciativa FOIA resultou no estabelecimento de uma ação judicial contra a NASA em nosso favor, exigindo que a agência liberasse centenas de páginas de documentos anteriormente sigilosas. A coalizão está pedindo a ação responsável de parte dos Estados Unidos no que se refere aos OVNIs. Fazemos este pedido não como uma acusação de transgressão no passado, mas como um convite para se juntar a um empreendimento cooperativo internacional em curso agora. Na petição para tal mudança, como previamente descrito em relação ao incidente das Luzes de Phoenix, estamos buscando a criação de uma pequena agência governamental para investigar incidentes com OVNIs, e para agir como um ponto focal de ação, tanto na pesquisa em casa, quanto internacionalmente. Através de sua legitimação do assunto, tal agência estimularia o interesse científico e assistiria na alocação de fundos do governo para os cientistas interessados, da comunidade acadêmica e científica, bem como da comunidade da aviação. Conforme o trabalho da agência se desenvolvesse, atitudes positivas em relação ao estudo sério dos OVNIs seriam estimuladas, levando à liberação de recursos adicionais. O apoio público - já bastante forte, embora sem um ponto focal - cresceria para um projeto de pesquisa global, que poderia finalmente resolver o mistério dos OVNIs. O primeiro passo na abordagem de um membro do Congresso ou da administração Obama para facilitar esse empreendimento é deixar claro, como temos continuamente feito nestas páginas, que um OVNI é, por definição, simplesmente algo não identificado. A posição agnóstica, aquela científica, reconhece a evidência acumulada de algum tipo de fenômeno físico extraordinário, mas reconhece que ainda não sabemos o que é. A compreensão apropriada do acrônimo “OVNI” precisa repousar no coração de qualquer abordagem do governo americano, se este quiser ser bem sucedido, e a necessidade desse simples ajuste na compreensão - acabando com o equacionamento automático de OVNI como espaçonave extraterrestre - não pode ser superestimada. Esta deveria ser a base que permitiria aos políticos serem capazes de considerar publicamente prosseguir com esse assunto. Isso pode ser óbvio para a maioria dos leitores, mas alguns ativistas, que trabalham para que essa mudança ocorra, não fazem essa importante distinção. Em vez disso, algumas vezes eles fazem afirmações bizarras sobre OVNIs e conspirações relacionadas com o governo, que não podem ser substanciadas - e eles ainda esperam ser levados a sério. Não importa se a crença pessoal de


alguém está ligada à natureza dos OVNIs, aqueles nas altas posições - os únicos capazes de efetuar a mudança real - obviamente não vão aceitar qualquer explicação antes que uma investigação nova, legítima e científica faça uma determinação definitiva. A necessidade de uma nova maneira de pensar sobre os OVNIs foi dolorosamente ilustrada quando Tim Russert, da NBC, detonou uma pergunta surpresa para o congressista de Ohio, Dennis Kucinich, durante o debate presidencial nacionalmente televisado, em 2007. Russert perguntou a Kucinich se ele tinha realmente visto um OVNI, como foi relatado em um livro de Shirley MacLaine. Risos da plateia do estúdio tornaram-se audíveis tão logo a temida palavra foi pronunciada. O pobre homem replicou, precisamente, que sim, que ele simplesmente tinha visto algo não identificado, reiterando que era “um objeto voador não identificado”. Apesar da franca honestidade e da clareza da resposta, Kucinich não conseguiu escapar da risada que tinha começado antes que ele tivesse a chance de falar. Ele prosseguiu o seu comentário com uma piada própria, como uma forma de salvar a pele181. Um escritório do governo, como o escritório OVNI britânico ou o GEIPAN francês, dispensariam rapidamente a noção de que esse assunto é tolo. Precisamos de uma linguagem diferente, toda uma nova estrutura de referência, sem a bagagem do passado. Alguns cientistas e oficiais militares tentariam iniciar este processo pela troca do termo amplamente definido de “fenômenos aéreos não identificados”, ou FANI. Isso obviamente não é suficiente para mudar a associação profundamente embutida dos OVNIs com a ficção científica ou aberrações mentais, mas para eles seria um passo nessa direção e também ajudaria a reduzir o poder do tabu. Uma mudança pequena e simples na política faria a maior diferença. Um órgão dentro do governo para endereçar o assunto OVNI poderia ser estabelecido, de maneira fácil, calma e sem custos. Para começar, tudo o que se exige é verba para um pequeno escritório, de um a três funcionários, equipados com alguns computadores e armários de arquivos, e aninhado em uma de muitas possíveis localizações. O pessoal criaria ligações com cientistas, oficiais da lei, pesquisadores civis e especialistas de uma gama de disciplinas, que entrariam em ação se um grande evento OVNI ocorresse. Poucos recursos adicionais seriam necessários, porque a investigação de casos ocasionais envolveria desenhos sobre instalações conhecidas, equipamento e pessoal, tais como a referência cruzada de imagens de satélites e registros existentes de dados metereológicos, astronômicos e da aviação e de radar. Laboratórios respeitáveis poderiam ser usados para a análise de imagens fotográficas e evidência física. Um conselho voluntário qualificado - que incluiria acadêmicos, cientistas e oficiais militares aposentados - encontrar-se-ia regularmente com o pessoal do escritório para oferecer inserção de dados no computador e auxílio coordenado na liberação da informação para o público. Idealmente, a informação sobre OVNIs, que pode ser atualmente retida pelas agências de Inteligência dos Estados Unidos, seria liberada para o escritório e para o público. Detalhes da missão e estrutura da agência teriam de, obviamente, ser cuidadosamente planejados, mas pessoas experientes estão prontas e disponíveis para dar assistência nesse processo e assegurar-se de que os erros do Projeto Livro Azul não fossem repetidos. Esse novo plano iniciaria uma organização fundamentalmente diferente daquela do Livro Azul, porque estaria comprometida, sob a supervisão pública, a investigar adequadamente os casos e a trabalhar com outros países. Seria o oposto de nossa Agência da Força Aérea anterior - um


mecanismo de relações públicas controlado ocultando os casos não resolvidos - que existiu nos anos 50 e 60. Em novembro de 2007, vinte e dois indivíduos respeitáveis de onze países, incluindo seis generais aposentados, assinaram um pedido formal de estabelecimento de uma agência assim. A “Declaração Internacional ao Governo dos Estados Unidos”, que eu rascunhei em cooperação com membros de meu grupo, a Coalizão para a Liberdade de Informação (CFI), inclui a maioria dos escritores deste livro, junto com outros cinco, e está postada no website da CFI. O documento foi assinado por funcionários do governo e oficiais militares e pilotos, antigos e atuais, cada um dos quais, enquanto na ativa, “testemunharam um incidente envolvendo um objeto voador não identificado ou conduziram uma investigação oficial em casos de OVNIs relevante para a segurança da aviação, a segurança nacional, ou para o benefício da ciência”182. A declaração afirma que o nível atual de separação do governo americano com avistamentos de OVNIs importantes, tais como as Luzes de Phoenix e o avistamento do O’Hare, “representa tanto uma oportunidade perdida quanto um risco potencial”. A chamada para a ação pede que o governo dos Estados Unidos se “junte em cooperação com aqueles governos que, reconhecendo a realidade dos objetos voadores não identificados e relacionados com a segurança da aviação, já estabeleceram suas próprias agências de investigação”. Ela sugere que a Força Aérea Americana e a NASA servem como local para tal esforço de pesquisa e termina com um pedido final: “Apelamos aos Estados Unidos da América que se juntem a nós e com os oficiais atualmente na ativa de todo o mundo para falar sobre este problema em um diálogo contínuo”. As credenciais dos nomes desse pedido são impressionantes. Em resultado, o documento recebeu ampla cobertura na imprensa, quando foi endossado pelo antigo Governador Fife Symington, e liberado na coletiva de imprensa, em novembro de 2007, em Washington, D.C. Mas nada mudou. Nosso grupo marginalizou essa iniciativa durante a acumulação para a eleição presidencial de 2008, que ocupou totalmente o país, e na época seguinte, quando a administração Obama estava iniciando seus trabalhos e encarando numerosos e urgentes desafios. Contudo, permanecemos tão convencidos como sempre de que isso não é pedir muito. É algo que o público americano vem querendo há longo tempo, e agora que temos uma administração comprometida com a abertura e com uma visão global, com um comandantechefe que também é um laureado com o Prêmio Nobel da Paz, nossas chances de sucesso são melhores do que nunca.


CAPITULO 27 - Agnosticismo Militante e o Tabu dos OVNIs Pelo Dr. Alexander Wendt e pelo Dr. Raymond Duvall

Em agosto de 2008, recebi um e-mail do Dr. Alexander Wendt, um professor de Ciências Políticas da Universidade do Estado de Ohio. Ele anexou ao e-mail um trabalho seu, de vinte e seis páginas, recém publicado na revista acadêmica Political Theory. Com co-autoria do Dr. Raymond Duvall, “Soberania e os OVNIs” fornece uma análise complexa, detalhada e profundamente séria de porque os governos sistematicamente ignoram o fenômeno OVNI, apesar da evidência esmagadora de sua existência183. Ficamos tocados com 05 vários aspectos do tabu OVNI destas páginas, explorando também a questão do sigilo e dos possíveis aspectos ameaçadores da realidade OVNI, mas, mesmo assim, as questões mais profundas permanecem sem respostas. Apesar de toda evidência, por que a proibição contra assumir os OVNIs seriamente é tão poderosa e o que a mantém assim? Para que uma nova agência governamental funcione adequadamente e com sucesso, esse é um aspecto final que precisa ser tratado, juntamente com propostas estruturais e logísticas. Em meus muitos anos de trabalho com este material, as pontas soltas não resolvidas envolvendo questões relacionadas ao tabu OVNI pareciam indicar algo maior e mais fundamental do que tinha sido articulado, mas não ficou claro 0 que era. O antigo consultor científico da Força Aérea, J. Allen Hynek, provou essa questão, em 1985, mas foi incapaz de resolvê-la. Ele descreveu o problema como uma “doença” estranha, com o poder de mergulhar suas vítimas em “uma profunda letargia. Como um germe virulento de apatia, ele pode facilmente imobilizar cidades e todo o país... Como se uma fada má tivesse administrado uma poção do sono”184. Contudo, ele não conseguiu encontrar a razão do porquê ela afligia tão severamente os responsáveis pelo trabalho dos governos e pela proteção dos cidadãos e, portanto, ele não conseguiu oferecer uma cura. Agora, a mesma questão foi assumida por dois talentosos cientistas políticos, dando uma nova visão do problema do ponto de vista da comunidade acadêmica. Alexander Wendt é o autor do premiado livro Social Theory of International Politics (Cambridge University Press, 1999) e está interessado nos aspectos filosóficos das ciências sociais e relações internacionais. Raymond Duvall éprofessor e chefe do Departamento de Ciências Políticas da Universidade de Minnesota. Seu foco são as teorias críticas, com atenção particular no poder, regramento e resistência na política mundial. Os dois se encontraram quando Alexander Wendt era aluno de Duvall, ainda na escola de graduação, e permaneceram em contato desde então. Começando por volta de 1999, Wendt passou cerca de cinco anos lendo e pensando no assunto OVNI. “Tentei descobrir o que era verdadeiramente real neste contexto, dada a grande quantidade de absurdos, desinformações e teorias de conspiração que há ali”, contou-


me ele. Em 2004, ele começou a falar com seu antigo conselheiro sobre suas ideias e sua relevância para a teoria política, e a decisão de explorar o tabu surgiu dessas discussões. “Inicialmente, abordei-o focalizando o porquê havia sigilo oficial sobre os OVNIs”, explica Wendt. “Falar com ele me ajudou a ver que o sigilo era apenas um sintoma do problema, que é muito mais profundo”. No início, Duvall estava no mínimo cético - diz ele - pois não pensava no assunto antes de Wendt iniciar uma conversa sobre ele. “Provavelmente, pode-se dizer que eu encarnei o tabu”, escreveu em um email. “Realizar este trabalho com Alex transformou o meu modo de pensar.” Os dois acadêmicos desconstruíram os argumentos feitos pelos desmistificadores, que perpetuam a posição política e cultural de que os OVNIs não devem ser levados a sério, e examinaram o medo profundo da hipótese extraterrestre, que é subjacente a tal ceticismo irracional. Contudo, ironicamente, eles dizem que foram diretamente impactados por esse mesmo tabu, após a publicação de “Soberania e os OVNIs”. Nesse sentido, o trabalho tornou-se um “experimento natural”, fornecendo uma ilustração em livro de sua tese. “Como o primeiro artigo publicado que leva a sério os OVNIs, em uma revista científica social em décadas - se é que já houve algum -poderse-ia esperar que gerasse alguma controvérsia”, diz Wendt. “Os acadêmicos certamente entram em controvérsias por muito menos, e geralmente estão interessados em debater esses trabalhos. Mas, que saibamos, nenhum de nossos colegas cientistas sociais, pelo menos aqueles de língua inglesa, ainda não aceitou o desafio do trabalho. Isso é decepcionante, mas essa rejeição é pelo menos consistente com a hipótese do trabalho de que há, de fato, um tabu sobre esse tópico, que impede o debate fundamentado.” O Dr. Wendt e o Dr. Duvall concordaram em escrever um novo ensaio especificamente para este livro, incorporando suas ideias do primeiro artigo em outro voltado para leitores leigos, com o acréscimo de alguns pensamentos novos. Espero que isso ajude a resolver as questões remanescentes sobre as raízes da desconexão fundamental entre a evidência poderosa dos OVNIs e o desinteresse de nosso governo e cientistas em investigá-los. Deve também desarmar os desmistificadores, que rotineiramente vêm com argumentos defensivos, que demonstram que eles realmente não estudaram os fatos, o que, em si mesmo, constitui uma ilustração do tabu em ação. Já que o trabalho destila esses argumentos e os dispensa, talvez possamos todos obter uma nova perspectiva desses desmistificadores e adotar uma abordagem mais racional das questões desconcertantes levantadas pelo mistério dos OVNIs. Há um tabu neste livro - o tabu OVNI. Não na cultura popular, naturalmente, onde o interesse nos OVNIs abunda e os websites proliferam, mas na cultura de elite - a estrutura da crença e prática autoritárias, que determinam o que a “realidade” realmente é. Em relação ao fenômeno OVNI essa estrutura é globalmente dominada por três grupos: governos, comunidade científica e corrente principal da mídia. Embora seus membros individuais possam ter crenças privadas variadas sobre os OVNIs, esses grupos, em público, compartilham a visão oficial de que os


OVNIs não são “reais” e não devem ser levados a sério - ou pelo menos não mais seriamente do que qualquer outra curiosa crença cultural. Para essas elites, um livro como este, que realmente leva os OVNIs a sério, é intrinsecamente problemático. Uma manifestação do tabu OVNI é o desinteresse oficial em responder aos OVNIs ou em descobrir o que eles são. Desde 1947, quando a era moderna de OVNIs começou, nem a comunidade científica nem o governo (com a exceção parcial da França) fez um sério esforço para determinar sua natureza, tanto quanto se sabe. Relatórios foram preenchidos e poucos investigaram oficialmente o fato, mas a vasta maioria foi ignorada e nenhum esforço autoritário foi feito para pesquisar sistematicamente os fenômenos OVNI. A mídia reforça esse desinteresse por raramente noticiar OVNIs e, quando o fazem, é inevitavelmente com uma piscadela e um aceno de cabeça, como para nos ressegurar que eles realmente não levam os OVNIs a sério. Dado que a ciência moderna parece achar quase tudo interessante na natureza, tal desinteresse é enigmático. Mas o desinteresse sozinho não faz um tabu - que é algo proibido, não apenas ignorado. Antes, o que dá ao OVNI esse status especial é que é considerado fora das fronteiras do discurso racional. Ainda que membros do público em geral possam acreditar que os OVNIS existem, as autoridades “sabem” que os OVNIs são simplesmente invenções de mentes hiperativas, não mais reais do que as bruxas ou os unicórnios. Assim, levar os OVNIs a sério é colocar em questão a própria seriedade de alguém. Quando os “crentes” em OVNIs parecem negar a realidade empírica, não há muito mais para a cultura de elite fazer do que ignorá-los ou condená-los como irracionais ou até perigosos. Sob essa luz, o OVNI não aparece como um “objeto” afinal, mas como uma ficção perturbadora, sobre a qual é melhor não falar - em resumo, um tabu que impede o debate fundamentado. Contudo, a realidade é a de que os OVNIs não constituem assunto de crença, mas de fatos. Milhares de relatórios pelo mundo descrevem objetos não explicados no céu. A maioria consiste apenas de testemunhos, que poderiam ser descartados como não confiáveis - e alguns real e indubitavelmente o são mas o fato de que muitos relatórios de OVNIs são provenientes de “testemunhas especialistas”, tais como pilotos comerciais e da força aérea, controladores de tráfego aéreo, astronautas, e cientistas, deveria fazer uma pausa. Contudo alguns relatórios de OVNI também são corroborados por evidência física, incluindo imagens de vídeo e fotos analisadas cientificamente, vestígios físicos no solo afetando o mesmo e as plantas, efeitos em aviões e captações de radar anômalas. Na sociedade moderna, a evidência física de que alguma coisa foi a causa no mundo físico. Por esse critério, então, pelo menos alguns OVNIs são claramente reais. A questão que os torna um problema é: Poderiam ser extraterrestres? PROVANDO A NOSSA IGNORÂNCIA Os céticos dos OVNIs acham que os seres humanos sabem185, como um fato científico, que os OVNIs não são extraterrestres e, portanto, podem ser ignorados. Contudo, nenhum dos argumentos mais fortes dessa visão de fato justifica a rejeição da hipótese extraterrestre como uma explicação possível para os OVNIs. Eles nem sequer chegam perto. Na realidade, não se sabe, como fato científico, se algum OVNI tem origem extraterrestre. Se, de qualquer modo, rejeitarmos esta hipótese, estamos rejeitando o que poderia ser uma explicação verdadeira, sem


tê-la submetido a uma verificação. Novamente, isso não significa que os OVNIs são extraterrestres. Os OVNIs, afinal, são não identificados. Mas este é precisamente o nosso ponto: neste estágio de desenvolvimento, os seres humanos simplesmente não sabem. Dado que pouca ciência sistemática foi feita, o caso da rejeição da hipótese extraterrestre permanece uma convicção teórica a priori de que a visitação extraterrestre é impossível: “Não pode ser verdade; portanto, não é”. Os céticos oferecem quatro argumentos principais para esse efeito: "Estamos sozinhos." Os seres humanos debatem há séculos se vida inteligente existe em algum outro lugar do universo. E, com a recente descoberta de mais de 400 planetas extrassolares, esse debate esquentou consideravelmente nos últimos tempos. Existem boas razões científicas para se pensar que vida inteligente não existe em outro lugar. Porém, há cada vez mais razões científicas igualmente boas para se pensar que existe. Linha de fundo: nós não sabemos ainda. “Eles Não Podem Chegar Aqui.”187 Os céticos argumentam que, mesmo que exista vida inteligente em outro lugar, este é muito distante da Terra para que cheguem aqui. A Teoria da Relatividade nos diz que nada pode viajar mais rápido do que a velocidade da luz (300.000 m/s). A 0,001% da velocidade da luz - algo muito além das atuais capacidades humanas levaria 4.500 anos terrestres para que algum veículo chegasse do sistema estelar mais próximo. E, em velocidades muito mais próximas daquela da luz, uma única espaçonave precisaria transportar muito mais energia do que é atualmente consumido durante um ano inteiro na Terra. Restrições físicas da viagem interestelar frequentemente são vistas como a razão mais forte para se rejeitar a hipótese extraterrestre, mas será que elas são claramente decisivas? Simulações de computador sugerem que mesmo em velocidades bem abaixo daquela da luz, algumas civilizações avançadas em expansão devem ter alcançado a Terra muito tempo atrás188. Quanto tempo depende dos pressupostos feitos, mas mesmo aqueles pessimistas permitem encontros com a Terra em 100 milhões de anos, o que em termos cósmicos é apenas uma piscadela. Adicionalmente, há dúvidas crescentes de que a velocidade da luz seja verdadeiramente uma barreira absoluta189. Buracos de minhoca - eles mesmos previstos pela teoria da relatividade - são túneis através do tempo-espaço que encurtariam enormemente a distância entre estrelas. E, então, há a possibilidade de “tração de dobra”, ou aplicação de vácuo ao redor da espaçonave, para capacitá-la a saltar o espaço, sem que haja dilatação do tempo190. Tais ideias são altamente especulativas, mas dado o quão longe nós humanos chegamos em apenas 300 anos desde nossa revolução científica, imagine o quão longe outra civilização poderia ter avançado em 3.000 anos (muito menos do que 3.000.000) após a revolução dela. À luz desses argumentos, se alguma coisa, visitantes de outras civilizações, deve estar aqui, o que incita o famoso “Paradoxo de Fermi”191 ou “Onde estão eles?”. “Eles Pousariam no Gramado da Casa Branca.” Assim, os céticos frequentemente levam o argumento um pouco mais à frente, perguntando: Se visitantes de outro planeta percorressem todo esse caminho para nos ver, por que não pousam no gramado da Casa Branca e se apresentam? Afinal, se os seres humanos tivessem de encontrar vida inteligente em nossa própria exploração espacial, isso é o que nós faríamos. Sobre essa base, o fato de que os ocupantes de OVNI não fazem isso é evidência de que eles não estão aqui.


Mas e se estiverem? Não está absolutamente claro que humanos do espaço longínquo pousariam no equivalente alienígena do gramado da Casa Branca se viajassem para um planeta distante. Talvez exploradores avançados mantivessem uma política de não interferência em relação a formas de vida inferiores. Independentemente do que seres humanos poderiam fazer, porém, que base científica nós podemos usar para saber das intenções de seres alienígenas, cuja natureza e agendas poderiam ser completamente inimagináveis para nós? Não há nenhuma e, por isso, não se pode excluir a possibilidade de que os extraterrestres poderiam ter razões para evitar o contato. “Nós Saberíamos Se Eles Estivessem Aqui.” Esse argumento final apela para a autoridade humana - que, devido à nossa vasta vigilância dos céus, com telescópios e radares sofisticados, o mundo saberia definitivamente agora se os extraterrestres estivessem aqui, porque os especialistas teriam descoberto. Essa posição também não é de forma nenhuma decisiva. Primeiro, ela assume uma capacidade de observar e reconhecer OVNIs, que pode ser injustificada. Se alguns são veículos capazes de visitar a Terra, então seus ocupantes poderiam facilmente ter a tecnologia que limite o conhecimento de sua presença. Em segundo lugar, as autoridades não têm realmente procurado por OVNIs, e aquilo que não se procura ou se espera frequentemente não é visto. Finalmente, em vista do sigilo oficial difuso sobre os OVNIs, provavelmente sabe-se muito mais sobre ele do que é publicamente reconhecido. Isso não significa que o que é sabido é a sua origem, mas em face de tanto segredo é natural levantar a questão. O importante é que nosso objetivo em relação a cada um desses argumentos não é dizer que estão errados, mas que pessoas razoáveis podem discordar sobre se estão errados, já que todos eles, em última instância, repousam em pressupostos não provados mais do que em fatos estabelecidos cientificamente. Na verdade, o fato de que é tão fácil levantar objeções razoáveis ao ceticismo OVNI constitui mais uma evidência de que, cientificamente falando, os seres humanos não podem excluir a hipótese extraterrestre. Alguns de nós podem olhar para as evidências e argumentos e concluir que a probabilidade é zero, enquanto outros podem dar à hipótese mais crédito - mas quem realmente sabe? Ninguém sabe, porque não temos o conhecimento científico para dar sentido a tais probabilidades. Como o antigo Secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, poderia colocar, estamos todos lidando aqui não com “desconhecidos conhecidos”, mas com “desconhecidos desconhecidos”, onde possibilidades objetivas são o palpite de alguém. E quando há tal “dúvida razoável”, a hipótese científica não deve ser rejeitada a priori. Longe de provar que os OVNIs não são extraterrestres, a ciência atual prova apenas a sua ignorância. A AMEAÇA DOS OVNIS Se a aplicação apropriada da ciência exige que, no presente, sejamos agnósticos sobre se algum OVNI tem origem extraterrestre, não acreditamos nem rejeitamos isso, então o tabu sobre tentar descobrir o que são os OVNIs é profundamente enigmático. Afinal, caso se descobrisse que algum OVNI fosse proveniente de algum outro lugar do universo, este seria um dos mais importantes eventos na história da humanidade, tornando racional investigar até a mais remota possibilidade. Foi exatamente esse raciocínio que levou o Congresso dos Estados


Unidos a financiar, por um tempo, o programa SETI, que busca evidência de vida em estrelas distantes. Então, por que não financiar o estudo sistemáticos dos OVNIs, que estão relativamente perto e pelo menos algumas vezes deixam evidência física? Mesmo para aqueles para os quais a questão dos extraterrestres não está sobre a mesa, que tal a simples curiosidade científica? Por que não estudar os OVNIs, exatamente como os seres humanos estudam tudo o mais? Nossa tese é de que as origens desse tabu são políticas. Como cientistas políticos, estamos preocupados com a possível conexão entre a necessidade de repudiar os OVNIs e a maneira pela qual as pessoas modernas se organizam e governam suas sociedades. A incapacidade de ver claramente e falar racionalmente sobre os OVNIs parece ser um sintoma de ansiedade autoritária, um medo socialmente subconsciente do que a realidade dos OVNIs poderia significar para o governo moderno. A ameaça é tripla. No nível mais óbvio, a aceitação da possibilidade de que os OVNIs são verdadeiramente não identificados e que, portanto, um “outro” desconhecido e muito poderoso poderia realmente existir, representa uma ameaça física potencial. Claramente, se alguma outra civilização tem a capacidade de visitar a Terra, então é amplamente superior aos seres humanos em tecnologia, o que levanta a possibilidade de colonização ou mesmo extermínio. Como tal, um OVNI levanta a questão da capacidade do Estado de proteger seus cidadãos de tal invasão. Em segundo lugar, o governo pode, também, estar reagindo à possibilidade de que uma confirmação da presença extraterrestre criasse tremenda pressão para um governo mundial, que os estados territoriais de hoje teriam relutância em formar. A identidade soberana dos Estados modernos depende de suas diferenças uns com os outros. Qualquer coisa que requeira a submissão dessas diferenças a uma soberania mundial ameaçaria a estrutura fundamental desses Estados, independentemente do riso de destruição física. Contudo, em terceiro lugar e para nós a visão mais importante, a possibilidade extraterrestre levanta a questão daquilo que chamamos de natureza antropocêntrica da soberania moderna. Com isso, queremos dizer que, no mundo moderno, a organização política em todos os lugares baseia-se no pressuposto de que somente os seres humanos têm a capacidade e a autoridade de governar e determinar nosso destino coletivo. A natureza pode nos jogar uma bola em curva sob a forma de um aquecimento pandémico ou global, mas, quando chegar a hora de decidir como lidar com tais crises, a escolha será só nossa. Tal antropocentrismo, ou centralidade humana, é um pressuposto moderno, menos comum nos tempos pré-históricos e antigos, quando a Natureza ou os deuses eram considerados mais poderosos que os seres humanos e governavam. De modo significativo, é sobre essa base antropocêntrica que os Estados modernos são capazes de exigir lealdade excepcional e recursos de seus sujeitos. Devido à possível explicação de que o fenômeno OVNI seja extraterrestre, levar os OVNIs a sério coloca em questão esse pressuposto profundamente realizado. Ela levanta a possibilidade de algo análogo à materialização de Deus, corno na “Segunda Vinda” dos cristãos. A quem o povo daria sua lealdade numa situação assim, e os Estados, em sua forma atual, sobreviveriam a tal problema politicamente notável? Nossa argumentação é a de que a sobrevivência política do Estado moderno depende desse problema não ser politicamente notável. Como tal, um tabu autoritário sobre os OVNIs é funcionalmente necessário para que o governo seja sustentado em sua forma


atual. Em resumo, os OVNIs criam uma insegurança inconsciente e profunda, na qual certas possibilidades são impensáveis devido a seu perigo inerente. Nesse aspecto, o tabu OVNI é parente da negação na psicanálise. A soberania reprime o medo do que o OVNI poderia revelar sobre si mesmo. Não há, portanto, nada que a soberania possa fazer, exceto desviar o olhar para ignorar e daí ser ignorante dos OVNIs - e não tomar uma decisão. MANTENDO O TABU A sugestão de que o tabu OVNI seja funcionalmente necessário ao governo antropocêntrico moderno não significa que será automaticamente mantido. Uma proibição tão forte dá trabalho. Falando claramente, esse não é o trabalho consciente de uma ampla conspiração buscando suprimir “a verdade” sobre os OVNIs, mas o trabalho de incontáveis práticas indiretas que nos ajudam a “saber” que os OVNIs não são extraterrestres e, portanto, podem ser descartados. Contudo, o trabalho do tabu OVNI é paradoxal, porque, diferentemente dos dias em que as visões dos xamãs e profetas eram tidas como autoritárias, no mundo moderno, conhecemos as coisas tornando-as visíveis e tentamos explicar como funcionam - o que no caso dos OVNIs seria uma auto-subversão, porque isso levaria a uma validação da hipótese extraterrestre. Assim, são necessárias técnicas para tornar os OVNIs “conhecidos”, sem realmente tentar descobrir o que são. Pode se distinguir pelo menos quatro maneiras de se fazer isso. A primeira são representações autoritárias, ou descrições do que os OVNIs são, como fornecido pelos detentores da autoridade para estipular o que oficialmente define a realidade governos, comunidade científica e a mídia. Quatro de tais representações são especialmente dignas de notas: (1) que os OVNIs são conhecidos pela ciência e têm explicações convencionais, por todas as razões que criticamos acima; (2) que os OVNIs não são uma preocupação para a segurança nacional192, o que permite aos Estados lavar as mãos em relação ao problema; (3) que qualquer estudo sobre os OVNIs é, por definição, uma pseudociência, já que os OVNIs não existem; e (4) que os OVNIs são ficção científica, o que desloca o aspecto existencialmente assustador de um potencial encontro extraterrestre para a segurança da imaginação. Não estamos dizendo que as autoridades modernas estão conscientemente tentando proteger o tabu OVNI quando fazem tais representações. Nosso ponto é que, qualquer que seja a intenção concreta em circunstâncias particulares, essas representações (e sem dúvida outras) têm o efeito de reforçar o consenso autoritário de que os OVNIs não deviam ser levados a sério. Uma segunda técnica pela qual o tabu é mantido gira sobre o ponto da pseudociência. Aqui, estamos pensando nos inquéritos oficialmente autorizados, mas problemáticos, sobre os OVNIs, como o do Relatório Condon, de 1968, cujo propósito era dar a aparência de uma avaliação objetiva e científica, enquanto reafirma a visão dominante de que não há nada no que se refere a estes fenômenos. Como tem sido amplamente documentado na literatura, no caso Condon esse viés ideológico levou a erros grosseiros de planejamento de pesquisa e inferência empírica, bem como a um Resumo Executivo que rejeitou completamente a hipótese extraterrestre, muito embora explicações convencionais não pudessem ser encontradas em 30%


dos casos estudados. Isso não quer dizer que não há boa ciência no Relatório Condon (pelo contrário), mas que, em última instância, foi um “julgamento show” da hipótese extraterrestre. Não obstante, a conclusão do Relatório de que os OVNIs não são definitivamente extraterrestres foi imediatamente aceita pela comunidade científica maior e também capacitou a Força Aérea Americana a se desligar publicamente do problema OVNI, o que vinha querendo fazer havia algum tempo. Que tal relatório falho pudesse ser abraçado tão prontamente atesta o quão profundamente assentado está o “quero desacreditar”. Um terceiro fator a sustentar o tabu é o sigilo oficial penetrante sobre os relatos de OVNIs envolvendo o pessoal militar, cujo efeito é o de remover do sistema o conhecimento que poderia apoiar o argumento de se levar os OVNIs a sério, assim (pelo menos implicitamente) reforçando o caso cético193. O sigilo quanto aos OVNIs envolve pelo menos duas formas. A mais óbvia é reter informação de casos conhecidos, seja redigindo textos, seja dizendo aos cidadãos que pediram documentos, através do Ato de Liberdade de Informação, que nenhum documento relevante existe. (Nos Estados Unidos, a lei exige que as agências do governo informem ao público se os documentos requisitados são confidenciais, ou então os liberem com seções sensíveis editadas.) A outra forma de sigilo - não relatar absolutamente os encontros entre OVNIs e militares - é mais difícil de avaliar, já que é impossível saber quantos casos há. Ainda, o fato de que a maioria dos governos não liberarem relatórios de OVNIs rotineiramente - embora em anos recentes essa tendência tenha começado a mudar em alguns países, mas não nos Estados Unidos - não inspira a confiança de que sabemos o universo completo de casos. O padrão de comportamento sigiloso constitui, naturalmente, combustível para a teoria da conspiração, já que naturalmente surge a questão: “O que é que o governo está tentando esconder?”. Porém, não estamos preocupados com o conteúdo, mas apenas com o efeito do sigilo oficial, que ajuda a reforçar o tabu, ao remover o conhecimento potencialmente contrário do sistema. Nossa visão pessoal é a de que, longe de esconder a verdade sobre os alienígenas, o Estado muito provavelmente está ocultando sua ignorância, mas quem sabe? No contexto do sigilo OVNI, a crença pessoal é tudo o que temos. O último mecanismo é a disciplina, isto é, para nós, as técnicas de ordenação de pensamento e ação, que repousam não em apelos racionais à ciência, mas mais cruamente às pressões sociais e de poder. Uma forma particularmente proeminente no contexto OVNI é a destituição de pessoas que expressam publicamente a sua “crença” nos OVNIs - através da humilhação, da fofoca, do ostracismo, da condenação pública e/ou assassinato do caráter - de modo que não é só a ideia dos OVNIs que é destituída, mas a pessoa que a advoga, cuja credibilidade é posta em questão. Dado o desejo de aprovação do indivíduo, sua reputação e avanço profissional, a expectativa desse tipo de disciplina leva à autocensura, alimentando a “espiral do silêncio” sobre os OVNIs, o que torna tão difícil falar deles em primeiro lugar. RESISTÊNCIA ATRAVÉS DO AGNOSTICISMO MILITANTE Há mecanismos poderosos e, como tal, alguns poderiam dizer que, em relação ao tabu OVNI, “a resistência é fútil”. Contudo, o tabu tem pelo menos três fraquezas que o tornam, e à estrutura antropocêntrica de governo que o sustenta, potencialmente instável.


Uma é o próprio OVNI. Apesar dos esforços autoritários em negar a realidade deles, os OVNIs teimosamente continuam a aparecer, gerando uma necessidade em curso de transformá-los em não-objetos. Os governos modernos poderiam não reconhecer os OVNIs, mas diante da continuação das anomalias, a manutenção de tal não reconhecimento dá trabalho. Outra fraqueza repousa nos diferentes interesses de conhecimento da Ciência e do Estado. Embora os dois estejam alinhados hoje no discurso autoritário anti-OVNI, em última instância o Estado está interessado na manutenção de que sua narrativa cética sobre os OVNIs é certamente a verdadeira, enquanto que a Ciência reconhece, pelo menos em princípio, que suas verdades podem ser apenas tentativas. O pressuposto na Ciência é que a realidade tem a última palavra, o que cria a possibilidade do conhecimento científico conter o dogma do Estado. E, então, há o liberalismo, a essência do governo moderno. Até quando produz sujeitos racionais, que sabem que a “crença” nos OVNIs é absurda, o liberalismo justifica-se com um discurso que produz livre-pensadores, que poderiam duvidar disso. O tipo de resistência que pode melhor explorar essas fraquezas poderia ser chamado de “agnosticismo militante”. Aqui, por “agnóstico” queremos dizer que nenhuma posição sobre se os OVNIs são extraterrestres deve ser considerada até que tenham sido sistematicamente estudados. A resistência deve ser agnóstica porque, dado nosso conhecimento atual, nem a negação, nem a crença na hipótese extraterrestre é justificada. Nós simplesmente não sabemos. Concretamente, agnosticismo significa “ver” os OVNIs pelo que eles são, mais do que ignorálos, levando-os tão a sério como objetos reais e verdadeiramente não identificados, amplamente definidos para incluir qualquer fenômeno natural. Já que é precisamente tal reconhecimento da realidade dos OVNIs que o tabu proíbe, apenas “ver” é uma espécie de resistência pessoal. Para ser politicamente eficaz, porém, a resistência precisa ser também militante, e com isso queremos dizer que precisa ser pública e estratégica. De fato, o agnosticismo puramente privado sobre os OVNIs, do tipo que a pessoa do mundo moderno poderia ter sobre Deus, não faz nada para quebrar a espiral do silêncio que circunda o assunto e assim, de fato, contribui com o mesmo. Para quebrar o ciclo, a resistência precisa ser dirigida para o problema central colocado pelos fenômenos OVNIs, reduzindo nossa ignorância coletiva sobre o que são, mais do que a questão do sigilo oficial, o que, estrategicamente, é uma distração. (Se estamos corretos quanto a que os governos não estão ocultando a verdade, mas sua própria ignorância, então mesmo que liberem todos os arquivos, não estaríamos mais perto de descobrir o que são os OVNIs;) Isso quer dizer que o que é necessário acima de tudo é uma Ciência sistemática dos OVNIs, sobre cuja base poderíamos eventualmente ser capazes de fazer julgamentos informados sobre eles, em oposição a simplesmente reiterar dogmas de um jeito ou de outro. Para ir além da pesquisa científica mínima que já vem sendo feita e realizar novos avanços, a Ciência terá de fazer três coisas. Primeiro, precisará se concentrar em padrões agregados mais do que em casos individuais. Dada nossa incapacidade de manipular ou prever os fenômenos OVNIs, há limites inerentes ao que os estudos de caso podem mostrar. Hoje, a análise oficial de casos escolhidos algumas vezes consegue descartar explicações convencionais - o que eles não são - mas isso não nos diz o que os OVNIs são. São como fenômenos metereológicos, que só podem ser apropriadamente estudados agregadamente.


Em segundo lugar, uma ciência dos OVNIs194 precisará se concentrar em descobrir novos relatos, mais do que analisar os velhos. Isso porque os relatórios de alta qualidade existentes são relativamente poucos em número e foram coletados por acidente e através de uma variedade de meios, tornando quase impossível descobrir padrões. Além disso, há tanta informação que pode ser extraída de um relato histórico, particularmente de um desconecta do conhecimento do contexto ambiental. Tentar gerar novos relatórios sistematicamente poderia aumentar enormemente nossos dados e colocá-los automaticamente no contexto. Finalmente, a ciência precisará se concentrar no objetivo coletivo, na evidência física mais do que nos subjetivos relatos de testemunhas, pois somente o precedente convencerá as autoridades de que os OVNIs “existem”, muito menos que a hipótese extraterrestre vale a pena ser considerada. Naturalmente, obter tais evidências não é tarefa fácil, mas, como mostrado pelas imagens existentes de radar e vídeo, bem como análises químicas de alguns “locais de pouso”, isso pode ser feito. Qualquer tentativa séria de satisfazer esses requisitos exigirá considerável infraestrutura tecnológica (instalações de radar ou outro equipamento de monitoramento) e grande quantidade de dinheiro. Normalmente, esperar-se-ia que o Estado fornecesse tal capital. Embora deva se fazer todo o esforço para que isso aconteça, nossa teoria particular do tabu OVNI - que é a de um imperativo funcional do governo antropocêntrico moderno necessariamente nos torna pessimistas quanto ao fato de que os governos mundiais agirão logo. Como tal, parece importante estrategicamente considerar, junto com os esforços para atrair o Estado, maneiras alternativas de estabelecer uma ciência dos OVNIs. Se abordado pelo Estado ou pela sociedade civil, ou ambos, o problema da ignorância em relação aos OVNIs é fundamentalmente política, antes de ser científica e, como tal, um agnosticismo militante será necessário para superá-la. Mesmo então, não há garantias de que o estudo sistemático realmente acabará com a ignorância sobre os OVNIs, o que deve esperar a ciência. Mas após sessenta anos de negações oficiais sobre esse fenômeno potencialmente extraordinário, é hora de tentar.


CAPITULO 28 - Enfrentando Um Desafio Extremo

Uma compreensão mais profunda dos aspectos inconscientes do tabu OVNI - aqueles que estão além de nosso alcance - é essencial se quisermos finalmente fechar a porta para o velho modo de pensar e levar essa questão em frente. As ideias provocativas apresentadas no capítulo anterior podem não responder a todas as questões, mas os dois cientistas políticos apresentam um intrigante e persuasivo argumento. Eles afirmam que o problema que atormenta a verdadeira compreensão dos OVNIs é a ignorância, não o sigilo, e que essa ignorância é aceita porque serve a um propósito político. Forças ocultas e medos espreitando sob a superfície dessa ignorância política sustentam-na, enquanto também a transformam em algo muito mais poderoso: uma negação ativa e proibição zelosa contra considerar os OVNIs um assunto sério. O problema é mais energizado, mais confrontante do que a simples ignorância, como o vemos. Manifesta-se como o tabu familiar, algo aceito e tão concedido, que a maioria de nós nem pensa duas vezes sobre ele. Esse propósito político é poderoso: mantém o imperativo de que precisamos evitar encarar a possibilidade de que alguns OVNIs poderiam ser extraterrestres. Pois, se eles o forem, isso significaria que estas aeronaves, veículos, objetos milagrosos de origem não identificada - o que quer que sejam - são produzidos por “outros” mais poderosos de algum outro lugar. Tal conceito é simplesmente inaceitável, e pode gerar um terror primordial nos seres humanos. Cuidamos disso através da estratégia política de negar que os OVNIs existem, uma circunstância que nos protege, embora temporariamente, de ter de enfrentar esta ameaça impensável à nossa estabilidade essencial. Os cientistas têm as suas próprias razões para temer. Os OVNIs demonstram características que parecem contradizer as leis fundamentais da física sobre as quais nossa compreensão do universo se baseia. Se os cientistas fizerem um esforço para identificá-las, seria possível que pudessem descobrir o fenômeno de certa forma “irreconhecível” através de nossas metodologias atuais? Até agora os OVNIs têm dificultado qualquer estudo - eles chegam sempre muito perto, mas não perto o suficiente. Isso significa que poderíamos nunca ser capazes de aprender o que são, mesmo se tentarmos? Talvez, de repente, o fenômeno vá se revelar para nós antes que saibamos muita coisa sobre ele e não tenhamos o poder de reagir. Cada um de nós pode explorar as raízes de nossa própria resistência em aceitar a realidade dos OVNIs, um processo que esperançosamente já começou para a maioria dos leitores. Podemos não ter total consciência das respostas enterradas e dos padrões de pensamentos, especialmente porque a resistência é universalmente aceita. Quando ridicularizam os OVNIs, os céticos conscientemente não se preocupam com abstrações tais como humanismo antropocêntrico, ou perda do Estado ou ameaça de aniquilação, mas isso não significa que essas questões não estejam subjacentes aos seus reflexos. Os funcionários do governo também não contemplam esses temores, quando escolhem ignorar os OVNIs ou reter informação ao público, seguindo uma tendência de décadas. Os cientistas convencionalmente afirmam que não há evidência, mas não estão pensando no desafio potencial que os OVNIs trazem às bases da Ciência como a conhecem. Assim, muitos operam fora de nosso campo de atenção


consciente, perpetuando uma espécie de cegueira. Uma exploração pessoal poderia revelar apenas um estranho desconforto com toda a noção dos OVNIs, uma evasão instintiva, automática, do desafio que eles inerentemente representam. Como Wendt e Duvall o descrevem, o “o tabu OVNI é parente da negação na psicanálise”. Sem ponderar, muitos provavelmente diriam que não querem colocar o dedo naquilo que este desafio realmente é. Para aqueles que desejam examinar mais, talvez os “argumentos céticos” articulados no capítulo anterior venham à tona; ou, para outros, haja conflitos religiosos. A maioria de nós preferiria não ter de contemplar de maneira nenhuma o assunto, porque temos recebido uma saída conveniente - a proibição aceita contra a “crença em OVNIs”, que permite que nos identifiquemos com a posição da “elite”. Minha esperança é a de que, talvez agora, tendo digerido todo o material apresentado neste livro, aqueles que conseguiram chegar tão longe não serão tão influenciados por esse tabu transparente como o foram antes. Medos inconscientes sobre as implicações dos OVNIs muito provavelmente se alojaram na mente maior do sistema político americano, começando no final dos anos 40, quando os OVNIs entraram em cena em nível nacional. Contudo, uma certa parcela da população americana já estava predisposta a ver os relatos de “discos voadores” como fraudes ou exageros. Em 1938, a famosa rádio-novela Guerra dos Mundos de Orson Welles colocou em pânicos numerosos ouvintes, com sua dramatização totalmente realística de uma invasão por espaçonaves marcianas, apresentadas como se fosse uma reportagem ao vivo. As pessoas realmente saíram de suas casas em New Jersey - o local da alegada invasão - e muitas outras ficaram convencidas de que a Terra estava, de fato, sob ataque e que todos nós morreríamos. A transmissão abriu uma torneira de um tipo totalmente diferente de medo, que os americanos nunca tinham sentido antes, algo inexplicavelmente aterrador. Aqueles impactados por isso teriam um tempo mais difícil para confiar em futuros relatos de objetos voadores não identificados e, nesse sentido, um desconforto autoimposto com os relatos de OVNIs foi reforçado desde o início. Mas naqueles anos iniciais e nos anos 50, estávamos em nossa infância para lidar com os possíveis significados do fenômeno OVNI. As agências de Inteligência e militares ficaram preocupados com a tarefa de tentar discernir o que essas coisas poderiam ser no contexto da Guerra Fria. A Força Aérea Americana lidou com a preocupação pública tentando explicar todos os OVNIs e se não conseguia, fingia que sim. Essa negação incipiente, apoiada pelo Painel Robertson, em 1953, e depois fortalecida pelo Relatório Condon, de 1968, tornou-se ainda mais arraigada com o tempo. Talvez, conforme íamos aprendendo mais sobre os OVNIs depois do encerramento do Projeto Livro Azul, obtendo um quadro mais claro de pelo menos suas características e comportamento, tivemos progressivamente mais razão para ficarmos preocupados sobre seus aspectos ameaçadores. Quando J. Allen Hynek combateu o problema do tabu, nos anos 80, observou que os funcionários tinham “um desejo poderoso de não fazer nada”195. Mas ele acrescentou agourentamente que “a história tinha mostrado que com o tempo a represa se rompe, algumas vezes cataclismicamente”196. Nesse ponto, temos a opção de encorajar o rompimento da represa - lenta e metodicamente, mais do que cataclismicamente, se possível. Precisamos reconhecer que os perigos potenciais de reconhecer e investigar os OVNIs são reais. Os medos são compreensíveis e até justificáveis; e sim, as repercussões poderiam ser socialmente desestabilizantes.


Mas não importa como esse enigma será, eventualmente, resolvido, o sistema político governante americano está monopolizando qualquer tomada de decisão. Órgãos oficiais em outros países obviamente não têm de superar medos projetados, nem acham que alguns riscos inerentes à descoberta justificam ignorar os OVNIs. Eles já estão seguindo em frente, e eu suspeito que a maioria desses oficiais acredita que é mais perigoso ignorar os OVNIs do que confrontá-los. A maioria do público americano, como mostrado por várias pesquisas, já reconhece a realidade dos OVNIs e não parece traumatizada com isso. Antes, parece que deseja saber mais. Em benefício do sistema político, acredito que trazer todo e qualquer medo para o nível da consciência é nossa única escolha. Quando decidirmos, enquanto sociedade, lidar honestamente com os OVNIs, estaremos entrando em um processo “terapêutico” em larga escala, que diminuirá, ou mesmo extinguirá, o poder das forças que sustentam o tabu. Ao finalmente lançarmos luz sobre essa dinâmica, nós a desarmaremos. Talvez esssa seja a única maneira de todos nós darmos o próximo passo, porque ele enfraquecerá a verdadeira base do sistema político disfuncional, o obstáculo central em nosso caminho. Enquanto isso, espero que todos os escritores deste livro tenham ajudado a amenizar um pouco daquela ansiedade existencial. A compreensão traz alívio e, como diz o clichê, o conhecimento é poder e a verdade os libertará. Como verdadeiros “agnósticos militantes”, podemos reconhecer que a mudança política precisa incorporar essas considerações mais filosóficas. Como na metáfora de Hynek, as águas estão atingindo um nível que, finalmente, fará a represa se romper. Podemos encontrar uma solução saudável para o desafio dos OVNIs e tudo o que representam e precisamos fazer isso. Com o lançamento de uma nova agência de governo e a liberação de novos recursos, a Ciência poderia assumir seu lugar de direito no estudo dos OVNIs, assumindo que o assunto é seu e começando uma nova investigação. Tal cenário representaria uma virada dramática em relação a um passado, no qual alguns poucos nobres cientistas fizeram um esforço para colocar sobre a mesa esse assunto controverso, enquanto outros, embora interessados, ficaram inibidos pelo risco do ridículo profissional. O resto sucumbiu à noção de que não havia nada que valesse a pena estudar, como consta do resumo do Relatório Condon. Alguns cientistas ativamente estudaram e investigaram os OVNIs, apesar dos obstáculos profissionais, e temos muito que aprender com eles, a despeito da passagem do tempo. Em 1968, o Comitê de Astronáutica e Casa da Ciência ouviram o testemunho do Dr. James E. McDonald197, físico atmosférico sênior do Instituto de Física Atmosférica, da Universidade do Arizona, e membro da Academia Nacional de Ciências, que tinha passado dois anos investigando casos de OVNIs. Como resultado de seu estudo focalizado - uma raridade dentro de sua profissão - McDonald disse ao comitê do Congresso que “nenhum outro problema dentro de sua área tem importância científica e nacional comparável”, e que esse assunto extraordinário não deveria ser ignorado. Se outros cientistas tivessem tido a preocupação de empreender tais estudos, muitos devem ter chegado à mesma conclusão e estaríamos hoje em uma situação muito diferente. Em vez disso, pouco tempo depois, o enganoso e preconceituoso relatório da Universidade do Colorado anularam os esforços de cientistas pioneiros, como McDonald, de interessar a comunidade científica no estudo dos OVNIs. Desde então, o Dr. Peter A. Sturrock, professor emérito de Física Aplicada, da


Universidade de Stanford, e diretor emérito do Centro Stanford de Astrofísica e Ciência Espacial, assumiu a liderança no combate aos efeitos do Relatório Condon. Em 1975, ele conduziu uma pesquisa na Sociedade Astronômica Americana e descobriu que 75% dos pesquisados desejavam ver mais informação sobre OVNIs publicada nas revistas científicas. Devido ao fato de que essas revistas rejeitavam trabalhos sobre OVNIs e outras anomalias, Sturrock fundou a Sociedade de Exploração Científica e sua Revista de Exploração Científica, que iniciou suas publicações em 1987. Sturrock talvez seja um dos mais eminentes cientistas a aplicar o método científico convencional ao fenômeno OVNI. Ele vem recebendo prêmios da Sociedade Astronômica Americana, do Instituto Americano de Aeronáutica e Astronáutica, da Universidade de Cambridge, da Fundação Gravidade e da Academia Nacional de Ciências. O Instituto Nacional de Aeronáutica e Astronáutica observou sua “grande contribuição para os campos da geofísica, física solar e astrofísica, sua liderança na comunidade da ciência espacial, e sua dedicação na busca de conhecimento”. Ele publicou cinco livros, três monografias, trezentos artigos e relatórios, e um livro de memórias em 2009198. Em 1997, Sturrock iniciou e dirigiu o primeiro grande inquérito científico do fenômeno OVNI desde o estudo Condon, para descobrir o que um novo grupo de cientistas concluiria sobre os OVNIs. Uma conferência de quatro dias foi convocada no norte do estado de Nova York para revisar rigorosamente a evidência física associada aos relatos de OVNIs. Sete investigadores - incluindo Jean-Jacques Velasco e o Dr. Richard Elaines - apresentaram casos bem pesquisados - com evidência fotográfica, vestígios no solo e danos à vegetação, análise de detritos de OVNIs, evidência de radar, interferência com o funcionamento de automóveis e equipamentos de aviões, aparentes efeitos gravitacionais e inerciais, e efeitos fisiológicos em testemunhas. O painel de revisão de nove cientistas de diversos campos - a maioria era de “agnósticos decididamente céticos” que, segundo Sturrock, não tinham envolvimento anterior com OVNIs - revisou as apresentações e forneceu um sóbrio e cuidadosamente escrito resumo. Embora fossem incapazes de concluir qualquer coisa específica em tão curto espaço de tempo, o painel recomendava uma avaliação cuidadosa continuada dos relatos de OVNIs. Ele reconheceu que o estudo de Condon estava desatualizado e que onde quer que haja fenômenos inexplicados, eles naturalmente deveriam ser investigados. E sim, a investigação e o estudo adicionais de dados sobre OVNIs poderiam contribuir para a resolução do problema OVNI. Essas observações foram um avanço significativo na posição científica199. Ainda, esse estudo não mudou muita coisa. Os cientistas continuam a enfrentar obstáculos, observa Sturrock, tais como: falta de fundos para pesquisa, o falso pressuposto de que não há dados ou evidências, a percepção de que o assunto “não é respeitável”, e a rejeição a priori de trabalhos de pesquisa pelas revistas. Um dos impedimentos é de que, em vez de olhar para os dados e dar os passos para obter mais, muitos cientistas têm a tendência de interpretar o assunto teoricamente e, então, dar uma razão teórica para repudiá-los. Por exemplo: o astrônomo Frank Drake afirmou, em 1998, que se os relatos de OVNIs são reais, eles devem ser causados por espaçonaves extraterrestres. Porém, a viagem interestelar é impossível; portanto os relatos precisam ser descartados. Esse argumento resume a afirmação cética familiar de que isso não pode acontecer, portanto não acontece. “Na pesquisa científica normal, a evidência proveniente da observação assume precedência sobre a teoria”, indica


Sturrock. “Se acontece, então pode acontecer.200” Em janeiro de 2010, a prestigiosa Real Sociedade de Londres convocou uma conferência de dois dias sobre “a detecção de vida extraterrestre e as consequências para a Ciência e a sociedade”. Físicos, químicos, biólogos, astrônomos, antropólogos e teólogos se reuniram junto com representantes da NASA, da Agência Espacial Europeia e do Escritório das Nações Unidas para Assuntos do Espaço Exterior - para discutir a busca científica por extraterrestre. Mas um assunto não fez parte da mistura: o ainda inexplicado fenômeno OVNI. Mais uma vez, foi como se toda a massa de evidência simplesmente não existisse. E estou bastante certa de que se algum dos apresentadores estivesse aberto ou curioso, talvez até informado, sobre o assunto, ele não correria o risco de dizer isso entre colegas tão estimados em um fórum de alto perfil. Mas o fato de que esse encontro ocorreu e recebeu cobertura da mídia internacional ilustra a crescente fascinação e aceitação maior sendo concedidas à busca por vida além do planeta Terra. Acredito que, depois que os Estados Unidos estabelecerem sua própria agência governamental para induzir a pesquisa OVNI e, por esse meio, mudanças de atitude dentro da comunidade científica, uma nova conferência incluiria um porta-voz credenciado sobre o mistério dos OVNIs. Gradualmente, a Ciência irá separar o joio do trigo, e imaginar uma maneira de integrar os desorganizados dados de OVNIs em sua própria estrutura. Passos específicos a serem tomados foram sugeridos por alguns cientistas preocupados, mas estão fora do objetivo deste livro. Porém, mudanças radicais na norma científica aceita - qualquer coisa que leve a mudanças profundas na compreensão - nunca aconteceram facilmente. Os OVNIs parecem ser o primeiro desafio a algo tão fundamental quanto nossa visão de mundo antro- pocêntrica, o que poderia significar que a resistência ao estudo dos mesmos pode se tornar a mais longa da história humana. Como definido pelo filósofo da Ciência Thomas S. Kuhn, autor do clássico estudo, de 1962, A Estrutura das Revoluções Científicas, o processo de mudança de um paradigma começa quando uma anomalia persistente é descoberta e não pode ser explicada pelo conjunto de pressupostos dentro da estrutura científica geral. O fenômeno inexplicado enfraquece as bases da visão de mundo prevalente. Quando a anomalia se apresenta pela primeira vez, suas implicações e características físicas parecem absolutamente inconcebíveis, totalmente fora das fronteiras daquilo que poderia ser real, exigindo assim sua destituição pelo sistema. Inicialmente, sua presença é rejeitada como um erro e frequentemente ridicularizada, com os proponentes de sua legitimidade desprezados e perseguidos, seus trabalhos e reputações em risco. Conforme a evidência cresce e não pode mais ser descartada, são feitas tentativas para incorporá-la e defini-la dentro dos parâmetros do paradigma existente. A ameaça à compreensão atual torna-se elevada e o sistema apega-se cada vez mais à sua realidade autodefinida e autodefinidora, como se confrontada pela morte. Ao mesmo tempo, como Kuhn o descreve, as fronteiras do velho paradigma começam a amolecer e alguns cientistas altamente colocados começam a explorar o estudo da anomalia, atraindo gradualmente outros pesquisadores para o assunto. Finalmente, uma nova realidade surge, geralmente de maneira repentina e rápida, algumas vezes precipitada pelos esforços de um único cientista agindo em um hora crucial. A anomalia, então, torna-se parte do esperado e somos capazes de ver a natureza de uma nova maneira e logo a descoberta, que já foi radical, torna-se parte do


conhecido. Kuhn escreve: “Uma revolução científica é um episódio desenvolvimental não cumulativo, no qual um paradigma mais antigo é substituído no todo ou em parte por um novo paradigma incompatível... A tradição científica normal que emerge de uma revolução científica não é apenas incompatível, mas frequentemente é realmente incomensurável com aquilo que foi antes”. Em relação à anomalia do OVNI, é fácil reconhecer seu potencial para criar uma “mudança de paradigma”, dependendo do que é descoberto, uma vez que a Ciência decida reconhecê-la. Devido à possibilidade extraterrestre - um desafio à nossa compreensão do universo físico e nosso lugar nele - há, de fato, o risco de uma revolução científica bem grande. Se o OVNI é determinado a ser uma criação tecnológica secreta da humanidade, ou algo mais complexo, tal como uma manifestação de talvez outra dimensão, a descoberta seria potencialmente transformadora. E Kuhn diz que tudo pode acontecer devido a um evento definidor “não cumulativo” - talvez uma exibição longa essencial, um novo tipo de evidência física explosiva, ou até comunicação via ondas de rádio ou outros meios mais avançados - um evento que deixaria os cientistas certos quanto à natureza e origem do fenômeno. Infelizmente, a história demonstra que tal mudança geralmente progride lentamente na construção daquele momento definidor. Baseado em observações científicas no início do século 16, Copérnico propôs o modelo heliocêntrico, segundo o qual a Terra não era estacionária no centro do universo, como afirmava a ciência ortodoxa, mas, de fato, girava em seu eixo e os planetas se moviam ao redor do sol e não da Terra. Os movimentos dos planetas eram anomalias naquela época e não podiam ser explicados pelo modelo aceito. Copérnico obteve dados que apoiavam essa nova teoria e explicavam as anomalias observadas. Mas, apesar de sua racionalidade, seus achados foram considerados impossíveis - não pode ser, portanto não é - dado o que era então compreendido como verdadeiro. Pior, como nós seres humanos olhávamos para o espaço em um estado de ignorância, certos de nosso planeta Terra fixo, sua teoria também desafiou nosso dogma religioso autoimposto. Cento e cinquenta anos se passaram antes do fato de que a Terra gira ao redor do sol fosse aceito, e apenas depois que Ga- lileu, Kepler e Newton fizeram suas contribuições. Finalmente, a humanidade testemunhou a emergência do novo paradigma científico. Foi uma estrada longa e dolorosa. Galileu foi forçado pela Igreja a se retratar de suas ideias e foi mantido em prisão domiciliar por sustentar que aquela era realmente a visão correta. Descobertas menores, muito embora elas também sejam consideradas impossíveis, podem mudar a norma mais rapidamente. No começo do século 19, os cientistas rejeitaram a ideia de que pedras poderiam cair do céu, apesar dos relatos em contrário de múltiplas testemunhas. O consenso foi de que isso não podia acontecer; assim, qualquer um que dissesse outra coisa deveria estar mentindo, ou ser maluco, ou um fraudador. Finalmente, um cientista coletou fragmentos de um meteorito relatados por aldeões na França, que foram então estudados em laboratório, provando a realidade das pedras caindo do céu, e o novo fenômeno dos meteoritos foi aceito daquele momento em diante. Atualmente, alguns cientistas estão começando a apresentar teorias que poderiam explicar a viagem espacial mais rápida que a luz, incluindo conceitos tais como viagens através de buracos de minhoca, múltiplas dimensões e até viajantes do tempo201. Segundo uma notícia de


capa, de agosto de 2009, da revista Newsweek, os cientistas estimam agora que há 100 bilhões de sóis na Via Láctea com planetas semelhantes à Terra girando ao redor deles. Dado o número de estrelas existentes e o número de planetas extrassolares já descobertos, a chance de existir vida em qualquer outro lugar do universo é muito alta. A nave espacial Kepler da NASA foi lançada em 2009 para procurar alguns destes planetas entre as 100 mil estrelas das constelações de Cygnus e Lira, com a esperança de encontrar alguns planetas terrestres com condições habitáveis. Enquanto este livro está sendo escrito, já encontramos mais de 400 planetas orbitando outras estrelas203. Por volta de 2013, a Kepler terá localizado provavelmente centenas, senão milhares, desses planetas habitáveis. A NASA também desenvolveu um telescópio espacial de infravermelho altamente sensível204 que está procurando agora asteroides pequenos e escuros e outros objetos próximos da Terra em nosso sistema solar, e enviou de volta suas primeiras imagens através do espaço em janeiro de 2010. Através de sua recorrência persistente, o fenômeno OVNI faz suas próprias exigências aos cientistas, que não devem mais se permitir o luxo da negação. Sempre fomos uma espécie em evolução buscando compreender o desconhecido, e lidaremos com quaisquer que sejam as mudanças provenientes de novas descobertas. Como Kuhn disse a muitos anos atrás, “quando os paradigmas mudam, o próprio mundo muda com eles”. Ao longo dos anos, organizações desmistificadoras desenvolveram o slogan “Afirmações extraordinárias exigem evidência extraordinárias”, como uma espécie de mantra, enrolando todas as suas objeções em uma só, que é usada para destituir os OVNIs. Eles estão afirmando que não há evidência suficiente para apoiar a “afirmação” de que os OVNIs existem. A meu ver, este livro fez a apresentação de algumas das evidências mais convincentes apenas um pedacinho delas, precisamos lembrar - de que os OVNIs realmente existem. Vimos que há objetos sólidos, tridimensionais, de origem desconhecida, voando em nossos céus, parando no meio do ar e disparando para o espaço exterior, que aparentemente não são naturais, nem feitos pelo homem. Eles chegam perto e também pousam, deixando vestígios no solo, enquanto murcham as folhas das plantas próximas. Interagem com aviões e têm efeitos físicos sobre eles. Fotografias capturaram sua imagem em filme, e foram captados pelos monitores de radar. Milhares de pessoas de todas as esferas da vida, em todos os continentes, viram esses objetos, incluindo muitos pilotos e oficiais militares. O grupo representado neste livro, incluindo eu mesma, compreende que o que os céticos amam chamar de “reivindicação” - a existência de objetos desconhecidos no céu - é realmente um fato estabelecido. Há evidência mais que suficiente para determinar que algo físico está lá. Nós, deste grupo, também somos “agnósticos militantes”: não sabemos o que este algo é, nem sabemos o que não é. Estamos fazendo uma reivindicação extraordinária, porque não estamos afirmando nada além da realidade de um fenômeno físico, e as cinco premissas que surgem desta realidade encontram- se delineadas na introdução deste livro. Sim, esse fenômeno é definitivamente extraordinário. A incompreensão básica subjacente à frase capciosa dos céticos - “Afirmações extraordinárias exigem evidência extraordinária” - está, uma vez mais, na equiparação dos OVNIs com espaçonaves extraterrestres, por definição. Quando os desmistificadores se reagrupam ao redor desse grito de batalha e descartam toda a evidência com um abanar de mãos, é isso realmente que está em suas mentes. De outro modo, não haveria necessidade que eles ficassem tão cegamente na defensiva e até mesmo hostis.


Sua preocupação é compreensível, mesmo se tiver de usar de desonestidades. O grupo COMETA apontou, no início desta jornada, bem como afirmaram muitos de nossos contribuidores, que a hipótese extraterrestre é a que mais provavelmente explicaria o que sabemos. Essa é uma proposição muito carregada, mas estamos presos a ela. E realmente não é uma posição extrema, em comparação com as duas posições polarizadas que são tão comuns na cultura: ou já sabemos o que os OVNIs são (espaçonaves alienígenas), ou eles possivelmente não podem existir e, portanto, não existem. Esse dois extremos são as reais reivindicações extraordinárias. Pedimos àqueles dos dois lados dessa contestação fora de moda, entre os crentes decididos e os não crentes, para perceber a falácia de ambas as posições e aceitar a visão agnóstica lógica, necessária e realista. Os cientistas precisam repudiar a afirmação insustentável de que não temos qualquer evidência além dos relatos de testemunhas, que são - para eles, naturalmente - inconfiáveis. Essa é outra “reivindicação extraordinária” que não se sustenta, como este livro atesta. Já é hora de se proceder logicamente. Dado que sabemos que temos uma manifestação física de alguma coisa altamente incomum de origem desconhecida, não é hora de se adquirir evidências adicionais necessárias para se descobrir o que ele é? Se precisamos de evidência extraordinária, então vamos fazer nosso trabalho e obtê-la. Nós, americanos, teremos a cooperação de cientistas de todo o mundo, que já investiram seus recursos limitados em tal empreendimento. E, assim, um novo slogan surge: “Um fenômeno extraordinário exige uma investigação extraordinária”205. Os cientistas do mundo são inteiramente capazes de imaginar metodologias e manufaturar tecnologia necessária para resolver esse mistério extraordinário. Como os contribuidores mostraram aqui, há muito em jogo para se continuar a fazer obstrução. Ao mesmo tempo, não podemos negar o fato de que há um risco em nos movermos para frente. O próprio fenômeno nos colocou em situação precária de não ter escolha e não podemos fazer nada a respeito. Precisamos lutar para aprendermos o que pudermos, pois está em nossa natureza mais profunda e nosso melhor interesse fazer isso: simplesmente querer descobrir. Talvez essa descoberta seja o ponto da virada em nossa história. Talvez não. Mas muito provavelmente há algo supremamente importante trancado no fenômeno OVNI, que poderia ser transformador para todos nós. É tempo agora para, finalmente, abrirmos os olhos e descobrirmos o que poderia ser.


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AGRADECIMENTOS

Em primeiro lugar e principalmente, gostaria de agradecer a dezoito distintos contribuidores, cujas parcelas de contribuição formaram o núcleo essencial deste livro, e que tornaram tudo possível. Foi um privilégio trabalhar com este grupo excepcional. Meus agradecimentos mais profundos a cada um deles por sua confiança, e por seu trabalho diligente em muitos projetos. Estes homens têm corajosamente prosseguido no registro da realidade dos OVNIs, e eu espero que outros, em posições comparáveis, façam agora a mesma coisa. Estendo meu apreço especial a John Podesta por seu prefácio eloquente e por seu contínuo apoio público à Coalizão para a Liberdade de Informação (CFi). Seu brilhantismo e honestidade são inspiradores. Outros fizeram grandes contribuições para o texto: Yves Sillard, do GEIPAN, escreveu um comentário importante, e André Amond, J. Dori Callahan, Julio Chamorro, Anthony Choy, Jean-Pierre Fartek, Will Miller e Robert Salas forneceram entrevistas e material útil. Sou muito grata ao antigo governador do Arizona, Fife Symington III, por seu encorajamento, que ajudou a lançar o livro. Phyllis Wender, minha agente da Gersh Agency em Nova York, acreditou neste projeto desde o início. Agradeço a ela de todo o coração por sua apreciação da abordagem deste livro e por sua firme determinação de publicá-lo. Seus sábios conselhos foram indispensáveis, e sua assistente, Lynn Hyde, também merece meus agradecimentos. No Crown Publishing Group, estou em débito com Shayne Areheart por sua visão, liderança e comprometimento com o livro, e a minha entusiástica editora, Kate Kennedy, que me guiou ao longo de todo o processo de publicação e fez muitas contribuições editoriais significativas, que melhoraram o manuscrito. Um agradecimento especial vai para meu grande amigo Budd Hopkins por fornecer, diariamente, apoio estável enquanto eu lidava com uma miríade de pessoas e desafios profissionais inerentes à produção deste livro. Ele religiosamente lia e relia cada palavra do manuscrito em seus vários significados e ofereceu muitas sugestões perceptivas. Também sou grata a David M. Jacobs, Paul McKim e Lloyd Garrison por lerem partes do manuscrito e fornecerem comentários úteis. Não posso omitir dois colegas-chave que influenciaram profundamente minha vida, antes que fosse inesperadamente confrontada pelo assunto dos OVNIs. O ativista e escritor Alan Clements inspirou-me com seu ativismo compassivo e compromisso com a luta das pessoas, e descortinou-me um novo mundo. O repórter investigativo Dennis Bernstein, anfitrião do Flashpoints, da estação de rádio Pacifica, ensinou-me os princípios e a arte do jornalismo advocatício, levando-me para o mundo da publicação autônoma e, finalmente, para a


radiodifusão. Não consigo agradecer suficientemente a meus queridos amigos Alan e Dennis por me darem as bases que tornaram possível para mim, posteriormente, assumir os riscos do assunto OVNI. No início de minhas explorações, Ralph Steiner ajudou-me a navegar e ofereceu-me muita reafirmação. Stephen Basset foi apoiador e Clifford Stone, Steven Greer e Grant Cameron me forneceram centenas de documentos governamentais liberados através do Ato de Liberdade de Informação. Agradeço ao editor do Boston Globe, Chris Chinlund, e a Robert Whitcomb, do Providence Journal, por publicarem meus primeiros artigos sobre OVNIs. Sou muito grata a Larry Landsman, meu parceiro na CFi, por me abrir tantas portas e por seu conselho consistente e camaradagem por todos esses anos. Sem Larry, este livro nunca teria nascido. Também agradeço a educação inestimável de Ed Rothschild, estrategista sênior de assuntos públicos do Podesta Group. E estendo meus agradecimentos a James Fox, Stan Gordon, Lee Helfrich e Jeff Sagansky e a toda a equipe da Break Thru Films pelas oportunidades significativas que me deram. Muitos investigadores habilidosos passaram décadas reunindo dados sobre os OVNIs, e confiei continuamente em seu trabalho ao longo deste livro. Pago um tributo especial ao pesquisador veterano Richard Hall, que morreu de câncer em 2009 e que esteve sempre disponível para responder às minhas perguntas. Juntamente com outros já mencionados, também estou pessoalmente em débito com os pesquisadores Jerome Clark, Peter Davenport, Richard Dolan, Stanton Friedman, A.J. Gevaerd, Timothy Good, Bernard Haisch, Bruce Maccabee, Mark Rodeghier, Ted Roe, Brad Sparks, Peter Sturrock, Rob Swiatek e Nancy Talbot. Pituka Heilbron e Andrea Soares Berrios passaram muito tempo traduzindo tanto textos como muitos e-mails. Agradecimentos também a Jean-Luc Rivera e a Oscar Zambrano pelas traduções e a Jean-Claude Ribes, Valery Uvarov, Ruben Uriarte e André Morin. Outros que ajudaram em vários aspectos do livro: Yvan Blanc, Joaquim Fernandes, Kelly Fox, Seth Keal, Phil Imbrogno, Charles Miller, Gustavo Rodriguez, Susan Stanley e Bernard Thouanel. Na Crown, agradecimentos a Mark Birkey, Jill Browning, Lenny Henderson, Kyle Kolker, Elizabeth Rendfleisch, Kira Walton e Campbell Wharton. Finalmente, agradeço à minha mãe, Ellen S. Kean, e a meu pai, Hamilton F. Kean, por seu apoio estável e incondicional e genuíno entusiasmo com este projeto, apesar da natureza do tabu. Obrigada por terem fé em mim.


SOBRE OS CONTRIBUIDORES

RAY BOWYER é piloto de inspeção de calibração de voo e continua como piloto de linha aérea comercialmente qualificado. Tem voado para dez linhas aérea que operam na Europa e no Oriente Médio, incluindo Jersey European, Channel Express, Regionair, BusinessAir e Farner Air. De 1999 a 2008, foi o comandante da Aurigny Air Services, nas Ilhas do Canal, voando entre as ilhas e em rotas internacionais baseadas em Guernsey. Atualmente, voa como comandante para uma corporação baseada nas Ilhas do Canal por toda a Europa e tem um total de 7.000 horas de voo. WILFRIED DE BROUWER passou vinte anos como piloto de caça na Força Aérea da Bélgica. Foi, então, indicado para o ramo de Planejamento Estratégico da OTAN, em 1983, como Coronel. Depois disso, tornou-se Comandante da Ala de Transporte da Força Aérea Belga e, em 1989, tornou-se chefe da Divisão de Operações no Staff Aéreo. Promovido a General Major, em 1991, De Brouwer serviu como Delegado Chefe de Staff da Força Aérea belga. Começando em 1995, depois de se aposentar, ele trabalhou por mais de dez anos como consultor das Nações Unidas, para melhorar as capacidades de resposta rápida da Logística da ONU durante emergências. JOHN J.CALLAHAN tem mais de trinta anos de experiência na Administração Federal da Aviação (FAA), especializado nos centros de controle do tráfego aéreo. Como Chefe do Ramo da Automação, supervisionou o planejamento, a programação, os testes e a implementação de todos os programas de software das instalações de controle de tráfego aéreo. De 1981 a 1988, foi Chefe de Divisão para Acidentes, Avaliações e Investigações, no Quartel General em Washington, onde era responsável pela qualidade do serviço de tráfego aéreo fornecido aos usuários da FAA. Após a aposentadoria, Callahan empregou-se como Analista Sênior do Washington Consulting Group e Executivo Chefe da Crown Communications Consulting Company. Ele agora possui e opera o Liberty Tax Service, em Culpeper, na Virgínia. RAYMOND DUVALL é Professor da Morse-Alumni e Chefe do Departamento de Ciência Política da Universidade de Minnesota. Suas publicações em coautoria incluem Poder na Governança Global (Cambridge University Press, 2005), e Culturas da Insegurança: Estados, Comunidades e a Produção de Perigo (University of Minnesota Press, 1999). Seus artigos recentes apareceram em revistas acadêmicas tais como International Organization (2005-06), Millenium (2007), Review of International Studies (2008) e Political Theory (2008). O ensino e a pesquisa do Dr, Duvall focalizam-se em facetas da teoria das relações internacionais críticas, incluindo os efeitos produtivos de práticas sociais. RODRIGO BRAVO GARRIDO é capitão e piloto da Aviação do Exército do Chile. Em 2000, com vinte e quatro anos, foi designado para conduzir um estudo interno intitulado “Introdução ao Fenômeno Aéreo Anômalo e Suas Considerações para a Segurança Aeroespacial”, envolvendo relatórios de casos prévios de encontros de aviões militares com FANE Desde


então, ele continuou essa pesquisa e agora trabalha em cooperação com o Comitê para o Estudo de Fenômenos Aéreos Anômalos (CEFAA), um ramo da Administração Geral de Aeronáutica Civil, o equivalente chileno da FAA americana. JULIO MIGUEL GUERRA tornou-se piloto da Força Aérea portuguesa em 1973, e era um oficial de operações especializado em prevenção de acidentes na Base Aérea de Ota. Em 1990, começou a voar comercialmente para a Air Atlantis, uma linha charter da TAP, a linha aérea nacional de Portugal, com a Air Columbus e a Air Atlanta, pilotando jatos Boeing 737200/300. Desde 1997, tem sido Comandante de Linha da Portugalia Airlines. Também é instrutor de voo privado e examinador da Junta de Autoridades da Aviação, um órgão europeu que desenvolve e implementa padrões regulatórios comuns de segurança. Com 18.000 horas de voo, o Comandante Guerra se formou em Licenciatura em Ciência Aeronáutica, pela Universidade Lusófona, em 2009. RICHARD F. HAINES é um cientista pesquisador sênior, que trabalhou no Centro de Pesquisa Ames, da NASA, de 1967 a 1988, em projetos tais como Gemini, Apollo, Skylab e Estação Espacial Internacional, e administrou o Programa de Avaliação de Exibição na Tela da Junta FAA/NASA. Foi nomeado Chefe do Escritório de Fatores Humanos no Espaço, da NASAAmes, em 1986. O Dr. Haines publicou mais de setenta e cinco trabalhos em revistas científicas importantes e mais de vinte e cinco relatórios do governo americano para a NASA. Desde que se aposentou, em 1988, trabalhou como pesquisador sênior para o Instituto de Pesquisa para a Ciência da Computação Avançada, RECOM Technologies Inc., e Raytheon Corporation. Atualmente trabalha para o Centro de Relatórios da Aviação Nacional sobre Fenômenos Anômalos (NARCAP). CHARLES I. HALT foi Tenente Coronel quando estava na Base da RAF em Bentwaters, Inglaterra - a maior Ala de Combate Tático da Força Aérea Americana - como Delegado Comandante da Base e, depois, como Comandante da Base. Após se tornar Coronel, foi Comandante da Base Aérea de Kunsan, na Coréia, responsável pela base de F-16 para qualquer ação ofensiva exigida na península coreana, e também contribuiu na instalação da Base de Mísseis Cruise, na Bélgica. Finalmente, serviu como Diretor do Diretório de Inspeções, da Inspetoria Geral do DoD, com supervisão de inspeção total de todo o Departamento de Defesa. O Coronel Halt aposentou-se em 1991 e agora administra um grande condomínio fechado. OSCAR SANTA MARIA HUERTAS foi piloto de combate da Força Aérea Peruana (FAP) durante muitos anos, com experiência de voo em aviões T-41D, T-37, A-80, T-33, A-37, MB399 e SU-22. Ele ficou aquartelado em numerosas bases militares por todo o Peru e foi chefe do Departamento Acadêmico e instrutor de voo na Escola de Oficiais da FAP. Santa Maria também passou onze anos no Departamento de Investigação e Prevenção de Acidentes da Força Aérea. Aposentou-se com o posto de comandante em 1997, mas permanece ativo, trabalhando atualmente como consultor de Segurança de Voo e Prevenção de Acidentes para a indústria de aviação, no Peru.


PARVIZ JAFARI é General aposentado da Força Aérea iraniana. Após entrar para a Força Aérea, passou dois anos treinando nos Estados Unidos, na Base Aérea de Lackland, no Texas; na Base de Craig no Alabama, e na Base de Nellis, em Nevada. Em seu país, Jafari serviu como comandante de base em várias bases e no escritório de operações do Quartel General da Força Aérea. Como General, tornou-se o oficial de coordenação entre o Exército, a Marinha e a Aeronáutica iranianos. Aposentou-se em 1989 e vive em Teerã. DENIS LETTY é um bem conhecido piloto de combate e Major General da Força Aérea francesa. Foi chefe da Quinta Ala de Combate, da Base Aérea de Strasbourg, da Zona de Defesa do Sudeste da Força Aérea francesa, e da Missão Militar Francesa, próxima das Forças Aéreas Aliadas na Europa Central. Como comandante, foi condecorado com a Legião de Honra. Depois de se aposentar, o General Letty serviu como presidente do Serviço de Defesa da Aviação, que fornece treinamento de guerra eletrônica para as forças armadas. Também tornou-se presidente do grupo COMETA, um comitê privado de busca profunda de fatos, formado para estudar o fenômeno OVNI, com o Relatório publicado “OVNIs e Defesa”, em 1999. JAMES PENNISTON entrou para a Força Aérea em 1973 e foi nomeado para a Guarda de Elite do Comando Aéreo Estratégico, em Omaha, Nebraska, trabalhando em segurança para o Posto de Comando SAC. Nomeações subseqüentes levaram-no para a Base da RAF de Alconbury, na Inglaterra, e para a Base da Força Aérea de Malmstrom, em Montana, como controlador de Segurança de Voo, para a proteção e prontidão de lançamento de ICBMs de Minuteman. Em 1980, tornou-se o responsável de Planos e Programas de Polícia de Segurança em Bentwaters, Inglaterra. Numerosas outras nomeações se seguiram, incluindo o serviço no Escudo do Deserto e Tempestade do Deserto. Aposentou-se em 1993 e agora trabalha como Administrador de Recursos Humanos da indústria e governo municipal em Illinois. JOSE CARLOS PEREIRA é General Brigadeiro de quatro estrelas brasileiro, agora aposentado. Foi comandante de várias bases aérea no Brasil, e comandante da Academia da Força Aérea Brasileira. Em 1999, tornou-se comandante do Comando de Defesa do Espaço Aéreo Brasileiro, conhecido como COMDABRA. De 2001 a 2005, serviu como General Comandante de Operações da Força Aérea, que exigiu sua supervisão sobre treze generais e 27.000 subordinados. Em 2006, depois de se aposentar da Força Aérea, o General Brigadeiro foi nomeado presidente da Agência de Infraestrutura de Aeroportos do Brasil, a agência do governo responsável pela administração de aeroportos, posto do qual agora se aposentou. JOHN PODESTA foi Chefe de Staff da Casa Branca do governo do Presidente William J. Clinton. Também serviu no gabinete do presidente e como diretor do Conselho de Segurança Nacional. Mais recentemente, foi copresidente da equipe de transição do Presidente Obama, para o qual coordenou as prioridades da agenda de administração de entrada, supervisionou o desenvolvimento de suas políticas e liderou seus compromissos das principais secretarias de gabinete e nomeações políticas. Desde 2003, é o presidente do Centro para o Progresso Americano, uma organização líder no desenvolvimento de advocacia para a política


progressista. Podesta é autor de O Poder do Progresso: Como os Progressistas da América Podem (Mais Uma Vez) Salvar Nossa Economia, Nosso Clima e Nosso País. NICK POPE trabalhou para o Ministério da Defesa britânico por vinte e um anos, de 1985 a 2006. Sua carreira envolveu postos nas divisões de política, operações, recursos humanos, finanças e segurança. Durante a primeira Guerra do Golfo, foi recrutado para o Centro de Operações da Junta, onde trabalhou na Sala de Operações da Força Aérea como observador/porta-voz. De 1991 a 1994, o dever primário de Pope era investigar relatórios de objetos voadores não identificados e avaliar se alguns avistamentos eram de interesse da Defesa. Várias promoções se seguiram e seu último porto foi no Diretório de Segurança de Defesa. Agora aposentado, Nick Pope trabalha como jornalista e locutor de rádio autônomo. RICARDO BERMÚDEZ SANHUEZA é General aposentado da Força Aérea do Chile, que serviu como Adido Aéreo chileno em Londres, e foi Comandante Chefe da Área Sul da Força Aérea. Foi também diretor da Escola Técnica de Aeronáutica. Em 1998, co-fundou o Comitê para o Estudo de Fenômenos Aéreos Anômalos (CEFA A), um ramo da Administração Geral da Aeronáutica Civil, a FAA do Chile, para estudar incidentes da aviação envolvendo fenômenos aéreos anômalos. Foi nomeado o primeiro presidente do CEFAA e serviu até 2002. Em janeiro de 2010, foi renomeado Diretor da CEFAA e agora trabalha em tempo integral investigando incidentes com OVNIs envolvendo pessoal da aeronáutica civil e militar. FIFE SYMINGTON III foi governador republicano do Arizona de 1991 a 1997. Também foi presidente da Associação de Governadores do Oeste. Veterano condecorado da guerra no sudeste da Ásia, Symington é primo do último Stuart Symington, Senador democrata pelo Missouri. Após o término de seu mandato, Symington cofundou o Instituto de Culinária do Arizona e o Grupo Symington, uma consultoria estratégica, política e de negócios. Em 2007, ele e seus sócios fundaram o Grupo Independente de Energia do Arizona, especializado no desenvolvimento de matrizes solares comerciais. Piloto de longa data, ele frequentemente voa em seu bimotor Beechcraft Baron entre suas duas casas, em Phoenix e Santa Bárbara, na Califórnia. JEAN-JACQUES VELASCO foi engenheiro do Centro Nacional de Estudos Espaciais (CNES), da França, especializado em pesquisas de satélites. Em 1977, juntou-se a uma nova equipe francesa formada para estudar fenômenos aeroespaciais não identificados dentro do CNES. Tornou-se o diretor dessa agência em 1983, e permaneceu nesse posto até 2004, tornando-se uma autoridade internacional no estudo científico de OVNIs. Seu conselho foi buscado por países que desejavam estabelecer suas próprias agências governamentais para investigar OVNIs, tais como o Chile e o Peru, e pelo Parlamento Europeu, em 1994. É autor de vários livros sobre OVNIs. ALEXANDER WENDT é professor de Segurança Internacional da Universidade Estadual de Ohio. Anteriormente, lecionou na Universidade Yale, na Faculdade de Dartmouth e na Universidade de Chicago. Está interessado nos aspectos filosóficos da política internacional e


publicou uma série de artigos em importantes revistas sobre ciência política, bem como um livro em 1999, Teoria Social da Política Internacional (Cambridge University Press), que recebeu, em 2006, o prêmio de Melhor Livro da Década da Associação de Estudos Internacionais.


SOBRE A AUTORA

LESLIE KEAN é jornalista investigativa independente, com experiência em composição literária e radiodifusão autônomas. Contribuiu com artigos para dezenas de publicações nos Estados Unidos e no exterior, incluindo Boston Globe, Philadelphia Inquirer, Atlanta JournalConstitution, Providence Journal, International Herald Tribune, Globe and Mail, Sydney Morning Herald, Bangkok Post, The Nation e The Journal for Scientific Exploration. Suas histórias foram vendidas através do Knight Ridder/Tribune, do Scripps-Howard, do serviço de notícias do New York Times, do Pacific News Service e da Associação Nacional dos Editores. Durante os muitos anos que trabalhou como repórter em Burma, foi coautora do Burma’s Revolution of the Spirit: The Struggles for Democratic Freedom and Dignity (Aperture, 1994), e contribuiu com ensaios para uma série de antologias publicadas entre 1998 e 2009. Kean também produziu e foi anfitriã de um programa investigativo diário de notícias na Rádio KPFA, uma estação da Pacifica. Em 2002, cofundou a Coalizão para a Liberdade de Informação (CFi), uma aliança independente que advoga uma abertura maior do governo em relação a informações sobre OVNIs e pela cobertura responsável pela mídia, baseada em uma abordagem crível e racional. Como diretora da CFi, foi a querelante em um bem sucedido processo legal federal de quatro anos contra a NASA, relativo ao Ato para a Liberdade de Informação. Kean foi produtora do documentário independente I Know What I Saw, de 2009, e atualmente trabalha com a Break Thru Films, uma companhia de cinema premiada, em um novo documentário.


NOTAS

. O acrônimo COMETA é a sigla formada pela abreviação de Comitê de Estudos Aprofundados (Comitê d’Études Approfondies), o nome do comitê que conduziu o estudo. 2. O Relatório Cometa, “OVNIs e Defesa: Para o que Devemos nos Preparar?”, escrito pela associação francesa COMETA, 1999. “Le rapport Cometa, les Ovni et la Defense, A quoi doint-on se preparer?”, G.S. Presse Communication, 1999. Editions du Rocher, 2003. Apareceu na revista VSD, na França, em julho de 1999. 3. Os membros do COMETA e contribuidores incluem: General Bernard Norlain, antigo comandante da Força Aérea Tática francesa; André Lebeau, antigo chefe do CNES; General Denis Letty, da Força Aérea, antigo auditor (FA) do IHEDN; General Bruno Lemoine, da Força Aérea (FA do IHEDN); Almirante Marc Merlo (FA do IHEDN); Jean-Jacques Velasco, chefe do SEPRA/GEPAN; Michel Algrin, doutor em Ciências Políticas, advogado (FA do IHEDN); General Pierre Bescond, engenheiro de armamentos (FA do IHEDN); Denis Blancher, superintendente nacional do Ministério do Interior; Christian Marchai, engenheirochefe de Mineração Nacional, diretor de pesquisa no Escritório Nacional de Pesquisa Aeronáutica (ONERA); General Alain Orszag, PhD em Física, engenheiro de armamentos. Outros contribuidores incluem: François Louange, presidente da Fleximage, especialista em análise fotográfica; General Joseph Domange da Força Aérea. 4. Leslie Kean, “Teóricos dos OVNIs Ganham Apoio no Exterior, mas Repressão em Casa”, Boston Sunday Globe, 21 de maio de 2000. 5. Há muitos para mencionar, incluindo documentos oficiais, traslados, histórias em revistas, artigos de jornal, e livros sobre um caso específico ou um determinado aspecto da pesquisa OVNI. Muito trabalho proeminente também publicado em uma série de websites confiáveis, e outros livros foram escritos mais recentemente. Os seguintes trabalhos cobrem o tópico OVNI em geral, e foram de particular importância para mim pessoalmente, durante meus primeiros anos de estudo, de 1999 a 2001: Edward J. Ruppelt, The Report on Unidentified Flying Objects (Doubleday, 1956; edição revisada em 1959); Richard H. Hall, editor, The UFO Evidence (NICAP, 1964); Edward U. Condon, Scientific Study of Unidentified Flying Objects (Bantam Books, 1969); J. Allen Hynek, The UFO Experience: A Scientific Inquiry (Marlowe & Company, 1972); David Jacobs, The UFO Controversy in America (Indiana University Press, 1975); Lawrence Fawcett e Barry J. Greenwood, Clear Intent (Prentice-Hall, 1984); Timothy Good, Above Top Secret (William Morrow, 1988); Don Berliner, UFO Briefing Document (Dell, 1995); Budd Hopkins, Witnessed (Pocket Books, Simon & Schuster, 1996); Stantaon T. Friedman, Top Secret/Majic (Marlowe & Co., 1996); Clifford E. Stone, UFOs are Real (SPI Books, 1997); Jerome Clark, The UFO Encyclopedia, 2a. edição, vols. 1 e 2 (Omnigraphics, Inc., 1998); Peter A. Sturrock, The UFO Enigma: A New Review of the Physical Evidence (Warner Books, 1999); Richard M. Doland, UFOs and the National Security State (Keyhole Publishing Company, 2000); Terry Hansen, The Missing Times (Xlibris, 2000); Bruce Maccabee, UFO/FBI Connection (Llewellyn Publications, 2000); Richard H. Hall, The UFO Evidence: A Thirty-Year Report, vol.2 (The Scarecrow Press,


2001). Mais leitura abrangente pode ser encontrada em http://www.cufon.org/cufon/rlist/an.htm e http://cufos.org/books.html. 6.Alguns exemplos de minhas histórias são: “Encontros de Pilotos com OVNIs: Um Novo Estudo Desafia o Sigilo e a Negação”, Proviáence Journal e serviço de notícias Ridder, 3 de maio de 2001; “Abram os Arquivos OVNIs para o Sossego de Nós Terráqueos”, Atlanta Journal-Constitution e serviço de notícias Knight Ridder/Tribune, 13 de dezembro de 2002; “Quarenta Anos de Sigilo: NASA, os Militares e a Queda em Kecksburg de 1965”, International UFO Repórter (IUR), o jornal do Centro J.Allen Hynek de Estudos OVNI, vol. 30, n. 1, outubro de 2005; “O Que era Aquele Objeto flutuando sobre o 0’Hare?”, ScrippsEIoward News Service, 26 de fevereiro de 2007; “Antigo Governador do Arizona Agora Admite ver OVNI”, Arizona Daily Courier, 16 de março de 2007. Ver www.freedomofinfo.org para mais informações sobre meu trabalho. 7. Richard Haines, Observing UFOs: An Investigative Handbook (Nelson-Hall, 1980), capítulo 2. 8. Staff da Junta, Washington, D.C., Relatório de Informação #5049, “Bélgica e o Assunto OVNI”, 30 de março de 1990. 9. Don Berliner, UFO Briefing Document (Dell Publishing/Random House, 1995), p. 144. 10. Marie-Thérèse de Brosses, de uma entrevista com o Professor Auguste Meessen, “Um Objeto Voador Não Identificado no Radar de um F-16”, Paris Match, 5 de julho de 1990. 11. O estudo “Étude Approfondie et Discussion de Certaines Observations du 29 Novembre 1989”, do Professor Auguste Meessen, Inforespace, n. 95, outubro de 1997, PP. 16-70, inclui descrições do “showda bola vermelha” no Lago Gileppe, http://www.meessen.net/AMeessen/Gileppe.pdf. Essas observações forain também descritas no primeiro livro do SOBEPS. 12. André Marion, “Nouvelle Analyse de la Diapositive de Petit-Rechain” (Nova Análise do Diapositivo de Petit-Rechain), Orsay, 17 de janeiro de 2002. 13. Auguste Meessen, professor emérito da Universidade de Louvain, “Reflexions sur la propulsion dês OVNIs” (Reflexões sobre a Propulsão dos OVNIs), http://www.meessen.net/AMeessen/ ReflexionPropulsion.pdf. 14. Texto traduzido do Professor Marion: “Parece difícil prever uma farsa criada com um modelo ou outro aparelho similar. Isso é confirmado pela análise digital (ver mais)... A existência das “linhas de força” é um forte argumento contra a tese de farsa, que seria particularmente sofisticada. Além disso, não fica claro porque o falsificador teria se dado ao trabalho de imaginar e perceber um fenômeno complexo, especialmente porque não é perceptível sem o processamento sofisticado do slide”. Marion, ibid. 15. Richard F. Haines, “Segurança da Aviação na América - Um Fator Previamente Negligenciado”, NARCAP Technical Report 01-2000, 15 de outubro de 2000, http://www.narcap.org/reports/00l/narcap.TRI.AvSafaty.pdf. Relatei este em “Encontros de Pilotos com OVNIs: Novo Estudo Desafia o Sigilo e a Negação”, Providence Journal/Knight Ridder, 3 de maio de 2001. 16. Ver a Introdução deste livro, p. 27 para a definição do termo FANI do Dr. Haines. 17. Entrevista com David Biedny e Gene Steinberg para “The Paracast”, 5 de abril de 2009,


http://www.theparacast.com/show-archives/ 18. Visite http://www.narcap.org para mais informações. 19. Encontrei-me com Daniels em sua casa fora de São Francisco e fiz entrevistas por telefone. 20. O Comandante Guerra tem 17.000 horas de experiência de voo e, em 2009, recebeu um diploma em Ciência Aeronáutica, da Universidade Lusófona do Porto. 21. O relatório do General Ferreira, de 4 de setembro de 1957, encontra-se disponível nos arquivos do Projeto Livro Azul. Sua descrição guarda uma semelhança estranha àquela fornecida pelo General Parviz Jafari, do Irã, sobre o objeto que ele perseguiu sobre Teerã, também como piloto da Força Aérea, em 1976. Jafari apresenta seu caso no Capítulo 9. Os detalhes do encontro de Jafari foram arquivados pela Agência de Inteligência da Defesa, após o encerramento do Projeto Livro Azul. Através de um intermediário, perguntei ao General Ferreira se ele falaria comigo, esperando que isso acabasse rendendo uma extensa entrevista. Por estar com a saúde fraca, ele declinou. Em 1975, Ferreira disse publicamente: “Acho que estes eventos deveriam ser introduzidos e estudados nas universidades, porque este tipo de fenômeno está muito distante de nossos desempenhos tecnológicos”. Portanto não era de surpreender - e felizmente para Guerra e seus colegas pilotos - que como Chefe de Staff da Força Aérea, ele liberasse os dados para a equipe científica de várias universidades para que fossem feitos estudos. 22. O estudo português “Relatório Diurno de OVNI por Três Pilotos da Força Aérea Portuguesa, Ota, Portugal”, pelo Centro Nacional para a Investigação de Fenômeno OVNI (CNIFO), não foi traduzido para o inglês. Um resumo dos resultados, por J. Sottomayor e A. Rodrigues, foi publicado em Flying Saucer Review, vol. 32, n. 2 (1987), PP. 12-13. Agora, o Centro para o Estudo Transdisciplinar sobre a Consciência (CTEC), um grupo acadêmico interdisciplinar, da Universidade Fernando Pessoa, reuniu todos os arquivos sobre fenômenos OVNIs em Portugal, de acordo com seu cofundador, o Dr. Joaquim Fernandes. Para mais informações, e-mail ctec@ufp.edu.pt. 23. Richard Haines e Courtney Flatau, Night Flying (McGraw-Hill School Education Group, 1992). 24. Força Aérea Americana Projeto Livro Azul arquivo WDO-INT 11-WC23, 1958. 25. Boletim da Organização de Pesquisa de Fenômeno Aéreo, janeiro-fevereiro de 1969, pp. 14. 26. Esse nome é um pseudônimo. 27. Richard F. Haines e Paul Norman, “Desaparecimento de Valentich: Nova Evidência e uma Nova Conclusão”, Journal of Scientific Exploration, vol.14, n. 1 (2000), pp. 19-33. 28. Bruce Maccabee, “Uma História de Avistamentos da Nova Zelândia de 31 de dezembro de 1978”, 2005, http://brumac.8k.com; Bruce Maccabee, “Atmosfera ou OVNI” Uma Resposta ao Relatório do Painel de Revisão de SSE”, Journal of Scientific Exploration, vol. 13, n. 3 (1999), pp. 421-59. 29. Richard F. Haines, International UFO Reporter, vol. 32, n. 3 (julho de 2009), pp. 9-18. 30. Richard F. Haines, “Tripulação de Jato Comercial Avista Objeto Não Identificado - Parte I”, Flying Saucer Review, vol. 27, n. 4 (janeiro de 1982), pp. 3-6; Richard F. Haines, “Tripulação de Jato Comercial Avista Objeto Não Identificado - Parte II”, Flying Saucer Review, vol. 27, n. 5 (Março de 1982), pp. 2-8.


31. NTSB Report ATL03FA008. 32. E.D. Boyd, “O último Voo do Nightship 282”. Em preparação. 33. Boyd, ibid. 34. NTSB Relato de Acidente ATL03FA008, p. 4, sem data. 35. Staff de Análise da Inteligência da Defesa, Projeto Condigno, 2000. 36. Dominique F. Weinstein, “Fenômenos Aéreos Não Identificados: Oitenta Anos de Avistamentos por Pilotos”, Centro Nacional da Aviação de Relatos sobre Fenômenos Anômalos” (www. narcap.org), Relatório Técnico 4, 2001. 37. Richard F. Haines, “Segurança da Aviação na América - Um Fator Previamente Negligenciado”, NARCAP, Relatório Técnico 01, 2000. 38. Centro Nacional de Relatos de OVNIs, 5 de agosto de 1992. 39. Jon Hilkevitch, “No Céu! Um pássaro? Um avião? Um... OVNI?” Chicago Tribune, 1o de janeiro de 2007. 40. Haines et al, “Relato de um Fenômeno Aéreo Não Identificado e suas Implicações de Segurança no Aeroporto Internacional O’Hare em 7 de novembro de 2006”, 9 de março de 2007, Relatório Técnico 10, NARCAP, a http://www.narcap.org/reports/010/TR10_Case_18 .pdf. 41. Ibid., p. 100 42. Ibid., p.5. 43. Ibid., p.54. 44. Jean-François Baure, David Clarke, Paul Fuller e Martin Shough, “Relatório sobre Fenômenos Aéreos Observados Perto das Ilhas do Canal, Reino Unido, 23 de abril de 2007”, fevereiro 2008, http://www.guernsey.uk-ufo.org/. 45. Comandante é a patente equivalente a coronel na Força Aérea Americana. 46. A descrição de Jafari do OVNI, de muito perto, é incomum. Porém apresenta uma extraordinária semelhança com um relatório preenchido por outro general, quando ele, como Jafari, também era piloto da Força Aérea. Como na referência, no capítulo 4, de Julio Guerra, e em minha nota daquele capítulo, O general português José Lemos Ferreira submeteu sua descrição de um OVNI ao Projeto Livro Azul da Força Aérea Americana, em 1957. O documento está disponível naqueles arquivos. Quando estava num voo de prática noturna com três outros jatos da Força Aérea, Ferreira viu um objeto que parecia uma “estrela brilhante incomumente grande e cintilante, com um núcleo colorido, que mudava constantemente de cor - tonalidades de verde profundo, de azul e avermelhados e alaranjados”. Observe a semelhança com a descrição de Jafari: “Parecia uma estrela, mas maior e mais brilhante” e, depois, “piscava com as cores vermelho, verde, laranja e azul, tão brilhantes que eu não conseguia ver o seu corpo... A sequência de flashes era extremamente rápida, como uma luz estroboscópica”. A frase seguinte é congelantemente consistente nos dois encontros. Ferreira diz que os pilotos viram “primeiro, um pequeno círculo de luz amarela saindo do objeto maior; depois, outros três” e eles eram consideravelmente menores do que o objeto principal cintilante. Jafari afirma, posteriormente neste capítulo, que ele “viu ‘um objeto redondo’ deixando o objeto maior e se dirigindo para ele, parecendo uma lua brilhantemente iluminada saindo do horizonte”. E ele também testemunhou uma dessas luzes redondas ejetadas daquela brilhante, mas uma série delas. Ambos os incidentes envolveram múltiplas testemunhas da Força Aérea. O caso de


Jafari foi relatado em grande detalhe em um documento da Agência de Inteligência da Defesa dos Estados Unidos, como descrito depois neste livro. É bastante incomum que pilotos que tiveram essas visões próximas e prolongadas de OVNIs, enquanto estão no ar, com relatórios detalhados a serem preenchidos sobre eles, e para os que testemunharam serem, posteriormente, promovidos à patente de general. Mas, quando os detalhes são notavelmente semelhantes - muito embora haja entre eles uma distância temporal de dezenove anos e tenham ocorrido em dois continentes diferentes - é razoável imaginar se os dois grupos de pilotos não estavam testemunhando os mesmos, ou praticamente idênticos, fenômenos. 47. A exposição à radiação pode reduzir a produção e/ou agregação de plaquetas sanguíneas, que são essenciais à coagulação. Talvez isso explique o problema de Jafari, mas não sabemos. Ele não tem cópias dos registros médicos. 48. O primeiro esboço deste texto foi traduzida do espanhol por Andréa Soares Berrios e Oscar Zambrano, que também fizeram a tradução durante as comunicações que se seguiram e, posteriormente, o desenvolvimento do texto. Trabalhei na edição final com o Comandante Santa Maria em inglês. 49. General Nathan F. Twining para o Comandante do Comando de Material Aéreo (AMC): “AMC Opinião Concernente a ‘Discos Voadores’”, 23 de setembro de 1947 (contido em Edwin U. Condon, diretor de projeto, Estudo Científico de Objetos Voadores Não Identificados, 1969), pp. 894-95. 50. Diretiva - General Major L.C. Craigie para o Comando Geral do Campo Wright (Base da Força Aérea Wright-Patterson), Disposição e Segurança para o Projeto Sign, 30 de dezembro de 1947 (contido em Edwin U. Condon, diretor de projeto, Estudo Científico de Objetos Voadores Não Identificados, 1969), p.896. 51. Edward J. Ruppelt, O Relatório sobre Objetos Voadores Não Identificados (Doubleday & Company, 1956), pp.62-63. Ruppelt foi o primeiro chefe do Projeto Livro Azul, do começo de 1951 até setembro de 1953. David Michael Jacobs, A Controvérsia OVNI na América (Indiana University Press, 1975), p. 47. Michael D. Swords, “Projeto Sign e a Avaliação da Situação”, Journal of UFO Studies, n.s. 7 (2000), pp. 27-64, http://www.ufoscience.org/history/swaords.pdf. 52. W.P. Keay, memorando do FBI, “Discos Voadores”, 29 de julho de 1952 (contido em Bruce Maccabee, UFO FBI Connection (Llewellyn Publications, 2000). 53. W.P. Keay, memorando do FBI, “Discos Voadores”, 27 de outubro de 1952 (Maccabee, ibid.). 54. A coletiva de imprensa foi filmada e a afirmação de abertura do General Samford tem sido mostrada em numerosos documentos. Ela pode ser vista no documentário de James Fox Eu Sei O Que Eu Vi e neste clipe de notícia de 1952: http://www.youtube.com/watch? v=utX5HvMOOPM. 55. H. Marshall Chadwell, memorando para o diretor da Inteligência Central, 2 de dezembro de 1952. 56. H. Marshall Chadwell, memorando para o diretor da Inteligência Central, “Discos Voadores”, 11 de setembro de 1952, pp. 3-4. 57. “Objetos Voadores Não Identificados”, 4 de dezembro de 1952, IAC-M-90. 58. F.C. Durant, “Relato de Reuniões do Painel Consultivo Científico sobre Objetos Voadores


Não Identificados”, convocadas pelo Escritório de Inteligência Científica, CA, 14-18 de janeiro de 1953. 59. Hynek, The Hynek UFO Report, p.23. 60. J. Allen Hynek, The UFO Experience (Marlowe & Company, 1998, originalmente publicado em 1972), p.169. 61. Ibid., p. 186. 62. Ibid., p. 183 63. Essa carta, datada de 10 de setembro de 1966, foi encontrada nos arquivos do Instituto Smithsoniano pelo Dr. Michael Swords. 64. “OVNI: Amigo, Inimigo ou Fantasia?”, apresentado por Walter Cronkite, CBS especial, 1966, http://www.cbsnews.com/video/watch/?id=2935380n. 65. Congressista Gerald R. Ford, carta para L. Mendel Rivers, Presidente, Comitê de Astronáutica e Ciência do Comitê das Forças Armadas, 28 de março de 1966; David Michael Jacobs, A Controvérsia OVNI na América (Indiana University Press, 1975), p. 204. 66. Robert J. Low, memorando para E. James Archer e Thurnston E. Manning, “Alguns Pensamentos sobre o Projeto OVNI”, 9 de agosto de 1966, contido em David R. Saunders e R. Roger Harkins, OVNIs? Sim! Onde o Comitê Condon Errou (Signet Books/New American Library, 1968), pp. 242-44. 67. John Fuller, “Fiasco do Disco Voador”, Look, 14 de maio de 1968. 68. Audiências diante do Comitê sobre Ciência e Astronáutica, Casa de Representantes dos Estados Unidos, Nonagésimo Congresso, “Simpósio sobre Objetos Voadores Não Identificados”, 29 de julho de 1968 (U.S. Government Printing Office, Washington, 1968), p. 32. 69. Ibid., p. 15 70. Edward U. Condon, diretor de projeto, e Daniel S. Gillmor, editor, Estudo Científico de Objetos Voadores Não Identificados (Bantam, 1969), p.407. 71. “Revisão do Relatório da Universidade do Colorado sobre Objetos Voadores Não Identificados pelo Painel da Academia Nacional de Ciências”, 1969. 72. “Força Aérea Encerra Estudo de OVNIs”, New York Times, 18 de dezembro de 1969. 73. J.P. Knettner et AL., “OVNI: Uma Avaliação do Problema, uma Afirmação pelo Subcomitê da AIAA”, Astronáutica e Aeronáutica, 8, n. 11. 74. BBC News, “Unidade de Investigação de OVNIs fechada pelo Ministério da Defesa”, 4 de dezembro de 2009. http://news.bbc.co.Uk/2/hi/uk_news/8395473.stm. 75. GEIPAN é a sigla de Grupo de Estudo e de Informação sobre Fenômenos Aeroespaciais Não Identificados. 76. CNES é a sigla de Centre National d’Études Spatiales (Centro Nacional de Estudos Espaciais). 77. Associated Press, “Agência Espacial Francesa Coloca Arquivos OVNI Online”, 23 de março de 2007, http://foxnews.eom/story/0,2933,260590,00.html. 78. Sarah Lyall, “História Emocionante de OVNI Britânico! Funcionários do Governo Estavam Falando a Verdade”, New York Times, 26 de maio de 2008. 79. Nick Pope, “Ameaças Voadoras Não Identificadas”, New York Times, 29 de julho de 2008. 80. Fenômenos Aéreos Não Identificados: Um Desafio à Ciência. O livro foi publicado por Le


Cherche Midi, 2007. 81 http://www.eeb.org/publication/1999/eeb_position_on_the_precautionar.html. Ver também: http://ec.europa.eu/dgs/health_consumer/library/pub/pub07_en.pdf. 82 O filme de James Fox, Eu Sei O Que Eu Vi (I Know What I Saw), inclui alguns clipes desta entrevista com o General Letty, em sua casa, e também cobre o Relatório COMETA e o trabalho do GEIPAN. 83 Oscar Zambrano traduziu algumas seções sobre o Capitão Girard e o Capitão Fartek. O restante foi escrito em inglês. 84. Entrevista com o General Thouverez, Armées d’aujourd’hui (Exércitos de Hoje), julho de 2002. 85. O primeiro esboço muito mais longo deste texto foi escrito em francês e traduzido por Jean- Luc Rivera. Ao longo de todo o processo de edição, Sr. Velasco e eu trabalhamos em inglês. 86. Velasco está se referindo ao caso de 1967 descrito por Robert Salas, no capítulo 15 e outros avistamentos que ocorreram na área de Malmstrom por volta do mesmo período de tempo. 87. GEPAN: Grupo de Estudos de Fenômenos Aeroespaciais Não Identificados. 88. SEPRA: Serviço de Expertise dos Fenômenos de Retornos Atmosféricos. 89. O caso foi apresentado no relatório do GEPAN Nota Técnica No. 16, Enquete 81/01, “Análise de um Vestígio”, 1o de março de 1983. Para mais informações sobre o caso Transem-Provence, ver “Relatório sobre a Análise de Vestígios Físicos Anômalos: O Caso OVNI Trans-em-Provence, de 1981”, por Jean-Jacques Velasco, p.27 e “Retorno a Trans-emProvence”, por Jacques F. Vallée, p. 19, no Journal of Scientific Exploration, vol. 4, n. 1, 1990. Ambos os artigos também podem ser encontrados no excelente livro O Enigma OVNI: Nova Revisão da Evidência Física, por Peter A. Sturrock (Warner Books, 1999), pp.257-97. O trabalho de Vallée é digno de nota. O site do caso OVNI em Trans-em-Provence de 1981 foi visitado novamente durante 1988. Amostras de solo colhidas naquela época da investigação inicial foram analisadas em um laboratório americano, num esforço para validar o estudo do caso pelo GEPAN/CNES. Os resultados da entrevista com a testemunha e sua esposa e o exame das amostras tiradas da superfície e abaixo dela do vestígio físico apoiam os achados da equipe do CNES e a confiabilidade do testemunho. 90. Dominique Weinstein, “Fenômenos Aéreos Não Identificados: Oitenta Anos de Avistamentos por Pilotos - Catálogo de Avistamentos por Pilotos militares, Comerciais e Privados de 1916 a 2000”, fevereiro de 2001, 6a edição. 91. Richard Mandelkorn, Comandante, Marinha dos Estados Unidos, “Relatório de Viagem para Los Alamos, Novo México, 16 de fevereiro de 1949”, Assunto: Projeto Grudge, 18 de fevereiro de 1949, p.4. Arquivo do Projeto Livro Azul. 92. Memorando do Quartel General do Quarto Exército para o Diretor de Inteligência, “Aeronave Não Convencional (Controle n° A-1017)”, pelo Coronel Eustis L. Poland. www.projectl947.com/gfb/poland.htm. 93. Relatório concernente à conferência realizada em 27 e 28 de abril de 1949, na Base da Força Aérea Kirtland sobre fenômenos aéreos não identificados, para o diretor de investigações especiais, Washington, D.C., em 12 de maio de 1949, p.4. Dos Arquivos do


Projeto Livro Azul. Richard Mandelkorn, Comandante, Marinha dos Estados Unidos, “Relatório de Viagem para Los Alamos, Novo México, 16 de fevereiro de 1949”, Assunto: Projeto Grudge, 18 de fevereiro de 1949, p. 4. Arquivo do Projeto Livro Azul. 94. George E. Valley, “Algumas Considerações que Afetam a Interpretação dos Relatos de Objetos Voadores Não Identificados”, relatório para o Projeto Sign, USAF, originalmente classificado como Secreto. 95. Larry Hatch, Projeto de Conexão Nuclear (1998); ver também o livro de Robert Hastings: OVNIs e Bombas Nucleares: Encontros Extraordinários em Sítios de Armas Nucleares (Author House, 2008), para detalhes deste e de outros incidentes. 96. Folha de fato da Força Aérea, “Objetos Voadores Não Identificados e o Projeto Livro Azul da Força Aérea”, pode ser encontrada em http://www.af.mil/information/factsheet.aspJfsIBM88. Liberação de notícia de 17 de dezembro de 1969, n° 1077-69, “Força Aérea termina o Projeto Livro Azul”, foi emitida pelo Escritório do Secretário Assistente de Defesa (Assuntos Públicos), Washington, D.C.-20301. Ver http://www.dod.gov/pubs/foi/ufo/asdpal.pdf. 97. Esta é a mesma audiência discutida no capítulo 11 em referência ao testemunho de James E. McDonald, realizada imediatamente antes que o Relatório Condon fosse emitido e o Projeto Livro Azul fosse encerrado. 98. Audiências diante do Comitê de Ciência e Astronáutica, Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nonagésimo Congresso, “Simpósio sobre Objetos Voadores Não Identificados”, 29 de julho de 1969 (U.S. Government Printing Office, Washington 1968), pp. 121-24. 99. Ver Capítulo 11 para rever detalhes da coletiva de imprensa de Samford. Ele afirmou que a porcentagem de relatos críveis de OVNIs não representava “qualquer ameaça concebível aos Estados Unidos”. 100. UPI, “Disposição da Força Aérea sobre ‘Discos’ Citada; panfleto do Inspetor Geral Chamou o Objetos de ‘Assunto Sério’”, New York Times, 28 de fevereiro de 1960. 101. Afirmação do Exmo. Leonard G. Wolf, de Iowa, na Câmara dos Deputados, 31 de agosto de 1960. Está no Registro do Congresso, p. 18955. 102. Quartel General SAC para a Área de Material Aéreo de Ogden (OOAM A), Base da Força Aérea de Hill, Utah, “Perda de Alerta Estratégico, Echo Flight, Base da Força Aérea de Malmstrom”, de março de 1967. Originalmente classificado como secreto. O documento foi reimpresso na p. 108 de Gigante Desvanecido, de Robert Salas e James Klotz (publicado privadamente em 2004), um livro com informações úteis sobre o caso Malmstrom e outros incidentes de OVNI com mísseis desde os anos 60. Para informações mais amplas e detalhadas em tais casos, ver Robert Hastings, OVNIs e Armas Nucleares: Encontros Extraordinários em Sítios de Armas Nucleares (Author House, 2008). 103. Sala, op. Cit., p. 29. 104. Hastings, op.cit. 105. C. H. Bolender, Brigadeiro General da USAF, memorando, “Objetos Voadores Não Identificados”, 20 de outubro de 1969, obtido através do FOIA por Robert Todd em 1979. http://www. nicap.org/directives/Bolender_Memo.pdf. 106. Diário do Diretor Sênior da 24a Região do NORAD, novembro de 1975.


107. Ward Sinclair e Art Harris, “OVNIs Visitaram as Bases dos Estados Unidos, Dizem Relatos”, Washington Post, 1979. 108. Centro de Comunicação JCS do USDAQ Mensagem de Tehran 230630Z, setembro de 1976, liberado em 1977 através do Departamento de Defesa, “Relatado Avistamento de OVNI”, 3 páginas mais 1 página de avaliação. Ver também Henru S. Shields, “Agora Você Vê, Agora Você Não Vê”. Serviço de Segurança da Força Aérea dos Estados Unidos, MIJI Trimestral Relato 3-78, outubro de 1978. 109. Esta lista constitui exatamente o modo que está no documento, exceto pelo fato de eu ter colocado balas onde havia letras (a.-f) e removi 1) da primeira linha (“um relato notável...”) para ficar mais fácil de ler. 110. Departamento de Defesa, centro de mensagens da Junta de Chefes de Staff, “OVNI Avistado no Peru”, 3 de junho de 1980. 111. Dr. J. Allen Hynek, Philip J. Imbrogno e Bob Pratt, Cerco Noturno: Avistamentos de OVNIs do Vale do Hudson (Llewellyn Publications, 1998), p. 81. 112. Entrevista com Heinrich Nicoll para a série televisiva da NBC “Mistérios Não Resolvidos”, apresentada por Robert Stack. 113. Hynek, Imbrogno e Pratt, op. cit., p. 117. 114. Ibid., p. 2. 115. Ibid., pp. 165-166. 116. Pesquisa de Hynek sobre a onda do Vale do Hudson reunida no livro de leitura bem agradável Cerco Noturno, publicado após sua morte, primeiro em 1987 e, posteriormente, reeditado em colaboração com Philip Imbrogno e Bob Pratt. 117. Enquanto ele estava investigando os “bumerangues do Condado de Westchester, em Nova York, o Dr. Hynek deixou este ensaio em um disquete na casa de seu amigo Dr. Will Smith, em 30 de agosto de 1985. Intitulado “As Raízes da Complacência”, era para ser o esboço de um prefácio para Cerco Noturno. Algumas semanas após escrevê-lo, Hynek foi operado. Sua saúde declinou rapidamente nos meses seguintes, e ele faleceu em abril de 1986. Este último ensaio é bem diferente do prefácio muito menor de Cerco Noturno em seu estilo íntimo e apaixonado, não editado. 118. J. Allen Hynek, O Relatório OVNI de Hynek (Dell Publishing, 1977), p. 1. 119. As conclusões do grupo de trabalho, intituladas “Objetos Voadores Não Identificados” e classificadas como Sigilo Discreto, foram apresentadas em um documento datado de junho de 1951, recebendo a designação DSI/JTIC Report no. 7. Suas seis páginas estão postadas em http://www.nickpope.net/documents.htm. 120. Foi liberado posteriormente, em 2001, sob o titulo de “Relatório de Avistamento de Objetos Voadores Não Identificados (OVNIs), Floresta de Rendlesham, dezembro de 1980”. Os documentos-chave estão postados em http://www.nickpope.net/documents.htm. 121. Um relato detalhado do que aconteceu é fornecido por Jim Pennistonn, no próximo capítulo deste livro. 122. Para um relato mais detalhado do caso, ver o livro de Georgina Bruni, Você Não Pode Dizer às Pessoas (Pan Books, 2001). 123. Carta de Lord Hill-Norton para Lord Gilbert, Ministro de Estado, Ministério da Defesa, datada de 22 de outubro de 1997.


124. Estudo do Staff de Análise da Inteligência de Defesa, dezembro de 2000, “Fenômenos Aéreos Não Identificados na Região de Defesa Aérea do Reino Unido”, vol. 1, cap. 5, p. 4. Ver http:// www.mod.uk/NR/rdonlyres/AB43D483-FF03-44FO-85DEC4233C7C9F10/0/uap_voll_ch5_ pg4.pdf para extrato relevante. 125. BBC News, “Investigação de OVNI em Unidade Fechada pelo Ministério da Defesa”, 4 de dezembro, 2009, http://news.bbc.co.Uk/2/hi/uk_news/8395473.stm. 126. OIFAA significa Oficina de Investigação de Fenômenos Aéreos Anômalos. A Força Aérea Peruana estabeleceu a agência dentro da DINAE, Divisão de Interesses Aeroespaciais, um departamento da Força Aérea, em dezembro de 2001. 127. O Dr. Anthony Choy, um investigador de campo de FANI e membro fundador da OIFAA, foi o investigador chefe na região bastante remota de Chulucanas, começando até antes da OIFAA ser fundada em 2001. Choy teve a experiência única de, em 2003, realmente testemunhar um dramático evento OVNI sobre a praça de uma antiga cidade, junto com cerca de quarenta outras testemunhas, enquanto conduzia um processo de investigações. Seus estudos nessa região precipitaram o primeiro reconhecimento da Força Aérea de um fenômeno desconhecido, mas fisicamente real. Choy está agora peticionando ao governo peruano a liberação de seus arquivos OVNI. 128. Daniel Iglesias, “Uruguai: Força Aérea Libera Arquivos OVNI, Hipótese Extraterrestre Não Repudiada”, 6 de junho de 2009, http://www.elpais.com.uy. 129. CEFAA é o Comitê de Estudos de Fenômenos Aéreos Anômalos. Foi estabelecido em outubro de 1997, dentro do Departamento de Aeronáutica Civil, a Diretoria Geral de Aeronáutica Civil, ou DGAC, o equivalente chileno à FAA americana. 130. Estes detalhes sobre a cerimônia vieram de uma comunicação pessoal, por e-mail, com o General Bermúdez, em janeiro de 2010. 131. Seções deste trabalho foram traduzidas do espanhol por Gustavo Rodriguez Navarro, Oscar Zambrano e Andrea Soares Berrios. 132. A Brigada de Aviação do Exército do Chile é conhecida como BAVE. 133. Carlos Alberto Ferreira Bacellar, Comandante da Estação Oceanográfica de Trindade, “Esclarecimento da Observação de Objetos Voadores Não Identificados Avistados sobre a Ilha de Trindade, no Período de 5/12/57 a 16/1/58”. 134. A informação sobre as fotos de Trindade foram obtidas de Don Berliner, Documento de Informação OVNI (Dell Publishing, 1995), pp. 71-77. Relato disponível em http://www. bibliotecapleyades.net/ciencia/ufo_briefingdocument/1958.htm#50. 135. Os arquivos brasileiros podem ser vistos online. Ver o relato da Operação Disco da Agência Nacional de Inteligência: http://www.ufo.com.br/public/prato/ACE_3370.83.pdf; também o relato da Operação Disco da Força Aérea brasileira: http://www.ufo.com.br/public/prato/ACE_3370.83.pdf. Arquivos mais recentes podem ser acessados em www.ufo.com.br/public/abertura_2. E mais através destes links www.ufo.com.br/public/abertura_l, www.ufo.com.br/public/brasil, www.ufo.com.br/public/documents, e www.ufo.com.br/public/prato. 136. Serviços de tradução foram fornecidos por Eduardo Rado, do Brasil, e Andrea Soares Berrios, de Nova York. 137. Brigadeiro do Ar José Pessoa Cavalcanti de Albuquerque, comandante do Comando


Aéreo da Defesa Aérea, para o Comando Geral Aéreo, “Relatório de Ocorrência”, 2 de junho de 1986. Ambos os documentos originais em português e em inglês podem ser vistos em www.ufo.com.br/documentos/night. 138. Conhecido como COMDABRA. 139. Comando de Operações de Defesa Aérea, conhecido como CODA. 140. Teletipo do Departamento de Estado, “Cruzada OVNI de Granada: Déjà vu”, 18 de novembro de 1978, liberado através do Ato de Liberdade de Informação. Fonte: Clifford E. Stone, OVNIs São Reais (SPI Books, 1997). 141. Teletipo do Departamento de Estado, “Resolução OVNI Granadina”, 28 de novembro de 1978, classificado como Confidencial e liberado através do FOIA, Fonte: Clifford E. Stone, OVNIs São Reais (SPI Books, 1997), Doc. 5-21ª. 142. Teletipo do Departamento de Estado, 18 de novembro de 1978, op.cit. 143. Ibid. 144. Teletipo do Departamento de Estado, “Resolução OVNI de Granada”, 2 de dezembro de 1978. Fonte: Clifford ED. Stone, OVNIs São Reais (SPI Books, 1997), Doc. 5-22. 145. J. Allen Hynek, discurso nas Nações Unidas, 27 de novembro de 1978. Seu discurso está resumido em um teletipo do Departamento de Estado, “Resolução OVNI de Granada”, 28 de novembro de 1978. 146. Relato de Avistamento para o Bureau OVNI Internacional, Oklahoma City, Oklahoma, 18 de setembro de 1973. 147. Dr. Frank Press, carta para o Dr. Robert Frosch, 21 de julho de 1977. Richard C. Flenry, “OVNIs e a NASA”, Journal of Scientific Exploration, vol. 2, n° 2 (1988), p. 109. 148. Dr. Robert Frosch, carta para o Dr. Frank Press, 6 de setembro de 1977. Carta completa incluída no apêndice: Richard C. Henry, “OVNIs e a NASA”, Journal of Scientific Exploration, vol. 2, n° 2 (1988), p.110-11. 149. Dr. Frank Press, carta ao Dr. Robert Frosch, 14 de setembro de 1977. Carta completa incluída no apêndice: Richard C. Henry, “OVNIs e a NASA”, Journal of Scientific Exploration, vol. 2, n° 2 (1988), p. 114. 150. Charles E. Senn, carta a Duward L. Crow, Io de setembro de 1977. 151. Dr. Robert Frosch, carta ao Dr. Frank Press, 21 de dezembro de 1977. Henry, p. cit., p.115. 152. Dr. Richard Henry, memorando ao Dr. Noel Hinners, Assunto: Questões OVNI, 17 de janeiro de 1978; Richard C. Henry, “OVNIs e a NASA”, Journal of Scientific Exploration, vol. 2, n° 2 (1988), p. 130 153. Ver capítulo 6 sobre o incidente do O’Hare em 2006 e a resposta da FAA. 154. Ver capítulo 7 para rever. 155. BBC News, “OVNI Confunde os Peritos da Aviação”, 15 de setembro de 1999. Ver: http://www. news.bbc.co.uk/2/hi/uk_news/448267.stm. 156. Ver Seção 7-6-4, “Relatos de Objeto Voador Não Identificado (OVNI)”. O Manual encontra-se em: http://www.faa.gov/air_traffic/publications/ATpubs/AIM/Chap7/aim0706.html. 157. Manual da FAA, ibid. 158. Entrevista da autora com Nick Pope via uma série de e-mails, agosto de 2009.


159. Associated Press, “FAA Investiga o Avistamento de OVNI pelo Voo da JAL 1628”, 1986; e United Press International, “Piloto Descreve Encontro ‘Incrível’ com OVNI”, 31 de dezembro de 1986. 160. “Registro de Entrevista com Comandante da JAL”, 2 de janeiro de 1987, pp. 16-17. O transcrito foi fornecido aos pesquisadores pela FAA em 1987. 161. Bruce Maccabee, “O Voo Fantástico do JAL 1628” http://brumac.8k.com/JAL1628.html. Este é o mais completo relato do avistamento sobre o Alasca e altamente recomendado. O Dr. Maccabee é o autor ou coautor de cerca de três dúzias de artigos técnicos e mais de uma centena de artigos sobre OVNIs nos últimos vinte e cinco anos. Ele também é o principal analista de fotos de imagens de OVNIs. Ver: http://brumac.8k.com. 162. AP e UPI, op. cit. 163. Um Twix é uma mensagem enviada para toda a mídia aconselhando-a a transmiti-la ou imprimi-la em um artigo de notícias. Pode ser transmitida tanto por e-mail, quanto por fax ou por impressão. 164. Sweetman é o editor norte-americano de Jane’s Defence Weekly. A história foi publicada no Jane’s International Defence Review, em 2000; ver: http://www.janes.com/defence/news/jidr/jidr000105_01_n.shtm. 165. Senador Barry Goldwater, carta ao “Sr. S.A.”, em o “Senado dos Estados Unidos”, 28 de março de 1975. O nome do receptor, que tinha escrito para perguntar sobre o interesse do senador nos OVNIs foi retirado do documento quando este foi liberado através do Ato de Liberdade de Informação. Os nomes em numerosas outras cartas similares não foram retirados. 166. Senador Barry Goldwater, carta para Lee M. Graham, em o “Senado dos Estados Unidos”, 19 de outubro de 1981. 167. Senador Barry Goldwater, carta a William S. Steinman, em “O Senado dos Estados Unidos”, 20 de junho de 1983. 168. O clipe de rádio pode ser visto no YouTube em: http://www.youtube.com/watch? v=gPFBglNNUBU. Numerosos websites afirmam que esse clipe foi retirado de uma entrevista, de 1994, com Larry King, na CNN, mas não consegui verificar isso. 169. Liberação de Notícia, Congressista norte-americano Steve Schiff, Primeiro Distrito Congressional do Novo México, 28 de julho de 1995. 170. James McAndrew, Quartel General da Força Aérea dos Estados Unidos, “O Relatório Roswell: Caso Encerrado”, julho de 1994, http://www.af.mil/information/roswell/index.ap. 171. Os relatos do NUFORC podem ser encontrados em www.nurforc.org. Ver também o documentário Eu Sei o Que Eu Vi, dirigido por James Fox, para as entrevistas com testemunha (o trailer pode ser visto em www.iknowwhatisawthemovie.com). 172. Richard Price. “Os moradores do Arizona Dizem que a Verdade Sobre os OVNIs está Lá Fora”, USA Today, 18 de junho de 1997. 173 O clipe de televisão de uma estação local do Arizona está incluído em I Know What I Saw (Eu Sei o Que Eu Vi). 174. O clip da cobertura televisiva da coletiva de imprensa pode ser encontrado em I Know What I Saw. 175. Senador John McCain, carta ao eleitor (nome retirado), Senado dos Estados Unidos, 9 de outubro de 1997.


176. Dr. Bruce Maccabee, “Relatório sobre as Luzes de Phoenix”, 1998, http://brumac.8k.com/ phoenixlights.html. Esse estudo detalhado conclui da seguinte maneira: “A explicação mais parcimoniosa dessas luzes é de que eram labaredas (assim como afirmado no dia 13 de maio de 1997, luzes pela Guarda Nacional de Maryland). Essa análise é, portanto, consistente com aquela que a Cognitech Corporation (Dr. Leonid Rudin) fez para o documentário do Discovery Channel (novembro de 1997). Também é consistente com a análise do Dr. Paul Scowen, professor de astronomia da ASU, como relatado pelo autor Tony Ortega, no jornal “New Times”, de Phoenix, de 5 a 11 de março de 1998, que mostrava que as luzes estavam além dos picos da montanha no K vídeo. Naquele artigo do jornal, o autor também relatou que uma “oficial de informação pública da Guarda Nacional do Arizona, Capitã Eileen Benz, tinha determinado que as labaredas tinham caído às 22 horas sobre a North TAC Range, u quilômetro a sudoeste de Phoenix, de uma altitude incomumente alta de 5 mil metros. Exceto pela distância afirmada, que deveria ser mais para 100 quilômetros, essa afirmação é consistente com a análise apresentada aqui.” Um segundo trabalho do Dr. Maccabee, “Discussões Suplementares de Vídeos das Luzes de Phoenix, de 13 de março de 1997”, janeiro de 2006, pode ser encontrado em http://brumac.8k.com;PhoenixSupplement/. 177. Dennis Robert, repórter da Modesto Bee, um jornal do norte da Califórnia, participou da coletiva de imprensa em Stockton, Califórnia, e gravou-a. Ele me enviou uma transcrição por e-mail em Io de março de 2000. 178. Ver capítulo 17 de Nick Pope, “Os Verdadeiros Arquivos X”, para uma revisão do incidente de Cosford. 179. Ver o capítulo anterior para trechos dessas cartas. 180. Ver www.freedomofinfo.org para maiores informações sobre a Coalizão. 181. Debate presidencial da MSNBC, 30 de outubro de 2007. Transcrição: http://www.msnbc.msn. com/id/21528787/page/22/. 182. Ver www.freedomofinfo.org para o texto completo da Declaração Internacional para o Governo dos Estados Unidos, liberada pela primeira vez em novembro de 2007. 183. Alexander Wendt e Robert Duvall, “Soberania e os OVNIs”, Political Theory, vol. 36, n° 4 (agosto de 2008), pp. 607-33. A Sage Publications postou o trabalho em seu website: http://ptx. sagepub.com. 184. Hynek, “As Raízes da Complacência”, 1985, op. cit. 185. A frase amplamente empregada pelos “céticos” dos OVNIs pode ser enganosa, porque o “ceticismo” deveria implicar dúvida, mas abertura. Porém, no discurso OVNI, ela tem sido deformada em uma negação positiva. 186. Dennis Overbye, “Um Planeta Abafado é Encontrado Orbitando uma Estrela Distante”, New York Times. 17 de dezembro de 2009. 187. Algumas partes desta seção foram reimpressas literalmente do trabalho de 2008, Alexander Wendt e Robert Duvall, op. cit., p.616. Frases ou sentenças ocasionais em “Agnosticismo Militante e o Tabu OVNI” também foram usadas no primeiro trabalho. 188. Martyn Fogg, “Aspectos Temporais da Interação entre as Primeiras Civilizações Galácticas”, Icarus 69 (1987): 370-84. 189. J. Deardorff et al., “Implicações da Teoria da Inflação para a Visitação Extraterrestre”, Journal of the British Interplanetary Society, 58 (2005): 43-50


190. H.E. Puthoff, S.R. Little e M. Ibison, “Engenharia de Campo do Ponto Zero e Vácuo Polarizável para o Voo Interestelar”, Journal of the British Interplanetary Society, 55 (2002): 137-44. 191. Estephen Webb, Where is Everybody? (Onde Está Todo Mundo?) (Nova York: Copernicus Books, 2002). 192. Richard Dolan, OVNIs e o Estado de Segurança Nacional, pp.193-203. 193. Peter Galison “Removendo o Conhecimento”, Criticai Inquiry 31(2004): 229-43. Sobre o sigilo OVNI ver especialmente Dolan, OVNIs e O Estado de Segurança Nacional e, para a visão oficial, Gerald Haines, “O Papel da CIA no Estudo dos OVNIs, 1947—1990”, Intelligence and National Security 14 (1999): 26-49, e Charles Ziegler “OVNIs e a Comunidade de Inteligência dos Estados Unidos”, Intelligence and National Security, vol. 14 (1999), pp. 1-25. 194. Quem poderia imaginar, por exemplo, uma estratégia complementar ou “democrática” centrada em uma ONG fundada na internet, uma ideia que nós (Wendt e Duvall) temos explorado em outro lugar. 195. Hynek, “As Raízes da Complacências”, op. cit. 196. Ibid. 197. Dr. James E. McDonald, “Afirmação sobre Objetos Voadores Não Identificados”, submetido ao Comitê de Ciência e Astronáutica, Simpósio sobre Objetos Voadores Não Identificados, Washington, D.C., 29 de julho de 1968. A leitura desse relatório é recomendada. Para uma biografia mais detalhada de McDonald e crônica de sua obra, ver Ann Druffel, Firestorm: Dr. James E. MacDonald’s Fight for UFO Science (Wild Flower Press, 2003). 198. Peter Sturrock, Um Conto de Duas Ciências: Memórias de um Cientista Dissidente (Exoscience, 2009). 199. Peter Sturrock, O Enigma OVNI: Uma Nova Revisão da Evidência Física (Warner Boolcs, 1999). Fornece todos os relatos de casos apresentados na conferência. Leitura recomendada. 200. Ibid., p. 160 201. Ver Michio Kaku, Física do Impossível: Uma Exploração Científica rio Mundo dos Phasers, Campos de Força, Teletransporte e Viagem no Tempo (Doubleday, 2008). 202. Andrew Romano, “O Aliens Existem”, Newsweek, 24 & 31 de agosto de 2009, pp.50-52. 203. Marc Kaufman, “Busca por Vida Extraterrestre Ganha Impulso ao Redor do Mundo”, Washington Post, 22 de dezembro de 2009. Em adição aos exoplanetas já descobertos, o artigo afirma: “Assume-se geralmente que mais bilhões ou trilhões estão orbitando em sistemas distantes”. 204. A NASA publica: “Primeiro Vislumbre do Céu Estrelado do Telescópio da NASA; O Telescópio Infravermelho Pesquisando todo o Céu Envia as Primeiras Imagens do Espaço”, 6 de janeiro de 2010. Ele começa assim: “o Explorador de Pesquisa Infravermelho de Campo Largo da NASA, ou WISE, capturou seu primeiro olhar do céu estrelado, que logo começará seu levantamento com luz infravermelha. Lançado em 14 de dezembro, o WISE irá esquadrinhar todo o céu em busca de milhões de objetos ocultos, incluindo asteroides, estrelas ‘caídas’ e galáxias poderosas”. Mais informações sobre a missão do WISE estão disponíveis em http://www.nasa.gov/wise.


205. Autor e pesquisador de OVNIs, Budd Hopkins deu origem a essa frase em 1987, enquanto conversava com o astrônomo Carl Sagen, no camarim de uma estação de TV de Boston. Para um relato do intercâmbio, ver Budd Hopkins, Arte, Vida e OVNIs: Uma Autobiografia (Anomalist Books, 2009)

UFOs OVNIS – Militares, Pilotos e o Governo abrem o jogo – Leslie Kean  

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