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/ JORNAL DE ABRANTES / Abrantes / Constância / Mação / Sardoal / Vila Nova da Barquinha / Vila de Rei / Diretora Joana Margarida Carvalho MARÇO 2018 / Edição nº 5565 Mensal / ANO 117

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MOVÍRIS

Situação do Cineteatro S. Pedro está longe de se resolver

Móveis . Colchões . Sofás VÁRIAS PROMOÇÕES E BONS PREÇOS 241 377 494 ALFERRAREDE

Pág. 5

CULTURA

Ao lado da SAPEC, em frente às bombas combustíveis BP

DESPORTO

VILA DE REI

Vox Populi, o novo projeto musical abrantino, conduzido por Hélder Silvano

Associação Desportiva de Mação: Uma história de amizade e de sucessos

Município quer ter central de biomassa para dar sustentabilidade à floresta

Pág. 27

Pág. 23

Pág. 8

Sardoal

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a j

MÓVEIS

ABRANTES

Constância

Semana Santa de Sardoal A Festa dos rios, das flores Um concelho que vive a fé e das gentes de Constância Págs. 17 a 20

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Págs. 13 a 16


ENTREVISTA /

“A área da demência é muito falada, mas tecnicamente está muito esquecida”

de família. O TAC evidencia se há uma atrofia, uma lesão, se há alguma questão vascular. Se não houver nada, avaliamos a parte psicológica da pessoa: por vezes são quadros muito ansiosos ou depressivos.

E o ginásio da mente?

Trabalha sobretudo na prevenção. Quando as pessoas se reformam, ficam sem a rotina [de antes]. Ficam em casa fechadas, ou vão até ao mesmo jardim. E o cérebro é como um músculo: como os músculos precisam de exercício, o cérebro também precisa. Se não, vai secando, fica com falta de plasticidade. O ginásio pretende estimular todas as funções cognitivas do cérebro: a memória, a atenção-concentração, funções executivas, a leitura e a es-

O ginásio da mente pretende estimular todas as funções cognitivas do cérebro: a memória, a atençãoconcentração, funções executivas, a leitura e a escrita… todas as áreas.

crita… todas as áreas. Estimular as várias funções para evitar a perda de neurónios [células do cérebro]. A ideia é trabalhar todas as áreas, a psico e a motricidade. Se o envelhecimento for ativo, há uma menor perda de neurónios.

Vanda Serra é neuropsicóloga (doutorada pela U. de Salamanca), vive em Mação, onde nasceu, e trabalha na Câmara Municipal. Ali dirige o GAPI (Gabinete de Apoio à Pessoa Idosa), o Clube Sénior e a Universidade Sénior. No Centro Humanitário da Cruz Vermelha, em Abrantes e Tomar, mantém a “consulta de memória” e a 10 de março, em Abrantes, abre o Ginásio da Mente. É um anjo da guarda dos nossos idosos.

Em Mação, um concelho do interior. Por opção ou por ir ficando por aqui?

Foi uma opção. O meu marido trabalha em Lisboa, temos casa em Lisboa e eu tenho tido várias hipóteses de ir para Lisboa. Mas optei por Mação, por um motivo: pela qualidade de vida que o meu filho [5 anos] aqui tem.

Neuropsicóloga. O que acrescenta à psicóloga?

Tem a ver com os estudos de como o cérebro funciona: estudar as funções do cérebro na sua relação com o comportamento. A minha área de trabalho é muito a da demência. Quando uma pessoa

começa a ter comportamentos diferentes do que é normal, vamos estudar se eles têm origem no cérebro. Fazemo-lo através de testes e, se necessário, pedimos ao médico de família exames complementares, como TAC, ressonância... para ver se existe uma atrofia ou alguma lesão no cérebro. Por exemplo, chega-me uma pessoa a dizer “Estou muito esquecida, não sei onde ponho as coisas, um dia perdi-me na rua”. Isso é o comportamento. Nós vamos à procura do que está a causar isso. Pode, ou não, ser uma lesão no cérebro

A “consulta de memória” é o quê?

Serve para isso que estive a di-

zer. Pessoas que no seu dia a dia sintam que há qualquer coisa que não está bem, alguma mudança em que sintam a memória a falhar – “Eu agora não consigo dizer os nomes das pessoas”, “Esqueço-me do fogão ligado” – esquecimentos que começam a comprometer o dia a dia da pessoa. Muitas destas pessoas têm depressões, não há ali um quadro demencial. Eu aplico baterias de testes, avalio, e digo à pessoa “Há aqui sinais de demência”… ou não. Se sim, vamos fazer análises, para ver se não é causado por falta de vitamina B12, de sódio, potássio, etc. que podem causar esses problemas. Se a origem não está aí, pedimos um TAC ao médico

Uma pessoa que se inscreva…

Vai encontrar-me a dirigir exercícios, muitas vezes escritos, que têm a ver com a concentração, com a memória, enfim, alguns jogos que estimulem todas essas áreas. As sessões são de uma hora, mas por vezes vão até hora e meia porque as pessoas querem mais, pois sentem-se bem. E pretendo introduzir a psicomotricidade: através da música e da dança, as pessoas trabalharem o corpo e a mente. Além disso, cria laços sociais: e o convívio, está provado, estimula bastante o cérebro. Há também trabalhos manuais, que estimulam muito a função executiva, o planeamento da obra…

pessoas, pois elas não poderiam vir à sede do concelho à Universidade Sénior. Há pessoas que me dizem “É o único momento em que eu saio de casa”. E adoram sair em passeio. Estas pessoas vão fazer uma visita aqui ou ali, e parece-lhes uma viagem às Caraíbas.

Como vai a Universidade Sénior de Mação?

É um sucesso, vai no terceiro ano letivo, temos cada vez mais pessoas, já 84, cada vez mais disciplinas… Na US, só a parte do convívio social já é uma mais valia.

O que faz o GAPI?

Qualquer pessoa com mais de 65 anos pode vir até aqui expor o seu problema. Pode ser social, e eu encaminho-a; se for de saúde psicológica, eu acompanho-a. Há pessoas que têm de ir para a psiquiatria… Temos também resposta a doentes de Alzheimer e outras demências, através da Alzheimer Portugal, uma associação do setor, que mensalmente manda cá um psicólogo e uma assistente social, que complementam o trabalho que eu faço com estas pessoas. E damos ainda apoio a cuidadores das pessoas com demência, neste caso de apoio psicológico.

A esperança de vida é cada vez maior, e o problema das demências também. O que se devia fazer e ainda não se faz?

Acho muito importante, porque trabalho em Mação e Abrantes, a sensibilização dos profissionais de saúde. Sobretudo os médicos de família. que acha que é da idade, “Vamos ver”, “Vamos esperar”… E passado ano ou ano e meio, a situação agravou-se e nada foi feito. E depois não têm mais onde se dirigirem. Ora nestes casos, o tempo é decisivo. Como não conseguimos eliminar a patologia, é decisivo que o diagnóstico seja o mais precoce possível, para evitar a progressão. Ora a consulta do GAPI ou a consulta de memória tem a ver com isto: deteção precoce. Além disso, há uma falta de apoio continuado. Se uma pessoa partir uma perna, tem fisioterapia comparticipada. Mas se tiver um AVC, em que a estimulação é decisiva para salvar o que puder ser recuperado e evitar perdas maiores, no Sistema de Saúde não há nada. Em Mação, estamos cá nós.

Já fazem isso no Clube Sénior.

No Clube Sénior, temos uma professora que faz ginástica física, outra que faz a música, e eu que faço outras sessões de estimulação e passeios culturais com as pessoas. Algumas nunca tinham ido além da sede do concelho, e poucas vezes. São pessoas muito isoladas. O Clube Sénior reúne pessoas em 15 aldeias das 8 freguesias do concelho. Ou seja, nós vamos até às

José Alves Jana

/ VANDA SERRA Licenciatura: Psicologia clínica (U. Lusófona) Mestrado: Psicologia educacional (ISPA) Doutoramento: Neuropsicologia (U. Salamanca) março 2018 / jornal de abrantes

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REGIÃO / Abrantes

Festas da Cidade já têm cartaz musical Será entre 13 e 17 de junho que Abrantes faz as Festas da Cidade 2018, por onde passarão grandes nomes da música nacional (e não só) no Centro Histórico da Cidade. “Bravo Abrantes” juntará este ano as vozes de Sónia Tavares (vocalista da banda The Gift), e Paulo de Carvalho acompanhados musicalmente pela Orquestra Ibérica, numa noite de 14 de junho, dia da Cidade, que promete ser memorável. O primeiro dia das festas, no dia 13 será dedicado ao espetáculo “Vozes de Abrantes”. Um espetáculo que terá como convidado especial Rui Drummond. No dia 15, o palco das Festas da Cidade recebe Diogo Piçarra que apresentará o seu segundo disco “do=s”, que serviu de base à mais recente Tour. Capicua (Ana Matos Fernandes), mestre no Hip Hop estará em Abrantes a 17 de junho

/ Paulo de Carvalho

/ Sónia Tavares

/ Rui Drummond

/ Diogo Piçarra

Suspenso Regulamento de Estacionamento no centro histórico devido a obras A Câmara Municipal de Abrantes vai proceder à suspensão do regulamento do estacionamento de veículos no centro histórico, devido às obras que estão a decorrer na cidade. A medida, provisória e parcial, foi anunciada por Maria do Céu Albuquerque, presidente da CMA, na sessão da Assembleia Municipal, de dia 23 de fevereiro. A autarca avançou que está prevista a “suspensão dos lugares de estacionamento destinados a residentes, a comerciantes e a prestadores de serviços, passando os mesmos a serem destinados a estacionamento gratuito de longa duração. Serão ainda suspensos os lugares destinados a autocarros de turismo, com direcionamento para o centro coordenador de transportes bem como os lugares destinados a autocaravanas”. “Quando houverem autocarros de turismo deixam as pessoas no centro histórico voltam [para o centro coordenador de transportes) e regressam para apanharem os turistas”, explicou a presidente. De seguida, Maria do Céu Albu-

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jornal de abrantes / março 2018

querque deu conta que estão previstos lugares de estacionamento, “que embora não disponham de uma dimensão padrão, permitam provisoriamente o estacionamento de veículos ligeiros em condições de segurança”. A responsável referiu que serão disponibilizados lugares de estacionamento de forma “faseada” no

largo 1º de Maio, “em articulação com a evolução dos trabalhos da obra [a decorrer no local], quer os atuais lugares que ainda não sejam abrangidos pela intervenção, quer os novos lugares que decorram da nova solução urbanística”. A presidente avançou ainda que serão colocados “painéis informativos de direcionamento para as

principais bolsas de estacionamento” e serão “distribuídos flyers informativos nos locais habituais”. Em vigor vão manter-se os lugares tarifados, reservados, destinados a deficientes, a cargas e descargas, a táxis e a motociclos. Assim ficarão disponíveis 123 lugares tarifados, 9 reservados, 980 lugares de longa duração e

gratuitos, 17 destinados a pessoas com mobilidade reduzida, 21 para cargas/descargas, 7 lugares para táxis, 2 para autocarros, 3 para autocaravanas e 8 para motociclos. A suspensão do regulamento do estacionamento de veículos no centro histórico deve-se às obras que estão a decorrer no Convento de São Domingos para a instalação do Museu Ibérico de Arqueologia e Arte (MIAA) que tornaram inacessível a plataforma superior de estacionamento na imediação do convento. O MIAA deverá ficar concluído a 28 de maio de 2019. Também a obra que está a decorrer na igreja de São Vicente diminui os lugares disponíveis, estando agora somente 27 lugares disponíveis. Estima-se que a obra fique concluída no próximo dia 3 de maio. Por último, a requalificação do Largo 1º de Maio deve arrancar no próximo dia 5 de março e vai influenciar o estacionamento naquela praça. Segundo a Autarquia estima-se que a empreitada decorra durante 240 dias. Joana Margarida Carvalho


REGIÃO / Abrantes

Limpeza da floresta até 15 de março A sua vida não é um brinquedo, previne-se agora!” é o lema da campanha de sensibilização para a defesa da floresta que o Município de Abrantes está a levar a efeito pelo concelho. Esta campanha alerta para a necessidade e obrigatoriedade da limpeza dos terrenos por parte dos proprietários até dia 15 de março. Em causa está a obrigação de limpeza de 50 metros à volta das casas isoladas, 100 metros à volta das aldeias e 100 metros à volta dos polígonos industriais. Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal, lembrou que “a responsabilidade é claramente do cidadão de limpar aquilo que são as suas propriedades, quer confinem com a sua habitação, quer com outras e quer

terrenos que tenham na floresta e que precisem desse trabalho, no sentido de protegermos a floresta, as nossas aldeias e lugares”. “O cidadão tem de se assumir como o primeiro agente de Proteção Civil, e, portanto, é fundamental também que assuma a responsabilidade de denunciar situações que não estejam acauteladas, para que se possam notificar os proprietários e para que as operações de limpeza possam acontecer”, salientou. A autarca abrantina referiu ser importante conseguir “chegar ao verão com uma situação que nos permita estar descansados com fenómenos que eventualmente venham a acontecer”. “Não sei se vamos a tempo para este verão porque o território é

muito grande e há muito a fazer, agora não podemos ficar quietos. Não podemos ficar indiferentes e temos de fazer um esforço para acompanhar a situação”, vincou Maria do Céu Albuquerque.

A informação da campanha está presente no Passos do Concelho, em outdoors, mupis, flyers, cartazes, publicidade nos órgãos de comunicação social, publicidade nas viaturas municipais, na fatura

da água bem como na rede Multibanco. O incumprimento pode resultar em coimas entre os 5 e os 100 mil euros. Joana Margarida Carvalho

Assembleia Municipal aprova Moção pela Defesa dos Cuidados de Saúde Primários A Assembleia Municipal aprovou no dia 23 de fevereiro, por unanimidade, uma Moção pela Defesa dos Cuidados de Saúde Primários do Concelho de Abrantes, apresenta pelo Bloco de Esquerda em concertação com o PS. A Moção, apresentada pela deputada Joana Pascoal (BE), recolheu a unanimidade dos eleitos locais e afirmava que “pese embora tenham sido colocados diversos médicos de família no concelho de Abrantes, essa colocação não correspondeu a todas as necessidades”. A título de exemplo a deputada bloquista referiu “a União das Freguesias de S. Facundo e Vale das Mós” que “tem cerca de 1500 habitante, é composta por 5 aldeias” e “não tem médico de família, há muitos anos”. Na localidade, Joana Pascoal lembrou que “foi encerrado o posto de GNR e as escolas primárias”. “Os dados atuais dão conta de que existem 5000 pessoas sem médico de família no concelho de Abrantes”. Assim, a Moção recomenda “às entidades competentes que movam todas as diligências para que os médicos de família voltem a prestar serviço em todas as freguesias do concelho de Abrantes”. Por sua vez, a Moção apresentada pelo PSD que se destinava à criação de três comissões especia-

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/ Comissões de Acompanhamento propostas pelo PSD são rejeitadas lizadas permanentes relativas à proteção e promoção do rio Tejo, ao acompanhamento das atividades dos CTT no desempenho do serviço público postal e de apoio e o acompanhamento de ideias, atividades e politicas para a promoção das freguesias, foi rejeitada por todas as bancadas. Entre os vários argumentos apresentados, Pedro Grave (BE) referiu que o BE discordava na generalidade da Moção apresentada pela bancada social-democrata, pois para o BE “cabe a cada força

política desenvolver o seu trabalho nessas áreas e ser escrutinada por tal”. Como também, “a criação de uma Comissão para fiscalizar as juntas e assembleias de freguesia ignorando a separação de poderes, é uma das competências da assembleia de freguesia”. Quanto aos CTT, Pedro Grave disse ainda que “o Governo tem na mão a opção da reversão para a esfera pública e é essa a posição defendida pelo Bloco de Esquerda”. E, por isso, o BE “não acredita que

uma comissão local possa fazer algo neste sentido”. Jorge Beirão (PS) justificou o voto contra do Partido Socialista considerando que “há entidades próprias para o trabalho de acompanhamento do Tejo”, que a criação de uma comissão de acompanhamento das questões inerentes aos CTT poderia “colocar em causa as negociações existentes” e que já existem gabinetes e entidades próprias que assumem o acompanhamento das restantes questões apresentadas pelo PSD.

Jorge Beirão considerou que com a criação das três comissões poderia existir uma “desresponsabilização” das entidades competentes. Por último, Elsa Lopes (CDU) referiu-se à “autonomia do poder local” para justificar também o voto contra da sua bancada. Ainda no decorrer da sessão, o PSD apresentou uma proposta de recomendação por uma “fiscalização eficiente e eficaz dos níveis de poluição no rio Tejo e do funcionamento das ETAR numa abordagem de Smart City”. Para além de uma “monitorização mais eficiente (…) ao funcionamento das ETAR” e uma “política de fiscalização mais eficaz (…) à qualidade da água do rio Tejo”, o PSD deixou a recomendação para a “aquisição ou criação de tecnologia, no âmbito das políticas de smart cities”, que permitisse “fazer uma monitorização, o mais próximo possível do em tempo real, dos níveis de poluição do rio Tejo e do cumprimento dos parâmetros legais das ETAR, disponibilizando essa informação aos cidadãos”. A proposta gerou bastante discussão entre bancadas, levando o PS e o BE a proporem alterações ao documento. No entanto, e por decisão unânime o ponto foi retirado da ordem de trabalhos para discussão futura.


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REGIÃO / Vila de Rei

Incêndios e limpeza da floresta voltam à Assembleia Municipal Incêndios e limpeza da floresta voltam à Assembleia Municipal Na Assembleia Municipal de Vila de Rei, de dia 8 de fevereiro, os incêndios do verão passado voltaram a ser tema de debate entre as bancadas. Antes do Período da Ordem do Dia, o deputado Hélder Antunes, do PSD, fez uma comunicação à Assembleia onde lembrou as propostas anteriormente apresentadas e que instavam o Governo a incluir Vila de Rei nos projetos-piloto do cadastro simplificado e de reflorestação e que, na Assembleia Municipal, a bancada socialista absteve-se na votação. “Importa, contudo, referir que semelhantes propostas foram aprovadas por unanimidade pela Comunidade Intermunicipal do

Médio Tejo, onde foi reconhecida a importância de Vila de Rei não ficar isolada no que diz respeito aos projetos-piloto em curso”. O deputado deixou o “agradecimento a todos os autarcas que, sem olharem a cores partidárias ou questões técnicas, demonstraram solidariedade para com o nosso concelho e as nossas gentes”. O deputado lembrou ainda que a Assembleia da República também aprovou, por unanimidade, dois projetos de resolução da autoria do PSD, a recomendar ao Governo a inclusão de mais municípios nos projetos-piloto em curso”. Hélder Antunes deixou ainda algumas críticas ao Governo e às medidas que estão a ser implementadas, afirmando que os Municípios não têm condições para as cumprir.

/ “A gestão de combustíveis no concelho de Vila de Rei são 901 hectares, são 518 mil euros, fora ainda a gestão dos proprietários privados” – Ricardo Aires Carlos Dias, deputado municipal do PS, respondeu ao social-democrata que votou favoravelmente uma das propostas e que não vale a pena criar factos políticos. “Sobre a pequena provocação que foi feita aqui, eu não quero alimentar mais”, disse o deputado que, no entanto, acrescentou que “a bancada do Partido Socialista, na primeira Assembleia, manifestou a sua intenção de ser pró-ativa com o concelho de Vila de Rei. Demos uma manifestação forte, na eleição por unanimidade da presidência. Confiamos nas pessoas que estão aqui. Todos nos conhecemos. Não vale a pena estarem a criar factos políticos porque não nos vão tirar do nosso ponto. Nós não queremos

o mal de Vila de Rei. Vocês não gostam mais do concelho de Vila de Rei do que nós”. Relativamente à votação, Carlos Dias explicou que “abster-se não é votar contra. Havia ali uma questão política”. Relativamente ao que já está a ser feito pelo Município na prevenção e limpeza, Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal, anunciou alguns trabalhos em curso. “Já começámos há algum tempo e no Monte Novo já andamos no terreno a fazer as faixas de contenção na rede viária”. O autarca referiu que não se mexeu ainda em terreno particulares pois esses têm até dia 15 de março para efetuar limpezas aos terrenos, mas Ricar-

Município quer ter central de biomassa para dar sustentabilidade à floresta Na Assembleia Municipal de Vila de Rei, realizada a 8 de fevereiro, os incêndios do verão passado voltaram a ser tema de debate entre as bancadas. Relativamente ao que já está a ser feito pelo Município na prevenção e limpeza, Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal, anunciou alguns trabalhos já em curso. Mas foi o presidente da Assembleia Municipal, Paulo Brito, que deu conta dos projetos do Município relativamente a uma Central de Biomassa. “O Município de Vila de Rei assumiu claramente, perante a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) e perante o Governo, do seu interesse em ter em Vila de Rei uma Central de Biomassa, dentro do âmbito do concurso nacional que está a ser realizado”. O presidente da Assembleia disse ainda que, “no caso da CIMT, houve quatro concelhos que o assumiram”, acrescentando que os que manifestaram esse interesse foram Abrantes, Ourém, Mação e Vila de Rei. “Vila de Rei assumiu numa pers-

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/ Vila de Rei espera que a Central da Biomassa seja uma realidade a curto prazo petiva perfeitamente dimensionada ao seu tamanho e à sua disponibilidade de biomassa”. Paulo Brito explicou ainda que, para além dos resíduos florestais, podem ainda juntar-se os agroindustriais, dando como exemplo os resíduos do Lagar. “Uma central de biomassa de pequena dimensão que permita ser sustentável e dar sustentabilidade à nossa floresta numa questão de

limpeza. Foram feitos um conjunto de cálculos no sentido de garantir essa sustentabilidade”. Paulo Brito falou de benefícios para o concelho e especificou que, “um deles, é a possibilidade de termos aqui alguma capacidade de atrairmos recursos qualificados e atrair uma dinâmica da área florestal que nos parece ser muito relevante para este concelho”. Mas há mais. Paulo Brito tam-

do Aires disse acreditar que isso “ainda vai ser mudado” e que “o Governo já está preocupado visto que os municípios não vão ser capazes de fazer o que a lei manda”. O presidente explicou que “a gestão de combustíveis no concelho de Vila de Rei são 901 hectares, são 518 mil euros, fora ainda a gestão dos proprietários privados”. A dificuldade na identificação dos proprietários é um dos problemas maiores do Município. Ricardo Aires diz ser impensável cumprir o que o Governo quer. Vila de Rei tem mais de 900 hectares de floresta e isso representa mais de 500 mil euros que o Município não pode suportar. Patricia Seixas

Festival Gastronómico do Bacalhau e do Azeite está de regresso

bém informou que o Município está a concorrer a projetos de investigação aplicada no ordenamento florestal e na aplicação de novas tecnologias no âmbito da floresta, “assumindo este Município que a componente florestal é claramente uma das linhas que tem que ser valorizada”. O presidente da Assembleia Municipal pediu depois o apoio de todas as forças políticas, entidades e instituições “de forma a criarmos uma dinâmica com algum peso”. Já Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal, espera que a Central de Biomassa seja uma realidade a curto prazo. Sobre o ordenamento florestal, o autarca anunciou que, como Vila de Rei não entrou nos projetos-piloto da reflorestação e do cadastro, “começámos já a trabalhar num projeto-piloto nosso”. “Temos entidades credenciadas por trás (…) e vamos ensaiar em dois locais do concelho”. Um dos locais, avançou o presidente, é na zona da antiga lixeira. Patricia Seixas

O Festival Gastronómico do Bacalhau e do Azeite regressa a seis restaurantes vilarregenses na semana que antecede as comemorações da Páscoa, com a sua décima primeira edição a realizar-se de 17 a 25 de março. O bacalhau e o azeite voltam assim a ser os ingredientes principais dos pratos que prometem voltar a trazer milhares de visitantes aos restaurantes aderentes. Paulo César Luís, vice-presidente da Autarquia de Vila de Rei e responsável pelo pelouro do Turismo, realça que “com a organização de mais uma edição do Festival Gastronómico do Bacalhau e do Azeite continuamos com a valorização e divulgação da gastronomia local e, simultaneamente, dos nossos estabelecimentos de restauração”.


REGIÃO / Mação

Arlindo Marques vai receber prémio de cidadania A Assembleia Municipal de Mação aprovou no dia 8 de fevereiro a instituição de um prémio de cidadania a atribuir ao ambientalista maçaense Arlindo Marques. A proposta, aprovada por unanimidade, foi apresentada na sessão da Assembleia Municipal que decorreu na sede do Agrupamento de Escolas, por José António Almeida, deputado do PSD e diretor da escola, que afirmou que Arlindo Marques “tem dado a sua vida em prol de uma causa de cidadania”, fazendo referência ao rio Tejo. Em declarações ao JA, José António Almeida salientou “que os deputados municipais, enquanto representantes da comunidade, devem olhar para os desempenhos individuais e coletivos. E como tal senti-me na obrigação de olhar

para o exemplo do Arlindo que mobilizou e deu a cara por uma comunidade e assim essa comunidade deve reconhecer isso”. “O objetivo do prémio é nós criarmos condições para darmos visibilidade a estes desempenhos que devem ser desempenhos simbólicos e canalizadores de comportamentos”, acrescentou o deputado. José António Almeida reconheceu que a ação de Arlindo Marques sobre o rio Tejo é um exemplo de cidadania. “Olhar para o exemplo do Arlindo é perceber como é que podemos fazer algo pela comunidade. E isso é que é ser cidadão. É acumularmos comportamentos individuais, o nosso bem-estar individual e entregarmo-nos a esta ou aquela associação, a esta ou a outra

Assembleia Municipal acolhe a intervenção dos alunos

Alunos de todo o mundo chegaram a Mação

A Assembleia Municipal de Mação regressou no dia 8 de fevereiro à escola. Foi perante um auditório cheio de alunos que autarcas e deputados debateram os assuntos que estão na ordem do dia. Antes de dar início aos trabalhos, Saldanha Rocha, presidente da Assembleia Municipal, passou a palavra a José António Almeida, que assumiu uma dupla função, a de deputado e a de diretor, que contextualizou os alunos presentes de tudo o que se estava a passar e a debater. No período reservado ao público, os alunos acabaram por intervir e direcionaram questões ao presidente da Câmara Municipal, Vasco Estrela. João Matos, eleito recentemente presidente da Associação de Estudantes, foi o primeiro a usar da pala-

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vra e solicitou o apoio do Município para a dinamização da Associação. Nuno Esteves, do 11º ano, falou das portagens na A23 e questionou o presidente sobre as ações encetadas para abolição das portagens ou a redução de custos. Por sua vez, Jéssica Teixeira, do 10º ano, falou da problemática do envelhecimento populacional. E por último, Marisa Pinheiro, do 11º, chamou a atenção para os maus cheiros sentidos numa ribeira junto a Envendos. Em resposta, Vasco Estrela congratulou-se com o interesse dos alunos e começou por felicitar a lista vencedora que ganhou a Associação de Estudantes. De seguida, o presidente enquadrou o processo das portagens na A23 e deu conta que é um assunto que o Município tem acompanhado. Quanto ao envelhecimento, o autarca afirmou ser um

problema nacional e europeu e que é muito difícil encontrar soluções para o mesmo, não deixando de enumerar as diversas ações que o Município tem promovido para a fixação das pessoas e para a promoção da qualidade de vida. No que diz respeito aos maus cheiros, o autarca avançou que o assunto está com Águas de Lisboa e Vale do Tejo, sendo a entidade responsável pela ETAR de Envendos, local onde está focalizado o problema. Na sessão da Assembleia Municipal, Duarte Marques, deputado municipal, elogiou a Escola Secundária de Mação pela classificação nos últimos rankings nacionais. O deputado propôs a aprovação de um voto de louvor ao Agrupamento de Escolas, que foi aprovado por unanimidade. JMC

Mação acolheu, no dia 24 de fevereiro, 17 novos alunos do Mestrado de Técnicas de Arqueologia e Paisagens Culturais. Um trabalho do Museu de Mação em parceria com algumas universidades. Os novos alunos provêm de países como Canadá, Brasil, Espanha, China, França, Congo, Colômbia e Estados Unidos da América, Líbano, Equador, Senegal, Itália, Reino Unido, Grécia e Holanda. Durante os 5 meses em Mação os novos alunos irão ter formação em Gestão Integrada do Património, integrando o património e a arqueologia na economia e no desenvolvimento social. Na cerimónia, Luiz Oosterbeek referiu que “este Mestrado, que marca um novo ciclo, tem uma ligação cada vez mais forte com

causa”, aludiu. O deputado explicou que o prémio não teria de ser atribuído todos os anos e que caberia à Assembleia Municipal atribuir novamente o mesmo sempre que se justificasse. A atribuição do prémio acontece “quando houverem desempenhos que, de forma muito sólida, mostrem que devem ser reconhecidos (…) o Arlindo será o primeiro a receber esta distinção”. A proposta foi acolhida pela bancada da oposição socialista, que chamou somente a atenção para a criação de um regulamento do prémio a ser aprovado numa próxima Assembleia Municipal. Joana Margarida Carvalho

os territórios de baixa densidade demográfica sendo o plano construir, a partir de Mação, um plano de estratégias de gestão das paisagens pois não há um esforço global sobre os territórios com uma baixa densidade populacional, que deve acompanhar temas como as questões do clima e da segurança internacional”. Para o Presidente da Câmara Municipal de Mação, Vasco Estrela “é particularmente interessante receber estes jovens de tantas partes do mundo, jovens que convivem com os maçaenses, que se integram nas nossas atividades e o nosso dia-a-dia e que mexem também, de forma positiva, com a economia local”. JMC


REGIÃO / Mação Semana Académica e da Juventude espera atrair milhares de jovens pre com “casa cheia” e que nesta edição, que tem um orçamento de cerca de 35 mil euros, houve necessidade de melhorar as condições de segurança. “A tenda onde o evento acontece será maior, com uma tipologia semi orbital, que nos vai permitir em termos de produção fazer um trabalho diferente, com espetáculos mais apelativos, dado que permite suspender equipamentos na cobertura dessa mesma tenda, quer ao nível de palco, quer ao nível de outros apontamentos surpresa, que irão existir noutros locais na tenda”, explicou por sua vez Pedro Silva, da Andamento Produções. “Este cuidado na produção que temos a honra de implementar vêm da vontade da Associação em dar um passo diferente ao nível do cartaz, mas num maior cuidado ao nível da segurança”, salientou o responsável. Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal, também marcou presença na cerimónia de apresentação do evento e salientou o

/ Margarida Lopes, Vasco Estrela, Daniel Jana e Pedro Silva

DR

nomes nacionais. Na apresentação pública que fizemos este fim de semana quando saiu o nome por exemplo dos Wet Beg Gang desatou tudo aos gritos (risos). Temos de pensar quem é o nosso público, porque é isso que nos interessa”, fez notar o jovem presidente. Para além dos concertos, a cerimónia de abertura da Semana Académica e da Juventude de Mação acontece no cineteatro da vila, no dia 29 de março, às 21h30, com uma noite de Tunas. Vai marcar presença a R.A.T.A. – Real Académica Tuna Acapelha e a INOPOTUNA, ambas da Faculdade de Letras de Lisboa e ainda a ISSÓTUNA da Escola Superior de educação de Santarém. Já no dia 31 de março, decorrerá uma palestra com Arlindo Consolado Marques, conhecido como o Guardião do Tejo, sobre os problemas que têm assolado o rio. O momento decorre no centro cultural Elvino Pereira em Mação e tem entrada livre. Nestes seis anos de Semana Académica, Daniel Jana avança que o evento tem contado sem-

/ Wet Beg Gang apoio que o Município tem dado na realização da iniciativa. “Desde a primeira edição que a Câmara tem apoiado este evento, mas se não fosse o esforço da Associação

e dos seus dirigentes e voluntários, nada teria sido possível”, aludiu. Joana Margarida Carvalho

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A Associação Magalhães, de Mação, espera atrair milhares de pessoas, nos dias 29, 30 e 31 de março, para mais uma edição da Semana Académica e da Juventude. O cartaz foi dado a conhecer no dia 19 de fevereiro, na sede da Associação e nomes como Wet Bed Gan, Red, João Lopes, Declínios, Afroflavours, Saídos da Casca, Ar de Pop, Xups e Karetus vão animar os muitos jovens que se dirigem ao concelho desde há seis anos. Daniel Jana, presidente da Associação Magalhães, começou por afirmar ao JA que a Semana Académica e da Juventude é “o maior evento do plano de atividades” da Associação. A nível financeiro, “é o evento que mais suporta outras iniciativas e é muito importante para a vida da nossa Associação”, acrescentou. “Fazemos sempre uma auscultação do nosso target, que é o público juvenil, e percebemos que o hip pop continua a marcar a música no momento e temos uma aposta grande nesse sentido, com

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REGIÃO / Constância

Câmara assina protocolo com Associação Dignitude e vai apoiar aquisição de medicamentos Câmara assina protocolo com Associação Dignitude e vai apoiar aquisição de medicamentos Os constancienses com mais dificuldades económicas vão passar a poder levantar nas farmácias os medicamentos de que necessitam, mesmo que não tenham dinheiro. A medida, que resulta de uma parceria entre a Câmara Municipal de Constância com a Associação “Dignitude”, foi aprovada na reunião do executivo camarário de 15 de fevereiro. Sérgio Oliveira, presidente da CM de Constância, explicou que o protocolo com a Associação “Dignitude”, visa “ajudar um conjunto de extratos sociais desfavorecidos para que possam ter nas nossas farmácias, a custo zero, os medicamentos que são comparticipados”. Para que este serviço seja disponibilizado aos munícipes, “é necessária a adesão do Município e a adesão das farmácias (as duas farmácias e o posto de farmácia existentes no Concelho aderiram a este protocolo)”. Para já, explicou Sérgio Oliveira,

/ No arranque do programa, vão ser abrangidos 20 agregados familiares, num esforço financeiro de 2000 euros por parte do Município. “vamos partir com uma condição de recurso estabelecido em 210,66 euros por cada elemento do agregado familiar. Ou seja, quem tiver um rendimento igual ou inferior, per capita, a este valor, pode usufruir

destas condições dos medicamentos a custo zero nas farmácias”. Relativamente aos custos para o Município, o presidente disse que o Município “terá que pagar 100 euros anuais por cada um dos

beneficiários deste programa e as farmácias também terão que participar com 30 ou 40 euros anuais. O grande «bolo» será assumido pelo Município”. “Isto é uma mais valia para o Município de Constância e para os seus cidadãos pois nós temos conhecimento de algumas pessoas que têm dificuldades na aquisição dos medicamentos”, avançou o autarca. Sérgio Oliveira explicou que este protocolo não vai apenas servir para quem tem reformas pequenas pois “serve todos os agregados familiares que não têm rendimentos suficientes para comprar a medicação. Dos mais jovens aos mais idosos. Este é um papel que o Município deve ter. Ter mais esta ferramenta para os ajudar a ter os medicamentos para algum problema de saúde que surja”. O processo vai passar todo pelo Município, com a “operacionalização do protocolo”. Sérgio Oliveira considera que este será um serviço com bastante adesão “porque temos, principalmente nas freguesias rurais de Santa Margarida da Couta-

da e Montalvo, idosos com pensões muito baixas e com gastos elevados em medicamentos”. No entanto, o presidente também alerta para o facto “de as pessoas não sentirem vergonha deste apoio. Sabemos que, muitas vezes, existe esse problemas mas o que prometemos é que as candidaturas e todo o processo é tratado de forma confidencial”. Nesta fase inicial, o presidente da Câmara Municipal aponta um apoio para 20 agregados familiares, “que é o que temos inscrito no nosso Orçamento”, perfazendo um esforço “de dois mil euros por ano” por parte do Município. O Protocolo foi assinado a 27 de fevereiro, com a presença de Maria de Belém Roseira, Procuradora da Direção da Associação Dignitude, que disse estar ali “para fazer aquilo que cabe à sociedade civil (…) temos que ser vozes cada vez mais fortes no sentido da denúncia de uma sociedade que é cada vez mais pautada por indicadores económicos e financeiros e muito pouco marcada por indicadores humanos”. Patricia Seixas

Autarca avança que em setembro “há escola nova em Montalvo” / Na Assembleia Municipal o presidente fez referência à possível vinda de um novo clínico para ingressar no Centro de Saúde Autarca avança que em setembro “há escola nova em Montalvo” Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Constância, anunciou, na sessão da Assembleia Municipal, no dia 23 de fevereiro, que o Centro Escolar de Montalvo entrará em funcionamento no próximo mês de setembro, para um novo ano letivo. Questionado pela presidente da Junta de Freguesia de Montalvo, Ana Manique (PS), o presidente referiu que “foi uma obra que passou vários executivos municipais” e cabe ao atual executivo “fechar o ciclo, com o apetrechamento do centro escolar e acessibilidades e, a partir daí, abrir o centro escolar. Em setembro há escola nova em Montalvo”, salientou.

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O autarca disse que esta semana o Município iria abrir o concurso público para a empreitada das acessibilidades nas imediações do novo equipamento escolar. No final da sessão, em reação ao JA, Ana Manique disse que era “com satisfação e com alguma despreocupação” que recebia a notícia do avanço dos trabalhos no local. “Foi possível perceber que as coisas estão bem encaminhadas e que os concursos estão a ser feitos para que sejam adjudicadas as situações e obras em falta”, referiu a presidente, dando conta que as crianças de Montalvo” já há muito que necessitavam de outro espaço e até para convívio entre todos, porque vão estar dentro do mesmo edifício”.

Na sessão da Assembleia, Ana Manique questionou ainda por novidades no que diz respeito ao Centro de Saúde de Montalvo, que se encontra encerrado ao público. Em resposta, o presidente da Câmara referiu que estão em curso negociações com a Secretária de Estado da Saúde, que em breve decorrerá uma reunião técnica e, em devido tempo, será dado a conhecer o resultado das diligências em curso. Sobre os cuidados de saúde primários, Sérgio Oliveira fez referência à possível vinda de um novo clínico para ingressar no Centro de Saúde de Constância e para dar resposta nas três freguesias do concelho. Por sua vez, José Manuel Ricar-

do, presidente da Junta de Santa Margarida da Coutada (PS), falou do açude da localidade, lembrando que o equipamento está sem concessão há vários meses e que os pedidos para realização de concursos de pesca não param de chegar. O responsável avançou que a pesca naquele local é livre e que, portanto, não sabe como reagir às solicitações que vão chegando à Junta de Freguesia. Sobre este assunto, Sérgio Oliveira explicou que o açude tem dois problemas distintos: “um refere-se ao facto de a concessão do açude ter caducado no mandato anterior, penso que há cerca de 3 anos que o açude não tem concessão. Seis meses antes da concessão ter caducado devia de se ter iniciado o

processo da renovação da concessão, o que não foi feito. O problema está no ICNF (Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas) a aguardar parecer”. “O outro problema diz respeito a uma candidatura feita à TAGUS, no âmbito da medida - Renovação de Aldeias, onde se pretendia a requalificação da zona dos pesqueiros [num investimento de cerca de 40 mil euros]. Numa primeira fase a candidatura foi recusada. Já neste atual mandato nós apresentámos o contraditório e estamos a aguardar a resposta”, acrescentou Sérgio Oliveira, dando conta que grande parte dos pesqueiros não estão em condições para a prática da pesca. Joana Margarida Carvalho


Sardoal Semana Santa e Páscoa 2018 Programa Religioso Março Sábado - 17 de março

A partir das 10h00 | Reconciliação 12h00 | Celebração da Eucaristia (Ofício pelos Defuntos) | Igreja Matriz

Domingo - 18 de março

16h00 | Celebração da Eucaristia | Procissão dos Passos do Senhor (A cargo da Irmandade da Vera Cruz – Sermão do Encontro e Sermão do Calvário) | Saída da Igreja Matriz

Domingo - 25 de março

09h00 | Bênção e Procissão dos Ramos Saída da Capela do Espírito Santo Celebração da Eucaristia | Leitura da Paixão | Igreja Matriz

Quinta-feira Santa - 29 de março

19h30 | Celebração da Missa Vespertina da Ceia do Senhor Cerimónia do Lava-pés e Trasladação do Santíssimo Sacramento Adoração com a participação dos Irmãos da Irmandade do Santíssimo Sacramento Igreja Matriz 21h30 | Procissão do Senhor da Misericórdia (ou Fogaréus) Sermão do Mandato (A cargo da Irmandade da Santa Casa da Misericórdia, na Igreja do Convento) Esta Procissão, que sai da Igreja da Misericórdia, é feita à luz

de velas, archotes e candeeiros, com a eletricidade da rede pública desligada

15h00 | Domingo da Misericórdia | Celebração da Eucaristia | Procissão

Sexta-feira Santa - 30 de março

15 de abril

17h30 | Celebração da Paixão do Senhor Adoração da Cruz | Igreja Matriz 19h00 | Procissão do Enterro do Senhor Sermão da Soledade (Enterro) | A cargo da Irmandade da Vera Cruz e Santíssimo Sacramento Saída da Igreja Matriz

Sábado Santo - 31 de março

20h00 | Celebração da Vigília Pascal, Bênção do Lume Novo, Liturgia da Palavra, Liturgia Batismal (Bênção da Água, Renovação das Promessas do Batismo) (A cargo da Irmandade do Santíssimo Sacramento) | Igreja Matriz

Abril Domingo de Páscoa - 1 de abril

10h00 | Procissão | Anúncio Solene da Ressurreição do Senhor (A cargo da Irmandade do Santíssimo Sacramento) | Saída da Igreja Matriz Celebração da Eucaristia | Dia da Ressurreição do Senhor

8 de abril

CABEÇA DAS MÓS Festividades do Senhor Jesus da Boa Morte

SARDOAL Festividades do Senhor dos Remédios 15h00 | Celebração da Eucaristia no Convento de Santa Maria da Caridade Procissão Organização: Paróquia de São Tiago e São Mateus, Sardoal | Santa Casa da Misericórdia e Irmandades

Programa Complementar EXPOSIÇÕES Piedade | Centro Cultural Gil Vicente | 17 de março a 26 de maio Horário da Exposição na Semana Santa: Domingo, 18 - das 15h00 às 19h00 Domingo, 25 - das 15h00 às 19h00 Quinta-feira Santa, 29 - das 15h00 às 21h30 Sexta-feira Santa, 30 - das 15h00 às 20h00 Sábado Santo, 31 e Domingo de Páscoa, 1 abril – das 15h00 às 19h00 Horário normal: De terça a sexta-feira - das 16h00 às 18h00 Sábados - das 15h00 às 18h00 Encerra aos domingos e segundas-feiras Trabalhos do Projeto Capela | Espaço “Cá da Terra” | 16 de

março a 19 de maio Com a participação do Agrupamento de Escolas de Sardoal (Centro Cultural Gil Vicente) OFICINA Tapetes de Flores Sábado 24 de março | 10h30 | Espaço “Cá da Terra” (Centro Cultural Gil Vicente) PASSEIO PEDESTRE Caminhos de Fé Sexta-feira Santa, 30 de março (ver programa próprio) CINEMA Maria Madalena Sábado, 31 de março | 16h00 | Centro Cultural Gil Vicente MÚSICA Concerto de Páscoa | Filarmónica União Sardoalense Domingo, 15 de abril | 17h30 | Igreja Matriz “Doce Quiosque” com venda de amêndoas Edifício dos Paços do Concelho Dias 18, 29, 30, 31 de março Abertura às 15h00 Preservação de uma antiga tradição local que remonta aos tempos em que o comércio local tinha horário livre, permanecendo aberto após terminarem as celebrações religiosas. Nessa ocasião, os casais ou pares de namorados aproveitavam para oferecerem amêndoas à pessoa amada. Esta iniciativa é efetuada há 15 anos consecutivos e, em cada ano, é convidado um agente comercial do concelho para o respetivo fornecimento.


ESPECIAL / Sardoal

Miguel Borges: “Semana Santa é a expressão do povo” Sardoal cobre-se de roxo para viver mais uma Semana Santa. Época de introspeção para os que acreditam e a vivem com fé, altura de um regresso às origens para outros, palco de visita para muitos. Seja qual for a razão, Sardoal mostra-se engalanado e recebe todos de braços abertos. Até à Ressurreição!

Os que estão foram vêm à terra e é também um momento de partilha, amizade, de família.

Quais os momentos que destaca na Semana Santa em Sardoal?

Como estão a correr os preparativos para um dos grandes momentos de Sardoal, a Semana Santa?

A preparação passa por reunirmos com os nossos parceiros, com quem, em conjunto, fazemos com que este período no Sardoal seja diferente. Não só para todos aqueles que são crentes, e estou a falar no âmbito da fé e da religiosidade, mas também para aqueles que se revêm num momento alto da nossa cultura e do nosso património material e imaterial. Por isso, todos os envolvidos, que são normalmente aqueles que há muitos anos se preparam para este momento, como a Igreja, a Santa Casa da Misericórdia, as diferentes Irmandades, as Associações, a Câmara Municipal e a população em geral, todos começamos a entrar neste espírito da Páscoa. Desde o pensar no tapete de flores, às preparações para as diferentes cerimónias religiosas e à divulgação e promoção por parte da Câmara Municipal deste período que queremos que seja de desenvolvimento para a nossa pequena economia local.

Falou dos tapetes de flores. Quem é que está envolvido nessa tarefa?

São, normalmente, associações ou entidades, como o caso da Santa Casa da Misericórdia ou do GETAS e também dos moradores. Há ainda a Escola, com o concurso do tapete de flores como forma de sensibilizar os alunos para este importante momento e para a importância do tapete de flores no património do Sardoal e dos sardoalenses. Mas toda a comunidade do concelho de Sardoal está envolvida até porque,

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/ Cabeça das Mós

desde há quatro anos, lançámos o desafio para fora da vila. As igrejas e capelas das freguesias rurais têm estado também enfeitadas e tem sido muito bonito, não só o envolvimento mas também o resultado final.

E a Câmara proporciona visitas às outras freguesias do concelho?

Sim. Haverá visitas com o nosso autocarro que fará um circuito na Sexta-feira Santa e no sábado que percorrerá todo o concelho para que as pessoas possam apreciar todas as igrejas e capelas enfeitadas com tapetes de flores.

Como é que os habitantes das freguesias rurais se envolveram nesta atividade, que não era tradição?

Com muita vontade, muita alegria e com muito gosto. O resultado final do tapete tem sido extraordinário. Não só pela beleza artística, mas pelo simbolismo que tem. Isso revela que houve um grande envolvimento de todos os sardoalenses e não só na vila.

Sendo um período em que toda a população se envolve, de que forma é que a Câmara Municipal dá o seu apoio?

A Câmara apoia naquilo que a comunidade necessita. Não só nos tapetes de flores, mas também em todo o embelezamento da vila.

Fazemos reuniões em articulação com a Santa Casa e com a Igreja para podermos preparar todo este evento que, como disse, é principalmente um momento de fé e religiosidade. É essa a essência deste momento que é o período mais importante da Igreja Católica. Igreja que está profundamente enraizada na nossa comunidade e tem aqui a expressão do povo e da nossa tradição. Faz parte da nossa cultura e, por isso, nós temos a obrigação de ajudar a preservar, a cuidar e a zelar por esta tradição.

Mas, em Sardoal, a Semana Santa já vai muito para além da fé e da religiosidade…

Sim… mas é importante que saibamos não misturar as coisas. A essência deste momento é, sem dúvida, a fé e a religiosidade. E isso tem que ser preservado. Depois, tudo aquilo que cresça em volta disso, tem que ter um profundo respeito, um enorme cuidado e muito rigor para que as coisas se mantenham como há muitos séculos e com este legado que nos foi deixado pelos nossos antepassados. Sempre com este espírito de introspeção e de reflexão e não só para aqueles que são católicos, mas também para aqueles que se envolvem e que não ficam indiferentes a este momento. E por diversas razões, nem que seja porque é um período em que os sardoalenses se reencontram.

Um dos momentos que distingue a nossa Semana Santa de muitas outras é, sem dúvida, a Procissão dos Fogaréus, ou do Senhor da Misericórdia, na Quinta-feira Santa. É o momento mais forte. Uma altura em que as luzes da vila se apagam e o silêncio é quebrado pelas varas dos Irmãos da Misericórdia e pelo som da Filarmónica União Sardoalense, que é um elemento fundamental em todo este momento. No Centro Cultural também vamos ter uma exposição de escultura de Pietà’s. Uma exposição de uma grande beleza e grande riqueza. Estará também patente, no Espaço Cá da Terra, a exposição dos desenhos dos tapetes de flores, trabalhos dos alunos da Escola. Não terminando com o Domingo de Páscoa, temos depois, no fim-de-semana seguinte, a Procissão da Pascoela e, a 15 de abril, o concerto da Filarmónica, que também já é tradição.

/ Santiago de Montalegre

/ Capela do Espírito Santo

Como está o Centro de Interpretação da Semana Santa?

O Centro de Interpretação da Semana Santa e do Património Religioso vai entrar em fase de obra muito em breve. Falo da componente física da recuperação da Capela de Nossa Senhora do Carmo. Para a produção dos conteúdos, estamos à espera de um outro projeto comunitário, no âmbito do turismo, para obtermos o financiamento.

/ Capela Sr. dos Remédios

Sardoal também tem em curso um Plano Estratégico do Turismo…

Sim, está concluído. Temos a Estratégia Integrada de Desenvolvimento para o Concelho de Sardoal, que irá ser apresentada dia 17 de março e, a partir da qual, já foram desenvolvidos dois documentos estratégicos, um para o Turismo e outro para a Reabilitação Urbana. São documentos que temos vindo a produzir e cuja 1ª fase ficou concluída no final do ano de 2017. Agora já estamos só nos pormenores. Patrícia Seixas

/ Capela Nossa Sra do Carmo

/ Venda Nova


ESPECIAL / Sardoal

“A minha ligação com Sant’Ana não tem explicação. É a minha Santa” / Entrevinhas

/ Andreus

/ Sant’ana

/ Igreja da Misericórdia

A Capela de Sant’Ana, na Rua 5 de Outubro, em Sardoal, é mais uma das capelas que se enfeitam e abrem portas aos visitantes por alturas da Semana Santa. Fernanda Grácio é a responsável pela Capela de Sant’Ana e enfeita-a “desde muito pequena pois a minha mãe já a enfeitava”. Fazendo as contas, “eu tenho 72 anos e desde sempre que me lembro de enfeitar a capela com a minha mãe e a minha madrinha. Ou melhor, eu não enfeitava nada… estava lá a fazer número porque ainda era muito pequenina”, lembra, com um sorriso rasgado. Mais tarde, “já mais crescida, já ajudava mesmo”. “Após a morte da minha mãe, fiquei eu com a chave. Agora, juntamos lá as vizinhas e somos nós que enfeitamos”. Quanto ao desenho do tradicional tapete de flores, já foram várias as pessoas responsáveis por tão importante tarefa. “Nos últimos anos tem sido a Patrícia Rei que nos tem ajudado com o desenho”, refere. Mas quisemos recuar no tempo e saber como era feito o tapete por alturas da mãe de Fernanda Grácio. “Nessa altura”, recorda, “havia umas formas. Havia uma cruz feita em madeira e uma estrela. Cada

/ Fernanda Grácio durante os preparativos da Semana Santa ponta da estrela tinha uma cor diferente… naquela altura era assim. O desenho era sempre o mesmo e era só encher as formas com flores e depois retirar. Agora não, todos os anos se faz um desenho novo”. E como se faz a recolha das flores?, quisemos saber. Fernanda Grácio explicou que essa recolha é feita por si, pelo filho, pelo ir-

mão, pela cunhada, pelas vizinhas que estiverem disponíveis e “pelo meu neto de 5 anos, que já gosta e já pergunta quando é que vamos enfeitar a capela”, conta, entre risos. Voltando às flores, “se forem flores campestres, vamos para o campo apanhar o que precisamos e, muitas vezes, o que houver. Se forem flores de jardim, temos que

ir pedindo às pessoas e toda a gente colabora”. Já no que diz respeito à passagem de testemunho, “andamos a tentar tratar disso”, confessa. “Nós vamos ficando velhotas e tem que haver outros para dar continuidade”. No entanto, “vejo isso muito escuro”, revela com algum humor, pois, como diz, “o pessoal mais novo ainda não tem grande interesse”. E revela que tem um objetivo: “Nós queríamos ver se até conseguíamos entregar o enfeite da capela a uma Associação pois sempre têm gente mais nova. É que quando foram os presépios nas capelas, por alturas do Natal, já foi a Banda Filarmónica que lá foi fazer o presépio. Pode ser que tenha sido um começo”. Outra das responsabilidades durante a Semana Santa, “é ter a capela sempre aberta”. Fernanda Grácio conta com a ajuda do irmão, “que vem sempre cá passar a Páscoa e a casa dele é mesmo ao lado e sempre lá vai deitando o olho”. Uma ajuda preciosa pois, “de ano para ano, nota-se a diferença de visitantes. Vem cada vez mais gente”. Já a ligação pessoal que Fernanda Grácio tem com Santa Ana “não tem explicação. É a minha Santa”.

A tradição da Venda de Amêndoas Amêndoas doces… … porque te amo!

/ Mivaqueiro

Em tempos idos, quando os horários do comércio eram livres, as lojas do Sardoal abriam as suas portas após terminarem as Procissões da Semana Santa. O povo era muito e a ocasião era aproveitada para as pessoas (em especial, as das aldeias) se abastecerem de alimentos e outros produtos. Das compras, sobressaíam as amêndoas (vendidas ao peso). A ocasião era aproveitada por casais / Igreja de Santa Maria da Caridade ou pares de namorados (sobretudo por estes) para oferecerem amêndoas da Páscoa à pessoa da sua eleição. Eram momentos mágicos, de profunda afeição e cumplicidade. À volta dos gulosos frutos muitos olhares brilhantes se trocavam, muitas mãos se entrelaçavam na ingenuidade dos encontros. As amêndoas eram pretexto / Vale Onegas para os namorados dizerem os

/ Em cada ano, um comerciante concelhio diferente disponibiliza as amêndoas que o Município vende indizíveis que lhes iam na alma. Eram promessas de amor eterno… Para os já casados, podiam significar um apreço de companheirismo, uma prenda de reconciliação, o adocicar de um amargo de boca…

As doces amêndoas eram os intermediários dos afetos. Com a instituição de horários fixos na atividade comercial, o hábito foi-se perdendo. Os atos de amor ficaram quedados pelo formalismo das regras.

Por isso, desde 2003 que o Município achou por bem reatar esta tradição, preservando o espírito que lhe está subjacente. Durante as Celebrações da Semana Santa e Páscoa foi então criado um espaço próprio para venda destes coloridos drupáceos. Em cada ano, um comerciante concelhio diferente disponibiliza as amêndoas que o Município vende. Não há custos acrescidos e o produto das transações é entregue, na totalidade, à casa fornecedora. Porque os sentimentos fraternos se manifestam agora de várias formas e feitios, não são apenas os casais fiéis depositários da Tradição. São, também, os filhos, netos, sobrinhos, afilhados, compadres, amigos e vizinhos. Toda a gente gosta de se envolver no saboroso enleio de uma amêndoa pascal… Ofereçam-nas e digam: Amêndoas doces… porque te amo!

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ESPECIAL / Sardoal

“Estou sempre a pensar qual é o ano em que ele não nasça” Na Igreja Matriz da Paróquia de São Tiago e São Mateus, em Sardoal, podemos encontrar, do lado esquerdo, a Capela lateral dedicada ao Sagrado Coração de Jesus e onde estão as tábuas do Mestre de Sardoal. Na Semana Santa, esse altar fica sob a responsabilidade de José Martins. “São uns 38 vasos que lá ponho”, afirma, orgulhoso. Os vasos de que fala não levam flores, levam trigo. Quisemos saber porquê. “Estou quase com 80 anos e desde miúdo que eu via uma senhora fazer isso, colocar trigo no altar do Sagrado Coração de Jesus”, explica. Entretanto, “e durante muitos anos, décadas mesmo, essa tradição parou”. José Martins recorda que ainda chegou a enfeitar o altar com flores. “Era um trabalhão para arranjar tantas flores. Eram 20 ou 30 jarras”. Mas José Martins foi buscar as memórias dessa infância e resolveu continuar a colocar o trigo no altar. “Já faço isso há cerca de 30 anos. Creio que, nesse tempo que falei da outra senhora, até semeavam alpista. É parecido com o trigo mas fica mais miudinho”. E é José Martins que cuida de todo o processo. “Semeio o trigo aqui em casa, nos vasinhos e, aí ao fim de 20 dias, o trigo está com um palmo de altura. Com 15 a 18 centí-

/ José Martins a tratar dos vasos que irão levar o trigo para enfeitar o altar

metros. E cresce numa casa escura, sem janelas. Fica assim amarelinho. Aquela senhora, dizem, até o punha dentro de uma arca”. “Já estive a ver no calendário e tenho que o semear no dia 8 de março, para estar pronto na Semana Santa. É um risco. E estou sempre a pensar qual é o ano em que ele não nasça”, confessa. Há algumas pessoas que quando visitam a Igreja, “acham curioso o trigo no Altar e eu digo que é uma herança que eu tenho”, diz, entre gargalhadas. E por falar em herança, quem poderá pegar nesta tradição no futuro? “Ah, isso não sei. Pode ser que seja o meu filho. Ele também gosta disto e vai-me ajudar a colocar os vasos. Pode ser que ele… ou os meus netos…” “Aquela capela era sempre enfeitada pela minha senhora, creio que até já em solteira”, revela-nos. “Mas, agora, a minha senhora já não pode e é a minha cunhada que trata do altar, até porque as Missas durante a semana são dadas naquela capela”. O aumento de visitantes durante a Semana Santa também tem sido notado por José Martins. “Ultimamente, tem vindo bastante gente”, afirma. A Semana Santa é uma altura que “desde a Quinta-feira Santa e até à Páscoa, nós vivemos de forma muito intensa”.

/ Panascos

/ Presa

/ S. Simão

/ Capela Stª Catarina

Transladação do Santíssimo é momento solene em Sardoal

/ O altar da capela do Sagrado Coração de Jesus, já com os vasos de trigo.

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A transladação do Santíssimo tem origem pelo menos desde o século II. No entanto, o rito da Adoração, na Quinta-feira Santa, entrou na Igreja a partir do século XIII e foi-se difundindo até o século XV. Esta transladação no ritual romano, faz-se como reserva do Senhor para o dia seguinte, porque na Sexta-feira Santa não há liturgia, o Senhor, acabando a Ceia, foi com os discípulos para a agonia, “este é o meu corpo, tomai e comei, este é o meu sangue tomai e bebei”. Foi, portanto, a prática devocional da Eucaristia a principal responsável para a Adoração ao Santíssimo na Quinta-feira Santa, após a missa da Ceia do Senhor. O rito atual é muito simples e tem o seguinte significado: após a oração depois da comunhão, o Santíssimo é transladado solenemente

Esta cerimónia é feita solenemente pela Irmandade do Santíssimo, numa pequena procissão dentro da igreja, sendo o Senhor transladado para a capela do Sagrado Coração de Jesus em procissão para uma capela lateral ou para um dos altares laterais da igreja, devidamente preparado para receber o Santíssimo. No Sardoal, esta cerimónia é feita solenemente pela Irmandade do Santíssimo. É feita uma pequena procissão dentro da igreja, sendo o senhor transladado para a capela lateral do Sagrado Coração de Je-

sus, preparada solenemente para o efeito. Esta Capela possui um retábulo em talha dourada Neoclássico de Finais do século XVIII, com excelentes execuções de pintura, fingimento de mármore (marmoreados). No seu trono possui uma excelente imagem do Sagrado Coração de Jesus, de madeira policromada de finais XVIII início de XIX. Esta capela é a atual capela do Santíssimo, da Igreja Matriz de Sardoal. De referir que é nesta capela que estão as famosas tábuas do Mestre de Sardoal. Após a transladação, a comunidade é convidada a permanecer em Adoração solene. O significado é de Ação de Graças pela Eucaristia e pela Salvação que celebramos nestes dias. João Soares

/ Capela S. Sebastião

/ Valhascos – Graça

/ Valhascos – S. Bartolomeu


ESPECIAL / Constância

Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal de Constância, fala daquele que é o principal certame do concelho. O autarca espera que o evento seja um contributo forte para a economia local e que projete o concelho para todo o país. Qual é a importância das Festas do Concelho e da Nossa Senhora da Boa Viagem?

As festas, em primeiro lugar, representam um momento de união e de solidariedade entre os próprios munícipes, quer aqueles que trabalham nas festas, através das associações e coletividades, quer aqueles que trabalham nas festas através do embelezamento das ruas. Este ano, contamos com o envolvimento dos moradores de Santa Margarida da Coutada e de Montalvo no embelezamento das ruas. O evento é sem dúvida o ponto alto do nosso concelho, onde efetivamente atraímos uma multidão de pessoas à vila. É, portanto, um fim de semana de festa onde demonstramos o que de melhor temos no concelho, como também uma homenagem aos nossos antepassados ligados aos rios e à atividade marítima.

A festa reúne milhares de visitantes. Como se explica esta adesão?

Penso que posso referir que existem três públicos que vêm à nossa festa. Um público que vem pela tradição religiosa, pela procissão, pela bênção dos barcos e pela missa, e por toda a homenagem aos nossos antepassados. Outro público vem porque já têm o hábito de vir no fim de semana da Páscoa às festas a Constância. E o outro grupo vem consoante os cabeças de cartaz que apresentamos. São três grupos de pessoas que sentem a vontade de nos vir visitar durante aquele fim de semana.

Denotam-se algumas alterações no formato da festa. Quais serão as principais mudanças?

Há alterações na disposição. Vamos colocar a tenda afeta às tasquinhas no campo de vólei em vez de estar no largo Cabral Moncada e iremos colocar o palco principal neste mesmo largo. O espaço jovem será colocado, no espaço onde estava o palco principal das festas, junto

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ao posto de turismo. O que queria destacar é que com um orçamento mais pequeno tentámos trazer uns cabeças de cartaz que empolassem e que fizessem vir mais pessoas ao concelho. No que diz respeito à Mostra Nacional de Artesanato, a Mostra de Doces Sabores irão manter-se nos mesmos locais e o outro palco irá manter-se na praça Alexandre Herculano. Vamos ter animação de rua, teatro e vamos ter sempre atividades para que haja sempre movimento nas ruas.

O que destaca do programa festivo?

Temos quatro cabeças de cartaz o Matias Damásio, a Cuca Roseta, os Remember Revival Band e a nossa fadista Tina Jofre. À semelhança dos anos anteriores vamos ter a tradicional tarde de folclore, o Grande Prémio da Páscoa, uma aula de zumba, a bênção dos barcos, a Mostra Nacional de Artesanato, (com 20 stands) e a Mostra de Doces Sabores (com 13 stands). E a Mostra de Saberes e Sabores do Concelho vai ter 8 stands com diferentes modalidades de artesanato do concelho. São estes aspetos que destacam as nossas festas e que farão vir muita gente aqui. A estratégia foi olharmos para os custos que a festa teve no ano transato e dentro do que foi gasto nos cabeças de cartaz verificámos se haviam mais artistas com mais nome e mais implementação junto das pessoas para termos uma grande aceitação. A ideia foi trazer artistas abaixo daquilo que foi gasto o ano transato, ou seja, haver aqui um controlo financeiro, mas ao mesmo tempo trazer pessoas e com isso que se ajude o comércio, as coletividades e que seja possível ter a vila composta. O cartaz foi partilhado por 610 pessoas e com isto o concelho fica no mapa. A festa é uma forma de projetar o concelho para o exterior.

CM Constância

“São sem dúvida as festas do nosso povo e da nossa terra”

Notámos que as pessoas ficaram contentes com o cartaz que apresentámos.

O dia dedicado à Nossa Senhora da Boa Viagem é cheio de mística. Como é que o Município avalia o momento?

É o dia mais alto das nossas festas. É um dia de emoções. Para além do içar das bandeiras no edifício dos Paços do Concelho, a distinção dos funcionários da Autarquia com 5, 10 e 20 anos de serviço, temos o ponto alto com a bênção dos barcos, a procissão e a bênção das viaturas na praça Alexandre Herculano. As pessoas que afluem nesse dia são na sua maioria pessoas com ligação ao rio, às atividades dos rios. É de facto um ponto alto para estas pessoas e porque são crentes pedem a bênção à Nossa Senhora para o resto do ano. Temos um público que só vem a Constância nesse dia. O dia terminará como é habitual com o fogo de artificio.

A festa pode evoluir mais? Se sim, de que forma?

Não é fácil. As festas têm sempre um orçamento alocado e uma limitação financeira. Mas é possível desde que haja o envolvimento das nossas populações. A nível financeiro é que acho que as festas não podem ir mais além do que está previsto para este ano, cerca de 120 mil euros, porque somos um Município pequeno e há outras prioridades que devem ser atacadas

Este ano, penso que será a primeira vez que todas as coletividades do concelho estão envolvidas nas festas

nesta fase de gestão. Dentro do orçamento que dispomos tentámos preparar uma festa com nomes mais comerciais, com artistas diferentes e através disso atrair mais população. Este ano, penso que será a primeira vez que todas as coletividades do concelho estão envolvidas nas festas ou com uma tasquinha, ou com um quiosque de bebidas ou com um embelezamento de uma rua, portanto foi uma preocupação do Município esse envolvimento. A Câmara está na retaguarda porque todo o embelezamento, toda a dinâmica nas tasquinhas é um trabalho assegurado pelas populações. O que a Câmara faz é dar os materiais porque a partir daí é com as populações e com as associações locais.

É uma festa das pessoas?

Esta é a festa do concelho e o concelho é composto pela freguesia de Constância, Montalvo e Santa Margarida da Coutada. De referir que a Escola continua a ser um grande parceiro, responsável pelo embelezamento da praça Alexandre Herculano e pela rua Luís de Camões.

O retorno é significativo?

Sim, o retorno é significativo. Quando falo com os comerciantes percebo que todos ficam a ganhar com o fim de semana e para as nossas coletividades, que exploram alguns espaços nas festas, é um balão de oxigénio para conseguirem viver ao longo do ano. É um evento importantíssimo para essa economia.

E o setor privado vai envolver-se na festa?

Sim, penso que há um grande envolvimento e motivação com os cabeças de cartaz que escolhemos. Estão expectantes que seja um fim de semana muito bom para os seus

negócios.

Porque é que decidiram proceder a uma Assembleia para a organização do certame?

Achámos que podíamos fazer deste modo pois somos um concelho pequeno, num concelho maior não seria viável este tipo de iniciativa. E porque achámos que só com proximidade das pessoas é que conseguimos chegar a bom porto. Apesar de terem vindo poucas pessoas à Assembleia criaram-se vários grupos e a organização está orientada. Penso que da Estrada Nacional para baixo teremos todas as ruas enfeitadas.

É, portanto, uma evolução?

Sim, porque a zona histórica da vila está praticamente desabitada. Os moradores que residem estão na zona alta da vila e muitas das pessoas que viviam muito as festas já não o fazem por diversas razões. E por isso chamámos a esta iniciativa não só os moradores da vila, mas das outras freguesias para que haja um renascer da tradição do embelezar das ruas e para que esta tradição não morra, como estava a acontecer.

Quais são os objetivos da Câmara para esta edição?

Penso que estes momentos nunca têm retornos imediatos a não ser para as coletividades e comerciantes que sentem um movimento financeiro superior. Ao nível da Autarquia, ficaria satisfeito que as festas decorressem dentro da normalidade e que a vila seja visitada por muitas pessoas. Estas são sem dúvida as festas do nosso povo e da nossa terra! Joana Margarida Carvalho


ESPECIAL / Constância

“Os Camponeses de Malpique” exaltam as tradições nas festas do concelho O Rancho Folclórico “os Camponeses de Malpique” é presença obrigatória nas festas de Constância. O grupo assume a dinamização de uma tasquinha de comida e ainda a tarde de folclore no domingo de Páscoa. “Costumamos dizer que são três dias loucos que nos permitem salvaguardar a época”, começou por caracterizar a festa Custódio Rodrigues, diretor técnico do grupo desde há 30 anos. A tasquinha apresenta sobretudo a típica gastronomia, assente nas tradições locais. Pratos como o frango assado, o entrecosto assado, os enchidos, a feijoada à camponesa e este ano o coelho grelhado, farão as delícias de quem escolher a tasquinha do rancho. Outro prato bastante apreciado “são as famosas migas carvoeiro e pintassilgo, feitas com pão de milho desfeito no azeite e depois com as couves, um prato que deve ser servido quente e que é muito apreciado”, salientou Custódio Rodrigues. Devido à poluição no rio Tejo, este ano o prato de fataça não vai

ser uma aposta, pois segundo o responsável “as pessoas não vão comer e nós não podemos estar a trabalhar para aquecer. De qualquer modo, vamos ter peixe: a petinga, a sardinha assada e o chicharro”. Na sua maioria o grupo mobiliza-se para o serviço árduo que a tasquinha requer durante os 3 dias de festa. São cerca de 15 a 20 pessoas do grupo que, diariamente, com “grande sentido de responsabilidade” servem quem visita a festa e quem aprecia a típica comida.

“Nós empenhamo-nos a sério e é para trabalhar a sério” “No domingo de Páscoa, como temos o festival e é uma altura mais crítica convidamos duas ou três pessoas para assegurarem o funcionamento da tasquinha. Nós empenhamo-nos a sério e é para trabalhar a sério”, reforçou o diretor técnico. No domingo de Páscoa, a tarde de folclore vai contar com três grupos regionais: a Casa do Povo

de Tramagal, As Lavadeiras da Asseiceira e o Rancho Folclórico “os Camponeses de Malpique”. “Nesta época pascal é muito difícil deslocar grupos para virem cá, porque as pessoas querem estar em família. Por exemplo, trazer grupos do Norte é impensável. Apostamos sobretudo num festival regional”, refere Custódio Rodrigues. “Normalmente, temos dois tipos de demonstrações. Temos uma para os festivais de folclore, de 20 minutos, e outra demonstração, para outros contextos, onde podemos estar em cima do palco duas horas porque interagimos com as pessoas”, acrescentou. Nas festas tratando-se de “um minifestival” o momento vai ser sobretudo dedicado à dança. “O acolhimento do público nesse dia é muito bom, é já o ex-libris das festas para alguns”, fez notar o responsável. A Associação Cultural Rancho Folclórico “os Camponeses de Malpique” foi fundada em 1985. O grupo tem origem na União Jazz de Malpiquense desde 1978. Contu-

/ Custódio Rodrigues do, na altura houve a necessidade de um desvinculo. “Tivemos necessidade de nos desvincularmos devido ao facto de as mentalidades na altura serem um pouco retrógradas e porque estávamos presos a valores que nada tinham a ver com o que queríamos. As pessoas não entendiam isso, então só houve uma forma, foi romper com o atual grupo e partir para outra etapa”, explicou o diretor técnico. Inscritos na Federação Portu-

guesa de Folclore. o rancho reúne cerca 47 membros entre a tocata, os figurantes e os dançarinos, sendo um grupo essencialmente jovem. Os trajes que apresentam são sobretudo trajes de trabalho e domingueiros. E o festival nacional que organizam realiza-se todos os anos no primeiro fim-de-semana de julho. São cerca de 10/15 saídas que realizam por todo o país e é nas antigas escolas primárias de Malpique que tem a sua sede, a sua Oficina da Cultura e um museu disponível à visitação. A Câmara Municipal é parceiro do grupo e é a entidade que desafia o rancho a marcar presença nos festejos anuais. “É a nossa vila, é o nosso concelho, portanto são as nossa festas. São a identidade de um povo”, finalizou Custódio. Joana Margarida Carvalho

Filarmónica Montalvense 24 de janeiro volta às festas com nova liderança Sem música não se faz a Festa e para garantir parte desses momentos a Banda da Associação Filarmónica Montalvense 24 de janeiro diz “presente” à Câmara Municipal de Constância para mais uma edição da Boa Viagem. Este ano, o grupo volta a assumir os momentos habituais da arruada, da procissão e do hastear da bandeira. Momentos solenes e que são encarados com “grande iniciativa” pelos músicos e seus dirigentes. Nesta edição, a banda apresenta um novo presidente da direção, mas uma presença já habitual no seio dos músicos com o seu bombardino. Luís Abreu, 33 anos, natural de Campo Maior, mas residente em Montalvo, é o novo presidente da direção do grupo. Eleito presidente no passado dia 10 de dezembro para um mandato de um ano, Luís Abreu aceitou a função por ser “um desafio”. “Queria testar as minhas capacidades e porque acho ser uma mais valia para a banda. E há sempre aspetos a melhorar, apesar do trabalho do senhor Rui ter sido exce-

cional”, referiu. “O senhor Rui já estava há algum tempo na direção e já acusava alguns sinais de cansaço e foi assim que surgiu o convite à minha pessoa para integrar uma lista como presidente”, explicou. A Associação Filarmónica Montalvense 24 de janeiro dispõe de uma banda constituída por cerca de 28 executantes, uma escola de música com cerca de 50 jovens e crianças, que depois constituem a Banda Juvenil. Muitos destes músicos envolvem-se nas festas, em concreto na dinamização da tasquinha de comida. “A tasquinha de comida é uma importante forma de angariar fundos para manter as atividades anuais”, considerou Luís Abreu. Para esta edição das festas, o novo presidente “quer atrair mais a participação dos pais, dos membros da direção e de alguns sócios que estão mais presentes na banda. Asseguramos os almoços e jantares durante os três dias da festa e são três dias de muito trabalho”. “Na tasquinha o trabalho é mais

assumido pela direção, sócios, pais e amigos da instituição. Temos ainda três cozinheiras, a Dona Maria José Coelho, a Luísa Milagaia e a Maria Filomena Oliveira, que assumem a confeção. Os pratos mais típicos são o peixe do rio, que este ano não sabemos se vamos ter, devido ao receio de uma fraca adesão. Depois temos o bacalhau assado, as pataniscas, os enchidos” e uma diversidade de grelhados. Quanto às atuações previstas para as festas, “temos ensaiado sobretudo as marchas fúnebres típicas de uma procissão e marchas mais festivas, as típicas de arruada. O serviço da procissão é duríssimo devido à geografia do terreno, porque temos de subir e descer várias vezes”, confidenciou Luís Abreu.

É a “época em que a terra mostra a todos os visitantes o que melhor tem” “Estes dias são para nós importantes, na medida em que estas festas são o ex-libris do concelho e também da freguesia de Montalvo.

/ Luís Abreu Trata-se da época em que a terra mostra a todos os visitantes o que melhor têm”, vincou Luís Abreu. Por último, o novo presidente falou de alguns objetivos que tem para este mandato, dando conta que ainda se está a inteirar do funcionamento da casa. “Já me apercebi que não somos uma simples banda, somos também um centro de formação. Temos a parceria com o Choral Phydellius onde os jovens, que vêm através do Agrupamento de Esco-

las, ingressam nas nossas aulas e tem a contrapartida de integrarem a banda mais tarde”, lembrou. Com a abertura do novo Centro Escolar, o presidente espera que a transição da banda para a antiga escola primária seja breve, pois o grupo “precisa de um espaço maior, sendo que as atuais instalações são bastante apertadas. Com o novo espaço conseguimos acolher melhor os músicos e ter um espaço de convívio”. “Pretendo ainda unir mais os membros da instituição, os músicos, os sócios, os pais e a direção. Penso que as novas instalações vão poder trazer mais convívio e mais união para esse objetivo”, finalizou. Joana Margarida Carvalho

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ESPECIAL / Constância

Família Ferreira não deixa morrer a tradição do enfeitar das ruas Desde há muitos anos que a família Ferreira é a responsável pelo adornar da rua do Outeiro, em pleno centro histórico de Constância. A mentora foi Maria Luísa Delgado Rodrigues, a avó da família. Mas hoje é a sua neta, Márcia Sirgado, que assume o comando dos trabalhos. São cerca de 700 as flores que fazem para adornar a rua com cerca de 50 metros. E este ano, apesar da perda do avô da família, não vão deixar morrer a tradição e vão arregaçar as mangas para mais um embelezamento. “Nos últimos cinco anos, o embelezamento da rua é assegurado sobretudo pela minha família. A minha avó é uma boa ajuda. O ano passado não conseguiu fazer, mas este ano já ganhou coragem e com as minhas duas filhas tenho a ajuda que preciso. No dia da montagem vamos todos e até contamos com o apoio de algumas vizinhas, como a Dona Maria Alice”, começou por contar Márcia Sirgado. No passado, recorda Maria Luísa a rua ficava toda enfeitada, “desde a rua do Tejo até cá acima, ao pé da Caixa Geral de Depósitos”. “Hoje em dia só se enfeita um bocadinho, mesmo em frente à casa da minha avó”, afirma Márcia. “Eram necessárias muitas flores, passávamos noites a fazê-las. Começávamos em janeiro. Eu era

/ Márcia Sirgado, Maria Luísa e Ana Maria, bisneta a principal. Era eu que tomava a iniciativa e influenciava as minhas filhas, o meu genro, que fazia sobretudo enfeites para pôr nas paredes, como uns barquinhos, quadros com a imagem de Nossa Senhora [da Boa Viagem], um lago com peixinhos, tudo em papel…. Ficava a casa cheia. Eram caixas e caixas com flores, por todo o lado”, lembra Maria Luísa.

O plástico nunca foi opção. “Nunca usámos o plástico, fazemos sempre com o papel. Nunca experimentámos e tenho impressão que não conseguia moldar o plástico”. Antigamente, a neta ficava encarregue das flores maiores, a avó das flores mais pequenas, mas que careciam de mais minucia. “Fazia tulipas, amores perfeitos, gladíolos, muitas flores dos mais variados

tipos”, conta com orgulho Maria Luísa. “Este ano, não temos muito tempo, vamos fazer o que conseguimos. Para não deixar morrer a tradição”, salienta Márcia, admitindo que ainda ponderou “não enfeitar pois o meu avô morreu o ano passado e a minha avó nem queria, coitadinha…, mas como não queríamos deixar de fazer vamos

levar por diante o trabalho”. A rua do Outeiro é das ruas mais visitadas. Avó e neta confirmam isso mesmo dando conta que quando estão a enfeitar “passam por lá muitas pessoas. Chegam, tiram fotografias e conversam connosco. E às vezes no final da festa percebemos que umas fotos já não se encontram (risos)”. O dia da montagem é sempre uma azáfama. “Vamos para a rua depois de almoço e é até acabar. E como somos menos é uma azafama. Mas a família vem e ajuda. Mudamo-nos lá para baixo e fazemos o que temos a fazer até acabar o trabalho”, avança Márcia. Para além do embelezar da rua, a neta ainda é responsável pelo andor da Nossa Senhora da Boa Viagem. “A minha avó é a zeladora do andor da Nossa Senhora da Boa Viagem e, por isso, temos essa responsabilidade de enfeitar e de arranjar um grupo que transporte o andor, que normalmente são os bombeiros”, finaliza Márcia. Por último, e de lágrima no olho, Maria Luísa admite que está sempre a dizer que “este é o último ano”, mas acaba “por fazer sempre mais um e será assim até ter força”. Pois, “o que conta é não deixar morrer a tradição”. Joana Margarida Carvalho

Festas com música para todos os gostos Matias Damásio, Cuca Roseta e Remember Revival Band são os cabeças de cartaz da edição de 2018 das Festas do Concelho de Constância/Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, que se vão realizar de 31 de março a 2 de abril. O programa musical é variado e pensado para diferentes tipos de público, passando por estilos tão distintos como o fado, pop e rock. Matias Damásio é o artista que abre as festas, no dia 31 de março, com um espetáculo onde apresentará o mais recente disco “Por Amor”, que celebra os seus 10 anos de carreira. “Loucos”, “Matemática do Amor” e “I Wanna Be Your Hero” são três dos sucessos musicais que farão parte do concerto

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do cantor e compositor angolano. O destaque da animação da segunda noite, a 1 de abril, está a cargo de Remember Revival Band, grupo que conjuga no seu reportório temas disco/pop das décadas de 70/80/90. A banda, que tem como influências musicais Bangles, Culture Club e Village People, integra Sérgio Fernandes na voz; Luís Formiga na bateria; Pedro Beja na guitarra; Pedro Janela nos teclados e José Luís no baixo. No dia 2 de abril, em que se celebra a Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem, Cuca Roseta abrilhanta o certame com o seu fado repleto de “Luz”. É este o nome do mais recente disco, editado em novembro de 2017, e que

/ Cuca Roseta inclui composições de Pedro da Silva Martins, Hélder Moutinho, Carolina Deslandes ou Jorge Fernando. É em “Luz” que Cuca Roseta se revela inteiramente como intérprete, autora, compositora e letrista. A fadista tem percorrido

/ Matias Damásio o país em digressão com o disco “Luz”, chegando agora a vez de o fazer em Constância. Tina Jofre, fadista local com mais de 50 anos de carreira, atuará também nas Festas do Concelho, no dia 2 de abril, revelando

“o que de melhor há no Concelho” a nível musical. Concertos de Rui Calapez, “Vida de Cão”, “O Pacífico”, Carrilhão Lvsitanvs e uma Tarde de Folclore completam o cartaz musical das Festas do Concelho de Constância.


REGIÃO / Sardoal

Acordos de Execução com as Juntas de Freguesia fazem “estalar o verniz”

/ “Não nos chegou absolutamente nenhuma crítica, nenhuma proposta de alteração, nenhum comentário e nenhuma Junta de Freguesia” – Miguel Borges de nenhuma Junta de Freguesia”. O presidente explicou que foi feita uma reunião com os presidentes das Juntas de Freguesia, esclareceram-se as dúvidas, foram redigidos os Acordos “e enviámos os quatro protocolos para as quatro Juntas. Os quatro para as quatro”, enfatizou. Depois, explicou Miguel Borges, “pedimos aos senhores presidentes de Junta para se pronunciarem para, em caso de ter que

haver alterações, serem feitas a tempo de vir a reunião de Câmara. Não nos chegou absolutamente nenhuma crítica, nenhuma proposta de alteração, nenhum comentário e nenhuma Junta de Freguesia. E o senhor vereador agora está a dizer-me que se abstém porque sabe que isto não é consensual nas Juntas de Freguesia?!” Ao JA, Miguel Borges explicou depois que se tratam de Acordos de

delegações de competências “que passamos às Juntas de Freguesia, juntamente com o respetivo financiamento e de acordo com o que tem sido o historial que temos feito até aqui. Prende-se essencialmente com a limpeza de caminhos”.

Protocolo “retirado” na Assembleia Municipal Os Acordos de Execução fo-

ram levados para aprovação na Assembleia Municipal (AM), que se realizou a 28 de fevereiro. No entanto, quando se previa mais uma alargada discussão em redor deste tema, Miguel Borges pediu para que, naquela sessão, não fosse analisado nem votado o Acordo de Execução com a Junta de Freguesia de Sardoal. O presidente da Autarquia explicou que, “após a reunião de Câmara e depois de uma conversa com o presidente da JF de Sardoal, entendemos que poderemos, eventualmente, rever este documento e daí resultar algumas possíveis alterações”. O protocolo vai então continuar em negociações entre as duas partes Os restantes três protocolos dos Acordos de Execução foram votados nesta sessão da AM, tendo os de Alcaravela e Valhascos sido aprovados por unanimidade e o de Santiago de Montalegre sido aprovado por maioria, com a abstenção do deputado Francisco António (PSD). Patricia Seixas PUBLICIDADE

Na reunião do Executivo da Câmara Municipal de Sardoal, de dia 21 de fevereiro, foram aprovados, por maioria, os Acordos de Execução com as Juntas de Freguesia. Colocado o ponto a votação, Carlos Duarte e Pedro Duque, vereadores do PS, optaram pela abstenção. E «o verniz» estalou. Pedro Duque justificou a sua abstenção com o facto de ter “conhecimento que não é unânime este entendimento porque há Juntas de Freguesia que não concordam com os critérios. Sabendo que a minha abstenção neste ponto não obsta a que estas transferências ocorram, vou-me abster”. O vereador referia-se à Junta de Freguesia de Sardoal, que o Partido Socialista “conquistou” nas últimas Autárquicas. Miguel Borges adiantou que os “Acordos estão validados pelas Juntas de Freguesia. Foram enviados para todos os presidentes e pedimos para comentarem, darem contributos e para dizerem se concordavam ou não até determinada data. Não tenho conhecimento de nenhum desagrado por parte

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DESPORTO /

Associação Desportiva de Mação Uma história de amizade e de sucessos

A jovem colectividade começou por se filiar na Associação de Futebol de Santarém (AFS), com os primeiros anos de vida a não serem nada fáceis e participou pela primeira vez no Campeonato Distrital de Futebol da 2ª Divisão na época desportiva de 1979/1980, com ínicio a 30 setembro. O Clube foi crescendo lentamente, com Agostinho Pereira Carreira a ser o seu principal impulsionador, o que levou ao Município, juntamen-

te com o Clube, a prestarem-lhe homenagem à passagem dos 25 anos da coletividade, dando o seu nome ao Campo do Marco. Esta distinção, a título póstumo, surge do reconhecimento pelo mérito do serviço público prestado por esta personalidade, pelo seu desempenho, dedicação e determinação nas várias funções desempenhadas. O percurso deste Clube passou na sua história por muitos períodos de glória e por alguns outros de

grande instabilidade. A época de 2007/2008 marcou a sua primeira grande conquista, ao vencer a Taça Ribatejo numa final disputada no Estádio Municipal de Abrantes. Acabou por levar bem alto um Clube e um Concelho. A estabilização na 1.ª Divisão era o objectivo principal dos que queriam fazer dela um grande clube que, mordiscando os calcanhares dos primeiros, se tornou naquilo que é hoje, um Clube de respeito na AFS. Depois de

épocas brilhantes onde foi cimentando a sua posição na 1ª Divisão da AFS, 2017 foi um ano de ouro. Terminou a época desportiva com a conquista da Taça Ribatejo, no Entroncamento, e iniciou a época com a conquista da Super – Taça Dr. Alves Vieira, em Torres Novas. O momento actual não pode ser dissociado da sua história por tudo aquilo que o Clube vem fazendo esta época. Depois das conquistas, é neste momento o 1º classificado do campeonato, dando passos largos para a subida ao Campeonato de Portugal. Com as comemorações das 40 primaveras, é o momento certo para recordar os que por aqui passaram, dirigentes, atletas, associados, colaboradores e demais cidadãos, uns ainda entre nós, outros já com lugar reservado na galeria dos imortais. Porém, o seu legado perdurará na memória de todos os que sentem a ADM e a sua contribuição para o engradecimento desta instituição que permanecerá bem vincada nos anais da sua nobre história. PUBLICIDADE

A 18 de novembro de 1978 foi fundada a Associação Desportiva de Mação, a que carinhosamente chamam de ADM. O objectivo da criação desta Associação visou essencialmente o engrandecimento do desporto, incutir o espírito de que a amizade não se cria virtualmente, promovendo a prática de diversas modalidades com particular predominância para o futebol, inserindo-se no âmbito de um amadorismo total dos seus praticantes e de uma sã camaradagem entre todos. O seu aparecimento deveu-se à persistência de um grupo de maçaenses que se juntaram com o fim de fazer nascer esta associação, que desde então, tem prestado um contributo inestimável à vila que representa. Mas, continuando a remexer nas gavetas da nossa memória para lembrar o que foi, o que é e o que será, mas sendo certo que já regista uma longa existência repleta de conquistas e de tormentas, de glórias e de angústias, recalcadas pelo esforço e paixão dos que, degrau a degrau, a foram construindo.

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REGIÃO / Constância

Cinco amigos fundam o “Mercado das Artes, Cooperativa Cultural” “Mercado das Artes, Cooperativa Cultural” é o novo projeto que surge para intensificar o conceito “Barquinha é arte”, mas não só, é um projeto abertos aos artistas do Médio Tejo e do país. A nova cooperativa resultou da iniciativa de Carlos Vicente, Paulo Passos, Marina Honório, Fátima Capela e Pérsio Basso, todos eles com alguma vertente artística. Paulo Passos, designer de profissão e um dos fundadores, começou por confessar ao JA que a criação de uma cooperativa cultural já era “um sonho antigo” e que curiosamente não era somente um sonho seu, mas sim dos restantes fundadores. “E foi essa partilha que fez a força para que crescesse uma cooperativa”, ressalvou. “Não eramos propriamente cinco amigos, hoje somos. Mas, por exemplo, eu conheço a Fátima há um ano e comecei a falar com ela sobre esta ideia (…) Todos nós sentimos que nas nossas áreas havia muito para fazer e em rede melhor ainda. E o facto de sermos de áreas

/ Os cinco fundadores diferentes, só nos dá mais força”, fez notar Paulo Passos. “Estamos no meio da região. É na Barquinha, mas podia ser em Abrantes… Hoje estamos na Barquinha, mas vejo muito toda a região a trabalhar e a cooperar para uma região melhor e é esse o principal

ponto que queremos sublinhar”, referiu Paulo Passos. Quanto a objetivos, o designer avançou que para além da realização de workshops e exposições, a nova cooperativa quer “juntar pessoas, criar uma rede social (…) uma rede social onde seja possí-

Câmara revoga alvará da Agropecuária Valinho. Assembleia Municipal solidariza-se A Assembleia Municipal de Vila Nova da Barquinha, reunida a 23 de fevereiro, colocou-se ao lado do Executivo que aprovou, por unanimidade, a revogação do alvará de utilização da exploração Agropecuária Valinho S.A. Os incumprimentos sucessivos, a falta de resposta por parte dos proprietários e os maus cheiros que afetam a vila foram as razões que levaram o Município a tomar uma atitude. “Estamos perante Direito Ambiental, ou seja, a competência nesta temática é da Administração Central”, começou por esclarecer o presidente da Câmara Municipal. Fernando Freire deu conta de uma vistoria, em dezembro de 2015, em que alertou para o incumprimento de uma deliberação da Câmara Municipal em que a Agropecuária Valinho vinha “sistematicamente, apesar de interpelada e alertada, a não atenuar os efeitos dos maus cheiros”. O Executivo entendeu então “revogar a licença de utilização até ao cumprimento de uma obrigação a que eles se vincularam desde o início e que, de facto, nunca vieram

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a realizar”. “É de tal maneira”, expõe o presidente, “que da Moita do Norte é possível visualizar a ETAR sem qualquer arbusto a proteger. Obviamente que, sem cobertura arbórea, isto provoca constrangimentos ao nível dos maus cheiros”. Esta tomada de posição foi comunicada à APA – Agência Portuguesa do Ambiente até porque “a licença ambiental [da suinicultura] terminou em 2014 e a Câmara Municipal ainda não recebeu por parte da APA qualquer comunicação de renovação da licença”. João Ricardo, deputado municipal eleito pela CDU, congratulou-se com a decisão do Executivo e informou que a bancada “subscreve por inteiro esta tomada de posição. Para nós, isto é, «sem espinhas!» No entanto, em que é que isto vai alterar? Pouco, se não obrigarem aquela gente a cumprir. Mas, de qualquer maneira, saudamos este passo pois é uma forma de pressão para que não sintam que podem fazer o que querem”. Nuno Gomes, da coligação PSD/ CDS-PP, começou por “louvar que se faça alguma coisa e estamos a

favor que sejam tomadas atitudes”. Mas o deputado questionou a existência de uma base legal para o Município o poder fazer visto ser uma competência da Administração Central. “Até que ponto pode a Câmara revogar a licença?”, perguntou. Já Paula Duarte (CDU) quis perceber se “a licença ambiental caducou e estamos aqui a falar da licença de utilização que será suspensa, com que base legal é que a empresa continua a laborar?” Fernando Freire explicou depois que “no que há Câmara diz respeito, que foi a licença de utilização, tudo o resto é Administração Central, foi um compromisso que eles assumiram (…) e não cumpriram. Os contratos são para cumprir. Se não cumpriram, temos que fazer alguma coisa. Prometeram fazer uma cortina arbórea [em redor da ETAR] e não fizeram”. “De qualquer forma”, adiantou Fernando Freire, “nós já demos o pontapé de saída e vai para a Inspeção Geral para que se pronunciem em conformidade. A bola agora está do outro lado. Abrimos aqui as hostilidades”.

vel melhorar o trabalho criativo”. Outro objetivo, passa pela “formação criativa, na área das artes” e na partilha de “serviços em termos artísticos”. No toca aos eventos, Paulo Passos avançou que o sonho é fazer “uma bienal, era levar o sonho ao extremo,

o que não é impossível. Mas claro que queremos fazer pequenos eventos”. Nomeadamente, “eventos de partilha de informação”. Ainda sem um espaço definido, os cinco cooperantes aguardam o apoio camarário para sediar o projeto. Neste momento, dispõe de uma sala no CEAC para reunirem. E esperam contar com um novo espaço onde seja possível acolher os cooperantes e expor o trabalho desenvolvido. Para ingressar no novo projeto é necessário proceder ao pagamento de uma joia de ingresso com um custo de 300 euros que pode ser paga em prestações e uma quota mensal de 5 euros + IVA. Os cooperantes usufruem de alguns benefícios como descontos nos cursos, workshops, eventos, etc. A Cooperativa Cultural já levou a efeito nos dias 2 e 3 de março um workshop de Escrita Criativa, com Nuno Garcia. As atividades vão continuar e podem ser conhecidas na página de Facebook da cooperativa. Joana Margarida Carvalho

Arte pública de Vhils e outros artistas vão surgir no concelho

/ Apresentação dos projetos no Centro Cultural Dez intervenções de arte pública por Alexandre Farto (aka Vhils), Manuel João Vieira, Violant e Carlos Vicente vão começar a ser desenvolvidas em Vila Nova da Barquinha. O ponto inicial do roteiro será da autoria de Carlos Vicente, artista local, num depósito de água junto ao rio Tejo, com a criação de um personagem inspirado nas tradições rurais e marítimas. Violant vai instalar quatro trabalhos de pintura mural em fachadas de grandes dimensões, um deles “inspirado” no Tejo e na poluição do rio, num trabalho de

“intervenção social” que caracteriza as suas obras. A obra de Vhils incidirá na sua técnica de criação de rostos, que “não está definido,” mas poderá ser de pessoas locais ou inspirado na rota dos peregrinos. Uma infraestrutura da EDP no Alto da Fonte, receberá a arte de Manuel João Vieira, numa narrativa gráfica forrada a azulejo que quer “construir com a população” entre os meses de março e maio. As intervenções vão começar a ser desenvolvidas entre os meses de março e maio.


SOCIEDADE /

“O rio que conheci no passado, não é o rio que conheço hoje” Rui Ferreira, 54 anos, natural de Tancos, pesca no concelho de Vila Nova da Barquinha e pela região desde os seus 20 anos de idade. Hoje é um dos pescadores que abastece os restaurantes barquinhenses no decorrer do Festival Gastronómico do sável e da lampreia. “Comecei a ir para dentro do rio numa caixa de esferovite dos frigoríficos para apanhar peixe para comer. Era um gosto andar

no rio e na água. Era um gosto pela pesca”, recorda o pescador. Atualmente, é o filho e o seu cão que lhe fazem companhia e a atividade piscatória é conciliada com a vida profissional. Os proveitos financeiros surgem sobretudo nesta época, na época da lampreia, mas é a quantidade de peixe que determina o retorno. “Quando dá para se fazer algum dinheiro é nesta época da lampreia. Quando há lampreia, porque quando não há, dá para os

gastos e para as reparações dos barcos”. O frio é o mais complicado de gerir, pois é durante a noite que se tem de pescar. “Durante o dia o peixe fica nos fundões, à noite passa pelos barcos. Durante o dia o peixe fica “escondido”, mas à noite ele lá aparece”. “A pesca da lampreia é feita à noite. Muitas vezes durante toda a noite. O sável é igual. Há sítios em que o sável não consegue passar porque o caudal é muito baixo e

quando faz é de rabo a abanar, é muito engraçado de se ver. Quando está a desovar faz também um barulho muito curioso”, conta Rui. É na zona do Pego de Almourol que Rui e os cerca de 8 pescadores da Barquinha fazem grande parte da pesca, pois segundo avança “as águas são muito límpidas”. E quanto a sustos? “Já aconteceu um por outro. Já apanhei um grande no tempo de cheias. Lembro-me quando comecei com a pesca fui para dentro de um barco de um senhor e fui pela corrente abaixo, mas lá consegui chegar aos salgueiros e lá consegui parar o barco. Não tenho medo do rio, respeito-o. Na verdade, o rio que conheci no passado, não é o rio que conheço hoje”. A poluição é um problema que identifica, mas o baixo caudal é, no seu entender, um problema ainda maior. “Cheguei a beber

Joana Margarida Carvalho PUBLICIDADE

/ Rui Ferreira é um dos pescadores do concelho de VN da Barquinha

água do rio. Hoje não se pode fazer uma coisa destas devido à poluição. Se tivéssemos uma cheia limpava-se os rios. Porque não nos podemos esquecer que o problema não está só à superfície, os fundos dos rios estão muito poluídos porque não há renovação das águas”. “Desde que pesco notei neste verão que a fataça não estava em condições. E nalguns restaurantes disseram-me que o peixe sabia mesmo a lodo, mas também é o único peixe que vai desovar ao mar, os outros vêm desovar ao rio. Mas só neste verão é que isto aconteceu. E continuo a fornecer peixe aos restaurantes do concelho durante todo o ano”, refere Rui. O pescador admite que hoje o que se pesca é suficiente para abastecer o festival. Antigamente, chegava “a mandar o peixe ao rio. Hoje uma noite boa é trazer o barco cheio de lampreia (risos) mas 15 a 16 lampreias já é bom”. Pelo 24.º ano consecutivo, o Município e os restaurantes do concelho estão a promover mais uma edição da mostra gastronómica “Mês do Sável e da Lampreia”, iniciativa que tem como principal objetivo promover a cozinha tradicional.

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SOCIEDADE /

“As pessoas não só ficaram até ao fim, como nos obrigaram a voltar ao palco”

O grupo vocal Vox Populi chega ao público pelas mãos de Hélder Silvano, mentor e responsável pelo projeto. É o único membro do grupo que não canta, mas é ele quem prepara o suporte musical gravado e quem conduz os ensaios e as atuações. E a primeira não poderia ter corrido melhor: “Foi muito bom. Estivemos duas horas em palco e as pessoas não só ficaram até ao fim como nos obrigaram a voltar ao palco, o que tem algum significado.” Professor reformado, ex-vereador da Câmara de Abrantes e criador do site de meteorologia MeteoAbrantes, Hélder Silvano tem a música a correr-lhe nas veias desde “muito pequenino”. Os pais contavam que no bacio já batia o pé ao som da música. Antes de entrar na faculdade, com 16 anos, começou a ganhar o seu próprio dinheiro com a música, tendo ainda aprendido a tocar vários instrumentos musicais. Hélder Silvano revela, em entrevista, que o primeiro tema da primeira atuação esteve para ser ‘Edelweiss’, a música do filme ‘Música no Coração’. Mas “à última da hora” o grupo fez uma alteração de programa e optou pelo espiritual

/ Hélder Silvano: “A nossa preocupação é ter as músicas trabalhadas com o maior índice possível de modernidade” negro ‘Oh Happy Day’. O final fez-se com ‘The Prayer’, uma música que “foi amplamente divulgada já com várias personalidades diferentes”. Neste momento o grupo está já a trabalhar com um universo de 30 canções, o que permite fazer um espetáculo de duas horas e meia. A abrangência musical é uma das características dos Vox Populi. A escolha recai sobretudo em “músicas que ficam muito no ouvido e que se tornam grandes êxitos”. Todos as conhecem e, por isso, “as pessoas começam a cantar connosco”. Hélder Silvano dá um exemplo dessa abrangência: o ‘Maravilhoso Coração’, do Marco Paulo, “cantada a quatro vozes, é uma coisa muito engraçada e é muito bonito”. Por outro lado, o mentor do grupo revela que o próximo grande desafio será o ‘Bohemian Rapsody’, dos Queen: “a quatro vozes não é nada

fácil”, “é uma coisa muito diferente de todas as outras que aqui cantamos”. “A nossa preocupação é ter as músicas trabalhadas com o maior índice possível de modernidade, de contemporaneidade e para o fazermos tem de haver uma grande preocupação com o substrato musical que lhes é aplicado, não pode ser uma coisa feita de qualquer maneira”, explica Hélder Silvano. Por isso o grupo aposta nas ‘backing track’ (suporte instrumental gravado) como forma de “enaltecer as próprias músicas”. No futuro, talvez possam contar com instrumentistas em palco. Vox Populi, proveniente do Latim, significa voz do povo. Já não é o primeiro projeto musical em que Hélder Silvano se envolve. Esteve ligado à criação da Orquestra Ligeira de Abrantes, que surgiu

enquanto era vereador da cultura em Abrantes nos anos 90. Quase três décadas depois, afirma que “muita gente sentia a falta de algo que pudesse representar Abrantes a um maior nível, fora das suas fronteiras”, com uma expressão musical diferente do que era habitual. Neste contexto, respondendo a um desafio do Orfeão de Abrantes, surgem os Vox Populi. O projeto foi ganhando força e resulta de uma união entre pessoas com diferentes experiências musicais. Algumas “nunca tinham cantado em público, nem tinham feito qualquer abordagem nesse sentido. Nenhuma das pessoas que está nesta sala normalmente a ensaiar é profissional, a nível da música somos todos amadores, mas hoje somos um grupo autónomo”. Uma parte é oriunda do Orfeão de Abrantes, e “todas tiveram de se su-

jeitar a uma audição para saber se estavam em condições de integrar o grupo ou não”. Feliz com os resultados bastante positivos da primeira atuação, e com mais dois elementos vocais que entraram depois da estreia, Hélder Silvano tenta explicar o sucesso com o facto de terem trabalhado cerca de um ano em segredo, sempre em busca da perfeição e da harmonia. Acrescenta que o número reduzido de membros permite que o público consiga “dar atenção a todas as vozes e às vozes a solo, que em breve serão oito”. O grupo conta neste momento com 14 membros, seis homens e oito mulheres, com idades compreendidas entre os 16 e os 62 anos. Há estudantes e reformados, mas também professores e empresários, empregados de comércio e até um radiologista. Os Vox Populi funcionam por gosto. “Apesar de haver uma troca financeira com outras entidades, mas não é com o intuito de remunerar o nosso serviço.” – garante o responsável pelo grupo. O objetivo primário dos Vox Populi é o reconhecimento e a vontade de partilhar o gosto pelo canto. O grupo não tem datas aprovadas para as próximas atuações, mas adianta que é possível que nas Festas de S. Lourenço venham a aparecer. Neste momento estão a ser estabelecidos contactos com diversas entidades, pelo que é provável “que este ano ainda” o grupo possa atuar “uma meia dúzia de vezes para fora dos limites do concelho”. Pelo menos para já, o estrangeiro não está nos horizontes, “não é algo que nós procuremos nem vamos fazer um esforço especial nesse sentido”. No entanto, “se acontecer, acontece”. As principais preocupações de Hélder Silvano, em relação aos Vox Populi, são o rigor, disciplina e perfeição com que o grupo se apresenta em palco. Joana Almeida, aluna de Comunicação Social da ESTA PUBLICIDADE

Foi ao som do espiritual “Oh Happy Day” que, a 12 de janeiro, os Vox Populi se deram a conhecer ao público. A estreia ocorreu no cineteatro de São Pedro, em Abrantes, numa atuação que durou cerca de duas horas e que cativou todo o público com um vasto repertório musical, onde estão incluídos “grandes êxitos da música nacional, internacional e intemporal”

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CULTURA / Mês do teatro assinalado em Abrantes

AGENDA / Abrantes Até 11 de março – Feira de São Matias – Aquapolis Margem Sul Até 30 de abril – Mostra documental sobre a Igreja de São João Baptista – Arquivo Municipal Eduardo Campos, de segunda-feira a sexta-feira, das 9:00 às 12:30 e das 14:00 às 17:30 Até 20 de maio – Exposição “O espaço da religião” – Museu D. Lopo de Almeida, Castelo, de terça-feira a domingo, das 9:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:00 Até 31 de maio – Exposição “Um Mundo de Insetos” – Parque Tejo, de segunda-feira a domingo, das 09:00 às 20:00 9 de março – Teatro “Porta a Porta” com Sofia Alves e João de Carvalho – Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, 21:30 (5€)

No mês em que se assinala o Dia Mundial do Teatro (27 de março), o Município de Abrantes centra a sua programação cultural na apresentação de várias peças de teatro. “Porta a Porta” sobe ao palco do auditório da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, no dia 9 de março, e tem como protagonistas Sofia Alves e João de Carvalho, que vestem a pele de Rute e Tony, respetivamente. A comédia, escrita por Lázaro Matheus, conta a história de Rute, uma mulher independente, que resolve comprar um apar-

tamento novo. Tudo parece estar bem, quando percebe que é Tony que vai ocupar o apartamento ao lado do seu e os problemas acabam por surgir logo no primeiro encontro… O FNATES - Festival Nacional de Teatro Especial, promovido pelo Centro de Recuperação e Integração de Abrantes (CRIA), decorre entre 21 e 23 de fevereiro, nos auditórios das Escolas Secundárias Dr. Solano de Abreu e Dr. Manuel Fernandes. Este é um evento que envolve grupos de teatro constituídos por atores com deficiência, como forma de

combater o preconceito e a discriminação face à diferença. É neste sentido que será apresentada igualmente no auditório da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, no dia 23 de fevereiro, o espetáculo “Olívia e Eugénio, uma lição de amor”, com o elenco composto por Rita Ribeiro, Tomás de Almeida e Nuno Rodrigues, dois atores com Síndrome de Down. Nesta peça de teatro, mãe e filho enfrentam uma situação extrema onde se questiona a definição de normalidade.

Sérgio Godinho apresenta livro “Coração mais que perfeito” O músico Sérgio Godinho estará em Abrantes, no dia 22 de março, para apresentar o romance “Coração mais que perfeito”. Integrada na iniciativa “Entre nós e as palavras”, a sessão terá lugar na Biblioteca Municipal António Botto, pelas 21:30. Apesar de ser conhecido sobretudo pelos discos, que edita desde

a década de 1970, Sérgio Godinho tem canalizado a escrita criativa por outros géneros, como teatro, argumento para cinema, ficção para crianças, poesia e contos. “Coração Mais que Perfeito” surge depois do livro de contos “Vidadupla” (2014) e do de poesia “O Sangue por um Fio” (2009).

Garantia Agrícola), o mais fecundo arquivo para a realização do seu presente trabalho. A partir dele João Seguro criou um livro, que regista fotograficamente a sua viagem a esse mundo inacessível, e as peças de escultura-instalação que apresenta nesta exposição. João Seguro nasceu em 1979. Vive e trabalha em Lisboa. É Licenciado em Pintura pela Universidade de Lisboa, possui um Mestrado em Artes-Plásticas pelo

Chelsea College of Art & Design, da University of the Arts London, em Londres. Em 2005, foi nomeado vencedor do prémio BES Revelação, Banco Espírito Santo/Museu de Serralves, Porto, tendo realizado, em 2004, uma residência artística na Budapest Galéria. A exposição pode ser visitada na Galeria do Parque, de quarta a sexta-feira, das 11h00 às 13h00 e das 15h00 às 18h00, ao sábado e domingo das 15h00 às 18h00.

24 de março – “Bebeteca ao sábado: ler antes de ser” sobre “Leitura com mimos” - Biblioteca Municipal António Botto, 10:30 24 de março – Conversas sobre Folclore e Etnografia –Salão do recinto de Festas de Vale das Mós, 15:00 24 de março a 30 de junho – Exposição “Um artista da coleção Figueiredo Ribeiro. Henrique Vieira Ribeiro” – Galeria de Arte Contemporânea 31 de março – “Bravo Abrantes” com Orquestra Sinfónica Juvenil – Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, 21:30

Constância Até 3 de março – Exposição “Eyes on the Future”, fotografia de Ana Cameira – Antiga Cadeia 4 de março – Domingo de Praça – Recriação do antigo mercado com venda de produtos agrícolas – Praça Alexandre Herculano

10 de março – Sabores do Mercado sobre “Quando a nutrição se encontra com cogumelos”, com Mariana Torres e Rodolfo Delgado – Mercado Municipal, 10:30

25 de março – Passeio Pedestre “Conhecer Árvores e Arbustos nas Grandes Rotas do Zêzere e Tejo – Local de concentração Posto de Turismo, 13:30

10 de março – “A Biblioteca ao Sábado” com “Três com Tango” – Biblioteca Municipal António Botto, 10:30 e 11:30

31 de março, 1 e 2 de abril – Festas do Concelho/Festa de Nossa Senhora da Boa Viagem

13 a 16 de março – Jornadas da Educação sobre “A Educação do Futuro e o Futuro da Educação” – Escolas Secundárias Dr. Solano de Abreu e Dr. Manuel Fernandes 13 de março – Baile com Diego Miguellis – Salão Paroquial de Aldeia do Mato, 15:00

Exposição “A terceira margem e as ruínas circulares” em Vila Nova da Barquinha A Galeria do Parque, em Vila Nova da Barquinha, tem patente até 27 de maio, a exposição “A terceira margem e as ruínas circulares”, da autoria de João Seguro. O autor trabalhou algumas semanas nas Residências de Verão em Vila Nova da Barquinha, em 2017. Deambulando pela vila e margens do rio em busca de objetos inesperados encontrou, no armazém do antigo INGA (Instituto Nacional de Investigação e

9 de março – Cadernos de Viagem de Abrantes com desenho, literatura, fotografia, vídeo, jornalismo e multimédia – Biblioteca Municipal António Botto

24 de março – Sons no Mercado com Banda Filarmónica Alveguense – Mercado Municipal, 9:30

15 de março – Poesia e teatro para a infância com “Andante (des) concertante” - Biblioteca Municipal António Botto, 10:30 15 de março – Encontro com o autor Jorge Marques Gomes – Apresentação do livro “Exílios” – Biblioteca Municipal António Botto, 18:00 17 de março – Sabores c/ Conto e Medida – Ovos da páscoa com Just Natural Please – Mercado Municipal, 10:30 17 de março – Jogos Tradicionais – Sede Social de Rio de Moinhos, 10:00 17 de março – Recital de Música Clássica com José Horta – Igreja Paroquial N. Sra. Da Conceição, Rossio ao Sul do Tejo, 21:30 21 de março – Comemoração do Dia Internacional das Florestas, Parque Tejo, 10:00 21 a 23 de março – FNATES – Festival Nacional de Teatro Especial – Escolas Secundárias Dr. Solano de Abreu e Dr. Manuel Fernandes 22 de março – “Entre nós e as palavras” com Sérgio Godinho – Apresentação do livro “Coração mais que perfeito” - Biblioteca Municipal António Botto, 21:30 23 de março – Teatro “Olívia e Eugénio, uma lição de amor”, com Rita Ribeiro e Nuno Rodrigues/Tomás de Almeiro – Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes, 21:30 (5€)

Mação 26 a 31 de março – Semana Santa 30 de março – “À conversa com…” – Centro Cultural Elvino Pereira, 21:00 29, 30 e 31 de março – Semana Académica e da Juventude com concertos, palestra, desporto

Sardoal Até 16 de março – Exposição e Roteiro das “Árvores Emblemáticas do Concelho de Sardoal” - Espaço Cá da Terra 29 de março a 1 de abril – Semana Santa

Vila de Rei Até 20 de maio – Exposição “A Arte da Renda” – Museu Municipal, de quartafeira a domingo, 9:30 às 12:30 e das 14:00 às 17:00 17 a 25 de março – 11.º Festival Gastronómico do Bacalhau e do Azeite – Restaurantes aderentes do concelho

Vila Nova da Barquinha Até 25 de março – XXIV Mês do Sável e da Lampreia – Mostra gastronómica – Restaurantes aderentes do concelho Até 27 de maio – Exposição “A terceira margem e as ruinas circulares”, de João Seguro – Galeria do Parque 10 de março – Ateliers para crianças – Centro de Estudos de Arte Contemporânea, 10:00 24 de março – Vozes do Fado com Rodrigo Costa Félix, Catarina Rosa, Rita Inácio, Carlos Leitão e Carla Arruda – Clube União de Recreios, Moita do Norte, 21:30 março 2018 / jornal de abrantes

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ISABEL LUZEIRO

Médica Neurologista/Neurofisiologista Especialista nos Hospitais de Universidade de Coimbra

Consulta de Neurologia, Dor, Patologia do Sono, Electroencefalograma (EEG) e Exames do Sono Centro Médico e Enfermagem de Abrantes Largo S. João n.º 1 - 2200 - 350 ABRANTES Tel.: 241 371 690

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241 371 566

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JA - Edição de março de 2018  

Jornal de Abrantes, Sardoal, Mação, Vila de Rei, Constância e VN Barquinha

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