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NOVEMBRO 2013 · Diretora HÁLIA COSTA SANTOS · MENSAL · Nº 5513 · ANO 114 · DISTRIBUIÇÃO GRATUITA

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de

jornal abrantes

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Mação, Sardoal, Vila de Rei, Abrantes, Constância e Vila Nova da Barquinha

Riquezas patrimoniais, ambientais e gastronómicas do Médio Tejo vão a votos

CM ABT Fernando Baio

Págs. 12 e 13

ENTREVISTA

JUSTIÇA

SOCIEDADE

Cónego Emanuel Silva, o novo vice-reitor de Fátima

“Desconsideração” pelo interior é o entendimento dos autarcas

Caima anuncia investimento de 35 milhões de euros na área do têxtil

Aos 47 anos, o Cónego Emanuel Silva foi escolhido para ser vice-reitor de Fátima, lugar que não era ocupado há alguns anos. Recebeu o convite com um misto de surpresa, inquietação, serenidade e confiança. Este abrantino, que já colaborava com o Santuário, estará diretamente envolvido nas comemorações do Centenário das Aparições: uma “ocasião de fazer Fátima ‘dizer alto’ o cerne de esperança da sua mensagem”. Pág. 3

Os presidentes das autarquias de Mação e de Vila de Rei repudiam o fecho dos respetivos tribunais. Maria do Céu Albuquerque considera “lamentável que um imenso território a norte do distrito fique a descoberto” e critica a transferência dos Tribunais de Trabalho e de Família e Menores do seu concelho, Abrantes, para Tomar. Por outro lado, concelhos como Constância, Mação, Sardoal e Vila de Rei podem vir a perder as repartições de Finanças. Págs. 4 e 6

A fábrica de celulose do Caima, uma das três unidades da Altri, vai trocar a produção da pasta de papel por pasta solúvel usada na indústria têxtil, uma aposta direcionada para o mercado chinês. A fábrica está em fase de testes para atingir o grau de pureza e requisitos do novo produto. A reconversão da unidade não irá afetar o fabrico da pasta de papel até à altura em que começar a nova produção.

ESPECIAL PRODUTOS REGIONAIS A produção dos produtos regionais no Médio Tejo tem representado uma economia que procura vingar bem como salvaguardar o melhor da tradição. Por alguns concelhos encontram-se casas estruturantes que já têm produções industriais, outras que assumem apenas um caráter artesanal. Nesta edição, fomos à procura de alguns desses exemplos. Págs. 14 a 17

Pág. 9 Publicidade


2 ABERTURA FOTO DO MÊS

EDITORIAL

de

jornal abrantes

NOVEMBRO 2013

FICHA TÉCNICA Diretora Hália Costa Santos (TE-865) halia.santos@lenacomunicacao.pt

Redação Joana Margarida Carvalho (CP.9319) joana.carvalho@lenacomunicacao.pt

Mário Rui Fonseca (CP.4306) mario.fonseca@lenacomunicacao.pt

Colaboradores Alves Jana, André Lopes, Francisco Rocha e Paulo Delgado

Publicidade Miguel Ângelo 962 108 785 miguel.angelo@lenacomunicacao.pt

Secretariado Isabel Colaço

Produção gráfica Semanário REGIÃO DE LEIRIA

Design gráfico

Dezenas de abrantinos e abrantinas participaram, no dia 30 de outubro, num lançamento de balões cor de rosa, iniciativa que pretendeu “elevar a mensagem de sensibilização para importância do rastreio precoce do cancro da mama”. A ideia partiu do movimento “Vencer e Viver”, que é constituído por um grupo de mulheres sobreviventes ao cancro de mama. Tal como aconteceu em cinco outras cidades, às 12h00, o céu de Abrantes ficou, momentaneamente, colorido de rosa. Minutos antes, pessoas de todas as idades receberam os seus balões, que depois foram lançados em simultâneo. Várias entidades se envolveram nesta iniciativa para assinalar o Dia Nacional de Prevenção do Cancro de Mama, nomeadamente o núcleo de Abrantes da Liga Portuguesa Contra o Cancro, a Unidade de Saúde Pública do Agrupamento dos Centros de Saúde do Médio Tejo e a Câmara Municipal de Abrantes. Juntas, estas entidades e os seus representantes quiseram chamar a atenção para a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de uma doença que pode atingir qualquer pessoa. Que não se pense que “só acontece aos outros” (ver página 20).

António Vieira

Impressão Grafedisport, S.A.

Contactos Tel: 241 360 170 Fax: 241 360 179 jornaldeabrantes @lenacomunicacao.pt

Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda. Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65 2204-909 Abrantes

GERÊNCIA Francisco Rebelo dos Santos, Joaquim Paulo Cordeiro da Conceição e Paulo Miguel Gonçalves da Silva Reis. Departamento Financeiro Ângela Gil (Direção) Catarina Branquinho, Gabriela Alves info@lenacomunicacao.pt

INQUÉRITO

Com o frio a chegar vai renovar o seu guarda-roupa ou recuperar algumas peças?

Gonçalo Quintas

Telma Dias, 50 anos, proprietária de

Lurdes Frias, 47 anos, operacional

23 anos, estudante universitário, Espinho

um estabelecimento comercial, Abrantes

de ação médica, Tomar

Com a chegada do Inverno, não tenciono comprar roupa nova mas sim renovar e reutilizar a roupa que utilizava nos anos anteriores. Talvez comprar um novo cachecol, um novo guarda-chuva, que perco-os sempre, mas tirando isso normalmente reutilizo a roupa que usava nos anos anteriores. Decido ir ao sótão buscar a roupa antiga ao baú e reutilizá-la.

Relativamente ao meu guardaroupa, continuarei a usar a roupa dos anos anteriores porque considero-me uma pessoa com bom gosto e que consegue dar a volta ao vestuário que tenho, usando -o de várias formas e dando-lhe nuances diferentes. Como toda as pessoas sabem, a vida não está nada fácil e por isso mesmo continuarei a usar as minhas roupas.

“Sim, vou utilizar a roupa dos anos anteriores porque não há dinheiro para gastar. Neste momento de crise é um bocadinho complicado para comprar outras, portanto irei recorrer às roupas que já tenho de outros invernos e terá de ser assim”.

IDADE 39 RESIDÊNCIA Abrantes PROFISSÃO Empresário / Produtor de Espetáculos UMA POVOAÇÃO Aldeia do Mato

UM FILME O Fabuloso Destino de Amélie UMA VIAGEM Nova Iorque UMA FIGURA DA HISTÓRIA Martin Luther King UM MOMENTO MARCANTE Quando fiz trinta anos UM PROVÉRBIO Mais vale tarde do que nunca UM SONHO Realizar os meus sonhos UMA PROPOSTA PARA UM DIA DIFERENTE NA REGIÃO Picnic no Castelo de Abrantes

SUGESTÕES

Sistemas Informação Hugo Monteiro dsi@enacomunicacao.pt Tiragem 15.000 exemplares Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo no ICS: 124617 Nº Contribuinte: 505 500 094 Sócios com mais de 10% de capital Lena Comunicação SGPS, S.A.

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Nuno Madeiras

UM CAFÉ Chave D’ouro PRATO PREFERIDO Cozido à Portuguesa UM RECANTO PARA DESCOBRIR Miradouro da Pedreira, Porto Santo UM DISCO Joy Divison - Closer

Não se pode aceitar o que não se compreende Por muito que se queira viver no interior, por muito que se tenha qualidade de vida na maioria dos concelhos desta região, as ordens que vêm da capital são cada vez mais penalizadoras. Os autarcas falam em discriminação e criticam as opções centrais, mesmo quando são da mesma cor política. Porque neste, como em muitos outros assuntos, mais do que os partidos, o que realmente importa são as pessoas. E essas continuam a ser mais atingidas do que quem mora em grandes centros urbanos. Há anos que quem tem responsabilidades no interior do país chama a atenção para o problema da desertificação e para uma realidade que se chama envelhecimento. Fez-se de quase tudo para atrair gente para o interior. A maioria dos serviços públicos tem qualidade e, para os tempos de lazer, há muitas opções agradáveis. Mas não chega. As pessoas precisam de sentir que estão em igualdade de circunstâncias com os restantes portugueses. Se pagam os mesmos impostos, devem ter acesso aos mesmos serviços nas mesmas condições. É preciso dar sinais de que as coisas não vão morrer. As pessoas precisam de acreditar que há futuro no interior. Mas como é que isto se faz se num dia lhes tiram serviços de saúde, a seguir lhes tiram o acesso aos tribunais e depois os mandam tratar das finanças para outro lado? Se ao menos nos mostrassem números concretos destas alegadas poupanças… Se ao menos nos mostrassem que outros cortes também estão a ser feitos noutros sítios… O certo é que ninguém pode aceitar o que não compreende. Hália Costa Santos

Nota: Na edição anterior, o Jornal de Abrantes escreveu, erradamente, o nome de um vereador que tomou posse como vereador no concelho de Mação. Em vez de Rodrigo Marques deveria ter sido escrito Vasco Marques, o nome correto do vereador em causa. Ao visado e aos leitores, o Jornal de Abrantes apresenta as suas desculpas.


ENTREVISTA 3

NOVEMBRO 2013

CÓNEGO EMANUEL SILVA, ABRANTINO, RECENTEMENTE NOMEADO VICE-REITOR DO SANTUÁRIO DE FÁTIMA

HÁLIA COSTA SANTOS

Quando nasceu, em Abrantes, há 47 anos, era simplesmente Emanuel André Matos e Silva. Foi o segundo de três irmãos. Fez o “ensino primário” na Escola dos Quinchosos e o “ciclo preparatório” na Escola D. Miguel de Almeida. Viveu, depois, com os Pais e os Irmãos, em Tomar, onde fez o “ensino secundário” até ao 9º ano. Em outubro de 1982, o jovem Emanuel começou a traçar o seu destino, entrando no Seminário de Portalegre e no Colégio Diocesano de Sto. António da mesma cidade. Depois entrou nos Seminários da Diocese de Lisboa (Almada e Olivais) e na Faculdade de Teologia da Universidade Católica Portuguesa. Em julho de 1991 foi ordenado padre e continuou a sua formação. Em 1993 foi nomeado diretor espiritual do Seminário Maior de Coimbra e docente do Instituto Superior de Teologia de Coimbra. Em 2010 foi nomeado pároco da Sé de Castelo Branco e dois anos depois foi convidado a colaborar a tempo inteiro com Santuário de Fátima. Em entrevista por email (de acordo com a antiga ortografia), o Cónego Emanuel explica que recebeu o convite para ser vice-reitor do Santuário de Fátima com “surpresa”, “inquietação” e “confiança”. Nas linhas que se seguem, há também mensagens para os jovens e para quem está em dificuldades económicas.

Como foi a sua infância e juventude em Abrantes? Considero-as uma infância e uma juventude absolutamente normais. Foi a experiência de crescer com a família, sempre cristã, com os amigos, a escola, os escuteiros, a catequese. Foi a experiência normalíssima das interrogações e das correções, dos receios e das superações, das ansiedades e das conquistas. Tendo tido uma parte da sua vida em contacto direto com jovens em formação, quais são as mensagens que considera importante passar à juventude atual? Uma das mensagens que considero mais importante passar aos jovens de hoje é a da “autenticidade” e “honestidade intelectual” (a nível conceptual, emocional, teórico e prático) na abordagem de todas as coisas. Falar de “sentido da vida” é sempre falar de uma direção em que se empreende caminho. Para haver sentido e direção é necessário haver finalidades (Para quê? Para onde?). É necessário ser ousado para dar à vida de todos os dias a finalidade que lhe cabe e que ela merece. E é necessário ser corajoso para não aceitar trocar essa finalidade por qualquer coisa sem jeito e sem valor. É muito importante ser capaz de dar nome às finalidades da vida. O que é o que motiva, diariamente, no exercício das suas responsabilidades? Motiva-me e fortalece-me a fidelidade à finalidade da vida como felicidade: “acordar vivo” é um imenso

dom que agradeço e retribuo a Deus. Motiva-me saber que uma pessoa pode fazer a diferença. Motiva-me o poder juntar a minha insignificância a outras “insignificâncias” na possibilidade da construção da comunidade. Como recebeu o convite para desempenhar as funções de vicereitor do Santuário de Fátima? Com a surpresa de quem acha que está a ser convidado para trabalhar acima das suas capacidades e, por isso, também com alguma inquietação. Mas também com a confiança e a serenidade de quem percebe que é conhecido (nas suas limitações e nas suas capacidades) por quem o convidou. E, por isso, com muita liberdade. Qual o significado de colaborar com o Santuário de Fátima, sobretudo com estas novas funções? Fátima é, para mim, lugar vocação e de peregrinação há muito tempo. Depois, quando trabalhei em Coimbra, comecei também a colaborar com algumas atividades do Santuário e, mais recentemente, com a preparação da celebração do centenário das aparições. Agora, embora com outras responsabilidades, continuo a integrar-me numa equipa de trabalho mais vasta, alargada e diversificada. E, sobretudo, a trabalhar em equipa. As novas funções surgem no horizonte do serviço aos peregrinos e estão relacionadas com a ampliação do plano de atuação do Santuário. “O Santuário de Fátima – como afirmou o Reitor

DR

“A mensagem de Fátima pode ser lida como o triunfo do amor nos dramas da história” • “Motiva-me saber que uma pessoa pode fazer a diferença” na data da nomeação do vice reitor - tem alargado progressivamente o seu campo de ação. Hoje, as exigências são claramente mais extensas do que eram antes. A celebração do Centenário das Aparições representa um acréscimo significativo de atividades e de campos de ação, mas também um acréscimo de aspetos da ação pastoral do Santuário que pensamos ser nosso dever continuar no futuro”. O que é que os peregrinos podem esperar das comemorações do centenário das Aparições? Os primeiros destinatários e, muitas vezes até, os primeiros agentes de tudo o que a celebração do centenário está a envolver são os próprios peregrinos. São eles que “constroem” o Santuário e são eles o grande motivo da atenção do Santuário (as suas razões, as suas experiências, as suas vidas, as suas peregrinações, as suas dificuldades, as suas esperanças). A celebração do centenário é, por isso, também a ocasião de fazer Fátima “dizer alto” o cerne de esperança da sua mensagem. A mensagem de Fátima aparece e pode ser lida como o triunfo do amor nos dramas da história, uma expressão da misericórdia de Deus, um eco do Evangelho para o nosso tempo, uma mensagem que se “destina de modo particular aos homens do nosso século, marcado pelas guerras, pelo ódio, pela violação dos direitos fundamentais do homem, pelo enorme sofrimento

de homens e nações e, por fim, pela luta contra Deus até à negação da sua existência”. Na atual conjuntura económica e social, que mensagem é que se pode deixar às pessoas que estão a passar por dificuldades? Uma mensagem de profundo respeito pelo valor maior da sua dignidade, uma mensagem de necessidade de construir todos os dias uma esperança lúcida, uma mensagem de compromisso comum e conjunto. Com consequências muito palpáveis e experimentadas ao nível económico, financeiro e social (que deixaram a descoberto, sobretudo, os mais vulneráveis), a atual conjuntura coloca-nos a todos diante do nosso próprio reflexo. Existem responsabilidades pessoais, é evidente. Mas também existem modelos de conceção e construção humana que reclamam, transversalmente, dos vários agentes sociais, políticos, económicos e até religiosos, a coragem lúcida de reforma e de mudança. Os postulados religiosos “não resolveram” o problema do homem, dirão alguns. Nem os postulados ateístas, responderão outros. O que pode significar que ambos são instrumentos de uma finalidade maior do que eles próprios, o Homem. Nota: Esta entrevista tem uma versão mais alongada que será disponibilizada no site da Antena Livre (www.antenalivre.pt)

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4 JUSTIÇA

NOVEMBRO 2013

MAPA JUDICIÁRIO

Câmaras de Mação e Ferreira do Zêzere (PSD) repudiam extinção de tribunais Os presidentes das Câmaras de Mação e Ferreira do Zêzere, Vasco Estrela e Jacinto Lopes, ambos eleitos pelo PSD, afirmaram repudiar o fecho dos respetivos tribunais, considerando a medida discriminadora para estes concelhos do interior do país. “Esta decisão, a concretizar-se, terá como significado [estarmos perante] mais um dia triste e muito negro para Mação, na medida em que é uma opção desnecessária e reveladora de desconsideração para com os municípios mais sujeitos às adversidades da interioridade”, disse o presidente da Câmara de Mação, Vasco Estrela. “Lamento e repudio esta decisão, porque temos um concelho muito disperso e com população muito envelhecida, que vai ficar a mais de uma hora de viagem do tribunal de referência, e porque não entendo como possa esta medida ajudar o país na

consolidação das contas públicas”, vincou. “A decisão diminui a nossa autoestima e revela que se olha mais para os números do que para as pessoas, já de si sacrificadas com o peso da interioridade e desertificação”, acrescentou Estrela. Jacinto Lopes, presidente

da Câmara Municipal de Ferreira do Zêzere, disse por sua vez que o concelho que preside “continua a ser discriminado pela negativa”, tendo afirmado que, com esta medida, “é dificultado o acesso à justiça e acentua-se a dicotomia entre os portugueses de primeira e os portugueses de

segunda”. “É com imensa tristeza que vejo Ferreira do Zêzere perder o acesso direto a um serviço e um símbolo de soberania, mais a mais numa medida que não vai poupar dinheiro ao Estado. Não faz sentido”, notou. A última proposta do Mi-

nistério da Justiça para a Reforma Judiciária, a que a Lusa teve acesso dia 22 de outubro, mantém a extinção de quase meia centena de tribunais, entre eles o de Mação e Ferreira do Zêzere, e algumas varas criminais em Abrantes, como o Tribunal do Trabalho, e de Família e Menores, e criando secções de proximidade em Alcanena e Golegã, todos no distrito de Santarém. Uma medida que também não agradou à presidente da Câmara Municipal de Abrantes, tendo Maria do Céu Albuquerque (PS) afirmado ao JA ser “lamentável que um imenso território a norte do distrito fique a descoberto e bastante desprotegido em relação aos serviços de justiça de proximidade”, tendo apontado para os concelhos de Mação, Sardoal e Ferreira do Zêzere. “E em Abrantes não faz sentido retirar o Tribunal de Tra-

balho e o de Família e Menores e transferi-los para Tomar, quando aqui laboravam em espaços próprios condignos e quando, em Tomar, não existem instalações próprias para o efeito, o que vai obrigar a obras e a investimentos”, notou. A última proposta do Ministério da Justiça sobre o Regime de Organização e Funcionamento dos Tribunais Judiciais mantém a extinção de quase meia centena de tribunais com algumas alterações dos concelhos visados e a substituição por mais secções de proximidade. O documento aponta para a extinção de 47 tribunais, menos dois do que a proposta conhecida há um ano, um número que contempla os que encerram definitivamente e aqueles que serão substituídos por secções de proximidade.

ximo Ferreira por este ter declarado que reunia as condições legais para ser candidato a presidente de Câmara, nas eleições autárquicas de 2009. Pela relação de trabalho que tinha para com a Câmara, o Ministério Público entende que não as reunia. Foi em outubro de 2009 que o Partido Socialista de Constância expôs ao Ministério Público a situação de “desigualdade de tratamento” face à candidatura de Máximo Ferreira (candidato e vencedor pela CDU em 2009), lembrando que este era sócio-gerente da empresa que geria as atividades do Centro Ciência Viva de Constância, um equipamento municipal. A concelhia socialista de Constância, através do seu presidente, Marco Gomes, disse ao JA que “a dedução

de acusação pelo Ministério Público resulta de investigações a matéria de facto e não em inverdades, insinuações e calúnias, de que fomos acusados pela CDU”. “Máximo Ferreira não reunia as condições para ser o candidato pela CDU nas autárquicas de 2009 e foi elaborado à margem da Lei um contrato público exclusivamente para benefício de Máximo Ferreira, com a colaboração dos outros arguidos. O que queremos é que seja reposta a verdade e a justiça seja feita”, vincou. A moldura penal para os casos de prevaricação e falsas declarações é de pena de prisão de dois a seis anos.

Mário Rui Fonseca

O Tribunal Judicial de Abrantes vai começar a julgar no dia 26 de novembro o presidente cessante da Câmara Municipal de Constância, Máximo Ferreira, o atual presidente da Assembleia Municipal, António Mendes (CDU), e um chefe de Divisão de Administração e Finanças da autarquia, Francisco Caipirra, acusados de um crime de prevaricação e de falsas declarações. A concelhia do PS de Constância, assistente no processo, foi quem denunciou as alegadas irregularidades, tendo os autarcas sido posteriormente acusados pelo Ministério Público da prática de crime de prevaricação e falsas declarações, em coautoria, num caso relacionado com um procedimento concursal aberto pela Câmara de

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Mário Rui Fonseca

Autarcas de Constância vão a Tribunal pelo crime de prevaricação

• Máximo Ferreira, à esquerda, é um dos acusados pelo Ministério Público Constância para a prestação de serviços, conceção e coordenação de atividades no Centro Ciência Viva de Constância. Após concurso realizado em 2007, o Centro de Ciência

passou a ser gerido por uma empresa de Máximo Ferreira (à altura, ainda fora das vida política) e da qual era sóciogerente. O astrónomo, sendo aposentado, não podia continuar a colaborar com o mu-

nicípio em regime de avença. Para o processo contaram as perícias informáticas feitas pela Polícia Judiciária. O Ministério Público deduziu ainda acusação de crime de falsas declarações a Má-

Mário Rui Fonseca


ECONOMIA 5

NOVEMBRO 2013

Rede de defesa diz que memorando espanhol viola legislação sobre água A Rede Cidadã para uma Nova Cultura da Água no Tejo/Tajo defendeu a intervenção da União Europeia sobre um memorando de entendimento assinado por algumas regiões espanholas, alegando que viola a legislação europeia sobre a água. Os membros da Rede Cidadã – pessoas ou grupos portugueses e espanhóis – rejeitaram o conteúdo do memorando subscrito pelas regiões de Múrcia, Comunidade Valenciana e CastelaMancha e o Ministério da Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente em relação à continuidade do Transvase Tejo-Segura, em Espanha. O porta-voz do Movimento pelo Tejo – ProTejo, Paulo Constantino, disse que o documento “cancela a participação pública, o processo de

planificação da bacia do Tejo, e deixa aos defensores dos transvases e ao Ministério espanhol todas as decisões relativas aos transvases do Tejo e ao seu tramo médio”, até Talavera de la Reina.

Além disso, observou, “a sua introdução como uma emenda ao Projeto de Lei de Avaliação de Impacto Ambiental é um sinal de desprezo da atual legislação ambiental do Governo espanhol”.

“Este memorando não passa de uma artimanha, a criação de uma lei de subterfúgio para que não se cumpra a Diretiva Quadro da Água da União Europeia”, alegou o dirigente associativo,

NERSANT PROMOVE TRÊS MISSÕES EMPRESARIAIS

Aposta na internacionalização em Cabo Verde, Marrocos e Moçambique No âmbito da sua política de promoção da internacionalização do tecido empresarial da região do Ribatejo, a NERSANT - Associação Empresarial da Região de Santarém está a preparar a realização de três missões empresariais até ao final do presente ano, a Cabo verde, Marrocos e Moçambique. A NERSANT aposta cada vez mais em ações de apoio à internacionalização das suas empresas associadas, que se traduzem quer na realização de missões empresariais a

países emergentes, quer na receção de delegações empresariais de diversos países. Até ao final de 2013, a NERSANT vai acrescentar às ações de internacionalização já promovidas a realização de mais três missões empresariais, centradas no continente africano. A associação empresarial vai liderar estas viagens de negócio, responsabilizando-se por toda a parte logística e de programação das missões, que inclui a marcação de reuniões institucionais e com empresas locais.

Entre os dias 19 e 25 de novembro, a NERSANT vai estar em Cabo Verde, numa ação de internacionalização que inclui ainda a participação na FIC – Feira Internacional de Cabo Verde. Em dezembro, entre os dias 03 e 08, vai realizar-se uma nova missão empresarial a Marrocos, que incidirá especificamente na cidade de Casablanca. Nesta ação as empresas participantes, para além dos contactos previamente agendados, terão ainda a oportunidade de participar, em

stand conjunto, na Mabuild, feira especializada no setor da construção que se realiza em Casablanca de 05 a 08 de Dezembro. O calendário de ações NERSANT para 2013 termina com a realização, de 08 a 15 de dezembro, da Missão Empresarial a Moçambique / Encontro Internacional de Negócios da Beira, evento que tem como principal objetivo promover a realização de negócios entre este país e a região do Ribatejo.

notando que todas as associações envolvidas na Rede Cidadã “continuam a bater-se para que a água do Tejo flua livremente até à sua foz”, em Lisboa. Segundo o representante, o memorando não garante a recuperação ambiental do Tejo e não protege os seus interesses, já que o rio vai ter “ainda menos água”. “A União Europeia deve intervir e fazer respeitar as necessidades e prioridades a toda a bacia do rio Tejo, inscritas, aliás, na Diretiva Quadro da Água da União Europeia em vigor”, defendeu o responsável do ProTejo.

Uma centena de cidadãos a vogar contra a indiferença

portugueses e espanhóis de diversas organizações da Rede do Tejo / Red del Tajo reuniram-se no fim de semana de 19 e 20 de outubro para marcar a quarta edição da descida de canoagem “Vogar Contra a Indiferença”. Este ano, o protesto reivindicativo partiu navegando pelo Tejo e atravessando as emblemáticas Portas de Ródão entre os distritos de Castelo Branco e Portalegre. A ausência de caudais, as descargas poluentes, a potencial exploração de urânio fronteiriça e a regulação excessiva do rio, causada pela exploração hidroelétrica, são os principais problemas do Tejo em Portugal. Mário Rui Fonseca

Mais de uma centena de

Azeite Private Collection em garrafa de espumante A Casa Anadia, sediada na localidade de Alferrarede, concelho de Abrantes lançou recentemente, uma edição especial do azeite Private Collection numa garrafa de espumante, a primeira em todo o mundo. Já disponível para esta época de natal, trata-se de uma edição especial que utiliza garrafas de espumante premium, fechadas e seladas com rolha de cortiça e musulet de arame, originais do espumante. Segundo a Casa Anadia, este azeite já foi premiado com três medalhas, incluindo uma de ouro no New

York internacional Olive Oil Competition e é um azeite de qualidade superior, muito complexo e frutado, medianamente amargo, picante e muito persistente na boca.

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6 SOCIEDADE

NOVEMBRO 2013

As mais recentes notícias indicam que podem fechar 154 repartições de finanças em todo o país, e o próprio Sindicato dos Trabalhadores dos Impostos prevê o encerramento de 154 repartições de impostos. O cálculo foi feito cruzando as necessidades de serviço e o pessoal existente em cada repartição. No caso concreto do distrito de Santarém, estes serviços podem sofrer uma redução até aos 42,86%, sendo que os concelhos que podem vir a perder repartição de finanças são os de Alpiarça, Chamusca, Constância, Coruche, Ferreira do Zêzere, Golegã, Mação, Rio Maior e Sardoal. Também Vila de Rei, no distrito de Castelo Branco, e Gavião, já em Portalegre, estão igualmente na lista dos possíveis municípios que vão perder o serviço. Esta reorganização, que prevê o fecho de cerca de 50% das repartições, vai levar populações do interior a percorrer grandes distâncias. Os autarcas de Vila de Rei, Mação e Sardoal apelam a um “bom

Paulo Sousa

Finanças: Governo pode encerrar 154 Repartições em todo o país, 11 das quais na nossa região

senso” por parte do Governo, para que ouçam os municípios envolvidos no processo. Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal, explicou ao JA que, apesar de uma prevista reorganização, a informação que chegou a Mação é de que “irá manter-se um posto de atendimento e de serviço ao público para as questões ligadas às finanças”. O autarca lembrou que Mação é um concelho “disperso, envelhecido e com uma população que não acede facil-

mente à internet”. Para Vasco Estrela, os governantes devem ouvir os autarcas que representam os territórios: “O que peço é que este Governo tenha a coragem de falar com as pessoas e com os autarcas, é necessário auscultar para que não haja penalizações para ninguém.” Por seu lado, Miguel Borges, presidente da Câmara Municipal de Sardoal, afirmou que “a Câmara não tem informação oficial que o serviço irá encerrar e caso aconteça ha-

verá uma interligação com os municípios”, admitindo que “este é compromisso garantido pelo Governo”. “Temos consciência que terá de haver uma reorganizar neste âmbito devido aos compromissos com a Troika, contudo nada nos diz que haverá um encerramento total dos serviços. Deverá manterse um serviço de finanças que assegure as necessidades dos munícipes no dia-a-dia”, vincou. Já Ricardo Aires, presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, apelou ao “bom senso” dos governantes do país no que diz respeito a este serviço, referindo que espera que o governo consiga encontrar uma solução uma vez que “não poderá haver um corte cego nas repartições de finanças, nomeadamente nos concelhos interiores do país, como é o caso de Vila de Rei. Estamos cá para trabalhar e encontrar uma solução conjunta”. Joana Margarida Carvalho e Mário Rui Fonseca

Paróquia de Abrantes conclui investimento de 2,3 milhões de euros em novo lar de idosos O Centro Social Interparoquial de Abrantes anunciou a conclusão da construção de um lar de idosos com capacidade para 72 utentes, uma obra que implicou um investimento de 2,3 milhões de euros, valor comparticipado em 60% por fundos comunitários. Com a entrada de funcionamento em pleno prevista para o mês de dezembro, o Lar de Idosos ‘Domus Pacis’ - Casa da Paz -, do Centro Social Interparoquial de Abrantes, foi construído na Encosta da Barata, em Abrantes, numa área 10.500.00 metros quadrados. O novo Lar de Idosos tem quatro pisos, sendo que o

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piso do rés-do-chão se destina à receção, área de direção e dos serviços administrativos, cozinha, área de refeições, estar, atividades e área de saúde. O piso da cave contempla as áreas das ins-

talações de pessoal, serviços, lavandaria, apoio domiciliário, área técnica e um ginásio. Nos pisos do 1º e 2º andares distribuem-se as áreas de quartos e higiene pessoal, sa-

las de atividades, salas de banho de ajuda, salas de sujos e rouparia. Com quartos individuais, duplos e triplos divididos pelos andares superiores, foram construídos dois elevadores para deslocação entre pisos. Com a abertura do equipamento à comunidade e início de aceitação de inscrições de utentes, o Lar de Idosos Domus Pacis - Casa da Paz, construído na Encosta da Barata, vai também prestar serviço de apoio domiciliário para 30 pessoas e dar emprego direto a cerca de 35 funcionários. Mário Rui Fonseca

Transporte a pedido em Mação alargado a todo o concelho Mação passou a contar com o sistema de transporte a pedido em todo o concelho. O serviço de transporte flexível, que começou por abranger cinco freguesias, passa, assim, a estar ao dispor de todos os habitantes, através de oito percursos pré definidos e com horários estabelecidos. A funcionar todos os dias úteis, o cliente tem apenas de fazer uma chamada gratuita para o call-center até às 15h00 do dia útil anterior ao da viagem. Depois, é só dirigir-se à paragem escolhida na hora marcada, adquirindo o bilhete a bordo. Tanto as paragens como os veículos estão identificados com placas do serviço. O projeto é dinamizado pela Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT ), que escolheu o município de Mação para a fase experimental devido às características da população: dispersa e eminentemente envelhecida. Apesar do alargamento da área de atuação, que

passa assim a servir cerca de 7400 pessoas, e depois de uma análise feita aos primeiros meses de operação, atualmente o transporte é assegurado apenas por dois táxis de oito lugares, existindo um terceiro veículo, para transporte de quatro pessoas, como reserva. Desde o seu arranque, a 21 de janeiro deste ano, este serviço já percorreu mais de 6.700 quilómetros, atendeu 264 pedidos e transportou 622 passageiros. O preço do transporte varia entre 1,60 euros e 5,10 euros, de acordo com as distâncias a percorrer. As mais valias desta prestação de serviços à população foram reconhecidas pela CIMT, e deve estenderse em breve à zona norte do concelho de Abrantes e a todo o concelho de Sardoal. MRF

Maria do Céu Albuquerque é a nova presidente da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo Teve lugar em Tomar, no dia 28 de outubro, a reunião de instalação do Conselho Intermunicipal da Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) na qual tomaram posse os 13 presidentes das Câmaras Municipais dos municípios que compõem esta Comunidade. Este Conselho foi eleito por unanimidade, de entre os seus membros, e por meio de lista única. Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara de Abrantes, assumiu a presi-

dência da CIMT, tendo Júlia Gonçalves, de Constância, e José Farinha Nunes, da Sertã, ficado com os lugares de vice-presidentes da CIMT.


DE 17 DE OUTUBRO A 10 DE NOVEMBRO ESPECIAL

AQUECIMENTO

SALAMANDRAS A LENHA

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8 SAÚDE

NOVEMBRO 2013

ACES do Médio Tejo tem 35 mil utentes sem médico de família afirmado que o principal problema se situa nos concelhos de Abrantes e de Ourém. “O maior problema é em Abrantes, onde contamos vir a colocar agora um médico em Bemposta através de um banco de horas. Aquela freguesia tem mais de 2 mil utentes sem médico de família, por via da rescisão de contrato de um médico da Costa Rica. Em Ourém, o problema também é complicado mas temos a expetativa da criação de uma Unidade de Saúde Familiar (USF) e também do início da prestação de consultas descentralizadas através do Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), no respetivo centro de saúde”, afirmou. “Em Abrantes”, continuou, “ainda não há médicos que se tenham disponibilizado

para avançar com uma USF, e o número de aposentações que perspetivamos não vai ajudar a melhorar a situação. Para o ano, talvez, com os recém especialistas, possamos tentar minorar o problema, sendo certo que, de momento, temos de ir arranjando situações de recurso que ajudem a esbater a falta de médicos, dentro dos recursos existentes”. Sofia Theriaga disse ainda que o aparecimento de um novo Centro de Saúde em Abrantes, cuja construção está em processo de concurso público, “vai ser importante” no sentido de incentivar os profissionais de saúde para a criação de uma Unidade de Saúde Familiar.

Mário Rui Fonseca

O Agrupamento de Centros de Saúde (ACES) do Médio Tejo e Zêzere continua a debater-se com o problema da falta de médicos de família, deixando a descoberto milhares de utentes na região. Dos cerca de 230 mil utentes registados, 35 mil estão sem médico de família, disse ao JA a diretora executiva do ACES do Médio Tejo, Sofia Theriaga. Os Centros de Saúde de Abrantes e de Ourém são os que mais preocupam a responsável pela gestão deste ACES, tendo perspetivado que as dificuldades nos cuidados médicos de proximidade se deverão estender pelos próximos 18 meses. “A falta de médicos de família é o principal desafio, porque temos zonas com grandes carências de médicos”, disse Theriaga, tendo

Mário Rui Fonseca

• Sofia Theriaga, ao centro, diz que o maior problema é em Abrantes IMPASSE RESOLVIDO

Vilarregenses com acesso aos serviços do Centro Hospitalar do Médio Tejo Após alguns anos divididos entre Abrantes e Castelo Branco, os vilarregenses veem agora o seu acesso à saúde resolvido e mais facilitado. No passado, os munícipes de Vila de Rei, concelho que pertence ao distrito de Castelo Branco, tinham previsto o acesso aos cuidados de saúde no hospital daquela cidade. Os utentes tinham assim de percorrer 90 km para se dirigirem à unidade de saúde. Paulo César, vice-presidente na autarquia, explicou que esta era “uma situação que penalizava em muito a vida dos munícipes, na medida em que se tratava e se trata de uma comunidade maioritariamente envelhecida e com poucos recursos financeiros”. Segundo o vice-presidente, a pretensão da autarquia

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sempre se centrou em recorrer ao Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT), que inclui as unidades de Abrantes, Tomar e Torres Novas, devido à proximidade do concelho com a região centro. Neste mês de outubro, e após os esforços levados a cabo pelos responsáveis da autarquia, pela Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo e pela Administração Regional de Saúde do Centro, foi deliberado, num acordo homologado pelo Secretário de Es-

tado da Saúde, Manuel Teixeira, que os habitantes do concelho de Vila de Rei podem, agora, ter acesso aos serviços hospitalares no CHMT, em Abrantes. A luta chega ao fim e Paulo César admitiu que finalmente “o CHMT está a receber os fundos estatais para conseguir abarcar o munícipes vilarregenses que passam, assim, a poder aceder às consultas hospitalares, ao serviços de urgência e de internamento”. JMC


ECONOMIA 9

NOVEMBRO 2013

Celulose do Caima anuncia investimento de 35 milhões A fábrica de celulose do Caima, uma das três unidades da Altri, vai trocar a produção da pasta de papel por pasta solúvel usada na indústria têxtil, uma aposta direcionada para o mercado chinês. O presidente executivo da Altri, Paulo Fernandes, apresentou em Constância, o projeto, que implica um investimento de 35 milhões de euros, prevendo estar a produzir o novo produto em meados de 2015. Por enquanto, a fábrica está em fase de testes para atingir o grau de pureza e requisitos do novo produto. A reconversão da unidade, por sua vez, não irá afetar o fabrico da pasta de papel até à altura em que começar a nova produção. O investimento vai beneficiar do apoio do AICEP (Agên-

cia para o Investimento e Comércio Externo de Portugal), com quem a Altri assinará um contrato no valor de 65 milhões de euros, também direcionado para a otimização da produção na Celbi, no dia 8 de novembro. A China é o principal destino da nova pasta solúvel, cuja principal aplicação é a viscose, um material usado na indústria têxtil. “Vamos mudar o enfoque do mercado europeu [o principal destinatário da indústria papeleira] para o mercado chinês”, afirmou o administrador da Caima, Dolores Ferreira. O mercado de pasta solúvel, que encontra também aplicação no fabrico de acetatos para filtros de cigarros, nitratos ou até pele de salsicha está a atualmente a crescer 10% ao ano e os preços são

ABERTOS SÁBADOS DOMINGOS E FERIADOS DAS 9H ÀS 20H

mais altos do que da pasta de papel, “o que significa fazer um produto de maior valor acrescentado”, adiantou. A matéria-prima usada no novo produto é o Eucalipto,

a mesma usada na pasta de papel. Segundo o administrador da Caima, o novo produto será todo para exportação e está “desenhado para a China

e Taiwan”, tendo já identificadas a empresas que o vão adquirir. Os 35 milhões de euros servirão para transformar a produção e otimizar a capaci-

dade para produzir 105 mil toneladas/ano de pasta solúvel. Em termos logísticos, o transporte para o mercado chinês não será um problema, segundo Dolores Ferreira. “Em termos de localização, estamos muito bem”, assinalou, adiantando que a pasta vai seguir para o Entroncamento, a 15 quilómetros (km) e daí será transportada em contentores até Sines e depois para Xangai. Paulo Fernandes estima que as receitas obtidas com o novo produto representem 15% para o grupo papeleiro. A Altri, que possui três fábricas de papel com uma capacidade instalada de quase um milhão de toneladas, celebra este ano o seu 125 aniversário.

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10 EDUCAÇÃO

NOVEMBRO 2013

Alunos de Mação vencem concurso europeu de empreendedorismo contexto escolar é o objetivo destas instituições que para tal têm contactado as várias escolas do Médio Tejo. Este projeto, ao aplicar a sua metodologia, pretende proporcionar aos alunos do 5º ao 9º ano de escolaridade o primeiro contacto com a realidade empresarial e o funcionamento de uma organização trabalhando, desta forma, as competências pessoais e empresariais dos estudantes, despoletando o espírito empreendedor e inovador nos jovens. Neste ano letivo, o EMPRE reforçará a sua implementação nos concelhos de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Tomar, Torres Novas, e Vila Nova da Barquinha. Desde o primeiro ano de implementação pelo TAGUSVALLEY, o EMPRE envolveu cerca de 1.900 alunos, que criaram 101 projetos, em mais de 30 escolas, pertencentes a um total de 21 concelhos.

DR

Criar um sistema para carregar dispositivos eletrónicos sem a utilização de energia elétrica e sem fios foi a ideia de negócio vencedora do projeto StartUp da UE e veio de quatro alunos do 11º ano da Escola Secundária de Mação. No jogo pedagógico participaram mais de 400 estudantes do ensino secundário de vários países da União Europeia, mas os portugueses tiveram a invenção mais original. José António Almeida, diretor do Agrupamento de Escolas de Mação, disse ao JA que a importância deste feito e o reconhecimento a nível europeu já levou a que uma universidade escocesa se tenha disponibilizado para desenvolver e implementar o projeto. Além de uma pequena quantia de dinheiro, os estudantes vão ter direito a consultadoria sobre a sua ideia de negócio pelos elementos do júri do concurso, composto por entidades de referência mundial na área do empreendedorismo.

• Os estudantes premiados vão ter apoio para desenvolver o seu projeto volta às escolas do Médio Tejo pelo sexto ano consecutivo

Metodologia EMPRE de

O TAGUSVALLEY – Tecnopolo do Vale do Tejo, em parceira com a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo

Solano de Abreu distingue as duas melhores alunas

Intercâmbio de jovens promove alimentação saudável

Escola do Sardoal visitou a Polónia

Joana Margarida Santos, do 9º ano, e Tânia Pires Fontinha, do 12º ano, foram as alunas da Escola Secundária Dr. Solano de Abreu, em Abrantes, distinguidas com o prémio Borralho dos Reis. Esta distinção é relativa aos bons resultados alcançados no ano letivo passado. Joana tem atualmente 15 anos e mora em Alferrarede. Este ano letivo frequenta o 10º ano na área de estudos científico/tecnológico. Confessa que não esperava receber o prémio, mas sublinha a importância de ver o seu trabalho reconhecido: a sensação de ser distinguida é

“Junta à cozinha de sabores um tanto de saberes” é o tema do projeto que a FAJUDIS - Federação das Associações Juvenis de Santarém, com sede em Constância, dinamizou entre os dias 28 de outubro e 4 de novembro. Este programa de intercâmbio trouxe até à região cerca de 50 jovens de seis organizações internacionais. Para além de Portugal, os participantes vieram da Bielorrússia, Itália, Macedónia, Moldávia e Roménia. Este projeto visa sensibilizar os jovens para a temática alimentar, para as trocas culturais e gastronómicas, para os segredos culinários seculares, para a recupera-

Uma comitiva de 12 pessoas (dez alunos e dois professores) do Agrupamento de Escolas de Sardoal visitou recentemente a Polónia, no âmbito do Projeto Europeu Coménius 2013-2015, subordinado ao tema “The Heritage of Cultures and Traditions in Pluralistic Society - Religious Tradition”. O 1º encontro realizou-se de 15 a 20 de outubro, na Escola Escola Zespol Szkol Ogolnoksztalcacych nr 2 (Tarnów). Os principais objetivos desta iniciativa passaram pela promoção de Valores Culturais, Respeito e Diálogo Inter-religioso numa sociedade europeia

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“excelente”. Tânia Fontinha, de 18 anos, vive na Chainça e completou o 12º ano com média de 17,6 valores. No entanto, este resultado não foi suficiente para ingressar em Medicina. Para concretizar esse sonho, este ano vai repetir os exames de física e química e de matemática, com vista a subir a classificação. Sente-se muito honrada e feliz pela atribuição do prémio, considerando a existência do mesmo uma iniciativa importante e um estímulo para quem se esforça.“Foi muito bom”, conclui, com um olhar brilhante de satisfação.

(CIMT), irá concretizar, neste ano letivo de 2013/2014, a sexta edição da metodologia EMPRE – Empresários na

ção de receitas antigas em harmonia com a criação de receitas criativas, para os métodos de confeção dos alimentos, para a celebração de festividades e comemoração de tradições, para a relevância da agricultura biológica na promoção do empreendedorismo e da empregabilidade, bem como para a importância das hortas comunitárias. Um outro objetivo é chamar a atenção para a problemática fast food e para as consequências do excesso de peso. Entre outros temas, foi discutido o flagelo da fome em alguns países e o desperdício de comida noutros.

Escola. Desafiar alunos e professores a abraçarem este projeto de empreendedorismo em

JMC

moderna e plularista. Para além das atividades pedagógicas previstas, os alunos ainda tiveram oportunidade de visitar a cidade de Cracóvia, o Santuário Łagiewniki e o Centro João Paulo II e o campo de concentração e de extermínio de Auschwitz. Estiveram presentes escolas de sete países, nomeadamente, Portugal, Turquia, Roménia, Bulgária, Espanha e Itália, para além da anfitriã, a Polónia. O próximo encontro será em março de 2014, no Sardoal.


REGIÃO 11

NOVEMBRO 2013

CARVALHO DA SILVA NO SR. CHIADO

CERIMÓNIA INTERNACIONAL HERITY

“Para onde vai o nosso dinheiro?”

Médio Tejo obtém terceira certificação de bens culturais a nível mundial

A primeira sessão da nova série das “Conferências do Liceu” teve como conferencista o professor Manuel Carvalho da Silva, que foi secretário-geral da CGTP até 2012. O tema da exposição foi “Na Construção de Uma Nova Era: o trabalho, a família, a escola, o Estado”. A iniciativa, da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes e da Associação Palha de Abrantes, decorreu na dia 18 de outubro, nas instalações do Sr. Chiado, em Abrantes. Na sua apresentação, Carvalho da Silva foi claro: “Temos de arredar do poder um Governo escandalosamente subserviente, um Governo que destrói emprego, o valor do trabalho, os sistemas de educação e saúde, que nos faz regredir da cidadania social para a caridadezinha. Temos de dizer não à ocupação permanente de Portugal.” “Para onde vai o nosso dinheiro?”, questionou Carvalho da Silva, que acrescentou: “O Governo saca-nos o dinheiro em nome do monstro Estado, para o entregar aos interesses parasitários que se

alimentam dos negócios dos mercados da dívida, da saúde, do ensino e outros.” O antigo sindicalista criticou o facto de a riqueza estar a “acumularse aceleradamente no topo da pirâmide, cavando desigualdades e provocando fraturas sociais insustentáveis”. Por isso, voltou a colocar uma questão: “Manter-se-á democrático durante muito tempo um Estado que é colocado a utilizar o nosso dinheiro para servir uma ínfima minoria?” Como corolário da sua intervenção, Carvalho da Silva acrescentaria ainda um desafio: “Há que lançar mão do diálogo e da convergência entre quem quer contribuir

para a mudança, aprofundar propostas políticas alternativas, utilizar o voto e o direito de manifestação.” Antes do início da conferência, no exterior das instalações do Sr. Chiado, na Praça Raimundo Soares, Carvalho da Silva e todos os presentes foram brindados com uma representação de um grupo de cerca de 20 alunos do 10º ao 12º ano da Escola Secundária Dr. Manuel Fernandes. Evocando o centenário do nascimento do poeta brasileiro Vinicius de Moraes, fizeram uma encenação do seu poema “O operário em Construção”. Francisco Rocha

A região do Médio Tejo juntou-se a Lazio, Itália, e ao norte do Brasil no passado dia 1 de novembro, com o reconhecimento internacional do seu património cultural pela Herity - Organização para a Gestão de Qualidade do Património Cultural. A cerimónia internacional de certificação de 26 bens culturais existentes no território de intervenção da CIMT - Comunidade Internacional do Médio Tejo, decorreu no Convento de Cristo, em Tomar, e é resultado do projeto intermunicipal “Afirmação Territorial do Médio Tejo”, desenvolvido no sentido de alavancar o desenvolvimento regional com base na cultura e no património. Uma prova exigente superada pelos municípios de Abrantes, Alcanena, Constância, Entroncamento, Ferreira do Zêzere, Mação, Ourém, Sardoal, Sertã, Tomar, Torres Novas, Vila de Rei e Vila Nova da Barquinha, cujo património cultural passará

O Convento de São Domingos foi um dos •monumentos certificados pela herity

a integrar uma rede com mais de 240 bens certificados e coloca a região do Médio Tejo num lugar de excelência a nível mundial. Entre os locais certificados incluem-se o jardim do Horto Camoniano (Constância), a sinagoga de Tomar, o castelo de Almourol (Barquinha), o museu da Geodesia (Vila de Rei) ou as igrejas em Abrantes e Mação.

No futuro, segundo a CIMT, pretende-se criar uma rota para ligar os locais certificados. A Herity é uma organização mundial criada em 2002, com sede em Roma, e reconhecida pela UNESCO – Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura. Mário Rui Fonseca

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12 ESTRELAS MÉDIO TEJO

Médio Tejo elege ‘estrelas’ patrimoniais, ambientais e gastronómicas

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NOVEMBRO 2013

As riquezas patrimoniais, ambientais e gastronómicas do Médio Tejo vão a votos, até 17 de novembro, para se eleger as ‘estrelas’ da região no âmbito de um programa que visa potenciar o turismo no Ribatejo

A iniciativa lançada Associação Empresarial da Região de Santarém tem como objetivo, segundo disse ao JA a presidente da direção da Nersant, “distinguir as maravilhas que existem nos vários concelhos e tornar a região mais visível em termos turísticos”. “Um turista que chegue ao aeroporto e não tem publicidade ao Médio Tejo e esta região tem uma oferta rica e diversificada, seja ao nível dos produtos endógenos, seja ao da gastronomia, espaços de lazer e sítios históricos e patrimoniais”, disse

Salomé Rafael. “As pessoas vêm para visitar, para conhecer e, se souberem que existe mais do que Fátima ou o Convento de Cristo, até são capazes de ficar na região por um ou dois dias, daí a nossa aposta em dinamizar esta iniciativa e criar um roteiro turístico forte e apelativo”, vincou. Numa primeira fase, o programa está circunscrito a alguns municípios do Médio Tejo. Segundo Salomé Rafael, o objetivo é alargar a iniciativa a todo o distrito de Santarém, no âmbito de candidatura a submeter ao próximo Quadro Comunitário de Apoio (QCA). As categorias a concurso são Património Histórico Edificado, Património Cultural, Património Natural (Parques Ambientais e Ribeirinhos e Praias Fluviais) e Gastronomia (Prato prin-

cipal e Doçaria). A iniciativa integra-se no programa Viver o Tejo e a votação pode ser feita no website www. viverotejo.pt. Os resultados serão divulgados no final de novembro.

Associação Empresarial lança portal para atrair turistas ao Ribatejo A Associação Empresarial da Região de Santarém (Nersant) lançou um portal que congrega a oferta turística do Ribatejo com o objetivo de atrair mais visitantes à região. “A informação turística estava muito dispersa e o objetivo foi congregar num mesmo local todas as ofertas para que o visitante, ou mesmo a população da zona, tenha informação

MAÇÃO

ABRANTES

Património Histórico Edificado Mação concorre nesta categoria com a Torre do Relógio Património Cultural Estação Arqueológica Romana do Vale de Junco, Castelo S. Miguel de Amêndoa, Anta da Foz do Rio Frio, o Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo e as Gravuras Rupestres do Paleolítico no Ocreza Património Natural (Parques Ambientais e Ribeirinhos e Praias Fluviais) Praias fluviais da Ortiga, Carvoeiro, Pego da Rainha, Vergancinho, Eiras e Albufeira da Pracana. Parque de Merendas do Brejo Gastronomia (Prato principal e Doçaria) Na gastronomia o prato principal é disputado por açorda de ovas, arroz de lampreia, fataça frita com migas, açorda de sável. Na doçaria concorrem as trouxas de ovos e as fofas de Mação

Património Histórico Edificado Abrantes candidata o castelo e o C Domingos Património Cultural Museu D. Lopo de Almeida Património Natural Praia fluvial de Aldeia do Mato, Cas e Aquapolis Parques Ambientais e Ribeirinhos Parques Urbanos de São Lourenço Sul do Tejo Gastronomia Na gastronomia o prato principal é por açorda de ovas, bacalhau com fataça na grelha, achigã grelhado, com miga, açorda de sável, enguia Doçaria Palha de Abrantes, broas de mel fe tigeladas de Rio de Moinhos


ESTRELAS MÉDIO TEJO 13

NOVEMBRO 2013

sobre aquilo que a região oferece”, disse António Campos, da comissão executiva da Nersant. O portal - www.viverotejo.pt - foi lançado no âmbito do programa Viver o Tejo, e abrange, numa fase inicial, os concelhos de Vila Nova da Barquinha, Constância, Abrantes e Mação. Onde dormir, onde comer e o que fazer são algumas das informações disponibilizadas no portal que sugere aos visitantes seis pacotes temáticos: Ribatejo Ativo, Ribatejo Natural, Ribatejo Tranquilo, Ribatejo Histórico, Ribatejo Jovem e Ribatejo em Férias. “São sugestões de roteiros que as pessoas podem escolher de acordo com as suas preferências, mas que não são limitadoras, já que o utilizador e poderá também, em alternativa, criar a sua própria rota e

Convento de S.

stelo de Bode

o e de Rossio ao

é disputado couve a soco, fataça frita as fritas

ervidas,

fazer as reservas que considerar mais adequadas”, explicou o mesmo responsável. O projeto cofinanciado em 70% pelo PROVER (Programa de Valorização Económica de Recursos Endógenos) conta para já com a participação de 49 entidades públicas e privadas, das quais 40 são empresas nas áreas do alojamento, restauração, enoturismo, artesanato e produtos gourmet. De acordo com António Campos, a Nersant pretende agora “avaliar os resultados em termos de aumento de visitantes” aos concelhos envolvidos e, até ao final do ano, “alargar a informação a outros concelhos do Ribatejo”.

CONSTÂNCIA Património Histórico Edificado Constância concorre nesta categoria com a sua arquitetura urbana. Património Cultural Centro Ciência Viva Património Natural (Parques Ambientais e Ribeirinhos e Praias Fluviais) Parque Ambiental de Santa Margarida, o Jardim Horto – Camões e as margens ribeirinhas Gastronomia (Prato principal e Doçaria) Na gastronomia o prato principal é disputado por fataça frita com migas, açorda de sável e enguias fritas. Na doçaria concorrem os queijinhos do céu, bolo de noz, mel de Constância e lampreia de ovos

VILA NOVA DA BARQUINHA Património Histórico Edificado Vila Nova da Barquinha candidata o Castelo de Almourol, a igreja da Atalaia, a praça de Touros e a arquitetura urbana de Tancos. Património Cultural Parque de Esculturas Contemporâneas do Almourol e o Centro de Interpretação de Arqueologia Parques Ambientais e Ribeirinhos Parque Ribeirinho em Vila Nova da Barquinha e as Margens Ribeirinhas de Tancos Gastronomia O prato principal é disputado por caldeirada de peixe de rio, fataça na grelha, arroz de lampreia e ensopado de enguias. Doçaria Trouxas de ovos, doce de pão e lampreia de ovos.

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14 ESPECIAL PRODUTOS TRADICIONAIS

NOVEMBRO 2013

O ANO DE 2014 SERÁ UM ANO DE TRANSIÇÃO NA TAGUS

TAGUS aposta na afirmação dos Produtos Regionais A Associação de Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, TAGUS, tem direcionado o seu trabalho para a promoção e divulgação dos produtos regionais a nível local, nacional e internacional. Neste ano de 2013, a orientação não foi diferente, a TAGUS esteve envolvida em várias ações de âmbito promocional relacionadas com os produtos regionais de Abrantes, Sardoal, Constância e Vila Nova da Barquinha. No passado mês de fevereiro, a TAGUS marcou presença na 18ª edição do SISAB, Salão Internacional do Setor Alimentar e Bebidas em Lisboa. Mais tarde, em junho, esteve envolvida no encontro mundial do Rotary, que se realizou na FIL com cerca de 30 mil visitantes. Sobre es-

tas participações, Pedro Saraiva, técnico coordenador da TAGUS, contou ao JA que foram “alguns dias de intenso trabalho, que se destinaram à promoção dos nossos produtos e na composição de vários catálogos em inglês e português sobre os produtos regionais”. Os Mercados Ribeirinhos que decorreram em Abrantes, Vila Nova da Barquinha e Constância também marcaram a agenda cultural da região. Foram três momentos que reuniram um conjunto vasto de atividades, para um leque diversificado de públicos, onde gastronomia esteve bem presente. Anualmente, a TAGUS dedica-se à realização das feiras gastronómicas de âmbito nacional. Uma delas aconteceu em Abrantes, em par-

ceria com a Câmara Municipal, nos passados dias 25, 26 e 27 de outubro, dedicada à doçaria tradicional. Por sua vez, em Sardoal, e também em conjunto com a Câmara Municipal, a Associação de Desenvolvimento tem-se envolvido na promoção da Feira Nacional dos Enchidos, Queijo e Pão. Sobre este certame, Pedro Saraiva adiantou que o mesmo tem recolhido, de quem se desloca ao Sardoal de vários pontos do país, boas impressões sobre os diferentes produtos. Contudo, e segundo o técnico coordenador, a data de realização da festividade ainda não está fechada: “Temos sentido que existe uma boa adesão à feira nos dias das festas concelhias, contudo quando a feira acontecia numa data isolada, os visitantes vi-

nham somente para a mesma. O evento ficava mais sectorizado, portanto as pessoas sabiam ao que vinham e a lógica comercial por vezes corria melhor.” Para além do envolvimento nas feiras, a TAGUS reúne na Praça dos Sabores, sediada no Mercado Criativo em Abrantes, a maioria dos produtos regionais para venda ao público. Durante os próximos meses, a praça vai voltar a ter uma dinâmica mais ativa, com um conjunto de soluções no âmbito das prendas de Natal. Para Pedro Saraiva, o próximo ano

de 2014 representa um ano de transição para a Associação de Desenvolvimento, “é o início de um novo quadro comunitário e um fecho de ciclo”. O técnico coordenador admitiu que a TAGUS vai continuar a promover as habituais atividades, contudo, vai dedicar parte do seu trabalho em reuniões com os seus parceiros, com as associações, os produtores e, assim, preparar a nova candidatura de estratégia de desenvolvimento local. Joana Margarida Carvalho

O mel de Abrantes na tradição familiar José César Jesus, 68 anos, coabita com dezenas de milhar de abelhas “desde os tempos em que se lembra”, uma tradição de apicultor e extração de mel que aprendeu desde menino, indo para as colmeias com o seu avô. Este reformado das telecomunicações vive no Pego, Abrantes, mas é num casal em Alvega que trata e cuida das suas “meninas”. São 70 colmeias que, num ano bom, podem render sete toneladas de mel. “O mel sempre teve muita saída, pelas diversas propriedades medicinais, e desde sempre fiz desta atividade um complemento financeiro à minha atividade profissional. Mas é preciso gostar do campo e é preciso muita dedicação”, afiançou ao JA, João Jesus, tendo acrescentado

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que participa anualmente em três ou quatro feiras pela “necessidade” de vender o mel e pelo “gosto” pelas relações humanas. “De resto, só vendo em casa, aos amigos e aos vizinhos”, precisa. O mel é um dos alimentos mais ricos, a nível nutricional, do mundo, sendo utilizado desde tempos imemoriais pelas suas propriedades curativas, digestivas e energéticas. Muito se deve ao facto de ser «elaborado» a partir do néctar de inúmeras flores, combinando propriedades benéficas encontradas nas mais diferentes espécies vegetais. É especialmente recomendado nos casos de anemia, asma, broncopneumonia, bronquite, gripe, rouquidão, tosse e até deficiências cardíacas. O poder bactericida do

mel, também está aliado às suas virtudes laxativas, melhorando significativamente o trânsito intestinal.

Ao mesmo tempo, é tido como um excelente tonificante dos músculos, tecidos, nervos e órgãos em

geral. Todos os que o ingerem com frequência, podem beneficiar de uma resistência acrescida a doenças infeciosas. Para além de tudo tem ainda um uso externo, acelera a cicatrização da pele em feridas e queimaduras leves, além de hidratar a pele. “De acordo com a sua origem floral e regional, este alimento pode variar de tonalidade, densidade e sabor. Em relação à cor, quanto mais escuro for o mel, mais sais minerais contém na sua composição”, observa João Jesus. “Seja qual for o seu tipo, o mel deve ser mantido num frasco de vidro bem fechado, num local seco e fresco”, vincou ao JA. MRF


ESPECIAL PRODUTOS TRADICIONAIS 15

NOVEMBRO 2013

CÂMARA MUNICIPAL PROMOVE ÚLTIMO FESTIVAL GASTRONÓMICO DO ANO

Almeirão e Azeite são as propostas para provar nos restaurantes maçaenses AZEITE DE MAÇÃO

Câmara Municipal entende que a comercialização é o caminho

CM Mação

Entre os dias 15 de novembro e 31 de dezembro a Câmara Municipal, juntamente com seis restaurantes aderentes, vai promover o último festival gastronómico deste ano. Mação assinalou o ano de 2013 com a gastronomia e os produtos mais típicos do concelho, como a lampreia, os enchidos e o azeite. Os festivais gastronómicos foram uma aposta do executivo agora liderado por Vasco Estrela. O presidente da Câmara Municipal vincou ao JA que “alguns festivais correram muito bem, como foi o caso do festival da lampreia e do arroz, e outros menos bem” referindo-se ao festival dos enchidos, presunto e maranho, admitindo que “após este último festival, chega a altura de repensar e avaliar bem este modelo por forma a melhorarmos o que temos a melhorar em 2014”. O festival gastronómico do azeite e do almeirão é resultado de dois produtos que são uma constante no concelho. No que diz respeito ao azeite, este é produzido em 21 lagares existentes em Mação. Relativamente ao almeirão, Vasco Estrela explicou que é um produto “com bastante tradição no concelho, devido à sua abundância nos quintais dos maçaenses”. O presi-

O azeite é um dos produtos com mais expressão no concelho de •Abrantes

Restaurantes aderentes:

dente explicou ainda que o objetivo do festival é “potenciar o que temos de melhor ao nível dos produtos típicos do concelho, aquilo que é diferenciador face ao resto da região e do país, bem como garantir um maior estímulo à restauração do concelho”.

Avenida (Pica-Fino) – Mação Casa Cardoso – Envendos Casa Velha – Mação Dona Flor – Penhascoso O Cantinho – Mação O Godinho Joana Margarida Carvalho

O azeite é um dos produtos típicos de Mação, um dos produtos com mais expressão no concelho. São cerca de 21 lagares licenciados na sua maioria caracterizados por negócios de família, minifúndios e uma produção maior, da responsabilidade da empresa Probeira. António Louro, vereador na Câmara Municipal, explicou ao JA que no passado os pequenos produtores tinham os seus próprios circuitos comerciais que se destinavam ao escoamento do azeite, contudo e com o agravar da crise estes produtores não têm encontrado soluções para uma comercialização mais eficaz e com bom retorno financeiro. O papel da autarquia, segundo o vereador, tem sido estar junto destes produtores ao nível de um apoio centralizado no licenciamento, nas condições de higiene, entre outros fatores essenciais para a existência destes lagares, mas “ o caminho da comerciali-

zação é que ainda está por melhorar”. Foi devido a este objetivo, que recentemente e por iniciativa da autarquia que foi criada a Associação “Amar Mação”. O objetivo da nova entidade passa “por assumir um papel ativo no que diz respeito ao embalamento e comercialização de todos os produtos que estão integrados na Marca Mação: o azeite, os enchidos e o mel”. A azeitona galega é a variedade que mais predomina em Mação e António Louro admite que não é “boa variedade para quem pretende ter um retorno rápido das produções, mas é um tipo de azeitona de qualidade que aguenta muito mais em termos de armazenamento”. Para o vereador, o festival gastronómico do novo azeite “é uma forma de dar a conhecer este produto de Mação e mostrar a sua verdadeira qualidade”. Joana Margarida Carvalho

LAGAR CENTENÁRIO CHEGA A RECEBER 400 TONELADAS DE AZEITONA

Nasceu no dia 16 de outubro de 2001 como uma cooperativa para servir a região, mas a sua existência como lagar tradicional, com prensas, pedras e tudo o que diz respeito à transformação antiga da azeitona, remonta há mais de cem anos. A COOPVAL, cooperativa Agrícola de Olivicultores, está sediada bem no coração do concelho de Sardoal, na pequena localidade de Valhascos. Com cerca de 113 cooperantes e mais um conjunto significativo de clientes, a cooperativa tem um único objetivo: transformar toda azeitona que recebe. Adelino Quintas, presidente da COOPVAL, contou ao JA que, desde 2001, o objetivo da casa é servir todos aqueles que têm oliveiras mas que não reúnem as condições necessárias para transformar a azei-

tona em azeite: “O nosso serviço de transformação está destinado a toda a região e são sobretudo os concelhos de Abrantes, Vila de Rei e Sardoal que mais procuram os nossos serviços.” Em Valhascos esta é a única cooperativa que funciona neste modelo que se destina apenas à moagem. No passado havia sete lagares, com o passar do tempo e, segundo presidente, “tudo foi acabando”. Hoje a inovação tem sido a palavra de ordem na COOPVAL. Todo o sistema da cooperativa é automatizado e já não há muita mão-de-obra envolvida no processo de transformação. O mês de novembro e dezembro são os meses de maior trabalho, que é garantido por cerca de três funcionários e pela direção da cooperativa.

Joana Margarida Carvalho

COOPVAL, a cooperativa que serve região

Adelino Quintas e António Esperto falam sobre a moagem da azeitona

Apesar da crise e dos elevados índices de desemprego, Adelino Quintas admitiu que há uma grande diferença entre o trabalho realizado no passado e hoje em dia:

“Antigamente as pessoas estavam sempre dispostas a trabalhar, era tudo feito através da mão do homem. Hoje, apesar do facilitismo que existe devido à existência das

máquinas, falta-nos e vai faltar no futuro mão especializada, profissionais qualificados para fazer este tipo de serviço. Hoje os mais velhos apanham azeitona, amanhã como será? São poucos os mais novos, que sabem limpar uma oliveira, por exemplo.” António Esperto, tesoureiro da cooperativa, explicou ainda ao JA que a azeitona mais comum e que chega em maior abundância à COOPVAL é a galega, e que esta é uma variedade de grande qualidade. Este ano, António Esperto considera que vai ser um bom ano, pois “a chuva veio na altura certa. Há três anos recebemos 400 toneladas de azeitona, o ano passado já foi bem menos, este ano estamos expectantes”. Joana Margarida Carvalho

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16 ESPECIAL PRODUTOS TRADICIONAIS

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ESTRELA DA BEIRA

Chama-se Estrela da Beira e é uma empresa familiar, que se dedica à produção, transformação e comercialização de carne de porco. Baseada na cultura tradicional, esta empresa sempre se empenhou “na aposta da qualidade dos seus produtos”. Segundo Jorge Madeiras, assistente administrativo, “o facto de termos produtos certificados é um bom exemplo do caminho diferenciador que temos percorrido nos últimos anos”. A história da empresa, sediada em Milreu, concelho de Vila de Rei, teve o seu início pelas mãos do avô de Jorge Madeiras, que sempre se dedicou à criação de animais. Em 1986, a empresa arrancou com o filho José Manuel Madeiras e a sua esposa Maria Fernanda Madeiras, que acabaram por focar o negócio nos filhos. De geração em geração a empresa tem-se modernizado e acompanhado as tendências no âmbito do

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negócio das carnes, cumprindo com uma legislação alimentar cada vez mais rigorosa de modo a levar ao consumidor a um produto seguro. Desde há algum tempo que a Estrela da Beira tem como objetivo tornar-se autosuficiente no que diz respeito à produção animal, dando continuidade ao trabalho de transformação e de comercialização que já garante. Jorge Madeiras justificou esta opção pelo facto de existirem “constantes oscilações das carnes que recebemos em termos de qualidade. Os nossos fornecedores são nacionais, mas muitas vezes deparam-se com dificuldades em encontrar aquilo que pretendemos em termos de produto. Neste sentido, há cerca de três anos, adquirimos mais uma exploração pecuária, com cerca de 200 fêmeas reprodutoras. O nosso objetivo é proporcionar ao cliente uma carne de elevada qualidade e sermos autosuficientes em

todo o processo.” Atualmente, a Estrela da Beira reúne 32 funcionários, tem cerca de seis espaços comerciais sediados em Chainça, Vila de Rei, Milreu, Fundada, Amêndoa, Cardigos e Alcaravela. Para além destas casas comerciais, a Estrela da Beira ainda mantém um circuito comercial através da Sonae, Pingo Doce e Intermarché, entre outros. Os produtos regionais como o maranho e o bucho recheado e os produtos transformados como o chouriço, o paio, a farinheira, o bacon, o fiambre, a morcela, a linguiça, e o presunto, podem ser encontrados a nível nacional com o selo Estrela da Beira. A implementação dos produtos no mercado internacional é, no entendimento de Jorge Madeiras, um dos desafios futuros: “Atualmente já exportamos para Inglaterra e pretendemos apostar no mercado angolano e moçambi-

DR

Desde 1986 a produzir fumeiro de qualidade

cano, visto que já temos clientes interessados, mas é um caminho que se vai fazendo pois a legislação é bastante apertada neste âmbito.” Para além da produção de fumeiro, a Estrela da Beira começou recentemente a lançar-se na comercialização de queijos tradicionais, realizando a sua primeira experiência e contacto com o público na

última feira de enchidos de Vila de Rei. Jorge Madeiras admitiu que o primeiro contacto foi positivo: “Correu tudo muito bem, estamos agora na fase de desenvolvimento de catálogos destes queijos, pois é sem dúvida uma área complementar na área dos transformados.” Joana Margarida Carvalho


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Comeres ribatejanos Lendo crónicas, cronicões, corografias e documentos de igual talha ficamos a saber da existência em terras abrantinas e limítrofes de produtos que durante séculos motivaram admiração pela sua qualidade, sendo requestados pelos poderosos e, grandes amigos de remediados, pobres e pobres de pedir. Anotem por favor: azeite, algum vinho e pão, excelentes frutas caso dos melões, marmelos, pêssegos e romãs «que em grande quantidade vão para Lisboa em barcos», ainda malvasias, gamboas, sem esquecer verduras durante todo o ano. Abundantes de caça e, a bênção do rio, que fornece grande número de peixes, os caneiros encaminhavam exemplares de nutrido porte não causando surpresa apanharemse barbos de uma arroba. Obviamente, tais produtos deram origem a múltiplas representações culinárias de cariz conventual (especialmente na área dos doces e lambiscos, a cargo das freiras domésticas), do engenho de cozinheiras dos possidentes, e das mestras

donas de pouco mas ricas em argúcia de modo a superarem o quotidiano pujante de necessidades. Até agora, de grosso modo, apenas mereceram registo

e aplauso com rufar de tambores as receitas originárias das cozinhas onde abundavam os recursos, destacando-se no conjunto a gulodice, não por acaso o sábio

Leite de Vasconcelos dá ênfase à palha de Abrantes no conjunto de referências da região. Os receituários herdados limitam-se a registar as componentes e modos

de fazer de cada receita e, por razões compreensíveis, não aludem à origem de cada componente seja no referente ao elemento principal, seja no respeitante

aos acompanhamentos e condimentos. Os marcos de memória de tais elementos saltam-nos aos olhos, nós é que preferimos ignorá-los, não pensando nas mensagens que corporizam. Alguns exemplos a corroborarem o afirmado: Ameixieira, Amêndoa, Amoreira, Casal dos Cordeiros, Casal do Pita, Lampreia, Ortiga, Rio de Moinhos e Souto. Há alguma dúvida? Dúvidas existem no referente à autoria de diversas composições culinárias, problema a solucionar através de investigação e estudo, importa nesta altura adnumerar receitas de talante oriundas destas paragens: açorda de sável, sopa de feijão-frade com grelos, sopa de peixe, sopa de sável, caldeirada de enguias, migas de feijão, favas com entrecosto, feijão guisado com ovos, cabrito assado, cabrito frito, pombo estufado e perdiz da mesmo modo, ainda perdiz com couves, bolos de batata, empadas divinas e talhadas reais da freira Quitéria. Que lhes aproveite. Armando Fernandes

Em Barquinha renasce o “Pirilau do Frade Ambrósio” Na doçaria, no âmbito das estrelas gastronómicas da região do Médio Tejo, o concelho de Vila Nova da Barquinha será representado pelo célebre “Pirilau do Frade Ambrósio”, doce de tradição conventual, do século XVII, oriundo do antigo convento do Loreto, situado junto do Castelo de Almourol. No Século XVII, os frades do Convento do Loreto dedicavam-se à agricultura e, obviamente, à doçaria. A receita deste famoso doce foi sempre um segredo bem guardado, mas conseguiu chegar aos nossos dias, pelo trabalho e perseverança dos autarcas de Vila Nova da Barquinha e do profissionalismo da Pastelaria “Palavras Soltas”, no centro histórico da vila. Aliás, o estabelecimento comercial de David Andrade, mestre

• Doce conventual renasce em Vila Nova da Barquinha pasteleiro em “Pirilaus”, é o único a fabricar e a vender ao público o secular doce con-

ventual. Os “Pirilaus do Frade Ambrósio”, segundo a lenda, são

uma homenagem às gentes do Tejo. Foi o primeiro bolo a fazer-se no Convento do Loreto, à data com nome do “barquinho”. Nas suas regulares visitas ao Convento de Odivelas, não se esquecia o Frade Ambrósio de levar um bolinho para cada residente. Quando transpunha o portal de cerca do Convento e a sineta anunciava a chegada do Frade, logo aumentava a ansiedade. Como o bolo se apresentava de uma forma cilíndrica, as Freiras não tardaram a chamar-lhe o Pirilau do Frade Ambrósio, nome que se perpetuou no tempo e que antecipou a especialização em outros doces, como são exemplo as marmeladas e as “Barrigas de Freira”. MRF

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18 REGIÃO

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Carlos Barata Gil partiu sem aviso Soava-me em casa uma música dolente dos Açores quando o telefone tocou: “Morreu o seu amigo Barata Gil”. Senti um estremecimento forte, talvez porque por dentro brilhou em relâmpago a imagem de uma generosidade sem limites. Foi na Biblioteca Municipal de Abrantes que o conheci. À noite, no largo da Câmara, onde assegurava o serviço normal, oficial, mais o de fornecer a informação clandestina. Ali sustentava uma tertúlia diária onde a ousadia tinha de casar com a cautela. E algumas luzes se acendiam na noite. Depois, a Biblioteca passou a abrir também de dia, e Barata Gil continuava à noite a dar a assistência a quem o procurava. Até à hora de se reformar, foi um apoio decisivo para quem precisava de uma informação, um livro, uma pista para um trabalho académico. “Era rara

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a semana em que não apareciam lá em casa uma ou duas pessoas a pedir orientação ou para consultar um livro”, conta um dos filhos. E por isso era um distribuidor para muita gente que nele encontrava abrigo bibliográfico e informativo. Se ele pudesse, lia tudo, sabia tudo, informava-se sobre tudo. Sempre à volta de um duplo mistério que lhe alimentava

a procura, o mistério do homem e o mistério de Deus. Nunca saberemos quão importante que foi a sua dedicação à cultura em Abrantes. Não apenas na Biblioteca. Também aos órgãos da igreja de S. Vicente. Com a sua música deu força e cor à liturgia em décadas sucessivas. Com o seu empenho, ajudou a que fossem restaurados os órgãos, mas sobretudo a que não deixassem de ser utilizados. E durante anos assegurou (com Mário Claro) a saída regular do quinzenário Nova Aliança. Também na Hidráulica do Tejo fez, sobretudo em jovem e no terreno, um trabalho importante, mais uma vez discreto e anónimo, de que nem sabemos os benefícios. Logo a seguir ao 25 de Abril aderiu ao PS, onde manteve uma militância comprome-

tida, mas de que não me lembro tenha ocupado algum cargo público. Era um homem de retaguarda, discreto, mas sempre trabalhador, sempre a batalhar por objectivos nobres. Agora que partiu, com 86 anos, vejo que afinal sei pouco dele. Mas sei, por exemplo, que tinha uma poderosa biblioteca, da qual eu e muitos outros nos socorremos várias vezes, e que em grande parte distribuiu por amigos e por instituições que considerava precisarem das obras que já não iria ler, já não lhe fariam falta, segundo ele próprio dizia. Outra forma da sua generosidade sem limites. Sem dúvida que o mundo ficou um pouco melhor pelas marcas que nele deixou, aqui, entre nós, em nós. Obrigado, Barata Gil.

Alves Jana

Feira Nacional de Doçaria Tradicional superou expectativas e promete voltar no próximo ano A Feira Nacional de Doçaria Tradicional decorreu no fim de semana de 25 a 27 de outubro. Segundo a TAGUS, Associação de Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, “a edição deste ano superou todas as expectativas. Duplicou os visitantes, o volume de vendas de doces surpreenderam pela positiva os expositores e todas as atividades preparadas pela organização esgotaram a participação. É o balanço mais que positivo daquela que pode ser considerada a melhor das edições deste certame no Edifício dos Claras”.


CULTURA 19

NOVEMBRO 2013

ALF, UMA BANDA QUE CONTA COM ELEMENTOS DO PENHASCOSO, DE ABRANTES E DE MAÇÃO

“Quase todos os temas são tocados ao vivo antes de serem gravados” O nome ALF significa mil e uma coisas. “Amor Lança Farpas”, “Animais Lambendo Feridas”, “Amanhã Levo Flores”… J. M.: Tem tido uma história ao longo do tempo, existe uma sequência. “Amanhã levo Flores” foi gravado no Sardoal, depois foi a vez de “Amor Lança Farpas”, com quatro temas mais trabalhados, e agora o “Animais Lambendo Feridas”, que é a tragédia depois do amor. A partir daqui não sabemos o que vai acontecer. Esperamos que o álbum que vier a seguir seja melhor, pois a banda funciona como um método de aprendizagem.

ANDRÉ LOPES

Os ALF lançaram em setembro “Animais Lambendo Feridas”, um disco de originais que querem mostrar a um maior número de pessoas possível. A formação da banda começou por ter dois membros, os irmãos João e Pedro Morgado, de Penhascoso, Mação, mas depressa passaram a quatro, juntandose André Bispo, de Abrantes, e Bernardo Vasconcelos, de Mação. Os concertos de apresentação do novo disco estão agendados para novembro, dia 15, no Incrível Almadense, dia 22, em Vila Franca de Xira, e 30 de novembro, em Cascais. O JA esteve à conversa com os ALF, banda que sente que é “pouco falada na região”. Lançaram em setembro um disco de originais. Que disco é este? João Morgado: O “Animais Lambendo Feridas” é um disco que tem a sigla ALF por trás, que foi baseado mais em sentimentos de dor, de perda, enquanto o disco anterior, o “Amor Lança Farpas”, era mais de euforia e amor. Este é um disco de sete temas todos cantado em Português, onde aprofundámos os sentimentos. É um trabalho coeso e que segue uma linha coerente, as músicas estão interligadas. O disco foi gravado em Lisboa, nos Nirvana Studios, onde temos uma Box. O Revolver foi o primeiro tema a ser gravado. Gostámos do estúdio e gravámos o disco

todo. Não tivemos apoio para fazer este disco, foi todo com dinheiro que tínhamos angariado nos concertos. O cantar em Português é uma bandeira dos ALF? J. M.: Sim, sempre cantámos na nossa língua. Quando começámos com a banda eramos dois, mas era limitativo termos um grupo com guitarra, bateria e theremim, e depois, em 2008, entraram o André Bispo e o Bernardo Vasconcelos. Os ALF começaram por ser dois e atualmente são quatro. Como é que o Bernardo e o André se juntaram à banda? J. M.: Antes dos ALF, tive uma banda de covers onde era o vocalista, mais por ser um dos

que sabia falar Inglês do que por ter a voz mais bonita. Mas quando essa banda terminou, fiquei com o material em casa e começámos a tocar, eu na guitarra e o Pedro na bateria. Começámos a brincar e a partir dai, tocávamos como descarga. Há pessoas que fazem desporto, eu gosto de música e senti que precisava de descarregar as coisas na música. Naturalmente fomos criando música e começámos a fazer concertos. Pedro Morgado: O nosso primeiro concerto foi engraçado. Tivemos de criar um festival para podermos ir tocar. Ainda ninguém tinha ouvido falar dos ALF. Já na altura da banda, eu e o Bernardo Vasconcelos tínhamos uma banda de covers e, apesar de o André Bispo ser de Abrantes, foi no

Festival Paredes de Coura que o convidámos para vir ensaiar connosco… O Bernardo foi o primeiro a tocar connosco nas Festas de Sardoal. Foi um processo natural. Como surge o processo de criação de músicas? Bernardo Vasconcelos: De uma maneira geral, primeiro surge a estrutura da música e, posteriormente, o João adapta uma letra escrita por ele. A maioria dos temas nasce na sala de ensaios, quando estamos os quatro reunidos. O processo de gravação do mais recente disco foi diferente do anterior porque, quando fomos para o estúdio, os temas foram todos gravados a quatro, ao contrário de “Amor Lança Farpas”, que eramos só dois.

Como é que caracterizam o vosso som? Do EP (Extended Play) para este disco há uma evolução. B. V.: Este disco está mais próximo daquilo que tocamos ao vivo. Ao ouvirmos as músicas mais antigas, achámos que as mais novas são mais reais. Quando partimos para a gravação do EP, não sabíamos o que era fazer trabalho de estúdio, e este álbum foi mais pensado, os temas iam mais trabalhados e a experiência foi melhor. As músicas do “Animais Lambendo Feridas” já tinham sido tocadas ao vivo. Quase todos os temas são tocados ao vivo antes de serem gravados. É uma maneira de saber a opinião do público, perceber se a música funciona bem e se é bem recebida.

Todos têm a música como passatempo. O que fazem para lá da banda? J. M.: Gosto muito do Carlos Paredes e ele sempre trabalhou nas Finanças. Era um guitarrista que toda a gente adorava. Tanto dava um concerto para 5 mil pessoas como para o porteiro, tinha a liberdade que queria ter na música. E eu gosto dessa liberdade. Não tenho necessidade de alterar as minhas músicas para agradar a mais pessoas. Para lá da música, sou comercial, ando a percorrer o país de carro e ouço muita rádio, o que me ajuda a saber as novidades musicais. Os outros três membros são futuros Engenheiros Eletrotécnicos, estão a estudar em Lisboa Facebook dos ALF: www.facebook.com/osalf Entrevista completa em: http://circonatureza.blogspot.pt/

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20 DIVULGAÇÃO

NOVEMBRO 2013

ESPAÇO DA RESPONSABILIDADE DA UNIDADE DE SAÚDE PÚBLICA DO MÉDIO TEJO

As caras da rádio

Prevenção e rastreio

Mário Rui Fonseca, jornalista com um gosto especial pela música e pelos espetáculos Mário Rui Lourenço Fonseca. Tem 46 anos, é natural da Marinha Grande, mas é no Tramagal que tem as suas raízes, uma vez que foi aí que viveu desde tenra idade. A música sempre foi uma paixão na vida de Mário Rui Fonseca. Desde muito novo que se habituou a descobrir e ouvir o que de melhor se fazia na música nacional e internacional e foi por isso que entrou no mundo da rádio como animador de programas na Rádio Tágide onde marcou uma época com o seu “A Norte de Shangrilá”. Mas o mundo da rádio trocou-lhe as voltas e pouco tempo depois dedicou-se à informação. Já como jornalista profissional, Mário Rui Fonseca tem desde então um vasto currículo. Entre 1998 e 2012 foi jornalista na Rádio Tágide, onde assumiu o cargo de diretor de informação entre 2010 e 2012. Foi colaborador da revista Focus entre 1999 e 2001 e é ainda colaborador

da revista Visão desde 2008 (onde desenvolve a sua atividade a sua irmã, a conhecida jornalista Patrícia Fonseca). Foi também colaborador do Diário de Notícias entre 2006 e 2009, chefe de redação do jornal Abarca em 2005 e 2006 e, pelo caminho, foi ainda colaborador dos títulos Gazeta do Tejo e

Primeira Linha, tendo ainda assumido a direção deste último em 2008 e 2009. É desde 2007 o correspondente da Agência Lusa na região do Médio Tejo, função que desde setembro de 2013 acumula em simultâneo com as funções de jornalista na empresa Média On Comunicação Social Lda,

que detém a rádio Antena Livre e o Jornal de Abrantes. Quanto à música, Mário Rui Fonseca, acaba por fazer o “gosto ao dedo” promovendo espetáculos ao vivo no espaço “Borboleta Café Clube” que gere em Tramagal, e que se tornou num dos espaços de referência nas noites da região. Na Antena Livre, podemos ouvi-lo nos espaços informativos da estação de segunda a sexta-feira nas edições alargadas às 00h00, 04h00, 12h00 e 18h00 e, ainda, na “Edição da Manhã” e “Edição da Tarde”. Mário Rui Fonseca contou ao JA que abraçou mais este desafio “pelo gosto de comunicar e pelas relações humanas e, claro, por ter a noção de quão importante é o exercício de realizar um serviço público em prol das populações da nossa região. Nesta casa queremos cada vez mais exercer um jornalismo de proximidade dando voz àqueles que menos a têm”.

Rotários e Lions inauguram sedes para continuar a servir a comunidade A antiga Escola Primária Dr. Raúl Figueiredo, nas Barreiras do Tejo, em Abrantes, passou a ser a sede de dois clubes que desenvolvem a sua atividade em prol da comunidade: o Lions Club e o Rotary Club. Na cerimónia de inauguração, os presidentes de ambos os clubes agradeceram a cedência do espaço que agora partilham, ficando cada um deles com uma das antigas salas de aula. As instalações foram benzidas pelo Cónego José da Graça. Maria do Ceú Albuquerque, presidente da autarquia, lembrou que a cedência de uma escola a dois clubes como os Rotários e os Lions faz parte de uma estratégia de dar uma nova utilidade a espaços que já

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não cumprem a sua missão inicial, mas que podem continuar a servir, através de “uma nova missão para chegar às pessoas”. José Fernando Duque, presidente do Rotary Club de Abrantes, evidenciou o plano de ação que tem vindo a ser desenvolvido por este grupo de profissionais,

destacando o apoio às novas gerações, nomeadamente através do programa de bolsas de estudo, dos cursos de liderança e do rastreio auditivo e visual. “O que fazemos, fazemos com espírito de serviço à comunidade”, sublinhou. Eduardo Margarido, presidente do Lions Club de Abrantes, salientou a impor-

tância de o clube ter uma sede onde possa preparar as suas atividades e, também, guardar os seus pertences. A cerimónia terminou com um momento do poesia, protagonizado por três dos mais de 30 jovens que estão neste momento a formar um Clube Interact, no âmbito do movimento rotário.

Uma forte aliança na prevenção do cancro da mama O cancro da mama é o tipo de cancro mais comum entre as mulheres, e a segunda causa de morte por cancro, no sexo feminino. Apenas 1% dos casos ocorre em homens. Em Portugal, anualmente são detetados cerca de 4.500 novos casos e 1.600 mulheres morrem com esta doença (INE, 2010), ou seja, todos os dias morrem quatro mulheres vítimas de cancro da mama. Alguns estudos apontam no sentido de que ter um estilo de vida saudável reduz o risco de desenvolver cancro da mama. Estima-se que praticando alimentação saudável e atividade física regular é possível reduzir em 28% o risco de ter cancro da mama (INCA, 2009). Assim, nas escolhas pessoais merecem especial atenção a prevenção da obesidade, sobretudo na menopausa, a redução da ingestão de gorduras, a prática de exercício físico regular e o consumo limitado de bebidas alcoólicas. Neste contexto, é importante que cada vez um maior número possível de mulheres esteja mais consciente sobre a prevenção, para que possam fazer escolhas saudáveis capazes de ajudar a prevenir o cancro da mama. Por outro lado, na fase inicial, o cancro da mama raramente provoca sintomas, pelo que a deteção precoce é essencial. O rastreio é realizado através de mamografia que possibilita a identificação de lesões não palpáveis três a quatro anos antes do aparecimento de sintomas. É essencial que as mulheres entre os 45 e os 69 anos adiram ao rastreio do cancro da mama, realizando mamografia de dois em dois anos. Nos concelhos do ACeS Médio Tejo, este rastreio é assegurado de forma gratuita pela Liga Portuguesa Contra o Cancro, através de unidades móveis que se deslocam aos vários concelhos. Contudo, um grande número de mulheres não adere ao rastreio, ignorando uma medida essencial de prevenção e de redução da mortalidade do cancro da mama. A Unidade de Saúde Pública do Médio Tejo relembra que todos temos um importante “papel” na prevenção e diagnóstico precoce do cancro da mama, e esse papel começa com cada um de nós - Faça a sua Parte! Paula Gil, Enfermeira, USP do Médio Tejo


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22 CULTURA

NOVEMBRO 2013

COORDENAÇÃO DE ANDRÉ LOPES

Espalhafitas apresenta programação para novembro O cineclube Espalhafitas, que exibe filmes semanalmente vai exibir a 13 de novembro “O Mascarilha”, um filme sobre as aventuras do Velho Oeste que transformaram John Reid, um homem da lei, num lendário

AGENDA DO MÊS Abrantes

e obscuro justiceiro, determinado a ajudar os pobres e indefesos. A sessão, sempre à quarta-feira, às 21h30, continua, na noite de 20 de novembro, com o filme “Um Planeta Solitário”, um drama emocionante sobre

um casal apaixonado e as diversas formas de traição capazes de invalidar todo o passado feliz e vivido em comunhão. Woody Allen realiza “Blue Jasmine”, um filme em visionamento no Cineteatro São Pedro a 27 de no-

vembro. O drama retrata a história de um casal multimilionário, habituado ao luxo, e que se vê confrontado com o divórcio e a procura de uma nova vida, mais modesta.

Simpósio sobre Ciência e Religião na Barquinha A Ciência e a Religião têm de estar de costas voltadas ou podem complementar-se? Ciência e Religião: dualidade ou unicidade? O simpósio, que decorre no Auditório do Centro Cultural de Vila Nova da Barquinha, no dia 7 de novembro, procura responder a estas e outras questões sobre as duas realidades. Das 9h às 17h30, o simpósio vai ter painéis onde serão debatidos,

entre outros, temas sobre: “A geologia na cultura das povoações”, “Religião e Ciência. Uma perspectiva judaica” ou “Fé e a Ciência: o testemunho pessoal de um astrónomo”. Este evento conta com a organização conjunta do Centro de Pré-história do Instituto Politécnico de Tomar e da Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha.

que cada pessoa tem a sua própria visão da vida e traz consigo lembranças de locais, ruas, casas, portas, entre outros pormenores, mesmo não sabendo o nome da terra onde esteve. Os autores são dois colegas que trabalham na Câmara Munici-

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Até dezembro – Exposição “Desenhos da Prisão”, desenhos por Álvaro Cunhal – Biblioteca Alexandre O´Neill, das 10h às 18h30 12 de outubro a 3 de novembro – Exposição “Do Lagar para a Tela”, pintura de Massimo Esposito – Posto de Turismo, dias úteis das 9h às 18, aos sábados e domingos das 11h às 13h e das 14h às 18h Até 29 de novembro – Mostra Bibliográfica sobre Dan Brown – Biblioteca Alexandre O´Neill, das 10h às 18h30 9 de novembro a 1 de dezembro – Exposição “…outro olhar”, pintura de Alice Pissarra e Sérgio Correia – Posto de Turismo 16 e 17 de novembro – “Conhecer Aromas e Sabores da Natureza”, promover produtos de produção biológica, ar tesanal e doméstica – Parque Ambiental de Santa Margarida, das 14h30 às 18h 24 de novembro a 1 de dezembro – XXVII Feira do Livro, Centro Náutico de Constância 1 de dezembro – Domingo na Praça – Praça Alexandre Herculano, das 9h às 12h DVDteca à sexta – Biblioteca Alexandre O´Neill, 15h: 8 de novembro – “Alice no País das Maravilhas” 15 de novembro – “As vinhas da Ira” 22 de novembro – “O Gang dos Tubarões” 29 de novembro – “Esquecido” 6 de dezembro – “O Fantasma da Ópera”

Sardoal

Vila de Rei Até 31 de dezembro – Exposição “A Escola dos Nossos Avós”, trabalhos elaborados pelos alunos do 9º ano da E. B. I. do Centro de Portugal – Museu Escola da Fundada Até 31 de dezembro – Exposição de fotografia “Cheiros & Sabores”, de Jorge Menezes - Biblioteca Municipal José Cardoso Pires Até 30 de dezembro – Exposição de trabalhos do concurso de pintura e desenho “Padre João Maia” – Biblioteca Municipal Até 30 de Novembro – Exposição “Irene Barata: Retratos de um percurso” - Biblioteca Municipal

pal de Constância em áreas distintas da pintura, mas que têm o mesmo gosto pelas artes. O Posto de Turismo está aberto de segunda a sexta, das 9h às 18h, sábados e domingos, das 11h às 13 e das 14h às 18h.

Vila Nova da Barquinha

A Festa da Marioneta passa por Abrantes A Festa da Marioneta, organizada pela Artemrede e que já vai na sua 5ª edição, acontece até dezembro e passa por Abrantes com dois espetáculos nos próximos meses. “Catabrisa”, que conta com a interpretação de Filipe Caldeira, cria um espaço de ideias em forma de sensação,

Constância

Até 16 de novembro - Exposição “Imagens que o tempo nos vai roubando”, pintura de Álvaro Mendes – Centro Cultural Gil Vicente Cinema – Centro Cultural, 16h e 21h30: 16 de novembro - “Isto é o fim” 30 de novembro - “Aviões”

Posto de Turismo de Constância com pintura em acrílico e óleo A exposição de pintura de Alice Pissarra e Sérgio Correia vai estar no Posto de Turismo de Constância entre 9 de novembro a 1 de dezembro. “…outro olhar”, assim se chama a mostra de pintura em acrílico e óleo, procura transmitir a ideia de

Até dezembro de 2013 – Exposição “30 anos de Arquivo em Abrantes” - Arquivo Municipal Eduardo Campos, de segunda a sexta, das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30 16 de novembro – Festa da Marioneta - “Catabrisa”, pela Artemrede – Cine-Teatro São Pedro, 10h e 15h 7 de dezembro – Teatro “O Problema do Corvo”, pela Artemrede – Cine-Teatro São Pedro, 10h Cinema – Org. Espalhafitas, Cine-teatro São Pedro, 21h30: 6 de novembro - “A Gaiola Dourada” 13 de novembro - “O Mascarilha” 20 de novembro – “Um Planeta Solitário” 27 de novembro – “Blue Jasmine”

um lugar de sensações em forma de gesto…para ver, ouvir, sentir e pensar. O espetáculo, com lotação máxima de 50 lugares para casa sessão, sobe ao palco do Cineteatro São Pedro, a 16 de novembro, pelas 10h e 15h. “O Problema do Corvo” é levado à cena a 7 de dezembro, às

10h, pela Companhia Partículas Elementares, proveniente de Ovar. Este teatro de marionetas é uma fábula ternurenta, na qual os animais tentam resolver, em Assembleia de Bichos, a tendência do Corvo para mentir descaradamente.

Até 31 de dezembro – Exposição “Dimensões do Passado – Homenagem a José da Silva Gomes” – Centro de Interpretação de Arqueologia do Alto Ribatejo, das 9h às 12h30 e das 14h às 17h30 Até 31 de dezembro – Exposição “Uma Linha Raspada”, de Daniel Barroca – Galeria do Parque, Edifício do Passos do Concelho – Quarta, quinta e sexta, das 11h às 13h e das 14h às 18h, sábado e domingo das 14h às 19h 4 a 29 de novembro – Mostra bibliográfica sobre Hermann Hesse – Biblioteca Municipal 7 de novembro – Simpósio “Ciência e Religião: dualidade ou unicidade?”, Centro de Pré-história do Instituto Politécnico de Tomar – Auditório do Centro Cultural, das 10h às 18h 9 de Novembro – XI Gala do Fado com Vicente da Câmara, Nuno Aguiar, Deolinda Bernardo – Clube União de Recreios da Moita do Norte, 21h30 (12,5€)


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NOVEMBRO 2013

CENTRO MÉDICO E DE ENFERMAGEM DE ABRANTES Largo de S. João, N.º 1 - Telefones 241 371 566 - 241 371 690

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CLINICA MÉDICA E REABILITAÇÃO CONSULTAS FISIATRIA - Dr. Joaquim Rosado - Dr.ª Almerinda Dias - Dr. Duarte Martelo ORTOPEDIA - Dr. António Júlio Silva DERMATOLOGIA - Dr. José Alberto Dores TERAPIA DA FALA - Dr.ª Ana Cláudia Fernandes PSICOLOGIA - Dr.ª Ana Torres NUTRIÇÃO E OBESIDADES - Dr.ª Carla Louro GINASTICA DE MANUTENÇÃO E CORRECÇÃO POSTURAL Acordos em TRATAMENTOS FISIOTERAPIA Caixa de Previdência (ARS Santarém), ADSE, ADMFA, ADME, ADMG, CTT, SAMS, P. TELECOM,EDP, Seguradoras, Medis Saúde, Espirito Santo Seguros, Seguros Acidentes Pessoais, MultiCare, Tranquilidade Seguros etc.

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ACUPUNCTURA Dr.ª Elisabete Serra ALERGOLOGIA Dr. Mário de Almeida; Dr.ª Cristina Santa Marta CARDIOLOGIA Dr.ª Maria João Carvalho CIRURGIA Dr. Francisco Rufino CLÍNICA GERAL Dr. Pereira Ambrósio; Dr. António Prôa DERMATOLOGIA Dr.ª Maria João Silva GASTROENTERELOGIA E ENDOSCOPIA DIGESTIVA Dr. Rui Mesquita; Dr.ª Cláudia Sequeira MEDICINA INTERNA Dr. Matoso Ferreira REUMATOLOGIA Dr. Jorge Garcia NEUROCIRURGIA Dr. Armando Lopes NEUROLOGIA Dr.ª Isabel Luzeiro; Dr.ª Amélia Guilherme

NUTRIÇÃO Dr.ª Mariana Torres OBSTETRÍCIA E GINECOLOGIA Dr.ª Lígia Ribeiro, Dr. João Pinhel OFTALMOLOGIA Dr. Luís Cardiga ORTOPEDIA Dr. Matos Melo OTORRINOLARINGOLOGIA Dr. João Eloi PNEUMOLOGIA Dr. Carlos Luís Lousada PROV. FUNÇÃO RESPIRATÓRIA Patricia Gerra PSICOLOGIA Dr.ª Odete Vieira; Dr. Michael Knoch; Dr.ª Maria Conceição Calado PSIQUIATRIA Dr. Carlos Roldão Vieira; Dr.ª Fátima Palma UROLOGIA Dr. Rafael Passarinho NUTRICIONISTA Dr.ª Carla Louro SERVIÇO DE ENFERMAGEM Maria João TERAPEUTA DA FALA Dr.ª Susana Martins

ACORDOS E CONVENÇÕES ARS (SISTEMA NACIONAL DE SAÚDE) L ADSE ADMG L ADM MEDIS L MINISTÉRIO DA JUSTIÇA L PSP L PT-ACS L SAMS MULTICARE L CAIXA GERAL DE DEPÓSITOS L ALLIANZ L MEDICASSUR MEDICINA NO TRABALHO MITSUBISHI FUSO TRUK L CAIMA - INDÚSTRIA DE CELULOSE L BOSCH L SISAV - SISTEMA INTEGRADO DE TRATAMENTO E ELIMINAÇÃO DE RESÍDUOS L PEGOP HORÁRIO 2ª a 6ª das 8h00 às 12h30 e das 14h00 às 18h00 Sábado das 9h00 às 12h00 (colheitas até às 11h00) PONTOS DE RECOLHA Sardoal L Mouriscas L Vila do Rei L Vale das Mós Gavião Chamusca L Longomel L Carregueira Montalvo L Stª Margarida L Pego L Belver L

SEDE Avenida 25 de Abril, Edifício S. João, 1.º Frente Dto/Esq 2200 - 355, Abrantes Telf. 241 366 339 Fax 241 361 075

ORAÇÃO DAS ALMAS

Ana Catarina Branquinho Peixoto AGRADECIMENTO Na incapacidade de agradecer pessoalmente a todos que se juntaram a nós neste momento de dor, no derradeiro adeus à nossa filha, irmã e neta querida Ana Catarina Branquinho Peixoto, vimos por este meio, agradecer o apoio pela presença, pelas palavras e sentimentos de consolo que manifestaram. Que a sua alma descanse em paz na felicidade que procurou toda a vida.

Oh! Minhas treze almas dos aflitos a vós peço pelo amor de Deus, atendei o meu pedido minhas 13 almas dos aflitos, a vós peço pelo sangue que Jesus Cristo derramou na cruz, dai-me a vossa proteção, cobri-me com vossos braços e guarde no vosso coração e protegei-me com vosso olhar. Oh! Deus de bondade, vós sois meu advogado na vida e na morte, peço-vos, atendei aos meus pedidos, livrando-me dos males e daime sorte na vida, que os olhos do mal não me vejam, cortai as forças dos meus inimigos. Oh! Minhas 13 almas dos aflitos, se me fizeres que eu alcance esta graça (Pedir a graça), ficarei devoto e mandarei celebrar uma missa e também imprimir um milheiro desta oração. Rezar 13 Avé Maria. 13 Pai Nosso Durante treze dias C.S.

Com Eterna Saudade dos pais, irmão e avós. jornaldeabrantes


jornaldeabrantes


Jornal de Abrantes - edição de novembro 2013