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Ao lado da SAPEC, em frente às bombas combustíveis BP


ENTREVISTA /

“A próxima prioridade é no diagnóstico do estado de saúde e em particular nas demências” Sara Pacheco é a Coordenadora Técnica da Equipa de Ação Social do Centro Humanitário de Abrantes e Tomar da Cruz Vermelha Portuguesa. Nestas funções desde 2013, falou-nos sobre o trabalho da sua equipa no concelho de Abrantes. Falamos de Ação Social, não da intervenção de emergência ou do transporte de doentes. A vossa missão é, leio, “Prestar assistência humanitária e social – em especial aos mais vulneráveis – promovendo a saúde, o bem-estar e a defesa da dignidade humana”. Certo?

Sim. A equipa de Ação Social tem como principal objectivo satisfazer as necessidades básicas que, por vários motivos, um grupo de pessoas da nossa comunidade não conseguem alcançar. Ou seja, contribuir para a qualidade de vida e o bem-estar daqueles que nos procuram.

Só no concelho de Abrantes?

Abrantes e Tomar. Quanto a esta zona, sim, é o concelho de Abrantes. Já temos respondido a pedidos urgentes de concelhos vizinhos, mas não temos meios para estendermos aí a nossa ação corrente.

Quais são as valências do vosso trabalho?

Apoio alimentar (200 pessoas), Apoio em vestuário (33 pessoas), Portugal + Feliz (13), Uma Cruz no Isolamento Social (45), Banco de Ajudas Técnicas (13), Ginásio Emprego (27) e Ponto Cruz (8). Temos ainda o Banco de Voluntariado – social (10). Os números de pessoas que usufruem dos nossos apoios referem-se a setembro deste ano.

No apoio alimentar, não há pessoas a “comer” de várias fontes?

Há, mas desde 2015, no âmbito da RLIS (Rede Local de Inserção Social), temos vindo a fazer um grande esforço de coordenação, no sentido de evitar sobreposição de apoios por parte das várias instituições e para ver qual a instituição

que pode dar a melhor resposta a um caso sinalizado. Para evitar essas situações, limitamos a entrega de cabazes alimentares a famílias num período de seis meses, partindo do princípio de que é uma situação de emergência e depois a família ganha autonomia e independência. Depois, se a situação se mantiver, podemos voltar a novo período de seis meses. Em casos singulares, de necessidade comprovada, podemos prolongar o apoio.

Tanta gente a precisar de apoio… Mas os empregadores dizem que “não há quem queira trabalhar”.

Infelizmente, há falta de pessoas para trabalhar e muita gente necessitada de apoio. Há pessoas que definiram o perfil de trabalho que querem e não estão abertas para trabalhar fora desse perfil. Há outras pessoas que estão há tanto tempo excluídas do mercado de trabalho que perderam a confiança em si e a autonomia para estar no mercado. Há pessoas com a saúde, por exemplo dentária, em estado de lhes dificultar o acesso a um empregador. Há outras pessoas que poderiam trabalhar, mas têm filhos dependentes de si e não têm dinheiro para os pôr numa creche ou para contratar uma pessoa que fique com eles enquanto fossem trabalhar, por exemplo por turnos. Há pessoas que não têm meio de transporte que lhes permita deslocarem-se para as zonas industriais, que ficam longe… Há tantas situações e não há respostas para estes tipos de necessidades tão diferentes.

Há falta de pessoas para trabalhar e muita gente necessitada de apoio” / A RETER Sara Pacheco Lic. em Psicologia Mestre em Aconselhamento e Psicoterapia Residência: Abrantes Na CVP desde 2004 Equipa Social do Centro Humanitário Abrantes / Tomar da Cruz Vermelha Portuguesa Coordenadora Técnica: Sara Pacheco Psicóloga: Juliana Lopes Assistentes Sociais: Joana Graça Maria Fernanda Carneiro Auxiliares de Ação Direta: Sara Costa Maria Ascensão Marques Carminda Fernandes Tel. 241 372 910 accaosocial @cvp-abrantestomar.pt

Qual é a vossa principal preocupação?

Não estarmos a conseguir chegar a todo o lado, sobretudo nos meios rurais. Verificamos que há pessoas em situação de necessidade, mas que desconhecem que podem recorrer à Cruz Vermelha ou a outras instituições. Às vezes porque não sabem ler, ou não têm óculos ou não sabem ligar o telemóvel. A informação não circula de modo eficaz.

E em termos das respostas específicas?

A nossa próxima prioridade é no diagnóstico do estado de saúde e em particular nas demências. Há um grande trabalho a fazer. Para as pessoas mais idosas, o controlo da tensão, da glicemia e do colesterol são muito importantes. O mesmo no que respeita às demências. Temos falta de meios humanos, mas precisamos de desenvolver esse trabalho com urgência.

Vamos ver algumas das vossas respostas Banco de Ajudas técnicas.

É o empréstimo de equipamento a pessoas que deles precisam. Por exemplo uma cadeira de rodas. Não temos o suficiente para responder a todas as pessoas que nos pedem ajuda. E quando uma cadeira de rodas sai, não sabemos quando volta.

Portugal + feliz.

É um programa de apoio financeiro ou técnico, gerido a nível nacional. Aqui, apenas sinalizamos o caso, que é analisado e decidido pela equipa nacional.

Uma Cruz no Isolamento Social

Rastreios mensais, que por falta de meios, é limitado às freguesias de S. Facundo e Vale das Mós.

Ginásio Emprego

São sessões de apoio à promoção da inserção profissional e ao desenvolvimento de estratégias ativas de procura de emprego. É um trabalho individualizado, pois as necessidades das pessoas são diferentes.

Ponto Cruz.

É uma oficina de trabalhos manuais, duas vezes por semana, na Encosta da Barata, para combater o isolamento das pessoas. Iniciámos o grupo, mas agora as pessoas que usufruem da oficina são as que dinamizam as atividades. É um exemplo da nossa filosofia de trabalho para a autonomia das pessoas.

O Banco de Voluntariado.

São pessoas que se voluntariam para colaborar em alguma das nossas respostas. Não precisa de ser em todas. Além dos dez voluntários, digamos permanentes, temos ainda outras pessoas externas à organização que nos dão apoios pontuais e, por isso, não contabilizamos como voluntários nossos.

Mais algum projeto?

Prestamos também acolhimento e ajuda à integração a refugiados, neste momento a dois, durante dezoito meses. Nisso, ajudamo-los a definirem um projeto de vida e a realizarem-no de acordo com o projeto que fizeram. Alves Jana janeiro 2018 / jornal de abrantes

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REPORTAGEM /

Já não há “pelados” nos Distritais. Relvados sintéticos oficialmente inaugurados A “aventura” começou no dia 1 de dezembro de 2015, quando a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) abriu o processo de candidatura ao programa de apoio ao desenvolvimento de infraestruturas desportivas e equipamentos dos escalões de formação. A 25 de novembro de 2016, soube-se que Casa do Povo do Pego e Tramagal Sport União foram as duas equipas do concelho de Abrantes a serem contempladas no programa de apoio a projetos na área do desenvolvimento do futebol. No concelho de Abrantes foram apresentadas três candidaturas, tendo ficado de fora deste programa os Dragões de Alferrarede. Ninguém baixou os braços e a Autarquia abrantina “chegou-se à frente” com o apoio necessário para que o arrelvamento dos três campos dos três Clubes que militam nos campeonatos distritais da Associação de Futebol de Santarém (AFS) fosse uma realidade. Este sábado, dia 16 de dezembro, foram oficialmente inaugurados os três relvados sintéticos nos campos de futebol de Alferrarede, Pego e Tramagal. Antes da visita aos campos, teve lugar no Salão Nobre dos Paços do Concelho, a cerimónia da assinatura do protocolo entre a Câmara de Abrantes, a Federação Portuguesa de Futebol e a Associação de Futebol de Santarém que visa a homologação pela Federação das atividades desenvolvidas pelo Município de Abrantes no âmbito do segmento de recreação e lazer nas modalidades de futebol, futsal e futebol de praia. Também presente, esteve o Secretário de Estado do Desporto e da Juventude, João Paulo Rebelo, representante máximo do Instituto Português do Desporto e Juventude (IPDJ). Fernando Gomes, presidente da FPF, agradeceu aos parceiros a concretização do arrelvamento dos campos e falou dos objetivos da Federação com esta iniciativa. O protocolo, disse Fernando Gomes, “é sintomático do esforço que a FPF tem feito, no sentido de dar corpo e forma àquilo que são as suas funções enquanto entidade reguladora da atividade futebol e na proteção do seu nome e imagem nas suas competições, hoje aqui consubstanciado na assinatura com a Câmara Municipal de Abrantes e a Associação de Futebol

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jornal de abrantes / janeiro 2018

A nossa preocupação é, acima de tudo, criar as condições para que a atividade seja desenvolvida” Fernando Gomes

de Santarém”. O presidente da FPF falou também dos dois Clubes do Concelho contemplados com a comparticipação na instalação dos relvados sintéticos “e um terceiro que, de alguma forma, apanhou o comboio para ver realizado o seu sonho de também ter um relvado nas mesmas condições dos outros clubes”. Relativamente ao objetivo do protocolo, Fernando Gomes afirmou que “a nossa preocupação é, acima de tudo, criar as condições para que a atividade seja desenvolvida de uma forma segura, através da realização dos exames médicos prévios à competição dos atletas que vão participar na prática do futebol e, por outro lado, na proteção ao seguro da atividade desportiva, que é obrigatório no exercício desta atividade”. João Paulo Rebelo, Secretário de Estado do Desporto e da Juventude, representante máximo do Instituto Português do Desporto e Juventude, falou do programa de requalificação das infraestruturas desportivas que permitiu ajudar no caso dos Dragões de Alferrarede. O governante explicou que esse apoio “se enquadra num Programa, a que chamámos de Requalificação das Infraestruturas Desportivas (PRID) (…) para ajudar diretamente os clubes de base local”. Até ao final da legislatura, o Governo conta investir no PRID um total de 4,5ME. Acerca do protocolo assinado e da importância do mesmo, Francisco Jerónimo, presidente da Associação de Futebol de Santarém disse que este “é, seguramente, um dia que marca o nosso futuro próximo” e que o acordo entre as partes foi conseguido “através de uma relação saudável e exemplar que existe entre as entidades, sen-

do seguramente um bom exemplo a seguir”. Com este protocolo, “vamos integrar na família do futebol mais praticantes. O concelho de Abrantes, neste momento com aproximadamente 550 inscritos na AFS, está no 5º lugar dos 21 concelhos do distrito mas, com as novas inscrições que resultam deste processo”, estará rapidamente na dianteira. Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes, falou aos presentes das apostas dos Município no âmbito do desporto, afirmando que “entendemos o desporto de forma transversal ao conjunto dos nossos eixos prioritários de investimento, investimento nas pessoas, em duas áreas em concreto: por um lado, porque fazemos uma aposta grande na formação desportiva enquanto potenciadora de formar cidadãos e, por outro lado, na vertente da formação para formarmos atletas”. A presidente da Câmara lembrou também o trabalho efetuado pelos três clubes na angariação de fundos para a concretização dos arrelvamentos dos campos e da colaboração da autarquia. “Uma palavra de grande reconhecimento ao trabalho que foi feito pelos três Clubes de futebol deste Concelho, os Dragões, o Pego e o Tramagal Sport União (TSU)”. A autarca também reconheceu que, “a dada altura, sentimos que tínhamos um problema em mãos”, lembrando a não aprovação da candidatura dos Dragões de Alferrarede no programa da FPF mas, situação essa que foi rapidamente ultrapassada quando a Câmara Municipal “decidiu ajudar no sentido de criar igualdade de oportunidades para os três clubes. No entanto, pedimos que se envolvessem e que envolvessem as suas comunidades”. Após a cerimónia nos Paços do Concelho, a comitiva seguiu primeiro para Alferrarede, depois Pego e Tramagal, onde foram descerradas as placas evocativas da efeméride. Referir que nos três campos, a moldura humana era representativa da importância que os relvados sintéticos trazem para as comunidades das três freguesias do Concelho. Patrícia Seixas

/ Fernando Gomes, Maria do Céu Albuquerque, João Paulo Rebelo e Francisco Jerónimo

/ Inauguração em Alferrarede

/ Inauguração no Pego

/ Inauguração em Tramagal


REGIÃO / Constância

Câmara aprova Orçamento de 7,8 ME. Oposição vota contra arranjo da zona ribeirinha de Constância, o arranjo do Largo Cabral Moncada e as obras de reparação do cineteatro, de forma a possibilitar que a sala possa novamente receber espetáculos culturais”, referiu o autarca. Outra intervenção prevista será a eficiência energética da piscina municipal e o avanço da ampliação e renovação da ETAR de Montalvo, com uma candidatura já apresentada. Por sua vez, para a localidade da Pereira, “que não tem rede de saneamento”, será apresentada uma candidatura para que a localidade conte com uma nova ETAR. Na área dos cuidados primários de saúde, Sérgio Oliveira avançou que no orçamento está uma “verba inscrita com vista à feitura das obras na Casa do Povo de Montalvo para que efetivamente a extensão de saúde reabra (…) Estamos a desenvolver neste capítulo os contactos necessários, quer junto do coordenador dos Centros de Saúde, quer ao nível do Ministério da Saúde, onde já pedimos uma audiência com o Sr. Ministro, para falarmos sobre esta questão, para que nos digam que obras são necessárias fazer na extensão de saúde

de Montalvo”. Para o campo de futebol de Montalvo, o presidente anunciou a colocação de um sistema de rega e em 2019 considerar a questão dos balneários. “Não é uma questão esquecida pela atual maioria que gere a Câmara, sendo uma questão que está na nossa agenda”, aludiu. “Dar-vos conta que temos uma verba inscrita para o Açude de Santa Margarida da Coutada, nomeadamente para a questão dos pesqueiros (…) Depois, temos também uma verba inscrita para o arranjo de diversos arruamentos no concelho”, anunciou. Sérgio Oliveira referiu ainda que já foi iniciado o processo de legalização do cemitério de Montalvo. “O cemitério não está registado em nome de ninguém, está omisso da conservatória do registo predial e, portanto, iniciámos esse processo. Vamos arranjar a estrada que dá acesso ao cemitério e o largo do mesmo, dando dignidade aquele espaço”. O próximo passo será a “ampliação daquele cemitério”, avançou. “Neste orçamento, as despesas com o pessoal aumentam. Devido, por um lado, a novas contratações,

Aquilo que de bom foi feito deve manter-se, aquilo que há que mudar, muda-se” procedimentos concursais que já vinham do mandato anterior. E para além disso, um conjunto de outros lugares que consideramos que são fundamentais para o bom funcionamento da Câmara Municipal”, finalizou o autarca. Após um conjunto de questões e sugestões deixadas, as vereadoras da oposição, Júlia Amorim e Sónia Varino acabaram por votar contra ao orçamento apresentado pela maioria PS. Na sua declaração de voto as vereadoras salientaram que “seria expectável que fosse apresentada uma estratégia inovadora com visão de futuro e bem mais detalhadas”. “Vemos com preocupação a insuficiente atribuição de verba em algumas rúbricas ou mesmo a au-

sência de referência a alguns projetos, sendo disso exemplo: o apoio à construção do centro de dia e do lar em Montalvo; a aquisição de uma viatura que substitua o miniautocarro; a construção dos balneários no campo de futebol de Montalvo; ações concretas que promovam a criação de emprego e a fixação de pessoas, principalmente jovens; a inexistência de ações e medidas de apoio efetivo ao tecido empresarial local; a conservação e modernização da rede de saneamento básico que é tratada na ETAR do Caima e a ampliação do cemitério de Constância”, enumeraram. Em resposta Sérgio Oliveira afirmou que Câmara tenciona comprar um novo autocarro para transportes escolares, que está prevista a criação do Conselho Municipal de Turismo e um regulamento de apoio ao investidor. Quanto ao lar e centro de dia de Montalvo, o projeto terá de ser concertado com a Santa Casa da Misericórdia, “que tem previsto um centro de convívio para aquela localidade”, disse. “Aquilo que de bom foi feito deve manter-se, aquilo que há que mudar, muda-se”, concluiu o autarca. PUBLICIDADE

A Câmara Municipal de Constância aprovou, no dia 21 de dezembro, na reunião do executivo camarário em Montalvo, um orçamento de cerca de 7,8 milhões de euros para o próximo ano. As Grandes Opções e o Orçamento para 2018 foram aprovados por maioria, com os votos contra das duas vereadoras eleitas pela CDU. Sérgio Oliveira, presidente de Câmara Municipal, começou por afirmar que o “orçamento foi completamente reformulado” no que diz respeito aos orçamentos de anos transatos. “Queria transmitir que é um orçamento realista, que tenta responder às necessidades, às dificuldades e anseios das nossas populações. É um orçamento claro, transparente e objetivo”, vincou. Em termos de obras, o presidente começou por fazer referência à conclusão do Centro Escolar de Montalvo, que representa um investimento de cerca de 480 mil euros, para o seu apetrechamento e construção de acessibilidades. No que diz respeito ao Plano de Ação de Regeneração Urbana de Constância (PARU) está previsto “ o

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REGIÃO / Constância

CM de Constância

“Temos uma zona industrial multifacetada, precisamos é de mais empresários”

O executivo municipal de Constância visitou no dia 19 de dezembro algumas empresas da zona industrial de Montalvo. O périplo centrou-se em vários objetivos, mas em jeito de balanço, Sérgio Oliveira, presidente da Câmara, disse que encontrou “um grupo de empresários motivados,

com vontade de lutar pelas suas empresas e que me transmitiram uma ideia de otimismo e esperança. E encontrei um tecido empresarial diversificado”. “Temos uma zona industrial multifacetada, precisamos é de mais empresários e mais investimento privado para criar mais

emprego e riqueza no concelho”, aludiu o autarca. Apesar de ainda dispor de lotes ainda por preencher, na zona industrial de Montalvo “há sinais significativos da melhoria da economia. Eles próprios [os empresários] têm esses sinais no seio das empresas que gerem”, referiu o

presidente. Questionado sobre os pavilhões que vão ficar disponíveis devido ao encerramento produtivo da Goma Camps, sediada naquele local, Sérgio Oliveira afirmou que ainda não teve a intenção oficial de novos empresários que se possam vir a sediar naqueles espaços. Contudo,

no início do mandato, chegou à Câmara Municipal “o contacto de dois empresários que querem investir noutros pavilhões e noutro tipo de negócio. É uma situação muito embrionária que não gostaria de adiantar mais pormenores”. “Foram dois empresários que nos contactaram no início de mandato, que chegaram ao nosso contacto e com os quais já mantive reuniões de trabalho”, acrescentou. Com esta visita o novo executivo quis dar-se a conhecer, bem como deixar a mensagem que a Câmara é um parceiro das empresas que estão a operar naquele local. “A Câmara Municipal quer ser um parceiro de colaboração para com eles e estará sempre disponível para os receber e para ser sempre parte da solução e não do problema, nas dificuldades que eles possam ter”. Um outro objetivo da visita “foi projetar a zona industrial de Montalvo, dizendo que ela existe, que está ali e há disponibilidade em acolher mais empresas e com isso criar mais emprego”, vincou o autarca. Neste momento, a zona industrial de Montalvo reúne cerca de 15 a 20 empresas. Joana Margarida Carvalho

Célia Chamiça e José Martinho Gaspar vencem prémios Alexandre O’Neill A Biblioteca Municipal Alexandre O’Neill detentora, desde 1986, da biblioteca pessoal de Alexandre O’Neill, celebrou no dia 19 de dezembro, o 93.º aniversário do poeta com a atribuição dos prémios da 4ª Edição do Concurso Literário Alexandre O’Neill. Célia Chamiça e José Martinho Gaspar venceram o Concurso Literário dedicado às modalidades de conto e poesia. Num total de 25 participantes, na modalidade de poesia venceu Célia Chamiça, natural de Lisboa, com o poema “Segredos do Além”. E na modalidade de conto, com o texto “Espinho ou pétala, Rosa?”, José Martinho Gaspar, escritor abrantino, venceu também o primeiro lugar. José Martinho Gaspar explicou a história que retrata o conto que apresentou a concurso. “Um dos temas propostos era o da amizade e eu acabei por me inspirar numa

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situação real, uma situação de doença”, começou por explicar o autor abrantino. “ [O conto] retrata a história de uma pessoa (…) que em meados do século 20 quando nasceu acabou por ser vítima de poliomielite. É uma senhora aqui da nossa região, e que apesar de todos os problemas, os seus pais e colegas acabaram por fazer tudo para que ela fizesse o seu ensino, quer em termos de ensino primário, como secundário…” “Naturalmente, que esta história de vida está um pouco ficcionada neste conto e que existem muitos episódios que não aconteceram na realidade, mas temos muitos momentos de alguém que teve este estigma e que conseguiu ultrapassar e marcar o quotidiano da nossa região”, vincou o escritor. Já Célia Chamiça salientou a importância do prémio atribuído ao seu poema. “Apesar de não ter

/ Jorge Pereira, Ana Filipa Montalvo, José Martinho Gaspar, Sérgio Oliveira, Célia Chamiça e Júlia Amorim sido o prémio Alexandre O’Neill o meu primeiro prémio literário, para mim é muito especial. Num país em que quem se dedicada à

escrita literária tanta dificuldade encontra para a dar a conhecer (…) Os prémios literários constituem um dos raros encorajamentos para

continuarmos a escrever literatura em língua portuguesa”, referiu a escritora. À margem da cerimónia, Sérgio Oliveira, presidente da Câmara, salientou ao JA a marca Constância - vila poema, salientando que Constância “é uma terra de poetas” e compete ao Município “cada vez mais contribuir e fazer atividades para que a leitura e poesia sejam um hábito nos jovens e nos menos jovens. É uma iniciativa que visa a promoção da nossa cultura, neste caso a poesia de Alexandre O’Neill”, aludiu. Para além da atribuição dos prémios, a cerimónia de ontem contou ainda com uma sessão de Poesia pela Universidade Católica e a visualização de um documentário sobre o Mural dos Poetas, elaborado pelo curso de Vídeo e Cinema Documental da ESTA. Joana Margarida Carvalho


REGIÃO / Constância

Constância homenageia associações culturais do concelho / Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal, falou das instituições homenageadas, das dificuldades mas também dos desafios para o futuro

/ António Matias e Rui Ferreira A 7 de dezembro de 1836, a rainha D. Maria II, satisfazendo um pedido apresentado pela população, mudou o nome da vila de Punhete, que tinha há séculos, para Notável Vila da Constância. É esse momento que, desde há 7 anos, a Câmara Municipal de Constância assinala com a Gala “Gostar de Constância”. Mais uma vez, o evento teve lugar no auditório do Centro de Ciência Viva que se tornou pequeno para acolher todos os que quiseram assistir à iniciativa. Na cerimónia deste ano, foram homenageados a Associação Filarmónica Montalvense 24 de janeiro, a Associação Casa-Memória de Camões e o Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Malpique. Sérgio Oliveira, presidente da Câmara Municipal, falou das instituições homenageadas, das dificuldades mas também dos desafios para o futuro. “Instituições que desempenham um papel fundamental na promoção da cultura e do recreio no nosso Concelho. (...) Mas são muito mais do que dinamizadores de atividades. São autênticas escolas de vida que ensinam a todos quantos passam por elas, a convi-

/ João Varino e António Matias ver no seio da sociedade. Ajudam a crescer os seres humanos nas suas diversas vertentes: na convivência em sociedade, no espírito de colaboração, espírito de partilha e camaradagem”. O presidente disse ter “plena consciência das dificuldades que enfrentam no vosso dia-a-dia. Sei as responsabilidades que assumem ao envolver-se no mundo associativo”. E reforçou que “a Câmara Municipal estará sempre disposta a colaborar e a ajudar na prossecução das vossas atividades mas sempre numa perspetiva de complementaridade. De tratamento igual para todas, sem qualquer tipo de discriminação e nunca numa perspetiva assistencialista”. “Com otimismo temperado, com o realismo certeiro e com maior esperança no futuro, vamos conseguir todos atingir os nossos objetivos e concretizar os nossos projetos enquanto comunidade”, concluiu Sérgio Oliveira. Rui Ferreira, presidente da Associação Filarmónica Montalvense 24 de janeiro, falou da distinção recebida e também da vida atual da Filarmónica. “É uma honra para a Associação

Filarmónica Montalvense 24 de janeiro ser distinguida pelo Município. É a única escola de música com dimensão no concelho e isso dá-nos, por um lado, mais responsabilidade mas, por outro, mais motivação para continuar a fazer cada vez melhor”. A escola de música conta com mais de 100 alunos, para além do coro e ainda do ensino articulado. Quanto a dificuldades, a maior de todas com que a Filarmónica se debate, prende-se com as instalações. “É uma necessidade premente que temos”. A sede tem “instalações exíguas, sem condições acústicas de onde não se consegue tirar o rendimento necessário nos ensaios. É impossível melhorar a nossa qualidade naquelas instalações”. “Reconhecimento e incentivo do trabalho que tem vindo a ser feito ao longo de 40 anos”. Foi assim que António Matias Coelho definiu o significado da homenagem à Associação Casa-Memória de Camões. O presidente da Direção falou também dos projetos que a Associação tem em mãos para um futuro próximo: “Reabilitar o Jardim-Horto e abrir ao público a

Casa-Memória de Camões. É para isso que trabalhamos”. E relembrou a ligação da vila ao poeta: “Não há nenhuma outra terra em Portugal que tenha com Camões a relação que Constância tem. Nenhuma!” Relativamente à vida da Associação, António Matias Coelho revelou que “há ano e meio, quando tomámos posse, em abril do ano passado, a Associação tinha 18 associados. Ficámos 17 com o falecimento da nossa fundadora este ano. Neste momento, somos 38. Somos o dobro mas ainda somos poucos”. Manuela de Azevedo foi referida muitas vezes durante a noite. A fundadora da Associação Casa-Memória de Camões faleceu a 10 de fevereiro de 2017, ano em que Constância celebrou o Ano Camões. Quem não parece debater-se com contrariedades é o Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Malpique, o outro homenageado da noite. João Varino, presidente da Direção do Rancho, falou à Antena Livre da vida do grupo, de um projeto bem consolidado e também da motivação que esta distinção traz. “Representa um prémio pelo

que temos feito ao longo de 32 anos, que vem sempre em crescendo na representação das tradições deste Concelho, da ruralidade, digamos. O Rancho Folclórico apresentou muitos jovens na sua constituição. João Varino explicou que, “quando o projeto tem qualidade, é fácil arranjar gente. Se tiver conteúdos, tiver objetivos... porque o folclore é transversal. É uma ciência e não passou de moda, a par com a etnografia e a etimologia”. O presidente do Rancho Folclórico “Os Camponeses” de Malpique afirmou ainda que “o folclore não está em risco, o que está em risco são os maus projetos”. A Gala “Gostar de Constância” 2017 contou com momentos de animação musical e a realização de entrevistas aos três homenageados, um de cada freguesia. O objetivo principal do Gostar de Constância, para além de assinalar a efeméride, “é proporcionar uma jornada de promoção dos valores, sobretudo em termos humanos e institucionais”. Patrícia Seixas

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REGIÃO / Sardoal

Câmara aprova Orçamento de 9,9 ME. Oposição vota contra

/ A grande obra prevista no orçamento será a requalificação do Parque Escolar A Câmara Municipal de Sardoal aprovou, na última reunião de Câmara do dia 13 de dezembro, um orçamento de 9,9 milhões de euros para o próximo ano. As Grandes Opções e o Orçamento para 2018 foram aprovados por maioria, com os votos contra dos dois vereadores eleitos pelo PS. O orçamento sofre um ligeiro aumento de cerca de 90 mil euros face ao ano anterior e reúne um conjunto de obras e projetos com apoio comunitário. A grande obra prevista no orçamento será a requalificação do Parque Escolar. Segundo avançou Miguel Borges, presidente da CM, na “próxima reunião [de câmara] virá a proposta da empresa vencedora do concurso público, para que depois seja assinado o contrato e aprovado pelo tribunal de contas”. Como prioridades, o presidente destacou trabalhos de pavimentação nas localidades de Lobata, São Domingos, Mogão, Entrevinhas, Cabeça das Mós e Vale da Amarela. A requalificação do mercado diário da vila é outra intervenção prevista. “O edifício já tem algum tempo e precisa de alguma adequação”, considerou Miguel Borges. E no Núcleo de Moinhos, em Entrevinhas, o Município pretende proceder à requalificação de um moinho, que é pertença da Câmara, para transformá-lo num bar de apoio para os eventos festivos. Na área da Educação, “vamos continuar com as bolsas de estu-

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do e os prémios de mérito”. Como também, com “a Rede de Escola de Excelência e a Rede de Bibliotecas”, sendo projetos “no âmbito da promoção do livro e da leitura”, afirmou o autarca. No Plano de Ação para a Regeneração Urbana, “temos previsto intervir na Capela de Nossa Senhora do Carmo, com o Centro de Interpretação da Semana Santa. A recuperação do lagar dos Paulinos, com o espaço ArtOf e a segunda fase dos corredores pedonais”. “Está ainda espelhado neste orçamento o reforço do sistema de abastecimento de água de Entrevinhas. E a melhoria do bairro habitacional da Tapada da Torre, onde já está neste momento a decorrer o concurso e já há o projeto de execução dos trabalhos”, avançou Miguel Borges. No âmbito da eficiência energética, o presidente garantiu que a Câmara vai “continuar com os projetos para as piscinas municipais”. E já no âmbito das novas tecnologias, Miguel Borges referiu que o Município está a analisar em conjunto com uma empresa “a criação de vários postos de wi-fi”, que terá “uma cobertura muito grande”, abrangendo “o parque das merendas, o centro histórico, a zona dos bombeiros, as escolas, o parque desportivo”, etc. “Vai ser uma grande zona de acesso livre à internet”. No âmbito Social, “vamos continuar a articular o trabalho com o

CLDS 3G, a CPCJ e a RLIS. Vamos continuar com os projetos e consolidar alguns, como é o caso da Universidade Sénior que tem sido um sucesso. Vamos continuar com as refeições gratuitas no 1º ciclo e com o programa ABEM - Rede Solidária de Medicamentos, onde somos pioneiros a nível nacional”, reforçou. Na área Cultural, “vamos continuar com o Encontro Internacional de Piano, a Rede Eunice, o Sardoal Jazz e claro e com o apoio ao associativismo”, concluiu. Por sua vez, a oposição considerou que este não é o seu orçamento e que o Município devia “apostar mais na Ação Social”, disse o vereador Pedro Duque (PS). “Mais uma vez em matéria de Grandes Opções do Plano, dois dos principais vetores que consideramos prioritários na atuação deste Executivo foram relegados para planos secundários, designadamente a Ação Social e o Investimento na criação de emprego e fixação de população”, referiu o vereador socialista na sua declaração de voto. “No que à Ação Social diz respeito, onde pretendíamos ver reforçados os apoios que em certa medida já vêm sendo prestados à população, designadamente por exemplo através da complementaridade do projeto ABEM, que se tem revelado insuficiente face às necessidades da população na compra de medicamentos, com

um apoio mais eficaz e efetivo do Município, principalmente em relação à população mais idosa, bem como outros projetos na área por exemplo o incentivo à natalidade. Verificamos que o Executivo pretende dispor de verbas na ordem dos 64.000€ enquanto, e a título de exemplo, em cultura pretende dispor de cerca de 214.000€, e em publicidade cerca de 75.000€, sem que isto signifique que defendamos um desinvestimento em qualquer destas matérias”, afirmou o responsável. E continuou: “em matéria de investimento na criação de emprego e fixação de população, não é dita uma palavra sequer, tão pouco existe uma Candidatura a qualquer projeto nesta área. Somente é vagamente referida, como é hábito e com os resultados que são conhecidos, a continuação do processo de Revisão do PDM. Nesta matéria, pretendíamos ver inscrito nas Grandes Opções do Plano, enquanto o processo de revisão do PDM não esteja concluído, por exemplo um projeto de aproveitamento da Urbanização existente em Andreus por forma a disponibilizar à população um espaço para a construção própria de pelo menos uma dezena de fogos habitacionais”. “Queríamos igualmente ter visto inscrito nas Grandes Opções do Plano, projetos relativos ao aproveitamento e ou expansão da zona industrial de Sardoal, mas igualmente estes documentos previsio-

nais, são totalmente omissos quanto à existência de projetos nesta matéria”, finalizou Pedro Duque. Em resposta, Miguel Borges afirmou que a declaração de voto dos socialistas não “espelhava as Grandes Opções do Plano para o próximo ano” e lamentou a falta “de discussão prévia” que podia ter acontecido antes da votação dos documentos, acusando os vereadores da oposição “de falta de ética política”. No que diz respeito à área social, o presidente lembrou a atribuição do Galardão “Município Familiarmente Responsável” e um conjunto de ações já realizadas e que vão continuar em 2018. Nesta reunião, foram ainda aprovadas por unanimidade as taxas municipais. Para 2018, o Município decidiu manter todas as taxas: 0,325% taxa do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) para prédios urbanos e 0,8% para prédios rústicos. Em 5% a participação variável no IRS e em 1,5% a derrama para as empresas com volume de negócios acima de 150 mil euros e não aplicação da taxa para as que faturam um valor menor. Todos os documentos foram aprovados por maioria, com os votos contra dos deputados eleitos pelo PS, na Assembleia Municipal do dia 21 de dezembro. Joana Margarida Carvalho


REGIÃO / Sardoal Paróquia de Santiago de Montalegre comemorou centenário

/ Francisco Valente, D. Antonino Dias e José Martinho Gaspar comemorações. Finda a visita, decorreu uma representação teatral levada a cabo pelo grupo das crianças da catequese, concebida por Filipa Navalho e Isabel Carreira. Voltou-se, de seguida, ao interior da igreja, onde teve lugar um concerto musical interpretado pela Filarmónica União Sardoalense. Após este rico momento musical, os presentes iniciaram um período de confraternização, que integrou um lanche partilhado.

Esta jornada de encerramento das comemorações foi bastante concorrida, tendo marcado presença, para além do Bispo de Portalegre-Castelo Branco, o presidente e os vereadores da Câmara Municipal de Sardoal, bem como os presidentes das Juntas de Freguesia de Santiago de Montalegre e de Carvalhal, a que pertencem as localidades que integram a paróquia. José Martinho Gaspar

A delegação do Milllenium BCP de Sardoal fechou portas no dia 15 de dezembro. Contudo, o banco irá manter um posto de atendimento na Loja do Cidadão de Sardoal. Uma proposta sugerida pelo presidente da Câmara, Miguel Borges, que foi aceite pelos administradores do banco. Miguel Borges lembrou que estes encerramentos são consequência da falta de pessoas no interior do país. “Estamos a perder serviços porquê? Porque não temos gente. O interior está desertificado. Não é um problema de Sardoal, mas transversal a todo o nosso interior. O que está a acontecer aqui com o Millenium BCP já aconteceu noutros locais”, salientou.

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No dia 8 de dezembro, a Paróquia de Santiago de Montalegre, encerrou as comemorações do seu centenário, com um programa diversificado que se prolongou ao longo de toda a tarde e que entrou pela noite dentro. O programa arrancou pelas 15 horas, com a celebração de uma missa que contou com a participação do Bispo da Diocese de Portalegre-Castelo Branco, D. Antonino Dias. Seguiu-se, ainda no interior da Igreja Paroquial de Santiago de Montalegre, a apresentação do livro “Paróquia de Santiago de Montalegre: Caminho de 100 anos”, alusivo à história desta paróquia, criada a 17 de março de 1917, da autoria de Francisco Esteves Valente, pároco de Santiago de Montalegre, e José Martinho Gaspar, que tem ligações familiares à paróquia. O livro conta ainda com um texto introdutório de D. Antonino Dias, Bispo de Portalegre-Castelo Branco. A seguir, teve lugar uma visita à exposição alusiva aos 100 anos da paróquia, patente na sede da Junta de Freguesia desde as Festas de Verão de Santiago de Montalegre, momento que marcou o início das

FOTO LEGENDA /

janeiro 2018 / jornal de abrantes

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ESPECIAL / Saúde

Novais Tavares: “Não estamos mal, já estivemos pior, mas penso que é possível melhorar” António Novais Tavares é o Coordenador das Unidades de Cuidados de Saúde Primários (UCSP) de Abrantes, Constância, Mação e Sardoal, cargo que acumula “com todo o meu ficheiro porque disse que não deixaria as minhas consultas para trás”. À pergunta de como anda a saúde dos utentes da região, é perentório: “já esteve pior!” “Apesar de, neste momento, as coisas estarem bem melhores, ainda esperamos que fiquem muito melhores”, afirma, convicto. Os médicos são um dos fatores principais para melhorar a saúde. “E não só médicos como também enfermeiros, na medida que também estamos à espera de enfermeiros novos, num concurso que abrirá este ano”. Quisemos saber como está a situação da colocação de médicos na região e Novais Tavares explicou que “em Constância, o doutor Fernando Siborro foi substituído, e neste momento Constância está com três médicos o que, para já, é suficiente para a população”.

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jornal de abrantes / janeiro 2018

Em Sardoal, o médico de família que estava e saiu, teve que ser substituído por um médico contratado “pois não tivemos hipóteses de ser aberto concurso em tempo útil”. No entanto, em relação a um passado próximo, “está muito melhor”. A situação em Abrantes também se alterou. “Em concurso, recebeu mais quatro médicos especialistas em medicina familiar, tendo ficado uma médica no Rossio, duas em Tramagal (uma delas tendo ficado também com S. Miguel do Rio Torto) e um médico em Bemposta. Neste momento, Abrantes só tem um médico contratado, que faz Carvalhal e Pego. Logo que haja outro concurso, poderá ter que ser substituído por outro médico de família”. O concurso, espera-se que seja em março ou abril. Relativamente à mudança do Centro de Saúde de Abrantes para o edifício da antiga Casa de Saúde, também deverá ocorrer durante o ano de 2018, até porque se iniciarão as obras de requalificação e aumento do Serviço de Urgência

A taxa de vacinação da gripe na região é bastante elevada, “estando os grupos de risco praticamente todos vacinados”

na unidade hospitalar. Com o edifício que vai acolher a Unidade de Saúde Familiar (USF) em Rossio ao Sul do Tejo praticamente concluído – espera-se que a obra seja entregue no início deste ano – fica a faltar o equipamento, responsabilidade da Administração Regional de Saúde (ARS), e a equipa médica e de enfermagem. Esse é,

para já, um processo que ainda está aberto. Quanto à prevalência de doenças na região, são “essencialmente, doenças associadas ao envelhecimento. São doenças degenerativas, osteoarticulares, hipertensão, diabetes... porque temos taxas de envelhecimento muito grandes em todas estas unidades”. O facto de, nos últimos tempos, aparecerem casos de tuberculose e outras doenças epidemiológicas “fica a dever-se a várias situações. No caso de pessoas mais novas, tem muito a ver com casos de toxicodependência. Mas ao nível da população em geral, não há prevalência de casos desses. Quando aparece é muito esporádico e já há algum tempo que não temos nenhum. Quanto às infecto-contagiosas, são as doenças banais, desde a gripe à amigdalite e coisas do género”. Ultimamente, cada vez mais nos defrontamos com casos de Demência, Parkinson e Alzheimer e “isso nota-se mais nos diabéticos. Tem a ver com as novas condições de vida, comportamentos, alimentação...

estão a aparecer mais e mais cedo”. A população idosa é sempre um dos grupos de risco que mais preocupação acarreta. Em Mação, a resposta social tem uma “excelente oferta em termos de instituições de apoio”. Nos outros sítios, também temos capacidade de oferta. Mas nem toda a população idosa está institucionalizada. “Uns porque não querem, outros porque a família não quer. Claro que tem vantagens o facto de as pessoas estarem em casa, desde que sejam bem tratadas. Mas também sabemos que muitos ficam nessa situação para não pagarem, porque a reforma dá jeito”, revela António Novais Tavares. Já os idosos que vivem em populações mais isoladas, estão mais desprotegidas e “é muito importante que as unidades de saúde dêem resposta, pelo menos em termos de domicílio. E na nossa zona estão a dar”. No mês de janeiro está previsto que se atinja o pico da gripe mas, para já, nas Unidades de Cuidados de Saúde Primários (UCSP) de Abrantes, Constância, Mação e Sardoal, não há um plano de contingência “porque as Unidades de Mação e de Abrantes vão dar resposta”, afirma Novais Tavares. E explica que “em Mação, temos consulta de recurso três dias na semana e estamos abertos sempre aos sábados, domingos e feriados. Damos resposta. Em Abrantes, todos os dias, de manhã e de tarde, vai haver consultas de recurso e consegue perfeitamente dar resposta. Já em relação a Sardoal e Constância, foi um bocadinho mais problemático mas consegui que todos os médicos façam alguma intersubstituição entre eles, no caso de algum não estar, para haver sempre médico”. Já a taxa de vacinação da gripe na região é bastante elevada, “estando os grupos de risco praticamente todos vacinados. E temos também muitas pessoas que se vacinaram, mesmo sem pertencerem a nenhum dos chamados grupos de risco”. Conversa puxa conversa, quisemos saber a opinião do Coordenador das UCSP acerca da «moda» da não vacinação das crianças. António Novais Tavares informa que “isso é um problema grave a que estamos a assistir em toda a Europa. É que a vacina em si, não tem a consequência que tem a doença. E algumas doenças podem ser graves, inclusivamente podem deixar sequelas e até serem fatais”. “Nas nossas Unidades, não temos assim um problema tão grave em termos de vacinação, o que não quer dizer que não comecem a aparecer. Porque já aparecem alguns casos. Felizmente, as restantes crianças estão vacinadas”, informa o Coordenador das UCSP. Como prognóstico para 2018, Novais Tavares pensa “que vamos melhorar em termos de médicos. Não estamos mal, já estivemos pior, mas penso que é possível melhorar”. Patrícia Seixas


Alunos da ESTA vencem prémio de Cinema André Oliveira e Pedro Mourinha, alunos da Licenciatura em Vídeo e Cinema Documental da ESTA, receberam o Prémio do Público do Festival Internacional de Cinema Ferroviário – Cinerail - com o filme “507”.

JANEIRO DE 2018 EDIÇÃO Nº 43 www.estajornal.com Gratuito · Periocidade Trimestral DIRETORA: HÁLIA COSTA SANTOS DIRETORA ADJUNTA: RAQUEL BOTELHO

Poluição e abandono do Tejo continuam a preocupar pescadores e ambientalistas F p. 2

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FOTOGRAFIA LUÍS DIAS

Comércio tradicional em Abrantes

Já foram investidos “muitos milhões” no centro histórico

Os consumidores parecem não se sentir atraídos pelo centro histórico de Abrantes. Os comerciantes queixam-se da falta de movimento, embora alguns reconheçam que a iluminação da época natalícia tenha atraído mais clientes. Para além das lojas serem antigas, novos empresários têm apostado em revitalizar o comércio abrantino. O presidente da Junta de Freguesia defende que “o comércio tradicional está na moda” e lembra os “muito F p. 4 milhões investidos”.

Tagusvalley

Espaço de inovação e de lançamento de novas ideias

O TagusValley, parque tecnológico de Abrantes, já apoiou mais de 250 pessoas com as suas ideias de negócio e mais de 200 empresas na prestação de serviço ao setor alimentar e na área de automação metalomecânica. Neste espaço que também engloba uma incubadora de ‘start ups’ respira inovação e desenvolvimento tecnológico. F p. 5

Mobilidade

Estudantes Erasmus da ESTA satisfeitos com o acolhimento

No âmbito do programa Erasmus, a ESTA tem vindo a acolher de estudantes de diferentes países, mas os jovens turcos são os que mais têm procurado Abrantes. Para aprender a língua e a cultura ou para preparar uma mudança de vida, os motivos da escolha divergem. O acolhimento caloroso é uma tónica comum. “Portugal é um país F p. 7 incrível para ter uma destas experiências.” PUB


Tejo 02

JANEIRO 2018

ESTA JORNAL

“Poluição, abandono e falta de respeito” continuam a preocupar pescadores e ambientalistas D

LUÍS DIAS ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

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L ProTejo diz que o problema não é a falta de água, mas a fraca qualidade de água que o rio tem

“Isto já não é mais o rio Tejo, isto é uma ribeira de esgoto” quanto pescava, queimou uns sacos de plástico para se livrar deles. Quando o fez, foi imediatamente alertado que era proibido junto ao rio. Vasco compara essa situação com os veículos que passam constantemente no rio para trabalhar na extração de areia e acha ridículo não serem pa-

rados como ele mesmo foi por uns simples sacos de plástico. Claramente “alguma coisa está mal”. Como se a seca já não fosse um problema, a poluição só veio piorar tudo, segundo o pescador. Com a falta de água ainda daria para viver, mas com a poluição é como “uma

pessoa estar a morrer afogada e em vez de lhe mandarem uma bóia, mandam-lhe uma pedra”. Mas será mesmo que a seca pode ser um dos fatores que contribui para a situação atual do rio? Segundo Paulo Constantino, fundador da ProTejo, isso não é de todo verdade. Apesar da

As saudades de um rio com vida

seca severa ser evidente no nosso país, “não existe menos água este ano nas barragens da Estremadura espanhola nem nas barragens do Fratel e Belver em Portugal comparativamente com o nível de armazenamento de água nos anos de 2015, 2016 e na média dos últimos 10 anos. Têm ocorrido descargas significativas de caudais médios diários na barragem espanhola de Cedillo e nas barragens portuguesas de Fratel e Belver.” Ou seja, a água no Tejo continua a mesma em quantidade e só caiu em qualidade. ProTejo, o Movimento em Prol do Tejo, é um movimento ambientalista que nasceu primeiro sem personalidade jurídica, a 5 de setembro de 2009, e que conseguiu afirmar-se como um elemento importante na luta pelo rio sete anos depois. Nascido pela necessidade de fazer algo por este rio amado por muitos, o ProTejo tem feito manifestações, apresentado propostas de soluções (como a implementação de um regime de caudais ecológicos estabelecidos de forma científica para garantir o bom estado ecológico das águas do rio) e reunido estudos, notícias e reportagens para divulgá-las nas redes sociais. No entanto, mesmo assim isso não parece convencer o ministro do Ambiente. “Nunca o rio Tejo e seus afluentes registaram tão elevado grau de poluição, de abandono e falta de respeito, por parte de uma minoria que tudo destrói, perante a complacência das autoridades.” – assegura Paulo. O ProTejo tem o apoio de várias autarquias, sendo o município de Abrantes uma delas. Até ao fecho desta edição não foi possível obter um esclarecimento por parte da autarquia abrantina relativamente aos resultados das estratégias desenvolvidas, nomeadamente os contactos com o poder central e com a comunidade científica. Por mais que o rio Tejo seja motivo de preocupação de toda a comunidade, quem mais se preocupa com ele ainda acredita que a sua salvação será possível, esperando voltar a vê-lo como antigamente, com caudal, com peixes e sem poluição.g

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um certo restaurante próximo à margem do rio Tejo, ao anoitecer, vários pescadores agrupam-se e convivem. Mesmo em clima descontraído vão-se soltando queixas e lamentos enquanto leem as notícias nos seus telemóveis, todas sobre o mesmo assunto, a poluição do Tejo. A poluição provém da agricultura, indústria, nomeadamente da pasta de papel e alimentar, suinicultura, águas residuais urbanas e outras descargas de efluentes não tratados, muitas vezes em desrespeito pelas leis em vigor, e sem a competente ação de vigilância, controlo e punição pelas autoridades responsáveis. O rio que esteve presente na infância de todos os que perto dele vivem cada vez sofre mais nas mãos da poluição. Muitos dele beberam, nadaram e pescaram, no entanto, nos dias de hoje só lhes dá nojo. Amândio Janeiro, Luís Dionísio e Vasco Fernandes são três pescadores desportivos que se reúnem neste restaurante. Apesar de não ganharem a vida com a pesca, sentem tristeza, raiva e frustração ao ver o que está a acontecer com o seu amado rio. “O Tejo está poluído. Muito.” Amândio mostra claramente a sua frustração. Todas as manhãs, o pescador tem de presenciar o rio cheio de espuma, com água castanha e rodeado de vegetação já morta e queimada pela poluição. “O peixe morre. Eu sou pescador e vejo o peixe morto a vir Tejo abaixo.” Amândio expressa a sua indignação por esta crescente mortalidade não ter um culpado assumido. Por mais que este problema seja inúmeras vezes mostrado em pleno nas redes sociais, para os meios oficiais a história é outra. “Já vi chamarem de outros nomes, mas poluição ninguém lhe chama.” O pescador denuncia: “Toda a gente vê, não lhe interessa é ver.” Desse modo o impasse continua até que o Tejo se torne “uma sanita a céu aberto”. “Uma catástrofe muito grande.” É assim que Luís descreve, muito tristemente, o Tejo. Numa situação em que “muita gente fala e ninguém faz nada”, este pescador só vê um único caminho para poder salvar o rio: deixar de pensar nos empregos oferecidos pelas fábricas junto ao rio e fechá-las ou, no mínimo, reduzir bastante a produção das mesmas, pois, caso contrário, nada irá mudar. Enquanto compara o Tejo de hoje com aquele que sempre o acompanhou na sua infância, um lugar cheio de memórias felizes reduzido a uma visão nojenta, Vasco lamenta com amargura: “O Tejo está negro.” E acrescenta: “Isto já não é mais o rio Tejo, isto é uma ribeira de esgoto.” O que mais incomoda Vasco é a hipocrisia que a lei demonstra nesta situação, num espaço onde o mero estacionamento de um carro já é razão para multa, há máquinas pesadas e camiões a passar livremente para trabalhar na extracção de areia. “Há certas e determinadas coisas que não se pode fazer.” O experiente pescador conta que, numa ocasião, en-

FOTOGRAFIA MAFALDA RODRIGUES

FOTOGRAFIA LUÍS DIAS

PATRÍCIA DIOGO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

L “Nunca entendi qual a real função do açude”

Dona Joaquina, Dona Teresa e o Sr. António conhecem bem o Tejo. Durante muitos anos, o rio que passa em Abrantes foi sustento de muita gente. Era usado como meio de transporte e acolhia diversas espécies de peixes. “Antigamente, nós víamos o Tejo como um rio com água, cheio de vida. Ele possuía uma enorme fauna, tinha

bogas, enguias, achigã, lampreias e fataças. Mas agora o que vemos é um rio seco e isso entristece-me imenso.” – lamenta Dona Joaquina. Noutros tempos, através do caudal do Tejo, os barqueiros traziam produtos oriundos de outras zonas do país, para o concelho. O antigo cais servia de “ponte” comercial entre

comerciantes e compradores. Deste local saíam produtos típicos da região, como o vinho e a cortiça. Quem viu o Tejo cheio de vida tem dificuldades em compreender o atual estado do rio. “Eu nunca entendi qual a real função do açude, se era para fazer um espelho de água, olhe que eu não vejo qualquer tipo de espelho

de água. Se houve espelho de água olhe durou muito pouco tempo!” – indigna-se Dona Teresa. O Sr. António também questiona a obra: “O açude apenas foi construído para fazer um espelho de água, diga-me lá onde está o espelho?” Por seu lado, Dona Joaquina insiste na tristeza que toda a situação lhe causa: “Com a construção do açude a água acaba por não correr e as lampreias não conseguem subir, acabando por morrer.” Desencantados por verem o Tejo sem a força e a importância de outrora, os três abrantinos gostariam que os responsáveis fizessem “algo” porque consideram que a “situação está a tornar-se insustentável”. Para além de medidas contra a poluição, sublinham que será necessário aumentar o caudal. “Se reparar, nós só temos água no rio quando os espanhóis decidem largar água”, remata o Sr. António. g


Sociedade Abrantes 04

JANEIRO 2018

ESTA JORNAL

Apesar das queixas, o centro histórico atrai novos negócios

Comerciantes do centro histórico dividem-se quanto às vendas no Natal

“No shopping temos mais opção de escolha”

JOÃO DIAS ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

FOTOGRAFIAS INÊS LARANJO

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L “Nos centros comerciais está tudo ‘à pinha’, aqui vamos morrendo aos poucos Há muito que sabemos que as grandes superfícies comerciais vieram “roubar a clientela” às lojas do Comércio Tradicional que se veem cada vez mais aflitas para conseguir pagar as suas contas e manter o espaço aberto. Em Abrantes, também é percetível esta realidade que se vê, ou não, alterada nesta época festiva do ano: o Natal. INÊS LARANJO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

É dezembro, cai a noite em Abrantes, o espírito natalício invade a cidade e com ele as ruas, as lojas, as pessoas parecem mais alegres e felizes. É também a altura em que todos se preocupam com os presentes de Natal. Mas será que fazem as suas compras no Comércio Tradicional? Será também esta uma época festiva e agradável a nível de vendas para os comerciantes do centro da cidade? As opiniões dividem-se. Em todas as lojas estão folhetos das atividades desenvolvidas pela Câmara Municipal no mês de dezembro, mas, diz a maioria dos lojistas, “não é suficiente” para atrair as pessoas ao centro da cidade para fazerem as compras de Natal. “As pessoas desabituaram-se um bocadinho de vir (às compras ao comércio tradicional). As iluminações de Natal, as atividades aqui no centro histórico, são sempre uma ajuda muito grande”, diz uma das comerciantes que vê o seu nível de vendas aumentar significativamente nesta altura do ano. No resto do ano, a realidade é outra. “Levaram tudo do centro da cidade para os arredores. Nos centros comerciais está tudo ‘à pinha’, aqui vamos morrendo aos poucos”, desabafa uma lojista. “As pessoas procuram as grandes superfícies, continuam a achar que o não trazer o carro à porta faz toda a diferença. O estacionamento também não é o mais adequado nesta altura, há imensas obras, que se têm de fazer, mas nesta altura do ano isso complica um bocadinho mais também”, refere outra comerciante. Nas lojas de rua em Abrantes, que nesta

época se encontram devidamente decoradas, os clientes são recebidos com um generoso sorriso e alguém que se mostra logo disposto a ajudar. Percorrendo as lojas do centro da cidade percebem-se as dificuldades que atravessam ou o alívio que sentem por conseguirem aumentar o seu nível de vendas nesta altura do ano. Por exemplo, na Abransaco – utilidades domésticas e hoteleiras - nota-se “sempre mais um bocadinho de movimento” nesta altura do ano. Com mais de 70 anos de história, na Drogaria Nova também se está a vender mais nesta época do ano. Os responsáveis por esta loja acrescentam ainda que “tudo aquilo que se faça para dinamizar o centro histórico da cidade ajuda bastante”. Um pouco mais abaixo encontra-se A Merceneta, um conceito inovador de mercearia. A proprietária revelas que há mais entradas de pessoas na loja, mas que, no entanto, o nível de vendas não se altera. Isto porque o negócio se baseia nos produtos frescos e diários, o que faz com que as pessoas procurem comprar todo o ano. Certos negócios, pelas suas características, têm épocas mais fortes do que outros. Por isso, não será de estranhar que a D. Rosa, da loja Noivas Beirão, refira, com naturalidade que esta é a época em que há menos clientes: “As pessoas pensam mais nos presentes e menos nos vestidos de casamento.” Na Casa Guemita, uma retrosaria ao estilo bem tradicional, a proprietária queixa-se da diminuição significativa de clientes nesta altura do ano. Diz ainda que “Abrantes morreu” com a chegada das grandes superfícies comerciais. Na rua, as pessoas referem o facto de nos centros comerciais a escolha ser mais

diversificada, e daí optarem por fazer as suas compras natalícias nas grandes superfícies e não no Comércio Tradicional. “No shopping temos mais opção de escolha”, refere uma jovem que dá preferência a este tipo de comércio. Já a D. Francisca tanto opta por comprar no comércio tradicional como nas grandes superfícies, salientando a qualidade dos produtos vendidos nas lojas de rua: “Gorros, pequenas lembranças da área, como pins, canetas, opto por comprar no comércio tradicional porque há mais trabalho (empenho) e os produtos têm outro tipo de qualidade. Nas grandes superfícies a qualidade não é assim tão boa.” Um grupo de senhoras de meia idade, que não se quis identificar, referiu ainda o facto de as lojas de rua “estarem fora de moda”, acrescentando que lhes é muito mais fácil ir às grandes superfícies porque lá encontram toda a variedade de produtos num mesmo local. Em relação à qualidade dos produtos de um comércio e outro, dizem que nas grandes superfícies comerciais se pode encontrar uma vasta gama de produtos, com boa e má qualidade, referindo ainda que a qualidade dos produtos no comércio tradicional “também já não é o que era”. Referem ainda que as condições meteorológicas também não ajudam a que as pessoas se desloquem ao centro da cidade, “o frio que se faz sentir, a chuva também são barreiras”. Nos shoppings “deixamos o carro no subterrâneo e vamos a quantas lojas quisermos, sem precisarmos de vestir um casaquinho, sequer.”g

Em qualquer dia da semana, passeia-se pelo centro histórico de Abrantes e nota-se um local um pouco abandonado, um silêncio existente nas ruas. Excetuando a altura do Natal, em que existem diversas animações e iluminações que criam um ambiente muito próprio, vê-se pouco movimento, poucas pessoas, pouco comércio até. Apesar das queixas sobre a falta de movimento e de atividade no centro histórico de Abrantes, esta localização continua a atrair novos negócios. O dono de uma loja de produtos de pesca que abriu há quatro meses cumpriu “um sonho que tinha, mas por enquanto não dá para ver se o negócio tem alguma rentabilidade”. Enquanto isso, diz que Abrantes se encontra “um pouco morta”, sobretudo no centro histórico. “As pessoas deslocam-se mais para os grandes espaços comerciais e esse é o principal fator. A presidente da Câmara e os assessores devem ver isso e devem criar uma dinamização para a cidade de Abrantes.” Sandra Nascimento tem um negócio de produtos regionais há dois anos, mas só há três meses decidiu mudar-se para o centro histórico. Assim conseguiu aumentar diversidade de produtos e, ao mesmo tempo, aumentar o tamanho da loja. De momento, perdeu alguns clientes, mas ganhou outros. Acredita que é “um novo sítio, novas oportunidades”. Mesmo deixando algumas críticas, nomeadamente quanto ao trânsito, salienta que “o mais importante é trazer pessoas, e fazer com que as pessoas que já cá estão façam o comércio nestas lojas, porque existem pessoas, mas não fazem o comércio nestes locais”. O comércio tradicional está na moda Bruno Tomás, presidente da União de Freguesias de Alferrarede, S. João e S. Vicente, aceita a ideia de que existe um esquecimento do centro histórico, “mas este não é da Câmara nem da Junta, mas sim por partes das pessoas que muitas das vezes optam pelas grandes superfícies”. No entanto, o autarca acredita que “o comércio tradicional está na moda” e que isso possa ser “uma vantagem em relação às grandes superfícies”. Assim sendo, essa moda também “não passará ao lado do nosso centro”. Sobre as críticas feitas pelos comerciantes do centro histórico, Bruno Tomás lembra que “já foram investidos muitos milhões de euros no centro histórico”, e que será feito um investimento racional. Por exemplo, o melhoramento do pavimento das ruas, não só por questões de beleza, mas devido às questões da mobilidade reduzida. O autarca aponta também para questões de justiça entre os comerciantes: “por exemplo, o centro histórico de Alferrarede também está degradado, completamente abandonado e os comerciantes também precisam de incentivos como algumas isenções de taxas que alguns comerciantes do centro histórico usufruem, e bem. Uns não podem ser de primeira e outros de segunda. Em relação às críticas dos comerciantes do centro histórico, contrapõe: “Eles que vejam os colegas da Chainça, que nem iluminações de Natal têm. As festas da cidade onde são feitas? E certos desfiles de modelos? Acredito que é necessária uma maior dinamização, mas também tem que se dar valor a certas coisas.”g


Sociedade Economia

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WWW.ESTAJORNAL.COM

Tem uma ideia de negócio inovadora ou quer expandir a sua empresa? O TagusValley apoia

Seja uma startup ou uma empresa já em velociade de cruzeiro, o parque tecnológico de Abrantes é o local certo para conseguir incubação, ou ajuda no desenvolvimento de novas máquinas ou novos produtos. D

MARIANA CALDEIRA ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

A oferta de serviços O apoio que o parque tecnológico oferece apresenta duas vertentes: a INOV.POINT (Centro de Inovação e Apoio ao Empreendedorismo) que é relativo à incubação para as startups e a INOV’LINEA (Centro de Transferência de Tecnologia Alimentar) cuja principal vocação é apoiar novos produtos e empresas do sector alimentar, em particular na área dos processos de conservação das empresas já instaladas. Através destas duas linhas, surge o “line. ipt” por meio da parceria entre o Instituto Politécnico de Tomar, a Câmara de Abrantes, o TagusValley e a Nersant, promovendo a competitividade do conjunto empresarial, apresentando-se como um laboratório dedicado à parte da automação e tecnologias de informação e

L Aqui, instituições do ensino superior e empresas complementam-se e interagem comunicação. “Pelo lado da incubação contactamos com empresas, com ideias e com pessoas. Pelo lado da transferência de tecnologia apoiamos as pessoas e os projectos empresariais, mas mais orientados para as empresas que já estão constituídas”, acrescenta Pedro Saraiva. Os projetos do TagusValley são três: o INOVA-TE (Gabinete de Apoio ao Empreendedor), EMPRE (Empresários na Escola) e o GIP TagusValley

(Gabinete de Inserção Profissional). O primeiro dá apoio ao empreendedor, o segundo ensina o conceito de empreendedorismo nas escolas da Região e o terceiro apoia a procura ou criação de emprego. Mas atenção que o processo não é fácil. “Porque de repente todos se lembraram que existia o empreendedorismo, tratando-o como um assunto fácil, o que não é! É um tema demasiado vasto para ser tra-

Testemunhos Mas que empresas passaram concretamente pelo Tagusvalley? A Classe A+ foi uma delas. Começou em 2008, tendo como sócios dois engenheiros civis, Pedro Rito e Filipe Rodrigues. Foi uma empresa muito baseada na certificação energética, uma vez que no seu ano de abertura entrou em vigor uma lei em Portugal que determina que todos os edifícios e toda a construção têm que ter uma certificação energética. Como os sócios da Classe A+ tinham especialização nesta área, avançaram. Saíram do Tagusvalley em 2013 depois de chegar ao fim o período de cinco anos de incubação. Têm agora as suas próprias instalações, em Abrantes, desde há quatro anos. Abriram recentemente outro escritório onde autonomizam a área da arquitetura. “Começámos a contratar pessoal e, neste momento, somos 14 pessoas. Entre arquitetos, engenheiros civis e engenheiros electrotécnicos, formamos uma equipa multidisciplinar que dá resposta a toda esta envolvência que está à volta da construção, desde o licenciamento, todo o acompanhamento da obra, toda a execução física da obra poderá ser acompanhada pela nossa equipa”, afirma o engenheiro

tado com tanta leviandade como acho que se tem tratado hoje em dia, porque qualquer coisa que se faça é empreendedorismo”, salienta Eduardo Costa, técnico EMPRE. O TagusValley tem 31 empresas instaladas nas incubadoras que representam 61 postos de trabalho. Desde o início, já apoiou 52 empresas que representam 122 postos de trabalho; mais de 250 pessoas no apoio genérico a ideias de negócio e mais D

O TagusValley é mais do que um parque tecnológico. Aqui, a inovação, o empreendedorismo puro e duro, a cooperação e colaboração são as palavras chave. Formalidade? Aqui não. Ao contrário do estereótipo que se tem do mundo empresarial, o clima é de descontracção e de informalidade. O ambiente é agradável, com uma decoração tão moderna quanto o edifício, com várias startups a funcionar. A ideia essencial do Parque Tecnológico do Vale do Tejo no concelho de Abrantes é a de apoiar startups e empresas da região, numa perspetiva mais moderna e atual. Permite preparar as empresas para o futuro, com serviços que estimulem o seu desenvolvimento tecnológico e inovador. Apesar do TagusValley ter tido outro nome, “Tecnopolo”, manteve sempre o mesmo registo, fazendo 16 anos de existência e 13 com o nome atual. Foi a Câmara de Abrantes, a Nersant — Associação Empresarial da Região de Santarém e o Instituto Politécnico de Tomar que lançaram este projeto que decorre da operacionalização do Plano Estratégico Abrantes 2020. O Tagus Valley integra empresas com componentes inovadores e de base tecnológica, sendo os setores estratégicos: “energia, metalomecânica, construção de estruturas metálicas, produtos para a indústria automóvel (é um dos sectores muito fortes da região), alimentação e tecnologias da informação e comunicação”, segundo o diretor executivo do Tagus Valley, Pedro Saraiva. A primeira triagem que se faz para se saber se as empresas se podem instalar na incubadora é o facto de terem de estar ligadas aos setores referidos; a segunda seleção é feita através do espírito inovador e tecnológico que o suposto empreendedor deve ter.

FOTOGRAFIA CMA

FOTOGRAFIA CMA

L Artur Fernandes criou uma empersa diferenciadora no interior do país civil e sócio-gerente da Classe A+, Pedro Rito. Muitos são os empreendedores que agora começam a sua atividade no mundo empresarial e estão incubados no TagusValley, como é o caso de Artur Fernandes, com o seu projeto de desenvolvimento de software e redes informáticas, o SingleCode. “O nosso posicionamento no software é fazer soluções à medida. Clientes muito próprios que pedem softwares específicos que não há no mercado, nós desenvolvemos. A ideia foi criar uma

empresa diferenciadora no mercado, no interior do país, o que é muito duro.” E a SingleCode não se fica pelos pequenos clientes. A Azeite Gallo conta já com software de Artur Fernandes, que trabalhou também para empresas italianas, espanholas e alemãs. A incubadora do TagusValley é mesmo um universo empresarial, onde se juntam muitas áreas que acabam por se complementar. Prova disso é Rui Brazão, que se viu no desemprego depois da companhia de seguros, norte-americana, onde trabalhava

de 200 empresas na prestação de serviço ao setor alimentar e na área de automação metalomecânica. Diferenciação O que distingue o TagusValley dos outros parques científicos, explica Pedro Saraiva, é o facto de ser uma entidade mais prática e por estar ligado ao Instituto Politécnico de Tomar. Estando ligado a um instituto existe facilidade em resolver os problemas e aplicar soluções diretamente na economia, nas empresas, tendo em conta uma capacidade de investigação aplicada e o conhecimento que os professores e alunos podem proporcionar. Por sua vez, a presidente do TagusValley, Maria do Céu Albuquerque, também presidente da Câmara de Abrantes e presidente da direção nacional da Rede de Parques de Tecnologia Portugueses, realça que aposta “muito no Parque Tecnológico onde instituições de investigação científica, do ensino superior e empresas, se complementam e interagem num ecossistema dinâmico, empreendedor e inovador. Disponibilizamos, por isso, um quadro de apoios financeiros para projetos instalados na incubadora de empresas, o INOV. POINT, traduzido na atribuição de uma comparticipação financeira ao salário base mensal suportado pela empresa, por um prazo máximo de dois anos por posto de trabalho apoiado”.g

ter abandonado Portugal. A empresa deixou-lhe uma certificação internacional de ‘coaching’ e, desde então, decidiu dedicar-se a ajudar empresas e pessoas a aumentarem os seus resultados. Criou o projeto Poder dos Comportamentos. “O projeto tem mais ou menos um ano, neste momento está ainda numa fase de estudo. Tenho um projeto na prisão em Torres Novas, onde se dá formação a presos e também aos guardas prisionais”, explica Rui Brazão. O objetivo é ajudar a reintegração dos reclusos na sociedade, em que aquele empreendedor dá ferramentas comportamentais para eles colocarem em prática, não só enquanto estão na prisão mas quando saírem. O TagusValley tem tudo para continuar a crescer. E tem o apoio da autarquia, através do programa Abrantes Invest, que se destina a atrair e fixar novas empresas na região. Maria do Céu Albuquerque realça que foi criado um regulamento para apoio a projetos empresariais de interesse municipal, a implementar no território concelhio, “materializado em benefícios fiscais como isenções fiscais e tributárias (IMT, IMI, Derrama e taxas municipais) para investimentos (novos ou de continuidade) que garantam a criação líquida de emprego no concelho”.g


Sociedade Sociedade No CRIA tudo se faz “com amor e carinho”. Desde a intervenção precoce até...

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FOTOGRAFIA RAFAEL OLIVEIRA DE SOUSA

JANEIRO 2018

ESTA JORNAL

Uma “casa cheia de afetos”

CRIA, Centro de Recuperação e Integração de Abrantes, situado em Alferrarede, é uma associação de atividade pública sem fins lucrativos. Tem como missão responder às necessidades da sociedade de uma forma mais abrangente, relacionadas com a área da deficiência intelectual. CRISTIANA BERNARDINO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

O Natal chegou ao CRIA uma semanas antes do tempo. Os jovens que estão no Centro da Atividades Ocupacionais (CAO) arregaçaram as mangas, dando cor e beleza natalícia ao espaço. Recortar, pintar e decorar são alguns dos trabalhos manuais com que eles se ocuparam e que os regalaram. Cristina Reis, de 24 anos, que frequenta a terapia ocupacional e faz natação, reconhece que o que mais lhe dá gosto fazer é “pintar e bordar meio ponto”. Por seu lado, João Marques, 34 anos, portador de paralisia cerebral, e que também frequenta a terapia ocupacional, adora “ver filmes antigos” de coisas que o marcaram, e que o façam recordar. O CAO é uma das várias valências que tem esta instituição especial. Este espaço destina-se a jovens que não conseguem autonomamente integrar a vida profissional. Um dos seus objetivos é disponibilizar atividades que vão ao encontro da qualidade de vida dos utentes. Simultaneamente, “estabelecem-se acordos com as empresas a fim de se desenvolverem atividades produtivas, beneficiando as empresas e os próprios jovens em questão”, reforça o diretor técnico do CAO, José Carlos Veríssimo, de 41 anos. A proximidade com que os clientes (designação atualmente utilizada pela Segurança Social) do CRIA se acercam de cada pessoa que aparece faz-se sentir. Perguntam sem medos, abraçam e fazem questão de conhecer sempre mais. A forma simples com que o fazem é-lhes própria e familiariza-nos de imeFOTOGRAFIA D CRISTIANA BERNARDINO

L Em conjunto,

estas crianças e jovens desenvolvem projetos, como teatro, rancho folclórico e uma rádio interna

diato, tornando-se acolhedor estar presente no mesmo espaço, que é de todos e que gostam de partilhar. Uma das ideias dos seus responsáveis atesta bem o espírito que ali se vive: “Assim como as rosas abrem as suas pétalas para o sol, o CRIA também é isso, abre-se a toda uma comunidade e esforça-se por isso.” José Carlos Veríssimo, que abraça o cargo que representa, sabe que o início do CRIA resulta de uma situação concreta: “Havia pais preocupados com a situação dos seus filhos, portadores de deficiência intelectual, que ficavam em casa e não tinham qualquer tipo de auxílio, cuidados e repostas institucionais.” Atualmente, este centro abarca respostas sociais distintas, mas que se unem, no sentido em que na íntegra, acompanham e contribuem para o total crescimento e estímulo da pessoa, que assim necessite. Ou seja, “foi sempre evoluindo em função das necessidades da população”. O CRIA principia-se com uma escola de ensino especial, visto que as escolas do ensino regular não tinham condições para acolher crianças com tais insuficiências. “Neste sentido, as crianças viam os irmãos e os amigos a irem para a escola, os pais para o trabalho, e estas ficavam em casa sem nenhum suporte.” José Carlos Veríssimo reconhece todo o percurso feito desde então: “Trabalhou-se muito para dar respostas a estas situações.” A Intervenção Precoce, o Centro de Recurso para a Inclusão, a formação profissional e o lar são outras das valências. No lar são acolhidos os utentes com deficiências mais profundas de toda a instituição. Adelina Cardoso, diretora técnica do lar desde 2007, ano em que este se inaugurou, confessa: “É importante

que as pessoas saibam a qualidade dos serviços que nós prestamos e o amor e o carinho com que o fazemos… É uma casa cheia de afetos e chego sempre ao fim de cada dia com a sensação de uma nova conquista.” Atualmente decorre um projeto mais alargado, com a parceria da Câmara Municipal de Mação, para a construção de mais um lar, uma vez que o atual só tem 20 vagas, todas elas já ocupadas. Em simultâneo, está também a ser preparado mais um outro Centro de Atividades Ocupacionais, localizado em Mação, como uma oportunidade para os que lá habitam. Teresa, Presidente de Utentes do CRIA, também ela portadora de deficiência motora e intelectual, confessa estar envolvida neste grupo que representa todos os colegas das respostas sociais que funcionam dentro da instituição, porque gosta e se sente bem em “ajudar os outros”. Em conjunto, estas crianças e jovens desenvolvem diferentes projetos, como o teatro, o rancho folclórico e a rádio interna. Ajudantes da ação direta desta instituição garantem que esta é a sua “segunda casa” e aquela “que muitos gostariam de ter.” Sentem-se gratas por partilhar afetos com todas aquelas pessoas que beneficiam de alguma das valências do centro. O brilho nos olhos de quem passa os seus dias no CRIA é patente e duradouro, e quer dizer muita coisa. Nomeadamente o valor que todos eles dão a pequenas coisas, como as visitas que recebem. São momentos de festa e todos são bem vindos. Sabe-se que a alguns visitantes ainda lhes faz “alguma confusão olhá-los”, mas qualquer que o faça sai da instituição muito mais rico. g

L Sintomas só são visíveis meses depois da doença surgir

Alzheimer

uma doença esquecida A doença de Alzheimer é um problema que, silenciosamente e pouco a pouco, vai tomando conta daqueles que menos se apercebem – vítimas e próprios familiares. Apesar de esquecida, esta é uma doença sem cura e que se pode tornar incapacitante. Maria de Jesus Ferreira – nome fictício – é uma das mais de 150 mil vítimas da demência em Portugal e reside atualmente num Lar, onde vive o presente relembrando memórias de outrora. RAFAEL OLIVEIRA DE SOUSA ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Era um sábado à tarde. O sol quente de inverno fazia brilhar os vidros das janelas do Lar São Cristóvão, situado numa pequena vila a poucos quilómetros de Leiria. Maria de Jesus estava sentada lá fora no terraço, junto do seu marido e da sua filha. Parecia estar animada e sorridente, com os olhos castanho-claros a brilharem por detrás dos óculos vermelhos. “Maria de Jesus Ferreira”: o nome, esse, sai-lhe da boca como uma seta atirada ao alvo. A idade já vai esquecendo, mas mantém viva a data de nascimento; diz que nasceu a 14 de fevereiro de 1939 e quem a acompanha confirma, acenando com a cabeça. É a sua filha, Patrícia, que a visita todos os fins de semana, e o seu pai, Jorge, que todos os dias passa pelo Lar para estar com ela e “ver se é preciso alguma coisa”. Apesar de entender a delicada situação, Jorge não gosta de falar sobre a doença da mulher e é a sua filha que revela algumas das características da mãe e conta como o Alzheimer se foi apoderando de Maria de Jesus. “A minha mãe tem tido uns problemas já de algum tempo para cá” – relata Patrícia, com um sorriso. “Sempre foi uma mulher muito trabalhadora”. Patrícia relembra os primeiros sinais da doença da mãe: “Em relação a isso, só comecei a notar uma alteração nos comportamentos de há uns anos anos para cá.” A assistente social do Lar São Cristóvão explica que a doença tem a característica de não ser facilmente detetada logo de início e que os primeiros sinais são pouco evidentes. “Os sintomas da doença de

Alzheimer costumam ser tardios e os familiares ou as pessoas mais próximas do doente só se apercebem que algo está mal passado um longo período de tempo.” Patrícia questiona a mãe sobre o que já fez naquele dia, ao que Maria de Jesus responde com grande entusiasmo que de manhã esteve a “semear batatas” e a “tratar da criação” e que à hora de almoço foi preparar a refeição. “Já era uma hora quando olhei para o relógio e depois fui para cima [até à cozinha]. Meti umas poucas batatas ao lume e grelhei um bocadito de carne.” No meio do discurso, discretamente, Jorge sorria e abanava a cabeça para a direita e para a esquerda, discordando, enquanto Patrícia atentava na conversa de Maria, confirmando as suas palavras. “A gente sabe que, por vezes, não é verdade o que a minha mãe diz ou então percebemos que as ideias dela estão relacionadas com acontecimentos do passado, mas optamos quase sempre por concordar com ela, para que não a confundamos e para não tornar o ambiente desagradável. Não queremos contrariá-la.” - conta a filha que encolhe os ombros e acaricia a mãe com as costas da mão. “Estou aqui sentada ao sol, mas devia ir-me embora…” – remata Maria de Jesus fazendo força para se levantar da cadeira. O marido pergunta-lhe onde vai e ela responde-lhe instantaneamente que tem de ir para casa porque deixou a roupa no estendal e precisa de ir passá-la a ferro. Jorge olha para a filha e sorri. “Deixa lá isso… Também, entretanto começa a escurecer, até lá chegares já é tarde e de noite; depois já não vês nada!” Atenta, a senhora verifica as horas no pulso esquerdo e concorda.g


Sociedade Desporto 08

JANEIRO 2018

ESTA JORNAL

Cidade desportiva de Abrantes

não tem tudo, mas tem muito D

FOTOGRAFIA DR

L É uma luta constante conseguir angariar pessoas para praticar desporto

DANILSON FRANCISCO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

A cidade desportiva de Abrantes é uma infraestrutura que tem na sua base o desenvolvimento e o incentivo da prática física. Inaugurada no início da década de 2000, foi um projeto que a Câmara Municipal de Abrantes elaborou com o intuito de enaltecer a atividade física, mas também de promover a atratividade ao concelho contribuindo igualmente para o turismo desportivo. Uma das apostas iniciais, o basebol, não teve os resultados esperados e nem sempre é fácil conseguir treinadores para todas as modalidades. Mas isso não impede a prática desportiva de muitos jovens, mesmo quando o apelo das tecnologias é cada vez mais forte.

“O desporto não é diferente”, explica Susana Estriga, atleta e treinadora de Atletismo, com várias vitórias a nível nacional e internacional. “O que acontece é que as ofertas nas grandes cidades são maiores, e aqui tem-se pouca oferta desportiva e poucos treinadores qualificados.Como tal, as pessoas acabam por investir noutras modalidades alternativas tais como o futebol, o basquete, a natação, o atletismo” – acrescenta a desportista que é também professora de Educação Física do Agrupamento de Escolas nº 2 de Abrantes. Carolina, atleta de resistência em corrida, tem 15 anos e é um dos casos de jovens atletas que gostaria de praticar outra modalidade. “Eu sempre gostei de desporto, e futsal é algo que gosto imenso, mas como aqui não havia eu decidi mudar para

o atletismo”. Apesar de não ter tido a possibilidade de treinar futsal, defende que “o desporto abrantino é muito ativo e diferente”. O gosto pelo desporto é partilhado por Beatriz, de 16 anos: “Eu gosto imenso de cá estar e de certeza que vou cá ficar.” A cidade desportiva de Abrantes apostou naturalmente na modernidade das áreas utlizadas e nos equipamentos envolvidos. Alberga atividades como o futebol, natação, canoagem, atletismo, lançamento de dardo e de peso, basebol, ginástica e squash. Dispõe de um complexo de piscinas, sendo que uma delas localiza-se na parte interior do pavilhão e a outra encontra-se na parte exterior, e dois campos de futebol, sendo que um deles é de relva sintética e o outro, maior, de relva natural. À volta deste mesmo campo está instalado uma pista de atletismo e espaços próprios para a prática do lançamento de peso. Tem também um campo de basebol, que foi uma das grandes apostas iniciais, mas que acabou por ficar pelo caminho. Por isso, há quem defenda que se poderia ter feito outras opções, nomeadamente em modalidades mais procurados, como o hóquei e o futsal. O fim da tarde parece ser o momento ideal para começar a atividade física, e é nesta altura do dia em que os clubes das diversas modalidades testam os seus atletas, independentemente da sua faixa etária, sendo que cada um tem a sua hora, o seu dia e o lugar específico para realizar os seus treinos. Quem assiste aos treinos vê as caras de felicidade e satisfação dos atletas. Parece que estão a reaprender o desporto novamente, mas com tremenda vontade e dedicação. Apesar do empenho visível dos atletas que tiram partido da cidade desportiva de Abrantes, outros apelos fazem forte concorrência à prática desportiva. Susana Estriga vê-se confrontada com essa realidade: “Eu acho que cada vez mais os jovens praticam menos desporto, e não é um problema duma só modalidade, muitas delas sofrem com esta diminuição. É uma luta constante para se conseguir angariar pessoas para praticar desporto. Elas são cada vez menos e cada vez mais preferem ficar em casa a brincar com o telemóvel e a navegar no computador.”g

Dragões de Alferrarede: um clube com jogadores com garra e adeptos fervorosos

Força, querer e vontade de vencer RAFAEL FRANCO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Dragões de Alferrarede foi o nome dado ao clube de futebol fundado a 10 de maio de 1935, em Alferrarede, no concelho de Abrantes, e que surgiu como uma forma de rivalizar com as outras duas equipas que praticavam futebol na região: o Sporting Clube de Abrantes e o Sport Benfica e Abrantes. Ficou conhecido como ‘Dragões’ graças ao espírito aguerrido e, também, pelo facto dos clubes da zona estarem já associados a um leão e a uma águia. Optando por um dragão, o clube de Alferrarede contribuía para a analogia aos três grandes do futebol profissional português. “Amor e união, orgulho e tradição são palavras que descrevem o emblema do Dragão” é uma das frases presentes no referido hino e é algo que é transmitido aos atletas mais novos. São formados com o objetivo de, futuramente, ingressarem nos séniores. No entanto, “há sempre um ou outro que tem mais qualidade e acaba por sair”, conta Nuno Mateus. Alguns jogadores do clube já estiveram em campeonatos nacionais a representar equipas de divisões superiores. O presidente é um deles. Caracteriza essa vivência como uma experiência boa, que marca e que acaba por ficar na memória para o resto da vida. Para o presidente do clube, que milita na segunda divisão distrital da Associação de Futebol de Santarém, um dos pontos fortes do plantel sénior é a entrega e a amizade que têm todos uns pelos outros. Orgulhosamente, diz que o espírito do balneário é fantástico. Já um dos pontos fracos que aponta é o facto de não terem muitos jogadores nos treinos, mas as ausências justificam-se pela vida profissional dos mesmos. “Tentamos ser o mais profissionais possível dentro do amadorismo.” De entre as muitas alegrias que o clube já lhe deu, as que Nuno Mateus elege são uma subida de divisão do

escalão de iniciados, que teve um sabor especial, e a conquista da Taça Disciplina pelos séniores, numa altura em que eram últimos classificados. Tinham muitos golos sofridos e, algumas vezes, não era fácil falar com os jogadores, devido ao momento que atravessavam. Então, a estratégia passou por se divertirem e procurarem receber o mínimo de cartões possível, o que fez com que fossem contemplados com a referida Taça. Situado na Avenida Conde de Alferrarede, o estádio dos Dragões costuma receber cerca de 100 adeptos em cada jogo. São muito fervorosos e apoiam muito os seus jogadores, seja em que escalão for, e isso é algo que passa muito para dentro do campo, o que faz com que não seja fácil para as equipas visitantes jogar neste ambiente. Este ano, a estrutura do clube, com o apoio da presidente da Câmara Municipal de Abrantes, do presidente da União de Freguesias e outros patrocinadores, conseguiu substituir o pelado por relvado sintético, algo que já era um sonho antigo e um dos objetivos do atual presidente. Os Dragões de Alferrarede são o clube que tem mais sócios na região, contando com 600 sócios ativos, “o que é muito bom para um clube amador”, como refere David Fernandes, treinador da equipa de séniores. Acrescenta que “toda a gente vive muito o clube”. Este treinador, que chegou há pouco tempo ao clube, elege como a maior alegria dada pela equipa, até agora, o resultado do jogo da sua estreia, que culminou com a vitória por 6-1 frente ao Atlético Clube de Pernes. Sobre aspetos positivos, não esquece a forma como foi recebido pelo plantel, afirmando que os jogadores são compreensivos e sempre dispostos para o apoiar. Apesar de também lamentar que a vida profissional dos jogadores os obrigue a faltar a treinos, David Fernandes destaca a garra dos seus atletas. Para ele, treinar o clube continua a ser uma alegria que tem todos os dias. g

FICHA TÉCNICA | DIRETORA: Hália Costa Santos DIRETORA ADJUNTA: Raquel Botelho REDATORES: Alexandra Santos, Cristiana Bernardino, Danilson Francisco, Inês Laranjo, Joana Freitas, João Dias, Luís Dias, Mariana Caldeira, Patrícia Diogo, Rafael Franco, Rafael Oliveira de Sousa, Vitoria Thomazini Pereira, Wilson Henriques PROJETO GRÁFICO: José Gregório Luís PAGINAÇÃO: João Pereira | TIRAGEM: 15000 exemplares IMPRESSOR:Unipress Centro Gráfico, Lda PROPRIETÁRIO: Instituto Politécnico de Tomar MORADA: Estrada da Serra, 2300-313 Tomar EDITOR: Licenciatura em Comunicação Social da Escola Superior de Tecnologia de Abrantes SEDE DA REDAÇÃO: Rua 17 de Agosto de 1808, 220-370 Abrantes


ESPECIAL / Saúde

“A pressão hoje sobre os hospitais públicos é enorme” Carlos Andrade, presidente do conselho de Administração do Centro hospitalar do Médio Tejo (CHMT), fala sobre os principais investimentos para 2018, como também sobre as prioridades deste mandato e as carências que continuam atingir o serviço hospitalar nas três unidades - Abrantes, Tomar e Torres Novas. O Centro Hospitalar do Médio Tejo (CHMT) anunciou no dia 25 de novembro um investimento de 6,5 milhões de euros nos hospitais de Abrantes, Tomar e Torres Novas. Confirma estes investimentos? Até quando irão ser concretizados? Quais serão os prioritários?

Tal como referido no passado dia 25 de novembro, este investimento é ao abrigo da candidatura apresentada ao Programa Operacional POSEUR e decorrerá entre 2018 e 2019, sendo o próprio âmbito da candidatura definidora de prioridades. Ou seja, eficiência energética e redução da pegada ambiental do CHMT. Para além de um foco nas questões que decorrem diretamente das condições de prestação de cuidados de saúde hospitalar à população, as questões ligadas à eficiência energética constituem, também, uma preocupação pela poupança que podem gerar em benefício do reforço dos recursos para a prestação de cuidados de saúde.

Quais serão as principais alterações que irão ocorrer na Urgência Médico-Cirúrgica na unidade hospitalar de Abrantes?

As alterações são basicamente em 5 grandes áreas. Expansão da área física da própria Urgência Médico-Cirúrgica e no sentido de diferenciar as áreas de prestação de cuidados em urgência referentes, por um lado, à área médica e, por outro lado, à área cirúrgica, com as respetivas estruturas específicas de apoio. A criação de uma nova sala de reanimação, passando a permitir a assistência de emergência a três doentes emergentes em simultâneo. A criação de uma área específica de isolamento para doentes que necessitem de estar nesta condição durante a sua permanência no Serviço de Urgência. A melhoria das condições de se-

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jornal de abrantes / janeiro 2018

na contratação de novos médicos. Mas não se pode contratar o que não existe. Os hospitais fora dos grandes centros urbanos sentem todos os dias as consequências da escassez de médicos. Quem refere que existem médicos a mais não tem como prioridade o Serviço Nacional de Saúde.

Como é caracterizado o Plano de Contingência da Gripe?

gurança do próprio espaço do Serviço de Urgência Médico-Cirúrgica. A melhoria significativa das condições de trabalho dos profissionais que desempenham funções na Urgência Médico-Cirúrgica do CHMT.

Com a expansão do serviço, que problemas ficam resolvidos? Que novas potencialidades irão surgir com a execução das obras?

Ficam resolvidas várias questões que se prendem com a circulação no interior da própria Urgência Médico-Cirúrgica. A funcionalidade de todo o espaço melhora consideravelmente, assim como as questões de segurança. Melhoram muito consideravelmente, também, as condições técnicas para os profissionais, melhorando também o conforto dos doentes. A melhoria das condições físicas para os cuidados em emergência hospitalar será também um facto e realçando as potencialidades hoje existentes ao nível dos cuidados intensivos.

Continuam a chegar aos órgãos de comunicação muitas queixas do serviço/condições prestadas nesse serviço de urgência, como é possível minimizar esta conotação negativa? A pressão hoje sobre os hospitais públicos é enorme. Fruto da excelente qualidade do Serviço Nacional de Saúde. Quando a confiança é muita pede-se sempre mais. É natural. E o SNS está, nos seus 38 anos, em constante evolução. E mais um aspeto dessa evolução é precisamente a requalificação da Urgência Médico-Cirúrgica do CHMT.

A principal carência do CHMT é a escassez do seu número de médicos”

A evolução tecnológica e a evolução dos saberes hospitalares obrigam a que os espaços físicos evoluam para se adaptarem à própria competência técnica dos profissionais de saúde. Por outro lado, as características da população também mudaram. O conjunto de doenças crónicas em cada individuo é cada vez maior e fruto do aumento do tempo de vida. A designada esperança de vida. E este aumento do tempo de vida é uma grande conquista. Mas a par do aumento do número de anos de vida estão também novos hábitos de vida. Mas muitos destes hábitos de vida não são saudáveis. Comprometendo, assim, a própria saúde. Com a melhoria das condições físicas da Urgência, muitos constrangimentos serão ultrapassados. Mas a responsabilidade pela preservação das condições individuais de saúde continuarão a cargo de cada um de nós. E à medida que cada um de nós vai avançando na idade, os cuidados a ter terão que ser cada vez maiores. Mais vida com mais saúde é o grande desafio que todos temos para as nossas próprias vidas.

Para além do anunciado, onde serão focalizadas as prioridades

do conselho de administração para 2018?

A gestão em saúde e em particular nos hospitais é uma gestão de ciclo longo. Com um desenvolvimento ao longo de vários anos. Este Conselho de Administração tem como lema: Mais Médio Tejo. Foi o nosso lema desde o primeiro dia, em 4 de julho de 2014. E Mais Médio Tejo significa o que sempre dissemos: Mais médicos; Mais profissionais de saúde de outras áreas de saber clínico; Renovação e Expansão de equipamentos afetos ao diagnóstico e ao tratamento; Melhorar as condições de segurança clínica; Expandir a atividade assistencial em benefício direto dos nossos utentes. Estas prioridades continuam válidas. Cada vez mais válidas. E os resultados alcançados comprovam-no e dão argumentos para continuarmos este caminho, pois há muito para fazer em cada dia. Por este ou por qualquer outro Conselho de Administração. Este é o caminho, assim haja quem o saiba fazer.

Atualmente, quais são as principais carências do CHMT? Qual é a taxa de cobertura dos médicos. Já satisfaz as necessidades nas três unidades?

A principal carência do CHMT é a escassez do seu número de médicos. Hoje temos cerca de 145 médicos. Um número que tem vindo a subir, mas eu diria que abaixo de 200 nenhum Conselho de Administração do CHMT se pode dar por feliz. Como vê, o ciclo de gestão em saúde é um ciclo longo. Exige empenho constante. Credibilidade da gestão e confiança dos profissionais. A nossa Tutela tem feito um grande esforço para nos ajudar

O Plano de Contingência para o período de Inverno é semelhante ao que começamos a implantar no Inverno de 2014/2015, através da abertura de camas de Medicina Interna e como resposta às necessidades de uma população envelhecida e cuja condição de saúde se fragiliza com a gripe e com o frio. A crescente abrangência dos planos de vacinação contra a gripe são uma ajuda fundamental e salvam vidas, mas a resposta hospitalar tem que ser cada vez mais diversificada para melhorar os resultados da assistência à população. Este ano estamos a fazer a Consulta Aberta nas três unidades hospitalares do CHMT, alargando desta forma a experiência do ano passado. Consulta Aberta que este ano é enriquecida, ainda, com uma consulta de enfermagem.

Quais são os principais objetivos que tem para este mandato?

Na essência, é fazer crescer o CHMT, potenciando toda a sua riqueza na competência técnica dos profissionais que tem. E no que se refere ao conjunto de instalações, aproveitar, ainda, todo o potencial que resulta do seu posicionamento geográfico. Este posicionamento geográfico é um importante desafio mas é também uma oportunidade e que temos que saber aproveitar.

Que conselho deixa aos utentes do CHMT?

Não tenho méritos para dar conselhos a quem quer que seja. Mas como profissional de gestão hospitalar já vi muito por este mundo fora de hospitais e de sistemas de saúde para perceber que a prevenção é a chave de uma vida mais feliz. Por regra – e isto parece uma redundância mas não é – quando qualquer um de nós vem ao hospital é porque já está doente. Uma doença súbita ou por uma doença crónica. Vem-se cada vez mais ao hospital por causa de uma ou várias doenças crónicas que possamos ter. Ter cuidado connosco próprios é a principal ajuda que podemos dar a qualquer profissional de saúde. Pois não podemos exigir tudo ao profissional de saúde e nada a nós próprios. Joana Margarida Carvalho


REGIÃO / Mação

Orçamento para 2018 aumenta 6,3%: “É um Orçamento realista e exequível”

/ A Assembleia Municipal de Mação aprovou no dia 20 dezembro o Orçamento para 2018 A Assembleia Municipal de Mação aprovou no dia 20 dezembro o Orçamento para 2018. Com um aumento de 6,3%, a Autarquia vai gerir um Orçamento de quase 12,5ME e definiu as áreas prioritárias. Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal, disse que este era “um Orçamento adequado às necessidades do con-

celho, realista, exequível e em que vamos iniciar aquilo que para nós será ponto de honra neste mandato que é o cumprimento dos compromissos que assumimos para este Concelho”. “Definimos para este mandato cinco objetivos principais, tão latos quanto possível e com a respetiva abrangência para poder

responder àquilo que nós entendemos que deve ser a ação da Câmara para estes anos”, comunicou Vasco Estrela. E anunciou que passarão por “melhorar os apoios sociais, em especial dos mais carenciados; criar condições para a melhoria da atividade económica; a valorização dos nossos recursos; aprofundar e valorizar o conheci-

mento, a educação e a cultura e a promoção cívica, em particular dos mais jovens”. “Para atingirmos estes objetivos, entendemos que devemos ter apostas mais efetivas em seis áreas: inovação e ação social, educação e cultura, empreendedorismo, a floresta e o sistema agroflorestal, os recursos naturais e a reabilitação de infraestruturas e do património”. O presidente também lembrou que a Câmara de Mação “vai sempre muito para além daquilo que são as nossas competências mais estritas no cumprimento das nossas obrigações”. “Teremos de ser competentes, rigorosos e sérios mas também temos que ter alguma sorte para que as coisas corram bem. Costuma dizer-se que a sorte dá muito trabalho e, portanto, aquilo que eu posso dizer é que nós iremos trabalhar para ter sorte”, garantiu o autarca. A floresta é, em Mação, “um fator importantíssimo” e Vasco Estrela referiu que “está nos nossos recursos e está também, de uma forma autónoma, na nossa ação”, lembrando que, “provavelmente, as câmaras municipais irão ter uma maior responsabilidade nesta matéria e nós, Câmara de

Mação reclama por igualdade nos apoios às vítimas dos incêndios

Celtejo processa Arlindo Marques por difamação e pede indemnização e 250 mil euros

A Assembleia Municipal de Mação aprovou por unanimidade, a 20 de dezembro, uma Moção contra o que diz ser a “descriminação negativa” do Governo para com aquele município, relativamente aos apoios concedidos às vítimas dos incêndios. No documento aprovado, pode ler-se que os membros com assento naquele órgão consideram que “o concelho de Mação, as suas gentes, instituições públicas e privadas, do setor empresarial e social, estão a ser injustamente discriminadas pelo Governo da República no que diz respeito aos apoios concedidos para a recuperação pós incêndios, face aos apoios dados a outras regiões com problemas semelhantes”. Duarte Marques, líder da

Arlindo Marques, conhecido ativista na defesa do rio tejo, recebeu do Tribunal Judicial de Santarém um processo cujo Autor é a Celtejo - Empresa de Celulose do Tejo S. A., sediada em Vila Velha de Rodão. A empresa acusa Arlindo Marques de difamação e pede uma indemnização de 250.000,00 euros pelos danos sofridos. A Assembleia Municipal de Mação aprovou, por unanimidade, uma moção conjunta das duas bancadas, intitulada “Arlindo Marques atuou como porta-voz de Mação” que, segundo se pode ler, se “solidariza com o Arlindo Consolado Marques, verdadeiro guardião do rio Tejo, que tem atuado como legítimo porta-voz da população do concelho de Mação e de todos aqueles que se preocupam com o rio Tejo.

bancada social-democrata, falou mesmo em “injustiça sem precedentes”, afirmando ser “uma vergonha” e que “Mação está a ser abandonado”. Na Moção é ainda considerado que “este tratamento discriminatório, além de injusto e imoral, coloca em causa princípios básicos da Constituição da República Portuguesa, apelando deste modo a todas as autoridades que corrijam esta injustiça, que tratem com equidade todas as populações e entidades afetadas, pois só todos juntos e com o apoio de todos poderemos voltar a dar a Mação um Verde Horizonte”. C/Lusa

Sugere-se ainda que sejam encontrados todos os mecanismos legais, públicos e privados, que possam apoiar materialmente a defesa do cidadão Arlindo Consolado Marques. Os membros desta Assembleia Municipal consideram que uma ação contra Arlindo Consolado Marques é uma ação contra todos os cidadãos de Mação”. A Moção aprovada por unani-

Mação, mais responsabilidade temos. Pelo nosso passado, pelos nossos contributos, por aquilo que nos aconteceu e por termos a certeza que não podemos renegar a nossa história e o concelho onde estamos inseridos”. Relativamente a obras, o presidente referiu que este Orçamento também terá uma componente muito forte no âmbito do PARU - Planos de Ação de Regeneração Urbana. Explicou que “há um conjunto de investimentos grandes. Um deles já a decorrer, que é a requalificação do Jardim Municipal, e temos a requalificação do Cine-Teatro, do Largo dos Combatentes e temos a obra principal que é a requalificação do antigo quartel dos bombeiros para a instalação do Centro de Atividades Ocupacionais. É uma obra cujo projeto está concluído, com parecer positivo da Segurança Social e que esperamos vir a concretizar durante o próximo ano”. 12.434.765 euros é a quantia do Orçamento para 2018 da Câmara Municipal de Mação. Na sessão da Assembleia, o Orçamento foi aprovado por maioria, com 9 abstenções por parte da bancada socialista. Patrícia Seixas

midade, termina defendendo que “a Autarquia de Mação deve fazer tudo o que está ao seu alcance para defender aquele que mais se tem empenhado em nome de todos nós”. O ambientalista disse estar “triste e indignado com este processo”, tendo afirmado que o mesmo “pretende silenciar vozes incómodas num caso de autêntico terrorismo psicológico”. Segundo Arlindo Marques, “os casos de denúncia de situações de poluição têm aumentado de visibilidade graças ao trabalho de cidadania dos populares e do movimento proTEJO”, tendo afirmado que “toda a gente vê, toda a gente sabe, que a poluição vem de lá”, referindo-se a Vila Velha de Rodão. “Vou defender-me, conto com o apoio de muita gente que está revoltada com este processo e acho que esta indemnização que me estão a pedir deviam ser eles a pagar. Não a mim, mas aos pescadores, que ficaram privados do seu ganha-pão, e por todos os prejuízos que têm causado em termos ambientais”, C/ Lusa concluiu. janeiro 2018 / jornal de abrantes

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REGIÃO / Mação

/ A Câmara de Mação, juntamente com a JF de Carvoeiro, a Câmara de Abrantes e o Núcleo da Liga dos Combatentes, prestaram homenagem a Francisco Pedro Curado

Mação lembrou e homenageou Francisco Pedro Curado, “um maçaense exemplar” “Um maçaense exemplar”. Foi assim que Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação descreveu Francisco Pedro Curado. Militar que foi herói na campanha de África e cujo centenário se comemora. Entre 1916 e 1918 o seu grande valor foi, mais uma vez, posto à prova no Norte de Moçambique, dessa vez contra os alemães, altura em que foi galardoado com uma promoção por distinção (a única daquela campanha). Os seus companheiros de armas distinguiram-no com o cognome de “Condestável do Rovuma”. A 8 de dezembro, a Câmara de Mação, juntamente com a Junta de Freguesia de Carvoeiro, Câmara Municipal de Abrantes e o Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes, prestaram homenagem a Francisco Pedro Curado. O militar era originário da freguesia do Carvoeiro. “Foi um homem extraordinário no seu tempo e é alguém sobre quem, nós, aqui no concelho de Mação, podemos ter algum desconhecimento e, por esse motivo, não temos o real conhecimento da valia de Francisco Pedro Curado. Foi um militar respeitado pelos seus camaradas de guerra e também, e principalmente, pelos seus principais adversários. Foi um homem humilde, um lutador pela Pátria, al-

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jornal de abrantes / janeiro 2018

guém que colocou sempre à frente de todos e quaisquer interesses, os interesses da Pátria e os interesses de todos”, afirmou o autarca. Vasco Estrela adiantou que “em muitas ocasiões da sua vida”, Francisco Pedro Curado “poderia ter ascendido a outros lugares, eventualmente de maior protagonismo, mas quis conduzir a sua vida guiada pela sua conduta e pelos valores que defendia”. O presidente lembrou que “esta terra, felizmente, tem dado bastantes exemplos de pessoas de grande valor que, no nosso país e também no estrangeiro, têm dado excelentes indicações daquilo que deve ser um português e, neste caso concreto, um maçaense”. “É um motivo de orgulho para todos nós. Homenageamos um dos nossos melhores”, disse. “Que o exemplo de Francisco Pedro Curado, possa por nós ser seguido e possa ser inspirador para o futuro que todos nós temos que construir também aqui, no concelho de Mação”, proferiu Vasco Estrela. Sérgio Matos, presidente do Núcleo de Abrantes da Liga dos Combatentes, destacou o trabalho que tem vindo a ser feito pela Autarquia de Mação, que disse estar sempre à frente no reconhecimento dos seus combatentes. “Vimos

É um motivo de orgulho para todos nós. Homenageamos um dos nossos melhores”, disse Vasco Estrela

de Ponte de Sôr onde inaugurámos um monumento em homenagem a 25 combatentes que tombaram ao serviço da Pátria. Em 2009, já Mação o tinha feito. (...) É uma forma de estar”, comentou Sérgio Matos que aproveitou para agradecer a presença dos Núcleos de Tomar, Torres Novas, Entroncamento e Vila Nova da Barquinha da Liga dos Combatentes. Mas foi com José Carlos Gueifão que a plateia foi presenteada com alguns momentos de boa disposição. A forma entusiasmada com que o estudioso falou de Francisco

Pedro Curado, da sua investigação e também do seu desejo de ver, no Largo dos Combatentes, uma estátua “ao herói de Mação”, levou a que se ouvissem algumas gargalhadas na sala. A paixão nas suas palavras era evidente, bem como o conhecimento daquilo que contava. Ricardo Marques é jornalista do Expresso e também autor do livro “Os fantasmas do Rovuma”, que aborda precisamente a frente africana da 1ª Guerra Mundial. Ricardo Marques lembrou que parte das suas origens e memórias de infância também estão no concelho de Mação, mais propriamente na Quebrada, e foi de memórias que falou. Descreveu o que acusou de ser o desconhecimento dos portugueses relativamente ao que se passou em África, mais propriamente no Rovuma, na batalha de Mecula. “A minha ideia inicial quando comecei a escrever “Os fantasmas do Rovuma” era mesmo a de escrever a biografia de Curado”, partilhou Ricardo Marques. “Mas quanto mais lia sobre a Frente Africana, mais consciente ficava de que a vida de Curado era uma entre milhares de vidas (...) E percebi que o livro já não podia ser só da vida de Curado mas sobre a guerra do Rovuma”, explicou o jornalista. A encerrar a cerimónia, o presidente da Liga dos Combatentes,

Tenente-General Joaquim Chito Rodrigues disse sentir-se em casa, embora fosse a sua primeira vez em Mação. “Passei por aqui muitas vezes a caminho de Castelo Branco, a minha terra Natal. Por isso, sinto-me em casa”. Lembrou que o dia 8 de dezembro é, para muitos portugueses, o Dia da Mãe e também o dia das madrinhas de guerra. E foi de forma emocionada que declamou o poema intitulado “Mulher Mãe e Mulher Soldado”. Dia 8 de dezembro, dia da Imaculada Conceição, padroeira do Reino de Portugal desde 1646. Curiosamente, Nossa Senhora da Conceição foi a madrinha de guerra de Francisco Pedro Curado. O presidente da Liga dos Combatentes falou de Francisco Pedro Curado mas lembrou essa e outras guerras. Foi uma plateia atenta que ouviu histórias de combates e combatentes e de vitórias e derrotas. Chito Rodrigues recordou prisioneiros de guerra e todos os que deram a vida pela Pátria. Uma exposição com materiais de guerra, documentos e publicações acerca da vida de Francisco Pedro Curado pode ser visitada no átrio do Centro Cultural Elvino Pereira, em Mação, onde está patente até dia 8 de janeiro de 2018. Patrícia Seixas


REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

Município conta com um dos maiores orçamentos de sempre (14,5 ME) O Orçamento e as Grandes Opções do Plano para 2018 do Município de VN da Barquinha foram aprovados por maioria, com a abstenção dos deputados eleitos da oposição, na sessão da Assembleia Municipal realizada no dia 15 de dezembro. É um dos maiores orçamentos do Município barquinhense. Cifra-se em 14,5 ME e sofre um aumento de 1,5 ME, 10,25%, devido ao incremento dos fundos comunitários nos projetos e obras a concretizar no próximo ano. Como prioridades, Fernando Freire, presidente da Câmara Municipal, disse à Antena Livre que são vários os projetos. Todos eles contam com “candidaturas aprovadas e estruturadas para o próximo ano, daí estes 14ME, que fogem daquilo que é normal do orçamento da Câmara Municipal, sendo projetos cofinanciados, uns a 85%, outros com uma menor taxa, por fundos comunitários”.

“Um projeto, que já está em obra, é adaptação da Escola Básica nº1 de VN da Barquinha em Jardim de Infância, que se cifra num valor aproximado de 680 mil euros”, referiu o presidente, enumerando de seguida “a execução da rede em baixa do saneamento das Madeiras, com um investimento de 820 mil euros, as obras do arranjo paisagístico do Castelo de Almourol e do seu cais, muito perto dos 600 mil euros e a eficiência energética das piscinas municipais em 261 mil euros”. No Plano de Ação para a Regeneração Urbana, “teremos a requalificação da Praça da República, em Vila Nova da Barquinha, que representa 315 mil euros de investimento e a requalificação da rua da Misericórdia, em 493 mil euros”, elencou o autarca. Ainda quanto a obras, Fernando Freire destacou “a recolocação da rede elétrica, a implementação das rotas e percursos do património

/ Executivo camarário barquinhense

Este é dos anos com maior volume de realização de despesa, mas também de receita”, afirmou Fernando Freire

natural e a construção do Centro de Interpretação Templária”. Outras ações previstas dizem respeito ao “Plano Diretor Municipal da Floresta, como também à limpeza de terrenos e à criação de faixas de contenção, conforme foi debatido no Orçamento de Estado, onde vamos ter um investimento perto de 1ME”, aludiu.

Em jeito de balanço, o autarca barquinhense afirmou que este é dos “anos com maior volume de realização de despesa, mas também de receita”, com uma “política de rigor e de transparência orçamental, como é sempre timbre do nosso Município e também num quadro de contenção financeira”. Uma contenção financeira que “procura refletir a racionalização dos recursos que temos, na concentração de meios e na centralização de bens e serviços, numa perspetiva sempre de ganhos de escala e melhor eficiência”, fez notar. Fernando Freire lembrou que o Município está a pagar a 23 dias [a fornecedores] e que em junho foi um dos 57 municípios que saiu do ajustamento financeiro. Na sessão da Assembleia Municipal, realizada na sexta-feira à noite, o deputado Nuno Gomes (PSD-CDS) afirmou que o orçamento estava inflacionado e, por isso, o sentido de voto seria a abstenção,

que foi acolhida pela bancada da CDU. Quanto aos impostos diretos, a Câmara Municipal de Vila Nova da Barquinha vai manter a taxa de 0,32% do Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) sobre prédios urbanos avaliados, majorar para o triplo as taxas sobre prédios urbanos devolutos, bem como beneficiar os agregados familiares com dependentes. O Município vai igualmente manter a isenção do pagamento da taxa de derrama, como forma de incentivo fiscal para as empresas, com o objetivo da criação de emprego e o aumento da competitividade. No que diz respeito ao IRS, a exemplo de anos anteriores, a Autarquia volta a devolver aos munícipes parte da receita deste imposto cobrado pelo Estado (0,5%), abdicando dessa verba em 2018 com o objetivo de atrair novos residentes. Joana Margarida Carvalho janeiro 2018 / jornal de abrantes

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REGIÃO / Vila Nova da Barquinha

Município pede medidas eficientes contra poluição do Tejo Município adquire antigo mercado para espaço de artes A Câmara Municipal de VN da Barquinha adquiriu o antigo Mercado Municipal da vila para converter num Mercado das Artes. A escritura foi assinada no dia 13 de dezembro e a aquisição representou um investimento de cerca de 30 mil euros. Fernando Freire, presidente da CM de VN da Barquinha, explicou que o objetivo da aquisição é no “âmbito do PARU (Plano de Ação de Regeneração Urbana) de VN da Barquinha regenerar [o edifício] e numa candidatura convertê-lo num Mercado das Artes”. “Já existe uma cooperativa de

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jornal de abrantes / janeiro 2018

artistas que querem avançar com a ideia de se sediarem no centro de VN da Barquinha. Há várias pessoas interessadas, e, provavelmente, será mais um edifício dedicado à questão das artes”, acrescentou o autarca. Fernando Freire avançou que a cooperativa reúne várias pessoas de VN da Barquinha, mas também artistas da região e de âmbito nacional. O projeto de regeneração do edifício devoluto, que será candidatado a fundos comunitários, vai carecer de um investimento de cerca de 200 mil euros.

A poluição no rio Tejo tem sido geradora de prejuízos diretos na economia do município de Vila Nova da Barquinha, tendo a Assembleia Municipal aprovado uma posição em que exige ao Governo medidas eficientes para a resolução do problema. “A poluição no Tejo tem tido um impacto direto negativo no turismo, na qualidade das águas e nos nossos recursos endógenos, e as melhorias da situação são meramente residuais”, disse hoje à Lusa o presidente da Câmara de Vila Nova da Barquinha, Fernando Freire (PS).

O autarca referiu que tanto o executivo como a Assembleia Municipal defendem que se devem tomar “medidas objetivas, concretas, eficientes e operacionais, com vista à resolução imediata dos principais problemas já detetados e que, ao nível da bacia hidrográfica, de uma forma direta ou indireta, contribuem para o agravamento da poluição do rio Tejo”. No documento, que esta autarquia do distrito de Santarém vai enviar à Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) e ao Governo, através do Minis-

tério do Ambiente, recomenda-se como medidas prioritárias a “eliminação imediata de todas as suspensões dos processos de contraordenação que afetem a qualidade das massas de água, a criação de legislação que possibilite medidas de monitorização e controlo por parte das autarquias e movimentos cívicos, bem como agilizar procedimentos para estas poderem intentar, junto dos tribunais, ações populares contra os infratores”. Outras medidas exigidas pelo município presidido por Fernando Freire é a “repristinação da categoria de guarda-rios, elementos essenciais para a vigilância, fiscalização, aconselhamento e conservação dos ecossistemas ribeirinhos”, e “que seja possibilitada às autarquias a consulta “on-line” ao armazenamento de águas nas barragens e às descargas diárias”. O documento aprovado pela autarquia defende ainda que “no licenciamento de certas atividades que impliquem focos de poluição difusa, como as suiniculturas, sejam previamente ouvidas as autarquias sobre a sua instalação ou renovação de licenças”. Defende ainda a autarquia ribeirinha a necessidade de “regulamentação sobre o balcão eletrónico de denúncias com comunicação ao interessado da evolução do processo e das resoluções tomadas ou adiadas” e manifesta o seu apoio às questões apresentadas pelo Movimento pelo Tejo - PROTEJO, com sede naquele município, propondo que elas sejam apresentadas à APA Agência Portuguesa do Ambiente. Lusa


CULTURA / Gisela João apresenta “Nua” no Cineteatro S. Pedro Gisela João estreia-se a cantar em Abrantes, no dia 26 de janeiro, apresentando o mais recente álbum “Nua”. No espetáculo, que acontece no Cineteatro S. Pedro, às 21:30, ouvir-se-ão na voz da fadista alguns temas escritos por poetas da atualidade, assim como fados mais clássicos e tradicionais, como é exemplo “A Casa da (Mariquinhas)”, “Não Venhas Tarde”, “O Sr. Extraterrestre” e “Lá na minha aldeia”. Considerada pela crítica especializada como uma das vozes arrebatadoras do fado, Gisela João é já uma figura central e uma das mais importantes intérpretes da música portuguesa.

Depois do disco de estreia, editado em 2013, Gisela João rumou em digressão nacional e internacional, consagrando-a como a “grande fadista do século XXI”, como a apelidou Miguel Esteves Cardoso. O ano de 2016 trouxe à fadista um novo arrojo discográfico com “Nua”, onde se pode ouvir “Há palavras que nos beijam”, de Alexandre O’Neil; “Naufrágio”, de Cecília Meireles; e “Labirinto ou não foi nada”, de David Mourão-Ferreira. Os bilhetes para o espetáculo (10€) estão disponíveis no Welcome Center, no Cineteatro S. Pedro, uma hora antes do concerto, ou na bilheteira online, em www.ticketline.sapo.pt.

AGENDA / Abrantes

Constância

Até 7 de janeiro - Exposição “IX Antevisão do MIAA – Romanização do Médio Tejo” – Museu D. Lopo de Almeida, Castelo, de terça-feira a domingo, das 9:30 às 12:30 e das 14:00 às 18:00

Até 7 de janeiro – Exposição de Peças Natalícias de artesãos e artistas do concelho – Posto de Turismo

Até 30 de janeiro – Exposição “Morcegos Lusos” – Parque Tejo, de segunda-feira a domingo, das 9:00 às 20:00 Até 17 de fevereiro – Exposição “A força das coisas”, de Ana Pérez-Quiroga - Quartel da Arte Contemporânea – Coleção Figueiredo Ribeiro, de terçafeira a sábado, das 10:00 às 12:30 e das 14:30 às 19:00 6 de janeiro – Concerto de Ano Novo com Vienense – Cineteatro São Pedro, 21:30 12 de janeiro - Concerto com Vox Populi – Cineteatro São Pedro, 21:30 12 de janeiro a 23 de fevereiro – Exposição “A muda dos gatos”, ilustrações do livro em estereoscopia de Marco Taylor – Biblioteca Municipal António Botto 13 de janeiro – Concerto com AMA – Academia de Músicos de Abrantes – Casa do Povo de S. Facundo, 21:30

“Encontros Documentais” regressam a Vila de Rei

Abrantes recordou António Bandos Realizou-se no dia 13 de dezembro, a sessão António Bandos: memória, democracia e desafios, uma iniciativa do Clube de Filosofia de Abrantes. A sessão começou com a leitura de mensagens enviadas pela presidente da Câmara, Maria do Céu Albuquerque, e pelo presidente da Assembleia Municipal, António Mor, e umas breves mas sentidas palavras do Vereador Jorge Valamatos, ali em representação da Câmara Municipal. De seguida foi feita uma apresentação sumária da vida e atividades de António Bandos. O núcleo central da sessão foram as intervenções de José-Alberto Marques, como colega na escola D. Miguel de Almeida e poeta, Rolando Silva, que falou de António Bandos sindicalista, Mário Pissarra falou da sua experiência com o homenageado sobretudo nos jornais locais, e Nelson Carvalho contou a relação que

mantiveram nas conversas de café e na vida política local. Um humanista, um homem simples e desprendido, com convicções fortes mas tolerantes... foram algumas das notas salientes que compuseram o retrato do homem - professor, político local, sindicalista, jornalista amador e participante ativo na vida cultural local - António Bandos. Depois de mais algumas intervenções de pessoas do público presente, a sessão terminou com a leitura de um poema de José-Alberto Marques em tempos dedicado a António Bandos. Da sessão saiu ainda uma recomendação para que a rua Dr. António do Rosário Bandos, junto à Escola D. Miguel de Almeida, seja identificada com a respetiva placa toponímica, que ali em tempos existiu mas entretanto desapareceu.

“Aproximar e Conhecer” é o tema predominante da próxima edição da iniciativa “Encontros Documentais”, promovida pela Rede de Bibliotecas de Vila de Rei, que decorre entre janeiro e abril. A primeira sessão está marcada para o dia 24 de janeiro, na Biblioteca Municipal José Cardoso Pires, sobre a temática “Arquivos”. A 21 de fevereiro terá lugar a sessão alusiva a “Museus” e a 11 de abril será realizada a sessão sobre o tema “Bibliotecas”. A iniciativa pretende reunir profissionais das áreas de Arquivos, Museus e Bibliotecas, proporcionando o debate de temas e problemáticas vocacionadas com a sua relação com a comunidade, podendo igualmente incluir oficinas temáticas e formação modelar de cariz mais prático.

15 de janeiro a 30 de abril – Mostra documental sobre a Igreja de São João Batista – Arquivo Municipal Eduardo Campos, de segunda a sexta-feira, das 9:00 às 12:30 e das 14:00 às 17:30 20 de janeiro – Teatro de Marionetas “Agakuke e a Princesa Putri Telur”, pela Lua Cheia – Cineteatro São Pedro, 11:00 25 de janeiro – Encontro com o escritor Bruno Vieira Amaral, apresentação do livro “Hoje estarás comigo no paraíso” – Biblioteca Municipal António Botto, 21:30 26 de janeiro – Concerto com Gisela João, apresentação do disco “Nua” – Cineteatro São Pedro, 21:30 (10€) 27 de janeiro a 20 de maio – Exposição “O espaço da religião” – Museu D. Lopo de Almeida, Castelo, de terça a domingo, das 9:00 às 13:00 e das 14:00 às 18:00

Até 7 de janeiro – Exposição de Árvores de Natal Recicladas – Praça Alexandre Herculano

Mação Até 7 de janeiro – Exposição do Concurso de Presépios em espaço público – Por todo o concelho Até 8 de janeiro - Exposição sobre Francisco Pedro Curado – Galeria do Centro Cultural Elvino Pereira

Sardoal Até 16 de março – Exposição e Roteiro das “Árvores Emblemáticas do Concelho de Sardoal” - Espaço Cá da Terra Até 27 de janeiro – Exposição “Presépios de Portugal – o imaginário tradicional” – Centro Cultural Gil Vicente Cinema – Centro Cultural Gil Vicente, 16:00 e 21:30 6 de janeiro - “Star Wars: Os Últimos Jedi” 20 de janeiro – “Ferdinando”

Vila de Rei Até 6 de janeiro – Exposição e venda de trabalhos dos utentes da Fundação Garcia – Biblioteca Municipal José Cardoso Pires Até 7 de janeiro - Exposição do XI Concurso de Presépios Tradicionais – Biblioteca Municipal José Cardoso Pires 24 de janeiro – Encontros Documentais “Aproximar e Conhecer” sobre “Arquivos” – Biblioteca Municipal José Cardoso Pires 20 de janeiro – Noites de Fados – Casa do Povo de S. João do Peso

Vila Nova da Barquinha Até 14 de janeiro – Exposição de pintura “Viagem à Sombra”, de Gil Heitor Cortesão – Galeria do Parque

“Presépios de Portugal” em exposição no Centro Cultural de Sardoal

Berg e Fernando Alvim confirmados na passagem de ano

O Centro Cultural Gil Vicente, no Sardoal, tem patente, até 27 de janeiro, uma exposição de presépios representativos de diversas zonas do país. “Presépios de Portugal – O Imaginário Tradicional”, constituída por presépios pertencentes à Diocese de Portalegre e Castelo Branco, dá a conhecer diferentes representações populares e etnográficas da natividade. A exposição pode ser visitada no horário do Centro Cultural Gil Vicente, de terça a sexta-feira, das 16:00 às 18:00, e ao sábado e domingo, das 15:00 às 18:00.

A passagem do ano em Abrantes este ano conta com o músico Berg e o Dj Fernando Alvim. A partir das 22h00 até madrugada, a animação musical não faltará na praça Barão da Batalha, com entrada livre. A programação desta época festiva termina com um concerto de Ano Novo, Bravo Abrantes – Vienense, no dia 6 de janeiro, às 21h30, no cineteatro São Pedro.

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SAÚDE / Outono época de agir

OPINIÃO / 2018 – Um Bom ano para falar do que tem de ser falado

Patrícia Santa Cruz TÉCNICA DE SAÚDE AMBIENTAL DA UNIDADE DE SAÚDE PÚBLICA DO MÉDIO TEJO Jorge Costa PROFESSOR

E

stamos a meio do outono com temperaturas a rondar os 10°C após um longo e quente verão com muitos incêndios de grandes dimensões e que a muitos de nós trouxe inquietude, tristeza, pesar e danos. Estamos na época ideal para pensarmos que esta paisagem que nos rodeia agora verdejante irá sofrer novamente grandes mudanças com a chegada do verão, com o calor e sol intensos, ficando seca. É agora que devemos olhar à nossa volta e agir, prevenir e promover um verão mais seguro. Há um conjunto de regras que devemos promover em especial em redor da nossa habitação como a distância de pelo menos 50 metros, entre esta e os materiais combustíveis, quer seja floresta, quer seja armazenamento de lenha ou outros; As copas das árvores e dos arbustos deverão estar distanciadas no mínimo 5 metros da edificação e nunca

se deverão projectar sobre o telhado; Os terrenos de cultivo ou outros, quando em pousio devem estar limpos de vegetação e os jardins e zonas florestais (perto das habitações) devem ter espécies que contribuam para o abrandamento do fogo. A intensidade, o tipo e o estado de limpeza da vegetação (floresta, jardim ou outro) funcionam como acelerador ou travão para as chamas e é nesta altura do ano que se faz a plantação, a limpeza, a desramagem e o corte. O Outono não tem trazido muita chuva e se assim se mantiver devemos prevenir ainda com mais tenacidade. Um olhar atento ao nosso redor poderá mostrar-nos que há zonas mais susceptíveis de tornarem perigosas na época seca para nós e para os nossos bens. Devemos promover durante todo o ano e em especial no outono e inverno, uma primavera e um verão seguros e com saúde. Vamos mudar o nosso futuro!

Sardoal: Posto de Saúde de Alcaravela reabre Miguel Borges, presidente da CM de Sardoal, anunciou no dia 13 de dezembro, na reunião de Câmara, que o posto de saúde de Alcaravela vai voltar a abrir portas por decisão do ACES Médio Tejo. O presidente começou por afirmar que “há muitos anos” que Sardoal não tinha “uma situação tão estável como aquela que apresenta neste momento. Temos três médicos no nosso centro de saúde o que nos permite ir um pouco mais longe”. “Temos realizado algumas reuniões, não só com o Dr. Novais Tavares (coordenador da Unidade de Cuidados de Saúde Personaliza-

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jornal de abrantes / janeiro 2018

dos (UCSP) de Abrantes, Sardoal e Constância), como com a Dr.ª Sofia Theriaga (diretora executiva do ACES do Médio Tejo) e aquilo que foi decidido é que vai ser reaberto o posto de saúde de Alcaravela”, garantiu Miguel Borges. O autarca explicou que para a concretização da abertura do posto de saúde, são necessárias cerca de 700 inscrições e que agora cabe à população voltar a inscrever-se naquela extensão. Por último, Miguel Borges avançou que numa fase inicial, o posto de saúde vai reabrir duas manhãs por semana.

e do mesmo modo a dezenas de alunos, não é mais possível. Em dois séculos, mudaram os estudantes, mudou a sociedade e mudou o mercado de trabalho. O desafio é o de a escola conseguir combater o “determinismo fatal” que impede que alunos de estratos socioeconómicos desfavorecidos possam ter sucesso pleno, através de novas gramáticas de escola e, sobretudo, de novas práticas pedagógicas. O futuro da escola está na mudança da organização do ensino, na alteração da relação pedagógica entre professores e alunos, na organização do tempo, do espaço e, também, do currículo. O sucesso só se alcançará se a escola conseguir dar aos seus alunos a capacidade de compreender as razões por detrás das coisas e encontrar soluções por si próprio. Acresce a estes três problemas, um não problema – o de sabermos como devemos expressar a nossa opinião, nomeadamente nas questões da demografia e rede escolar (alunos, turmas e ofertas educativas). Podemos falar sobre eles “com

pinças”, de modo politicamente correto, ou de forma mais ousada, correndo o risco de se ser “censurado” e apelidado com adjetivos que não reconhecemos em nós. Pode ser apenas uma questão de estilo?! Em todo o caso, o que importa é que não haja a tentação de usar expressões difamatórias, esconder a verdade com eufemismos, deturpar a verdade com frases exageradas e depreciativas. Não é possível continuarmos a olhar para o lado como se nada estivesse a acontecer, como se nada fosse acontecer. Estes problemas devem estar no centro do debate sobre a educação, nomeadamente nos municípios do interior, de forma séria e sem constrangimentos. Faço votos de que 2018 seja um ano de debate construtivo, antecipando problemas futuros, porque o futuro, rapidamente, será presente. Nota: Esta crónica começará a ser publicada no site do JA, em www. jornaldeabrantes.pt, ao dia 1 de cada mês PUBLICIDADE

A

educação e formação de novas gerações é, porventura, a mais nobre das missões da Escola Pública. No entanto, a escola de hoje enfrenta grandes desafios/ problemas, dos quais destaco três. O primeiro problema é a demografia. Os jovens são, hoje, um bem cada vez mais escasso, na Europa e muito particularmente no interior do nosso país, em consequência de dinâmicas demográficas instaladas e da inexistência de políticas para as contrariar. Por tudo isto, as escolas enfrentam um enorme desafio – ter alunos. Num futuro próximo vão colocar-se questões, para as escolas de dimensões consideráveis dos 2.º/3.º ciclos e secundário, de fechar portas ou continuar com poucos alunos, mas sem massa crítica. Alguns municípios já transportam alunos de outros concelhos para os seus, numa tentativa de manter as escolas nos seus territórios. Este problema é importante, mas muito delicado, devido ao facto de pôr em causa a integridade de cada agrupamento de escola. O segundo problema é a pequena, mas sistemática, indisciplina. A indisciplina na sala de aula e no espaço escolar é uma das formas de perturbação escolar mais comuns. Traduz-se por comportamentos disruptivos e/ou perturbadores do funcionamento das aulas e das relações nos espaços escolares e em comportamentos de provocação, de desafio da autoridade dos adultos, passando por agressões verbais e físicas entre alunos. A “horizontalização” das relações entre pais e filhos, a desmotivação, a excessiva proteção dos pais, as carências sociais, entre outras, são causas para a indisciplina. As escolas enfrentam, assim, um enorme desafio - a promoção do diálogo com os alunos, visando a valorização da democracia, da cidadania e do respeito, de modo a identificar a(s) fonte(s) da indisciplina e assim anulá-la(s), de forma assertiva. Por fim, o terceiro problema é o insucesso escolar, em particular o insucesso escolar dos alunos oriundos de meios mais desfavorecidos. A escola de massas, fruto da revolução industrial, onde um professor ensina ao mesmo tempo, no mesmo lugar

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Vienense, concerto de Ano Novo Bravo Abrantes

MÚSICA 12.JAN.18 // 21:30 CINETEATRO SÃO PEDRO

Vox Populi

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Academia de Músicos de Abrantes

TEATRO INFANTIL 20.JAN.18 // 11:00 CINETEATRO SÃO PEDRO

Agakuke e a Princesa Putri Tellur

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20.JAN.18 // 14:30 CIDADE DESPORTIVA ESTÁDIO MUNICIPAL

27.JAN.18 // 10:00 E 15:30 CIDADE DESPORTIVA — COMPLEXO MUNICIPAL DE PISCINAS

27.JAN.—20.MAI.18 MUSEU D. LOPO DE ALMEIDA

Produtos de cá Produtos genuínos, tradicionais e feitos em Abrantes EXPOSIÇÃO

12.JAN.—23.FEV.18 BIB. MUN. ANTÓNIO BOTTO

A muda dos gatos

Ilustrações do livro em estereoscopia de Marco Taylor ANIMAÇÃO

13.JAN.18 // 10:30 MERCADO MUN. DE ABRANTES

Sabores do Mercado

Sabores, aromas, dicas e receitas a descobrir MOSTRA DOCUMENTAL

15.JAN.—30.ABR.18 ARQUIVO MUNICIPAL EDUARDO CAMPOS

Igreja de São João Baptista ANIMAÇÃO

20.JAN.18 // 10:30 MERCADO MUN. DE ABRANTES

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Torneio Ténis de Mesa ANIMAÇÃO

25.JAN.18 // 21:30 BIB.MUN. ANTÓNIO BOTTO

Bruno Vieira Amaral Entre nós e as palavras com o escritor ANIMAÇÃO

XXVI Taça Vale do Tejo

O espaço da religião

Natação ANIMAÇÃO

27.JAN.18 // 10:00 E 11:00 BIB. MUN. ANTÓNIO BOTTO

Ao sábado com a bebeteca Ler antes de ser

27.JAN.18 // 09:30 MERCADO MUN. DE ABRANTES

Sons no Mercado DESPORTO

26.JAN.18 // 19:30 E 21:30 27.JAN.18 // 14:30 E 16:30 28.JAN.18 // 09:30, 11:30, 14:30 E 16:30 PAVILHÃO DESPORTIVO DE ABRANTES E PAVILHÃO MUNICIPAL DE TRAMAGAL

Campeonato Regional de Masculinos e Femininos Final Four Sub 14 Basquetebol

Partilhas na 1.ª pessoa

FOTOGRAFIA ESTELLE VALENTE

MÚSICA 26.JAN.18 // 21:30 CINETEATRO SÃO PEDRO

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JA - Edição de janeiro de 2018  

Jornal de Abrantes, Constância, VN Barquinha, Sardoal, Mação e Vila de Rei

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