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2 ABERTURA FOTO DO MÊS

EDITORIAL

de

jornal abrantes

JANEIRO 2017

FICHA TÉCNICA

Diretora Joana Margarida Carvalho (CP.9319) joana.carvalho@lenacomunicacao.pt

Patrícia Seixas (CP.6127) Patricia.s.seixas@lenacomunicacao.pt

Colaboradores Alves Jana, André Lopes, Carlos Serrano e Paulo Delgado

Diretora

Joana Margarida Carvalho

Redação

Joana Margarida Carvalho

Para quem continua na Luta!

Este abatimento, na conhecida rotunda do Lagar, em Abrantes, encontra-se há muito tempo. O trafego automóvel naquela zona é considerável a determinadas horas do dia e o dito “buraco” só cria problemas a quem circula.

Publicidade Miguel Ângelo 962 108 785 miguel.angelo@lenacomunicacao.pt

Departamento Financeiro Ângela Gil (Direção)

INQUÉRITO

O que deseja para 2017?

Catarina Branquinho 244 819 950 info@lenacomunicacao.pt

Produção gráfica Semanário REGIÃO DE LEIRIA

Impressão Unipress Centro Gráfico, Lda.

Design gráfico António Vieira

Fábio Barrocas

Ana Gomes

Manuel Jorge Valamatos

Abrantes

Santa Margarida da Coutada

Rossio ao Sul do Tejo

A nível pessoal, que a minha felicidade continue a aumentar. A nível profissional, que tudo se mantenha ou evolua tal como a nível desportivo. Para o concelho que o mesmo continue a crescer e captar visitantes e que possam surgir mais empresas que representem oportunidades profissionais.

Votos de perseverança para alcançar maior estabilidade e desenvolvimento regional capaz de “nos” tornar mais atrativos e competitivos.

Desejo muita saúde e a promoção de atividade física. Desejo ainda muita energia para trabalhar o melhor possível para a nossa comunidade.

UM RECANTO PARA DESCOBRIR? Parque Nacional da Peneda-Gerês UM DISCO? “Phase” de Jack Garratt UM FILME? Hachi: A Dog’s Tale. Aquele filme espectacular que põe toda a gente a chorar. UMA VIAGEM? Nova Zelândia UMA FIGURA DA HISTÓRIA? D. Afonso Henriques. Foi ele que fundou e conquistou Portugal, por isso, é sem dúvida a figura histórica mais importante de Portugal. UM MOMENTO MARCANTE? (E PORQUÊ) A primeira vez que toquei ao vivo as minhas músicas originais, na gala da Antena Livre & Jornal de Abrantes em 2016. Foram só duas delas mas foi um momento muito bom por ter uma

banda fantástica atrás de mim a dar vida às minhas músicas. E no final ser elogiado por todos, mas principalmente pela Teresa Salgueiro, umas das grandes vozes nacionais. UM PROVÉRBIO? “A nossa vida é o que queremos que ela seja”. UM SONHO? Poder viver da música e conseguir vingar neste mundo da música, que muitos dizem ser complicado. UMA PROPOSTA PARA UM DIA DIFERENTE NA REGIÃO? Dar um passeio por Abrantes na época das festas da cidade, no castelo, no jardim do castelo, no centro histórico da cidade, pelo parque de S. Lourenço, à beira do rio Tejo, e à noite assistir aos concertos que as festas proporcionam.

Contactos Tel: 241 360 170 / Fax: 241 360 179 jornaldeabrantes@lenacomunicacao.pt

Editora e proprietária Media On - Comunicação Social, Lda. Capital Social: 50.000 euros Nº Contribuinte: 505 500 094 Av. General Humberto Delgado Edf. Mira Rio, Apartado 65 2204-909 Abrantes

SUGESTÕES

Detentores do capital social Lena Comunicação SGPS, S.A. 80% Empresa Jornalística Região de Leiria, Lda. 20%

Gerência Francisco Rebelo dos Santos, Joaquim Paulo Cordeiro da Conceição e Paulo Miguel Gonçalves da Silva Reis

Tiragem 15.000 exemplares Distribuição gratuita Dep. Legal 219397/04 Nº Registo no ICS: 124617

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Pedro Dirá (Pedro Miguel Diogo Rafael)

IDADE? 23 anos NATURALIDADE /RESIDÊNCIA? Abrantes PROFISSÃO? Músico, Produtor Musical, Técnico de Áudio/Som freelancer UMA POVOAÇÃO? Abrantes PRATO PREFERIDO? Lasanha de carne ou de atum

Passou mais um ano. Todos os anos, quando nos despedimos de um e nos aproximamos de outro, queremos que os meses seguintes representem coisas boas para a nossa vida, mas também para quem nos rodeia. Contudo, para alcançarmos tudo o que desejamos e nos é desejado, teremos de começar por estar bem connosco. Esse é meio caminho percorrido para se alcançar o sucesso pessoal e profissional. A renovação interior deverá ser uma máxima a termos em conta. Na viragem do ano, fazemos um olhar sobre alguns projetos científicos, empresariais, sociais e políticos. Passámos na Corticeira da família Apura, que com alguma descrição no que fazem, continuam, de geração em geração, a contribuir para o desenvolvimento do setor empresarial do concelho de Abrantes. Depois, chegámos ao Centro de Ciência Viva e Máximo Ferreira abriu-nos a porta de uma casa que projeta o concelho de Constância, mas também a região do Médio Tejo, na divulgação da astronomia e das várias ciências associadas. E porque é uma altura de balanços, foi possível conhecer como está a correr o projeto do BairroConvida. Uma iniciativa de intervenção comunitária num bairro que, segundo Celeste Simão, vereadora na CMA, “sossegou”. Por último, e para além de um olhar atento na atualidade dos concelhos que abrangemos, falamos de Autárquicas. Diria que será o tema central de 2017 e que vai marcar, em muito, a atualidade noticiosa regional. Para o Jornal de Abrantes e para a Antena Livre será um início de um ano importante, que contará com novos passos. O JA vai surgir “de cara lavada”, chega o momento de renovar a publicação e de assumir novos desafios naquilo que diz respeito à sua linha editorial. A mudança é necessária para podermos crescer ainda mais. Em conjunto, os dois órgãos de comunicação social voltam a promover a Gala de 2017. Este ano mais cedo, a 21 de janeiro, no dia em que a Antena Livre celebra 36 anos de emissões livres. Um momento que esperamos que volte a deixar marca e que acima de tudo, marque quem tem contribuído, quem não tem baixado os braços e que continua na luta! Um Bom Ano!


ENTREVISTA 3

JANEIRO 2017

SOFIA THERIAGA

“Um trabalho conjunto, de parceria, é fundamental para conseguirmos alcançar os nossos objetivos” Sofia Theriaga vai no segundo mandato como diretora do ACES Médio Tejo, o Agrupamento de Centros de Saúde. É chegada a altura de fazer um balanço da atividade do ACES e saber do funcionamento das novas Unidades de Saúde Familiar.

A que se dedica o ACES Médio Tejo? O ACES Médio Tejo está dedicado aos cuidados de saúde primários. Estamos em 11 concelhos, dispersos por 2.706 km2 (temos uma grande dispersão geográfica) e temos 626 profissionais a trabalhar nesta área. É muita gente. Mas ainda assim, faltam… Faltam… principalmente médicos de família. Como funciona e como está disposto o ACES Médio Tejo? Temos diversos tipos de unidades no Agrupamento. São cinco tipos de unidades diferentes, que trabalham em equipa multidisciplinar, com missões específicas intercooperantes e complementares e que funcionam em rede. Neste momento, temos no Agrupamento dez unidades de Cuidados de Saúde Personalizados, que correspondem aos antigos centros de saúde, tal como estávamos habituados a chamar, em termos da sua organização e gestão, temos sete unidades de Cuidados na Comunidade, que são unidades que estão focalizadas para o trabalho comunitário, nove Unidades de Saúde Familiar, que é o novo modelo preconizado pela reforma dos cuidados de saúde primários, onde a candidatura é elaborada pelos próprios. É uma equipa que se junta com médicos, enfermeiros e assistentes técnicos que se propõem a realizar determinado trabalho com um conjunto de utentes. As USF substituem os antigos centros de saúde? Exatamente. Se a candidatura

abranger a totalidade dos utentes daquela região, daquele concelho ou freguesia, podem deixar de existir. Já temos concelhos onde isso aconteceu. É o caso de Abrantes, na cidade, e possivelmente em Rossio ao Sul Tejo. Como trabalham as equipas integradas nas USF? Que balanço faz? São equipas que trabalham por objetivos e que vieram dar um grande impulso aos cuidados de saúde primários. Porque é uma constituição voluntária, não resulta de uma imposição da direção executiva, as equipas organizam-se e elaboram um projeto em função do trabalho que querem realizar. A motivação é sempre maior quando a equipa está envolvida com o projeto a que se propõe. Se os objetivos não forem cumpridos, o que pode acontecer? Não recebem incentivos. Os médicos, quando estão em internato a tirar a sua especialidade de medicina geral e familiar, habitualmente fazem-no em USF, portanto habituam-se a um determinado tipo de trabalho em equipa, normalmente multidisciplinar, e depois é complicado aceitarem trabalhar numa Unidade de Saúde de Cuidados Personalizados (centros de saúde). A sua preferência são as USF. Os objetivos do seu primeiro mandato foram cumpridos? Foram sim. Felizmente já temos menos utentes sem médico de família. Neste segundo mandato a minha prioridade continua a ser diminuir o número de utentes sem médico de família. Enquanto não conseguirmos baixar para um nível zero, não ficarei satisfeita. Em todos os concelhos, o apoio dos Municípios tem sido fundamental na atração de novos médicos e mantê-los para cá. Estamos em crer que no próximo exame da especialidade, que será realizado em abril, sairá um grupo significativo de

para cativar médicos para as zonas menos atrativas. A mim compete-me gerir e fazer com que eles se sintam cá bem entre nós. Não há outro registo possível.

médicos e estou com esperança de receber alguns nessa altura. Espero que estes médicos que possam vir, minimizem parte do problema. Também temos o objetivo de continuar o bom relacionamento que temos com os Municípios e com todos os parceiros sociais. Essa boa relação tem-nos permitido inúmeras parcerias e também com o CHMT, com o qual temos desenvolvido trabalho que se vai consolidar nos próximos tempos. Essa relação vai permitir rentabilizar a capacidade instalada que o CHMT tem, em prol dos cuidados de saúde primários. Um trabalho conjunto, de parceria, é fundamental para conseguirmos alcançar os nossos objetivos. De que modo está a ser realizada essa parceria? Temos tido reuniões regulares, com objetivos muito claros. O intercâmbio de médicos é possível? Isso não é viável. São especialidades diferentes. O CHMT não tem médicos em medicina geral e familiar, assim como nós não temos os especialistas que eles necessitam. O intercâmbio não resulta porque nem eles conseguem resolver o nosso problema, como nós não conseguimos resolver o deles. O caminho passa por apostar no que temos de melhor e no que eles têm de melhor e que poderão rentabilizar em termos da capacidade instalada, nomeadamente em termos de meios complementares de diagnóstico.

Quantos médicos de família são necessários para resolver o problema no Médio Tejo? Num universo de cerca de 228 mil utentes, neste momento 198 mil têm médico e estão sem médico 30 004 utentes. Estes 30 004 correspondem a 13% do nosso universo e resolveríamos esta situação com cerca de 15 a 16 médicos. Os concelhos em pior situação são Abrantes, que está no topo. Aqui precisamos de 6 médicos para resolver a situação. De seguida, Ourém onde serão necessários 4 médicos, 3 em Torres Novas e depois 1 médico para Ferreira do Zêzere, Sardoal e Tomar. Ainda estão médicos estrangeiros a laborar nos centros de saúde da região? Nós inicialmente recebemos 5 médicos cubanos, neste momento já só temos duas, uma em Ourem outra em Tomar, os outros três rescindiram contrato. Anteriormente, quando existiam dois Agrupamentos, também recebemos profissionais de Costa Rica. Ainda está connosco uma em Torres Novas. Espero que os que ainda se encontram permaneçam. Existem autarcas no Médio Tejo que consideram que os médicos deveriam ser colocados onde são necessários, à semelhança do que acontece com os professores. O que pensa sobre isso? Penso que o Governo está atento a esta situação e está a fazer de tudo

Esperam-se muitas aposentações? Neste momento, não temos pedidos de aposentações, mas sabemos que existem muitos médicos que dentro em breve vão reunir condições para se puderem aposentar. Contudo, os médicos que possam surgir em abril já poderão solucionar parte da questão. As portas do ACES estão abertas a todos médicos, são todos bem-vindos. Como está a saúde financeira do ACES Médio Tejo? Nós não temos autonomia financeira. Os ACES só têm autonomia administrativa. Tenho um orçamento, mas não tenho autonomia financeira. A gestão financeira é feita pela ARSLVT. Todas as necessidades que reporto têm sido satisfeitas. Em termos de recursos materiais, temos uma carência que diz respeito às viaturas do ACES. Fazemos muito trabalho comunitário e temos viaturas em falta.

O ACES Médio Tejo tem como missão “Garantir à população do Médio Tejo o acesso à prestação de cuidados de saúde primários de qualidade, adequando os recursos disponíveis às necessidades em saúde e cumprir e fazer cumprir o Plano Nacional de Saúde.” Esta missão está a ser cumprida? Está. Dentro dos recursos que temos, estamos a fazer o melhor que podemos. E neste aspeto, conta muito a qualidade dos profissionais que temos e a disponibilidade constante e permanente para assegurar os melhores cuidados possíveis, com os recursos que temos. Joana Margarida Carvalho e Patrícia Seixas PUBLICIDADE

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POLÍTICA 5

JANEIRO 2017

Eleições Autárquicas em 2017 já mexem com a política regional Ainda sem data definida, é certo que 2017 será ano de Eleições Autárquicas. Enquanto, a nível nacional, os objetivos estão traçados pelos diferentes partidos políticos, na região também são mais as certezas que as dúvidas. Nos seis concelhos que compõem a área de influência do Jornal de Abrantes (JA), a maioria dos autarcas em funções já assumiu que irá apresentar uma candidatura para um novo mandato. Em Abrantes, a grande dúvida está em conhecer o número dois que figurará na lista de Maria do Céu Albuquerque na próxima candidatura. Com o PS com candidato assumido, neste caso já se conhece o candidato à Câmara Municipal de Abrantes por parte do PSD. Trata-se de António Castelbranco, arquiteto abrantino. CDU e Bloco de Esquerda, que se saiba, ainda não definiram os seus candidatos e des-

conhece-se se este ano voltará a ver algum movimento independente que se apresente a sufrágio. As contas às cadeiras do Executivo só serão desfeitas na noite das eleições. Mesmo sem apresentação oficializada, mas já confirmada, o JA sabe que Miguel Borges volta a ser candidato à Câmara Municipal de Sardoal, pelo PSD. Por parte da oposição, não se vislumbram para já candidatos e fica-se na incerteza se o GIS (Grupo de Independentes do Concelho do Sardoal) voltará a apresentar-se no boletim de voto, depois de ter elegido um vereador no atual mandato. Em Vila de Rei, ao que tudo indica, Ricardo Aires volta a encabeçar a lista da candidatura do PSD nestas Autárquicas, não se conhecendo, para já, o nome do seu opositor por parte do Partido Socialista ou de qualquer outra força política. Em Mação, ainda que não tenha sido anunciado, tudo leva a crer que

Vasco Estrela, do PSD, volte a ser candidato a mais um mandato. Falta conhecer quem será o nome que encabeçará a lista do PS, se Nuno Neto ou outro, pois é a única força política no concelho que tem, até agora, elegido vereadores e deputados na Assembleia Municipal, embora a CDU também apresente candidatos. Em Constância, Júlia Amorim deve preparar nova candidatura. Não se preveem grandes alterações no Executivo e não se conseguem nomes que poderão figurar como oposição à lista da CDU. Em Vila Nova da Barquinha as incertezas são mais que muitas. Fernando Freire não anunciou a candidatura a um novo mandato e não há certezas de que o venha a fazer. Tudo em aberto neste concelho onde ainda não se conhecem outros nomes para ir a votos contra os socialistas. Patrícia Seixas PUBLICIDADE

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6 SOCIEDADE

JANEIRO 2017

AUTARQUIA E ASSOCIAÇÃO LOCAL PRESTAM BALANÇO DO PROJETO BAIRRO CONVIDA

“Aquele território sossegou” Foi há dois anos, em junho de 2014, que a Câmara Municipal de Abrantes (CMA), em conjunto com vários parceiros, iniciou o projeto do Bairro ConVida, em Vale de Rãs. Na altura, os objetivos traçados diziam respeito à tentativa de dinamização do Edifício Millennium e à tentativa de banir o estigma de insegurança, através de projetos desenvolvidos por várias entidades. O cinema voltou ao centro comercial e são vários os parceiros que ainda continuam a desenvolver atividade naquele local. Passados dois anos, chega altura de fazer balanços junto da Câmara Municipal e da associação juvenil local. Celeste Simão, vereadora com o pelouro da Ação Social na CMA, começou por recordar como é que o projeto iniciou: “Em 2011, através do diagnóstico do Conselho Municipal de Segurança, era apontado o Bairro de Vale de Rãs como um bairro problemático. Na altura, foi feito um plano de ação, em que um dos eixos de intervenção tinha de ser pensado para aquela zona. A partir daí achámos que podíamos fazer um plano de ação, revitalizando o espaço [Millenium], fazendo um projeto de intervenção comunitária e que envolvesse um parceiro do bairro, que foi a Associação Juvenil de Vale de Rãs. A Associação já fazia alguma intervenção a nível desportivo, mas não tanto ao nível comunitário”, lembrou. Atualmente os parceiros que se encontram no local mantêm-se, menos a Alma Lusa que nunca chegou a ingressar no projeto. “A Alma Lusa no início disponibilizou-se, mas mais tarde, disse-nos que não tinham recursos humanos para ter aqui um polo aberto. Quando desistiram, não fiquei muito preocupada, pois não sei se a questão do artesanato contemporâneo iria motivar as pessoas”, afirmou. Como entidade coordenadora do Bairro ConVida, ainda se encontra a CMA, que tem a função de fazer o acompanhamento do projeto, das ações realizadas por

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• Bairro Vale de Rãs cada parceiro e a atribuição de verbas aos mesmos. A TAGUS, Associação para o Desenvolvimento Integrado do Ribatejo Interior, desloca-se ao espaço pontualmente, dinamizando o local com ações diversas e com a entrega dos cabazes PROVE. Já o espaço atribuído à EPDRA, Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, não tem alcançado a dinâmica pretendida. “Neste ano que passou a intenção era que funcionasse ali um novo polo de formação do curso de Pastelaria, que decorressem aulas e a comercialização dos produtos. Neste momento, o espa-

ço não está aberto porque a EPDRA aguarda uma autorização por parte da Direção Geral dos Estabelecimentos Escolares para a contratação de mais pessoas. No ano passado, chegaram acontecer aulas de formação, workshops e almoços temáticos. Entretanto, o ano letivo terminou e agora aguardam a dita autorização”, explicou a vereadora. “A EPDRA necessita de mais pessoal não docente para dar apoio e por questões de manutenção do espaço. Formadores e alunos têm, mas é preciso haver mais pessoal não docente para garantir o funcionamento do espaço”,

acrescentou. A Cres.Ser tem dois espaços cedidos: “num desenvolvem ateliês e num outro, que é multidisciplinar, cedem-no a qualquer associação integrada no projeto Bairro Convida, para reuniões, etc. A associação desenvolve ainda para as pessoas do bairro aulas de atividade física para seniores, onde já estão a frequentar cerca de 40 pessoas. O projeto “Viver Senior” já era dinamizado naquela zona e assim continua”, avançou Celeste Simão. Por sua vez, a Associação Juvenil de Vale de Rãs tem um centro de porta aberta. No local encontra-se “ uma técnica superior, que estará

até junho pelo menos, que presta apoio ao estudo. É um espaço aberto que tem computadores, jogos para várias idades, livros, onde uma pessoa que se desloque ao espaço possa ter sempre algo para fazer. Tem também aulas de alfabetização e informática para grupos mais reduzidos, num horário a agendar”, explicou. A União das Freguesias de Abrantes e Alferrarede não assume competências específicas, mas segundo a vereadora “é agregadora de todas estas entidades. É preciso organizar determinado espaço, a União de Freguesias colabora. É preciso atrair as pes-

Fábio Barrocas, presidente da Associação Juvenil de Vale de Rãs, faz um balanço “muito positivo”, mas reconhece que ainda há trabalho a melhorar Fábio Barrocas, presidente da Associação Juvenil de Vale de Rãs, faz um balanço “ muito positivo”, mas reconhece que ainda há trabalho a melhorar. Referindo-se ao espaço que dispõem no edifício Millenium, Fábio Barrocas disse que “ é uma “máquina” que é oleada todos os dias. Temos uma técnica especializada, a tempo inteiro, responsável por 13 crianças, onde a grande maioria são de etnia

cigana. Nos dias de escola, a partir das 16h00, vão diretas para lá para fazer os trabalhos de casa e ter estudo acompanhado. Quando terminam as tarefas fazem outras atividades, como jogos de tabuleiro. Nas férias, voltamos a desenvolver algumas atividades com elas. No verão passado, fomos à piscina municipal, à praia, etc. A técnica está agora de férias e sentimos que os miúdos até ficaram tristes por esta pausa. Uma vez por semana,

temos ainda uma professora aposentada que presta aulas de alfabetização a pessoas mais velhas do bairro. Já temos cerca de 7 pessoas que estão em vários níveis de aprendizagem. No geral, o balanço é positivo e é fruto de um trabalho conjunto”.

soas, a União colabora, e assim sucessivamente”. Já a Associação Vidas Cruzadas tem no espaço um segundo polo do Centro de Apoio Familiar e Aconselhamento Parental. “As técnicas da associação já faziam intervenção com pessoas daquela zona e assim fazia todo o sentido deslocalizar para o espaço aquela valência”. “O cinema continua a funcionar. A informação que temos é que está a resultar, sendo que no local acontecem estreias, o que faz com que as pessoas não se desloquem para fora do concelho”, fez notar a vereadora. O projeto Bairro ConVida é financiado pela EDP que atribui à câmara uma verba que a câmara aloca nos diferentes parceiros. “A Câmara transfere as verbas para os vários parceiros, de acordo com a planificação e orçamento apresentados por cada um. As verbas são sempre justificadas com relatórios intercalares. Até agora o financiamento que foi disponibilizado para o arranque e para as atividades foram cerca de 80 mil euros”, referiu a responsável. “Estas verbas que provêm da EDP não são alocadas para qualquer iniciativas que as câmaras se lembrem de fazer. É preciso haver um projeto de intervenção comunitária e que a entidade veja uma mais-valia no projeto. A candidatura para 2017 já foi aprovada”, avançou.


SOCIEDADE 7

JANEIRO 2017

“Passámos este tempo a conquistar o território” Celeste Simão refere que ao fim de dois anos é “difícil fazer balanços exaustivos, sendo um projeto de intervenção comunitária”. “É provável que hajam muitas pessoas que pensam que o que se passa dentro do edifício ainda não é vivenciado pela comunidade do bairro e isso é normal. No início, com a preparação do projetos, que obedeceu a protocolos, à instalação dos parceiros e à definição do que é que cada um ia desenvolver, decorreu um período em que foi necessário perceber se a comunidade não rejeitava os parceiros que “vinham de fora”. Penso que essa foi uma etapa superada. Penso que conquistamos o espaço e fomos

aceites”, vincou. “Desde o arranque do projeto que não houve qualquer problema e registo isso com agrado. Passámos este tempo a conquistar o território. Se não tivéssemos dado este tempo de conquista, podíamos ter perdido o projeto logo no início”, sublinhou a vereadora. Para Celeste Simão, falta a articulação entre os parceiros: “as associações não estão habituadas a trabalhar em conjunto. É um balanço positivo, mas que ainda não chega. Falta melhorar o trabalho de cada parceiro e a articulação entre os mesmos”. “Por exemplo, a TAGUS dinamiza uma Feira da Primavera e as outras associações

devem associar-se com outras atividades. Isto é que é um projeto de intervenção, se não chamamos aquele espaço um local onde simplesmente estão alojadas associações. Já definimos o plano de atividades para 2017 e agora o passo seguinte é a coordenação entre parceiros”, avançou. “É verdade que nós não temos muita paciência para esperar pelos resultados, mas neste caso não há outro caminho. Aquele território sossegou. Hoje vejo pessoas à espera para entrar para o cinema com uma postura tranquila, sem qualquer receio e isso é muito bom”, finalizou a autarca.

• Edifício Millenium onde está a ser desenvolvido o projeto Bairro ConVida PUBLICIDADE

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8 ABRANTES

JANEIRO 2017

Administrador garante que Hotel Turismo abre em maio “O Hotel Turismo de Abrantes vai abrir portas até ao final de 2016”. Esta era a notícia no dia 7 de julho deste ano. Passados cinco meses, a Administração voltou a convidar a imprensa e o Executivo Municipal para uma nova visita às instalações do Hotel e justificar o porquê do atraso na abertura da unidade. José Lourenço dos Santos, o administrador, justificou o atraso pelas dificuldades encontradas “principalmente nas zonas técnicas”. “ Foi uma coisa que nós não imaginávamos”, desabafou. E explicou que foram encontrados, ao nível da canalização, problemas como “remendos que ao longo dos anos foram efetuados. Ligações elétricas que perigavam e que nem estavam de acordo com as normas de hoje em dia. O Hotel foi crescendo e as pessoas foram remen-

dando. Quando deparamos com estas situações, não tem ponta por onde se lhe pegue. É preferível esquecer tudo e fazer um projeto todo de novo” pois, como afirmou, “não podíamos correr o risco de, depois de estar com Hotel a funcionar, de começarem a rebentar canos ou a haver curto-circuitos”. Assim, o Luna Hotel Turismo de Abrantes tem agora nova data de abertura que será “em Abril/Maio, a tempo da visita do Papa Francisco a Fátima”, afirmou José Lourenço dos Santos. O promotor garantiu que “esse é um prazo para ser mesmo cumprido”. Quem não se mostrou muito otimista com este novo prazo para a abertura do Hotel foi Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Municipal de Abrantes.

• A obra de recuperação do hotel está orçada em 1,5 ME A autarca afirmou mesmo que “o tempo ainda me parece curto”. E questionou José

Lourenço dos Santos acerca de “como vai fazer? Não me deixa muito confiante!”

Apesar de não esconder o seu ceticismo quanto ao novo prazo apresentado

pela Administração e de o considerar “bastante ambicioso”, Maria do Céu Albuquerque afirmou que “como mulher de fé que sou, vamos fazer fé para que seja efetivamente, a bem de todos nós, a abem da nossa região, do nosso concelho e da nossa economia”. A obra de recuperação do Hotel Turismo de Abrantes está orçada em 1,5 milhão de euros, tem estado a decorrer até agora, segundo o administrador, “com fundos próprios”, mas a candidatura à Turismo Fundos vai permitir a comparticipação de “50% do valor final da obra”. O Grupo hoteleiro garantiu ainda que, depois das obras, irá pedir a reclassificação do Hotel de Abrantes e o objetivo é de conseguir uma classificação de 4 estrelas. Patrícia Seixas

Jardim do Alto de Santo António será requalificado

• Obra representa investimento de 130 mil euros A Câmara Municipal vai proceder à requalificação e melhoramento do Jardim do Alto de Santo António, contíguo ao Hotel Turismo de Abrantes. No dia 6 de dezembro, na reunião do executivo camarário, João Caseiro Gomes, vice-presidente, mostrou o

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projeto de obra aos restantes vereadores, que representa um investimento autárquico de cerca de 130 mil euros. A intervenção irá arrancar para breve, sendo que a Câmara Municipal tem o compromisso de ver o jardim requalificado aquando da abertura do hotel, prevista

• Projeto de requalificação foi apresentado na reunião de Câmara para o mês de maio de 2017. O vice-presidente explicou que o Município vai “requalificar” e “uniformizar” as calçadas existentes no espaço e irá “fazer uma limpeza na escadaria e nas pedras da entrada que apresentam um grande nível de envelhecimento e de sujidade. Vamos

fazer uma intervenção ao nível do circuito existente no jardim e vamos pavimentar o mesmo”, acrescentou. Junto ao espaço de restauração existente no local, a Câmara irá colocar um parque infantil e, ao longo do jardim, irá existir novo mobiliário de lazer. O campo de ténis tam-

bém será intervencionado, “sendo que quando chove com intensidade, a água invade e mantém-se nos campos”, afirmou o responsável. João Caseiro Gomes disse ainda que os “espaços verdes” serão reordenados e contarão com “novas espécies”. A iluminação pública existente

será aumentada e substituída por lâmpadas led. Por fim, o autarca salientou que o objetivo é “criar uma nova vivência do espaço, que é um espaço nobre da cidade”. JMC


POLÍTICA 9

JANEIRO 2017

ABRANTES

Orçamento Municipal aprovado em Assembleia com votos contra do PSD e BE A Assembleia Municipal de Abrantes aprovou por maioria, as Grandes Opções do Plano para 2017 e o respetivo Orçamento da Câmara Municipal e dos Serviços Municipalizados, na sessão realizada no dia 30 de novembro, no Edifício Pirâmide. O ponto mereceu aprovação da maioria socialista, contou com os votos contra do deputado eleito pelo BE, 5 votos contra dos deputados do PSD e 7 abstenções 4 da CDU, uma do CDS e duas do PSD. Na apresentação feita por Maria do Céu Albuquerque, presidente da Câmara Munici-

pal, foi destacado o aumento do orçamento municipal em 22% (cerca de 5 ME), “por via do investimento”. “O grande aumento diz respeito às transferências de capital e ao quadro comunitário, em todos os programas onde temos a garantia de financiamento”, referiu a autarca abrantina. Armindo Silveira, do BE, justificou o seu voto contra referindo que a “Autarquia continua a assumir as responsabilidades financeiras” que “cabem à administração central”. “Não basta a senhora presidente dizer que temos de

nos socorrer dos Municípios, não pode ser assim. Nós temos representação na Assembleia da República e temos de exigir soluções nos locais próprios”. O deputado bloquista disse ainda não compreender o facto do “orçamento da Tagus Valley e da A.logos não constar no orçamento da Câmara” e que assim, não podia votar em “consciência”. Por sua vez José Miguel Vitorino, do PSD, começou por referir o aumento da receita municipal avançando que a mesma “resulta dos fundos comunitários” e deixando a questão se “os fundos estão a

ser bem aplicados?”. O deputado disse ainda que no orçamento existem linhas de “intervenção muito positivas e que valorizam a região, nomeadamente a requalificação do castelo e a reabilitação urbana do centro histórico”, mas que, “infelizmente”, a bancada do PSD não concordava com tudo. “Não concordamos com a estratégia de promoção turística do concelho por diversas razões. Em primeiro lugar, porque ela carece de identidade com o Município, como é o exemplo do Museu de Arte Contemporânea Char-

ters de Almeida, que consiste numa autêntica importação artística. Depois, porque a cultura parece muitas das vezes, ao nível do investimento, suplantar todas as outras atribuições, tornando-se uma prioridade, onde não nos revemos. Por último, uma estratégia inconsequente - o Creative Camp que tem produzido os resultados que estão à vista e o drama da pintura do Convento [de São Domingos] é meramente um exemplo”, afirmou. Ainda sobre o Orçamento e as Grandes Opções para 2017, Piedade Pinto, da bancada

socialista, destacou que nos documentos pode concluir-se que “o plano de atividades municipal é destinado às funções sociais. A verba destinada ao conhecimento, intervenção comunitária, cultura, património, educação e desporto representa 55% da despesa do plano de atividades para 2017. São cerca de 4ME que a Autarquia prevê para estas áreas (…) Trata-se de um orçamento equilibrado, que tem em conta as reais necessidades do concelho, que coloca as pessoas no centro das políticas”, reforçou. Joana Margarida Carvalho PUBLICIDADE

Petição contra a demolição do edifício do Mercado Diário continua a recolher assinaturas Dois cidadãos de Abrantes lançaram no dia 12 de dezembro uma Petição Pública “contra a demolição do histórico mercado diário”, instalado no centro da cidade, apelando ao município para apostar na requalificação do edifício. Os autores lembram que “há largo tempo que se discute a possibilidade de a Câmara Municipal de Abrantes ordenar a demolição do antigo mercado diário” e que o Plano de Urbanização de Abrantes “autoriza a Câmara Municipal a proceder desse modo insensível e insensato, destruindo mais um pedaço largo da alma abrantina”. António Cartaxo, um dos autores da Petição Pública, afirmou que “esta Petição consta de uma preocupação que tenho como cidadão abrantino”. Referindo-se ao que ficou aprovado no Plano de Urbanização de memória, António Cartaxo fala de “insensibilidade política” por parte do Executivo e considera “uma destruição de memória da ci-

dade” a demolição do antigo mercado que, consideram os autores, “é um edifício nobre”. O outro autor da Petição Pública é o arquiteto António Castelbranco. Perante a questão da Petição poder ser vista como um ato político, visto que António Cartaxo e António Castelbranco já se assumiram como candidatos nas próximas eleições Autárquicas em 2017 pelo Partido Social Democrata em Abrantes, António Cartaxo diz que não pois é apenas um tema que preocupa os dois e daí terem decidido levar a cabo esta ini-

ciativa “ainda como cidadãos, sem qualquer cariz político”. Na Petição, intitulada “Não à demolição do histórico Mercado Diário de Abrantes! Não à destruição da alma abrantina!”, pode ler-se que “para os abrantinos, o edifício do antigo mercado diário é um marco cultural, patrimonial e histórico que robustece o sentimento de identidade local”. À hora de fecho desta edição do Jornal de Abrantes, tinham assinado a Petição Pública 646 pessoas. Patrícia Seixas

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CONSTÂNCIA 11

JANEIRO 2017

Assembleia Municipal aprova Orçamento de 2017 com abstenção socialista A Assembleia Municipal de Constância aprovou por maioria, as Grandes Opções do Plano e o Orçamento da Câmara Municipal para 2017, cerca de 7ME, na sessão realizada no dia 19 de dezembro. O ponto mereceu a aprovação da maioria comunista e contou com 4 abstenções dos deputados eleitos pelo Partido Socialista. Júlia Amorim, presidente da Câmara Municipal, referiu que não se trata de “um orçamento com empolamento de receita. É um orçamento que as despesas fixas, designadamente com pessoal, serviços e bens (…), estão totalmente dotadas”. Segundo a autarca “foi pos-

sível fazer um orçamento que tem a ver com as perspetivas que o atual quadro comunitário de apoio” prevê, tratando-se de um documento que “faz face a algumas rubricas relacionadas com as despesas fixas e com os nossos empréstimos”. Sobre as obras a principiar no concelho, Júlia Amorim destacou a “conclusão do Centro Escolar de Montalvo, com os seus acessos e arranjos exteriores, o cemitério da Portela, a conservação dos edifícios públicos” e a necessidade de investimento que a Autarquia vai ter “com a modernização administrativa”. A presidente avançou que a candidatura ao Plano de Ação para a Regeneração Urbana (PARU) foi aprovada. A

Câmara Municipal priorizou “não só o espaço multiusos”, onde é colocada “a tenda das festas”, como também, “a requalificação do cine teatro municipal, a frente ribeirinha e o jardim dos correios”. Outras apostas da maioria comunista dizem respeito ao apoio continuado para com

as associações, coletividades e entidades concelhias, bem como na Educação e na Ação Social. “Com a receita que temos, continuamos a dar visibilidade ao concelho, no sentido de criar condições para quem cá vive tenha respostas sociais. Por outro lado,

com a organização de atividades, poder captar um fluxo de pessoas que possam promover o desenvolvimento económico. Neste caso, por exemplo temos as festas do concelho e da Nossa Senhora da Boa Viagem, as Pomonas Camonianas, as grandes rotas, as atividades

do ano Camões, a animação de verão (…) ”. São atividades “que funcionam para dentro e para fora, no sentido de promover a captação de pessoas que possam trazer dinheiro para Constância e para o nosso tecido económico e empresarial”, fez notar Júlia Amorim. PUBLICIDADE

Constância inaugura espaço dedicado a Alexandre O’Neill A Câmara Municipal de Constância inaugurou no dia 19 de dezembro, o Espaço e Memória Alexandre O’Neill [1924-1986]: Escritor, Poeta, Tradutor e Publicitário. O espaço surge no primeiro andar da Biblioteca Municipal detentora, desde 1986, da biblioteca pessoal do escritor. Júlia Amorim, presidente da Câmara Municipal de Constância, explicou que o “espaço já existia na biblioteca, mas foi completamente reconfigurado e portanto adaptado aquilo que se pretende – que este seja um lugar dedicado a Alexandre O’Neill, sendo que o mesmo legou a sua biblioteca pessoal à Câmara Municipal de Constância”. “ É um espaço de estar, de lazer, de consulta e de estudo com tudo o que tem a ver com Alexandre O’Neill. Atrever-me-ia a dizer que é um espaço onde se pode meditar também a poesia que Constância “respira” e por outro lado, é uma forma de homenagear esta figura da nossa cultura portuguesa”, acrescentou a autarca. Sobre as obras disponíveis

para consulta, a presidente avançou que “existem algumas publicações que tem a ver com a sua própria obra, que ele escreveu, mas também obras e periódicos que Alexandre O’Neil tinha consigo, que manuseava e que faziam parte da sua biblioteca”. O momento de inauguração contou com o anúncio do vencedor do Concurso Literário Alexandre O’Neil e que deu a vitória a Ricardo Damásio. “Tenho para mim que podemos sempre melhorar [o Concurso Literário Alexandre O’Neil]. Creio que não vai acabar e que poderá no próximo ano ter um outro formato a nível nacional”, avançou a autarca.

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12 REGIÃO

JANEIRO 2017

Assembleia Municipal de Mação aprovou Orçamento com abstenção socialista O Orçamento Municipal da Câmara de Mação para o ano de 2017 foi aprovado no dia 30 de novembro, pela maioria social-democrata, com a abstenção dos oito deputados socialistas. O documento, que ronda os 11 ME, conta este ano com um aumento de 11 mil euros em relação ao orçamento anterior, tinha sido anteriormente aprovado em reunião do Executivo, por maioria, contando igualmente com as abstenções dos vereadores eleitos pelo PS. “Temos um Orçamento, um Relatório e um Plano de Atividades que vai de encontro àquilo que eram os nossos objetivos e as áreas prioritárias que tínhamos para este mandato”, afirmou Vasco Estrela, presidente da Câmara Municipal de Mação.

No entanto, o presidente começou por relatar as obras feitas pelo Executivo durante os últimos três anos de mandato para “de alguma forma, amortecer desde já as críticas que virão para o próximo ano”, referindo que o que está previsto não tem qualquer relação com a proximidade das Eleições Autárquicas. Para 2017, o autarca destacou três linhas de ação, que considerou prioritárias para o próximo ano: “a possibilidade de financiamento dos livros escolares até ao 12º ano, uma vez que, como sabem, nós financiávamos os livros escolares até ao 4º ano mas, em virtude da decisão do Governo de passar a assumir esses custos, poderemos ter aqui margem e folga para podermos também ajudar esta população que estuda nestes anos de ensino; iremos tam-

• Orçamento de 2017 ronda 11 ME bém, espero eu, poder avançar com o Centro de Atividades Ocupacionais em Mação, numa parceria que iremos estabelecer com o CRIA mas que será algo que iremos decidir em reunião de Câmara e em Assembleia Municipal no máximo até fevereiro do próximo ano. Manteremos

igualmente o forte apoio que temos dado às IPSS’s e também ao nosso Clube Sénior e à Universidade Sénior, para além de todo o apoio que concedemos às famílias e aos mais desfavorecidos”. Para além da Ação Social e Apoio às Famílias, o Orçamento para 2017 contem-

pla ainda as áreas da Educação, Conhecimento, Cultura e Cidadania, onde na área da Cultura Vasco Estrela destacou a “reabilitação do piso inferior do Museu de Arte Pré-Histórica e também o Núcleo Museológico do Centro Etnográfico em Ortiga, nas instalações da Escola Primá-

ria”. No Apoio às Empresas e agentes Económicos-Empreendedorismo, “obviamente que o destaque vai para a disponibilização que vamos dar de espaços empresariais no Ninho de Empresas e no Centro de Negócios de Mação”. O Orçamento para 2017 contempla ainda as áreas da Gestão Territorial, Turismo, Património, Floresta/Agricultura e Produtos Endógenos, Associativismo e Desenvolvimento Rural. Na Saúde, Bem-Estar, Desporto e Lazer “a aposta no espaço público” e em termos de Juventude, o presidente da Autarquia referiu “a apresentação do Programa Jovem Sub-30 e o alargamento do nível etário para as Atividades Ocupacionais de Verão”. Patrícia Seixas

VILA DE REI

Albergaria D. Dinis gera discórdia entre executivo e oposição A proposta de abertura de uma hasta pública para cessão de exploração da Albergaria D. Dinis Hotel, em Vila de Rei, gerou discussão na reunião do executivo camarário, realizada no dia 20 de dezembro. O ponto foi aprovado pela maioria social-democrata e contou com os dois votos contra dos eleitos do PS. Antes da votação do ponto, Miguel Jerónimo (PS) apresentou uma proposta que dizia respeito à criação de uma Escola de Hotelaria e Restauração na Albergaria D. Dinis Hotel.

A proposta acabou por não ser aceite para discussão, sendo que não foi integrada previamente na ordem do dia da reunião. Contudo, levantou alguma celeuma entre os vereadores. Paulo Cesar Luís, vice-presidente da Autarquia, disse mesmo que a construção de uma Escola de Hotelaria e Restauração na sede do concelho era “pura utopia”. Já Ricardo Aires, presidente da CM de Vila de Rei, explicou que a atual gerência da Albergaria D. Dinis Hotel vai manter-se até ao dia 31 de janeiro de 2017. No entanto, irá

decorrer, paralelamente, uma hasta pública que “irá permitir uma nova gerência a partir do dia 1 de fevereiro de 2017”.

O autarca explicou que a atual gerência não dará continuidade às funções devido a motivos “profissionais e

pessoais” e que, já “ em maio de 2016, o concessionário numa reunião de câmara,” tinha demonstrado algumas dificuldades. Quanto à proposta do PS, Ricardo Aires explicou que os vereadores da oposição “terão de fazer outra proposta numa próxima reunião de câmara para dar início à discussão da criação de uma Escola Profissional de Hotelaria e Restauração”, na vila. Na reunião, a proposta do PS surgiu “fora de contexto” (…) “num ponto que dizia respeito à hasta pública da Albergaria”, salientou.

O autarca manteve reservas quanto à ideia, afirmando que no “Médio Tejo já existem outras ofertas onde já é difícil ter alunos, quanto mais em Vila de Rei. Temos de ser realistas. Mas estamos cá para lutar e se o PS disser numa próxima reunião que propõe a criação de uma escola de Hotelaria, votarei a favor e depois veremos”. Recorde-se que a Albergaria D. Dinis Hotel é um espaço de restauração e hotelaria, “considerado uma mais-valia para a dinâmica da sede do concelho”. JMC PUBLICIDADE

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JORNAL LABORATÓRIO DO CURSO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL ESCOLA SUPERIOR DE TECNOLOGIA DE ABRANTES

DEZEMBRO DE 2016 EDIÇÃO Nº 41 www.estajornal.com DIRETORA: HÁLIA COSTA SANTOS DIRETORA ADJUNTA: RAQUEL BOTELHO

Vandalismo terá estado na origem dos incêndios mas não foi possível determinar a autoria F p. 2

Estátuas solidárias

O Centro de Integração e Reabilitação (CIRE) de Tomar organizou o I Encontro de Estátuas com o objetivo solidário de angariar fundos para comprar um autocarro. O evento foi um sucesso. F p. 5

Cineteatro que marca A inauguração do Cineteatro S. Pedro, em Abrantes, foi um acontecimento. Quase a fazer 68 anos, o espaço continua a acolher espetáculos que deixam marcas em que F p. 8 os presencia. PUB

A amizade dos Patos

O Clube Os Patos, de Abrantes, continua a sua atividade de mais de três décadas. A componente desportiva é o que os move, mas a principal imagem de marca é a amizade. F p. 7

Quando a vida vai longa…

O Sr. Carlos e a D. Rosinda são apenas dois rostos das muitas estórias de vida que se contam na Santa Casa da Misericórdia de Abrantes. Ele tem três filhos que estão por perto e que fazem parte do seu dia a dia. Ela não tem filhos. Se não fosse uma sobrinha dar-lhe cama, dormia “lá em baixo, ao pé da ponte”. A Misericórdia é a casa onde 105 mulheres e homens recebem o que se precisa quando a vida já vai longa. Às vezes “só querem um aperto de mãos e ficam contentes por uma coisa tão simples como esta”. F p. 4


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DEZEMBRO 2016

Bombeiros de Sardoal preocupados com consequências dos incêndios

Prevenir e sensibilizar durante todo o ano

Uma das investigações concluiu que o incêndio de agosto em Abrantes e Sardoal foi “Intencional – Vandalismo”. Mais de 2000 hectares arderam, três casas ficaram completamente destruídas e o cenário é desolador. Este é um assunto de verão, mas a prevenção e a sensibilização continuam na ordem do dia, durante todo o ano. D

FOTOGRAFIA VINÍCIUS ALEVATO

VINICIUS ALEVATO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Em agosto de 2016 os concelhos de Abrantes e do Sardoal arderam durante mais de 57 horas. Esse também foi o tempo aproximado da luta contra as chamas. Bombeiros profissionais e voluntários, juntamente com a moradores, combateram as chamas sem parar. “O incêndio começou em Abrantes, mas como o fogo não conhece fronteiras invadiu o concelho do Sardoal”, recorda o comandante do Corpo de Bombeiros Municipais do Sardoal, Nuno Morgado. João Reis, que há cinco anos faz parte da equipa de bombeiros voluntários, esteve na força de combate ao incêndio do Sardoal. Três meses depois, em época de tempo frio, os incêndios continuam a ser uma preocupação: “Nos dias de hoje existem descuidos da parte humana, mas também um pouco de negócio porque a madeira verde tem um valor e depois de queimada fica muito mais desvalorizada.” Juntos, no carro dele, passamos pela rota marcada pelo incontrolável incêndio. As serras que outrora eram verdes e cheias de árvores agora estão enegrecidas. Só se vê cinzas. E nas árvores que ainda estão de pé são claras as marcas do fogo. Árvores pretas do tronco até as folhas. Ao redor das casas, o rasto do mato queimado revela quanto os moradores e seus bens correram riscos de serem afetados pelas chamas. Alguns foram mesmo afetados. Três casas ficaram completamente destruídas sem a menor hipótese de serem restauradas. Os danos causados à mata e às terras afetadas são irreparáveis, mas a dedicação dos bombeiros é para que as vidas sejam salvas e para que os bens materiais sejam poupados. Não é só no verão que é preciso agir. Há muito a fazer durante todo o ano. Os bombeiros fazem questão de passar uma mensagem: se o terreno estiver limpo, as chamas perdem a força e são facilmente apagadas. É preciso fazer aceiros, a limpeza em torno das casas, retirando qualquer material inflamável que possa ser utilizado pelas chamas como ponte de acesso as moradias. De acordo com o capitão Marcos André Albano Flanbó, comandante da Guarda Nacional Republicana de Abrantes, o último grande incêndio teve início em 23 de agosto de 2016, pelas 15h51. Começou na localidade de Sentieiras, freguesia de Fontes, concelho de Abrantes, e alastrou-se até ao concelho de Sardoal. “O Núcleo de Proteção Ambiental (NPA), do Destacamento Territorial de Abrantes, investigou e determinou a causa do incêndio florestal: In-

L Núcleo de Proteção Ambiental de Abrantes aponta para 2269,9 hectares de área ardida tencional – Vandalismo.” Também “apurou e validou a área ardida: 2269,6 hectares”. Os danos foram estimados em cerca de 3.383.984 euros em espécies florestais, não tendo sido contabilizados outros eventuais danos. Apurados os factos, “foi elaborado Auto de Notícia por Crime de Incêndio, o qual foi remetido ao Ministério Público e à Polícia Judiciária por ser o Órgão de Polícia Criminal com competência para a investigação, tendo em conta que a causa apurada é dolosa”. Por seu turno, o inspetor chefe da Polícia Judiciária de Leiria, Delgado Carreira, adiantou ao ESTAJornal que “face aos elementos que foi possível recolher, embora não se exclua que o incêndio florestal tenha sido doloso e consequentemente tenha causado danos muitos avultados, não se tornou possível determinar com rigor a sua

Não se tornou possível determinar com rigor a origem, assim como a eventual autoria do incêndio

origem, assim como a sua eventual autoria.” Para além da questão da origem do fogo, coloca-se também a questão das consequências diretas do incêndio. Na área afetada, “o solo acabou por ficar despido e está nu”. O comandante dos Bombeiros do Sardoal lança o apelo: “Terão que ser tomadas algumas medidas para proteger o solo.” A Câmara Municipal do Sardoal candidatou-se a fundos comunitários do Programa de Desenvolvimento Rural 2020 num valor de 358292€ só para recuperação das infraestruturas danificadas, para o controlo da erosão, tratamento e proteção das encostas, prevenção da contaminação das linhas de água e para diminuição da perda de biodiversidade. Como o solo está agora menos permeável, a água escorre mais e há

ESTA JORNAL

mais risco de erosão. “Estamos a falar das encostas mais declivosas, linhas de águas e do açoreamento dessas linhas de águas.” É preciso fazer estabilizações de emergência, “recuperações de pontos de águas e caminhos florestais”. Essas ações vão diminuir os riscos de deslizamentos de terra. Os fundos são esperados em 2017. “No Sardoal, só neste verão, 800 hectares de área florestal foram queimados. Normalmente temos mais verões quentes e secos e invernos frios e chuvosos. Mas aquilo que se tem verificado, de acordo com as alterações climáticas, é que isso nem sempre é assim, o leva a que as problemáticas dos incêndios florestais ocorram também no outono”, alerta o comandante dos Bombeiros Municipais do Sardoal. A grande questão é o que fazer para que os incêndios não se repitam nos próximos anos. Nuno Morgado diz que hoje é preciso mais do que prevenir, é também fundamental pensar em “recuperar a zona que ardeu e reflorestar”, assim como “desencadear ações de sensibilização para realizar plantações das áreas ardidas”. Uma solução sugerida para melhorar e dar mais possibilidade de combate às chamas é incentivar “os proprietários a aderir as chamadas Zonas de Intervenção Florestal (ZIF)”. Uma das medidas a ser tomada é a criação de uma ZIF “na freguesia do Sardoal anexando também uma parte da freguesia dos Valhascos para que haja um correto ordenamento da floresta”. Nuno Morgado lembra que ao Sul do Tejo os proprietários são donos de grandes terrenos mas no Norte os proprietários são donos de minifúndios. “Sozinhos não conseguem desenvolver atividades significativas no âmbito florestal.” Por isso é necessário que eles “se juntem e procurem sinergias de maneira a melhorar as potencialidades a nível florestal”. Na fase da prevenção é necessário fazer a “faixa de gestão de combustíveis ao longo das redes viárias, a limpeza em redor das habitações e em redor dos aglomerados populacionais”, assim como “a sensibilização para que façam o uso correto do fogo e para que não sejam eles os causadores”. Durante o incidente é necessário proteger as pessoas e, quando preciso, providenciando a evasão dos locais afetados. Depois do incêndio os proprietários precisam de utilizar “as melhores técnicas para retirar o material”. O responsável pelos Bombeiros do Sardoal lembra que “os órgãos públicos estão à disposição para ajudar as pessoas para escolher um caminho adequado para o futuro”. “Como é as pessoas deixam o lume fugir assim e causar tantos danos?” Júlio Martins, morador na freguesia de São Simão, a mais afetada do Sardoal, questiona-se. Andou muitos anos no pinhal, desde a idade de 13 anos. “Fazia o comer lá no pinhal e nunca deixei fugir lume nenhum. Chegava a tomar conta de oito panelas”. O incêndio de agosto bateu-lhe à porta. “Ficamos sem nada” – diz, desapontado. “A minha casa não ardeu porque eu chamei os bombeiros.” Em São Simão, uma casa está a ser reconstruída. O barulho dos tratores revela revela uma nova fase do combate. Ainda há muita coisa para fazer na sequência do incêndio de agosto.g


03

WWW.ESTAJORNAL.COM

Canil Intermunicipal precisa de voluntários, padrinhos e recursos

Um pequeno supermercado no centro de Abrantes

Há sempre muita coisa para fazer

“Hoje só fiz 30 euros”

O Canil e Gatil Intermunicipal de Abrantes, Sardoal e Constância continua com problemas, mas os responsáveis autárquicos estão a preparar mudanças ao nível das instalações e das condições técnicas para esterilizar os animais. A gestão do espaço está entregue a uma associação que luta diariamente contras dificuldades, como o número excessivo de animais e a falta de voluntários. As poucas ajudas não chegam para tudo o que é preciso fazer. Só não falta dedicação de quem ainda dá o seu tempo.

RAQUEL MASCATE ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

bem e quando posso fazê-lo. Tenho pena de não conseguir ajudar tanto como gostaria, mas acredito que quem faz o que pode, a mais não é obrigado. Não me vou esquecer do que a Ana me disse no início: ‘Traz as botas de borracha e prepara-te para agarrar na pá, há muitos cocós para apanhar’. Tirando isso, há sempre mais alguma coisa para fazer, nem que seja ir ao espaço visitá-los, dar-lhes atenção e ajudar a divulgar o que ali se passa.” A jovem sente que “as pessoas do concelho não estão muito voltadas para o voluntariado com animais” pois “ainda se nota muito o confronto entre o ser solidário com pessoas e o ser solidário com animais”. A falta de voluntários é um problema recorrente. Em Abrantes, por mais que a ADACA faça apelos em locais públicos e nas redes sociais, pode dizer-se que não existe a definição literal de Família de Acolhimento Temporário (FAT). Existem, sim, pessoas amigas, que vão ajudando com os tratamentos veterinários ou mesmo fazendo doações, como um caso recente, de uma empresa, que vai permitir a criação de casotas. Para além da dificuldade em arranjar famílias de acolhimento para animais, também a figura dos padrinhos e madrinhas não tem dado grandes resultados. Não existem requisitos para se apadrinhar um animal. Existem, sim, responsabilidades a

cumprir. Ser padrinho de um animal é ser responsável, é ir buscar o animal ao canil, levá-lo a passear, contribuir para a sua alimentação, para a sua saúde ou levá-lo ao veterinário para fazer um simples check-up. É como se fosse a boa ação do dia. Ana Fontinha conta que, muitas vezes, “um animal só é apadrinhado porque o assunto é falado em uma conversa de grupo” e conclui-se que até era “engraçado”. O problema vem depois. Depois, após a ficha preenchida e o animal escolhido, o dito “padrinho” nunca mais aparece, “nem nunca mais procura saber do animal”. Os voluntários e os padrinhos poderiam ser a solução para boa parte dos problemas do Canil porque todos os animais precisam deles. Mas há alguns que precisam mais do que os outros. João é um canídeo que sofreu maus tratos por parte de humanos e que ficou paraplégico. Para andar, passear e para fazer as suas necessidades como um cão saudável faz, necessita de ser posto na sua cadeira de rodas, pelo menos três vezes ao dia. Para isso precisa de ajuda. “O João está sempre na sua caminha, muitas das vezes são três da manhã e eu estou a dar banho ao João porque ele fez cocó e chichi sentado e não pode ficar sujo”, revela Ana. Joana Santos descreve o canil numa só palavra: “Dedicação”. É fácil de imaginar porquê.g D

Fala-se sobre um Canil com lotação esgotada e sobre um suposto Gatil. Sobre pessoas que não são capazes de dedicar uns minutos do seu tempo para praticarem um pouco de solidariedade para com os animais. Sobre a falta de recursos, tanto materiais como financeiros. Uma pessoa para mais de cem animais. Barulho. Foi com muito barulho que eles receberam a sua responsável, a sua protetora. “Não tenhas medo, entra. Eles não fazem mal” – dizia Ana Moreira Fontinha, da Associação de Defesa dos Animais do Concelho de Abrantes (ADACA), instituição que assumiu a gestão do Canil e Gatil. Eram muitos cães para acarinhar de uma só vez, alguns não se contentavam só com uma festa, queriam brincadeira, queriam mimo, queriam atenção. Como querem sempre que alguém chega. Segue-se, então, a situação do Canil e Gatil Intermunicipal dos concelhos de Abrantes, Constância e Sardoal. Conhecido como um espaço bastante amplo, com direito a um pátio ao ar livre e com vários anexos que funcionam como enfermaria, salas para manter os animais doentes e salas de recobro, no Canil continuam a viver-se dias difíceis. Primeiro problema: a quantidade de animais supera o desejável. Manuel Valamatos, vereador da autarquia abrantina, explica que, de facto, o ideal seria que houvesse menos animais, mas garante que o Canil nunca esteve em situação de rutura. Reconhece que, em virtude da crise, nos últimos dois ou três anos houve mais abandono de animais, pelo que já não há capacidade para acolher mais. Manuel Valamatos adianta que as três autarquias responsáveis pelo Canil estão preocupadas com a situação e procuram soluções, nomeadamente para ampliar o espaço. Este responsável acrescenta que o próximo ano deve trazer novidades: “Temos que evoluir, quer para aumentar a capacidade de recolha, quer para fazer os processos de esterilização no próprio Canil, para controlar as populações de cães e gatos.” Isto porque aqui não se abatem animais, ao contrário do que acontece noutros locais. O vice-presidente da Câmara do Sardoal, Jorge Gaspar, acrescenta que, “para fazer face aos custos de manutenção e funcionamento, os três municípios participam com um montante anual fixo e um mensal variável, consoante o valor

das despesas correntes”. Para além disso, a direção técnica é assumida pelo veterinário da Câmara de Abrantes. Mas quem está no terreno continua a ter dificuldades em acorrer a todas as necessidades. Quem acha que o canil é semelhante a um “hotel de cinco estrelas” para cães ou gatos, desengane-se: “Quem acha que um animal está melhor aqui, do que na rua, está enganado.” Ana Fontinha, a alma e a vida do Canil, não tem dúvidas: “É preferível colocarem água e comida junto a uma árvore, longe da casa dos vizinhos, do que trazerem o animal para cá. Não tenho mais sítios disponíveis para novos animais.” É esta a situação em que o Canil se encontra. Não por falta de “logística e força de vontade” da responsável, explica a voluntária Joana Santos, mas por falta de apoios. O espaço é conhecido como Canil, mas também deveria acolher gatos. “Na verdade, não tem um Gatil em plenas funções”, reconhece Joana. “Neste momento, os gatos estão às escuras e chove lá dentro”, acrescenta Ana Fontinha. Por isso mesmo, na casa de uma amiga de Ana, foram criadas as condições necessárias para lá habitarem, de momento, mais de 15 gatos. “Foi lá que montámos uma enfermaria para conseguir tratar os gatos doentes.” Joana explica a sua experiência como voluntária neste espaço: “Faço-o porque me faz sentir

L Para além de serem acolhidos, os animais também podem ser apadrinhados

FOTOGRAFIA RAQUEL MASCATE

TOMÁS PINTO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

A chegada das grandes superfícies pode ser para os clientes um grande alívio, mas para os pequenos comerciantes não passam de um mero pesadelo. O Supermercado Carlos Martins, em Abrantes, não foge à regra. São 18 horas... Mais um entardecer frio e húmido, num dia de inverno na cidade. Numa esquina, junto à zona histórica de Abrantes, encontramos uma loja pequena com ar antigo, o Supermercado Carlos Martins. Assim que se entra veem-se os tradicionais cestos de supermercado e prateleiras repletas dos mais variados tipos de produtos. À esquerda, uma máquina registadora. Atrás dela, Carlos Alves Martins, sentado folheia o jornal, tentando assim colmatar a falta de clientes e acelerar os ponteiros do relógio, para ao bater das 19 regressar ao aconchego da família. Quase como uma história de amor da Disney, o supermercado Carlos Martins viveu, inicialmente, anos fantásticos. Com o passar do tempo começaram a surgir entraves à continuação do seu esplendor. O declínio começou a partir de 1995, altura em que a primeira grande superfície abriu portas em Abrantes. Carlos Martins lembra-se bem do que aconteceu: “O negócio foi logo afetado, começou logo a diminuir, as grandes e médias superfícies rebentaram com isto tudo. Fui do 8 ao 80.” Para piorar as coisas, numa praceta ao lado, abriu um outro supermercado, maior e mais moderno. No entanto, apesar de haver uma saudável rivalidade por ambos serem os únicos supermercados tradicionais da zona (centro histórico de Abrantes), não lhes causa embaraço porque “sempre tivemos preços mais ou menos iguais”. Por isso, Carlos Martins conclui: “Sempre temos vindo a sobreviver.” Apesar de estar pressionado por empresas ultracompetitivas, Carlos Alves Martins nunca mudou a sua visão de venda tendo “sempre vontade de oferecer qualidade”, mesmo sabendo que o que “o cliente quer é ouvir falar nas promoções”. Quando questionado sobre o facto de, também, poder fazer este tipo de campanhas, responde num tom anímico que não pode devido ao facto de não ter movimento para isso. Por não conseguir tirar grandes lucros com o negócio, Carlos Martins já pensou em encerrar a sua loja, mais uma entre muitas outras que já fecharam portas em Abrantes. Encerramentos compulsivos, que surgiram na sequência do envelhecimento dos proprietários. Alguns vendedores foram para lares, outros viram-se obrigados a abandonar a cidade e a ir viver com os filhos.“O que me segura ao supermercado é a minha reforma…hoje só fiz 30 euros” - diz Carlos Martins, salientando o facto de o dinheiro que faz num dia não lhe dar para as despesas. Sobre o futuro, diz ter pena dos netos, "por terem que sofrer as consequências de um país desgraçado".g


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DEZEMBRO 2016

Histórias que se vivem na Santa Casa da Misericórdia de Abrantes

“Quem diria que eu viria cá parar” Num normal dia de atividade da Santa Casa da Misericórdia de Abrantes, o ambiente era agitado e envolvente. Não só vinham as funcionárias apressadas de um lado e do outro para marcar o tempo de entrada, como também chegavam alguns utentes equipados para mais um dia de hidroginástica. Este é um espaço ideal para se ouvir histórias de vida. À volta de uma mesa redonda ou acompanhando quem prefere caminhar. ZETÍLIA SEBASTIÃO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

por isso, considera-se “sozinha”. De repente, a solidão invadiu a sala por um momento, estava num terreno que para mim era desconhecido. Não sabia o que abordar mas, delicadamente, comecei por perguntar pelos seus família. “Tenho sobrinhos, estou a dormir em casa de uma sobrinha que me dá cama. Senão, dormia lá em baixo ao pé do Tejo. Eu não tenho dinheiro, não posso cá ficar não! Estou aqui todo dia mas, quando forem seis

“ ”

Acabamos por ser um bocadinho uma família

Há sempre telefonemas para atender, papéis para fazer, documentos para enviar para a Segurança Social. “Eu fiquei com a parte mais dos papéis, a colega acaba por estar mais na relação direta com eles, com as atividades ocupacionais. Os utentes às vezes procuram-me, claro.” Sobre as instalações a responsável diz que, “naturalmente, uma estrutura residencial construída de novo tem outras caraterísticas e outro conforto que nós não temos”. O que se faz é “colmatar isso ou subalternar isso, com a qualidade dos serviços que prestamos”. Ou seja, “o cuidado de quem cuida, de quem ajuda a levantar, de quem ajuda nos cuidados de higiene, a alimentação, dos cuidados que a fisioterapeuta presta, as atividades que as animadoras e que a especialista em gerontologia fazem”. De um modo geral, “conseguimos fazer o equilíbrio possível”. Embora saiba que acarreta muitas responsabilidades, Ana Antunes gosta do que faz e de estar rodeadas de hóspedes com grandes páginas de vida. “É sempre reconfortante. Há dias em que nós pensamos que não estamos com paciência, mas, depois, acontece um episódio. Quem vem de fora pensa que deve ser altamente enfadonho, mas estão sempre a acontecer episódios engraçados e pormenores que só mesmo quem está cá dias e noites consegue aperceber. Às vezes é só um apertar das mãos, eles só querem um aperto de mãos e ficam contentes por uma coisa tão simples como esta. Às vezes só querem dizer que lhes dói qualquer coisa, que o outro tem mais comprimido do que eles, ou coisas muito simples. E alguns são muitos divertidos. Uns conservam um sentido de humor até muito tarde. No fundo, acabamos por ser um bocadinho uma família. Passamos aqui muitas horas do nosso dia, nós aprendemos muitas coisas com eles e passamos a encarar nossa vida pessoal de uma outra maneira.”g

L Na Santa Casa da Misericórdia de Abrantes os serviços vão desde os cuidados primários até atividades de animação

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Nascido no dia 19 de maio de 1930, em Abrantes, o Sr. Carlos Alberto Marchão tem muito que contar. Trabalhou em três sítios: na casa de vidros, na oficina de automóveis e a vender cervejas no distrito de Santarém, onde terminou como inspetor de vendas com cerca de 5200 clientes. O mais velho já está reformado, os outros – um filho e uma filha – trabalham bem perto, no centro histórico de Abrantes. Com olhar que acarreta ainda uma vida pela frente, conta como chegou até a Santa Casa da Misericórdia: “Nunca na minha vida tinha sentido problemas até que, num determinado tempo, o médico disse-me que eu tinha uma anemia. Tentou de todas as maneiras contornar a anemia mas nunca conseguiu.” Um dia sentiu-se mal e veio a descobrir que o coração não já era como na sua juventude, já estava cansado. Com a saúde debilitada e tendo perdido a esposa, os filhos entenderam que a Santa Casa seria a melhor opção. Carlos Alberto Marchão já conhecia a casa há muitos anos. Conta que presenciou o primeiro cortejo de oferendas (peditório realizado no meio da rua, em forma de cortejo de modo a sensibilizar as pessoas que tenham condições a ajudar com alimentos). Lembra-se de que vinham pessoas com cestos na cabeça, uns traziam azeite e outros feijão, e que ajudou a descarregar as coisas. Mais tarde chegou a fazer parte da direção da Misericórdia. Marchão ainda guarda o diploma e agradecimentos das coisas que fez já fez pela instituição. “Quem diria que eu viria cá parar. Vim cá parar nas últimas, adaptei-me bem à comida, comecei a alimentar-me...” – comenta o Sr. Carlos, acrescentando que gosta das pessoas que agora tratam dele. “Com a minha idade, com dois filhos a trabalhar e o outro reformado, mas que vive sozinho numa casa com 57 degraus, eu não conseguia subir as escadas.” Mas a vida continua: “Estou aqui até que Deus queira.” Sempre bem humorado e com postura elegante, nunca perde a boa disposição enquanto conta que gosta de fazer palavras cruzadas e que ouve rádio com auscultadores para não incomodar as outras pessoas. Apesar da sua idade, ainda ajuda quem precisa. Depois de contar a história de 61

anos de amor que viveu com a esposa e de lembrar como era Abrantes de antigamente, o Sr. Carlos ofereceu-se para fazer uma visita guiada à Santa Casa da Misericórdia, que funciona num antigo hospital e num antigo cinema. Conheci a bela paisagem frente à sala de fisioterapia, dei umas voltas aos corredores quase vazios e estreitos da instituição. Tudo era muito organizado e limpo. Os utentes iam fazendo o que lhes competia e os funcionários também. Uma troca de palavra aqui ou acolá e assim se passou o dia na Santa Casa da Misericórdia de Abrantes. Depois de conhecer quase toda a instituição conheci a Sra. Rosinda. Rosinda Maria Rosa Damas é uma senhora baixa, magra, simpática, com o rosto pálido, vivido e sofrido, como bem as dizem as suas mãos. Dizem que a uma mulher não se pergunta a idade mas, para D. Rosinda, os homens é que não têm nada que perguntar as idades às mulheres. Não conseguiu dizer exatamente qual era a sua data de nascimento. Com esforço disse apenas que nasceu a 16 de outubro. Não tinha filhos, nem marido

da tarde volto para casa da minha sobrinha.” D. Rosinda conta que andou na escola, mas desistiu. Um dia disse ao pai: “Amanhã já não vou à escola porque a professora não vem ao pé de mim, ela não me ensina nada.” Carinhosamente, chama-me de “minha filha, minha menina”. Fomos conversando sobre vários temas. Percebe-se que vê muito televisão. Fala de questões como maus tratos por parte das educadoras de infância e desaparecimento de adolescentes, assuntos que vê nos programas e notícias televisivas. Explica que outras senhoras fazem atividades, mas que ela não pode, por causa de uma mão sem reação. “Outras pessoas vêm pintar mas, eu não posso. Sou uma triste.” Mas a verdade é que tem habilidades especiais, como a de contar anedotas picantes, porque só essas é que “metem graça”. Entrando para a instituição principal, fui ter com Ana Antunes, de 38 anos, nascida em Abrantes, e responsável técnica da instituição há 10 anos. “Não basta querer ou ter uma motivação ordinária, a direção da instituição é que atribui o cargo.” Sobre o dia a dia, explica: “Já faço há tanto tempo que praticamente já faço intuitivamente. Como todas as profissões, há dias mais fáceis, há dias mais difíceis com mais problemas. A maior dificuldade é gerir os recursos humanos e os familiares, não tanto os utentes.” Estes “têm o hábito das idades, das debilidades, das demências. Claro que nalguns dias temos mais paciência que noutros, mas eles têm sempre uma desculpa para o comportamento que têm que, às vezes, podem ser menos adequados ou menos simpáticos, mas eles têm sempre uma desculpa”. Ana Antunes tenta todos os dias tirar “um bocadinho” do seu dia pelo menos para ver todos ou quase todos os utentes, mas “não é fácil, temos 105 residentes não é fácil estar com todos, todos os dias”.

ESTA JORNAL

FOTOGRAFIA ZETÍLIA SEBASTIÃO


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FOTOGRAFIA VITÓRIA SIMÕES

ESTA JORNAL

Comediante, ator e improvisador, Telmo Ramalho fala sobre o seu percurso

“É o meu ganha-pão, é a minha vida” “O prazer de fazer rir as pessoas é muito maior do que qualquer coisa e eu arriscava a própria pele para fazer rir as outras pessoas.” É desta forma que Telmo Ramalho, humorista de 37 anos, que se tornou conhecido por fazer parte de ‘Os Improváveis’, começa por contar os seus primeiros tempos, em Figueira de Castelo Rodrigo. ANA CATARINA SANTOS ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

L Casa Carloto criou há 70 anos a Coleção dos Fenómenos

Os fenómenos do Entroncamento conhecidos através dos jornais

“As histórias são reais, nada foi inventado” VITÓRIA SIMÕES ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Há mais de 70 anos que se conhece o Entroncamento como a “terra dos fenómenos”. Isto deve-se ao trabalho dos jornalistas Eduardo O. P. Brito e Leitão de Barros. Em busca de valorizar a então aldeia e de colocá-la às vistas para o resto do país, escreviam crónicas sobre aquilo de extraordinário que era encontrado no Entroncamento. A primeira foi sobre um melro branco. O. P. Brito escreveu durante mais de 30 anos e, mesmo depois de ter parado, ainda muitas pessoas se dirigiam à sua casa para lhe relatar fenómenos do Entroncamento. Ao longo dos tempos a cidade já revelou vários fenómenos, como um ovo de galinha gigante, que diziam ser maior do que a própria galinha, sendo do tamanho de um ovo de avestruz. Também há referências a animais com comportamentos atípicos, como o cão que falava como gente e o burro e a vaca que eram amamentados por uma ovelha. Houve, também, um carneiro com quatro cornos e um pinto com três patas, uma abóbora que possuía mais de 60 quilos e uma laranja com o tamanho de uma abóbora. Além das histórias nos jornais, os fenómenos foram materializados. A Casa Carloto criou, há 70 anos, a Coleção dos Fenómenos – em que a peça mais tradi-

cional é o jogo de copos. Também, a coleção possui aventais e pegas bordados e estampados, imãs, canecas e diversos outros itens, todos produzidos artesanalmente até hoje. A loja possui a patente, portanto é a única a produzi-los. Paula Carloto, responsável pelo estabelecimento, conversa com o ESTAJornal, confirma que “as histórias são reais, nada foi inventado”. Lembra-se de que foi por causa de Brito e de Leitão de Barros – e pelo facto de que escreviam para jornais de dimensão nacional – que elas se tornaram tão conhecidas. Recorda que eram histórias “simples, bonitas e mágicas, sobre pescadores, caçadores e produtos naturais que nasciam com formas gigantes”. Em seguida, conta uma que considera bonita: a da lebre que foi criada a biberon por uma pessoa na cidade. Os fenómenos são “uma marca da cidade”. Como certamente acontece a qualquer outra pessoa do Entroncamento, “sempre que se vai a qualquer parte do país, se disser que é do Entroncamento, dizem logo que é a ‘terra dos fenómenos’”. Como exemplo, menciona a história do homem que enviou uma carta endereçada à “terra dos fenómenos” e ela foi entregue no Entroncamento. Uma outra senhora, que vive no Entroncamento e é natural da Madeira, participa brevemente na conversa. Então, menciona a sua infância e como “acreditava que o Entroncamento era mesmo

mágico”. Paula Carloto exalta que “o Entroncamento é, de facto, mágico”. Hoje, pode-se ver, na Casa Carloto, toda a coleção dos fenómenos. Em frente aos itens, destaca-se o fenómeno da planta que dava tomates e batatas – um em cima, o outro em baixo – e o do ovo de galinha, que afinal, explica Paula, não era maior que a própria, mas que ainda assim era grande e possuía 800gr. António Mateus, que vive na cidade há 50 anos, conta que não é muito ligado às histórias. Chegou ao Entroncamento “já aos 31 anos”, e acredita que os fenómenos existiam também noutros lugares, “tal e qual”, mas no Entroncamento “uma pessoa lembrou-se de algo que viu e decidiu escrever sobre”. Apesar de não ter estado atento às histórias, menciona O.P. Brito e diz lembrar-se dele quando ainda as escrevia. Partilhando da mesma memória, Júlio Estanqueiro, natural de Tomar, mas que viveu alguns anos da infância e começo da adolescência na terra dos fenómenos, diz recordar da existência das histórias, mas que, pela idade que tinha, não as fixava. Afirma, também, que os fenómenos “eram muitos sobre a agricultura e animais estranhos”, e lamenta a falta de registos fotográficos.g

Até chegar a ser um humorista conhecido, Telmo Ramalho fez um percurso comum a muitos outros miúdos. Pisou o palco pela primeira vez com sete ou oito anos de idade, no “Auto da Barca do Inferno”, no palco dos bombeiros voluntários locais. Quando era jovem via a “Herman Enciclopédia” e, com mais uns amigos, faziam a sua própria “Enciclopédia”. Reconhece que as coisas que faziam eram “um bocado estúpidas, mas provocavam efeitos nas outras pessoas”. E o seu improviso começou por aí. Nos anos de 2001/2002 Telmo e mais quatro amigos criaram o “Canal Rural”, experiências vividas no meio rural. Telmo vivia neste meio, ouvia umas histórias e presenciava outras, desenvolvendo ideias de várias cenas de improviso. Apesar de estar na parte da comédia e de improviso, Telmo estudou Turismo em Trancoso, seguindo para a Universidade no Porto. Trabalhou como Guarda Vigilante do Parque do Douro Internacional durante sete anos. Nesse período não parou e continuou a fazer pequenos espetáculos, como contar umas anedotas em jantares com amigos “para fazer rir o pessoal e para me alimentar disso”. Teresa, mãe de Telmo, inscreveu-o no programa “Aqui Há Talento” transmitido na RTP em 2007. Lembra-se de estar a trabalhar e de receber um telefonema a dizer que tinha sido selecionado para um programa. Pensou que era algum amigo “a gozar”. Mais tarde apercebeu-se que afinal era mesmo a sério, indo então a Lisboa fazer o ‘casting’. Chegou ao final com uma personagem rural, acompanhado por uma burra que treinou para estar em palco, mas não venceu. No final do programa é que deu conta que afinal era isto que ele gostava de fazer, pondo em prática a parte mais teatral. Para o concretizar, foi tirar um curso, ainda em 2007, supervisionado por Raul Solnado, Joselita Alvarenga e José Renato Solnado. No final do curso criou uma peça de sua autoria, em formato ‘one man show’, e encenada por José Renato Solnado: “Portugal das Bifanas – espetáculo Urbi et Rurale”. Fez nove personagens, passando horas e horas a treinar para ter o espetáculo perfeito e demorando cinco anos a aperfeiçoá-lo. O espetáculo fechou ao fim de sete anos. O seu interesse por continuar a formação como ator levou-o a descobrir, em 2009, o workshop de Teatro Desporto lecionado por Sanne Leijenaar. Depois de concluir a formação, foi convidado a integrar o grupo

profissional de teatro de improviso ‘Os Improváveis’, nascidos no ano anterior. Entretanto, começou a trabalhar profissionalmente como ator, na companhia Casa dos Afetos, participando em todas as peças desta companhia. Telmo Ramalho defende que o improviso é um trabalho, o seu trabalho. “É o meu ganha-pão, é a minha vida”, embora a situação financeira resultante deste trabalho seja muito instável. São “anos de trabalho, noites sem dormir a aprender coisas, a investir a aprender coisas, parece tudo muito volátil, mas há uma grande dedicação para eu fazer um espetáculo”. Vê o trabalho como um filho: “Sou eu que o educo, é uma parte de mim.” Quem sofreu mais com esta aventura foi a mãe, que de início não concordou, enquanto o pai sempre o apoiou. “Ok! As pessoas que estão à minha volta sofrem, mas as pessoas que estão à minha volta também adoram o que eu faço, e acabam por viver com paixão a minha profissão.” Quando regressa às origens, Telmo Ramalho gosta de ir para o campo, de recarregar baterias, é o seu equilíbrio mental para fazer as coisas, e ao mesmo tempo é a sua inspiração. Admite que nunca lhe faltou nada por ter nascido em Figueira de Castelo Rodrigo. Foi na morte do pai, que lhe custou bastante a passar, que começou a perceber e a dar valor às coisas doutra forma, indo assim mais vezes a terra natal, aproveitando mais as coisas. Afirma, com o natural sentido de humor, que o que o marcou mais pela positiva na sua vida foi o facto de ter nascido: “Tenho orgulho na minha mãe e no meu pai por me terem feito, foi logo um feito de que me orgulho ter conseguido nascer, bem e são.” Telmo Ramalho adora o improviso, a comédia física, o teatro físico e adora representar, adora o palco. Para além dos projetos com ‘Os Improváveis’, vai arrancar com um projeto de homenagem, um tributo ao Raul Solnado. “Eu não mudava nada na minha vida até agora, tudo o que eu alcancei e o que sou é graças ao percurso que fiz.”g


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Clube Desportivo os Patos a cumprir objetivos há 34 anos

A amizade é a imagem de marca Neste ano o Clube Desportivo os Patos celebrou 34 anos de existência e muitos têm sido os sucessos alcançados. O que começou como sendo um projeto local rapidamente ultrapassou as fronteiras do concelho de Abrantes. Destacando-se pelos sentimentos de orgulho e pertença a uma família, o clube tem vindo a marcar várias gerações, sendo a amizade aquilo que os destaca. D

FOTOGRAFIA RITA VALAMATOS

RITA VALAMATOS ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

O Clube Desportivo “Os Patos” foi fundado em 1982, por um grupo de jovens do Rossio ao Sul do Tejo, em Abrantes, que tinham o sonho de formar um clube desportivo e de o formalizar como tal. Tinham as ideias e sentiam a importância de unir os jovens da freguesia em torno do gosto pelo futebol de salão, modalidade muito acarinhada na altura, e pelo associativismo. Um dos objetivos passava por criar condições para poderem jogar nos torneios das localidades envolventes, de um modo organizado e com regras. Apesar de o ringue na altura estar bastante degradado era onde realizavam grande parte dos torneios, e dos ‘Patinhos aos Patos’ surgiu a primeira equipa definitiva que iria dar nome ao clube. Os primeiros membros ocupavam as suas férias escolares com várias atividades, juntavam-se no Café Pato Bravo e num anexo da casa dos avós de um dos sócios fundadores, que fora a primeira sede do clube. Angariavam dinheiro através de rifas, sorteiros, quotas, realizavam as festas da terra convidando artistas e participavam em diversos projetos. Eram atividades voluntárias, em que cada um fazia um pouco de tudo, com empenho e dedicação, sempre movidos por um objetivo comum, que se estava a começar a realizar. Do ceticismo dos habitantes ao reconhecimento de todos Os habitantes locais tinham algum ceticismo em relação a este ‘projeto’. Mas os Patos começaram a ganhar credibilidade e reconhecimento, conseguindo apoios e patrocínios de várias entidades e empresas locais, de federações e das próprias famílias. A nova sede, aliada à partilha de gostos e interesses, deu lugar à criação de novas modalidades, como o judo, o futsal, a canoagem, a dança e o andebol, até ao acolhimento, mais tarde, de um grupo de teatro. No entanto, só o futsal, o judo e a canoagem se mantêm até hoje e são o principal foco do clube. Hélder Rodrigues, atual presidente dos Patos, ainda era criança quando o clube se fundou, mas recorda que a sua ligação foi “quase ine-

L Em dias de jogo no pavilhão do Pego reúnem-se sócios, familiares e simpatizantes vitável, por ser um clube formado por jovens e a proximidade de ideias e partilha foi muito natural tendo em conta o tipo de atividades que desenvolvia”. É o presidente há 17 anos e sorri quando diz que ser presidente dos Patos é uma experiência interessante, mas por vezes dura, que “nos enriquece como pessoas”. A dimensão que o clube atingiu aumentou as responsabilidades e os desafios são quase diários. O objetivo é “conseguir estar sempre à altura dessa fasquia”. No entanto, “nunca nos deixamos levar pela tentação de dar passos que possam colocar em causa a sobrevivência do clube”. Os resultados que têm vindo a obter nas três modalidades têm sido recompensadores e, “a brincar a brincar, criámos aqui uma dimensão desportiva de inevitável referência para o Rossio e para a cidade de Abrantes”. Ao longo dos 34 anos de história, o clube tem sido sempre “um grupo de amigos que se identificam e gostam genuinamente do clube” e o associativismo permanece vinca-

do. Os Patos funcionam como uma Escola, onde se formam jogadores e atletas, mas essencialmente formam-se cidadãos e pessoas melhores, sendo conduzidos por treinadores equipas técnicas “confiáveis com enormes qualidades humanas e educacionais que lhes transmitem valores e princípios essenciais”. Vários dos atletas começaram na base da pirâmide, nas ‘Escolinhas’ e é com “uma alegria imensa” que os veem crescer no clube. Um clube que apoio no desporto e na vida Miguel Prates tem 20 anos e faz parte do clube há quase sete anos. Disseram-lhe que “o clube era bom e que devia experimentar”. Neste momento já faz parte dos séniores e considera que é importante existir no Rossio, onde mora, um clube onde possa praticar futsal sem ter de ir para outro local. Para além disso, sente que os Patos são “um clube fantástico, uma família” que o apoia “em tudo, no desporto e na vida”.

Em dias de jogo, no pavilhão do Pego, reúnem-se sócios, familiares e simpatizantes do clube. A união entre todos é visível e das bancadas dirigem palavras de encorajamento aos atletas em campo, sentindo-se sempre uma enorme euforia. Luís Neves é sócio do clube há 18 anos e juntou-se essencialmente pela amizade e pelo espírito competitivo. Diz que “é importante movimentar a juventude e dar aos jovens aquilo que os mais velhos não tiveram”. Quando os problemas surgem, reúnem-se e tentam encontrar soluções, sempre com muita “camaradagem e amizade”. Afirma ainda que é com muito orgulho que faz parte dos Patos pois trata-se de “pertencer a uma grande família”. O balanço da época é positivo, apesar dos altos e baixos. Os Patos têm, pela pela primeira vez, duas equipas no campeonato nacional e a possibilidade de irem à fase final seria um grande feito. Apesar da importância de vencer campeonatos, “os atletas poderem divertir-se é o que nos move”. Em campo, é notório o enorme espírito de equipa por parte dos jogadores, dando uns aos outros a oportunidade de cada um brilhar. Sentem que pertencem ali e que irão permanecer juntos independentemente dos resultados. A canoagem e o judo são duas modalidades com especificidades próprias, com treino muito mais especializado e individualizado, mas, ainda assim, têm também atletas com resultados positivos e conhecidos, também a nível nacional e internacional. Acima de tudo, tudo isto é possível pela dinâmica e qualidade do trabalho desenvolvido e por acreditarem nas potencialidades dos atletas. Se pudesse definir o Clube Desportivo os Patos numa palavra, Hélder diria ‘amizade’. Atualmente, alguns dos sócios fundadores são dirigentes e passam o testemunho aos mais novos. O seu contributo foi fundamental e possibilitam que as novas gerações continuem a elevar o clube. Em 1982 nunca imaginariam chegar aqui ou que o clube conquistasse esta dimensão. No entanto, as expetativas iniciais superaram-se e os ‘sonhos’ continuam a ser cumpridos. Continuarão todos juntos na partilha da amizade, das conquistas e das derrotas, com um sentimento de “pertença nesta enorme família”.g

Casa da Juventude de Amarante desenvolve projetos com jovens de diferentes países

“Uma abertura de mentes incrível”

A Casa da Juventude de Amarante (CJ), cujo objetivo inicial seria uma pousada para a juventude, mudou o seu conceito. O responsável é Miguel Pinto, que reabilitou um espaço e hoje tem em mãos projetos que envolvem a população jovem do concelho e de diferentes países do mundo. ELSA CUSTÓDIO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Miguel Pinto está à frente do Serviço de Voluntariado Europeu (SVE). Gosta de desafios e diz que, na vida, segue “mais o coração do que a razão ou a cabeça”. Por isso, em 1997, quando o SVE era ainda um projeto piloto, decidiu deixar o emprego estável que tinha como engenheiro florestal e foi o primeiro português voluntário deste projeto a partir para Itália por um período de seis meses. “Senti a obrigação de criar aos jovens de Amarante as mesmas oportunidades que eu tive.” Ao contrário do que era em 1997, hoje o SVE é o maior projeto de mobilidade de jovens e

a CJ recebe em média 300 estrangeiros por ano e envia cerca 130/140 jovens amarantinos para outros países por um período de curta ou longa duração (um ano). Apesar de não ser fácil o financiamento, neste momento têm 77 projetos aprovados com base no mérito. Diana Vasconcelos foi para o Quénia com 26 anos e, três anos depois, lá continua a desenvolver o seu projeto “Há ir e voltar”. Conta que não fazia ideia do que ia encontrar: “Eu já fui ingénua o suficiente para acreditar que podia acabar com as favelas do Quénia. Lembro-me tão bem de, no dia em que viajei para o Quénia pela primeira vez, ia com a cabeça a mil, a pensar em tudo o que tinha de fazer para tirar as pessoas daquela miséria.” Hoje, com “mais mundo nos olhos”,

sabe que isso não vai ser possível. “Com os pés muito mais assentes na terra, o meu objetivo é fazer chegar a cerca de 200 crianças os bens mais básicos: comida, saúde, educação e vestuário.” Em Amarante os voluntários apoiam as instituições locais assim como aprendem um estilo de vida sustentável e cooperam com produtores biológicos da cidade, são também os responsáveis pela dinamização da agenda cultural da CJ. Este ano organizaram um workshop de artes circenses, mas também há aulas de línguas, zumba, meditação, yoga e workshops com temas variados. Neste momento em Amarante estão 21 jovens voluntários, que “representam 12 países di-

ferentes, é quase ter aqui a União Europeia toda, todos os dias”. O mais difícil continua a ser combater a intolerância e a dificuldade de contacto com a diferença. “Temos uma série de ideias preconcebidas dos outros, e que não são sequer verdade, mas que nos assustam.” É por isso que Miguel Pinto faz questão de todos os anos ter parceiros de países árabes. O responsável recorda um episódio: “Em pleno parque do Alvão, uma muçulmana, cheia de calor, não quis tirar a burca porque a sua religião não o permitia, foi para a água connosco. A imagem dela a nadar de burca é algo fantástico.” Certamente que “quem lá estava nunca mais se vai esquecer deste momento”. É, de facto, “uma abertura de mentes incrível”.g


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Última

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“É tão bom tocar” O que há uns tempos não passava de um conjunto de amigos a tocar músicas por puro divertimento, agora já tem nome e concerto marcado para dia 21 de janeiro, no Centro Cultural do Cartaxo.

Já estava a anoitecer. Era uma tarde como todas as outras no Cartaxo. Os dias estavam a ficar cada vez mais curtos e frios, dando lugar às escuras e monótonas noites de inverno. Foi neste contexto que me encontrei com o João, o Carlos, o Zé Carlos, o Zé Manel e o Paulo, na Sociedade Cultural e Recreativa de Vale da Pinta. Mais conhecidos por BandaD’Ká, novo projeto que criaram para honrar o seu eterno amor pela música, os cinco elementos, professores na Escola Básica Marcelino Mesquita do Cartaxo, sentados lado a lado, começaram por contar como tudo começou. “Começamos a tocar na sala de professores”- recorda José Carlos, guitarrista. Sob as fortes luzes brancas do estúdio, mas com o sorriso sempre de orelha a orelha e com uma alegria contagiante, José Manuel, guitarrista solista, revela a essência da banda: “Os nossos conhecimentos musicais são todos da experiência”. Cada um deles tem uma forte ligação com a música desde novos. Depois dos seus projetos passados no mundo da música terem infelizmente chegado ao fim, os membros recusaram-se a desistir da sua maior paixão e a dar azo ao esquecimento. Decidiram unir-se, juntar a amizade à paixão musical,

e meter mãos à obra. Assim nasceu BandaD’Ká, um meio de transmissão e de propaganda do som inconfundível de pop/rock/folk ao qual cada um destes amigos, com as suas influências e gostos individuais, dão origem, com letras originais e escritas em português. “Inspiro-me nos autores portugueses e nas relações da vida” – confidencia Paulo, o vocalista. A juventude que se destaca nos

olhares dos membros, para além da amizade, é característica deste grupo e dá vida à banda. Muitos são os apoiantes, um deles é o próprio diretor do Agrupamento Marcelino Mesquita, do Cartaxo, Jorge Tavares, que os apoia há cerca de seis anos e disponibiliza também espaços e materiais para os ensaios. Ao falar-se do futuro, nota-se um brilho nos olhos de João, baixista: “Para o próximo ano, temos duas

L Nos dias de ensaio um espaço grande e singelo enche-se de animação

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ANDREIA MOREIRA ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

grandes apostas: tentar divulgar a nossa música através de uma gravação, e depois daí, que haja alguém que ouça, que goste e que queira apostar”, revelando a suas ambições para gravar um CD. Sorri. Termina por evidenciar que “não era bom estarmos à espera que as coisas caiam do céu”. Ouço a determinação na sua voz. Blasfémia – o nome dado à sua banda de punk português nos anos 80 – foi a base da sua experiência no mundo da música, e a sua grande paixão. “Foi uma pena, tínhamos jeito para aquilo” – revela, continuando por contar alguns momentos caricatos. “Nunca mais me esqueço de uma que tivemos, deu origem a uma batalha campal dentro do restaurante (risos)… como banda punk que éramos, aquilo na altura foi uma coisa épica… nunca tinha visto travessas de bacalhau com batatas a voar!” “Eu acho que sou um bocadinho animal musical desde sempre” – desabafa José Manuel, o entu-

FOTOGRAFIA ANDREIA MOREIRA

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siasta da banda, que desde jovem fica “encantado” com os músicos e a arte de fazer música. Praticou ao longo da sua vida na área dos teatros musicais e de bandas nos arredores de Santarém, até que a BandaD’Ká aparece na sua vida. “E é tão bom tocar. É tão bom.” Outras experiências dos membros desta banda são a tuna académica na juventude, bem como a igreja e até mesmo chegando aos “30 anos de estrada” em bandas, que enriqueceram as suas caminhadas ao longo do tempo. Quando chega a hora de um de muitos ensaios para a preparação do espetáculo, em janeiro, é óbvia e percetível a animação, alegria e entusiasmo sentida por cada um deles. O som enche os cantos e recantos deste grande espaço praticamente sempre vazio, de paredes brancas e singelas, contendo apenas um palco de madeira, uma dúzia de cadeiras de plástico bem usadas. A música tocada e sentida ao pormenor traz vivacidade, não só ao espaço anteriormente vazio e frio, mas também a quem está a ouvir. Todos diferentes, talentosos, mas unidos por uma força maior: o carinho pela música, a paixão de tocar instrumentos musicais, de cantar. Uma autêntica terapia. Ouve-se nota a nota. O que para muitos era apenas mais um ensaio, para os BandaD’Ká era a melhor parte dos seus dias que se aproveitava ao máximo, com o maior dos agrados e satisfação. Sente-se a concentração e dedicação dos dedos a tocar nas cordas harmoniosamente, e ganha-se a valiosa aprendizagem de que nunca é tarde demais para seguir os sonhos, parecendo eles a um passo ou a uma milha de se concretizarem. Sorridentes, tocam cerca de cinco ou seis músicas, cada uma melhor que a outra, todas elas tocadas com convicção, motivação e dedicação, que contagiam quem está a assistir.g

Cineteatro S. Pedro continua a ser um espaço privilegiado para todo o tipo de espetáculos

A inauguração foi “uma grande emoção”

A 19 de fevereiro de 1949, o Teatro de S. Pedro, em Abrantes, abriu pela primeira vez as suas portas num “ambiente de festa e distinção”, que dava à inauguração da imponente sala de espetáculos “o ar de grande acontecimento citadino”. A noite foi assim descrita pelo Jornal de Abrantes da época. LARA CALADO ESTA D COMUNICAÇÃO SOCIAL

Luís Fernandes, presidente da Liga dos Amigos do hospital de Abrantes, lembra-se bem da noite de inauguração do Cineteatro S. Pedro. O seu pai, Manuel Fernandes, era, na altura, o presidente da Gerência da Sociedade «Iniciativas de Abrantes», proprietária do teatro e, por isso, Luís esteve presente na inauguração. “Naquela altura devia ter uns 12 ou 13 anos, foi uma grande emoção ver o meu pai na boca de cena a fazer as honras da casa. Lembro-me que a inauguração foi feita com o Teatro Nacional D. Maria II, de Lisboa, que era a companhia Amélia Rey Colaço-Robles Monteiro. A peça era «Outono em Flor». Vieram muitos artistas conhecidos na época, Palmira Bastos, Maria Matos, lembro-me de

ver uma Eunice Munoz muito nova também.” No dia seguinte estreia a peça, “As meninas da Fonte da Bica” e, no dia 22 de fevereiro, inauguram-se as sessões de cinema com o filme “a Dama de Arminho”. Enormes sucessos como o da noite da inauguração. O edifício com o traço de Ruy Jervis d’Athouguia, responsável pelo projeto de arquitetura da Fundação Calouste Gulbenkian, tornou-se uma referência arquitetónica, social e cultural, sendo hoje apontado como um exemplar da arquitetura modernista em Portugal. Era, na altura em que foi construído, um dos melhores teatros do país. Foi construído pela Construtora Abrantina Lda e veio substituir outras salas de espetáculos que existiam na altura, como o Cinema da Misericórdia e o Theatro Taborda. Isilda Jana, ex-vereadora da Câmara

de Abrantes, também se lembra da primeira vez em que entrou no cineteatro. “Lembro-me que foi num dia de feira e eu devia ter uns 12 ou 13 anos.” Depois de ir à feira e de jantar no Pelicano - “um programa especialíssimo”, recorda, rindo - foi ver um filme que se chamava ‘Balbúrdia no Oeste’. “Foi a minha estreia no cineteatro. Para mim foi um deslumbramento.” No entanto, com o passar do tempo, o teatro foi perdendo o esplendor que tinha nos primeiros anos da sua existência. A sociedade de «Iniciativas de Abrantes» deixou de conseguir custear as despesas de manutenção do edifício, que acabou por encerrar. “Quando a televisão apareceu e o cinema chegou às casas, o teatro acabou por sofrer com isso” - diz Isilda Jana. “ O teatro foi-se degradando e durante uma série de anos esteve fechado. Foi num dos mandatos do

Dr. Nélson Carvalho, presidente da Câmara de Abrantes na altura, em 2000, se não estou em erro, que começaram as negociações com a Sociedade de Iniciativas de Abrantes para ver o que se podia fazer ao teatro. Foi aí que se fez um protocolo, uma espécie de contrato de cedência, em que a Câmara fazia as obras de remodelação, recuperação e modernização e, durante 19 anos, podia usufruir das instalações.” As obras são levadas a cabo pelo Gabinete dos Centros Históricos da Câmara Municipal de Abrantes, tendo como arquitetos responsáveis Pedro Costa e Sara Morgado. A sala de espetáculos, que inicialmente contava com 954 lugares, passa a ter 561. A 5 de julho de 2001, a inauguração da recuperação do Cineteatro é feita pelo presidente Jorge Sampaio e contou com o concerto inaugural dos Madredeus. Hoje, o protocolo está

quase a chegar ao fim. No entanto, o atual vereador da Cultura, Luís Dias, garante que já se fazem esforços para que este seja renovado. Em Abrantes, o cineteatro continua a ser o espaço privilegiado para todo o tipo de espetáculos. No passado dia 25 de novembro, o cineteatro encheu e fez-se silêncio para se ouvir cantar o fado. Cuca Roseta, conceituada fadista, cantou, encantou e disse gostar imenso da cidade de Abrantes. Admitiu mesmo que gostava de um dia vir passar férias na cidade florida. Meia hora antes do inicio do concerto já o hall de entrada do cineteatro se encontrava repleto de pessoas com bilhetes na mão. Ouvia-se o burburinho de conversas ansiosas pelo início do espetáculo tão aguardado. Lentamente, o mar de gente foi entrado para os respetivos balcões e ocupando as cadeiras. Foi noite de casa cheia no Cineteatro de S. Pedro.g

FICHA TÉCNICA | DIRETORA: Hália Costa Santos DIRETORA ADJUNTA: Raquel Botelho REDATORES: Ana Catarina Santos, Andreia Moreira, Elsa Custódio, João Caetano, Lara Calado, Raquel Mascate, Rita Valamatos, Tomás Pinto, Vinicius Alevato, Vitória Simões, Zetília Sebastião PROJETO GRÁFICO: José Gregório Luís PAGINAÇÃO: João Pereira TIRAGEM: 15000 exemplares


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14 REGIÃO

JANEIRO 2017

OPINIÃO

Ano de 2016 em balanço Se 2016, em Abrantes, foi o ano do centenário da sua elevação a cidade e as comemorações assumiram o papel mais importante naquilo que vai ficar na memória da sua população, 2017 será o ano das eleições autárquicas e, embora parecendo que aparentemente não haja muita correlação entre estes dois eventos, talvez possa haver muito mais continuidades do que as que se vislumbram num primeiro olhar. Mas é claro que 2016 não pode ser reduzido só ao ano do centenário e às respectivas comemorações, porque cada vez mais neste início do séc. XXI os acontecimentos locais estão em sintonia com a realidade do país em que vivemos e a realidade deste, por sua vez, está dependente da nossa pertença ao espaço da união europeia e esta acabar por estar dependente da realidade do mundo tal como ele se apresenta hoje, isto é, com múltiplas preocupações e bem poucas esperanças. Mas o nosso foco neste momento tem mesmo de começar pelas comemorações do centenário da elevação de Abrantes a cidade e para dizer, num balanço muito sintético, que elas corresponderam ao que seria desejável para dar a este evento a dignidade necessária de uma comemoração que esteve num plano que só pode ser comparável ao das comemorações dos 50 anos da elevação a cidade, em 1966, embora com uma feição muito mais popular e democrática do que aquela: com efeito, se em 1966, a pompa e a circunstância imperaram num cenário de exaltação nacionalista e colonialista do Estado Novo salazarista, em 2016, num Portugal democrático onde os cidadãos são “os que mais ordenam”, estas comemorações teriam de ter (e tiveram) um cunho muito mais popular e muito menos elitista, sem deixar de ter ao mesmo tempo um conjunto de realizações simbólicas que ficarão a marcar este centenário. Estruturalmente, o ano das comemorações correspon-

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• Inauguração da escultura que assinala o centenário, da autoria de Charters de Almeida deu a um calendário que tinha por modelo as actividades e os eventos que periodicamente vão sendo aqui realizados ao longo do ano, mas com um claro reforço das manifestações culturais, particularmente no domínio das exposições e da vertente cultural e artística, com particular destaque para a área musical, isto é, mais dirigido para um público principalmente jovem. Por outro lado, no domínio dos actos cerimoniais simbólicos, a presença do presidente da República, a condecoração das entidades e personalidades, a escultura de Charters de Almeida evocativa do centenário serão os eventos que perdurarão na memória dos abrantinos desta geração e dos vindouros, assim como os textos que já se escreveram e vão continuar a escrever sobre estas comemorações. Talvez o domínio que tenha sido menos explorado (e que creio que possa ter deixado em algumas pessoas algum desapontamento) foi o da falta de uma discussão mais aprofundada acerca do futuro da cidade e do concelho de Abrantes, sabendo-se a perda de influência e de valências que ultimamente tem tido esta cidade do interior, no domínio do aproveitamento das

suas acessibilidades e localização militar estratégica, na saúde e na justiça, nas carências de investimento e na falta de emprego, enquanto que o problema do envelhecimento da população e da desertificação nas freguesias rurais do norte e do sul do concelho é já uma realidade mais do que preocupante. O evento onde se pretendeu discutir estas questões, não só teve uma fraca presença de público, como não conduziu a mais do que ao enunciado de uma série de generalidades e constatações, na minha opinião. Estes temas saltarão certamente para 2017, com o aproximar das eleições autárquicas. Contudo, alguns dos acontecimentos que aqui ocorreram neste ano que agora acaba, merecem também algum registo, independentemente de poderem voltar a vir à discussão em 2017: refiro-me às questões ambientais - particularmente no que diz respeito ao rio Tejo - e aos projectos existentes no domínio das candidaturas à comparticipação dos fundos europeus no quadro do horizonte até 2020. A situação actual do rio que justificou ao longo dos séculos e dos milénios a fixação de populações nesta urbe, hoje cidade centenária, a morada das ninfas que Camões

denominou e invocou – as Tágides – foi várias vezes notícia neste ano que acabou e, praticamente, quase sempre pelas piores razões: o movimento PROTEJO começou 2016 a lançar uma petição contra a poluição do rio e dos seus afluentes, em Fevereiro o Ministério do Ambiente anunciou a criação de uma comissão de acompanhamento sobre a poluição do rio, nos primeiros dias de Abril a Comissão Parlamentar do Ambiente visitou demoradamente o percurso entre Vila Velha de Ródão e Vila Franca de Xira, em Maio a Quercus denuncia descargas ilegais contínuas de uma empresa situada no concelho de Abrantes no solo e no meio hídrico junto ao rio e em Novembro aparece o relatório da comissão criada em Fevereiro que aponta as seguintes causas para a poluição do Tejo – tratamento insuficiente das águas residuais, poluição da agricultura e da pecuária, falta de aplicação dos regimes de caudais ecológicos, monitorização e fiscalização insuficiente e zonas contaminadas por extracção mineira e pela extracção de inertes (existem 18 locais de extracção de areias, nos cerca de 100 km de rio entre Abrantes e Vila Franca de Xira). Num horizonte ainda recen-

te no tempo veio também à discussão a possibilidade da Espanha fazer mais dois transvases nas águas do Tejo (para além dos dois já existentes) e a existência um movimento de luta pelo encerramento definitivo da central nuclear de Almaraz, situada junto à fronteira, cujo prazo de validade já terminou, mas que continua em laboração. É evidente que, pelo menos para já, esteja a aumentar o conhecimento desta situação e a exigência crescente de que se não pode perder mais tempo sem acudir a esta situação de um modo eficaz. Basta comparar o pouco que se faz em relação ao Tejo com aquilo que se tem feito no Douro, embora o perfil dos rios seja diferente. No mês de Março, a presidente da CMA, Maria do Céu Albuquerque, apresentou o Plano Estratégico do Desenvolvimento Urbano de Abrantes, destinado a apresentar as candidaturas até 2020 aos fundos comunitários, no âmbito da componente da regeneração urbana, com particular incidência no centro histórico de Abrantes, dividido em duas fases. Na primeira fase, envolvendo cerca de 6 milhões de euros, estão as obras de requalificação do Convento de S. Domingos, para receber o MIAA (cuja adjudicação

da obra já ocorreu em Junho passado, com custos estimados ligeiramente acima dos 3 milhões de euros) e de recuperação do Edifício Carneiro (para acolher o próximo futuro museu Charters de Almeida). Na segunda, prevê-se intervenções na Igreja de S. João, Cine-Teatro S. Pedro, Jardim do Castelo, Vale da Fontinha e Vale de Rãs. Na história dos 40 anos de Poder Local democrático, que também se comemoraram em 2016 (embora de modo menos visível) depois do período de supressão das mais gritantes carências locais no domínio das infra-estruturas básicas, que foi até 1994, aqui em Abrantes, começou depois o tempo da construção de equipamentos sociais e do investimento na cidade e, particularmente, no centro histórico de Abrantes, situação que continua a ser predominante aqui e agora. Não tenho espaço para fazer uma discussão, neste artigo que está a chegar ao fim, sobre a questão das prioridades da cidade e do concelho e das políticas que estão a ser aqui seguidas, bem como da sua dimensão e sustentabilidade, mas aguardo por um ano de 2017 em que, dentro ou fora das eleições autárquicas, haja discussão, participação e uma maior intervenção da opinião pública e dos cidadãos nestas problemáticas. Não deixa de ser curioso que há 50 anos atrás a recuperação do Convento de S. Domingos e o seu aproveitamento como espaço fulcral para a realização de eventos culturais tenha sido, a par do monumento a Nun´Alvares Pereira, no Outeiro de S. Pedro, o legado principal dessas comemorações. Também nestas celebrações dos 100 anos, o mesmo convento volta a ser o epicentro das polémicas, a par das preocupações com o rio Tejo e com a colina do castelo, já que o que ficará mais visível com a passagem do tempo será, sem dúvidas, as duas esculturas de Charters de Almeida. Rolando F. Silva


REPORTAGEM 15

JANEIRO 2017

NA LOCALIDADE DE ARRIFANA ESTÁ SEDIADA UMA EMPRESA FAMILIAR QUE TEM PASSADO DE GERAÇÃO EM GERAÇÃO

“Os mestres da preparação da cortiça”

• António, Joaquim, David e António Apura São os mestres da preparação da cortiça. Tem sede na localidade de Arrifana, concelho de Abrantes, e tem dado continuidade ao trabalho iniciado pelas mãos de Manuel Domingos Apura. Manuel Domingos Apura & Filhos S.A. é o nome da empresa que começou a dar os primeiros passos nos anos 60. Manuel Domingos Apura era motorista numa empresa de cortiça e pouco a pouco começou a fazer alguns negócios. Começou a trabalhar por conta própria, “numa pequena empresa, de quintal de casa”, como recorda ao JA António Apura, seu neto e um dos administradores atuais. “Numa fase inicial, ele era intermediário, pois tinha muitos contactos na zona norte do país. Já nos finais dos anos 70, princípios de 80, o meu avô acaba por integrar os dois filhos na empresa, o meu tio António e o meu pai Joaquim. Começaram a trabalhar com ele e a apostar na área de preparação da cortiça. O início foi num espaço no Cabrito, depois transitaram para um espaço aqui contíguo e em 2000 chegam ao espaço onde ainda hoje

nos encontramos”, conta o responsável. António Apura ingressa no ramo em 1997/98 e pega no atual espaço com a intenção de o reabilitar e adequar às necessidades de uma indústria corticeira. “O meu avô, na altura, já tinha comprado este espaço, em hasta pública. Isto era uma antiga cooperativa de fruta, que foi à falência. Antes de falecer já tinha a ideia de começar a trabalhar nesta unidade”, avança António. Com o espaço pronto, a empresa começa a crescer a vários níveis. Hoje, trabalha cerca de 150 a 160 mil arrobas de cortiça. O produto é escoado, sobretudo para a indústria rolheira, cerca de 3 vezes por semana. É também uma empresa que aposta na mão-de-obra local, empregando 14 trabalhadores que todos os dias assumem várias funções: “Quando a matéria-prima chega tem de ser organizada por lotes de proveniência e por anos. Depois está cerca de um ano em parque, terá de apanhar as quatro estações, para fazer o estágio. De seguida, entra na parte da cozedura e depois é separada por lotes. Daqui segue de-

• A corticeira emprega cerca de 14 trabalhadores vidamente preparada para os clientes. Somos das primeiras etapas do processo e ficamos por aqui, sobretudo devido à falta de mão-de-obra especializada nesta zona do país para trabalhar com este produto natural”, afirma António Apura. A matéria-prima provém sobretudo do Alentejo e de certas zonas de Espanha. A cortiça é normalmente extraída entre maio e agosto e é recolhida depois para parque. Este espaço tem merecido a atenção da família, pois é dos mais importantes em todo o processo. “Este é um produto que começou a

ganhar responsabilidade alimentar e tem de estar num parque em condições. No exterior nós não temos um quilo de cortiça fora de cimento. A cortiça não pode estar em contacto com a terra e tem de ser toda dividida pelos 3 hectares que temos atualmente”, refere o administrador. Os principais clientes da empresa estão no norte do país, na zona de Santa Maria da Feira. Alguns, “residuais”, também se encontram em Espanha. António Apura conta que 85% do setor da cortiça destina-se às rolhas, à indústria

Empresa Certificada Desde 2000 que a empresa Manuel Domingos Apura & Filhos S.A é certificada. António Apura explica: “A Confederação Internacional da Cortiça, com sede em França, criou no ano de 2000 uma certificação muito exigente. No ano de 2000, fomos logo pioneiros nessa certificação. Fomos a única indústria preparadora certificada. Tivemos de corresponder a um conjunto de exigências técnicas, muito associadas à área alimentar. Desde 2008, que foi desenvolvida outra certificação, ainda mais exigente, que distingue as melhores empresas do setor da cortiça, a que chamaram Sytecode Premium. Em 2008 fomos pioneiros nessa certificação, que temos recebido todos os anos”.

vinícola, mas a cortiça está de facto na moda e por isso multiplicam-se os artigos que provêm deste produto natural. “Se tivermos presença através de outros produtos, que não sejam somente as rolhas, é sempre importante. Se virmos uma senhora com acessórios de cortiça é sempre uma imagem que fica e que potencia o setor em geral. Penso que seja uma área em expansão, principalmente ligada ao design”, avança. A cortiça que preparam “é para qualquer tipo de artigo ou até mesmo para a área da construção, mas sem dúvida que o que continua a dar valor é a rolha. A cortiça dá garantia que um vinho, durante 7/8 anos e muito mais, não sofre alterações. É um bom vedante”, acrescenta. No que diz respeito à concorrência, o responsável refere que a mesma é sobretudo sentida na compra da matéria-prima do que propriamente nas vendas. “A matéria-prima só surge de nove em nove anos. Acontece que o produtor florestal tem normalmente vários interessados na cortiça. É neste aspeto que muitas vezes temos de nos antecipar e con-

seguir os melhores negócios”, explica. Já o investimento tem sido constante: “Nós temos investido ao longo dos anos. No parque, onde pavimentámos todo o espaço de acordo com as exigências atuais e por forma a dar garantias aos clientes. O investimento mais recente foi um queimador, cerca de 10 mil euros, que é completamente automático e que programa a cozedura para manter a temperatura que necessitamos, não havendo quebras”. Por fim, os objetivos estão definidos: “consolidar a nossa liderança na área da preparação de cortiça, continuar a estabelecer um acompanhamento de proximidade com os nossos clientes e conseguir comprar mais e melhor matéria-prima”. A nível pessoal, António Apura refere que liderar uma empresa deste tipo “é um bom desafio. Alem de ser um negócio de família, é algo que gosto muito. Gosto muito do contacto com o campo. Depois, é saber que lidamos com um material nobre e que não traz problemas ao meio ambiente”. Joana Margarida Carvalho

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16 REGIÃO

JANEIRO 2017

CRÓNICA DE SAÚDE ESPAÇO DA RESPONSABILIDADE DA UNIDADE DE SAÚDE PÚBLICA DO MÉDIO TEJO

Mudar o desfecho da doença…? Sim, nós podemos, eu posso! Através da deteção de um problema, num indivíduo ou numa população, numa fase precoce, é possível prevenir ou tratar problemas graves de saúde, mudando o desfecho da doença. Os rastreios são ferramentas importantes na deteção precoce de algumas doenças. São uma prática comum em saúde e permitem condicionar favoravelmente algumas doenças. Mas porquê rastrear se não se está doente, se não existem sinais e sintomas? De facto nem sempre é assim. Algumas doenças apresentam uma fase pré-sintomática longa podendo ser detetadas através de testes de rastreio, possibilitando um tratamento mais eficaz e, em algumas situações, a cura. Os mais conhecidos são os utilizados em

alguns cancros. Estão previstos rastreios para os cancros da mama, colo do útero e colon e reto (intestino), informe-se com o seu médico. Contudo, também são aplicadas técnicas de rastreio a todos os recém-nascidos de Portugal: o Diagnóstico Precoce ou “Teste do Pezinho, permite diagnosticar 24 doenças hereditárias que, se não forem tratadas precocemente, podem provocar atraso mental e situações de saúde graves; o rastreio Auditivo Neonatal, com o objetivo de identificar situações de surdez permanente; o rastreio de doenças cardíacas congénitas, entre outros. São vários os testes de rastreio que se podem realizar ao longo da vida, como o da diabetes e o da hipertensão. Mas cabe ao individuo, o papel principal na promoção da saúde e prevenção

da doença, decidindo e controlando as condições que afetam a sua saúde – alimentação, atividade física, consumos nocivos…Decidir sobre a vigilância de saúde, a participação em rastreios…A vacinação, uma medida gratuita de prevenção da doença, não só individualmente mas da comunidade em geral. Na prática, a saúde é valorizada sobretudo quando a perdemos. Mas importa preservá-la, protegendo-a, prevenindo a doença, adotando comportamentos que proporcionem bem-estar e evitem a doença. Tratar a doença é sempre mais difícil, mais “doloroso” e economicamente mais caro. Já diz o ditado “Mais vale prevenir que remediar” por isso, faça deste o seu lema para 2017. Paula Gil

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18 REPORTAGEM

JANEIRO 2017

Centro Ciência Viva de Constância – um espaço de aprendizagem e de ciência

• Máximo Ferreira coordenador do CCVC Foi inaugurado a 19 de março de 2004 e desde então tem feito as delícias dos 200 mil visitantes que por lá passaram. Com um orçamento de 120 mil euros anuais, os seus responsáveis fazem do Centro Ciência Viva de Constância – Parque de Astronomia (CCVC) um dos principais equipamentos atrativos da região do Médio Tejo. A sua coordenação está sob

a tutela de Máximo Ferreira, astrónomo de referência, que muito tem partilhado os seus conhecimentos com quem visita o espaço, ouve as rádios, lê os jornais ou simplesmente conversa com ele, como o Jornal de Abrantes teve essa oportunidade. Tal como nos conta, a aventura começou em 2000. Foi nessa altura que Constância começou a virar as suas atenções para a astronomia.

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Nesse ano, já existia um observatório. Em 2003, surge a sala de planetário e em 2004, a então esperada inauguração. Tudo isto “resultou de um conjunto de atividades que o Museu de Ciência da Universidade de Lisboa foi desenvolvendo pelo país. O museu tinha um setor de astronomia, do qual eu era responsável e começámos a realizar as Astrofestas. Em 1994, fizemos a primeira em Redondo (…) Em 1995, realizámo-la em Constância, onde existiam duas professoras que se interessavam pela astronomia. Esta iniciativa deu lugar à criação do Clube de Astronomia na Escola Luís de Camões e ao interesse da Câmara Municipal pela ideia. Como eu sou de Constância, fui ajudando”. O passo seguinte foi a procura de um lugar para o CCVC. “Quando chegámos a este espaço, a Câmara foi procurar o seu proprietário, que nem sabia muito bem que tinha o terreno, mas ele gostou tanto do projeto que ofereceu 4 hectares. Espaço esse que ainda ocupamos”, conta Máximo Ferreira. Os espaços que compõem o CCVC são diversos e vão desde um Observatório Astronómico, onde está o maior telescópio público do país, um Planetário, um Observatório Solar, uma escultura intitulada “Máquina do Mundo”, um

anfiteatro, um laboratório de holografia, entre outros. “Este não é um espaço de investigação. O objetivo primordial não é esse, apesar de já termos tido alguns trabalhos que têm sido integrados na investigação nacional e internacional. No essencial, é um espaço para fazer divulgação da astronomia, das ciências associadas, como a física, a matemática, a história e nalguns casos a literatura”, explicou o coordenador. “Um espaço onde tentamos trazer públicos indiferenciados, mas nomeadamente as escolas. É um local onde temos tido a preocupação de criar conteúdos de apoio ao ensino formal. Não substituímos a escola, mas falamos de coisas relacionadas com aquilo que se aprende na escola”, acrescenta. Para além dos espaços que dizem respeito à astronomia, o CCVC conta ainda com um espaço expositivo, onde se encontra a exposição: “A Física do Voo”. “Temos um avião a jato, que foi cedido pela Força Aérea e que voou aqui na base de Tancos. É uma exposição permanente que permite o desenvolvimento de atividades: desde referências históricas sobre o voo e o viajar no espaço, até aos princípios mais teóricos (…) As pessoas podem ainda entrar no avião e mexer em alguns comandos”. Como também experimentar “um jogo simulador de voo”.

No exterior do CCVC é possível encontrar um espaço de campismo, por onde já passaram mais de 1000 escuteiros acampados, e um lago, que consiste num projeto de musealização científica de património regional. “No lago Arquimedes estamos a montar algumas coisas que vão permitir às pessoas brincarem com um barco, lembrando o princípio de Arquimedes (…) À volta do lago estamos a colocar alguns objetos patrimoniais da região (…) Já temos instaladas duas noras. Há uma mais antiga que está colocada num poço e que ainda tem um burro desenhado em chapa, que muitas vezes é a alegria dos mais novos, pois veem a nora a girar e água a sair de lá (…) Estamos a falar de um espaço de complemento ao CCVC que permite uma abordagem a aspetos científicos”, explicou o responsável.

O CCVC está aberto todos os dias exceto às segundas-feiras “Quando se trata de grupos grandes ou de visitas de estudo, nós pedimos que sejam agendadas para facilitar a preparação da visita e adequá-la às idades”, reforçou Máximo Ferreira, dando conta que ao CCVC tem chegado às escolas de todo o país, grupos de astrónomos ou universidades seniores, algumas vezes provenientes de

Espanha. Com três sócios fundadores, a Câmara Municipal de Constância, a Ciência Viva e o Instituto Politécnico de Tomar, o CCVC é hoje uma associação que tem como objetivo captar financiamento próprio. “Temos dois financiadores diretos: a Câmara Municipal e a Ciência Viva, mas temos de captar financiamento desenvolvendo atividades fora do CCVC. Temos um planetário móvel que transportamos para realizar diversas atividades no exterior, bem como temos a receita proveniente das visitas ao Centro”, avançou Máximo Ferreira. Já no que diz respeito às atividades paralelas, o CCVC ainda organiza a Astrofesta, em coordenação com o Museu Nacional de História Natural e da Ciência - Universidade de Lisboa, num fim-de-semana de finais de julho a meados de agosto, que em 2017 decorrerá no Alqueva e em 2018 em Constância. Ainda assinala alguns dias especiais como o dia Internacional da Astronomia, o dia Internacional do Asteroide, etc. e é uma casa aberta para todos os interessados nas matérias da astronomia. Máximo Ferreira está expectante face ao próximo ano. O CCVC vai estar com uma elevada taxa de ocupação diária.

Joana Margarida Carvalho


ABRANTES 19

JANEIRO 2017

E na ponte… fez-se luz!

Ao 19º dia do mês de dezembro, mais de quatro meses após a «inauguração», a ponte metálica sobre o rio Tejo, em Abrantes, viu a sua iluminação pública ligada. João Gomes, vice-presidente da Câmara Municipal de Abrantes explicou que “as infraestruturas que tinham que ser feitas pela Infraestrutruras de Portugal já foram realizadas e finalizadas”. “O Município teve então condições para fazer a ligação da energia à ponte e foram ligadas as

luzes”, disse o autarca. O vice-presidente adiantou ainda que, “por nos encontrarmos em época natalícia”, as luzes decorativas vão continuar ligadas “até ao início de janeiro”. No entanto, o processo ainda não está resolvido em definitivo pois “faltam fazer duas pequenas retificações. Uma da nossa competência e para a qual já iniciámos o procedimento que é a alteração de um candeeiro na entrada da ponte, do lado de Rossio ao

Sul do Tejo. Vai passar do lado direito para o lado esquerdo [sentido Rossio – Abrantes] por uma questão de acessibilidade à ponte e permitir a passagem de uma cadeira de rodas. A outra questão também é ao nível da acessibilidade e é a criação de uma rampa do lado das Barreiras do Tejo. Esta é da responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, ainda não foi feita, mas a qualquer momento esperamos que fique concluída”, afirmou João Gomes.

BNI Estratégia apoia Associação da Criança e do Jovem com diversos bens O BNI Estratégia levou a cabo o seu tradicional Jantar de Natal solidário, desta vez a favor da Associação da Criança e do Jovem, com sede em Abrantes. A iniciativa realizou-se no passado dia 16 de dezembro, em S. Lourenço, e resultou numa angariação de 2.100 euros, convertidos em bens, para com a Associação. Ana Barral, do BNI Estratégia, disse que a escolha recaiu “numa associação muito recente no concelho de Abrantes, com cerca de dois anos, e portanto, logo à partida, com mais dificuldade. Este ano, alguns membros do BNI sentiram muito próximo alguns dramas relacionados com os seus filhos e familiares, com idades mais tenras, e assim optámos por apoiar esta causa”. Em jeito de balanço, a responsável referiu que “o jantar correu muito bem. Tivemos cerca de 60 a 70 convidados e tivemos uma onda de solidariedade enorme”.

“Conseguimos reunir um valor muito similar aos anos anteriores, cerca de 2.100 euros, sendo que os mesmos serão convertidos em bens, desde fraldas, papas, leite, brinquedos, mantas, etc. São este tipo de bens que as famílias procuram na associação”, explicou. Por sua vez, Verónica Marques, presidente da Associação da Criança e do Jovem, afirmou ao JA que foi com grande satisfação que recebeu a notícia que a instituição tinha sido contemplada. “Ficámos muito contentes e vamos agora conseguir colmatar algumas lacunas ao nível de bens que irão reverter para as nossas 15 famílias que apoiamos todos os meses”, salientou.

Com sede no edifício Girassol, a Associação da Criança e do Jovem está recetiva a receber, por parte da comunidade em geral, “bens de primeira necessidade, fraldas, produtos de higiene e farmácia, tudo o que tenha a ver com bebés e crianças”. “A população em geral pode apoiar-nos. Para isso, basta dirigirem-se à sede da nossa associação deixando os bens ou então contratando os nossos serviços de animação infantil, serviços de ateliers, explicações, festas de aniversário e férias escolares. Todos estes serviços revertem com um valor para a nossa missão “colorir vidas” que é a nossa missão central”, acrescentou a presidente. JMC PUBLICIDADE

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JANEIRO 2017

A República e a Ditadura

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É difícil explicar a maneira como o povo português, viveu aqueles dezasseis anos da Primeira República. Primeiro a euforia do novo regime, com a imprensa da época a anunciar a mudança. No dia da revolução, na primeira página do jornal “O Mundo” podia ler-se “ O povo ébrio de alegria – A salvação de Portugal”. Depois começaram as greves, a fome e a miséria estavam em todo o lado. Nas padarias apareceu o pão de terceira à base de farinha de aveia e fava, mais acessível às classes mais desfavorecidas. Bombas rebentam um pouco por toda a cidade de Lisboa, que inclusivamente chegou a ser bombardeada por barcos de guerra estacionados no Tejo. O Palácio das Necessidade, residência do Rei D. Manuel II é também um alvo. Mas não é só a política outros males iriam surgir. A Peste Pneumónica alastra um pouco por todo o lado, a par da Primeira Guerra Mundial onde só na Batalha de Lá Lis morrem sete mil e quinhentos soldados portugueses. Apesar de tudo foi nesta época que em Lisboa abriu o Parque Mayer e o teatro Ma-

ria Vitória, e no ano de 1920 a casa de lotarias de José Maria do Espírito Santo, passa a denominar-se Banco Espírito Santo (BES). Algumas Câmaras Municipais começam a emitir cédulas em substituição da moeda oficial. Entretanto cinco bancos vão à falência, e Alves dos Reis no meio da confusão, consegue que em Inglaterra seja feita uma duplicação de notas e, funda o Banco de Angola e Metrópole. O país é inundado de notas “novinhas” que ninguém sabe donde vêm... Há comerciantes a ficar ricos, é uma burla nunca vista! Esta Primeira República que no início tinha sido recebida de braços abertos, passados aqueles dezasseis anos já não tinha ponta por onde se pegar e foi considerada o pior regime parlamentar da Europa. Em 28 de Maio de 1926 Mendes Cabeçadas um dos revolucionários que em 1910 implantaram a República resolve a situação começando a governar em Ditadura com o apoio dos militares. O povo estava farto de confusão e instabilidade e terá aceitado bem esta Ditadura, ao ponto de passado um ano, em muitos locais ter festejado o aniversário com música e foguetes...

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Estórias de um dinossauro vivo por ele próprio, Manuel Lopes de Sousa

Pelos meus 18 – 19 anos, como trompetista, fui convidado e aceitei com muito gosto, para fazer parte do famoso conjunto de jazz Os Canários, do Pego, famoso até pela sua deslumbrante indumentária – camisa amarela de seda com os seus reluzentes adereços. Actuavam em diversos eventos, mas mais assiduamente no célebre salão de baile pertencente ao não menos célebre Tio Rina. Todos os membros eram do Pego, mas eu lembro-me de diversas atuações, das quais algumas vou relatar. Devo dizer que quase todo o elemento feminino que dançava no baile eram lindas raparigas. Os pegachos eram ciosos namorados e pretendentes, pelo que qualquer rapaz de fora que se fizesse ao piso a qualquer delas estava de imediato sujeito a uma surra, daria às de Vila Diogo e não mais pensava em tal. Vou passar a relatar as minhas atuações e as peripécias que se passaram durante os bailes e após estes. Para gáudio da assistência e muitas vezes a pedido, eu virava a trompete ao contrário com os três botões dos pistons para baixo e com as norsas dos dedos tocava diversas partituras, muitas delas a solo. Ao terminarem os bailes, era-nos dado um bom lanche, sempre regado com o famoso tinto de Pego, está-se mesmo a ver. Aí pelas 3h da manhã fazia o regresso a casa. Certa noite, bastante escura, ao chegar perto da passagem de nível do Rocio, verificando que a guarda estava a dormir e até não era hora de passar qualquer comboio, resolvi em má hora passar a ponte, porque era mais rápido, e iniciei a marcha através da passerela composta por tábuas dispostas à distância umas das outras mais ou menos 25 a 30 cm. Já tinha percorrido 1/3 do caminho, não dei conta que faltavam duas tábuas, pelo que quase sem dar por isso a minha

perna direita enfia por aí abaixo, e quando dei por mim estava dentro dum buraco só seguro pela perna esquerda, pois as mãos tinham bem segura a trompete, e o meu corpo quase seguiu o rumo do Tejo a caminho de uma forte corrente e a uma profundidade bastante elevada. Verifiquei que o meu corpo só tinha na perna direita um arranhão com pouca importância e o novo dinossauro, que felizmente ainda está vivo, chegando assim a velho, iniciou novamente o regresso a caminho de casa. Passei a herdade da Coisa Bela, palmilhando o carreiro da Barroca, passando junto ao barracão dos pais e da casa de habitação do rendeiro desta propriedade, o Dr. José Janeiro, e também da eira, onde é presentemente a casa e o pátio do meu amigo Manuel Lisboa e sua exma. esposa, e assim chega o dinosauro são e salvo a casa. Lembro aqui o meu amigo Gaiato, um óptimo concertinista, felizmente entre nós, assim como o que foi sócio do co-

nhecido construtor Apolinário Marçal, Joaquim da Silva, um óptimo clarinete, que julgo ainda vivo. Se eles lerem este meu escrito, para eles vai o meu amistoso e grande abraço. Já contei o primeiro percalço, vamos pois ao segundo. A seguir a uma das atuações do baile, o costumado lanche e o já referido tinto pegacho, e bem bebido, vamos ao regresso, como de costume às 3 da madrugada, desta vez com boa visibilidade, pois estava um lindo luar, quase parecia o nascer do sol. Passada que foi a passagem de nível de má memória, passando o Rocio ao Sul do Tejo rumo à ponte dos passageiros, passada esta estava nas Barreiras do Tejo, voltei para o carreiro que passava mais ou menos onde hoje é a capela e seguindo o mesmo chego a meio do vale, mais ou menos à direcção do cemitério. Nessa altura deu-se o inevitável, tropecei e de imediato me estendi ao comprido, é que o tinto tinha 16º. Lá consegui levantar-me, verifiquei que o corpo

não tinha avaria nenhuma, só que o dinheiro que era o pagamento do meu trabalho tinha voado do bolso para fora, tal o impacto do estenderête. Esse dinheiro era todo constituído por moedas de 10$00 e 5$00, tudo em prata. Dado ao bom luar, a prata reluzia e eu consegui recolher todo o fruto do meu trabalho, que naquela idade me fazia bastante jeito, pois eu ajudava os meus pais na sua sustentação. E assim o dinossauro novo inicia o seu regresso e chega à sua castiça Rua da Barca e dorme muito bem o resto da noite. Mais ou menos a partir desta altura, acabou-se a trompete, pois estabeleci-me como serralheiro civil e canalizador por volta dos 21 anos de idade e, mercê disso, a música passou a ser outra. Terminou assim a minha colaboração n’ Os Canários do Pego e os célebres bailes do ti Rina. Hoje, com 93 anos, restam-me as saudades desses bons tempos e da sã camaradagem que existia no seio desse magnífico grupo. PUBLICIDADE

VESTÍGIOS DO PASSADO

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22 CULTURA

JANEIRO 2017

Sardoal recebe “A Origem das Espécies” pelo Teatro D. Maria II Carla Maciel, Crista Alfaiate, Marco Paiva e Paula Diogo são os quatro atores que sobem ao palco do Centro Cultural Gil Vicente, em Sardoal, no dia 21 de janeiro, sábado, para a apresentação de “A Origem das Espécies”. A peça de teatro, para crianças a partir dos seis anos, resume em cerca de 60 minutos o percurso de Charles Darwin e a grande e milenar aventura da vida no planeta Terra. Recorrendo a uma forte componente visual e sonora, o espetáculo pretende transmitir aos mais novos os conceitos e investigações fun-

damentais de Darwin de um modo estimulante e divertido. A primeira parte da peça é uma sucessão de passos, expressões e adereços exóticos

que dão uma impressão real dos sítios por onde foi passando o cientista. Na segunda parte, os atores chegam a uma espécie de laboratório prontos a contar a teoria

Rock na Vila novamente entre os principais Festivais da Península Ibérica O Festival Rock na Vila volta a estar em destaque na segunda edição dos Iberian Festival Awards, iniciativa que pretende distinguir os melhores festivais de música de Portugal e Espanha. Promovidos e regulados pelos Festival Awards, Ltd, a iniciativa pretende premiar

e reconhecer várias vertentes da realização de festivais de música em Portugal e Espanha e criar sinergias para que estes prémios sejam igualmente um chamariz para toda a indústria musical do ponto de vista ibérico. O Festival Rock na Vila é um dos festivais em evidên-

cia nesta segunda edição dos Iberian Festival Awards, encontrando-se nomeado nas categorias de “Best Medium Size Festival”, “Best Touristic Promotion” e “Best Camping Site”. A décima quarta edição do Festival Rock na Vila acontece dias 2 e 3 de junho de 2017.

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EDITAL n.º 32/2016 Cessão de Exploração da Albergaria D. Dinis Hotel***

Hasta Pública Ricardo Jorge Martins Aires, Presidente da Câmara Municipal de Vila de Rei, torna público que ao abrigo da deliberação tomada em Reunião de Câmara Municipal de 20 de dezembro de 2016, se deliberou adjudicar através de hasta pública a Cessão de Exploração da Albergaria D. Dinis Hotel. Os possíveis interessados deverão apresentar as suas propostas em invólucro fechado com indicação no exterior da identificação da hasta pública, a denominação “Proposta” bem como a identificação do concorrente, devendo as mesmas dar entrada na secretaria da Câmara Municipal de Vila de Rei até às 16 horas do dia 26 de janeiro de 2017. A abertura de propostas será feita em sessão pública, na Sala das Sessões do Edifício dos Paços do Concelho, na Praça Matos Silva Neves, 6110-174 Vila de Rei, pelas 15 horas do dia 27 de janeiro de 2017, sendo posteriormente analisadas por um Júri. Na referida sessão pública apenas poderão intervir os concorrentes/ou seus representantes devidamente mandatados, que tenham apresentado proposta escrita. O preço para a cessão de exploração é de € 250,00 (duzentos e cinquenta euros), referente ao valor da prestação mensal, durante 6 anos, correspondendo ao total mínimo de € 12.000,00 (doze mil euros). Os critérios de adjudicação são: A) Preço (renda mensal) – 40 pontos B) a empresa ou a gerência ter comprovada experiência no ramo da restauração há pelo menos 5 anos – 12 pontos; C) a empresa ou a gerência ter comprovada experiência no ramo de hotelaria há pelo menos 3 anos – 15 pontos; D) DD)) D) possuir um Chefe de Cozinha” – 5,5 pontos; E) ser ou ter sido considerada uma PME Excelência nos últimos 5 anos – 3,5 pontos; F) estar sedeado em Vila de Rei – 5,5 pontos; G) ter sido premiado com prémios nacionais ou regionais, na área da gastronomia, nos últimos 5 anos – 3 pontos; H) ter participado em festivais gastronómicos regionais ou nacionais, nos últimos 5 anos – 2 pontos. I) Plano de investimento físico e imaterial, em referência ao espaço regional e internacional com prazos definidos, sendo que o mesmo será inserido contratualmente nas obrigações do cessionário. – 13,5 pontos. A participação na hasta pública implicará a aceitação por parte dos licitantes do facto de serem conhecedores do conteúdo do Programa de Procedimento e do Caderno de Encargos bem como dos documentos anexos e a declaração de vontade de os pretender cumprir integralmente. Para constar se publica o presente edital e outros de igual teor, que vão ser afixados nos lugares públicos de costume. Paços do Município de Vila de Rei, 21 de dezembro de 2016 Ricardo Jorge Martins Aires MUNICÍPIO DE VILA DE REI - Praça Família Mattos e Silva Neves - 6110-174 Vila de Rei Cont. 506 932 273 T. +351 274 890 010 - F. +351 274 890 018 geral@cm-viladerei.pt - www.cm-viladerei.pt

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da seleção natural: a de que os seres vivos se adaptam ao local. A apresentação de “A Origem das Espécies”, a partir da obra homónima de Charles Darwin, está inserida na Rede EUNICE, projeto de difusão de espetáculos produzidos e co-produzidos pelo Teatro D. Maria II. Recorde-se que o Município de Sardoal foi selecionado para integrar este projeto nas temporadas 2016/17, 2017/18 e 2018/19. Os bilhetes, com o preço de €3, já se encontram à venda na bilheteira do Centro Cultural Gil Vicente.

Concertos dão boas-vindas ao Ano Novo Em Abrantes, Mação e Vila de Rei, 2017 começa com os tradicionais concertos, dando as boas-vindas ao Ano Novo através da valorização do património musical. O som do piano de Adriano Jordão e das cordas do Quarteto Arabesco vão ecoar na Igreja de São Vicente, em Abrantes, no dia 7 de janeiro, sábado, pelas 21h30, para um espetáculo do qual fará parte um repertório do universo artístico de Robert Schumann. A Igreja Matriz de Mação acolhe o concerto de Ano Novo, no dia 15 de janeiro, pelas 16h30. O espetáculo terá como protagonistas os alunos da FirMação – Conservatório de Música de Mação. Em Vila de Rei, o concerto de Ano Novo acontece também no dia 15 de janeiro, na Igreja Matriz, pelas 15 horas. O espetáculo contará com a atuação das Orquestras Clássica e Tradicional da Escola de Música de Vila de Rei, dirigidas pelo maestro Pedro Sousa, e dos alunos do Agrupamento de Escolas de Vila de Rei, mais concretamente do Coro dos Alunos das Atividades Extracurriculares, dirigido igualmente pelo maestro Pedro Sousa, e do Coro dos Alunos do Ensino Articulado de Música, com direção da maestrina Inês Saraiva. As iniciativas têm entrada gratuita.

AGENDA DO MÊS Abrantes Até 6 de janeiro – Exposição de presépios e santinhos tradicionais – Welcome Center (Loja de Turismo) Até 22 de janeiro – Exposição Antevisão VIII do MIAA “Da troca direta à moeda: uma história” - Museu D. Lopo de Almeida, Castelo – terça a domingo, das 09h30 às 12h30 e das 14h às18h Até 28 de janeiro – Exposição “Circularmente falando - uma pequena antologia pessoal”, de Sofia Areal - QuARTel - Galeria Municipal de Arte de Abrantes, de terça a sábado, das 10h às 12h30 e das 14h30 às 19h Até 28 de janeiro – Exposição “Iconografia de Abrantes em 1916” – Biblioteca Municipal António Botto, de segunda a sábado Até 31 de janeiro – Exposição “Mero, o senhor das pedras” sobre a conservação da espécie de peixe Mero – Parque Tejo, Rossio ao Sul do Tejo, de segunda a domingo, das 9h às 20h 7 de janeiro – “Produtos de Cá”, workshop e exposição de bonecos em pasta de papel com o artesão João Quinto – Mercado Municipal, 10h30 7 de janeiro – Concerto de Ano Novo com Adriano Jordão e Quarteto Arabesco – Igreja S. Vicente, 21h30 13 de janeiro – Encontro de reflexão sobre a religiosidade em Abrantes com o Pe. Francisco Valente – Arquivo Municipal Eduardo Campos, 21h 13 de janeiro – Teatro “Memórias Partilhadas” com co-produção do Teatro do Montemuro e Teatro Nacional D. Maria II – Cineteatro S. Pedro, 21h30 – 5€ 14 de janeiro – “Ao sábado com a bebeteca”, apresentação de “O livro de magia das mães” – Biblioteca Municipal António Botto, 11h 14 de janeiro – Sabores do Mercado: “As receitas da Presidente para o pequeno-almoço” com Maria do Céu Albuquerque – Mercado Municipal, 11h 16 a 28 de janeiro – Exposição “Montepio Abrantino Soares Mendes” – Arquivo Municipal Eduardo Campos 17 de Janeiro – “A menina dança?” - Baile com Carlos Pinto – Cineteatro São Pedro, 15h 19 de janeiro – “Entre nós e as palavras” com o escritor Sandro William Junqueira, apresentação do livro “No céu não há limões” - Biblioteca Municipal António Botto, 21h30 20 de janeiro – Encontro Infantil com a ilustradora Rachel Caiano Biblioteca Municipal António Botto, 10h30 21 de janeiro – “Sabores com Conto e Medida” – Sessão com a nutricionista Teresa Mariano – Mercado Municipal, 10h30 23 de janeiro a 3 de fevereiro – Exposição“Vergílio Ferreira: Os caminhos da escrita” – Mostra comemorativa do centenário do nascimento do romancista - Biblioteca Municipal António Botto 27 de janeiro - “Nós os Jovens” sobre “ Resistência à frustração e ao stress no estudo. Como lidar?”, dinamizado por Sofia Loureiro – Escola Superior de Tecnologia de Abrantes, 15h A partir de 28 de janeiro – Exposição “Olhares sobre o Mercado”, fotografias apresentadas no âmbito do concurso de fotografia – Mercado Municipal 28 de janeiro – “Sons no Mercado” com Rancho Folclórico e Etnográfico de Casais de Revelhos – Mercado Municipal, 9h 28 de janeiro – Espetáculo infantil “Conta-me uma história”, de Pedro Branco e Inês Fouto – Cineteatro São Pedro, 10h30 – 1€ 28 de janeiro – “A Biblioteca ao sábado” com a “Fábrica d´estórias”, à volta do livro “Desculpa, por acaso viste o mar?”, de Alda Serras Biblioteca Municipal António Botto, 11 horas 28 de janeiro – Encerramento da exposição “Circularmente falando – pequena antologia pessoal” – Apresentação do documentário “Sofia Areal, um gabinete anti-dor”, com a presença do realizador Jorge Silva Melo – QuARTel – Galeria Municipal de Arte, 17h

Constância

Até 8 de janeiro – Exposição de Peças Natalícias – Posto de Turismo

Mação

7 a 31 de janeiro – Exposição“Rostos de Timor”, de António Cotrim – Galeria do Centro Cultural Elvino Pereira 14 de janeiro – “História de Mação – Um Ciclo de Conversa” sobre “Megalitismo de Mação”, por Vera Moleiro – Museu de Arte Pré-Histórica e do Sagrado do Vale do Tejo, 18h 15 de janeiro – Feira de Janeiro 15 de janeiro – Concerto de Ano Novo com FirMação – Conservatório de Música de Mação – Igreja Matriz, 16h30 21 de janeiro – Espetáculo “Fado no Sorriso” com a fadista Joana Cota – Centro Cultural Elvino Pereira, 21h30 27 de janaeiro – “À Conversa com…” Eng.º António Louro sobre “Mação Florestal” – Centro Cultural Elvino Pereira, 21h

Sardoal

Até 15 de janeiro - Exposição “Lacuna”, trabalhos à base de cerâmica, de Ricardo Triães – Galeria do Centro Cultural Gil Vicente, de terça a sexta, das 16h às 18, e sábados, das 15h às 18h Até 16 de março – Exposição “Era uma vez…”, dedicada a lendas das quatro freguesias do concelho – Espaço Cá da Terra 17 de janeiro – “Voltar aos Clássicos”, apresentação de uma obra literária – Centro Cultural Gil Vicente, 21h30 21 de janeiro – Teatro “A origem das espécies”, pelo Teatro Nacional D. Maria II – Centro Cultural Gil Vicente, 21h30 - 3€ Cinema – Centro Cultural Gil Vicente, 16h e 21h30: 7 de janeiro – “A mãe é que sabe” de Nuno Rocha 28 de janeiro – “Rogue one: uma história Star Wars” de Gareth Edwards

Vila de Rei Até 2 de janeiro – Venda de Natal – Biblioteca Municipal José Cardoso Pires 7 de janeiro –“Trekking de Reis”em Água Formosa – Passeio pelos arredores da Aldeia de Xisto e lanche-convívio – zezeretrek@zezeretrek.com - 10€ 15 de janeiro – Concerto de Ano Novo – Igreja Matriz, 15h25 de janeiro – Encontros Documentais com o tema “Arquivos” – Biblioteca Municipal José Cardoso Pires

Vila Nova da Barquinha Até 14 de janeiro - Exposição “Anima Mea”, pintura da autoria de Alexandre – Galeria do Parque


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