Page 1

Quinta da Confusão – O nascimento de um império

Saldo do Dia 2 População e densidade populacional 100

50

90

45 80

40 30

60

Densidade populacional

População 20

40

10

20

8

0

16

10 :0 0

1: 00 10 :0 0

1: 00

0

Saldo da população: -37 habitantes Saldo da densidade populacional: -74 hab.\km2

46


Quinta da Confusão – O nascimento de um império

Dia 3 Uma fuga arrojada Época inicial 3 de Janeiro de 2009 Seg

Ter

Qua

Qui

Sex

Sab

Dom

1

2

3

4

5

6

7

8

9

10

11

12

13

14

15

16

17

18

19

20

21

22

23

24

25

26

27

28

29

30

31

47


Quinta da Confusão – O nascimento de um império

8:00 Habitantes: 8 Depois de uma noite de forte tempestade, o sol por fim nasceu em Trásos-Montes, iluminando os seus extensos campos. Essa luz entrou pelo buraco do escoadouro da Quinta da Confusão, acordando os animais que dormiam ao lado, dentro do túnel. Estes levantaram-se e, quando entraram no escoadouro, viram que a neve que caíra pelo buraco se tinha acumulado num monte por debaixo dele, não chegando às caixas com ervas. Assim, como esta permanecia intacta, puderam levar duas caixas para a superfície, e lá tomaram o pequeno-almoço. A Quinta da Confusão, depois da tempestade, tinha agora cerca de meio metro de neve e a sua ribeira congelada, tal como os animais tinham previsto. Os donos nunca se preocupavam em limpar a neve da quinta, nem mesmo à volta da sua casa (não costumavam sair), esperando que o sol invernal fizesse esse trabalho, e por causa dessa atitude a quinta ficava sempre branca no Inverno, mesmo que nevasse pouco. Depois do pequeno-almoço, os animais foram regar as ervas da estufa. O seu tecto estava coberto de neve, mas a estufa conseguira manter o calor dentro da estrutura. Os animais notaram perfeitamente a diferença da temperatura do exterior em relação à do interior e, por isso mesmo, depois de terem regado a estufa e limpo a neve do tecto para a luz entrar, estes permaneceram dentro da estufa. Uns dormiam, outros conversavam, mas todos preferiam mil vezes estar dentro daquela construção quente e agradável do que no campo gelado, com quase meio metro de neve. A 150 km de distância dali, no Porto, os animais do Mercado do Bolhão foram igualmente acordados, não pelo Sol mas sim pelos 3 empregados daquela sala do mercado. Anunciaram que iria haver uma simulação de incêndio naquela sala, pelo que quando as cancelas e as correntes se abrissem os animais deveriam agrupar-se numa fila, a dois e dois, e seguir os funcionários até ao rés-do-chão. Deveriam estar agrupados por quintas de origem, para não haver enganos na distribuição dos animais quando estes regressassem aos seus lugares. Eles pensavam que os empregados iriam abrir as cancelas e as correntes manualmente, mas enganavam-se. Um dos empregados dirigiu-se ao grande botão vermelho que se encontrava perto do elevador, cuja função os animais desconheciam, e premiu-o. De imediato, ouviu-se uma sirene e, simultaneamente, todas as cancelas e correntes se abriram. Os animais nem tiveram tempo de reagir, pois os empregados mandaram-nos agrupar-se em filas conforme a quinta de origem, com um espaço entre cada uma. Eles assim fizeram, e pouco depois desciam pelas escadas que iam dar ao rés-do-chão do mercado.

48


Quinta da Confusão – O nascimento de um império Nunca nenhum animal tinha lá ido, pois aquela zona não se destinava aos animais, e portanto foi com surpresa que se viram rodeados de bancadas vendendo todo o tipo de alimentos. A esmagadora maioria era desconhecida para os animais, pelo que alguns deles tentaram provar esses alimentos. Apoiaram as patas nas bancadas e começaram a mordiscar os produtos. Todavia, os 3 funcionários que os acompanhavam estavam atentos e, tirando o seu chicote da cintura, fizeram-no estalar por cima da cabeça dos animais até eles saírem de ao pé das bancadas. Depois, foram-se distraidamente aproximando-se da entrada do mercado, à frente de todos os animais, fingindo que estavam ali por acaso. Mas estes perceberam perfeitamente as suas intenções: os funcionários tinham espingardas tranquilizantes, e se eles estavam à entrada do mercado era para evitarem fugas. Por isso mesmo nenhum animal tentou fugir do mercado durante a simulação de incêndio. E, pouco depois da chegada dos animais ao rés-dochão, apareceram os bombeiros. Os animais nunca tinham visto bombeiros, portanto foi também com surpresa que viram as suas fardas, os seus capacetes e as mangueiras que traziam. Estes subiram até ao primeiro andar, e mais tarde deram por extinto o incêndio simulado. Então, os funcionários levaram de novo os animais para os seus lugares, fechando uma a uma as cancelas e as correntes que os prendiam no Mercado do Bolhão. Quando os bombeiros abandonaram o mercado, a vida naquela sala voltou ao normal. Os funcionários dormiam ou trabalhavam no computador, enquanto que os animais comiam as suas rações industriais ou dormiam, sem nada mais para fazerem naquele espaço. A simulação de incêndio, algo diferente no meio de toda a rotina do mercado, seria vital para a Fuga do Mercado, que começaria 1 hora depois.

9:00 Em 2 semanas, nem um único cliente aparecera naquela sala do Mercado do Bolhão, nenhum comprador tinha surgido. Pelo contrário, nesse espaço de tempo quatro quintas tinham enviado os seus animais para o mercado. Não tinham vendido os animais ao mercado, mas sim alugado o espaço para os venderem. Deixavam estar os animais gratuitamente na sala, e quando fossem vendidos o mercado recebia uma parte dos lucros para pagar as despesas dos animais. Mas, para haver lucros, era preciso que alguém comprasse algum dos mais de 100 animais à venda, e nas últimas 2 semanas nenhum comprador tinha aparecido. Foi isso que o único empregado acordado da sala constatou, ao ver os ficheiros do Mercado do Bolhão no computador. O negócio da venda de animais estava em crise no mercado, pois ninguém os comprava, e os animais que este tinha estavam a

49


Quinta da Confusão – O nascimento de um império ocupar espaço útil, que poderia ser usado para instalar bancadas com produtos rentáveis. O empregado foi então alertar o patrão acerca das suas conclusões, deixando os dois colegas de trabalho a dormir em frente às secretárias, no meio da extensa sala. Enquanto conversava com o patrão, um cavalo da Quinta da Confusão que ignorava as inteligentes conclusões do funcionário começou a falar com o seu vizinho do lado, um cão que trabalhara nas guaritas do antigo Celeiro-forte a atirar objectos aos funcionários, para defender a fortaleza.

Ilustração 4 - Mapa da sala do Mercado do Bolhão destinada aos animais. Laranja – Espaços onde os animais eram presos; Roxo – Secretárias dos empregados; Castanho – Entrada do elevador; Vermelho – Botão de alarme; Azul-escuro – Porta para outra sala do primeiro andar; Verde-claro – Escadas para o rés-do-chão

Os dois animais, que estavam junto ao elevador, no extremo da cerca que encerrava os animais, acabaram por falar na simulação de incêndio e nos espantosos efeitos do botão de alarme. Se o pressionassem, poderiam soltar todos os seus companheiros e fugir para a Quinta da Confusão. Mas como iriam fazer isso, se estavam a 5 metros do botão de alarme? A resposta estava ao seu lado, junto ao elevador. Um extintor de aspecto sólido que, segundo o cavalo, se poderia atirar contra o botão de alarme para o activar. Este ofereceu-se logo para o tirar da parede, mas o projecto era arriscado: bastava que algum dos funcionários acordasse e olhasse naquela direcção para que todo o plano falhasse, pois eles não iriam ficar de braços cruzados à espera da fuga dos animais. Ainda assim, o cavalo decidiu arriscar. Apoiou-se na cerca e, esticando-se ao máximo, conseguiu alcançar o extintor, apesar de ter uma corrente a prender-lhe uma das patas. Tirou-o do suporte e, com a ajuda do cão, que o puxou para trás, voltou ao seu lugar. Foi mesmo a tempo, pois imediatamente a seguir apareceu o terceiro funcionário da sala, que fora falar com o patrão. O cavalo escondeu o extintor debaixo do comedouro e ficou a observar o funcionário. Este acordou os colegas, e anunciou-lhes que caso aquela sala não tivesse clientes até daí a 1 semana o patrão devolveria os animais às quintas, e iria substituí-los por bancadas com produtos rentáveis, à semelhança do rés-do50

Parte X  

Parte 10 da Quinta da Confusão - O nascimento de um império

Read more
Read more
Similar to
Popular now
Just for you