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Quinta da Confusão – O nascimento de um império com vida. Quanto aos cães e porcos, eram simplesmente presos no mercado, na zona destinada aos animais vivos. Os recém-chegados eram funcionários de uma empresa especializada em captura e transporte de animais, cuja função era levarem os animais das quintas para o mercado e vice-versa. Estes empunharam os laços e as espingardas e, em segundos, vários animais caíram anestesiados no chão e outros foram enlaçados pela cintura. Os sobreviventes tentaram fugir pela porta das traseiras, mas as dobradiças estavam tão enferrujadas que a porta não abria de maneira alguma. O próprio presidente do Conselho da Quinta da Confusão, juntamente com o respectivo contabilista, foi anestesiado e levado para os camiões. E seria esse o destino do cavalo 3 se este não se tivesse escondido dentro de um velho armário, juntamente com o relatório do conselho, durante duas horas e meia. Os donos estavam felizes, pois assim não só se estavam a livrar de uma ameaça como iriam ganhar muito dinheiro com a venda dos animais (os animais racionais valiam, pelo menos, o triplo dos irracionais no mercado, porque esse fenómeno surgira em todo o mundo e no mesmo dia). Em apenas 10 minutos, 30 animais foram apanhados e metidos nos camiões. Tinha começado a I Guerra dos Animais, entre os donos (com 20 funcionários temporariamente ao seu serviço) e os animais da Quinta da Confusão (85 animais).

11:00 Habitantes: 55 Duas horas e meia depois do seu início, a I Guerra dos Animais alcançou o seu auge, com a chegada de mais 40 funcionários da empresa que se juntaram aos restantes 20. O reforço fez com que mais 30 animais fossem capturados e metidos nos camiões num espaço de 15 minutos (até aí, eles tinham conseguido escapar aos funcionários, até porque estes não se afastavam mais de 100 metros do celeiro). Quanto aos restantes, perceberam que não havia ninguém na margem direita da ribeira e mesmo perseguidos pelos funcionários, conseguiram alcançar a outra margem. Enquanto nenhum funcionário contornasse a ribeira (eram 500 metros até à nascente, a partir do limite norte da quinta, e mais 500 até ao outro lado da quinta) ou a atravessasse no barco a remos dos donos, estavam a salvo. Agora, já se podia começar a cultivar ervas para erradicar a fome da Quinta da Confusão. Mas rapidamente os animais se aperceberam de que tinham outros problemas: a) Não tinham sementes de ervas; b) Não tinham instrumentos para lavrar e semear a terra; c) Não tinham maneira de limpar a neve da Quinta da Confusão (30 a 40 cm de altura);

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Quinta da Confusão – O nascimento de um império d) Mesmo que conseguissem limpar a neve, o clima estava tão frio que as ervas nunca cresceriam No Conselho da Quinta da Confusão, tinha-se decidido cultivar ervas em larga escala, mas não se tinha decidido como o fazer, pensavam os animais. Sabiam que as ervas davam sementes, mas não valia a pena irem procurar ervas crescidas porque não deveria haver uma única naquela zona. A única hipótese era o celeiro, que deveria ter sacos com sementes de erva. Essa opção poderia ser boa, se o celeiro não estivesse rodeado por 60 pessoas prontas a capturarem o primeiro animal que se atrevesse a aproximar. Os funcionários não se afastavam do celeiro porque achavam que os animais, mais tarde ou mais cedo, iriam voltar à margem esquerda da ribeira, pelo que não valia a pena perseguirem-nos pela Quinta da Confusão e gastarem munições (o sonífero era caro). E estavam certos, pois os animais tinham que ir buscar sementes de ervas ao celeiro. Para protegerem os 10 animais que se ofereceram para ir buscar as sementes, cortaram-se grandes pedaços de casca de árvore para fazerem de escudo, com um pau espetado a fazer de pega. Mas ainda assim, os animais estavam desprotegidos nos lados e atrás, pelo que tinham que ser rápidos a alcançar o celeiro, arranjar as sementes e voltar para a margem direita da ribeira, onde estariam seguros. Os primeiros 100 metros foram feitos com facilidade, porque no fim desse percurso havia a casa dos donos. Os 10 animais puderam, assim, refugiar-se atrás da parede, e espreitando pela esquina, viram o seu alvo: o celeiro. E, no caminho, mais de 20 funcionários armados com laços e espingardas rondavam de um lado para o outro, em busca de animais. E, para azar dos aventureiros, um deles deu com os animais a espreitarem pela esquina e desatou a correr na sua direcção, empunhando o laço. Os animais não tiveram hipótese senão entrarem na sala de jantar dos donos pela janela (que até estava aberta) e fugirem do funcionário por dentro da casa. Mas não tiveram sorte. Assim que os primeiros 2 saíram pela janela no lado oposto da casa, viram-se rodeados por 30 funcionários avisados pelo mesmo que os vira a entrar na casa dos donos (os outros 30 estavam a patrulhar a zona atrás do celeiro). Os animais, ao verem que antes de conseguirem furar o cerco seriam capturados, voltaram para dentro de casa e, com os restantes 8, fugiram para a porta da frente, seguidos pelos 30 funcionários que iam entrando um a um pela janela dentro da casa dos donos. Os animais saíram pela porta da frente e, correndo pela neve, rapidamente galgaram os 100 metros que os separavam do celeiro. Todavia, assim que cruzaram a entrada da construção, viram Afonso e Aníbal Gomes a barrar-lhes o caminho, armados como os funcionários da empresa que tinham contactado. Estes perguntaram-lhes, com ironia «Vão a algum lado, caros senhores?». Os animais responderam-lhes, um pouco

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Quinta da Confusão – O nascimento de um império atrapalhados «Bem… Viemos buscar sementes de ervas. Por acaso sabem se está aqui algum saco delas?». Estes perceberam o que lhes ia acontecer se não reagissem quando Aníbal Gomes lhes respondeu, com o mesmo tom de ironia: «Oh, sim, estão ali muitos sacos de sementes de ervas, ali no canto. Comprámo-los há mais de 10 anos, quando ainda tínhamos paciência para semear e lavrar a terra. E se foi só por isso que vieram até cá, os meus parabéns. Para premiar esse acto de ousadia, vamos oferecer-vos uma estadia no mercado». Dito isto, puxou da espingarda e tentou acertar com um dardo tranquilizante num dos animais, mas o alvo arrancou-lhe a arma das mãos e bateu-lhe com ela na cabeça, atirando-o ao chão. Todavia, Aníbal era robusto, pois levantou-se de imediato e deu um murro no animal que o fez largar a espingarda. Estalou assim uma luta entre Afonso e Aníbal Gomes e 6 dos animais, porque os restantes 4 fizeram uma descoberta maravilhosa: encontraram um carrinho para transporte de sacos junto às sementes de erva. Assim, puseram-se a carregar o carro com os sacos de sementes, enquanto que os 6 companheiros lutavam contra os donos. Estes tinham 65 e 67 anos, e estavam sozinhos contra 6 animais, mas batiam-se ferozmente contra os adversários. Moviam-se com uma agilidade de pessoas de 30 anos, e apesar de terem levado uma sova, também deram uma tareia aos animais. Quando o carro ficou carregado (cada saco pesava 50 kg), os 4 animais chamaram os companheiros para os ajudarem a empurrar o carro até à ribeira. E o peso do carro rapidamente fez notar aos animais que estes não tinham pensado num aspecto importante: a maneira de levar os sacos de sementes até à margem direita da ribeira, onde estariam a salvo. Os donos, pensando que eles não iriam a lado nenhum com aquele carro, ficaram a ver a situação sem mexerem um dedo para ajudar os animais. Mas, com a ajuda de todos eles, o carro começou a mover-se e em breve saía do celeiro. Só aí Afonso e Aníbal Gomes perceberam que eles iam fugir e começaram a correr na sua direcção, para os deterem. Mas, antes de saírem do celeiro, do 1º andar do celeiro surgiu um cavalo, com uns papéis enrolados na pata. Este tomou balanço e, saltando do andar, atirou-se para cima de Aníbal Gomes (de uma altura de 5 metros), mandando-o ao chão. Depois, com a sua própria corda, amarrou-lhe os pulsos atrás das costas rapidamente, para não ir atrás dos seus companheiros. Tratava-se do cavalo 3, refugiado num armário do celeiro desde o começo da I Guerra dos Animais, e que vira todo o episódio através das frestas das tábuas do chão. Então, o animal começou a perseguir o carro, seguido por Afonso Gomes, que estava a rolar cada vez mais depressa. Aquele terreno era uma encosta muito pouco inclinada, quase não se percebia que era uma descida, mas chegava para o carro carregado acelerar cada vez mais. Os animais que o empurravam viram-se obrigados a subir para o carro e, apertados, aguardar que este parasse. O cavalo 3 conseguiu alcançar o carro mas, para horror dos

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Quinta da Confusão – O nascimento de um império animais, foi seguido por Afonso, que se agarrou à barra do carro. Os funcionários puseram-se à frente do carro para obrigarem os animais a parar, mas rapidamente perceberam que este não tinha travões e conseguiram pôr-se fora do caminho nos últimos segundos. O carro prossegui a sua viagem a grande velocidade, sem quaisquer travões, mas ao fim de 200 metros encontrou a ribeira no caminho. Um dos funcionários, ignorando que Afonso Gomes seguia a bordo do carro, pôs a carrinha no caminho do carrinho e encostou-lhe uma série de tábuas a fazer de rampa, na esperança de deter o carro quando este tentasse subir as tábuas. E o plano resultaria se o veículo, nos últimos segundos, não tivesse apanhado uma poça de gelo no caminho. Acelerou tão repentinamente que Afonso, ainda pendurado na barra, quase caía do carro abaixo e, para horror do funcionário e para alegria dos animais, subiu as tábuas e levantou voo. O carro de 1.500 kg (500 kg de carga mais os passageiros) elevou-se a 5 metros de altura e, durante longos segundos, planou sobre a ribeira e depois sobre terra firme. Depois, inclinou-se para a frente e os animais e António Gomes perceberam que ia cair. Mal tiveram tempo para saltarem do veículo, e imediatamente a seguir o carro bater com a dianteira no solo, fazendo soltar bocados de terra e neve. O choque foi tal que o carro voltou a subir, libertando-se da carga, e deu duas cambalhotas no ar até voltar a aterrar, de rodas para o ar. Todos os ocupantes do carro conseguiram escapar ilesos, incluindo António Gomes, que ao ver os sacos de sementes rotos a libertar sementes, percebeu que não conseguiria privar mais os animais de sementes de ervas para semearem, e voltou para casa contornando a ribeira pela nascente. A missão tinha sido um sucesso, pois agora os animais tinham 500 kg de sementes de ervas ao seu dispor. Mas a situação ainda não tinha acabado. Haviam sementes, mas faltavam instrumentos para lavrar a terra e para extrair a neve. Para a última situação, usaram-se pedaços de casca de árvores para atirar a neve à ribeira à ribeira. Com a ajuda de todos os animais, rapidamente ficaram a descoberto algumas extensões de terreno boas para se cultivar ervas. Mas ainda faltava lavrar o terreno, pois os animais sabiam que, sem isso, não se podia semear um terreno. Acabou por se revolver o problema batendo com uma pedra noutra pedra, para a lascar. Depois, abriu-se uma ranhura num pau grosso, onde se enfiou a pedra lascada. Criava-se assim uma versão primitiva do arado, que resolveu o problema da agricultura na Quinta da Confusão. Assim, os animais puxaram o arado várias vezes pelos terrenos sem neve, e depois lançaram-lhes sementes. Por fim, regaram-se os campos com água da ribeira, sendo que a água foi transportada através de troncos ocos cujo fundo foi tapado com uma pedra grande e plana. Até às 16 horas, seriam lavrados, semeados e regados cerca de 10 hectares de terreno, 40% do território de que os animais dispunham (a metade este da Quinta da

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Quinta da Confusão – O nascimento de um império Confusão, onde os animais estavam, tinha 25 hectares). Restava era saber se, apesar do frio, as ervas cresceriam.

Índice de Tecnologia: Militar-1 (escudos de árvore) Transportes-0 (Aéreos-0) (Marítimos-0) (Terrestres-0) Civil-1 (arado) Construções-0

16:30 Habitantes: 45 Oito horas após o começo da I Guerra dos Animais, os funcionários viram-se forçados a admitir que os animais não precisavam de ir à margem esquerda da ribeira, ao contrário do que esperavam. Chegaram à conclusão de que se eles continuassem ali a rondar o celeiro, os animais nunca seriam capturados. Os donos, assim que foram avisados, ficaram irritados com a sua incompetência (apesar de eles próprios terem passado as últimas 8 horas no celeiro à espera dos animais só saindo para irem almoçar e ir à casa de banho) e ordenaram aos 60 funcionários que levassem os camiões para a margem direita da ribeira, onde sem dúvida poderiam capturar os animais. Para evitar que estes fugissem novamente para a margem esquerda, metade dos funcionários pôs-se junto à ribeira, na margem esquerda, para vigiar os animais e impedir as fugas. E, de facto, a primeira reacção dos animais ao verem os camiões foi fugir para a margem esquerda. Mas, ao verem que estavam 30 funcionários nessa margem a aguardar a sua chegada, mudaram de ideias e decidiram lutar pelo direito a viverem na Quinta da Confusão, pelo direito a não terem que temer todas as semanas o seu despejo para o mercado. Os 55 animais pegaram então nos arados e, usando-os como espadas, avançaram para os funcionários. Começara a Batalha da Quinta da Confusão, por volta das 16:20 segundo os donos. Os funcionários, ao verem os animais avançarem para eles de arado em riste, ergueram por sua vez as armas e aguardaram que os animais chegassem, certos de que seria fácil capturá-los e levá-los para o mercado. Mas enganavam-se. Os animais manejavam o arado com perícia, usando a pedra lascada como lâmina e o pau a que estava fixada como bastão. Dez funcionários foram feridos, apesar de tudo sem gravidade, e muitos outros foram agredidos com o cabo do arado. Ao fim de dez minutos de combate, os 30 funcionários decidiram desertar. Embarcaram nos camiões e nas

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Quinta da Confusão – O nascimento de um império carrinhas e foram para norte da Quinta da Confusão, onde ficaram à espera dos 30 colegas. A bordo não seguia um só animal, o que representava um momento histórico. Pela primeira vez desde sempre, os animais da Quinta da Confusão tinham conseguido resistir à captura de tal modo que nenhum deles fora levado da quinta. Mas apenas tinham expulsado metade dos funcionários, estando a outra metade na margem esquerda da ribeira distraída, a comentar a inesperada vitória dos animais e a deserção dos colegas. Era necessário expulsar também esses 30 funcionários, mesmo não representando perigo por estarem na outra margem da ribeira. Importa dizer que os animais, como agora eram os atacantes e não os defensores apanhados de surpresa, não foram desprevenidos. Para evitarem os dardos tranquilizantes, usaram as cascas de árvore utilizadas na remoção da neve dos campos agrícolas como escudos. Então, armados com arados e escudos 100% naturais, os 55 animais atiraram-se à ribeira e nadaram até à outra margem. Quando os funcionários se aperceberam do ataque, já grande parte dos animais estava em terra de arado em riste, pronto para a batalha. O efeito surpresa foi fulminante. Cinco minutos depois, também esses 30 funcionários desertaram após metade deles ter sido ferida pelos arados inimigos, visto não estarem interessados a, para apanharem poucos animais, arriscarem-se a ser feridos com gravidade e acabar no hospital. Os animais, ainda juntos no local da batalha, começaram a pensar que, de facto, a I Guerra dos Animais tinha acabado. Mas, para seu horror, perceberam que não. Da casa dos donos saiu uma carrinha verde de caixa aberta, que parou em frente aos animais. De dentro do veículo saíram os donos da quinta, que para horror dos animais traziam um molho de cordas à cintura. Estes aproximaram-se dos animais, e com um ar solene anunciaram: «Venceram os 60 funcionários, mas não nos vencerão!». Depois, cada um ergueu um laço e pô-lo a rodar sobre a cabeça, numa atitude ameaçadora. Os animais tentaram proteger-se erguendo o escudo e o arado, mas de nada serviu. Os donos desarmavam os animais com o nó grosso da outra ponta da corda, rodando a corda com força e acertando com o nó no arado ou no escudo, arremessando-os para longe. Depois, apenas tinham que recolher a corda e atirar o laço sobre o animal desarmado para o prender. Para evitar fugas, cada vez que prendiam um animal desatavam o nó do fim da corda e voltavam a atá-la a um bloco de cimento com 100 kg, que estava em cima da caixa da carrinha. O animal, por muito que puxasse, não se conseguia soltar pois a corda era forte e o bloco muito pesado. Os donos prenderam ao todo 20 animais, usando todas as suas cordas e amordaçando-os para não as roerem. Os animais, sabendo que não teriam hipótese de atacar os donos antes de serem desarmados, preferiram fugir. Mas os donos foram atrás deles, e à medida que os iam apanhando, puxavam-nos até a corda chegar aos blocos de cimento que estavam na carrinha. Quando as cordas se esgotaram, os donos foram a casa telefonar

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Quinta da Confusão – O nascimento de um império aos funcionários para dizer que lhes iam entregar 20 animais, que conseguiram capturar usando apenas cordas. Os prisioneiros sentiam-se humilhados, pois após terem combatido e vencido bravamente 60 funcionários bem treinados e armados, foram apanhados por dois idosos armados apenas com cordas, que inclusive os conseguiram desarmar, vencer sem resistência e ainda amordaçá-los. Todavia, um dos animais fez uma fabulosa descoberta: ao pé da carrinha estava caído um arado, que podia ser usado para cortar as cordas e as mordaças. O arado foi passando de patas em patas, cortando cordas atrás de cordas e lenços atrás de lenços, até metade dos animais estar livre. Só que, para horror dos que ainda estavam prisioneiros, os donos viram tudo pela janela e regressaram armados com pistolas. Os animais sabiam que tipo de arma era aquela, pois os donos tinham o costume de caçar aves na Quinta da Confusão, com vários amigos de um clube de caça. Também conheciam os seus efeitos: cada vez que se ouvia um disparo, algures no céu uma ave parava de voar e caía a pique sobre os campos. Aí, o cão mais próximo era forçado a localizar o animal para os donos e os visitantes, que o seguiam nos seus cavalos. Nunca um animal da Quinta da Confusão tinha sido recompensado de forma alguma por fazer esse serviço aos donos. Era por isso que os donos tinham tantos cães e cavalos: quantos mais tivessem, mais aves poderiam localizar e mais amigos do clube de caça poderiam trazer para as suas caçadas. Todos os animais tinham uma função na quinta definida pelos donos: os porcos e as vacas deviam engordar para depois serem vendidos a maiores preços; os cães deveriam encontrar a caça dos donos e os cavalos deveriam levá-los até lá. Todavia, mesmo os cães e cavalos eram substituídos depois de engordarem; quanto mais vezes repetissem esse processo mais os donos enriqueceriam. Por isso mesmo os animais se queriam libertar dos donos, estavam fartos de verem o seu destino decidido unicamente por eles. Sob a ameaça das pistolas, os donos obrigaram os 10 animais prisioneiros a subirem para a carrinha. Depois, entraram na cabina e conduziram o veículo até norte da Quinta da Confusão, onde estavam os 5 camiões e as 11 carrinhas de caixa fechada dos funcionários. Estes estavam lá parados por ordem dos donos, que lhes tinham garantido que iriam conseguir capturar animais. Cada camião dava para 25 animais, cada carrinha dava para 5 funcionários. Como 5 deles iam a conduzir os camiões, apenas 55 tinham que ir nas carrinhas. Os animais tiveram muito tempo para perceber isso, pois assim que a carrinha dos donos parou, estes tiraram-lhes as cordas e obrigaram-nos a entrar num dos camiões. Subiram a rampa lentamente, saboreando os últimos segundos que iriam passar naquela terra, pois tinham consciência de que poderiam nunca mais lá voltar. Por fim, a rampa ergueu-se e fechou a traseira do camião, com 10 animais melancólicos a bordo. Os donos nem se deram ao trabalho de

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Quinta da Confusão – O nascimento de um império observar a partida dos funcionários, pois assim que os 10 animais foram fechados no camião, partiram com a carrinha para a Quinta da Confusão, certos de terem reduzido o entusiasmo dos animais e de que iriam ganhar bom dinheiro com a venda dos animais no mercado (o dinheiro era entregue ao donos quanto estes fossem vendidos, ficando uma parte para o mercado e outra para a empresa que os apanhara). Mas enganavam-se, em relação à primeira ideia! Os 45 animais que ficaram na Quinta da Confusão tinham recuperado as suas armas, e assim que os donos desembarcaram cercaram-nos. Sob a ameaça dos arados, foram obrigados a desarmar as pistolas e a atirá-las para longe. Depois, tiveram que jurar que não fariam outra captura de animais, e que os deixariam prosseguir com os seus planos. Depois de tudo isto, os animais deixaram os donos regressar a casa. Terminava assim a I Guerra dos Animais, com a vitória dos próprios.

Batalha da Quinta da Confusão • • • • • •

Data: 16:20 – 16:40 do Dia 1 Local: Quinta da Confusão Resultado: Vitória dos animais; fim da I Guerra dos Animais Combatentes: Donos X Animais Forças: Donos – 60 funcionários; Animais – 55 animais Líderes: Donos – Afonso Gomes e Aníbal Gomes; Animais Nenhum • Baixas: Donos – 25 feridos, 60 desertores (todos); Animais – 10 capturados

Ilustração 2 - Mapa da Batalha da Quinta da Confusão. Verde – Quinta da Confusão; Amarelo – Rota dos funcionários; Vermelho – Rota dos animais; Roxo – Rota dos donos; Azul – Confrontos da batalha. 1º Confronto – À direita; 2º confronto – Ao

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3-A I Guerra dos Animais