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5 - Preparo de Superfície e Pintura O preparo de superfície constitui uma etapa importantíssima na execução da pintura, e está diretamente ligada ao seu bom desempenho. O preparo de superfície é realizado com dois objetivos principais: 1. Limpeza superficial: Trata-se da remoção da superfície de materiais que possam impedir o contato direto da tinta com o aço, tais como pós diversos, gorduras, óleos, combustíveis, graxas, ferrugem, carepa de laminação, resíduos de tintas, suor e outros. O nível requerido de limpeza superficial variará de acordo com as restrições operacionais existentes, do tempo e dos métodos disponíveis para a limpeza, do tipo de superfície presente e do sistema de pintura escolhido, uma vez que uma vez que as tintas possuem diferentes graus de aderência sobre as superfícies metálicas. 2. Ancoragem mecânica: O aumento da rugosidade superficial proporciona um aumento da superfície de contato entre o metal e a tinta, contribuindo, desse modo, para o aumento da aderência. O perfil de rugosidade especificado está ligado à espessura da camada seca. A carepa de laminação é um contaminante muito especial, cujo efeito danoso é muitas vezes ignorado, razão pela qual trataremos desse assunto com algum detalhe. 5.1 - A Carepa de Laminação O aquecimento do aço carbono a temperaturas situadas entre 575 oC e 1370 oC provoca a formação de uma camada de óxidos denominada carepa de laminação Esta película é formada por três camadas de óxidos sobrepostas: wustita (FeO), magnetita (Fe3O4) e hematita (Fe2O3). Placas, tarugos, blocos, chapas, vergalhões e Perfis são laminados em temperaturas próximas o de 1000 C. A carepa formada é uma película cinza-azulada, muito dura, aderente e lisa, que recobre completamente o aço, e cuja espessura média pode variar de 10 µm a 1000 µm. Este revestimento natural é, para muitos, sinal da existência de um ótimo revestimento de base para a pintura. Infelizmente esta é uma falsa idéia muito disseminada no meio técnico. Devido ao fato da carepa possuir coeficiente de dilatação diferente daquele do aço, ela acaba se trincando durante os ciclos naturais de aquecimento e resfriamento, permitindo a penetração de água, oxigênio e contaminantes variados. A presença de eletrólitos causa a formação de uma pilha, onde o aço é oxidado e a reação de redução do oxigênio acontece sobre a carepa. Depois de algum tempo de ataque, a ferrugem progride por baixo da carepa, expulsando-a da superfície do aço.

57 COLETÂNEA DO USO DO AÇO

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Volume 2 COLETÂNEA DO USO DO AÇO Fábio Domingos Pannoni, M.Sc., Ph.D. 2004 2ª Edição Colaboração: Carlos Gaspar - Revisão Andréa Vicentin -...

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