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revista revista

2010

MICAEL Recepção aos Pais Novos

2010

Reflexões sobre a Páscoa

“O Coelho da Páscoa” Pão de Páscoa

O 12º no Connect (2009)


À comunidade do Colégio Micael

edição: páscoa 2010

É com grande alegria que apresentamos a você este novo número da revista Micael, que a partir de agora passará a ser publicada em versão eletrônica e terá suas páginas impressas e afixadas nos murais da escola.

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A proposta é que a cada época (Páscoa, São João, Micael e Natal) tenhamos um conteúdo central novo. Nos meses intermediários, atualizaremos os assuntos de acordo com os acontecimentos da vida escolar.

O objetivo é estreitar ainda mais os laços entre todos aqueles que fazem parte da nossa comunidade – pais, professores, alunos e funcionários, trazendo informações interessantes sobre a pedagogia Waldorf e sobre os fatos que marcam o dia a dia do Colégio Micael. A Comissão de Comunicação deu início a esse projeto em 2009, ocasião em que foi pedido para os alunos do então 12º ano fazerem um relato a respeito da experiência de participar do Connect, evento que reúne estudantes do último ano Waldorf de diversas partes do mundo. Como a edição não foi finalizada antes do fim do ano, resolvemos publicar esse registro tão especial agora em 2010. Esperamos que gostem do resultado! Comissão de Comunicação do Colégio Micael

ÍNDICE Recepção aos Pais Novos 04 Reflexões sobre a Páscoa 06

“O Coelho da Páscoa” 09 Pão de Páscoa 10

O 12º no Connect (2009) 12


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Recepção aos Pais Novos Sobre Homens e Pães Uma escola genuína precisa ter o seu próprio projeto pedagógico. Precisa também dos ingredientes ideais para realizar sua missão. Deve dominar os tempos e quantidades..... Deve saber temperar e dosar o calor, além de manter viva a chama e a motivação de produzir sempre com amor... Mas de nada adianta se não houver a visão de fazer para servir a humanidade. Pois é este o grande diferencial que pode garantir uma superior qualidade final. Homens e pães, em muito se assemelham... Se mal tocados, crescem pouco, ficam duros... Se não regados, brotam secos e quebradiços... Se mal assados, chegam crus e indigestos... Entretanto, se bem atendidos, ficam saborosos e alimentam! O lugar vocês já escolheram, e são bem vindos! Mas devem responder com atitudes esta questão. Como é que vocês querem que saia daqui o seu pão? Victor Rebouças / Conselho de Pais do Colégio Waldorf Micael

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Bem-vindos à família Micael! Como acontece há alguns anos, o grupo colocou a mão na massa para produzir, com a ajuda de pais “veteranos” e da incansável Conceição, deliciosos pães caseiros. Enquanto a fornada assava no caramanchão, todos subiram para o Salão de Euritmia, onde os professores

Daniel (5º ano) e Adriana (Jardim), falaram um pouco sobre a pedagogia e as atividades das crianças no Jardim de Infância e no Ensino Fundamental. Após as palestras, as famílias saborearam juntas os pães quentinhos.

Que todas sejam muito bem-vindas ao Micael!

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Apesar da chuva forte, a Recepção aos Pais Novos de 2010, que aconteceu na manhã do dia 06 de março, foi bastante calorosa.

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“Reflexões sobre a Páscoa” Tal qual cada flor fenece E toda a juventude cede à idade, Floresce cada patamar da vida. Toda sabedoria e toda virtude Também florescem a seu tempo E não deve durar eternamente.

O Espírito Universal não nos quer prender e limitar: Quer erguer-nos degrau a degrau, quer nos ampliar.

O coração precisa estar, em cada patamar da vida, Predisposto à despedida e ao novo início

Mal nos habituamos a um ambiente, Sentindo-o familiar, ameaça o acomodar-nos.

Para, na coragem e sem pesar, Entregar-se a outras novas ligações.

Só quem esteja a ponto de partir e viajar Talvez escape do hábito paralisante.

E em todo o começo reside uma magia Que nos protege e nos ajuda a viver.

Talvez ainda a hora da morte Nos envie, jovens, a novos espaços.

Temos de transpor, dispostos, espaço a espaço, E a nenhum nos apegar como a uma pátria.

O apelo da vida a nós jamais há de findar. Vamos lá, meu coração: despede-te e convalesce. (Hermann Hesse)

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A Páscoa está chegando! Professora Gláucia Santos - 4º ano do Colégio Micael

As crianças adoram, contudo apenas receberão o alimento anímico necessário se houver um esforço da nossa parte em manter na consciência a realidade espiritual desses elementos. Conversar, refletir e relembrar são formas de fortalecer essas imagens dentro de nós. Quando encontrarmos panos roxos, poderemos estabelecer uma relação com a festa cristã que se aproxima (o roxo simboliza a paixão de Cristo). E se formos mais observadores, perceberemos que se trata de uma cor abundante na natureza nesta época do ano (reparem nas quaresmeiras que encontrarmos pelo caminho!). Galhos secos podem simbolizar uma árvore, aguardando pelo renascimento das flores (renascimento de Cristo). Casulos escondem borboletas que em breve “renascerão”. Realmente estamos numa época intensa de casulos e borboletas. A Natureza nos revelando uma vivência concreta de morte e

renascimento. A semente, por sua vez, parece estar morta. No entanto, na escuridão da terra, a partir dela, algo novo pode germinar. A semente é, ao mesmo tempo, o final de um processo e o início de um novo ciclo (o mesmo significado vale para o ovo de Páscoa). Para as crianças não explicamos todas essas questões, que são próprias dos adultos. Elas precisam curtir o momento, vivenciar e, inconscientemente, sentir o que vive na alma do adulto que a acompanha. Ainda podemos refletir sobre o significado da paixão e da ressurreição de Cristo para o homem. Quero, desta vez, levantar apenas um aspecto, bem simples. Todos nós passamos por momentos muito difíceis na vida. Não necessariamente de morte física, mas momentos em que precisamos deixar algo morrer dentro de nós para que o novo possa nascer. Momentos de transição, transformação, revolução. Muitas vezes precisamos nos despojar de coisas que antes eram tão importantes em nossas vidas, mas que nos impedem de seguir adiante. E quanto mais estamos apegados ao que já passou, mais difícil é transpor os obstáculos que a vida nos impõe. E, certamente, esses obstáculos nos levam a trilhar caminhos mais verdadeiros. Assim como as crianças procuram pelos ovinhos (e com que alegria elas fazem isso!), também nós, seres humanos adultos, estamos sempre à procura do correto caminho interior. A cada ano, a cada novo ciclo, deveríamos nos debruçar sobre o assunto, aprofundando ou mesmo reavivando esses outros significados.

Desejo a todos uma feliz e significativa Páscoa!

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Cantamos, brincamos, escondemos ovos, enfeitamos o ambiente, mas, na correia do dia-a-dia, muitas vezes nos esquecemos do que está por trás de tudo isso. Quem pôde observar as classes da nossa escola percebeu que, principalmente nos primeiros anos, alguns elementos especiais compõem o ambiente desta época: coelhinhos, ovos, galhos secos, sementes, panos roxos, casulos e borboletas. Tudo isso não é apenas para ornamento da sala. Na verdade são símbolos concretos, cujo significado deve viver internamente nos adultos.

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“O Coelho da Páscoa” Conto russo recontado por Christa Glass

Esse conto é trabalhado com as crianças do jardim na época de Páscoa. E, para preservar a beleza da época também em casa é sugerido que o coelhinho da Páscoa deixe em cada casa o verdadeiro ovo de Páscoa, de cor azul, só no domingo de Páscoa. Fica a sugestão: o coelhinho da Páscoa deixa em cada casa o verdadeiro ovo de Páscoa, de cor azul, só no domingo de Páscoa.

O mais velho pegou o ovo dourado e saiu correndo por campos e montes até chegar ao portão da escola, mas deu um salto tão grande e tão apressado que caiu de mau jeito quebrando o ovo. Esse não era o verdadeiro coelho de Páscoa. O segundo escolheu o ovo prateado e pôs-se a caminho. Ao passar pelos campos encontrou a raposa. Esta queria comer o ovo e pediu-o ao coelho. Ele não quis dar. A raposa prometeu-lhe então uma moeda de ouro, conseguindo assim que o coelho a seguisse até a sua toca. Chegando lá, a raposa escondeu o ovo e, com cara feia, mostrou os dentes como se quisesse comer o assustado coelhinho que saiu correndo o mais que pôde. Esse também não era o coelho de Páscoa. O terceiro escolheu o ovo vermelho e pôs-se a caminho. Ao atravessar o campo encontrou com outro coelho e pensou: “ainda tenho muito tempo. Vou lutar um pouco com ele”. Os dois coelhos lutaram e rolaram tanto pelo

chão que amassaram o ovo. Também esse não era o verdadeiro coelho de Páscoa. O quarto pegou o ovo verde e pôs-se a caminho. Quando passava pela floresta ouviu o chamado da pega que, pousada no galho de uma árvore, gritava: “cuidado! A raposa vem vindo!”. O coelho assustado olhou à sua volta procurando um lugar para esconder o ovo. “Dá-me o ovo que eu o esconderei em meu ninho”, disse a pega. O coelho deu-lhe o ovo mas, percebendo que não havia raposa alguma quis o ovo de volta. A pega respondeu maldosamente: “o ovo está muito bem guardado no meu ninho. Vem buscá-lo se quiseres”. Esse também não era o verdadeiro coelho de Páscoa. O próximo escolheu o ovo cinzento. Quando ia andando pelo caminho chegou a um riacho. Ao passar pela ponte viu-se espelhado nas águas. Ficou tão encantado com sua própria imagem que se descuidou do ovo indo esse se espatifar numa pedra. Esse também não era o coelho de Páscoa. O outro coelhinho escolheu o ovo de chocolate e pôs-se a caminho. Encontrou-se com o esquilo que lhe pediu para dar uma lambida no ovo. “Mas esse ovo é para as crianças”, disse o coelhinho. O esquilo insistiu tanto que o coelho deixou que ele desse uma lambida no ovo. O esquilo achou-o tão gostoso que o coelhinho resolveu dar também uma lambidinha. Lambida vai, lambida vem, os dois acabaram comendo ovo. Esse também não era o coelho de Páscoa. Chegou então a vez do mais jovem. Ele escolheu o ovo azul. Quando passou pelo campo, veio-lhe ao encontro a raposa, mas o coelho não entrou na conversa dela e continuou seu caminho. Mais adiante encontrou o outro coelhinho que queria lutar com ele, mas ele não parou. Continuou caminhando até chegar à floresta. Ouviu os gritos da pega: “cuidado! A raposa vem vindo!”. O coelho não se deixou enganar e seguiu seu caminho. Chegou então ao riacho e cuidadosamente atravessou a ponte sem olhar para sua imagem refletida na água. Encontrou-se mais adiante com o esquilo mas não lhe permitiu lamber o ovo, pois este era para as crianças. Chegou assim até o portão da escola. Deu um salto nem curto nem longo demais, chegando ao outro lado sem danificar o ovo. Procurou um esconderijo adequado no jardim da escola onde guardou cuidadosamente o ovo.

Esse era o verdadeiro “coelho de Páscoa”! 1Ave

que vive na Europa e que leva objetos cintilantes para seu ninho.

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Era uma vez um pai coelho de Páscoa e uma mãe coelha de Páscoa que tinham sete filhos. Ao aproximar-se a época da Páscoa, eles resolveram testar os coelhinhos para ver qual deles era o verdadeiro “coelho de Páscoa”. A mãe pegou uma cesta com sete ovos e pediu para que cada filho escolhesse um para esconder.

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Receita: Pão de Páscoa Pão bem feito se faz com bons ingredientes, com paciência e com muitas mãos. No mínimo quatro mãos... E esse pão bem feito, a quatro, seis, oito ou dez mãos é o pão que nutre o corpo e a alma. Ingredientes: • • • • • • • • • •

30g de fermento biológico fresco (ou 10g de fermento biológico seco) 3 colheres (sopa) de açúcar demerara 200 ml de água morna Farinha de trigo branca (até dar ponto, ± 500g) 1 e 1/2 xícara de farinha de trigo integral 1/2 xícara de farelo de trigo 1 colherinha (de chá) de sal 1 ovo 100 ml óleo de girassol Sementinhas, frutas secas e temperos a escolher. (Sugestões: uva passa, castanha de caju, sementes de girassol, sementes de linhaça, gergelim, erva doce, kümmel, aveia em flocos ou outros)

Preparo: Esfarele o fermento biológico numa tigela, acrescente o açúcar e misture até o fermento derreter. Acrescente a água morna, misture bem. Depois coloque um pouco da farinha branca até virar uma pasta mole (ou até virar meleca como dizem as crianças). Deixe a massa descansar coberta com um pano até crescer bastante e ficar bem aerada. Acrescente na massa o óleo, o ovo inteiro, o farelo de trigo, a farinha de trigo integral e o sal. Misture tudo e acrescente as sementes, grãos, frutas, etc. Depois vá acrescentando a farinha de trigo branca e misturando com a colher até soltar a massa da tigela. Coloque um pouquinho de farinha de trigo na mesa e amasse bastante com as mãos, abrindo e fechando a massa várias vezes. Por último modele o pão: faça um rolo corte-o ao meio na longitudinal e trance as duas partes. Ao final, junte as pontas, fechando uma rosca bem bonita e coloque pra assar no forno médio pra baixo (180°C a 200°C).

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A idéia de fazer uma rosca na Páscoa é remeter a toda a simbologia de ciclo, de continuidade, de renascimento que a Páscoa traz. O crescimento do pão e a forma do círculo são uma forma de ilustrar que o fim traz um novo começo.


Envolvendo as crianças Existem maneiras bem simples e gostosas de deixar os preparativos para a Páscoa lúdicos e divertidos. O importante é envolver as crianças e fazer com elas atividades que marquem aquele momento como algo especial, que fará parte de suas memórias de infância. A professora Mônica Stefanski, que dá aula de Trabalhos Manuais e de Alemão no colégio, ensina algumas dicas:

1) Ovos tingidos com uma só cor Cozinhe ovos brancos numa caneca com água e um punhado generoso de casca de cebola comum ou roxa. Os ovos ficarão lindamente tingidos de ocre ou de amarelo.

2) Ovos tingidos com a técnica de “batik” Cozinhe ovos brancos como de costume. Em outra panela, prepare o tingimento fervendo água com casca de cebola roxa. Quando os ovos esfriarem, faça desenhos neles usando um palitinho e parafina derretida (pode ser cera de uma vela acesa, por exemplo). Mergulhe os ovos na água do tingimento, que deve estar morna. Raspe a cera com cuidado: como num passe de mágica, o desenho feito com a cera se destacará no meio da cor.

3) Ovos pintados com suco de limão Cozinhe ovos brancos com várias cascas de cebola roxa. Quando esfriarem, pinte o que quiser usando um palito embebido em suco de limão. Um lindo desenho branco surgirá!

Por que o ovo é um dos símbolos da Páscoa?*

Os europeus tinham por tradição saudar o início da primavera, que é a renovação da natureza, cozinhando e colorindo ovos. Podemos ver o ovo como um símbolo da Criação, que fecha numa forma geométrica perfeita o mistério da vida eterna: a casca, como o céu que nos recobre; dentro, envolto num manto branco, o ouro que guarda e nutre a vida; e, dentro deste, o mistério dos mistérios, o embrião, isto é, a própria vida. * Informações extraídas de um estudo realizado pela professora Mônica Stefanski, que em 2003 participou de uma exposição sobre tradições de Páscoa, realizada no Shopping Parque D. Pedro, em Campinas.

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O ovo assume em várias culturas o significado da vida, da renovação. Na Índia antiga, por exemplo, havia o mito de que o ovo dourado e brilhante formaria o céu e a terra.

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TARITA SOUZA (professora de música do Micael, fez a direção musical da peça Orfeu da Conceição e acompanhou os alunos durante o Connect.)

Em que tipo de mundo você gostaria de viver? Esta pergunta moveu 550 jovens de 16 países diferentes a Dornach, na Suíça, entre os dias 19 e 24 de abril de 2009, para uma conferência mundial, o Connect, que reúne alunos de 12º anos de diversas escolas Waldorf para apresentarem seus trabalhos anuais, trocarem experiências e abrirem seus corações para o mundo. Um espaço criado para permitir que o jovem desenvolva a sua criatividade e seu potencial. E como que é o Connect? Uma conferência que promove wokshops, palestras, espetáculos, momentos de encontros, de introspecção e de expansão. Foram oferecidos 143 workshops pela manhã, com temas variados. Iam desde “o que é o dinheiro” à “ culinária tcheca”. Certamente, cada um pode ir de encontro aos seus interesses e suas vontades. Durante a tarde, havia 44 grupos de discussões que instigavam a troca de pensamento. Por que existe o Connect? Para que através do encontro e do interesse pelo outro possa nascer a força para atuar no mundo com consciência e, assim, transformá-lo. O que fomos fazer lá? Nos conectar a este movimeto Waldorf mundial e contribuir com a nossa peça de teatro, Orfeu da Conceição. Representar a nossa escola e o nosso país em uma conferência mundial é uma honra e uma felicidade sem fim. Nossa apresentação foi um sucesso em todos os âmbitos e dimensões. Não só pelo prazer de realizar tão grande tarefa com perfeição, mas também pelo carinho e gratidão com que fomos recebidos. Com toda a nossa vontade e o nosso amor, fizemos o Goetheanum vibrar ao som do samba. O coração brasileiro na Suíça!

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Essa emoção não tem preço e ficará para sempre em nossas almas. Volto agora à pergunta: em que tipo de mundo você gostaria de viver? Certamente você já se fez esta pergunta. Mas você já teve a oportunidade de ouvir a opinião dos outros? Já teve a generosidade e a coragem de mudar a sua própria opinião? De não julgar a diferença e sim ir de coração aberto em direção a ela? Não há no Goetheanum uma só janela igual! Tudo se transforma. Ser jovem é ter sempre a coragem e a força de mudar. Ter sempre o espírito jovem é o começo para mudarmos a nós mesmos e o mundo. Para nós, ficou a certeza de que fazemos parte do TODO, que cada um de nós é importante, faz, SIM, a diferença, e de que podemos contribuir de maneira consciente para o mundo em que vivemos. Conecte-se com a sua família, com a sua comunidade, com o seu país, com o mundo e, dessa forma, você estará conectado com as forças maiores que regem o universo! Connect, eu faço parte!

“Apresentar o teatro realmente acabou sendo uma experiência muito rica, como de certa forma já era previsto. Apesar de a plateia não entender a nossa língua, foi muito emocionante, pois sentimos que eles vibraram com a nossa performance, principalmente na cena do Inferno, quando jogamos os confetes.” Ruth Lira

“Ao meu ver, as horas em que ficamos juntos, a sala inteira, eram as melhores. O que eu carrego dessa viagem é esse contato maior com o grupo, essa maior interação com todos, essa convivência que, com certeza, deixa saudade.” Iara Belton

“A apresentação do teatro foi muito boa, tanto da nossa parte, como da parte da plateia, que amou, realmente amou. Foram os melhores aplausos que já ouvi. Foram aplausos de verdade! Ouvindo aquilo finalmente senti que concluía o projeto do teatro, aqueles aplausos fecharam o ciclo teatral.” Marcela Balieiro

“Quando entrei no Goetheanum, senti uma energia muito forte, algo que eu nunca tinha sentido antes. Foi um sentimento estranho, mas especial. Conheci pessoas que guardarei para sempre comigo.” Rafaela Mendes Barbosa

Impressões e lembranças dos alunos

Connect - 2009


Em 2009, o 12º ano levou a peça “Orfeu da Conceição” para o Connect, na Suíça, e fez a plateia vibrar

Acompanhe a seguir o diário de bordo da turma

nos levou até os Alpes. Foi tamanha a nossa felicidade ao ver e tocar na neve que começamos a fazer guerra de bolas de neve. Depois de muito brincar, fomos embora e ficamos na escola. 4º dia O dia da despedida de Basel. Fomos logo de manhã para Dornach. Chegando lá, conhecemos nosso dormitório, o Bunker, apertado e frio, com várias pessoas de outros países já instaladas. Próxima etapa: conhecer finalmente nosso tão almejado Goetheanum. Como um quadro, é um espaço para exposições, apresentações dos projetos de classe e outras realizações artísticas. O dia todo foi de conhecer o espaço e as pessoas. Jantamos e ficamos para o Night Café, que acontecia todo dia a partir das dez da noite. No evento, bandas se apresentavam, as fotos do dia eram mostradas e havia comida para comprar. Mais uma chance de conhecer pessoas e conversar. Era o espaço para se divertir e relaxar. Depois voltamos para o Bunker.

“Em uma aula de tutoria do 11º ano, Isabela Ximenes chegou na classe com a ideia de irmos para o Connect. Ficamos muito animados com a possibilidade de viajar para a Suíça, conhecer pessoas, interagir com o mundo e lidar com outras cultura. Só que resolvemos não apenas ir ao Connect, mas apresentar a nossa peça, Orfeu da Conceição, no palco do Goetheanum, o imenso edifício Waldorf, idealizado pelo próprio Rudolf Steiner, onde acontece o grande encontro dos alunos dos 12º anos de diversas escolas do mundo. Com essa decisão, nosso teatro foi antecipado em um mês, o que nos acarretou mais trabalho e persistência. Além disso, precisávamos arrecadar dinheiro para a viagem, pois nem todos os alunos podiam pagar. Mas no final tudo deu certo. No dia 14 de abril pegamos o avião com destino a Basel, Suíça. 1º dia Ao sairmos do aeroporto de Basel, sentimos um grande impacto de temperatura. Chegamos na escola em que iríamos nos hospedar por quatro dias, a Steiner Schula, uma escola grande e bem

Waldorf. Fomos recepcionados por dois estudantes, que também eram ajudantes do Connect. Depois andamos um pouco para conhecer a cidade: muito limpa, bem arrumada e vazia, se for comparar com a bagunça que é São Paulo. Voltamos para a escola e fomos dormir. 2º dia Algumas pessoas ficaram passeando pela cidade e outras foram visitar a Alemanha. Foi o dia de tirar fotos e de observar como tudo funciona ali. Aprendemos algumas palavras básicas em alemão e tentamos nos virar. Na volta para a escola, ensaiamos a peça e fomos dormir. 3º dia Acordamos, colocamos nossos mais quentes casacos, meias, luvas, calças e fomos de trem para os Alpes. A viagem foi muito tranquila, a paisagem tradicional da Suíça nos ajudou a não desgrudar os olhos e as câmeras fotográficas da janela. Chegando a um certo ponto, precisamos parar para pegar uma barca que nos levaria até uma outra cidadezinha. Mesmo com o vento gelado batendo em nossos rostos, nos sentimos muito animados vendo os Alpes ficarem cada vez mais perto. Chegando à cidadezinha, pegamos um trem que finalmente

5º dia O dia mais esperado de todos! Logo depois do café da manhã fomos para o teatro do Goetheanum nos preparar para a apresentação. Ensaiamos apenas uma vez com as luzes, vendo as entradas e saídas de cena. Como o teatro de lá é enorme, foi um pouco difícil nos situar. Com o cenário pronto, os figurinos vestidos e as maquiagens feitas, ficamos esperando a imensa plateia chegar. O nervosismo foi triplicado, pois apresentaríamos para cerca de 500 pessoas. Depois do terceiro sinal, entramos com a maior energia possível e fizemos uma apresentação espetacular. Muitos disseram que foi a melhor que já tinham visto. Para nós também foi a melhor apresentação! Conclusão: Ir ao Connect não foi apenas uma viagem com muita diversão e troca de idéias. Foi também a conquista de muito aprendizado e amadurecimento. A classe está mais unida, mais bem preparada para tudo. Se conseguimos viajar para a Suíça, também podemos conquistar muitos outros sonhos. A cada passo dado, a cada sorriso no rosto, a cada suspiro de satisfação, um novo caminho que se abre, cheio de novas esperanças e realizações.”

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ORGANIZADO PELA ALUNA CECÍLIA ROMAGNOLI GROPPO

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