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NOVIDADES DA

VEM POR AÍ

A HISTÓRIA DA FEITICEIRA O QUE É REALIDADE? CRONOLOGIA DE ETÉRNIA

O FILHO ADOTIVO DE HE-MAN

SAIBA TUDO SOBRE ESTE NOVO HERÓI QUE PROMETE REVOLUCIONAR A GÊNESIS DE ETÉRNIA.

E x p e d i e n t e

Sites relacionados:

Diretor Geral:

Victor Darmo

http://www.heman-brasil.com

Layout e diagramação:

http://www.heman.altervista.org

Victor Darmo Assistente de Arte e Diagramação: Jansen Miani Colaboraram com esta edição:

http://www.grayskullmuseum.com

Eddie Clamp - colunista Márcio Andrade - colunista Renato Garcia - colunista

He-Man e She-Ra

http://www.he-man.org Comunidades do Orkut relacionadas: Alessandra

He-Man & Mestres do Universo

Alesandra Horde Girl - pesquisa

Renato Garcia

MOTU Magazine é uma revista virtual sem fins lucrativos, criada por fãs de He-man e os Mestres do Universo, com a missão de manter acesa a paixão pela marca MOTU entre os fás.Todos os personagens citados neste material pertencem à Mattel e tem seus direitos preservados, sendo as ilustrações da MOTU Magazine utilizadas apenas para efeito de resenha. Email adamaster@uol.com.br - msn: thundercroy@msn.com

MOTU 1

Inaugurar esta edição da Motu Magazine foi a concretização de um sonho ousado. Foram meses de espera até que a idéia tomasse forma e conteúdo, principalmente com o apoio de parceiros que se filiaram à mais um projeto MOTU e, sem a menor cerimônia, já chamavam a revista de”nossa”. Mas podíamos ser em muito mais. Grupos de discussão, fan-fictions, fóruns e comunidades só poderão ir pra frente na medida que as pessoas se engajarem. O que mais acontece nos dias de hoje é uma grande multidão de pessoas usufruindo destes meios para extravasar sua rotina com grandes bolsos de tempo vago. E uma minoria de pessoas dedicada a alimentar estes mesmos meios, com atualização de conteúdo, novos tópicos, arquivos e toda sorte de entretenimento para o deleite coletivo. Esta revista vem como um novo convite, para que os fãs de He-Man e os Mestres do Universo não se deixem abater pelo comodismo dos posts casuais. Nossa paixão é um hábito saudável, que agrega centenas de pessoas em diversas cidades do Brasil e do mundo. Não estamos jogando jogo de azar. Não estamos usando drogas ilícitas. Não estamos cometendo crimes virtuais. Nem tampouco divulgando em mídia aberta filosofias levianas. Não. Estamos nos divertindo ao extravasar a criança que vive dentro de nós, aquela que faz de nós homens mais felizes, expontâneos. Acima de tudo, estamos falando não só de um personagem de desenho, mas de um arquétipo (como veremos nas matérias que seguem) de ser humano a ser seguido. Portanto, falar, exaltar, viver e recordar este belíssimo clássico da saudosa década de 80 não deixa de ser uma maneira de reverberarmos a mensagem da caridade, do respeito e moral à sociedade, noções de cidadania que impregnavam o desenho e que andam tão em falta nos dias atuais. Seja bem-vindo a mais um audacioso projeto dos fãs de He-Man e She-Ra. E que o resultado dessa

Victor Darmo

MOTU 2

Herói é todo aquele que soube botar pra fora o melhor de si mesmo

Agradecimentos: Eddie Clamp Márcio Andrade Renato Garcia Jansen Mianni Jannine Bastos

Filosofia por Victor Darmo

É REALIDA DE O que é

Talvez a personagem que mais instigasse meu chamado dramatúrgico fosse o drama vivido por Adora.

Em todo o universo Motu, nada é tão intenso, complexo e radical como sua vida. A começar pela sua própria existência. Há quem diga que She-Ra é MOTU. Há quem jure que não. Pois ela é um braço, um membro que saiu de Motu, como uma Xerox sai da máquina, mas a partir daquele momento, a cópia é um objeto e a orginal é outro. O mundo de She-Ra é similar ao mundo de He-Man, muito na forma, muito no conteúdo. Mas defendo, é distinta quanto a intensidade e profundidade da trama. Em Adora, temos uma casuística digna de tese universitária. Não é à toa que até uma professora certa vez me procurou, em

busca de mais informações sobre os debates que destrinchávamos na comu-nidade do Orkut sobre nossos heróis. Ela queria levar este pano de fundo da trama, a meu ver a parte mais rica, para a sala de aula, para interpretação e releitura de seus alunos. Adora é o verdadeiro mito do “chamado”. O mesmo que Adam teve. A diferença entre ela e o irmão está não no ponto de chegada, mas no de partida. Enquanto Adam sai do ócio para o campo de batalha (inércia para ação), Adora sai de uma batalha e passa para outra (conversão). A mudança de lado de Adora é decisiva para todo o desenrolar da trama. Tamanha a importância dada pelos produtores Loul

MOTU 3

Shelmer e roteiristas, que a narrativa é dividida em 5 episódios seqüenciais, e apresentados em diversos países em edição de longa metragem para o cinema. A conversão de Adora só acontece quando sua percepção de realidade é afetada por um ruído. Então nos deparamos com uma questão filosófica. Ciência, filosofia e religião ainda não chegaram a um consenso sobre o que é realidade, talvez nunca cheguem. A grande questão que envolve as separações das idéias é: a realidade é o mundo que nos cerca ou o mundo que percebemos?

H

A

ORDA:

ARQUÉTIPO DOS PRINCIPAIS IMPÉRIOS DA HISTÓRIA Em “O Segredo da Espada Mágica” parte I e II, a história de Adora é revelada. O Reino de Etérnia é invadido por forças estranhas, vindas de uma galáxia desconhecida. Rei Randor e seu exército travam uma batalha cruenta contra os invasores comandados pelo tirado Hordak e seu aprendiz, Esqueleto. A derrota para Etérnia tinha tudo para ser fatal. Os exércitos de Mentor não faziam frente a o império devastador, cuja experiência em dominar e sujeitar nações era a principal forma de expansão de seu território universal. A Horda é apresentada como uma Roma, que em dado momento tinha quase dois terços de todo território socialmente organizado da antiguidade. Ou como o regime do antigo império egípcio, cujos domínios a medida que se expandiam, engoliam as culturas dos povos subjulgados

e os transformavam em mão-deobra barata através de permutas desiguais, ou simplesmente impunham a escravidão. A guerra seria fatal para Etérnia se o Rei Randor não contasse com o poder da Feiticeira, ao seu lado, e se assim o destino não quisesse. Em episódios futuros, entendemos que Grayskull e sua Feiticeira existiam exatamente para um momento como aquele. Mas para Etérnia ganhar a guerra, haveria um efeito colateral. Rainha Marlena tinha acabado de dar à luz a gêmeos. Antes de bater em retirada, Hordak pressente que os bebês eram predestinados a algo especial e decide raptá-las. Essa é a fala da Feiticeieira a respeito do rapto. Prefiro acreditar que é mais uma atitude de vingança, próprio de pessoas egoístas e que não sabem lidar com a frustração. De roubo de crianças a realidade está cheia.

MOTU 4

A MALDADE TAMBÉM É MALEFICA ENTRE OS QUE PRATICAM Hordak e Esqueleto invadem o quarto real dos bebês, Hordak pega a pequena Adora e avança para Adam, quando Mentor entra no quarto e o impede. Hordak consegue escapar com a pequena nos braços, deixando seu aprendiz Esqueleto para trás. A falta de ética mesmo entres estarrece. Estudos entre grupos de criminosos apontam que qualquer grupo minimamente organizado, mesmo de criminosos, possui uma ética que delimita a sobrevivência dos egos. Se não por uma gota caridade, pelo menos pelas vantagens do presente ou futuras, os vilões costumam firmar acordos claros e inquebráveis no universo marginal em que vivem. Mas isso é assunto para outra matéria. Esqueleto se vinga de Hordak, entregando o esconderijo secreto da Horda em Etérnia: A Montanha da Serpente. Mentor e a Feiticeira vão até local e pela última vez, vêem a princesa. “Vocês podem ter nos derrotado, mas nunca mais verão está criança!”. E Hordak atravessa um portal dimensional. Temos aí também implícito o conceito de realidades alternativas; mundos diferentes que ocupam o mesmo espaço. O sumiço pelo portal faz referência à tese do multiverso, tema de diversos livros de ciência e ficção científica.

A FLORESTA DO SUSSURRO: NINHO DE ESPERANÇA POR UMA ETÉRIA LIVRE A Horda perdeu em Etérnia, mas ganhou em Etéria. Ao desenbocar neste mundo paralelo, encontraram um mundo paradisíaco, colorido e sem relatos de grandes guerras no passado. Seu único governo de peso era concatenado na figura da Rainha Ângela. Nem rei eles tinham. Parece-nos que todo sentimento de segurança aos seus habitantes estava vinculado à crença na magia. A Floresta do Sussurro era encantada, a Rainha Ângela tinha asas e poderes, sua filha Cintilante, conseguia se teleportar com o poder da mente. A Horda também tinha

muita magia, negra. E neste embate, a tecnologia fez a diferença. Rainha Ângela foi destituída, O Reino de Lua Clara virava púlpito do estandarte inimigo. Boa parte dos vilarejos se sujeitaram ao novo governo e as imposições de absurdos impostos, ao contrário de um grupo de resistentes. Os Rebeldes, como eram chamados, tinham como chefe Cintilante, a filha da Rainha deposta, e montaram sua base na Floresta do Sussurro, único lugar onde a Horda não conseguia penetrar, devido aos poderes místicos da Floresta.

A cena de “O Segredo da Espada Mágica parte II”. Após uma conversão, o primeiro grande feito de Adora como She-Ra foi libertar a Rainha Ângela e ajudar os rebeldes na retomada do Reino de Lua Clara. Na ilustração acima ,o castelo ainda sob o reinado da Horda. MOTU 5

GUETOS DE RESISTÊNCIA Concentração de rebeldes em locais estratégicos se multiplicam pela nossa história e talvez tenham servido de inspiração para o universo de She-Ra. Ao passarmos pela Roma do primeiro século, veremos uma sociedade dividida em três grupos.O poder romano, a autoridade judaica e a resistência cristã. Nesse tempo, os cristãos, em sua maioria ex-judeus convertidos, eram perseguidos tanto pelos judeus ortodoxos como pelo governo, que se incomodava com a guerra entre as facções religiosas. Por isso, os cristãos eram obrigados a se reunir em locais secretos como catacumbas, onde os apóstolos falavam sobre o Evagelho e distribuíam pã e vinho. Após este momento de formação às escondidas, os convertidos saíam em missão e é por isso que até hoje o culto dominical é chamado de missa. Em “Notre-Dame de Paris” , livro de autoria de Victor Hugo publicado em 1831, vemos a perseguição impiedosa da Igreja contra os ciganos. Antagonicamente, o sineiro da igreja, Quasimodo, é filho de cigano. O esconderijo sagrado dos ciganos é o Pátio dos Milagres, onde praticavam seus rituais e alimentava sua cultura. A história de Quasímodo, o sineiro de Notre Dame ficou mais conhecida na modernidade pela adaptação do livro para um longametragem da Disney, batizado de “O Corcunda de Notre Dome”. Ainda na literatura, temos Robin Hood, um herói fora-da-lei que roubava dos ricos para dar aos pobres, nos tempos do Rei Ricardo Coração de Leão. Era hábil no arco e flecha e vivia na floresta de Sherwood. Era ajudado por seus amigos "João Pequeno" e "Frei Tuck", entre outros moradores de Sherwood. Teria vivido no século XIII e ficou imortalizado como "Príncipe dos ladrões".

O mito da

Caverna

A

dora foi criada pelo tirano Hordak. No longa, nos é apre-sentada como uma belíssima guerreira, nos seus 20 anos, à frente de todo o exército real. É a capitã da Horda, a pupila de Hordak, agora muito mais poderoso, praticamente o Vice, de um império cujo o rosto jamais vimos em episódio algum. Adora é leal. E enquanto capitã, comanda de forma exímia, passando-nos a idéia de alguém que cresceu obcecada pelo perfeccionismo, a necessidade de jamais desapontar seu superior. A demanda de energia nestes casos de tamanha servidão só se é conhecido em casos clássicos de idealismo. Só dedicam a vida em treinamento, só vão para as concentrações, só arriscam a própria vida em batalha, quem acredita numa causa maior, que está acima de si mesmo. Adora é esta guerreira e idealista. Até uma pessoa aparecer. A Feiticeira pede a Adam que pegue aquela nova espada e entregue a alguém de um outro mundo. Mesmo sem maiores detalhes, o príncipe embarca na missão. Ao chegar em Etéria, Adam se alia aos Rebeldes numa luta contra a Horda, transforma-se em He-Mam e derrota quase todos os capangas da força inimiga, menos sua capitã. Frente a frente com Adora, HeMan vê a espada reagir à presença da guerreira. E na distração do momento, é golpeado pelas costas por um dos soldados da Horda. Adora

leva o guerreiro prisioneiro e pega a espada para si. Durante o tempo em que He-Man fica preso na Horda, Adora se sente atraída pelo universo do estranho. Ele lutava com a mesma bravura que ela. Queria conhecê-lo melhor. E mais que isso, saber por que aquela espada a atraía tanto. Ela vai à sua procura na prisão. “Eu sinto como se ela tivesse sido feita pra mim” - comenta ela com o refém. “Esta espada foi feita para alguém que serve às forças do bem. E você serve às forças do mal!” – exclamou He-Man, atirando assim a primeira pedra que faria ruim toda a zona de conforto de Adora. De início, ela rebate, diz que não serve ao mal, e sim aos governantes de Etérnia. He-Man questiona se ela conhecia de fato o cotidiano do povo. Neste momento, percebemos certo constrangimento na capitã, que passara a vida toda em treinamento, distante do povo. O diálogo acaba abruptamente, com o se retirar de Adora. Depois disso, Adora vai vasculhar o mundo fora da Zona do Medo, onde fora criada. Vê a sobrevida penosa de um grupo de escravos nas minas, um senhor sendo humilhado e a casa de uma família a ser incendiada pela Horda por falta de pagamento dos impostos. O choque diante de novas verdades dói. Ddesestrutura. Enlouquece.

MOTU 6

Ve m o s a í u m a c l a r a referência a Platão (427-347 A.C), em sua tese “Mito da Caverna”. Na metágora, Platão fala de dois mundos, um externo à caverna, formado e habitado por objetos reais, e um mundo dentro da caverna, onde o homem só consegue ver do mundo de fora as sombras projetadas no fundo da caverna. Estas sombras são interpretadas como formas reais. Mas na verdade, são imagens distorcidas. É no mundo dentro da caverna que habitam muitas vezes o senso comum, o preconceito e as tradições. Ao sair da caverna para a luz, o homem percebe que as sombras que via era uma verdade aparente” e conhece uma nova verdade, fruto da coragem de avançar ao conhecimento.

Cronologia por Victor Darmo

A Bíblia de Etérnia Até o surgimento da mais recente série do He-Man, mais conhecida como MOTU 200X, a mais completa narrativa da origem da trama se concentrava nas duas produções: O Segredo da Espada Mágica I e II. Com o aparecimento de um novo personagem na Segunda temporada de MOTU 200X, nosso entendimento da trama ampliou os horizontes.Ainda assim,estes dois epiósios continuam no coração dos fãs como uma preciosidade sem concorrente.Para quem não conhece a história, fica aqui uma referência.Para os fãs de carteirinha, nada melhor do que uma boa dose de nostalgia.Afinal, recordar também é viver.

SINOPSE A Feiticeira de Grayskull desperta após um sonho, em que recordava um rapto de uma criança. Ao acordar, se depara com uma espada exatamente igual a de He-Man, mas com uma pedra cravada ao centro. Adam é chamado até o Castelo. A Feiticeira lhe entrega a espada e pede que ele vá a um outro mundo entregar a espada para alguém com a missão igual a sua. O príncipe atravessa um portal dimensional e vai parar em Etéria, planeta subjulgado pela Horda. Se alia aos Rebeldes, grupo de camponeses e aliados da rainha Ângela, destronada e feita refém pela Horda. Ao saber da presença de um estranho em seus domínios, a Horda exige que o mesmo se entregue. Para pressionar a Rebelião, a Hoda envia Adora, sua captã da guarda e mais cinco dos seus principais capangas para a Vila de Taimor. Lá começam a aprisionar os moradores para levá-los escravos para as minas. Adam se transforma em He-Man, derrota os capangas da Horda e fica frente-a-frente com a capitã Adora. MOTU 7

Diante de Adora, He-Man saca a espada com o cristal. A espada revela no brilho do Cristal a imagem da captã, distrando o guerreiro. É quando um dos solfados da Horda golpeia He-Man pelas costas. Adora pega a espada para si e leva He-Man como prisioneiro para a Zona do Medo. A presença de He-Man e a posse da nova espada desperam em Adora sentimentos confusos e inquietação. Ela vai ao calabouço conversar com He-Man. O herói tenta convencê-la de que está ludando do lado errado. Adora se fazde inabalável, mas fica perturbada. E começa a averiguar a forma com que a Horda governa Etéria.Vê a casa de uma família ser destruída pelas chamas, como pena pelo não pagamento de impostos. Flagra um ancião sendo jogado num rio por soldados da Horda, após pedir um pouco dágua. Muito abatida, Adora vai a Hordak, chefe da Horda, e expõe sua indignação. Sombria, braço direito do tirano Hordak, reforça o feitiço que tem mantido Adora “cega” diante da realidade. A captã cai ao chão e, ao despertar, esquece tudo o que presenciara. O Raio Magna é a mais nova invenção da Horda, capaz de, num único disparo, desaparecer com a Floresta do Sussurro e todos os rebeldes com ela. A máquina se alimenta com a força de vontade das pessoas. Por isso, He-Man é levado para a Sala dos Despojos e prendido dentro do carregador do Raio Magna. Enquanto dorme, Adora é sacudida por imagens do guerreiro, a sofrer dentro do carregador. Ela levanta-se e vai até a Sala dos Despojos. Ao ver He-Man, ela se questiona se está fazendo a coisa certa. Nesse momento, a espada trazida por He-Man incandesce. Adora se aproxima da espada e vê em seu cristal o rosto de uma mulher serena, que lhe convida a ouvir o mais íntimo de seu coração. Quem fala na espada é, na verdade, a Feiticeira, que lhe faz uma decisiva revelação. Conta que Adora foi raptada de seus pais quando ainda era um bebê e que He-Man é seu irmão gêmeo. Ao ouvir a revelação, o painél do Raio Magna acusa carregamento total e He-Man cai por terra. Adora ergue a espada mágica e clama sua libertação: _”Pela honra de Grayskull, eu sou She-Ra!!!!” MOTU 8

MOTU 9

Roteiros & Projetos

Você não viu o final da história. Ela nunca se quer foi produzida.

Mas ela existe. E trazemos o roteiro do fim de He-Man pra você.

A luta entre o herói de Etérnia e Esqueleto, seu legado passado a frente para um jovem criado na

Floresta e muito mais,

na próxima página.

MOTU 10

O LEGADO CONTINUA: HE-RO, o filho de He-Man He-man criado em 1981, teria um legado inteiro ainda pela frente, devido ao seu estrondoso sucesso.Pensando nisso roteiros e idéias borbulhavam pela mente dos criadores de Heman, dando margem a continuidade de sua missão em proteger Etérnia, surgiria assim o desenho "He-Ro The Son Of He-Man and The Masters Of The Universe" que seria a continuação da série das aventuras de He-Man e seus amigos, mas infelizmente esse projeto nunca foi realizado. O roteiro é assinado pela Lou Scheimer Produções, mesmo produtor do primeiro desenho da Filmation. Contudo, o roteiro não saiu do papel, provavelmente devido ao fracasso do projeto anterior: As Novas Aventuras de He-Man.

go). A história fugiu muito da proposta original. He-Man é levado para o planeta Primus, Adam usa umas chucas no cabelo, quando se transforma diz “pelos poderes de Etérnia”, usava uma calça azul, a espada era totalmente diferente e as bizarrices em Primus e os outros Mestres terem ficado em Etérnia). É bem provável que a produtora deste novo desenho tenha pago a patente de uso apenas de Adam/HeMan. E talvez tenha sido a junção destes dois fatores: roteiro capenga e falta de ligação com o clássico que tenha fadado esta série ao glorioso fracasso, não saindo da primeira temporada de 65 episódios. Isso com certeza gerou um engessamento de novos investimentos televisivos sobre a Marca. O que só aconteceria em 2002, com o lançamento bem sucedido de MOTU

MEDO DO FRACASSO

Dizem que no começo dos anos 90, as produtoras queriam desenhos mais focados em comédias e não em violência. He-Man finalmente derrota Esqueleto, que é congelado vivo Talvez por este motivo "As Novas Aventuras de Heseguem. Se o intuito era 2000. Man" Segunda produção apelar para a comicidade, ‘ De acordo com os animada focada no Herói de ouve um erro absurdo no protótipos de He-Ro, enconEtérnia, tenha sido um tom. Personagens foram trado facilmente no site desenho mais cômico, onde literalmente usurpados da oficial dos criadores o Esqueleto não era sombra história (explicado pelo fato mesmo começaria com a do que foi no desenho antide He-Man estar morando última batalha entre He-Man

MOTU 11

e Esqueleto, e terminaria com He-Man derrotando o vilão, mas não o matando, e sim congelando com a sua Espada mágica os ossos de Esqueleto, literalmente! HeMan jogaria Esqueleto num lugar tipo o Alasca, então, o malvado ficaria lá pra sempre...Ou não! Os anos se passam e Adam não precisa mais lutar, apenas reinar como o Rei de Etérnia, ao lado de sua bela

Dare é um jovem aventureiro que foi criado na selva

Quando ergue sua espada, transforma-se em He-Ro mulher, Teela, que agora é a

Rainha, os outros personagens também retornam, menos é claro, o Rei Randor e a Rainha Malena. Enquanto isso, Esque-

leto consegue finalmente quebrar a barreira de gelo que He-Man fez com a sua Espada, e está pronto para a vingança! Esqueleto volta para Etérnia e reúne novamente seus fiéis escudeiros: o Homem-Fera, Malígna, Aquático, Mandíbula e parte para a batalha contra HeMan.

DARE E O LEGADO DE HE-MAN Enquanto isso, um garoto é salvo por Adam nas florestas de Grayskull, seu nome é Dare, e ele é órfão, sensibilizado pela estória do garoto, Adam e Teela resolvem adotar o menino, já que como todos se lembram, Teela é filha adotiva de Mentor, e filha legítima da Feiticeira de Grayskull. Sabendo que Adam adotou o menino, Esqueleto pretende colocar idéias malígnas na cabeça do antes órfão, ele diz que HeMan o derrotou e que o herói era o ditador de Etérnia e que ria acabar com o planeta, e que ele deve acabar com o reino do Rei Adam. Mas quando o menino vai tentar sabotar o Castelo Real, Adam o detém e conta toda a estória das magníficas batalhas de He-Man contra as forças do Mal de Esqueleto, e diz que ele era He-Man, e dá a Espada Mágica à Dare, passando assim os poderes à seu filho adotivo. Esqueleto então ataca o Castelo, Dare então ergue a Espada Mágica e se transforma em He-Ro, o filho de He-Man, e parte para a MOTU 12

batalha junto com o Gato Guerreiro, Kay-La, uma guerreira em defesa da liberdade e o Pássaro Guerreiro, a versão transformada da águia de estimação de Dare. Começa assim, a saga de He-Ro, o filho de HeMan!!! Sabemos hoje que o preço por não produzirem este novo desenho, foi simplesmente o fiasco de “As novas aventuras de He-man”. A idéia de introduzir um “He-ro” foi na minha opinião excelente e posso dizer que não seria de se descartar uma remodelagem dessa idéia nesta nova fase de remakes de desenhos antigos. Eu acrescentaria ainda mais. Colocaria sobre o personagem uma trama que colocasse em dúvida sua origem, quem seria então o órfão adotado pelo Rei Adam? E que segredos guardariam ele? Quem seriam seus pais verdadeiros?Com certeza daria realmente muitos e muitos episódios, vamos torcer para que um dia os produtores, repensem nessa idéia e tragam de volta o projeto interrompido!

Márcio

Andrade

Mitologia MOTU

De serpente a falcão: a trajetória da personagem mística guardiá dos segredos do Castelo de Grayskull, reveladas pra você. MOTU 13

A MUDANÇA A Feiticeira é criação exclusiva do projeto Filmation. Lou Scheimer, produtor do programa Masters of the Universe, ficou encarregado de criar um universo para a coleção de brinquedos da Mattel. Até então, os personagens ganhavam vida apenas nas mini comics que acompanhavam os brinquedos. Para desenvolver o universo de Etérnia, Scheimer lançou mão de adaptações, muito comum no “translado” de uma história para uma nova mídia. Das adaptações. todos os personagens da coleção de brinquedos deveriam estar lá, no desenho. Mas também poderiam aparecer novos personagens. Originalmente, a action figure que conhecemos como a Teela, era a Feiticeira. Na adaptação para o desenho, Teela tornou-se a capitã da guarda. E surgiu para o papel da guardiã de Grayskull, a mulher-falcão, que conhecemos.

Projeto apresentado numa feira em 1983, onde Lou Scheimer apresentou sua versão de Masters of the Universe aos patrocinadores. Nos mini gibis que acompanhavam os primeiros brinquedos, Teela , com vestimenta da serpente, era a feiticeira. A partir do projeto da Filmation, A Feiticeira passa a ter o visual “galinha maggi”, o mais conhecido de todas as suas customizaões e a versão mais popular entre os fãs MOTU.

No documento, vemos também o aparecimento de seu segundo nome, enquanto na forma de falcão: ZOAR.

MOTU 14

Arte captada do portal He-Man.org, feita por um fã. O desenho é inspirada na primeira versão da Feiticeira,chamada nas Mini Comics de Goddess uma guerreira com poderes mágicos, dentre eles, a capacidade de se transformar em naja.

MOTU 15

FEITICEIRA DO EGITO Com o lançamento do desenho e seu estrondoso sucesso, a personagem da mulher serpente caiu no esquecimento. As crianças comprariam afoitamente o brinquedo da mulher com roupa de cobra,vendo nela a capitã da Guarda Real, Teela que, no desenho, não usava nem o colete em formato de cobra nem o cajado. Goddess nunca mais apareceria em adaptação alguma do desenho. Contudo, a mística do personagem e o visual serviriam como referência para a criação da Feiticeira e sua filha Teela, na nova versão MOTU 200X. No novo desenho, a Feiticeira reaparece com um cajado (agora não trabalhada com a cabeça de serpente e sim de um falcão) e volta a ser tão misteriosa quando a sua primeira versão. Teela volta com o cajado em formato de serpente. E na Segunda temporada da série, chega a viver uma situação que nos remete à lenda de Goddess. Teela é enfeitiçada pelos homens serpente e vira uma mulherserpente,ficando com a pele tomada de escamas e esverdeada. Para os que acham que esta nova produção MOTU veio com doses cavalares de inovação, fatos como este só reforçam a afirmação inicial dos produtores: que MOTU200X nada mais é que uma releitura, um hibridismo de tudo o que já se havia produzido sobre o universo de He-Man anteriormente.

Versão da nova Feiticeira. Seu visual escrachadamente egípcio causou estranhamento nos fãs. Dentre as revoluções na personagem, estão também a liberdade das asas, sua cor de pele morena e seu maior distanciamento dos Mestres do Universo.

GODDESS AF 1982 Mulher-Serpente que, segundo as mini comics, teria entregue ao nosso herói o peitoral, a espada e o escudo do Poder.

FEITICEIRA MOTU 1983 Versão mais popular, muito sábia, doce e serena. É amiga de todos os Mestres do Universo.

MOTU 16

FEITICEIRA MOTU 200X Sua versão egípcia causou estranhamento dos fãs.

FEITICEIRA TEELA especulação da forma da futura herdeira do sacerdócio de Grayskull.

Mini Comic de 1981 Na história, He-Man é um guerreiro de uma tribo, muito parecida com os clãs dos homens pré-históricos. Etérnia é apresentada como uma terra mágica, onde a pré-história precária e cheia de monstros coabita com a tecnologia e o poder transcendente dos ancestrais. Godess, a mulher-serpente, entrega ao bravo guerreiro, armaduras para ajudá-lo em sua luta contra o mau. Note para a existência de Teela. Goddess e Teella são parecidas, pois Teela é apresentada como um clone da feiticeira, feita por Esqueleto. Deste modo, a Mattel fabricara uma única boneca que representava tanto a Goddess como a Teela.

MOTU 17

Action Figure

Stinkor

Para ler essa mat茅ria tem que ter f么lego

MOTU 18

Dentre os diversos personagens de quadrinhos e desenhos animados que habitam nossa cultura ao longo dos anos, hoje venho falar sobre um em particular que marcou minha existência pela sua obscuridade e uma bizarra história de concepção.Pouquíssimas pessoas o conhecem e, para eu mencioná-lo, sou obrigado a voltar 20 anos no tempo. Precisamente na época em que, pela primeira vez, tive a inocência infantil bombardeada pela diabólica praga capitalista conhecida como "desejo consumista por franquia na moda". No caso, me refiro a clássica série He-Man e os Mestres do Universo e sua ardilosa campanha de marketing. . Na realidade essa história se passou com um amigo, que ainda hoje coleciona os bonecos da série, assiduamente como eu e vale a pena contá-la. Pois bem, quando a clássica série assinada pela extinta Filmation começou a pipocar nas telas da Rede Globo (precisamente no programa "Balão Mágico", e mais tarde no famigerado "Xou da Xuxa"), iniciou-se entre a pirralhada uma corrida em busca da ostentação de "primeiros possuidores de action-figures Masters of the Universe". Como eu estava fascinado pela série, e meu amigo também, não havia o por quê de se estar de fora da bocada. Mas havia um porém: até então, era muito difícil de se encontrar os bonequinhos do He-Man, pois estávamos no finalzinho do governo Figueiredo, onde as importações de produtos para revenda eram proibidos e, é óbvio, não havia Internet, muito menos nosso querido EBAY para tomarmos

conhecimento de notícias frívolas, como as de que a fábrica de brinquedos Estrela estaria fechando um contrato com a Mattel para a produção de bonecos "Made in Brazil". Sendo assim, o que fazer? Por acaso, nessa época o pai do meu amigo trabalhava como corretor na Bolsa de Valores do RJ e possuia clientes que eventualmente viajavam pra os EUA. Ele aproveitou uma dessas ocasiões para encher o saco e "encomendar" um bonequinho do He-Man. Mas ao invés do cara lhe trazer o protagonista da série, ele lhe trouxe esse sujeito aqui:

Na embalagem estava escrito: Stinkor - the evil master of odors. Em uma breve descrição do personagem, trata-se de um dos diversos asseclas do Esqueleto, possuidor do "poder" de sufocar seus inimigos com um fedor indescritível. Como clichê é o que há, notem que a Mattel optou por apresentar Stinkor com características físicas semelhantes as de MOTU 19

um gambá. No início ele ficou decepcionado por 3 motivos. Primeiro (e mais óbvio): não era o HeMan. Segundo: Stinkor é, como tantos outros personagens na franquia da Mattel, um boneco descaradamente "reciclado". Basicamente reutilizaram o molde do boneco do Aquático em plástico preto, mesclado com a armadura (também devidamente recolorizada) de outro personagem, o Mekaneck. Voilá :)

E terceiro: é um personagem que nunca deu as caras na clássica série em desenho animado. Mas mesmo com todos estes poréns e consequentes novos bonecos que fui adquirindo, Stinkor não deixava de ser um bastardo simpático. E com o tempo, ele passou a sentir um certo orgulho de ter um action-figure tão obsuro em sua coleção. Mas ainda não se conformava. Por quê diabos Stinkor foi esquecido pela produtora de animação Filmation? Bem, o nosso amigo gambá surgiu na leva de bonecos de 1985, que estavam planejados para "atuar" na segunda temporada da série animada Masters of the Universe. Muitos dos personagens dessa (até então) nova remessa deram as caras no cartoon: Ciclone, Homem-Musgo, Spikor, Mal-em-dobro, etc.

Stinkor foi o único que levou uma porta na cara. Mas até que chega a ser compreensível a sua não-transição de brinquedo para o acetato. Seu "poder odorífero" era de certo modo difícil de se trabalhar em uma "storyline", e isso se demonstrava logo na capa do gibi que vinha de brinde com o bonequinho.

Robert Lamb, um dos roteiristas da antiga série, conta como a Filmation não simpatizou muito com o personagem. Em suas palavras: “_Eu me lembro de Stinkor. Eu fazia parte do time de escritores quando o produtor Arthur Nadel e equipe viajaram para a central da Mattel, localizada em Hawthorne, California. A linha de brinquedos da She-Ra nos foi apresentada por designers femininas, que demonstravam como as capas das bonecas poderiam ser convertidas em saias. Era algo como "Barbie no universo do Conan". Em seguida tivemos o primeiro contato com os personagens da "Horda". Designers masculinos nos apresentaram os personagens com grande entusiasmo, explicando cada atributo sórdido que os vilões possuiam. O único obstáculo surgiu no momento em que Stinkor foi mencionado. Arthur imediatamente vetou um personagem que era basicamente uma "piada de peidos"

ambulante. Do que eu me lembre, apenas dois personagens gambás foram utilizados em cartoons: ‘Pepe Le Pew’, e "Flor", do desenho ‘Bambi’. Larry e eu devaneávamos com diversas situações hilárias envolvendo Stinkor, Hordak e She-Ra. Coisas como: -Stinkor entra no salão e Hordak transforma um de seus braços em um fósforo gigante; -Stinkor denuncia a posição de emboscada da Horda devido ao seu fedor; -Stinkor lança uma nuvem de gás contra os rebeldes e SheRa transforma sua espada em um enorme ventilador, devolvendo a nuvem para a Horda, fazendo-a recuar. E outras coisas do gênero. Havia uma personagem na She-Ra chamada "Perfuma". Ela e Stinkor poderiam ter feito uma combinação de fragrâncias. Imaginávamos uma liçãozinha de moral no final dos episódios sobre poluição do ar, ou os efeitos de diferentes alimentos, como feijão, na digestão". Voltando às descrições de Stinkor como um Action Figure, quase esqueci de mencionar um detalhe: O mal-cheiro de Stinkor não se limitava apenas a concepções vetadas de roteiros. O boneco REALMENTE exalava um odor esquisito. Não fedia exatamente, como a própria embalagem apregoava, mas era um cheiro bem peculiar. E há ainda uma historinha tosca por trás disso. Motu Magazine também é cultura!

MOTU 20

BONECO DE FEDE Os bonecos do Stinkor eram embebidos em essência de Patchouli, uma erva de procedência asiática. Alguns chegam a considerar o cheiro da erva semelhante ao da pele de uma mulher bem idosa. Segundo o folclore do Japão e

Malásia, o Patchouli é útil para o tratamento de resfriados, dores de cabeça, e até como antídoto para veneno de serpente. Ou seja, se algum dia você tiver a infelicidade de ser picado por uma cobra, não precisa sair correndo para o Butantâ. Basta dar uma bela cafungada em um boneco do Stinkor e esfregá-lo no local da picada que tá tudo beleza. Outra característica benéfica do Patchouli é mencionada por esotéricos, que consideram a essência aromática, assim como a canela, o hortelâ e o jasmim, um chamariz para sucesso nos negócios (meu bolso de-

nuncia que não cheirei o meu Stinkor o suficiente). Bobagens à parte, recentemente Stinkor recebeu a chance de fazer sua estréia nas telas da tv, através da nova (porém cancelada) série do He-Man, em um episódio com o singelo título: "The Sweet Smell of Victory". E embora a Mattel também tenha desistido da nova linha de bonecos, uma produtora americana de colecionáveis chamada Neca, comprou direitos da franquia para a produção de estatuetas, dentre elas a do nosso prezado homemgambá. Diante da superação de tantos obstáculos ao longo dos anos, só tenho algo a dizer: Stinkor, PARABÉNS!!!

Por:

Eddie Clamp Stinkor versão Neca

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HE-MAN &

MESTRES DO UNIVERSO Venda-troca-compra de Action Figures Motus Fóruns atualizados sobre o tema Notícias e curiosidades.

http://www.orkut.com.br/Community.aspx?cmm=26344913 MOTU 21

Em 2007, He-Man e os Mestres do Universo voltavam ao mercado multinacional com grande expectativa. Com a onda de nostalgia pela década de 80 explodindo por todo país, a imortalidade da marca e a especulação sobre o lançamento de um longa metragem sobre o herói, a Focus filmes saiu na frente pela exploração do clássico no Brasil. E no dia 23 de maio, os hemaníacos foram presentearam com o box nº1, com os primeiros 33 episódios da série, divididos em 6 discos. Além da alta qualidade dos desenhos e a dublagem original da Herbert Richers em todos os episódios, o box trazia ainda alguns extras interessantes, como entrevista com os produtores e roteiristas, postais, chaveiros. Os fãs do grande defensor de Etérnia ainda podiam optar pela opção de box na embalagem de luxo, em lata decorada, com um mega pôster dos Mestres do Universo, um DVD contendo o longa O Segredo da Espada Mágica (The Secret Sword), um compilado do episódio especial em que SheRa é apresentada ao grande público e sua origem revelada. A notícia da chegada dos DVDs trouxe consigo diversas estra-tégias de marketing, como a pré-venda dos boxes em sites de compra-on line e uma festa temática na badalada casa noturna Trash 80, danceteria onde o possível público-alvo do produto se concentra. A promessa era de que os 130 episódios da série clássica seriam lançados em 4 caixas até o final do ano passado. O que não aconteceu. O segundo DVD box foi lançado com atraso significativo e a espera pelo lançamento do terceiro box começou a gerar impaciência por parte dos colecionadores. Por diversas comunidades da web, boatos de que a Focus teria interrompido o

p r o j e t o corriam os fóruns com força e a n o t í c i a ganhava f o r m a e conteúdo, mesmo sem um parecer oficial da mesma. O silêncio da Focus diante dos boatos culminou com um movimento organizado. Inúmeros fãs começaram a cobrar um posicionamento oficial através de mensagens padrões enviadas por e-mail à distribuidora e um abaixo assinado circulou pela internet pedindo o lançamento dos demais DVDs. A febre pela volta de He-Man chegou até mesmo a despertar o interesse da emissora Record de televisão, que pela primeira vez obteve direitos de exibição do desenho, até então cedidos exclusivamente à Rede Globo. Ainda assim, chegamos ao meio de 2008 e os últimos DVDs da primeira temporada não haviam sido lançados. Além disso, boa parte dos fãs que fizeram contato com a Focus não obtiveram resposta, o que só endossou a hipótese de que o investimento não foi condizente com a demanda e que, por isso, o projeto tivesse sido suspenso. Para alegria dos fãs, a MOTU Magazine conseguiu quebrar este mistério e conversou com a gerente de Marketing da Focus, Renata Ishihama. O QUE VEM POR AÍ Segundo Renata, A Focus não desistiu de comercializar os DVDss. “Tivemos uma boa venda” - afirmou em entrevista por telefone. MOTU 22

Prova disso é a mais recente novidade: a Focus lançará mais um box especial. Desta vez, uma embalagem como a lata decorativa da primeira edição, agora contendo todos os 65 episódios da primeira tem-porada. E segundo Renata, a entrada deste novo compêndio da primeira temporada acontecerá ainda em outubro. Ações como esta se confirmam no próprio discurso da assessoria. A vendagem “boa” nao quer dizer satisfatória. Daí um relançamento, para que a comercialização desta primeira safra chegue à meta inicial de vendas. Com este novo box faltando três meses para o fim do ano, a probabilidade do lançamento da segunda temporada para 2009 é alta. A partir do ano que vem, previsto para a estréia do Longa “Grayskull e Mestres do Universo”, o mercado MOTU há de ganhar no novo vigor e a aparição de novos produtos licenciados pela marca. Colecionadores de plantão: é bom começar a guardar o dimdim e comemorar!!

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MOTU 23

Coluna do He-maníaco Quando criança, na década de 80, lembro que fui, como a maioria das crianças daquela época, hipnotizado por um revolucionário desenho animado entitulado de "He-Man e os Mestres do Universo". Tal desenho rapidamente tornou-se uma

dos nos anos 80, nunca gritou "pelos poderes de Grayskull" ou cantou a música do Trem da Alegria (“Eu tenho a força, sou invencível, somos amigos, unidos venceremos a semente do mal...”)??? Lembro com extrema

Os Mestres defendem Grayskull das forças malignas

verdadeira febre entre a molecada. Esperava todo dia começar o show da Xuxa para poder assistir as aventuras de He-Man. Quem não se lembra da música de He-Man? Dos fantásticos personagens como He-Man, Esqueleto, Stratos, Gorpo, Feiticeira, Mentor, Aquático, HomemFera e outros? Da lição de moral ao final de cada episódio??? Quem de nós, nasci-

MOTU 24

felicidade quando a Estrela lançou a coleção He-Man e os Mestres do Universo. Fiz tanta birra para conseguir os bonecos. Só eu sei o quanto apanhei, com moderação, por causa dessas manhas. Mas cada tapa, cada castigo, cada berro valeu a pena. Sorte que, na época, meu pai tinha um amigo que na trabalhava na Estrela e me presenteou com quase a maioria dos personagens e veículos

lançados. Sorte, ou teria apanhado Guerreiro, um Mandíbula, um Aríete, um mais... Esqueleto, um Homem-Fera...Em suma, Quando criança consegui todos os não parei de comprar até ter conseguido personagens lançados aqui no Brasil e o último boneco que me faltava. alguns importados da Argentina. Era Hoje, aos 29 anos de idade, tenho a louco, apaixonado por tais coleção 200x complebonecos. Entretanto, o tempo ta. Estou, como todos passa, fui crescendo e um dia, o s m o tu m a n ía c o s , sem ao menos me consultar, ansioso pelo lançadescobri que minha mãe, mento da nova coleção como a de quase todos jogou da Mattel denominada fora ou doou todos os meus Masters of the bonecos!!!! A dor foi incrível!!! Universe Classic que Acho que até hoje guardo irei adquirir aos trancos essa mágoa comigo. Desde e barrancos. Hoje, She-Ra e os vilões de Etéria então nunca mais posso assegurar, que procurei bonecos. consegui superar o trauma Porém, em 2003, que tive quando descobri que enquanto fazia um meus bonecos anos 80 foram curso jurídico em São doados. Por fim, descobri que Paulo, vi na vitrine de não há limite de idade para uma importadora do esse delicioso vício de coleciSOGO PLAZA, shoponador que começou quando ping onde almoçava na eu tinha cerca de 8 anos e se Liberdade, as figuras arrasta até hoje e continuará, Os soldados de King Iss da nova coleção com certeza, existindo até o de He-Man e os final de minha vida. Mestres do Universo, conheVida longa aos Mestres do cida como MOTU Universo!!!! 200x. Fiquei vidrado nos b o ne cos, n ão acreditava no que estava Esqueleto e seus capangas Por fim, descobri que vendo, foi uma não há limite de emoção incrível, mas me contive e não idade para esse delicioso vício comprei, pois pensava que já não tinha mais idade para isso, que já estava “velho” para esse negócio de bonequinhos". Renato Garcia é dono A verdade é que não suportei a vontada Comunidade do orkut He-Man e os Mestres do de por muito tempo e acabei comprando Universo e colecionador o Stratos. Em seguida, vi em He-man e de AF apaixonado. comprei. Um Mentor, um Gorpo, um Gato

MOTU 25

News

DE ONDE VEM

Há mais de 20 anos, a Mattel, detentora dos direitos sobre He-Man e os Masters do Universo, tem lucrado dezenas de milhões de dólares com a venda de brinquedos e licenciamentos. Como grande massa dos fãs reconhece, boa parte do sucesso de He-Man se deve muito mais ao brilhantismo dos roteiristas que propriamente aos primeiros bonecos da coleção que, fora a cabeça, pintura e acessório ou outro. A grande riqueza de He-Man e os Mestres de Universo sempre ficou vinculada à produção da Filmation, encomendada pela Mattel para estimular a venda da da coleção. A alquimia de tamanho sucesso poderia ser condensada em três ingredientes: a aventura, o apelo dramático altamente qualificado para o público ao qual se destinava - a ficção e o mistério. Na aventura, a luta do bem contra o mal. No apelo

dramático, questões que poderiam ser sempre trazidas para a vida real permeavam todos os episódios, como a cobrança exagerada de He-Man sobre si mesmo, a adnegação da maternidade por parte da Feiticeira, adoção e tantas outras questões que faziam Pica-Pau parecer papinha de bebê. O universo de He-Man, com toda sua atmosfera pré-histórica e ao mesmo tempo com a mais alta tecnologia, que criava um mundo surreal e até então impensado. E, talvez o ingrediente mais poderoso de todos: o mistério. De onde vinha o Poder de He-Man? Em quem o príncipe Adam se transformava? Que segredo tão grande escondia o Castelo de Grayskull, a ponto de ser o pivô de uma luta cósmica pelo poder? Eram exatamente estes por quês que a série atraia, hipnotisava e fazia cada um participar, completar com a imaginação o que faltava à história.

MOTU 26

Estas e outras perguntas derivadas do mistério que envolvia Grayskull simplesmente não foram criadas pelos produtores iniciais. E ficariam a permear a mente dos milhares de fãs em todo mundo se o poder maior do capitalismo não impusesse sua ditadura do lucro a qualquer custo. Foi puramente movidos pelo lucro (e despidos de qualquer bom senso) que os detentores do direito de imagem continuaram a permitir novos enxertos na trama de He-Man. Assim, veio o horrendo “Novas Aventuras de He-Man”. O desenho, rejeitado tanto pelos fãs como pela nova geração, era um show de fiasco tanto na animação quanto no roteiro. Vexame anterior a este foi o filme Masters of the Universe, cuja principal aventura foi o próprio delírio do diretor: produzir um filme de baixíssimo custo com uma história tão dispensiosa em produção como o mundo de He-Man. Então, para contornar o desnível projeto/custo, fizeram a barbárie de trazer HeMan para a Terra (pra quê gastar com uma Etérnia cenográfica?) e simplificar ao máximo o roteiro, resumindo os mais de 40 personagens ao He-Man, Mentor, Teela, e os capangas do Esqueleto. Os outros Masters só ficaram mesmo no título do filme. A recente tentativa de reavivar a marca veio com o relançamento da série, mais conhecida como He-Man 200X. O alto investimento ficou notório, quer pela riqueza da animação, quer pela variedade na linha de brinquedos fabricados na espera sedenta de um novo fenômeno de vendas. Mas as coisas novamente não correram como o esperado. Os fãs antigos até flertaram com a nova série, a nova roupagem dos personagens e o “up” no dinamismo das cenas. Mas não eram somente os marmanjos o público-alvo. Era preciso mais. A Primeira temporada arrastou-se e revolveram inovar na Segunda. A curva de Johari, muito conhecida no meio empresarial, lança tese sobre o tempo de vida de uma marca. Quando um produto chega no cume, o tempo de

estabilidade uma hora fatalmente será abalado e a marca entrará em declínio, como aquela leve demora do carrinho da montanha-russa, quando chega no topo da montanha. Numa escalada de anos, esse tempinho demorad de subida e a curva, seria o sucesso. Logo depois vem o declínio. É a lei da gravidade do marketing. Sendo assim, como as grandes marcas sobrevivem? Há um antídoto. Qual a solução proposta pelo marketing quando um produto chega neste momento crítico? Relançamento do produto e apresentação de novas utilidades. Repare como certos produtos que são fenômenos de venda, vira e mexe são apresentados junto com novas opções de uso ou situações. No caso de He-Man, toda a dedicação na animação, a investida em doses cavalares de aventura, a tendência para o estilo anime e a modernização dos personagens não foi o suficiente. Qual foi a tática adotada para driblar a curva de Johari? O relançamento. Não só dos brinquedos, mas também de toda história. Nem que, para isso, o maior mistério de Etérnia tivesse que vir à tona. Surge um novo um bravo guerreiro, apresentado na Segunda temporada da nova série, que já até ganhou Action Figure na San Diego Comics deste ano e que revolucionou toda a saga MOTU. Grayskull não é um castelo. É um homem. Que nem He-Man ainda conseguiu superar.

O personagem inédito, parte da nova coleção Masters o the Universe Classic, foi oficialmente apresentado na San Diego Comics deste ano.

MOTU 27

O ousado relançamento da marca tem como proposta o resgate da primeira atmosfera dos Mestres do Universo. Ainda assim, a nova linha de brinquedos promete surpreender com personagens até então inéditos, como King Antes Grayskull (acima). Ao lado, a nova versão de He-Man, inspirada na linha da década de 80. As mudanças “Embeleze” foram mínimas, como no cabelo, que perdeu o corte de cuia para um chanel desfiado à navalha e os olhos ficaram azuis, no mais estilo MOTU 200X. MOTU 28

Depois

King

A partir da série He-Man e os Mestres do Universo lançada em 2002, a história tal como a conhecemos ganha um “Antigo Testamento”. No capítulo 35, “The Power of Grayskull”, conhecemos a história de um grande Rei, que viveu em épocas imemoriais. O bravo guerreiro,vivia em uma fortaleza que levava seu nome. Era desposado com Veena, uma feiticeira com poderes mágicos e a capacidade de se transformar em pássaro. Sob o seu respaldo, também viviam um grupo de místicos, homens de grande sabedoria, que seriam no futuro conhecido como os “Anciãos”. A história começa com a ameaça do despertar de um novo vilão, muito mais forte que Skeletor. A Feiticeira decide que é chegado o momento de contar ao jovem príncipe a verdadeira origem de seu poder. Através de uma passagem secreta, ela guia Adam a uma sala onde memórias do passado de Etérnia são conservadas como relíquia. O príncipe reconhece uma estátua gigantesca de um guerreiro pensa ser He-Man. Mas na verdade, é King Grayskull. Através de uma gravura pendurada na parede, um flashback é encaixado na história. Conhecemos o Castelo de Grayskull em sua primeira fase, branco, iluminado, com detalhes em dourado. Não havia o fosso que separa o castelo do território exterior; pelo contrário, o castelo é rodeado de vilarejos, muito semelhante ao esquema feudal dos livros de história. Etérnia era pacata e feliz, até o tirano Hordak chegar. Hordak é apresentado como um feiticeiro de grande poder e rodeado por capangas da pior espécie. Para defender Etérnia das forças inimigas, Grayskull sai embusca de uma espada mística. Um horáculo (muito parecido com um trolano) lhe orienta que somente um guerreiro que vencesse diversos desafios poderia contar com a ajuda da espada mística. Grayskull vence todos os impecilhos que o destino lhe impõe no caminho e encontra finalmente a espada no tomo de uma montanha. E volta para lutar contra Hordak até o fim. Mas o poder de Hordak parece ilimitado. Na luta contra o inimigo, Grayskull está quase desfalecendo, enquanto Hordak e seus unem todas as suas forças contra o rei. Neste momento derradeiro,Grayskull, estirado por terra,vê sua imagem refletida na lâmina

da espada mística e recobra suas forças. Potencializando o último expiro de energia física que lhe resta, ele consegue se pôr de pé e grita do mais íntimo de sua alma: “EU TENHO A FORÇA!!!” Assim o guerreiro de bravura jamais vista, une seu poder ao da espada mística e consegue banir Hordak e seus capangas para um vórtice temporal. O King Grayskull ganha a batalha, mas falece em seguida, nos braços de sua amada. Consciente de que tamanho poder maligno não poderia ser destruído, apenas contido, King Grayskull funde sua energia espiritual com a energia da espada mística. Nesse momento, o artefato sagrado, envolve os amigos do rei, tornando-os a partir de então, seres destinados a guardar o poder da espada até a próxima batalha. Sabemos, com a junção de fragmentos de outros episódios, que os Anciãos acabaram se mudaram para a Sala da Sabedoria e deixaram o castelo de Grayskull abandonado, exatamente para despistar possíveis malfeitores interessados no tal poder escondido em suas ruínas. A trama do capítulo 35 é “acronológica”. Em sequência, poderiamos assistir aos primeiros três episódios da série, intitulados “O Princípio”, que foram exibidos no Brasil em 3 episódios pela Cartoon Network.

MOTU 29

Guia de Episódios Há uma discussão quanto a fidelidade de produção dos desenhos nos studios da Filmation e a ordem em que foram exibidos na tv. Em muitos países, incluindo os EUA, “O Cometa Cósmico” foi o primeiro episódio que inaugurou a série. Contudo, o epísódio “O Raio Diamante do Desaparecimento” tido como o quarto da primeira temporada, teve seu roteiro especialmente elaborado na intenção de apresentar os personagens principais ao público - heróis e vilões - e também a base dramática sobre a qual a grande trama se ergueria, cabendo a este o título de episódio-piloto.

1 DIAMOND RAY OF DISAPPEARANCE 2 TEELA'S QUEST 3 COLOSSOR AWAKES 4 THE DRAGON INVASION

29 GAME PLAN

48 THE SLEEPERS AWAKEN

30 VALLEY OF POWER

49 WIZARD OF STONE MOUNTAIN

31 THE MYSTERY OF MAN-EFACES

50 CASTLE OF HEROES

5 THE TIME CORRIDOR

32 KEEPER OF THE ANCIENT RUINS

6 SHE-DEMON OF PHANTOS

33 THE REGION OF ICE

7 THE CURSE OF THE SPELLSTONE

34 MASKS OF POWER 35 ORDEAL IN THE DARKLANDS 36 CITY BENEATH THE SEA

51 TEMPLE OF THE SUN 52 RETURN OF EVIL 53 RETURN OF THE GRYPHON 54 THE RETURN OF GRANAMYR 55 THE WITCH AND THE WARRIOR 56 THE HUNTSMAN

8 CREATURES FROM THE TAR SWAMP

37 THE DEFECTION 1

9 SONG OF CELICE

38 THE STARCHILD

10 DISAPPEARING ACT

39 THE SEARCH

11 EVIL-LYN'S PLOT

40 ORKO'S MISSING MAGIC

12 REIGN OF THE MONSTER

41 TEELA'S TRIAL

13 DAWN OF DRAGOON

42 THE ROYAL COUSIN

14 LIKE FATHER, LIKE DAUGHTER

43 ETERNAL DARKNESS

62 THE HOUSE OF SHOKOTI (PART 2 OF 2)

15 PRINCE ADAM NO MORE

44 IT'S NOT MY FAULT

63 PAWNS OF THE GAME MASTER

16 A FRIEND IN NEED

45 TROUBLE IN ARCADIA

57 THE REMEDY 58 SEARCH FOR THE VHO 59 THE ONCE AND FUTURE DUKE 60 EVILSEED 61 THE HOUSE OF SHOKOTI (PART 1 OF 2)

17 THE DRAGON'S GIFT

46 DREE ELLE'S RETURN

64 GOLDEN DISKS OF KNOWLEDGE

18 DAIMAR THE DEMON

47 EYE OF THE BEHOLDER

65 THE HEART OF A GIANT

19 THE SHAPING STAFF

CURIOSIDADE

20 THE COSMIC COMET

Na idéia inicial da transformação

21 THE TAKING OF GRAYSKULL 1

de He-Man, a famosa frase “Eu tenho a força” seria repetida pelo

22 ORKO'S FAVORITE UNCLE

Gato Guerreiro na sequência. A idéia da exclamação“Eu tenho a força também!”

23 QUEST FOR THE SWORD

foi descartada, mas é possível perceber na animação que o tigre não apenas

24 QUEST FOR

“ruge”,mas faz movimentos

HE-MAN

labiais típicos de inserção de fala.

25 A TALE OF TWO CITIES 1 26 A BEASTLY SIDESHOW 27 THE RETURN OF ORKO'S UNCLE 28 DOUBLE EDGED SWORD

MOTU 30

Episóde Review

PROBLEMA COM O

PODER Todo mito carrega uma cruz. A cobrança da perfeição. E o choque com a própria fragilidade pode ser fatal. Por Victor Darmo

MOTU 31

Todo mito tem uma construção incrivelmente semelhante, quando posto ao lado de tantos outros heróis construídos na história. Isso se deve ao fato de que todos eles foram criados pelos homens. Em diversas épocas e culturas pela história, os homens desenvolveram mitos com trajetórias muito similares que, na verdade, se moldaram através do inconsciente coletivo. São narrativas que contam, na pessoa do herói, a própria história de cada um de nós. A dramaturgia grega ha mais de 2 mil anos, já via esta realidade com clareza e temos hoje um vasto material de estudo. Com um olhar mais apurado, veremos como o mito de He-Man é mais uma maquiagem do arquétipo do herói grego.

gonista, o roteiro se torna um relato da aventura deste. Uma jornada, onde ele deixa o seu mundo comum e cotidiano e parte para novas descobertas e desafios. O estímulo para esta jornada é a mudança de algo em seu mundo. Ele parte para buscar a restauração deste mundo. Ou o herói se sente incompleto e vai

Durante uma luta com Esqueleto, He-man empurra uma coluna contra o seu inimigo e, para seu espanto, um homem é encontrado para sob os destroços. Está morto. Há um silêncio dramático neste momento. Mentor e os outros personagens. Não havia o que dizer. Sim, He-man tinha matado um homem. Para o telespectador, é claro que a morte daquele homem era mais um plano ardiloso do antagonista. O homem sobre os destroços era ninguém menos que Esqueleto, disfarçado pela própria magia em homem simplório, vítima da força desmedida do nosso herói. Mas para nossa análise, importa nos determos no coração de He-Man. Ele sim, morreu de verdade.

em busca de sua plenitude. O resultado sempre é a transformação do próprio herói. Mesmo que o ambiente não se altere, o herói não o enxerga mais da mesma forma.

PROBLEMA COM O PODER

O HERÓI A principal característica que define este arquétipo é capacidade que ele tem de se sacrificar em nome do bem estar comum. Nos filmes de ação este arquétipo é p e r s o n i f i c a d o , preferencialmente, pelo protagonista. É ele que vai conduzir a história aos olhos do espectador, o desenvolvimento da trama está pautado nas ações do herói perante o ambiente que lhe é apresentado e no resultado destas ações. Quanto mais humana a feição do seu herói mais provável a identificação. É preciso que o herói tenha suas qualidades louváveis e desejadas pelo espectador e ao mesmo tempo possua fraquezas que o tornem mais humano e mais próximo. Em nosso superherói, as fraquezas se convergem para Adam, enquanto as virtudes, em seu alter-ego, He-Man. Com o herói sendo o prota-

O confronto com a morte é outra característica deste arquétipo. A morte pode ser física ou simbólica, mas está presente. Na maior parte dos casos o herói se depara com a morte eminente e triunfa sobre ela, se tornando um mártir (quando ocorre a morte física) ou renascendo a partir de sua própria destruição (quando a morte física foi apenas uma ameaça ou quando a morte é simbólica), em ambos os casos o herói triunfa. No episódio 110 de He-Man e os Mestres do Universo, vemos a Morte se manifestar em um de seus lados mais mais sombrios: o homicídio culposo, que é aquele onde não há intenção de matar, mas a morte acontece. MOTU 32

Neste episódio He-Man também morre. Corrigindo: comete suicídio. Sendo ele endeusado por todos os eternianos desde que encabeçara a luta pelo mal em seu planeta, não só se tornara o mito que o povo necessitava, como também ele foi vítima deste peso. Adam passa a acreditar em sua própria infabilidade. Quanto mais as pessoas cobram do mito que viva segundo suas próprias expectativas, mais o mito se curva diante do peso da “perfeição”. Ser imaculado é uma cruz que pode matar. Nenhum herói é perfeito. É exatamente este o elo que une o mortal expectador ao seu herói. Saber que também ele, seja He-Man, Super-Homem, Hércules ou qualquer outro, têm limites e peculiaridades. Adam vai descobrir isso ao cometer um crime, mesmo sem a intencionalidade.

E vemos um herói cego. Capaz de morrer por todos, mas incapaz de olhar sua história pelo “macro”. He-Man deixa-se resumir àquele incidente. A culpa cega-lhe toda a trajétória de feitos e glórias, de atos genuínos de bondade. E ele mesmo tornase agora seu próprio inimigo. Dentro de si, trava-se uma ferrenha luta, do Super-ego, repressor e juiz duríssimo, contra seu ego de herói, fragilidado por descobrir-se humano. He-Man se sente indigno da missão que os deuses lhe confiaram. Vai até uma das torres do Castelo de Grayskull e joga a Espada do Poder num abismo que cerca a fortaleza. É um abismo tido por sem fundo. É uma decisão sem volta. Cabe aqui um olhar ainda mais crítico sobre a postura tomada. Curioso como He-Man toma posse da missão de herói, que uma vez perdida a sua identificação com o cargo, não lhe passa pela cabeça delegar a outro a função. O jogar da espada no abismo é ao mesmo tempo prova de sua cegueira impulsiva diante da decepção consigo, e prova da irracionalidade com que somos toomados diante dos sustos da vida. O mais correto seria a eleição de um novo herói, já que Adam sentia-se então indgno de erguer a espada. Mas uma vez morto o ego do herói, tudo o mais se encavala numa sucessão de suicídios.

algum. Nao tem o tendão de Aquiles, nem uma pedra como a Kriptonita, capaz de tirar as forças do super-homem. Coube à mente maquiavelicamente inteligente do vilão descobrir que, se a fraqueza do herói não é externa nem física, só podia ser psicológica.

A RESSURREIÇÃO A trama toma novo rumo quando Adam descobre que ninguém havia morrido. E que o homem sobre os destroços era na verdade, Esqueleto. É a hora de Adam voltar ao buraco escuro, o fosso do Castelo de Grayskull, e tentar recuperar a espada, o elo capaz de ligá-lo com He-Man novamente. Por sorte, a espada estava ao fundo do abismo, presa em teias providenciadas pelo destino. E Adam novamente pode se revestir de He-Man e seguir em frente. É uma dupla ressurreição. É a volta da imagem de Adam sobre si mesma, agora livre da culpa. E a volta de Adam ao seu lugar como He-Man.

PROBLEMA COM A AUTOESTIMA

DE HE-MAN PARA ADAM

Do outro lado, Esqueleto comemora com aquela gargalhada que só ele sabe dar. He-man era um herói aparentemente sem pronto fraco

Neste episódio, ficou para todos os fãs a lembrança de uma das cenas mais emocionante de todas da série. Acostumamo-nos a aguardar, em todos episódios, MOTU 33

o momento mágico da catarse, em que Adam sai do papel frágil de “príncipe de rosa” e parte para o confronto. Pela primeira vez, os olhos das crianças viram Adam com o olhar marejado, erguendo a espada e dizendo a ruidosa frase “Que o poder retorne”. Sim, foi a primeira vez que HeMan se transformava em Adam no desenho. Ao perceber que tudo não passara de mais um plano do Esqueleto, Adam volta ao seu lugar de He-Man e segue mais maduro. Ciente de que todos nós podemos errar. Coube aos roteiristas o cuidado em manter a imagem do herói ilibada de crime. Mas talvez seria mais rico se realmente, He-Man cometesse em algum episódio alguma gafe. Todos nós, em algum momento da vida, já nos deparamos ou vamos nos deparar numa situação difícil. Uma frustração tamanha conosco que dará vontade de sumir, de morrer, de abandonar o barco. Fica no episódio 110 a lição de que não devemos entregar a guerra num momento de vacilo. Basta irmos mais além: mesmo se He-Man tivesse cometido involuntariamente a morte de um homem, quantas vidas ele não teria salvo até então? E quantas outras não pereceriam nas mãos do Esqueleto, caso He-Man abandonasse seu chamado? Imagino a alma e coração de centenas de policiais desse país que muitas vezes se vêem obrigados a disparar um tiro contra outro ser humano, ou para proteger inocentes ou em legítima defesa. Devem viver o mesmo transtorno que nosso herói viveu. Mas fica para nós a meditação sobre esta parábola. Que somos todos humanos e portanto, imperfeitos. Mas que não seja nossa imperfeição o nosso limite.

Fã Fiction

de Diário O adora

A irmã de gêmea de He-Man, numa fase que você nunca viu. Mas que aconteceu.

MOTU 34

CAP

1

O rapto de Espírito Missão: Frente à represaria – sobre o saque dos rebeldes ao forte móvel com o estorno do Império.– Sudoeste de Lua Clara. Avança aurora e nem um sinal. Toda a tropa está em vigília desde a hora nona e os desordeiros se negam a entregar quem saqueou o forte do império. Estamos há meio dia nesta taberna fétida; aqui tudo tem o cheiro deles. É uma mistura desarmônica de alegria e revolta. Felina apontou com desprezo um quadro na parede, pouco acima da guarnição. Eram quatro ou cinco pessoas; seus olhos falavam tanto quanto o sorriso, e os braços se entrelaçavam, bem atados, como nos cinturões de segurança que fazíamos para defender O Poderoso dos rebeldes quando em aparição pública. Mas naquele quadro, não pareciam em guerra. Estavam atados e com a face corada; o motivo do enlace nada tinha a ver com guerras. São uma “família”, respondeu-me Felina, pouco em seguida desviando os olhos do objeto. Possivelmente do dono do bar. E o gesto, era um abraço. Aproximei-me bem daquela cena, empoeirada como tudo naquele lugar. Aqueles olhos eram portadores de uma verdade que eu nunca conheci, que só julgo existir pelo ouvir falar sobre “família”, com falso desprezo, sem conseguir esconder a indiferença. Talvez um dia, ela também tenha tido a sua. .... Nenhum popular se manifestou como culpado. Estes rebeldes parecem piores a cada novo intento! Audaciosos, ainda ousaram fazer-nos cerco enquanto repousávamos no interior da taberna. Por sorte o plano deles foi dizimado pela chegada de mais uma patrulha de surpresa, que trazia-nos a refeição da noite. Ao retirarmo-nos dali, resolvi que o local deveria arder em fogo. Para servir de exemplo. Que esta taberna nunca mais seja usada como covil de desordeiros para tramar contra nós! .... A nave decola, a taberna ao longe vai tomando forma de uma distante fogueira. Só agora alguns deles reaparecem vindos da mata; param diante da construção em chamas e do acampamento destruído ao redor. Mulheres choram e são amparadas por iguais, no tal do abraço. Aos poucos o clarão na floresta vai sendo engolido pela distância e já não os vejo mais. Sou chamada para contar os rebeldes aprisionados. A Horda perdeu a arrecadação de um mês. Mas ganhou novos escravos. Mantena marca os presos como quem marca o gado, sem notar os sexos ou a idade, sempre com o mesmo prazer. Os gritos me fazem fechar os olhos, mas tento disfarçar, é o cansaço. Uma capitã da guarda não deve demonstrar piedade nem estranheza ao realizar a rotina de seu ofício. Para mim, o cargo, o poder, e até o contar dos escravos: tudo deve ser visto como reconhecimento por tudo o que fiz por este brasão. São 37 homens e duas crianças. Não, as crianças não. Não quero que as marque. Vou deixá-las pelo caminho. Mantena ensaia saltar-me os olhos, mas logo desvia dos meus. Percebo que resmunga qualquer coisa com os patrulheiros, mas é bom que eu não ouça. Na verdade, um dia em território inimigo faz de mim alguém mais ansiosa. Sinto que a cada missão completada com sucesso, sempre ficou algo por fazer. Nem sempre concordo com os métodos, é verdade. Mas não tenho experiência nem tempo a frente da tropa para questionar nada. A nave pousa à entrada da Floresta do Sussurro, deixamos as crianças. Elas me olham com ódio, falam em sua língua palavras carregadas. Isso me fere, não sei por que. Tenho vontade de pegá-los pela mão e dizer-lhes que são criados num clã de malfeitores e tudo o que fazemos é para o futuro da nação que será deles um dia. Fico olhando as crianças partirem e perco a noção de tempo. Logo ao saírem da nave, dão-se as mãos. Era um menino e uma menina. Tinham pele e olhos claros, corpo franzino, bem parecidos. Talvez gêmeos, talvez ela mais nova.

MOTU 35

Num repente, sou pega de surpresa, pelo menino que se volve para trás. Pela primeira vez ele me olha nos olhos. Num instante eu saia de mim e mergulhava num breu, era uma flecha a caminho do alvo distante e sombrio, cruzando gritos de medo, de pavor. Quando dei por mim, meu braço sangrava, arranhado por uma pedra atirada pelo tal menino. Felina aproximou-se e me trouxe para dentro da nave. A viagem continua e passamos a comentar sobre nada. Mas um assunto queria voltar. Pareciam muito apegados aqueles pirralhos... Duas faces, um mesmo sentimento. _Felina, percebeu como o medo dela gerou o ódio dele? O ódio foi o bom combustível para aquela pedrada. Notei o chocalho de Scórpia e me virei. Só agora percebia sua presença. Ela então resolveu falar: _São irmãos, Adora. Numa guerra, parentescos são de grande utilidade. – Tirando as botas, continuava – O Poderoso disse certa vez: quer atacar o inimigo, não atente diretamente contra ele, pois pode estar tão envolvido em sua causa que deseje morrer por ela. Faça contra alguém que o inimigo ame. Aí encontrará o seu ponto fraco. Ai, meus pés estão cheio de bolhas... _As crianças – voltou a falar Felina - são o ponto fraco dos rebeldes, Adora. É bom que fiquem por lá. No momento certo, então tomaremos nem que seja uma delas. E num estalar de dedos os rebeldes voltam a cooperar. Como veio, a conversa se foi. Chegamos à Zona do Medo. Dispensei os patrulheiros e minha guarda pessoal. Logo pela manhã teríamos que partir para a Vila de Taimor e a tropa tinha pouquíssimo tempo para repousar. Eu ainda não. Retirei-me ao meu aposento e continuei agitada. O olhar daquele menino por um instante desarmou-me por completo. E aquela pedra tinha me entrado como o tiro certeiro de um arpão. Abri minha bolsa a procura daquela pedra. Sim, eu a tinha guardado comigo. Não era uma pedra comum. Era um cristal! Coberto por uma camada espessa de lodo e sujeira, ainda assim, um belo cristal. Sempre tive atração por cristais, sempre quis ter um tão lindo quanto aquele. Mas que coisa, senti-me indigna. Não viera como prêmio, como quase tudo o que eu tinha. Aquele cristal viera como rejeição. E talvez por isso, sua presença me tornava indigna. Joguei-o ao longe pela janela. Os olhos pesam. Tomo um banho rápido, a água gelada arranha meu corpo e carrega consigo o cansaço ralo abaixo. Deito-me e sono vem. Com sonhos, pesadelos. O casal de irmãos, o ódio, a pedra-cristal. Mais uma noite mal dormida. Mas afinal, quando tive uma noite bem dormida? . . . . Não era a fome, a sede ou o calor que mais me roubavam o auto controle. Era a goteira. O som da persistente e irritante goteira, sete dias e sete noites, sem trégua. Eu já tentava pela enésima vez escalar as paredes para aproximar-me do vazamento para tampa-lo com alguma pedra., quando finalmente a porta se abria. A luz de fora cegou-me por um instante. _Pode sair, capitã Adora. O Poderoso, em sua misericórdia, aliviou sua pena – disse-me o soldado, tendo às mãos uma muda de roupas e um prato de comida. Olhei-o furiosa. Me via virando aquela comida nojenta ao chão e dominando aquele infeliz num golpe, mas tive que me conter, como sempre. Era a terceira vez em toda minha vida que eu era trancada naquela sala abafada, cheirando a esgoto, alimentada feito cobaia em pequenas doses, o suficiente para não sair de mim mesma. Jurei que não voltaria mais pra lá. Nunca mais! Saímos. Diante da luz do dia, eu me sentiria um morcego, por horas. Os dias na “Disciplina” acabavam ali.

MOTU 36

Hordak e Sombria me aguardavam na sala de audiência. Ele falou pouco, ela aproximouse e num movimento de mãos, penetrou com sua bruxaria a minha mente. Ela está ótima! atestou ao Poderoso. Muitos abandonavam a razão quando submetidos ao isolamento, mas eu continuava a mesma Adora que entrei, frisava ela. Será? As vezes acho que a magia de Sombria não é tão eficaz assim... . . . . Á refeição da noite, Felina sentou-se ao meu lado. Eu estava com o pensamento longe, quando ela, depois de um miado, pôs a falar em grunidos: _Eu tinha certeza que assim que Hordak soubesse que você tinha soltado aquelas crianças, você ia para a Disciplina. _Mas não disseram que era até bom deixarmos as crianças com os rebeldes? Que seriam úteis num momento oportuno? _Falei para amenizar. Porque Mantena estava por perto. É um dedo-duro sem conserto. Queria q sua atitude passasse por esperteza, quando na verdade, era excesso de benevolência. Scórpia, que fingia não perceber a conversa em baixo tom, se meteu: _Mas nem falei para você não solta-las porque se a gente fala pra não fazer e é aí que você vai lá e faz! _Eu não me arrependo de nada. Soltaria novamente. Levantei-me. Já tinha tudo arquitetado e era hora de agir. _Onde você vai?! _Falar com a Sombria. . . . . Duas batidas e entrei em seu aposento. Ela parecia que não tinha ouvido. Quando sentiu minha presença, permaneceu petrificada e de costas. Foi a primeira vez que a vi sem o capuz. A minha visão ficou turva, pisquei os olhos duas ou três vezes. Quando dei por mim, ela já estava coberta, e do meu lado. _Fale minha criança. _Queria me desculpar por ter agido segundo mim mesma, a revelia das normas de conduta. Mas é que fiquei com pena das crianças. Sombria sentou-se e com as mãos chamou para acompanhá-la. -Adora... Exterminar a cria dos inimigos é sempre o mais difícil. Mas pense: filhotes de cobras não se tornarão peçonhentas tão logo cresçam? Assim é com a cria dos nossos inimigos. Castigá-los ainda criança é só uma eficiente forma de moldá-los, para que não nos causem problemas quando maiores. _Mas pode acontecer do castigo se mudar em revolta... Não pode? Ela se levantou. Continuei: _Isso é um risco, Sombria. Se não se moldarem, estaremos criando rebeldes ainda mais revoltados que seus pais. _Adora, o que fazemos hoje é para que um dia tudo seja diferente. Tem que crer nisso e confiar cegamente em nós. _Sim, eu confio. Mas me sinto impotente diante de mim mesma, quando sinto piedade dos pequenos. _Eu sei como se sente – falou quase que para si mesma. _Sente?! _Foi acreditando na Horda, com todas as minhas forças, que eu tive que sacrificar os meus. Foi o preço para estar aqui e ser o braço direito do Hordak, como sou hoje. Sacrificar os seus. Aquelas palavras jamais sairiam da minha cabeça. Seus o que? Filhos? Sacrificar como? Matando-os? Abandonando-os? Do que Sombria falava? E aquela voz, embriagada de sentimento que não lhe era típica...

MOTU 37

_Bom minha mestra, vim aqui porque gostaria de pedir uma permissão – prossegui no plano – Vários tanques de guerra danificados estão espalhados pelo pátio oeste da Zona do Medo e só atrapalham a entrada e saída das tropas para as vigílias. Sugiro que os homens reúnam todas as máquinas em péssimo estado no Saguão Beta, para desmanche. Estudei a matéria resultante das baterias desses tanques. Com uma reação química controlada, podemos produzir energia necessária para abastecer a nova arma da Horda. Sombria cresceu os olhos. A nova máquina a que me referia, era o Canhão Tornado, construída especialmente para invasão ao Reino de Lua Clara. Só que a produção de energia para o canhão viria da liberação química da energia de pedras raras e levaria quase meio ano só a extração do minério. Ao ouvir a notícia de que eu poderia extrair essa energia através da reação química de velhas baterias, a Horda ganharia tempo. Aprovado. . . . . Recrutei para a operação setenta soldados e 20 escravos. Passados 7 dias, faltava apenas um tanque para ser levado para o Saguão Beta. Só depois de todos os tanques reunidos, começaríamos a extração das baterias. Preparava-me para entrar no último tanque, quando fui impedida. _Adora, Adora! – era Mantena, que chegava aos tropeços. – Duas notícias, uma ruim e outra péssima!! _Vamos, desembucha! _Hordak mandou que prendêssemos aquelas duas crianças que você libertou, enquanto você estava em Disciplina. Eu tentei me refrear, mas dessa vez, com certeza não consegui disfarçar a ira: _Calma... que ainda tem mais. Elas conseguiram fugir da concentração e levaram o seu cavalo na fuga! Fiquei desnorteada. Quando ensaiei dar uma ordem, Sangue Suga aproximou-se, gargalhando: _Não se preocupe, capitã. Hordak já enviou mais de 100 homens para a Floresta da Sussurro atrás do cavalo. Não ele que esteja preocupado com Espírito. É pela afronta. Hoje vai ter guerrilha! É dia de festa!! . . . . Pousamos no meio de um clarão na Vila de Taimor. Saí à paisana, não queria ser reconhecida. Diversos soldados avançavam aos tiros, a frente de tanques que esmagavam a tudo, mesmo contra a barreira das árvores mágicas. Corri os olhos pelo alvoroço, em busca de Espírito, quando uma possível morte me chamou a ação. Uma das principais guerreiras dos rebeldes, a filha da rainha Ângela, estava acuada, prestes a ser esmagada por um tanque. Num pulo joguei-me contra ela e sua vida estava salta. _Obrigada! Que a Lua Clara de Etéria te ilumine!! – Ela jurava que eu era um deles. A batalha seguia e eu no meio dos rebeldes, já me sentindo tão proscrita quanto eles. Nos escondemos num buraco, cuja entrada era tapada por arbustos coloridos e resistentes. Até que a tropa, sem um motivo aparente, recuou. Cintilante saiu e foi atordoada contar os mortos e socorrer os feridos. _Venha conosco para o acampamento. Toda ajuda será bem vinda. Eu aceitei. Naquela cabana, senti-me bem acolhida. Tomamos sopa e comemos pão assado na fogueira. Um deles aproximou-se e quis cuidar uma ferida em meu braço que eu nem tinha notado. Aquilo começou a me incomodar. Já estava prestes a desistir de encontrar meu cavalo quando vi, do lado de fora da cabana, um velho senhor... com as duas crianças! As crianças que haviam fugido! Ele parecia repreendêlas por estarem ao relento, olhando a Lua Clara. Lua Clara e cheia, realmente linda. E trouxe-as para dentro. Eu não sabia para onde ir nem como me esconder. O que tentei fazer foi cobrir-me como se me preparasse para o sono, mas o garoto num grito alarmou à todos.

MOTU 38

_ É Ela! A captã da guarda! Fui cercada e dominada. Cintilante aproximou-se e virou-me a mão, pesada. _Peçonhenta! _Eu vim aqui para pegar o meu cavalo – exclamei encarando-a nos olhos. – Quero apenas o cavalo. _Vocês tem dezenas deles na Zona do Medo. Que diferença faz um a mais um a menos? _O que querem em troca dele? _Queremos que nos ajude a destruir o Canhão Tornado. _Impossível, Cintilante! Eu mesma trabalhei no projeto, é indestrutível e estamos em fase de conclusão. _Será que não percebe o mal que ajudou a fazer?! Vão acabar com tudo o que acreditamos...A liberdade! _Sinto muito. Era meu dever... Um homem aproximou-se, mais intemperado: _Ela vai cooperar... Trouxe Espírito para dentro da tenda. Tirou uma faca e posicionou junto ao pescoço do cavalo. Cintilante voltou a negociar: _Vamos libertá-la, com uma condição. Que este projeto do Canhão Tornado não vá pra frente. Em uma semana, um dos nossos entrará no pátio da Zona do Medo. Se a arma estiver lá, o cavalo morre. Odeio me sentir pressionada. Ainda mais por rebeldes. _Então matem o cavalo agora. Cintilante não esperava por essa: _Como?! _Este não é o meu cavalo! O tal homem me olhou com desconfiança. _Todos aqui sabemos que o seu cavalo lhe obedece fielmente. Dê uma ordem a este cavalo e prove que está dizendo a verdade. Eu estou dizendo a verdade. _Não confiamos em você. _Se este cavalo não seguir as minhas ordens, vocês me deixam sair daqui com entrei? Eles se entreolharam. Cintilante permitiu com a cabeça. _Espírito, senta! E nada do cavalo atender. Espírito, em guarda! E o animal era como surdo. Espírito, coice! E o animal lentamente abanava a cauda. Todos ao redor ficaram boquiabertos. As armas abaixaram e eu me via livre. _Impossível. Nós calculamos tudo... – murmuravam eles. Realmente, era um plano bem pensado. Da mesma forma que temos informantes entre eles, é possível que os rebeldes tenham informantes entre os da Horda. Souberam que eu tinha sido punida por libertar as crianças. Deduziram que Hordak voltaria à Vila para humilhar os rebeldes. Deixaram as crianças serem levadas, para que roubassem Espírito e ele fosse usado como moeda de troca. Há uma crença entre o povo desse mundo de que os animais sempre colaboram com as crianças. E estavam ali, pasmos ao perceber que, em troca do Canhão Tornado, nada tinham a negociar. _Eu tive que me ausentar do posto da Horda por um tempo, não sabia o quanto. Por isso, eu mesma levei Espírito para que ficasse sob os cuidados de um fazendeiro, colaborador da Horda. Ao menos eu teria certeza de que ele teria comida e água limpa. E tratei de colocar outro no lugar, para que Hordak não desconfiasse de nada. Mas esse cavalo não é o meu! O homem agora tirava a lâmina do cavalo e vinha em direção ao meu pescoço. Gelei. _Ainda podemos matá-la, Cintilante! _Nós não somos assassinos! – E fez sinal para que abaixasse a arma. – E ela bem ou mal, salvou minha vida. Aquele gesto me amoleceu. Jamais Hordak agiria assim diante da indefesa de um inimigo. A partir de então, eu deveria à ela minha vida. Aquele gesto me amoleceu. Jamais Hordak agiria assim diante da indefesa de um inimigo. A partir de então, eu deveria à ela minha vida.

MOTU 39

Uma bruxa anã, que via tudo ao longe com olhar sereno, aproximou-se com fala mansa: _Vocês sabem, ela é tão vítima quanto nós. Prometi que o Canhão Tornado não ficaria pronto tão cedo. Não sei explicar bem o por que, Cintilante pareceu se conformar apenas com a minha palavra. Talvez não tivesse outra alternativa para se consolar da operação fracassada. Então eu estava livre. Montei no cavalo e me ia, lentamente, sob os olhos estalados de todos. _Só uma pergunta – voltou a falar Cintilante, intrigada. – Se o cavalo não era seu, por que veio até nós, disfarçada? Eu me calei. E o cavalo continuou o cavalgue, mansamente, até sermos encobertos pelas densa mata da floresta. _Espírito, correndo...AGORA! – E saímos em disparada. Eis o motivo por eu ter me arriscado tanto...porque eu amava o meu cavalo. Como uma palavra pode fazer toda a diferença. . . . . De volta à Zona do Medo, coloquei o último tanque de guerra no Saguão Beta e saí correndo. Eram 67 tanques sobre um pátio tomado de infiltrações e discretas rachaduras. Foram exatos dez segundo para que tudo ruísse. Um racho feito relâmpago rasgou o pátio de uma ponta a outra, até o pé do Canhão Tornado, que pouco depois ruiu em seguida. Soterrando todos os pavimentos inferiores. Dentre estes, a horrenda sala da “Disciplina”. Seguiu-se um silêncio, e uma forte explosão. Tacada de mestre. Eu ria sozinha. . . . . O poderoso disparava raios a esmo, gritava, reclamava, mas já era tarde. A culpa não era minha, eu argumentava! Não tenho culpa se a estrutura do pátio estava comprometida. Tudo o que eu quis foi ajuntar os tanques para liberar o pátio e depois tirar-lhe as baterias em prol da novo canhão. E assim, estava eu novamente, com meu amigo inseparável, Espírito, e livre daquela sala de castigo para sempre. A operação foi mais que perfeita. Os rebeldes ainda tiveram sorte. Não sobrou um pedaço do Canhão Tornado pra contar história. . . . . Sai à galope até o Pântano Tenebroso, que fazia divisa entre a Zona do Medo e a Floresta do Sussurro. No silêncio da noite, podia-se ouvir bem ao longe o festejo dos rebeldes diante da notícia do fim da máquina cuja criação os inquietava há um bom tempo. Olhei a Lua Lara, cheia no céu e me veio à mente uma frase, dita pela pequena bruxa de olhar sereno. Referiu-se a mim como “vítima da Horda”. O que será que ela quis dizer com isso? _Espírito, para casa. PELA HORDA! E seguimos com pressa e saudade de casa.

END. Por Victor Darmo

MOTU 40


Revista MOTU nº 1