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São José dos Campos, Julho de 2015 | 55

Coronel e engenheiro Ozires Silva, um dos fundadores da Embraer

Engenheiro mecânico, Alexandre Zaramella quer fazer a diferença no mercado de aviões

Divulgação

Marcelo Caltabiano/Meon

Veloz

também engenheiro, que foi um dos fundadores da Embraer, fabricante de aeronaves que presidiu por 17 anos, Zaramella busca a inovação e fazer a diferença no ultracompetitivo mercado de aviões. E ele já deu o primeiro passo rumo ao futuro: após uma década de pesquisas, Zaramella e quatro engenheiros levaram aos céus o primeiro avião elétrico tripulado do país. O voo da aeronave Sora-e ocorreu em 18 de maio deste ano, em São José, por cerca de 10 minutos para testes do equipamento. “Foi uma das etapas dos testes que vínhamos fazendo há tempos, com ensaio em solo e nas nossas bancadas. Foi um momento histórico para nós”, conta Zaramella sobre o primeiro voo da aeronave.

O monomotor para duas pessoas projetado pela empresa tem oito metros de comprimento e pesa 650 quilos. É feito de fibra de carbono e pode alcançar uma velocidade de cruzeiro de 190 km/h, com um máximo de 340km/h, velocidade significativa para uma aeronave com as suas características. O preço sugerido é R$ 280 mil. O pioneirismo dos cinco engenheiros da ACS foi adaptar para um avião convencional um sistema de propulsão elétrico, alimentado apenas por baterias que podem ser recarregadas em uma tomada. Eles usaram como base o ultraleve avançado movido a combustão, chamado de Sora, primeira aeronave a ser desenvolvida pela equipe joseense, em 2006. O engenheiro e os sócios se dedicam agora a aumentar a potência e a autonomia de voo, que é de cerca de uma hora e meia, por causa da limitação das baterias. A meta é dobrar a força do motor elétrico de 70 kW para 140 kW, alcançando até 180 cavalos de força, mais do que o dobro de um carro popular 1.0, por exemplo. O primeiro modelo do Sora-e foi vendido para a empresa Itaipu Binacional, que patrocinou parte do projeto − a aeronave também contou com recursos

da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) do governo federal. O investimento total foi de R$ 750 mil.

Ozires Zaramella é comedido ao responder se almeja chegar às alturas que Ozires Silva alcançou com a aviação. “Seria uma honra ser comparado ao Ozires Silva, mas conseguir realizar os mesmos feitos é algo quase inacreditável”, diz ele, que tem no fundador da Embraer uma fonte de inspiração e em São José o lugar propício para fazer a diferença. Nesse aspecto, ambos se unem na paixão pela inovação e por fazer sempre diferente. “Minha intenção é continuar aqui, uma região rica em oportunidades no campo aeronáutico e tecnológico”, afirma o engenheiro, que nasceu em Belo Horizonte (MG) e chegou a São José em 1998 para trabalhar na Embraer. “Demorou um tempo para me apaixonar pela cidade, mas, hoje, não me vejo morando longe daqui. A cidade oferece serviços similares aos dos grandes centros com o aconchego do interior”, explica Zaramella. Ele se ocupa de levar o nome da cidade que consagrou Ozires Silva ao promissor mercado mundial de aviões elétricos tripulados, que deve crescer muito nos próximos anos.

Metrópole Magazine  

Edição - nº 5

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