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| Terça-feira, 17 de maio de 2011 |

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TATUAGENS E PIERCINGS VOCÊ ESTÁ MESMO PREPARADO? Algumas partes do corpo são muito perigosas para a colocação de piercings. Recentemente sete adolescentes americanos tiveram infecções graves depois de pôr piercings na cartilagem da orelha em um quiosque de shopping. A falta de higiene na hora de fazer o furo teve sua parcela de culpa, mas o local escolhido foi o maior vilão dos problemas enfrentados pelos adolescentes. Os piercings podem ser muito perigosos quando colocados em áreas formadas por cartilagens. "Com exceção do lóbulo, a orelha é muito mal vascularizada, o que torna o organismo quase incapaz de reagir a uma infecção ou alergia", explica Gilberto Sitchin, otorrinolaringologista do Hospital São Luiz, em São Paulo. Mesmo que se observem todos os cuidados de higiene e o material do piercing seja inerte (como aço cirúrgico, ouro ou platina), ainda assim existe perigo, segundo o especialista. Na língua, é possível até que abalem a estrutura dos dentes Veja no quadro abaixo alguns dos riscos mais comuns que o piercing oferece para determinadas partes do corpo.

No alto da orelha A baixa vascularização pode levar à deformação da cartilagem, exigindo cirurgia plástica reparadora.

Nariz A haste interna - em geral longa para facilitar o manuseio - pode machucar o septo nasal. Risco de infecção é grande, pois o local é úmido e está constantemente em contato com a poluição.

Umbigo O corpo estranho pode provocar a formação de cistos, levando à necessidade de cirurgia. O risco de infecção é muito grande. Como muitas pessoas se esquecem de enxugar bem a região, ela fica úmida e expostas a bactérias.

Língua Há risco de desgaste da parte interna dos dentes da frente da arcada inferior e de perda óssea capaz de abalar a estrutura dental. O local é quente e úmido, perfeito para a proliferação de bactérias Fontes: Revista Veja, 27/Nov/ 2002, pág. 130, e revista VEJA Especial JOVENS - setembro/2001

Outros Problemas Comuns Modismo ou não, o uso tanto de tatuagens quanto de piercings tem seu preço. A pessoa se expõe a riscos de contaminação por bactérias que causam infecções como impetigo ou por vírus que causam doenças como a Hepatite, a Aids, a Sífilis e muitas outras. Segundo o dermatologista Antônio Carlos Martins Guedes, professor da Universidade Federal de Minas Gerais, o único caso registrado, no mundo, de lepra transmitido por objeto aconteceu durante um processo de tatuagem. A contaminação acontece porque os procedimentos nem sempre são realizados em boas condições de higiene. Em muitos casos, agulhas são reutilizadas e, como há sangramento da região que vai ser trabalhada, até o dedo ou algodão utilizado para estancar o sangue pode transmitir doenças. Também podem surgir reações alérgicas e cicatrizes indesejáveis como as queloideanas. E se a pessoa tem algum tipo de doenças dermatológica, como psoríase, líquen plano, vitiligo e verrugas, estas podem aparecer nos locais do trauma, como explica a dermatologista Maria Antonieta Rios Scherrer. Segundo ela, a tatuagem também pode provocar um tipo de reação inflamatória, chamada granuloma, ocasionada pela presença de corpos estranhos que penetram na pele durante o

ato de tatuar, ou pelo próprio pigmento introduzido. As tatuagens nunca saem da moda e sempre conquistam novos adeptos, com seus traços e cores, símbolos de rebeldia, contestação e sensualidade ou, simplesmente, como um adereço para a pele. A falta de condições adequadas de higiene e conservação de equipamentos nestes estúdios pode representar riscos para a saúde dos clientes. A presença de determinados materiais nas tintas, como o chumbo e alguns tipos de solventes, também oferece riscos, como a possibilidade de surgimento de tumores cancerígenos e de alergias. Todo tatuador deve ter a consciência de que não é apenas um artista; deve ser também um profissional ligado à saúde. A função de fiscalizar os serviços oferecidos por estúdios de tatuagens e maquiagens é dos órgãos de vigilância sanitária estaduais e municipais. Os estabelecimentos que não se enquadram nas regras são multados e perdem o alvará de funcionamento. A primeira medida recomendada aos interessados em fazer tatuagem e maquiagem definitiva é procurar saber se o estabelecimento possui alvará e se está registrado junto à Anvisa. Quem pretende fazer uma tatuagem, precisa verificar principalmente as condições de higiene do estúdio. O am-

biente tem de ser limpo, bem ventilado e livre de contaminações externas. É imprescindível que o profissional use luvas descartáveis, óculos ou máscaras de proteção. As agulhas também devem ser descartáveis para evitar o contágio de doenças. O ideal é que o tatuador abra a embalagem das agulhas na frente do cliente, para mostrar que o material está em ordem, afirma a gerente de Fiscalização da Vigilância Sanitária. Para as pessoas que querem fazer maquiagem definitiva, as regras são semelhantes. No entanto, é importante verificar se o profissional possui um certificado que comprove sua qualificação técnica. Também se recomenda verificar se são de cores claras as roupas do profissional, por questões de higiene, e as condições do local onde será feita a maquiagem. Os órgãos de vigilância sanitária desaconselham as pessoas a fazerem tatuagens com ambulantes, nas ruas, o que é muito comum nas grandes cidades brasileiras. Nas ruas, não há segurança para atestar a qualidade do material usado, as condições de saúde e higiene para esta prática não são as ideais e, caso haja algum problema, será mais difícil identificar e responsabilizar o tatuador. Esses órgãos também alertam que menores de idade só podem fazer tatuagens se estiverem acompanhados dos pais ou responsáveis.

E na hora de procurar emprego... Para os mais jovens, preconceito contra quem tem algum tipo de piercing ou tatuagem pode até soar como algo estranho, já que ter um desenho no corpo ou um alargador na orelha está se tornando cada vez mais comum. Mas, por diversos outros motivos, o preconceito não é tão difícil de ser notado. Ter um piercing pendurado no corpo ou uma tatuagem pode até te custar um emprego. O presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos, Ralph Arcanjo Chelotti explica que tatuagens, piercings e alargadores têm uma história e, em sua origem, eram mais associados a marinheiros e marginais, o que ficou registrado no inconsciente coletivo, daí o motivo de certa associação entre as pessoas que usam esses ornamentos a indivíduos pouco confiáveis. Claro que isso não é uma regra e normalmente atinge setores mais conservadores. Em segmentos como o de comunicação, moda ou design, com maior quantidade de jovens, é muito raro acontecer esse tipo de problema, pelo contrário, até se valoriza a criatividade e estilo próprio. Para Chelotti, os jovens hoje associam as ta-

tuagens ao belo, mas também a uma certa identificação tribal, de grupo, algo que as sociedades modernas, massificadas, deixaram para trás. Para evitar maiores problemas, o presidente recomenda: "Os jovens que usam tatuagens ou piercings e que vão se candidatar a vagas em empresas de viés conservador, como as do segmento financeiro, por exemplo, não devem ostentar as tatuagens, pois correm o risco de perder a vaga. Aí eu recomendo cautela, o que pode ser conseguido por meio de uma roupa adequada, camisas de mangas longas. Ao agir com essa prudência, o jovem mostra que valoriza a opinião dos outros sobre temas mais polêmicos", assinala. Segundo Chelotti, mais do que ter tatuagens ou piercings, mostrá-los é o que pesa contra os candidatos. Isso passa a mensagem de que eles não se importam com o que os outros pensam, um aspecto negativo quando o assunto é trabalho em equipe. "Mas se o entrevistador perguntar, é importante falar a verdade. O candidato pode dizer que usa sim tatuagens, mas que as considera algo pessoal e que, por essa razão, não as fica exibindo.

Esta postura vai mostrar ao entrevistador que aquela pessoa, aquele indivíduo, tem opinião própria, mas respeita a opinião que outros possam ter sobre temas que ainda geram polêmica na sociedade", explica. Para o presidente, a situação é mais difícil para quem tem piercings e alargadores que ainda são chocantes para muitos recrutadores de empresas mais conservadoras e devem ser evitados se o candidato almeja ter alguma chance à vaga. "Há alguns piercings muito sutis, que algumas moças usam até como brincos, que já são aceitos. Mas há outros que passam uma imagem agressiva e que, fora de alguns contextos ou grupos sociais, não são muito bem vistos". Fontes vilamulher.terra.com.br e portaldafamilia.org Claudia Zarpelon Setim Diretora Pedagógica Pricila Rebelo Coordenadora de 5ª a 7ª Série


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