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| Terça-feira, 16 de julho de 2013

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É muito comum que, quando a criança conta uma mentira, os pais ou professores tenham atitudes que promovem essa crença infantil de que ela é "transparente". A criança pequena tem a impressão de que seus pensamentos e sentimentos podem ser observados pelos mais velhos através do seu corpo. Ela não é capaz de perceber que o adulto descobriu que ela mentiu porque "leu" os sinais e chegou a uma conclusão contraria daquilo que a criança está afirmando. Exemplo: a criança está com a boca suja de açúcar ou mesmo chocolate e a mãe, como se desconhecesse, pergunta: "você comeu o bolo de chocolate antes do jantar?" A criança responde que não, e a mãe logo diz que vai olhar dentro dos olhos dela e descobrir a verdade. E assim faz, dizendo para a criança que seus olhos estavam mostrando que ela havia comido sim, que "os olhos" não mentem jamais. Outro exemplo: a criança que fala que tomou banho e na verdade não tomou. A criança acha que o adulto tem o dom de saber tudo. Afinal, o que é mentir? É afirmar algo que a pessoa sabe ser contrário à verdade, é distorcer propositalmente a verdade. A criança considera que é mais sério mentir a um adulto do que a outra criança, por que o adulto pode punila e uma mentira é considerada mais grave quando não se pode acreditar nela. Dizer que estava na casa do colega, sendo que não estava. Muitas vezes a criança mente por autodefesa pelo temor de ser castigada. É o caso da criança que diz não ter quebrado o brinquedo do irmão porque sabia que não deveria ter brincado com ele, e teme a punição, caso seja descoberta. Se os adultos querem que a criança construa o valor honestidade, primeiramente devem estar preparados para ouvir tanto as verdades agradáveis e as desagradáveis também. Quando a criança é punida ao contar a verdade, ela vai tentar numa outra situação mentir para escapar da punição. Assim, ao interagir com o meio, a partir das vivências que tem com as pessoas e as situações a criança vai construindo seus valores morais, experimentando a validade ou não de normas que foram ensinadas pelos adultos. Os adultos têm o dever de ensinar as crianças para sempre contar a verdade e não precisar mentir. Quando a criança conta verdades desagradáveis ou confessa uma falha, o adulto pode dizer-lhe que não gostou do que ele fez e comentar sobre sua atitude (e não puni-la), mas apresentar que está satisfeito pelo fato de que, mesmo sabendo que ele não aprovaria, ela ter preferido contar a verdade a mentir. A criança também não deve ser estimulada a mentir sobre seus sentimentos, quaisquer que sejam: positivos e negativos. É muito comum, a gente ouvir dos adultos que "homem não chora", "o seu nariz vai crescer igual do Pinóquio". "Jesus fica triste com a criança que mente", etc. Não se deve mentir para não romper o vínculo de confiança existente em qualquer relação. A confiança é quebrada quando se diz coisas que não são verdadeiras. Se as pessoas começarem a dizer coisas que não são verdades, que não aconteceram, uma às outras, vai chegar uma hora em que não se poderá mais acreditar nelas. Fonte: http://guiameubebe.com.br Tatiane P. Zen - Coordenadora Educação Infantil (Maternal Baby e Maternal)

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