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Chico Lustosa - e-mail: composicao@metropolesjp.com.br / lustosa@onda.com.br

| 29 e 30 de janeiro de 2011 |

Jeep Grand Cherokee Quarta geração do SUV estabelece novo padrão de luxo e remonta as origens da Jeep É sempre bom remontar às origens. É nela que residem os erros e também as glórias. A quarta geração do Grand Cherokee começa exatamente daí. A Jeep, divisão offroad da Chrysler, foi buscar no passado (e nos antepassados) elementos para construir um utilitário esportivo que realmente impressionasse. Mas a idéia não era ter uma mera estética retrô. Era necessário reunir as características inerentes à marca, como o visual bruto, a capacidade fora de estrada e as tecnologias, somadas a um luxo ainda não visto em seus modelos. E o resultado está aí. A nova geração do Grand Cherokee, segundo a própria empresa, é o Jeep mais luxuoso e sofisticado de toda a sua história. E quais foram as inspirações que fizeram nascer o novo modelo? Justamente os erros e acertos do passado. O visual, por exemplo, sofreu grande influência do Wagoneer, utilitário topo de linha da Jeep que foi produzido por três décadas (1963-1993) – até hoje é o veículo que mais tempo ficou em produção nos Estados Unidos. O luxo, por sua vez, foi o aspecto mais criticado na geração anterior. Quase todas as publicações especializadas pelo mundo reclamaram da quantidade de plásticos rígidos a bordo. Foi juntando essas “peças” que a Jeep chegou ao modelo final, lançado no início de 2010 no mercado norteamericano e agora à venda no Brasil, a partir de R$ 154.900. Duas versões e um conjunto mecânico A nova geração do Grand Cherokee estreia no território brasileiro em duas versões de acabamento: a básica Laredo e a topo de linha Limited – nos próximos meses deve chegar também a verdadeira configuração “top”, chamada pelo sufixo Overland. Tanto a Laredo (R$ 154.900) quanto a Limited (R$ 174.900) são oferecidas com o mesmo conjunto mecânico (motor/ câmbio). O bloco escolhido foi o 3.6 litros V6 Pentastar, o mais novo motor desenvolvido pela norteamericana Chrysler. Dotado de comando variável de válvulas, o propulsor a gasolina e naturalmente aspirado produz fortes 286 cv de potência, além de um torque robusto de 35,4 kgfm aos 4.300 giros. Para gerenciar o bloco, a marca escolheu um câmbio automático

de cinco marchas, que trabalha em conjunto com o sistema de tração 4X4 Quadra-Trac II. A transmissão oferece modo sequencial, que curiosamente tem apenas quatro marchas – a quinta seria um overdrive disponível somente no modo automático. Já a caixa de transferência (com reduzida) ganhou um seletor de ajustes (Select-Terrain). Há o modo automático, o Sport, para neve (Snow), para areia e lama (Sand/Mud) e o Rock, que na tradução seria para pedras, mas funciona para qualquer situação mais severa de fora-de-estrada. Neste caso, é preciso estar com a reduzida (4X4 Low) acionada. Conforto, muita segurança e toque suave No melhor estilo americano de vida, o novo Grand Cherokee também foi concebido para ser o modelo mais seguro e agradável já fabricado pela Jeep. Por isso, todo o interior foi minuciosamente montado para oferecer silêncio, prazer e suavidade – característica impensável em um jipe. O luxo foi concentrado nas peças. Os encai-

xes são precisos e as superfícies suaves (“Soft-touch”) – não há mais os plásticos rígidos do modelo anterior. Ao mesmo tempo, o isolamento acústico foi triplamente reforçado e as dimensões, levemente alongadas (comprimento, largura e bitolas). Para completar, o SUV tem suspensão independente nos dois eixos pela primeira vez. Essas mudanças acenam uma maior aptidão pelo asfalto, comprovada também nos recursos eletrônicos adotados. O modelo traz diversos dispositivos de segurança, entre eles os freios com ABS e EBD, os controles eletrônicos de estabilidade e de tração e os airbags frontais, laterais e de cortina. Só que a lista também traz sistemas mais sofisticados, como o monitor da pressão dos pneus, o Hill Holder (de auxílio em ladeiras), o sistema de alerta de frenagem, que prepara os freios se o condutor tirar o pé do acelerador muito rápido, e o sistema de auxílio em chuvas, que encosta a pastilhas nos discos constantemente, quando o limpador do para-brisas está acionado.

Primeiras impressões: um 4X4 legítimo Angra dos Reis/RJ – É fato que os novos tempos exigem adaptações. Mas todo jipe que se preze tem de ser capaz de encarar os obstáculos da natureza. Essa é a sua real vocação. E com o Grand Cherokee, não é diferente. Por mais que os SUVs de hoje em dia circulem majoritariamente sobre o asfalto, é preciso ter a capacidade fora-de-estrada para encarar os terrenos mais hostis. E a Jeep, obviamente, não titubeou nisso. A montadora instalou no modelo seu robusto sistema de tração 4X4 Quadra-Trac II e o refinou, com o seletor de ajustes Select-Terrain. Como conseqüência, o Grand Cherokee se tornou um jipão ainda mais dócil de guiar, como você verá, ou melhor, lerá. Nos cerca de 130 quilômetros de test-drive, num percurso entre as cidades do Rio de Janeiro e Angra dos Reis, o Grand Cherokee se mostrou um carro de passeio de dimensões brutas. O

silêncio a bordo foi um dos aspectos que mais impressionou, com nível baixíssimo de ruídos externos e do motor V6 Pentastar – quase não se houve sou ronco. O tal luxo, muito reforçado pelos executivos da Jeep, também se mostrou marcante. Praticamente todas as peças de revestimento da cabine têm superfícies macias e são cobertas em couro “de verdade”. Na versão Limited, há madeira (também “de verdade”) no painel. E os encaixes são realmente primorosos. Já o espaço interno se vale das dimensões abrutalhadas. São longos 4,82 metros de comprimento, com 1,94 metro de largura, 1,78 metro de altura, além de espaçosos 2,91 metros de entre-eixos. Atrás, o porta-malas consegue carregar impressionantes 782 litros, volume que aumenta para 1.554 litros com os bancos traseiros rebatidos – é uma legítima “barca” sobre rodas. Ao mesmo tempo, o novo conjunto de suspensão, agora independente nos dois eixos, é mais suave e adequado ao asfalto. Em movimento, o SUV mostrou-se extremamente equilibrado, apesar de sua al-

tura elevada em relação ao solo. Aqui colaborou também o sistema 4X4 Quadra-Trac II. Na estrada, foi possível experimentar modo sequencial do câmbio (Auto Stick). A curiosidade fica no fato de haver apenas quatro relações – a quinta marcha é exclusiva do modo automático (“D”) e funciona como um overdrive. Apesar da limitação das marchas, a transmissão se mostrou muito bem escalonada e ligeira nas trocas. Não houve trancos nem demora nas mudanças. Também experimentamos o modo Sport do programa da suspensão Quadra-Trac II. Com o seletor posicionado nele, o sistema faz com que o câmbio estique as relações até o limite de giros do motor, fazendo com que o veículo acelere de forma mais agressiva. Mas o momento de colocar o Grand Cherokee à prova foi ao final do test-drive, quando encaramos uma pista off-road nas dependências de um resort próximo à cidade de Angra dos Reis. Ali, o jipão topo de linha rodou na areia, enfrentou um pouco de lama e atravessou dois córregos. Nessa hora sobrou a tecnologia embarcada. O utilitário transpôs todos os obstáculos com autoridade e sem exigir grande habilidade de seus condutores. Bastou acionar o modo de reduzida (4X4 Low), por meio de um botão junto ao seletor do SelectTerrain, próximo à alavanca do câmbio. Para acioná-lo é preciso posicionar o câmbio em neutro e pressionar o botão por dois segundos. Claro, o tempo todo atuou o novo propulsor 3.6 litros V6 Pentastar, responsável por empurrar vários veículos do grupo Chrysler. O torque de 35,4 kgfm pode ser notado já a partir dos 2 mil giros e faz com que o Grand Cherokee arranque com vontade. Mas as quase 2,2 toneladas de peso em ordem de marcha fazem com que o modelo demore a ganhar velocidade – apesar dos 286 cv de potência e o gerenciamento eficiente do câmbio. Mas este Grand Cherokee não foi criado para oferecer esportividade – essa proposta é do cupê Dodge Challenger, que está prestes a chegar ao Brasil. Ao SUV “top” da Jeep, o que vale é o poder 4X4, o luxo e a sofisticação. Só o sistema multimídia premium MyGIG reúne uma série de dispositivos que tornam a vida a bordo ainda mais agradável. Além de rádio/CD player, entradas USB e auxiliar e conexão Bluetooth, há uma tela de LCD sensível ao toque (no console central), leitor de DVD e outra tela de 10 polegadas no meio do teto. E no console inferior, entre os bancos, uma mesa oferece entradas para dispositivos como videogames. Isso sem falar nos ajustes elétricos para os bancos dianteiros e o volante, aquecimento e o inteligente Smart Beam, que alterna sozinho os faróis bixênon alto e baixo. Comparado ao antecessor, este é realmente outro Grand Cherokee. E promete um sucesso comercial bem maior que as 60 unidades mensais previstas pela Jeep.


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