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CURITIBA, QUARTA-FEIRA, 29 DE MARÇO DE 2017 www.metrojornal.com.br

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PF prende sucessor de Barusco na Petrobras Lava Jato. Ex-gerente de Serviços Roberto Gonçalves herdou “bastão da propina” e recebeu pelo menos US$ 5,2 milhões no exterior, diz MPF Um ex-gerente de Serviços da Petrobras, Roberto Gonçalves, foi preso ontem na 39ª fase da Lava Jato (Operação Paralelo) pela suspeita de ter recebido pelo menos US$ 5,2 milhões em propinas durante e depois de ocupar o cargo. Detido em Boa Vista-RR, Gonçalves já havia sido preso em novembro de 2015 na 20ª fase da Lava Jato, mas na época as evidências de corrupção eram menores e ele foi libertado após dez dias. Desta vez, a prisão é preventiva, sem prazo para soltura. Gonçalves foi gerente de Serviços da Petrobras de março de 2011 a maio de 2012, substituindo na função o delator Pedro Barusco, que devolveu US$ 97 milhões desviados quando confessou os crimes. “Na sucessão do cargo, também se passou o bastão da propina”, afirmou o procurador Roberson Pozzobon, do MPF (Ministério Público Federal). A Justiça afirma que Gonçalves recebeu os repasses de três fontes: US$ 1,2 milhão da empreiteira UTC (pagos através do operador Mario Góes), US$ 2,93 milhões da Odebrecht e US$ 1,1 milhão do

Gonçalves já havia sido preso no final de 2015 | RODRIGO FÉLIX LEAL / FUTURA PRESS

operador Guilherme Esteves, que estaria agindo em nome do estaleiro Jurong. Nos dois primeiros casos – UTC e Odebrecht – as propinas eram ligadas a obras do Comperj (Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro), que tem vários contratos com fraudes já comprovadas pela Justiça. Gonçalves, segundo o MPF, deu ao Consórcio Pipe Rack (formado por UTC, Odebrecht e Mendes Júnior) um contrato sem uma nova licitação, apesar de o preço ofe-

recido pelas empreiteiras ter ficado acima do máximo aceitável pela estatal. A outra parte da propina teria sido paga no conjunto de sondas do pré-sal que a empresa Sete Brasil construiu para a Petrobras. O estaleiro Jurong, um dos subcontratados pela Sete Brasil, teria pago US$ 1,1 milhão a Gonçalves como parte de um acordo que rendia propinas a dirigentes da Petrobras, da Sete e também ao PT, através do ex-tesoureiro João Vaccari.

Ocultação pós-Lava Jato Gonçalves, segundo o MPF, mantinha quatro contas bancárias na Suíça através de offshores registradas no Panamá e nas Bahamas, além de uma em nome próprio. Além disso, pediu “emprestada” uma conta de Rogério Araújo, ex-diretor da Odebrecht, para guardar US$ 2,3 milhões que tinha a receber. Em abril de 2014, poucas semanas após o início da Lava Jato – quando já havia sido preso o ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa –, Gonçalves reuniu quase todo o dinheiro em uma só conta e transferiu o saldo para a China. Em investigação própria, a Suíça bloqueou mais de US$ 4 milhões controlados pelo ex-gerente. O advogado James Walker, que defende Gonçalves, afirma que só hoje tomará conhecimento das acusações. “Fomos surpreendidos. Ainda não tivemos acesso ao conteúdo das informações que motivaram o decreto prisional”, afirmou. RAFAEL NEVES METRO CURITIBA

MPF convida investigados a tentarem delação premiada Em pouco mais de três anos, a Lava Jato já assinou 155 acordos de delação premiada, mas o procurador Roberson Pozzobon, do MPF (Ministério Público Federal), deixou claro ontem que a força-tarefa não se opõe ao fechamento de novas colaborações. “Talvez o caminho adequado para eles [investigados] é, antes que estejam no radar, ou ao menos antes que ostensivamente apareçam na investigação, que eles procurem as autoridades públicas e revelem os fatos ilícitos que praticaram. Restituam o dinheiro que desviaram dos cofres públicos e aí busquem, por meio da celebração de um acordo de colaboração premiada, acertar a sua situação com a Justiça”, disse o procurador. Apesar de quatro ex-diretores condenados e das dezenas de processos, Pozzobon diz que ainda há apurações em andamento sobre a estatal. “Mesmo a investigação de corrupção na Petrobras não

Pozzobon: apuração na Petrobras não se esgotou | RODRIGO LEAL / FUTURA PRESS

se exauriu, há muito a ser investigado, há diversas condutas com investigação sigilosa”, comenta. A 39ª fase da Lava Jato, aliás, foi a primeira a usar confissões de um dos 77 executivos da Odebrecht – no caso, de Rogério Araújo. Quase todos os depoimentos seguem em sigilo no STF (Supremo Tribunal Federal), mas o MPF no Paraná já interroga delatores em ações que não envolvem pessoas com foro privilegiado. METRO CURITIBA

Meio ambiente. Coleta de Paraná. Colheita e venda agrotóxicos proibidos tem do pinhão valem no sábado nova fase em Londrina A colheita e comercialização do pinhão estará per-

O programa de coleta de estoques remanescentes de agrotóxicos proibidos no país foi retomado pelo governo do Paraná. Em Londrina, cuja coleta aconteceu entre os dias 10 e 20 de março, foram recolhidas mais de 36 toneladas de agrotóxicos e outros produtos com uso proibido na agricultura. Em todo o Estado, a expectativa é de recolhimento de mais de 200 toneladas. Na região de Londrina, de 10 a 13 de abril, haverá nova campanha e a previsão é de recolher mais de 44 toneladas de BHC e 9 mil litros de obsoletos de 71 propriedades em 24 municípios. Fora da data estipulada os produtos não serão recolhidos e o passivo ambiental

volta para a propriedade. O agricultor que fizer a entrega fica isento de quaisquer sanções cíveis, penais e administrativas relacionadas aos produtos BHC e outros agrotóxicos obsoletos proibidos por lei.

O programa O projeto envolve a Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Secretaria da Agricultura e do Abastecimento, INPEV (instituto que representa a indústria fabricante de agrotóxicos para a destinação das embalagens vazias de seus produtos), Organização das Cooperativas do Estado do Paraná e do Sistema FAEP. O programa começou em 2009. METRO MARINGÁ

mitida somente a partir do próximo sábado (1º). O alerta é do Instituto Ambiental do Paraná, que destaca que qualquer atividade envolvendo a semente está proibida, incluindo o transporte e o armazenamento. Diversas pessoas e estabelecimentos já foram autuados no Paraná por estarem vendendo o pinhão na beira de estradas e em mercados. O objetivo da proibição é garantir a maturação do pinhão e a continuidade da araucária no Estado. É nesta época do ano que as pinhas amadurecem para a reprodução da espécie. Segue proibida, independente da data, a comercialização das pinhas verdes – nesse estado, as pinhas podem conter fungos e ser prejudiciais

Pinhas verdes não podem ser comercializadas | DIVULGACÃO/IAP

à saúde, assim como os pinhões que não estão maduros o suficiente para o consumo. Quem for flagrado na venda, transporte ou armazenamento da semente antes de 1º de abril está sujeito a responder a processos administrativo e a criminal, além de multa de R$ 300 para cada 60 quilos de pinhão. METRO MARINGÁ

Urutau no Noroeste Uma equipe de Guarda Municipal de Sarandi (RM de Maringá) resgatou, em um terreno da cidade, um Urutau (pássaro de hábitos noturnos e raro de ser encontrado). O animal, machucado, foi entregue à Polícia Ambiental de Maringá | DIVULGAÇÃO/GM SARANDI

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