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CAMPINAS, QUINTA-FEIRA, 1º DE DEZEMBRO DE 2016 www.metrojornal.com.br

Juros. Banco Central reduz REPERCUSSÃO Selic pela segunda vez no ano O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central anunciou ontem uma nova redução dos juros básicos da economia, de 14% ao ano para 13,75% ao ano. No mês passado, o comitê também cortou a Selic em 0,25 ponto percentual, a primeira queda em quatro anos. A decisão foi unânime e já era amplamente esperada pelo mercado financeiro. Em comunicado, o BC destacou que a economia mostrou-se mais fraca do que o esperado no curto prazo. “A evidência disponível sinaliza que a retomada da atividade econômica pode ser mais demorada e gradual que a antecipada previamente”, diz. O BC avalia ainda que a inflação recente mostrou-se mais favorável que o es-

13,75% ao ano é taxa de juros, que foi reduzida em 0,25 ponto percentual

“É muita recessão para um corte pífio de Selic. Não há dúvida de que são necessários cortes mais agressivos da taxa de juros ” PAULO SKAF, PRESIDENTE DA FIESP E DO CIESP

perado. Além disso, para o comitê, os passos no processo de aprovação das reformas fiscais têm sido positivos até o momento. Por outro lado, o BC considera o cenário externo especialmente incerto, citando a possibilidade de aumento da taxa de juros nos Estados Unidos. “Há elevada probabilidade de retomada do processo de normalização das condições monetárias nos EUA no curto prazo e incertezas quanto ao rumo de sua política econômica”, afirma METRO

“É acertada a decisão [...] Esperamos, agora, que haja continuidade da política de redução dos juros” ALENCAR BURTI, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE SÃO PAULO

“A queda é muito tímida” PAULO PEREIRA DA SILVA, PRESIDENTE DA FORÇA SINDICAL

Petróleo. Ação da Petrobras salta com acordo da Opep As ações da Petrobras tiveram a maior alta percentual diária desde março. Os papéis ordinários encerraram com ganho de 10,59%, a R$ 18,47, e as preferenciais tiveram valorização de 9,14%, a R$ 16,00. O mercado reagiu à disparada do petróleo no mercado internacional, depois que a Opep (Organização dos Países Exportadores de Petróleo) fechou o primeiro acordo para corte da produção desde 2008. O Ibovespa fechou em alta de 1,51%, a 61.906,36 pontos, após ter caído 2,97% na véspera. Apesar disso, o índice acumulou queda de 4,65% no mês. No ano, acumula ganho de 42,81%.

A Opep fechou ontem seu primeiro acordo para corte de produção desde 2008. Segundo comunicado oficial da entidade, o nível de produção será reduzido dos atuais 33,6 milhões de barris diários para 32,5 milhões – queda de 3,27%. O acordo está em linha com a proposta da Argélia. O fechamento do acordo fez o preço da commodity disparar no exterior. Segundo a agência Reuters, o petróleo Brent para entrega em janeiro, negociado em Londres, subiu 8,82%, a US$ 50,47 o barril, enquanto o petróleo tipo WTI, negociado em Nova York, ganhou 9,6%, a US$ 49,44 o barril. METRO

Jim Delligatti mostra sua invenção | REPRODUÇÃO/TWITTER

98 anos. Morre o homem que criou o Big Mac Jim Delligatti, o inventor do Big Mac, morreu ontem aos 98 anos. Quando o McDonald’s vendia apenas opções simples de cheesebuguer e milk shake, Delligatti decidiu criar uma versão grande para o lanche. A rede foi contra a receita inovadora, mas acabou se rendendo em 1968, quando o lanche foi lançado nas lojas dos EUA. METRO

Supermercado. Vendas crescem 1,16% no ano As vendas dos supermercados cresceram 1,16% no acumulado do ano, entre janeiro e outubro, de acordo com a Abras (Associação Brasileiras de Supermercado). No mês passado, as vendas do setor tiveram alta de 4,78% sobre setembro e de 0,71% em relação ao mesmo período de 2015. Segundo o vice-presidente da Abras, João Sanzovo, medidas adotadas pelo governo federal levaram à melhora dos indicadores econômicos. “Existe uma

estabilidade nas vendas e também, no fim do ano, a perspectiva é de que continue estável. Não são números bons, mas também não vão piorar”, avalia Sanzovo. O índice Abrasmercado, que calcula o custo da cesta básica, aumentou 0,18% em outubro, passando para R$ 484,67. No acumulado de janeiro a outubro, a cesta apresentou alta de 16,02%. A elevação foi influenciada pelo aumento de preços das carnes nobres (5,72%). METRO

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{ECONOMIA}

Preços subiram 16% neste ano | MARCELO CAMARGO/ABR

Economia tem sétimo trimestre seguido de queda Recessão. Queda de 0,8% no terceiro trimestre coloca em risco recuperação esperada para 2017. Investimentos despencam 3,1% A economia brasileira encolheu 0,8% no trimestre passado sobre os três meses anteriores, marcando o sétimo trimestre seguido de contração. Sobre o igual período de 2015, o PIB despencou 2,9%. O tombo anual coloca o Brasil na lanterna do ranking mundial com 40 países que representam 83% do PIB mundial. Segundo o levantamento da Austin Rating, a Índia foi o país com o melhor desempenho (alta de 7,3%), seguida por Filipinas (7,1%) e China (6,7%). Os destaques da economia brasileira foram as quedas dos investimentos e consumo, quadro que dificulta ainda mais a recuperação da atividade esperada para 2017. No ano, o tombo do PIB chega a 4%, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). No período de julho a setembro, os investimentos voltaram a despencar, com uma queda de 3,1%, a mais acentuada desde o último trimestre de 2015 (-4,4 %). Para Alexandre Espirito Santo, economista da Órama Investimentos, o retorno ao crescimento torna-se ainda mais desafiador, pois os empresários estão reticentes e vêm adiando os investimentos. “Precisamos, urgentemente, das reformas, que estabilizem nossa situa-

EVOLUÇÃO DO PIB 0,1

Variação em relação ao trimestre anterior, em %

0,2

-0,9 -2,3 3º TRI 4º TRI 2014

1º TRI

PERÍODO DE COMPARAÇÃO PIB AGROPECUÁRIA INDÚSTRIA SERVIÇOS INVESTIMENTOS CONSUMO DAS FAMÍLIAS CONSUMO DO GOVERNO

-1,1

-1,6

2º TRI 3º TRI 2015

4º TRI

-0,5

-0,4

1º TRI

2º TRI 2016

3º TRI

Mesmo trimestre do ano anterior

Trimestre anterior -0,8% -1,4% -1,3% -0,6% -3,1% -0,6% -0,3%

-0,8

-2,9% -6% -2,9% -2,2% -8,4% -3,4% -0,8%

FONTE: IBGE

ção fiscal e permitam quedas mais significativas da taxa de juros. Sem essas, a recuperação será muito mais lenta e comedida e será adiada para meados de 2017”, afirma. Em meio ao aumento do desemprego e queda da confiança, o consumo das famílias caiu 0,6% no terceiro trimestre sobre o anterior. Os serviços, por sua vez, recuaram 0,6% no período, também a sétima retração seguida. Diante desse cenário, o Bradesco piorou as projeções para o PIB para este ano, que passou de queda de 3,4% para declínio de 3,6%. Já a previ-

são de crescimento em 2017 foi reduzida de 1% para 0,3%. Segundo o Ministério da Fazenda, a principal razão para o resultado do PIB foi o elevado nível de endividamento das empresas, que refletiu na queda do investimento. “Esse quadro decorreu de condições anteriores ao estabelecimento da nova agenda econômica do governo, que se mostraram mais graves do que inicialmente percebidas”, diz. O governo manteve as projeções para 2016 e 2017. A previsão é de retração de 3,5% para 2016 e crescimento de 1% para 2017. METRO

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