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CAMPINAS, QUINTA-FEIRA, 1º DE DEZEMBRO DE 2016 www.metrojornal.com.br

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Chapecoense: ‘falha total elétrica e de combustível’ Tragédia na Colômbia. Em último contato com a torre do aeroporto de Medellín, piloto do voo que levava delegação da Chapecoense e profissionais da imprensa relata problemas no avião e insiste em ter autorização para pousar. Diálogo teve aproximadamente 11 minutos “Após uma hora de voo foi informado que estávamos tendo problemas com um vazamento de combustível e que deveríamos fazer um pouso de emergência na cidade próxima de Medellín” HANNA PFEFFER, PASSAGEIRA DO AVIÃO DA VIVA COLÔMBIA

para a região montanhosa de Cerro El Gordo que é 10 mil pés (3.048 metros), onde a aeronave se acidentou. Em seguida, o piloto pede as coordenadas para iniciar os procedimentos de pouso e as recebe. A torre ainda informa a distância do avião para pista, que era de 13km, avisa que há chuva e que os bombeiros haviam sido acionados. O contato, então, é perdido. Quando o avião fica sem comunicação com a torre de comando, ele sobrevoava as cidades de La Ceja e Aberrojal, à 0h33 de Brasília, e a queda ocorreu à 1h15 no Cerro El Gordo – de acordo com informações do aeroporto de Medellín. O outro voo A advogada brasileira Hanna Pfeffer, passageira do avião da Viva Colômbia que ganhou prioridade para aterrissar, contou à BandNews FM que o tempo era relativamente bom naquele momento, com uma chuva fraca, mas que enfrentou turbulência durante o tra-

jeto. “Após uma hora de voo foi informado que estávamos tendo problemas com um vazamento de combustível e que deveríamos fazer um pouso de emergência na cidade próxima de Medellín, Rio Negro. Depois, houve muito pânico, todos muito apreensivos, com medo. E acabamos pousando”, relatou. METRO

Boliviano Miguel Quiroga, que pilotava o Avro RJ85, informou problemas à torre | REPRODUÇÃO/FACEBOOK

9 mil pés era a altura que o piloto informou que voava, abaixo da altura recomendada pela Aeronáutica da Colômbia

71 pessoas morreram com a queda do avião e seis sobreviveram Ouça a gravação completa entre piloto e torre no metrojornal.com.br

REPRODUÇÃO/FLIGHTRADAR24

Um diálogo de aproximadamente 11 minutos divulgado ontem pela Blu Radio, da Colômbia, revela a insistência do piloto boliviano Miguel Quiroga com a torre de controle do aeroporto José Maria Córdova, em Medellín, para pousar o avião da LaMia, modelo Avro RJ85, que transportava a delegação da Chapecoense e profissionais da imprensa por conta da situação de emergência da aeronave. O avião caiu na madrugada de terça-feira na região de Antióquia e deixou 71 mortos. Apenas 6 sobreviveram. Durante a conversa, o comandante revela que a aeronave estava em “pane total elétrica e de combustível”. Por isso, ele pede em diversas ocasiões da gravação, feita momentos antes do acidente, que haja prioridade para aterrissagem diante do quadro. A controladora que está em contato com Quiroga dá ordens para que a aeronave permanecesse no ar e aguardasse porque havia uma emergência com outro veículo, um Airbus da empresa Viva Colômbia, que estava sendo atendido no mesmo momento. Em um dos trechos, o piloto informou que voava a 9 mil pés (2.743 metros), abaixo da altura recomendada pela Aeronáutica Civil da Colômbia

O VOO LMI-2933 DO AVIÃO LAMIA AVRO RJ85 De acordo com dados do site de rastreamento de voos FlightRadar24, o voo LMI-2933, que transportava a delegação da Chapecoense e profissionais de imprensa, mostra a diminuição brusca de velocidade e altitude até a queda. Já no rastro de trajeto, é possível ver que o avião ficou voando em círculos esperando a autorização do aeroporto de Medellín

Hipótese de que avião não tinha Plano de voo previa combustível suficiente ganha força parada para abastecer O avião Avro RJ-85, da LaMia, não tinha autonomia para fazer o trajeto entre Santa Cruz de La Sierra, na Bolívia, e Medellín, na Colômbia. É o que apontam especialistas ouvidos pela rádio BandNews FM sobre o acidente que vitimou 71 pessoas no voo que levava a delegação da Chapecoense para a disputa da final da Copa Sul-Americana. Segundo o comandante Carlos Camacho, ex-diretor do Sindicato Nacional dos Aeronautas, uma aeronave só

pode decolar se tiver capacidade para voar por mais tempo do que apenas até o destino programado: “É preciso ter combustível até o trajeto previsto, além de uma rota alternativa e ainda mais 30 minutos para emergências, totalizando 45 minutos de sobra.” O site oficial da LaMia, que estava fora do ar na terça-feira, dia do acidente, mostra que o modelo tem autonomia para voar, no máximo, 2.965 quilômetros com o tanque cheio.

O portal Flight Radar, que monitora voos em todo o mundo, aponta que o voo LMI-2933 percorreu 2.975 km até desaparecer do radar. A hipótese principal é que o piloto Miguel Quiroga tenha tentado completar o voo sem ter combustível suficiente. Diretor da Aeronáutica Civil da Colômbia, Alfredo Bocanegra reforçou a tese e confirmou que o avião não tinha autonomia para o percurso e deveria ter parado para reabastecer. METRO

O plano de voo do LaMia previa a possibilidade de parar no caminho para reabastecimento. De acordo com o general boliviano Gustavo Vargas, diretor da empresa, as cidades de Cobija, na Bolívia, e Bogotá, na Colômbia, eram alternativas para aterrissagem em caso de necessidade. Em entrevista ao canal local Unitel, Vargas revelou que não houve como realizar o procedimento. “Lamentavelmente não pudemos reabastecer a ae-

“Lamentavelmente não pudemos reabastecer a aeronave em Cobija, que era o ponto inicial, porque ficou tarde e este aeroporto não funciona à noite” GUSTAVO VARGAS, GENERAL BOLIVIANO

ronave em Cobija, que era o ponto inicial, porque ficou tarde e este aeroporto não

funciona à noite. Então eliminamos Cobija, mas o piloto tinha outra alternativa, que era Bogotá”, disse, antes de ponderar a decisão de Miguel Quiroga. “Antes de passar por Bogotá ele tinha de tomar a decisão, se estava com combustível teria que seguir, mas se havia algo errado com o combustível deveria parar. Se continuou é porque avaliou que podia. Continuou e aconteceu esta catástrofe.” METRO

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