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ABC, QUARTA-FEIRA, 28 DE MAIO DE 2014 www.metrojornal.com.br

{MUNDO}

Itamaraty sofre ataque hacker ‘Phishing’. Segundo o ministério, invasão afetou sistema interno de e-mails; ‘telegramas’ oficiais não foram atingidos pelo ataque O sistema interno de comunicações do Ministério brasileiro de Relações Exteriores foi alvo de ação de hackers nos últimos dias. O Itamaraty confirmou o ataque, mas disse ser ainda cedo para avaliar a extensão dos danos ou para inferir quem foram os responsáveis pela invasão. De acordo com a chancelaria, hackers teriam usado o chamado “phishing”, recurso em que e-mails enviados por pessoas aparentemente conhecidas incluem links maliciosos que direcionam o usuário a páginas que, por sua vez, instalam programas que recolhem informações sigilosas, como senhas e documentos. A assessoria de imprensa do Itamaraty disse que o sistema de e-mails institucio-

Ministério disse que mensagens oficiais não foram afetadas | DIVULGAÇÃO

nais do ministério foi afetado, tanto em Brasília como em embaixadas no exterior. O sistema de transmissão de comunicações oficiais, chamadas de “telegramas” - muitas das quais com teor confidencial - não foi afetado, segundo a assessoria.

Em função do ataque, o sistema de e-mails dos funcionários do Itamaraty foi completamente bloqueado na segunda-feira à noite. O ministério informou que a comunicação por e-mails está sendo retomada de forma gradual. METRO

Apelo. Egito estende pleito para driblar apatia de eleitor O Egito decidiu ontem estender em um dia a eleição presidencial, na tentativa de compensar o baixo comparecimento às urnas que pode minar a credibilidade do candidato favorito, o ex-chefe do Exército Abdel Fatah al-Sisi. O governo também declarou feriado ontem e liberou as passagens de trem para incentivar os eleitores. A votação de dois dias deveria terminar ontem às 16h (horário de Brasília), mas foi estendida para hoje para permitir que “o maior número possível” de pessoas vote, disse a mídia estatal. O Ministério da Justiça prometeu multar os egípcios que não votarem. Um comentarista proeminente chamou de “traidores” aqueles que não votam. Analistas dizem que para Sisi ter legitimidade, o comparecimento neste ano precisa ser maior que os 52% de 2012, quando a Irmandade Muçulmana venceu. METRO

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Análise

A ‘mania Sisi’ O “Guardian”, de Londres, constatou que o Egito “se rende à Sisimania”. Foi como tratou o “apoio crescente” ao general Abdel Fatah al-Sisi, quando comandante do Exército e chefe da junta militar que depôs um presidente eleito e adotou linha dura no trato com a Irmandade Muçulmana. Um fabricante de chocolate se oferecia a vendê-lo com a foto de Sisi e inscrição da mensagem “Obrigado, Sisi do fundo de nossos corações”. O chocolate começou a ser vendido em agosto, depois que as tropas de Sisi mataram mais de mil, expulsando a Irmandade de uma praça do Cairo. A razão da “Sisimania” está no fato, segundo o “Guardian”, de que “amplas porções dos egípcios consideram a Irmandade uma organização terrorista”. Muitos egípcios continuam aplaudindo Sisi por ele ter comandado a de-

posição de um presidente que queria “islamizar” o país. Os militares, segundo um colunista importante, Bassem Sabry, são vistos como “último bastião de estabilidade”. Então a deposição de um presidente, mesmo que eleito, é vista como “ato heroico”. “Love” por Sisi passou a ser visto em muitas ruas do Cairo. Uma empresa de “kebab” começou a vender sanduíches Sisi. Um fotógrafo de casamentos botou Sisi entre os noivos na imagem “oficial”. Confirmou-se a esperança de que a “mania Sisi” convencesse o general a concorrer na eleição presidencial. O general reiterava que não pretendia ir às urnas. “Não aceitamos ninguém, a não ser Sisi”, dizia Rafael Nasrallah, chefe de um dos muitos grupos que coletavam petições pró-candidatura de Sisi, afinal consumada.

NEWTON CARLOS Jornalista

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