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PORTO ALEGRE Segunda-feira, 31 de março de 2014 Edição nº 597, ano 3 MÍN: 22°C MÁX: 29°C

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HÁ CINCO DÉCADAS, NO DIA 31 DE MARÇO, UM GOLPE MILITAR DERRUBOU DO PODER O ENTÃO PRESIDENTE DEMOCRATICAMENTE ELEITO JOÃO GOULART. NESTA EDIÇÃO, O METRO JORNAL RELEMBRA O QUE ACONTECEU NAQUELE DIA E MOSTRA AS CONSEQUÊNCIAS DO ATO QUE MUDOU OS RUMOS DO BRASIL

RECICLE A INFORMAÇÃO: PASSE ESTE JORNAL PARA OUTRO LEITOR

PÁGS. 4, 5 E 8

Prefeitura divulga edital dos ônibus Termina hoje o prazo dado pela Justiça para a licitação do transporte público de Porto Alegre ser lançada PÁG. 02

Polícia do Rio ocupa De virada, Inter complexo da Maré larga com vantagem Após o fim da operação, que contou Rafael Moura | CARLOS EDUARDO QUADROS/FOTOARENA

Colarado vence o Tricolor por 2 a 1, na Arena, e sai na frente na final do Gauchão PÁGS. 16 E 17

com 1,5 mil policiais, menor é morto em confronto entre facções PÁG. 03


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PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 31 DE MARÇO DE 2014 www.readmetro.com

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Agora vai? Câmara vota hoje Parque Gasômetro e realiza audiência do plano cicloviário

FOCO

Cálculo da EPTC sugere reajuste de R$ 0,15 nas tarifas dos ônibus da capital | FOTOS: GABRIELA DI BELLA/ARQUIVO/METRO

Semana será de edital, aumento da passagem e... Mobilização. Bloco de Luta pelo Transporte Público organiza protesto contra o reajuste da tarifa que será definido nesta quarta

Agenda

Fórum da Liberdade

Terminam hoje as inscrições do primeiro lote para o 27º Fórum da Liberdade. O evento que contará com a presença de Gustavo Franco (foto), ex-presidente do Banco Central do Brasil – entre outros especialistas –, está marcado para os dias 7 e 8 de abril, na PUCRS. Outras informações no site www. forumdaliberdade.com.br

Cotações Dólar - 0,39% (R$ 2,25) Bovespa + 0,24% (49.768 pts) Euro - 0,88% (R$ 3,10) Salário Selic (10,75% a.a.) mínimo (R$ 724)

Esta será uma semana de definições para o transporte público da capital. Além do edital de licitação dos ônibus que tem prazo final previsto para hoje, a quarta-feira também promete ter seus desdobramentos. É quando o Comtu (Conselho Municipal de Transportes Urbanos) encerrará a análise do reajuste da tarifa, sugerida pela EPTC. Se aprovada pelos conselheiros, o prefeito José Fortunati já deverá autorizar o novo valor da passagem, R$ 0,15 mais cara, chegando aos R$ 2,95. Na tentativa de pressionar as autoridades, o Bloco de Luta pelo Transporte Público organiza um protesto para essa mesma quarta-feira, às 18h, em frente à prefeitura. Na página oficial do evento, 2,4 mil pessoas haviam confirmado presença até ontem. “Se a passagem aumentar, Porto Alegre vai parar!”, é o título do evento. O argumento dos integrantes é que a força popular fez com que o valor baixasse no

Dois temas de relevância para a capital serão discutidos hoje no plenário da Câmara de Vereadores. O primeiro será a votação da delimitação da área do projeto Parque Gasômetro, adiada na semana passada. O assunto é colocado como prioridade na pauta da sessão desta segunda-feira, a partir das 14h. O segundo tema que deve levar os porto-alegrenses à Casa é a audiência pública sobre o Plano Cicloviário Integrado da capital. O debate será em torno do projeto de Lei Complementar do Executivo que, além de revogar a obrigação de investir 20% do valor arrecadado em multas de trânsito

ano passado e que o mesmo deve se repetir agora. No relatório da EPTC, concluído na semana passada, foi proposto o reajuste de 5,66%. A inflação no período foi de 5,91% e os rodoviários tiveram reajuste fixado em 7,5%. Licitação dos ônibus Hoje é o prazo final para a prefeitura publicar o edital de licitação do transporte coletivo. O documento será dis-

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O jornal Metro circula em 24 países e tem alcance diário superior a 20 milhões de leitores. No Brasil, é uma joint venture do Grupo Bandeirantes de Comunicação e da Metro Internacional. É publicado e distribuído gratuitamente de segunda a sexta em São Paulo, Brasília, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, ABC, Santos, Campinas e Grande Vitória, somando 510 mil exemplares diários.

ponibilizado no site da prefeitura. Um dos itens mais solicitados pela população, ar-condicionado em toda a frota, será contemplado. As propostas serão recebidas no dia 3, às 10h, na sede da EPTC. Esta será a primeira licitação na história do transporte coletivo da capital. LETÍCIA BARBIERI

do valor arrecadado em multas de trânsito que deveriam ser investidos na construção de ciclovias estará em discussão. na construção de ciclovias e programas educativos, cria o FMASC (Fundo Municipal de Apoio à Implantação do Sistema Cicloviário) instituindo também um Conselho Gestor. A audiência pública está marcada para começar às 19h e será realizada no plenário Otávio Rocha (avenida Loureiro da Silva, 255). METRO POA

Votação do projeto do Parque Gasômetro foi adiada para hoje | GABRIELA DI BELLA/METRO

Brasília

Manifestantes não concordam nem com o reajuste, nem com o edital

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Caso Kunzler

Contrato para nova ponte do Guaíba será assinado hoje

Suspeito de matar publicitário é liberado

Está marcada para hoje, às 11h, no Palácio do Planalto, em Brasília, a solenidade de assinatura do contrato para a construção da nova ponte do Guaíba. A presidente Dilma Rouseff anunciou quinta-feira que as obras para construção de uma nova ponte serão iniciadas imediatamente, com um prazo de conclusão de três anos. O governador Tarso Genro (PT) e o prefeito José Fortunati (PDT) devem acompanhar a cerimônia pessoalmente. O investimento é de R$ 649,62 milhões. METRO POA

Uma reviravolta no caso da morte do publicitário Lairson Kunzler, 68 anos, levou ontem à soltura do principal acusado do crime. Jaerson Martins de Oliveira, 41 anos, estava preso preventivamente na Penitenciária Modulada de Charqueadas, depois de ser apontado pela polícia como o autor do crime. Sexta-feira, a Justiça determinou a soltura de Jaerson ao considerar que não há provas contundentes da participação dele. Advogados de defesa apresentaram um vídeo que mostra ele trabalhando na hora do assalto. METRO POA

METRO PORTO ALEGRE

EXPEDIENTE Metro Brasil. Presidente: Cláudio Costa Bianchini. (MTB: 70.145) Editor Chefe: Luiz Rivoiro. (MTB 21.162). Diretor Comercial e Marketing: Carlos Eduardo Scappini Diretora Financeira: Sara Velloso. Diretor de Tecnologia e Operações: Luiz Mendes Junior Gerente Executivo: Ricardo Adamo Coordenador de Redação: Irineu Masiero. Editor-Executivo de Arte: Vitor Iwasso Metro Porto Alegre. Gerente Executivo: Luís Grisólio Editor Executivo: Maicon Bock (11.813 DRT/RS). Diagramação: Nathália Halcsik Grupo Bandeirantes de Comunicação RS. Diretor-Geral: Leonardo Meneghetti

Editado e distribuído por Metro Jornal S/A. Endereço: rua Delfino Riet, 183, Santo Antônio, CEP 90660-120, Porto Alegre, RS. Tel.: (051) 2101-0302 O jornal Metro é impresso no Grupo Sinos S/A.

A tiragem e distribuição desta edição são auditadas pela BDO. 40.000 exemplares


PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 31 DE MARÇO DE 2014 www.readmetro.com

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Guerra entre facções mata um após ocupação da Maré

Pacificação. Operação contou com 1,5 mil policiais. Forças de segurança entraram na região em 15 minutos. Treze pessoas foram presas Horas depois da ocupação do complexo de favelas da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, pelas forças de segurança do Estado, uma provável guerra entre facções deixou um adolescente, de 15 anos, morto. Jovens rivais de duas comunidades da região, Baixa do Sapateiro e Nova Holanda, estariam jogando pedras uns contra os outros, até que um deles tirou uma pistola e atirou, dando início ao confronto. Além do morto, que foi encaminhado para a UPA Vila do João, mas não resistiu, outros dois menores ficaram feridos e deram entrada no Hospital Federal de Bonsucesso. Um de 16 anos foi baleado nas costas e um de 13, na face. À tarde, 27 jovens foram detidos por policiais

do Batalhão de Choque, acusados de depredar carros. Eles estavam jogando pedras em veículos que passavam na Linha Vermelha. Segundo familiares, o grupo foi protestar na via expressa contra a morte do adolescente atingido por tiros. As 15 favelas da Maré, onde moram mais de 122 mil pessoas, foram ocupadas no início da manhã. Com apoio de blindados da Marinha, cerca de 1,5 mil policiais entraram no complexo e retomaram o território em 15 minutos, sem disparar um tiro. Às 9h40, as bandeiras do Brasil e do Estado do Rio foram hasteadas. “Estou aqui rezando para vir a paz”, comentou Maria do Socorro da Silva, moradora da Maré. Na operação, 13 pes-

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é o número de favelas que fazem parte do complexo da Maré, onde vivem 122 mil pessoas.

Moradores entraram no caveirão da PM | MAURÍCIO FIDALGO/FUTURA PRESS

soas foram presas dentro do complexo e também em outras ações realizadas na cidade e na região metropolitana. Entre elas, Daie-

ne Rodrigues, presa pela Polícia Federal em Niterói. Ela é ex-namorada de Marcelo Santos das Dores, o Menor P, chefe do tráfi-

co da Maré, preso na semana passada. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança, 118 pessoas já foram presas desde 21 de março, quando começaram os preparativos para a ocupação do complexo. A data para a entrada das Forças Armadas nas comunidades deve ser definida nesta semana. Durante a varredura, os agentes apreenderam 452 kg de maconha e encontraram armas e carregadores que estavam enterradas

Ameaças marcam protesto

Milhares de fotos foram postadas no facebook | REPRODUÇÃO/FACEBOOK

A indignação contra o resultado de uma pesquisa do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), que revelou que 65,1% dos brasileiros acredita que mulheres que mostram o corpo merecem ser atacadas, motivou milhares de pessoas a protestar postando fotos e mensagens no Facebook. Junto com as manifestações contra o machismo no evento virtual #EuNãoMere-

çoSerEstuprada, criado pela jornalista Nana Queiroz, 28, que trabalha no Metro Brasília, porém, apareceram mensagens agressivas, preconceituosas e até ameaças contra as mulheres que aderiram ao movimento. A própria Nana recebeu mensagens de pessoas dizendo que a estuprariam se a encontrassem na rua e que o que ela precisava era de “uma bela louça para lavar”. Ela e ou-

tras vítimas prestaram queixa contra os agressores virtuais na Delegacia da Mulher. Para fazer a denúncia o ideal é que a vítima imprima a tela do computador com as mensagens agressivas e o perfil dos autores, colocando o cursor do mouse em cima do nome da pessoa para que o endereço de IP apareça na barra inferior do navegador, o que ajuda a polícia a identificá-lo. METRO

nas proximidades da Vila Olímpica e do Ciep Maré. “Essa ocupação é muito significativa, demonstra que não toleramos de forma nenhuma o poder paralelo, seja a milícia, o comando A ou B. Gerações nasceram aqui e se acostumaram a conviver com uma pessoa de fuzil, um jovem, às vezes amigo da escola, determinando quem entra e quem sai. Quantos jovens assistiram a esses meninos morrerem, mães desesperadas, serviços públicos paralisados por causa de tiroteio… É uma cidade dentro da cidade que se integra à cidade. É um dia histórico”, comemorou o governador Sérgio Cabral, que acompanhou a ação do Centro Integrado de Comando e Controle, na Cidade Nova. METRO RIO

Opinião

Uma prisão chamada corpo Quando iniciei o protesto não imaginava, mas estava iniciando um fogaréu. Ou melhor, dois. O 1º (o melhor) era o da coragem. O 2º foi o do ódio. Sua raiva, porém, não tira o brilho deste momento único em que mulheres perceberam que seu corpo não é uma prisão. NANA QUEIROZ


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Os personagens Governistas Militares

Golpistas Militares

ASSIS BRASIL Chefe do Gabinete Militar. Criou o dispositivo militar montado para dar segurança ao presidente durante a implementação das reformas de base

AMAURY KRUEL Chefe do 2º Exército em São Paulo. Aderiu ao golpe após Goulart se negar a demitir ministros de esquerda

LADÁRIO PEREIRA TELLES Comandante do 3º Exército. Defendeu a resistência armada ao golpe. Afirmou ter número suficiente de homens para garantir Jango na presidência

ANTÔNIO CARLOS MURICY General do Exército. Chefiou as tropas de Minas Gerais que seguiram para o Rio de Janeiro

PERY CONSTANT BEVILAQUA Chefe do Estado-Maior. Tentou convencer Jango a resistir ao golpe e a retomar o comando Forças Armadas

GOLBERY DO COUTO E SILVA Um dos articuladores do golpe. Fundou e operou o SNI (Serviço Nacional de Informações)

Políticos SANTIAGO DANTAS (PTB) Ministro da Fazenda. A pedido de João Goulart, tentou reunir todos os aliados do governo para evitar o desfecho do golpe

OLYMPIO MOURÃO Comandante militar em 1964, ã frente da 4ª Divisão de Infantaria do 1º Exército. Liderou as tropas que saíram de Minas para o Rio Políticos

LEONEL BRIZOLA (PTB) Deputado federal. Consumado o golpe, tentou montar uma resistência armada no sul do país. Desistiu após a decisão de Jango de ir para o Uruguai

AURO DE MOURA ANDRADE (PSD) Presidente do Senado. Fez um apelo às Forças Armadas pedindo a garantia da ordem no país

DARCY RIBEIRO (PCB) Ministro-chefe da Casa Civil. Antropólogo, defendeu o bombardeio das tropas golpistas. Planejou a ocupação do Congresso

ADHEMAR BARROS (PSP) Governador de São Paulo. Fez uma série de discursos em cadeia estadual de rádio e televisão afirmando o apoio do governo paulista ao golpe

LUÍS CARLOS PRESTES (PCB) Ao ser informado do início do golpe, convocou todos os dirigentes do Partido Comunista. Tentou planejar o bombardeio do Palácio da Guanabara, no Rio

RANIERI MAZZILLI (PSD) Presidente da Câmara. Assumiu o poder após a derrubada de Jango. Articulou a escolha do novo presidento com o Comando Militar

MIGUEL ARRAES (PST) Governador de Pernambuco. Na manhã de 1º de abril, tropas golpistas cercaram a sede do governo. Arraes ficou preso por 11 meses

CARLOS LACERDA (UDN) Governador da Guanabara. Pediu a queda de Jango acusando o presidente de se aliar ao comunismo. Acabou cassado em 1966

ALMINO AFFONSO (PTB) Ministro do Trabalho. Apoiou as reformas de base de João Goulart. Affonso foi cassado logo após o golpe. Passou 12 anos no exílio

JOSÉ MAGALHÃES PINTO (UDN) Governador de Minas Gerais. Articulou o golpe com os militares. Participou dos bastidores para derrubada de João Goulart

PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 31 DE MARÇO DE 2014 www.readmetro.com

A morte Ditadura. 31 de março marca 50 anos da tomada do poder no país

O golpe militar, que colocou o país em um vácuo constitucional por 21 anos, completa hoje cinco décadas. Ao tomar o poder, o chamado “Comando Supremo da Revolução”, responsável pela queda do presidente eleito democraticamente João Goulart (PTB), abriu caminho para o funcionamento de uma máquina burocrática de expurgos, perseguições, torturas, assassinatos e suspensão de direitos. A esquizofrenia, típica dos movimentos golpistas, elencou inimigos em todos os setores da sociedade, não deixando fora da lista nem mesmo companheiros de caserna. Documentos da Escola Superior de Guerra revelam que 146 militares foram afastados em abril de 1964. Ao ocupar o Palácio do Planalto, levado pelas armas, e não pelos votos, o general Humberto Castello Branco, sob a justificativa de proteger o país de uma ameaça comunista, determinou a cassação de parlamentares e a suspensão de direitos políticos por dez anos. Jango foi para o exílio, após levar para o centro do debate, em plena Guerra Fria, reformas que tiravam o sono da elite brasileira: agrária, trabalhista e urbana. Sem o lastro dado aos governos democráticos para gerir o país, os militares adotaram os Atos Institucionais, instrumento do poder discricionário, para manter o país sob vigília. O AI-5, em 1968, foi o mais violento e acabou com qualquer esperança de redemocratização. Em poucas linhas, ele deu ao presidente o poder de fechar o Congresso, Assembleias Legislativas e Câmaras Municipais. Foi suspensa uma das principais garantias da República, a do habeas corpus. O direito de detenção sem justificativa foi imposto nos casos de crime político, contra a segurança nacional e a ordem econômica. Passados 50 anos do dia que resultou na derrocada de todas as instituições democráticas em funcionamento no país, é preciso avaliar a reação da sociedade brasileira. Anestesiada pelo chama-

As últimas horas da democracia NOITE DO DIA 30 DE MARÇO Jango deixa, às 22h, o Palácio das Laranjeiras, no Rio, e segue para o Automóvel Clube. Em discurso para suboficiais e oficiais do Exército afirma a necessidade das reformas de base MADRUGADA DO DIA 31 DE MARÇO Após tomar conhecimento do discurso, o general Olympio Mourão parte com suas tropas de Juiz de Fora, em Minas, para o Rio de Janeiro e Guanabara

do “milagre econômico”, cujo resultado mais expressivo foi o crescimento de 14% do PIB, em 1973, grande parte da população fechou os olhos ao terrorismo de Estado, que teve sua representação máxima em órgãos como o DOI-CODI e a Oban (Operação Bandeirantes), em São Paulo. O saldo desses braços da repressão podem ser vistos pelos números apresentados pela iniciativa do “Brasil Nunca Mais”. Entre os anos de 1964 e 1985, são 6 mil denúncias de casos de tortura e 356 de mortos e desaparecidos. Hoje, busca-se, por meio de Comissões da Verdade em todo o país, cobrar a responsabilidade dos que participaram diretamente desses crimes ou os autorizaram (leia ao lado). Nos últimos 20 anos, o país elegeu um professor

MANHÃ DO DIA 31 DE MARÇO General Assis Ribeiro, chefe do gabinete Militar da presidência, alerta as tropas governistas sobre um possível enfrentamento com militares golpistas TARDE DO DIA 31 DE MARÇO Embaixada dos EUA é informada do golpe por militares golpistas. A Marinha norte-americana coloca uma esquadra em alerta próximo a Santos

cassado pelo regime, um operário que liderou movimentos grevistas ainda durante a ditadura e uma mulher que foi vítima da máquina de tortura do Estado. A jovem democracia brasileira passou, também, pelo teste da queda de um presidente, Fernando Collor de Mello, que deixou o governo pela força da lei e da vontade popular, não das armas. Este ano, o país elegerá, pela sétima vez após o fim do regime militar, um novo presidente. Não importa quem seja o eleito, o que os brasileiros esperam do vencedor é que ele mantenha o país no rumo da democracia e do respeito às leis. DAVI FRANZON METRO SÃO PAULO


PORTO ALEGRE, SEGUNDA-FEIRA, 31 DE MARÇO DE 2014 www.readmetro.com

da democracia JOÃO MARQUES/UH/FOLHAPRESS

ARQUIVO/FOLHAPRESS

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{BRASIL}

Os militares presidentes HUMBERTO CASTELLO BRANCO (1964 A 1967)

AS REFORMAS DE BASE Em um dos últimos atos de seu governo João Goulart promete realizar as reformas agrária, urbana e eleitoral, além de apertar o cerco contra o fluxo de capital estrangeiro

Chefe do Estado-Maior do Exército. Eleito presidente, cancela as eleições de 1965, extingue partidos e decreta nova Constituição

ARTHUR DA COSTA E SILVA (1967 A 1969)

Ao lado da esposa, Maria Tereza Goulart, Jango discursa na Central do Brasil, no Rio ARQUIVO/FOLHAPRESS

Chega ao poder com o apoio da linha dura do regime. Com a entrada em vigor do AI-5 (Ato Institucional) em 1968, determina a suspensão das garantias previstas na Constituição e o fechamento do Congresso por um ano

JUNTA MILITAR (DE AGOSTO A OUTUBRO DE 1969) Aurélio Lyra Tavares, Augusto Rademaker e Márcio Souza de Mello (Junta Militar). Após Costa e Silva sofrer um derrame, ela governa o país por dois meses

Tropas do Exército ocupam o centro de São Paulo na tarde de 1º de abril

População ocupa a praça da República, no centro, no dia 1º de abril

EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI (1969 A 1974)

TARDE DO DIA 31 DE MARÇO Sob a justificativa de proteger o chefe do Estado-Maior do Exército, Castello Branco, um pelotão ocupa o Ministério da Guerra FINAL DA TARDE DO DIA 31 DE MARÇO Tropas do general Carlos Alberto Muricy chegam à divisa de Minas com o Rio NOITE DO DIA 31 DE MARÇO O general Amaury Kruel liga para Jango e pede a saída dos ministros

ligados à esquerda. Com a recusa, adere ao golpe

Laranjeiras abandonam o posto e rumam para o Palácio Guanabara

MANHÃ DO DIA 1º DE ABRIL Jango deixa o Rio com destino a Brasília. San Tiago Dantas detalha a participação dos EUA no golpe

TARDE DO DIA 1º DE ABRIL Em Pernambuco, tropas golpistas invadem o Palácio das Princesas, sede do governo, e prendem o governador Miguel Arraes

TARDE DO DIA 1º DE ABRIL Oficiais ocupam o forte de Copacabana e declaram apoio ao golpe. Tanques que faziam a segurança de Jango nas

NOITE DO DIA 1º DE ABRIL Acompanhando a situação, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade,

acerta a adesão do Congresso. Ao saber da decisão, Jango deixa a Granja Torto e parte para Porto Alegre MADRUGADA DO DIA 2º DE ABRIL Em sessão extraordinária, Andrade articula a institucionalização do golpe. O chefe da Casa Civil, Darcy Ribeiro, envia carta afirmando que Jango não deixou o país e segue presidente. O documento é ignorado, e Andrade declara vaga a Presidência da República

MADRUGADA DO DIA 2 DE ABRIL Acompanhado de Moura Andrade e do presidente do STF, Ribeiro Costa, Ranieri Mazzilli, presidente Câmara, segue para o Palácio do Planalto. No caminho, o grupo passa a ser seguido por dezenas de parlamentares. Todos entram sem dificuldade na sede do governo federal. Ao chegarem ao terceiro andar, no gabinete da presidência, Mazzilli é empossado presidente

Comissão quer mostrar história real Em 31 meses de trabalhos, a Comissão Nacional da Verdade abriu espaço para que, de maneira inédita, torturadores e torturados contassem histórias ainda desconhecidas da ditadura militar entre 1964 e 1985. As primeiras conclusões revelam que 50 mil pessoas, classificadas como subversivas, foram presas. Pela primeira vez, um testemunho formal admitiu que a tortura nos porões da ditadura foi uma prática recorrente. O coronel reformado Paulo Malhães confessou ter torturado e ocultado corpos. Ele atuava na chamada Casa da Morte, que funciona-

va em Petrópolis (RJ). O militar chegou a admitir ter desaparecido com o corpo do ex-deputado Rubens Paiva -- mas depois retirou o depoimento. Amanhã, o general reformado do Exército José Antônio Nogueira Belham, que comandou o DOI (Destacamento de Operações de Informações) do Rio de Janeiro, onde, segundo a comissão, Paiva foi morto, deverá ser ouvido na Câmara. A comissão busca dar respostas às famílias dos desaparecidos políticos e as causas de mortes que, mesmo com o passar de décadas, seguem desconhecidas. É o ca-

so, por exemplo, da morte do ex-presidente João Goulart, cujo o corpo foi exumado. A versão oficial é de ataque cardíaco (leia entrevista na pág. 8). A conclusão deve finalmente revelar se Jango foi vítima de envenenamento, como alvo da operação Condor, que uniu ditaduras do Cone Sul para assassinar opositores na década de 1970. A busca por entender a história motivou pelo menos 100 outras comissões, em universidades, Assembleias Legislativas, sindicatos e Estados. A comissão nacional buscará apontar ainda quais

eram as empresas responsáveis pelo financiamento do regime militar. A lista inclui ao menos 125 empresas, como Light, Cruzeiro do Sul, Refinaria de Petróleo União, que, segundo relatório preliminar, que tinham cotas de até 70% dos recursos consumidos pelas Forças Armadas. “Precisa construir a questão de como deve ser cobrada a reparação das empresas aos trabalhadores. Estamos lutando por tudo isto”, afirmou a coordenadora do Grupo de Trabalho sobre o golpe de 1964, Rosa Cardoso. A comissão apresentará em 16 de dezembro a conclusão dos trabalhos, mos-

trando as violações dos direitos humanos entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. O ponto mais sensível da conclusão -- que ainda recebe o carimbo de confidencial -- é a proposta de revisar a Lei de Anistia e punir agentes do Estado acusados de torturas, mortes e desaparecimentos. Em 2010, o STF decidiu, por 7 votos a 2, manter livre de punições autores de crimes relacionados ao regime militar. A nova composição da Corte, com Roberto Barroso e Teori Zavascki, alimenta o desejo de muitos de revisitar a questão. METRO BRASÍLIA

Período marcado pela escalada da violência contra as organizações de esquerda que optaram pela luta armada e os movimentos estudantis. Durante o governo Médici, o país registra o chamado “milagre econômico”. O PIB (Produto Interno Bruto) registra crescimento de 14% em 1973

ERNESTO GEISEL (1974 A 1979)

Inicia a fase da distensão. Geisel revoga o AI-5 e declara que a abertura será lenta, gradual e segura. Movimentos operários e populares ganham força em todo o país

JOÃO BATISTA FIGUEIREDO (1979 A 1985)

Autoriza a criação de novos partidos políticos e das eleições diretas para governador. Movimentos pela retomada da democracia ganham espaço. Lei da Anistia entra em vigor FONTE: ARQUIVO NACIONAL E PALÁCIO DO PLANALTO


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{EDITORIA} {BRASIL}

Depoimento

1964: golpes, tragédias e resistência

MARIA AMÉLIA DE ALMEIDA TELES Ex-militante do PCdoB, torturada na ditadura

BRUNA PRADO/METRO RIO

Naquele dia, o último de março de 1964, tudo era estranho. Havia um ar pesado. Queríamos uma revolução social e econômica, capaz de trazer justiça, e a distribuição das riquezas da nação. No entanto, os golpistas roubaram nosso sonho. Ao menos naquele momento. Naquele dia, voltei para casa após o trabalho em Belo Horizonte. Busquei notícias com outros militantes e jovens. Não os encontrei. Fiquei com a família. No rádio, ouvimos que tropas se deslocavam para o Rio para dar o golpe e destituir Jango. Prisões e sequestros ocorriam antes de se oficializar o golpe, que foi falsamente denominado “revolução” para enganar a opinião pública, pois quem queria a “revolução social e econômica” eram os trabalhadores, sindicatos, estudantes. Éramos nós, o povo. A partir de então, minha família sofreu as consequências: meu pai foi sequestrado e ficou desaparecido por 6 meses. Eu e minha irmã fomos levadas para o quartel do Exército, no Barro Preto, onde respondemos a um Inquérito Policial Militar. Milhares de pessoas foram inquiridas. As elites conservadoras e de extrema-direita editaram a ditadura para servir ao capital internacional e massacrar as classes trabalhadoras. Fomos para a clandestinidade. Tive meus filhos sem poder usar minha identidade. Trabalhei na imprensa clandestina. Divulgamos material sobre a guerrilha do Araguaia que aconteceu, sob a direção do PCdoB, no Pará. Em 1972, fomos sequestrados pelo DOI-CODI, torturados, ameaçados de morte e testemunhamos o assassinato de Carlos Nicolau Danielli, dirigente comunista e nosso amigo. Sequestraram minha irmã Crimeia, grávida, e meus filhos de 5 e 4 anos, Janaina e Edson Luis. Tudo sob o comando do major Carlos Alberto Brilhante Ustra. Este é o resumo da minha história. Três palavras me guiaram para enfrentar a vida: lembrar e resistir sempre.

reformas de base proposto por João Goulart? Participei de um encontro sobre o comício na Central do Brasil. Um líder social afirmou que a reforma agrária proposta pelo meu pai era a melhor para o Brasil. Acredito que muito daquilo não foi feito. O PT diminuiu a desigualdade social com o Bolsa Família, mas mesmo assim tem gente que não aprova o programa. A ideia da reforma bancária também era ótima. Os bancos ganham bilhões e enviam quase todo o dinheiro para suas matrizes. Não somos contra o lucro. É preciso que haja investimento em educação e saúde. Quando meu pai assinou a lei que limitava as remessas de lucros para o exterior, foi derrubado pelos militares.

Filho de Jango fala sobre a exumação do corpo do ex-presidente da República e da investigação para verificar se ele foi envenenado

Como avalia o debate sobre a ditadura militar? Fico feliz com o esforço para lembrar essa época. É importante rever a morte de Jango, já que ele é um bem cultural brasileiro, como todos os presidentes.

No dia 13, o comício da Central do Brasil completou 50 anos. Outro político teria força para realizar um ato como aquele? Seria preciso muito apoio popular. Meu pai tinha. Esse é o desafio do atual governo. A gente vê tentativas de criminalizar as manifestações. Não

É preciso exumar o corpo de Jango para investigar as causas de sua morte? Quando ele morreu [1976], não houve necropsia na Argentina. Para que o corpo fosse enterrado no Brasil, foi exigido que o caixão estivesse lacrado. Em 2007, pedimos ao MPF que fossem investigadas as condições da morte. Isso começou antes da Comissão da Verdade.

JOÃO VICENTE GOULART

Quais são suas lembranças da tomada do poder pelos militares em 1964? Eu era muito novo. Tinha 7 anos. Lembro de muita tensão. Não foi um dia comum. Fomos arrancados da Granja do Torto [residência oficial), em Brasília. Nos levaram para Porto Alegre.

podemos chamar uma dona de casa que leva panela para protestar de subversiva. Não vivemos mais em uma ditadura. O político que conseguir capitalizar esses movimentos vai ser bem-sucedido. Hoje é possível analisar um programa como o das

Desde quando há a suspeita de envenenamento? Desde o enterro tínhamos essa dúvida. Sabíamos de casos parecidos. A questão é que, com o passar do tempo, a exumação pode ser inconclusiva. Existem substâncias que, após mais de 30 anos, não podem ser detectadas. Por isso a necessidade de convocar os agentes norte-americanos que teriam participado do caso. A legislação dos EUA permite isso. Eu estou fazendo de tudo para que isso aconteça. João Goulart fazia comentários sobre os dias de exílio no Uruguai? Ele dizia que o exílio é uma invenção do demônio. Você é um morto-vivo. Apesar de estar próximo ao seu país, não pode passar a fronteira e encontrar amigos e família. Mas, no princípio, achávamos que era só mais uma “quartelada”, como tantas outras que aconteceram no Brasil. Todo esse resgate histórico acontece no mesmo ano que o Brasil recebe a Copa do Mundo. Como era a relação do seu pai com o futebol? Ele sempre gostou de futebol. Era torcedor do Internacional, chegou a jogar nas divisões de base do colorado. Meu pai sempre torceu muito pelo povo brasileiro, sempre lutou por benefícios para a população. Mesmo no exílio, ele continuou vibrando com a Seleção. METRO RIO

Ponto de vista

Golpe à brasileira Nos 50 anos do Golpe Militar torna-se necessário um resgate à história para entendermos o presente. Em 1964, o Brasil era um país politicamente repartido. O clima de radicalização era agravado por velhos adversários da democracia. A direita tinha uma relação de incompatibilidade com as urnas e buscava um antigo recurso: arrastar as Forças Armadas para o centro da luta política. A esquerda comunista não ficava atrás. Sempre estivera nas vizinhanças dos quartéis para uma eventual aventura golpista. Assim, numa conjuntura radicalizada, esperava-se do presidente equilíbrio. Ledo engano. João Goulart articulava sua permanência na presidência e necessitava emendar a Constituição. Sinalizava que tinha apoio nos quartéis para, se necessário, impor pela força a reeleição (que era proibida).

Organizou um “dispositivo militar” que “cortaria a cabeça” da direita. Insistia que não podia governar com um Congresso conservador, apesar de o seu partido, o PTB, ter a maior bancada. Veio 1964. O autoritarismo aqui faz parte de uma tradição antidemocrática que nasceu com o Positivismo, no final do Império. O desprezo pela democracia rondou o nosso país durante cem anos de República. O regime militar brasileiro não foi uma ditadura de 21 anos. Não é possível chamar de ditadura o período 1964-1968 (até o AI-5), com toda a movimentação político-cultural que havia no país. Muito menos os anos 1979-1985, com a aprovação da Lei de Anistia e as eleições diretas para os governos estaduais em 1982. Nos últimos anos se consolidou a versão de que os militantes da luta armada

Tanques do Exército são levados para São Paulo em 1964

ARQUIVO FOLHAPRESS

combateram a ditadura em defesa da liberdade. E que os militares teriam voltado para os quartéis graças às suas heroicas ações. Em um país sem memória, é muito fácil rescrever a história. A luta armada não passou de ações isoladas de assaltos a bancos, sequestros, ataques a instalações militares e só. Apoio popular? Nenhum. Argumenta-se que não havia outro meio de resistir à ditadura a não ser pela força. Mais um grave equívoco: muitos desses gru-

pos existiam antes de 1964 e outros foram criados pouco depois, quando ainda havia espaço democrático. O terrorismo desses pequenos grupos deu munição para o terrorismo de Estado, e acabou sendo usado como pretexto para justificar a barbárie repressiva. A luta pela democracia foi travada politicamente pelos movimentos populares, pela defesa da anistia, no movimento estudantil e nos sindicatos. Teve em setores da Igreja Católica im-

portantes aliados, assim como entre os intelectuais, que protestavam contra a censura. E o MDB, nada fez? E seus militantes e parlamentares que foram perseguidos? E os cassados? Os militantes de luta armada construíram um discurso eficaz. Quem os questiona é tachado de adepto da ditadura. Assim, ficam protegidos de qualquer crítica e evitam o que tanto temem: o debate. Mais: transformam a discussão política em questão pessoal, como se a discordância fosse uma espécie de desqualificação dos sofrimentos da prisão. Não há relação entre uma coisa e outra: criticar a luta armada não legitima o terrorismo de Estado. Temos que refutar as versões falaciosas. Não podemos ser reféns, historicamente falando, daqueles que transformaram o antagonista em inimigo; o espaço da política, em espaço de guerra. MARCO ANTÔNIO VILLA

é historiador. Autor de dez livros, entre eles ‘Ditadura à Brasileira’ e ‘Jango: Um Perfil’


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Empreendedorismo

BRUNO CAETANO BRUNO.CAETANO@METROJORNAL.COM.BR

SEMANA DE APOIO PARA O MICROEMPREENDEDOR INDIVIDUAL Jonas é eletricista na cidade de São Paulo. Ele se formalizou como MEI (Microempreendedor Individual) no ano passado, adquirindo o direito à cobertura da Previdência Social. Mas ao solicitar o auxílio-doença devido a um problema de saúde, teve o pedido negado. O motivo? Ele faz parte dos 55% de MEIs que encerraram 2013 inadimplentes e tiveram os benefícios suspensos. Já falei aqui como é preocupante uma categoria estar, em sua maioria, na inadimplência. Principalmente uma que reúne 906 mil integrantes no Estado de São Paulo e 3,6 milhões no Brasil. É um passo atrás para quem obteve, há apenas poucos anos, incentivo para sair de uma situação irregular e assumir novo status no mercado. Pesquisa do Sebrae de 2013 mostra que 68% dos MEIs do país aumentaram as vendas após a formalização. Não é à toa que o grupo cresce sem parar desde sua criação, em 2008. Mas Jonas é um dos MEIs que caíram na inadimplência porque têm dificuldade para acessar a internet e imprimir as guias de recolhimento (por cerca de R$ 40 ao mês, o MEI garante benefícios previdenciá-

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{ECONOMIA}

rios e quita impostos). Outros aguardam a chegada do boleto em casa. Como não chega, não pagam. E há ainda os que desconhecem a obrigação. De nada adianta o trabalhador se formalizar e pouco depois ficar novamente em situação irregular. Daí a necessidade de auxílio constante para o empreendedor. Para ajudar nessa e em outras questões, o Sebrae intensifica sua atuação de hoje a 5 de abril, com a Semana Nacional do MEI. Trata-se de uma mobilização extra para dar apoio completo ao empreendedor e capacitá-lo. A equipe do Sebrae-SP está em seus postos e nas ruas, em unidades móveis, orientando sobre gestão, legislação e muito mais, inclusive no sábado. A criação do MEI foi um passo para a cidadania. Mas esta só será perene se houver suporte para as conquistas. A formalização é a primeira etapa. É preciso qualificar o empreendedor e construir um ambiente favorável para seus negócios prosperarem. Esses são objetivos pelos quais o Sebrae-SP não abre mão de trabalhar. Assim como Jonas fez, escreva para mim e conte sua história. Este espaço também é seu.

Bruno Caetano é diretor superintendente do Sebrae-SP e mestre e doutorando em Ciência Política pela Universidade de São Paulo. O Sebrae-SP é uma instituição dedicada a ajudar micro e pequenas empresas a se desenvolverem e se tornarem fortes. Saiba mais em www.sebraesp.com.br

Falta só um mês para entregar o IR Imposto de renda. Apenas 4,6 milhões já enviaram os dados para a Receita Federal. Prazo final para pessoa física é 30 de abril O prazo para a entrega da declaração do Imposto de Renda de Pessoa Física 2014 será encerrado dentro de um mês, em 30 de abril. De acordo com o último balanço divulgado pela Receita Federal, 4,6 milhões de contribuintes já haviam enviado a declaração até quinta-feira, 27. O número representa 17% do total de 27 milhões de declarações que a Receita estima receber. A novidade deste ano é a possibilidade de fazer a declaração pré-preenchida

DECLARAÇÃO DO IR PESSOA FÍSICA 2014 QUEM DEVE DECLARAR:

27

milhões de declarações devem ser entregues este ano, segundo a Receita.

Quem recebeu rendimentos tributáveis cuja soma foi superior a R$ 25.661 em 2013, Quem recebeu rendimentos isentos, não tributáveis ou tributados exclusivamente na fonte, acima de R$ 40 mil, em 2013

ENTREGA DA DECLARAÇÃO

para os que possuem certificação digital. A declaração deve ser enviada pela internet, usando o programa disponível no site da Receita Federal (receita.fazenda.gov. br) ou os aplicativos para smartphones e tablets. METRO

A entrega deve ser feita pela internet, utilizando o Receitanet, programa de transmissão da Receita Federal, ou por meio de dispositivos móveis tablets e smartphones para sistemas operacionais Android e iOS (Apple) Início da entrega a partir do dia 6 de março O prazo final será o dia 30 de abril A multa mínima para quem não entregar no prazo é R$ 165

Mercado aposta em alta da Selic às vésperas de reunião O Copom (Comitê de Política Monetária) do Banco Central se reúne a partir de amanhã para definir a taxa básica de juros, a Selic. A aposta do mercado financeiro é de uma nova alta de 0,25 ponto percentual, para 11% ao ano. Na última reunião do Copom, em fevereiro, a taxa foi elevada na mesma medida, para 10,75%. A previsão apontada pelo Bole-

tim Focus, divulgado na última semana pelo BC, é de que a taxa feche 2014 a 11,25% e termine 2015 em 12% – projeções que se mantêm estáveis há três semanas. A taxa Selic é usada nas negociações de títulos públicos no Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e serve de referência para as demais taxas de juros da economia. Ao aumentar a Selic, o

Copom busca conter a demanda aquecida, mas gera reflexos nos preços, porque juros mais altos encarecem o crédito e estimulam a poupança. E a expectativa por uma inflação acima do esperado tende a levar a um aumento mais forte da Selic. No caso dos juros futuros com vencimento em dois e três anos, as taxas estão entre 12% e 13%. METRO

Petrobras é petroleira menos rentável no mundo A Petrobras é a petroleira global menos rentável, aponta um levantamento feito pelo Credit Suisse. Apesar do sucesso da estatal em encontrar, desenvolver e produzir petróleo (consideradas as áreas mais cruciais e desafiantes do setor), há perdas nas áreas de refino, distribuição e revenda de combustíveis, segundo o estudo. Segundo o Credit Suisse, o gargalo é provocado principalmente pelo con-

trole feito pelo governo no preço de combustíveis com a finalidade de evitar impactos na inflação. Há mais de dois anos a Petrobras vende diesel e gasolina por preços inferiores aos pagos na importação. O valor cobrado chega a ser até 20% inferior ao praticado no mercado internacional. O valor da empresa na Bolsa, cerca de R$ 200 bilhões, é menos de metade dos R$ 510 bilhões regis-

trados no pico de 2008. O estudo do Credit Suisse mostra que a estatal é a mais rentável em exploração e produção, com retorno de 18% sobre o capital bruto investido. A média do setor é de 12%. Em refino, distribuição e revenda, contudo, a Petrobras é a única com resultado negativo, com retorno de -9%, ante média de 3% do setor. No cômputo final, o retorno é de 7%. A média é de 9%. METRO

ção A declaraanual e de ajust ente previam passou ida re p ench este ano a valer

Controle de preços feito pelo governo é principal causa de perdas | STOCKXCHNG

RESTITUIÇÃO Lotes regulares começam a ser liberados no dia 16 de junho e terminam em 15 de dezembro de 2014

Alta. Inflação ‘do aluguel’ sobe 1,67% O IGP-M (Índice Geral de Preços – Mercado) teve alta de 1,67% em março. O resultado acumulado do indicador é usado como referência no reajuste de contratos de aluguel. O número do mês é o maior desde julho de 2008, segundo a FGV. Puxada por uma alta agressiva nos preços no atacado do setor agropecuário e por alimentos mais caros no varejo, a elevação do IGP-M superou a expectativa de analistas do mercado financeiro, que flutuava entre 1,45% e 1,65%. Com a aceleração registrada no mês, o índice acumula alta de 2,55% no primeiro trimestre de 2014 e, em 12 meses, 7,30% de variação. O IGP-M de março é também muito superior ao registrado no mesmo mês em 2013 (0,21%) e em fevereiro deste ano (0,38%). Entre os três indicadores que compõem o IGP-M, o IPA (Produtor Amplo) saltou de 0,27% em fevereiro para 2,20% em março, o IPC (Consumidor) passou de 0,70% para 0,82% e o INCC (Custo da Construção) saiu de 0,44% para 22%. METRO


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{MUNDO}

EUA enviam chefe militar para a Europa Crise. Em meio à tensão na fronteira entre a Rússia e a Ucrânia, o governo americano decidiu enviar general de volta à região Os EUA enviaram ontem de volta para a Europa o principal representante militar do país no continente, o general Philip Breedlove, em uma medida de “precaução” diante do que Washington chamou de “falta de transparência” do governo russo sobre a movimentação de tropas na fronteira com a Ucrânia. Breedlove é o chefe militar dos EUA na Europa e também atua como comandante da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) na região. Ele havia sido convocado para

depor no Congresso. Em meio à crise, a Alemanha disse ontem estar prestes a oferecer apoio militar a países do Leste Europeu membros da Otan. O país poderia disponibilizar até seis caças, segundo a revista alemã “Der Spiegel”. No sábado, contudo, o chanceler russo, Sergei Lavrov, disse que não há intenção de enviar tropas para a Ucrânia, mas acrescentou que Moscou está pronto para proteger os direitos dos representantes russos no país. “Não temos absolutamente nenhuma intenção

ou interesse de cruzar as fronteiras da Ucrânia”. Tropas russas ocupam a Crimeia, território anexado por Moscou. O Ocidente tem ameaçado impor fortes sanções econômicas caso Moscou envie mais tropas ao país vizinho. De acordo com os EUA, mais de 40 mil soldados russos estão nas proximidades da fronteira com a Ucrânia. Ontem, Lavrov minimizou o impacto das sanções, dizendo que elas provocam “algum transtorno”, mas não têm sido muito doídas para o país. METRO

Veículos militares supostamente russos são vistos em estrada próxima à fronteira da Ucrânia | DAVID MDZINARISHVILI/REUTERS

Diplomata critica papel brasileiro diante de crise Na semana passada o Brasil se absteve da votação, na Assembleia Geral da ONU, que condenou Moscou e considerou o referendo realizado na Crimeia ilegal. O chanceler Luiz Alberto Figueiredo defendeu uma solução “negociada” e pediu moderação. Em entrevista ao jornal “O Estado de S. Paulo”,

o ex-embaixador dos EUA no Brasil Thomas Shannon criticou o país pelo que chamou de “omissão” após a invasão russa. “Países grandes e com grandes ambições precisam se definir, para o benefício de todos”, disse. Em julho, o presidente russo, Vladimir Putin, deve vir ao Brasil para o encontro dos Brics.

“Obviamente, o Brasil toma suas próprias decisões. Mas era de se esperar que um país tão grande e com a trajetória pacífica do Brasil tivesse uma posição clara nesse caso”, afirmou. Mas para o professor de Relações Internacionais da FGV Oliver Stuenkel a passividade “não é necessariamente algo ruim”. METRO


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{CULTURA}

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O golpe 50 anos depois

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Diversas atividades neste 31 de março revisitam o levante militar que conduziu o Brasil a uma ditadura de duas décadas. Os debates serão protagonizados por personagens que viveram os Anos de Chumbo e tiveram seus direitos de cidadão cassados METRO POA

DIVULGAÇÃO

‘50 anos do Golpe Militar’

Durante o dia, convidados como Jair Krischke (foto) e Enrique Padrós, debatem sobre a contracultura e resistência ao regime militar, as questões pré-golpe e a memória sobre a época.

‘Em Busca de Iara’

O documentário de Flavio Frederico recupera a trajetória de Iara Iavelberg (foto), jovem paulista que entrou para a clandestinidade e viveu uma grande paixão com Carlos Lamarca. Os dois foram mortos em 1971. * Em cartaz nos cinemas Bancários e Itaú 8.

* No Teatro Dante Barone da Assembleia Legislativa, a partir das 9h.

GABRIELA DI BELLA/METRO

‘O Judiciário e os Anos de Chumbo’

‘50 Anos de Impunidade’

Ato-homenagem aos sobreviventes da ditadura e aos familiares que lutam até hoje contra a impunidade, com depoimentos de João Carlos Bona Garcia, Suzana Lisbôa (foto), Flavio Koutzii, Lilian Celiberti, Nilce Cardoso e outros. * No Salão de Atos da UFRGS (av. Paulo Gama, no 110), a partir das 18h45.

DIVULGAÇÃO

Encontro com os magistrados Ivo Gabriel da Cunha (foto) e Aramis Nassif, que atuaram no período da ditadura. Eles falam sobre as implicações do regime no campo do Direito e suas consequências para a sociedade.

* Às 16h30, na Escola da Magistratura (r. Celeste Gobbato, nº 229).

AJURIS/DIVULGAÇÃO

DIVULGAÇÃO

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‘Onde? Ação no 2’, na UFRGS

O espetáculo de rua do grupo Ói Nóis Aqui Traveiz propõe reflexões sobre o passado recente do Brasil e as feridas ainda abertas pela ditadura. Toca diretamente na questão dos desaparecidos políticos e na busca dos seus familiares. * Às 18h, em frente ao Salão de Atos da UFRGS.

Música

Drexler autografa

O músico uruguaio Daniel Drexler faz hoje uma sessão de autógrafos do seu novo CD, “Mar Abierto”. O encontro começa às 19h, na Livraria Cultura.


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{VARIEDADES}

O QUE ROLOU NAS COPAS

Os invasores

Roupa curta

SERGIO PATRICK DA RÁDIO BANDEIRANTES

AM 840 / FM 90,9

FASCISMO E BOLA

Cruzadas

O primeiro título europeu em copas ficou com a Itália depois de muito esforço em 1934. Primeiro, os donos da casa jogaram uma eliminatória para entrar no torneio e venceram a Grécia por 4x0. Já na Copa, foram quatro jogos em oito dias entre a estreia e a semifinal. Depois de golear os EUA por 7x1, a Azzurra empatou com a Espanha por 1x1 nas quartas de final e teve que ganhar o jogo-extra, no dia seguinte, com vários jogadores sem condições físicas, por 1x0. Na briga por vaga na decisão, o gramado molhado deu ainda mais dramaticidade à vitória sobre o timaço da Áustria, do craque Sindelar, por 1x0. Na final, o placar de 2x1 sobre a Tchecoslováquia garantiu ao ditador Benito Mussolini a festa nacionalista em Roma.

HPV Assisti na TV a notícia relacionada à vacinação nacional de crianças do sexo feminino de 11 a 13 anos, em 2014, e a partir dos nove anos, em 2015, para prevenção de câncer do colo de útero transmitido pelo vírus HPV. O vírus é transmitido pela prática sexual. A minha pergunta como pai é: será que não estão acelerando a natureza dessas jovens e as induzindo precocemente à prática sexual como o fazem na distribuição gratuita de camisinhas? A prevenção maior seria a educação e conscientização destas jovens das consequências destes atos sem a devida maturidade. Esta medida é mais uma fuga do Estado. As nossas crianças precisam ser cuidadas e orientadas. PEDRO GOMES – PORTO ALEGRE, RS

Sudoku

O VELHO MESTRE

Metro pergunta Siga o Metro O que você acha do país no Twitter: parar hoje para refletir os @jornal_metropoa 50 anos do Golpe Militar?

Enquanto o técnico do Brasil, Luiz Vinhaes, que contava com o craque Leônidas, recebeu críticas pela eliminação logo no primeiro jogo contra a Espanha, o comandante italiano foi festejado como um dos principais responsáveis pelo título. Vittorio Pozzo se encantou pelo futebol enquanto estudava na Inglaterra e foi o responsável pela consolidação de algumas caraterísticas táticas do futebol italiano. Líder autoritário e paternalista, chegaria ao bicampeonato em 38, fato jamais igualado por um treinador.

@bikedrops

Essencial para que não se repita essa fase desumana e que sigamos com democracia, por mais complexa que ela seja.

Metro web

Colaboraram Alexandre Praetzel e Leandro Quesada, da Rádio Bandeirantes.

Para falar com a redação:

leitor.poa@metrojornal.com.br

Sergio Patrick é apresentador e coordenador de esporte da Rádio Bandeirantes, que comanda a Cadeia Verde e Amarela das rádios do Grupo Bandeirantes nas transmissões da Copa do Mundo. A coluna O QUE ROLOU NAS COPAS traz histórias e personagens de todos os mundiais. Envie sua sugestão para spatrick@band.com.br .

Horóscopo

Pesquisa divulgada quinta pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), aponta que 65% das pessoas pesquisadas pensam que mulher que usa roupa curta “merece” ser atacada. Como mulher e vereadora, não posso deixar de me manifestar sobre esta questão, que considero verdadeiro absurdo e um retrocesso em um século que defendemos o fim da discriminação de cor, gênero e condição social. Precisamos avançar muito, ampliar o diálogo tanto nas famílias como nas escolas, que são onde se formam os cidadãos, homens e mulheres. É preciso mudar urgente este quadro que apenas justifica por que a cada quatro minutos uma mulher é agredida em nosso país, onde a violência sexual é banalizada. ANY ORTIZ (PPS), VEREADORA – PORTO ALEGRE, RS

VIAJOU, MAS NÃO JOGOU O evento cresceu em relação à edição anterior, passando de uma para oito cidades e com transmissões ao vivo pelo rádio para 12 dos países participantes. A Copa contou com Eliminatórias e teve histórias curiosas. A seleção do México bateu Cuba e viajou para a Itália, mas os Estados Unidos se inscreveram no Mundial logo em seguida. Com isso, os mexicanos tiveram que fazer mais um jogo, perderam por 4x2 e ficaram fora da Copa. O Uruguai não quis disputar o Mundial se tornou o único campeão a não defender o título porque a Itália havia se recusado a jogar a primeira Copa. A Argentina perdeu vários vice-campeões de 30 para a Itália, como Monti, DeMaria, Guaita e Orsi, todos de origem italiana.

Leitor fala

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Está escrito nas estrelas

A Lua continua seu signo, o que traz tendências para ampliar condutas sentimentais e uma postura nostálgica. Foque no presente.

Aproveite para exercitar a mente com atividades culturais, principalmente compartilhando interesses com quem gosta.

Procure curtir mais lazer, a família e ter diversões com mais intensidade, sem se preocupar antecipadamente com obrigações da semana.

Aproveite para repor energias de desgastes vivenciados anteriormente. Interesses por temas culturais e espirituais serão essenciais.

Às vezes é essencial dar um tempo com afazeres que estejam provocando desgastes para retomarmos com nova visão e motivações diferentes.  

A atenção com temas domésticos será mais intensa, tanto no esclarecimento de algo para o lar como na relação com familiares.

A dedicação a assuntos de amigos e grupos tomará sua atenção de maneira mais intensa. Convivências sociais preencherão o dia.   

Há tendências para lidar de maneira mais constante com diferenças junto a outras pessoas, o que requisitará paciência.

Quanto mais ocupar a mente com cultura e afastar pensamentos de problemas, mais revitalizado estará para a semana.

Projetos a longo prazo são propensos a tomar dedicação mais intensa. Atente-se para que a ansiedade não faça antecipar etapas.

Um pouco mais de preocupação com o corpo e a saúde será essencial, especialmente se abusou de diversões nos últimos dias.

Atente-se para que alguns excessos – ou com algumas vaidades ou com o seu bolso - não comprometam o dia e a semana.        


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{ESPORTE}

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Nova Era para Felipe Massa Dessa vez não. Em dia de vitória de Hamilton, brasileiro desobedece ordem da equipe e não é ultrapassado por companheiro de Williams

Will Power conquistou sua 22a vitória na carreira | CHRIS TROTMAN/GETTY IMAGES

Fórmula Indy. Will Power começa a temporada com vitória em St. Petersburg O australiano Will Power passeou em St. Petersburg e garantiu a vitória na primeira etapa da Fórmula Indy. Ryan Hunter-Reay ficou com a segunda colocação e o brasileiro Helio Castroneves fechou o pódio. Tony Kanaan, que fez sua estreia pela equipe Ganassi, ficou apenas com a sexta colocação.

Power usou da tática e da habilidade para conquistar a vitória na estreia. Tática para antes de uma relargada diminuir muito a velocidade a ponto de causar a batida de Jack Hawksworth com Marco Andretti. E da habilidade para fazer belas ultrapassagens sobre Scott Dixon e Tony Kanaan. METRO

A nova temporada não trouxe novidades somente para a Fórmula 1. Em especial para um piloto, 2014 tem sido uma nova era. Por muito tempo ressonou na cabeça de Felipe Massa a ordem para deixar Fernando Alonso ultrapassá-lo quando eram companheiros de Ferrari. Ontem, no Grande Prêmio da Malásia, o mesmo “pedido”, com as mesmas palavras, se repetiu. Massa, entretanto, fez ouvidos moucos e não cedeu lugar para seu companheiro de Williams, Valtteri Bottas. “Eu acho que eu fiz o melhor possível na minha corrida. Lutei até o final”, comentou o brasileiro, sétimo colocado. Após a prova, a equipe afirmou que caso Bottas, que tinha pneus mais no-

3 ESPORTE

Tênis

Título brasileiro

Massa não cedeu posição para Bottas | SAMSUL SAID/REUTERS

vos, não conseguisse ultrapassar Jenson Button, o sexto colocado, ele devolveria a posição para o brasileiro. Na segunda corrida da nova Fórmula 1, novamente a disputa foi pequena, com os pilotos mais preocupados em poupar o equi-

pamento e gasolina do que atacar os adversários. Lewis Hamilton venceu sem problemas, seguido pelo seu companheiro de Mercedes Nico Rosbergs, líder do campeonato. Sebastian Vettel, da Red Bull, completou o pódio. METRO POA

O gaúcho Orlando Luz foi o campeão do Campeonato Internacional Juvenil de Tênis de Porto Alegre. Ontem, na final, ele venceu o belga Clement Geens por 2 a 0. No profissional, Novak Djkovic levou o Masters 1000 de Miami derrotando Rafael Nadal.


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{ESPORTE}

“Gre-Nal 400 é uma marca importante, mas é só uma vitória. Temos que confirmar o tetracampeonato. Vai ser jogo duro.” ALEX, MEIO-CAMPO DO INTER

“O jogo estava tranquilo. Vacilamos. Tomamos cada gol que não dá para acreditar.” RHODOLFO, ZAGUEIRO DO GRÊMIO

“Esse clássico tem uma grandeza muito grande, de tradição. Nós sabemos que não conquistamos nada ainda. Temos mais 90 minutos até a título.” ALAN PATRICK, MEIO-CAMPO DO INTER

“Não está nada perdido. Eles reverteram em 2011 e podemos também. Agora o foco é a libertadores.” MARCELO GROHE, GOLEIRO DO GRÊMIO

Pelos poderes de Rafael Moura De virada. Com dois gols do He-Man, no segundo tempo, Inter vence Grêmio por 2 a 1 e larga em vantagem na decisão do Campeonato Gaúcho Atacante colorado, que marcou duas vezes de cabeça, decide clássico Gre-Nal número 400 e deixa o clube mais próximo de conquistar o Estadual | LUCIANO LEON/FUTURA PRESS

É no campo que a vitória é decidida, mas os 15 minutos em que a bola fica parada no intervalo podem ser definitivos para a construção de um bom resultado. Foi na conversa de vestiário que Abel Braga mudou o Inter, mudou o panorama do Gre-Nal 400 e deu a vitória, de virada, por 2 a 1 sobre o Grêmio, na Arena, em um jogo em que cada tempo teve um dono. Um resultado emblemático. Na prática, o maior benefício é a vantagem adquirida para o segundo jogo da final do Campeonato Gaúcho, no dia 13 (provavelmente no Beira-Rio), o Tricolor só terá chance de ser campeão se fizer mais de um gol. Junto veio a primeira vitória em um clássico no novo estádio gremista. E, por fim, um triunfo pessoal de Abelão. O técnico colorado, desde sua chegada, apostou em Rafael Moura, autor dos dois gols vermelhos e mudou o rumo do jogo com a entrada de Alan Patrick no intervalo da partida, após ter tido problemas com sua formação inicial.

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Marcelo Grohe; Pará, Werley, Rhodolfo e Wendell ; Edinho , Ramiro, Riveros (Maxi Rodríguez), Dudu (Alán Ruiz) e Luan; Barcos. Técnico: Enderson Moreira

GRÊMIO

Dida; Gilberto , Paulão , Juan (Ernando) e Fabrício; Willians , Aránguiz, Alex (Ygor), D’Alessandro e Jorge Henrique (Alan Patrick); Rafael Moura. Técnico: Abel Braga

INTER

Local. Arena do Grêmio, em Porto Alegre Gols. Barcos, aos 14’ do primeiro tempo; e Rafael Moura, aos 7’ e aos 27’do segundo tempo. Arbitagem. Leandro Vuaden, auxiliado por José Franco Filho e Rafael da Silva Alves

Um tempo para cada lado Três gols no Gre-Nal traduzem um jogo em que os dois times buscaram jogar futebol. Ambos os lados tiveram ímpeto para vencer e pouca vontade para o bater boca dentro de campo – o que só ocorreu nos minutos finas em discussão entre Gilberto e Wendell. O placar expressa a diferença de como a superioridade de cada lado se deu nos 45 minutos em que teve o controle do duelo. A primeira metade da partida teve um Grêmio mais incisivo, comandado por Dudu e Riveros. O diferencial foi que nos 45 minutos de superioridade

colorada, após a entrada de Alan Patrick e crescimento de D’Alessandro e Aránguiz. O tempo de domínio colorado foi mais duradouro, mais intenso e teve maior competência. Além dos gols, Marcelo Grohe evitou um placar mais elástico. A equipe de Enderson Moreira não assimilou as trocas efetuadas por Abel, ficou enrolado na marcação e não conseguiu emparelhar as ações. Amarrado, o time só foi arrematar no fim da etapa final. Mandamentos do Rei Dadá Entre tantas frases criativas, Dadá Maravilha, um dos grandes cabeceadores

da história do futebol brasileiro, ensinou que para se fazer gol de cabeça “é queixo no peito ou queixo no ombro”. O ex-centroavante deve ter ficado orgulhoso por ter visto seus ensinamentos sendo aplicados com perfeição. Barcos, aos 14 minutos de jogo, levou seu queixo até o ombro para abrir o placar, após cruzamento de Pará. Antes, no primeiro grande lance do confronto, Alex, da pequena área, não teve tamanha competência, parando nas mãos de Grohe. Rafael Moura, em duas oportunidades, levou o queixo até o peito para virar o jogo, aos 7 e aos 27 minutos do segundo tempo. Vitória do Inter, em seu primeiro grande desafio do ano. Vitória de Abel. Se o espírito for mantido pelos dois lados, o dia 13 deverá ter mais um grande jogo, mais emoção, mais gols. Mais um Gre-Nal. VALTER JUNIOR METRO PORTO ALEGRE

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clássicos sem vitória é a sequência do Grêmio como mandante. São quatro empates e uma derrota.

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chutes a gol efetuou Rafael Moura para marcar duas vezes no Gre-Nal 400.

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Gre-Nal na Arena que teve vitorioso, em três partidas disputadas.

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vitórias seguidas é a atual sequência do Inter em Gre-Nais. São três vitórias e quatro empates.


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Com a confiança de Abel, He-Man é o cara do Gre-Nal Depois de ficar fora da equipe desde 5 de março, em virtude de uma lesão no joelho direito, Rafael Moura voltou a atuar no Gre-Nal. E voltou bem, marcando seus dois primeiros gols em clássicos e dando a vitória por 2 a 1 ao Inter. “Hoje é inevitável que entrei para a história do Inter, sendo a primeira vitória aqui na Arena e com dois gols meus”, comemorou Rafael Moura. Seu substituto, Wellington Paulista, vinha de boa sequência, com sete gols nos últimos sete jogos. Mas Abel apostou no centroavante que já conhecia dos tempos de Fluminense. “Eu gostaria de ressaltar o Wellington, que é um cara que faz eu me puxar. Se eu não demonstrasse aqui, hoje [ontem, na Arena], iam me cobrar resultados, pelo que ele fez nos últimos jogos”, destacou o centroavante. Responsável direto pela

“Eu nunca cheguei em um clube e tive tanta pressão para que um jogador fosse dispensado. E eu te banquei, cara.” ABEL BRAGA, REVELANDO CONVERSA QUE TEVE COM RAFAEL MOURA DURANTE AS FÉRIAS

permanência de Rafael Moura no clube, o treinador contou que antes mesmo da apresentação para a temporada, mandou um recado para o jogador. “Eu nunca cheguei em um clube e tive tanta pressão para que um jogador fosse dispensado. E eu te banquei, cara”, revelou Abel. O técnico exigiu do jogador boa forma física e salientou a presença de Wellington Paulista no grupo que se formava para 2014. “Houve aquele problema em Novo Hamburgo, que ele fico ma-

“Hoje é inevitável que entrei para a história do Inter. Vou seguir trabalhando pelos meus objetivos e pelos objetivos do Inter.” Rafael Moura foi perfeito em suas cabeçadas | LUCIANO LEON/FUTURA PRESS RAFAEL MOURA, CENTROAVANTE DO INTER

goado [quando o centroavante pediu silêncio aos torcedores que o vaiavam], e hoje o torcedor está de braços abertos para ele. Eu não fiz nada mais do que dar confiança a um jogador que eu conhecia o potencial”, analisou. Racismo O episódio que manchou o clássico de ontem teve novamente cenas de racismo. Desta vez o alvo foi o zagueiro Paulão, do Inter, que saiu de campo sob sons de macaco, imitados por alguns torcedores do Grêmio. O zagueiro, tranquilo e ex-jogador do clube, apenas aplaudiu ironicamente os agressores, mas o volante Willians revidou: “Racistas. É uma torcida de m...”, disparou. A situação não deve ser registrada na súmula da partida já que nenhum dos integrantes da arbitragem presenciou os atos. METRO POA

Enderson lamentou o desgaste de seu time | LUCAS UEBEL/GRÊMIO FBPA

Grêmio alega cansaço e quer virar a chave A mesma calma apresentada nos resultados positivos mais expressivos no ano deu o tom na primeira derrota mais significativa de Enderson Moreira no comando do Grêmio. Na visão do treinador, a estratégia de atuar um maior número de vezes com o time titular no Campeonato Gaúcho fez a equipe cansar durante o clássico. “Foi o preço que pagamos pela sequência de jogos. A grande preocupação era para quarta-feira, mas acabamos sentindo antes”, lamentou. “Uma equipe campeã também se faz com derrotas, com poucas derrotas”, sentenciou. O treinador admitiu a superioridade colorada no segundo tempo, mas acredita que o resultado possa ser revertido no jogo de volta. A decisão do Gauchão de 2011, quando o Grêmio venceu no Beira-Rio por 3 a 1 e foi derrotado pelo mesmo placar no Olímpico, perdendo o título nos pênaltis, é o exemplo utilizado para seguir pensando em conquista. “Não está nada perdido. Ele reverteram em 2011, podemos reverter

“Agora temos que virar a chave e pensar na quarta-feira. Uma equipe campeã também se faz com derrotas, com poucas derrotas. ” ENDERSON MOREIRA, TÉCNICO DO GRÊMIO

agora”, avaliou o goleiro Marcelo Grohe, dono de um par de defesas cinematográficas, evitando um placar mais dilatado. Mudança de foco A proposta para enfrentar o Atlético Nacional, pela Libertadores, quarta-feira, é conseguir mudar o foco rapidamente. “Temos que virar a chave e pensar no jogo de quarta”, explicou o treinador. Ideia corroborada pelos dirigentes. “Temos que desconectar de uma competição e conectar na outra rapidamente”, opinou o gerente executivo Rui Costa. Após o Gre-Nal, os jogadores gremistas mantiveram o regime de concentração. A delegação tinha embarque para a Colômbia programado para às 6h30 de hoje. METRO POA


PORTO ALEGRE - SEGUNDA-FEIRA, 31 DE MARÇO DE 2014



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