Page 4

04

CURITIBA, SEXTA-FEIRA, 8 DE MARÇO DE 2013 www.readmetro.com

FOCO

Mulheres são 6,2% do efetivo da PM

Paraná. São 1.102 praças e 91 oficiais trabalhando na corporação. Primeiro concurso foi em 1977. Hoje é Dia Internacional da Mulher.

Elas passam pelo mesmo processo de formação que os homens | PEDRO RIBAS/ANPR

A especialista. Subtenente Tânia Guerreiro

“Vejo minhas colegas de farda como irmãs” | ARQUIVO PESSOAL

“É uma vitória estarmos trabalhando nas ruas” | ARNALDO ALVES / ANPR

“Somos uma família aqui”, diz Guerreiro, que tem 53 anos, sendo 32 só de Polícia Militar. Única policial do país com especialização em pedofilia, ela conta que sonhava em entrar para a PM desde criança. “Se a mulher tiver que chorar, chora num cantinho. Na linha de frente, somos profissionais e fazemos o que tem que ser feito”.

Em 1976, elas começaram a chegar à Polícia Militar. Em 1977, o Paraná realizou concurso para aumentar a participação delas na corporação. Hoje, 36 anos depois, são 1.193 mulheres na PM, o que representa 6,2% do efetivo de 18.934 policiais formados e na ativa. Há 1.102 praças mulheres (soldado, cabo, sargento e subtenente) – 6,2% do total de 17.686. No caso de oficiais (aspirante a oficial, tenente, capitão, major, tenente-coronel e coronel), o índice é um pouco maior: 7,3%. São 91 mulheres num universo de 1.248 oficiais, conforme dados da PM.

Elas comandam equipes, vão para as ruas e enfrentam marginais. “Há mulheres nos mais diversos postos de graduação e funções. Fazem os mesmo serviços que o policial masculino”, comenta o comandante-geral da PM, coronel Roberson Luiz Bondaruk. No entanto, elas se destacam em ações que exigem maior cuidado e afetividade. “É na lida com as crianças, os idosos e as mulheres. É na relação com a comunidade”, comenta Bondaruk. As policiais têm o mesmo treinamento que os homens, mas conseguiram algumas mudanças. Entre elas

está o teste físico exigido em concursos. “Por sua própria estrutura, a mulher tem mais dificuldade na barra dinâmica. Conseguimos, então, substituir pela isometria e ela apenas se mantém com o queixo sobre a barra por um determinado tempo”, conta o comandante. Na avaliação de Bondaruk, a chegada da mulher à PM deixou a corporação mais diversificada. “Esse tecido social faz com que a polícia seja mais plural e mais adequada aos dias de hoje”. CAMILA CASTRO METRO CURITIBA

A comandante. Tenente Caroline Costa

A mais antiga. Tenente-coronel Rita Aparecida

Ela tem apenas 27 anos, entrou na PM há 10, e já comanda a UPS do Uberaba – e uma equipe de 60 homens. Costa vê na profissão sua realização pessoal. “No início eles acham meio estranho, mas o preconceito reduz ao ver a postura da mulher, a seriedade e consistência do seu trabalho”.

Já aposentada, Aparecida foi aprovada no primeiro concurso que aceitou mulheres na corporação, em 1977, aos 18 anos. Hoje, aos 53 anos, ela fala que a PM foi uma grande escola. “Enfrentamos preconceitos, resistências, mas a missão é maravilhosa. O trabalho é enobrecedor”.

“Quando comecei, não quis parar mais” | MANOEL GOMES / PMPR

‘Mulher precisa saber que violência não é aceitável’ “O grande desafio para a sociedade é conscientizar as mulheres de que violência não é aceitável”, apontou ontem, em entrevista ao programa de rádio do Ministério Público do Paraná, a promotora de Justiça Claudia Cristina Madalozo, que atua junto ao Núcleo de Gênero e Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Segundo ela, muitas mulheres sentem-se envergonhadas e têm medo de de-

nunciar a violência sofrida dentro de casa. “Aceitando a violência, ela propaga esse padrão de relacionamento na família, criando meninos e meninas com a noção de que aquilo é aceitável”, afirma Madalozo. A promotora diz que esse comportamento é explicado pela própria forma de pensar da sociedade. “A noção de gênero abrange papel social, com construção histórica, antropológica e sociológica. Como tal, ela demora

um tempo para ser desconstruída”, diz. Por isso, argumenta, a educação é tão importante e o tema deveria ser tratado já nas escolas. Para os órgãos públicos, Madalozo coloca o desafio do trabalho em conjunto. “Precisamos de vontade política de fazer diversos integrantes das redes de âmbito municipal, estadual e federal somarem esforços, ao invés de trabalharem cada um para um lado”. METRO CURITIBA

20130308_br_metro curitiba