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A VERDADE SOBRE AS PERSEGUIÇÕES IMPLACÁVEIS SOFRIDAS PELA RÁDIO K EM CINCO ANOS

Uma história de corrupção e truculência Venda proibida Distribuição gratuita

Jorge Kajuru

Goiânia - Goiás 2002


Dados Internacionais de Catalogação-na-Publicação (CIP) (GPT/BC/UFG)

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Kajuru, Jorge Dossiê K : uma história de corrupção e truculência / Jorge Kajuru. – Goiânia : Rádio K do Brasil, 2002. 268p. :il.

1. Corrupção política – Goiás – 1998/2002 2. Corrupção administrativa – Goiás – 1998/2002 II. Título. CDU: 328.185(817.3)”1998/2002" Reserva dos Direitos Autorais, em Língua Portuguesa ou em qualquer outro idioma.

Tudo aqui, escrito e carimbado, como GRAVADO, fica à disposição de todo cidadão que desejar buscar a cópia das gravações na sede da Rádio K ou via internet. Também a cópia de todos os documentos, que se tornam públicos. Projeto Gráfico: Graça Torres Revisão: Auricélia de P. Rodrigues

Av. Goiás nº 174 - Ed. São Judas Tadeu - 16º andar - Centro - Goiânia CEP 74.010-010 - Fone: (62) 213-2929 - Fax: (62) 521-0407 E-mail: kajuru@radiokdobrasil.com.br


Para meus amigos ouvintes, minha história e consciência.

Desafio os bajuladores de palácio a escreverem um livro que desminta tudo aqui escrito e provado. Mas apresentem documentos.


Prefácio O que você lerá neste livro aconteceu no século passado e continua a acontecer neste. Mas lembra a longínqua Inquisição e a bem mais próxima ditadura militar, que assolou o País nos últimos anos 60 e 70. O que você lerá neste livro, fartamente documentado, é a luta de um jornalista que parece não ser deste século, nem do passado e nem do anterior. A luta de um romântico que se imola em praça pública, que abre o peito para levar balas e estocadas, que sabe ser impotente para enfrentar forças tão maiores, mas que, mesmo assim, não desiste, trava o bom combate, apesar de saber que protagoniza um filme no qual o mocinho morre no fim. Jorge Kajuru é o Don Quixote de Goiás, que fez de sua Rádio K o Sancho Pança, na batalha contra moinhos de vento bem concretos, dois governos sucessivos e adversários entre si – um do PMDB, com Íris Rezende, outro do PSDB, com Marconi Perillo. Atenção, poderosos: o personagem de Cervantes aqui é tratado como merece, como um herói em busca da justiça e da liberdade e não como um ator de ópera bufa. Como diz o genial Ariano Suassuna, “ser Quixote é uma qualidade”. Quem procura fazer dele algo caricato é a sociedade apodrecida, tão bem retratada nas páginas que seguem. Ao deixar seu testemunho também em forma de livro, Jorge Kajuru dá, mais uma vez, a cara a tapa, para que seus ouvintes o julguem. Ao expor a sucessão de derrotas que o levaram a sepultar seu casamento, a perder seu patrimônio e a responder a uma série interminável de processos, Kajuru emerge vitorioso pelo simples fato de ter se mantido fiel aos seus propósitos públicos e às suas idéias, algumas vezes manifestados de maneira caótica; muitos, com a voz do coração e não da cabeça; todos, com profundidade, honestidade e santa indignação. Chances de capitular ele teve diversas. Propostas para sair rico da guerra não faltaram. Mas Kajuru, tal como um Darci Ribeiro, preferiu orgulhar-se de suas derrotas. À custa do bolso, do corpo que fraquejou, do coração despedaçado, do equilíbrio, precário, às vezes.


Porque Jorge Kajuru tem a coragem dos que têm medo e a intuição de que a vitória não precisa, necessariamente, ser comemorada em vida. É a História quem dirá o nome do mocinho e dos bandidos. E a História está ao seu lado no embate travado com os pusilânimes e covardes. Não houve nenhuma pessoa próxima a Kajuru que não lhe tenha dito, pelo menos uma vez, para largar tudo, vender a emissora, tratar da vida num centro maior, como São Paulo, deixar fluir seu incomensurável poder de comunicação e alargar seus horizontes. Houve momentos em que até pareceu que Kajuru concordaria. Só pareceu. Neste libelo recheado, por um lado, de atitudes dignas e, de outro, de torpezas quase inverossímeis, eis que emerge não só a face miserável do poder exercido de maneira arbitrária, desonesta e corrupta, em nome de interesses pessoais e inconfessáveis. Vem à tona, ainda, o papel nefasto, comprometido, calhordamente interesseiro de veículos nacionais de informação. Felizmente Jorge Kajuru sobreviveu para contar esta história. Por sorte e habilidade, não teve o fim de tantos jornalistas de centros menores, pelo Brasil afora, que acabaram vítimas de pistoleiros de aluguel. Seu testemunho, porém, está longe de se esgotar nos limites do estado de Goiás. O teor de suas denúncias tem o condão de espalhar vergonha pelo país inteiro, do Palácio do Planalto, passando pelo Ministério das Comunicações e por algumas redações do eixo Rio-São Paulo. Porque, de fato, é de fazer corar a constatação de que alguém venha lutando sozinho e, há tanto tempo, contra o dragão da maldade. Mas Quixote não desiste e Sancho não se cala para fazer ranger os dentes dos moinhos de vento. E é ai que mora o perigo para os coronéis, para os oligarcas, para os corruptos. Há vozes que não se calam jamais. Juca Kfouri


รndice Janeiro de 1998 ........................................................ 11 Julho de 1998 .......................................................... 14 Agosto de 1998 ........................................................ 14 Setembro de 1998 .................................................... 15 Outubro de 1998 ..................................................... 16 Novembro de 1998 .................................................. 27 Dezembro de 1998 .................................................. 28 Janeiro de 1999 ........................................................ 29 Fevereiro de 1999 .................................................... 30 Marรงo de 1999 ........................................................ 38 Abril de 1999 ........................................................... 39 Maio de 1999 .......................................................... 53 Agosto de 1999 ........................................................ 65 Setembro de 1999 .................................................... 74 Outubro de 1999 ..................................................... 78 Dezembro de 1999 .................................................. 83 Fevereiro de 2000 .................................................... 87 Marรงo de 2000 ........................................................ 87 Abril de 2000 ........................................................... 97 Maio de 2000 .......................................................... 105 Junho de 2000 ......................................................... 116 Julho de 2000 .......................................................... 116 Agosto de 2000 ........................................................ 116 Setembro de 2000 .................................................... 117 Outubro de 2000 ..................................................... 117


Novembro de 2000 .................................................. 123 Dezembro de 2000 .................................................. 123 Janeiro de 2001........................................................ 133 Abril de 2001 ........................................................... 134 Junho de 2001 ......................................................... 137 Julho do 2001 .......................................................... 158 Agosto de 2001 ........................................................ 163 Setembro de 2001 .................................................... 171 Outubro de 2001 ..................................................... 173 Novembro de 2001 .................................................. 175 Dezembro de 2001 .................................................. 176 Janeiro de 2002........................................................ 178 Fevereiro de 2002 .................................................... 181 Marรงo de 2002 ........................................................ 181 Abril de 2002 ........................................................... 182 Maio de 2002 .......................................................... 198 Julho de 2002 .......................................................... 222 Agosto de 2002 ........................................................ 237 Setembro de 2002 .................................................... 242


Janeiro de 1998 Com apenas um mês de vida no ar, a Rádio K engatinhava na montagem de seu Departamento de Jornalismo. No esporte, a emissora já nascia herdeira da consagrada marca “Feras do Kajuru”, desde 1987, com liderança absoluta nas transmissões de futebol. A Rádio K não pensava ser diferente, apenas não queria ser igual ao restante da imprensa goiana, que não servia ao povo, mas se servia do povo, escondendo a verdade sobre os 16 anos de PMDB em Goiás. Milhões eram gastos em publicidade oficial e pessoal. Governantes eram tão endeusados que, em todos os anos, no aniversário de Íris Rezende, havia colunista que pedia para decretar feriado. Decisões tomadas pela Rádio K: 1) Pioneirismo, dando exemplo de imprensa livre. 2) Ser a primeira emissora a recusar dinheiro público, só aceitando anúncio da iniciativa privada, com restrição a alguns produtos. Mídia de governo, jamais. 3) Estabelecer uma relação de mão dupla com o ouvinte, que passou a ser o único censor da emissora, com liberdade de expressão, sendo nosso “ombudsman”. 4) Introduzir, pela primeira vez, a prática do jornalismo investigativo, com denúncias embasadas e documentadas.

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Quanto custava o silêncio da imprensa goiana? Aqui, a Rádio K denunciava os gastos do PMDB, somente em mídia oficial do Governo.

Rela tório Sintético por tipo de Veículo elatório

1998 J or nais - 21.565.310,00 ornais TV - 20.533.470,00 Rádio - 6.713.160,00 Total: R$ 48.808.940,00

(Ex astos de empr esas e autar quias (Exccluídos ggastos empresas autarquias quias,, como Celg, Saneago, Beg, Detram, Crisa, Iquego, Tr ansurb ob us ansurb,, Metr Metrob obus us,, que que,, somadas somadas,, che g a v am a15 milhões de rreais) eais) heg

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Julho de 1998 Diretamente da França, onde cobria a Copa do Mundo pela Rádio K, Kajuru, em comentário de uma hora, desabafou e desafiou a oposição política em Goiás, no sentido de que, se não houvesse um homem capaz de enfrentar Íris Rezende, ele próprio sairia candidato de oposição ao governo.

Ag osto de 1998 Agosto A Rádio K inicia a cobertura das eleições para o Governo de Goiás, com a coragem de contar a verdadeira história dos 16 anos do PMDB e revelar as mazelas do coronel Íris Rezende. Marconi Perillo, único adversário de Íris na eleição, aproveitava-se dessa cobertura inédita da Rádio K, em seu primeiro ano de vida. Marconi e Kajuru nunca haviam trocado uma palavra. Kajuru tomara essa decisão de cobertura jornalística porque, desde 1986, já enfrentava Íris sozinho na imprensa goiana. O único político, aliado de Marconi, que tinha relacionamento com Kajuru era Ronaldo Caiado, embora ideologicamente não houvesse nenhuma identidade. Todavia, Ronaldo salvou a vida de Kajuru, quando um diretor da UDR, (Wolney) já falecido, resolveu matar o jornalista.

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Setembr o de 1998 Setembro Dez dias antes da eleição, no primeiro turno, Kajuru denuncia a fraude da pesquisa do IBOPE, comandada em Goiás, pela afiliada da Rede Globo, Organização Jaime Câmara, que dava a Íris Rezende vitória no primeiro turno, com 26% de frente. Aconteceu que, em Maio (quatro meses antes das eleições), o IBOPE foi contratado pela afiliada da Globo para fazer 04 rodadas de pesquisa em Goiás. Foi feita a 1ª, que dava a Íris, naquele momento, 26% de frente. Estranhamente, a TV Anhanguera dispensou as outras 03 rodadas que o Ibope faria. Por sua vez, o PMDB ficou propagando essa pesquisa até 10 dias antes do 1º turno. Naturalmente, sem revelar a data em que o Ibope pesquisava. Abaixo, através do Programa “Roda Viva”, da Rede Cultura de Televisão, o Sr. Carlos Augusto Montenegro revelou o segredo, que, para a Rádio K, já havia sido desmascarado, provocando revolta e a virada de Marconi no 1º turno. PROGRAMA “RODA VIVA” - TV Cultura José Roberto (jornalista/Folha de São Paulo): “Mas só se colocando no lugar do eleitor de Goiás, do Mato Grosso do Sul, que ficou com o resultado defasado e que, quando chegou na hora da apuração, teve uma surpresa.” Carlos Augusto Montenegro: “Eu acho que o eleitor tem todo o direito de reclamar com a TV Anhanguera, de Goiânia ou de Goiás, tem todo o direito de chegar e mandar uma carta pra televisão, e falar: olha, foi horrível o papel de vocês; eu, como eleitor daqui, gostaria de acompanhar isso até o final; é, fiquei muito triste, muito chateado de vocês não terem contratado o Ibope até o final, então, acho que o eleitor de Goiânia tem todo o direito. Agora, fazer pesquisa de graça eu não faço.” r

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o de 1998 Outubr Outubro Marconi Perillo vence o primeiro turno e faz agradecimento histórico a Kajuru. Como Íris Rezende foi mais criticado e denunciado, Kajuru era o máximo para o jovem político. O CANDIDATO MARCONI PERILLO DECLAROU, NO DIA DA VITÓRIA: – “...Kajuru, parabéns a você, a toda a sua equipe, pela cobertura e pelo trabalho jornalístico exemplar. Corretíssimo. Você está dando uma lição de independência e a sua rádio está, sem dúvida, contribuindo para a democracia em Goiás. Vocês fizeram um trabalho sério, você chegou a ponto de colocar a sua rádio em jogo para que a verdade prevalecesse. Você deu uma grande contribuição à democracia em Goiás. Você teve um gesto de civismo, ao colocar em jogo seu patrimônio, para que a verdade prevalecesse em Goiás. Você ajudou muito a democracia, em Goiás, com a sua rádio e a sua pesquisa.”

Depoimento, ao vivo, às 19:35hs, pela Rádio K. 06 de Outubro de 98.

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Kajuru denuncia na Rรกdio K o Caso Caixego.

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Kajuru comeรงa a receber ameaรงas de morte.

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Kajuru recusa, publicamente, através da Rádio K, proposta de 100 mil reais, como patrocínio de cobertura das eleições no segundo turno, feita por um dos coordenadores financeiros da campanha de Marconi, Ebrahim Arantes, que, juntamente com o repórter Weldon Paulo, foi até a residência de Kajuru, levando dinheiro em espécie.

DEPOIMENTO DE WELDON PAULO “Depois do primeiro turno da grande eleição de 1998, com cobertura maciça da Rádio K do Brasil, fui convidado por um membro do departamento comercial da Rádio K do Brasil a entrar em contato com a Paula Panarelo, já que eu tenho amizade com o Camarguinho (Camarguinho que casou com Paula Panarello, filha do Paulo Panarelo), pra providenciar um grande patrocínio, visando esse grande debate do segundo turno das eleições de 1998. Estive aqui na Rádio K, entrei em contato com o Paulo Panarello, ele disse que não tinha o mínimo interesse. Ao chegar na Rádio K, fiquei de frente com o Ebraim Arantes, que estava sentado no sofá da recepção da Rádio K, cumprimentei ele, e chamei ele pra entrar no departamento comercial, e aí me falaram que a Rádio K estava saindo às ruas para arrumar patrocínio visando patrocínio desse grande debate. Eu falei pro Ebraim, o Ebraim assistiu à reenvindicação que foi feita por mim. Ele falou: ‘Olha, já tenho os patrocínios, que é Viena Medicamentos, do Arione José de Paula, loja que pertence a Arnaldo Rabelo e a Torneadora Aeroporto’. Era um final de semana, eu peguei meu carro, fui na residência desses profissionais e desses empresários e peguei a assinatura no contrato da Rádio K do Brasil, aí peguei o contrato, preenchido, nome da firma, CGC, tudo. Recebi um 24


telefonema na minha residência, do senhor Ebraim Arantes. Ele estava no Supermercado Cristal, que fica ali no Setor Oeste, perto da galeria do Cinema Um. Ele me falou que estava com o dinheiro, aí ele pegou um envelope do Castro´s Park Hotel, eu me lembro perfeitamente, escreveu no envelope, Heldon Paulo, com H e não com W, que é meu nome e falou: ´olha, tô te entregando o dinheiro, 100 mil reais’; eu telefonei pro Kajuru, falei: ´Kajuru, eu já recebi do Ebraim.’ Ele pegou e falou: ‘eu não aceito esse dinheiro.’ Eu falei: ´como é que é? Não aceito esse dinheiro, eu não quero esse dinheiro’. Eu peguei e falei: ´ó, Kajuru, eu vou na sua residência, onde você está’; ele tava com gota, em cima da cama, aí cheguei lá com o Ebraim Arantes, entreguei o pacote de 100 mil reais, ele não aceitou, falou: ´não, não quero esse dinheiro.’ O Ebraim insistiu demais pra que ele pegasse o dinheiro, e a Rádio K tava precisando do dinheiro, o Kajuru não aceitou. O Weldon Paulo perdeu 10 mil reais nessa brincadeira e o Kajuru não aceitou, Ebraim falou assim: ´Kajuru não gosta de dinheiro. `Eu falei: ´mas eu gosto’; eu falei assim: ‘eu vou pegar esse dinheiro, vou à diretora financeira da rádio’. Kajuru, irritado: ´Se você pegar esse dinheiro, eu denuncio você na Rádio K’. Eu falei: ‘bom, então fim de papo, Kajuru não quer mesmo. Ebraim, tchau.” om.br

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"Eu, Jorge Kajuru, não tenho nenhum partido, acho os dois candidatos péssimos para Goiás, na minha opinião. Péssimos dos péssimos. Tanto é que o meu voto é nulo. Não vou votar em nenhum. Essa é a minha posição. O Jorge Kajuru não tá nem aí com nenhum dos dois. Não preciso de nenhum dos dois. Conheci esse Marconi Perillo agora. E dei a opinião antes de começar o primeiro turno sobre os dois, da seguinte maneira: para mim, tratava-se de Iris Sênior e Iris Júnior. Na minha opinião, o Íris não tem nenhum filho tão parecido com ele, como o Marconi. Essa é minha opinião. Disse, aqui, que os mesmos erros de Íris, certamente Marconi os terá daqui a 4 anos. A menos que ele me surpreenda, o Sr. Marconi Perillo. A Rádio K do Brasil vai continuar fazendo oposição jornalística a qualquer governo eleito em Goiás, porque essa é a nossa posição de independência. Não queremos nenhuma relação com o governo. Não aceitamos aqui, e é o único veículo de comunicação que não aceita publicidade oficial de governo. Todo mundo, em Goiás, aceita. Vença quem vencer as eleições, continuaremos com esse trabalho politicamente jornalístico." r

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Kajuru declara, no ar, que vai anular seu voto e faz comparação entre Íris e Marconi. Aconteceu no dia 9, às 9 e meia da manhã, em programa ao vivo, onde estavam presentes os jornalistas Altair Tavares e Cassim Zaiden, e a deputada federal Nair Lobo. 26


o de 1998 No embro Novvembr Já eleito, antes de tomar posse, o governador Marconi Perillo, acompanhado dos auxiliares Demóstenes, Sandoval, Luiz Felipe e Ferrari foi até a residência de Kajuru, quando aconteceu o primeiro encontro entre ambos, dia 20. À espera de Kajuru, Isabela, sua mulher, e a empregada Biga ouviam da cozinha, com medo de alguma discussão. Na oportunidade, Marconi, sem constrangimento, fez duas propostas: 1) Que a Rádio K desse uma trégua em crítica a seu governo, alegando que ele precisaria de muito tempo para recuperar o Estado. Revelou o tempo de 08 anos; 2) Toda denúncia que chegasse até Kajuru que, primeiro, entregasse a ele, deixasse o governo resolver e apurar e, quando o governo terminasse esse processo, liberaria a Rádio K para falar do assunto. A resposta de Kajuru: “Imprensa não foi feita para dar trégua. E, sobre entregar a denúncia antes, trata-se de uma censura prévia, Sr. governador”. O secretário de comunicação, Luiz Felipe, ponderou que a melhor mídia técnica seria a da Rádio K. Ainda nessa conversa, o governador pediu sugestão de nome para a Secretaria de Esportes. Kajuru pediu que o governador desse os nomes e ele faria comentários. Nada teve sequência. Sobre mídia, Kajuru pediu para que nunca mais alguém do governo falasse em assunto comercial, pois já era público, meses atrás, no ar, o compromisso da Rádio K, de jamais aceitar mídia de Governo.

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o de 1998 De embro Dezzembr A Rádio K denuncia que Jalles Fontoura foi escolhido como secretário da Fazenda por causa de um empréstimo na campanha eleitoral, de 3 milhões de reais, feito por seu pai, Otávio Lage, durante o 1º turno. Até hoje, a emissora não foi desmentida.

23 de dezembro de 1998 20 horas e 30 minutos – Cafeteria Bandeira Café O secretário de comunicação, Luiz Felipe, pede encontro com Jorge Kajuru e, sem nenhum constrangimento, faz uma proposta em nome do governador Marconi Perillo: Um milhão de reais, em dez parcelas, para ser sócio da Rádio K. Kajuru, estupefato, pergunta: “Quem seria meu sócio?” Resposta de bate-pronto: “O governador, por que não?” Imediatamente, Kajuru recusa e avisa Ronaldo Caiado que, no dia seguinte, vai ao governador, conta a conversa, diz que Kajuru não é homem de dinheiro e, sim, de amizade, pede uma reação de Marconi e o governador garante demissão antecipada do secretário. Moral da história: O secretário, até hoje, faz parte da equipe de comunicação do governo e, somente cinco meses depois deste episódio, pediu demissão do cargo de secretário de comunicação por outro motivo. Foi denunciado por sua própria superintendente, Marialda Valente, por irregularidades e favorecimento na licitação de agências.

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o de 1999 Janeir aneiro No dia 1º, na posse do governador Marconi Perillo, a Rádio K foi a única emissora que transmitiu, recusando-se a receber os 9 mil reais que o Governo pagava pela transmissão de cada rádio. Durante a cerimônia, a Rádio K criticou veementemente o discurso de Marconi, declarando que o povo de Goiás era injusto com Ari Valadão e Otávio Lage, seus maiores aliados na eleição. Dois ex-governadores de tristes lembranças. Ao colocar no ar a chamada, com a voz do governador, prometendo em campanha que, a partir do seu primeiro dia de governo, reduziria os impostos de 17% para 12%, eis que o secretário da Fazenda, Jalles Fontoura, veio, no ar, para dizer que o governador não havia feito essa promessa. A Rádio K o desmascarou, reproduzindo, na íntegra, a declaração do próprio governador, feita no horário político da campanha. Jalles calou-se.

MARCONI PROMETEU “O imposto de Goiás é o mais caro do Brasil, é o mais vergonhoso do Brasil, e eu, no primeiro dia, vou enviar uma mensagem para a Assembléia, reduzindo o imposto da energia, da água, da gasolina, do gás de cozinha, porque isso é cidadania, esse é um compromisso que eu assumo aqui. Eu vou acabar com essa indecência, se Deus quiser.” Setembro/98 - Horário Eleitoral Não foi cumprida a promessa.

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Ainda em janeiro, a Rádio K coloca no ar chamada com a voz do governador Marconi Perillo, prometendo e garantindo que, em seu governo, a imprensa seria livre para denunciar qualquer escândalo.

MARCONI PROMETEU “.....Quando ganhássemos as eleições, a imprensa seria livre, não haveria mais tutela, a imprensa é livre, pode colocar todo dia na capa do O Popular, e dos outros jornais, escândalos um atrás do outro.” Outubro/98 Comício Final, na Praça Cívica. Naturalmente, não foi cumprida a promessa.

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Fever eir o de 1999 ereir eiro Kajuru avisa publicamente, pela Rádio e pessoalmente, ao governador Marconi Perillo, que empresários goianos, da iniciativa privada, estavam querendo investir na Rádio K e reclamavam que o governo não estava permitindo. Marconi desmentiu e Kajuru deu um exemplo nominal: o Sr. Rivas Resende confirmou essa versão com o testemunho de Jorcelino Braga, na empresa Panarello. Marconi mudou de assunto. Kajuru completou: “Parece que eu tinha razão, governador, o que Íris fez em 12, o senhor vai fazer em quatro”. Perillo disse que estava sendo ofendido e, assim, acabou o 2º e último diálogo entre os dois. Mais tarde, Kajuru comprovou como o governador era capaz de se envolver em compra ou venda de emissora. Bem mais covarde que Íris Rezende. 30


A Rádio K denuncia contrato suprapartidário e outras avenças com loteamento de cargos do Governo na cidade de Aparecida, com assinatura de Sérgio Cardoso, vulgo Serjão, cunhado do governador. A revista “Veja” também repercute a denúncia, tratando o caso como o primeiro da História política do País.

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Essa última, é a rubrica de Serjão, que, até hoje, atua no Governo e se enriquece de forma espetacular. 34


OBS.: Houve mesmo o loteamento de cargos.

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O governador Marconi Perillo tenta, de todas as maneiras, convencer a Rádio K a aceitar uma mídia técnica de 150 mil reais mensais. Em troca desta mídia, o governo pedia a imediata demissão dos funcionários da Rádio K: Martiniano Cavalcante e Luiz César Leleco. Kajuru recusa publicamente tal oferta, em programa das 8 horas da manhã, e mantém os funcionários na emissora. A Rádio K lança projeto “Associa K”, em parceria com Pelé, para o ouvinte se associar à emissora, pagando 5 reais mensais, como alternativa para evitar falência da emissora, mantendo sua indenpendência.

DEPOIMENTO KAJURU Jorge Kajuru: “... Vender ações pra todo mundo, como a gente vai lançar agora, graças a Deus, porque o Pelé já cansou de esperar também e, aliás, já mandou avisar a esse governador, o Pelé, falando ao Juca, domingo em São Paulo, que esse governador pode mandar qualquer documento pra ele, porque já mandaram tudo pra ele, contra mim. O Pelé mandou dizer pra ele: ‘fala pra ele mandar o que ele quiser, que eu não vou mudar minha opinião sobre você e sobre a Rádio K do Brasil, pode mandar o que quiser’. Então, vender ações agora, tentar vender 300 mil reais em ações porque, sinceramente, ouvinte, do fundo do meu coração, os seus cinco reais mensais, ouvinte, os cinco reais que você for pagar, comprando ações da Rádio K do Brasil, cinco reais por mês, que eu não quero um centavo a mais do que isso, os seus cinco reais mensais, cinco reais por mês, ouvinte, os seus cinco reais por mês, valem mais, valem muito mais pra mim, pra minha honra, valem muito mais do que os 150 mil reais mensais 36


que o governo Marconi ofereceu pra mim, pra me pagar, pra me comprar, e pra que eu tirasse da rádio o Martiniano, o Leleco e o Gama, e pra que eu parasse de fazer comentário político, que foi a proposta que eu recebi de cento e cinqüenta mil reais, com testemunhas, do senhor Manoel de Oliveira, e os senhores secretário e superintendente da Secretaria de Comunicação. Essa foi a proposta feita, que evidentemente eu não aceitei.” om.br

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OBS.: Kajuru desistiu, logo no segundo mês, deste projeto, antes de receber as primeiras contribuições. Martiniano Cavalcante discordou no ar, queria que o Associa K continuasse, mas Kajuru se aborreceu com críticas de jornalistas concorrentes que alegavam semelhanças deste projeto com a “Sacolinha” dos pastores. Na verdade, a finalidade da Rádio K era ser uma espécie de TV a cabo, com assinantesouvintes, que poderiam tornar a emissora tão livre, que dispensaria até os anúncios da iniciativa privada.

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Março de 1999 A Rádio K denuncia o uso de máquinas do governo na Usina de Otávio Lage, pai do secretário da Fazenda Jalles Fontoura. A Rádio K relembra, no ar, chamadas das promessas de campanha do governador, tais como: 100 mil empregos em quatro meses de governo e tolerância zero em relação à segurança, bem como melhores condições de trabalho e de remuneração aos policiais. Kajuru é convidado para programa de “Jô Soares”, no SBT, com o objetivo de falar sobre as denúncias de irregularidades nas campanhas de Íris Rezende e Marconi Perillo. Exemplos de casos “Caixego” e “Ligue 900”.

O jornalismo livre e investigativo da Rádio K do Brasil provocou a primeira entrevista de Jô Soares com um jornalista de Goiás. Programa Jô Onze e Meia, do SBT, 22/03/99

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Jô - E aí, o que aconteceu? Kajuru - Nós avisamos que íamos fazer isso. E fizemos essa investigação profunda nos dois principais candidatos ao Governo: do PMDB e do PSDB. Três dias antes da eleição, recebemos a denúncia fatal, que foram sacados 5 milhões de reais “in cash”, do Banco do Estado de Goiás. E aí está essa confusão até hoje. Quando a gente denunciou, nós fomos chamados de loucos, acusadores sem provas. E, hoje, aí estão as provas, e falta apenas o julgamento final da Justiça. Não há dúvida que foram sacados os 5 milhões, e agora resta apenas provar se esses 5 milhões saíram do Banco e foram para o comitê do PMDB. E fizemos a mesma investigação na mesma campanha. Jô - Do PSDB? Kajuru - Do PSDB. Que também há suspeitas de irregularidades, mas ainda sem provas. Mas continuaremos em busca dessa reportagem. Fizemos com os dois candidatos.


Abril de 1999 A Rádio K denuncia esquema de corrupção e movimento financeiro ilegal de caixa 2 durante campanha de Marconi Perillo. Envolvia a empresa Ligue 900, do Sr. Vilmar Guimarães, tesoureiro de Marconi Perillo, e, naquela época, no governo, secretário de Indústria e Comércio. O Ministério Público Federal, através do Procurador Hélio Telho, solicita denúncia da Rádio K e começa investigação. Com cópia de escritura em mãos, a Rádio K denuncia a estranha compra de duas fazendas no Mato Grosso, por parte do irmão do governador, Antônio Perillo, que nunca havia trabalhado. Incompatível com as rendas e salários até de seu irmão, Marconi, desde quando foi deputado estadual e federal. Mais de 2.000 hectares, as áreas.

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Maio de 1999 A Rádio K denuncia o escândalo SECOM 2, envolvendo o secretário Luiz Felipe, com provas de irregularidades apresentadas pela própria superintendente da secretaria, Marialda Valente.

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O governador Marconi Perillo promove sua primeira entrevista coletiva, onde qualquer jornalista teria o direito de questioná-lo. Coincidentemente, foi a primeira e última de seu governo. Motivo: Kajuru, acompanhado de documentos, questionou o nepotismo em seu governo, tão criticado por ele próprio no governo de Íris, e, principalmente, questionou o comando paralelo de seu governo, na pessoa do cunhado de Marconi, conhecido como Serjão, trabalhando dentro do Palácio. Ele ainda era assessor do prefeito Nion Albernaz e conselheiro do BEG. Ou seja, mantinha três empregos simultâneos.

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1ÂŞ Prova

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2ÂŞ Prova

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No ar, ao vivo, no programa “Hora da Verdade”, a Rádio K liga e flagra pelo telefone.

SECRETÁRIA DO SÉRGIO CARDOSO Jorge Kajuru: ... Alô, de onde fala, por favor? (Secretária): Assessoria... Jorge Kajuru: ...Assessoria de onde? (Secretária): Prefeitura e governo. Jorge Kajuru: ...Prefeitura e governo? Aí não é, não é aí que fica o seu Sérgio Cardoso? (Secretária): É. Jorge Kajuru: Ah, então, mas aí é a assessoria do governador ou do prefeito? (Secretária): Do governador e do prefeito, em conjunto. Jorge Kajuru: Ah! a assessoria aí é do governador e do prefeito? (Secretária): Justo. Jorge Kajuru: O assessor tá aí, doutor Sérgio Cardoso? (Secretária): Não, é horário de almoço, tá pro almoço. Jorge Kajuru: E ele fica aí que horas? (Secretária): Olha, ele hoje talvez nem venha, porque ele foi olhar umas obras em Guapó. Jorge Kajuru: Em Guapó? (Secretária): É. Jorge Kajuru: Ah, ele é, de manhã, ele atende a prefeitura ou o governo? (Secretária): Ele atende os dois, em conjunto. Tanto o pessoal da prefeitura, como o do governo. Jorge Kajuru: Então, pra eu falar com ele, eu tenho que ir onde? Na secretaria? (Secretária): Você tem que vir aqui no gabinete. Jorge Kajuru: Tá, o gabinete fica onde? (Secretária): Fica aqui no palácio. Jorge Kajuru: Ah, o gabinete fica aí no palácio? (Secretária): É. Jorge Kajuru: Ah, tá certo. Ele é, é..... r

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11 de maio de 1999: data do primeiro fechamento da Rádio K. A emissora ficou fora do ar 32 horas. O Ministério das Comunicações alegou irregularidade na cerca de proteção dos transmissores da Rádio K. Todavia, o Ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, em audiência com Ronaldo Caiado e Jorge Kajuru, confirmou o pedido do Governador de Goiás e argumentou que a emissora estava batendo pesado no seu amigo. O ministro exibiu, na audiência, a degravação de uma fita contendo palavras chulas contra Marconi Perillo em programa policial terceirizado por Sandro Mabel, que, na época, era inimigo de Marconi e trabalhava como chefe-de-gabinete do senador Íris Rezende.

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Documento, em degravação, enviado, pelo governador Marconi Perillo, ao Ministro das Comunicações.

OBS.: Nos dias de hoje (desde 2001), Sandro Mabel (ex-chefe-de-gabinete de Iris, é amigo e um dos maiores aliados de Marconi, como filiado do PFL. Enquanto que Luís Gama (que usou os baixos adjetivos acima) também é amigo, de frequentar palácio, goza de grandes patrocínios do Governo em seu programa de TV, na emissora estatal.

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Após audiência com o ministro, a Rádio K foi reaberta. Kajuru tomou duas providências imediatas: 1) Afastou o locutor responsável pelos palavrões; 2) Tirou do ar o programa policial “Rádio Kadeia”. Nunca mais a emissora teve programa policial.

Em tempo: Antes de a Rádio K ter sido suspensa Jorge Kajuru e Martiniano Cavalcante já haviam, no ar, criticado de forma veemente os palavrões chulos usados no programa terceirizado contra o governador. Fiscal da Anatel, lacrando o transmissor da Rádio K do Brasil, em 11/05/99.

Os ouvintes da Rádio K do Brasil se mobilizaram em uma manifestação popular, no dia 13 de maio de 1999, na frente da Emissora (Av. Goiás, 174), de onde saíram em passeata pelas principais ruas da capital goiana até a porta do Palácio das Esmeraldas (Praça Cívica), encerrando o manifesto em repúdio ao fechamento arbitrário da Rádio K do Brasil.

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Ag osto de 1999 Agosto A Rádio K denuncia gasto absurdo com as verbas secretas, acima de 1 milhão e meio de reais em comida, bebida, jóias, presentes e mordomias. O governo foi se defender, e o Porta-Voz soltou uma pérola:

MARCOS VILLAS BOAS “.... Essas pessoas vieram aqui, não vieram só passear não, nós estamos doidos para poder oferecer um vinho a elas, pra que elas fiquem num ponto tal que possam prometer ao Estado de Goiás aquilo que nós precisamos...” Porta-Voz do Governador

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OBS.: O Porta-Voz tentava explicar por que tanto vinho era consumido, toda noite no palácio. Depois de meses, Marcos procurou a Rádio K e solicita: “Não coloquem no ar aquela minha declaração... o meu filho disse que está com vergonha na escola”. A emissora atendeu ao apelo de pai, embora o jornalista não merecesse.

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Documentos apurados no Tribunal de Contas, sobre as verbas secretas gastas irresponsavelmente.

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OBS.: Uma das maiores criticas de Marconi contra o PMDB nas eleiçþes de 98, foi exatamente o gasto escandaloso com as verbas secretas.

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Setembr o de 1999 Setembro A Rádio K denuncia superfaturamento na Secretaria da Saúde. Documentos vieram da própria secretaria, através de uma funcionária.

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Outubr o de 1999 Outubro A Rádio K prova nepotismo no governo, com a existência de 17 parentes diretos de Marconi Perillo. A maioria absoluta recebendo sem trabalhar. A tão criticada panelinha virou caldeirão.

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A 1ª Dama Valéria Jaime Perillo sempre se considerou uma autoridade. Daí a relação de seus parentes no governo. Existem mais seis parentes diretos, mas não conseguimos o documento.

Aqui, mais 04 parentes do Governador, que hoje somam 21.

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o de 1999 De embro Dezzembr O governador exige, de forma direta, a saída de seis dos dez maiores patrocinadores da Rádio K. O diretor do Poupa-Ganha, Sílvio Leite, maior anunciante da Rádio, só volta a anunciar após saber que o Ministério Público Federal iria exigir explicações dessa pressão do governo. Três meses depois, o Poupa-Ganha rescinde, em definitivo, um contrato de dois anos.

Gravação de Jorge Kajuru, conversando com Sílvio Leite, Diretor-Presidente do Poupa-Ganha, que, ao tomar conhecimento das reações do povo e do Ministério Público, arrependeu-se de atender Marconi. Sílvio: Rádio K do Brasil! Kajuru: Fala, seu Sílvio... Sílvio: Kajuru, põe o Poupa-Ganha no ar o dobro que você vinha fazendo, heim...? Kajuru: (risada) Você é um gozador! Sílvio: É sério! Kajuru: É! Sílvio: Pode estourar a boca do balão aí! Kajuru: (risada) Você tá falando sério? Sílvio: Tô falando sério! Kajuru: E como é que eu faço com o processo do Ministério? Sílvio: Humm... Kajuru: O que eu falo? Sílvio: Bom, não sei! Ministério é Ministério! Kajuru: Mas o problema é que o Ministério Público tá em cima. Como que eu faço? O que eu falo no 83


depoimento? Falo que foi um mal-entendido? O que eu falo? Sílvio: Você diz que houve um mal-entendido e que o gerente, inclusive o gerente até saiu daí, né?! Kajuru: É! Sílvio: É autorização minha. Eu estou lhe dando autorização agora. Hoje eu tomei conhecimento disso aí, e realmente veículo nosso, produto, passa épocas, tem vários aí que eu tenho contrato, que passa seis meses , suspende e volta depois de vinte dias, de quinze dias, um mês, e você está autorizado a partir de agora, Poupa-Ganha, a marca da sorte. Kajuru: Pode começar a publicidade amanhã? Sílvio: É, agora tá bom! Kajuru: Eu já falei tudo no ar. Como eu vou negar para o Ministério Público? Sílvio: Tá certo. Kajuru: Não tem jeito! Sílvio: Um cheiro. Kajuru: Então vai pro pau, então?!? Sílvio: Pode botar no ar a partir de agora! Kajuru: Tá combinado. Sílvio: Tá bom! Kajuru: Um abraço! r

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Relatório de faturamento da Rádio K, no ano de 1999.

OBS.: Neste relatório, a queda brutal na receita da emissora, após Marconi exigir saída dos maiores anunciantes, ameaçando até a fiscalização nas empresas.

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Fevereiro de 2000 A Rádio K denuncia compra superfaturada de equipamentos para subestações da CELG, superando 100 milhões de reais, e provoca a investigações do Tribunal de Contas, que, por sua vez, apura e proíbe a compra.

Março de 2000 A Rádio K denuncia o escandaloso e inédito caso da Primeira-Dama de Goiás, que recebe mais de 9 mil reais mensais de salários e gratificações. E a distribuição de fotos oficiais da Primeira-Dama, confeccionadas com dinheiro público e sendo distribuídas para todas as prefeituras do Estado, fixadas nos gabinetes, como se ela também fosse uma autoridade eleita pelo povo.

Foto oficial

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Documentos referentes à servidora Valéria Perillo

Tabela de vencimentos dos órgãos estaduais. Como presidente da Organização das Voluntárias de Goiás, a servidora tem direito a vencimento de R$ 1.552,80, mais gratificação de representação no valor de R$ 3.447,20, totalizando salário de R$ 5.000,00 (cinco mil reais).

Declaração de rendimento, com seu cargo na Assembléia Legislativa do Estado de Goiás – salário de R$ 782,11 (setecentos e oitenta e dois reais e onze centavos)

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Despacho 88/99, concedendo à servidora Gratificação de Representação Especial no valor de R$ 3.500,00 (três mil e quinhentos reais). Esta gratificação é concedida pelo governador do Estado, por despacho, sem discriminar o motivo do pagamento.

Portarias, regularizando a disposição da referida servidora, da Assembléia Legislativa, para a Governadoria do Estado, onde ela passa a desenvolver as suas funções.

Resumo dos salários Cargo Assembléia

R$ 782,11

Cargo OVG

R$ 5.000,00

Gratificação Especial

R$ 3.500,00

TOTAL

R$ 9.282,11

“Eu tenho que cuidar das minhas filhas, que não contam com a presença constante do pai...” Declaração de Valéria Perillo à Revista Veja.

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A Rádio K denuncia, com provas em fotos aéreas, o espantoso crescimento de um sítio do governador, próximo à cidade de Pirenópolis. O terreno, que, durante a campanha de 1998, foi citado pelo governador como herança de sua esposa, com cinco alqueires, passava a ter, um ano depois, tamanho superior a 50 alqueires.

Fevereiro/99 - Máquinas do Governo trabalhando na fazenda de Marconi Perillo. 94


Vale lembrar que, enquanto candidato ao Governo, Marconi Perillo declarou no horário eleitoral de Rádio e TV, em Outubro/98, que não tinha dinheiro nem para completar seus estudos . E que teve sempre uma vida simples e sem luxo.

MARCONI DECLAROU “Sou de uma família simples, uma família que lutou e trabalhou a vida toda para sobreviver. Todos conhecem o meu pai, todos conhecem o comerciante que foi o meu pai. A simplicidade e a vida difícil dele e de toda a minha família. De modo que eu não tenho nada a temer com relação a nada. E eu tenho é, graças a Deus, uma vida limpa. Tenho um apartamento de morar, tenho dois carros financiados, um carro quitado e tenho uma chácara que foi herança do meu sogro. De modo que eu não tenho nada a preocupar. O meu pai trabalhou 13 anos, de dia e noite, ali na praça do Setor Oeste. Todos conhecem a vida nossa e eu não me preocupo com relação a isto.” r

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Marconi, em Horário Eleitoral Outubro /98

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Evolução Patrimonial

Setembro/2002 - Piscina aquecida, guarita de segurança máxima, jardim de plantas raras, adega, charutaria climatizada. Uma estrutura suntuosa para uma vida de puro lazer. Tudo isso para quem, há 4 anos, não tinha nada e dizia, em público, que não gostava de luxo. Mágica: alguém consegue viver essa vida, adquirindo esse patrimônio, em apenas 4 anos, recebendo R$ 6.500,00 líquidos? Só mesmo um MÁGICO! 96


O repórter Vladimir Neto, da revista “Veja”, também confirmou a incompatibilidade entre os salários do governador, de R$ 6.500,00, e seus gastos com a mansão. Só em materiais de construção, apenas na loja “Irmãos Soares”, o sr. Perillo já havia comprado 96 mil reais. Porém, não tinha pago. O repórter da Veja conseguiu fotos aéreas da fazenda de Marconi. Quando desceu do avião locado para este fim, foi surpreendido por policiais. Até hoje, não sabemos se a Veja não quis publicar as fotos ou se os policiais lhe tomaram a máquina.

Abril de 2000 A revista “Veja” publica, na edição do dia 19, com detalhes, a denúncia da Rádio K sobre os salários ilegais e imorais da Primeira-Dama. Com o título “Evita goiana”, dona Valéria Perillo teve a coragem, em entrevista à “Veja”, de responder: “Eu também tenho de cuidar das minhas filhas que não contam com a presença constante do pai”. Após essa justificativa pelos salários de Primeira-Dama, “Veja” definiu como um caso único de maternidade remunerada no país.

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19 de abril, 2000

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Contra a Rádio K, que, em março, fez essa mesma denúncia, o governador e a Primeira-Dama moveram seis processos. E ainda conseguiu tirar mais seis anunciantes da emissora. Para com a revista “Veja”, que publicou nacionalmente igual denúncia, e que, ao contrário da Rádio K, usou adjetivos pesados contra a Primeira-Dama, como, por exemplo: “Valéria Perigo, ops, Perillo”; “por causa de suas travessuras”; “foi manicure”; “Evita de Goiás”; “primor de marketing caboclo”. Enfim, o que fez o governador? Simplesmente, uma semana depois, dia 26 de abril de 2000, enviou uma carta-resposta à revista “Veja”, prometendo demitir a própria mulher, informando que pagaria, de seu próprio bolso, as fotos oficiais feitas inadvertidamente. Era a confirmação de tudo. Kajuru decidiu arrolar Marconi como sua testemunha, no processo de sua esposa Valéria contra o jornalista, baseando-se nessa confissão do próprio marido à Veja. Na página 105, as provas. No dia 21, foi feita, por escrito, uma minuta de contrato, no escritório do conhecido advogado Dr. Felicíssimo Sena, a pedido do governador, representado por três empresários, na pessoa de Rivas Resende, uma proposta irrecusável, de três milhões e trezentos e cinqüenta mil reais, por 49,67% das ações da Rádio K. Todavia, era tão político o contrato, que, entre as diversas cláusulas, destacavam-se duas, de forma curiosa: “Parágrafo 2º da 3ª cláusula: o vendedor deixará de exercer atividade radiofônica na Rádio K até 31/12/2002”, coincidentemente, no final do mandato de Marconi. “Parágrafo 3º: o vendedor não exercerá atividade radiofônica em qualquer outra emissora de rádio no Estado de Goiás, até 31/12/2002”. E, por fim, a 5ª cláusula: “Letra A: não emitir juízos de valor sobre atividades político-administrativas nas esferas municipal, estadual ou federal”. Evidentemente, Kajuru recusou, mas guardou o documento. 99


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OBS.: Jorcelino Braga e Ronaldo testemunharam o recebimento dessa proposta que Kajuru revelou no ar pela Rรกdio K.

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Maio de 2000 A revista “Veja” cobra as duas promessas do governador, na edição do dia 10 deste mês, na página “Holofote”, com o título “Onde está o decreto?”. A revista informou que o porta-voz de Marconi garantia que o governador já havia assinado o decreto, dando fim à boa vida da esposa. Só não sabia dizer por que o tal decreto não tinha sido publicado no Diário Oficial. Moral da história: A PrimeiraDama nunca foi demitida. Até hoje recebe os R$ 9.200,00.

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OBS.: Que semelhança com Fernando Collor! Marconi assumiu a denúncia e prometeu demitir a própria esposa. Collor ameaçou fazer o mesmo no episódio LBA com Roseane. Até brincou de tirar a aliança. 10/m

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Ainda em Maio, sem constrangimentos, o governador passou a falar publicamente, em rodas políticas e empresariais, que, a partir dali, sua briga com o Kajuru seria pessoal, de família contra família. Fui avisado por Ronaldo Caiado que, por sinal, tranquilizou-me: “Ele não é homem para colocar a mão em você”.

O jornal “Folha de S. Paulo” repercute que as denúncias de corrupção no governo de Goiás fizeram o governador suspender mais uma vez a Rádio K. A “Folha” previu que seria um fato raro na história recente do País. Afirmou que, nos últimos 15 anos, nenhuma emissora foi tirada do ar no Brasil, com alegações de irregularidades técnicas (aumento de potência do transmissor). O jornal também retratou que a Rádio K perdera 59 anunciantes, por pressão política, desde dezembro de 1999.

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Felizmente, a Rádio K tinha apoio do Ministério Público Federal, que questionava o motivo dessa suspensão:

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Motivados pela situação desesperadora de pré-falência da Rádio K, os jornalistas Juca Kfouri e Marcelo Rezende, velhos amigos de Kajuru, em companhia do ator goiano Stephan Nercesian, promoveram um encontro com o governador de Goiás, no dia 22, um sábado, às 20 horas, no Hotel De Ville, em São Paulo, horas antes do embarque de Marconi para a Europa. A conversa teve início com a intenção de se pacificarem as relações. Quando o governador disse que daria “140 tiros na cara do Kajuru se não fosse cristão”, Juca Kfouri decidiu se levantar e ir embora, pois não acreditava que, um dia, fosse ouvir isso de alguém. Mas Juca acabou ficando, pois o governador decidiu contar que uma pessoa fizera, em nome de Kajuru, proposta para o governo pagar, em publicidade, mídia de 150 mil reais mensais. O nome de Cleuber Carlos foi revelado por Marconi. Cleuber, naquele momento era, além de afilhado do governador, também um dos publicitários das contas das estatais do governo. Marcelo Rezende imaginava que Cleuber fosse confirmar a versão de seu amigo governador. Engano: Cleuber Carlos declarou, na manhã seguinte, que o governador não estava falando a verdade e que jamais Kajuru pedira qualquer centavo de publicidade ao governo. E ainda completou que, ao contar essa proposta ao Kajuru, imediatamente, tudo isso, em fevereiro de 1999, foi dito em detalhes no ar. Conforme Juca havia advertido ao Sr. Demóstenes Torres, testemunha do encontro no hotel, se toda essa história fosse mentirosa, nunca mais Kfouri voltaria a vê-los. Foi o que aconteceu, embora Marconi tenha insistido diversas vezes para reencontrar Juca. E ainda completou que, assim que Kajuru soube da proposta, fez questão de, em fevereiro de 1999, leva-lá imediatamente ao ar.

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Eu, Cleuber Carlos do Nascimento, brasileiro, portador da CI 2.346.237, SSP-GO; CPF 450.596.321/72, repórter, morador na Av. T-4, Nº 550, Aptº 1201-B, Setor Bueno, Goiânia, Goiás, afirmo para quem interessar possa que: E sobre o que disse o governador, ele não foi correto com as afirmações dele pelo seguinte: nunca tratei de negociação de mídia com o governador Marconi Perillo, sobre a Rádio K em nome de Jorge Kajuru; afirmo ainda que, em nome dos funcionários da Rádio K do Brasil, tentei convencer Kajuru a aceitar mídia técnica do governo. Kajuru recusou-se. Jorge Kajuru já foi para o ar imediatamente e disse que não aceitava qualquer tipo de proposta de mídia do governo, porque ele achava que era impossível a relação Governo/Rádio, recebendo a mídia, mesmo sendo a mídia técnica. Eu, em nenhum momento, conversei com o governador sobre patrocínio, publicidade na Rádio K do Brasil . O Governador Marconi Perillo nunca ouviu de minha boca qualquer tipo de proposta da Rádio K do Brasil em nome de Jorge Kajuru. Kajuru não aceitou nem o posicionamento dos funcionários em aceitar a mídia técnica do governo, por achar que seria impossível esta relação. Posteriormente, conversei com Marcelo Rezende, e relatei a ele o transcrito acima. Sem mais para o momento e, por ser verdade, firmo a presente.

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Eu, Juca Kfouri, jornalista , RG 3.337.194, declaro a quem interessar possa: Que me encontrei com o governador de Goiás, Marconi Perillo, em maio do ano passado, num hotel perto do aeroporto de Guarulhos, em São Paulo, para dis- Juca Klouri reuniu-se cutir as relações dele com Jorge com o governador Marconi Perillo, dia Kajuru e sua Rádio K do Brasil. 22 de maio de 2000 Entre outras pessoas, estavam (sábado), às 20h30min, no Hotel presentes ao encontro o jornalista Deville, em São Marcelo Rezende e o secretário da Paulo, horas antes do governador embarcar Segurança Pública de Goiás, para a Europa. Demóstenes Xavier Torres. Que ouvi dele muita mágoa em relação ao jornalismo exercido pela emissora; que ele chegou a dizer que, se não fosse cristão, daria “140 tiros na cara do Kajuru”. Ele disse, também, que as críticas ao seu governo começaram depois de ele ter se recusado a pagar R$ 150.000,00 mensais, em publicidade, para a Rádio K. Surpreso, eu disse a ele que, se aquilo fosse verdade, eu romperia com Jorge Kajuru e faria uma declaração pública a favor dele, governador Perillo. Como supus, a “informação” dele não passava de leviandade, razão pela qual, como o adverti no encontro, não voltei a vê-lo, porque deixei de acreditar minimamente no que dizia ou diz. É o que eu tinha, em resumo, a esclarecer, razão pela qual dou fé e firmo a presente.

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Este é o relato de Marcelo Rezende, jornalista, RG 025846553-6, Instituto Felix Pacheco, RJ, feito a quem interessar: "Se eu não fosse cristão, daria 140 tiros na cara do Kajuru." Esta foi uma das últimas frases ditas pelo governador de Goiás, Marconi Perillo, no encontro que tivemos no Hotel Deville, próximo ao Aeroporto de Guarulhos, São Paulo. Lá estavam o secretário de Segurança Pública de Goiás, Demóstenes Torres, o Chefe da Polícia Civil, Marcos Martins, o jornalista Juca Kfouri e algumas pessoas ligadas ao governador, mas que se encontravam afastadas da mesa onde estávamos. Foi uma frase de arroubo, um desabafo, dita de maneira incisiva. Como foi também a outra frase: "Ele só me critica porque não aceitei colocar 150 mil reais de publicidade na Rádio K." Ou também: "O que vocês querem de mim?" O que nós queríamos, eu e Juca, era que o governador parasse de perseguir a Rádio, lutasse pela Rádio não ser fechada a cada instante pelo Governo Federal, entendesse que críticas, às vezes, são mais saudáveis que os aplausos e que ele entendesse, de uma vez por todas, que a Rádio K nunca aceitou e jamais aceitaria publicidade de seu ou de qualquer outro governo, para manterse independente e fiel à verdade e aos seus ouvintes. O dinheiro de publicidade do seu governo não teria o efeito de 30 moedas. Kajuru não iria trair seu ouvinte por dinheiro algum. A publicidade não foi aceita, os tiros eram arroubos e o preço final foi um ataque de direito à democracia, ao eleitor, em resumo, ao cidadão: A Rádio foi fechada, calada, amordaçada, mas nem em silêncio a verdade se calou. E nunca se calará.

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Junho de 2000 Coincidência ou não, o governo de Goiás passou a publicar anúncios de duas, três páginas coloridas na revista “Veja”. O governador, por sua vez, foi almoçar em São Paulo com toda a direção da revista. Moral da história: Nunca mais a revista “Veja” tocou no assunto que ela mesma tanto cobrara, sobre os salários inéditos de PrimeiraDama, ou “Evita Goiana”, conforme publicado.

Julho de 2000 A Rádio K entrevista o ex-prefeito Lilo (Francisco Agra Alencar Filho), da cidade de Itapaci, e obtém, pela primeira vez, uma confissão pública de que o prefeito e Marconi Perillo, quando era deputado federal, dividiram uma propina no valor de 60 mil reais. Nilo desafiou Marconi a abrir o sigilo bancário de seu pai, que, na época, depositou o dinheiro em conta pessoal do Banco Sudameris. Até hoje, o governador não respondeu à denúncia e tampouco permitiu abrir o sigilo bancário de seu pai.

Agosto de 2000 Kajuru viaja para Austrália para dar início à cobertura da Rádio K nas Olimpíadas de Sidney.

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Setembro de 2000 No dia 23, a uma semana de sua volta ao Brasil, Kajuru é surpreendido por um telefonema de sua esposa, contando-lhe que, naquela noite, às 10 e meia, em frente à farmácia “Farmação”, da avenida 85, em Goiânia, três homens encapuzados disseram que seu marido deveria ir embora de Goiás; caso contrário, ela morreria. Na madrugada seguinte, colocaram bilhete debaixo da porta do apartamento, com a mesma promessa ameaçadora. Traumatizada, Isabela, nunca mais voltou a ser o que era.

Outubro de 2000 Kajuru voltava ao Brasil com a esperança de ver providências tomadas pela Polícia Civil de Goiás e Secretaria de Segurança Pública do Estado, conforme compromisso dos responsáveis, Marcos Martins e Demóstenes Xavier Torres, ao deputado federal Ronaldo Caiado. Como nada foi apurado e , baseado nas informações seguras de que tudo aconteceu a mando do governador, Kajuru decidiu se mudar para São Paulo e convenceu sua esposa, em profunda depressão, a morar uns tempos nos Estados Unidos.

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Na Pizzaria Pitigliano da avenida Portugal, em Goiânia, aconteceu um encontro entre Jorge Kajuru, Pedro Goulart e o secretário da Fazenda, Jalles Fontoura. A finalidade era convencer Kajuru a deixar Pedro sozinho na direção da Rádio K, para apagar o incêndio político de Marconi contra a emissora. Jalles foi franco e honesto na conversa. Aliás, foi a única pessoa decente do governo, que fez proposta digna e até confessou: “Foi mesmo gente do governo que mandou perseguir e agredir a esposa de Kajuru”. Jalles lamentou o fato, alegando que não compactuava com aquilo. Quando Kajuru citou Wilmar Guimarães como o executor, Jalles baixou a cabeça e respondeu: “Ele é capaz disso”.

Na cobertura das Eleições Municipais, a Rádio K denunciou flagrantes, com gravação em áudio, do governador Marconi Perillo ameaçando os eleitores da cidade de Aragoiânia, de que, se o seu candidato não ganhasse a eleição, a cidade perderia o hospital. Conclusão: seu candidato não venceu e, de fato, o povo perdeu o hospital.

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GOVERNADOR AMEAÇANDO “Vejam o que nós estamos fazendo juntos, e nós vamos fazer muito mais, e eu quero dizer, se esse candidato que fala mal de mim for eleito, eu não vou fazer convênio com a prefeitura; olha, eu quero deixar claro, quero deixar claro aqui, o governo paga hoje, 70 funcionários do hospital, se esse candidato que fala mal do governo não respeita o governo, o governador, for eleito, eu vou cortar o convênio do hospital. Vou deixar claro, eu tenho feito tudo, tenho feito tudo para ajudar; pode vaiar, eu quero ver é se vocês vão dar conta de administrar a cidade sem o governador, eu quero ver. Olha, se vieram aqui pra vaiar o governador que trabalha por Aragoiânia, não merecem o respaldo, o respeito do povo. Não estão, não estão preparados para administrar nem a casa deles.” r

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DEPOIMENTO DO PREFEITO (um ano depois) Prefeito: Abri o hospital que ele fechou; assim que eu ganhei a eleição, num dia... Jorge Kajuru: ... Então quer dizer que ele cumpriu a promessa, então? Prefeito: Ele cumpriu a promessa... Jorge Kajuru: ... Ele falou que ia fechar o hospital se o candidato dele não ganhasse a eleição. Prefeito: A única promessa que ele prometeu dentro do meu município e cumpriu foi essa... Jorge Kajuru: ... Ele fechou o hospital? Prefeito: Fechou o hospital no outro dia .... Jorge Kajuru: ... Fechou depois da eleição? Prefeito: Depois, eu ganhei a eleição no dia 1º, no dia 2, as portas do hospital estavam fechadas; eu denunciei no Ministério Público... Jorge Kajuru: ... Que é isso, prefeito? Prefeito: Exatamente. .br

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Na cidade de Catalão, o governador também ameaçou que, se a sua candidata não ganhasse, a cidade morreria à míngua, como Anápolis.

GOVERNADOR “Não sei sequer se tem dignidade pra falar de alguém; eu faria com ele o que eu faço com o prefeito de Anápolis hoje, esqueceria ele de lado; desprezo pra eles. Se ele porventura ganhasse, o prefeito de Anápolis, que é a maior cidade de Goiás, e sequer recebe um convite meu para uma solenidade; e lá em Anápolis hoje, seu Moreira, Paulo, lá em Anápolis hoje, o prefeito é o quarto nas pesquisas com 10%.” om.br

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Na cidade de Cumari, o governador respondeu às vaias de alguns eleitores, diante de seu discurso, repetindo, por três vezes, aos berros, da seguinte maneira: “Vai pentear macaco!”

GOVERNADOR “Palmas pra aqueles que estão vaiando ali, eles não tiveram educação na casa deles, vamos dá educação pra eles. Espera um pouquinho, senão o pessoal não escuta: Vai pentear macaco, rapaz, vai pentear macaco, vai pentear macaco.” om.br

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No dia 25, os transmissores da Rádio K são lacrados pela segunda vez. Novamente, com alegações absurdas de irregularidades técnicas. O fechamento pedido pelo governador durou 37 horas. A Justiça concedeu liminar à emissora.

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Novembro de 2000 No dia 6, o governador mostrava a sua estranha força junto ao Ministro das Comunicações Pimenta da Veiga. Vale lembrar que Marconi e Pimenta são sócios em algumas propriedades goianas, e o filho do ministro é Procurador do Estado. Enfim, neste dia 6, a Rádio K sofreu seu terceiro fechamento em 3 anos de vida. De novo, por irregularidades técnicas. O fechamento durou 3 dias. Novamente, a emissora obteve liminar para voltar.

Dezembro de 2000 O governador chegava ao número impressionante de 15 processos pessoais contra Kajuru. Até então, não sabíamos se Marconi pagava seus advogados com dinheiro público ou com dinheiro do próprio bolso. Dia 5 – Chega o momento da maior covardia do governador contra a Rádio K. Simplesmente os transmissores foram lacrados pela quarta vez, e, dessa feita, com motivos mal explicados, ainda referentes à primeira suspensão, ou seja, por causa do tamanho do muro de proteção do transmissor. Dessa vez, o objetivo era mesmo levar a Rádio à falência. Foram 30 dias de suspensão, exatamente no mês mais difícil em termos de anúncios e, por coincidência, período de dupla folha de pagamento, por causa do décimo-terceiro salário. A emissora, sempre líder de audiência, com média mínima de 80% dos rádios ligados, veio a sofrer, neste mês, uma perda de 89% de faturamento. Apenas 11 de seus anunciantes pagaram a mídia não veiculada, ganhando reembolso posterior, ajudando a emissora, que registrou um prejuízo de R$ 186.200,00, somente naquele mês. 123


Naquele mesmo mês, os jornalistas Juarez Soares e Marcelo Rezende e o vereador Elias Vaz foram falar com o governador e o ministro Pimenta da Veiga. Tiveram a promessa pessoal e não cumprida, por parte dos dois, de que nunca mais a Rádio seria suspensa, desde que o governador não mais sofresse críticas com adjetivações, especialmente “menino maluquinho do Ziraldo”. A Rádio K cumpriu sua parte. Os políticos, não. O Ministério Público Estadual, através de seu chefe, o Promotor Abrão Amisy Neto, publica artigo no dia 30, no jornal “Diário da Manhã”, condenando a mais arbitrária punição que um veículo de comunicação, até então, sofrera.

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Eu, Juarez Soares Moreira , RG 2.997.974, SSP-SP, CPF 504.293.698/ 53, residente na Rua Faustolo, nº 648, Vila Romana, São Paulo, Capital. Venho declarar a quem interessar possa: A reunião foi realizada no dia 19 de dezembro de 2000, no gabinete do ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga, em Brasília. Estiveram presentes o próprio ministro, o governador de Goiás, Marconi Perillo, o vereador pela cidade de Goiânia, Elias Vaz, o diretor da Rádio K, Pedro Goulart, e eu, jornalista Juarez Soares. A Rádio K nessa data estava suspensa, por 30 dias fora do ar. A intenção da reunião foi tentar um acordo, para a solução do problema. O governador Perillo disse ao ministro que gostaria que a Rádio K voltasse a funcionar imediatamente e que, para isso, estava disposto a retirar o processo, que ocasionara a suspensão da emissora. O ministro ouviu, disse que “tudo bem”, mas que seu assessor direto que cuidava dessa parte jurídica, não se encontrava presente, pois estava em viagem, a serviço do Ministério. Afirmou que, tão logo ele voltasse, cuidaria do assunto. Eu pedi ao ministro para se empenhar a fim de resolver o problema antes do Natal, para que as famílias dos funcionários pudessem passar essa data mais tranqüila. Nada disso aconteceu, a rádio cumpriu, até o último dia, a suspensão imposta. O argumento usado foi o de que depois de estabelecida a pena, não se poderia suspender ou diminuir o prazo da punição. 125


Na continuidade da conversa, o governador Marconi Perillo afirmou que estava disposto a retirar os outros processos em andamento contra a emissora Rádio K. Assim, não haveria outras punições. Para tal, estava sua Excelência o governador pronto para assinar um documento, oficializando sua proposta. Com o mesmo argumento de que o diretor jurídico estava viajando, tal ato não se concretizou. O governador de Goiás pedia apenas que, a partir daquele momento, não fosse mais adjetivado, nos comentários feitos pela emissora a respeito de sua administração. Todos os que representavam a Rádio K se declararam de acordo, achando justa a reivindicação. Assim, todos esperavam uma convivência profissional e respeitosa, na relação Rádio K/Administração do Estado de Goiás. Como se verificou através de fatos posteriores, a emissora cumpriu sua parte; o governador, não. Por ser verdade, firmo a presente.

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Eu, Elias Vaz de Andrade, Vereador por Goiânia, RG 1.345.642, SSP-GO, CPF 422.894.401-91, residente à rua T-64, nº 186, Setor Bueno, Goiânia, Goiás, declaro a quem interessar possa: Preocupado, como cidadão goiano, com as constantes ameaças de intervenção e com as interrupções das transmissões da Rádio K do Brasil, efetivamente determinadas pelo Ministérios das Comunicações, me reuni, em São Paulo, com Jorge Kajuru e Martiniano Cavalcante, e ficou decidido que eu trabalharia como interlocutor frente ao governador Marconi Perillo, para tentar buscar uma solução para o problema. Marconi Perillo atendeu ao apelo e nos reunimos, ele, eu, Marcos Villas Boas, e os jornalistas Juarez Soares e Marcelo Rezende. O governador reclamou do que chamou de excesso de adjetivação nos comentários políticos emitidos na Rádio K. Chegou a afirmar que Jorge Kajuru teria ofendido a primeira-dama do Estado. Ponderei que era de meu conhecimento e realmente havia ocorrido comentário agressivo na Rádio, mas que eles não haviam partido de Kajuru e, por sua vez, questionou publicamente os autores dos comentários. Logo após essa reunião, a Rádio voltou a ter suas transmissões interrompidas. Pedi, então, ao Secretário Estadual de Infra-estrutura, Carlos Maranhão, que sugerisse ao governador uma intervenção no Ministério das Comunicações em favor 127


da Rádio. A reunião foi agendada e, por sugestão do governador, eu e Juarez Soares fomos convidados a participar, para testemunhar o empenho do governo do Estado em solucionar o impasse. Marconi Perillo voltou a reclamar das adjetivações. O Governador pediu ao ministro, no entanto, autorização para que a Rádio K voltasse a funcionar e se comprometeu a retirar todos os processos do governo do Estado, contra a emissora, no Ministério. Marconi Perillo disse, ainda, que a Rádio poderia manter sua posição crítica frente aos fatos políticos, mas pediu que a emissora interrompesse as adjetivações ou comentários pessoais. Isso foi o que ficou acertado. Desde então, a Rádio K do Brasil vem cumprindo com a sua parte do acordo até hoje, por sua vez o governador e o ministro não estão cumprindo nada, tanto assim que a Rádio K foi tirada do ar, uma vez mais, em junho passado, por uma semana, e mais dezenas de processos foram abertos. Sendo verdade o que acabei de relatar, firmo o presente.

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OBS.: Espontaneamente, o promotor enviou esse artigo para o Diário da Manhã. Marconi não gostou e foi tirar satisfação com o jornalista Batista Custódio, presidente do jornal. Batista, aliás, que tentou, diversas vezes, convencer o Governador a parar com essa briga. E Batista sabe e propaga que Kajuru não teve culpa. E que não mostrou radicalismo. Foi Ronaldo Caiado quem ouviu esse depoimento de Batista Custódio em julho de 2002.

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Para surpresa do governador, o líder do governo na Assembléia, deputado José Lopes (PSDB), confessou em entrevista ao vivo, que foi mesmo o governo quem mandou fechar a Rádio K. Presidente da Assembléia Legislativa, Sebastião Tejota, também governista, em visita à emissora, disse que foi uma loucura de Marconi. Martiniano Cavalcante ouviu tudo e registrou no ar, na hora.

ENTREVISTA COM JOSÉ LOPES Ricardo Lima: Porque eu tenho uma colocação pro deputado estadual José Lopes, PSDB, líder do PSDB, a gente tá falando aqui muitas coisas sobre plantas medicinais, mas o senhor, que está na política há um bom tempo também, o que o senhor acha da imprensa, o senhor acha que a imprensa é livre aqui no estado de Goiás, deputado José Lopes? José Lopes: Olha, Ricardo, na verdade, depois que veio aqui, quero falar com toda a sinceridade, mesmo pertencendo e sendo líder do meu partido o PSDB, na verdade, Goiás deve muito ao proprietário dessa rádio aqui, o Jorge Kajuru, ele chegou e está sendo um professor, e eu não tenho razão nenhuma, nem conheço o Jorge Kajuru pessoalmente, nunca conversei com ele; estive aqui várias vezes, na sua rádio, como vou em outras, mas Jorge Kajuru tem, através da sua luta, eu pra mim, acredito que é até um maluco, mas tem dado uma aula de conquista da imprensa livre em Goiás; a opressão que ele está sofrendo, a opressão que a Rádio K do Brasil está sofrendo é um demonstrativo nítido que a imprensa em Goiás ainda não é livre e só vai ser quando existir pessoas como esse Jorge Kajuru aqui; lógico que vem toda a equipe, mas a equipe só existe, e todos os profissionais, e precisa de homens que te131


nham a força e o desprendimento como Jorge Kajuru para conquistar uma imprensa livre tanto aqui em Goiás, que Goiás seja o estado a iniciar essa imprensa livre, mas de forma alguma é livre e aqui quero prestar a minha homenagem ao Jorge Kajuru e dizer, se ele, um dia, realmente for calado, se a sua rádio for fechada, não se preocupe, onde passa uma idéia, dez milhões de anos depois, passam os canhões para defendê-la, e precisa de alguém com a força com a determinação de Jorge Kajuru para defender a imprensa livre que é o melhor para o povo.

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Janeiro de 2001 No dia 3, o jornal “O Globo” repercutiu, em nota publicada pelo jornalista Ricardo Boechat, que a suspensão de 30 dias, aplicada à Rádio K, foi a mais longa punição do gênero na História do Brasil. Terminou a nota de “O Globo”, com a seguinte definição: “Nem a ditadura fez igual”.

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Abril de 2001 No dia 9, a esposa de Kajuru volta ao Brasil. Com sigilosa chegada, sem que ninguém soubesse do fato, à exceção exclusiva de pai, mãe e marido. Dois dias depois, em Goiânia, na residência dos pais, que já tinham mudado o número de telefone e instalado bina, Isabela volta a sofrer ameaça de morte, via telefone. Em dois dias, a própria Polícia Civil de Goiás veio a confirmar que o número do aparelho pertencia ao Sr. Marcos Perillo, primo do governador e dono de uma loja de equipamentos para ginástica, no Shopping Flamboyant. Kajuru pediu socorro a seus amigos Ronaldo Caiado e Jorcelino Braga, também amigos de Marcos Martins e Demóstenes Torres, respectivamente diretor da Polícia Civil e secretário de Segurança Pública. Providências foram tomadas. Um policial de nome Ronaldo fez o serviço completo, localizando, inclusive, o primeiro agressor e perseguidor da esposa de Kajuru, quando do início desses lamentáveis episódios, em setembro de 2000. Esperava-se, por parte do governo, as providências cabíveis que, até hoje, não aconteceram. Kajuru decidiu, então, separar-se da esposa. Na verdade, foi uma renúncia ao casamento, para segurança maior à esposa e à sua família, os quais não suportavam mais tanta pressão. Parece ter sido melhor, pois até o lançamento desse livro não voltaram a fazer qualquer tipo de ameaça ou perseguição. Por parte de Kajuru, ficou a triste ferida de ter perdido uma família. E um amor, até hoje, insubstituível.

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Junho de 2001 A Rádio K e a revista “IstoÉ” apresentam uma bombástica denúncia sobre o esquema de propina no governo de Goiás, envolvendo empreiteiras e lobistas, arrecadando fundos para as campanhas de Marconi. Teve acesso à gravação feita por Aniceto de Oliveira Costa, uma das seis pessoas participantes da reunião que definiu quem iria receber a propina final. Um fato estranho ocorreu. A Rádio K exibiu a íntegra da gravação, onde, no final da conversa, ficou 100% claro que era o governador o responsável por receber e distribuir o dinheiro: Jair Lage Filho, o primo do secretário da Fazenda, Jalles Fontoura, terminou a gravação revelando, aos empreiteiros e lobistas da reunião, o que acabara de ouvir em seu telefone celular, na frente de todos, de seu primo Jalles, ou seja, “este dinheiro é para entregar para o Marconi”. Já a revista “IstoÉ”, inexplicavelmente, não publicou essa conversa final, tendo a mesma gravação da Rádio K em mãos. Assim como aconteceu com a revista “Veja”, em 2000, dessa feita, o governador agiu de forma mais rápida: foi a São Paulo na mesma semana, almoçou com toda a direção da revista “IstoÉ”. Curiosamente, quinze dias depois, o governo de Goiás foi o único anunciante de todas as páginas da revista “Isto É Dinheiro”. Normalmente, essas edições vêm com anúncios de governos estaduais, no máximo de seis páginas. Foi a primeira vez na história da revista que um só governo comprou todas as páginas, sem exceção. Da capa à contracapa. Coincidência ou não, nunca mais a revista “IstoÉ” publicou uma linha, uma nota sequer sobre o escândalo. O Ministério Público Estadual, através de seu Promotor Abrão Amisy, iniciou uma investigação minuciosa do caso. Ouviu todos os depoimentos, inclusive os de Marconi. Logicamente. todos negaram. Quando o Ministério Público concluiu que precisava dos sigilos bancário, fiscal e te137


lefônico. Eis que entrou a Procuradora Geral do Estado, Dra. Ivana Farina, conhecida como a “Geraldo Brindeiro do Cerrado”, que não só engavetou o processo, como também paralisou toda a investigação. Por quê? Simples: se abrissem esses sigilos, todos descobririam a verdade, nua e crua, na gravação de toda a conversa dos senhores Francisco, Manara, Brasil Leite, Marcelo e Jair Lage, feita por Aniceto. Ou seja, foi mesmo o governador quem recebeu e cobrou 25% de propina da Construtora Triunfo. Vale lembrar que o governador, até hoje, processa Kajuru e a Rádio K por causa dessa denúncia. A revista “IstoÉ” jamais foi processada. E o Promotor Abrão Amisy continua inconformado, decepcionado por não ter podido seguir com a investigação.

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Patrimônio preservado: na Cidade de Goiás investimento de R$ 3,5 milhões atendeu todas as exigências de tombamento feitas pela Unesco Química poderosa: criação da Universidade Estadual de Goiás apóia necessidades das empresas

Missão possível: recordes mensais de arrecadação há mais de um ano Frigorífico de R$ 400 milhões: a Perdigão escolheu Rio Verde entre 40 opções de cidades

Referência internacional: clínicas de olhos como a CBCO, de Goiânia, estão à altura das melhores do mundo

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Alta produtividade: investimentos de R$ 46 milhões em irrigação alavacam resultados do campo


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Gravação, na íntegra, da conversa sobre os pagamentos de propina, que somente a Rádio K exibiu:

Participaram da reunião: • Aniceto de Oliveira Costa, agrimensor, ex-prefeito de Pontalina. • Francisco de Assis Camargo, ex-chefe do escritório da Triunfo em Goiânia e ainda ligado à construtora. • Eduardo Manara, chefe do escritório da Triunfo em Brasília e Goiânia. • Brasil Leite Camargo, sub-empreiteiro. • Marcelo Sampaio, corretor e lobista. • Jair Lage Filho, o Jairzinho, primo do deputado estadual pelo PFL e secretário da Fazenda, Jalles Fontoura.

A reunião começa com uma conversa informal entre cinco dos presentes. Jairzinho ainda não havia chegado. Nesse ponto, a conversa é morna. Pouco depois, Jairzinho chega ao local. Jair – Manara, tudo bem? Manara – Tudo bem. Jair – Você que é o Eduardo Manara? Manara – Sou eu, Eduardo Manara. Jair – Ah , Eduardo Manara. Eles se ajeitam nas cadeiras. Jair vai logo tratando do que interessa. Jair – O negócio do... Manara – É... Jair – Esse negócio que já tinha falado antes, bem antes com o Brasil, que era uma situação do governador Marconi Perillo, que passou isso para o Jalles. Tá certo? Manara – Jalles, quem é? – Jalles, o secretário... – O secretário da... 144


Jair – Isso. Ele (Jalles) ficou responsável de fazer isso para o governador. E eu, na época, conversei com o Dito (Benedito Wilson do Nascimento Júnior, um dos cinco donos da Triunfo). Falei: 'Oh, Dito, você já tinha me falado lá no veinho um dia que tava precisando receber isso. Tem essa oportunidade, eu tô recebendo isso e tal... se você quiser, eu converso lá, eu acho que... O representante da construtora quer logo saber por que Jairzinho se meteu no negócio, que já estava acertado entre a Triunfo e os lobbistas Marcelo e Brasil. Manara – Vamos só botar os pingos nos is. Você falou com o Dito? O Dito falou para você tocar o negócio para frente? Jair – Exatamente. Manara – Eu falei para o Brasil há dois meses atrás... para ele tocar o negócio pra frente, tá? E uma vez, como tinha duas pessoas falando, é melhor então variar entre os dois, você e você. Jair – Exatamente. Manara – Na véspera de nós recebermos o dinheiro devido pelo Governo, eu não lembro a data exata agora. O Chico (Francisco Assis Camargo da Triunfo) me ligou, e falou que o... O Brasil (Brasil Leite Camargo) estava recebendo. A turma do Brasil... isso na véspera, no dia em que nós recebemos, uma quarta ou quinta-feira, o Chico me ligou meio-dia e meia, uma hora... e eu falei: pega o cheque, o resto do acerto a gente vê depois. Quando foi três e meia da tarde... o Queiroz, que é diretor-administrativo nosso, ligou para mim. O Dito ligou pro Queiroz e falou que há 15 minutos atrás você, Jair, tinha ligado para ele, dizendo que você ia receber e que você fazia por 21%. Jair – Não! Eu fazia não, é 25%. Isso é acertado com o Governo. 145


Manara – Eu não estou discutindo percentual. Só quero saber se tem conversa. Jair – Tudo bem. O representante da construtora quer saber pra quem paga a comissão: para o lobista, com quem tinha acertado antes, ou com o primo do secretário, que se meteu no negócio depois que o dinheiro já havia sido empenhado. Manara – Nesse mesmo dia... Veja, o que eu falei. Eu acertei com o Brasil, a turma do Brasil. 'Ó Manara, nós vamos pagar 25%... (...)Eu pago 25(%)... 30(%) eu não pago mais pra ninguém’. Agora, o que eu vim fazer aqui hoje, ô Jair, foi bom até que veio você, que foi intermediário da conversa com o Dito, não foi nem o tal de Milton (Onorato), chefe- de -gabinete de Jalles) que já me encheu o saco para caralho. O que eu vim fazer aqui foi o seguinte: eu quero saber pra quem eu dou o dinheiro. Eu vou pagar, não sei se vou pagar os 25 (%), eu tô de saco cheio (...) Só de telefonema ontem eu recebi uns 30 do Milton. Anteontem minha esposa chegou de viagem e ele acordou minha esposa umas quatro vezes. Jair – O Milton? Manara – O Milton. Pra falar comigo. Meu celular quebrou, troquei por um novinho... tanto que ele ligava. E eu tava no DNER trabalhando. E ela (a esposa): 'Eduardo, não sei mais o que eu faço'. E ele (Milton) duvidando dela: 'Ele não chegou mesmo?’ E tá que enche o saco. Que eu não sei nem que é o Milton, não me interessa (...) o que eu quero dizer é o seguinte: pagar eu quero. Agora, vocês vão decidir pra quem. Eu prefiro entregar na mão do secretário, ou então na mão do governador. Jair – Não, eu acho que você deve pagar para quem você acha que tem que ser.

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Começa uma discussão. Ambos falando alto. Manara – Não, eu não tenho que achar nada. Não, não, não... veja você... Jair – O problema é... Eu, por exemplo... Manara – Não, eu vou pagar(vai ser) o valor estipulado para pagamento do recebimento. Agora, vocês dois são os dois articuladores do negócio. Vocês três, vocês quatro, não interessa... Jair – Eu conversei com o Brasil e o Brasil virou para mim e falou assim: 'Então, estou fora disso'. O lobista Brasil queria sair fora, quando o secretário entrou no negócio. Brasil – Então vamos embora. Agora eu queria falar, eu não sei se foi através do Chico ( ex-chefe da Triunfo em Goiânia). Então, não sei se foi através do Chico, se foi através não sei de quem, dizendo que o Jairzinho estava no meio. Eu liguei para o Jairzinho e falei: - e ele Jairzinho falou...: ‘Ah, não... é... porque o negócio... e tava no negócio... aí’; eu virei e falei: ‘então se é assim, eu tô fora’. Jair – Exatamente. Brasil – Se é assim, eu tô fora. Aí eu peguei; me comuniquei com ele virei e falei: ‘Chico, tá na hora ainda...’; eu conversei com Jairzinho. O Jairzinho me contou isso e eu falei no caso aí, então eu tinha condições de chegar para cair fora naquela época. Saía tudo numa boa, foi o que eu falei. O Chico parece que umas quatro horas depois, eu não sei... O celular de Jair toca e os outros continuam falando. Logo depois ele volta. Brasil – ... aí eu babo, não, espera aí. Chico – Se ele quiser pagar para você , por mim... Brasil – Não, não é para mim não Chico, péra aí.. aí eu pedi, então tá fácil, Chico. Eu aviso o pessoal, o Marcelo, esse mais um prefeito, na verdade, um can147


didato a prefeito, o Adailton, um baixinho... Manara – Que me ligou algumas vezes também. – De onde que é? Brasil – De São Miguel do Araguaia, então eu tinha conversado com ele. Tô fora. Eu falei isso para você, não falei? Manara – Falou. Brasil – Chico, tá assim, eu tinha avisado você... aí o Chico virou e falou pra mim. Brasil, eu conversei com o Dr. Queiroz e com o Manara. É para mandar o trem pra frente? Foi isso, não foi, Chico? Chico – Você virou pra mim e perguntou: é para mandar pra frente ou para parar? Eu falei: eu não sei falar para você. Tenho que falar com o Manara, e o Manara vai me retornar. Eu falei com você que é pra mandar a coisa pra frente, isso foi na véspera do recebimento, ou dois dias antes do recebimento. Manara – Olha, eu... não quero saber... Só quero saber pra quem e de que forma, e eu acho que não devia ser na mão tua. Jair – Não, pra mim não tem problema nenhum. Manara – Então, quem leva lá pra conversa com o Jalles. Jair – Eu te levo lá agora. Manara – (...) Só vou marcar, não vou entregar hoje não. Nós vamos marcar... Jair – Tudo bem. Marana – Fica ruim pra você? Jair – Porque o problema de você ta achando ruim com o Milton... Manara – Eu não tô achando ruim com ninguém, chefe. Eu tô ficando mal-humorado... Jair – O Milton entrou nisso aí, vamos dizer, de gaiato, como eu também entrei, tá certo? O representante da construtora deixa claro que Jairzinho só entrou no negócio na última hora, para 148


tirar vantagem do dinheiro liberado. Manara – Eu só vou dizer pra você o seguinte, para não deixar sem deixar de falar, em momento algum nos últimos dois meses, você, Jair, nos procurou, você só nos procurou uma hora depois que tinha avisado o Chico. Jair – Não, não, eu conversei com ele, Queiroz, uns dois meses antes. Um dia, antes de sair, eu falei: ’ ó, Dito, o negócio tá de pé. Manara – ...eu tava junto...eu tava em São Paulo, o Dito ligou umas duas e meia e três horas da tarde para Queiroz em Porto Alegre. E o Queiroz te ligou. Eu falei Queiroz, o Dito falou com o Manara. O Jair Lage tá recebendo 25%. É melhor do que negociar pelos 30%. Chico – Deixa eu te falar... o Jair Lage não tinha nada a ver com isso. Meu negócio era o meu negócio que eu tinha para receber no estado. Eu apenas fiz porque o Dito me falou que estava precisando receber. Tá certo, como eu tinha uma amizade com ele, peguei e liguei para ele, ver ser ele me orientava. Tá certo? Eu não tenho nada com isso. Eu entrei também de bobo que sou. Depois, o lobista conta que o dinheiro só saiu com a ajuda do candidato a prefeito de São Miguel do Araguaia, amigo do governador Marcelo – Deixa eu contar, só um instante. Quando a coisa falou comigo, eu falei: 'ó, eu não tenho condição', mas se o prefeito (Adailton), que é muito amigo do Marconi, foi colocado na campanha pelo Marconi em São Miguel do Araguaia e perdeu... Como o Brasil tinha que passar no papel, eu falei: 'prefeito, aqui ó. Você é muito amigo... Jair – Esse é outro(...) Marcelo – Espera, você falou, agora eu tenho direito de falar. 149


Jair – Não, lógico. Marcelo – Peraí, deixa eu acabar de falar. Eu falei: ´ó, o prefeito tá precisando'. Ele falou: ‘me dá o papel aqui, eu vou no Samuel Almeida (deputado estadual do PSDB) que é um deputado, e foi no governador e pegou o “autorizo” do governador'. Uma semana antes de qualquer coisa, eu liguei pra esse aqui, ele ligou pra São Paulo. Eu falei: 'eu quero um contrato desse negócio'. Uma semana antes. Nem tinha falado(...) Foi quando o prefeito falou que já tinha falado com o governador. Isso foi o que ele me passou. O celular de Jair toca novamente. Jair atende e a conversa continua. O lobista conta que conversou com o secretário sobre a propina. Marcelo – Então, eu procurei o Jalles e falei: 'Jalles...Eu como sou muito amigo do Jalles, eu falei: 'tô preocupado com você porque o primeiro telefonema que me chegou pro Manara foi a informação de que vocês estavam cobrando 25%. E, você, como secretário, eu acho que você tem que zelar pelo seu nome'. Ele falou: 'não, Marcelo, isso foi com autorização do governador'. Do jeito que você falou, ele me falou. Manara – Deixa eu dar um aparte aí. Foi o primeiro telefonema. O primeiro telefonema que ele deu foi assim: até quem ia me procurar era um cara chamado Milton, que era chefe do gabinete do... Pois é, se o Milton é secretário Particular do Jalles... Então, tá errado... Marcelo – Então, eu falei: 'o Jalles... A minha preocupação, inclusive... Jair – O Jalles mesmo tá doido pra acabar isso. Ele já tá... Esse negócio tá desgastando ele, é um negócio que ele não tem porra nenhuma a ver com isso. Nós já falamos: 'sai fora disso, Jalles'.(...)Olha, quem tá no governo, infelizmente, tem que... Eu falei isso pra ele... 150


Jair – Agora, se o (deputado estadual) Samuel foi lá e falou com o governador e o governador autorizou, aí eu acho que vocês devem entregar o dinheiro pra ele. A minha posição é a seguinte: pra ir agora...(...) Todos falam ao mesmo tempo Jair – (...) e foi entregue (...)porque o governador autorizou o deputado a receber. Porque ele tá sendo cobrado pelo governador. Tá entendendo? Ele tá sendo cobrado. Então, ele vai ter que falar: 'oh, eles estão achando que tem um que não quer pagar'. Manara – Não, em momento algum. Jair – Pois é, isso é o que eu falei. (Barulho de marteladas atrapalha a audição da conversa) Marcelo – Isso não vai acontecer de jeito nenhum se depender... Eu não conheço ninguém lá de dentro... Mas... Sei que é um cara muito sério, então isso não vai acontecer. A maior preocupação minha foi esse motivo. Tá certo? Inclusive, eu falei com o Jalles na frente dele.. lá no auditório... falei, Jales, pelo amor de Deus, eu tô preocupado... o governador.. tá cobrando dele... Jair – Olha, eu não quero(...) Se alguém recebeu via deputado, autorizado pelo Marconi, acho que vocês têm que entregar pra ele(...) Eu tô botando aqui bem claro: eu não quero atrapalhar ninguém. Se alguém recebeu via governador, o governador falou: 'você vai lá, paga pra esse pessoal, vou pagar, você recebe', aí eu acho que tem que pagar pra ele. Eu vou chegar no Jalles e falar assim: 'o pessoal pagou'. Vou dizer uma coisa bem clara a vocês...(...) – Você alguma vez ouviu falar de ... Jair – Não Manara – Eu sei, por isso é que falei... Jair – Não tô enganado não, tenho certeza absoluta 151


,graças a Deus. A empresa Triunfo é idônea, é uma empresa muito séria, é um grupo forte. Manara – Tem no Brasil inteiro Jair – Conheço a Triunfo de São Paulo, Triunfo de Minas, conheço aqui em Goiás,é uma empresa. Disso aí , pode ficar tranqüilo. Manara – Nunca deixamos de cumprir nenhum de nossos acordos (ruídos) E aí, agora eu ouvi vocês. Por mim, a minha preocupação de procurar o secretário... O representante da construtora resolve ironizar Manara – Eu só quero fazer o pagamento. Jair – Se foi o governador que recebeu pra você(...) você paga(...) Eu vou falar: ‘ ó, fulano pagou pro fulano’. E ele vai chegar no governador(...) Manara – Se fizer um rachinha - 10% para cada um pagava tudo. (...) Sobrava 5% para encheção de saco que eu tô tendo e 10% para cada um. O representante da construtora se impacienta Manara – Vamos fazer o seguinte. Eu vou ali fora tomar mais um sorvete e vocês resolvem o caminho do dinheiro. O dinheiro eu quero dar. De preferência entregaria na mão do Jalles. Não tenho a mínima carade-pau de entregar na mão dele, não vou ligar nem um pouquinho. Ou pro próprio governador, porque do jeito que está tá ficando complicado. O que você acha, Chico? Eu vou dizer bem claro para os dois grupos aqui. Eu vim aqui para pagar. Jair – Acho que você tem que dar... Se ele falou que foi lá... foi no governador e o governador disse que autorizava dar, você paga pra ele. Porque eu...(...) Manara – Como é que fico eu nessa história? Se você falar assim pra mim é tal hora e tal lugar... Se você fala, Manara, te encontro dez e meia no aeroporto, dez e meia eu irei lá. Eu falei para o Chico trazer a 152


turma aqui em Brasília, que eu vou pagar os pagamentos atrasados da obra depois. Dei cheque para um, para outro, pra outro e acabou ,e não temos nada a ver com Goiás. Não estamos trabalhando aqui. Os lobistas continuam conversando Brasil – Jair, deixa pagar pra você.(...) Marcelo – Não, não. Eu prefiro que, se o Jalles tem autorização, e ele tá autorizado para fazer isso, que você vá pessoalmente no secretário e entrega para ele. – Faço, faço... Marcelo – Eu, por mim, tá liberado. Manara – Que dia você quer ir? (falando com Jair) Deixa eu falar pra você como é que fica. Só precisa me falar, que eu tenho o valor lá(...) eu até preferia que alguém fosse em São Paulo buscar, eu até prefiro... Barulho de martelo Brasil – Senta aí, Manara. Você se considera meu amigo? Manara – Como amigo seu, quero falar duas coisas procê. Primeiro, pega o Jalles e vai a São Paulo(...) Jair – Não, isso eu já falei com ele. (Mais barulho). Jairzinho conta que, como o governador chamou Jalles e listou as empresas que tinham dívidas a receber em 98, segundo ele, era só chamar o pessoal e cobrar a propina. E fala em Valdivino, da Associação dos Empreiteiros. Jair – O governador chamou ele(Jalles) e falou: quero que você faça isso. Você chama o pessoal e eu vou pagar 98, eu tô aqui com uma conta de 6 milhões e tanto para pagar de campanha. Passou para ele as contas(...) e disse: ‘ó, você paga o pessoal de 98, que vem aqui pra receber e vai recebendo 25%(...)’ Isso 153


foi conversa do governador com ele. Ele chamou o Valdivino (da AGE), certo..? Brasil – O Valdivino tá recebendo um. Jair – Não, tá recebendo um não. Tá recebendo de várias pessoas. Pegou todo mundo que tinha crédito alto lá... de verba de 98. Ligou pra cada um... Eu não tinha visto o nome da Triunfo na lista. Eu falei: 'oha, Jalles, a Triunfo eu sei que tem, posso falar com eles? 'Pode'. Aí eu liguei pro Dito, conversei com o Dito: 'pode pôr'. Depois, quando nós fomos chegar, na hora que fui levantar, tava no nome da Queiroz, e a Queiroz já estava na lista... do Jalles. Ele pegou todos os créditos altos lá. Aí a Tratex não quis receber...a Andrade Gutierrez não quis receber. Falou assim: ‘Não, nós não queremos receber para pagar 25%...’ Brasil – E eu aqui encarrascado(sic). Nós aqui pagando 26%... Eu como subempreiteira. E tô com o papel por escrito.(...) (...) Então o governador mandou ele passar o dinheiro... Jair – O Valdivino ficou responsável por contactar com as empresas e acertar isso. E a Triunfo, como eu já tinha combinado com o Dito(...) Ali foi operacionalizado, isso foi feito em três etapas, nós inclusive fomos a segunda a receber. A primeira foi(...) a Coesa, nós recebemos segundo... levantar esse dinheiro, passar para a Agetop, providenciar os contratos todos(...) e pagar. O lobista não se entende com o primo do secretário Brasil – Jair, Jair, eu tô dizendo como amigo seu: passa pra ele esse dinheiro. Jair – Eu não tenho que passar nada. Brasil – Mas pode abrir mão. Jair – Não posso abrir mão de um negócio que não é meu. Brasil – Então, pronto, acabou a conversa. Não cho154


ra depois, não. Jair – Não, eu não, não tenho nada a ver com isso, não. Brasil – Você vai ver o tanto que vocês vão se machucar... Jair – Eu? Eu não vou ser machucado... não tenho nada a ver com isso não. Manara – Só vou deixar bem claro: a Triunfo não tem nada a ver com isso. Não tem não. Não tem. Manara – Meu telefone o Chico tem, a hora que quiser você me liga. Fala: 'Manara, vamos marcar a data, a hora e local'...Não é isso? - Agora, se você quer pagar pra ele... Jair – Essa opção... Eu não quero nada...(...) Em outro trecho, Jair volta a vincular propina com caixa de campanha. Jair – Ele tá pegando, passando para o governador, o governador tá pagando as contas de campanhas, eu não sei o que ele tá fazendo com o dinheiro, pra mim eu não quero nem saber o que ele tá fazendo...(...) A partir desse ponto, a conversa se torna repetitiva, até que Jairzinho resolve ligar direto para Jalles. Tenta primeiro o escritório e atende uma mulher chamada Maria: Jair – Qual é o celular dele? É o Jair, primo dele ( ele repete o número em voz alta) Jairzinho liga no celular. Jalles atende. A conversa dura 2 minutos e 10 segundos Jair – É o Jalles? Ô Jalles, tá bom? Beleza. Tudo tranqüilo? Tá aonde? Heim? Ah, de Catalão pra Goiânia. Ah, de Bom Jesus pra Goiânia. Tá, né? Oh, Jalles, deixa eu falar aqui. Eu tô com o Eduardo Manara, da Triunfo, e tô com o Aniceto, ex-prefeito de Pontalina, 155


tô com o Brasil. É aquele problema que eu já tinha te adiantado, você se lembra? Hem? Pois é, o Aniceto tá falando aqui que esteve com você, que conversou com você... Hem? Você não... Hã...É do Marconi. Sei... Certo. É, né? Tá. Então tá bom. Não, ele quer marcar pra entregar aqui semana que vem. Hem? Que dia que você pode estar aqui? Hem? Tá. Como é que é? Jair – Tá certo, então tá bom. Nada, um abraço, tchau. Ele disse que o Marconi falou que esse dinheiro é para entregar para o Marconi. – Então vão marcar pra entregar pro Marconi. – Esse dinheiro é... o Marconi é que está distribuindo. – Então, entrega pro Marconi. – Você marca pra entregar pro Marconi? – Tá resolvido, não tá? (...) – Quinta-feira, ele viaja para São Paulo, só volta na outra quarta. Vamos combinar para quarta-feira. Tem que marcar com o governador na quarta. Então pode marcar para quarta-feira. Barulhos diversos. A gravação fica inaudível. Termina a reunião.

Conclusão: Os nomes de Marconi e Jalles foram citados por mais de 70 vezes durante a conversa gravada. Alguém acredita que o Governador não estava envolvido?

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No dia 21, pela quinta vez em dois anos, os transmissores da Rádio K foram lacrados. Mais uma suspensão por motivos “técnicos”. O fechamento durou sete dias. A Rádio só foi reaberta depois de conseguir liminar na Justiça.

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Julho do 2001 A mando do governador, um grupo de empresários goianos procura Kajuru em São Paulo e tenta mais uma vez comprar a Rádio K. Para se preservar, Kajuru exigiu que a proposta fosse feita por escrito, em forma de minuta de contrato. A proposta foi curiosa e inusitada: 1) Envolvendo as áreas já pertencentes à Rádio K e que ficariam para Kajuru, os valores financeiros da proposta chegavam a 8 milhões de reais; 2) Os compradores ainda assumiriam todas as dívidas existentes com quaisquer credores, inclusive de origem trabalhista, tributária, ou previdenciária, declaradas ou não; 3) Queriam comprar, em definitivo, a Rádio, (100%) mas não abriam mão de continuar usando, no mínimo, por seis meses, as marcas “K” e “Feras do Kajuru”; 4) E a parte inusitada: a cláusula sétima do contrato de compra, assegurava a Kajuru, pelo período de três anos, a contar da data da venda, o direito da recompra das ações (99,34%) pelo mesmo valor do presente instrumento, corrigidos pelo IGPM. No parágrafo primeiro dessa cláusula, Kajuru poderia recomprar a Rádio três anos depois, pagando apenas 500 mil reais de entrada e o restante em cinqüenta parcelas iguais e sucessivas; será que eles deixariam com Marconi reeleito? 5) Quando Kajuru fez a contraproposta de que fecharia o negócio, desde que pudesse revelar todas as cláusulas no ar, e que o jornalismo da emissora fosse comandado por Marcelo Rezende, em substituição a Kajuru, que, por sua vez, ficaria apenas na programação esportiva. Moral da história: o grupo de empresários nunca mais falou sobre o assunto. 158


6) Kajuru mostrou essa proposta aos amigos Juca Kfouri e Juarez Soares. Jorcelino Braga foi testemunha do recebimento da proposta pessoalmente em São Paulo na agência FTPI, ao lado do sr. Rivas Rezende e da advogada dele, Dra. Fátima.

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OBS.: Kajuru reconheceu que os dois empresários foram pressionados por Marconi, pois ambos, antes dessa proposta, fizeram empréstimos decisivos à Kajuru para evitar a falência da emissora. Ninguém ajudou mais Rádio K do que Odilon e Paulo. O Odilon, inclusive, dizia que aquilo era por amizade à família de sua esposa e para existir pelo menos uma emissora independente em Goiás.

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OBS.: No dia 5 de Julho, ao meio dia, uma quinta-feira, Kajuru revelou a proposta recebida, ironizou Marconi perguntando como o Governo devolveria os milhões aos empresários que jamais quiseram comprar a Rádio. Até porque, se quisessem, comprariam por 1 milhão e meio no máximo, mas nunca por 8 milhões. Enquanto estiver vivo, não vendo a Rádio K para ninguém, só permitirei arrendá-la para os próprios funcionários em 2003, se esse “Menino Maluquinho” (Marconi) for reeleito. Porque aí não aguentarei enfrentar, por mais 04 anos, esse Íris Jr.; Deus não vai permitir 20 anos de coronéis.

Agosto de 2001 Em entrevista a programa da TV Brasil Central de Goiânia (emissora estatal), o governador atacou Kajuru com mentiras e sem nenhuma prova. Marconi achava, nesse dia, que Kajuru já tivesse vendido a Rádio K para os empresários. No dia seguinte, Kajuru pediu direito de resposta à emissora, que, por sua vez, negou. Kajuru, então, foi à Justiça e obteve liminar, na 12ª Vara Criminal de Goiás, para responder a Marconi no mesmo programa, mesmo horário, na semana seguinte, pelo tempo de oito minutos e trinta segundos. Assim se esperava que acontecesse. Kajuru lá esteve, no dia 9. Dez minutos antes de começar o programa, chega uma liminar, concedida pelo Desembargador Joaquim Henrique de Sá. O governador impedia, na Justiça, o direito de resposta de Kajuru. Conclusão: Só restou a Kajuru o direito de exibir, na Rádio K, o que falaria na televisão. Em tempo: tal Desembargador foi nomeado por Marconi, de quem é amigo pessoal.

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Direito de resposta de Jorge Kajuru, no programa Opinião e Debate, na TBC Cultura, concedido pelo juiz Benedito do Prado, da 12ª Vara Criminal de Goiás, e cassado no dia 09 de agosto, pelo desembargador Joaquim Henrique de Sá.

Antes de tudo, minhas desculpas à sociedade goiana. De minha parte, preferia que, em Goiás, brigassem as idéias e jamais os homens. A justiça só me concedeu 8 minutos e 30 segundos, então, vamos em frente, relatando começo, meio e fim: 1º) Senhor governador, há uma enorme diferença entre nós. Senão vejamos, ouçamos e recordemos o mês de outubro de 1998, segundo turno das eleições para o governo de Goiás, precisamente dia 20 de outubro... Eu, Jorge Kajuru, já tinha opinião formada a seu respeito governador, na época, candidato.. Eu tinha esta opinião, mesmo depois de ter sido muito elogiado pelo senhor. Veja, na página 26 do Dossiê K, o depoimento de Jorge Kajuru. Eu não mudei de opinião, governador! Mas o senhor, nesta mesma época, tinha opinião a meu respeito e da Rádio K e falava assim no dia 6 de outubro, após o primeiro turno, e antes de saber o que eu pensava do senhor. Veja, na página 16 do Dossiê K, o depoimento de Marconi Perillo. 164


Como o governador Marconi Perillo citou aqui, neste programa, o nome de seu afilhado, amigo, e meu funcionário há muitos anos, o repórter Cleuber Carlos, aqui eu o convido para falar desse episódio com as suas palavras e jamais as minhas, sobre a proposta de R$ 150.000,00 em mídia para a Rádio K. Eu não só recusei, como fui para o ar, no dia 09 de fevereiro de 2001, comentar publicamente sobre a proposta. E Cleuber Carlos se lembra como isso foi discutido no ar. Veja, na página 113 do Dossiê K, o depoimento de Cleuber Carlos. Três dias depois deste assunto ter sido discutido publicamente na Rádio K, veio o dia 12 de fevereiro de 1999 - o comentarista Martiniano Cavalcante fazia questão de explicar no ar, por que os funcionários da Rádio K não concordavam comigo, por recusar mídia do governo, conforme já havia decidido, também de forma pública, desde o governo PMDB em agosto de 98. Martiniano “o que nós pensamos, os funcionários, é que devemos aceitar a publicidade de um governo ou de um empresário, desde Martiniano Cavalcante - comentarista que ela seja uma político da Rádio K do Brasil publicidade meramente técnica. Agora, o mínimo de liberdade que foi conquistada tem que ser mantido, e não é justo, 165


eu quero dizer isso ao ouvinte, é minha opinião, não é justo que um veículo como a Rádio K, se submeta a um espectro, sendo o veículo que tem a maior participação em mídia particular aqui em Goiás. Não é justo que a rádio K fique espremida, sem poder usufruir de um mercado público, passando dificuldades que os outros não passam porque estão vendendo falcatruas, opiniões falsas etc.. nós temos que manter a dignidade.” Governador, o senhor acha que alguém acredita na chance de a Rádio K lhe pedir R$ 150.000,00 mensais de mídia, e o senhor recusar? Aqui estão os documentos do tribunal de contas... O senhor já pagou à imprensa, em 2 anos, mais de R$ 90 milhões... É recorde... E não pagaria 1,5 % do que gasta por mês à Rádio K? Sobre a venda da emissora: 1º) Não vendi a Rádio K (Anúncios DM , página ... do Dossiê da Mordaça) 2º) Não me ofereceram 5, e sim 8 milhões por 100% da Rádio, mas, como exigiram a minha saída da emissora e o fim do jornalismo investigativo, logicamente eu recusei a proposta. Termino dizendo o seguinte: governador, nossa vida na Rádio K é 100% aberta: Todos sabem que o senhor nos levou à falência - fechou a Rádio K cinco vezes, uma delas por 30 dias, tirou dezenas de nossos patrocinadores, e muito mais , sem falar no pedido de cassação que o senhor fez em Brasília. Então, eu faço negócio de forma pública... Só há duas cláusulas simples, morais e democráticas... não muda nada no esporte, eu continuo no comando e no jornalismo, Marcelo Rezende assume meu lugar. 166


Deixo aqui, publicamente, uma minuta do único contrato que aceito negociar. É tão público que até o senhor, governador, pode comprar, sem a necessidade de se esconder e mandar representantes bem orientados. E quanto a dizer, governador, que eu pedi algumas vezes, encontro com o senhor. Proponho aos seus amigos e auxiliares Paulo Beringhs, Floriano Gomes e Lizandro Nogueira que contem publicamente o que foram fazer em São Paulo, no ano passado, levando inclusive o recado que o senhor estava com o coração aberto e, caso não queiram contar aqui, por favor, autorize que eu ponha no ar, a fita gravada da nossa conversa... Eu só peço que o senhor deixe a instituição Rádio K em paz, concentre seus rancores na minha pessoa - atinja ainda mais a mim... Processe-me pelo que de fato penso e afirmo... Eu luto pela minha liberdade... O senhor luta por uma vaidade ferida... Cuidado, Marconi! O seu governo poderá ser tragado pelo turbilhão do tempo até que dele só reste uma pálida reminiscência... O que falei aqui, assim respondi no dia 6 de julho passado, no ar pela Rádio K, um dia depois que o Marconi aqui, neste programa. Portanto, não preciso de dois anos e meio para responder a ninguém. Mas eu sei por que o senhor só veio me atacar publicamente, dois anos e meio depois... Tudo foi por causa dessa gravação com sua voz, que coloquei no ar, pela Rádio K , no dia 2 de julho, um dia depois de saber que o senhor, mais uma vez, prometia ao povo goiano, abrir seus sigilos, após denúncia de propina na ISTO É. 167


Marconi -” Com relação ao sigilo bancário, eu não tenho a menor preocupação, queria até pedir uma coisa aqui, pedir ao doutor Desmóstenes, que traga hoje aos candidatos uma proposta de quebra imediata de sigilo bancário meu, do senador, da minha mulher, da mulher dele, dos nossos parentes todos e também dos nossos assessores, porque muitas vezes escondem maracutaias, corrupção com assessores. Faça um favor a Goiás: peça a quebra dos nossos sigilos bancários, para que Goiás não tenha dúvida nenhuma com relação à evolução patrimonial, eu também peço que quebre a evolução patrimonial e o sigilo bancário." Por falta de tempo, nada mais devo falar. Só pedir que o senhor cumpra agora o que prometeu, há dois anos e meio, sobre os seus sigilos...

Boa noite, povo goiano! r

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No dia 14, pela segunda vez, Kajuru é convidado de Jô Soares. Dessa vez, para seu programa na Rede Globo. Durante a entrevista, Jô pergunta sobre a Rádio K. O jornalista aproveita e pede publicamente a FHC que não permita mais, em seu governo, punições à emissora. Jô brincou que, se o presidente não estivesse viajando, poderia me ouvir.

Kajuru: A minha rádio foi tirada do ar 5 vezes, sabia disso? Jô: Não! Não sabia. Kajuru: Meu querido presidente Fernando Henrique, eu conheci o alfaiate do presidente Fernando Henrique, aqui em São Paulo, eu era menino, o alfaiate dele, o pai do jornalista Osmar de Oliveira. Ele falava assim "- Kajuru, o Fernando Henrique é um democrata. Grande homem." Ele botou, inclusive, o nome do neto de Fernando Henrique. Eu acreditei, votei no presidente, democrata, tal... Presidente não faz isso comigo, presidente, pelo amor de Deus, cinco vezes a minha rádio já foi tirada do ar. Jô: Mas tirou por quê? Comentários que você fez a respeito do próprio presidente? 169


Kajuru: Comentários, denúncias... A Rádio faz denúncias. A Rádio faz um jornalismo muito forte. Jô: Aí, pá... sai do ar?! Kajuru: É ... A Rádio tem o Alexandre Garcia, tem o Marcelo Rezende, e vai estrear agora o Ricardo Boechat. Então, ela tem um jornalismo diário muito forte, é só denúncia todo dia. Tudo embasado, documentado. Jô: Quer dizer, denuncia, sai fora, denuncia , sai fora... Kajuru: É , tem sido assim. Mas não vai ser feito assim mais não, né?! Ainda mais depois desse pedido que eu fiz aqui, público, né?! O presidente está vendo o programa, o presidente não vai tirar a Rádio K? Jô: Aí, eu não sei, se ele estiver no Brasil, ele deve tá assistindo... (risadas)

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Setembro de 2001 A Rádio K relembra, no ar, chamada com a voz do próprio governador, prometendo 400 mil novos empregos em quatro anos. Afinal, já se passavam três anos e o desemprego, em Goiás, era o maior de s ua história.

PROMESSA DE EMPREGO “Nós vamos, no governo, no primeiro dia, eu já vou mandar uma mensagem à Assembléia Legislativa, solicitando a redução de 17 pra 12%, o imposto do comerciante, do empresário, do industrial, e aí eu vou atingir aquela meta de criar, nos primeiros quatro meses, 100 mil empregos em Goiás e, ao longo de quatro anos, 400 mil empregos, vamos fazer isso porque nós seremos criativos, nós faremos um governo planejado e essa é, sem dúvida alguma, a principal meta, a principal ação para gerar emprego, renda e crescer a arrecadação do Estado.” Evidentemente não foi cumprida.

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A Rádio K relembra, também, as promessas não cumpridas, com relação à redução de impostos e à segurança pública.

PROMESSA IMPOSTO “O imposto de Goiás é o mais caro do Brasil, é o mais vergonhoso do Brasil, e eu, no primeiro dia, vou enviar uma mensagem para a Assembléia reduzindo o imposto da energia, da água, da gasolina, do gás de cozinha, porque isso é cidadania, esse é um compromisso que eu assumo aqui. Eu vou acabar com essa indecência, se Deus quiser.”

PROMESSA SEGURANÇA PÚBLICA “Nós vamos ter uma atuação decisiva, comprando veículos, e, munições, armamentos, e acima de tudo, pagando bem o policial pra que ele possa prestar um serviço de qualidade, eficiente, reduzindo a taxa de crime em Goiás, com o programa tolerância zero com o crime.” Ambas não foram cumpridas.

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Outubro de 2001 O governador toma conhecimento do comentário público que Kajuru fizera na Rádio K, informando à sociedade que estava se afastando da direção geral da emissora. Cansado de tudo, Kajuru pedia, no ar, aos funcionários, que tomassem conta da Rádio, mas que jamais vendessem a opinião e linha editorial independente. Kajuru teria Marcelo Rezende na direção de jornalismo e, por sua vez, abandonaria os comentários políticos. Marconi Perillo procurou Ronaldo Caiado e Jorcelino Braga, melhores amigos de Kajuru, propôs uma reunião, onde queria dizer que ajudaria a Rádio K no que fosse necessário. Kajuru aceitou a reunião, pela primeira vez, para que ninguém em Goiás nunca mais o culpasse pelo radicalismo de jamais ter aceitado conversar. Mas Kajuru condicionou as presenças de Marcelo Rezende e Edmo Pinheiro no encontro. Kajuru, de forma objetiva, comunicou ao governador que, a partir daquele momento, Marcelo Rezende e Jorcelino Braga tocariam a Rádio K. E que não tinha nada a dizer a Marconi, exceto deixar claro que não aceitaria nenhum favor por parte do governo. E que, se o governador quisesse mostrar algum gesto de boa vontade para com a Rádio, que então deixasse claro aos empresários de Goiás que não haveria perseguição fiscal a quem desejasse anunciar na emissora. Kajuru foi para o ar, contou tudo sobre a reunião e confirmou que ficaria muito surpreso, porém satisfeito, se, dessa vez, o governador cumprisse sua parte. Marcelo Rezende também relatou como foi a reunião e começou a trabalhar. Durou pouco. Vinte e dois dias depois, estranhamente, a Rede Globo pediu que Marcelo deixasse a Rádio, imediatamente. Sem entender, o jornalista pediu explicações à Globo. Ouviu apenas que era uma questão política. Moral da história: Kajuru teve que voltar à direção da emissora e continuar enfrentando a asfixia comercial, promovida por Marconi, com a saída de anunciantes, em média, de cinco por semana. E por que o governador não cumpriu a sua parte? Simples: para ele, não bastava a saída de Kajuru do 173


jornalismo. Ele queria o fim das críticas a seu governo e o início de uma relação semelhante ao que ocorre com o restante da imprensa goiana. Ou seja, só falar bem de seu governo. E Marcelo Rezende, como novo diretor de jornalismo, jamais concordaria.

OBS.: Nas últimas páginas, o jornalista Marcelo Rezende opina sobre os episódios e a relação com Marconi Perillo.

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Novembro de 2001 O governador vai a São Paulo e se reúne, durante uma hora, com Marcelo Carvalho, um dos dois donos da Rede TV!, onde Kajuru trabalha. Acompanhado pelo empresário Laerte, dono do Guaraná Dolly, um dos maiores anunciantes da Rede TV! e o mais novo investidor em Goiás, onde monta uma fábrica de refrigerante. Na conversa, Marconi pede a Marcelo Carvalho que convença Kajuru, seu funcionário, a vender a Rádio K. O comprador seria Laerte e, caso ocorresse a venda, o governador retiraria os mais de 30 processos contra o jornalista. Marcelo Carvalho, por sua vez, chamou Kajuru para uma reunião, juntamente com Alberico Souza Cruz, superintendente de jornalismo da Rede TV! Quando Marcelo iniciou a conversa, relatando a proposta do governador, Alberico, irritado, pediu para encerrar o assunto, lamentou que um dono de uma rede de televisão trouxesse um recado como aquele, e completou: “O Kajuru não vai vender a Rádio, nunca quis vender e manda esse governador cuidar da vida dele”. Reunião terminada. Kajuru fez esse relato, no ar, pela Rádio K.

OBS.: Em julho de 2.002, dia 03, Jorge Kajuru pediu demissão, no ar, da Rede TV. Como Alberico Sousa Cruz não teve contrato renovado, Kajuru, solidário, decidiu sair junto. Motivos de amizade e lealdade não faltavam, mas uma das maiores razões foi a postura de Alberico neste episódio em que o dono da Rede TV queria convencer Kajuru a vender a rádio K.

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Dezembro de 2001 Com provas documentais e oficiais do Tribunal de Contas do Estado, a Rádio K denuncia o maior escândalo de gastos com propaganda pessoal da história dos governos de Goiás. Marconi gastou, somente no ano de 2001, mais de R$ 90 milhões em mídia. Kajuru, com os números oficiais dos governos de São Paulo e Rio, provou, em comparação, que Marconi gastara cinco vezes mais que Alckmin, em São Paulo, e três vezes mais que Garotinho, no Rio, candidato à presidência da República. Até mesmo o Jornal “Oficial” O Popular, talvez por descuido, publicou uma charge mostrando a verdadeira estratégia do governo Marconi, na diferença do que gastava com publicidade em comparação com saúde e educação.

Fonte: Jornal O Popular de 02/04/2002.

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Janeiro de 2002 O governador resolve bancar cinco rádios goianas juntas para a transmissão da Copa do Mundo: Anhanguera, Brasil Central, Aliança, São Francisco e Pousada. O governo desembolsa mais de 2 milhões de reais em compra dos direitos e demais despesas na cobertura da Copa. Cada emissora recebeu 404 mil reais. O objetivo era impedir a Rádio K, em crise financeira, de transmitir o evento esportivo mais importante. O governo já vinha repassando esses valores as emissoras desde 2001.

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A Rádio K denuncia e antecipa como serão os contratos particulares de Marconi Perillo com os cantores sertanejos Leonardo, Zezé di Camargo e Luciano. Confirma os valores de 5 milhões de reais para Leonardo e 4 milhões e meio de reais para Zezé di Camargo e Luciano. A Rádio K revela que os cantores farão shows nas festas pecuárias e, de surpresa, terão que parar de cantar e chamar o governador ao palco, e, ainda, elogiá-lo como o melhor governador da história de Goiás ou o mais honesto.

LEONARDO “Obrigado a vocês por estarem aqui, tá, curtindo o show, participando dessa festa maravilhosa, e lembrando a vocês que se eu estou aqui é um presente do governador Marconi Perillo, que mandou pra vocês aqui o show, tá, essa festa maravilhosa. Tá bom? Beleza?” r

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OBS.: Mais à frente, na página 208, o tamanho do escandâlo de gastos com outros cantores, pagos com dinheiro público, da Secretaria da Agricultura. Fazia parte do Caixa de Campanha para a reeleição de Marconi, com 02 anos de antecedência.

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Fevereiro de 2002 Kajuru anuncia que a Rádio K cobrirá a Copa do Mundo, exclusivamente com dinheiro dos patrocinadores da iniciativa privada e completará as despesas investindo 80% de seus rendimentos na Rede TV!, por cinco meses. Terminou dizendo que desafiava as outras emissoras goianas a vender uma só cota de patrocínio da Copa, que viesse da iniciativa privada e, não, dos cofres públicos, via Marconi.

Março de 2002 A Rádio K denuncia de uma reunião do governador com prefeitos do PFL, realizada no Palácio. Um dos participantes entregou à Rádio K uma fita, onde Marconi declara, sem constrangimentos, que seu governo precisa mesmo gastar dinheiro com a comunicação. Surpreendentemente, revelou aos prefeitos que, por causa desse dinheiro gasto com a imprensa, ele liderava todas as pesquisas para a reeleição, contra seus adversários, na cidade de Goiânia. O Ministério Público Federal iniciou investigações e concluiu que a Justiça Eleitoral deveria punir Marconi. Por sua vez a juíza, Dra. Carmecy apenas multou o Governador.

MARCONI “Nós temos que ter dinheiro para comunicação, todo mundo tem que ter sua mídia. Com esse dinheiro, nós ganhamos; eu particurlamente ganho dos dois principais adversários que falam em ser candidato nas pesquisas aqui na cidade de goiânia.” .br

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Abril de 2002 A Rádio K entrevista, ao vivo, Pedrinho Abrão, presidente do PTB/GO, que confirma ter recebido duas propostas escandalosas do cidadão Marconi Perillo. Com testemunho de Ademir Lima, Pedrinho confirmou que realmente o governador lhe propôs comprar sua área valiosa da Avenida Independência, avaliada em 3 milhões de reais, e ainda lhe ofereceu o quanto fosse necessário para gastar com a eleição de dois federais e quatro estaduais, por seu partido, o PTB. Kajuru havia apresentado essa denúncia há 15 dias. Com qual mágica Marconi teria 3 milhões.

PEDRINHO ABRÃO Jorje Kajuru: ... Então, diante da luz da verdade, chamada Rádio K em Goiás, e, diante dessas coisas estarrecedoras que estão acontecendo em Goiás, com o governador Marconi comprando tudo e todos, é verdade ou mentira que o Marconi, ao conversar com você, há pouco tempo agora, me parece que o encontro foi na sua residência, e eu já dei essa informação aqui, por isso que eu tô perguntando, já foi dada aqui no Tele-Kajuru Denúncia, ele começou a conversa com você no “boa noite”, querendo comprar sua área, valiosíssima, ali na Avenida Independência, que já foi palco de comitê político, no “boa noite”, querendo comprar, perguntando quanto você queria naquela área, e é verdade ou mentira que ele disse a você, quanto que você e seu partido precisavam de dinheiro, pra eleger quatro deputados estaduais e dois federais, isso é mentira minha? Pedrinho Abrão: Não, não é não, é, foi colocado e eu disse, bem claro, que, dentro das minhas empresas, o faturamento delas em relação a governo estadual, federal e municipal é de 0,0%, e que essa po182


sição eu não discutiria, e que eu discutiria a questão de respaldo para os nossos candidatos, apoio político para os nossos candidatos, e ele disse: quanto você precisa pra eleger quatro estadual e dois federal, eu disse que a minha discussão era política e, não, dinheiro. Jorje Kajuru: ... Aliás, me permita uma curiosidade, Pedrinho Abrão, aquela área sua, na Avenida Independência, está avaliada em quanto? Se você pode me dizer isso publicamente. Pedrinho Abrão: Ah, não tenho noção porque não existe interesse em vendê-la né, Kajuru? Jorje Kajuru: ... Mas, é uma área valiosíssima ali? Pedrinho Abrão: É uma área grande, né , é um área.... Jorje Kajuru: ... Alguém aí no fundo cochichou, se você não tem noção do que vale, se você não tem, como é que eu vô tê? Como é que o Martiniano vai tê? Você não tem noção de quanto vale? Pedrinho Abrão: Vale em torno de três, quatro milhões de reais. Jorje Kajuru: ... Três, quatro milhões de reais. É verdade ou mentira que você tem testemunha dessa conversa com o Marconi? Pedrinho Abrão: Tenho, tenho testemunha, sim, tinha uma pessoa presente do meu lado, que você conhece bem. Jorje Kajuru: ... Essa pessoa é o Ademir Lima? Pedrinho Abrão: Exatamente. Jorje Kajuru: ... É ela? Pedrinho Abrão: Ademir Lima estava do meu lado. r

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A Rádio K denuncia, com provas documentais, mais um escândalo na Secretaria da Saúde, com mais de 30 milhões de reais gastos em compras superfaturadas de remédios, comandadas pelo primo do governador, Sr. Marcelo Perillo. 183


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Maio de 2002 As emissoras de rádio bancadas pelo governo viajam para a Copa, anunciando apenas dois patrocinadores: o Governo de Goiás e a Prefeitura de Goiânia. Por sua vez, a Rádio K também viaja, anunciando o patrocínio de onze empresas privadas, com destaque para o Bradesco, a Nestlé e a Universidade Salgado de Oliveira. A Rádio K obteve os maiores índices de audiência durante a Copa, com média mínima de 85% dos rádios ligados, e ainda foi a única rádio brasileira que transmitiu a Copa durante 24 horas por dia e todos os jogos ao vivo. Ainda contou com a ajuda financeira de José Luiz Datena, em R$ 50.000,00, além de seus comentários, ao lado de Sócrates, diariamente. A Rádio K denuncia, com documentos do Diário Oficial, as dezenas de contratos, envolvendo superfaturamento de veículos de comunicação, completamente desconhecidos da sociedade. O governo paga a essas empresas valores fora da realidade do mercado de mídia. Nenhuma dúvida: o caixa de campanha seguia o fluxo.

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OBS.: Aqui, o curioso fica por conta do valor pago pela missa transmitida, via canal fechado, s贸 para Goi芒nia.

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A Rádio K denuncia relatório do Ministério Público, que revela: o dinheiro que o governo Marconi arrecada com infrações de trânsito não está sendo aplicado na educação de motoristas e pedestres, conforme manda o Código Nacional de Trânsito. O escândalo é maior ainda ao se constatar que esse dinheiro está sendo usado em shows sertanejos. Na Assembléia, os deputados estaduais fizeram uma intensa discussão em relação aos gastos milionários do governador, em cachês para cantores sertanejos. Um dos deputados aliados de Marconi, delegado Rosiron Wayne, soltou uma preciosidade em plenário: para defender os gastos de seu governador, Rosiron bradou: “O governador está certo, o povo precisa desse tipo de show, e essas músicas sertanejas servem para reconciliar casais”. Shows Contratados por Marconi, no dia 4 de Julho de 2002 e publicados no Diário oficial / GO nº 18.942, do dia 5 de Julho de 2002. Shows pagos pela Secretaria de Agricultura, Pecuária e Abastecimento de Goiás.

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Alex, Fernando e Banda

R$

1.000,00

André & Andrade

R$

20.000,00

Banda Átima

R$

7.500,00

Banda Êxtase

R$

1.000,00

Banda Tennessee

R$

15.000,00

Bruno & Marrone

R$

625.000,00

Chico Rey e Paraná

R$

300.000,00

Clayton Lemos e Romário

R$

12.000,00

Elvis & Ricardo

R$ R$ R$

70.000,00 40.000,00 600.000,00

Elivelton, Júlio César, Sanfoneiro Moacir e sua Banda

R$

12.000,00

Gino & Geno

R$

150.000,00

Geovana Texas

R$

4.000,00

João Marcos & Dejair

R$

25.000,00

Juca e Jeca

R$

12.000,00

Leo & Leo

R$

9.000,00

Marcos e Rodrigo

R$

17.500,00

Ouro Negro e Dorivan

R$

27.000,00

Racyne & Rafael

R$ R$

60.000,00 50.000,00

Thalles & Blenner

R$

25.000,00

Trio Alto Astral

R$

12.000,00

Zabumba Beach

R$

15.000,00

TOTAL

R$ 2.110.000,00


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Em almoço no Palácio, nove dirigentes do futebol goiano receberam do governo um patrocínio de um milhão e duzentos reais para ajuda de custo na disputa do Campeonato Goiano. Durante a conversa, um dirigente começou a falar sobre Kajuru. O governador, sem constrangimentos, na frente de todos, disparou: “Várias pessoas ligadas a mim estão me procurando para matar o Kajuru, mas agora eu acho que não compensa matá-lo”. Dos nove cartolas, dois deles tiveram a coragem de, pelo menos, revelar tudo ao Kajuru, por telefone. Como os dois jamais quiseram ser identificados, com o natural medo de perseguição, José Luiz Datena e Jorge Kajuru decidiram contar todo esse triste episódio no ar, durante o programa “Datena Repórter Cidadão”, pela Rede TV! Para não serem identificadas, as vozes dos dois dirigentes foram distorcidas.

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PROGRAMA DATENA REPÓRTER CIDADÃO – REDE TV DIA 23/05/2002 Datena: “Olha, eu falava sobre a morte de jornalistas do mundo inteiro e aqui no Brasil, eu pensava que isso não acontecesse mais, não é? Mas teve uma reunião em Goiânia anteontem, com clubes de futebol e o governador de Goiás; e o governador confirmou ter recebido propostas de pessoas que queriam matar o Jorge Kajuru. Jorge Kajuru, que conheço desde menino e luta pela verdade. Eu tentei entrar em contato com o governador e não consegui. Uma pessoa que estava nessa reunião deu a seguinte declaração:

(GRAVAÇÃO DA TESTEMUNHA) “Várias pessoas ligadas a ele já pediram para acabar com você, te matar e tal... que ele não ia perder tempo em fazer isso, não, que hoje não compensava”. E tem outro depoimento. Depois eu quero depoimento do Marcelo Rezende! Estamos à disposição da assessoria do governador para falar sobre isso. Me parece o primeiro ponto dessa questão é que o governador deveria ter chamado a polícia e dito que alguém estava se apresentando e propondo matar o Jorge Kajuru. Me parece uma coisa lógica. Estou atrás do governador, mas, até agora, não obtive resposta. E tem outro depoimento também, vamos ouvir:

(GRAVAÇÃO DA TESTEMUNHA) “ ...ele disse que não gosta de você, você não gosta dele, que o problema é o seguinte, já procuraram ele oferecendo para matar você.” 218


Datena: “Kajuru, você conversou com essas pessoas ontem? Traz o Jorge Kajuru aqui.” Kajuru: “Antes de ontem, Datena, eu conversei com essas duas pessoas e, evidentemente, elas tem o mesmo medo que eu tenho. Eu sou filho único e tenho uma mãe para cuidar. Essa não foi a primeira vez que aconteceu, e, infelizmente, depois da primeira vez que meus amigos, Juca Kfouri e Marcelo Rezende ,tentaram conversar com o Governador Marconi Perillo a respeito da liberdade de imprensa da Rádio K, porque ele prometeu em campanha que a imprensa seria livre em Goiás. Eu fiquei assustado com o que ele disse aos meus dois colegas e passei a tomar providências.“ Datena: “Marcelo, você chegou a ter contato com o Governador lá em Goiás?” Marcelo Rezende: “Tudo bem, boa noite! Eu estive com o governador duas vezes. Eu venho aqui como testemunha. Encontrei o Governador Marconi Perillo no Hotel Deville aqui em São Paulo, eu, Juca Kfouri e Estepham Nercessian, e, no final do nosso encontro, que era uma tentativa de conciliação entre o Marconi Perillo e o nosso amigo Jorge Kajuru... Naquele momento, ao final do encontro, o governador disse o seguinte: ´se eu não fosse cristão, eu daria 140 tiros na cara do Kajuru`. Nós nos apavoramos com aquilo e, agora, quando surgiu novamente esse assunto, eu disse para o Kajuru: Tenta colocar isso no ar em rede, porque é a maneira de você se salvar, escapar de um atentado. Eu não estou dizendo que este atentado seja feito pelo governador Marconi Perillo.”

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Datena: “Mas não é isso. O governador, segundo eu entendi... ele disse que foi procurado por pessoas que se dispuseram a matar o Kajuru, é isso que me deixa preocupado. Nós não podemos viver num país de jagunços. Nós já estamos em 2001. Mas isso é brincadeira, estamos no século XXl.” Kajuru: “O que me preocupa, o Marcelo sabe disso, e é por isso que estou em São Paulo, que com a minha ex-esposa aconteceu um fato. Eu estava nas Olimpíadas com o Juarez Suares, na cidade de Golden Coast, quando, por volta das 10h30 da noite, na Avenida 83, em frente a uma farmácia, pegaram minha ex-esposa e deixaram claro a ela que, se eu não fosse embora de Goiás, eles iriam matá-la. Eu, inclusive, estou dizendo ex-esposa, porque tive que me separar, renunciar, porque ela, a família e eu ficamos com medo. Eu tenho medo desse senhor. Não estou acusando. Eu gostaria que ele avisasse à polícia que pessoas são essas que se ofereceram para me matar, para agradá-lo, e ele não tomou nenhuma providência. O que é isso?” Datena: “Seria o mínimo de se esperar da maior autoridade do governo goiano. Tentei conversar com ele hoje e ontem também, e não obtivemos retorno.” Marcelo Rezende: “A produção falou com dois assessores diretos dele e eles disseram: ´já, já ele telefona`. E ele não telefonou! E, por ser uma autoridade desse naipe, que tipo de gente é essa com quem ele conversa? Como ele não denuncia, como maior autoridade de um estado, ele tem uma notícia de uma possibilidade de um crime e ele não denuncia.” 220


Datena: “Mas é a questão colocada desde o princípio aqui. Como ele recebe uma proposta indecorosa dessa, ele deveria procurar as autoridades, a polícia civil, e falar: ´Um sujeito me procurou e ofereceu pra matar o Kajuru por mim. Isso é o mínimo que a gente espera... Mostrando quem são essas pessoas que fizeram essas propostas.” Kajuru: “É bom lembrar, Datena, que o Governador sabe o por que a sua produção está tentando ouvilo, porque, na Rádio K, eu também estou falando sobre esse assunto desde ontem. Não é estranho ele não querer atender o programa Datena Repórter Cidadão, porque ele sabe o motivo.” Datena: “Não atender o programa não é o problema. O problema é não querer atender a sociedade. Não é para mim nem para o programa, tem que ser discutido com a sociedade. A primeira providência que ele deveria ter tomado era procurar a Polícia Civil.” r

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Julho de 2002 Aproveitando o fato de kajuru estar fora do vídeo em São Paulo, ainda acertando sua saída da Rede TV!, por ter pedido demissão, em solidariedade a Alberico Souza Cruz, o que fez o governador de Goiás? Foi a Brasília, entrou com uma representação processual, solicitando do ministro das Comunicações, Juarez Quadros, a cassação, em definitivo, da Rádio K, via decreto presidencial. E, ainda, pediu sigilo de todas as suas acusações no referido processo. Também exibiu cópia dos 34 processos que, pessoalmente, move contra Kajuru. Enfim, são 670 páginas, com o governador relatando tudo o que, para ele, aconteceu nesses quatro anos, suficientes, perante seu julgamento, para cassar uma emissora de rádio, pela primeira vez, neste país.

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Durante esse período de quatro anos, ainda poderia se falar de casos e escândalos, como: A) O caso Uni-Rio e a CELG. Foi feito pagamento adiantado. Até hoje, a CELG não conseguiu provar que obteve benefícios, e o Tribunal julgou o contrato como irregular.

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CASO – UNI-RIO O que você vai ler agora é revoltante. Setembro de 2000 – A revista Isto É denuncia desvio de dinheiro na CELG. Março de 2002 – O jornal nacional denuncia: uma investigação do Ministério Público do Rio levantou indícios de que uma fundação sem fins lucrativos, está, usando o nome de uma Universidade Federal para arrecadar milhões de reais. PRÓ-UNIRIO é uma fundação sem fins lucrativos, que teria como finalidade apoiar o ensino e a pesquisa da UNIRIO, usando o nome da universidade, a fundação controlada pela família Manzolilo firmava convênios com o poder público em vários estados do Brasil. Em Maio de 2000 – A CELG contrata sem licitação a fundação PRÓ-UNIRIO, que recebe quatro milhões e quatrocentos e cinquenta e sete mil reais com um serviço que não era sua especialidade. O pior, o serviço nunca foi realizado, o dinheiro segundo a imprensa nacional, foi desviado para a campanha do PSDB em Goiânia. O Ministério Público passa a investigar a denúncia e quebra o sigilo fiscal e bancário dos diretores da CELG. O tribunal de contas do Estado conclui que o contrato CELG/FUNDAÇÃO PRO-UNIRIO é uma fraude. Agora você vai conhecer a verdade do caso CELG/ PRÓ-UNIRIO.

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Entrevistamos, em Copacabana, no Rio de Janeiro, em um hotel, uma testemunha-chave. Uma pessoa que sabe exatamente como funcionou todo o esquema da fraude envolvendo a CELG e a fundação PRO-UNIRIO, fraude essa de 4 milhões e meio de reais. E vocês vão descobrir que isso foi apenas o começo, porque essa fraude poderia ter sido muito maior. Dona Rita – gerente de documentação técnica de projetos da UNIRIO: Dona Rita – Exatamente o quê a senhora fazia na fundação PRÓ-UNIRIO? “ Eu era gerente de documentação técnica de projetos.” A senhora era funcionária da Fundação PRÓUNIRIO? “Empregada contratada com carteira assinada.” É aqui que a senhora trabalhava? “É, eu trabalhava na época em 2000 na Fundação PRÓ-UNIRIO, no terceiro andar”. O que a senhora sabe exatamente sobre essa fraude de 4 milhões e meio de reais que saíram do Estado de Goiás pela companhia de eletricidade, a CELG, e vieram para o rio de janeiro? “Foi assinado, em 22 de maio, um contrato entre a CELG e a fundação PRÓ-UNIRIO para recuperação tributária. Em 5 de setembro, foi transferida para conta bancária da PRÓ-UNIRIO uma importância de quatro milhões e meio para a agência do Banco do Brasil da Praça da Bandeira, número da conta: 48322-2 favorecendo a PRÓ-UNIRIO, com nota fiscal em nome da PRÓ-UNIRIO. Foi pago esse valor pelos serviços que teriam sido prestados”. 232


A fundação PRÓ-UNIRIO tem competência para fazer um trabalho pelo qual foi contratado? “Não, inclusive esse foi o primeiro trabalho nessa área que a PRÓ-UNIRIO assinou um contrato.” E o trabalho foi executado? “Que eu tenha conhecimento, não, porque não recebemos os relatórios finais do contrato”. E nesse golpe, todos os vários documentos têm a assinatura do Governador Marconi Perillo, não é verdade? “Tem a autorização dele, pra confecção desse contrato, tanto desse, como com outras companhias , que não foram realizados”. Por que a senhora acha que só foi realizado o contrato com a CELG, desde que nos temos aqui em documento mais de dez empresas oficiais do Estado de Goiás, solicitando o mesmo tipo de contrato? “Eu acredito que porque, uma semana após o recebimento desse dinheiro, houve a denúncia, e então, os outros processos não tiveram andamento, nem tampouco o restante ,se eu não me engano, de seis milhões, por aí, que ,segundo o contrato, a CELG ainda deveria pagar à PRÓ-UNIRIO”. Se não tivesse havido essa denúncia, qual seria o montante financeiro desse golpe? “Não dá pra prever, não dá pra dizer, é muito dinheiro.” Qual o esquema de distribuição desse dinheiro e como parte dessa fraude retorna para Goiás? “De acordo com o contrato, ele teria que vir para a 233


PRÓ-UNIRIO, a taxa que cabia pra PRÓ-UNIRIO e a PRÓ-UNIRIO fazer o repasse, o pagamento à empresa Novafase, por ter realizado o trabalho. Só que isso não foi feito, a PRÓ-UNIRIO repassou três milhões e oitocentos e noventa e um, no dia 6 de setembro, por intermédio para o IBDU; o dinheiro sairia da CELG, viria para a conta da PRÓ-UNIRIO e da PRÓ-UNIRIO, ia para um instituto, para esse instituto, então, movimentar e repassar o dinheiro novamente para o estado de Goiás.” E foi nessa agência do Banco do Brasil, no Rio de Janeiro, na praça da Bandeira que a CELG depositou os 4 milhões e meio favorecendo a fundação PRÓ-UNIRIO não é isso? “Exatamente, é nessa agência que a PRÓ-UNIRIO mantinha conta e que recebeu o dinheiro vindo da CELG. Na própria agência, ele foi dolarizado, esse dinheiro foi levado para o aeroporto de Jacarepaguá, e lá foi entregue em maleta, em maletas tipo 007, entregue para um representante do governo de Goiás.” Após sacado e dolarizado, o dinheiro do escândalo do caso CELG/FUNDAÇÃO PRÓ-UNIRIO veio para esse aeroporto numa mala e foi entregue a um representante do governo do estado de Goiás, representante esse que veio para o Rio de Janeiro com um avião do próprio Governo do Estado, é isso Dona Rita? “É isso, confirmado, aqui que foi entregue a mala para o representante do Governo de Goiás.” Qual o destino do dinheiro? “ Para a campanha da senhora Lúcia Vânia.”

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Se a senhora for chamada pelo Ministério Público para depor, a senhora reafirma tudo que esta dizendo aqui agora nesse momento? “Reafirmo e falo a verdade, o que eu sei e o que aconteceu.” Depois dessas denúncias, a senhora tem medo que lhe aconteça alguma coisa, medo de algum tipo de represália? “Tenho muito medo.” Medo de quê, exatamente? “Tenho medo de ser perseguida, porque o pessoal é barra pesada, é um pessoal realmente que tem envolvimento com outros políticos, com outras pessoas e eu não sei o que poderia acontecer, realmente me sinto muito insegura daqui pra frente.” A senhora sente medo pela sua vida? “Sinto.” r

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OBS.: Na última semana de setembro, a Revista “Carta Capital” trouxe uma reportagem completa sobre o esse escândalo.

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B) A propaganda pessoal do Cheque-Moradia, onde o governador colocou sua assinatura pessoal no impresso, com o abuso de propaganda extemporânea. C) A farsa de uma delegacia (CIOPS), inaugurada por Marconi e desmascarada pelo Jornal Nacional da “Rede Globo”. O apresentador William Bonner não conseguiu ficar sério ao contar que, depois da festa de inauguração, não havia mais nada, nem os equipamentos e ninguém no local para atender os problemas da população. D) O famoso roubo de energia, “gato”, em uma fazenda de propriedade da cunhada do governador, na cidade de Pirenópolis. Houve flagrante do funcionário de plantão da CELG, quando o “gato” foi feito, ou seja, não pagavam energia havia quatro meses. O funcionário, perseguido, foi transferido para a distante cidade de Águas Lindas. E) Os cinco funcionários que deixaram a Rádio K, em 2001, recebendo propostas milionárias, com luvas de até R$ 180.000,00, completamente fora da realidade de mercado até em São Paulo. Tudo patrocinado pelo governo Marconi, que considerava uma boa tática para reduzir a massacrante audiência da emissora. O valor de 180 foi pago ao locutor Edson Rodrigues. O contrato era tão político que encerra no dia 31/12/2002, ou seja, até no fim do governo. Fazendo justiça, Edson Rodrigues foi o único que deixou a Rádio K sem pedir 01 centavo de recisão. Outros foram covardes, entraram na Justiça (Como José Carlos Lopes, Karina Bittencourt e Eutália Franco) e queriam fortuna. Roberto Sampaio não entrou, mas pediu muito pelo acerto. Lopes, pelo menos, fez razoável acordo na Justiça. Por parte de Kajuru, não ficou mágoa. Só decepção.

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Agosto 2002 Após essa absurda, ditatorial e criminosa legislação eleitora em vigor, Jorge Kajuru decidiu sair do ar até o final das eleições. Como cidadão, Jorge Kajuru gravou depoimentos aos partidos políticos PMDB e PT, para serem veiculados em comícios e serviços de alto-falante, para alertar a população sobre o que a imprensa goiana (bem paga) esconde.

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Setembro 2002 Aqui, os depoimentos de Jorge Kajuru, ao vivo, pela na Rádio K, nos quais são relatados assuntos pessoais, editorial, esclarecimentos e chamada de alerta e orientação aos eleitores: 1ª) EDITORIAL BG... (Música “Depende de Nós”, de Ivan Lins) “Depende de nós, se este mundo ainda tem jeito, apesar do que o homem tem feito.” Kajuru: “ Meus amigos, minha gente, ter conhecido em São Paulo, o inigualável jornalista brasileiro Mino Carta, estar convivendo e lendo Mino e sua Carta Capital, ter sido homenageado pela revista do dia 19 de dezembro do ano passado, com a foto capital da última página... tudo, cada vez mais, parece ser pós-graduação para mim, em dois anos de exílio. Rádio K, esse meu sonho, esse meu filho, a emissora que só denuncia e persegue os corruptos. Que definição definitiva! Que achado para qualificar a Rádio K! Na verdade, seguimos com o mínimo de combustível e o máximo de coragem e independência. Resistir é preciso. Pagamos caro por não engajar na mais antiga profissão do mundo: a da prostituição de idéias e informações, em que se transformou a maioria da nossa inefável imprensa goiana. E, aqui, a prostituição é sem menosprezo algum àquelas que exercem verdadeiramente esse ofício. Nossa missão insiste em fiscalizar o poder, onde quer que ele se manifeste. Somos responsáveis pelas mais 242


graves denúncias políticas de dois governos diferentes em 5 anos de nossa existência como rádio. Nem os advogados, tampouco os acusados, conseguiram nos desmentir em nenhum dos escândalos aqui revelados. O povo goiano, em sua maioria absoluta, é do bem, sabe que aqueles de bens vão passar, e sempre ficará a nossa confiança na dimensão e potencialidade do Estado de Goiás, que transcendem as mazelas do poder contingente.” BG......( Música Apesar de Você, de Chico Buarque) “ Apesar de você, amanhã há de ser outro dia. Eu pergunto a você, onde vai se esconder da enorme euforia... como vai proibir quando o galo insistir em cantar...” Kajuru: “ Apesar de tudo, vamos respirando, porque temos oxigênio de orgulho por vocês, ouvintes, por vocês, patrocinadores, por vocês, funcionários e amigos, que seguem a nos motivar. Não sabemos o quanto mais suportaremos fisicamente e financeiramente. Nós podemos perder tudo, como já perdemos quase, mas jamais iremos perder a sua confiança, a sua audiência, a sua amizade. E de nossa parte, a nossa diginidade. Muito obrigado, e a minha volta só depende de você e de mais ninguém. “ BG ....( Música de Geraldo Azevedo) “ Eu não estou indo embora, estou só preparando a hora de voltar.” om.br

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2ª) ALERTA Kajuru: “Estou aqui como cidadão, eleitor e jornalista. Votar, você vota em quem você quiser. Não se influencie por ninguém, o voto é seu, mas a Rádio K tem a obrigação de fazer um pedido a você. Mais um alerta! Uma campanha contra a mentira nessas eleições. Tome cuidado eleitor com a mentira, especialmente nessas eleições. Preste bem atenção. Veja na televisão o nariz dos candidatos! Veja aquele nariz que vai aumentando todo dia, a cada promessa, a cada palavra, como um Pinóquio, não deixe ser enganado. O candidato que mente é capaz de tudo, de roubar, de qualquer coisa, a mentira é feia, é pecado, na Bíblia, João, 8, v.44, falando o que pensava Jesus, tá claro: diz que a mentira é tão feia que o diabo é o pai da mentira. Veja bem, o diabo é o pai da mentira, ninguém tem o direito de mentir para você, prometer para te fazer de bobo, chegar ao poder, se enriquecer nas suas costas, aproveitando da sua boa fé, da sua boa vontade. Esteja atento eleitor, quem é mentiroso não merece o seu voto. Uma campanha da Rádio K.” Spot Comercial Gratuito “Diga não à corrupção! Você sabia que o candidato não pode oferecer nada ao eleitor em troca do voto? Não pode oferecer comida, cesta básica, par de óculos, dinheiro, nem dar transporte na hora da votação? O candidato que faz isso, não pode concorrer a eleição. Isso é lei. Procure a OAB de sua cidade e denuncie, e de qualquer maneira, quem pode confiar num candidato que compra votos? Vote limpo em 2002. Uma campanha Transparência Brasil. www.transparência.org.br” 244


Kajuru : “É verdade, quem tenta comprar o seu voto, quer comprar a sua dignidade, principalmente, porque a dele já se foi a muito tempo.” om.br

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3ª) ESCLARECIMENTO Kajuru: “ Meus amigos, minha gente, ouvinte K, nosso patrão, nosso único censor. Realmente, pretendo que seja esse esclarecimento definitivo, muito mais do que importante. Ainda não voltei, pra valer, ao microfone da Rádio K por duas razões simples: a primeira, por questão de saúde. Eu só vou ter alta pela Drª Angelita no dia 23, uma segunda-feira. Seria dia 18, mas ela entende que eu preciso de uma recuperação maior. Até que realmente não haja mais nenhum tipo de risco no problema que sofri e, na cirurgia a que me submeti, aqui em São Paulo. Então, só no próximo dia 23 de Setembro, uma segunda-feira, vou estar pronto para o trabalho, em alta médica. E é exatamente, no dia que começarei a trabalhar na Rede Cultura de Televisão. Também voltarei a escrever no Jornal O Lance, e, nesse dia, talvez, volte diariamente ao microfone esportivo da Rádio K, já que, no jornalismo, não tenho como falar, você não pode falar pela nova legislação eleitoral e ainda mais na Rádio K! Qualquer pergunta minha é mal interpretada e lá vem punição, lá vem suspensão. Enfim, é melhor, durante as eleições, ficar calado como quer a justiça, e como tem sido em Goiás ultimamente e, infelizmente, aí não por causa da justiça, e todo mundo sabe por causa de quê e de quem. E, paralelamente, a outra razão sim245


ples é essa: É saber se eu vou ter motivação, vontade de voltar, enfim, saber o que vai acontecer em Goiás, o que vai acontecer com a Rádio K, que vive uma situação muito difícil, muito humilhante, com novas e covardes perseguições, uma situação financeira das piores que sofremos, nesses quatro anos, superior até àquela de 1998, na Copa do Mundo da França. Essa é a verdade! Mas, a gente sempre saiu de todas de cabeça erguida, com muita honradez, com muita dignidade. Estamos tentando sair dessa. Tá muito difícil, por isso, essa é a outra razão. Não sei o que vai ser da minha vida, e propriamente o que vai ser da vida da Rádio K. Mas, esse esclarecimento é definitivo e importante por alguns motivos. Eu, quando voltar, no dia 23, eu vou falar muita coisa, tenho muitos agradecimentos a fazer sobre tudo o que aconteceu com a minha carreira, nesse período, e especialmente com a minha doença, onde tenho muita coisa para falar, e tem muita gente para ser citada em tudo o que aconteceu comigo. Mas hoje aqui nesse esclarecimento, eu pretendo ser breve, e é por se tratar de um assunto que aconteceu, nas últimas 24 horas, que eu nem redigi o que estou falando aqui. Quero falar do coração e da minha alma. Não redigi nada. Tô aqui de improviso conversando com vocês. Todo mundo sabe, em Goiás, e porque não no Brasil inteiro, porque agora houve um exemplo brasileiro, eu nunca aceitei participar de campanha política de ninguém, de forma direta, ou seja, botando a minha cara no dia a dia do horário de rádio e televisão. Nunca, em minha carreira, eu aceitei. Continuo virgem, politicamente falando, em horário de rádio e televisão. Nunca fiz isso por dinheiro nenhum. Se quisesse agora faria nacionalmente; eu fui convidado para ser o âncora nacional, em todo o Brasil, na 246


campanha de José Serra! Os jornais do Rio e São Paulo noticiaram e, inclusive, publicaram a minha declaração, a minha resposta à proposta que o publicitário Nizan Guanaes me fez. Eu fui o escolhido do Nizan Guanaes, ele não queria mais ninguém. Queria apenas eu, Kajuru, ancorando o horário do José Serra na Televisão e no Rádio. Evidente que Gugu continuaria porque é cem mil vezes mais importante que eu, mas o âncora, o apresentador do programa seria eu, a proposta foi me feita no valor de R$ 1.200.000,00 pagos à vista! Enfim, durante uma semana, conversamos sobre o assunto e eu declarei aos jornais, à Folha de São Paulo publicou a minha declaração na íntegra, na época, de que eu não aceitava pelos seguintes motivos: 1 – Eu não concordaria em fazer nenhuma crítica ao meu amigo Lula do PT, candidato à presidência da república. Meu amigo e meu candidato, sempre foi e sempre será. È meu amigo pessoal. Essa foi a primeira discordância minha que a campanha do Serra já não gostou. 2 – Eu não aceitaria fazer parte de resposta todo dia, essa baixaria contra o Ciro Gomes, não sou amigo do Ciro, jamais vou votar no Ciro nessas eleições. Mas não queria participar. 3 – Essa foi decisiva para a coordenação da campanha de José Serra evidentemente não me querer. Eu fiz, exatamente sabendo que na campanha do Serra ninguém iria aceitar essas minhas exigências. Eu não aceitaria falar bem do Governo Fernando Henrique, porque foi um Governo de quem eu sempre falei mal. Eu não poderia aparecer para todo o Brasil, agora, numa campanha política falando bem do Governo do Fernando Henrique, então, a única coisa que aceitaria para fazer esse horário do Serra, seria apenas se fosse para falar das qualidades do candidato 247


José Serra, que tem qualidades indiscutíveis. Mas, evidentemente, eu gostaria de saber antes o que eu teria de falar, se eu não concordasse, eu não gravaria. É claro que a campanha não concordou. Então, eu não aceitei nenhuma campanha nacional como essa de José Serra, repito o valor R$1.200.000,00 (um milhão e duzentos mil reais). Em Goiás, evidente que eu não aceitei até hoje fazer campanha de ninguém. Aparecer na campanha de rádio e televisão por nada, e muito menos por dinheiro. Porque, se fosse dinheiro, para mim em Goiás, eu teria aceitado, nesses últimos quatro anos, o dinheiro que me ofereceram. Eu já falei publicamente e não preciso repetir. Chegaram até a R$8.000.000,00 (oito milhões de reais) para comprar a rádio ou então a metade R$3.000.000,00 (três milhões de reais), quase a metade R$3.300.000,00 (três milhões e trezentos mil reais) por 50% (cinqüenta por cento) da rádio e bastava eu não falar mais de política, eu tinha que falar só de futebol. Só isso, era só eu não falar de política. Então, se fosse a questão de dinheiro, evidentemente que eu teria fechado. Todo mundo sabe com quem, né? Muito antes e não agora em eleição. Eu jamais iria fazer isso, evidente, né? Bom, por que estou fazendo esclarecimentos? Isso é apenas complemento ou recheio desse meu comentário. Na verdade, esse esclarecimento é para pessoas maldosas, irresponsáveis, que ficam fazendo fofocas sempre em direção a mim, com a finalidade de me prejudicar e, principalmente, de me jogar contra os meus melhores amigos em São Paulo. Esse foi o objetivo da fofoca, que provocou gente a procurar donos de televisão em São Paulo, querendo saber se era verdade ou não. Quero deixar bem claro aqui, eu não uso amigo meu para nada, ninguém jamais vai falar em meu nome, ninguém jamais vai fazer 248


proposta em meu nome. Jamais em hipótese alguma! Nunca, ninguém foi autorizado a em meu nome pedir qualquer coisa pra alguém, especialmente pra político, E usar amigo meu, eu jamais faria isso em hipótese alguma! Estou me referindo a José Luiz Datena, da Rede Record de Televisão, Juca Kfouri, da RedeTv, Marcelo Rezende, da RedeTv e tantos outros amigos que tenho no Brasil, especialmente esses, que, mais que amigos, são irmãos. Juca Kfouri, inclusive, quem duvidar pergunte a ele, mande carta, mande e-mail,... se é verdade ou não. Ele vai responder. Ele veio me oferecer espontaneamente para fazer um depoimento em Goiás, contra um candidato, que o Juca conhece bem, e não quer vê-lo nunca mais. Pergunte ao Juca se eu aceitei? Se eu telefonei pro Juca pedindo pra ele a gravação desse depoimento? Nunca fiz esse pedido pro Juca, embora ele tenha oferecido a mim. Isso eu não fiz, isso eu não quis. O mesmo com Marcelo Rezende que também se ofereceu e está à minha disposição na hora que eu quiser pra fazer depoimento em relação a um candidato em Goiás, e muito menos faria isso com o José Luiz Datena, que não acompanhou minha história em Goiás, como o Juca e o Marcelo acompanharam, e porque ele tem um contrato com a Rede Record de Televisão, que eu respeito. Então jamais iria fazer, jamais iria pedir, mesmo que ele se oferecesse, eu jamais, porque se eu não aceitei o do Juca porque que iria aceitar o do Datena. Jamais faço isso, eu não preciso disso, Graças a Deus. Não preciso, primeiro, tudo que eu falo tenho provas documentais do que eu falo. Vocês vão ler no livro que eu estou lançando pra minha consciência, pros meus amigos, pra minha história, o livro que terá distribuição gratuita. Vocês vão ver nesse livro o Dossiê K tudo documentado. 249


Então, quem documenta e prova que nem eu, eu não preciso de usar ninguém, amigo meu pra me avalisar. E, graças a Deus, eu tenho credibilidade suficiente pra não precisar de aval de ninguém, os meus amigos presenciaram e falaram e fizeram depoimentos sobre fatos que eles presenciaram, não que eu contei pra eles, não que eu relatei pra eles. É bem diferente. Agora, como cidadão Jorge Reis da Costa, fora do ar, fora do microfone, fora da Rádio K, fora da televisão, fora de jornal, eu tenho direito de falar o que eu quiser, inclusive já falei, já gravei depoimento pra quem quiser usar em comício! Em comício! Em carro de som, mas não em horário político de rádio e televisão. Fiz! Fiz com muito prazer e muito gosto!!! Agora, nenhum amigo meu pode e será usado, eu não autorizo, de forma alguma, a usar qualquer coisa de amigo meu, seja Datena, seja Juca, seja Marcelo, seja quem quiser e eu tampouco vou pedir, pra Datena, pra Juca, ou pra Marcelo, entrar na campanha política de alguém, pra entrar em horário político de rádio e televisão. Jamais! Perguntem a eles se algum dia eu pedi isso. A eles, embora, eu repito, o Juca e o Marcelo tenham espontaneamente oferecido a mim depoimentos deles, eu não quis, não pedi; nunca disse a eles quero gravar com vocês. Porque, como jornalista, eu procuro fazer a coisa com maior isenção possível. Como cidadão, eu tenho motivos. O que eu sofri como homem, como cidadão, como homem de família, como ex-esposo, pelo que eu já sofri na minha vida, eu tenho esse direito de reagir como cidadão. Isso eu tenho, isso eu tenho, isso eu faço, e como a situação da Rádio tá chegando de novo aquele ponto de covardia de perseguição, mandaram até o Ministério do Trabalho pra pegar a Rádio pra autuar, pra multar. De novo, suspenderam a 250


Rádio, há poucos dias, com multa de R$22.000,00 (vinte e dois mil reais) e, todo mundo sabe, que isso é 100% (cem por cento) político, é pra levar a Rádio de uma vez por todas à falência, porque sabem que a Rádio está de novo à beira da falência, em função de que eu saí da RedeTv por solidariedade a um amigo e não tenho mais os recursos financeiros que tinha até maio deste ano e que eram recursos financeiros suficientes para bancar os prejuízos mensais de quarenta, cinqüenta mil reais que a Rádio K tinha e tem, até hoje, todo mês e eu bancava com o meu salário da Rede TV; agora não posso mais, desde o mês de junho, quando deixei a emissora no dia três, e a Rede TV não me pagou, até hoje. Portanto, desde junho, eu não tenho recursos financeiros. E até na minha doença eu tive ajuda do irmão, do pai Juca Kfouri, inclusive ajuda financeira. Quero dizer aqui publicamente, senão eu não teria condições de passar pelo que eu passei, de enfrentar, com tantos gastos com medicamentos, embora a minha cirurgia tenha sido gratuita, tenha sido feita no Hospital das Clínicas, porque eu não tenho plano de saúde, e não tinha condições de pagar uma cirurgia tão cara e tão grave como a que eu fiz, porque eu corri risco de vida realmente. Conforme a equipe médica informou, o meu caso quase se tornou uma síndrome de furniê, que é um caso quase que mortal proveniente do diabetes, da prostatite. Então, é por saberem da situação da rádio, a rádio voltou a sofrer perseguições covardes de todo o tipo: saída de anunciantes, tudo. Não tem problema, mas já que a situação tá assim, já que fazem esse tipo de fofoca pra me jogar contra amigo, então quero dizer, aqui, hoje , nesse momento como cidadão, a partir de agora, eu estou á disposição de qualquer horário político de rádio e televisão. Qualquer candidato que me der espaço 251


para atuar como cidadão com provas, documentos para mostrar as verdades que a imprensa de Goiás esconde. Eu quero dizer publicamente que estou à disposição seja quem for. Eu não vou pedir voto! Pedir voto eu não vou, mas mostrar as verdades que a imprensa goiana esconde eu faço. Vou pra televisão, pro rádio e faço isso pela primeira vez na minha carreira já que o jogo é esse, eu topo entrar no jogo e quero dizer aqui que,, espontaneamente, gratuitamente, não quero um centavo pra fazer isso todo mundo sabe que se fosse por dinheiro eu aceitaria o dinheiro do Zé Serra nacionalmente um milhão e duzentos! Ou aceitaria o dinheiro, mais de milhões que me ofereceram, nesses quatro anos, pra tudo e pra calar a boca. Então, não tem dinheiro que me compre neste mundo, não existe cor de dinheiro que me compre neste mundo, não tem valor, não tem quantidade que me compre. A única coisa que me resta, e eu morro com ela, é minha dignidade. Mas já que o jogo é esse, como cidadão, eu topo. O candidato que quiser, eu vou pra televisão, pro rádio, pronto! Já que chegaram a esse ponto, eu tava quieto, calado até por questão de saúde, todo mundo sabe disso, eu tava no meu canto, mas tão mexendo comigo, querem briga, querem fazer jogo sujo, me jogar contra amigo, portanto, eu vou entrar no jogo, com uma diferença, eu não vou entrar brincando, eu entro com documento com tudo provado, não entro com minha boca, entro com papel, até porque, se eu não provar, me tiram do ar imediatamente e se quiserem me botem na cadeia, se o que eu falar não for provado, documentado. Portanto, agora estou à disposição. Era isso. Entendam, como esclarecimento ou como desabafo, muito obrigado, espero que tenha sido definitivo”. r

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Às 09h45, do dia 17/09/02, o Procurador Regional Eleitoral, Marco Túlio Oliveira e Silva, entrou em contato com o jornalismo da Rádio K do Brasil, para informar que havia impetrado uma abertura de investigação judicial eleitoral contra o candidato Marconi Perillo, no TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL. A ação foi movida em razão de uso indevido de meio de comunicação social, abuso de poder político e abuso de autoridade. O Ministério Público Eleitoral pediu liminar, determinando a suspensão do privilégio concedido ao candidato MARCONI PERILLO, pela empresa UNIGRAF, no seu jornal DIÁRIO DA MANHÃ, em especial na capa do jornal e nas páginas principais de política daquele meio de comunicação, na forma do art. 22, inciso I, letra “b” da LC nº 64/ 90. E, ainda, conforme a Lei Complementar nº 64/90, pediu a declaração de inelegibilidade do representado (Marconi Perillo) pelo prazo de 03 (três) anos e a cassação do seu registro, como candidato ao governo do Estado de Goiás, segundo art. 22, inciso XIV da Lei Complementar mencionada. A ação pediu-a no valor de 100.000 (cem mil) UFIR, para cada ato de descumprimento da decisão liminar, pela qual deve responder solidariamente o investigado Marconi Perillo, sem prejuízo das responsabilidades penal, civil e administrativa previstas em lei, inclusive o que dispõe o art. 347 do Código Eleitoral.

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Uma entrevista sem cortes, com o jornalista Marcelo Rezende, que é um dos amigos de Jorge Kajuru que mais contribuíram na construção desse patrimônio moral, chamado Rádio K. Marcelo também foi o que mais insistiu na tentativa de convencer o Governador Marconi Perillo a saber conviver com a democracia, a liberdade de imprensa.

Entrevistador: Marcelo, o que se pode relatar mais, além de sua opinião, sobre o primeiro encontro com Marconi Perillo? Marcelo Rezende: O mais importante de tudo, que talvez não tenha em nenhum desses cantos, das coisas que eu li, é dizer o seguinte: que nada que o Marconi fala, ele cumpre. Isso que eu vejo como a síntese da personalidade do Marconi Perillo, de todas as conversas que eu tive com ele. Então, aquilo que falou dos 140 tiros era um arroubo. No fundo, um sujeito que pensa isso, não é que ele vá fazer. O problema não é pensar, é o ódio que carrega na alma. Ele não ia dar um tiro. Até porque ele não tem coragem de puxar um revólver. O que é, na verdade, é a necessidade que ele tem de eliminar o inimigo. Ele não consegue ver as pessoas como adversárias. E, sim, como inimigas. E pra se livrar do inimigo, ele é capaz, num ato falho, de falar em matar. Mas, na verdade, é um ato primitivo dele. Por um motivo simples: isso ficou claro em todas as conversas. Ele não consegue conviver com o controverso. Ele não sabe viver com quem tem a opinião distinta da dele. Então, é muito difícil, pra ele, que ascendeu muito cedo ao poder, com práticas antigas. O Marconi não é um jovem político com práticas modernas. Ele extraiu da política tudo o que a política tem de pior. E uma das questões que a política 262


tem de pior é as pessoas não saberem viver com seus críticos. Elas querem destruir. Um exemplo típico de personalidade, de prática política, o ACM. Ele só enxerga o inimigo. E aí vem o maior traço de coronelismo de Marconi. Ele é tão antigo, no sentido da política, que é pior que o Íris Rezende. O Íris, mesmo quando você combatia a opinião dele, ele era incapaz de querer matar, destruir. Ele queria te convencer nos argumentos ou por algum esquema, mas não pensava em te eliminar, deixá-lo morrer devagarzinho. Já, no Marconi, se revela uma alma muito carregada, literalmente da treva. Marconi é um retrocesso ao processo político e democrático do país. Um jovem que possivelmente vai ter vida longa na política, trazendo todos os esquemas antigos, que nós, brasileiros, cidadãos e democratas, desejamos ver enterrados. O Marconi é o perfil de um Brasil que produz políticos de quinta categoria. O que me espanta é olhar para o povo de Goiás, e não imaginá-lo vendo. Porque tudo é feito na base do assistencialismo e clientelismo. Sempre com promessas. Se dá alguma coisa na época da eleição. Carentes, as pessoas se apegam àquilo como a uma tábua de salvação. É a mais absoluta falta de educação nesse país. Tudo é feito de propósito. No governo Marconi, me chocava assistir a cenas de foguetes, comemorando a chegada da merenda escolar. Fazer festa porque estava alimentando barrigas de crianças. O cúmulo do cúmulo. Em síntese, aquele homem (Marconi), que sentava em nossa frente, é este mesmo homem. O mesmo que se comprometeu, várias vezes, a deixar a Rádio K fazer seu jornalismo de verdade, e nunca cumpriu nada. Muito pelo contrário. Marconi consegue olhar na sua cara, parece estar tudo certo e, por trás, ele está te traindo. Ele foi um aproveitador da minha boa crença. O Juca Kfouri 263


não acreditou nele hora nenhuma. Foi mais sensato e arguto do que eu. Eu acreditei no primeiro encontro. E, talvez por isso, a minha decepção foi maior. A palavra de homem tem um valor muito grande pra mim. Infelizmente, para o Marconi Perillo, palavra não existe. A alma dele é muito feia, é uma alma suja. Porque um homem que dá a palavra dele e não cumpre, ele não merece o perdão de ninguém. Marconi terá que prestar contas a Deus. Um dia há de prestar! Entrevistador: Mesmo assim, você ainda deu a Marconi uma chance de cumprir palavra. Foi quando o governador insistiu e lhe pediu um último encontro, onde pretendia que Ronaldo Caiado, você e outros amigos convencessem Kajuru a ouvi-lo. Marconi queria esquecer tudo, pois tomara conhecimento de que Kajuru, em São Paulo, iria se afastar da Rádio K e você assumiria a direção geral da emissora. Ali, você acreditou em quê? Marcelo Rezende: Ali, mais uma vez, eu acreditei na palavra, porque estávamos na frente, na casa do deputado Ronaldo Caiado. E vou te dizer de antemão. Me espanta também que o Caiado, para manter seu cargo de político, continue unido ao Marconi. E isso é bom botar no livro também. Quem se mistura com porcos come farelo. Ronaldo me parecia transparente. Naquele dia, em sua casa, o Marconi fez uma série de promessas. Como teto daquele lar, ele era um avalista da palavra de Marconi. O Marconi, mais uma vez, não cumpriu. E mais uma vez, acreditei: Não me sinto traído só pelo Marconi Perillo, porque esse me traiu várias vezes, mas me sinto também traído pelo Ronaldo Caiado. Ronaldo acabou se igualando ao Marconi. Quando uma parte não 264


cumpriu, Caiado tinha que vir a público, denunciar e se afastar dessa pessoa. Goiás me ensinou muitas coisas. Principalmente a fraternidade. Tenho grandes amigos em Goiás. A beleza de um povo receptivo. Mas também me ensinou como a política pode ser rasa, como pode, cada político que você olha no olho se transformar num Calabar. Eu me sinto assim. Se eu tivesse que criar um paralelo na história do mundo, eu diria que o Marconi Perillo foi um Calabar. Ele traiu alguém que ele disse que não iria trair. E aí, não é o Jorge Kajuru ou a Rádio K; é, na verdade, a democracia. Marconi não se imagina Deus, ele tem certeza de que é Deus. Íris Rezende também se achava e, um dia, apareceu um Marconi Perillo na vida dele. Eu espero que, na vida do Marconi Perillo, apareça um outro Marconi, só que esse, espero, seja um homem voltado para a democracia, a palavra e, fundamentalmente, para a família. Porque um homem que trata seu semelhante dessa maneira, não gosta de ninguém e, sim, só de seu poder. O dia que este poder escapar de suas mãos, ele vai aprender o que é a vida. Outros já aprenderam. Entrevistador – Você foi dos poucos amigos do Jorge Kajuru que não deu razões para escrever o livro Dossiê K? Marcelo Rezende: – Eu não dou razão, nem tiro a razão. Não julgo. Essa gente não merece o Kajuru, que ficou doente por tudo isso e, na cama, acabou de escrever o livro. Eu não escreveria. Kajuru deveria esquecer essa gente (políticos) na fogueira, um comendo o outro. Sabe por quê? Porque só lá na frente, no futuro, eles vão perceber o quanto a Rádio K era importante, criando parâmetros de discussão. Eles não têm essa visão histórica, porque que265


rem meter a “mão na massa”agora. Têm que consumir tudo agora, num espaço de tempo curto. O Kajuru só vai recuperar o estado de ânimo e a vida, no dia em que rasgar esse livro. Do contrário, vou continuar vendo um amigo doente, cansado, amargurado, sem razão de viver. Enfim, a história do Kajuru já está feita. r

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OBS.: Kajuru respeita o sentimento de Marcelo, como amigo-irmão, em relação a Ronaldo Caiado. Entretanto, Kajuru não se sentiu traído por Ronaldo, que já foi a São Paulo, pessoalmente explicar os motivos de não romper com Marconi e tentar salvar uma reeleição como deputado federal. Kajuru entende, porque, na verdade, por 03 anos e meio, Caiado sofreu todo tipo de retaliação do governador por ter apoiado e protegido o Kajuru. Um erro não pode apagar mais de 10 anos firmados pela lealdade em qualquer circunstância. A Rádio K sempre combateu Caiado politicamente, de forma dura, mas Kajuru nunca deixou de reconhecer sua amizade canina.

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Em Tempo: Antes de imprimir o livro “DOSSIÊ K”, na gráfica, aconteceu um fato: Um segmento da Igreja Católica, com liderança respeitada e moralmente intocável do conhecido Padre Luís Augusto, mostra interesse em arrendar 50% das 24 horas diárias da Rádio K, para mensagem de fé e alto nível de conceito religioso. Kajuru argumenta que, se Marconi ganhar as eleições, poderia entregar a emissora nas mãos dos funcionários, com a direção de Téo José e Charlie Pereira, por 4 anos. Kajuru , nesse caso, ficaria 100% fora do microfone, da administração, e aconselharia os novos ( funcionários) responsáveis pela Rádio K a vender, por 4 anos, essas 12 horas diárias à Igreja Sagrada Família, do Pe. Luís Augusto, por um valor semelhante às nossas dívidas, ou seja, R$ 600 mil reais pagos em 04 parcelas. Assim, a emissora ficaria zerada, e teria uma programação dividida: 12 horas de esportes e 12 horas de religião. Abandonaria o jornalismo, para sobreviver sem perseguições durante 4 anos. Afinal, em Goiás, os Governos não aceitam imprensa livre, especialmente, uma linha de investigação e denúncia embasada-documentada. Então, que, transparentemente, sejam apresentadas duas alternativas. A primeira é simples. Se não pode fazer um jornalismo de verdade, também não faça de mentirinha. Antigamente, com a censura, eram lidas “receitas de bolo”. Agora podemos optar por mensagem de fé e rezar para Goiás se livrar dos coronéis corruptos. Kajuru não permitirá valor acima de R$ 13.000,00 na possível locação de 12 horas diárias à Igreja Sagrada Família. É sabido, no mercado, que, por um aluguel como este, outras igrejas ( como evangélicas) pagariam R$ 50 mil mensais no mínimo. Padre Luís Augusto é amigo da família K e mereceria o privilégio. E a segunda solução, caso Marconi se reeleja, seria Kajuru deixar de vez a emissora e, infelizmente, não voltar a viver em Goiás, seu estado de 267


coração. Se assim o povo goiano decidir nas urnas, até a venda da emissora será admitida. Desde que seja exclusivamente por valores semelhantes às dívidas, hoje acumuladas pela emissora. Jamais com objetivos de lucro, pois um sonho pode até acabar. Mas com dignidade. E na certeza de Kajuru voltar. Quatro anos passam e serão suficientes para consolidar, em São Paulo, sua vida profissional e financeira, podendo adquirir nova emissora em Goiás.

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Dossiê K - Uma História de Corrupção e Truculência - Jorge Kajuru