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EDITO IAL A Revista PARCEIROS surgiu do meu desejo de estender o papel do blog Mergulhando na Leitura na divulgação de novos talentos da literatura brasi­ leira. Autores iniciantes geralmente encontram dificuldades para conquis­ tar espaço no mercado literário, enfrentando, inclusive, resistência por parte de algumas editoras. Como blogueiro há mais de seis anos, sinto uma enorme satisfação em poder contribuir divulgando obras nacionais, levando aos leitores o traba­ lho de escritores talentosos da nossa terra. Nesta primeira edição, temos o jovem e promissor Alma Cervantes, autor do livro policial Se arrependimento matasse; a dedicada Bianca Gulim, autora da trilogia distópica 2323; e também o parceiro Edson Kazienko do Carmo, autor de Meu irmão, meu herói, uma história que se passa durante a Segun­ da Guerra Mundial. Todas as resenhas já foram publicadas no blog (ymaia.blogspot.com) e mostram a minha opinião sincera sobre cada obra. Sempre tive a preocu­ pação de ser verdadeiro nas minhas análises, elogiando quando necessário, mas também apontando os aspectos negativos, pois acredito que as críticas construtivas são essenciais para a evolução de qualquer pessoa, não apenas na literatura. Bom mergulho!


QUEM É ELE? Alma Cervantes é admirador da Língua Portuguesa des­ de a infância e grande fã dos romances policiais de Agatha Christie. Fez sua estreia na literatura com o romance Se Arrependimento Matasse, uma trama recheada de sus­ pense, lançada em 2013 pela Editora Novo Século. A parce­ ria com o blog Mergulhando na Leitura foi firmada em agosto de 2014.


RESENHA

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epois de alguns anos sem se verem, Alex, Alice (um garoto) e Rebeca decidem se reencontrar para matar a saudade e colocar o papo em dia. Os pais de Alex são proprietários de um hotel e, para os três amigos, não havia lugar melhor para uma ocasião tão especial. Charles e Vera, donos do hotel, se organizavam para receber um convidado que poderia ser a solução para os problemas financeiros os quais enfrentavam. Prepararam uma única mesa de jantar para aco­ modar os poucos hóspedes e o investidor que chegaria naquela noite. Por alguma razão, o homem não apareceu, mas o jantar seguiu tranquilamente. Em segui­ da, Alex e seus amigos resolveram jogar pôquer com alguns hóspedes para passar o tempo. Finalizado o jogo, todos seguiram para seus respectivos quartos e foram surpreendidos por uma queda de energia. Quando a luz retornou, um dos empregados alarmou por causa de uma tragédia: o cozi­ nheiro foi assassinado. A tempestade lá fora os impedia de fugir. Além disso, os carros havi­ am sido sabotados. O assassino poderia estar entre os hóspedes e o clima de suspeita aumentava a cada instante. Alma Cervantes é fã de Agatha Christie. A influência desse gosto é facilmente percebida em sua obra, que apresenta algumas semelhanças com relação às características dos perso­ nagens, a ambientação da trama e o próprio estilo de contar a história. Como eu também fa­ ço parte do clube que estende um tapete vermelho para a “Rainha do Crime”, a leitura foi bastante confortável. O assassinato que desencadeia todos os acontecimentos do livro foi uma jogada corajosa, a meu ver. O autor optou pelo mistério acerca da morte de um cozinheiro que estava distante do foco da narrativa. Isso causou um alvoroço positivo e serviu para apimentar a sinopse e instigar os leitores. Funcionou muito comigo. Os elementos­chave para manter o suspense em alta estavam na personalidade forte dos personagens e nas descrições minuciosas, enfatizando toda a tensão proposta no livro. Fi­ quei enfeitiçado com a escrita do autor, que demonstrou segurança do começo ao fim. Sem dúvida, um dos destaques da obra. Desta vez, não tentei adivinhar como a história acabaria. Não fiz a lista de suspeitos, nem levantei hipóteses, pois queria ser surpreendido. O final é coerente e, acima de tudo, chocan­ te. A única coisa que me incomodou foi a monotonia na hora da revelação. Acho que a expli­ cação poderia ter sido mais dinâmica. Leiam esse livro e vocês não vão se arrepender. Alma Cervantes não ficou devendo em na­ da para os nomes consagrados do gênero policial. Mostrou­se uma ótima opção para aqueles que curtem mergulhar em um bom mistério. Fica a dica!


QUEM É ELA? Bianca Gulim tem 27 anos, nasceu e mora em São Paulo. Formada em Administração, com especialização em Recursos Humanos, hoje se dedica totalmente à escrita. Sempre foi leitora voraz de ficção e fantasia, com uma forte tendência a sagas distópicas e vampirescas. Começou a escrever seu primeiro livro – 2323: Sobreviventes do Caos – em 2015, quando descobriu sua vocação para escritora. Já está produzindo o segundo livro da série 2323 e não pretende parar tão cedo. A parceria com o blog Mergulhando na Leitura foi firmada em dezembro de 2016.


RESENHA

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obreviventes do Caos é o primeiro volume da trilogia 2323. O ano é 2222. Um vírus letal varreu a Terra. Após a contração da doença, as pessoas morriam em 72h. Os Estados Unidos desenvolveram uma medicação que controlava os sintomas, mas como a matéria­prima era escassa, o governo decidiu que somente os americanos teriam acesso ao medicamento. A partir disso, os outros países se rebelaram e inva­ diram os Estados Unidos em busca da salvação. Estava instalado o caos. Um ano depois, tudo estava destruído. Damos um salto para o ano de 2323. Agora, a humanidade tenta se reestruturar. Celine cresceu nesse ambiente e, depois de perder os pais, passou a liderar os guerreiros do seu po­ vo. Ela então descobre que os seres humanos são imprevisíveis quando se trata de lutar pela sobrevivência. Em meio a esse caos, a jovem ainda terá que lidar com seus sentimentos à flor da pele, transitando entre o amor e o ódio. Em seu livro de estreia, Bianca Gulim trilhou um caminho que não é mais novidade no mundo literário, mas que eu particularmente adoro: apostou em uma protagonista mulher, forte, determinada e corajosa, dentre outras virtudes. Celine é a heroína e a condutora da história. Aliás, o fato de ser narrada em primeira pessoa torna a obra ainda mais dela. Sim, amigos, ela é a dona do jogo! Líder de seu povo, a guerreira tinha tudo para cair na caricatura. Celine poderia, de fato, existir na vida real? Eu me fiz essa pergunta no decorrer do livro e cheguei à conclusão de que o perfil dela foi desenhado bem próximo da realidade. Ela se despiu da armadura de “mulher de ferro” em alguns momentos do livro, deixando à mostra suas inseguranças e medos. Acontece que, por já ter sofrido muito, ela considera o ataque a sua melhor defesa, então, suas atitudes são compreensíveis. Somente um grande amor poderia desarmá­la. Desde o começo, senti que havia uma grande tensão entre Celine e Max, que certamente iria se desenvolver nos capítulos seguin­ tes. E assim foi. A autora foi mesclando cenas de lutas e embates, que perpassaram boa parte do livro, com algumas partes bem quentes envolvendo o casal citado, sem ser apelativa e vulgar. Bianca tem uma escrita muito correta e agradável. Ela utiliza uma linguagem simples e não faz a menor cerimônia quanto ao uso de palavrões nas falas dos personagens. De um modo geral, a leitura foi prazerosa. O finalzinho do livro deixou um gancho para a continu­ ação da trilogia, além de ter sido uma grande surpresa. Como ponto negativo, eu destaco o motivo dos conflitos entre os grupos rivais, que foi se perdendo no meio da história. Senti falta de uma razão mais consistente para tantas lutas. Eu esperava que houvesse alguma relação com o vírus letal citado no prólogo, mas este aca­ bou servindo apenas para contextualizar a trama. Agora, resta saber como a história vai se desenvolver no segundo livro. Estou confiante


QUEM É ELE? Edson Kazienko do Carmo nasceu em Guarani das Missões ­ RS, mas vive atualmente em Foz do Iguaçu ­ PR, onde formou­se em Educação Física e trabalha como professor e escritor. Meu irmão, meu herói, publicado em 2016 pela Editora Multifoco, através do selo Dimensões Ficção, é o livro de estreia do autor. A parceria com o blog Mergulhando na Leitura foi firmada em julho de 2016.


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stefano e Alexandre são dois irmãos que ficaram órfãos na Se­ gunda Guerra Mundial quando Hitler invadiu a Polônia e des­ truiu milhares de famílias. Movidos pela esperança e pela inocência, eles vão à procura de um tio que vive em uma cidade que fica a mais de 400 quilômetros de onde eles estão. Os irmãos encontram pelo caminho algumas pessoas que tentam ajudá­los ou machucá­los. No fim das contas, o que seria uma longa jornada para encontrar um parente distante, acaba se transformando em uma luta pela sobrevivência. O prefácio da obra situa os leitores. O autor faz um resumo sobre as atrocidades da Se­ gunda Guerra para contextualizar e encorpar a trama. Além disso, Kazienko pontua ques­ tões muito interessantes como a importância do amor e da família, principalmente nos momentos de dificuldades. A história é narrada em primeira pessoa pelo velho e sofrido Alexandre Kamarks. Apesar de não se lembrar das atividades que realiza corriqueiramente, o personagem tem recorda­ ções muito nítidas sobre os horrores da guerra. Cheguei a levantar a hipótese de que ele so­ fre de Alzheimer, pois ter essas lembranças do passado é uma das características da doença. Durante uma reunião familiar, ele resolve abrir o jogo com todos. A plateia é formada pela esposa, filhos e netos. Vocês se lembram do filme Titanic? É um flashback bem parecido com aquele. A volta do protagonista à infância preenche todo o livro. Acredito que o resultado seria mais interessante se o autor tivesse intercalado a narrativa do passado com a do presente, até para dar uma função aos parentes do personagem princi­ pal, que só foram citados no início e no fim do livro. Assim, o leitor também acompanharia as reações deles com o que estavam ouvindo. Acho que isso tornaria o relato mais humani­ zado e emocionante. O clima da história é bem pesado, mas Kazienko soube quebrar essa densidade do livro. Os dois irmãos sofrem muito durante a saga para encontrar o tio, mas também encontram pelo caminho pessoas acolhedoras. Em alguns momentos, é possível esquecer aquele con­ texto de guerra e embarcar nas aventuras dos personagens. O ritmo do livro também é algo que vale a pena destacar. Adrenalina pura! Outro ponto positivo é a divisão dos capítulos. É que eles têm vida própria, ou seja, apresentam início, meio e fim, delimitando os acontecimentos que formam o todo da obra. Isso facilita bastante a vida do leitor, que pode dividir a leitura em blocos para absorver a história aos poucos. Agora, vamos falar sobre os aspectos negativos. Primeiramente, o livro merece uma revi­ são, pois há erros graves de português. Além disso, o texto tem frases e parágrafos muito longos e o autor abusa das vírgulas – eu sou apaixonado por ponto final e orações curtas, pois fazem a leitura fluir melhor. No mais, achei o mergulho maravilhoso. Deem uma chan­ ce ao livro de Kazienko e à literatura nacional.


“A LITERATURA NACIONAL CONTEMPORÂNEA TEM CRESCIDO MUITO E COM MUITOS ÓTIMOS AUTORES. OS LEITORES TAMBÉM TÊM DADO MAIS ATENÇÃO A ELES! MUITO SE DEVE À PAIXÃO DOS BLOGUEIROS NO QUE FAZEM”

“HOJE, VEMOS MAIS AUTORES NACIONAIS DO QUE ANTIGAMENTE, PORQUE O ESCRITOR NÃO DEPENDE MAIS DE EDITORA PARA PUBLICAR SUAS OBRAS”

“NÃO HÁ SENSAÇÃO MELHOR QUE VER O QUE VOCÊ TANTO LUTOU E BUSCOU SE TORNANDO REALIDADE, E AINDA MAIS QUANDO O QUE VOCÊ FEZ TOCOU E EMOCIONOU PESSOAS QUE VOCÊ SEQUER CONHECIA”


Revista Parceiros - Ed.01 | Agosto de 2017  

A "Revista Parceiros" é um projeto idealizado pelo blog "Mergulhando na Leitura" para divulgar escritores nacionais.

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