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REVISTA MERCOFRIO - Nº 36 / 2008

Editorial

Mercofrio 2008 SEDE RS Rua Arabutan, 324 Navegantes - Porto Alegre / RS CEP 90240-470 fone/fax (51) 3342-2964 / 3342-9467 / 9151-4103 E-mail: asbrav@asbrav.org.br site: www.asbrav.org.br ESCRITÓRIO REGIONAL DE SANTA CATARINA E-mail: asbravsc@asbrav.org.br ESCRITÓRIO REGIONAL DO PARANÁ Rua Imaculada Conceição, 1155 (PUC/PR) Prado Velho, Curitiba / PR CEP 80215-901 fone (41) 3334-4810 E-mail: asbravpr@pucpr.br DIRETORIA EXECUTIVA Presidente: Eduardo Hugo Müller 1o Vice-presidente: Luiz Carlos Petry 2o Vice-presidente: Mário Alexandre Möller Ferreira 3o Vice-presidente: Maurício Fernandes Barbosa de Carvalho Secretária: Janaina dos Santos Costa Tesoureiro: Luiz Afonso Dias Diretor Administrativo-Financeiro: Luiz Afonso Dias Diretor de Comunicação e Marketing: Carlos Lima Diretor de Desenvolvimento Associativo: Leonardo Krewer Diretor de Desenvolvimento Empresarial: Bolivar Peres Fagundes Diretor de Ensino e Treinamento: Paulo Otto Beyer Diretor de Integração Regional: Marcelo Accurso Diretor de Relações com o SENAI: Sérgio Helfensteller Diretor de Relações Externas: Mário Alexandre Möller Ferreira Diretor Grupo Setorial Instaladores: Sidnei Andrade dos Santos Diretor Grupo Setorial Refrigeração: Adão Webber Lumertz Diretor Técnico: Paulo Fernando Presotto Diretora Social: Hani Lori Kleber Diretor Escritório Regional de Santa Catarina: Marcelo Deschamps Diretor Escritório Regional do Paraná: Nathan Mendes CONSELHO DELIBERATIVO Presidente: Telmo Antonio de Brito Titulares: Bolivar Peres Fagundes, Christian Fischer Voiciechovski, Eduardo Edmundo Kley, Hani Lori Kleber, José Claudio Guazzelli, José Rocamora, Marcelo Costi Pereira, Robinson Carasai. Suplentes: Flávio Ribeiro Teixeira, Oto Renner, Ricardo Vaz de Souza COMITÊ ASBRAV DO PGQP Presidente: Bolivar Peres Fagundes Coordenador Geral: Marco Cesa Coordenador de Capacitação: Marcelo Costi Pereira Coordenador de Avaliação: Ademir Silva Secretária Executiva: Telma Rosa CONSELHO EDITORIAL Adão Webber Lumertz, Arivan Zanluca, Bolivar Fagundes, Carlos Eduardo Ribeiro, Carlos Leon, Cesar De Santi, Eduardo Hugo Müller, Fernando Cunha, Hani Lori Kleber, João Carlos Antoniolli, João Carlos Schmitt, José Algusto Castro Chagas, Luiz Alberto Hansen, Luiz Carlos Petry, Mário Alexandre M. Ferreira, Maurício Carvalho, Marcelo Deschamps, Nathan Mendes, Paulo Fernando Presotto, Paulo Otto Beyer, Paulo Renato Perez dos Santos, Roberto Schmidt, Tatiana Bertolini e Teimo Antonio de Brito.

Abrimos o ano com muitas novidades. A principal e mais importante é a realização do Mercofrio 2008, que este ano acontecerá no ExpoCuritiba, na capital paranaense. A Feira e o Congresso marcarão o mês de setembro no calendário do setor HVAC-R. O grande diferencial do evento será o Salão de Negócios, que possibilitará que muitas negociações sejam concretizadas. Nesta edição, a revista Mercofrio traz a cobertura do lançamento, que ocorreu em janeiro. Além disso, a revista trata como ma-

téria de capa a importância da refrigeração no mercado de frutas, e mostra o caminho que percorre a fruta até chegar à mesa do consumidor final. Como Obra Destaque, o IL Campanario Villaggio Resort, em Jurerê Internacional. Trazemos também uma matéria sobre as recolhedoras de CFC que chegarão este mês na região Sul. Para completar o artigo técnico mostra em detalhes o sistema evaporativo. Boa Leitura.

Índice

Eduardo Hugo Müller Presidente da ASBRAV

CAPA: JOÃO MARTIMBIANCO FOTOS: STOCK.XCHNG

06 Mercado & Profissionais 08 Aconteceu Cursos & Eventos 09 CFC 10 Frutas - Ciclo de Vida 13 Obra Destaque 16 Artigo Técnico

REVISTA

IL Campanario Villaggio Resort A Revista MERCOFRIO é a publicação oficial da ASBRAV, com periodicidade bimestral. Edição e comercialização: RNM Editora Rua Eça de Queiróz, 576, Petrópolis, Porto Alegre-RS CEP 90670-020 - Fone/Fax: (0xx 51) 3028-5614 Diretor Geral: Eduardo Antônio Marques Diretor Comercial: Tiago de Macedo Marques, com.mercofrio@plugin.com.br Jornalista Responsável: Ana Paula Baldoino - Reg. 6142 DRT/RS Redação: anapaulabaldoino@terra.com.br Editoração: Novas Artes - www.novasartes.art.br As matérias assinadas são de responsabilidade de seus autores, e não refletem necessariamente a opinião da ASBRAV e da RNM Editora.

IMAGEM ILUSTRATIVA


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Mercado & Profissionais Armacell inaugura centro de distribuição no Nordeste

A Armacell inaugurou, em fevereiro, o Centro de Distribuição no Nordeste, o Jaune Abril. Situado na região metropolitana de Recife, o Centro tem como meta atender as regiões Nordeste e Norte do País, com uma maior aproximanção dos empresários do setor de HVAC, facilitando a logística e propiciando maior agilidade nas entregas. A concretização do novo Centro faz parte do plano estratégico da empresa, que vem registrando índices médios de crescimento anual ao redor de 30%. Fabricante de isolamento térmico em espuma elastomérica, a empresa está presente no mercado latino-americano desde 1995 através de suas fábricas da Europa. Em 2001, a empresa fundou sua unidade no Brasil e iniciou sua produção local em setembro de 2002. Na seqüência, a Armacell Brasil assumiu a distribuição para o Mercosul. A Armacell nasceu da Divisão de Isolamentos da Armstrong World Industries, que iniciou suas atividades em 1860, como fábrica de cortiça na cidade de Pittsburgh, Estado norte-americano da Pennsylvania. Hoje, registra faturamento mundial superior a 400 milhões de Euros e conta com 20 fábricas distribuídas em 13 países (Austrália, Alemanha, Bélgica, Brasil, Espanha, Estados Unidos, China, Índia, Inglaterra, Itália, Polônia, Suíça e Tailândia), que garantem a distribuição para os demais países.

Consulta Pública NBR 6401 A ABNT informa que os projetos - 55:002.03001 - Instalações de Ar Condicionado - Sistemas centrais e unitários: • Parte 1 - Projeto das instalações; • Parte 2 - Parâmetros de Conforto térmico; • Parte 3 - Qualidade do ar interior, que cancela e substitui a NBR 6401:1980, estão em Consulta Pública até o dia 22/04/08. Participe da votação pelo site www.abntnet.com.br/consultanacional/

Springer comemora 2007 A Springer Carrier, empresa pertencente ao grupo United Technologies Corporation comemora os resultados de 2007. Detentora das marcas Springer, Carrier e Toshiba Ar Condicionado (entre outras), a empresa acompanhou o bom desempenho do mercado que teve um crescimento de 23%. Em volume de vendas, a Carrier apresentou um aumento de 30% em relação a 2006. Além disso, a Empresa figurou como destaque nas principais premiações brasileiras em 2007. Durante este período, a empresa conquistou oito prêmios em setores diferenciados como uso racional de energia, hospitalar e design, além de conquistar pela terceira vez seu lugar entre as 150 melhores empresas para se trabalhar no Brasil, pelo Guia Você S/A Exame 2007. A empresa obteve primeiro lugar no “Prêmio Nacional de Conservação e Uso Ra-

cional de Energia”, concedido pelo Ministério de Minas e Energia. O prêmio, existente desde 1993, visa incentivar a adoção de medidas efetivas para a redução do consumo de energia e o combate ao desperdício nas empresas. Contemplada na categoria Fornecedores Infra-Estrutura (sistema de ar condicionado) no “Prêmio Top-Hospitalar”, maior e mais importante prêmio no setor médico-hospitalar do País, a Carrier também foi premiada em todas as categorias de ar condicionado na “Top of Mind da Casa e Mercado”, que premia as empresas mais lembradas por profissionais de arquitetura e decoração. Já no “Top Marcas – Projeto Design 2007”, onde as marcas mais fortes na memória dos arquitetos são prestigiadas, a Carrier foi vencedora na categoria ar condicionado (central, split e janela).

Heatcraft tem novo distribuidor no sul do país A Heatcraft do Brasil, empresa multinacional de refrigeração, conta com mais um distribuidor no Brasil. Inaugurada em 01 de fevereiro, a loja Refrimello de Joinville-SC, desenvolve projetos e oferece os produtos da McQuay e Flexcold, marcas pertencentes a Heatcraft. Com tradição no mercado de refrigeração industrial e comercial, a Refrimello, que abriu a primeira loja há 10 anos, em Curitiba-PR, é parceira da Heatcraft desde 2004, quando se tornou instalador credenciado. Para mais informações consulte o site www.refrimello.com.br.

Polipex prepara terreno para produzir K-Flex no Brasil Segunda maior importadora da borracha elastomérica K-Flex em países sem fabricação própria, a Polipex Ind. e Com. Ltda. prossegue as obras, iniciadas em outubro último, e que até meados de 2009 deverão duplicar sua capacidade de estocar esse isolante térmico e também a espuma de polietileno de baixa densidade expandida, item que produz há 17 anos em São José (SC). Com recursos próprios, seus atuais 7.650 m² construídos estão sendo aumentados em cerca de 50%, o que inclui a remodelação dos espaços dedicados às atividades de lazer e descanso dos seus funcionários, e a ampliação para quase 50 mil m³ na área reservada aos produtos em estoque, a fim de continuar garantindo fornecimento com pronta-entrega no mercado

brasileiro, além de atender as emergências de abastecimento do Mercosul, Chile e Bolívia. Parte dessas novas instalações terão ainda plenas condições de abrigar a primeira unidade local produtora de K-Flex, material a cada ano mais consumido no País e que, a partir de 1999, passou a ser importado da Itália e distribuído pela Polipex com exclusividade para o Brasil. Outra novidade da empresa é a criação de um centro de distribuição no Nordeste, onde o HVAC-R ainda tem dificuldades logísticas para se abastecer de mantas e tubos isolantes, problemas que a Polipex pretende reduzir em muito, já no primeiro trimestre de 2008, ao manter estoques consideráveis e permanentemente disponíveis também naquela região.


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Aconteceu

Cursos & Eventos

Lançamento Mercofrio 2008

CURSO DE PÓS-GRADUAÇÃO AO NÍVEL DE ESPECIALIZAÇÃO EM CLIMATIZAÇÃO E REFRIGERAÇÃO NA UFRGS Inscrições abertas para a terceira turma do curso Informações e inscrições: www.mecanica.ufrgs.br/cliref

A ASBRAV e a Hannover Fairs Sulamérica, empresa do grupo Deutsche Messe AG, lançaram no dia 23 de janeiro em Curitiba, o Mercofrio 2008 - Feira e Congresso de Ar Condicionado, Refrigeração, Aquecimento e Ventilação do Mercosul. A 6ª edição do evento acontecerá de 10 a 12 de setembro no ExpoCuritiba e reunirá entre seus expositores as maiores empresas do setor do país e representantes de marcas internacionais. Os organizadores do Mercofrio, realizado a cada dois anos, projetam um crescimento de 10% para 2008. A última edição do evento, realizada em Porto Alegre, atraiu um público de 7 mil visitantes profissionais, entre engenheiros, distribuidores, compradores, executivos do setor e também público consumidor. O

Mercofrio conta também com a participação de expositores e visitantes da Argentina, Chile, Equador, Peru, Uruguai, Paraguai, Venezuela, entre outros países. O Congresso, com início no dia nove de setembro, reunirá importantes nomes nacionais e internacionais. Entre os principais temas a serem abordados nesta edição estão “Economia de Energia”, “Fontes Energéticas Alternativas” e “Prédios Verdes (Green Buildings) – Evolução Brasileira e Estudos de Casos Internacionais”. Além das palestras, o evento ainda promove debates, cursos técnicos. Para este ano, a grande novidade será o salão de negócios. Um grande atrativo aos expositores, que terão oportunidades de negociarem direto com o consumidor final. Na edição de 2006, em Porto Alegre, o Mercofrio bateu recorde de lançamentos, com 60% dos 72 expositores apostando no potencial do evento. Os organizadores do Mercofrio projetam um crescimento igual ou superior para 2008, buscando ainda ampliar o número de negócios diretos, que em 2006 atingiu a marca de R$ 60 milhões.

CHAMADA DE TRABALHOS PARA O CONGRESSO Participe deste importante evento, apresentando resultados de pesquisas científicas e desenvolvimentos tecnológicos, assistindo palestras de alto nível, contatando pesquisadores de sua área de atuação e visitando a feira onde estarão expostos os mais recentes desenvolvimentos de HVAC-R, tudo na hospitaleira e dinâmica Curitiba. Informe-se na página da ASBRAV http://www.asbrav.org.br/Mercofrio.htm Os resumos devem ser enviados por e-mail para mercofrio2008@asbrav.org.br

CURSO INSTALAÇÃO DE SPLIT 1ª Turma 2008 Início: 10/03 2ª Turma 2008 Início: 21/07 Carga horária: 60 horas Horário: 2ª, 3ª,4ªe 5ª das19h às 22h CURSO MECÂNICO DE REFRIGERAÇÃO E AR CONDICIONADO 1ª Turma 2008 Início: 14/04 2ª Turma 2008 Início: 25/08 Carga horária: 120 horas Horário: 2ª, 3ª e 4ª das19h às 22h NR 10 - SEGURANÇA EM INSTALAÇÕES E SERVIÇOS EM ELETRICIDADE Formação de nova turma a partir de adesão Curso Básico 40 horas 10 encontros de 4 horas. CURSOS ASBRAV DE ATUALIZAÇÃO PROFISSIONAL E DE GESTÃO Informe-se do calendário na secretaria da ASBRAV. INFORMAÇÕES: ASBRAV (51) 3342 2964 / 3342 9467 e-mail: asbrav@asbrav.org.br Site: www.asbrav.org.br


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CFC

Ministério do Meio Ambiente e PNUD distribuem máquinas recolhedoras O Programa Brasileiro de Eliminação da Produção e do Consumo das Substâncias que Destroem a Camada de Ozônio - coordenado pelo Ministério do Meio Ambiente e implementado pelas agências multilaterais internacionais PNUD e UNIDO, e também pela agência de cooperação bilateral alemã, GTZ - continua a distribuição de máquinas recolhedoras de fluidos refrigerantes. A maioria dos aparelhos domésticos de refrigeração produzidos até 1999 utiliza o gás CFC-12 como agente refrigerante. Quando estes equipamentos passam por manutenção, o gás deve ser recolhido e regenerado para evitar que seja emitido na atmosfera. Com o objetivo de facilitar e estimular o recolhimento destes gases, as últimas máquinas recolhedoras portáteis compradas pelo PNC serão distribuídas nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná e Pernambuco, entre os meses de fevereiro e abril de 2008. Entre março e abriu as máquinas recolhedoras serão distribuídas nas cidades de Porto Alegre, RS e Curitiba, PR. A fim de ampliar o número de beneficiados pelo Programa, o Ministério do Meio Ambiente

lançou uma nova Portaria (nº 24/2008), incluindo prefeituras, ONGs e outras instituições que possuem equipamentos de refrigeração e ar condicionado no projeto de distribuição de máquinas recolhedoras, que inicialmente só contemplava empresas de serviços. Para receberem os equipamentos, as empresas e/ou entidades devem candidatar-se ao seu recebimento junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento – PNUD. As empresas candidatas precisam atender aos seguintes critérios: estarem registradas no Cadastro Técnico Federal do IBAMA e terem um técnico treinado em Boas Práticas em Refrigeração. Os gases contaminados recolhidos podem ser enviados aos centros de regeneração para correta destinação final. Já estão em operação dois centros no Brasil: um em Osasco e outro no Rio de Janeiro. Em abril, um novo centro de regeneração será aberto na cidade de São Paulo e, até agosto de 2008, dois novos centros serão implementados: um em Porto Alegre e outro em Recife. As demais unidades federativas receberão unidades descentralizadas de reciclagem. As unidades de regeneração purificam o gás

contaminado, deixando-o em condições de reuso semelhantes às dos gases novos. Todo o processo de regeneração é conduzido em equipamentos importados de última geração e têm seu controle de qualidade atestado por laboratório, instalado dentro do mesmo centro de operações. O gás purificado, então, retorna para os equipamentos de refrigeração ou ar condicionado, completando o ciclo de contenção dos CFCs . Por sua vez, as máquinas recolhedoras são portáteis e têm capacidade para recolher os gases R-12, R-22, R-134a e blends (misturas de HCFCs). Fonte: Ministério do Meio Ambiente

INFORMAÇÕES: Secretaria da ASBRAV em Porto Alegre RS Centralizando inscrições do RS, SC e PR Fones (51) 3342-2964 / 3342-9467 / 9151-4103 E-mail: asbrav@asbrav.org.br Site: www.asbrav.org.br Unidade de Implementação e Monitoramento do PNUD em Brasília DF Fones (61) 3038-2014 / 3038-1096 - Fax (61) 3038-1099 E-mail: recolhedoras@undp.org.br Site: www.protocolodemontreal.org.br


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Frutas - Ciclo de Vida

A união fundamental da refrigeração na produção de frutas Nos últimos 25 anos, com novas aplicações de refrigeração na produção e distribuição de frutas e uma automação e controle mais precisos, o mercado evoluiu e hoje garante ao consumidor final mais qualidade e variedade de produtos

Caixas de mamão climatizadas em câmara fria

Quando o consumidor compra uma fruta no ponto-de-venda, normalmente não tem a completa noção do caminho que esse alimento percorreu antes de chegar a sua mesa. É um percurso longo e cheio de detalhes, que possibilita que as frutas permaneçam mais tempo aptas para o consumo garantindo um período maior de oferta ao consumidor. E nesse caminho a refrigeração tem papel fundamental. “Não se pode usar a palavra fruta, sem a refrigeração, para se explorar o mercado de frutas é indispensável a refrigeração”, diz Agenor de Melo Viana, diretor da Presto Serviços, empresa de refrigeração focada no mercado de frutas. Segundo Viana, isso não

acontecia há 25 anos, quando o sistema para a conservação da banana, por exemplo, era através do aquecimento. “Como o amadurecimento era feito através do aquecimento da fruta, tipo um cozimento; a fruta durava poucas horas nas prateleiras dos supermercados, em seguida já começava a soltar a calda e ficava imprópria para o consumo”, completa. Atualmente o processo é sofisticado e requer desde a higienização das caixas que irão transportar as frutas, até as câmaras frias que farão a conservação do produto. Assim depois do caminhão estar carregado com as caixas a serem cheias, na outra ponta começa o corte das frutas no pé. Uma cadeia que até chegar à prateleira do supermercado o

prazo médio no Brasil é de 15 dias. Cada tipo de fruta tem uma cadeia do frio particular. A banana se utiliza da refrigeração para o amadurecimento e a conservação, mas não dura mais de 20 dias depois de colhida. Algumas, exigem o caminhão frigorífico quando transportadas, como é o caso da maçã e pêra, que chegam a durar de uma safra a outra, quando conservadas climatizadas. REFRIGERAÇÃO, CLIMATIZAÇÃO E CONSERVAÇÃO

Apesar das características variadas da frutas, contudo o segredo é o mesmo. “O ponto chave da conservação de frutas está nas altas umidades e na manutenção do ponto de or-


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Frutas - Ciclo de Vida valho durante o processo da cadeia do frio”, diz Viana. “em geral as frutas têm em sua composição 97% de água. Sendo assim, durante o seu cultivo é importante que ela mantenha essa umidade. E a manutenção da umidade está diretamente proporcional à rentabilidade, pois o vendedor de frutas recebe por quilo e se as frutas secarem diminui o peso, o que representaria um prejuízo de 10% apenas com a diminuição do peso”, diz Viana. Dando como exemplo a banana, que segundo Viana é uma das frutas mais difíceis de se manejar. A fruta chega ao distribuidor, que a coloca na câmara fria para climatizá-la.

Gerador de energia

Quando desejar que essa banana entre em processo de amadurecimento, se começa a utilizar gás etileno dentro das câmaras por 5 ou 6 dias para deflagrar o amadurecimento, Durante este processo a fruta libera dentro da câmara frigorífica CO². “Vinte toneladas de banana chegam a liberar 30.000ppm de CO² durante o processo de amadurecimento”, diz Viana. Sendo que o gás carbônico em níveis normais é de 500-600ppm. “Quando o amadurecimento se completou o distribuidor ainda poderá colocar a fruta em uma câmara frigorífica para a conservação por mais alguns dias”, completa Viana. “A banana climatizada hoje chega a durar 20 dias, quando climatizada a 16-18 ºC, com umidade de 9095%. Para conservá-la depois de climatizada a temperatura ideal é de 12 a 13ºC, com umidade de 90-95%”. O manejo de frutas requer conhecimento e uma logística grande, pois um grande distribuidor precisa de diversas câmaras para garantir a entrega programada das frutas, caso contrário toda a produção amadureceria jun-

Câmaras Frias

to. A Nikita, uma das maiores distribuidoras de banana, mamão e uva do Brasil, tem 16 câmaras frias que trabalham alternadamente para garantir frutas de qualidade ao consumidor. “Com todo esse processo podemos garantir frutas por mais tempo, não apenas as frutas da estação”, diz Luciano Lima Medeiros, diretor da Nikita, que coordena através de programas de controle a temperatura de todas as câmaras frias que distribuem 500 toneladas/ mês de frutas. Segundo Márcio Bueno, engenheiro agrônomo e vice-presidente de assuntos técnicos da Agapomi - Associação gaúcha dos produtores de maçã, a cadeia da maçã começa quando estas chegam ao Packing House


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Frutas - Ciclo de Vida local onde será processada (armazenamentoclassificação-embalagem). “Na entrada (recepção) é feita uma amostragem da carga para definir o perfil da fruta (defeitos, calibres, açúcar e pressão) dependendo deste resultado terá um destino a seguir. Passando pela recepção sobre um pré-resfriamento para diminuir a temperatura com que chega do campo (água ou câmara fria)”. “Dependendo do perfil esta fruta pode ser armazenada diretamente em câmaras frias e estas podem ser de Atmosfera Normal ou Controlada”, diz Bueno. “Na atmosfera normal trabalhamos com temperaturas baixas para conservação da fruta e UR. Na atmosfera controlada, além da tempe-

Painel de controle das câmaras frias

ratura controlamos os gases como oxigênio, gás carbônico e etileno”. A maçã tem 15% de sua produção total exportada, com exportações que vão de fevereiro até julho. O restante fica no mercado interno na comercialização in natura (75%) e industrialização (10%). A conservação da maçã depende da variedade a ser trabalhada. “No Brasil trabalhamos com duas variedades: Gala e seus clones modernos e Fuji e seus clones modernos. A gala resiste a um período menor de conservação normalmente 5 meses em atmosfera normal”, diz Bueno. “A Fuji resiste a um período maior de conservação normalmente 8 meses em atmosfera controlada”. Claro que todo esse processo garante um aumento de produtividade, mas também tem altos custos de energia, que são contornados por geradores próprios e demanda comprada diretamente com a CEEE. Apesar de todo essa complexidade, não existem no mercado muitos equipamentos específicos para a conservação e refrigeração de frutas. “Até hoje no Brasil ninguém se especializou em climatização de frutas”, diz Viana. “Nor-

malmente, quem precisa, utiliza equipamentos do mercado frigorífico (0 a - 20ºC), o que é completamente diferente do que as frutas necessitam, que giram em torno de 1618ºC e o mais importante com baixíssimo ponto-de-orvalho, 7ºC”. No mundo, a Holanda é o país que atualmente tem a maior especialização neste setor.


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Obra Destaque

IL Campanario Villaggio Resort Uma das mais badaladas praias de Florianópolis, Jurerê Internacional, receberá em breve um empreendimento de alto padrão com 288 apartamentos, garantindo mais uma opção para os veranistas IMAGEM ILUSTRATIVA

Com 44.132m² de área total, o IL Campanario Villaggio Resort é um empreendimento que conta com plantas diferenciadas de acordo com a necessidade de cada proprietário ou hóspede. O projeto arquitetônico conta com 288 apartamentos, Club House, Fitness Center, salas de entretenimento, áreas de serviços, bares e restaurante, salas comerciais e piscina térmica. Sendo assim, o desafio da SPM Engenharia era climatizar um total

de 13.700 m², levando em consideração que cada espaço tem suas peculiaridades e necessidades. O projeto do ar condicionado foi desenvolvido de maneira modular, prevendo-se as seguintes fases de implantação: 1ª Fase- Torres de apartamentos 2 e 4 + Club House + Piscina Térmica + Fitness Center e 2ª Fase (fase final) -Torres de apartamentos 1 e 3. Para as áreas de serviços adicionais (torres 1 e 3) localiza-

das nos pavimentos térreos das torres de apartamentos foram previstos pontos de alimentação e retorno de água gelada. Para um projeto tão minucioso, foi necessário um sistema de água gelada, com 3 grupos com capacidade unitária de 200 TR, totalizando 600TR. Além de aquecedores de água, com capacidade unitária: 800.000 kcal/h (combustível: óleo diesel). “O sistema é composto por uma central de preparação de água gelada e água


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Obra Destaque DIVULGAÇÃO PROTÉRMICA

quente, com grupos de água gelada com condensação a água. A preparação de água quente para todas as utilidades é centralizado, o que possibilitou a racionalização do dimensionamento dos geradores de água quente devido a grande diversidade de utilização dos pontos de atendimento (água quente de consumo, aquecimento dos apartamentos, aquecimento de água, climatização da piscina térmica e aquecimento de água das piscinas externas)”, comenta Vitório Presotto, DIVULGAÇÃO PROTÉRMICA

da SPM Engenharia. A partir da central de geração de água quente será possível o aquecimento de todas as piscinas do hotel: piscina térmica (adulto e infantil); piscina externa adulto 1; piscina externa adulto 2 e piscina externa infantil. A piscina térmica climatizada é dotada de sistema de aquecimento e desumidificação do ar ambiente a partir do controle de captação de ar exterior em função da umidade do ambiente. Além disto, o insuflamento de ar acontece jun-

to ás áreas envidraçadas para evitar a condensação de vapor de água nas mesmas. “O sistema prevê ainda, que parte das cargas térmicas de condensação, estejam disponíveis para contribuir com o aquecimento da água das piscinas externas, sempre que houver demanda de frio pela instalação de climatização e necessidade de uma pequena elevação da temperatura das piscinas”, diz Presotto Todo o sistema de controle e monitoramento da instalação é automatizado. “A


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Obra Destaque IMAGEM ILUSTRATIVA

instalação será controlada, operada e supervisionada pelo sistema de controle automatizado conforme especificações e desenhos do projeto”, completa Presotto. Outro diferencial do projeto é a renovação de ar dos 288 apartamentos. “O sistema de ar exterior dos apartamentos é pressurizado, possibilitando a efetiva renovação de ar tratado nos mesmos”. DIVULGAÇÃO PROTÉRMICA

FICHA TÉCNICA Incorporadora: Habitasul Empreendimentos Imobiliários - Gerenciadora: Concremat Engenharia - Construtora: Método Engenharia - Instaladora Predial: Selten - Instaladora de Ar Condicionado: Protérmica - Sistema de Automação: Johnson Controls - Tubulações: Skytubos - Chillers / UTA / Facoils: York - Torres de resfriamento: Annemos - Motobombas: Worthington - Trocadores de Calor: APV - Geradores de Água Quente: Broilo - Exaustores e Ventiladores: Projelmec - Coifas Principais: Vilenox - Valvulas: Tour & Andersson Difusores de Ar: Trox e Tosi - Atenuadores: Isonar - Projeto do Sistema de Ar Condicionado: SPM Engenharia - Projeto Acústica: Akkerman - Projeto Automação Predial: Jugend - Administradora de Condomínio e Hotelaria: Jurerê Praia Hotel.


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Artigo Técnico

RESFRIAMENTO EVAPORATIVO DE AR 1- O QUE É: Genericamente, resfriamento evaporativo ocorre quando algum meio ou produto cede calor para que a água evapore. A evaporação de um líquido qualquer é um processo endotérmico, isto é, demanda calor para se realizar. Esta transferência de calor pode ser forçada (quando fornecemos o calor) ou induzida (quando criamos condições para que o produto retire calor do meio). Um exemplo bastante conhecido de resfriamento evaporativo é a Torre de Resfriamento, pois nela uma parcela de água é induzida a evaporar, retirando calor da água remanescente, que se resfria por ceder este calor. No resfriamento evaporativo de ar, o mesmo princípio é utilizado: o ar cede energia (calor) para que a água evapore, resultando numa corrente de ar mais fria à saída do resfriador. A maneira como induzimos esta troca de calor está melhor explicada no item 3. 2- HISTÓRIA: Na verdade, o homem já utiliza o resfriamento evaporativo há muito tempo. Afrescos do antigo Egito (2500 AC) mostram escravos abanando jarros (de paredes porosas) com água, para resfriar o conteúdo. Isto é feito ainda hoje em dia (sem os escravos, é claro) nos filtros e bilhas de barro cozido. Uma fração da água armazenada evapora através da parede do vaso, resfriando o líquido remanescente. Na Roma antiga e na Idade Média, reservatórios de água com paredes umidificadas foram utilizados. A genialidade de Leonardo Da Vinci levou-o a idealizar um resfriador evaporativo em forma de roda d’água. 3- O PRINCÍPIO: O ar atmosférico é uma mistura de ar seco e vapor de água. Para uma dada condição de temperatura e pressão esta mistura tem capacidade de conter uma quantidade máxima de vapor d’água (ar saturado = 100% de umidade relativa). Na prática esta condição de ar saturado só é observada durante e logo após uma chuva. Normalmente o ar encontra-se insaturado (UR<100%) e, portanto, apto a absorver mais umidade. Quanto mais seco o ar (menor UR), maior a quantidade de vapor de água que pode ser absorvida. Para que haja esta absorção é necessário que a água utilizada passe da fase líquida para a fase vapor. Esta mudança de fase demanda uma quantidade de energia que é retirada do meio, no caso o ar, resfriando-o. Existe um princípio básico nas reações físico-químicas segundo o qual quanto maior a superfície de contato entre os reagentes, maior a velocidade da reação. Assim sendo, devemos procurar aumentar a área de contato entre a água e o ar.

Como o ar já se encontra diluído e ocupando todos os espaços disponíveis, resta-nos a água para dispersar. 4- PROCESSOS UTILIZADOS: Uma maneira de “expandir” a água é através de chuveiros, sprays ou atomização. São métodos bastante eficientes, que atingem elevados índices de umidificação e abaixamento de temperatura. Recomenda-se, no entanto, que este tipo de umidificação seja efetuado dentro do resfriador. Quando lançada no ambiente, mesmo que micro-pulverizada, a água pode encontrar uma região já saturada, o que fará com que não seja absorvida pelo ar e se precipite, molhando o que estiver em seu caminho até o solo. Mesmo sistemas com umidostatos e válvulas solenóides, que cortam o fluxo de água quando determinada umidade relativa é atingida, tendem a gotejar nos bicos até a estabilização da pressão de água no sistema. Outra maneira adotada é a de utilizar superfícies de contato, isto é, utilizando materiais com elevada superfície exposta. A água é distribuída na parte superior de colmeias ou mantas e desce por canais pré-formados ou aleatórios, molhando todo o meio. O ar atravessa transversalmente a colmeia ou a manta, entrando em contato íntimo com o meio umedecido e absorvendo umidade até bem próximo da saturação. As principais vantagens deste método são: • A parte molhada do sistema fica restrita ao equipamento; • Nunca se ultrapassa o ponto de saturação, pois o ar só absorve a umidade que pode comportar, deixando no equipamento a água excedente; • Este processo realiza ainda uma lavagem do ar, retendo poeira e sujeiras na colmeia ou na manta, as quais são continuamente lavadas pela água excedente. Os resultados globais atingidos por qualquer dos sistemas acima descritos dependem ainda do fluxo do ar. É necessária a adequação de vazão e velocidade para que se obtenham as melhores condições ambientais. Estas considerações são normalmente levadas em conta pelos fabricantes dos equipamentos. 5- ENERGIA ENVOLVIDA: Quando 1 litro de água (1kg) se evapora, consome aproximadamente 580 kcal. É a mesma quantidade de energia necessária para resfriar 60 litros de água de 30°C até 20°C. Ou para resfriar 208m³ de ar (242kg) dos mesmos 30°C até 20°C. Como se pode observar pelos números acima, a energia envolvida na mudança de fase da água (calor latente) corresponde a uma grande variação de temperatura da mesma (calor sensível).

Temos aqui a resposta para uma pergunta bastante freqüente: o uso de água gelada melhora a eficiência do resfriador? NÃO, pois o ganho em redução de temperatura é insignificante frente ao obtido pela evaporação. 6- REDUÇÃO DE TEMPERATURA: De acordo com o já exposto, sabemos que a redução de temperatura será tanto maior quanto menor for a umidade relativa do ar captado pois, assim sendo, para uma mesma temperatura na entrada do resfriador, podemos ter diferentes temperaturas de saída conforme varie a umidade relativa do ar na entrada. Para equipamentos corretamente projetados e fabricados, duas regras práticas podem ser adotadas para se saber as temperaturas a serem atingidas em uma determinada região. A- A temperatura do ar resfriado será aproximadamente 1°C acima da temperatura de bulbo úmido(TBU) do ar captado. B- A temperatura do ar resfriado será aproximadamente 2°C abaixo da temperatura de saída da água de uma torre de resfriamento eventualmente existente no local (desde que esta esteja operando corretamente). Um fato muito importante a ser observado é que a umidade relativa varia ao longo de um dia normal. Tendo em vista que a umidade absoluta (gramas de vapor de água/kg ar seco) não se altera muito ao longo do dia, a menos que ocorram chuvas ou se esteja próximo a regiões cobertas por água (mar, rios, represas, etc.), a umidade relativa vai variar inversamente com a temperatura. Assim, quanto mais quente o período do dia, menor a umidade relativa e melhor o desempenho do resfriamento evaporativo. 7- CONDIÇÕES PARA INSTALAÇÕES: 7-1- RENOVAÇÃO DE AR: Logo após passar por um sistema de resfriamento evaporativo, o ar tem sua umidade relativa elevada para níveis próximos à saturação. Ao adentrar o ambiente este ar se aquece, abatendo as cargas térmicas existentes no local e reduzindo a UR sem, no entanto, voltar aos níveis originais (antes do resfriamento). Caso recirculemos este ar pelo resfriador, a eficiência será menor a cada nova passagem, tendendo a ser nula após poucas recirculações. Teríamos então uma situação de temperatura e umidade elevadas, o que é muito desconfortável. Assim sendo, a condição fundamental é de renovação total do ar. 7.2- EXAUSTÃO E ABERTURAS: Como num processo de ventilação comum, a renovação total do ar implica em exaustão ou aberturas compatíveis


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Artigo Técnico com a vazão de ar admitida. Assim sendo, portas, janelas, frestas ou exaustores são, via de regra, bem-vindos. Há apenas a necessidade de se verificar a disposição dos mesmos para se otimizar a circulação do ar por todo o ambiente. 7.3- ISOLAMENTO TÉRMICO: Este é um item que, se existente, sempre auxilia. Para instalações novas, entretanto, é dispensável, ao contrário de sistemas de climatização por ar condicionado tradicional. Ocorre que os custos de instalação e de operação dos sistemas evaporativos são tão mais baixos do que os do ar condicionado, que resulta bem mais barato aumentar a capacidade do sistema evaporativo projetado, do que isolar telhados e paredes. De fato, já nos defrontamos com casos em que só o custo do isolamento térmico de determinado ambiente era maior do que o do sistema de resfriamento instalado. Ademais, a operação destes últimos envolve apenas os insufladores e/ou exaustores e as bombas de circulação ou aspersão de água, o que significa algo em torno de 1/10 da potência consumida por um sistema de ar condicionado tradicional equivalente. 7.4- QUALIDADE DA ÁGUA: Como regra geral, é recomendável a utilização de água potável na alimentação dos resfriadores evaporativos. Água com altos teores de minerais, principalmente cálcio (água “dura”), deve ser evitada pois a concentração dos sólidos solúveis tende a aumentar com a evaporação (só água pura evapora) e, a partir de certo ponto, haverá supersaturação e precipitação dos minerais. Isto pode ser notado pela formação de depósitos na superfície da colmeia ou manta. Caso seja necessário utilizar este tipo de água, é necessário manter uma purga contínua (bleed-off) de modo a evitar o crescimento da incrustação. Água com carência de minerais, por outro lado, tende a compensar esta carência captando minerais das colmeias, enfraquecendo a resina enrijecedora. Com relação ao Ph, o ideal situa-se em 7 a 8, sendo aceitáveis valores entre 6 e 9. 8- SELECIONAMENTO: Existem 2 métodos básicos para dimensionamento do sistema de resfriamento evaporativo, a saber: O Método por Cálculo de Carga Térmica, que é mais preciso, porém envolve levantamento mais correto das condições do ambiente, tais como potências consumidas, transmissão de calor por condução e radiação, número de pessoas, iluminação, calor dissipado por máquinas, etc. O Método das Renovações de Ar, que é mais empírico e demanda, por sua vez, alguma experiência na avaliação das condições.

A) MÉTODO POR CÁLCULO DE CARGA TÉRMICA 1- Calcular a carga térmica total do ambiente a ser atendido; 2- Determinar a temperatura de bulbo seco e a umidade relativa do local da instalação; 3- Determinar a temperatura de saída do ar do resfriador (temperatura resultante); Nesta tabela entrar com a temperatura externa (temperatura do bulbo seco) e com a umidade relativa; 4- Determinar a temperatura requerida do ambiente a ser atendido. Normalmente de 3°C a 5°C acima da temperatura de saída do ar do resfriador; 5- Calcular a vazão de ar requerida para o ambiente em questão. VAR = Vazão de ar requerida (m³/h) Q = Carga Térmica (kcal/h) t = Diferença entre a temperatura requerida do ambiente e a temperatura de saída do ar do resfriador (°C) B) MÉTODO DAS RENOVAÇÕES DE AR 1- Determinar a temperatura de bulbo úmido do local de instalação; 2- Determinar se a carga térmica gerada internamente é normal ou alta: • Carga térmica alta: locais com fornos, estufas, máquinas de solda, maçaricos, fundições, caldeiras, cozinhas industriais ou grande ocupação humana. • Carga térmica normal: escritórios, lojas com baixa ocupação, fábricas com baixa geração de calor. 3- Determinar o grau de isolamento do ambiente ao calor externo (radiação solar): • Ambiente exposto: Telhado de zinco ou fibrocimento; grandes áreas envidraçadas; telhado translúcido; paredes de alumínio ou fibrocimento. • Ambiente isolado: Telhado isolado termicamente; forro falso; paredes de alvenaria ou com pouca incidência de radiação solar. 4- Determinar o número de trocas de ar requeridas por hora para o ambiente em questão, através da tabela abaixo: 5- Determinar o volume do ambiente; VAMB = W x L x H VAMB = Volume do ambiente (m³) W = Largura do ambiente(m) L = Comprimento do ambiente (m) H = Altura abaixo do duto de insuflamento de ar (m)

Obs.: Os dutos devem ser instalados no máximo a 4,0m de altura, de preferência a 3,5m. 6- Calcular a vazão de ar requerida para o ambiente. VAR = VAMB . NTROCAS VAR = Vazão de ar (m³/h) VAMB = Volume do ambiente (m³) NTROCAS = Número de trocas de ar (trocas/h) Os dois métodos acima permitem um bom estudo do sistema a ser implantado. Não dispensam no entanto, a consulta a fornecedores qualificados que analisem, orientem, esclareçam e assumam a responsabilidade não só mecânica dos equipamentos, mas também pela performance da instalação. 9- RESFRIAMENTO LOCALIZADO: Em ambientes de grandes dimensões, como um galpão industrial, por exemplo, é comum que se pense no resfriamento de todo o ambiente, quando isto não é obrigatoriamente necessário. Normalmente tais locais abrigam máquinas, estoques e outros setores raramente ou nunca freqüentados. Em tais casos é interessante estudar quais os postos de trabalho, setores de produção, áreas de trânsito e outros que realmente demandam melhores condições ambientais e procurar atendê-los de forma localizada, puntual ou setorial. Um operador próximo a um equipamento que gere alta carga térmica pode ser atendido por um único equipamento de pequeno porte com fluxo de ar resfriado direcionado sobre ele. Uma linha de montagem ou de embalagem pode ser atendida por um ou mais equipamentos de médio porte, dutado(s) e com grelhas direcionais distribuindo o ar sobre os trabalhadores. Um setor de produção pode ser resfriado por meio de um ou mais equipamentos de médio ou grande porte com um sistema simples de dutação que abranja a área delimitada. Este tipo de solução, além de resolver o problema de conforto térmico para a população atendida, representa grande economia na instalação, pois o volume a ser considerado para efeito de cálculo é somente aquele contido até a altura das grelhas ao longo da área demarcada. Além das vantagens acima, pelo fato de estarmos insuflando ar renovado sobre uma determinada área, a pressurização causada provocará movimentação do ar nas áreas adjacentes, melhorando também as condições destas. Engº. Marcelo Gouvêa de Souza, diretor da Basenge


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Associados ASBRAV ACEL-AR CONDICIONADO ECOLÓGICO ACTA COM MANUT AR CONDICIONADO ACÚSTIKA SUL ENGENHARIA ADEMIR SILVA AERODUTO AR CONDICIONADO AGRAZ REFRIGERAÇÃO AGROFIBRAS ARTEFATOS DE FIBERGLASS AGST CONTROLES E AUTOMAÇÃO AIR CLEAN AIR CONSULT ASSES E INSTAL DE AR CONDIC AIR COOL MANUTENÇÃO E INSTALAÇÕES AIRSTUDIO ENGENHARIA ALBERT ENGENHARIA DE INSTALAÇÕES ALBERTO PILLA ALCIDES CAMINHA LEITE ALEXANDRE TOCCHETTO ALPINA EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS ALTAIR HARTWIG ALTENERGIA IND COM REPRES E SERVIÇOS AMILLPASSOS REFRIGERAÇÃO INDUSTRIAL ANDERSON RODRIGUES ANNEMOS HIDRAÚLICA ARB DO BRASIL AR CONDIC REFRIG E VENT ARI ANTÔNIO VOGEL CONSERTOS ARMACELL BRASIL ARMAX AR CONDICIONADO COM E SERVIÇOS ARNOLDO CARLOS GONÇALVES BESKOW ARSELF AR CONDICIONADO ARSG REPRESENTAÇÕES ÁSIA DIST UTILIDADES DOMÉSTICAS-KOMECO ASSISTAR AR CONDICIONADO ATLANTYS CLIMATIZAÇÃO E AUTOMAÇÃO BARNEY PAVAN BERLINERLUFT DO BRASIL BIOQUALITY CONSULTORIA E SERVIÇOS BLUMETAL DIST E SERVIÇOS TÉCNICOS CARLOS ALBERTO DOS SANTOS RODRIGUES CARLOS ERNESTO OSTERKAMP CEISUL EQUIPAMENTOS DE AR CONDICIONADO CELSO ANGELO SILVEIRA FALCETTA CELSO DE CONTO CENTRAL DO FRIO REFRIGERAÇÃO CERT ENGENHARIA E TECNOLOGIA CESAR AUGUSTO DAS NEVES SANTIAGO CLAITON LUIS DE LORETO LEAL CLEMAR ENGENHARIA CLEZAR AR CONDICIONADO CLIMA SHOP QUALIDADE DO AR INTERIOR CLIMALAR AR CONDICIONADO CLIMATEC IND COM EQUIP P/CLIMAT COLDAR ENGENHARIA E COMÉRCIO COLDBRAS S/A CONDITIONER AIR SPRINGFIELD IND COM REFRIG CURTIS CONSULTORIA DAMIANI SOLUÇÕES DE ENGENHARIA DANIEL MEIRELES DIEDOVIEC DELTA FRIO INDÚSTRIA DE REFRIGERAÇÃO DHS-COM E SERVIÇOS EM REFRIGERAÇÃO DIGICLIMA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DIJAN QUÍMICA CONSULTORIA E ENGENHARIA DIMENSIONAR ENGENHARIA DK SISTEMAS / DAY BRASIL ECO AMBIENTE EJR ENGENHARIA ELETRO AR SUL ENCLIMAR ENGENHARIA DE CLIMATIZAÇÃO ENGE REPRESENTAÇÕES TÉCNICAS ENGEFLUXO VENTILAÇÃO INDUSTRIAL ENGEMAN HG SERV MANUT ELETROMEC ENGEMESTRA ENG MEC E SEG DO TRABALHO ENGESAVE ENGENHARIA E CONSULTORIA ENGETÉRMICA AR CONDICIONADO EPEX IND COM DE PLÁSTICOS ESCOLA TÉCNICA PROFISSIONAL ESPAÇO CLIMA EUROCABLE BRASIL IMP & EXP EXPECTRON TECNOLOGIA INDUSTRIAL

FERNANDO DE ABREU FLÁVIO RIBEIRO TEIXEIRA FLUXOTEC IND COM REPRESENTAÇÕES FRIENGINEERING INTERNATIONAL FRIGELAR COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO FULL GAUGE ELETROCONTROLES GEOCLIMA AR CONDICIONADO GLOBUS SISTEMAS ELETRÔNICOS GOLD COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES GOOD SERV DE CLIMATIZAÇÃO GTA DO SUL/TESTONI HELIO DIMER FILHO HIDROSP SISTEMAS HIDRÁULICOS HITACHI AR CONDICIONADO DO BRASIL HOMERO DE SOUZA MACIEL IF SERVIÇOS E REPRESENTAÇÕES INDOOR SUL AMBIENTES CLIMATIZADOS INOVAR CONDICIONAMENTO AMBIENTES INSTALSUL INSTALAÇÕES COMERCIAIS INSTATEC INDÚSTRIA METALÚRGICA ISOAR SISTEMAS DE CLIMATIZAÇÃO J A FRACASSO REPRESENTAÇÕES JACQUELINE BIANCON COPETTI JOÃO CARLOS BIDEGAIN SCHMITT JOSÉ HAROLDO CARVALHO SALENGUE JOSÉ LUIZ PACHECO FERREIRA KLEBER REPRESENTAÇÕES KLÉVERTON CLÓVIS RODRIGUES KLIFT SERVIÇOS DE CLIMATIZAÇÃO LAFRIZARTE SERVIÇOS DE REFRIGERAÇÃO LAMINAÇO COM EQUIP RODOV INDS LEONARDO PEDRO GARCIA LUCI SPERLING LUIS CARLOS DE BITENCOURT COUTO FILHO LUIZ CARLOS PETRY SERVIÇOS ENGENHARIA M CESA COMÉRCIO E SERVIÇOS M GOMES REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS MARCELO CESAR DE CAMARGO RATTMANN MARCELO FOSCHIERA CHRISTINI MARCHAND INDÚSTRIAS QUÍMICAS MARIANO ADEMAR PETRACCO MEGASUL ENGENHARIA METALÚRGICA JOAPE MICHELE ROSA DA SILVA MICROBLAU INDÚSTRIA ELETRÔNICA MIGRARE AR CONDICIONADO DO BRASIL MIGUEL MARTINS GARICOCHEA GRIVA MONOFRIO-HBSR REFRIGER DE LÍQUIDOS MONTERMICA REFRIG E AR CONDICIONADO MP AUTOMAÇÃO MULTI AQUECIMENTO MULTITEC REFRIGERAÇÃO MULTITÉCNICA ENGENHARIA NOVOBRÁS COMERCIAL NOVUS PRODUTOS ELETRÔNICOS OSMAR JOSÉ PEDROSO DOS SANTOS OTAM VENTILADORES INDUSTRIAIS PATEO MOINHOS DE VENTO ADM PART PAULO DE TARSO FONTOURA DA SILVA PAULO HENRIQUE STECKER PAULO HOMERO DA SILVEIRA MOR

PAULO OTTO BEYER PAULO RENATO PEREZ DOS SANTOS PAULO VELLINHO (SÓCIO HONORÁRIO) PEDRO DA COSTA CARVALHO FILHO PERTILE AR CONDICIONADO PLANIDUTO AR CONDICIONADO POLITESTE INSTRUMENTOS DE TESTE PROJELMEC VENTILAÇÃO INDUSTRIAL PROJEMAN-PROJETOS MANUT SIST CLIMAT PROJETOS AVANÇADOS ENGENHARIA PROSYSTEM PROJETOS E SISTEMAS PROTÉRMICA CLIMATIZAÇÃO QUIMITEC QUÍMICA INDUSTRIAL REARSUL AR CONDICIONADO RECOM-RECUPERADORA COMPRESSORES REFRIGERAÇÃO CAPITAL REFRIGERAÇÃO LEIVAS REFRIGERAÇÃO MANCHESTER REFRIGERAÇÃO ROCAMORA REFRIMAK PEÇAS E SERVIÇOS RENI PASINATO & CIA RENNER AR CONDICIONADO RIMA ENGENHARIA ROBENIR COSTA ENGENHARIA ROGER SOUZA E SILVA SÃO CARLOS AR CONDICIONADO SATOAR ASSESSORIA SERV ENGENHARIA SERRAFF INDÚSTRIA DE EVAPORADORES SF ENGENHARIA E CONSULTORIA SILVIO LUIZ CAMPOS FERNANDES SOCLAM AR CONDICIONADO SPLIT COMPANY DO BRASIL SPLIT SHOP CONDICIONADORES DE AR SPM ENGENHARIA SPRINAR CONDICIONADORES DE AR SPRINGER CARRIER SR AR CONDICIONADO SULCESAR REPRESENTAÇÕES SUN HEAT ELETROAQUECIMENTO SUPER ÚTIL ELETRODOMÉSTICOS SUPERMERCADOS GUANABARA TECNITÁLIA TRATAMENTO DO AR TECNOENGE AR CONDICIONADO TECNOLÓGICA CONFORTO AMBIENTAL TELCO EQUIPAMENTOS REFRIGERAÇÃO TELEINFORMÁTICA SUL TERMOPROL-TERMODINÂMICA SERVIÇOS TIAGO GADONSKI TIAGO JOSÉ BULLA TIMÓTEO FERNANDES DE SOUZA TOTALINE-PEÇAS EQUIP P/REFRIG E AR COND TOUR & ANDERSSON TRANE DO BRASIL URANUS AR CONDICIONADO VALAYR WOSIACK (SÓCIO HONORÁRIO) VEREDA REPRESENTAÇÕES COMERCIAIS VIDALAR COMÉRCIO E REPRESENTAÇÕES VITALI COMÉRCIO E SERVIÇOS WOLMAR AR CONDICIONADO YBEMAC REFRIGERAÇÃO E ASSIST TÉCNICA YORK INTERNATIONAL

NOVOS ASSOCIADOS (BOAS VINDAS) ENGEMESTRA ENG MEC E SEG DO TRABALHO (RS) MISSÃO: Desenvolver ações que possibilitem o aperfeiçoamento técnico e profissional dos seus associados, defender os seus interesses comuns e estimular o espírito associativo, com vistas a proporcionar a união e o fortalecimento das categorias que representa, baseando-as sempre em valores éticos e morais. VISÃO: Ser um centro de convergência dos interesses das empresas e profissinais dos segmentos que representa.

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