Memória Pet | Edição 01/2021

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Que fazer após o resgate de animais abandonados Os cuidados com a saúde e adaptação do pet

30 milhões

de cães e gatos estão em situação de abandono no Brasil

Abandono de animais é crime

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 30 milhões de cães e gatos estejam em situação de rua no Brasil, sujeitos a maus-tratos, falta de alimento e abrigo. Sensibilizadas pela situação, muitas pessoas acabam levando esses animais para casa, sem saber ao certo a melhor maneira de ajudá-los. Em virtude desse cenário, que impacta a saúde pública e o bem-estar animal, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de São Paulo (CRMV-SP) alerta para o problema do abandono e pondera como as pessoas devem proceder ao resgatar animais de rua e que a primeira medida deve ser a de levá-lo para uma consulta com um médico veterinário, tomando todas as precauções no primeiro contato. “É muito importante lembrar que, por se tratar de um animal desconhecido, ao realizar o manejo deve ter o máximo de cuidado para evitar acidentes ou agressões. Caso haja algum agravo causado pelo animal, a vítima deverá procurar atendimento médico o mais rapidamente possível”

Lei nº 9.605/1998, art. 32

Resgate seguro Algumas dicas são importantes para garantir o bemestar do animal e da pessoa que opera o resgate: •

Aproximar-se com cuidado e deixar o animal se acostumar com a situação, pode facilitar se oferecer comida ou esticar sua mão para que cheirem (cães).

Se o resgate ocorrer em lugar de grande fluxo de veículos é importante que se peça ajuda para evitar que corram em direção aos carros.

Uma coleira ou focinheira podem ajudar no resgate, principalmente quando for pegar o animal no colo, caso não possua, uma manta para cobrir já ajuda a evitar agressividade, principalmente se estiver ferido.

Cuidados com a saúde do animal Animais resgatados precisam passar por avaliação veterinária para que se conheça suas reais condições de saúde, esta avaliação é fundamental para que cuidados necessários sejam tomados. Neste exame pode estimar a idade do animal, se existem infestação por ectoparasitas, lesões, sinais ou sintomas de doenças da própria espécie ou zoonóticas (trans-

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Médica Veterinária Adriana Maria Lopes Vieira, presidente da Comissão Técnica de Saúde Pública Veterinária do CRMV-SP

missíveis aos seres humanos), manifestação de dor e também a realização de exames laboratoriais que podem servir de apoio ao diagnóstico de possíveis patologias. E, há a checagem se o animal possui microchip, sendo possível localizar seu tutor. A orientação para o futuro tutor ou mesmo quem oferece lar temporário, pode se estender para alimentação adequada, ao manejo, higiene, cuidados sanitários, controle reprodutivo, bem-estar, vacinas, e outros cuidados que se tornem necessários. Dê tempo à adaptação O ideal após o resgate, se o animal não estiver ferido ou muito debilitado, é levá-lo para um lugar seguro e tranquilo, oferecer água e comida e observar. Rosangela Gebara - Médica Veterinária

Depois de o animal ser resgatado e ter passado pelo médico veterinário para a avaliação inicial, deve-se dar tempo para que ele se adapte ao novo ambiente. Pets mais ariscos podem estar com desequilíbrio hormonal ou mesmo dor, a avaliação veterinária pode ser fundamental para diagnosticar e orientar como agir nestes casos.