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empre sonhei em construir um belo jardim em frente à nossa casa. Mas o terreno disponível era muito pequeno. Na minha viagem à Europa observei diversos jardins e colhi sugestões para o projeto feito pela paisagista Maria Filomena (Mena), associado ao modelo de um jardim de um rei da Inglaterra, Hermano VIII, que eu guardava há anos numa gaveta. Adquiri o terreno situado na esquina ao lado de nossa casa, onde se encontrava edificada uma antiga casa enxaimel, praticamente em ruínas. Permutei o imóvel construindo uma nova casa para o antigo proprietário, em outro local. Procurei informações na prefeitura sobre a demolição e percebi que não me dariam o alvará, embora não houvesse qualquer lei protegendo aquela casa, ou classificando-a como patrimônio histórico. Temi que o sonho tão acalentado poderia ser destruído na fila da burocracia e por uma arbitrariedade do prefeito e seus secretários. Se a prefeitura quisesse me impedir de demolir a casa, se houvesse uma lei especial (até hoje a lei não existe) seria um empecilho real, para a não concretização deste sonho. Mandei demolir a casa sem autorização. Criei o fato e o administrei. Numa sexta-feira depois das 10 horas da noite dois tratores e operários colocaram a casa abaixo. No dia seguinte a imprensa deu destaque à demolição, e o prefeito Vilson Kleinubing e seus secretários embargaram a obra. Embora dessem explicações, não me convenciam. Pedi uma audiência ao prefeito e ele me concedeu. Perguntou-me ele: - Dona Adelina, por quê a senhora não pediu o alvará de demolição aqui na Prefeitura?

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Retrato de Família  

De Adelina Clara Hess de Souza. Versão publicada em 2012.

Retrato de Família  

De Adelina Clara Hess de Souza. Versão publicada em 2012.

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