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FACULDADES INTEGRADAS PITÁGORAS

MELLINE FREITAS NUZZI

ABRIGO ANIMAL (Centro de apoio, resgate, reabilitação e bem-estar animal)

MONTES CLAROS 2017


MELLINE FREITAS NUZZI

ABRIGO ANIMAL (Centro de apoio, resgate, reabilitação e bem-estar animal)

Trabalho apresentado ao curso de Arquitetura e Urbanismo

das

Faculdades

Integradas

Pitágoras como entrega do estudo de obras análoga da disciplina de Trabalho Final de Graduação, sob orientação dos Profs. Cristiano Coimbra, Lívia Turano, Márcio Antunes, Régis Eduardo Martins.

MONTES CLAROS 2017


SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO ...................................................................................................... 1 1. OBRAS ANÁLOGAS.............................................................................................3 2.1 CENTRO DE REFÚGIO DE ANIMAIS ................................................................ 3 2.1.1 FICHA TÉCNICA .............................................................................................. 3 2.1.2 LOCALIZAÇÃO ................................................................................................ 3 2.1.3 SETORIZAÇÃO ................................................................................................ 5 2.1.4 PLÁSTICA E FUNCIONALIDADE DA OBRA ................................................... 6 2.2 CENTRO DE CUIDADO ANIMAL DO SUL DE LOS ANGELES ......................... 10 2.2.1 FICHA TÉCNICA .............................................................................................. 10 2.2.2 LOCALIZAÇÃO ................................................................................................ 10 2.2.3 SETORIZAÇÃO ................................................................................................ 12 2.2.4 PLÁSTICA E FUNCIONALIDADE DA OBRA ................................................... 13 2.3 INSTALAÇÃO DE CUIDADO ANIMAL DE PALM SPRINGS .............................. 16 2.3.1 FICHA TÉCNICA .............................................................................................. 16 2.3.2 LOCALIZAÇÃO ................................................................................................ 16 2.3.3 SETORIZAÇÃO ................................................................................................ 18 2.3.4 PLÁSTICA E FUNCIONALIDADE DA OBRA ................................................... 19 3.0 REFERENCIAL TEÓRICO/REVISÃO BIBLIOGRÁFICA ................................... 25 3.1 BREVE HISTÓRICO DE RELAÇÃO ENTRE O HOMEM E O ANIMAL DOMÉSTICO .................................................................................................................................. 25 3.2 ABANDONO ANIMAL.......................................................................................... 27 3.3 RELAÇÃO DO ANIMAL COM A CIDADE ........................................................... 28 3.4 PARCERIA ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO ................................................ 30 3.5 CONCEITOS DE ARQUITETURA APLICADOS AOS ESPAÇOS DESTINADOS AOS CUIDADOS DE ANIMAIS ................................................................................. 31 3.5.1 CORES............................................................................................................. 31 3.5.2 ILUMINAÇÃO E VENTILAÇÃO NATURAIS ..................................................... 32


4. ANÁLISE DO TERRENO ...................................................................................... 34 4.1 ZONEAMENTO ................................................................................................... 34 4.2 LOCALIZAÇÃO E ENTORNO ............................................................................. 35 4.3 ACESSOS E HIERARQUIA VIÁRIA ................................................................... 37 4.4 ANÁLISE TOPOGRÁFICA DO TERRENO E ENTORNO ................................... 38 4.5 ANÁLISE AMBIENTAL........................................................................................ 40 4.6 ANÁLISE DE CONFORTO AMBIENTAL E ACÚSTICO ..................................... 42 4.7 ANÁLISE DE INFRAESTRUTURA ..................................................................... 45 5. PROGRAMA DE NECESSIDADES ...................................................................... 48 6. FLUXOGRAMAS .................................................................................................. 50 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................. 55 REFERÊNCIAS ......................................................................................................... 58


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1. INTRODUÇÃO Nestes últimos anos, de acordo com a Prefeitura Municipal de Montes Claros e o Centro de Controle de Zoonoses, somam-se mais de 60.000 animais de pequeno porte e conta-se em média 1.000 animais de grande porte abandonados na cidade. Acrescenta-se não ser de responsabilidade do Centro de Controle de Zoonoses ter um lugar especializado para adoção e que segundo a Lei Estadual n° 21.970, de 15 de janeiro de 2016, o cão ou gato comunitário recolhidos nos termos do art. 5º serão esterilizados, identificados e devolvidos à comunidade de origem pelo órgão competente. Assim, após recolhido e castrado o animal é solto novamente em via pública retomando o ciclo de problemas ocasionados pelo abandono. A falta de eficiência do Centro de Controle de Zoonoses da cidade e as iniciativas privadas, porém pouco preparadas, de amparo desses animais, vemos a necessidade da criação de um centro especializado que busque sanar problemas esses que afetam a cidade como um todo, sejam maus tratos, acidentes em vias públicas, proliferação de doenças, descontrole populacional de animais entre outros. Diante disso o trabalho apresentado tem como objetivo principal o desenvolvimento de um projeto arquitetônico de um Centro de regaste, reabilitação e bem-estar animal altamente preparado para atender as diversas demandas da cidade visando mitigar os efeitos de tais problemas de maneira eficaz e a melhora da qualidade de vida animal na cidade. Dentre os objetivos específicos, destacam-se: criação de um ambiente de acolhimento aos animais abandonados; o tratamento médico dos mesmos e reintegração dos mesmos na sociedade através da disponibilização para adoção; atendimento com baixo custo para animais pertencentes a famílias de baixa renda residentes na cidade; criação de um local para eventos beneficentes ligados à causa animal; proporcionar qualidade de vida para os animais abandonados e elaborar um centro que seja convidativo para que a população se sinta envolvida e participante desse espaço. A metodologia utilizada foi direcionada respectivamente com a visita ao Centro de Controle de Zoonoses de Montes Claros, elaboração de estudos de obras análogas, pesquisa bibliográfica, referencial teórico, diagnóstico do terreno escolhido, criação de um programa de necessidades eficiente e fluxogramas. O segundo capítulo trata da análise de três obras análogas funcionais, tipológicas, tecnológicas e plásticas como referenciais de obras já construídas e em


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funcionamento para melhor entendimento da temática do projeto proposto. O terceiro capítulo apresenta a pesquisa bibliográfica que foi utilizada para a realização do referencial teórico para melhor embasamento científico e aprofundamento no tema com autores, arquitetos, profissionais da área, instituições e pensadores atemporais. O quarto capítulo expõe o diagnóstico do terreno como resultado da pesquisa e especificações de legislações existentes atuais para implantação de uma instalação eficiente com estas atividades propostas. O quinto capítulo apresenta, detalhado, a representação gráfica do programa de necessidades e os fluxogramas elaborados como produto final de todo o estudo sobre os temas abordados e atividades propostas, evidenciando a conexão dos espaços dentro do Centro.


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2. OBRAS ANÁLOGAS

2.1 CENTRO DE REFÚGIO DE ANIMAIS 2.1.1 FICHA TÉCNICA Arquitetos: Arons en Gelauff Architecten. Localização: Amsterdam, Países Baixos. Equipe Arquitetônica: Adrie Laan, Rianne Kreijne, Joost van Bergen, Miren Aramburu, Mariska Koster, Claudia Temperilli, Oliver Rasche. Arquiteto paisagista: DRO Amsterdam, Ruwan Aluvihare. Engenheiro Arquiteto: Van Rossum, Amsterdam. Engenheiro de Instalação: W + R instalações, Utrecht. Contratante: BAM, Amsterdam. Cliente: Agência de Gestão de Projectos Amsterdam, Stichting Dierenopvangcentrum Amsterdam. Área construída: 5800,0 metros quadrados. Ano do projeto: 2007.

2.1.2 LOCALIZAÇÃO

Figura 1: Localização do Centro de refúgio de animais de Amsterdam.

Fonte: Google Maps, adaptado pela autora.


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Figura 2: Usos e tipologias do entorno do Centro de refúgio de animais de Amsterdam.

Legenda: Área comercial Área residencial Centro de refúgio animal Centro de refúgio para gatos Fonte: Google Maps, adaptado pela autora.

O empreendimento foi inserido em uma zona afastada do centro da cidade de Amsterdam em um terreno que faz divisão com um córrego, possibilitando assim um local calmo evitando problemas de ruídos internos interferindo com as dependências externas e vice-versa. A zona é mista quanto ao uso dos terrenos, tendo tanto comércio, residências e áreas rurais em seu entorno. Algo que chama atenção é o fato de ter outro centro de refúgio, apenas para gatos, bem próximo a edificação caracterizando uma cultura de preocupação com o bem-estar animal e com os possíveis problemas causados pelo descompromisso do controle de reprodução e abandono desses animais. Com relação as vias de acesso, observamos que na fachada principal existe uma via rápida de 4 pistas e uma via lateral de mão dupla, sendo o acesso principal feito por essa avenida. A região é bem arborizada e com grande predominância de vegetação


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2.1.3 SETORIZAÇÃO A setorização do empreendimento gira em torno da naturalidade em que os usuários circulam em seu interior, assim, todos os setores são ligados por grandes corredores de acesso facilitando a execução de atividades. A área administrativa se dispõe de maneira centralizada e têm acesso facilitado em ambas extremidades que possuem os alojamentos dos animais. Ainda na parte central do empreendimento, contemplamos a zona médica e a zona de serviços atuando como divisor das espécies, caninos e felinos, dispostos em extremidades diferentes. As disposições destes alojamentos acabam por se assemelhar com a de uma cadeia, sendo assim, um ponto que podemos estar pensando em soluções arquitetônicas de disposição para se distancie dessa definição. Em sua extremidade esquerda, foi inserido a zona de quarentena dos animais que necessitam de cuidados específicos, seja médico ou comportamental, distanciando-os dos demais animais que já possuem essas estabilidades. Figura 3: Zoneamento do Centro de refúgio de animais de Amsterdam.

ZONA DE CANINOS ZONA DE QUARENTENA ZONA DE FELINOS ZONA ADMINISTRATIVA ZONA MÉDICA ZONA DE SERVIÇOS

Fonte: http://www.archdaily.com/2156/animal-refuge-centre-arons-en-gelauff-architecten, adaptado pela autora.


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2.1.4 PLÁSTICA E FUNCIONALIDADE DA OBRA Em primeira vista não é possível compreender intuito das placas dispostas nas fachadas, apenas compreendemos que há o encaixe da obra no local com predominância do verde. Observando com mais aprofundamento, percebemos a relação das placas com tonalidades de verde que se assemelham à grama existente na outra margem do rio e que em conjunto com o reflexo da obra no leito do rio, representa a continuidade do verde na paisagem. Essa assimilação traz sensação de pertencimento da obra ao local e de maneira que ela não venha ser um impacto na paisagem urbana. Figura 4: Lateral do Centro de refúgio de animais de Amsterdam.

Fonte: http://www.archdaily.com/2156/animal-refuge-centre-arons-en-gelauff-architecten

Figura 5: Cores presentes na grama.

Fonte: http://bonzabins.com.au/wp-content/uploads/2015/11/Profile-header-1.jpg


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Figura 6: Pátio interno do Centro de refúgio de animais de Amsterdam.

Pátio para soltura e recreação.

Alojamentos de felinos e caninos.

Corredores de acessos e circulação.

Fonte: http://www.archdaily.com/2156/animal-refuge-centre-arons-en-gelauff-architecten, adaptado pela autora.

Figura 7: Corte longitudinal dos alojamentos.

Abertura no alojamento de felinos com proteção. Abertura no alojamento de caninos. Abertura para alimentação e soltura de caninos.

‘ Fonte: http://www.archdaily.com/2156/animal-refuge-centre-arons-en-gelauff-architecten, adaptado pela autora.


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Algo importante inserido no projeto foi a preocupação com a segurança e bem-estar do animal resgatado. Assim como a arquitetura frisa o conforto do ser humano, nesta obra também se direciona para o bem-estar animal, sendo de suma importância o conforto nos alojamentos visto ser uma área pequena de permanência. Como visto na Figura 7, representando um corte dos alojamentos, foram feitas aberturas para ventilação e iluminação natural. E no caso de felinos, recebe proteção nessas aberturas, impossibilitando fugas e até mesmo uma forma de distração visto que os mesmos gostam de locais altos para observação. Figura 8: Vista aérea da maquete eletrônica do Centro de refúgio de animais de Amsterdam.

Curvas orgânicas.

Pátios internos.

Forma de cunha.

Fonte: http://www.archdaily.com/2156/animal-refuge-centre-arons-en-gelauffarchitecten, adaptado pela autora.

Figura 9: Cunha.

Fonte: http://www.futilish.com/wp-content/uploads/2011/02/18.jpg


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Conforme mostrado nas Figuras 8 e 9, o projeto acompanha o formato do terreno, assim como as linhas irregulares da natureza circundante, seja pela vegetação ou pelo córrego, trazendo sensação de fluidez no projeto. Sua forma orgânica, assemelha-se a uma cunha, tendo o seu comprimento afunilado em uma das extremidades se adequando ao terreno. Observamos o contraste do cheio e do vazio da forma em sua estrutura e seus pátios. A ventilação e iluminação natural vem como ponto forte neste contraste valorizando o conforto dos usuários tanto seres humanos quanto animais que ali estão alojados. É interessante observarmos que as maiores aberturas estão voltadas para o a parte interior da obra, assim, possibilita um melhor conforto acústico considerando tanto os ruídos internos de latidos, miados e etc., quanto os ruídos provocados pelo do tráfego externo. É de suma importância que os ruídos externos não atinjam a parte interna da instalação pelo fato de proporcionar uma qualidade de permanência nos animais possibilitando assim que os latidos sejam controlados e amenizados por não ter ruídos que causem desconforto aos animais. Em companhia das aberturas voltadas para o interior temos a forma também, suas extremidades côncavas auxiliam em um melhor conforto acústico pelo fato de que os ruídos internos sejam refletidos para o interior.


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2.2 CENTRO DE CUIDADO ANIMAL DO SUL DE LOS ANGELES

2.2.1 FICHA TÉCNICA: Arquitetos: RA-DA. Localização: 1850 West 60th Street, Los Angeles, CA 90047, Estados Unidos. Gestor de projeto: Sofia Ames. Designers: Carolyn Telgard, Jesse Madrid. Engenheiro estrutural: John Labib & Associates. Engenheiro civil: Consultoria RBF, EW Moon. Especificações: Chew Especificações. Contratante: Mackone Desenvolvimento Inc. Proprietário do edifício: Cidade de Los Angeles Bureau of Engineering. Outros membros da equipe: Serviços de Animais em Los Angeles. Ano do projeto: 2013. Fotografias: Ralf Strathmann

2.2.2 LOCALIZAÇÃO Figura 10: Localização do Centro de cuidado animal do sul de Los Angeles. Centro de Los Angeles.

Centro de cuidado animal do sul de Los Angeles.

Centro de cuidado animal do sul de Los Angeles. Fonte: Google Maps, adaptado pela autora.


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Figura 11: Vista área da implantação do Centro de cuidado animal do sul de Los Angeles.

Fonte: Google Maps.

Figura 12: Imagem aérea de usos e tipologias no entorno da edificação.

Fábrica Centro de cuidado animal do sul de Los Angeles.

inativa. Fábrica inativa. Clínica de Medicina Holística.

Estacionamento de ônibus escolares.

Fonte: Google Maps, adaptado pela autora.


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O Centro de cuidado animal do sul de Los Angeles está localizado em uma área de zona industrial e comercial, como visto nas Figuras 10, 11 e 12. Está inserido em um terreno de esquina onde possui grande visibilidade de acordo com o grande fluxo de veículo e pessoas que por ali trafegam. Possui algumas fábricas dispostas ao entorno, algumas delas estão inativas e outras se mantém ativas. Em frente ao empreendimento, temos um grande estacionamento de ônibus escolares e alguns carros de uso educacional. As vias públicas são medianas em questões de tamanho, mas que consegue atender a demanda de circulação de veículos e pedestres.

2.2.3 SETORIZAÇÃO

Figura 13: Setorização do Centro de cuidado animal de Los Angeles.

ÁREAS MENORES ÁREAS MAIORES Fonte: http://www.archdaily.com/407296/south-los-angeles-animal-care-center-and-community-center, adaptado pela autora.

O empreendimento foi setorizado de acordo com as funções dadas e relacionado ao tamanho do ambiente. Observamos que o centro não dispõe de áreas abertas ou pátios para recreação, sendo todos os ambientes cobertos. Conta com área médica, área de quarentena, salas para répteis e animais pequenos, sala para


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eutanásia e de isolamento. A setorização acaba sendo rígida, seguindo a tradicional linha reta, sendo ambientes pequenos, porém altamente eficientes. 2.2.4 PLÁSTICA E FUNCIONALIDADE DA OBRA Figura 14: Imagem da fachada principal do Centro de cuidado animal do sul de Los Angeles.

Formas trapezoidais.

Fonte: http://www.archdaily.com/407296/south-los-angeles-animal-care-center-and-community-center, adaptado pela autora.

O trapézio e as formas geométricas vêm como inspiração de sua volumetria, podendo ser visto em detalhes, pinturas e estruturas, como na imagem mostrada acima. O Centro desafia o preconceito de que um centro de resgate como edifício arquitetonicamente projetado e de traços diferenciados. Dispõe de estacionamento próprio para visitantes e trabalhados e de um bicicletário em sua fachada principal. Expondo cores vibrantes e alegres, formas irregulares e o concreto aparente, o centro traz conforto para os usuários seja humano ou animais, pois escolhem cores do óculo animal. As cores vibrantes, que trazem atenção para o centro e o torna mais visível em meio das fábricas, faz contraste com a cor branca apresentada em seu mobiliário e nas paredes do seu interior arremetendo a um local limpo e de alegria. Na sua parte interna possui as tubulações sistêmicas aparentes, sendo tingida pela cor verde criando maior amplitude e sensação diferente de estética. A tubulação, o concreto aparente e o piso de cimento queimado visto em sua fachada


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e interior, caracterizando-o como Brutalista, onde seu foco era a expor a alma do edifício que no caso é a estrutura da obra. Figura 15: Imagem da fachada do Centro de cuidado animal do sul de Los Angeles.

Concreto aparente Cores vibrantes. Bicicletário.

Estacionamento próprio.

Fonte: http://www.archdaily.com/407296/south-los-angeles-animal-care-center-and-community-center, adaptado pela autora.

Figura 16 Recepção principal do Centro de cuidado animal do sul de Los Angeles. Cores vibrantes.

Formas trapezoidais. Paredes brancas.

Piso de cimento queimado.

Fonte: http://www.archdaily.com/407296/south-los-angeles-animal-care-center-andcommunity-center, adaptado pela autora.


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Figura 17 Corte sistemático do Centro de cuidado animal do sul de Los Angeles.

Cores vibrantes.

Formas trapezoidais.

Formas geométricas.

Fonte: http://www.archdaily.com/407296/south-los-angeles-animal-care-center-and-community-center, adaptado pela autora.

Figura 18 Ambiente interno do Centro de cuidado animal do sul de Los Angeles. Tubulações aparentes.

Teto pintado.

Paredes brancas. Formas trapezoidais.

Piso de cimento queimado.

Fonte: http://www.archdaily.com/407296/south-los-angeles-animal-care-center-and-community-center, adaptado pela autora.


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2.3 INSTALAÇÃO DE CUIDADO ANIMAL DE PALM SPRINGS

2.3.1 FICHA TÉCNICA Arquitetos: Swatt | Miers Arquitetos. Localização: Demuth Park, Palm Springs, Califórnia 92264, Hoa Kỳ. Arquitetos: Swatt | Miers Arquitetos. Equipe de Design: George Miers, AIA, Designer do Projeto/Principal responsável: Tim Hotz, AIA, Capitão de Trabalho: Aaron Harte, AIA, LEED AP, Administrador de construção: Maureen Cornwell, Designer de interiores Arquiteto paisagista: Randy Purnel Arquitetos paisagistas Tipo de construção: Tipo V não classificado Área construída: Não informado.

2.3.2 LOCALIZAÇÃO

Figura 19: Localização da Instalação de cuidado animal de Palm Springs.

Instalação de cuidado animal de Palm Springs.

Centro da cidade de Palm Springs.

Fonte: Google Maps, adaptado pela autora.

Instalação de cuidado animal de Palm Springs.


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Figura 20: Vista aérea da implantação da Instalação de cuidado animal de Palm Springs.

Fonte: Google Maps, adaptado pela autora.

Figura 21: Imagem aérea de usos e tipologias no entorno da edificação.

Zona Residencial. Instalação de cuidado animal de Palm Springs.

Complexo de lazer e esporte.

Complexo comercial.

Centro de tratamento de água de Palm Springs.

Terrenos vazios.

Fonte: Google Maps, adaptado pela autora.

A instalação de cuidado animal de Palm Springs está inserida em uma zona mista afastada do centro da cidade. Observamos que, como mostrado nas imagens


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acima, em seu entorno encontramos vários tipos de edificações de diferentes funções como; Centro de tratamento de água da cidade, complexo de lazer e esportes, terrenos vazios, complexo comercial, zonas residenciais e um pouco mais afastado encontramos um Resort Aquático. Demostrando-se assim ser uma implantação em um local de grande visibilidade social, tranquila e plana. A vegetação claramente se assemelha a desértica, observando vegetação apenas nos pontos de recreação e mesmo assim bastante rasteira, com poucas espécies altas. Seu entorno, com edificações residenciais afastadas, contribui para que não haja problemas de ruídos tanto internos para vias externas quanto externos para o interior da obra, causando assim uma maior tranquilidade para os usuários do Centro.

2.3.3 SETORIZAÇÃO

Figura 22: Setorização do Instalação de cuidado animal de Palm Springs.

Fonte: http://www.archdaily.com/237233/palm-springs-animal-care-facility-swatt-miers-architects, adaptado pela autora.


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A setorização da instalação conta com diversos ambientes de diversas funções. Atendem desde cuidados médicos a salas de aula, voltadas à educação de respeito aos animais e medicina veterinária. Contempla então, uma vasta área de atendimento e locais necessários para que um centro de resgate funcione de maneira eficiente. A área de adoção canina é voltada para um pátio interno, assim proporciona uma melhor ambiência quanto á circulação dos futuros adotantes e trazendo o ar livre aos animais à serem adotados. A circulação dos usuários é feita por base de corredores que interligam áreas, mas que ao menos tempo conseguem distinguir áreas de acordo com as espécies ali instaladas, assim, mantendo distinção da área felina da canina. A obra possui estacionamento próprio e de uma forma singular que se adequa ao ambiente inserido, assim, torna-se um local atrativo para que a sociedade seja participante. Acompanha inicialmente um partido retangular sendo acrescentado anexos de um retângulo descontruído tomando uma forma singular.

2.3.4 PLÁSTICA E FUNCIONALIDADE DA OBRA Figura 23: Fachada principal da Instalação de cuidado animal de Palm Springs.

Fonte: http://www.archdaily.com/237233/palm-springs-animal-care-facility-swatt-miers-architects


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Como mostrado nas Figuras 22 e 23, a obra contempla uma volumetria geométrica de formas triangulares e retangulares. O contraste de textura e cores é exposto tanto no interior quanto no exterior do edifício, trazendo cores vibrantes em detalhes da fachada principal e um tom vermelho terroso nas adjacentes contrastando com a cobertura em branco. O uso dos pilares esbeltos e em diferentes direções faz assimilação ao tronco dos coqueiros nativos da região e consequentemente proporciona leveza estrutural na fachada principal. Utiliza a simbologia animal nas estátuas expondo a função do edifício que é voltado ao cuidado animal, assim, apresenta estátuas da cachorros e gatos pela implantação. O acesso principal se dá pela fachada principal que apresenta um mix de textura e cores, as cores vibrantes dos tons de roxo, amarelo e vermelho, contrasta com o branco da cobertura. A textura rugosa da parede vermelha contrasta com o metal nos brises, com os pilares e com a parede branca que apresenta um revestimento liso e sóbrio. Tornando-se uma obra que utiliza de diversos artifícios estruturais e de revestimento para concepção da sua identidade. Figura 24: Fachada lateral da Instalação de cuidado animal de Palm Springs. Respeito à vegetação existente.

Forma triangular.

Jogo de textura de cor chamativa.

Vegetação nativa.

Pilares esbeltos e em V.

Obras artísticas.

Fonte: http://www.archdaily.com/237233/palm-springs-animal-care-facility-swatt-miers-architects, adaptado pela autora.


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Figura 25: Fachada principal da Instalação de cuidado animal de Palm Springs.

Aberturas assimétricas e geométricas. Jogo de cores chamativas.

Formas retangulares.

Fonte: http://www.archdaily.com/237233/palm-springs-animal-care-facility-swatt-miers-architects, adaptado pela autora.

A área dos felinos mostrada abaixo conta com tons de amarelo alternando entre tons claros e mais fortes dessa cor. Visto ser uma tonalidade que é perceptível ao olho felino e que apresenta uma forma de chamar atenção para os ambientes mostrados e dar a sensação de alegria. A necessidade dos felinos de distração, seja com escaladas ou brincadeiras relacionadas a caça, se mostra nos brinquedos presentes na vitrine de adoção e na estrutura presente próximo às aberturas para que o felino não se sinta extremamente preso em um ambiente e o torne agressivo. O letreiro “Cool cats” que, traduzido para português: “Gatos legais. ”, traz a estratégia de desmitificação da agressividade e individualidade dos felinos, para que o adotante perca o medo da espécie podendo conhecê-lo em sua essência.


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Figura 26: Detalhe das aberturas no gatil da Instalação de cuidado animal de Palm Springs.

Aberturas para iluminação e visibilidade. Tons claros e amarelados de acordo com a percepção do olho felino. Aberturas para iluminação e visibilidade.

Fonte: http://www.archdaily.com/237233/palm-springs-animal-care-facility-swatt-miersarchitects, adaptado pela autora.

Figura 27: Vitrine do gatil da Instalação de cuidado animal de Palm Springs. Tom amarelado.

Letreiro estratégico para felinos. Uso do vidro para iluminação natural e visibilidade. Colocação de brinquedos para distração e recreação dos felinos.

Fonte: http://www.archdaily.com/237233/palm-springs-animal-care-facility-swatt-miersarchitects, adaptado pela autora.


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A área canina, mostrada nas figuras abaixo, apresenta os mesmos tons de coloração de que a área dos felinos seguindo também de acordo com a percepção ocular da espécie e arremetendo às suas sensações. Como o cão possui maior número de aceitação, número como animal doméstico e maior dependência humana para sobrevivência com relação aos gatos, consequentemente possui uma reprodução de maior escala tornando-os animais de maior número que são abandonados e que precisam de um lar responsável. Assim nota-se mais espaços destinados ao bem-estar comportamental, médico e áreas destinadas a adoção tanto externas quanto internas. Toda a identificação da área canina interna se dá pelo letreiro central exposto na entrada do corredor em conjunto com as peças em forma de cães dispostos nas extremidades do letreiro. Na área de adoção e alojamento interno, é possível observar uma certa continuação da cor que se inicia no piso de cimento queimado e se une na tonalidade da parede, de forma a dar atenção aos cartazes e delimitar o fim do corredor. A iluminação direta é trabalhada de forma a trazer foco para elementos importantes, foi colocado com o foco nas paredes para possíveis fixação de cartazes tantos fixos quanto eventuais. Posteriormente a área externa destinada a adoção de cães, vem trabalhando com alojamentos dispostos de maneiras paralelas sendo separados por um jardim central. Esse alojamento externo é possível pelo fato da espécie possuir limitações físicas que impedem a fuga, sendo totalmente inadequado uma área externa e com aberturas para os felinos. O jardim central, composto por vegetação rasteira e nativa, contribui para uma melhor agradabilidade visual, olfativa e de conforto ocasionando um espaço agradável tanto para o usuário humano de cuidado e de adoção quanto para o animal que ali está alojado.


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Figura 28: Corredor interno da Instalação de Cuidado Animal de Palm Springs. Tom amarelado.

Simbologia do cão. Figuras

Uso do vidro para iluminação natural e visibilidade.

Piso de cimento queimado tonalizado. Fonte: http://www.archdaily.com/237233/palm-springs-animal-care-facility-swatt-miers-architects, adaptado pela autora.

Figura 29: Alojamentos externo de cães da Instalação de Cuidado Animal

Faixa pintada em cor chamativa. Revestimento nas paredes.

Alojamento externo para adoção.

Fonte: http://www.archdaily.com/237233/palm-springs-animal-care-facility-swatt-miersarchitects, adaptado pela autora.


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3.0 REFERENCIAL TEÓRICO/REVISÃO BIBLIOGRÁFICA

3.1 BREVE HISTÓRICO DE RELAÇÃO ENTRE O HOMEM E O ANIMAL DOMÉSTICO A domesticação de animais se tem por relatos de mais de 100.000 mil anos, onde homens davam abrigos a filhotes de lobos que eram abandonados e que rondavam por seus acampamentos. A relação inicialmente, era dada pela troca de interesses tanto do homem quanto do animal. O homem tinha como interesse a proteção que lhe era dada como retribuição pela alimentação do animal com restos de suas caças. Ao longo da evolução da domesticação canina, eram observados fatores como o comportamento e comunicação entre o homem e o cão. Os animais escolhidos para o convívio próximo com o humano eram os animais de melhor comportamento e que de certa forma entendiam a rotina e as limitações daquele grupo de humanos. A relação arcaica não visava o bem-estar do animal tendo uma relação totalmente exploratória e insensível, tanto que, no século XVII, ao chegarem em idade avançada e não conseguiam mais praticar suas atividades como a caça e a guarda, esses cães eram sacrificados por meio de enforcamentos ou afogamentos. Isso se dava à superioridade e à falta de sensibilidade do humano para com o cão. Uma forma de afirmar essas práticas de insensibilidade humana é citarmos René Descartes, que difundia a ideia dos animais como máquinas insensíveis e irracionais, que para provar sua tese dissecava cães com corações ainda pulsantes para entender como funcionavam, ignorando o sofrimento do animal. Foi quando Arthur Schopenhauer (1788,1869) refletiu o seguinte pensamento: “A compaixão pelos animais está intimamente ligada à bondade de caráter, e quem é cruel com os animais não pode ser um bom homem. ” Assim, reconhece o animal doméstico como ser sensível e passível de compaixão do homem. Sendo de um pensamento de profunda indignação contra atitudes insensíveis praticadas pelos homens na sociedade em que se vivia. Para Schopenhauer, o homem naquela época pouco fazia para tornar as relações entre o homem e o animal mais amistosas e com devido respeito à vida.


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Chegando ao pensador Charles Darwin, analisa a seleção artificial no qual se refere a uma seleção conduzida pelo homem de cruzamentos seletivos entre plantas e animais, objetivando espécies de características desejáveis. Assim, os animais domésticos que mais se adaptavam ao convívio humanos ganharam vantagem adaptativa, tendo chance de maiores reproduções. Assim, a sociedade passa a reconhecer a senciência, capacidade dos seres de sentir algo conscientemente como sensações e sentimentos, dos animais e da necessidade de medidas mitigadoras para o bem-estar animal e a proteção dos mesmos contra quaisquer tipos de abusos. Em relação às espécies felinas de pequeno porte, há relatos de que a data estimada para início de sua domesticação seja de 7.000 a 100 a.C. O gato, não é considerado, em todas as teorias, como um ser totalmente domesticado, visto que suas habilidades o torna um animal independente do ser humano, sendo autossustentável, sem a necessidade da ajuda humana para sobreviver. Atualmente o animal doméstico é visto incorretamente como objeto de status, acarretando valorização de determinada espécie e consequentemente a desvalorização de outra, seja de uma raça que não esteja mais em alta ou de animais sem raça definida. A relação atual de apego aos animais domésticos, foi resultado de um processo evolutivo em conjunto de humanos e animais, explicitada na sociedade atual onde o número de animais domésticos cresce drasticamente, superando até o número de crianças em determinadas cidades. Os animais domésticos assumem a importância de manter o equilíbrio mental das pessoas, visto que a sociedade moderna individualista atua como fator de isolamento pessoal, sendo o animal um refúgio psicológico para aqueles que necessitam de um certo tipo de conforto sentimental. Uma pesquisa feita em 2013, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), calculou que o número de crianças nos lares familiares sofreu uma queda com relação às famílias que possuem cães (Gráfico 1). No Brasil, crianças de até 14 anos somam 45 milhões nos lares e já os cães um total de 52 milhões se igualando a países como Estados Unidos e Japão. (RITTO, 2015)


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Gráfico 1: Projeção de crescimento da população de animais e crianças (Em milhões).

Fonte: Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (ABINPET), com base nos dados do Mercado e Projeção sobre pesquisas do IBGE, 2015.

3.2 ABANDONO ANIMAL Ao adquirir um animal de estimação a pessoa deve ter a consciência de suas responsabilidades para com o mesmo. Os cães e gatos necessitam de um cuidado em especial, consultas rotineiras com o médico veterinário, boa alimentação, lazer e brincadeiras, passeios, espaço, higiene e todas as necessidades que um companheiro animal necessita. “Outra atitude que normalmente acaba em abandono é a compra de animais por impulso, principalmente nas famosas feirinhas de filhotes ou pet shops.” (SHULTZ, 2009.). Assim os animais são transformados em objetos para presentear crianças e até mesmo adultos em datas comemorativas. Muitos possuem a ilusão do filhote como algo fofo e que nunca irá crescer e desenvolver. Um dos pontos principais do abandono é o crescimento de filhotes que se tornam cachorros de grande porte que não se adequam nas residências que tendem a se tornar apartamentos ou com metragem quadrada reduzidas. Assim esses animais são destinados as vias públicas, estradas afastadas ou até mesmo ao Centro de Controle de Zoonoses do município. “Estima-se que, de 10 animais abandonados, 8 já tiveram um lar. São animais que, por um motivo ou outro, foram rejeitados, não superaram as expectativas de seus “donos” e por isso, foram descartados. Cresceram demais,


P á g i n a | 28 adoeceram, não foram educados o suficiente, geraram aborrecimentos. ” (SHULTZ, 2009)

gastos e

Assim, vários motivos são dados para o abandono de animais de acordo com a Revista veterinária “Journal of Applied Animal Welfare Science”, como mostrado na tabela 1, a respeito de uma pesquisa realizada nos Estados Unidos que contemplou12 abrigos em 2007: Tabela 1: Motivos de abandonos. GATOS

CÃES

37% Suja a casa.

20% Destrutivo dentro de casa

16,9% Agressividade.

18,5% Suja a casa.

14,6% Destrutivo dentro de casa.

12,6% Destrutivo fora de casa.

11,4% Destrutivo fora de casa.

12,1% Agressividade.

9,0% Mordidas.

11,6% Fugas da residência.

8,0% Não se adapta com outros animais.

11,4% Hiperatividade.

6,9% Requer muita atenção.

10,7% Requer muita atenção.

6,9% Não amistoso.

10,7% Late ou uiva muito.

4,6% Eutanásia por motivos de comportamento.

9,7% Mordidas.

10º

4,6% Hiperatividade.

9,0% Desobediência.

Fonte: Revista veterinária “Journal of Applied Animal Welfare Science” , adaptado pela autora.

Ressaltando que o crime de maus-tratos contra o animal é legitimado pelo Art. 32, da Lei Federal nº. 9.605 de 1998 (Lei de Crimes Ambientais) e o Art. 164 do Código Penal, prevê o crime de abandono de animais para aqueles que introduzirem ou deixarem animais em propriedade alheia sem consentimento resultando em penas como: A pena prevista pelo Art. 32 da Lei de Crime Ambientais é de detenção de 3 meses a 1 ano e multa e a pena prevista pelo Art. 164 do Código Penal é de detenção, de 15 (quinze) dias a 6 (seis) meses, ou multa.

3.3 RELAÇÃO DO ANIMAL COM A CIDADE Diante de todo o contexto do relacionamento do homem com o animal doméstico fica evidente a preocupação com os problemas que possam estar relacionado com a falta de conscientização e descontrole de população animal. Além


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disso, a existência dessa nova configuração social impõe a necessidade de uma instituição de resgate e amparo animal para que não interfira na sociedade. A ineficiência de um Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) e de abrigos que não são propriamente projetados e administrados é um polo radiador de potenciais problemas de saúde pública, segurança e da imagem da cidade. De acordo com a pesquisa realizada em 2005, como forma de verificação da situação da Leishmaniose Visceral na cidade de Montes Claros, constatou-se uma cidade característica e propícia à ocorrência da doença resultante da convivência elevada com animais domésticos abandonados na cidade, proporcionando condições favoráveis para a ocorrência da transmissão epidêmica da doença. Outro fator importante na transmissão, sendo descrito por Sherlock, é que a Leishmaniose Visceral vem ocorrendo com mais frequência em áreas quentes, onde o clima se assemelha com o da cidade de Montes claros, seco e com média baixa de chuvas anuais. A cidade também foi analisada pelo Ministério da Saúde e escolhida de acordo com a gravidade da doença instalada referente ao número de animais abandonados em vias públicas. De acordo com o Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Montes Claros, órgão responsável pelo controle de agravos e doenças transmitidas por animais, de 2007 a 2011 foram confirmados 129 casos humanos, com 10 óbitos. Foram realizados 44.228 exames preventivos em cães na cidade, no período de 2009 a 2011. Foram diagnosticados 2.472 casos caninos positivos considerando a ineficácia de acesso aos hospedeiros domésticos visto que o número de animais na cidade, de acordo com a Bióloga responsável pela pesquisa de Leishmaniose Visceral Sandra da Silva Barros Marinho, passa de 60.000 cães. “O abandono relacionado com o descontrole de reprodução gera outro problema grave visto que cada cria que nasce pode gerar 15 cães ou 45 gatos. Assim, em seis anos uma cadela e seus descendentes conseguem produzir aproximadamente 64 mil filhotes. No décimo ano de uma geração de um casal de cachorro são gerados 80 milhões de animais. No caso de gatas, consequentemente, esse número é ainda maior. ” (CESARINI, 2016.)

Segundo Cesarini (2016), a maneira mais eficiente de solucionar o problema de controle populacional de cachorros e gatos é a castração e não o sacrifício. A castração além de evitar o abandono traz outros benefícios como a diminuição drástica do risco de doenças nas vias uterinas; do câncer de mama, útero,


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próstata e testículos; elimina a gravidez psicológica; ameniza o risco das fugas e brigas, que podem acarretar acidentes; entre outros. O alto número de animais abandonados nas vias públicas atua também como um problema de imagem da cidade. “Entre seus inúmeros papéis, a paisagem urbana também é algo a ser visto e lembrado, um conjunto de elementos do qual esperamos que nos dê prazer. ” (LYNCH, Kevin. 1997). Montes Claros é uma grande cidade muito visada pela região sul da Bahia e pelo entorno norte mineiro, consequência de uma economia que gira entorno da Zona Industrial, Saúde e Educação Acadêmica, recebendo grande quantidade de população flutuante e até mesmo de pessoas que após utilizar de serviços oferecidos pela cidade se instalam permanentemente. Assim problemas de abandono de animais em vias públicas transforma a imagem da cidade tornando algo desagradável, desconfortável e perigoso. Continuando com o pensamento de Lynch (1997) sobre a legibilidade da cidade ele cita “Uma boa imagem ambiental oferece ao seu possuidor um importante sentimento de segurança emocional. ”. Diante disso há necessidade de interação do cenário urbano e políticas públicas visando a qualidade do controle de abandono de animais e maus tratos dos mesmos que consequentemente muda a imagem da cidade diante o usuário.

3.4 PARCERIA ENTRE O PÚBLICO E O PRIVADO Os centros urbanos estão cada vez mais lotados de animais domésticos abandonados. Os bichos vivem ao relento, sofrem maus tratos, correndo risco de serem atropelados, geram um certo caos à saúde pública, até que são recolhidos pelo Centro de Controle de Zoonoses (CCZ), onde os animais ficam instalados por três dias, até que são eutanásiados. (SCHULTZ, 2014.) Segundo Schultz (2014) soluções para minimizar o abandono de animais existem e são possíveis, embora que ainda com certa dificuldade, de serem implementadas na prática. A conscientização da população, políticas governamentais, públicas e privadas que vissem a castração e até mesmo a castração em massa e de baixo custo são uma dessas soluções. Contempla também políticas de adoção responsável, orientação quanto à responsabilidade de compra de filhotes em feitas de adoções e incentivo da adoção e não da compra, ou se optar pela compra que seja


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apenas de animais com ótima procedência vindo de criadores sérios que se preocupam com o estudo da raça e do bem-estar animal. Para a manutenção do centro, a verba virá de serviços prestados a comunidades, por meio de doações da sociedade e sociedade com protetores de animais que já realizam trabalhos a respeito dessa causa. A parceria visa benefícios para ambos contribuintes, ajudando na saúde e segurança pública e possibilita um local de refúgio para os animais resgatados das ruas pelos protetores independentes. Assim foi necessário entender como os conceitos de arquitetura aplicados aos espaços destinados aos cuidados do animal traz uma percepção e eficiência para o projeto.

3.5 CONCEITOS DE ARQUITETURA APLICADOS AOS ESPAÇOS DESTINADOS AOS CUIDADOS DE ANIMAIS “A temática arquitetônica é muito variada. Ela deve ser tão ampla quanto a variedade das atividades humanas na sociedade. ” (NEVES, 2011. p.15). Visto que os animais e os seres humanos possuem percepções espaciais diferentes nota-se necessária avaliação e relação das duas percepções ao projetar espaços destinados aos cuidados destes animais. Assim, de acordo com PALLASMAA (2011) a Arquitetura oferece formas e superfícies agradáveis e configuradas para o toque dos olhos e dos demais sentidos.

3.5.1 CORES Um mito que se espalha ao redor do mundo é que os animais não enxergam cores, enxergando apenas em preto e branco. Os humanos possuem três tipos de pigmentos na retina capazes de captar o azul, o vermelho e o verde, já os cães e gatos só possuem dois pigmentos, assim a capacidade dos cães e gatos de poder identificar cores é reduzida de acordo com o espectro deles. Uma exposição na GrãBretanha da universidade de Lincoln explica como a percepção dos cães e gatos pode ser diferente das dos humanos, como mostrado na Figura 29 e Figura 30.


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Figura 30: Relação da percepção animal com a dos humanos.

Fonte: http://abes-sp.blogspot.com.br/2012/07/exposicao-revela-misterios-dapercepcao.html#.WP5_bNLyvIU.

Figura 31: Relação da percepção animal com a dos humanos.

Fonte: http://www.brasil247.com/pt/247/revista_oasis/121256/Vis%C3%A3o-de-gato-Ver-o-mundocom-os-olhos-de-um-felino.htm

Para Farina (1982) o indivíduo que recebe a comunicação visual, a cor exerce uma ação tríplice: a de impressionar, a de expressar e a de construir. A cor é vista: impressiona a retina. É sentida: provoca uma emoção. E é construtiva, pois, tendo um significado próprio, tem valor de símbolo e capacidade, portanto, de construir uma linguagem que comunique uma ideia. O projeto de um centro para animais deve estar de acordo com a questão da percepção do animal e da agradabilidade

visual

humana,

comportamental e atrativa.

ambos

em

equilíbrio

visando

eficiência


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3.5.2 ILUMINAÇÃO E VENTILAÇÃO NATURAIS Um projeto arquitetônico define o desempenho do edifício de acordo com o conforto dos usuários, pensando desta forma Frota (1995) cita que a Arquitetura, como uma de suas funções, deve oferecer condições térmicas compatíveis ao conforto térmico humano no interior dos edifícios, sejam quais forem as condições climáticas externas. E assim como os humanos necessitam de conforto térmico os animais, que possuem diferentes formas de transpiração, necessitam de diretrizes voltadas a ventilação e iluminação natural. Em lugares como Montes Claros o conforto térmico anda lado a lado com a ventilação natural, visto que necessita ser um local que tenha uma eficiente ventilação natural, mas que ocorra pouco índice de insolação na edificação pois a iluminação e ventilação natural agem como fontes de calor se não pensada corretamente. Citando Frota (1995) novamente podemos ver que a ventilação proporciona a renovação do ar do ambiente, sendo de grande importância para a higiene em geral e que a renovação do ar dos ambientes proporciona a dissipação de calor e a desconcentração de vapores, fumaça, poeiras, de poluentes. Seguindo esse pensando o etólogo Bruno Tauz diz que para proporcionar ao cão uma vida mais próxima possível da vida natural que ele teria em seu habitat, deve ser imprescindível o projetar com a consciência de um lugar que possua uma área de solário onde o mesmo atua como uma poderosa ferramenta para que elimina eventuais bactérias das fezes, além de favorecer a osteogênese (ossificação) pela indução à produção, pelo organismo, das vitaminas A+D3. Nesse contexto foi necessário buscar conhecimento a respeito de especificações técnicas e dimensionamento de uma arquitetura que volta para a percepção humana, mas também contemple a perspectiva do olhar e necessidades do animal.


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4. ANÁLISE DO TERRENO A escolha do terreno para esse tipo de instalação é de suma importância pois segue recomendações que são necessárias para eficiência das atividades. Assim, o estudo do terreno expõe a relação do terreno com o entorno e a cidade em si abordados em seu diagnóstico. Segundo a Fundação Nacional da Saúde (FUNASA) alguns aspectos devem ser considerados como: a) Abastecido de energia elétrica, água e instalações telefônicas, de forma a atender à demanda; b) Dispor de rede de esgoto apropriada, ou outra forma de destino tecnicamente viável, evitando-se a contaminação ambiental; c) Distante de mananciais e áreas com risco de inundação; d) Áreas que possuam lençol freático profundo; e) Considerar acréscimo mínimo de 100% à área de construção, para efeito de cálculo da área do terreno; f) A área do terreno deve ser suficiente para garantir o acesso e manobra de caminhão de médio porte; g) De fácil acesso à comunidade para a qual a instituição prestará seus serviços, por vias públicas em condições permanentes de uso; h) Distante de áreas densamente povoadas, de forma a evitar incômodos à vizinhança; i) Distante de fontes de poluição sonora. (FUNASA, 2016)

De acordo com George Thomas Mies, sócio da Swatt | Miers Architects na Califórnia (EUA), a localização influencia em uma preocupação histórica de implantações de Abrigos de animais que é o controle de ruídos e odores assim a instalação deve estar próxima de vegetação e longe de áreas densamente povoadas.

4.1 ZONEAMENTO O terreno foi escolhido na Zona Especial 2, como mostrado na Figura 31, na Avenida Osmane Barbosa situado no bairro Universitário, extremo Norte de Montes Claros. A escolha segue diretrizes da LUOS da cidade onde explica no Art. 6º, parágrafo 2º que SE-2 que são espaços, estabelecimentos e instalações sujeitos a controle e destinados a grandes usos institucionais, tais como: hospitais, centro cívico, centro administrativo, universidades, estádios, terminais, usinas de lixo, aterro sanitário, cemitérios, áreas de lazer e escolas em geral. A instalação se considera como Institucional de Bairro com especificação de que o terreno tenha possua área mínima de 5.000m² (cinco mil metros quadrados) e sem limites de área edificada.


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Figura 32: Mapa de Zoneamento de Montes Claros.

Fonte: Prefeitura de Montes Claros, 2017, adaptado pela autora.

4.2 LOCALIZAÇÃO E ENTORNO

A escolha do terreno teve grande influência do seu entorno diante das recomendações da Fundação Nacional da Saúde (FUNASA) e do Arquiteto especialista em Instalações de Abrigos de animais, George Thomas Mies. Ambos atribuem a um terreno eficiente características como, serem afastados de centros urbanos e de áreas densamente povoadas, vegetação presente para dispersão de odores, ter um sistema viário que comporte veículos de grande carga, infraestrutura e distante de áreas com auto índice de sonoridade.


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Figura 33: Marcos do entorno.

Fonte: My Maps, Google e acervo pessoal, 2017, adaptado pela autora.

Visto que as atividades Centro também serão voltadas para a educação médica veterinária, o terreno deve estar localizado próximo aos marcos educacionais como as Faculdades Integradas do Norte de Minas (FUNORTE) onde oferta o curso de Medicina Veterinária e a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) o curso de Zootecnia. A localização está próxima também do Hospital Veterinário pertencente a FUNORTE. Assim, o acesso aos alunos é facilitado diante da proximidade do Centro às Faculdades. Como mostrado na Figura 33, o terreno está localizado longe de áreas residenciais e próximas a grandes áreas verdes contribuindo para a dispersão de odores e controle de ruídos. Os bairros próximos são de população de baixa renda, um dos principais alvos dos serviços oferecidos pelo Centro.


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Figura 34: Mapa do entorno do terreno.

Fonte: My Maps, Google, adaptado pela autora.

4.3 ACESSOS E HIERARQUIA VIÁRIA Como mostrado na Figura 34, o acesso se dá principalmente pela Avenida Osmane Barbosa que percorre de maneira extensa a região tendo as Avenidas Sidney Chaves e como complemento para comunicação direta ao centro da cidade. O sistema viário de acesso é composto por Avenidas de grandes dimensões de fluxo rápido e de vias locais existentes no entorno, contribuindo para que o acesso ao Centro de resgate seja facilitado pela população.


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Figura 35: Mapa viário do entorno.

Fonte: My Maps, Google, adaptado pela autora.

4.4 ANÁLISE TOPOGRÁFICA DO TERRENO E ENTORNO O terreno da região tem variação considerável de altitudes, possuindo lotes com pouca diferenciação de altitude e alguns com maior diferenciação. O terreno escolhido possui a topografia relativamente plana caracterizando-a como um planalto, o que afeta diretamente no Projeto Arquitetônico do Centro de resgate em questões da disposição dos alojamentos dos animais e na transição dos mesmos nos ambientes internos.


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Figura 36: Delimitação do terreno e curvas de nível do entorno.

Fonte: Prefeitura Municipal de Montes Claros, MG, adaptado pela autora.

Figura 37: Delimitação do terreno e curvas de nível.

Fonte: Prefeitura Municipal de Montes Claros, MG, adaptado pela autora.


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Figura 38: Corte AA do terreno

Fonte: Autora.

Figura 39: Corte BB do terreno

Fonte: Autora.

4.5 ANÁLISE AMBIENTAL As melhores visadas estão situadas em sua lateral direita e aos fundos do terreno por possuir grande quantidade de vegetação. O terreno contempla vegetação nativa mista, sendo árvores de grande à pequeno porte, espalhadas pelo terreno e o entorno, criando um local eficiente para esse tipo de implantação que necessita da existência e preservação do meio ambiente arbóreo. Essas visadas são primordiais para uma boa dispersão de odores, ruídos, iluminação e ventilação natural da Instalação, contribuindo para eficiência e bem-estar dos trabalhadores, frequentadores e dos animais ali alojados. Figura 40: Testada frontal do terreno

Fonte: Acervo pessoal.


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Figura 41: Vegetação nativa presente na região.

Fonte: Google, My Maps, adaptado pela autora.

Figura 42: Vegetação nativa do terreno, adaptado pela autora.

Fonte: Autora.


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Assim como mostrado nas Figuras 40 e 41, nota-se que não há necessidade do total desmatamento da vegetação nativa do terreno para a implantação do Centro de resgate. A vegetação será somada com as diretrizes de conforto ambiental e sonoro descritos abaixo. 4.6 ANÁLISE DE CONFORTO AMBIENTAL E ACÚSTICO Uma vez que ventilação e incidência solar são fatores essenciais para a eficiência de uma instalação com esse tipo de função, devem ser analisados e registrados para a abertura de vãos e setorização de áreas que necessitam de incidência solar e ventilação maior por questões higiênicas e conforto. O terreno está disposto praticamente no alinhamento do eixo da Rosa dos ventos, assim segue a trajetória comum do movimento do Sol. Como mostrado no estudo de Cartas Solares abaixo, as testadas Oeste e Norte irão receber maior incidência solar. Oeste irá receber toda a insolação da parte da tarde e a Norte irá receber incidência solar durante todo o dia requerendo medidas para amenizar a temperatura exposta. Figura 43: Estudo de insolação do terreno (carta solar)

Fonte: Autora.


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Seguindo a predominância dos ventos de Montes Claros, Leste/Oeste mostrado na Figura 43, o terreno terá por toda sua dimensão longitudinal a passagem dos ventos contribuindo para aberturas que irão ventilar e fazer a troca de ar dos ambientes internos. Figura 44: Ventilação predominante Leste/Oeste

Fonte: Autora.

O conforto acústico de um Centro de Resgate Animal tem a necessidade de procurar soluções para um típico problema em instalações que abrigam cães, os latidos. Historicamente, este é o padrão de comportamento em abrigos de animais que já estão em funcionamento. Estes que muitas vezes abrigam em um mesmo alojamento um grande número de cães assustados, agitados, alguns dos quais estão doentes e muitos dos quais foram maltratados. Os principais condicionantes para a geração de latidos são: o stress, a agitação e provocação. Por isso, maioria dos cães em ambientes onde recebem atenção humana e qualidade de vida adequada, não latem, garantindo harmonia e controle de ruídos internos. Outro fator que se deve levar em consideração é a produção de ruídos externos ao Centro de Resgate, esses ruídos interferem diretamente no comportamento dos animais abrigados podendo deixá-los irritados. Como mostrado na Figura 44, a geração de ruídos externos no terreno está direcionada pelo trânsito


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de veículos de grande, médio e pequeno porte proveniente da Av. Osmane Barbosa e pela circulação de pedestres proveniente da FUNORTE e da UFMG.

Figura 45: Geração de ruídos no entorno.

FUNORTE

UFMG Fonte: Autora.

Medidas que serão levadas em consideração no projeto para a melhoria do padrão comportamental de cães que produzirem latidos serão: 1) Um processo extensivo de avaliação de comportamento ocorrerá com cada cão e com base nas avaliações, eles podem ser colocados com outro(s) cão/cães para socialização e companheirismo. 2) Um rigoroso programa de adestramento na área livre, onde será um lugar onde os cães entrarão em contato frequente com adestradores, canalizando a energia dos cães e fazendo com que os mesmos pratiquem atividades físicas para melhor comportamento. 3) Cada alojamento canino receberá um sistema de música canalizada fornecendo som de fundo calmo visando reduzir outras fontes de ruído mais abruptas às quais os cães muitas vezes reagem de forma exagerada.


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4.7 ANÁLISE DE INFRAESTRUTURA

Ainda seguindo as especificações da Fundação Nacional da Saúde para a escolha do terreno, a presença de infraestrutura no terreno e entorno foi de suma importância para que suas atividades sejam feitas com eficiência e que a implantação esteja de acordo com as especificações. Assim, ligação de água, ligação de luz, esgoto, pavimentação das vias, equipamentos urbanos, pontos de ônibus entre outros, se destacam no entorno do terreno escolhido. O entorno conta com um trabalho feito pela Funorte recentemente que possui a elaboração de um projeto de paisagismo para a rotatória, novos pontos de ônibus, inserção de coleta seletiva de resíduos sólidos, sinalização vertical de trânsito, pavimentação das ruas, inserção de novos postes de iluminação e colocação de brita no estacionamento de veículos de transporte. Em suma, o entorno do terreno escolhido é agradável, não possui presença de nenhum tipo de poluição, possui acessibilidade com pavimentação das ruas, contempla iluminação artificial das ruas de maneira eficiente contribuindo para a melhoria da segurança do lugar. Figura 46: Equipamentos urbanos do entorno.

Pontos de ônibus

Fonte: Acervo da autora.


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Figura 47: Pontos de Ă´nibus em frente ao terreno.

Fonte: Acervo da autora.

Figura 48: Paisagismo em frente ao terreno.

Fonte: Acervo da autora.


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Figura 49: Coleta seletiva de resíduos sólidos e piso direcional.

Fonte: Acervo da autora.


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5. PROGRAMA DE NECESSIDADES Diante de todo conhecimento adquirido ao longo da pesquisa, se fez possível a elaboração de um programa de necessidades que atendesse as atividades propostas pelo Centro de Resgate, como mostrado na Tabela 2 abaixo. Ambiente Quant. Área Área T. Depósito 1 10m² 10m² Banheiros 2 20m² 40m² Setor Copa/Descanso 1 20m² 20m² Administrativo Direção 1 20m² 20m² Recepção 1 20m² 20m² Secretaria 1 20m² 20m² Banheiros dos funcionários 2 10m² 20m² Consultórios 2 10m² 20m² Isolamento ou quarentena 8 8m² 64m² Farmárcia 1 20m² 10m² Laboratório 1 50m² 50m² Maternidade veterinária 1 30m² 30m² Setor de Piscina terapêutica (grande porte) 1 60m² 60m² Cuidados Piscina terapêutica (pequeno porte) 1 20m² 20m² Médicos Raio X/Ultrasson 1 20m² 20m² Sala de banho e Tosa 1 12m² 12m² Sala cirúrgica 3 2x16m²/36m²70m² Sala de recuperação 1 30m² 30m² Triagem (ambulatório) 1 10m² 10m² Vestiário 1 20m² 20m² Sala de aula 2 48m² 96m² Setor Educacional Banheiros 2 10m² 20m² Individuais Coletivos Individuais Gatis Coletivos Depósito de materiais Setor de Pet place Adestramento/ Piscina Recreação Sala do adestrador Solário/Adestramento Atendimento/Recepção Banheiros para funcionários Petshop Depósito Sala de banho e tosa Área de exposição de produtos Depósitos de ração Depósitos de resíduos (animais) Entrada de Depósito de resíduos (hospitalares) serviços Estacionamento (vagas comuns) Estacionamento (grande porte) Guarita Canis

80 10 50 2 1 1 1 1 1 1 1 1 1 1 3 1 1 30 5 1

6m² 480m² 25m² 250m² 8m² 400m² 30m² 60m² 6,25m² 6,25m² 50m² 50m² 35m² 35m² 9m² 9m² 500m² 500m² 12m² 12m² 7,5m² 7,5m² 6,25m² 6,25m² 20m² 16m² 20m² 20m² 6m² 18m² 12m² 12m² 12m² 12m² 12,5m² 375m² 28m² 140m² 4m² 4m²

Área total

130m²

418m²

116m² 730m² 460m²

600,25m²

65,75m²

561m²


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Setor de adoção/ Visitantes

Animais de grande porte Setor alimentação

Setor de serviços

1 Atendimento/Recepção Adoção de gatos 1 Adoção de cachorros 1 Banheiros 2 Espaço para eventos 1 Estacionamento 30 vagas Guarita 1 Curral 1 Baias 6 Isolamento ou quarentena 1 Solário (grande porte) 1 Cozinha animal 1 Despensa 1 Banheiros 2 Casa de gás (GLP) 1 Casa de máquinas 1 Central elétrica 1 Copa de funcionários 1 DML 4 Lavanderia 1 Vestiário 1 Circulação Total de área construída Fonte: Autora.

12m² 12m² 50m² 50m² 50m² 50m² 801m² 10m² 10m² 300m² 300m² 12,5m² 375m² 4m² 4m² 50m² 50m² 16m² 96m² 370m² 24m² 24m² 200m² 200m² 24m² 24m² 30,25m² 6,25m² 6,25m² 9m² 18m² 10m² 10m² 20m² 20m² 10m² 10m² 108,25m² 20m² 20m² 6,25m² 6,25m² 12m² 12m² 12m² 12m² 20% 820,90m² 5.175,5 m²


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6. FLUXOGRAMAS Grรกfico 2: Fluxograma geral

Fonte: Autora.

Grรกfico 3: Fluxograma do Setor Administrativo

Fonte: Autora.


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Gráfico 4: Fluxograma do Setor de Cuidados Médicos

Fonte: Autora.

Gráfico 5: Fluxograma do Setor Educacional

Fonte: Autora.

Gráfico 6: Fluxograma dos Canis

Fonte: Autora.

Gráfico 7: Fluxograma dos Gatis

Fonte: Autora.


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Gráfico 8: Fluxograma do Setor de Adestramento/Recreação

Fonte: Autora.

Gráfico 9: Fluxograma do PetShop

Fonte: Autora.

Gráfico 10: Fluxograma da Entrada de Serviços

Fonte: Autora.


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Gráfico 11: Fluxograma do Setor de Adoção/Visitantes

Fonte: Autora.

Gráfico 12: Animais de Grande Porte

Fonte: Autora.

Gráfico 13: Setor de Alimentação animal

Fonte: Autora.


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Grรกfico 14: Setor de Serviรงos

Fonte: Autora.


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7. CONSIDERAÇÕES FINAIS Logo, diante de todo o estudo levantado, se faz viável a construção de um Centro de Resgate e Reabilitação Animal na cidade de Montes Claros que vise atender toda a demanda deficiente de atividades fornecidas pelos órgãos públicos em funcionamento. As etapas do desenvolvimento do trabalho foram de suma importância para aprofundamento no conhecimento sobre o tema pouco estudado na área arquitetônica e as atividades que serão desenvolvidas no Centro. O estudo de obras análogas vem abrir os olhos das instalações brasileiras quanto ao o tema de abrigo animal. Durante a pesquisa, é notável a falta de interesse sobra aprofundamento projetual e melhoramento das diretrizes que abordam o assunto no Brasil, onde só se encontra instalações altamente eficientes fora do Brasil, como no Estados Unidos, Canadá e Países Baixos. A falta de eficiência nas instalações brasileiras reflete os problemas encontrados para justificativa da implantação do Centro como abandono de animais em vias públicas, maus tratos desses animais, acidentes de trânsito, impacto na imagem da cidade, reprodução descontrolada e proliferação de doenças letais em humanos e animais. As obras análogas analisadas demonstram instalações que adequam funcionalidade e estética, sendo seriamente projetadas visando solucionar problemas tipicamente apresentados em instalações antigas que refletem na eficiência das atividades e na qualidade de vida dos animais alojados e funcionários. Assim, a análise das obras teve grande importância para o entendimento do projeto arquitetônico de uma instalação de abrigo animal mostrando dimensionamento de ambientes, qualidade de conforto ambiental e acústico, plástica visando o olhar da população, disposição de ambientes, aberturas, cores utilizadas materiais escolhidos para melhor higiene etc. O estudo bibliográfico foi de grande relevância para o desenvolvimento do referencial teórico. Novamente foi possível observar a deficiência de estudos científicos na área da Arquitetura sobre o tema e observando grande quantidade de normas que gerenciam as instalações do Centro de Controle de Zoonoses que mesmo atualizadas não visam a qualidade de vida animal. Foi analisado um breve histórico da relação dos seres humanos com o animal domesticado para a compreensão dessa ligação que se torna cada dia mais comum, sendo o número de cachorros maiores que o de crianças nas casas brasileiras e essa ação tende a se perpetuar na


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sociedade. Outro ponto de importância foi o entendimento da prática comum da eutanásia em Centros de Controle de Zoonoses nas cidades brasileiras, prática essa que não resolve o problema de descontrole populacional e que é crime contra os direitos dos animais, tendo como solução os mutirões de castração e reintegrados na sociedade através da adoção responsável. Os artigos científicos internacionais foram de suma importância para compreensão de medidas mitigadoras e melhor entendimento sobre os assuntos levantados para o planejamento projetual de uma instalação que visa amparo animal. De acordo com as normas analisadas no referencial teórico, o terreno escolhido para a implantação com as atividades previstas adequa a todas as características topográficas, de infraestrutura, de zoneamento, presença de vegetação, conforto térmico e acústico. O terreno possui entorno favorável de acordo com seu zoneamento, SE-2, contando os aspectos de Marcos Arquitetônicos, pois está localizado próximo às Faculdades que oferecem cursos voltados à Medicina Veterinária e a Zootecnia, FUNORTE E UFMG, possibilitando integração aos cursos e possíveis estágios para os alunos. Outro fator ligado ao seu zoneamento é a questão de potencialidade construtiva, foi escolhido um terreno que possui 9.505m² que terá cerca de 5.175,5m² de área construída possibilitando que o restante da área não seja desmatada contribuindo para o conforto térmico e acústico da edificação. Está localizado em uma região com habitações de população de baixa renda, sendo pessoas que possuem pouco conhecimento e condições para tratar de seus animais e prevenir o descontrole populacional e proliferação de doenças, onde o Centro pode contribuir para a conscientização da mesma e ajuda com tratamentos e atendimento mais acessíveis para a população carente. Todo o trabalho desenvolvido como as visitas técnicas, levantamento fotográfico, análise de mapas da Prefeitura Municipal de Montes Claros, estudo de Cartas Solares, cortes do terreno reafirmou a pertinência do terreno para a implantação do Centro de Resgate, Reabilitação e Bem-estar animal. Como resultado de todo o estudo analisado anteriormente foi possível a elaboração do programa de necessidades e da representação gráfica dos fluxogramas apresentados conforme as necessidades vivenciadas na cidade de Montes Claros na atualidade e visando atender demandas futuras de acordo com o constante crescimento urbano. Foi pensado o dimensionamento dos ambientes visando a


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qualidade de vida animal e dos funcionários que irão atuar no Centro. Como as instalações independentes e as municipais não possuem uma área destinada à eventos filantrópicos, se faz necessário a presença do mesmo, afim de acumular recursos para a manutenção do Centro juntamente com atividades que serão oferecidas para a população. Pela observação dos aspectos analisados e levando em consideração os argumentos apresentados, o tema proposto, Centro de Apoio, Resgate, Reabilitação e Bem-estar animal pretende atender com alta qualidade a demanda de animais abandonados na cidade de Montes, pequeno e grande porte, oferecer a reabilitação médica por meio de tratamentos e oferecendo também a castração, reabilitação comportamental por meio de adestramento e reintegração social por meio de áreas destinadas a adoção responsável. Será oferecido também atividades e salas de aula para alunos dos cursos de Medicina Veterinária e Zootecnia oferecendo todo suporte necessário para a área educacional e estágios supervisionado. Pretende atender o alto número de Protetores de Animais encontrados na cidade que não possuem local próprio para eventos beneficentes ligados à doações, adoções e atividades de conscientização. Assim, ao final do presente trabalho, é possível afirmar que os objetivos propostos no início foram alcançados com o decorrer da pesquisa, obtendo sucesso na sua conclusão.


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TFG Arquitetura e Urbanismo - Centro de resgate, reabilitação e bem-estar animal  

Trabalho inicial de pesquisa de base para elaboração de um projeto de um Centro de resgate animal.

TFG Arquitetura e Urbanismo - Centro de resgate, reabilitação e bem-estar animal  

Trabalho inicial de pesquisa de base para elaboração de um projeto de um Centro de resgate animal.

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