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ESPELHO, ESPELHO MEU: QUEM REPROVA MAIS QUE EU?

Rosimeri Meirelles dos Santos - meirelles.rms@gmail.com Tatiani Roland Szelest - tatiani.roland@gmail.com Teresinha Salete Trainotti


ESPELHO, ESPELHO MEU: QUEM REPROVA MAIS QUE EU?


Quem nunca ouviu a bela história da Branca de Neve recheada de anões, com madrasta malvada, maçã

envenenada

e

príncipe

encantado? Ora, se tão facilmente podemos relembrar deste conto também não deve passar despercebido aquele que, na trama, tudo vê, tudo

fala

ESPELHO.

e

tudo

julga:

O


• O REFLEXO DO ESPELHO... O ATO DE REFLETIR...

O que aconteceria se esta impiedade justa do espelho refletisse os resultados da avaliação da aprendizagem dos alunos? Quem se atreveria a olhar?


AVALIAR: O QUÊ? PARA QUÊ? PARA QUEM? Era uma vez... Uma rainha que vivia em um grande castelo. Ela tinha uma varinha que fazia as pessoas bonitas ou feias, alegres ou tristes, vitoriosas ou fracassadas. Como todas as rainhas, ela também tinha um espelho mágico. Um dia, querendo avaliar sua beleza, ela perguntou ao espelho: — Espelho, espelho meu, existe alguém mais bonita do que eu? .O espelho olhou bem para ela e respondeu: — Minha rainha, os tempos estão mudados. Esta não é uma resposta assim tão simples. Hoje em dia, para responder a sua pergunta eu preciso de alguns elementos mais claros.


Atônita, a rainha não sabia o que dizer. Só lhe ocorreu perguntar: — Como assim? — Veja bem, respondeu o espelho. — Em primeiro lugar, preciso saber por que Vossa Majestade fez essa pergunta, ou seja, o que pretende fazer com minha resposta. Pretende apenas levantar dados sobre o seu ibope no castelo? Pretende examinar seu nível de beleza, comparando-o com o de outras pessoas, ou sua avaliação visa ao desenvolvimento de sua própria beleza, sem nenhum critério externo? É uma avaliação considerando a norma ou critérios predeterminados? De toda forma, é preciso, ainda, que Vossa Majestade me diga se pretende fazer uma classificação dos resultados.


E continuou o espelho: — Além disso, eu preciso que Vossa Majestade me defina com que bases devo fazer essa avaliação. Devo considerar o peso, a altura, a cor dos olhos, o conjunto? Quem devo consultar para fazer essa análise? Por exemplo: se consultar somente os moradores do castelo, vou ter uma resposta; por outro lado, se utilizar parâmetros nacionais, poderei ter outra resposta. Entre a turma da copa ou mesmo entre os anões, a Branca de Neve ganha estourado. Mas, se perguntar aos seus conselheiros, acho que minha rainha terá o primeiro lugar. Depois,

ainda

tem

o

seguinte

continuou

o

espelho:

— Como vou fazer essa avaliação? Devo utilizar análises continuadas? Posso utilizar alguma prova para verificar o grau dessa beleza? Utilizo a observação? — Finalmente, concluiu o espelho, — Será que estou sendo justo? Tantos são os pontos a considerar (...) (PATTON, 1997).


Cada vez é mais comum na escola encontrar crianças que não aprendem. Alguns podem dizer que cada vez é mais comum encontrar professoras que não ensinam. Mas o certo é que já estamos habituados a nos deparar, nas escolas públicas, com grande número de crianças que não sabem aquilo que a escola se propõe a ensinar. (ESTEBAN, 2001, p. 131):


INSTRUMENTOS AVALIATIVOS

Detectar a aprendizagem do aluno ou desvendar enigmas?

LUCKESI ,2006, 2011


PAROLIN, 2011


Qualquer ação, em qualquer circunstância, exige, por parte daquele que a executa, saber o que é aquela ação e por que executa. Ora, se o professor não tem clareza em relação a "o que avaliar?" e "por que avaliar?", o "como

avaliar?" certamente será

prejudicado. (MELCHIOR,1994, p. 54)


ERA UMA VEZ... COMO TUDO COMEÇOU... Programa de Gerenciamento do Desempenho

PGD


Falamos de avaliação do ensino, que é a avaliação do professor, e falamos de avaliação da aprendizagem, que é a avaliação do aluno. Porém as conseqüências que se originam em um caso e em outro são muito distintas e de alcance muito desigual. São tomadas medidas em relação ao aluno que, em alguns casos, afetam e incidem decididamente na vida dos sujeitos; da avaliação do ensino simplesmente se fala.

(ÁLVAREZ MÉNDEZ ,2002, p. 57)


2009 - Foi solicitado às escolas que enviassem para a SMED informações referentes ao desempenho dos alunos desde o primeiro trimestre, levando em consideração o ano/série, a turma, e as disciplinas no caso do Ensino Fundamental II. 2010 - Foi elaborada uma ficha informativa de desempenho (FID). O resultado foi levado até a escola para serem discutidos nas reuniões pedagógicas. 2011 - Repetiu-se o mesmo processo, porém os dados não fizeram parte da discussão devido à falta de profissionais do setor pedagógico. 2012 - A planilha sofreu algumas modificações facilitando tanto para quem a preenche na escola, quanto para a organização e análise dos dados.


Avaliação do Desempenho Escolar Turma 54 Atingiram 92% 59% 33%

Não atingiram

Evadidos/infrequentes: 8%

78%

59%

54% 38%

33%

59% 33%

70% 48% 44%

14% Língua Portuguesa

Arte-educação

Educação Física

83% 53% 44%

Língua Estrangeira

69%

53% 44% 14%

28%

Matemática

Ciências

Geografia

22% História

73%

19% Religião

37 alunos 94%

81% 64% 33%

66%

58% 39%

31% 16%

Língua Portuguesa Arte-educação Educação Física Língua Estrangeira Matemática

Ciências

Geografia

3% História

36 alunos Gráfico 01 - Comparativo do desempenho da Turma 54 em todas as disciplinas

Religião


Avaliação do Desempenho Escolar Matemática – 5ª série Atingiram 72%

81%

Não atingiram 65%

22% 6%

19%

Turma 51 37 alunos

50% 47% 3%

Turma 52 36 alunos

46% 38% 16%

Evadidos/infrequentes

54% 38%

32%

59%

52% 45%

35%

3%

8%

3%

6%

Turma 53

Turma 54

Turma 55

Turma 56

36 alunos

37 alunos

37 alunos

37 alunos

64%

60% 35%

33%

54% 37%

5%

3%

9% Turma 55

Turma 51

Turma 52

Turma 53

Turma 54

38 alunos

37 alunos

38 alunos

36 alunos

33 alunos

62% 19% 19% Turma 56 36 alunos

Gráfico 02 - Comparativo do desempenho das 5ª séries em matemática


REFERÊNCIAS ÁLVAREZ MÉNDEZ, Juan Manuel. Avaliar para conhecer, examinar para excluir. Porto Alegre: Artmed, 2002. BRASIL, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional. CHUEIRI, Mary Stela Ferreira. Concepções sobre a Avaliação Escolar. Associação Brasileira de Avaliação Educacional – Abave. Estudos em Avaliação Educacional, v. 19, n. 39, jan./abr. 2008. DRUMMOND. Carlos de Andrade. No meio do caminho. Revista de Antropofagia. s/l, 1928. ESTEBAN, Maria Teresa. A avaliação no processo ensino/aprendizagem: os desafios postos pelas múltiplas faces do cotidiano. Revista Brasileira de Educação. n. 19, jan./abr. 2002. FERNANDES, Cláudia de Oliveira. Indagações sobre currículo: currículo e avaliação. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Básica, 2007. LUCKESI, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem e ética. Revista ABC EDUCATIO, n. 54, mar. 2006, p. 20-21. Disponível em: www.luckesi.com.br. _______, Cipriano Carlos. Avaliação da aprendizagem: componente do ato pedagógico. São Paulo: Cortez, 2011. MELCHIOR, Maria Celina. Avaliação pedagógica: função e necessidade. Porto Alegre: Mercado Aberto, 1994. PATTON, Michael Quinn. Avaliar: o quê? para quê? para quem? Disponível em: http://www.nossocotidiano.com.br/2010/09/avaliar-o-que-para-que-para-quem.html. Acesso em: 20 jan. 2012.

Espelho, espelho meu, quem reprova mais que eu?  

Avaliação da aprendizagem